Muito bem. Certo. Muito bem.
Vamos orar mais uma vez.
Senhor, que alegria é poder estar até mesmo à margem da Tua grande obra. Quando ouvimos sobre a Tua fidelidade para com Seth e, Senhor, sobre a maneira poderosa como Tu ages, cuidas e amas cada um de nós, isso desperta adoração em nosso coração. Nós Te bendizemos e somos gratos pelo privilégio de estar ao lado deles neste momento.
Queremos permanecer firmes e ver a poderosa salvação do nosso Deus, e ouvir sobre a obra gloriosa que Tu farás, tudo para a Tua honra e o Teu louvor.
E, Senhor, somos gratos porque podemos continuar na Tua presença. Somos gratos porque Tu não nos deixaste sozinhos. Tu Te importas com cada um de nós. Desejas que partamos este pão da vida, a Tua Palavra, e verdadeiramente nos alimentemos dele, para sermos nutridos e fortalecidos para os dias em que vivemos.
Somos gratos, Senhor, pela unção e pela capacitação do Teu Espírito Santo, que toma aquilo que está escrito em uma folha de papel e o traduz de uma maneira que traz vida ao nosso próprio ser e nos transforma.
Senhor, nós Te adoramos. Como somos abençoados, recebendo tão abundantemente a graça e o amor de Deus! Queremos continuar agora na Tua presença, abrindo os ouvidos e os olhos do nosso coração para Te contemplar de uma maneira nova.
Em nome de Jesus, amém.
Como começamos a falar na semana passada, o que o Senhor colocou no meu coração é esta questão de uma das chaves para a restauração. Dissemos que existem muitas chaves, mas uma que tem estado no meu coração é esta questão de amar uns aos outros. Tocamos nisso na semana passada, e gostaria de continuar nesta semana com outra pequena expressão daquele versículo: “Como Eu vos amei”.
“Como Eu vos amei” será realmente o nosso foco. Os versículos que temos considerado estão em João, e são três versículos. João registra essas palavras enquanto o Senhor fala com os Seus discípulos. Isso acontece quando o Senhor está encerrando o Seu ministério terreno. É um momento muito íntimo e precioso com os Seus discípulos.
Vamos começar em João 13:33:
Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós Me buscareis; e, como disse aos judeus: Para onde Eu vou, não podeis vós ir; Eu vo-lo digo também agora.
Que coisa preciosa: “Meus queridos filhinhos”. Mas, para encorajá-los, Ele continua:
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
— João 13:34-35
Gosto muito de como Ele acrescenta isso. “Amem uns aos outros”, e Ele não para aí. Ele faz esta provisão: “Como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros”. Desse amor mútuo surge um testemunho glorioso: por isso, todos saberão que vocês são Seus discípulos, se tiverem amor uns pelos outros.
Na semana passada, quando começamos isto — acho que podemos chamar de uma série, ou de uma reflexão conjunta —, falamos sobre os dias de crise em que estamos, como Jack também mencionou ao falar do novo livro que será lançado. Estes são dias de crise.
Somos gratos porque o Senhor fez provisão para este tempo. Ele não nos deixou desamparados. Não nos deixou como órfãos, mas fez provisão para atravessarmos tudo isso — não apenas de qualquer maneira, mas triunfantemente Nele, por meio da Sua vida plenamente vitoriosa.
Embora estes sejam dias de crise, desde a queda de Adão nosso Senhor tem realizado uma grande obra de restauração. Ele é o Deus da restauração. Hoje, Ele está restaurando o testemunho de Jesus: a realidade de Cristo como Cabeça, a realidade da Sua vida sendo vivida e expressa por meio do Seu povo, individual e coletivamente.
É um testemunho Dele, não nosso. Graças ao Senhor, esta é a obra que Ele está realizando hoje.
Como mencionamos na semana passada, a chave para essa restauração começa no coração de cada irmão e irmã. Ela se torna realidade quando nosso coração é despertado e se dedica a Ele, quando O conhecemos — conhecemos Seu coração, Seu desejo e Seu propósito — e o Espírito Santo realiza um despertamento dentro de nós. Dizemos: “Senhor, queremos que Tu restaures tudo o que buscas nestes dias”.
É por isso que estamos considerando uma das chaves: esta questão de amar uns aos outros. Oramos para que, como o Senhor diz em Apocalipse 2 e 3, tenhamos ouvidos para ouvir o que o Espírito está dizendo. O chamado está sendo dirigido a todos. Queremos estar entre aqueles que respondem.
Mencionamos que, quando se trata dessa questão da restauração, existem dois aspectos essenciais. Há o relacionamento muito pessoal e íntimo que temos com Ele. Acabamos de falar sobre como nosso coração é despertado. Esse é o relacionamento vertical que cada um de nós tem individualmente com Ele.
Depois, há também a restauração desse amor uns pelos outros, o relacionamento horizontal. É por meio desse amor mútuo que prossegue a grande obra de edificação da casa de Deus, o fortalecimento do corpo de Cristo. Esse é o testemunho que o mundo vê, e é isso que prepara a noiva para o Seu breve retorno.
Portanto, é uma grande obra para a qual Ele nos chamou. É uma grande obra que Ele está realizando em nosso meio, e queremos estar entre aqueles que cooperam com Ele.
Também mencionamos na semana passada que, quando falamos dessa questão do amor, estamos falando, na verdade, de que Deus é amor. Estamos falando Dele, da Sua vida. É o Seu próprio caráter e a Sua natureza.
Tudo o que Ele faz — tudo o que Deus fez desde a eternidade passada até a eternidade futura — tem origem no Seu coração de amor: um coração de amor pelo Seu Filho, um coração de amor pela humanidade. Tudo o que Ele faz está fundamentado nisso.
Vemos nesse amor um amor divino, que se sacrifica, sempre tendo em vista o Seu objetivo final. Vemos esse amor manifestado em um Pai disposto a sacrificar Seu Filho e em um Filho disposto a entregar Sua vida pelos outros.
Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
— João 15:13
Essas não eram apenas palavras para encorajar as pessoas. Eram palavras que testemunhavam uma vida vivida e entregue, vista na própria pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo.
Ao prosseguirmos hoje, queremos olhar para o contexto de João 13 a 17, porque é aí que tudo começa. O Senhor está deixando aqueles com quem esteve, deixando Seus discípulos e preparando o coração deles.
João 13 a 17 é, na verdade, uma palavra de encorajamento e preparação para que Seus discípulos atravessem a vida e a crise que teriam pela frente. Também penso que isso pode ser muito encorajador para nós nestes dias, diante daquilo que nos espera.
O texto começa assim:
Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.
— João 13:1
Jesus sabia que a Sua hora havia chegado: aquela hora do Calvário. Ele sabia que ela estava ali. Não foi algo que O pegou de surpresa. Ele sabia que era uma realidade. Ele partiria deste mundo, voltando para Seu Pai.
Tendo amado os Seus que estavam no mundo, Ele havia amado aqueles discípulos e tantas outras pessoas na terra que tocou. A versão New American Standard diz “até o fim”, mas não gosto dessa expressão. Gosto de “até o extremo”. “Fim” dá a impressão de que, em algum momento, Seu amor chegou ao fim. Sabemos que isso não acontece.
É por isso que gosto das outras traduções que dizem que Ele os amou até o extremo. Não há começo nem fim para o Seu amor. Ele está sempre presente. É sempre plenamente suficiente. Louvado seja Deus por isso.
Ao considerarmos esses versículos de João 13, é sempre bom lembrar que esta é a última vez em que o Senhor está com os discípulos antes da cruz. Ele está prestes a demonstrar esse amor a eles no Calvário. Eles não vão compreender plenamente tudo o que está acontecendo, por isso Ele os está preparando.
Nos dias em que vivemos, há muitas coisas que não entendemos, mas Ele está preparando nosso coração para atravessá-las.
Ele fala do Seu amor que nos guarda ao longo de João 13 a 17. Se vocês lerem esses capítulos, verão que eles falam repetidamente de quanto o Pai nos ama, de quanto o Senhor nos ama e de como amamos uns aos outros. Por meio de todo esse amor, acontece uma grande obra de edificação. Tudo está profundamente entrelaçado ali.
Tudo o que Ele compartilha é para nos preparar para o que vem pela frente. Se vocês observarem João 13 a 17, verão que Ele também fala da bênção na qual fomos introduzidos: a grande bênção de fazer parte dessa grandiosa comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ele usa diferentes maneiras de descrevê-la. Às vezes, estamos na videira com Ele. Em outros momentos, fala do amor do Pai Nele: Ele está no Pai, o Pai está em nós, nós estamos em Cristo e Cristo está em nós.
Se vocês lerem depressa demais, podem acabar se perdendo. Vocês dizem: “O que é tudo isso?” Mas, se forem com calma e percorrerem o texto, verão: “Nossa, fomos introduzidos em toda essa grande realidade”. É algo maravilhoso.
No início de João 13, vemos nosso Senhor, o Rei do universo, o Criador, lavando humildemente os pés dos discípulos. Eles não entendem. Ele diz: “Isto é um exemplo”. Vemos que os discípulos não compreendem muitas coisas, mas o Senhor continua demonstrando, sabendo que, por fim, eles verão e entrarão nessa realidade.
Não é assim na maior parte da nossa vida cristã? Vemos alguma coisa, ouvimos uma verdade, aprendemos algo, e sabemos muito bem que não compreendemos plenamente. Mas sabem de uma coisa? Nós cremos.
Continuamos seguindo, permanecendo Nele, andando com Ele, e começamos a perceber: “Ah, é isso. Ah, agora isso está fazendo um pouco mais de sentido”. Começamos a ganhar entendimento. Louvado seja Deus, há uma progressão nesta vida.
Quando Ele nos mostra alguma coisa, não espera que sejamos instantaneamente, vocês sabem, um Einstein espiritual e entendamos tudo.
Vocês sabem, quando se fala dos gênios deste mundo, o que sempre fica registrado é seu grande sucesso. Mas, se vocês observarem qualquer um desses gênios — os inventores —, a taxa de acertos deles não é tão boa. Eles fracassaram mais vezes do que tiveram êxito. Foi por meio dos fracassos que finalmente alcançaram o sucesso.
Às vezes, não nos sentimos assim na vida cristã? Parece que fracassamos: “Ah, falhei de novo”. Mas Ele ainda nos ama, nos encoraja a continuar, e aprendemos com isso. Continuamos, percebendo que não sou eu, mas Cristo, e prosseguimos em direção a tudo isso.
Como dissemos, Ele começa lavando os pés deles. Depois, o texto diz que o Senhor Se perturbou em espírito. Isso sempre me impressiona. Ele Se perturba em espírito porque está dizendo àqueles homens que será traído. Eles também não entenderam isso. “Do que Ele está falando?”
Nesse momento, Judas sai da sala. É significativo que isso tenha sido registrado, porque nosso Senhor havia lavado os pés de Judas. Falaremos disso em outra ocasião. Mas isso mostra Seu amor por todos e Seu desejo por cada um. Sabendo muito bem que Judas O trairia, Ele Se humilhou e lavou os pés dele.
Agora, Ele está sozinho com os onze discípulos que permaneceram e compartilha com eles os versículos centrais que lemos. Ele vai partir, eles não podem acompanhá-Lo, e também não entendem isso.
Depois, em João 13, após os versículos que lemos, o capítulo termina com Ele dizendo a Pedro que Pedro O negará. “Pedro, você vai Me negar três vezes”. É claro que Pedro nega que isso vá acontecer. Ele diz: “Não, eu nunca Te negarei”. Sabemos o restante da história, como Pedro acabou negando o Senhor.
Mas, quando paramos e refletimos sobre a mensagem de João 13, vemos que esse foi um momento muito reservado e íntimo com os discípulos. Ele foi aberto a todos nós, mas o espírito daquele momento era íntimo e pessoal.
Isso é tão precioso para nós. É nesse espírito que o Senhor está compartilhando essas coisas com cada um de nós. Este é um momento muito reservado e pessoal para considerarmos tudo o que Ele nos diz, para nos preparar para os dias que estão à frente e para que muito mais da Sua vida seja visto por meio de nós.
Como dissemos, a primeira coisa que Ele lhes fala é a mais essencial, é a principal — como temos dito muitas vezes. Como mencionamos na semana passada, essa coisa principal, conforme John nos lembra, é manter a coisa principal como a principal.
Ele lhes dá esse precioso tesouro espiritual. Há uma razão para lhes dar isso. Ele diz: “Estou lhes dando isso para que vocês não tropecem”.
Lembrem-se de que, no início de João 16:1, Ele diz: “Quero impedir que vocês tropecem”. Ele sabe que haverá tentações. Sabe o que está à frente. Conhece aqueles homens. Eles não conhecem a si mesmos, como veremos daqui a pouco, mas Ele os conhece. Ele está procurando encorajá-los e prepará-los.
Ele nos conhece. Muitas das coisas que compartilha conosco por meio desses versículos têm o propósito de nos impedir de tropeçar e duvidar enquanto atravessamos alguns dos desafios que temos pela frente.
Ao chegarmos a esse trecho, lemos:
Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós Me buscareis; e, como disse aos judeus: Para onde Eu vou, não podeis vós ir; Eu vo-lo digo também agora.
— João 13:33
Então vem aquele tesouro especial sobre amar uns aos outros. Vamos refletir sobre esses versículos. Eu não sabia quantas vezes deveria colocá-los na tela, mas pensei: bem, com Ele, não há problema em pecar pelo excesso. Se vocês acharem que há, desculpem a repetição, mas tudo bem.
Mais uma vez:
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
— João 13:34-35
Como é precioso o tesouro dessas palavras.
Ao olharmos para o início de João 13, lembramos que João 13 a 17 forma uma unidade. É uma seção inteira dentro do Evangelho de João. Quando olhamos para o final de João 17, vemos o mesmo espírito que encontramos desde o começo, resumido ali no encerramento.
Ele encerra aquele momento com essa oração específica. Ela é chamada de oração do Senhor, ou oração sacerdotal. Esta é realmente a Sua oração, aquilo que Ele está pedindo pelos discípulos. Assim como sabemos que as primeiras coisas compartilhadas são tão essenciais, as últimas também são muito importantes, igualmente essenciais para nós.
Ao olharmos para essa oração no final de João 17, vemos que Ele está orando ao Pai:
Pai justo, o mundo não Te conheceu; mas Eu Te conheci, e estes conheceram que Tu Me enviaste.
E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais; para que o amor com que Me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja.
— João 17:25-26
Ele está dizendo que aqueles por quem ora conhecem a realidade. Eles sabem que Tu Me enviaste. “Eu lhes fiz conhecer o Teu nome” — Ele o revelou a eles —, “e continuarei a fazê-lo conhecido, para que o amor com que Tu Me amaste esteja neles, e Eu neles”.
Esse amor do Pai dentro deles, assim como o Senhor e o Pai são um, nos mostra, nessa visão panorâmica de João 13 a 17, quanto essa questão de amor e unidade está interligada.
O amor é, como mencionamos na semana passada, o vínculo perfeito da unidade. Não pode haver unidade sem amor uns pelos outros. Pode haver uma congregação; as pessoas podem se reunir. Pode haver uma equipe. Mas o que faz uma equipe ter sucesso?
Nos esportes coletivos, as vitórias vêm pela unidade. Uma equipe vence quando, talvez, um jogador abre mão de si mesmo um pouco para que os outros possam contribuir.
Acho que já mencionei isso antes, mas Stell e eu vamos ao Brasil com bastante frequência. Uma das coisas que aprendi no Brasil foi sobre futebol, como eles chamam — soccer, como chamamos nos Estados Unidos. Eu não sabia nada a respeito, mas o Brasil produz alguns dos maiores jogadores de futebol da história do esporte. E continua produzindo.
O Brasil já ganhou várias Copas do Mundo, mas seu maior problema para ganhar Copas é ter estrelas demais na equipe. Todos os jogadores atuam em clubes da Europa ou de outros lugares, e estão ganhando de cinquenta a cem milhões por ano.
Você pede a alguém assim que abra mão de si mesmo pelos outros jogadores, e acaba tendo uma equipe de indivíduos correndo pelo campo. Por outro lado, muitas vezes vemos uma seleção como a França, ou uma equipe de lá, entrar em campo e jogar em conjunto. Eles vencem a partida.
É isso que o Senhor está tentando colocar na nossa cabeça dura: a necessidade que temos uns dos outros. Esse “uns aos outros” inclui todos. Não está dizendo que precisamos apenas de alguns. Todos nós precisamos uns dos outros, e precisamos estar juntos nisso.
Este é o exemplo que o Senhor nos mostra: a unidade que Eles têm na Divindade. Ele quer que isso se torne realidade em nosso coração e em nossa vida.
À medida que tocamos mais e mais o Seu coração e a Sua vida, vemos o precioso tesouro no qual fomos introduzidos. Começamos a ver aquilo que não enxergamos com nossos olhos naturais: o precioso tesouro uns nos outros, o precioso tesouro em Isaiah. Não é apenas por ter um grande nome que ele é especial. Não, é o tesouro nesse nome, o tesouro nele. Que tesouro!
Cada um tem um tesouro. Alguns de nós se conhecem há bastante tempo. Que tesouro existe dentro de cada um! Será que realmente o valorizamos?
Somente assim esse testemunho pode ser plenamente restaurado e expresso nos dias de hoje. Este é o desejo do Seu coração: ver nosso coração entrelaçado em unidade com o Seu coração, para o cumprimento do Seu propósito e a concretização do Seu retorno.
Na verdade, isso se chama comunhão. A unidade da comunhão na qual fomos introduzidos com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É impressionante aquilo em que fomos introduzidos.
Sem nenhuma ressalva, Ele nos traz para esse lugar de comunhão e revela isso ao longo de João 13 a 17. Não é como se fôssemos cidadãos de segunda classe. Ele diz: “Vejam, tudo o que o Pai tem, Eu dou a vocês. O Espírito da verdade revela tudo a vocês. O Pai está em vocês. Eu estou em vocês. Vocês estão em Mim”.
Não é como se houvesse esse grupo de elite: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É claro que Eles são únicos. Mas, nessa comunhão, Ele diz: “Não, estamos compartilhando mutuamente, uns com os outros”. Há um lugar para o qual vocês foram trazidos.
Agora, nós não temos a divindade e tudo isso. Não levem essa ideia longe demais. Mas vemos que, na comunhão, existe uma união, uma unidade, um acesso sem impedimentos que temos a Ele, e queremos que Ele tenha esse acesso sem impedimentos a nós.
O impedimento nessa comunhão não vem do lado Dele. Muitas vezes vem do nosso lado, quando não estamos realmente abrindo nosso coração e permitindo que Ele trabalhe como deseja.
Deus deseja ardentemente que O conheçamos, e essa é uma mensagem recorrente ao longo de João 13 a 17. Na verdade, estou aqui fazendo propaganda de João 13 a 17, caso vocês ainda não tenham percebido.
Estamos apresentando uma visão panorâmica, e aprecio como alguns professores da Bíblia dizem que, ao compartilhar, devemos apresentar essa visão geral. Mas o que queremos é estimular os irmãos e as irmãs a voltar ao texto. Ao olhar para esse panorama, eles dizem: “Nossa, quero ver esse detalhe”, e podem se aprofundar nisso.
Ao longo desses capítulos, Ele quer que conheçamos essa bela comunhão na qual fomos introduzidos. Quer que conheçamos essa necessidade absoluta de amar uns aos outros. Isso realmente não é uma opção. Para que possamos de fato prosseguir, é uma necessidade absoluta.
Ele quer que todos nós — cada um de nós — conheçamos isso. Assim que dizemos “cada um de nós”, automaticamente alguns pensam: “Bem, mas isso não inclui a mim”. Mas inclui, sim. Ele quer que cada um de nós saiba quanto o Pai nos ama, quanto Jesus nos ama e quanto o Espírito Santo nos ama.
Quanto os três estão a nosso favor nisso, para produzir glória e honra.
Como dissemos, Ele quer que conheçamos a pessoa do Espírito Santo. Ele não nos deixou sozinhos, como órfãos. Ele vem, e nos deixou o Espírito Santo. Mesmo nesses poucos capítulos, Ele fala do Espírito Santo como o Auxiliador, o Consolador, o Paráclito, o Espírito da verdade, e assim por diante, para revelar Cristo. É isso que o Espírito Santo busca.
Ah, que possamos realmente enxergar essa mensagem recorrente. Ela reforça dentro de nós a mensagem geral de que Deus é um Deus de propósito. Ele está fazendo isso com um objetivo final em vista. Está realizando essa obra de restauração por meio de tudo isso.
Ele nos lembra de que fez toda a provisão para nós em Cristo Jesus. Que vida temos! Seja o que for que esteja diante de nós, existe um lugar de completa segurança. Ele nos segura em Sua mão. Nunca nos solta. Está sempre intercedendo por nós.
Ele está suplicando: “Pai, não os tires do mundo, mas guarda-os enquanto atravessam o mundo. Sustenta-os no meio do mundo”. Ele conhece o mal que há no mundo. Conhece todos os desafios que enfrentaremos. Sustenta-os ali, Senhor, enquanto permanecem em Ti e descansam em Ti.
Louvado seja Deus, Ele voltará e completará tudo o que começou. Somos gratos por isso.
Enquanto considerava esses versículos centrais — vou chamar assim os três versículos que estamos examinando, apenas como referência —, pensei: por que essa é a primeira coisa que Ele compartilha com eles? Por que Ele lhes diz isso?
Para mim, surgiram três aspectos.
Primeiro, Ele conhece os desafios que eles enfrentarão quando Ele partir. Sabe como a fé deles será desafiada: dúvidas, sofrimentos, medos, rejeições, perseguições, negações, o sentimento de abandono, tudo o que enfrentarão. Vemos como os discípulos experimentaram todas essas coisas.
Por isso, Ele os está preparando. Não diz: “Não tenham essas coisas”. Ele diz: “Quando vocês tiverem dúvidas, Eu amo Tomé e sustentarei Tomé quando ele estiver duvidando de Mim. Quando vocês tiverem medo, quando Me rejeitarem, quando Me abandonarem — quando um Me negar, quando todos fugirem e Me abandonarem no Getsêmani —, Eu ainda amo vocês. Ainda os tenho em Minhas mãos”.
Há uma provisão aqui para eles. Ele está procurando ajudá-los a enxergar de maneira mais plena e ampla quanto precisam permanecer juntos na unidade que têm Nele, para vencer todos os desafios que enfrentarão.
Irmãos e irmãs, essa é exatamente a mesma razão pela qual Ele compartilha isso conosco. Ele nos diz essas coisas porque sabe o que enfrentaremos. Não sabemos o que está à frente, mas sabemos Quem está à frente, e é Ele Quem nos conduz através de tudo.
Esse é o espírito de João 13 a 17. Não estou buscando uma compreensão teológica desse trecho. Não se trata de um estudo desse tipo. É um estudo da vida, contemplando a Sua vida, que Ele desejava transmitir a nós para nos conduzir triunfantemente.
A segunda coisa que percebi é que Ele sabe que eles nem sempre se dão bem. Vocês conseguem imaginar santos que não se dão bem? Não sei. Quer dizer, olhem para nós. Nós nos damos bem o tempo todo. Nenhum problema, vocês sabem.
Mas Ele os conhece e sabe que nem sempre se dão bem uns com os outros. Lembram-se de quando a mãe de Tiago e João foi pedir uma posição de preferência? “Senhor, no Teu reino, permite que um se sente à Tua direita e o outro à Tua esquerda”. O que os outros acharam?
O texto diz que ficaram indignados. Ficaram realmente irritados porque não tinham pedido primeiro. Estavam com ciúmes.
“Como assim vocês colocam a mãe de vocês para agir a seu favor?” Ah, isso é um golpe baixo, quando vocês tentam envolver a mãe. Aí a coisa fica séria.
Mas vemos como eles não conhecem uns aos outros e, às vezes, não se dão bem. Quando o Senhor lhes diz que vai a Jerusalém — “Quando Eu for a Jerusalém, serei preso, serei considerado culpado, serei crucificado, mas ressuscitarei” —, o que eles fazem?
Começam a orar por Ele? Não, estão discutindo e conversando entre si: “Quem é o maior?” Se Ele vai embora, quem será o maior? “Eu vou ser o número um”. “Não, João, deveria ser eu”. “Não, eu fui o primeiro a ser escolhido”. Cada um tem seu pequeno argumento sobre por que deveria ser o número um.
Também é interessante que, depois da Ceia do Senhor, depois de Ele lavar os pés deles, depois de participarem da Ceia e de Ele dizer que um deles O trairia, estavam novamente discutindo sobre quem era o maior.
Irmãos e irmãs, Ele sabe que não nos damos bem o tempo todo, mas está nos mostrando um caminho para atravessar isso. Discutimos sobre quem é o maior, quem é o número um, quem é isto ou quem é melhor do que fulano: “Minha torta de maçã é melhor do que a dela. Por que as pessoas não reconhecem isso? Meu frango na manteiga é melhor do que o dela”. Tenho que incluir algumas coisas indianas agora.
Ficamos com ciúmes quando todos elogiam o que alguém faz, isto ou aquilo. Portanto, vemos que conosco é a mesma coisa. Podemos nos ofender uns com os outros. Podemos ficar aborrecidos. Mas Ele não os descarta.
Sabem o que é bonito nisso? Vemos quanto Ele conhece esses discípulos, e Ele não desqualifica nenhum deles. Agora, está falando com os onze. Judas já saiu. Ele sabia que um O trairia, e isso aconteceu para que a Escritura se cumprisse.
Judas havia saído. Aqueles eram os que ficaram. Ele sabe, Ele os vê, Ele os conhece muito melhor do que eles conhecem a si mesmos. Não diz: “Todos vocês serão desqualificados. Vou encontrar outro grupo”. Não. Ele diz: “São vocês”.
Irmãos e irmãs, somos nós. Temos que prosseguir e atravessar tudo isso. Não temos essas alternativas.
Finalmente, como dissemos, Ele sabe que eles não conhecem a si mesmos. Ele diz a Pedro que Pedro O negará, e Pedro responde: “Não, não, não”. Muitas vezes, quando lemos essa história, paramos em Pedro dizendo que não.
Mas, se vocês olharem em alguns dos Evangelhos, o que todos os outros disseram? Concordaram com Pedro: “Nós nunca Te negaríamos”. Portanto, na verdade, os onze disseram isso. Pedro acaba sendo exposto publicamente mais do que os outros, mas todos estão comprometidos: “Nunca faremos isso”.
Depois, lembrem-se de Tiago e João. Como eram chamados? Eram os filhos do trovão. Queriam fazer descer raios sobre aqueles que não concordavam com nosso Senhor, que não O recebiam.
É impressionante como João acaba sendo transformado no apóstolo do amor. Esse é um assunto completamente diferente. Mas o Senhor deseja que eles sejam guardados de tropeçar, porque conhece essa possibilidade.
Lembrem-se do Getsêmani. Quando vieram prendê-Lo, quantos permaneceram ali com nosso Senhor Jesus? Nenhum deles. Todos fugiram. Todos fugiram quando O prenderam — não apenas Pedro e João; todos fugiram.
Mesmo assim, Ele diz: “Amem uns aos outros”.
Ao olharmos para esses versículos, penso que é útil enxergar o coração e o propósito do Senhor para eles, assim como a condição desses discípulos. Se tivermos uma perspectiva melhor sobre eles, creio que isso poderá nos ajudar a nos identificar com eles.
Às vezes, quase inconscientemente, podemos colocá-los em um pedestal. “Ah, olhem para esses onze. Eram tão especiais”. Eram isto ou aquilo. Mas eram de carne e osso. Vestiam as calças como nós. Caminhavam e tinham dificuldades, problemas e tudo mais.
Mas o Senhor os usou. Eram os Seus escolhidos. Irmãos e irmãs, cada um de nós é um escolhido, um escolhido com um tesouro especial. Esse tesouro dentro de nós deseja transbordar.
Ele está nos mostrando o caminho para que esse tesouro se manifeste e nos conduza — não apenas fazendo-nos atravessar tudo com os dentes cerrados, mas conduzindo-nos triunfantemente, sendo mais que vencedores por meio Daquele que primeiro nos amou. Louvado seja Deus por isso.
Vamos olhar agora para esses versículos. João 13:33. A expressão-chave que está realmente no meu coração é essa pequena palavra bem no início: “Filhinhos”.
“Filhinhos”. Essa expressão significa, na verdade, “meus queridos filhinhos”. Há um relacionamento íntimo e pessoal com esses queridos.
É a única vez que essa palavra, essa expressão, é usada por nosso Senhor Jesus. É a única vez que Ele a usa. Ela é usada por outra pessoa — Sua mãe — uma vez, quando Ele era criança e O encontram no templo.
Todos tinham ido a Jerusalém quando Ele era criança e depois partiram de volta para o lugar de onde vieram. Então perceberam que Jesus não estava com eles, e tiveram que voltar a Jerusalém. Encontraram-No no templo. Quando Sua mãe fala com Ele, usa essa pequena palavra.
É uma palavra muito específica, especial. Não é uma palavra comum, habitual. Na verdade, é a única vez que alguém a usa nos Evangelhos. No Novo Testamento, ela é muito rara.
João, por ser um dos Seus discípulos e o apóstolo do amor, a usa sete vezes em sua primeira epístola, 1 João. Mas essa expressão, “filhinhos” — imaginem agora que Ele está dizendo isso a vocês.
Ele está dizendo isso a cada um de nós. Não se limita apenas àqueles discípulos. Ele está escrevendo isso para nós. Esse é o relacionamento; essa é a Sua perspectiva de quem somos.
Ele não está lá em cima, distante, como Deus Todo-Poderoso. Ele desceu, lavou seus pés, morreu por você e agora está dizendo: “Meus queridos filhinhos, Eu sei pelo que vocês terão que passar”.
Ele procura chamar nossa atenção por meio da ternura, dessa palavra preciosa e terna. Está chamando por eles para confortá-los e consolá-los, porque sabe que, em meio a tudo isso, precisarão da Sua proteção, orientação, sustentação e cuidado, por causa de quem são, por causa das suas fraquezas.
Nós precisamos disso tanto quanto eles, por causa das nossas fraquezas. Senhor, precisamos de Ti. Precisamos Dele a cada hora. Precisamos Dele a cada minuto, a cada segundo.
Ele está procurando fazê-los saber que nunca Se esquecerá deles. Nunca os deixará, nunca os abandonará. É por isso que Ele diz em João 14:
Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.
— João 14:18
“Vocês não serão deixados como órfãos. Estou deixando vocês por um tempo, mas voltarei. Não estou deixando vocês como órfãos, porque lhes enviarei um Auxiliador, e somos do mesmo Espírito”.
Ah, que amor Ele tem! Vemos esse amor terno, afetuoso e compassivo. É uma grande palavra de consolo.
É interessante que, nos casamentos ou nas famílias, geralmente maridos ou esposas, pais ou mães têm uma palavra carinhosa com a qual se dirigem a alguém — a um dos filhos, à esposa ou ao marido.
Pode ser algo muito particular. Para outra pessoa, não significa nada. Pode ser “meu bem” isto ou “meu bem” aquilo. Talvez não signifique nada para a maioria das pessoas, mas, para vocês dois, representa uma ligação especial.
“Nossa, quando meu pai me chama assim, quando minha mãe me diz isso, quando minha esposa ou meu marido usa essa expressão comigo”, existe uma conexão. É um coração falando com o outro.
É isso que Ele está fazendo. “Vocês são Meus queridos filhinhos especiais”. Ele diz isso a cada um de nós. Que lugar de conforto! Que lugar de segurança e de experimentar Seu grande amor, que Ele derrama sobre nós ao nos chamar dessa maneira! Louvado seja Deus por isso.
Então, tendo chamado a atenção deles, Ele compartilha essa tremenda palavra de encorajamento: “Um novo mandamento vos dou: amem uns aos outros; como Eu os amei, vocês também amem uns aos outros”. Que novo mandamento!
Lemos isso, “um novo mandamento”, e pensamos: “Espere um pouco. No Novo Testamento, não temos mandamentos”. Mas vemos que esta é uma maneira nova, renovada, de Ele Se expressar.
Esse novo mandamento que Ele deu vem de uma nova fonte. É uma nova natureza, que se origina em um novo centro de vida. Há novidade de motivação, novidade de alcance e de testemunho, e ele traz algo novo, cheio de vida.
Não é algo envelhecido, antigo, ressecado; há frescor. Há frescor de vida. Ele é sustentado por um exemplo mais elevado e mais puro, e esse exemplo é a Sua vida.
O que é esse novo mandamento? Qual é a fonte desse novo mandamento? É a Sua vida: Cristo em nós, Sua vida expressa em nós. Essa é a fonte de vida.
Quando Ele diz: “Amem uns aos outros, como Eu os amei”, não espera que façamos isso por nós mesmos. Ele diz: “Olhem para Mim, para como Eu os amei”. Agora, essa vida está vivendo dentro de vocês. Deixem que essa vida em vocês seja expressa enquanto amam uns aos outros.
Às vezes, quando pensamos nesse novo mandamento, talvez digamos: “Espere um pouco, isso não parece inteiramente novo. Já ouvi algo assim”. As pessoas perguntaram ao Senhor: “Qual era o maior mandamento?”
Ele respondeu, citando Deuteronômio e Levítico:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
— Mateus 22:37-40
Quando comparamos isso com o que Ele está dizendo, qual é a fonte dos mandamentos do Antigo Testamento? É o próprio eu. No Antigo Testamento, Ele diz: “Você fará”. No Novo Testamento, é: “Ele fará”.
No Antigo Testamento, era: “Você fará isto. Você fará aquilo. Você fará isto”. Neste mandamento, Ele diz: “Amem uns aos outros como Eu os amei”. Eu farei isso. Ele fará isso.
Quando Ele nos dá esses encorajamentos e tudo mais, Ele mesmo fará isso. É a Sua nova fonte de vida e de tudo. O povo de Israel nunca foi chamado a entregar a vida uns pelos outros. Vocês não veem isso sendo expresso.
O que faz desse mandamento um novo mandamento é que ele é muito mais rico e tem uma nova fonte. Essa nova fonte é simplesmente a Sua vida, aquela vida de amor, aquela vida ágape.
Não apenas amor fraternal — louvado seja Deus pelo amor fraternal —, mas aquele amor ágape que se sacrifica: a vida Daquele que nos amou muito mais do que amou a Si mesmo. Não é nosso amor natural pelo próximo, mas a maneira como Ele demonstrou esse amor por nós no Calvário.
Kenny mencionou, algumas semanas atrás, em Romanos 13:10, como o amor resume toda a lei. É isso que a resume, que a completa. Agora existe uma maneira de vivê-la. Existe uma nova maneira de vivê-la.
Esse novo mandamento sempre me toca. Quando pensamos em nosso Senhor Jesus, Ele fala do Seu amor. Ele nos amou tanto, e ouvimos isso tantas vezes que acaba perdendo o impacto.
Um irmão estava pegando no sono. Eu só precisava acordá-lo.
Mas vemos como isso perde o impacto: Ele morreu por nós. Ele nos amou tanto que esteve disposto a morrer por nós. Nossa!
Ouvimos isso novamente todos os dias, toda vez que estamos à mesa do Senhor. Esse é o padrão que temos. Este é Aquele que morreu por nós. Por quê? Ele morreu por nós para poder viver em nós.
Para que essa vida continuasse a viver e a produzir fruto, muito fruto, fruto que permaneça para Sua glória e Sua honra. Sua morte por nós não foi simplesmente o fim; foi para que pudéssemos entrar na alegria de tudo o que Ele tem para nós.
Encontrei esta citação de um irmão mais velho da Escócia. Ele disse: “Seu amor agora deve ser visto por meio de novos vasos”. Esses vasos somos nós. “Reforçado por novas motivações”, à medida que Ele trabalha em nós. Temos novas motivações para cuidar uns dos outros e novas obrigações.
Agora, “obrigações” parece: “Ah, isso é legalismo”. Paulo, quando falou do amor de Cristo, disse: “Sou governado. Sou constrangido”.
Às vezes, quando você tem que fazer alguma coisa, pensa: “Espere um pouco, isso parece legalismo, ter que fazer”. Não, isso vem de um grande amor que o leva a ter que fazer isso. Não há outra opção.
Acho que a opção é que você sempre pode dizer: “Não, Senhor, não vou fazer isso”. Mas, dentro de você, diz: “Eu simplesmente preciso fazer isso. Sinto-me obrigado. Tenho que fazer”.
Vemos isso ilustrado na vida ao longo da história e na vida das pessoas hoje. Há uma nova maneira de obedecer. Existe uma obediência que não vem de nós mesmos, mas Dele. Seu amor está trabalhando em nós para nos transformar e nos conformar à Sua imagem. Louvado seja Deus.
Vemos isso desenvolvido e explicado cada vez mais ao longo de João 13 a 17. Vemos como esse novo mandamento impactou Pedro.
No final do Evangelho de João, o Senhor lhe perguntou — e conhecemos essa passagem —: “Você Me ama?”, usando a palavra ágape. Pedro disse: “Não, eu apenas tenho amor phileo por Ti. Não posso dizer que tenho esse amor ágape. Tenho um amor fraternal. Tenho muito afeto por Ti”.
Mas, mais tarde, na vida de Pedro, vemos como ele compreendeu. Até mesmo em sua morte, disse: “Não sou digno de ser crucificado como nosso Senhor”. A história nos conta que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Ele foi conquistado por esse amor.
Vemos esse maravilhoso testemunho em 1 Pedro 1:22. Gosto muito de como Pedro expressa isso, passando de alguém que disse: “Senhor, não posso dizer que Te amo”, para alguém que entra na realidade de não ser Pedro, mas Cristo em Pedro:
Purificando as vossas almas pela obediência à verdade, para o amor fraternal não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros, de coração.
— 1 Pedro 1:22
Pedro está encorajando aqueles irmãos, em meio aos dias difíceis, às aflições e às provações que enfrentam, a realmente amar uns aos outros ardentemente. Vemos isso impactar também a vida de João.
João é chamado de apóstolo da restauração. É maravilhoso como o Senhor usou esses diferentes apóstolos de maneiras diferentes. Pedro era o pescador; ele saía e trazia as pessoas para dentro. Paulo era o construtor; ele edificava, unindo as coisas.
Depois, no final do primeiro século, vemos João sendo usado para restaurar, para trazer as pessoas de volta a Cristo, aquele grande apóstolo do amor. O apóstolo do amor acaba sendo também o apóstolo da restauração.
Vemos que ele usou ágape trinta e sete vezes em seu Evangelho, muito mais do que qualquer outro. Mesmo em suas três pequenas epístolas — provavelmente vocês podem lê-las em menos de meia hora; nunca cronometrei, mas é bem rápido ler as três —, ele fala de ágape mais de trinta vezes.
Vemos que João, em sua velhice, viveu mais de noventa anos — uma idade que, na verdade, está parecendo cada vez mais jovem.
Mas, quando as pessoas diziam: “Irmão, poderia compartilhar alguma coisa? Poderia nos dizer algo?”, tudo o que ele dizia era: “Filhinhos, amem uns aos outros”.
Ah, esse “filhinhos”! Ele havia ouvido isso mais de sessenta anos antes. O Senhor lhe dissera isso naquele cenáculo sessenta anos antes, e ainda era tão novo para ele aos noventa anos quanto havia sido sessenta anos antes.
Nossa! Quando Deus, quando o Senhor, fala algo ao nosso coração, esse é o frescor do amor. Esse é o frescor da Sua vida. Aquilo era vida para João, e ele a transmitia aos outros: “Vocês são meus filhinhos, assim como o Senhor me disse isso. Não, vocês também são os filhinhos Dele. Louvado seja Deus. Amem uns aos outros”.
Eu ia escolher alguns versículos de 1 João para mostrar quanto ele procurava reforçar isso para aqueles irmãos, mas é difícil escolher apenas alguns. Provavelmente poderia ter colocado toda a carta de 1 João aqui. Teria sido mais fácil ler tudo.
Mas escolhi os que se relacionam a amar uns aos outros. Essa lista também não é completa. João escreve em 1 João 3:11:
Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.
Isso ainda estava vivo em seu coração. Gosto muito quando um querido irmão ou irmã mais velho ainda tem a Palavra de Deus viva no coração. Não estão apenas testemunhando: “Ah, isso aconteceu comigo há muitos anos”. Louvado seja Deus, mas isso ainda está vivo no meu coração hoje: que amemos uns aos outros.
Depois, em 1 João 4:21:
E Dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão.
Louvado seja Deus. Isso vem Dele.
Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros.
— 1 João 4:11
E temos aquele versículo conhecido:
Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.
— 1 João 4:19
Louvado seja Deus por esse primeiro amor com o qual Ele nos tocou.
Já mencionei isso um pouco antes, mas queremos deixar claro: Jesus não diz “Amem uns aos outros” de maneira ingênua. Ele sabe que não conseguimos guardar Seus mandamentos. Amar uns aos outros vem da Sua vida dentro de nós.
Não é um mandamento que nos impulsiona de fora para dentro, mas é o próprio fruto da vida de Cristo em nós. É o fruto da Sua vida. É por isso que, em Gálatas 5, falamos do fruto do Espírito. O primeiro é o amor, porque é assim que funciona.
Ele sabe muito bem que o ser humano não consegue fazer isso. O ser humano nunca foi capaz de fazer o que o Senhor nos ordena. Talvez acertemos uma ou duas coisas de cada vez, mas depois falhamos. Simplesmente não somos capazes.
Mas, louvado seja Deus, Ele nunca desiste de nós. Essa é a beleza que vemos nesses discípulos: como Ele restaurou Pedro. Seu amor por Pedro. Pedro foi restaurado e usado como um vaso para dizer: “Amados, amem ardentemente, de coração”.
Ah, louvado seja Deus por isso! Este é alguém que havia negado o Senhor, negado publicamente, e ainda assim foi usado de maneira poderosa. Ah, quanto Ele deseja nos usar!
Vamos parar por aqui por enquanto, mas queremos continuar a partir disso. Também compartilharei na próxima semana, se o Senhor permitir. Gostaria de olhar para algumas expressões práticas de Cristo estar em nós e, ao vermos Seu amor manifestado em Sua vida, como isso se realiza em nós.
Enquanto falamos do fruto do Espírito, aqui vem o momento emotivo de vocês. Ah. Certo. Ah, não é uma graça? Certo.
Mas vemos o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Há duas maneiras de interpretar Gálatas 5:22-23. Alguns entendem que o fruto do Espírito é todas essas coisas. Esse é o fruto do Espírito.
Há outra interpretação, já que se usa “fruto” — é difícil saber se fruto é singular ou plural —, segundo a qual o fruto do Espírito é o amor, uma única coisa. É isso. O fruto do Espírito é o amor.
Então esse amor se manifesta de diferentes maneiras:
O que queremos examinar são algumas dessas expressões de “amar uns aos outros” de maneiras mais práticas em nossa vida. Começaremos a fazer isso no próximo encontro.
Que o Senhor nos encoraje.
Vocês podem voltar e ler João 13 a 17 novamente, se quiserem.
Vou lhes dizer: eu me apaixonei por esses capítulos. Tenho lido e relido, e é impressionante como, toda vez que leio, penso: “Nossa, acabei de ler isso uma hora atrás. Não tinha visto isso. Onde está isto? Onde está aquilo?”
O Espírito Santo é maravilhoso. Há uma riqueza ali. Só podemos agradecer ao Senhor.
Algumas pessoas perguntaram sobre esses slides, e Jack gentilmente se ofereceu para colocá-los no site da CTM, caso alguém os queira. É lá que estão: não no canal do YouTube, mas no site da CTM.
Ao concluirmos e procurarmos reunir tudo novamente, o que sempre temos em mente é que Deus é um Deus de restauração, e Ele está restaurando o testemunho de Jesus. É por causa desse quadro mais amplo que estamos considerando tudo isso.
Nestes dias tão importantes, Ele deseja que o testemunho de Jesus seja fortalecido e restaurado, para apressar Seu retorno. Isso sempre começa com aqueles corações conquistados: corações despertados, conquistados e dedicados a Ele.
A chave que estamos examinando é esta: dissemos na última vez que existem muitas chaves diferentes para a restauração, mas estamos olhando para esta em particular, a de amar uns aos outros.
Hoje, conhecemos a realidade dessa gloriosa provisão que Ele fez para nós: a maravilhosa provisão de sermos introduzidos nessa comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo; a unidade que temos Nele; a unidade que temos uns com os outros; o amor que recebemos Dele; o amor que podemos ter uns pelos outros.
Que possamos realmente experimentar cada vez mais a plenitude de tudo o que Ele fez por nós, dessa vida que temos dentro de nós, para que sejamos aqueles que testemunham de maneira viva que Jesus é o Cabeça, que Ele é Senhor sobre todas as coisas — não apenas individualmente, mas também entre nós como assembleia.
Sua vida sendo expressa por meio de nós. Louvado seja Deus pelo Seu amor.
Podemos encerrar por aqui hoje.
Senhor, somos sempre gratos pelo Teu maravilhoso amor e pela misericórdia que demonstras para conosco. Senhor, Tu és esse Deus que veio ao nosso encontro e tocou cada um dos nossos corações, cada uma das nossas vidas. Tu nos trouxeste para Ti mesmo.
Senhor, continuamos desejando ver cada vez mais o Teu amor, o Teu coração, o Teu propósito, para que sejamos conquistados; para que, Senhor, nosso coração seja dedicado a Ti.
Que possamos ver como é bendita a comunhão que temos em Ti, como é bendito o tesouro que temos ao estar uns com os outros. Senhor, em Tua vida gloriosa, que a Tua vida seja expressa por meio de nós.
Senhor, tudo começa com a Tua obra em nosso coração, individualmente. Queremos abrir nosso coração a Ti, para que tenhas plena liberdade de fazer o que desejas.
Em Teu nome oramos. Amém.