Bom dia. Hoje vamos continuar nosso estudo de Romanos e concluir Romanos 6. Gostaria de voltar um pouco e ler alguns versículos que nos introduzem à segunda metade de Romanos 6. Começaremos em Romanos 6:13.
Nem apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de injustiça; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre os mortos,
e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
Romanos 6:15-22:
Que, pois? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.
Não sabeis que, a quem vos apresentais como servos para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, seja da obediência para a justiça?
Graças a Deus, porém, porque éreis servos do pecado, mas obedecestes de coração à forma de ensino na qual fostes instruídos.
E, tendo sido libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça.
Falo em termos humanos, por causa da fraqueza da vossa carne; pois, assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniquidade para a iniquidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para a santidade, ou santificação — a mesma palavra.
Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça.
Que fruto, pois, tínheis então nas coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte.
Mas agora, tendo sido libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santidade, ou santificação, e, por fim, a vida eterna.
Romanos 6:23:
Porque o salário do pecado é a morte;
mas o ato de favor de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Vamos fazer uma oração.
Senhor, somos tão gratos pela Tua Palavra. Se não tivéssemos a Tua Palavra, não sabemos onde estaríamos. O salmista deixou isso muito claro em Salmos 119:105:
Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra,
e luz para o meu caminho.
E não são apenas palavras que nos orientam e nos impedem de cair. São, de fato, palavras de vida, de vida eterna e de poder. Dizemos novamente, como em João 6:68:
Só Tu tens as palavras de vida eterna.
Só Tu podes falar ao mais íntimo de nossa vida e nos mostrar quão grande é a Tua libertação e quão maravilhosa é a nossa vida Contigo.
Por isso, pedimos que Tu vivifiques a todos nós hoje. Sabemos que todos temos limitações: o que fala precisa de ousadia para anunciar o mistério como deve; os que ouvem, tantas vezes, podem ter os ouvidos obstruídos por muitas vozes e muitas distrações. Pedimos ouvidos para ouvir o que o Espírito diz às igrejas.
Ó Senhor, hoje estamos reunidos em Tua presença, diante da Tua Palavra, e dizemos, como Samuel disse em 1 Samuel 3:10:
Fala, Senhor, porque o Teu servo ouve.
Em nome de Jesus, amém.
Bem, vou fazer uma introdução bem curta. Sei que vocês acham impossível acreditar nisso. Jack está concordando enfaticamente, balançando a cabeça.
Da última vez, tratamos do fundamento da santificação. Isso está em Romanos 6:1-14. Agora, algumas pessoas, inclusive minha esposa, disseram: “Mas você falou do versículo 15. Por que disse isso?” E Shirley, que transcreve as mensagens — Deus abençoe essa querida irmã —, me enviou um e-mail gentil, dizendo: “Incluí o versículo 15”.
Então, quero que vocês saibam que as pessoas estavam ouvindo, ao contrário do que alguns pensam.
Estávamos falando sobre compreender Romanos 6 à luz do que foi dito antes, em Romanos. Os capítulos 1 a 5 de Romanos tratam da justificação. É a nossa posição em Cristo. Somos considerados justos.
Agora, não cometa o erro de pensar que você é justo por meio da justificação. Você é considerado justo. Você recebe uma justiça que não é sua. “Justiça imputada” é a expressão bíblica com a qual muitas pessoas têm dificuldade. O que significa “imputada”? Foi atribuída a você uma justiça que não é sua, mas Dele; e, mesmo assim, Deus vê você em Cristo Jesus como completamente justo, completamente justificado e completamente reconciliado Consigo.
Isso é Romanos, capítulos 1 a 5. Os capítulos 6 a 8 tratam da santificação. Muitos crentes não compreendem o processo de santificação. Santificação, na verdade, significa ser tornado santo.
Agora, isso é algo diferente. Uma obra está sendo realizada em nós para nos transformar à própria imagem do Senhor Jesus e nos conformar à imagem do Filho unigênito de Deus. Essa é a obra da santificação. Essa é a principal obra do Espírito Santo.
Mas a única razão pela qual a santificação é possível é a vida do Senhor em nós. Não somos nós. Acho que vocês verão isso muito rapidamente.
Então, hoje continuaremos tratando dessa questão da santificação. Gostaria de dar a esta mensagem o seguinte título:
Vocês vão entender o que isso significa daqui a pouco. Essa foi a minha introdução. Agora, Jack, acho que você precisa me pedir desculpas. Não, estou só brincando. Foi a introdução mais curta que já fiz.
Vamos examinar algumas coisas:
Em primeiro lugar, precisamos compreender a graça. Você precisa entender isto: a graça é o segredo essencial da santificação. Sem a graça, é impossível que você seja santificado.
Você consegue imaginar ser tornado santo? Antes de tudo, isso é impossível para você. É impossível para mim. Mas não é impossível para Deus, porque acontece por meio da graça. Vamos tratar disso daqui a pouco.
A segunda coisa que queremos examinar é que Paulo continua nessa ideia da resposta de entrega. Há uma diferença entre justificação e santificação. Na justificação, exige-se apenas que você creia. Quando você crê, como Abraão creu, você é considerado justo. Mas, quando se trata da santificação, é necessário que você coopere. Essa é a parte difícil, não é? Essa é a parte difícil.
É necessário que você se entregue, e vamos tratar disso. Paulo dedica bastante espaço neste capítulo, especialmente na segunda metade, mas também em Romanos 6:13-14, à importância da entrega.
Em terceiro lugar, todos nós somos servos. Você pode pensar que é livre, mas, no fim das contas, todos nós somos servos, ou escravos. Vamos tratar disso.
E, por fim, a quarta coisa que queremos examinar nesta manhã é que temos apenas dois caminhos. Vocês conhecem meu fascínio pelas coisas que aparecem em pares nas Escrituras. Já falei disso muitas vezes: as duas árvores no jardim, os dois jardins — na criação e no Getsêmani —, as duas opções.
As únicas opções que temos como crentes são estas: como diz Romanos 12:2, você pode se conformar com este mundo ou ser transformado pela renovação da sua mente. E, como diz Romanos 8:29, você pode ser conformado à própria imagem do Senhor Jesus. Apenas duas opções.
Por isso, fico fascinado com essa questão dos pares na Palavra. Temos apenas dois caminhos, e vou tratar disso.
A graça, o segredo essencial da santificação.
Da última vez, lemos Romanos 6:1 e Romanos 6:15. Vou lê-los novamente. São muito importantes, porque vocês veem como Paulo começa a primeira seção e como ele começa a segunda, que se inicia em Romanos 6:15.
Romanos 6:1 diz:
Que diremos, pois?
Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
Essa é a primeira questão. E então encontramos uma pergunta semelhante em Romanos 6:15 — esta é a segunda parte de Romanos 6 sobre a santificação:
Que, pois? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.
São perguntas quase idênticas, não é? E certamente há uma resposta idêntica. Na verdade, essas ideias estão erradas, porque o propósito da santificação não é continuar no pecado, mas ser liberto do poder do pecado e andar em novidade de vida.
Santificação é andar na vida do Senhor Jesus. É por isso que precisamos compreender a importância da graça. Para nós, isso seria impossível.
Na primeira seção, Romanos 6:1-14, todas as nossas questões são resolvidas em nossa união com Cristo — todas as nossas questões. É por isso que Romanos 6:1-14 trata, em particular, da nossa plena identificação com Cristo no batismo.
A morte Dele foi a sua morte. Muitos cristãos não sabem disso. Sei que, quando Jack e eu estávamos compartilhando no Paquistão, muitos crentes nunca tinham ouvido essas boas-novas. Mas você foi realmente incluído, dois mil anos atrás, na morte Dele na cruz.
Isso é um milagre. Mas Deus pôde fazer isso porque você estava em Adão, e Ele tomou toda a raça de Adão e a colocou no Senhor Jesus, Que foi àquela cruz e morreu. Isso é um fato. Isso é um fato estabelecido. Você foi incluído naquele momento.
Então, você pode dizer, como o irmão Nee disse quando viu isso por revelação: “Estou morto. Sou um homem morto. Morri com Cristo”. E, quando Ele foi colocado naquele túmulo, você foi colocado naquele túmulo.
Então, algo aconteceu. Ele não apenas morreu, e você morreu com Ele; Ele foi sepultado naquele túmulo, e você foi sepultado com Ele. E não foi só isso. Pense na glória de Deus: Ele nos ressuscitou.
O velho homem — Adão, o nosso eu não regenerado em Adão — foi completamente eliminado naquela cruz, quando você participou com Ele da morte e do sepultamento. Mas algo maravilhoso aconteceu. Fomos ressuscitados em novidade de vida. Fomos ressuscitados em novidade de vida.
E agora, por causa disso, podemos andar em novidade de vida, o que é uma explicação da santificação. Vocês entenderam. Acho que entenderam.
Toda aquela primeira pergunta e a resposta, “De modo nenhum”, foram resolvidas no Calvário e nos três dias que se seguiram ao Calvário.
A segunda parte diz respeito à segunda pergunta e à santificação, em Romanos 6:15:
Que, pois? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.
Isso diz respeito ao processo contínuo de santificação. Diz respeito a sermos tornados santos. Precisamos compreender isso. Deus não queria apenas que você fosse salvo e liberto dos seus pecados — que seus pecados fossem afastados, como alguém, creio eu, orou, usando as palavras de Salmos 103:12:
Quanto está longe o Oriente do Ocidente.
Deus queria um povo que não fosse apenas salvo, mas santificado, semelhante a Ele. E, quando Ele nos vir no final, terá aquela mesma reação de Adão quando sua noiva, Eva, lhe foi apresentada. O Senhor nos verá e nos dirá, nas palavras de Gênesis 2:23:
Osso dos Meus ossos e carne da Minha carne.
Porque seremos feitos semelhantes a Ele.
Isso é santificação. Agora, todos ainda estão me acompanhando? Se vocês disserem que não, vou voltar e explicar mais. Então, é melhor dizerem que sim. Fica a dica, fica a dica. Está bem? Amém, irmão. Isso mesmo.
Essas duas realidades são fatos eternos, fatos invioláveis. Não podem ser alterados. Todo esse processo se baseia em fatos. É um fato que você estava em Cristo na morte Dele. É um fato que você estava em Cristo no sepultamento Dele. É um fato que você estava em Cristo na ressurreição Dele.
Precisamos viver nos fatos. Acho que, muitas vezes, nós, crentes, vivemos nos nossos sentimentos. Sei que tenho um mau hábito. Estou tentando… Bem, podem falar. Essa eu deixei fácil para vocês. Vocês estavam pensando: “Você tem muitos maus hábitos, irmão”. Eu estava esperando que alguém reagisse um pouco mais rápido.
Mas tenho o mau hábito de dizer com frequência: “Eu sinto. Eu sinto”. Os crentes dizem muitas vezes: “Eu sinto”. Sabe, a primeira coisa que sai da boca deles quando dão um testemunho é: “Bem, eu sinto”. Quando estão compartilhando a Palavra de Deus: “Bem, eu sinto que a Palavra de Deus está dizendo isto”.
Irmãos e irmãs, como precisamos viver nos fatos eternos! Isso é o mais importante. Paulo está dizendo que, se você vai viver uma vida santificada, precisa viver no fato eterno daquilo que já aconteceu. É seu. É verdade. Não pode ser alterado.
O segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, disse — talvez vocês não sejam admiradores dos pais fundadores nesta cultura, mas eu ainda sou, até certo ponto —: “Os fatos são coisas obstinadas”. É uma de suas citações mais famosas. Todo advogado conhece essa frase. Todo mundo que faz faculdade de Direito… Muitas vezes os ouço se levantar nas alegações finais e dizer: “Os fatos são coisas obstinadas”.
Vocês ouviram os fatos, mas estão firmados nos fatos? Creem nos fatos? Só assim serão santificados.
E Adams continuou dizendo: “E, quaisquer que sejam nossos desejos, nossas inclinações ou os ditames de nossas paixões, eles não podem alterar o estado dos fatos e das evidências”. Não é uma boa palavra? Como isso se aplica a Romanos 6!
Independentemente do que você sente, independentemente do que pensa, não pode alterar o estado dos fatos divinos. Eles são verdadeiros. Permanecem verdadeiros. Sempre serão verdadeiros.
E o que somos chamados a fazer naquela primeira parte de Romanos 6 é considerá-los verdadeiros. Outro dia, alguém veio falar comigo — não sei se era do norte dos Estados Unidos — sobre a primeira parte. Ele disse: “Não entendo essa palavra, reckon”.
As pessoas pensam que é apenas o nosso jeito de falar no sul dos Estados Unidos. Sempre que temos a intenção de fazer alguma coisa, dizemos: “Bem, acho que vou fazer isso”, usando reckon. Sabe, é assim que falamos. Vocês percebem pelo meu sotaque sulista arrastado. Aliás, os intérpretes adoram. Sabem que falo devagar, então têm tempo de sobra.
Mas precisamos considerar esses fatos verdadeiros. Isso significa que algo foi lançado na sua conta. Está lá. Vá conferir. Nunca será retirado da sua conta. É uma palavra da contabilidade. Vocês podem perguntar aos nossos dois irmãos contadores, Mac e John. Eles vão dizer: “Está na sua conta”.
Amém. Amém. Posso ouvir um amém? Bem, obrigado.
Irmãos e irmãs, como isso é importante, e como precisamos enxergar isso! Tanto em Romanos 6:1 quanto em Romanos 6:15, vocês percebem que ele direciona essa questão para a graça. Portanto, a graça é o segredo essencial da santificação. Você não pode ser santificado sem a graça.
A primeira pergunta foi: “Continuaremos no pecado?” A segunda pergunta é: “Pecaremos?” Acho que muitas das versões que vocês usam dizem: “Continuaremos a pecar?” Isso diz respeito à prática da santificação. Vamos continuar nesse estado? É disso que tratam as perguntas.
E, se continuarmos nesse estado, estaremos contrariando toda a obra que Deus quer realizar no Seu povo. No final, Ele procura pessoas transformadas, não apenas pessoas salvas — um povo transformado.
Então, descobrimos que, no primeiro caso, ele diz: “Para que a graça abunde”; e, no segundo: “Não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça”. Como sou grato por Paulo ter colocado essa declaração em Romanos 6!
Sabem, muitos cristãos pensam na vida cristã como uma vida de regras. Se guardarmos essas regras divinas, se seguirmos essas regras divinas, então poderemos ser reconhecidos como cristãos. Mas Paulo não via dessa maneira. Paulo via claramente a vida cristã como uma vida de graça — graça sobre graça.
Não estamos debaixo da lei. A razão pela qual podemos ser santificados é que não estamos debaixo de uma lei que apenas exige e nunca pode capacitar. Ela só pode ordenar que você faça algo, mas nunca pode ajudá-lo a fazê-lo. A graça, porém, é diferente.
A graça lhe dá a vida de Outro: a vida do Senhor Jesus. E, quando essa graça está em você, essa vida diferente, essa vida divina, então você é capaz de andar como cristão e ser conformado à imagem Dele.
Bem, acho que vocês provavelmente entenderam isso. Amo Romanos 10:4. É um dos meus versículos favoritos em Romanos:
Porque Cristo é o fim da lei para justiça de todo aquele que crê.
Não é maravilhoso? Vocês sabem a dificuldade que sempre tenho com pessoas que gostam de voltar a viver debaixo da lei, especialmente os gentios. Você que é gentio, deixe-me adverti-lo: nunca foi o propósito que você voltasse a viver debaixo da lei como gentio. A lei não era para você. Mas a graça é para você.
Você descobriu a graça de Deus? Descobriu o poder da graça de Deus? Ela é capaz de tomar pessoas que antes eram pecadores arruinados e transformá-las em um povo santo. É um milagre. Mas é o poder da graça, e esse é o segredo da santificação. A graça torna a santificação possível.
Se alguém pudesse ter sido santificado pela lei, eu lhes digo: seria o apóstolo Paulo. Ele poderia ter sido santificado pela lei. Vejam, vou ler para vocês um versículo de Atos. Provavelmente vocês conhecem esse versículo: Atos 22:3.
Esse foi o testemunho do próprio apóstolo em sua defesa.
Deixe-me ver se é… Ah, quero dizer, capítulo 22. Nem estou conseguindo encontrar… Atos 22:3. Agora está melhor.
Paulo diz em sua defesa:
Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído segundo a exatidão da lei de nossos pais, sendo zeloso para com Deus, como todos vós o sois neste dia.
Observem a palavra que Lucas escolheu deliberadamente. Se vocês lerem o livro de Lucas, verão que ele escreveu com método. Ele fala de exatidão. Aqui, Lucas escreve: “Segundo a exatidão da lei”. Paulo não deixava nada a desejar, pelo menos exteriormente, segundo a lei.
Quando vocês olham para Filipenses 3:5-6, ele se apresenta como um fariseu de fariseus. Observem como Paulo é preciso na Palavra de Deus. Amo a precisão da Palavra de Deus. Ele não disse: “Sou fariseu” — alguém que é especialista na lei, alguém a quem as pessoas admiram quando se trata da lei, alguém respeitado, que conhece a lei e que, aliás, deve viver segundo a lei.
Mas ele disse: “Sou fariseu de fariseus”. Isso o distinguia ainda mais. É como aquela velha expressão que usamos: “Ele é um homem entre homens”. Vocês já ouviram essa expressão? Sim, alguém ainda está acordado. Obrigado por pelo menos responder, William.
Ele era um fariseu entre os fariseus. Ele se destacava. Disse em Filipenses 3:6:
Quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.
Vocês conseguem imaginar ser irrepreensível segundo a lei? Que coisa extraordinária!
No entanto, esse homem nunca poderia ser santificado pela lei. Sabemos o que aconteceu na estrada de Damasco. Esse homem, que tinha, em certo sentido, uma santidade exterior segundo a lei — ou segundo a interpretação da lei —, não tinha santidade interior.
Se vocês não acreditam em mim, por favor, leiam Romanos 7:1-25. Verão o que Paulo descobriu a respeito de sua capacidade de guardar a lei. É muito vívido. É um dos capítulos mais vívidos de toda a epístola aos Romanos.
Mas, na estrada de Damasco, algo aconteceu. Ele descobriu o segredo da graça. Esse homem da lei, esse especialista, esse homem instruído aos pés de Gamaliel — o mais destacado dos educadores daquela época —, descobriu a graça. E a graça mudou sua vida.
A graça o transformou. Lembrem-se: ele estava perseguindo a igreja. Em seu próprio testemunho, usa a palavra “devastava”. Não importava se eram homens, mulheres ou crianças. Todos iam para a prisão, e muitos eram mortos. Seu objetivo era destruir a igreja.
E, naquela estrada de Damasco, aquela luz do meio-dia, uma luz como o sol do meio-dia, o derrubou da montaria. O Senhor falou diretamente com ele e disse, em Atos 9:4:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Eu consigo entender a confusão dele. “Não estou perseguindo a Ti. É com os Teus seguidores que tenho uma questão.” Mas ele aprendeu um segredo: tocar no Senhor é tocar no Seu povo. Esse é um fato divino que nunca mudará.
E imediatamente ele disse, como lemos em Atos 22:10:
Que farei, Senhor?
Aqui está alguém que encontrou o Deus da graça e foi transformado.
Agora, como sabemos disso? Ele é o apóstolo para a igreja. Escreveu treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento. Se minha matemática estiver correta, isso é quase cinquenta por cento. Ele escreveu metade do Novo Testamento em número de livros, está bem?
E, em cada um desses livros, começa sua saudação com a graça de Deus. Leiam. Como isso é precioso! Esse homem da lei foi transformado para sempre.
Mas, quando vocês observam, é ainda mais maravilhoso. No final de cada um desses treze livros, ele encerra sua conclusão com a graça de Deus. Vocês devem prestar atenção nisso ao estudar a Palavra. Esse mestre da lei tornou-se alguém que recebeu a graça de Deus capaz de santificar. Esse se tornou seu novo segredo, e deve ser o nosso segredo.
Esse é o seu testemunho? Lembrem-se do que Paulo disse à igreja de Corinto em 1 Coríntios 15:10. Esse é um dos versículos mais maravilhosos sobre a graça em toda a Bíblia. Vocês deveriam memorizá-lo:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou;
e a Sua graça para comigo não foi em vão.
Não é maravilhoso? Espero que esse seja o nosso testemunho no final: “Senhor, a Tua graça para conosco não foi em vão”.
E então ele disse algo ainda mais notável:
Mas trabalhei muito mais do que todos eles.
Agora, o que isso significa? Significa simplesmente que ele cooperou com a graça de Deus. É isso que precisamos fazer.
Há uma lição inteira sobre a graça nesse único versículo. E então ele concluiu:
Todavia, não eu, mas a graça de Deus que estava comigo.
Como essa declaração é maravilhosa! Como a Palavra de Deus é precisa!
Todavia, não eu, mas a graça de Deus que estava comigo.
Agora, esse é o seu testemunho?
Você escolhe continuar debaixo da lei, e não debaixo da graça? Um dia se arrependerá, se é que já não se arrependeu, quando descobrir como é absolutamente impossível agradar a Deus pelos próprios esforços, por meio de regras, mesmo que sejam regras divinas.
Acho que o maior erro dos filhos de Israel foi quando Moisés desceu daquele monte com aquelas tábuas de pedra gravadas pelo dedo de Deus e lhes falou dos mandamentos. Em seu zelo, eles disseram, como lemos em Êxodo 24:3:
Todas as palavras que o Senhor falou faremos.
Que coisa terrível! Não disseram isso apenas uma vez. Disseram pelo menos duas vezes. Como estavam errados!
O segredo — o segredo absoluto e essencial — da santificação é a graça.
Agora, a segunda questão: é preciso haver uma resposta. Você não pode simplesmente dizer: “Graça, graça de Deus, graça maior que todo o meu pecado”, cantar esse maravilhoso hino repetidamente e nunca responder à graça de Deus.
Romanos 6 está suplicando por uma resposta sua. É somente quando respondemos que algo acontece, e somos transformados daquilo que somos naquilo que Ele quer que sejamos. Esse é o segredo da santificação.
Da última vez, compartilhei sobre a importância da resposta de entrega em relação aos fatos divinos. Mas agora quero compartilhar com vocês a importância dessa resposta para sermos inteiramente santificados. É nessa direção que Paulo segue.
Da última vez, mencionamos duas respostas: a primeira diz respeito aos fatos eternos — já falamos sobre isso —, e a segunda é a entrega. A palavra traduzida por “entregar” ou “apresentar” aparece, creio eu, cinco vezes nesses versículos. Deve ser importante para o apóstolo Paulo, e é absolutamente importante para você.
Agora, se você não acha importante ceder, da próxima vez que estiver na estrada e vir aquela grande placa triangular amarela indicando que deve dar a preferência, sugiro que passe direto. Ignore a placa. Faça isso até numa rodovia interestadual. Atravesse as quatro faixas. Você vai descobrir muito depressa a importância de ceder. Espero que não precisemos realizar uma cerimônia fúnebre.
Vocês entendem? Ceder é absolutamente importante. Precisamos nos render à graça de Deus. Precisamos nos apropriar dela. Precisamos nos entregar à graça de Deus. É disso que trata essa segunda questão.
Há duas palavras usadas quando ele trata dessas respostas. A primeira, relacionada aos fatos que aconteceram quando morremos com Cristo, fomos sepultados com Cristo e fomos ressuscitados com Cristo, é a palavra “sabendo”, em Romanos 6:6:
Sabendo isto.
Isso é objetivo. Muito claro. O irmão Darby foi muito preciso a esse respeito. Ele disse que se trata de conhecimento objetivo. Já falamos sobre os fatos. Já falamos sobre John Adams. Não vou falar mais disso.
Mas, quando chegamos a Romanos 6:9 e Romanos 6:16 e vemos essas palavras, “sabeis” ou “sabendo”, trata-se de algo inteiramente diferente. Aqui se trata da experiência real. É um conhecimento consciente.
Vocês entendem a diferença? Um é conhecimento objetivo. É verdadeiro, quer você queira crer nele ou não. O outro é conhecimento consciente. Muitas vezes, o conhecimento consciente pode ser chamado de conhecimento subjetivo. É o conhecimento que você adquire na própria experiência. Está na sua vida; você percebe essa realidade.
Então, a segunda parte da entrega tem a ver com esse “sabendo” e esse “sabeis”. Essa é a nossa experiência de santificação. Você entra nessa realidade. Precisa conhecê-la. Se não a conhecer, não será santificado.
Acho que essa é uma das coisas mais claras que posso lhes dizer. Romanos 6:6 diz: “Sabendo isto” — conhecimento objetivo. Romanos 6:9 e Romanos 6:16 dizem “sabendo” e “sabeis” — aquele conhecimento subjetivo, consciente: o conhecimento de ser santificado com Cristo em sua experiência, na experiência diária.
Espero que isso esteja claro. E, para que essas coisas aconteçam, precisa haver entrega. Se você não se entregar, isso nunca acontecerá. Se, no final, você se perguntar por que não foi conformado à imagem do Senhor Jesus e por que uma obra não foi realizada em você para que a santidade se tornasse parte da sua experiência de vida, há uma boa possibilidade de que tenha deixado passar esta palavra: entregue-se.
Espero não ofender muita gente. Vou me incluir nisso. Meu problema é que tenho a tendência de ser passivo demais. Acho que os cristãos tendem a ser passivos demais.
Entregue-se. Não é uma palavra passiva. Entregar-se é uma ação.
Vocês conseguem imaginar um policial se aproximando enquanto você foge dele, e dizendo: “Renda-se, ou eu atiro”? Acho que a sua escolha seria diferente. Talvez você fizesse outra escolha, pelo menos naquele momento. Aqui está Lenny, o policial. Imagino que, se você me dissesse isso com a arma em punho, Lenny, eu cairia de joelhos e imploraria por misericórdia.
Entrega. Entrega. Como isso é importante! Você está disposto a se entregar? Está disposto a se oferecer para essa obra, para que uma obra eterna seja realizada em você? Acho isso tão importante, tão importante mesmo.
Quero que vocês olhem para Romanos 6:19:
Falo em termos humanos, por causa da fraqueza da vossa carne; pois, assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniquidade para a iniquidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para a santidade.
W. E. Vine, em seu Dicionário expositivo de palavras do Novo Testamento — aliás, acho que já mencionei isso antes —, oferece uma ajuda importante. É um livro que vocês deveriam ter na biblioteca. A maioria de nós, provavelmente todos nós, não somos especialistas em grego. Entrar nas minúcias das línguas bíblicas originais pode acabar se tornando um desvio.
Mas, às vezes, há algo nas línguas originais que é importante e que você precisa saber. Você pode aprender isso com a ajuda daqueles que trabalharam nessa área e que, em minha opinião, são especialistas nela.
Vine disse que “santidade” e “santificação” correspondem à mesma palavra. São idênticas. Nas dez ocorrências em que ela é traduzida no Novo Testamento, cinco vezes é traduzida como “santidade” e cinco vezes como “santificação”.
Vocês conhecem meu apreço pela Bíblia de Darby, e estou lendo nela. Ele usa “santidade”. Gostaria que tivesse usado “santificação”. Mas a New American Standard Bible traz “santificação”. Isso é bom. A Young’s Literal Translation traz “santificação” nessas duas passagens.
Se vocês examinarem com atenção, há várias traduções em inglês. Muitas vezes consulto o Bible Hub e percorro as traduções em inglês para observar a diferença entre as palavras. Várias delas — talvez metade das que estão listadas, talvez um pouco menos da metade — usam “santificação”.
Isso é muito importante. Precisamos enxergar claramente qual é o assunto. Às vezes, podemos deixar de percebê-lo quando lemos em nossa versão: “Para a santidade”. É “para a santificação”.
Essa expressão, “para”, aparece duas vezes. Vocês a veem em Romanos 6:19, que acabamos de ler. Também a veem em Romanos 6:22. É uma expressão muito importante. Nas duas ocasiões, é “para a santidade” ou “para a santificação”.
Isso nos mostra que a santificação é um processo contínuo. Não é um acontecimento único. Crer no Senhor e ser salvo é um acontecimento único. Quando você crê no Senhor Jesus, quando se arrepende, você é, de fato, salvo.
Uma vez. Sabe, as pessoas contam histórias. Eu realmente ouvi esta história, porque fui salvo em uma pequena capela da Assembleia de Deus. O pastor de lá era um querido irmão no Senhor. Amo Worth Johnson. Eu não estaria aqui hoje se não fosse por Worth Johnson.
Ele conhecia Elvis Presley muito bem e disse que estivera em vários apelos ao altar nos quais Elvis Presley vinha à frente e clamava a Deus, com lágrimas, para ser salvo novamente.
Você só pode ser salvo uma vez. Uma vez salvo, salvo para sempre. Nunca pode perder a sua salvação. Você pode pensar que pode perdê-la. Sei que há defensores da santidade — essa mesma palavra — que dizem que você pode perder a salvação. Acho que você pode perder a santificação, mas não acho que possa perder a salvação.
Vocês entendem a diferença? Como a Palavra de Deus é clara! Esse é um processo ativo. Como precisamos andar no Senhor!
Foi isso que Paulo quis dizer em 1 Coríntios 15:10:
Mas trabalhei muito mais do que todos eles.
Aqui está alguém que cooperou com a graça de Deus.
Então, Romanos 6:13 nos diz:
Nem apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de injustiça; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre os mortos,
e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
Vejam Romanos 6:16:
Não sabeis que, a quem vos apresentais como servos para obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, seja da obediência para a justiça?
Vejam Romanos 6:19:
Falo em termos humanos, por causa da fraqueza da vossa carne; pois, assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniquidade para a iniquidade…
Aliás, isso é um fato; era isso que nós éramos.
…assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para a santidade.
Essa é a única maneira pela qual podemos ser santificados. Que o Senhor nos ajude. Que o Senhor nos conduza a essa resposta importante. Vou usar uma palavra mais forte: essa resposta vital de nos entregarmos diariamente ao Senhor.
Se você não se entregar diariamente ao Senhor — é algo contínuo —, então Ele não poderá transformá-lo. Deixe-me colocar desta maneira. David, isto é mais forte. Talvez fique mais claro.
Você pode impedir que Ele realize Sua obra. Você sabia disso? Ele é o único Que pode realizar a obra de santificação em você por meio do Espírito Santo. Ele é o único Que pode fazê-la, mas você pode impedi-Lo de realizar essa obra.
Como O impedimos? Recusamo-nos a nos entregar. Recusamo-nos a nos curvar. Recusamo-nos a dizer:
Senhor, toma a minha vida e faze que ela seja
inteiramente consagrada a Ti.
Vou dar uma pequena ilustração sobre ceder. Isso é importante. Ao ceder, ao se entregar, você se tornará mais forte no Senhor.
Passei uma carreira inteira — cinquenta anos — como engenheiro estrutural. Muitas pessoas dizem que é uma carreira terrivelmente monótona. Eu, na verdade, gostava. Linda acha que sou louco. Talvez ela tenha razão.
Mas pensem nisso. Projetei mais de mil estruturas de aço — perdi a conta. E a beleza do aço está em sua capacidade de ceder. Essa é uma de suas qualidades.
Se você não quer ser engenheiro estrutural, não seja. Mas, se quiser me ouvir por um momento, a beleza do aço está no fato de ser dúctil. Isso significa que ele se deforma antes de romper. Ele cede.
Há algo maravilhoso nisso. Se vocês olharem para a curva de tensão e deformação — agora sei que estou perdendo a atenção de vocês —, verão que, quando o aço está sob carga e sujeito à tensão, a curva sobe até um ponto de escoamento. É assim que nós, engenheiros, o chamamos: o ponto de escoamento.
Ali, ele cede e perde parte de sua resistência natural naquele ponto. Mas então acontece um milagre. A curva volta a subir e continua subindo, e o aço fica cada vez mais resistente, até atingir sua resistência máxima. Depois, ele rompe.
Vocês entendem isso? Ceder, entregar-se, produz força no Senhor. É por isso que fazemos isso.
Acho que isso está claro pelo menos para mim, se não estiver para vocês. Todos nós somos servos.
A próxima coisa de que Paulo fala é que toda a humanidade está em condição de servidão. Em outras palavras, vou ser direto: todos são escravos.
Quando Jack e eu ministramos às pessoas no Paquistão e estudamos essas palavras juntos, elas sabem algo sobre a verdadeira escravidão. Olhamos para aquelas condições e estamos conversando sobre ir para lá em outubro ou no final de setembro.
As condições de escravidão em que vivem são quase indescritíveis. Vocês querem ver as casas onde moram, naquelas olarias? Acho que nem podemos chamá-las de casas. São quatro paredes e um telhado de zinco sob aquele sol escaldante, com chão de terra, e a família inteira vive ali dentro.
Passam o dia inteiro como escravos, sem nenhuma perspectiva de liberdade — escravos fazendo tijolos à mão, como em Êxodo, sob um sol abrasador. O calor é tão intenso que um dos irmãos olhou para mim, para meu cabelo loiro, meus olhos azuis e minha pele clara de origem alemã, e depois olhou para Jack, que também tem a pele relativamente clara, como eu, e disse: “Não queremos que vocês venham no meio do ano. Vocês vão assar”.
Mas essas pessoas conhecem a escravidão. Vocês sabem que todos nós somos servos?
Os judeus que haviam crido disseram ao Senhor Jesus, em João 8:33:
Somos descendência de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém.
O Senhor os corrigiu. Com tanto orgulho, disseram: “Somos filhos de Abraão. Somos filhos de Abraão. Nunca fomos escravos de ninguém”.
E o Senhor deixou muito claro que eles estavam em escravidão. Eram escravos do pecado. Mas Ele revelou um grande segredo em João 8:36:
Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
Há apenas um momento na sua vida, como cristão — ou como pessoa neste mundo, aliás —, em que você é livre. É quando Cristo o liberta. Você é completamente livre. Você é completamente livre.
Na verdade, vou levar isso bem ao limite, e provavelmente um dos irmãos vai me corrigir, mas você poderia viver inteiramente para si mesmo — como homem livre ou mulher livre. Muitos cristãos fazem isso. Vivem para si mesmos. Tudo gira em torno deles.
Mas Paulo, nessa questão da santificação, compreendeu a importância de ser um servo, um escravo. Agora, esse servo é um escravo por amor.
Um escravo por amor não é como aquelas pessoas no Paquistão, que têm uma dívida que nunca conseguem pagar, embora exista a promessa de que, toda semana, ou sempre que receberem o salário, uma parte será destinada ao pagamento da dívida.
Mas, se forem ao feitor e perguntarem: “Como está a minha dívida?”, ele dirá: “Ah, sim, isso e aquilo…” Provavelmente nem consegue explicar direito. Essas pessoas nunca sairão da escravidão.
Nós, porém, que somos salvos no Senhor, somos absolutamente livres. Mas o contexto de Romanos 6 é diferente. Não se trata de você ser livre. Trata-se de você ser servo.
Sabendo que é livre como cristão, você está disposto a se tornar servo do Senhor?
Vocês se lembram da primeira vez que o apóstolo Paulo usou a palavra “servo”, ou “escravo”, conforme a tradução de vocês? Ele a usou pela primeira vez na introdução deste livro, em Romanos 1:1. Descreveu a si mesmo como:
Paulo, servo de Jesus Cristo.
Trinta e quatro vezes, em suas treze epístolas, ele descreve a importância de servos e servas. E aqui, em Romanos 6, temos uma das passagens mais claras. Vocês antes eram servos do pecado e da iniquidade, daquelas coisas de que agora se envergonham, como diz Romanos 6:19-21.
Mas o chamado para você e para mim, na santificação, é sermos servos de Jesus Cristo. Você está disposto? Está disposto a ser servo de Jesus Cristo?
Acho que essa é uma realidade extraordinária que precisamos compreender. Se vocês examinarem os capítulos 6, 7 e 8 de Romanos, que tratam da santificação, notarão uma conclusão muito importante nos três capítulos.
Vocês perceberão que os três terminam com “Jesus Cristo, nosso Senhor”. Ele é o Senhor da nossa vida? É o nosso verdadeiro Mestre?
Não creio que algum dia seremos plenamente santificados — inteiramente santificados, como diz, creio eu, 1 Tessalonicenses 5:23 —, a menos que Jesus seja o Senhor da nossa vida.
Ouço pessoas dizerem: “Jesus é meu amigo”. Ele é, de fato, seu amigo. Já ouvi pessoas dizerem — e não gosto disso —: “Jesus é meu camarada”. Essas palavras me causam desconforto.
Mas tão poucos crentes dizem: “Jesus é Senhor”. É disso que estamos falando. Devemos ser, voluntariamente, servos do Senhor Jesus. Você nunca se arrependerá dessa escolha.
Repetidas vezes, ele diz: “Você era servo disto, mas agora é servo de Deus, servo do Senhor Jesus”. Você está disposto a ser servo?
Isso me lembra aquela passagem de Deuteronômio 15:12-18 sobre o servo, o escravo. Vocês provavelmente conhecem essa história em Êxodo 21:1-6. É uma repetição da mesma instrução.
Êxodo 21:5-6 diz:
Mas, se o servo expressamente disser: Amo a meu senhor, a minha mulher e a meus filhos; não sairei livre;
então seu senhor o levará perante os juízes e o fará chegar à porta ou à ombreira da porta;
e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela;
e ele será seu servo para sempre.
Sabe, acho que esse talvez seja um dos primeiros exemplos de orelhas furadas.
Mas, se o servo disser expressamente:
Amo a meu senhor, a minha mulher e a meus filhos; não sairei livre.
Então o senhor o levará perante os juízes e o fará chegar à porta ou à ombreira da porta. Seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela. E ouçam o que o texto diz:
E ele será seu servo para sempre.
É isso que o Senhor procura. É isso que é necessário para a santificação. Ah, que sejamos um povo assim! Essa é a resposta essencial para a santificação.
Qualquer pessoa — vou dizer novamente — que fizer essa escolha nunca se arrependerá.
Bem, a última questão: vamos examinar o fato de que temos apenas dois caminhos. No fim das contas, todo ser humano tem apenas duas escolhas e dois caminhos.
Vejam novamente Romanos 6:13:
Nem apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de injustiça; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre os mortos,
e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
Vejam novamente Romanos 6:19:
Falo em termos humanos, por causa da fraqueza da vossa carne; pois, assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniquidade para a iniquidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para a santidade.
Aqui está a primeira escolha. Essa é uma escolha que cada um de nós precisa considerar hoje. Qual será a sua escolha?
Deus o liberta. Você poderia ser como esse servo. Poderia dizer: “Amo o meu Senhor. Não sairei livre”.
Há uma pessoa nesta sala — e não vou dizer quem é — que, quase toda vez que ora, diz: “Tu és um Senhor tão amoroso”. Nós sabemos disso? Nós sabemos disso?
Esse é o segredo da santificação. Esse é o caminho que precisamos considerar. Penso em um maravilhoso hino de Frances Havergal, “Amo, amo o meu Senhor”. Não sei quantos de vocês o conhecem, mas a primeira estrofe diz:
Amo, amo o meu Senhor,
não sairei livre.
Como essa deveria ser a nossa atitude! Quanto mais amável, quanto mais gracioso, quanto mais compassivo é o nosso Senhor em comparação com aquele senhor judeu!
Ó queridos santos, ouçam o apelo de Paulo. É um apelo muito profundo.
E então vemos aqui uma palavra sobre obediência, em Romanos 6:16. Essa é uma palavra de que não gostamos. As crianças não gostam dela. Escutem, já tivemos filhos adolescentes. Entendo os adolescentes. Não estou implicando com nenhum adolescente. A maioria de vocês nem está na sala.
Mas, às vezes, a questão é a obediência. Na verdade, não vou deixar isso só com os adolescentes. Acho que acontece ainda mais com os adultos, porque pensamos que somos adultos e que estamos no comando. A questão é a obediência.
Nós seguimos e obedecemos de coração àquele ensino que ouvimos, como diz o texto? Há uma expressão singular. Ela aparece apenas no livro de Romanos. Vocês devem prestar atenção nela. Está em Romanos 1:5 e em Romanos 16:26, se estou me lembrando corretamente.
É “a obediência da fé”. Uma expressão muito importante. Só aparece em Romanos. Conhecemos a obediência da fé? Se a conhecermos, ela mudará a nossa vida. Que o Senhor nos conduza a essa realidade.
Quem escolherá obedecer ao pecado e à injustiça? Esse é um caminho. Ou escolherá obedecer a Deus em Cristo? Esse é o segundo caminho. Há apenas duas escolhas na vida.
Que o Senhor nos ajude a não pensar que temos escolhas intermináveis. Você pode ter escolhas intermináveis nas pequenas coisas da vida, mas, na grande questão da vida — servir a Deus, ser Seu povo, ser inteiramente santificado —, tem duas escolhas.
Um caminho leva à morte. O texto deixa isso muito claro. Esse caminho leva à morte.
Agora, se você é salvo, não sofrerá a morte eterna. Não passará pelo grande trono branco. Está isento disso. Mas sofrerá grande perda.
E, quando comparecer diante do tribunal de Cristo e Ele perguntar o que você fez com aquelas graças que Ele colocou à sua disposição — graças indizíveis —, você sofrerá perda. E eu diria que isso se refere ao reino, não à eternidade.
Bem, duas escolhas e dois caminhos. Qual caminho você escolherá?
William R. Newell disse em seu comentário sobre Romanos, falando daquele pecado para a morte, falando desse último versículo, Romanos 6:23:
Porque o salário do pecado é a morte;
mas o ato de favor de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ele disse: “Pois o pecado, a quem haviam servido, era um terrível pagador”. O salário do pecado era a morte. E acrescentou: “Que salário infernal!”
Depois, ele citou, creio eu — anotei, mas não me lembro bem —, uma expressão de Jó 18:14, que fala da morte:
O rei dos terrores.
Esse é um dos caminhos, se o escolhermos. Lembrem-se: Romanos 6:23 está no contexto da santificação, não da salvação.
Qual caminho você escolherá? Estamos diante de uma bifurcação, e há um caminho para a vida eterna e para a bênção eterna, e há um caminho para a morte ou para a perda.
Como crente, quando você se depara com essa questão da santificação, que direção escolherá? Para mim, isso é santificação.
Graças a Deus, não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça. Sem ela, isso não seria possível. Graças a Deus, como precisamos responder nos entregando! Você está disposto a se entregar?
Graças a Deus, precisamos nos oferecer a esse Senhor benevolente como servos para sempre. Só então você descobrirá as riquezas de Cristo.
Apenas duas escolhas. Apenas dois caminhos. Faça a escolha sábia que leva à vida eterna e escolha o caminho certo. Isso é santificação.
Vocês se lembram daquela palavra de Deuteronômio 30:19:
Tenho posto diante de ti a vida e a morte.
Lembram-se disso? É um pensamento muito sério, muito sério.
Bem, vou dar um breve testemunho e terminar.
Eu tinha uma dificuldade. Não me importo de contar essa história a vocês. Talvez esta seja a primeira vez, a única vez, que a conto. Eu tinha dificuldade com essa ideia de rendição absoluta.
Vocês conhecem aquele maravilhoso hino, o número 603 de Christ in Song, “Tudo entregarei”. Eu não conseguia cantá-lo. Não conseguia cantá-lo. As palavras ficavam presas na minha garganta, como se eu estivesse engasgando. Irmão, você teria de pegar seu instrumento para me ajudar.
Naqueles primeiros dias, em muitos apelos ao altar, eu ouvia esse chamado à rendição absoluta e abaixava a cabeça. Parava de cantar.
Então, um dia, li o livro do irmão Andrew Murray, Rendição absoluta, e ele me libertou. Eu havia confessado ao Senhor: “Não consigo fazer isso. Nunca conseguiria me render absolutamente a Ti. Essa palavra não está no meu vocabulário. Nem sequer quero fazer isso”, eu pensava.
Lembro-me de uma ocasião em que fui conversar com o irmão Kong — já contei essa história a vocês — e disse: “Irmão Kong, o que você acha?” E ele respondeu: “Peça ao Senhor e diga: ‘Estou disposto a ser tornado disposto’”.
Abri aquele pequeno livro. Ele havia ficado na minha estante durante anos. Eu o abri, li sobre rendição absoluta e descobri uma graça para me render.
O segredo da santificação.
Aliás, eu sempre achei que o irmão Murray era um pouco legalista. Perdoe-me, irmão Murray. Vou lhe pedir desculpas quando o encontrar face a face. Mas ele prossegue tratando dessa rendição absoluta.
Foi uma experiência que abriu meus olhos quando ele disse, ecoando Lucas 18:27:
As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus.
Fiquei livre. Fiquei livre.
Agora, se vocês quiserem cantar aquele hino, vou cantá-lo com vocês.
Como o Senhor procura pessoas dispostas a fazer a escolha da rendição absoluta! Isso é Romanos 6.
Pai, entregamos estes pensamentos a Ti e pedimos que, pela Tua misericórdia e pela Tua graça, fales ao nosso espírito, onde nenhum homem pode falar, mas somente o Espírito Santo.
Pedimos que tornes real aquilo que precisamos ouvir como cristãos. Queremos ser aqueles que são inteiramente santificados, e sabemos que, deixados a nós mesmos, fugiremos; deixados a nós mesmos, nos recusaremos. Mas isso é possível pela graça de Deus, pela Tua vida em nós.
E quero dizer-Te novamente, e pedir-Te por estes queridos irmãos e irmãs, que isso não se limite a uns poucos nesta sala, nem a uns poucos na vida cristã, mas que sejam muitos os que possam dizer: “Tudo entregarei”.
É isso que pedimos em nome de Jesus. Amém.
Portanto, tendo sido justificados…