O Senhor procura aqueles que são considerados desqualificados aos olhos dos homens, mas Ele nos tornou aptos a estar em Sua presença. Ele também nos tornou aptos a ouvir Sua Palavra. Ele nos deu Seu Espírito Santo para habitar em nós, a fim de que tenhamos ouvidos espirituais para ouvir o que Ele está dizendo. Esse é o nosso desejo hoje: ter ouvidos para ouvir.
Senhor, somos gratos pela vitória completa e plena que Tu conquistaste no Calvário. Senhor, de fato, está escrito em Pedro que Tu nos concedeste tudo o que precisamos para a vida e a piedade. Nada falta.
E, Senhor, ao chegarmos a este momento em Tua Palavra, queremos olhar para Ti, em Quem nada falta, e não para nós mesmos. Senhor, nós nos oferecemos a Ti, para que tenhas plena liberdade; para que Teu Espírito possa trabalhar e agir, aproveitando verdadeiramente este tempo para Ti.
Somos gratos, Senhor, porque ainda se chama hoje; porque este é um tempo em que Tu podes continuar a revelar mais de Ti mesmo a nós, a nos ensinar, nos treinar, nos disciplinar e nos conformar cada vez mais à imagem de Teu Filho. Nós nos oferecemos a Ti, em nome de Jesus. Amém.
Hoje, gostaria que considerássemos a necessidade do amor de Cristo nestes últimos dias. Tentei encontrar um título mais curto, mas não consegui deixar nenhuma dessas palavras de fora. Desculpem-me, especialmente vocês que precisam colocar o título na gravação.
Sabemos como são críticos os dias em que estamos vivendo. Vemos guerras por toda parte — cada vez mais, a cada dia. Vemos fome, desastres naturais e tudo o que está acontecendo. Na verdade, o Senhor está procurando nos despertar e nos preparar.
Uma das necessidades vitais para viver nestes últimos dias é o amor de Cristo. Ele pode se tornar tão familiar para nós que, às vezes, o deixamos passar despercebido. Por isso, gostaria que parássemos nesta manhã para considerá-lo.
Já abordamos um pouco esse assunto anteriormente, mas não consegui concluir. Espero que hoje possamos considerar outro aspecto do amor de Cristo.
O Senhor, em Seu grande amor, nos revela o que acontecerá se negligenciarmos Seu amor. Em Mateus 24:12, quando Ele nos fala sobre os últimos dias, está escrito:
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Essa é a tradução da American Standard Version. Gosto dessa formulação:
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Também conhecemos Apocalipse 2:4:
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
O Senhor é um Guia que nos revela tudo. Ele não deixa surpresas pelo caminho. Ele diz: “Se vocês fizerem isso, haverá grande bênção, grande recompensa, grande honra, paz e descanso”. A lista poderia continuar. Mas, se não fizerem, isto é o que vai acontecer.
Se você abandonar o amor Dele — se permitir que esse amor se afaste de você, se não se concentrar nele e não permitir que sua realidade o toque —, você vai esfriar. Vai abandoná-lo, esquecer-se completamente dele e seguir o próprio caminho.
A grande batalha no conflito dos séculos, desde a nossa criação, é a batalha entre o amor de Deus e o amor do homem a si mesmo. Podemos expressar isso com muitas palavras e frases diferentes, mas, de maneira simples, é uma batalha entre Deus e o homem não redimido.
Para nos encorajar, Paulo compartilha em seu testemunho, em 2 Coríntios 5:14-15, como o amor de Cristo nos controla. Algumas traduções dizem “constrange”; ele nos controla.
Pois o amor de Cristo nos constrange; porque julgamos assim: que Um morreu por todos; logo, todos morreram; e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele Que por eles morreu e ressuscitou.
Para mim, essa é uma das chaves da vida de Paulo. Ele está dizendo: “Vejam, vocês podem observar minha vida. Procurei torná-la bastante transparente em todos os meus escritos — nos bons e nos maus momentos. Mas uma das chaves da minha vida é que permiti que o amor de Cristo me controlasse”.
Porque o amor de Cristo o controla e o constrange, Paulo já não deseja viver para si mesmo. Ele quer viver para Aquele Que morreu e ressuscitou por ele, e para aqueles a quem Ele ama.
Ao mantermos essa questão do amor de Cristo em nosso coração e na perspectiva correta, queremos vê-Lo, porque isso é vital nestes últimos dias. Falamos sobre estar preparados, e essa é uma das coisas necessárias para nos prepararmos e estarmos prontos.
Quando ouvimos algo tantas vezes, isso pode se tornar uma expressão familiar. Será que esse pensamento de estar prontos realmente se tornou uma realidade em nosso coração? Será que pensamos que sempre teremos o amanhã?
É por isso que Hebreus diz que se chama hoje. Ainda temos o hoje, porque não sabemos o que será do amanhã. Há muitos exemplos disso.
Existem várias chaves para nos prepararmos para Sua volta, mas quero considerar uma delas hoje: conhecer a grandeza incomparável do amor de Cristo. Seu amor está tão acima do nosso que é difícil até usar a palavra “comparação”, porque não há comparação.
Outros aspectos relacionados a estar prontos incluem uma fé viva, um relacionamento pessoal vivo com Ele, ouvidos para ouvir o que Ele diz e um relacionamento maravilhoso com o Espírito Santo, Que habita em nós e nos capacita.
O Espírito Santo pode ser deixado de lado nas conversas sobre os últimos tempos. Talvez consideremos isso em outra ocasião, mas permanecer renovados e estar prontos para Ele envolve várias coisas. Tudo volta à nossa vida e caminhada com Ele — a permanecermos renovados em nosso relacionamento com Ele.
O Senhor, em Seu grande amor, tem nos falado recentemente sobre esse assunto. Se vocês se lembram da mensagem recente de Jim Bogg sobre os exilados, eles estavam experimentando o juízo de Deus, mas também estavam experimentando Seu grande amor, que os trazia de volta a Ele.
Era um tempo de disciplina e juízo. Seja qual for a maneira como descrevemos isso, pode ser doloroso para a carne. Mas, quando nos submetemos e enxergamos o que isso realmente é, reconhecemos que estamos experimentando o amor de Deus de maneira viva.
O objetivo de Deus não era castigar o povo de Israel colocando-o no exílio. Ele o estava submetendo à disciplina para que voltasse ao Seu coração, ao Seu propósito e ao Seu desejo para ele — ao propósito para o qual o havia criado.
Eles já não viveriam para si mesmos, mas para Aquele Que nos amou. Graças ao Senhor por isso.
Depois, ouvimos nosso irmão Prim, que compartilhou o chamado amoroso de Deus, desde a salvação até Sua volta: “Estejam prontos”. Prontos em nossa salvação, prontos na santificação, dispostos a ser santificados, remindo o tempo em que vivemos e preparados para Sua volta.
Deus nos chama constantemente, ao longo de nossa vida, a estar preparados. Quando somos salvos, isso não é o fim. É: “Estejam preparados para o próximo passo”. À medida que damos esse próximo passo, somos preparados cada vez mais para entrar em um relacionamento vivo com Ele.
Recentemente, também ouvimos Kenny compartilhar sobre o testemunho de Paulo em Romanos 8. Era o clamor do amor de Cristo a cada um de nós, para que conhecêssemos a segurança absoluta que temos Nele.
Nada pode nos separar do amor de Cristo. Nada pode se intrometer e nos separar desse amor. Há uma segurança que temos nele.
Esse é o argumento final de Paulo nos primeiros oito capítulos de sua grande epístola aos Romanos. Por causa de tudo o que Ele fez, temos uma segurança tremenda. Somos gratos por isso.
Tudo o que Deus faz, Ele faz por amor. Sua motivação é o amor. Em nossa mente natural e limitada, precisamos acrescentar adjetivos ao Seu amor para nos ajudar a compreendê-lo.
Não é que Deus tenha diferentes tipos de amor. Deus tem um só amor: Seu grande amor. Mas, para nos ajudar a compreendê-lo, podemos dizer que é um amor firme, um amor perseverante, um amor longânimo, um amor que consola ou um amor que disciplina.
Essas descrições apenas começam a tocar a grandeza e os múltiplos aspectos de Seu amor. É um amor paternal, que às vezes disciplina e pode ser um pouco severo. Também é um amor maternal, que pode nos tomar em Seus braços e nos acolher de maneira tão maravilhosa.
Ao participarmos da mesa, vimos que também é um amor sacrificial. Muitos de nós provamos as várias expressões de Seu amor a cada dia. É por isso que, em Seu amor, Ele nos adverte a não negligenciarmos o grande amor que nos deu.
Como lemos em Mateus 24:12, o amor de muitos pode esfriar. Há um grande contraste entre isso e 1 Pedro, onde Pedro fala de um amor fervoroso — um amor ardente que nos faz continuar avançando.
O Espírito Santo nunca é descuidado com as palavras ao escrever as Escrituras. Ele escolhe a palavra apropriada. Muitas vezes, temos dificuldade para encontrar as palavras certas. Eu sei que tenho; meu vocabulário é limitado. Algumas pessoas têm um vocabulário tão amplo, mas o meu é pequeno, e às vezes tenho dificuldade para encontrar as palavras.
Mas o Senhor diz que o amor de muitos esfriará. Ele está falando de um amor que vai esfriando gradualmente e desaparecendo sem que se perceba, por causa da maldade e da intensidade dos dias em que estamos vivendo.
Isso não acontece de uma só vez. Vai desaparecendo aos poucos. A expressão inglesa waxing cold, traduzida como “esfriar”, nos traz aqui a imagem de uma vela e de sua cera. Enquanto a chama está acesa, a cera está quente. Mesmo depois de apagar a chama, a cera permanece quente por algum tempo.
Mas, se você a deixar ali, a cera vai esfriando gradualmente. Dependendo das circunstâncias, ela se torna sólida, dura e resistente. É isso que pode acontecer em nosso coração.
Se nos distrairmos, ignorarmos o amor de Deus e nos envolvermos com outras coisas, a princípio podemos pensar que estamos muito bem. Mas a chama se apagou. Estamos quase vivendo do calor que restou daquela chama, e, por fim, ele vai desaparecendo lentamente.
Ninguém passa de ser zeloso pelo Senhor em um momento a ser automaticamente zeloso pelo mundo no momento seguinte. Normalmente, em nossa vida, esse é um processo gradual.
A princípio, podemos ser muito bons em representar o papel de cristãos e de hipócritas. Podemos encenar como se tudo estivesse bem. Mesmo quando a chama se apagou, ainda pode haver cera quente, e podemos agir como se ainda estivéssemos ardendo pelo Senhor.
Nesta manhã, eu estava pensando nos atores de cinema ou televisão. Qual é a definição de um grande ator? É alguém cuja atuação você não percebe. Parece tão real. São esses que nos impressionam.
Isso pode acontecer conosco como cristãos. A chama pode se apagar, mas ainda sabemos representar. Pode parecer que ainda estamos ardendo pelo Senhor, mas, por dentro, estamos esfriando.
Que o Espírito Santo nos desperte e nos convença disso, para que possamos continuar em um lugar de fervor com Ele.
Também somos advertidos a não abandonar o primeiro amor. Para mim, uma das palavras-chave dessa declaração é abandonaste. Isso significa que você esteve ali. Não está falando de pessoas que sempre foram frias. Essas pessoas haviam estado no primeiro amor.
Alguma coisa surgiu, e elas se distraíram com outras coisas. Não vou entrar em detalhes sobre a carta a Éfeso, mas elas se distraíram e abandonaram aquele primeiro amor.
O primeiro amor é uma qualidade de amor. Não é apenas um amor que vem primeiro em uma sequência. É um amor diferente de qualquer outro. Nada se compara a ele, e ele é tão belo.
Os cristãos de Éfeso se distraíram com suas atividades religiosas. Tudo parecia estar indo bem. Eles sabiam discernir o bem do mal e fazer todas essas coisas, mas não precisavam do Senhor. Tinham conhecimento na cabeça que lhes permitia continuar.
Foi necessário que o Espírito Santo viesse e dissesse:
Abandonaste o teu primeiro amor.
Eles não percebiam absolutamente nada. Achavam que estavam ardendo pelo Senhor, mas haviam esfriado e abandonado aquele primeiro amor.
Outra maneira de expressar o primeiro amor é esta: todos nós somos governados por um primeiro amor. A questão é: qual é o primeiro amor em nossa vida? É nosso trabalho, nossa família, os esportes, a moda ou alguma outra coisa?
Você pode abrir o guarda-roupa de algumas pessoas e encontrar quarenta e duas gravatas — não gravatas-borboleta, mas gravatas comuns, gravatas de verdade. Ou talvez tenham cinquenta e dois pares de sapatos. Qual é o nosso primeiro amor? O que nos governa? O que nos motiva?
Este é um período desafiador se você gosta de esportes, porque os jogos universitários de futebol americano, os chamados bowls, estão para começar, os playoffs estão começando e a temporada da NFL está chegando ao fim. Você pode travar uma luta dentro do coração: “Deixe-me conferir. Qual é o placar? O que está acontecendo?”
Não estou dizendo que você nunca deva conferir um placar ou assistir a um jogo. Mas não deixe que isso governe o que fazemos em nosso coração e em nossa vida.
Isso exige que sejamos muito honestos conosco mesmos. Cada um de nós está sujeito a isso. Por nós mesmos, qualquer um de nós pode ter um amor que esfria. Qualquer um de nós pode abandonar o primeiro amor.
Podemos dizer: “Eu nunca faria isso”? Podemos declarar: “Estou no primeiro amor. Eu nunca esfriaria”? Não. Se formos honestos, não podemos dizer isso.
Mas podemos dizer em nosso coração: “Desejo que meu amor continue ardente. Desejo permanecer no primeiro amor”. Não nos conhecemos suficientemente bem para dizer: “Estou no primeiro amor”.
Lembro-me de o irmão Kong dizer, muitos anos atrás, e também mais recentemente, que, como assembleia, nunca podemos dizer que somos um testemunho. Podemos dizer que desejamos ser um testemunho.
Não podemos dizer que somos um testemunho de Jesus, mas podemos dizer que temos o desejo de ser um testemunho de Jesus. Esse é o nosso desejo. É isso que queremos em nosso coração e em nossa vida.
Como evitamos que nosso amor esfrie? Como evitamos negligenciar e deixar de valorizar o amor de Cristo? Como acontece com muitas coisas nas Escrituras e em nossa vida com o Senhor, não é complicado. Evitamos isso pelo Calvário — pela cruz.
Tudo é realizado ali. Se você parar para pensar, a maior demonstração de amor da história é o Calvário. É a maior demonstração de amor.
No Calvário, nosso Senhor cantou uma bela canção de amor. Nós cantamos nossas canções, mas Ele cantou a mais bela canção de toda a história. Temos ouvidos para ouvir essa canção — Sua contínua canção de amor por nós?
Para usar um termo moderno, essa canção de amor está em repetição contínua. Ela continua, vez após vez: “Eu amo você”. Você pode colocar alguma coisa no celular e configurá-la para repetir, e ela continua tocando. Sua canção de amor é contínua; prossegue vez após vez.
Quando falamos do Calvário, nós o vemos como Seu amor? Vemos a cruz como o amor de Deus? É isso que Ele quer que vejamos.
Quanto a evitar a perda do primeiro amor e permitir que o amor de Cristo se torne real, a cruz tem um cooperador: o Espírito Santo. A cruz e o Espírito Santo trabalham juntos.
A cruz abre a porta, e o Espírito Santo entra e trabalha. Talvez eu não me refira ao Espírito Santo a todo momento hoje, e talvez O consideremos na próxima vez, mas não estou negligenciando-O. A cruz está entrando em ação, e é isso que estamos considerando mais hoje.
O que a cruz é para nós? Algo positivo ou negativo? Quando pensamos na cruz, nosso semblante se abate? Ficamos de cara fechada? Ou a vemos na grandeza de tudo o que ela fez por nós?
Muitas vezes dizemos que a cruz é nossa amiga. Talvez não pareça assim, mas Provérbios 27:6 nos diz:
Fiéis são as feridas feitas por um amigo.
É evidente que existe um aspecto negativo na cruz. Mas somos gratos porque a cruz que nosso Senhor carregou — a cruz do Calvário — foi uma cruz cruel. Ele bebeu o cálice amargo para que pudéssemos beber o cálice da bênção.
Quando olhamos para a cruz, vemos como ela é positiva, porque nos liberta do nosso eu, da carne, do pecado, do mundo e de todas as coisas que nos prendem.
Quando falamos da cruz, não estamos falando apenas de Sua morte. Aprecio como o irmão Sparks sempre enfatiza que, quando nos referimos à cruz, estamos nos referindo à Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão — à plenitude da obra que Ele realizou.
Por meio de Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão, o Espírito Santo veio. O Calvário sempre precede o Pentecostes. Precisamos nos lembrar disso.
Louvado seja Deus por tudo o que Ele fez por nós na cruz e por meio dessa grande salvação. Ele nos fez filhos. Ele nos fez sacerdotes. Ele nos fez reis, para governar e reinar com Ele.
Que obra gloriosa! É assim que Ele nos ama. Ele nos tirou daquele abismo. Eu estava afundando no pecado, mas Ele nos levantou. Deus me levantou. Ele levantou cada um de nós. Louvado seja Deus por isso.
A cruz é vital, especialmente nestes dias. A cruz nos conduz à realidade espiritual de tudo o que Cristo fez por nós.
Temos recebido tanto ensino, e somos gratos por isso. Muitos têm compartilhado. Ouvimos ontem à noite que tivemos quarenta e oito conferências para famílias e cinquenta encontros, se incluirmos os dois em Raza.
Ao longo de todos esses encontros, houve um tema constante: o propósito eterno de Deus — o propósito de Deus para nós. Isso tem sido compartilhado. Mas a questão é: isso é real em nossa experiência de vida?
À medida que nos rendemos à cruz, aquilo que está em nossa cabeça se torna real em nosso coração. A batalha entre os cristãos hoje não é tanto a respeito do ensino. É preciso haver ensino; não pensem que estou desvalorizando o ensino. É necessário haver ensino.
Mas também é preciso que a cruz opere em nossa vida, para tornar o ensino uma realidade em nossa experiência e caminhada diárias. É aqui que nos falta tanto, porque a cruz não é popular.
É a cruz que permite ao Espírito Santo trabalhar em nós e manifestar a realidade de Sua vida.
Considerem Pedro como exemplo de como a cruz transforma a revelação em realidade espiritual. Em Mateus 16:16, Pedro teve uma revelação de Cristo:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Pedro também teve uma revelação da igreja, em Mateus 16:18:
Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.
Ele teve uma revelação do reino, em Mateus 16:19:
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus.
Ele também teve uma revelação da cruz. Mas nada disso ainda era real para Pedro. Naquele momento, Pedro tinha revelação, mas ainda não tinha realidade.
Pedro gostava de ouvir sobre Cristo. Gostava de ouvir sobre a igreja. Gostava de ouvir sobre o reino. Mas, quando veio a cruz, ele disse: “Não. Não, Senhor, Tu não podes fazer isso”.
Podemos agir da mesma maneira. Quando a cruz entra em nossa vida, dizemos: “Não, apenas me deixe voltar a ouvir sobre Cristo, a igreja e o reino. Não mencione uma cruz. Não quero isso”.
O que o Senhor disse a Pedro? Para que tudo o que lhe havia sido revelado se tornasse realidade, o Senhor disse — usando Lucas 9:23:
Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me.
Essa coisa incomoda o nariz. Vocês têm de lidar com a parte de fora, olhando para mim. Eu tenho de lidar com a parte de dentro.
Se queremos segui-Lo — se queremos entrar na realidade de tudo o que Ele fez em relação a Cristo, à igreja e ao reino —, então precisamos seguir o caminho da cruz: negar a nós mesmos, tomar nossa cruz diariamente e segui-Lo.
“Diariamente” é uma palavra tão importante. Poderíamos dedicar outra mensagem inteira apenas à vida diária.
Quando nosso Senhor foi à cruz? Quantas vezes Ele foi à cruz? Ele foi à cruz do Calvário uma vez, obviamente. Mas, em cada momento que passou nesta terra, Ele estava andando pelo caminho da cruz.
Ele estava negando a Si mesmo por nossa causa. Em cada momento em que Cristo esteve na terra, Ele estava andando pelo caminho da cruz. O que isso nos diz? Acaso somos menos chamados a isso?
Precisamos andar pelo caminho da cruz diariamente e permitir que Ele nos conduza à plenitude daquilo que tem para nós.
É aqui que o encorajamento de Paulo significa tanto. À medida que entramos nesse amor de Cristo, ele nos controla. Ele age poderosamente para nos mostrar seu poder e nos ajudar a viver, não para nós mesmos, mas para Aquele Que nos amou.
A pergunta fundamental para cada um de nós, como cristãos, é esta: quem ou o que controla nossa vida? É o nosso eu? É o mundo? Você pode preencher a lacuna. O que controla sua vida? Ou é Cristo?
Sei que isso é progressivo. Em nossa experiência, todos somos pecadores salvos pela graça, e não vamos viver isso cem por cento do tempo. Não estou tentando apresentar cristãos perfeitos, andando no amor de Cristo a cada momento.
É aí que entra o sangue do Cordeiro, e é por isso que o valorizamos cada vez mais. Mas esperamos que haja uma progressão em nossa vida — um movimento cada vez maior em direção àquilo que Ele deseja que sejamos, à medida que nos conforma à Sua imagem.
Uma coisa a respeito de Seu amor é que Ele nunca o impõe a nós. Ele nos mostra Seu grande amor. Como em Romanos 12, Ele diz: “Pelas misericórdias de Deus” — poderíamos dizer: “Pelo amor de Deus” —, como vocês vão responder?
Seu amor não força nada. É sensível, como a imagem de uma pomba. Se nosso coração não estiver aberto, não podemos receber esse amor.
Mesmo tendo Seu amor, nosso coração pode esfriar e abandoná-lo. É impressionante que o amor de Deus seja tão poderoso, magnífico e onipotente, e, ainda assim, nosso coração possa afetar a experiência que temos dele.
Nosso coração não pode mudar Seu amor, mas pode ignorá-lo, rejeitá-lo ou limitá-lo. A coisa mais poderosa do mundo é Seu grande amor, que nos transforma à Sua imagem. Mas, se nosso coração estiver fechado, se não estiver pronto e disposto, Ele não força.
É por isso que temos a mesa todo dia do Senhor. Ele diz: “Lembrem-se”, porque sabe que nos esquecemos. Mas nosso esquecimento não afeta Seu amor por nós. Ele está sempre ali, todos os dias. Ele diz: “Venham e lembrem-se de Mim”.
Louvado seja Deus por isso. Que nosso coração se abra cada vez mais para receber o amor de Cristo e permitir que ele trabalhe em nós.
Quando falamos sobre o amor de Cristo e perguntamos o que ele é, isso pode parecer elementar. As crianças cantam: “Jesus me ama”. Mas quero desfazer essa ideia: “Jesus Me Ama” não é apenas uma canção infantil.
“Jesus Me Ama” é uma canção para todos os cristãos. Felizmente, é fácil para as crianças aprenderem, e é uma das primeiras canções que aprendemos. Mas não queremos restringi-la às crianças.
Ah, se pudéssemos ver como isso é fundamental e essencial! Também me lembro de o irmão Kong dizer que, quando você tenta definir o amor de Cristo, você o limita. Você pode descrevê-lo, mas não pode defini-lo plenamente.
Quando você percorre os Evangelhos, vê Sua vida. Vê Seu amor sendo vivido.
Como mencionei anteriormente, compartilhei parte disso em dezembro passado — apenas um ano atrás, então espero que todos vocês se lembrem. Já compartilhei alguns aspectos disso, e vou fazer uma breve revisão.
Antes dessa revisão, quero mencionar a maneira como o irmão Wuest traduz 2 Coríntios 5:14. Se você não tem uma Bíblia de Wuest, Steve é o maior defensor e vendedor de Wuest. Steve menciona Wuest, e nosso estoque acaba outra vez. Mas é uma tradução maravilhosa.
Às vezes, Wuest traduz de uma maneira que é quase um comentário, porque amplia o significado. Aprecio a maneira como ele traduz 2 Coríntios 5:14, porque acho que capta toda a sua essência:
Pois o amor de Cristo, o amor que Cristo tem por mim, pressiona-me de todos os lados, mantendo-me voltado para um único fim e impedindo-me de considerar qualquer outro, envolvendo-me com ternura e dando-me uma motivação que me impulsiona, tendo-me levado à conclusão de que Um morreu por todos; portanto, todos morreram.
Há um amor nos pressionando de todos os lados. Estamos cercados por Seu amor. Ele nos mantém voltados para um único fim, para um único propósito.
Há um único objetivo, um único fim em vista: Seu coração e Seu propósito. Ele deseja nos conformar à Sua imagem e preparar a noiva. Tudo é feito com um único fim em vista.
Esse amor nos impede de considerar qualquer outro amor. Quando realmente amamos alguma coisa, esse amor estabelece limites para nós. Dizemos: “Não, não vou fazer isso, porque sei que seria prejudicial”.
Seu amor nos envolve com ternura. Os braços de Deus nos acolhem em amor e nos dão uma motivação que nos impulsiona. Seu amor nos motiva a prosseguir Nele e a conhecê-Lo cada vez mais.
Provamos e vimos, mas isso nos torna mais famintos. Seu amor nos impulsiona a avançar.
Paulo foi levado a uma conclusão. Isso é semelhante ao que Kenny mencionou em Romanos 8. Paulo viu o amor de Cristo, chegou a uma conclusão e prosseguiu:
Um morreu por todos; portanto, todos morreram.
O amor de Cristo tem dois aspectos. Há um aspecto que nos restringe — o sentido presente na palavra constrange: “Não eu, mas Cristo”. Também há um aspecto governante. Ele é o poder que nos governa na vida, como lemos em Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo.
Ao mesmo tempo, Seu amor restringe e governa. Ele nos impulsiona adiante.
Anteriormente, quando compartilhei sobre o amor de Cristo, consegui abordar os dois primeiros aspectos: segurança e suficiência. A expressão “o amor de Cristo” é usada três vezes nas Escrituras, nestes três livros: Romanos, 2 Coríntios e Efésios.
Em Romanos, vemos a segurança do amor de Cristo. Em 2 Coríntios, vemos sua suficiência. Em Efésios, vemos sua supremacia. Hoje quero me concentrar principalmente na supremacia, mas permitam-me refrescar brevemente nossa memória quanto à segurança.
Em Romanos 8:35, Paulo pergunta:
Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
Nada pode nos separar do amor de Cristo. Há segurança nele.
Paulo diz novamente em Romanos 8:38-39 que está persuadido, ou convencido, de que nada poderá separá-lo do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
A palavra persuadido, ou convencido, significa produzir uma mudança por meio da influência de uma experiência comprovada. Paulo passou por um processo e chegou a uma conclusão firme.
As coisas de que Paulo falou — tribulação, conflitos, vida, morte, fome, perseguição, naufrágios, perigos — não eram teorias. Ele não estava escrevendo apenas para ser poético. Eram experiências reais em sua vida.
Por causa dessas experiências reais, ele pôde dizer: “Nada pode me separar do amor de Cristo”. Ele conhecia essa verdade e, depois, à medida que passou pela realidade e pela experiência dela, ela se tornou real em seu coração e em sua vida.
Ao seguir o caminho da cruz, isso ficou firmado. Nada pode me separar do amor de Cristo.
Conhecemos essa segurança nestes dias? O mundo inteiro está sendo abalado. Uma irmã comentou em nosso grupo de oração, na quarta-feira à noite, que talvez, de certa maneira, já estejamos na Terceira Guerra Mundial, porque o mundo inteiro está em guerra.
Tudo está sendo abalado. O inimigo está tentando nos roubar a segurança que temos Nele. Podemos ser jogados de um lado para o outro, mas conhecemos essa segurança em meio a tudo o que acontece na vida?
Em 2 Coríntios, como no versículo que estamos lendo, vemos a suficiência do amor de Cristo. Na segunda carta de Paulo aos coríntios, as palavras suficiente e adequado são palavras-chave, dependendo da tradução.
Em toda circunstância e situação, Seu amor é suficiente.
Isso me lembra uma história que Spurgeon conta. Já a contei antes, então vamos ver como está a memória de vocês. Spurgeon não se parecia em nada com Philip. Spurgeon se parecia mais com Mac.
Spurgeon era obeso, sofria de gota e tinha uma alimentação horrível — mas gostava de comer. Um dia, depois do culto, após terminar seu sermão, foi à casa de um fazendeiro. A esposa do fazendeiro preparou uma boa refeição.
As esposas dos fazendeiros preparam as melhores refeições, porque usam banha e toucinho gordo em tudo. É delicioso — péssimo para a saúde, mas muito saboroso.
Spurgeon teve uma boa refeição e uma sobremesa maravilhosa. Depois, saiu para caminhar um pouco. Olhou para o celeiro do fazendeiro e viu no alto um cata-vento com alguma coisa escrita.
Spurgeon perguntou: “O que está escrito naquele cata-vento?” O fazendeiro respondeu: “Está escrito: ‘Deus é amor’”.
Spurgeon se exaltou, de maneira um tanto crítica, e disse: “Como você se atreve a colocar o amor de Deus em um cata-vento? Isso deveria estar dentro da sua casa, acima da lareira: ‘Deus é amor’”.
Mas o fazendeiro manteve sua posição com mansidão. Disse: “Bem, isso me lembra que, seja qual for a direção em que o vento esteja soprando, Deus é amor”.
Nos dias quentes e bonitos, Deus é amor. Nos ventos cortantes do inverno, Deus é amor. Seja qual for a direção em que os ventos da vida estejam soprando, Deus nos ama, e Ele é suficiente para nos conduzir através dessas situações.
Agora quero chegar àquilo que está especialmente em meu coração hoje: a supremacia do amor de Cristo. Isso aparece em Efésios 3:19, o terceiro lugar em que a expressão “o amor de Cristo” é usada.
E conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Devemos conhecer isso em nosso coração e na realidade. Paulo já havia orado para que os olhos de nosso coração fossem iluminados, a fim de conhecermos as riquezas ali reveladas. Devemos conhecer o amor de Cristo na realidade.
Qual é a manifestação suprema de Seu amor? Isso nos leva diretamente de volta ao Calvário. A maneira mais grandiosa e suprema pela qual vemos Seu amor é no Calvário.
Nada pode nos separar do amor de Cristo por causa do que Ele fez no Calvário. Seu amor é sempre suficiente. O problema não é o amor de Cristo; o problema é nosso coração — não entramos verdadeiramente nele porque amamos demais a nós mesmos.
Em Efésios 5:2, vemos que Cristo nos amou e deu a Si mesmo por nós. Ele deu a Si mesmo por cada um de nós.
Andai em amor, como também Cristo vos amou e Se entregou por nós.
Depois, em Efésios 5:25, vemos que Ele não fez isso apenas por indivíduos:
Cristo também amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela.
Não há amor maior do que dar a própria vida. Isso vai além do indivíduo; é pela igreja, pelo coração de Deus e pelo propósito de Deus. Havia um fim em vista, pelo qual Ele estava disposto a fazer tudo.
Tudo o que Cristo fez tinha esse fim em vista. É por isso que Paulo escreveu que o amor de Cristo tem um único fim e um único propósito. É isso que Ele busca. Ele está trabalhando em nosso coração e em nossa vida.
Ele não está simplesmente tentando nos tornar cristãos supostamente melhores. Não está apenas nos tornando mais piedosos, embora isso faça parte. Ele está nos preparando para o que está adiante e para Seu chamado sobre nossa vida.
Seu grande amor é a chave para a revelação do coração e do propósito de Deus. É uma chave para compreender Seu propósito.
Podemos ouvir sobre Seu propósito. Podemos ouvir sobre Cristo, a igreja, o reino e a noiva. Mas a chave para entrar na realidade dessas coisas é o amor de Cristo entrar e se tornar real.
À medida que o Senhor ilumina os olhos de nosso coração, começamos a ver a partir de Sua perspectiva. Gosto muito da maneira como Paulo diz isso em Efésios 1: são os olhos de nosso coração.
De muitas maneiras, nossos olhos físicos estão mais relacionados à mente, porque veem as coisas naturalmente. Mas enxergar com os olhos do coração muda nossa perspectiva. Vemos as coisas da perspectiva Dele; vemos a realidade espiritual.
É isso que Ele busca.
Em Efésios, Paulo usa a palavra ágape, seja como substantivo ou em sua forma verbal, mais do que em qualquer outra carta que escreve. Quando pensamos primeiro em qual carta usa mais a palavra amor, talvez pensemos em 1 Coríntios.
Mas Paulo a usa mais em Efésios — talvez vinte e quatro vezes em Efésios e vinte e duas em 1 Coríntios. Não me cobrem esses números; não sou muito bom com números.
A abundância de amor em Efésios mostra a ligação entre o amor de Deus, o amor de Cristo e o propósito eterno de Deus. Se você retirar esse amor de Seu propósito, tudo o que resta é dogma — um ensino, compreensão intelectual e verdade sem vida.
O próprio coração fala de amor. Quando dizemos que alguém não tem coração, queremos dizer que não tem amor; não se importa com ninguém. Quando alguém tem um coração grande, queremos dizer que ama a todos.
A própria natureza do coração fala de amor. Ao longo da carta aos Efésios, vemos o amor de Cristo vindo ao nosso encontro e nos encorajando.
Não vou conduzir vocês por todos os usos de ágape em Efésios, mas podemos ver como essa palavra é usada em relação ao coração e ao propósito de Deus.
Em Efésios 1:4-5, lemos:
Em amor, tendo-nos predestinado para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade.
Qual foi a base para nos chamar à condição de filhos e nos conduzir àquilo que Ele desejava antes da fundação do mundo? Foi o amor. O amor O motivou.
Esse mesmo amor nos motiva. Ele nos capacita a prosseguir — não apenas a saber que fomos predestinados, mas a entrar em tudo aquilo a que Ele nos conduziu. Ele nos criou Nele para boas obras, para que sejamos Seu testemunho e Sua glória.
Louvado seja Deus por isso. Vemos a vastidão e a necessidade de permitir que o amor de Cristo trabalhe de maneira tão plena e genuína em nossa vida.
Mais uma vez, Seu cooperador é o Espírito Santo.
Em Efésios 2:4-5, temos uma das expressões favoritas de John: “Mas Deus”. John é o senhor “Mas Deus”.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do Seu grande amor com que nos amou, mesmo quando estávamos mortos em nossas transgressões, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça sois salvos.
Seu grande amor com que nos amou é a motivação. Ele nos deu vida juntamente com Cristo, e isso não termina aí.
Ele nos ressuscitou com Ele e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Na realidade espiritual, estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais. Estamos aqui agora, mas, espiritualmente, estamos assentados com Ele.
Sabemos disso? Você não consegue compreender isso plenamente. Se acha que entende, provavelmente não entende. Desculpem por desfazer essa ideia.
Podemos saber a respeito. Podemos entender o ensino, mas compreender plenamente tudo isso está além de nossa mente natural. Ele usa palavras para nos ajudar a entender, porque essa é a grande obra que realizou.
Mais uma vez, tudo tem um propósito em vista. Efésios 2:7 diz:
Para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza de Sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.
À medida que Ele realiza todas as coisas e reúne todas as coisas em Cristo, à medida que a noiva se prepara, isso é a demonstração das riquezas incomparáveis de Sua graça, que procedem de Seu amor.
Que isso nos impacte de tal maneira que tenhamos fome e digamos: “Senhor, quero conhecer mais desse amor de Cristo — não apenas a expressão ou ouvir a respeito dele, mas sua realidade, para que ele nos motive e nos leve adiante”.
Em Efésios 4:16, lemos:
De Quem todo o corpo, bem ajustado e unido por meio de todas as juntas que o sustentam, segundo a atuação na medida de cada parte, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
Isso se refere ao corpo inteiro — a todos os cristãos, independentemente de onde se reúnam, a que denominação pertençam ou até mesmo de estarem andando com o Senhor neste momento. Se alguém virou as costas para o Senhor, Ele não virou as costas para essa pessoa.
Quando nascemos de novo, cada um de nós é uma pedra viva, porque temos Sua vida em nós. A questão não é se somos pedras vivas; a questão é se somos pedras vivas que estão funcionando.
Todo cristão que nasceu de novo tem Sua vida dentro de si e é uma pedra viva. Essa vida está sendo expressa? Estamos funcionando como pedras vivas, ou estamos apenas ali, seguindo nosso próprio caminho, talvez até virando as costas para Ele?
O corpo inteiro, ajustado e mantido unido pelo que cada junta fornece, segundo o funcionamento adequado de cada parte individual, promove o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
É o amor que edifica o corpo de Cristo. O amor de Cristo está realizando essa grande obra de nos edificar juntos. Louvado seja Deus por isso, irmãos e irmãs.
Não é apenas nosso conhecimento Dele, embora isso seja importante. Não são apenas nossas ações. É Seu amor que motiva a edificação do corpo de Cristo, e esse amor será manifestado em nossas ações.
Nossas ações são o fruto de Seu amor. Amamos não apenas de palavra, mas de fato. A ação é o fruto da palavra que se torna real em nós e é vivida. Louvado seja Deus por isso.
Em Efésios 3:17-19, Paulo ora:
Que Cristo habite em vosso coração pela fé; para que vós, estando arraigados e alicerçados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Aí está o coração outra vez. Estamos arraigados e alicerçados em amor. O fundamento de nossa própria vida é o amor de Cristo. É aqui que Ele trabalha — raízes que se aprofundam e um fundamento firmemente estabelecido.
Devemos compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para sermos cheios de toda a plenitude de Deus.
Observem que Paulo fala de compreender isso com todos os santos. Podemos ser tão centrados em nós mesmos. Queremos compreender, e isso é maravilhoso, mas há algo mais: compreendemos com todos os santos.
É isso que amo quando os santos se reúnem e têm comunhão. Aprecio os rapazes — e vocês sempre serão os rapazes, não importa a idade que tenham. Desculpem, vocês terão de conviver com isso.
Os rapazes e as moças fazem estudos bíblicos e têm comunhão pela internet, em toda parte, porque desejam conhecer cada vez mais. Desejam compreender, com todos os santos, Quem Deus é, o que Ele está fazendo e a altura, a largura, o comprimento e a profundidade de Seu amor, de Seu propósito e de Seu coração.
Desejam ser fortalecidos e encorajados a prosseguir.
O amor de Cristo é o amor supremo, que excede todas as coisas. Queremos entrar nele para sermos cheios de toda a plenitude de Deus.
Que expressão! Efésios contém certas expressões que nos fazem pensar, quando olhamos ao redor: “Isso nunca vai acontecer”.
Mas, pela fé, pensem nisto: um dia haverá uma igreja sem mancha nem ruga. Isso está além de nossa compreensão, porque vemos tanta coisa com nossos próprios olhos. Conhecemos a nós mesmos e conhecemos nossos irmãos e irmãs.
Mas, louvado seja Deus, na realidade essa obra está em andamento e está sendo realizada. Louvado seja Deus.
Podemos ser cheios de toda a plenitude de Deus. Na verdade, já fomos cheios da plenitude de Deus, porque Quem é a plenitude de Deus, senão Cristo? E temos Cristo em nós.
Essa é nossa esperança da glória. Quando fomos salvos, não recebemos apenas um pouquinho de Cristo. Recebemos Cristo em nós. Cada um de nós tem Cristo em si.
À medida que permitimos que a cruz opere, que o amor de Cristo nos constranja e que o Espírito Santo aja, entramos na experiência de uma medida cada vez maior dessa plenitude.
A plenitude de Deus de que Paulo fala aqui só pode ser experimentada com todos os santos. É assim que a expressão começa: com todos os santos.
Cada um de nós tem a plenitude de Cristo dentro de si, mas, juntos, podemos entrar na plenitude de Deus e desfrutá-la com todos os santos. Louvado seja Deus por isso, irmãos e irmãs. Esse é o amor supremo.
Nesta manhã, eu queria simplesmente abordar como o amor de Cristo é vital nestes últimos dias. Que o Senhor trabalhe em nosso coração e em nossa vida, para que não o consideremos apenas algo elementar.
Que permitamos que o amor de Cristo permaneça fervoroso em nós. E, se ele esfriou, louvado seja Deus — estamos a apenas um passo de reacendê-lo. Podemos nos arrepender, e o fogo volta a acender.
Às vezes, esse fogo é como brasas que ainda ardem. Se você está acampando e há brasas acesas, um pequeno sopro pode fazer a chama subir outra vez.
Eu ia comparar isso às lareiras a gás que acendem instantaneamente, mas esse não é um fogo de verdade. Com as brasas, porém, vem uma brisa, você sopra sobre elas, e chega o sopro de vida.
De repente, as chamas sobem e crescem. Continuam aumentando cada vez mais. Queremos permanecer fervorosos assim.
Queremos permitir que o amor de Cristo nos controle. Aquela expressão simples, “Não eu, mas Cristo”, deve governar nossa vida e nos conduzir a tudo o que Ele tem para nós.
Queremos experimentar a realidade da segurança, da suficiência e da supremacia do amor de Cristo. Isso é uma necessidade absoluta nestes dias.
Tudo o que pode ser abalado será abalado, mas aquilo que permanece continuará firme. O amor de Cristo permanecerá.
À medida que permitimos que esse amor nos sustente, podemos ir até o fim. Oremos para que a cruz nos conduza à realidade espiritual do coração e do propósito de Deus.
Isso é tão vital nestes dias. Ouvimos muito sobre tantas outras coisas, mas não queremos negligenciar a cruz nem a atuação do Espírito Santo nestes últimos dias.
Precisamos enxergar a necessidade absoluta de compreender o amor de Cristo com todos os santos. Esse é Seu coração. Esse é Seu propósito.
Não é apenas para que sejamos indivíduos que O conhecem. Louvado seja Deus porque podemos conhecê-Lo individualmente. Mas há uma plenitude na qual Ele quer que entremos: o amor de Cristo com todos os santos.
“Todos” é uma palavra muito abrangente. Há largura, extensão, altura e profundidade nela. Todos os santos — não apenas alguns, não apenas aqueles de quem gostamos, não apenas aqueles que creem exatamente no que cremos ou têm o mesmo entendimento que nós.
Todos os santos. É aí que a plenitude de Cristo é vista. Isso é um testemunho.
Infelizmente, no mundo de hoje, esse testemunho foi enfraquecido, porque não é visto por meio de todos os santos. É visto apenas por meio de alguns.
Mas, louvado seja Deus, há remanescentes — aqueles espalhados aqui e ali que permanecem firmes por Seu testemunho. Queremos ser fiéis onde Ele nos colocou para permanecer.
Estamos aqui por todos os santos, para que o amor de Cristo seja visto em nós e demonstrado em nossa vida, não apenas em palavras.
É fácil ficar aqui na frente e dizer: “Ah, sim, somos um com todos os santos”. Depois você sai, encontra um deles e diz: “Ah, quer dizer que ele também? Ela? Espere um pouco”.
Mas não: são todos os santos. Temos Cristo; esse é o nosso vínculo comum.
Deixem-me ser claro: isso não significa que aceitamos todos os ensinos ou todas as práticas de outro cristão. Mas podemos acolher a vida de Cristo em qualquer cristão. Essa é a ligação que temos.
Que essa necessidade governe nosso coração e nossa vida. Que permitamos que o amor de Cristo seja revelado em nosso coração de maneira mais plena e maior, porque essa é uma das maneiras pelas quais Ele nos prepara e apressa Sua volta.
Que sejamos aqueles que O buscam, que estão disponíveis a Ele e que clamam a Ele.
Senhor, queremos realmente Te agradecer pela magnificência de Teu grande amor. Senhor, sempre que tocamos nesse assunto, percebemos imediatamente que, como Amy Carmichael, estamos apenas tocando as bordas de Teus caminhos.
Há muito mais nisso do que fomos capazes de sequer abordar hoje. Mas queremos ter um coração disponível a Ti, para que possas trabalhar e revelar em nós a necessidade do amor de Cristo.
Reconhecemos a necessidade da cruz e a necessidade de o Espírito Santo verdadeiramente trabalhar em nós, para nos tornar um povo cujo amor não esfria, um povo que permanece no primeiro amor.
Esse é o nosso desejo, Senhor. Senhor, reconhecemos nossas limitações e falhas. Mas somos gratos porque não precisamos nos concentrar em nossas fraquezas e falhas.
Assim como fizemos ao redor de Tua mesa, podemos nos concentrar em Ti, porque Tu és Aquele Que nos amou primeiro. Tu és Aquele Que pagou aquele grande preço para que pudéssemos ser chamados filhos do Deus vivo.
Por isso, estamos olhando para Ti, Senhor, para que trabalhes poderosamente em nosso coração e em nossa vida. Em Teu nome oramos. Amém.