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    Graham, Mac

    Preparação para a volta do Senhor

    Muito bem, vamos orar mais uma vez.

    Senhor, somos sempre gratos por toda a Tua bondade e misericórdia para conosco. Senhor, obrigado por essa nova lembrança, logo no início de hoje, da agonia inimaginável, indizível, da escolha que fizeste e de tudo pelo que passaste.

    Mas somos gratos, Senhor, porque, com um coração cheio de amor, Tu viste aquela alegria que estava diante de Ti. Tu conhecias o coração do Teu Pai. Conhecias o Seu propósito. Sabias do que se tratava. Embora tenhas dado a Tua vida, hoje Te contemplamos. Tu não encaraste aquilo como algo a respeito de Ti mesmo, mas da vontade do Pai.

    E, Senhor, hoje queremos nos entregar a Ti, para que não se trate de nós, mas de Ti e de tudo o que tens para nós, de tudo o que desejas falar. Entregamos este tempo em Tuas mãos, declarando com gratidão que Tu és Senhor e Rei sobre este tempo. Em Teu nome oramos. Amém.

    Fé, esperança e amor à luz da volta do Senhor

    Quero começar lendo duas passagens conhecidas. Bem, são duas passagens; não sei se são tão conhecidas assim. Mas vocês perceberão que há uma semelhança entre elas, e é por aí que queremos começar nossa reflexão.

    A primeira está em 1 Tessalonicenses 5:8-11. Aqui, Paulo está falando da vinda do Senhor:

    Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e, como capacete, da esperança da salvação.
    Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo,
    Que morreu por nós, para que, quer estejamos acordados, quer dormindo, vivamos juntamente com Ele.
    Portanto, encorajem uns aos outros e edifiquem uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.

    Agora, outra passagem, em Hebreus 10:22-25. Vamos perceber um pequeno paralelo aqui:

    Aproximemo-nos com um coração sincero e plena certeza de fé, tendo o coração purificado de uma consciência má e o corpo lavado com água pura.
    Guardemos firme a confissão da nossa esperança, sem vacilar, pois Aquele Que prometeu é fiel.
    E consideremos como estimular uns aos outros ao amor e às boas obras,
    não deixando de nos reunir, como é costume de alguns, mas encorajando uns aos outros; e tanto mais quanto vocês veem que o dia se aproxima.

    Agora vamos ler essas passagens novamente. Já chamamos a atenção para elas, e vamos lê-las outra vez, observando suas semelhanças.

    A proteção da fé, da esperança e do amor

    Observem que, nas duas passagens, vocês encontram fé, esperança e amor. Está escrito:

    Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios.

    Revestidos da couraça da fé e do amor. Isso protege o nosso coração. O capacete da esperança da salvação protege a nossa mente.

    E, louvado seja Deus, Ele não nos destinou para a ira. Foi isso que lembramos nesta manhã, mas para alcançar a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, Que morreu por nós, para que, quer estejamos acordados, quer dormindo, vivamos juntamente com Ele.

    Portanto, encorajem uns aos outros e edifiquem uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo. Há aqui um encorajamento relacionado ao nosso relacionamento uns com os outros e à responsabilidade que temos uns pelos outros.

    Então vemos a semelhança quando chegamos a Hebreus. Hebreus 10 contém um conjunto maravilhoso de versículos de encorajamento. Estamos olhando apenas alguns deles, mas somos gratos por tudo o que o Senhor fez. Podemos nos aproximar com um coração sincero, com plena certeza de fé, tendo o coração purificado de uma consciência má e o corpo lavado com água pura.

    Por causa dessa posição que temos em Cristo e de tudo o que Ele fez por nós, somos encorajados a guardar firme a confissão da nossa esperança, sem vacilar, pois Aquele Que prometeu é fiel. Nos dias em que vivemos, guardar firme a confissão da nossa esperança, sem vacilar, tem sido um desafio, especialmente nestes últimos dias.

    Não queremos ser daqueles que desfalecem. Não queremos ser daqueles que desistem, perdendo a esperança. Mas, por causa de tudo o que Ele fez, por causa dessa mesa da qual acabamos de participar, temos uma esperança segura e firme.

    Queremos considerar como estimular uns aos outros — novamente, nosso relacionamento e nossa responsabilidade uns pelos outros — ao amor e às boas obras, não deixando de nos reunir, como é costume de alguns, mas encorajando uns aos outros, e tanto mais quanto vocês veem que o dia se aproxima.

    A necessidade de nos reunirmos

    Vemos que uma das táticas do inimigo nestes últimos dias é tentar separar os irmãos, dividir e até espalhar divisão, procurando atacar o valor precioso de estarmos juntos.

    Agora, quando essa passagem fala de nos reunirmos, duas palavras me chamam a atenção. Uma é deixar. Isso envolve fazer uma escolha. Você não reconhece o valor, o quanto isso é precioso. Mas a palavra que pesa ainda mais no meu coração é costume.

    Não vamos conseguir estar em todas as reuniões, mas não queremos que a ausência se torne um costume. Um costume é algo que você faz o tempo todo. Sabemos que surgem imprevistos. Você não consegue estar em todas as reuniões, e não é condenado por isso. Mas não queremos que isso se torne um costume.

    Queremos ter, em nossa vida e em nosso coração, o desejo de estar juntos sempre que pudermos, para encorajarmos uns aos outros. Como isso é vital!

    A volta do Senhor como verdade fundamental

    Então, por que, afinal, li essas duas passagens? Elas estão falando de viver à luz da volta do Senhor. Se vocês olharem para 1 Tessalonicenses, essa é a primeira carta de Paulo, e foi escrita, basicamente, para novos convertidos.

    Se olharmos para Hebreus — e, para os propósitos de hoje, vou dizer que Hebreus foi escrito por Paulo, embora eu não acredite nisso; mas, para esta reflexão, vou evitar qualquer controvérsia —, vamos dizer que foi uma de suas últimas cartas. Assim, diremos que ela foi escrita para encorajar cristãos mais antigos na fé.

    Mas vemos que, ao longo de todo o ministério de Paulo, ao longo de sua vida de compartilhar e encorajar os irmãos, ele sempre trazia no coração essa preocupação com a volta do Senhor. Ela estava sempre diante de seus olhos. Não importava quem ele estivesse encorajando ou a quem estivesse escrevendo; havia sempre um propósito e um objetivo em vista relacionados à volta do Senhor.

    Qual é a importância disso? Para mim, a importância está no fato de que, seja você um novo cristão, seja alguém que já é cristão há algum tempo, essa verdade básica da volta do Senhor é para todos nós. Às vezes podemos pensar: “Esse é um ensinamento mais elevado sobre a volta do Senhor”. Não. Paulo nos mostra, ao escrever para esses novos convertidos em Tessalônica, que havia compartilhado com eles muita coisa sobre a volta do Senhor.

    Não importa há quanto tempo temos caminhado com o Senhor, não importa quanta história temos com Ele: essa mensagem, essa verdade da Sua volta, é crucial e vital para todos nós.

    Gostei muito de uma citação do irmão A. B. Simpson. Muitos de nós o conhecemos e temos sido encorajados por ele. Em seu comentário sobre Tessalonicenses, ele fez esta observação:

    O fato de as cartas aos tessalonicenses serem as primeiras epístolas de Paulo, e de o tema da volta do Senhor ter tanto destaque em ambas, deixa isso muito claro. A doutrina da vinda do Senhor não é uma verdade avançada, que só pode ser compreendida por cristãos profundamente espirituais. É uma das doutrinas principais da verdade básica do evangelho, ou do ensino fundamental; é a própria essência do evangelho do reino e se destina a todos os cristãos.

    Hoje, ao falarmos novamente sobre a preparação para a vinda do Senhor — assunto que temos ouvido bastante ultimamente, ao longo dos anos —, alguns de nós vão se acomodar na cadeira e dizer: “Ah, lá vamos nós de novo, ouvindo sobre a preparação para a vinda do Senhor”.

    Mas que nunca nos cansemos disso. Só quero dar uma despertada em vocês aqui. Não sou fã de Star Wars — mas, enfim, vemos… Como? Star Trek. Star Trek, isso mesmo. Também não sou fã de Star Trek, mas lá vamos nós outra vez. Hoje vamos ouvir novamente sobre a vinda do Senhor. Que isso não se torne algo banal para nós.

    Como gostei da citação de Simpson, vou lê-la novamente também. Vocês vão dizer: “Mac, você vai ler tudo duas vezes”. Pois é, como professor, a gente aprende que às vezes precisa dizer as coisas mais de uma vez.

    O fato de as cartas aos tessalonicenses serem as primeiras epístolas de Paulo, e de o tema da volta do Senhor ter tanto destaque em ambas, deixa muito claro que a doutrina da vinda do Senhor não é uma verdade avançada, que só pode ser compreendida por cristãos profundamente espirituais. É uma das doutrinas principais, ou dos fundamentos, da verdade básica do evangelho. É a própria essência do evangelho do reino e se destina a todos os cristãos.

    Louvado seja Deus. Será que podemos enxergar isso? As verdades básicas — podemos chamá-las de verdades fundamentais — realmente se aplicam a todos. Quer estejamos falando de fé, esperança, amor, salvação ou da mesa do Senhor, elas são para todos. Assim também é a Sua volta. É uma das verdades básicas que temos para todos.

    A simplicidade de seguir a Cristo

    Um exemplo é o chamado de Deus para todos nós. Vejam a vida de Pedro. Qual é a primeira ordem registrada que o Senhor deu a Pedro?

    Segue-Me.

    E qual é a última coisa que Ele lhe diz no final do Evangelho de João?

    Segue-Me.

    Isso não ficou mais complicado à medida que Pedro conhecia mais o Senhor. O padrão não mudou. Às vezes parece que mudam a linha de chegada. Você vai avançando, e então o alvo muda. Não, é simplesmente um chamado para segui-Lo.

    Esse é, de fato, um princípio relacionado a todas as verdades fundamentais de Deus. Há nelas uma simplicidade da qual gostamos de nos afastar, tornando as coisas mais complicadas. Mas Deus quer que permaneçamos nesse lugar de simplicidade Nele.

    O propósito da volta do Senhor

    Por que a Sua breve volta é uma motivação tão grande para nós? Porque a Sua volta, essa realidade, está relacionada ao motivo de estarmos aqui. Por que estamos aqui hoje? Estamos aqui apenas para viver este momento de hoje? Há um alvo em vista.

    Mesmo quando se fala da mesa do Senhor em Coríntios, participamos dela tendo em vista a Sua volta. Para que estamos vivendo? Para onde estamos indo? O que estamos fazendo? É apenas para escapar deste mundo? A Sua volta está diante de nós, e ela governa a nossa vida.

    Como avançamos em meio aos tempos difíceis? Vejam esses tessalonicenses. Eles foram perseguidos desde o início. São conhecidos por sua perseverança em meio à perseguição. Como podemos suportar a perseguição nestes dias? Uma das maneiras pelas quais o Senhor encorajou os irmãos em Tessalônica — e nos encoraja — é manter esse alvo em vista. Mantenham o Seu propósito, mantenham o Seu objetivo final em vista, e conseguiremos atravessar essas dificuldades.

    É por isso que conhecer o alvo é algo tão simples e, ao mesmo tempo, tão crucial. Infelizmente, encontramos hoje um egocentrismo por toda parte no cristianismo. Mas o centro não é o eu; o centro é Cristo. Para alguns, é um choque dizer: “Não se trata de mim”. Eles nem percebem isso.

    Mas vemos que não se trata de nós. Ao olhar para todos os ensinamentos do nosso Senhor, para Suas parábolas sobre a segunda vinda, vemos que Ele está trabalhando em nós para mudar nossa perspectiva. Ele quer que levantemos os olhos, como tantas vezes somos encorajados a fazer na reunião de oração. Levantemos os olhos para que possamos vê-Lo. Trata-se Dele. Não de nós.

    Ele está voltando porque Seu Pai tem um propósito no coração desde a eternidade. É um propósito glorioso e maravilhoso. Seu Pai deseja isso intensamente, e, em Seu amor por nós, Ele torna isso real em nosso favor e continua nos chamando a participar desse propósito.

    A Sua volta diz respeito a Ele, não a nós. Diz respeito a uma noiva para o Seu Filho. É por isso que o Pai zela: para que Seu Filho tenha essa companheira eterna e essa expressão coletiva da Sua vida.

    É tão vital enxergarmos isso nesta hora, neste tempo. É algo extraordinário que Deus tenha escolhido a nós — com nossas falhas, fraquezas e incapacidades, mesmo quando às vezes nos rebelamos contra Ele, O rejeitamos e O negligenciamos. Comecei a tentar dizer essas palavras juntas: rejeitar, negligenciar, e acabei embaralhando tudo.

    Mas, enfim, é extraordinário. Ele nos escolheu, colocou Sua vida em nós e está nos conformando à Sua imagem. É disso que se trata. É para isso que Ele nos chama. Que nunca nos cansemos disso.

    Contexto histórico de Tessalônica

    Agora que estabelecemos um pouco o tom, vamos olhar para o contexto e o cenário dessa carta aos tessalonicenses. Obviamente, eles viviam na cidade de Tessalônica. Era uma importante cidade comercial e política.

    Comercialmente, ela ficava na principal rota de comércio entre a cidade que hoje se chama Istambul e Roma. Era mais ou menos a I-95 daquela época — a rota comercial, com tudo o que ia e vinha, todos aqueles caminhões que circulam por ela. Havia uma grande estrada que ligava tudo: o bom e o ruim.

    Vocês veem as cidades ao longo da I-95 e a influência para o bem, a influência para o mal. É por isso que ela era tão importante. Também era um grande centro político, uma capital, e, por causa disso, tinha uma cultura bastante diversificada.

    Obviamente, a maioria era grega, mas havia pessoas de todas as origens e culturas. Havia judeus ali, pois existia uma sinagoga.

    O ministério de Paulo em Tessalônica

    Conhecemos Tessalônica pela primeira vez quando Paulo chega de Filipos. Sabemos que, em Filipos, na primeira vez em que Paulo veio à Europa por meio daquela visão, ele foi preso — lançado na prisão em Filipos. O Senhor fez algo maravilhoso, e depois Paulo foi obrigado a sair de lá. Isso está em Atos 16.

    Depois de ser obrigado a deixar Filipos, ele foi para Tessalônica. Isso está em Atos 17. Ele foi à sinagoga para compartilhar ali, como era seu costume. Por anunciar o glorioso evangelho e abrir os olhos de muitos que estavam cegos, muitos foram salvos naquele lugar.

    É interessante como o texto menciona os judeus, os gregos e essa terceira categoria chamada “mulheres de destaque”. Judeus, gregos, mulheres de destaque. Agora, nunca subestimem o poder das mulheres, sabem? Ali estavam todos os judeus, os gregos, e depois essa outra categoria inteira: mulheres de destaque. Elas estão nos conduzindo por toda parte.

    Paulo ensinou ali por um período que não sabemos ao certo. Não temos certeza de quanto tempo ele ficou, mas, por causa de seu êxito, os judeus dali ficaram muito enciumados. Provocaram um enorme tumulto, e os irmãos tiveram de enviar Paulo para outro lugar durante a noite.

    Logo ele acabou indo para Corinto, mas estava preocupado com aqueles novos convertidos que haviam ficado em Tessalônica. Então enviou Timóteo. A maioria das pessoas entende que Paulo era tão conhecido que seria perigoso voltar. Timóteo era mais discreto. Eles não o reconheciam.

    Ele podia entrar, sabem, como um agente de operações especiais: entrar sem ser notado, sem ser reconhecido, avaliar a situação e voltar para dar um relatório. Louvado seja Deus, Timóteo conseguiu fazer isso. Voltou para Paulo, que agora estava em Corinto, e trouxe uma palavra encorajadora: eles continuavam avançando no Senhor; estavam prosseguindo.

    Ele também disse que eles tinham algumas perguntas sobre a volta do Senhor. Então Paulo escreveu essa primeira carta aos irmãos em Tessalônica para esclarecê-los e encorajá-los, e também para responder a algumas perguntas que tinham sobre a volta do Senhor.

    É bom lembrar que, entre a primeira visita de Paulo a Tessalônica e o momento em que escreveu essa carta, passaram-se menos de dois anos. Não é possível determinar o tempo com exatidão, mas todos reconhecem que foi um intervalo de aproximadamente dois anos, ou menos. Portanto, eram novos na fé.

    A preocupação central de Paulo ao escrever para eles está relacionada à volta do Senhor. Paulo havia compartilhado com eles sobre a Sua volta, e eles tinham algumas perguntas a respeito. Estavam preocupados com aqueles que haviam morrido. E se morressem antes de Deus voltar? O que aconteceria com eles?

    Paulo os tranquiliza e consola, dizendo que tanto os que vivem quanto os que morrem estarão juntos com o Senhor. Ele também os encoraja, pois ouviu falar de sua maravilhosa fidelidade, apesar da perseguição pela qual estavam passando.

    Aqueles judeus não pararam quando Paulo foi embora. A perseguição continuou, e eles precisavam viver sob ela; ainda haveria mais perseguição no futuro. Então ele procurava encorajá-los e consolá-los.

    É por isso que essas duas cartas aos irmãos em Tessalônica podem ser tão encorajadoras para nós nos últimos dias. A perseguição pela qual estamos passando agora é muito leve, mas vai piorar. Sabemos que muitos estão sofrendo perseguição severa. O consolo e o encorajamento que essas cartas nos oferecem se tornam muito relevantes para nós nestes dias.

    Agora, não vamos entrar em detalhes específicos nem na sequência dos acontecimentos da Sua volta. Vamos nos ater ao princípio com o qual todos podem concordar — bem, quase todos. Há alguns lá na extrema esquerda que não concordam —, mas Ele está voltando. Acho que todos podemos concordar com isso.

    Podemos ter interpretações diferentes sobre quando será, sobre a sequência dos acontecimentos e tudo isso, mas o princípio, a verdade fundamental, é que Ele está voltando. Louvado seja Deus. É com isso que Paulo os encoraja.

    O testemunho dos cristãos tessalonicenses

    Paulo começa essa carta encorajando-os. Podemos olhar para 1 Tessalonicenses 1. Há um enorme encorajamento nessa carta, porque ela tanto encoraja quanto apresenta o testemunho da vida do Senhor nesses queridos irmãos.

    Paulo estava em Corinto. Em 1 Tessalonicenses 1:1-4, lemos:

    Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: graça e paz a vocês.
    Damos sempre graças a Deus por todos vocês, mencionando-os em nossas orações;
    lembrando-nos constantemente da obra da fé, do trabalho do amor e da firmeza da esperança de vocês em nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de nosso Deus e Pai;
    sabendo, irmãos amados por Deus, que Ele os escolheu.

    Damos sempre graças a Deus por todos vocês — não apenas por alguns, por todos vocês —, mencionando-os em nossas orações. Eles foram escolhidos por Deus. Ele fez essa escolha. Foram escolhidos. Eram especiais. Nós somos escolhidos. Somos especiais porque Ele nos escolheu. Louvado seja Deus.

    Ele continua, em 1 Tessalonicenses 1:5:

    Porque o nosso evangelho não chegou a vocês somente em palavras, mas também em poder, no Espírito Santo e com plena convicção; assim como vocês sabem que tipo de homens nos mostramos entre vocês, por amor a vocês.

    O Espírito realmente agiu sobre eles e os conquistou. Havia uma salvação sólida e segura. Lembrem-se dessa pequena expressão: Paulo está dizendo como eles demonstraram quem eram enquanto estavam entre esses queridos irmãos em Tessalônica. Ao chegarem, houve um testemunho que confirmou sua autenticidade, tratando aqueles irmãos com respeito.

    Graças ao Senhor, Paulo não estava tentando provar nada por si mesmo. Era a vida do Senhor em Paulo que testemunhava àqueles irmãos em Tessalônica a respeito de tudo o que ele dizia.

    Como resultado, lemos em 1 Tessalonicenses 1:6:

    Vocês também se tornaram imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra em meio a muita tribulação, com a alegria do Espírito Santo.

    Eles estavam passando por tribulação. Havia pessoas perseguindo-os, mas havia alegria. Uma realidade havia conquistado seu coração e produzido alegria. Estavam sofrendo com um propósito. É como em Hebreus, quando se fala do Senhor indo para a cruz: havia uma alegria colocada diante Dele.

    É por isso que é tão vital enxergarmos além do imediato, enxergarmos aquilo que Deus está buscando.

    Então pulamos para 1 Tessalonicenses 1:10:

    E esperar dos céus o Seu Filho, a Quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, Que nos livra da ira vindoura.

    Louvado seja Deus, há uma ira vindoura, mas fomos livrados dela.

    Fé, amor e esperança como testemunho vivo

    Antes, comparamos Tessalonicenses com Hebreus. Vamos olhar novamente para Hebreus, mantendo esses versículos em vista por um momento. Pensem no que Paulo testemunhou a respeito deles: a obra da fé, o trabalho do amor e a firmeza da esperança.

    Em Hebreus 10:22, está escrito que devemos nos aproximar com um coração sincero e plena certeza de fé — tendo essa fé, uma obra de fé. Depois, guardar firme a confissão da nossa esperança, essa firmeza sem vacilar. E, então, estimular uns aos outros ao amor e às boas obras.

    Graças ao Senhor pelo testemunho dos irmãos em Tessalônica. Lembrem-se: eram novos convertidos. Às vezes podemos perder isso de vista. Seja o encorajamento aos irmãos em Tessalônica, seja a carta aos hebreus, que já tinham um pouco mais de caminhada, o encorajamento é o mesmo. Ele os leva de volta a Cristo.

    Às vezes a carta é dirigida a pessoas que já caminham com Ele há mais tempo, mas, louvado seja Deus, ela foi escrita para todos nós, porque esse é o fundamento sobre o qual Ele trabalha e edifica.

    A obra da fé

    O que é essa obra da fé de que eles estão falando? É uma fé viva, expressa em sua vida. Vejam o testemunho em 1 Tessalonicenses 1:8:

    Porque a palavra do Senhor repercutiu a partir de vocês, não somente na Macedônia e na Acaia, mas também em todo lugar se divulgou a fé que vocês têm em Deus.

    Louvado seja Deus pelo testemunho que eles tinham, não apenas entre si, mas irradiando por toda a Macedônia e a Acaia, aquelas regiões. Eles estavam impactando outras pessoas.

    Quando a vida do Senhor conquista alguém, você percebe que ela não fica apenas dentro da pessoa. Ela se irradia. Quando um irmão ou uma irmã é salvo, ou tem uma experiência com o Senhor, e você está por perto, você também se sente encorajado. Isso se irradia deles.

    A Sua vida quer simplesmente transbordar de maneira maior e mais plena a partir de cada um de nós.

    1 Tessalonicenses 1:9 diz:

    Pois eles mesmos relatam a nosso respeito como fomos recebidos por vocês, e como vocês se converteram dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro.

    A fé que tinham Nele os afastou dos ídolos sob os quais haviam vivido e que haviam adorado a vida inteira. Deus abriu seus olhos, e, pela fé, eles deixaram tudo isso para trás e se voltaram para servir ao Deus vivo.

    Louvado seja Deus, isso mudou a vida deles, mas também impactou outras pessoas. Falamos sobre o testemunho de Jesus. Isto é um testemunho de Jesus: quando a Sua vida se irradia de nós, individualmente ou em conjunto, e impacta outras pessoas. Aí está o testemunho de Jesus. Trata-se Dele.

    O trabalho do amor

    Depois temos o trabalho do amor. Paulo os encoraja em 1 Tessalonicenses 1:6-7:

    Vocês se tornaram imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra em meio a muita aflição, com a alegria do Espírito Santo;
    de modo que se tornaram um exemplo para todos os cristãos na Macedônia e na Acaia.

    Não gosto dessa palavra imitadores. Ela quase transmite a ideia de uma imitação exterior. Por isso coloquei seguidores; essa palavra expressa um pouco mais algo que vem do coração. Você realmente está se relacionando com eles.

    Eles receberam a palavra em meio a muita aflição. Aí está novamente a perseguição, com alegria no Espírito Santo. Tornaram-se um exemplo para todos os que creram na Macedônia e na Acaia.

    Essa palavra trabalho, se vocês examinarem um pouco o grego, fala de dor. Fala de cansaço, apesar das circunstâncias. Há um esforço para atravessar as dificuldades. Há um trabalho árduo.

    Eles passaram a servir. Havia esse trabalho do amor dentro deles. Paulo zelava por eles. Quando pensamos nesse trabalho do amor, também podemos relacioná-lo a Gálatas 4:19, onde ele diz:

    Sofro dores de parto até que Cristo seja formado em vocês.

    Louvado seja Deus por isso.

    A firmeza da esperança

    Novamente, vemos o impacto sobre os outros. Então chegamos à firmeza da esperança: esperando, esperando, com aquela esperança que tinham. Como diz 1 Tessalonicenses 1:10:

    E esperar dos céus o Seu Filho, a Quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, Que nos livra da ira vindoura.

    Essa firmeza, essa paciência, essa perseverança, essa constância — a esperança na Sua volta. É um testemunho tremendo de Cristo nesses novos convertidos.

    Embora estivessem sofrendo perseguição, havia uma realidade da Sua vida, e eles conseguiam prosseguir com muita fidelidade. Essa realidade também se expressava aos outros.

    Assim como a realidade de Cristo sustentou esses irmãos em tempos difíceis, que essa realidade de Cristo, e tudo o que está em Seu coração, também nos impacte nos tempos em que vivemos. Que ela impacte nossa vida juntos e nossa caminhada individual, fortalecendo-nos para o que está à frente.

    É assim que, diariamente, enquanto caminhamos com Ele, nos preparamos para a Sua volta.

    O caráter dos relacionamentos espirituais

    Há pouco, um dos versículos dizia que Paulo demonstrou quem era. Como Paulo fez isso? O que isso realmente significa? Ele simplesmente se entregou a eles.

    Em 1 Tessalonicenses 2:8, está escrito:

    Assim, tendo tão grande afeição por vocês, tivemos prazer em compartilhar com vocês não apenas o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida, porque vocês se tornaram muito queridos para nós.

    Sim, Paulo pregou o evangelho a eles, mas não parou por aí. Ele e os que estavam com ele compartilharam sua vida com aqueles irmãos. Às vezes podemos nos concentrar na mensagem e dar a ela uma ênfase excessiva. Agora, a mensagem é muito importante — não se esqueçam disso.

    Mas o que confirma a autenticidade da mensagem? O caráter do mensageiro. Não é apenas um ensino acadêmico; há um caráter no mensageiro. A vida do mensageiro confirma a autenticidade da mensagem.

    O que esses irmãos viram, enquanto Paulo compartilhava com eles, foi que ele vivia aquilo. Ele não estava compartilhando uma teoria. Estava compartilhando vida. Enquanto vivia essa vida e ensinava, eles podiam ver exemplos vivos de Cristo nele, conduzindo-o de uma maneira e de outra.

    O testemunho do Senhor era uma realidade ali. Por meio desse relacionamento, Paulo pôde estabelecer vínculos com eles. Foram introduzidos em um relacionamento uns com os outros.

    Ternura materna e exortação paterna

    É interessante que os próximos versículos falam do caráter desse relacionamento. Gosto muito de como ele é descrito, porque primeiro Paulo é apresentado como uma mãe. Daqui a pouco veremos como ele é um pai. A própria natureza e o caráter de cada um se manifestam por meio dele.

    O texto diz que ele foi gentil como uma mãe que amamenta e cuida com ternura dos próprios filhos. A palavra mãe não está no grego original, para vocês que estudam a Bíblia. É apenas aquela que amamenta. As pessoas inserem mãe ali porque ela está cuidando dos próprios filhos — o cuidado materno.

    Às vezes Paulo precisava ser gentil e muito terno com as pessoas: alguém que consola, alguém que compreende. Esse coração de mãe cuida e se aproxima com ternura.

    Mas, depois que as pessoas passam por uma crise ou por certas dificuldades, também há aquele encorajamento da mãe: “Tudo bem, você já teve o seu momentinho” — essas palavras são minhas, não de Paulo —, “você já teve o seu momentinho de sentir pena de si mesmo. Tudo bem. Agora é hora de se levantar e seguir em frente”.

    Se a mãe realmente se importa com que seus filhos sigam em frente, ela não vai deixá-los ficar apenas naquele momentinho de autocomiseração. Talvez tenham motivos. Talvez algo realmente ruim tenha acontecido. Tudo bem. Mas, se você realmente cuida de alguém com ternura, precisa ajudá-lo a sair disso e prosseguir com o Senhor.

    É aí que a ternura amorosa de uma mãe pode entrar, porque o pai simplesmente chega e diz: “Muito bem, levante-se, supere isso e siga em frente”. Bem, isso geralmente não funciona. É preciso essa combinação.

    Paulo, pelo Espírito, tinha dentro de si a vida que se manifestava com ternura materna no momento certo entre aqueles irmãos. Ele também se aproximava como um pai.

    Em 1 Tessalonicenses 2:11, está escrito que ele exortava, encorajava e insistia com eles como um pai. Às vezes precisava ser um pouco mais firme: corrigindo, disciplinando, redirecionando.

    O ponto principal é que Paulo tinha um relacionamento com eles. Sabiam que ele os amava. Sabiam que ele tinha em vista o que era melhor para eles. Ele havia conquistado a confiança deles; por isso, quando falava à sua vida, eles ouviam.

    Muitas vezes as pessoas tentam falar à nossa vida, mas, como não têm nenhum relacionamento conosco, não damos muita atenção. Mas alguém que já demonstrou quem é para você, alguém que você sabe que o ama e se importa com você — quando essa pessoa diz alguma coisa, mesmo que aquilo seja um pouco duro de ouvir no início, você presta atenção.

    É por isso que, nestes dias, há tanto encorajamento para cuidarmos uns dos outros e nos encorajarmos por meio dos relacionamentos que temos.

    Precisamos ter clareza, porque hoje há muito cristianismo centrado em relacionamentos por aí. Mas o fundamento dos relacionamentos de que estamos falando é Cristo. O relacionamento não existe apenas porque você e eu temos muita coisa em comum. Não, o relacionamento é Cristo.

    Levamos as pessoas de volta a Cristo, e Paulo podia falar à vida delas não apenas com palavras, mas com sua vida — não apenas com o amor expresso em palavras, mas em ações.

    Como mencionamos antes, isso é semelhante a Gálatas 4:19, onde ele fala deles como filhos:

    Meus filhos, por quem novamente sofro dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês.

    Há esse relacionamento íntimo com seus filhos. Era assim que Paulo conseguia se aproximar e encorajá-los. Ele estava em agonia. Quando Gálatas menciona esse trabalho, fala de dores de parto. Havia um desejo insaciável de que eles conhecessem Cristo de maneira mais profunda.

    Paulo estava em agonia, sofrendo por aquelas pessoas. Ele as amava tanto. Era como aquela mãe e aquele pai. Estava em agonia por seus filhos, para que crescessem em Cristo.

    Eles não eram apenas números em uma lista, nem números para chamar a atenção. Vi no noticiário que algumas igrejas da Califórnia queriam batizar milhares de pessoas em um único fim de semana — em um único dia — por toda a Califórnia.

    Isso é ótimo, mas eles são cristãos? O alvo não são os números. O alvo é a vida em Cristo. Louvado seja Deus se pudessem batizar dez que realmente tivessem conhecido o Senhor, que pudessem permanecer firmes por Ele e prosseguir.

    Era isso que Paulo desejava: que fossem conformados à imagem de Cristo, como um pai que tem esse coração. Temos ouvido Dana e Jim falarem da grande necessidade de pais e mães nestes últimos dias.

    Eles podem ser aqueles que consolam com ternura, mas também têm a sabedoria espiritual para saber quando trazer um pouco de correção e desafiar as pessoas em amor. Essa é a vida de Cristo dentro de nós. Ela possui essas qualidades e pode fazer isso. Estamos permitindo que Ele faça isso?

    O chamado a progredir cada vez mais

    Somos gratos porque, quando Paulo os encorajou como pai, eles responderam. Haviam respondido ao seu evangelho. Se vocês olharem para 2 Tessalonicenses, verão que continuaram avançando, mesmo em meio a muito sofrimento e perseguição. Eu estava tentando dizer “sofrimento e perseguição”. Às vezes é difícil falar aqui na frente. Para mim, falar já é difícil em geral.

    Por que Paulo os estava desafiando dessa maneira? Lembrem-se: eles tinham um testemunho glorioso. Todos os elogiavam. A Macedônia tinha ouvido falar deles. A Acaia tinha ouvido falar deles.

    Paulo sabia que novos convertidos, cristãos mais antigos — quaisquer cristãos —, quando recebem elogios demais, podem ficar satisfeitos. Podem se acomodar. Podem começar a pensar: “Ah, já chegamos lá”.

    Mas Paulo faz uma transição em sua carta para exortá-los, despertá-los e impulsioná-los a prosseguir de duas maneiras diferentes. Ele tem duas exortações para eles. A exortação tem um sentido duplo. Não significa apenas encorajar alguém, mas também adverti-lo. Cuidado com isto. Sim, vocês estão fazendo aquilo, mas cuidado com isto.

    A primeira diz respeito ao relacionamento pessoal deles com o Senhor, à sua caminhada com o Senhor e à maneira como O agradavam. A segunda exortação diz respeito aos relacionamentos uns com os outros.

    Por causa do tempo, hoje vamos olhar apenas para a primeira exortação, porque sei que todos queremos tomar nosso café da manhã e comer nossa granola com iogurte. Entrei ali discretamente e vi tudo aquilo.

    Nessa primeira exortação, Paulo está se concentrando no relacionamento pessoal deles com o Senhor, porque esse é o fundamento. Antes de avançar e falar sobre os relacionamentos uns com os outros, é preciso ter esse fundamento bem definido em Cristo.

    Em 1 Tessalonicenses 4:1, vemos essa primeira exortação:

    Finalmente, irmãos, pedimos e exortamos vocês no Senhor Jesus que, assim como receberam de nós instruções sobre como devem andar e agradar a Deus, e como de fato estão andando, progridam cada vez mais.

    Observem algumas coisas nesse versículo. Ele os elogia pela maneira como estão andando e agradando a Deus. “Vocês realmente estão fazendo isso.” Louvado seja Deus, vocês estão fazendo isso. Eles têm esse relacionamento pessoal com Ele.

    Mas ele não para por aí. Diz: “Quero que vocês progridam cada vez mais”. Progridam cada vez mais. Esse é um grande chamado para nós. Ele está pedindo; está rogando, suplicando que progridam cada vez mais.

    Ele continua nessa direção. Boa parte do restante do capítulo trata da necessidade de santificação. Não preciso entrar nesse assunto, porque Kenny já cuidou disso; então não preciso me preocupar com a santificação.

    Sua preocupação é que os elogios das pessoas os levem, sem perceberem, a pensar que estão indo bem. Porque há tantas pessoas em sua reunião, porque vocês têm esse tipo de ensino, porque têm um tempo de adoração tão bom, porque têm um trabalho tão bom com as crianças, porque têm isto ou aquilo, vocês podem, sem perceber, achar que está tudo bem.

    Mas não, ele está dizendo: “Quero que vocês progridam cada vez mais”, levando-os a não se satisfazerem nem se acomodarem.

    Prosseguir em vez de se acomodar

    Progredir cada vez mais é vital, porque é semelhante ao que Paulo escreveu aos irmãos em Filipos. Ele não diz “progridam cada vez mais”, mas o que diz? “Prossigam. Prossigam.”

    Vocês já fizeram tudo isso. Têm uma grande história. Já alcançaram essas coisas. Louvado seja Deus pela bênção, mas vocês precisam prosseguir. Progridam cada vez mais. Continuem avançando. Independentemente das experiências que tiveram, independentemente do que alcançaram, prossigam.

    Infelizmente, a época em que vivemos é caracterizada pela acomodação. A época em que vivemos é descrita, em termos bíblicos, como a era de Laodiceia. Qual é o testemunho de Laodiceia?

    Somos ricos e não precisamos de nada.

    Eles estão satisfeitos consigo mesmos, mas o Senhor está do lado de fora. Estão mantendo todas as práticas exteriores. Provavelmente têm ótimas reuniões. Têm isto e aquilo. Seus cofres estão cheios, e tudo mais.

    Mas não se acomodem. Não se deem por satisfeitos. Prossigam. Arrependam-se e continuem avançando. Entrem cada vez mais naquilo que o Senhor tem para vocês.

    A preparação diária para a volta do Senhor

    Como Paulo os encoraja a se preparar para a Sua volta? Como os encoraja a progredir mais nessa preparação? Por meio da caminhada pessoal e diária com o Senhor.

    Ele os lembra, como lemos antes, de que são do dia. Não estão na noite, mas na luz. Como são do dia, 1 Tessalonicenses 5:6 diz:

    Assim, pois, não durmamos como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios.

    Há três coisas aí: não dormir, estar alerta ou vigilante, e ser sóbrio.

    Atenção espiritual

    O que significa isso: “Não durmam”? “Não estou dormindo. Só estou descansando os olhos.” Alguns de nós podem pensar que não estão dormindo, que só estão descansando os olhos.

    O Espírito está falando aqui de negligência espiritual, negligência moral, letargia, indiferença ou descuido. Você está simplesmente deixando as coisas seguirem: “O que será, será”.

    Talvez você pense isso — não sei se diria a outras pessoas —: “Ah, não estou preocupado com a volta do Senhor. Ele não está vindo agora. Não precisamos nos preocupar. Vou simplesmente fazer o que quero”. Então somos pegos de surpresa. Estamos dormindo.

    Lembrem-se de que havia algumas virgens que não tinham aquela reserva de azeite. Elas não estavam preparadas. Mas, louvado seja Deus, Ele nos chama a não dormir, a despertar, a andar no dia, a estar alertas Nele. Ele nos chama a estar alertas e vigilantes.

    É preciso vigiar. Você nunca sabe quando alguma coisa vai atingi-lo. Mas vigiar é, de fato, manter-se em contato com Ele. É permanecer Nele. É não se distrair, mas ouvir as advertências, ouvir as Escrituras, prestar atenção ao que está acontecendo e estar ciente dos tempos em que vivemos.

    É ter consciência de Sua breve volta. Há uma atenção espiritual e moral — observar o que está acontecendo. É como algumas daquelas virgens: elas estavam preparadas. Tinham aquele azeite. Haviam vigiado. Haviam ouvido. Sabiam que precisavam de uma reserva de azeite e passaram a conhecê-Lo de maneira mais profunda.

    Vigilância nos últimos dias

    Por que estamos vigiando? Estamos vigiando por causa da incerteza quanto ao dia da Sua volta. Não sabemos quando Ele virá. Ele não nos diz. Ninguém sabe. Ele virá como um ladrão. Não sabemos quando Ele virá. É por isso que estamos vigiando.

    Estamos atentos aos sinais e a tudo o que está acontecendo. Também vigiamos porque sabemos que há um inimigo por aí. Precisamos estar alertas. Precisamos conhecer as táticas do inimigo.

    Precisamos vigiar para que, ao nos reunirmos para orar, tenhamos algum discernimento sobre como resistir às táticas do inimigo. Essa vigilância não consiste apenas em enxergar a Sua volta e os sinais; consiste também em discernir como resistir a algumas das táticas do inimigo.

    Percebam também que o Senhor dá sinais dos tempos. Quando Ele dá esses sinais, estamos cientes deles? Estamos alertas? Vemos o que está acontecendo? Há muita coisa acontecendo no mundo agora, muita coisa acontecendo em Israel agora.

    Louvado seja Deus, há muitos que estão vigiando. Ninguém tem clareza exata sobre o que está acontecendo, mas sabemos que algo está acontecendo. Precisamos estar alertas e vigilantes para ver o que Ele vai revelar de Seu coração e de Seu desejo.

    Sobriedade espiritual

    A terceira coisa era ser sóbrio. Agora, isso não significa que você não possa beber. Ser sóbrio significa, de fato, ter domínio próprio. Parece um pouco estranho falar em domínio próprio, mas, na verdade, o seu eu está sob o controle do Espírito. O Espírito tem a primazia em sua vida.

    Se vocês não conseguem ler aquilo, está escrito que o teste final para os cães policiais é o domínio próprio: um gato passa diante deles, e eles permanecem ali, disciplinados.

    É interessante olhar para algumas das outras descrições relacionadas a essa questão de ter domínio próprio, de ser sóbrio. Um comentarista ou expositor disse que você não fica excessivamente empolgado, nem indiferente. Há um equilíbrio em sua vida.

    Às vezes você pode ficar tão empolgado que acaba fazendo alguma coisa errada. Lembro-me de quando praticava esportes: o treinador sempre nos lembrava que uma jogada termina e a próxima começa.

    Você pode ficar tão empolgado com o passe que recebeu ou com o bloqueio que fez que acaba completamente desprevenido. Faz uma grande defesa e fica ali, se vangloriando; na jogada seguinte, o sujeito passa correndo bem ao seu lado.

    É preciso vigiar, ser sóbrio e estar alerta — ter equilíbrio. É preciso ser calmo, constante, seguro e fiel nas coisas do dia a dia.

    Gostei muito de como um irmão descreveu isso: alguém que não vive pelos sentidos, mas pelo Espírito. Não viver pelos seus sentidos, pelos seus sentimentos, mas pelo Espírito.

    Como você está se sentindo? Seus sentimentos podem levá-lo para um lado ou para outro, mas ser guiado pelo Espírito — essa é a obra que nos conforma à imagem de Cristo. É natural em nós sermos guiados pelos sentidos, mas, à medida que permitimos que essa obra de Cristo em nós O forme em nós de maneira mais plena, começamos a aprender a ser mais guiados pelo Espírito do Deus vivo.

    O contraste entre a noite e o dia

    Ao encorajá-los, Paulo estabeleceu um grande contraste entre a noite e o dia. Ao falar da noite, menciona o sono e a embriaguez. No dia, vocês são vigilantes e sóbrios.

    Somos gratos, Senhor, porque somos do dia. Somos da luz. A luz veio até nós. Ela brilhou sobre nós, e precisamos andar dessa maneira.

    Samuel e Saul: um contraste na percepção espiritual

    Foi interessante: na sexta-feira à noite, no estudo bíblico, estudamos 1 Samuel 9. Um grande contraste se manifestou naquele capítulo — o contraste entre Samuel e Saul, para aqueles de vocês que não estavam lá.

    Em 1 Samuel 8, Israel disse: “Queremos um rei”. Deus disse: “Muito bem, vamos dar um rei a vocês”. Em 1 Samuel 9, eles encontram o rei que atendia a todos os desejos do povo de Deus: o homem da carne, Saul.

    Ele tinha uma ótima aparência exterior. Era respeitado e possuía certas boas características naturais. Eles disseram: “Este é o nosso rei”. Iam ungi-lo rei.

    Mas, em contraste, vocês veem Samuel nesse capítulo, tão diferente de Saul. Samuel, embora tivesse sido rejeitado por esse povo no capítulo anterior, continuou servindo ao Senhor e servindo ao povo.

    Ele ficou arrasado, mas Deus interveio e disse: “Não se preocupe com isso, Samuel. Eles não estão rejeitando você. Estão rejeitando a Mim”. Em meio à rejeição, Samuel conseguiu continuar servindo ao Senhor e servindo ao povo.

    Como tinha aquele relacionamento vivo com o Senhor, ele se mantinha em contato diariamente. Seu coração e seus olhos estavam abertos. Ele podia ouvir o Senhor. Uma tradução diz:

    O Senhor falou ao seu ouvido.

    Ele tinha ouvidos para ouvir o que o Espírito estava dizendo. É disso que precisamos nesta hora.

    O grande contraste com Saul era que Saul não tinha relacionamento com Deus. Ele nem sabia que Samuel existia. Estava cego. Era simplesmente conduzido pelas circunstâncias. Não conseguia ouvir, mesmo quando as pessoas tentavam falar com ele.

    Esse é o homem natural. Mas Deus quer que sejamos guiados pelo Espírito, tendo esse relacionamento com Ele.

    A simplicidade e a pureza da devoção a Cristo

    Isso me leva de volta a um dos meus versículos favoritos em 2 Coríntios. Para mim, tudo isso nos leva de volta ao chamado do Senhor para retornarmos à simplicidade e à pureza da nossa devoção a Cristo.

    Esse é o chamado nos últimos dias: permanecer nessa simplicidade e pureza da nossa devoção a Cristo — Cristo.

    Pela Sua graça, que sejamos aqueles que progridem cada vez mais. Que sejamos aqueles que prosseguem. Louvado seja Deus pela obra da fé que Ele fez em nossa vida, pela obra da fé que Ele fez em sua vida. Mas prossiga em busca de mais.

    Louvado seja Deus por esse trabalho do amor que você demonstrou para com Ele, mas ainda há mais que Ele deseja que você experimente. Graças ao Senhor pela maneira como você suportou as provações da vida e a perseguição e permaneceu firme. Você teve essa firmeza da esperança, mas venha a conhecê-Lo de maneira mais plena e profunda.

    Prossigam, progredindo cada vez mais. Graças ao Senhor, somos do dia. Não queremos ser daqueles que dormem. Queremos ser vigilantes e sóbrios, realmente capazes de reconhecer:

    Assim diz o Senhor.

    Há muitas vozes nesta hora, muitas vozes circulando por aí. Temos esse relacionamento pessoal e diário com Ele para reconhecer Sua voz quando o Espírito fala?

    Louvado seja Deus, como diz Apocalipse, que sejamos aqueles que têm ouvidos para ouvir o que o Espírito diz às igrejas. Esse é o chamado que temos nestes últimos dias, antes que Ele volte.

    Falamos sobre estar preparados para a vinda do Senhor. O que mais me encorajou foi olhar para esses queridos irmãos em Tessalônica, que eram novos convertidos. Estar preparado para a vinda do Senhor não é um ensinamento avançado. É uma caminhada simples e básica com Ele.

    Andar diariamente pela fé, andar diariamente em amor, ter diariamente esse relacionamento com Ele e permitir diariamente que Ele edifique sobre esse fundamento e nos estabeleça não apenas firmemente Nele, mas também em relacionamentos uns com os outros — tudo para a Sua glória e para a Sua honra.

    Que o Senhor faça isso em nosso coração e em nossa vida nestes dias, enquanto desejamos prosseguir. Vamos orar.

    Oração final

    Senhor, somos sempre gratos por Quem Tu és. Somos sempre gratos, Senhor, por essa grande obra que fizeste. Também somos gratos porque o que é impossível para o homem é possível para Deus.

    Senhor, é impossível nos conformarmos, por nós mesmos, à Tua imagem. Mas somos gratos pelo preço que pagaste. Somos gratos pela vida que está dentro de nós, que é plenamente capaz de nos conformar à Tua imagem.

    Senhor, ajuda-nos a estar dispostos a progredir cada vez mais, a ter disposição e desejo de prosseguir, de conhecer-Te de maneira mais plena e profunda, tudo para a Tua glória e para a Tua honra.

    Firma em nosso coração que não se trata de nós; trata-se de Ti — de receberes a glória, de receberes a honra que é devida ao Teu maravilhoso nome. Em Teu nome oramos. Amém.