Bem, gostaria que abríssemos nesta manhã em 2 Coríntios 11:2-3. Segunda Coríntios 11:2-3.
Porque zelo por vós com zelo de Deus;
pois vos desposei com um só esposo,
para vos apresentar a Cristo como virgem pura.Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia,
assim também a vossa mente seja desviada da simplicidade e pureza da devoção a Cristo.
Vamos orar.
Senhor, somos tão gratos porque, na abundância do Teu grande amor, Tu realmente já nos alimentaste tanto nesta manhã. Viemos para nos lembrar de Ti e, no entanto, saímos como aqueles que foram abençoados. Como Tu és misericordioso, Senhor.
E, Senhor, queremos continuar, no espírito do pão da vida, a partir esse pão da vida, para que a Tua própria vida possa falar conosco neste dia, neste tempo. Somos gratos, Senhor, pelo poder capacitador do Teu Espírito. Somos gratos pela provisão que temos em Ti e nos achegamos a Ti, esperando que realmente operes em todos os nossos corações e em nossas vidas nestes dias críticos. Em Teu maravilhoso nome oramos. Amém.
De tempos em tempos, alguém me faz esta pergunta: “O que está no seu coração?” Acho que a maioria de nós, às vezes, ouve essa pergunta de alguém. E tenho de dizer que, provavelmente ao longo do último ano, o que está no meu coração é também o que está no coração de muitos outros: que nós, como povo de Deus, estejamos preparados para a Sua breve volta.
Esses dois versículos de 2 Coríntios sempre significaram muito para mim, porque sinto que captam a própria essência daquilo que Deus busca. Vemos aqui que temos um Deus de propósito, e Ele é muito zeloso. Ele é um Deus zeloso. Paulo havia sido tomado por esse zelo.
Nesse zelo, o Senhor tem um desejo: aquela companheira eterna para o Seu Filho — uma noiva desposada com Ele, aquela expressão coletiva da Sua vida. É isso que está em Seu coração. Esse é o Seu propósito. É isso que Ele busca. E somos gratos pelo preço que Ele pagou para nos introduzir nisso.
Então, quando olhamos para o versículo 3, vemos como devem ser aqueles que estão desposados, comprometidos com Ele. Não devemos nos distrair. Não devemos ficar olhando para outras coisas, mas devemos ter um relacionamento vivo com Ele, com tamanha simplicidade e pureza de devoção a Ele.
Sabe, muitas vezes as pessoas perguntam: “Como você sabe que está apaixonado por alguém?” De repente, talvez você passe um dia sem ver essa pessoa e comece a sentir falta dela. Ela não está por perto, e você começa a pensar nela cada vez mais em seu coração.
Há um amor do qual Ele deseja que participemos, e Seu desejo é que realmente permaneçamos nesse lugar de simplicidade e pureza desse relacionamento de amor — dessa devoção a Ele.
É impressionante, nos dias em que vivemos — e acho que isso sempre aconteceu —, como o inimigo, o mundo e até mesmo o nosso próprio eu religioso tornam complicada a preparação para a volta do Senhor.
É como se houvesse toda uma indústria, esse espírito enganador por aí: “Ah, se você quer estar preparado, precisa fazer isto, isto e isto. Precisa assistir a este vídeo. Precisa agir assim. Precisa comprar este livro.” Sempre há dinheiro por trás disso. “Você precisa assinar este canal de vídeos.” Você fica querendo fazer isto e aquilo, e a coisa não acaba mais. Isso aumenta a complexidade de tentar se preparar para a Sua volta.
Mas, quando olhamos para o nosso Senhor, vemos que, ao falar sobre Sua volta, Ele sempre tinha uma mensagem simples para nós. Ele queria aquele relacionamento diário, íntimo, de coração para coração com Ele: “Enquanto você anda Comigo e conversa Comigo.” Como é mesmo? “E Ele anda comigo, e Ele fala comigo.” Não me lembro bem desse hino. Fala comigo e… isso, aí está.
Isso é uma comunhão da qual participamos. Vejam como há um relacionamento. É isso que Ele busca quando diz: “Venha e creia.” Tudo diz respeito a esse relacionamento.
Quando comecei a pensar nisso, voltei às últimas mensagens que havia compartilhado e comecei a perceber esse tema que realmente já estava em meu coração havia algum tempo.
Eu havia compartilhado uma reflexão sobre alcançar um coração sábio. Na verdade, o objetivo era que enxergássemos o Seu propósito divino, assim como Moisés orou no Salmo 90: que contássemos os nossos dias para alcançarmos um coração sábio.
O que é um coração sábio? Um coração sábio é conhecer o Seu coração, conhecer o Seu propósito, conhecer o Seu desejo e permitir que o Seu propósito divino governe nossa vida todos os dias. Não seriam outras coisas que decidiriam o que vamos fazer, mas o Seu propósito divino governaria nossa vida diariamente.
Depois, compartilhei sobre o Seu bom prazer. Isso me levou a considerar o Seu prazer divino. Ele não tem apenas um propósito divino; tem também um prazer divino. Será que realmente percebemos quanto prazer traz ao Pai revelar o Seu Filho em nós? Há alegria no coração do nosso Pai quando Ele revela o Filho em nós. Então, tudo se realiza para a Sua glória e para o Seu propósito. Há um grande chamado sobre nossa vida.
Depois, toquei nessa questão de desmistificar o vencer. Isso ecoou em meu coração: naqueles em quem o Senhor está vencendo pela Sua graça, há uma paixão divina. Há uma paixão por nada além de Cristo.
Ele nos introduz nessa vitória sobre o mundo, o pecado, a carne e o diabo à medida que, diariamente, simplesmente O ouvimos e Lhe obedecemos. Mais uma vez, o vencer foi tão exagerado, tão complicado e transformado em algo para um grupo de elite. Isso é uma mentira. É para cada irmão e irmã, porque cada um de nós tem a vida vencedora habitando em si. Essa vida vencedora só quer ser expressa enquanto O ouvimos e Lhe obedecemos. Louvado seja Deus por isso.
Considerei esta questão: “O que você vê?” Isso me fez perceber que há uma perspectiva divina na qual Ele deseja que entremos. Ele deseja que não sejamos governados por nossa perspectiva natural, mas que nossa vida seja governada por enxergar as coisas a partir da Sua perspectiva divina.
Olhamos ao redor, para os dias e os tempos em que vivemos, e Ele nos diz para olhar para o alto. Como estamos enxergando as coisas? Há muita coisa que, quando olhamos naturalmente, não entendemos. É por isso que olhamos para o alto. Recebemos uma perspectiva divina dos tempos em que estamos vivendo.
Na última vez, compartilhei sobre: “Qual é a sua motivação?” Ou poderíamos chamar de: “Qual é a sua prioridade divina?” O desejo simples é que a Sua prioridade divina — de que Seu Filho seja glorificado e seja tudo em todos — governe nossa ambição e motivação, e que a Sua prioridade divina governe nossa vida diária.
Enquanto pensava nisso, tive esta reflexão para hoje, antes de voltar e rever aquelas mensagens anteriores. Estava considerando o fato de sermos participantes do Seu propósito divino. Como participamos disso? Participantes no sentido de tomar parte — como tomamos parte no Seu propósito divino?
Porque, se vocês se lembram de Hebreus 3:1, há ali um grande testemunho:
Portanto, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão.
Não há condição alguma aí. Isso é um fato absoluto. Ele nos chamou para sermos participantes dessa vocação celestial. Então, como tomamos parte, como participamos do Seu propósito divino? Como consideramos isso?
Ao refletir sobre o livro de Hebreus, percebi que Hebreus é um livro de exortações. Há um conjunto de exortações em Hebreus, e numa exortação há uma advertência e um encorajamento. Há aquele “Cuidado com isto”, mas depois vem: “Eu fiz esta provisão.” O encorajamento está sempre em Cristo.
Seja qual for a advertência — para não fazermos isto ou aquilo, para não retrocedermos —, a resposta é a provisão que Ele fez para nós, e o encorajamento sempre nos leva de volta a Cristo. Vemos em Hebreus como devemos responder a esse grande chamado.
Nesta manhã, gostaria que considerássemos a última advertência, o último chamado, a última exortação em Hebreus 12:25-29. Vamos ler todos esses versículos. Há muitas riquezas neles, mas não faremos uma exposição completa. A leitura é para estabelecer o contexto.
Hebreus 12:25:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram quem os advertia na terra,
muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos Daquele que nos adverte dos céus.A Sua voz abalou então a terra;
agora, porém, Ele prometeu, dizendo:
“Ainda uma vez abalarei não somente a terra, mas também o céu.”Esta expressão, “Ainda uma vez”, indica a remoção das coisas que podem ser abaladas,
como de coisas criadas,
para que permaneçam as coisas que não podem ser abaladas.Portanto, recebendo nós um reino que não pode ser abalado,
tenhamos graça,
pela qual ofereçamos a Deus um serviço aceitável, com reverência e temor;
porque o nosso Deus é fogo consumidor.
Como eu disse, há muitas riquezas nesses versículos, mas hoje quero que nos concentremos em um aspecto: o versículo 28, especialmente essa questão de tomar parte e participar, oferecendo a Ele um serviço aceitável.
No versículo 28, a tradução New American Standard diz: “Demonstremos gratidão”, mas acho que erraram na tradução aí. A melhor maneira de ler é: “Tenhamos graça.” É simplesmente a palavra charis, que significa graça.
Portanto, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, tenhamos graça.
Porque temos graça, porque recebemos graça, pela Sua graça podemos oferecer a Deus um serviço aceitável, com reverência e temor.
Há uma grande gratidão em nosso coração por aquilo que recebemos. Mas, nesse versículo, há uma graça que recebemos, e ela está na pessoa de Cristo. Ao nos concentrarmos nesse aspecto específico, não estamos diminuindo a importância dos outros versículos, mas é nisso que queremos nos concentrar hoje.
Se vocês observarem o contexto do que está sendo compartilhado em Hebreus 12, o escritor vinha encorajando essas pessoas a tirar os olhos das coisas terrenas — especialmente de seu sistema religioso judaico, que as mantinha em tamanha escravidão — e a mudar sua perspectiva para a celestial.
Ou, como Hebreus diz tantas vezes, para aquilo que é superior. Há uma aliança superior e todos os “superiores” de Hebreus. Isso é olhar para o alto. Isso é ver Cristo. Ele os estava encorajando a enxergar tudo aquilo em que o Senhor os havia introduzido, tanto individual quanto coletivamente.
Antes, nesse capítulo, ele lhes diz:
Vós chegastes ao monte Sião, à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial.
Ele prossegue, lembrando-lhes da plena provisão que têm em Cristo e de tudo o que Ele fez.
Ele lhes lembra que haviam saído do judaísmo, no qual depositavam tanta segurança no templo e em Jerusalém, e tudo isso em breve seria destruído. Ele está dizendo: “Se vocês estão olhando para isso como sua segurança, não vão resistir. Precisam mudar o foco e fixar os olhos em Jesus, o Autor e Aperfeiçoador da fé, o Mediador daquela nova aliança.” Essa é a nossa esperança. Esse é o encorajamento.
A razão de estarem sob tanta pressão e perseguição era que muitos estavam voltando ao judaísmo, porque isso era mais confortável para eles. Não queriam suportar a perseguição de Roma. Naquela época, o judaísmo ainda era uma religião legalmente reconhecida no Império Romano. Se você era um judeu que praticava o judaísmo, estava seguro. Se era cristão, começavam a persegui-lo cada vez mais.
Então, voltaram ao judaísmo, pensando que isso lhes daria segurança. Mas vemos depois, dentro de poucos anos, que aquilo não lhes deu segurança alguma. Jerusalém foi totalmente destruída.
Com um coração cheio de amor zeloso por eles, ele clama em Hebreus 12:25:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Essa pequena expressão, “Vede”, pode muito bem ser traduzida como “Prestai atenção”. Acordem. Estejam alertas. Ele está tentando chamar a atenção deles.
Não rejeiteis Aquele que fala.
Quem está falando com eles? Na carta aos Hebreus, quem está falando? Quando voltamos a Hebreus 1:2, somos lembrados de que Deus, nestes últimos dias, nos falou em Seu Filho. Ele está falando conosco por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Precisamos de ouvidos para ouvir o que Ele está dizendo.
Ele lhes lembra que sua segurança está Nele, e somente Nele, porque haverá um grande abalo. Ele volta ao Antigo Testamento e cita o profeta Ageu.
Em Ageu, o povo havia sido levado cativo para a Babilônia por causa de sua desobediência. Pela graça de Deus, um remanescente voltou para reconstruir a casa de Deus em Jerusalém. Mas eles haviam ficado desanimados e distraídos. Estavam cuidando de seus próprios interesses; então Deus, em Seu grande amor, enviou Ageu e Zacarias.
Parte da profecia de Ageu diz:
Ainda uma vez abalarei não somente a terra, mas também o céu.
Ele compartilhou isso para encorajá-los, porque muitos que haviam visto o templo original estavam olhando para trás. Sabiam que havia existido uma glória anterior e, quando viram como seria esse novo templo, ficaram desanimados. “O que vai ser disso?”
Mas Ageu, em seu grande amor pelo Senhor, era um vaso por meio do qual a mensagem e o mensageiro eram um. Isso é verdade em relação a todos os profetas, quer olhemos para Isaías, quer para Jeremias. A mensagem e o mensageiro são um.
Ele clama para que despertem e os encoraja, porque há uma glória colocada diante deles. Louvado seja Deus, eles responderam e concluíram aquela obra.
Ageu foi um profeta extraordinário, porque enxergava muito além. Ele falou daquilo que Deus faria no fim de tudo:
A glória desta última casa será maior do que a da primeira.
Em essência, Ageu enxergou até a consumação da era. Poderíamos dizer que ele enxergou o que está em Apocalipse, naqueles dois últimos capítulos.
Com esse encorajamento, todos se levantaram, porque isso mostra que Deus é um Deus de propósito. Aquilo que Ele começa, Ele vai concluir. Precisamos dessa revelação hoje, porque podemos nos distrair e desanimar. Podemos perguntar: “Como posso realmente participar de tudo o que Ele fez?”
Quando olhamos para nós mesmos, só ficamos desanimados. Mas, quando O vemos e nos lembramos de que temos graça — temos a Ele —, por essa graça podemos prosseguir.
Assim como nos dias de Hebreus, Deus está nos advertindo hoje: Ele vai abalar mais uma vez. Eu realmente creio que Ele já está abalando. Já estamos experimentando parte desse abalo, mas haverá muito mais pela frente.
Desta vez, não é somente a terra que está sendo abalada. No Antigo Testamento, quando Ele falou da primeira vez, o texto falou da terra sendo abalada. Mas aqui diz que a terra e o céu estão sendo abalados.
Podemos perceber, nestes dias, que há muita agitação na esfera espiritual. Muitas vezes, quando estamos na reunião de oração na quarta-feira à noite, podemos perceber que aquilo pelo que estamos orando e contra o que estamos lutando não é carne e sangue. Há poderes e principados. Há um abalo acontecendo. Será que estamos sequer conscientes disso?
Estamos atentos o suficiente para saber que isso vai muito além de carne e sangue? Há uma batalha celestial em torno da consumação do Seu propósito, e queremos ser aqueles que respondem a isso.
Mas Ele os encoraja. Diz que, quando abalar, somente as coisas que podem ser abaladas cairão. O que será abalado? As obras da carne, o inimigo, o mundo, as coisas que talvez julgássemos necessárias, mas que agora vemos ser totalmente desnecessárias — aquelas coisas a mais, aquela bagagem extra de que não precisamos.
Mas, sempre que Deus abala, lembrem-se: é a mão do amor. É por causa do Seu amor. Ele tem zelo para que a vida do Seu Filho seja manifestada em nós. Ele diz: “Vocês estão se distraindo com essas outras coisas, e Eu vou abalar para que despertem e vejam que isso realmente não é tão importante.”
Realmente não é tão importante quem ganha o campeonato de basquete. Todo mundo pode ficar ocupado com isso durante um mês. É um dos maiores eventos de apostas do ano. Li um artigo neste mês que dizia que três bilhões de dólares serão apostados no torneio da NCAA.
As pessoas pensam que essa é a sua segurança. Se conseguirem preencher corretamente a tabela de palpites, vão ganhar um troféu e dinheiro, e estarão com a vida garantida. Bem, eu sei que ninguém aqui nunca preenche essas tabelas. Eu vou assistir a alguns jogos do torneio, então não percam de vista o ponto principal.
Vemos como as coisas podem nos distrair e nos derrubar, mas Ele quer que tudo volte à perspectiva correta, para que as coisas que são Dele, que não podem ser abaladas, permaneçam.
Essas coisas são as coisas da Sua vida e das Suas obras, porque temos essa graça. Lembrem-se: a graça é uma pessoa. É por Sua pessoa e por Sua vida que pode haver esse serviço aceitável.
Ele conclui esses versículos dizendo:
O nosso Deus é fogo consumidor.
Bem, como isso chega até você? Quando diz que “o nosso Deus é fogo consumidor”, você se alegra ou fica aterrorizado?
Na verdade, o fogo, em si mesmo, é neutro. Pensem apenas na esfera natural. Depende de como você usa o fogo. Ele pode fornecer calor e luz, ou pode haver um incêndio florestal. Tudo depende de como esse fogo está sendo usado.
Quando olhamos para Deuteronômio, vemos que é ali que se fala pela primeira vez do nosso Deus como fogo consumidor: porque Ele é um Deus zeloso. Ele tem zelo pela vida do Seu Filho — por Ele.
Como lemos no início, em 2 Coríntios 11, havia aquele zelo de Deus. Paulo tinha zelo para que a vida do Filho de Deus fosse manifestada em nós. O ciúme também é um termo neutro. Uma pessoa pode ter ciúme, e Deus tem zelo por Seu Filho. Se você tem inveja de alguma coisa, isso significa que está cobiçando — mas isso é um desvio do assunto. Não vamos seguir por esse caminho.
Quando alguém alinha seu coração com as coisas do Senhor, com as coisas do Seu propósito, há bênção, provisão e abundância. Mas, quando O rejeitamos e fazemos as nossas próprias coisas, há maldição, problemas e desespero.
Pensem na bênção do fogo ao longo das Escrituras. Como Deus mostrava Sua presença enquanto eles atravessavam o deserto? Sobre o tabernáculo havia fogo à noite para confortá-los, dar-lhes segurança e fazê-los saber que Ele estava sempre ali, sobre eles.
No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu, foi como línguas de fogo — a própria vida de Cristo, o Espírito de Deus, vindo por meio daquele fogo do céu.
Ao longo do Antigo Testamento, quando se fazia uma oferta ou um sacrifício, como se sabia que havia sido aceito? O fogo descia. Bum! Estava aceito. Era um testemunho de que aquilo havia sido aceito por Deus.
É claro que sabemos que houve fogo que não foi tão bom assim. Para aqueles que não O seguiam, houve Sodoma e Gomorra, destruídas pelo fogo. Depois da rebelião de Corá, os 250 homens que estavam com ele — zás! — o fogo os atingiu.
Então, vemos esse fogo consumidor. Se olhamos para ele e dizemos: “Uau, isso é Deus — há beleza no que esse fogo está fazendo”, reconhecemos que ele está nos purificando, nos aproximando Dele e queimando somente as coisas que não são necessárias.
Temos essa perspectiva? Mas, se enxergamos Deus como fogo consumidor de maneira aterrorizante e assustadora, precisamos que Ele examine novamente nosso coração. Será que podemos ver de uma maneira nova quanto zelo Ele tem para que a vida do Seu Filho seja expressa em nós?
Isso nos dá uma compreensão mais clara de Hebreus 12:28. O versículo começa com “portanto”, que significa: lembrem-se do que veio antes. Lembrem-se Dele. Lembrem-se de toda a Sua obra. Lembrem-se de como fomos introduzidos naquele reino que não pode ser abalado.
Que segurança, esperança, fortalecimento, consolo e paz isso nos dá. Esse é o lugar que temos. Partimos de um lugar de vitória. Partimos de um lugar de segurança e força.
Nossa resposta é que, uma vez que temos graça, pela graça oferecemos a Deus um serviço aceitável. Louvado seja Deus, quando respondemos à Sua graça, há um serviço aceitável — aceitável a Ele.
A Tradução Literal de Young diz: “Para que sirvamos a Deus de modo que Lhe seja agradável.” Que estejamos servindo a Deus de uma maneira que Lhe agrade, porque recebemos tudo do Senhor. Porque temos essa graça, podemos oferecer a Ele o sacrifício do serviço.
Há uma canção de que gosto especialmente: “Não Eu, mas por Cristo em Mim”. Uma das coisas que amo é a primeira frase da primeira estrofe:
Que dádiva da graça é Jesus, meu Redentor;
nada mais há que o céu possa dar.
O Pai deu tudo. Ele deu Cristo. Ele nos deu graça. Não há mais graça a obter; nós a temos. Será que percebemos as riquezas da Sua graça que temos em nós — as riquezas e o poder da Sua vida dentro de nós?
É isso que estamos descobrindo dia após dia. À medida que temos esse relacionamento de coração para coração com Ele, vivendo nessa simplicidade e pureza de devoção a Ele, descobrimos cada vez mais a graça de Deus, a vida que temos dentro de nós. Ela pode ser expressa e nos governa cada vez mais.
Quando a New American Standard diz “serviço aceitável”, o grego significa “agradável a Ele” — um serviço que Lhe agrada. Isso nos leva a perguntar: “Quem é agradável a Deus?” Sabemos que é Cristo.
Tudo o que se origina da vida de Cristo em nós é agradável ao Senhor. Mais uma vez, não eu, mas Cristo. Ele é a origem; portanto, isso Lhe agrada. Não se trata da nossa iniciativa nem das nossas obras. É Cristo em nós sendo manifestado.
Esse serviço significa ministrar espiritualmente. Há valor espiritual nisso. Há valor eterno. Quando esse serviço é oferecido, ele tem valor eterno. Quando falamos de algo eterno, isso significa que há ouro sendo levado para a cidade. Há vida. Há cada vez mais de Cristo sendo manifestado.
É servir tendo em vista os interesses Dele, não os nossos próprios interesses.
Essas duas palavras são usadas numa passagem muito conhecida de Romanos 12. Em Romanos 12:1, no grande chamado à consagração, Paulo diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo e santo,
agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
“Agradável”, ali, significa aquilo que agrada a Deus. É a mesma palavra que examinamos antes. “Culto espiritual” emprega a mesma palavra que temos em Hebreus. Às vezes, ela é traduzida como serviço ou culto racional, ou inteligente. É aquela oferta voluntária de serviço a Ele — ministrando ao Senhor e ministrando uns aos outros.
Muitas vezes, quando se trata de servir, queremos uma lista. Dizemos: “Como servimos? O que fazemos?” Sei que temos uma para os dias de mutirão. Há uma lista ali, e ela nos ajuda muito. Não estou usando isso como um exemplo negativo — apenas como exemplo de uma lista do que precisa ser feito, porque precisamos ser lembrados.
Mas, em nosso serviço, às vezes dizemos: “Está bem, apenas me diga o que fazer e eu farei. Tenho de fazer isto. Tenho de fazer aquilo.” O que é isso? É a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ela continua por aí, muito ativa hoje.
Mas Ele deseja que tenhamos esse relacionamento de coração para coração com Ele, comendo da árvore da vida, sendo guiados pelo Espírito. Falamos sobre ser guiados pelo Espírito, mas estamos realmente à vontade para ser guiados pelo Espírito?
Quando nos reunimos no domingo de manhã, estamos à vontade para ser guiados pelo Espírito? Quando nos reunimos para o estudo bíblico, para os momentos de comunhão e para a oração nas noites de quarta-feira, estamos realmente à vontade para ser guiados pelo Espírito? Ou nos sentimos um pouco mais seguros com aquilo que nós mesmos vamos organizar?
Exteriormente, as coisas podem parecer iguais. É a origem que Deus busca. Ele está procurando que realmente vejamos Sua vida manifestada de uma maneira maravilhosa.
Uma coisa em nosso relacionamento com o Senhor é que muitas vezes dizemos: “Ou me diga o que fazer, ou me diga o que é.” Queremos esse conhecimento do bem e do mal: “Apenas defina, diga o que é, e eu farei.”
Mas, muitas vezes, a Escritura não define as coisas com precisão. Vejam a mesa do Senhor. Há muito pouco nas Escrituras sobre o que efetivamente acontece durante a mesa do Senhor. Somos instruídos a nos lembrar do Senhor, e há um cálice e um pão, mas, além disso, não existe um manual de instruções dizendo o que devemos fazer.
À medida que conhecemos Seu coração, Ele nos conduz nisso. Ele nos encoraja a nos reunir para orar. Temos algumas instruções sobre a oração, mas, na verdade, trata-se de ser guiado por Ele. Muitas coisas do Senhor são difíceis de definir e de afirmar: “É exatamente isto.”
Isso às vezes nos deixa loucos, porque só queremos saber o que alguma coisa é. “Bem, é mais ou menos isto. É mais ou menos aquilo.” Lembro-me de uma pequena frase que Stephen usava com bastante frequência: quando você tenta definir muitas das coisas do Senhor, acaba confinando-as.
As coisas Dele são vida. Portanto, quando falamos sobre o que é esse serviço agradável a Deus, não conseguimos defini-lo de maneira absoluta, embora possamos definir as palavras. Como isso se manifesta em nossa vida? É aí que olhamos para as Escrituras, porque Ele nos dá muitos exemplos e muito encorajamento.
Sabemos que Ele está nos dizendo para estar prontos para a volta do Senhor, e perguntamos: “O que eu faço? Dê-me uma lista de cinco coisas, e eu as farei.” Ele não faz isso. Simplesmente nos mostra pessoas que estavam prontas para a Sua vinda e nos dá ensinamento.
Como nos preparamos para a Sua volta? Se examinarmos tudo o que Ele diz, trata-se simplesmente de viver diariamente para Ele. É viver todos os dias com expectativa e permitir que Ele seja o Senhor da nossa vida todos os dias, seguindo-O e obedecendo-Lhe ao longo do dia. É ter esse relacionamento e esse desejo.
Muitas vezes, como mencionamos antes, podemos pensar que, para nos preparar para a Sua volta, precisamos fazer algo muito especial. “Preciso receber um ensinamento extraordinário. Preciso obter um conhecimento singular sobre os acontecimentos do fim dos tempos e todas essas coisas.” Não. Se estamos seguindo-O, se temos esse relacionamento com Ele, tudo vai dar certo, porque estaremos com Ele, exatamente onde Ele estiver.
Ele quer nos ensinar tanto na simplicidade e pureza de uma vida diária com Ele. Nos dias em que vivemos, isso vai tão contra a lógica do espírito desta era.
Ele nos chama a estar prontos. Quero esclarecer um ponto aqui: o Seu chamado para estarmos prontos, o Seu chamado para estarmos preparados, não está de modo algum relacionado à nossa interpretação da Sua segunda vinda.
Se vocês observarem o chamado para estar prontos e o chamado para estar preparados, verão que é um chamado absoluto, incondicional. Ele não diz: “Quero que vocês estejam prontos se houver dois arrebatamentos, se houver um arrebatamento ou se houver três arrebatamentos.” Não. Ele diz: “Quero que vocês estejam prontos para a Minha volta.”
Há muitas interpretações. Podemos discutir o número de arrebatamentos, passar pela tribulação, isto ou aquilo. Devemos examinar as Escrituras e chegar à nossa própria interpretação da segunda vinda. Mas o chamado para estar prontos, o chamado para estar preparados, não está relacionado a isso.
Não é como se uma interpretação significasse que preciso estar preparado, e outra significasse que não preciso. Não. Seu chamado é dirigido a todos: “Estejam preparados. Vocês não sabem quando Eu venho. Não sabem exatamente como vou vir, mas Eu venho e quero que cada um de vocês esteja pronto para Mim.”
Se temos um relacionamento de amor com Ele, teremos esse desejo de estar prontos, de ser conquistados por Ele.
Ao olharmos para aqueles que estavam preparados, vamos considerar algumas pessoas que, de modo geral, estavam prontas para a Sua primeira vinda. Lembro-me de que, no mês passado, mais ou menos, Jerry compartilhou sua interpretação da vinda do Senhor e examinou individualmente as diferentes pessoas que estavam prontas para a Sua vinda.
Mas aqui, de modo geral, há algumas características comuns a todas elas. Sua vida era caracterizada por um serviço agradável a Deus. Elas eram aceitas.
Vejam cada um dos que estavam prontos quando nosso Senhor veio pela primeira vez: Isabel e Zacarias, José e Maria, os pastores, Simeão e Ana. Todos eram fiéis em sua vida diária. Simplesmente seguiam fazendo aquilo que o Senhor tinha para eles fazerem a cada dia.
Fosse Isabel e Zacarias indo ao templo, Maria em casa, José no trabalho ou os pastores no campo, era isso que o Senhor lhes havia dado para fazer naquele dia. E eles o faziam fielmente.
O que me encorajou foi que eles não permitiram que suas responsabilidades na vida diária os distraíssem de ouvir Sua voz e obedecer a ela. Eram fiéis em casa, fiéis no trabalho, fiéis na escola e fiéis no templo, mas não permitiam que isso os distraísse de ouvir Sua voz.
Isso acontecia porque permaneciam Nele. Ele era o seu lar. Eles descansavam Nele e passaram a conhecê-Lo. Mais uma vez, não estavam fazendo nada extraordinário. Eram simplesmente fiéis com aquilo que Deus havia colocado em suas mãos para aquele dia.
Essas pessoas não foram escolhas aleatórias. Deus não olhou ao redor e disse impulsivamente: “Ah, ali está uma jovem virgem. Escolho Maria.” Não. Podemos ver em sua vida que tinham um relacionamento com o Senhor.
Podemos ver isso no cântico de Maria e em sua resposta. Podemos olhar para Ana e Simeão e ver seu relacionamento diário com Ele. Quando Zacarias profetizou, podemos perceber que eles conheciam o Senhor. Isabel, quando estava com Maria — vemos que tinham esse relacionamento com o Senhor.
Eram os Seus ocultos. Eram os Seus escolhidos. Ele disse: “Ah, essas são pessoas a quem posso confiar tanto na primeira vinda do Meu Filho.”
É da mesma maneira quando Ele vem pela segunda vez. Louvado seja Deus, neste mundo de hoje há muitos ocultos — despercebidos pelos homens, mas conhecidos pelo próprio trono de Deus.
Talvez um de nossos objetivos na vida seja ser alguém oculto em meio ao mundo. Talvez não sejamos grandes neste mundo. Talvez nem sejamos grandes no mundo religioso, ou em qualquer esfera ou círculo em que estejamos. Mas temos esse relacionamento oculto com Ele, de modo que Ele nos conhece?
Ser conhecido pelos homens é uma coisa; ser agradável a Deus — não aos homens — é outra. É claro que Ele deseja que tenhamos um bom testemunho em ambos os sentidos, mas nosso objetivo é ser agradáveis a Deus. Nosso objetivo não é simplesmente agradar aos homens. Louvado seja Deus.
Ao pensarmos em Sua segunda vinda, vemos que o Senhor compartilhou várias parábolas sobre ela. Quando observamos algumas dessas parábolas, há um fio condutor comum. Não vamos examinar cada detalhe, porque às vezes nos concentramos nas árvores e perdemos de vista a floresta.
Mas, ao olhar para essas preciosas parábolas, vemos que essas pessoas tinham uma vida com Ele e que, dessa vida, surgia o serviço a Ele.
Um irmão compartilhou que a vida é uma dádiva de Deus, e o serviço é uma expressão dessa vida. A vida é uma dádiva de Deus. O serviço é uma expressão da Sua vida. O fruto da Sua vida em nós produz um serviço agradável a Deus, aceitável a Ele.
Abram em Mateus 24 e 25, onde se encontram essas parábolas. Em Mateus 24:44, há um chamado para estar prontos. Então, o texto passa diretamente à próxima parábola, em Mateus 24:45.
Quem é, pois, o servo fiel e prudente
a quem o seu senhor encarregou de sua casa,
para dar-lhes o alimento no tempo devido?
Quem é, pois, o servo fiel e prudente — ou sábio, atencioso, cuidadoso? Um é elogiado, e outro é disciplinado. Por que um deles é elogiado? Ele é elogiado simplesmente por ser fiel com aquilo que Deus colocou em sua mão. É elogiado por seu serviço.
Diariamente, ele cuida da casa de seu senhor e daqueles que estão nela. Sabe quanto o senhor ama a casa e os que nela estão. Conhece o valor da casa do senhor e o seu propósito. Para ele, era uma grande obra, e vivia todos os dias para a volta de seu senhor.
Esse é um retrato de cada um de nós. Não se trata apenas de uma pessoa colocada na liderança. Na verdade, é um chamado para cada um de nós, já que todos estamos na casa de Deus, para sermos servos bons e fiéis, agradáveis a Ele.
O texto diz que ele lhes dá o alimento no tempo devido. Foi interessante, no partir do pão hoje, ouvirmos tanto sobre o Seu alimento, aquele pão da vida.
Cada um de nós recebe o pão da vida. Permitimos que esse pão da vida opere em nós para que possamos compartilhá-lo com outros? Na verdade, o que o servo bom, prudente e fiel fazia era compartilhar Cristo com cada um. Ele levava a vida de Cristo a cada pessoa.
Isso poderia acontecer numa mensagem, sim, mas também na vida diária: uma ligação para os mais velhos, uma mensagem de texto para os mais jovens, levar uma refeição a alguém, cuidar de alguém quando está doente ou encorajar uma pessoa que está passando por um período de desânimo.
Que maneira de viver. O servo sábio e prudente tinha um relacionamento com as pessoas, de modo que podia perceber: “Ah, essa pessoa está sofrendo. O que está acontecendo com este irmão? O que está acontecendo com esta irmã? Como posso transmitir Cristo a eles de uma maneira que lhes traga encorajamento ou consolo?”
Temos esse coração? Esse é o nosso desejo? É para isso que Ele está nos encorajando.
Aprecio muito Isaías 50:4:
O Senhor Deus me deu a língua dos instruídos,
para que eu saiba sustentar com palavras aquele que está cansado;
Ele desperta manhã após manhã,
desperta o meu ouvido para que eu ouça como os que são instruídos.
Precisamos que nossos ouvidos sejam despertados manhã após manhã para ouvir Sua voz — como alguém que é ensinado por Ele, alguém disposto a aprender —, para que realmente sejamos capazes de demonstrar o cuidado de Cristo e o amor de Cristo uns pelos outros.
Quando o texto fala em dar o alimento no tempo devido, significa conhecer o alimento certo para a hora certa, a coisa certa a fazer no momento certo. Quando lemos Provérbios, ele fala de alguns desses momentos apropriados. Se alguém está numa casa de luto, você não deve ir até lá celebrando e rindo. Há uma maneira de cuidar das pessoas.
Há uma maneira apropriada de levar Cristo até elas. Às vezes, provavelmente a coisa mais difícil para nós é não dizer nada. Apenas ir e estar com alguém que está passando por uma situação muito desconcertante, simplesmente deixando essa pessoa saber que alguém está ali. Isso é um ministério tremendo.
Sentimos pressão, como se tivéssemos de fazer alguma coisa ou dizer alguma coisa. Há ocasiões em que devemos fazê-lo; não se trata de nunca dizer nada. Mais uma vez, trata-se de ser guiado pelo Espírito da vida, pela Sua vida em nós.
Pensem também no outro servo. Ele foi disciplinado. Disse: “Meu senhor está demorando.” Então, o que fez? Simplesmente viveu para si mesmo. Era uma vida muito centrada em si. Ele não cuidava dos outros.
O interessante é que ele achava que conhecia o senhor. Tinha esta impressão: “Ah, meu senhor está demorando.” Chamava-o de “meu senhor”. Achava que o conhecia e que tinha um relacionamento com ele, mas estava enganado. Havia sido iludido. Não tinha aquele relacionamento vivo.
Não percebia a grande obra que lhe havia sido confiada. Achava que ela tinha pouco valor: “Isto que estou fazendo não é nada. Estou apenas esperando um senhor.” Mas nem sequer estava esperando por ele. Usava todas as palavras certas, mas não tinha aquele coração e aquele amor.
Muitas vezes, podemos usar as palavras certas. Vou tomar como exemplo a conferência que está chegando. Gosto muito do tema da conferência: “Conquistados e guardados”.
Mas minha oração é que isso não se torne apenas uma frase bonitinha para nós. Queremos ter vidas conquistadas. Queremos ter vidas guardadas, que manifestem essa realidade. Nem deveríamos precisar dizer essas palavras; nossa vida deveria ser vivida e expressa de tal modo que as pessoas dissessem: “Uau, eles realmente foram conquistados e são guardados por Ele.” Ele receberia a glória.
Esse é o nosso desejo. Não queremos simplesmente criar uma frasezinha. Por favor, não entendam isso de maneira errada. Procurem compreender o que estou dizendo aqui. Eu gosto de “conquistados e guardados”, mas vemos como podemos adotar uma frase e tudo acaba se tornando parte do nosso vocabulário religioso.
Qual era a frase de alguns anos atrás? Alguém se lembra? “Passando a tocha.” Lembram-se de como essa frase foi usada alguns anos atrás? Louvado seja Deus, podemos ver alguns frutos em outra geração, mas não queremos que as coisas sejam apenas uma frase. Queremos que sejam vida, conquistando-nos de uma maneira maravilhosa.
O servo fiel conhecia o coração de seu senhor. Sabia quanto seu senhor se importava com todos os outros naquela casa. Queria demonstrar de boa vontade o amor do senhor a cada um.
Estava pronto todos os dias para quando seu senhor voltasse. Não sabia o que estava pela frente. Não conhecia todos os acontecimentos que ocorreriam nem a sequência das coisas. Mas, quando quer que seu senhor voltasse, ele estaria pronto, porque tinha graça para oferecer aquele serviço aceitável.
Então, ao chegarmos a Mateus 25, temos a parábola das dez virgens. Elas estão esperando a chegada do noivo, e o noivo demora. Sabemos que todas adormeceram. No fim, cinco estavam prontas e cinco não.
Quando olhamos para a parábola, vemos que essas dez virgens eram todas cristãs, porque tinham azeite. O azeite fala do Espírito Santo. Essas dez eram crentes. Tinham Sua vida dentro delas.
Como são descritas as cinco que estavam prontas? São descritas como prudentes, sábias. Aquelas sábias — lembram-se da oração de Moisés no Salmo 90? Elas haviam contado cada dia e alcançado um coração sábio. Simplesmente O conheciam. Conheciam Seu coração, Seu desejo e o que o Noivo realmente queria.
Sabiam o que Ele desejava porque tinham um relacionamento estabelecido com Ele. Diariamente, aprendiam sobre Seu coração e permitiam que Ele as preparasse. Cristo havia sido feito sabedoria para elas, e Ele foi feito sabedoria para nós. Louvado seja Deus.
Todas as dez eram crentes. Cristo havia sido feito sabedoria para todas as dez. Para qualquer crente, Cristo foi feito sabedoria. Mas estamos aprendendo essa sabedoria? Estamos chegando a conhecê-Lo, na experiência da vida diária, como nossa sabedoria?
As cinco sábias não estavam fazendo nada extraordinário. Simplesmente respondiam à Sua vida e tinham aquele relacionamento íntimo, pessoal, de coração para coração com Ele.
E nós? É a isso que Ele nos chama: entre na alegria do seu Senhor; entre no amor do seu Senhor; seja conquistado pelo Seu amor.
Aquelas cinco insensatas eram salvas, sim, mas simplesmente viviam para si mesmas. Nunca entraram de fato naquele relacionamento de coração para coração com seu Noivo. Perderam aquela recompensa alegre da comunhão de coração para coração com Aquele que as amava.
Ele amava todas as dez incondicionalmente. Morreu por todas elas. Mas aquelas cinco insensatas nunca entraram plenamente nesse amor. Ainda estavam amando a si mesmas e não haviam experimentado essa transformação.
Ao vermos Deus nos chamando para ser participantes do Seu propósito divino, uma das chaves é simplesmente conhecer Sua vida, Seu coração e Seu propósito. Isso é absolutamente essencial. Precisamos entrar nessa realidade.
Tudo é pela Sua graça. É responder à graça que está em nós, porque Ele nos deu Seu Espírito Santo. Temos o Espírito Santo dentro de nós. Quando nascemos de novo, recebemos esse Espírito. Mas estamos ouvindo-O?
Reservamos tempo todos os dias para ouvir o Espírito Santo? Quando o Espírito fala conosco, obedecemos a Ele? Nessa obediência, estamos servindo-O?
Talvez servi-Lo seja cuidar uns dos outros. Talvez servi-Lo seja ir aqui ou ali. Talvez servi-Lo seja passar um pouco mais de tempo a sós, em silêncio, com Ele. Mas estamos ouvindo, obedecendo e servindo a Ele pela Sua graça?
Em Seu grande amor zeloso, Ele está nos exortando. Está nos advertindo. É necessário que haja um abalo. As coisas vão piorar. Mas Ele diz: “Eu fiz uma provisão abundante: esta graça que vocês têm.”
Pela Sua graça, que deixemos de lado as coisas que podem ser abaladas. Deixemos de lado as coisas do mundo e do eu. Que nos apeguemos firmemente àquilo que não pode ser abalado. Apeguemo-nos a Cristo. Apeguemo-nos a Ele, e somente a Ele.
Em meio ao abalo que enfrentaremos — ao abalo que já enfrentamos —, que nos apeguemos firmemente a Ele, nossa âncora segura e firme.
Que entremos na alegria de ser participantes do Seu propósito. Quando temos um vislumbre do Seu coração e do Seu propósito, vemos que estamos entrando nessa realidade. Há alegria. Entramos nela agora.
Há uma alegria futura, sim. Ah, como isso é glorioso. Mas também há uma alegria hoje que podemos experimentar a partir de um relacionamento com Ele. Que tenhamos isso e permitamos que o Seu propósito seja o propósito que governa nossa vida.
O que governa nossa vida? O que determina as decisões em nossa vida? Que Seu propósito, que Seu objetivo final, seja o desejo que nos governa e o fator determinante em nossa vida.
Que permaneçamos naquele lugar de simplicidade e pureza de devoção a Ele, permanecendo ali, aos Seus pés — aquele lugar mais elevado —, olhando para Ele e tendo ouvidos para ouvir o que o Espírito diz às igrejas nesta hora.
Que respondamos a Ele, obedecendo-Lhe em um testemunho contínuo: “Não eu, mas por Cristo em mim.” Cristo em nós — essa é a esperança da glória. Cristo em nós — é isso que temos.
Temos graça para oferecer esse serviço agradável a Deus. Temos Cristo, por meio de Quem podemos oferecer um serviço que Lhe agrada. Que respondamos nesse espírito.
Vamos orar.
Senhor, somos gratos por esse grande chamado que Tu tens sobre nossa vida. Senhor, é um chamado com propósito. Somos gratos, Senhor, porque, nesse propósito, todos os dias experimentamos Teu amor, mas também experimentamos Tua paciência e Tua bondade amorosa.
Senhor, ao nos oferecermos novamente a Ti como aquele sacrifício vivo, queremos dar-Te essa liberdade, essa grande liberdade em nosso coração e em nossa vida, para fazer a obra que desejas realizar dentro de cada um de nós.
Que sejamos formados como o povo de Deus que será um testemunho para Ti. Queremos ser aqueles que são vasos úteis para o Teu serviço. Queremos ser aqueles que apressam a Tua volta.
Somos gratos, Senhor, porque Tu fizeste toda a provisão para a vida e a piedade em Cristo Jesus. Que respondamos a essa vida. Que sejamos participantes dessa natureza divina. Em Teu nome oramos. Amém.