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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    A People for His Own Possession© 2026 Christian Testimony Ministry
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    A People for His Own Possession
    A People for His Own Possession
    Graham, Mac

    A salvação da alma

    Bom dia, irmãos e irmãs.

    Estamos dando continuidade a uma série depois de uma pausa de cerca de três ou quatro meses. Não tenho certeza de quanto tempo passou, mas faremos uma breve revisão. A pergunta que temos diante de nós, a partir de Tito, é esta: por que a graça de Deus se manifestou a nós?

    Vamos ler os versículos nos quais temos nos concentrado: Tito 2:11-14.

    Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,
    Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas,
    vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente;
    Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo;
    O Qual Se deu a Si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade,
    e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras.

    Vamos orar.

    Senhor, somos gratos pela própria vida que Tu nos deste. Nossos irmãos compartilharam nesta manhã sobre a riqueza dessa vida, da qual pudemos nos lembrar ao redor da mesa. Senhor, é uma vida de uma natureza inteiramente diferente.

    Somos gratos, Senhor, por Tua disposição de vir e entregar Tua vida, para que tivéssemos vida e a tivéssemos em abundância. Na abundância da Tua vida, Tu nos deste Tua Palavra e Teu Espírito Santo.

    Nesta manhã, queremos voltar a nos oferecer a Ti, para que, ao declararmos que Tu és o Senhor e o Cabeça deste tempo, tenhas grande liberdade para trabalhar entre nós — trabalhar em nosso coração e em nossa vida. Senhor, que Tu cresças e nós diminuamos, para que possas obter aquilo que buscas em Teu povo nestes últimos dias. Em Teu maravilhoso e precioso nome. Amém.

    A abrangência da graça de Deus

    Ao olharmos para esses versículos de Tito, vemos como são abrangentes. Eles captam a própria essência da plenitude do evangelho e da maneira como o Senhor nos redimiu.

    A própria personificação da graça, nosso Senhor Jesus Cristo, veio trazendo salvação — não apenas a alguns, mas a todos os homens. Ele amou tanto o mundo que morreu por toda a humanidade.

    Depois de nos salvar, Ele não para por aí. Graças a Deus, Ele começa esse processo de instrução, esse processo de discipulado, conformando-nos à Sua imagem. A impiedade e os desejos mundanos, com os quais nascemos, são tratados por meio da obra transformadora da cruz e do Espírito Santo.

    Ele não deseja apenas um povo piedoso no futuro; Ele busca pessoas piedosas nesta presente era. É isso que Ele procura. Ele nos deu não apenas o Espírito, que nos ensina e nos discipula, mas também uma esperança viva. Estamos aguardando aquela bem-aventurada esperança da manifestação do nosso Senhor.

    É uma salvação abrangente. Neste pequeno livro de Tito, a própria essência e o coração de todo o evangelho são apresentados em poucos versículos.

    Tito 2:14 reúne a essência dos versículos anteriores:

    O Qual Se deu a Si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade,
    e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras.

    Graças a Deus. Vemos o que Ele está fazendo. Deus sempre tem um objetivo em vista: um povo que Lhe pertença. Somos Seu tesouro especial.

    Somos gratos porque, quando a graça de Deus se manifestou, ela não parou por aí. Ela continua trabalhando em nós. Na primeira vez em que compartilhamos, nosso foco foi a manifestação da graça de Deus. Depois, compartilhamos sobre Cristo em nós — que testemunho precioso! Hoje, estamos dando continuidade com a salvação da alma.

    Os três tempos da salvação

    Como muitos já compartilharam, a salvação tem, de fato, três tempos.

    Primeiro, há o tempo passado: a libertação da penalidade do pecado — a justificação. Fomos salvos. Graças a Deus por isso. Que coisa maravilhosa!

    Depois, há o tempo presente: a libertação do poder do pecado — a santificação. Na obra que Deus está realizando hoje, estamos sendo salvos do poder do pecado, porque Ele o venceu. Esse processo está sendo desenvolvido em nós, e vamos tocar nesse assunto hoje.

    Então, há o tempo futuro: a libertação até mesmo da presença do pecado — a glorificação. É uma obra transformadora plena, completa e tremenda que Ele realizou.

    Nosso irmão compartilhou na semana passada sobre transformação, por isso há certa sobreposição entre a semana passada e esta. Não sabíamos que nós dois compartilharíamos sobre transformação, mas o Senhor coordenou essas mensagens de tal maneira que vamos simplesmente nos render ao que Ele deseja fazer.

    Cristo em nós, a cruz e o Espírito Santo

    Já fizemos esta pergunta: como somos transformados? Há o que estou chamando de três chaves: Cristo em nós, a cruz e o Espírito Santo.

    Cristo em nós é aquela maravilhosa verdade objetiva. Ao considerarmos hoje a cruz e o Espírito Santo, embora eu esteja separando essas realidades em três aspectos, elas estão profundamente interligadas. Trabalham juntas; não são independentes umas das outras.

    Há uma única obra sendo realizada: levar-nos ao conhecimento, pela experiência, daquilo que temos em Cristo. Não se trata apenas da verdade objetiva de Cristo em nós, mas do conhecimento prático de Sua vida sendo realmente vivida e expressa por meio de nós, preparando-nos, nestes dias, para Seu glorioso retorno.

    Quando consideramos Cristo em nós, lemos Colossenses 1:27:

    Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios,
    que é Cristo em vós, esperança da glória.

    Que maravilhosa verdade fundamental: Cristo em nós. É um dos segredos — o próprio fundamento que temos — da vida cristã. Graças a Deus, lembramos o preço que foi pago para que Cristo estivesse em nós. Para nós, foi gratuito, mas custou a Ele Sua própria vida. Que presente precioso recebemos!

    Também consideramos Colossenses 3:3-4:

    Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
    Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória.

    Cristo, que é a nossa vida. Começamos esta manhã lembrando como o Senhor nos deu uma vida tão abundante. Temos essa vida zoé, essa vida abundante, dentro de nós.

    Não somos apenas receptores passivos da vida. Devemos permitir que essa vida seja vivida ativamente em nós. Sua vida é a vida dentro de nós que nos prepara e nos transforma para Seu glorioso retorno.

    A vida divina de Cristo

    Quando falamos dessa vida zoé, estamos falando de uma vida inteiramente diferente. É vida divina; não é vida natural. Nascemos com a vida natural, mas essa é algo completamente diferente. É vida não criada.

    Somos seres criados, mas a vida zoé de Deus — do nosso Senhor Jesus Cristo — não foi criada. Não é possível medir a extensão dessa vida.

    O foco da vida eterna não está tanto na quantidade, mas na qualidade. Naturalmente, pensamos na eternidade em termos de duração, mas, quando as Escrituras falam de vida eterna, falam da qualidade de vida à qual Ele nos conduz.

    Quanto mais tocamos a vida de Cristo, mais percebemos como sabemos pouco a respeito dela. Entramos e tocamos um pouquinho, e dizemos: “Nossa, veja este aspecto de Cristo”. Então, percebemos que há muito mais. É como se estivéssemos nas bordas de Seus caminhos, tocando a orla de Suas vestes.

    Graças a Deus, à medida que O seguimos diariamente e nos entregamos a Ele, Ele continua nos mostrando cada vez mais de Si mesmo, de maneiras muito práticas em nossa vida.

    O espírito, a alma e o corpo

    Quando nascemos de novo, nosso corpo continua o mesmo, e nossa alma permanece basicamente a mesma. Mas nosso espírito, que estava morto — ou, como alguns dizem, adormecido —, nasce de novo e é vivificado pelo poder de Sua vida dentro de nós.

    Sua vida vem e habita em nosso espírito. Esse espírito é vivificado e se torna atento. Começa a despertar e a se tornar ativo, porque o espírito é o centro da comunhão com o Senhor.

    Como revisão, dissemos que o espírito tem três aspectos: consciência, intuição e comunhão. Antes da salvação, estávamos sob nosso próprio controle. Agora, o desejo é que essas faculdades fiquem sob o controle do Espírito Santo.

    Esta é outra maneira de considerar as três fases da salvação:

    1. O espírito nasce de novo — justificação. Esse é o tempo passado.
    2. A alma está sendo salva — santificação. A alma passa a ficar sob o domínio do espírito, em vez de permanecer sob o domínio da carne e da vida do ego.
    3. O corpo será transformado — glorificação. Essa é a futura remoção da presença do pecado.

    À medida que envelhecemos, com dores, cirurgias e tantas outras coisas, começamos a esperar cada vez mais por aquele novo corpo. Os jovens não têm ideia de quanto alguns de nós anseiam por um novo corpo — um corpo no qual não seja preciso se preocupar com tromboses venosas profundas ou coisas desse tipo. Graças a Deus.

    O Senhor trabalha em nós por meio da cruz e do Espírito Santo. Temos Cristo como nossa vida, mas será que essa verdade realmente nos afeta?

    A verdade objetiva e a realidade espiritual

    Sempre apreciei esta citação de Tozer: “Se a verdade — a verdade de Cristo em nós — não afeta nossa vida, que valor ela tem? Apenas nos enche de orgulho”.

    É vital que Cristo em nós se torne não apenas uma verdade objetiva, mas uma realidade espiritual em nossa vida. A realidade espiritual é Cristo em nós sendo vivido na prática.

    Oswald Chambers disse:

    O único segredo maravilhoso de uma vida santa não está em imitar Jesus,
    mas em permitir que as perfeições de Jesus se manifestem em minha carne mortal.
    Santificação é Cristo em vós.

    Não é apenas uma pergunta mental: “O que Jesus faria?”. Não se trata de imitá-Lo. Trata-se de permitir que a vida dentro de nós venha à tona e seja expressa por meio de nós no dia a dia. Graças a Deus.

    A transferência do controle

    A transformação é o processo de transferência do controle ou da influência de nossa vida natural — anteriormente governada por nossa alma e nossa carne — para seu novo Senhor: Sua vida, a vida zoé, Cristo ou o Espírito Santo dentro de nós.

    Às vezes, as pessoas perguntam: “É Cristo em nós, ou é o Espírito Santo em nós que está trabalhando?”. Não fiquem presos a isso. Cristo e o Espírito Santo compartilham uma única vida e um único propósito. Quer vocês chamem isso de Cristo em nós, quer de Espírito Santo trabalhando em nós, é a mesma vida trabalhando em direção ao mesmo objetivo.

    Antes de sermos salvos, a vida do ego estava no controle. Mas, à medida que nos rendemos a Ele, nosso espírito começa a assumir a primazia.

    O corpo se relaciona com o mundo exterior por meio da visão, da audição, do tato, do paladar, do olfato e de todos os sentidos. A alma é nossa personalidade e, antes da salvação, é governada pela carne: “Eu quero isto. Eu quero aquilo”.

    A alma se parece um pouco com o livro de Juízes: cada um fazendo o que parecia certo aos seus próprios olhos. Infelizmente, mesmo depois de nos tornarmos cristãos, se não nos oferecermos continuamente a Ele pelas misericórdias de Deus, nossa alma poderá continuar fazendo o que quiser.

    Mas o Senhor deseja outra coisa. Dizemos não à carne — não àquele “eu quero” — e nos rendemos a Ele. É aí que acontece a grande obra transformadora.

    A salvação da alma é um processo que dura a vida inteira. Quando somos salvos, somos justificados imediatamente. Mas a alma está sendo salva durante todo o nosso tempo na terra.

    Como disse João Batista:

    É necessário que Ele cresça e que eu diminua.

    A vida tem seus altos e baixos. Às vezes, Ele está crescendo; outras vezes, somos nós que estamos crescendo. Há uma batalha em andamento. Mas, à medida que dizemos não à vida do ego e à carne, e sim a Ele — o que é a cruz —, Seu controle sobre nossa alma aumenta.

    O conflito contínuo entre a carne e o Espírito

    Essa é uma batalha que dura a vida inteira. Temos um conflito contínuo entre os desejos da carne e os desejos do Espírito. É uma guerra civil dentro de nós: a tentação de um lado, e a graça e o poder de Deus do outro.

    Às vezes, pensamos: “Quando eu me tornar mais maduro, não terei essa luta”. Não. É uma batalha que dura a vida inteira. Mas, à medida que Sua vida cresce em nós, ficamos cada vez mais sob Seu controle.

    Paulo nos adverte em Gálatas 5:17:

    Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne;
    e estes opõem-se um ao outro;
    para que não façais o que quereis.

    A carne e o Espírito nunca são amigos. Eles se opõem um ao outro. Há uma guerra civil constante dentro de nós.

    O perigo da autoconfiança espiritual

    Somos gratos porque Ele conquistou a vitória. Temos a vida vitoriosa habitando em nós. No entanto, há um perigo: à medida que crescemos no Senhor, experimentamos algumas vitórias e adquirimos um pouco de maturidade, podemos, sutilmente, começar a pensar que estamos nos tornando pessoas melhores.

    Podemos pensar: “A carne não é tão forte assim. Eu consigo lidar com isso”. Começamos a depender de nós mesmos. Mas estamos nos enganando.

    Vou me desviar por um momento dos gloriosos hinos que normalmente cantamos e mencionar uma antiga canção de Johnny Cash, “The Beast in Me” — “A fera em mim”. Johnny Cash teve uma vida difícil. Lutou com drogas, álcool e muitas outras coisas, embora professasse ser cristão.

    Um trecho da canção diz:

    Deus, ajuda-me com a fera em mim.
    Às vezes, ela tenta me enganar, dizendo que é apenas um ursinho de pelúcia,
    e, de algum modo, até consegue desaparecer no ar.
    E é nessa hora que mais preciso tomar cuidado com a fera em mim.

    Esse é o ego dentro de nós. Se não conseguir vencer diretamente, ele pode se aquietar e deixar você sentir como se estivesse vencendo. Você começa a se sentir muito bem consigo mesmo. Mas esse é o momento em que você mais precisa estar atento à fera dentro de nós.

    Todos nós já a vimos. Talvez os outros não tenham visto toda a dimensão da fera em nós, mas, na vida particular e na vida conjugal, sabemos que ela está ali. Graças a Deus, Ele tem a vitória. Precisamos simplesmente estar atentos.

    A obra diária da cruz

    Esse processo transformador começa com o desejo. Em Lucas 9:23, o Senhor diz:

    Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-Me.

    Esse desejo é uma resposta voluntária. Pelas misericórdias de Deus, nós nos oferecemos. Queremos segui-Lo. É uma resposta que vem do coração.

    Também é uma obra diária: negar a nós mesmos diariamente. É progressiva — a obra progressiva da cruz e do Espírito Santo.

    A precedência do Calvário em relação ao Pentecostes

    Há um princípio básico que precisamos manter em perspectiva: o Calvário sempre precede o Pentecostes. A cruz vem antes da unção e da capacitação do Espírito Santo.

    Se nos concentrarmos apenas na cruz, será morte. Sem conhecer a capacitação do Espírito Santo — a vida que procede da morte —, perdemos a plenitude do propósito de Sua vinda. Alguns se concentram tanto em morrer para si mesmos que perdem a plenitude da realidade da mesa.

    Por outro lado, se olharmos apenas para o Pentecostes — apenas para o aspecto do Espírito Santo —, há vida, mas, se nunca negamos a nós mesmos, tudo o que temos é uma manifestação do ego.

    O Pentecostes sem a cruz conduz à licenciosidade e à exaltação de si mesmo. Torna-se como Juízes novamente: cada um fazendo o que parece certo aos seus próprios olhos.

    Precisamos enxergar a atuação conjunta da cruz e do Espírito Santo. Ambos são absolutamente necessários. É assim que o Senhor tem trabalhado ao longo de todo o Testamento e na vida de Seu povo.

    A rendição a Deus como consentimento para Sua obra

    Como começa essa obra transformadora da cruz e do Espírito Santo? Não é complicado. Ela começa quando nos rendemos a Ele.

    Ao nos rendermos, damos permissão para que a cruz e o Espírito Santo comecem a nos transformar. O Senhor é um perfeito cavalheiro. Ele nunca Se impõe a nós. Ele só irá tão longe em cada um de nós quanto Lhe permitirmos.

    Quando dizemos: “Senhor, quero me render completamente”, Ele começa a trabalhar. Mas, às vezes, começa a tratar de áreas nas quais ainda não estamos muito prontos para Sua atuação. Ele pode nos convencer, mas, se dissermos: “Ainda não estou pronto para isso, Senhor — não estou pronto para que Tu trates do meu amor pelo beisebol ou desta parte da minha vida profissional” —, Ele recuará.

    Talvez não digamos essas palavras de maneira tão direta, mas nosso coração e nossas ações muitas vezes falam mais alto do que as palavras. No entanto, ao dizermos não a nós mesmos e sim a Ele, damos-Lhe permissão.

    É disso que trata Romanos 12:1-2. Pelas misericórdias de Deus, nós nos oferecemos como sacrifício vivo. Ao fazer isso, damos-Lhe permissão para realizar Sua maravilhosa obra transformadora em nós.

    O fortalecimento do espírito

    Quando o Senhor entra em nossa vida, nosso espírito nasce de novo, porque o espírito é o centro no qual Deus Se comunica conosco. O Espírito Santo trabalha em nosso espírito para vivificá-lo, despertá-lo e fortalecê-lo.

    O espírito esteve adormecido durante boa parte de nossa vida, mas agora Ele deseja comunhão ali. Por meio da consciência, da intuição e da comunhão, Ele nos conduz a uma comunhão sem impedimentos Consigo mesmo.

    Quando nascemos de novo, somos introduzidos na comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não estamos do lado de fora, olhando para dentro. Somos introduzidos na comunhão com a Trindade. Isso é extraordinário.

    Às vezes, o pecado pode impedir essa comunhão. Mas, quando confessamos nossos pecados e recebemos o perdão por meio do sangue do Cordeiro, a comunhão é restaurada. O céu está aberto — não há nada entre nós.

    Se não temos consciência da comunhão com Ele, talvez haja pecado em nossa vida ou algo impedindo essa comunhão. Podemos orar como Davi orou: “Senhor, sonda-me. Prova-me. Mostra-me o que está impedindo isso”.

    Pode ser que o inimigo esteja trabalhando, ou que o Senhor esteja nos ensinando a não depender tanto de sentimentos e sensações, mas a crer, pela fé, que temos comunhão com Ele. Ele trabalha de muitas maneiras.

    A intuição e a consciência

    Nossa intuição é vivificada e despertada para ouvir Sua voz e Sua direção. De repente, percebemos: “Devo fazer isto”, ou: “Não devo fazer aquilo”. Antes, talvez amássemos fazer certas coisas; de repente, não queremos mais fazê-las.

    Já compartilhei que eu costumava jogar muito softball nos times das empresas. Chegou um momento em que comecei a sentir dentro de mim: “Mac, você precisa abrir mão disso”.

    Lutei com o Senhor por seis ou sete meses, tentando ser mais esperto do que Ele e dar um jeito de contorná-Lo. É claro que vocês sabem Quem venceu. Mas tudo começou com uma pequena percepção intuitiva: “Quero que você siga por este caminho, Mac”.

    No início, pensamos que será horrível abrir mão de alguma coisa. Mas, depois que a deixamos, embora possamos sentir falta por um tempo, vem a liberdade. Por fim, aquilo fica para trás — no retrovisor. Continuamos seguindo em frente.

    Ele também trabalha em nossa consciência, levando-nos a perceber o contraste entre dois reinos: o que é Dele e o que não é Dele. Coisas que antes não nos incomodavam começam a nos perturbar.

    Até nossa maneira de falar começa a mudar. Passei seis anos na Marinha, então vocês podem imaginar meu vocabulário. Mas, quando o Senhor começa a trabalhar, percebemos essas mudanças. Graças a Deus.

    O cristianismo como obra interior

    À medida que nos rendemos a Ele, nosso espírito é fortalecido. Nossa mente é renovada, nossa vontade começa a desejar Sua vontade, e nossas emoções são conquistadas por Seu amor e colocadas sob o domínio do Espírito.

    Esse é um dos grandes contrastes entre religião e cristianismo. A religião tenta nos mudar de fora para dentro. Ela nos manda mudar nossas ações exteriores, acreditando que, então, nos tornaremos pessoas melhores.

    Isso é legalismo. Começa por fora e tenta trabalhar para dentro, mas não funciona.

    O verdadeiro cristianismo começa por dentro. Então, as ações do corpo se manifestam exteriormente. Jesus é manifestado em nossa carne mortal. Graças a Deus. É isso que desejamos: uma obra de transformação e fortalecimento dentro de nós.

    Os meios de fortalecimento espiritual

    Como nosso espírito é fortalecido? Há dois meios básicos e gerais.

    Primeiro, somos fortalecidos ao permanecer em Sua Palavra. Todos sabem disso e concordam, mas poucos de nós realmente obedecem e desejam isso.

    Estou falando de algo além de um devocional pela manhã. Estou falando de realmente ler Sua Palavra, meditar em Sua Palavra e ouvir: o que Sua Palavra está nos dizendo?

    É comunhão com o Senhor enquanto lemos Sua Palavra. Nosso espírito participa dessa leitura. Temos comunhão, tomamos consciência de certas coisas, e nossa intuição é exercitada. Isso fortalece nosso espírito.

    Segundo, somos fortalecidos ao passar tempo com Ele: caminhando diariamente com Ele, na adoração, na oração, na comunhão e na vida.

    Diariamente não significa apenas uma vez por dia. Os devocionais pela manhã são bons, mas o espírito da vida diária é a comunhão contínua.

    Costumo mencionar o livro do irmão Lourenço, A prática da presença de Deus. Agora, esse livro também pode deixar você maluco, então tome cuidado se for lê-lo. Mas há um bom princípio por trás dele.

    Não tente imitar o irmão Lourenço, ou você perderá o ponto central. O princípio é praticar a presença do Senhor enquanto você vai trabalhar, enquanto está em casa e enquanto está no supermercado. É uma percepção consciente de Sua presença.

    Nosso espírito é fortalecido pela graça de Deus à medida que aprendemos a dizer não a nós mesmos e sim a Ele.

    A simplicidade em Cristo

    No trabalho de consultoria, as pessoas frequentemente me dizem: “Esta é uma questão muito complicada”. Mas a maioria das questões complicadas não é realmente complicada; nós é que complicamos a solução.

    O mesmo acontece na vida cristã. Podemos complicar a transformação, mas há uma simplicidade em Cristo. Nós nos rendemos a Ele, dizemos não a nós mesmos e sim a Ele. Ele nos apresentará diversas circunstâncias e situações.

    Há um não e há um sim. Isso resolve muitas situações da vida. Nas finanças, por exemplo, pode significar dizer não ao carro novo e sim ao carro usado, porque é isso que você pode comprar.

    Não complique a transformação. Há uma simplicidade: nós nos rendemos a Ele, dizemos não ao ego e sim a Ele.

    A sensibilidade da consciência

    Tenho um espírito forte? Minha consciência é forte ou fraca?

    Uma consciência forte é uma consciência sensível. Normalmente, quando pensamos em algo sensível, pensamos em fraqueza. Mas, quanto mais forte nossa consciência é Nele, mais sensível ela se torna às coisas de Deus em contraste com as coisas do mundo — à luz e às trevas, e aos dois reinos.

    O Senhor nos dá situações cotidianas nas quais podemos exercitar essa sensibilidade. No trabalho, talvez haja uma norma da empresa que proíba o uso pessoal do telefone ou do computador, exceto no horário de almoço. Talvez ninguém fiscalize essa regra.

    O que sua consciência diz? “Bem, todo mundo faz isso”. Mas uma consciência sensível diz: “Concordei com essas regras quando vim trabalhar aqui. É isso que preciso fazer”.

    Uma das minhas frases favoritas também é uma das frases mais mundanas: “É mais fácil pedir perdão do que permissão”. Mas, quando nossa consciência nos adverte e seguimos em frente mesmo assim, planejando pedir perdão depois, estamos abusando da graça de Deus.

    O Senhor deseja que nossa consciência se torne sensível, como a pomba retratada nas Escrituras.

    O zelo pelo nome do Senhor

    Podemos nos enganar, pensando que somos cristãos fortes e que certas coisas não nos afetarão. Mas, neste mundo, isso é um desafio. Você pode estar assistindo a um filme, a algo na internet ou em uma plataforma de streaming e, de repente, eles difamam o nome do Senhor.

    O que você faz? Diz: “Sou um cristão forte. Isso não vai me afetar”? Não. Isso demonstra fraqueza. Sua consciência está fraca.

    Eles difamaram o nome Daquele que nos amou e morreu por nós, e vamos ficar sentados ali, simplesmente aceitando? E se dissessem essas coisas sobre sua esposa ou seu filho? Você não faria nada?

    Entendo que, se alguém disser alguma coisa enquanto você estiver andando na rua, você não vai sair confrontando todo mundo. Estou falando de situações em que você tem uma escolha: em que pode se levantar e sair, desligar ou dizer não a um amigo.

    Simplesmente deixamos isso passar, ou estamos dispostos a dizer: “Não, não vou tolerar isso”? Mesmo que nos custe uma amizade ou um relacionamento, o que é mais importante? Nossa consciência está suficientemente despertada para dizer não?

    É trágico o quanto o nome do Senhor é difamado, e podemos nos tornar insensíveis a isso. Quando o nome do Senhor é usado em vão, deixamos passar e continuamos assistindo ao filme. Eu não quero pagar por isso.

    Essa é uma convicção pessoal, mas há coisas para as quais nossa consciência precisa despertar.

    O mesmo vale para a pornografia no mundo de hoje. Uma pessoa pode se acostumar tanto com ela que diz: “Sou um cristão forte. Isso não vai me afetar”. Não, isso nos afeta. Afeta nosso espírito e nossa vida.

    Não pense que você é um cristão tão forte que essas coisas não o afetarão. É aqui que exercitamos nosso espírito: não ao ego, não ao mundo, sim a Cristo.

    Uma exortação aos jovens

    Jovens, quando vocês estiverem na escola, em festas ou em outras situações, talvez percebam interiormente: “Não sei se deveria ir lá”. Mas talvez queiram ir porque serão aceitos, porque alguém de quem gostam estará lá ou porque querem fazer parte de determinado grupo.

    Estamos dispostos a dizer não? Podemos nos enganar: “Haverá drogas e outras coisas lá, mas sou um cristão forte. Isso não vai me afetar. Serei um testemunho para eles. Vou sair para beber com eles e compartilhar o evangelho”.

    Vocês estão ouvindo o que estão dizendo?

    Nesta era má, há um grande contraste entre o Espírito do Senhor dentro de nós e o espírito deste mundo. No entanto, podemos permitir que surja uma área cinzenta, racionalizando as coisas e tornando-as aceitáveis quando não são.

    Os crentes de Creta haviam sido inúteis para qualquer boa obra, mas permitiram que Cristo trabalhasse neles e os tornasse zelosos de boas obras. Ele fez isso por meio do despertar e do exercício de seu espírito.

    Não pensemos que estamos em pé, para que não venhamos a cair. Graças a Deus, Sua graça nos dá a capacidade de dizer não e sim.

    Paulo como exemplo de transformação

    Gostaria de usar a vida de Paulo como exemplo de como isso acontece na vida de uma pessoa. A maioria de nós tem algum conhecimento geral da vida de Paulo, por isso não entrarei em muitos detalhes. Quero apenas tocar em algumas áreas da maneira como o Senhor trabalhou para a salvação da alma de Paulo.

    Deus não apenas salvou Paulo; à medida que Paulo via mais do Senhor, ele era transformado à Sua imagem.

    Em determinado momento, Paulo disse:

    Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus.

    Mais tarde, ele disse:

    Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação,
    que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.

    Que obra de humilhação Deus realizou na vida de Paulo! Cristo cresceu, e Paulo diminuiu. O caminho da carne é a exaltação de si mesmo, mas Paulo foi conquistado pelo Senhor e se rendeu a Ele.

    Três características da vida transformada de Paulo

    Há três coisas que se destacam para mim na vida de Paulo:

    1. Um relacionamento íntimo com o Senhor.
    2. Um desejo insaciável pelo Senhor.
    3. Confiança na infalibilidade e na plena suficiência do Senhor.

    À medida que Paulo conhecia Cristo dessa maneira, a transformação acontecia. Seu relacionamento íntimo com o Senhor transformou suas emoções. Seu desejo insaciável colocou sua vontade sob a vontade de Deus. Sua confiança na infalibilidade do Senhor trouxe paz e descanso à sua mente.

    Qualquer que fosse a situação que enfrentasse, Paulo sabia que Deus era infalível. Podia descansar Nele. Ele testemunhou:

    Já aprendi a contentar-me com o que tenho.

    Ele passou pelo processo de treinamento da cruz e do Espírito Santo.

    As emoções de Paulo governadas pelo amor de Cristo

    Em 2 Coríntios 5:14, Paulo testemunhou que era governado — constrangido — pelo amor de Cristo.

    Porque o amor de Cristo nos constrange.

    O amor de Cristo governava seu coração e quem ele era. Paulo já não vivia para si mesmo, mas para Aquele que o amou e morreu por ele.

    Isso é uma paixão santa pelo Senhor. Isso é o primeiro amor. Quando Deus conquistou o coração de Paulo, ele entrou no espírito e na essência do primeiro amor. Ele disse: “Não estou mais vivendo para mim mesmo. Estou vivendo para Aquele que me amou e morreu por mim”.

    Em Filipenses 3:7-8, Paulo fala de tudo o que havia sido antes de conhecer Cristo. Tinha educação grega, cidadania romana, herança judaica e destaque como fariseu. Tinha o mundo inteiro diante de si.

    Mas, quando encontrou Jesus Cristo no caminho de Damasco, tudo mudou. Sua perspectiva mudou.

    Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo.
    E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.

    Paulo havia conquistado tanto em sua vida natural — por meio da cultura grega, dos privilégios romanos e de sua posição entre os judeus —, mas considerou tudo isso como perda. Mais do que isso, considerou tudo como lixo em comparação com o valor supremo de conhecer Cristo Jesus, seu Senhor.

    Que belo retrato do primeiro amor! Suas emoções já não eram governadas por ele mesmo, mas por Aquele que o amou primeiro. Isso foi progressivo ao longo da vida de Paulo. Não foi instantâneo.

    Paulo disse:

    Cada dia morro.

    Ele se rendia continuamente, permitindo que o Espírito Santo trabalhasse. Ele não morria apenas no domingo para vir à reunião. Morria diariamente, na vida.

    A alguns, ele deu não apenas a Palavra de Deus, mas sua própria vida. Eles viam Cristo sendo vivido nele. Paulo não era conduzido por suas emoções; era conduzido pelo amor de Cristo que o governava.

    A transformação da vontade de Paulo

    A vontade de Paulo foi transformada. Em Filipenses 1:21, ele testemunhou:

    Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.

    De um relacionamento íntimo com Cristo surgiu um desejo insaciável por Ele. Paulo não se importava com onde servia ou como servia. Não se acomodava aos sucessos anteriores.

    Em Filipenses 3:12-14, Paulo diz:

    Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
    Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    O que Paulo estava esquecendo? Estava esquecendo suas três viagens missionárias, as igrejas que haviam sido geradas, as epístolas que havia escrito sob a unção do Espírito Santo e todo sucesso no ministério.

    Ele não se apoiava em suas credenciais nem descansava sobre os louros. Em outras palavras, dizia: “Não estou satisfeito apenas com o que já conheci do Senhor. Estou prosseguindo para conhecê-Lo cada vez mais, para alcançar aquilo para o qual fui alcançado”.

    Deus tem um propósito para cada um de nós. Paulo nos exorta a não nos contentarmos com aquilo que já conhecemos, mas a prosseguirmos para conhecê-Lo cada vez mais.

    Paulo aprendeu a estar contente em todas as circunstâncias, mas nunca se deu por satisfeito em conhecer o Senhor. Em Filipenses 3, ele diz: “Prossigo”. Estava contente tanto na abundância quanto na humilhação, com fome ou bem alimentado, na fartura ou na necessidade. Mas sempre sabia que havia mais de Cristo.

    Paulo tinha uma vontade incrivelmente forte antes de ser salvo. Era obstinado em perseguir a igreja. Mas Deus entrou e transformou essa vontade.

    Todos nós temos uma vontade forte de alguma maneira. Mas Deus é mais forte. Ele pode transformar as emoções mais frágeis e a vontade mais forte, colocando-as sob o domínio de Sua vida. É assim que vivemos piedosamente nesta presente era.

    Paulo encorajava outros da mesma maneira. Incentivou os irmãos de Tessalônica a crescer ainda mais. Elogiou-os por amarem o Senhor e uns aos outros, mas os exortou a não se acomodarem. Prossigam. Cresçam cada vez mais.

    A mente de Paulo em descanso na suficiência de Cristo

    Por fim, vemos como o Senhor transformou a mente de Paulo. Paulo passou a conhecer a infalibilidade de Cristo.

    A Segunda Epístola aos Coríntios é frequentemente chamada de autobiografia de Paulo. Ao longo dela, ele fala da suficiência de Cristo. Algumas traduções usam a palavra “adequação”, mas “suficiência” soa mais forte. Paulo conhecia a plena suficiência e a infalibilidade de Cristo em todas as situações.

    Considerem Atos 28. Paulo estava sendo levado a Roma quando uma grande tempestade causou um naufrágio. Os passageiros acabaram em Malta, encharcados pelas águas do Mediterrâneo, e começaram a fazer uma fogueira.

    Uma víbora saiu da fogueira e se prendeu à mão de Paulo. As pessoas disseram: “Este homem deve ser um assassino”. Mas Paulo sacudiu a cobra, e eles ficaram esperando que ele inchasse e morresse.

    Quando ele não morreu, mudaram de opinião e disseram: “Ele é um deus”. Paulo não permitiu que as acusações nem os elogios deles o governassem. Não oscilava emocionalmente conforme a opinião dos homens.

    Por fim, os habitantes de Malta providenciaram tudo de que Paulo precisava. Ele estava contente na abundância e na falta. Conhecia a plena suficiência de Cristo.

    Paulo sofreu fisicamente com prisões, açoites, apedrejamentos, naufrágios, fome, frio e muitas outras dificuldades. Mas aprendeu a conhecer a plena suficiência e a infalibilidade de Cristo para sustentá-lo em tudo isso.

    Também enfrentou lutas emocionais. Ele fala de ter dentro de si a sentença de morte, de estar perplexo, deprimido e preocupado com os crentes em Corinto. Tinha conflitos por fora e conflitos por dentro.

    No entanto, em meio a todas essas emoções e circunstâncias variadas, Paulo via a plena suficiência de Cristo vindo ao seu encontro.

    Em seu testemunho final, em 2 Timóteo 4:7-8, Paulo disse:

    Combati o bom combate,
    acabei a carreira,
    guardei a fé:
    Desde agora, a coroa da justiça me está guardada,
    a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia;
    e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.

    A confiança de Paulo não estava em si mesmo. Cantamos aquele pequeno cântico: “Não fui eu, mas Cristo em mim”. Esse era o testemunho de Paulo: não eu, mas Cristo em mim.

    Ele não estava se gloriando em si mesmo; estava se gloriando em Cristo dentro dele.

    Mais adiante naquela carta, Paulo diz:

    Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam: que isto lhes não seja imputado.
    Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me.

    Que misericórdia e bondade! “Que isto lhes não seja imputado.” Essa é a graça de Deus trabalhando em uma vida. Essa é a vida de Cristo sendo vista em uma pessoa.

    Todos podem nos abandonar, mas o Senhor esteve ao lado de Paulo. Paulo conhecia a infalibilidade do Senhor. Vamos precisar disso nestes últimos dias.

    O relacionamento íntimo, o desejo e a confiança

    É vital que o Senhor Se revele a cada um de nós por meio de um relacionamento íntimo, de um desejo insaciável e do conhecimento de Sua infalibilidade e plena suficiência. Por meio dessas coisas, somos fortalecidos no poder de Sua vida.

    Essas três realidades se desenvolvem uma a partir da outra. Do relacionamento íntimo surge um desejo mais profundo. Quanto maior nosso desejo por Ele, mais vemos Sua plena suficiência e Sua infalibilidade.

    Usei a palavra “infalibilidade” porque queria a aliteração de três palavras com “i”: intimidade, insaciabilidade e infalibilidade. Se vocês preferirem dizer “plena suficiência”, também está bem.

    Quanto mais O conhecemos, mais isso se torna um ciclo contínuo. Aprendemos Sua fidelidade em uma área, nosso relacionamento íntimo se aprofunda, nosso desejo aumenta e, então, descobrimos mais de Sua plena suficiência. Crescemos continuamente em conhecê-Lo de maneira mais plena.

    A grandeza da salvação

    Somos gratos porque, nos dias em que vivemos, a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens.

    Será que realmente conhecemos a plenitude, a grandeza, a majestade e a suficiência completa da salvação à qual fomos conduzidos? Irmãos e irmãs, é uma grande salvação.

    Hebreus a chama de “tão grande salvação”. Até essas palavras são limitadas. Tentamos encontrar palavras para expressar sua grandeza, sua magnitude, sua plenitude, sua absoluta completude e tudo o que está envolvido nessa salvação que nos foi trazida por meio daquilo que lembramos a cada semana à mesa.

    Ele não apenas nos salvou; Ele nos fez Seu tesouro especial, porque tem um propósito para nós. Ele deseja que sejamos Seu testemunho nesta presente era, em meio às trevas.

    Que a luz brilhe cada vez mais, embora as trevas não a compreendam. A luz de Cristo brilhou no mundo, mas o mundo não a compreendeu.

    Não permitamos que nossa luz enfraqueça simplesmente porque as pessoas não compreendem. Ainda precisamos permitir que a luz de Sua vida brilhe por meio de nós com mais intensidade, à medida que essa obra transformadora se desenvolve em cada um de nós.

    Pedro diz que Ele fez toda a provisão necessária para a vida e a piedade. Continuemos prosseguindo — não apenas nesta era, mas também aguardando a era vindoura.

    Nesta presente era, Deus está realizando uma obra de preparação. Ele está nos transformando e nos preparando para a grande e gloriosa obra que está à frente: governar e reinar com Ele.

    Experimentamos algo disso agora. Somos gratos pela vitória que Ele nos dá sobre as coisas em nossa vida, pelo consolo que nos dá em meio às tragédias e pela comunhão que temos com Ele e uns com os outros.

    Há tantas bênçãos Nele, mas há muito mais. Há uma herança na glória para nós, e Ele deseja que Sua vida seja vivida por meio de nós.

    Temos Cristo em nós, a esperança da glória.

    A exortação a um desejo maior por Cristo

    Que nós, assim como Paulo, nos ofereçamos continuamente a Ele pelas misericórdias de Deus — respondendo à Sua graça e ao Seu amor — e entremos em um relacionamento de maior intimidade com Ele, permitindo que realize uma obra transformadora dentro de nós.

    Que desse relacionamento íntimo surja um desejo maior e insaciável por Cristo.

    Estivemos recentemente no Canadá para um casamento, e havia ali um casal que tinha um desejo insaciável por comida. Eram apaixonados por gastronomia. Literalmente, viajavam pelo mundo inteiro para experimentar um prato específico. Tinham acabado de voltar da Turquia porque haviam ouvido falar de certo prato que queriam experimentar.

    Não vou falar sobre a vida cristã deles, mas isso me fez perguntar: temos um desejo insaciável por Cristo?

    Algumas pessoas têm um desejo tão insaciável de saber tudo o que está acontecendo no mundo e na política. Passam horas pesquisando isto e aquilo, mas talvez passem apenas meia hora com o Senhor todos os dias.

    Isso exige um ajuste de prioridades, um ajuste de vida e um ajuste de perspectiva. O que é importante?

    À medida que temos um relacionamento íntimo com Ele, isso cria desejo dentro de nós. Em Sua maravilhosa fidelidade, quando temos fome Dele, aprendemos a conhecê-Lo e a conhecer Sua plena suficiência.

    Há tanta insegurança entre muitos crentes hoje por causa dos abalos, das pressões e das coisas que estão acontecendo ao nosso redor. Que alcancemos um conhecimento maior da segurança, da infalibilidade e da plena suficiência de Cristo Jesus, nosso Senhor.

    Aquele que começou uma boa obra em cada um de nós a completará naquele dia.

    Que o Senhor trabalhe em nós para que sejamos vasos preparados, úteis para o uso do Mestre. Que permitamos que a graça de Deus, que se manifestou a todos os homens, realize a grande obra que Ele deseja fazer dentro de nós.

    Agradeçamos ao Senhor pelo tesouro: Cristo em nós. Agradeçamos ao Senhor por tudo o que Ele fez na cruz. Agradeçamos ao Senhor pelo dom do Espírito Santo, que nos selou Nele.

    Que o Pai, o Filho e o Espírito Santo tenham grande liberdade para trabalhar na vida de cada um de nós, preparando-nos para tudo o que estiver à frente.

    Vamos orar.

    Oração final

    Senhor, nós nos achegamos a Ti. Ao vermos como Tu trabalhaste em alguém como Paulo, que se opunha tanto a Ti, nós nos oferecemos a Ti.

    Sejamos tão fortes quanto Paulo foi ou não, ainda somos frágeis vasos humanos, profundamente necessitados de que Tu realizes uma obra dentro de nós.

    Somos gratos, Senhor, porque Tu nunca desistes de nós. Somos gratos por Teu amor paciente. Senhor, queremos que nosso coração e nossa vida estejam dispostos.

    Somos gratos porque Tu não nos obrigas a fazer as coisas. Tu não queres que sejamos robôs, simplesmente fazendo isto e aquilo. Tu queres que expressemos Tua vida de maneiras vivas — Tua vida sendo vivida por meio de nós.

    Senhor, simplesmente dizemos que somos gratos porque a graça de Deus se manifestou a cada um de nós em nosso Senhor Jesus Cristo.

    Queremos ser aqueles que permitem que Tu nos discipules, nos treines e trabalhes em nosso coração e em nossa vida nestes dias, para que estejamos preparados para a esperança viva colocada diante de nós em Ti e para tudo o que Tu desejas realizar por toda a eternidade.

    Em Teu precioso nome. Amém.