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    Fellowship In Unity & Liberty Without Causing Stumbling© 2026 Christian Testimony Ministry
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    Fellowship In Unity & Liberty Without Causing Stumbling
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    Pittman, Kenny

    Comunhão, unidade e liberdade sem causar tropeço

    Bem, bom dia. Abram em Romanos 14. Acho que vocês sabem sobre o que vamos compartilhar nesta manhã. Creio que a maioria recebeu um e-mail. Ele pode ser útil. A razão pela qual os envio é que, se vocês se perderem enquanto falo, o esboço poderá ajudá-los a acompanhar: os versículos, a maneira como me pareceu que o Senhor mostrou a divisão deste capítulo, esta mensagem, o encargo e o pensamento central.

    Vamos começar pela leitura. Isso é o mais importante. Começaremos pelo versículo 1. Vamos ler o capítulo inteiro, porque o pensamento não muda no meio do capítulo, como acontece em muitas outras passagens.

    Ora, acolhei aquele que é fraco na fé, porém não para decidir questões de consciência.
    Um tem fé para comer de tudo; mas aquele que é fraco come legumes.
    Quem come não despreze quem não come; e quem não come não julgue quem come: porque Deus o acolheu.
    Quem és tu que julgas o servo de outro? Para o seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Sim, será mantido em pé; porque o Senhor tem poder para o manter em pé.

    Um considera um dia superior a outro; outro considera iguais todos os dias. Cada um esteja plenamente convicto em sua própria mente.
    Quem observa o dia, para o Senhor o observa; e quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

    Imagino que, a esta altura, isso já esteja deixando vocês com fome.

    Porque nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum morre para si mesmo.
    Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; ou, se morremos, para o Senhor morremos: quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.
    Porque foi para este fim que Cristo morreu e tornou a viver: para que Ele fosse Senhor tanto dos mortos como dos vivos.

    Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, por que desprezas teu irmão? Porque todos compareceremos diante do tribunal de Deus.
    Porque está escrito: Como Eu vivo, diz o Senhor, diante de Mim se dobrará todo joelho, e toda língua confessará a Deus.
    Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.

    Portanto, não nos julguemos mais uns aos outros; antes, decidi isto: não pôr tropeço ou ocasião de queda no caminho de vosso irmão.
    Eu sei, e estou persuadido no Senhor Jesus, de que nada é impuro em si mesmo: salvo que, para aquele que considera alguma coisa impura, para esse ela é impura.
    Pois, se por causa da comida teu irmão se entristece, já não andas em amor. Não destruas, por causa da tua comida, aquele por quem Cristo morreu.
    Não seja, pois, difamado o vosso bem: porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
    Porque quem nisso serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.

    Assim, pois, sigamos as coisas que promovem a paz e aquelas pelas quais podemos edificar uns aos outros.
    Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, de fato, são puras; contudo, é mau para o homem comer causando tropeço.
    Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer coisa pela qual teu irmão tropece, se escandalize ou se enfraqueça.
    A fé que tens, tem-na para ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena naquilo que aprova.
    Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque não come por fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

    Pai, nós nos achegamos novamente a Ti. Somos gratos, embora não compreendamos plenamente todas estas palavras. Nós o confessamos. Confessamos isso de bom grado. E confessamos nossa necessidade de que o Espírito Santo vivifique as Tuas palavras, que são espírito e vida.

    Vivifica-as para nós, Senhor. Ajuda-nos a compreender mais profundamente o que o apóstolo escreveu neste capítulo e como isso se aplica à nossa maneira de viver a vida cristã. Faze isso, nós Te pedimos, pois o pedimos no precioso nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

    Bem, imagino que este capítulo seja um mistério para muitos de vocês. Por que há tanta discussão sobre comer e beber, observar dias ou não observar dias, fazer as pessoas tropeçarem, ofendê-las e todas essas coisas? Por que Paulo deu tanta importância a isso neste capítulo?

    Bem, eu lhes digo: creio que é por causa de uma palavra. Essa palavra não aparece aqui, mas é realmente o pensamento que percorre todo o capítulo. Essa palavra é comunhão. Comunhão.

    Tudo o que impede nossa comunhão é uma abominação para Deus. É disso que trata este capítulo. Vocês sabem, temos gostos diferentes, e talvez você coma algo que eu não ousaria comer; e certamente eu como muitas coisas que você provavelmente não comeria. Mas esse não é realmente o ponto.

    O ponto é que nós fomos chamados à comunhão. Se vocês olharem 1 Coríntios 1:9:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    E a preocupação de Paulo é que nada venha a impedir essa comunhão entre os irmãos.

    Espero que isso talvez ajude a explicar um pouco. A comunhão sempre foi o desejo dEle. Vocês conseguem imaginar que Deus, em Sua misericórdia, nessa comunhão tão exclusiva — que incluía somente o Pai, o Filho e o Espírito Santo — decidiu trazer você e eu para dentro dela?

    Você talvez discorde de mim e diga: “Bem, certamente ela incluía os anjos”. Não, eles eram apenas servos ministradores, e ainda são. Essa era a comunhão mais exclusiva que se poderia imaginar. Contudo, nos conselhos da eternidade, Deus decidiu que traria você e eu para dentro dessa comunhão. Que maravilha!

    Por isso, Ele quer que essa preciosa comunhão seja mantida e preservada. Tudo o que impede essa comunhão é uma afronta ao Deus vivo.

    O título que está em meu coração é longo, por sinal. Não gosto de títulos tão longos, mas não consegui parar: Comunhão em unidade e liberdade sem causar tropeço. Bem, é um título e tanto.

    Mas o Senhor procura pessoas que permaneçam na comunhão de Seu Filho, expressando com Ele tudo o que Cristo é, sem que essa comunhão seja impedida. Vocês sabem, o inimigo quer destruir essa comunhão. Ele não está atrás de você em si. Não está atrás de mim. Ora, eu sou apenas um pontinho. Ele poderia me esmagar num instante.

    Mas ele gostaria de destruir essa comunhão eterna que Deus iniciou e que constitui todo o Seu propósito eterno ao longo dos séculos.

    Os quatro temas de Romanos 14

    Vamos considerar quatro áreas:

    1. Acolher os fracos, em Romanos 14:1-6.
    2. Viver e morrer para o Senhor, em Romanos 14:7-12.
    3. Não julgar uns aos outros, em Romanos 14:13-21.
    4. Tudo o que não provém de fé é pecado, em Romanos 14:22-23.

    O acolhimento dos fracos na fé

    Vamos começar pelo acolhimento dos fracos. Isso está em Romanos 14:1-6. Se vocês lerem este capítulo com atenção, verão um tema que percorre o capítulo inteiro. Há esse irmão fraco. Agora, ele não é fraco como eu sou fisicamente fraco. Trata-se de um irmão que é fraco na fé.

    Ele não consegue fazer certas coisas, e sua consciência constantemente o condena e o acusa. Depois, há esse irmão forte. Agora, talvez você se coloque em uma dessas duas categorias — eu não sei. Talvez queira estar em uma congregação com um irmão forte. Por sinal, ele não é forte em si mesmo; é forte na fé, na fé que produz uma comunhão real e viva.

    Eles devem estar juntos. Sabem, acho que a maioria de vocês gostaria de estar em uma nova igreja chamada Igreja dos Vencedores. Cada um de nós seria um cristão superforte, um guerreiro poderoso, vencedor em tudo. Mas o plano de Deus para a comunhão é colocar os fracos e os fortes juntos.

    Esses fracos e esses fortes devem crescer em Cristo, até a condição de homem plenamente desenvolvido, e manifestar a glória de Quem Ele é.

    Você talvez pense: “Por que, afinal, Paulo tratou de comida, bebida, dias e todas essas coisas?”. É porque as pequenas coisas destroem a comunhão. Talvez você pensasse que seria sábio o apóstolo Paulo tratar de assuntos de muito maior peso. Às vezes, eu também pensava assim.

    Mas não. Se vocês pensarem nisso, as pessoas podem se ofender umas com as outras, maltratar umas às outras e afetar umas às outras por causa das menores coisas. Às vezes, anos depois, você pode perguntar a um irmão ou a uma irmã por que se ofenderam, e eles nem conseguem explicar. Quando tentam explicar, você diz: “Que coisa pequena!”.

    Que coisa pequena! Irmãos e irmãs, compreendam este conceito: essa comunhão custou tudo a Deus, e essa comunhão significa muito para Deus. Ele não quer que nada impeça essa comunhão. Por isso, temos Romanos 14.

    Vocês têm esse irmão fraco e esse irmão forte. É um contraste marcante quando lemos o capítulo. O irmão forte tem liberdade para fazer certas coisas. Como mencionei, o irmão fraco é constantemente atacado pela própria consciência e não consegue fazer certas coisas. Então, nesse contexto, vamos pensar no acolhimento dos fracos.

    Romanos 14:1 apresenta o ponto logo no início:

    Ora, acolhei aquele que é fraco na fé.

    Esse foi o primeiro ponto de Paulo. Era um único ponto: precisamos acolher cada irmão e irmã no Senhor, sejam irmãos ou irmãs fracos na fé, sejam irmãos ou irmãs fortes na fé. A maioria de nós provavelmente está em algum lugar entre os dois.

    Mas esta era a única exortação: Acolhei. Como isso é importante! Se você é seletivo e diz: “Ah, não gosto desse irmão ou dessa irmã” — muitas pessoas já disseram isso a meu respeito, por sinal —, “não gosto daquele irmão; não consigo acolher aquele irmão; não quero ter nada a ver com aquele irmão”, ou com aquela irmã, não vou deixar você escapar dessa responsabilidade.

    Isso impediria essa comunhão celestial. Destruiria o que está no coração de Deus. É por isso que este capítulo ocupa um lugar tão importante.

    Essa questão de acolher os fracos na fé tem uma razão apresentada no final de Romanos 14:3:

    Porque Deus o acolheu.

    Vocês entendem isso? Duas vezes nesses três versículos aparece a ideia de acolher. Por que você acolhe? Não porque gosta daquela pessoa, não porque pensa como ela, não porque ela é simpática ou gentil com você.

    Você a acolhe por uma única razão: Deus a acolheu. Então, deixe-me perguntar: se Deus a acolheu, você pode rejeitá-la? Não pode.

    Esse é o primeiro ponto de Paulo quando se trata dessa questão de unidade e liberdade sem causar tropeço. A primeira lei da vida de comunhão é acolher aqueles a quem o Senhor acolheu.

    Se me permitem dizer isto, talvez vocês não gostem da maneira como vou dizer: rejeitem aqueles a quem o Senhor rejeitou. Isso significa que não pregamos o evangelho a eles? Significa que não lhes demonstramos amor? Significa que não vamos ao encontro deles? Não, certamente não.

    Mas aqueles que acolhemos nessa comunhão celestial, Sua mais elevada comunhão, são simplesmente aqueles a quem Deus acolheu. Acho que esse é um ponto muito importante. Isso é em favor da unidade: acolher todos aqueles a quem Deus acolheu.

    Essa exortação vale nos dois sentidos. Não se trata apenas de nós acolhermos o irmão fraco, mas também de o irmão fraco acolher o irmão forte. Agora, vocês não vão se ofender se eu não ficar me corrigindo e dizendo “irmão e irmã”, vão? Conseguem entender que estamos falando da mesma coisa aqui?

    Isso vale nos dois sentidos. Um homem está convicto de que pode comer de tudo. Esse é o irmão forte, certo? Mas o fraco come ervas — não o irmão Herb. Não tive a intenção de implicar com meu irmão Herb e fazer vocês pensarem que éramos canibais. Aqui, “ervas” significa legumes e verduras. Ele era vegetariano.

    Ele não ousava comer carne, porque sua consciência o condenaria, e essa consciência má o atacaria. Ele não tinha uma consciência tranquila. Portanto, isso vale nos dois sentidos:

    Quem come não despreze quem não come; e quem não come não julgue quem come: porque Deus o acolheu.

    Isso é comunhão. Você consegue acolher irmãos e irmãs — talvez aqueles de quem não gosta, talvez aqueles que não são como você? Consegue acolhê-los no Senhor por causa de uma única lei da comunhão? O Senhor os acolheu.

    A divisão como inimiga da comunhão

    Deus odeia a divisão. A arma que o inimigo usa, acima de todas as outras, para atacar essa comunhão é a divisão. Ele gosta de ver os santos divididos uns contra os outros, acusando uns aos outros e não acolhendo uns aos outros. Essa é a principal arma do inimigo.

    Creio que provavelmente todos vocês conhecem aqueles maravilhosos versículos de Provérbios 6:16-19, sobre as sete coisas que Deus odeia. Quando vocês pensam nessa comunhão celestial, deveria estar bem presente em seus pensamentos que a última coisa mencionada é:

    Aquele que semeia discórdia entre irmãos.

    Por que Ele diria algo assim? Porque a divisão é o instrumento do inimigo, a maior arma que ele tem para destruir a comunhão de Deus. É isso que precisamos compreender.

    Deixem-me ler 1 Coríntios 1:10:

    Ora, rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja divisões entre vós; antes, sejais aperfeiçoados juntos na mesma disposição de espírito e no mesmo parecer.

    Como seria maravilhosa a comunhão! Nesse mesmo capítulo, em 1 Coríntios 1:13, Paulo fez aquela famosa declaração:

    Está Cristo dividido?

    Irmãos e irmãs, isso é tudo o que o inimigo quer fazer.

    É por isso que vocês precisam compreender Romanos 14, e compreendê-lo com muito cuidado. O inimigo está sempre trabalhando para destruir a unidade. O inimigo está sempre trabalhando para dividir os irmãos. Acima de tudo, o inimigo quer desfazer essa comunhão celestial que Deus instituiu por meio de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

    Unidade e liberdade no Espírito

    A unidade é essencial à comunhão. Deixem-me dizer mais uma coisa: liberdade não é licença para fazer o que você quiser. Sabem, se você é aquele chamado irmão forte, não pode dizer: “Sou livre em Cristo para fazer tudo o que quiser”. Bem, este capítulo diz que não é assim.

    Você não pode fazer tudo o que quiser, mesmo tendo razão. Você tem liberdade em Cristo para fazer muitas coisas. Mas, quando se trata da comunhão, nem sempre pode exercer essa liberdade. Às vezes, você precisa abrir mão de suas liberdades em Cristo para não ofender um irmão ou uma irmã.

    Vocês entendem? Esse é o conceito apresentado aqui. Há unidade — esse é o primeiro segredo da comunhão —, mas também há liberdade. As duas caminham juntas. Há um equilíbrio entre essas duas coisas na vida de comunhão da igreja.

    A unidade é essencial à comunhão. A liberdade não é licença para fazer o que queremos. A unidade é essencial ao corpo de Cristo. Nossa liberdade em Cristo é, na verdade, a liberdade pela qual somos libertos para fazer a vontade dEle. Vocês entendem a diferença? Essa é a liberdade que vocês têm no Senhor Jesus.

    Nossa unidade e nossa liberdade em Cristo estão no Espírito. Não são algo que fabricamos. Sabem, eu me aproximo da querida jovem Prim — posso chamá-la de querida jovem Prim? — e digo: “Vamos nos sentar por meio dia e concordar sobre todos os assuntos em que conseguimos concordar, para que tenhamos unidade”. Não é assim que funciona.

    A unidade é algo que Deus nos deu no Espírito, no Senhor Jesus. Na verdade, é algo com que já começamos.

    A palavra unidade — isso talvez surpreenda vocês; eu fiquei surpreso quando descobri, algum tempo atrás — aparece apenas três vezes na Bíblia inteira. Não é impressionante? Um assunto tão importante e tão amplo, que afeta a comunhão, é mencionado apenas três vezes.

    Vocês se lembram de Salmos 133:1:

    Oh! Como é bom e agradável
    Que os irmãos vivam juntos em unidade!

    Essa é a primeira vez, a única vez no Antigo Testamento. Depois, quando chegamos a Efésios 4, Paulo usa a palavra “unidade” nas outras duas únicas ocorrências. Agora, a expressão “vínculo unificador da paz” também é usada, então vocês poderiam argumentar que há uma quarta ocorrência.

    Mas, se vocês lerem as Escrituras com atenção, esta é a ênfase do começo ao fim das Escrituras: ser um. Ser um com Deus. O primeiro mandamento, em Deuteronômio 6:4:

    Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus, o Senhor é um.

    Ele procura um povo unido, um só povo nessa unidade. Essa é toda a explicação do propósito de Deus.

    Em Efésios 4, Paulo descreve a unidade que nos foi dada. Precisamos compreender a unidade que nos foi dada e permanecer firmes nela, em vez de tentar fabricar uma unidade baseada em concordância. Se vocês fizerem isso, mais cedo ou mais tarde provavelmente não concordarão em coisa alguma.

    Tudo ficará diluído demais. É isso que o movimento ecumênico tenta fazer. Reúnem pessoas de tantas teologias diferentes e dizem: “Em que podemos concordar?”. Quando chegam ao fim, diluem tudo de tal maneira que tudo o que é vital é apagado, e não há comunhão verdadeira no Espírito.

    Efésios 4:3 diz:

    Empenhando-vos diligentemente em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

    Guardar a unidade do Espírito. Empenhem-se diligentemente nessa única coisa. Esta é a lei da comunhão: guardar a unidade que você e eu já recebemos em Cristo Jesus. Não começamos tentando produzir unidade. Nós nos reunimos em unidade.

    Há uma unidade preciosa. Na verdade, se vocês olharem Efésios 4:4-6, verão como é grandiosa essa unidade que recebemos em Cristo Jesus:

    Há um só corpo e um só Espírito, assim como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
    Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
    Um só Deus e Pai de todos, o Qual é sobre todos, por todos e em todos.

    Sete vezes “um só”. Agora, esse número chama a atenção de vocês? Se vocês entendem alguma coisa de numerologia bíblica, sete é unidade perfeita. Recebemos uma unidade perfeita desde o início. Essa é a nossa declaração. Não precisamos produzir unidade. Não precisamos produzir paz. Ele fez a paz.

    Ele derrubou a parede que nos separava e fez a paz. É daí que começamos. O problema surge quando vamos além dessa unidade de sete aspectos.

    “Bem, o que você crê sobre o arrebatamento? Mari, o que você realmente crê sobre o arrebatamento? Porque talvez eu não esteja em unidade com você nessa questão do arrebatamento.” Bem, isso não é incomum. Pensem nisso. Há divergências.

    Vocês provavelmente morreriam de tédio se se sentassem comigo e eu lhes falasse sobre o que creio a respeito do arrebatamento. Mas pode haver diferenças no corpo de Cristo. Isso não faz parte da unidade que nos foi dada. É normal.

    Vocês podem ter pensamentos diferentes sobre os dons. Lembrem-se, já lhes contei tantas vezes que vocês ficam cansados de ouvir: fui salvo no movimento carismático. Acho que, na primeira vez em que Jerry me ouviu falar em línguas, pensei que o tinha perdido.

    Vocês talvez tenham uma visão diferente sobre esses assuntos. Eu nunca diria que essas coisas não são essenciais, porque a vinda do Senhor e o arrebatamento da igreja não são coisas sem importância. Mas elas não são determinantes para a unidade que recebemos em Cristo Jesus.

    Vocês entendem? Apeguem-se a essa unidade única, a unidade do Espírito. É assim que podemos ter comunhão juntos.

    Outro dia, conversei com um irmão. Eu estava tentando encomendar a roupa de cama para a conferência. Ele é um irmão; eu sabia que era um irmão. Na verdade, Tony Hawkins costumava trabalhar para ele. No fim da conversa, ele achou necessário me interrogar um pouco sobre minhas crenças.

    Ele disse: “Em que você crê? Em que o seu grupo crê?”. Eu disse: “Bem, cremos na Bíblia. Cremos no Senhor Jesus. Somos cristãos”. Ele disse: “Mas em que vocês creem?”. Ele estava me questionando.

    Paulo diz no início de Romanos 14:

    Acolhei.

    E não para decidir questões de argumentação. Em outras palavras, não façam alguém se sentar para interrogá-lo sobre sua fé. Mais cedo ou mais tarde, se vocês fizerem isso com todo mundo, só restaremos você e eu na sala — e talvez eu vá embora.

    Nunca façam da comunhão uma questão de interrogatório. Vocês podem crer em coisas diferentes. Podem enxergar coisas diferentes. Mas não podemos abrir mão daquelas sete coisas essenciais. Se alguém diz que Jesus não é Senhor, vocês acham que podem ter comunhão com essa pessoa? Talvez, com o tempo, consigam conduzi-la a essa comunhão.

    Bem, é disso que Paulo está falando: acolher, aquela única coisa necessária para guardar essa unidade.

    Efésios 4:13 fala de uma unidade. Não quero dizer outra unidade; não é outra unidade. É uma unidade amadurecida. É uma unidade na qual crescemos:

    Até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

    Irmãos e irmãs, essa é uma unidade à qual finalmente chegaremos, amadurecendo. É disso que precisamos no corpo de Cristo, nessa comunhão. Portanto, acolham aqueles a quem Deus acolheu. Essa é a exortação.

    Gosto do que Griffith Thomas disse. Ele disse algo que achei tão claro que preciso ler: “O irmão”, referindo-se ao irmão fraco, “deve ser acolhido cordialmente na comunhão e amado, em vez de se tentar tirá-lo de suas dificuldades por meio de argumentos”.

    Ah, se fizéssemos isso, seria verdadeira comunhão. Louvado seja o Senhor.

    A proibição de julgar os outros

    Julgar é outra questão nessa unidade e liberdade sem causar tropeço. Romanos 14:4 diz:

    Quem és tu que julgas o servo de outro?

    Isso é dirigido ao irmão forte. Ah, como é fácil ter um espírito crítico! “Olhe como essa pessoa se veste. Olhe como essa pessoa fala. Olhe como ela age.” Se ela pertence ao Senhor, devemos acolhê-la, ponto final, e ajudá-la a crescer.

    Você acha que já tinha tudo em ordem quando foi salvo? Longe disso. Graças a Deus, crescemos na graça e no conhecimento do Senhor. Mas quem é você para julgar o servo de outro? Se o Senhor acolheu aquele irmão fraco, nós também devemos acolhê-lo.

    Todo mundo que não é cristão conhece aquele versículo do Sermão do Monte, em Mateus 7:1, certo?

    Não julgueis, para que não sejais julgados.

    Acho isso impressionante. Não sabem nada sobre a Bíblia. Você poderia lhes perguntar cinco mil coisas, e eles não saberiam nada.

    Mas, no momento em que você faz uma objeção ao comportamento deles, dizem:

    Não julgueis, para que não sejais julgados.

    Sabem, isso não está falando de incrédulos. Se vocês já leram essa passagem no Sermão do Monte, ela está falando de julgar um irmão.

    Claramente, três vezes em cinco versículos, ela fala de um irmão. Diz que ele pode ter um argueiro no olho. Um argueiro é uma pequena farpa. Farpas são dolorosas, mas ele pode ter um pequeno argueiro no olho. Você, em seu zelo, está tentando tirar esse argueiro — esse cisco — do olho do seu irmão.

    O Senhor diz que é melhor você primeiro tirar a trave do próprio olho. Agora, isso seria realmente doloroso. Dimensionei muitas vigas — milhões e milhões de vigas — ao longo da minha carreira. São coisas grandes e pesadas.

    Contudo, julgamos o servo de outro quando vemos alguma pequena coisa que, a nosso ver, não está de acordo com a justiça, alguma coisa que não consideramos particularmente boa. Atacamos aquilo como um cão de ataque, um cristão pitbull. “Vamos resolver isso.” Não julguem o servo de outro.

    Ah, queridos irmãos e irmãs, espero que ao menos estejam começando a compreender do que ele está falando. Vejam Romanos 14:4:

    Para o seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Sim, será mantido em pé; porque o Senhor tem poder para o manter em pé.

    Não é bonito? É diante de seu próprio Senhor que ele está em pé ou cai. Você não consegue fazer isso, mas o Senhor consegue. O que o Senhor fará é mantê-lo em pé. Que belo encorajamento divino para os mais fracos entre nós!

    A palavra “servo” aqui significa, na verdade, um servo da casa. É o próprio servo da casa do Senhor. Quem é você para se aproximar do servo da casa do Senhor e julgar aquele irmão ou aquela irmã? Você não deve fazer isso. Deve orar por eles. Pode aconselhá-los. Deve apelar a eles de maneira amorosa e abrir-lhes a Palavra de Deus.

    Creio na correção. Creio na disciplina, embora eu não seja muito bom em aplicá-la. Creio na Palavra de Deus. Somente o Senhor é Quem, no fim, os colocará no caminho certo. Então, orar talvez seja a melhor coisa a fazer.

    É o Senhor Quem os mantém em pé. Acho que o que acontece conosco é que nos esquecemos de toda a mensagem de Romanos, daqueles primeiros oito capítulos. Esquecemos que é Ele Quem justifica. Esquecemos que é Ele Quem santifica. Esquecemos Romanos 8: é Ele Quem glorifica.

    Queridos irmãos e irmãs, quem somos nós para julgar o servo de outro?

    Paulo oferece um encorajamento. Vejam Romanos 14:5-6:

    Um considera um dia superior a outro; outro considera iguais todos os dias. Cada um esteja plenamente convicto em sua própria mente.

    Em outras palavras, parem de tentar persuadir as pessoas a crer no que vocês creem e permitam que o Senhor trate com elas. Mas você e eu, estejamos nós mesmos plenamente convictos. Isso fará a maior diferença.

    Essa expressão, “plenamente convicto”, é uma das expressões favoritas do apóstolo Paulo. Ele é o único que a usa no Novo Testamento. Ele usa “plenamente convicto” e também “estou persuadido”. Queridos irmãos e irmãs, este é o segredo da vida de comunhão: estarmos plenamente convictos.

    Vejam Romanos 4. Isso é sobre Sara, a outra metade de Abraão. Não vou dizer a melhor metade, mas a outra metade. Romanos 4:20-21. Vou ler a última parte de Romanos 4:19:

    E a condição morta do ventre de Sara.

    A situação dela era impossível. Seu ventre estava morto. Não havia esperança de que viesse a descendência prometida por Deus.

    Mas então diz:

    Contudo, diante da promessa de Deus, não vacilou por incredulidade, mas foi fortalecido pela fé, dando glória a Deus;
    E estando plenamente convicto de que o que Ele havia prometido, Ele também era poderoso para cumprir.

    Não é precioso? Acho isso muito encorajador. Você não consegue fazer isso. Eu não consigo fazer isso. Podemos conduzir as pessoas até certo ponto, mas somente Deus é capaz de fazê-lo no fim. Precisamos nos lembrar disso enquanto procuramos permanecer em unidade e liberdade sem causar tropeço.

    A vida para o Senhor

    Há outra coisa que descreve toda a vida cristã. Vejam Romanos 14:6:

    Quem observa o dia, para o Senhor o observa; e quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

    Observem essa expressão: para o Senhor. Porque nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo. Entraremos nisso daqui a pouco. Mas vocês entendem? Essa é a explicação de toda a vida cristã. Ela é para o Senhor.

    Vivemos para o Senhor. Não vivemos para o homem; vivemos para o Senhor. Se estamos certos nisso, se podemos fazer o que fazemos com liberdade, vivendo para o Senhor, e nossa consciência nos permite fazê-lo sem nos condenar, então a questão está resolvida. Todo o problema está resolvido.

    Espero que vocês compreendam isso. Acho que é muito claro, muito maravilhoso. Lembro-me de quando eu era um jovem cristão e Colossenses 3:23-24 se tornou vivo para mim. Lembro-me de um dia em que aquilo foi luz, como um raio de luz vindo do céu:

    Tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como para o Senhor e não para os homens;
    Sabendo que do Senhor recebereis a recompensa da herança: servis ao Senhor Cristo.

    Vocês entendem isso? É uma exortação para você e para mim: como para o Senhor. Tudo o que vocês fizerem, façam como para o Senhor, e não para o homem.

    Esse é o segredo da comunhão. Como é maravilhoso! Unidade e liberdade significam fazer as coisas para o Senhor, e o Senhor cuidará do restante. Se você está errado, não quer que eu fique corrigindo você o tempo todo, mas quer que o Senhor o corrija pelo Seu Espírito.

    Se você errou o alvo, Ele é capaz de mantê-lo em pé. Ele é capaz de guardá-lo. Ele é capaz de firmá-lo. Essa obra é somente dEle. Nós ajudaremos, mas essa obra é somente dEle.

    Viver e morrer para o Senhor

    Vamos ao segundo ponto: viver e morrer para o Senhor. Isso é maravilhoso, porque diz respeito ao céu e à terra, à diferença entre os dois.

    Deixem-me ler novamente esses versículos:

    Porque nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum morre para si mesmo.
    Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; ou, se morremos, para o Senhor morremos: quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.
    Porque foi para este fim que Cristo morreu e tornou a viver: para que Ele fosse Senhor tanto dos mortos como dos vivos.

    Há aqueles que insistem que todos precisam ser curados. Acho isso lamentável. Entendo o que as pessoas estão dizendo. Elas interpretam certos versículos de determinada maneira. Mas o encorajamento aqui é este: se vivemos, é para o Senhor. Se morremos, é para o Senhor.

    Quer vivamos, quer morramos, é para o Senhor, e Ele tem domínio sobre a vida e a morte.

    Anos atrás, eu era um homem jovem. Devia estar na casa dos quarenta. Não consigo me lembrar. Não, ainda não tinha chegado lá. Já tive quarenta anos um dia. Havia um irmão entre nós — alguns de vocês se lembram disso; estamos aqui há muito tempo — chamado John Street.

    Eu era muito próximo de John. Ele era um amigo. Na verdade, ele tentou me convencer a entrar no ramo imobiliário com ele e deixar a engenharia. Sou muito grato por não ter feito isso. Mas, enquanto eu o ajudava em um projeto, nosso irmão desenvolveu um melanoma aos quarenta e quatro anos. Em seis meses, ele morreu.

    Isso me abalou. Ali estava um irmão de quem eu era muito próximo, com quem quase entrei em sociedade. Era um irmão cuja família inteira conhecíamos: filhos da idade dos nossos filhos, uma esposa jovem, Diana — todos a conhecem —, e ele foi levado.

    Seria fácil se ofender com isso, certo? “Senhor, a Tua Palavra diz:

    Pelas Tuas feridas somos curados.”

    Você poderia ter se ofendido com isso.

    Nunca me esquecerei: ele morreu pouco antes da conferência, e o irmão Kong chamou nossa atenção, como uma congregação ainda jovem, para estes versículos:

    Aquele que vive, vive para o Senhor; e aquele que morre, morre para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, é para o Senhor.

    Que consolo! Sabem, naquela época eu era como um barco sem remo, e disse: “Senhor, quanta sabedoria há nisso!”. Nós nunca morremos. Gosto muito do fato de o Novo Testamento falar dos cristãos como aqueles que adormecem.

    Passei a gostar mais de dormir à medida que envelheci; já não durmo tão bem. Por sinal, Jerry costumava me dizer, em nossas viagens juntos: “Você é impressionante”. Ele não estava falando de nada bom. Queria dizer: “Você pega no sono em três segundos”. Já não faço isso.

    Mas dormir é maravilhoso. Não é algo a temer. O medo da morte se foi. A escravidão da morte se foi. Aquele que vive, como diz Apocalipse, tem as chaves da morte e do Hades.

    Irmãos e irmãs, Paulo disse que é melhor estar com o Senhor. Espero que vocês se lembrem disso.

    Não sei como, durante todos aqueles primeiros anos — porque fui salvo aos vinte anos, e isso se estendeu até os meus quarenta e poucos —, eu nunca conheci esses versículos. Mas, quando o irmão Kong os falou para nós, para nos animar como uma congregação jovem diante da primeira morte de uma pessoa jovem que tivemos de enfrentar, aquilo foi luz do céu.

    Nunca me esquecerei: creio que foi na mesma conferência, cerca de uma semana depois, Christian Chen se levantou e disse: “Um livro longo não é necessariamente um bom livro”. Eu geralmente abandono livros depois de algumas páginas. Não continuo a leitura.

    Como é maravilhoso saber que nós, que vivemos, vivemos para o Senhor; e nós, que morremos, morremos para o Senhor. Viver e morrer são questões resolvidas para nós.

    O tribunal de Cristo

    Há outra questão que o apóstolo Paulo apresenta e que afeta a unidade e a liberdade sem causar tropeço. Está em Romanos 14:10-12 e diz respeito ao tribunal de Deus.

    Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, por que desprezas teu irmão? Porque todos compareceremos diante do tribunal de Deus.

    Um versículo interessante, não é? Todos vocês conhecem João 3:16, e todos conhecem João 3:18, que diz:

    Quem nEle crê não é julgado.

    Então, isso parece ser uma contradição: nós, os que cremos, compareceremos todos diante do tribunal de Deus?

    A questão é esta: isso não tem a ver com salvação eterna ou condenação eterna. Esse tribunal de Deus tem a ver com a recompensa pela maneira como você viveu sua vida na terra como cristão.

    Se você viveu para o Senhor — lembre-se dessa expressão; não a esqueça —, então tudo estará bem no tribunal de Deus. Você receberá uma recompensa. Já está salvo. Isso não tem nada a ver com a salvação eterna.

    Na verdade, há dois julgamentos, ou tribunais, se vocês quiserem chamá-los assim — um deles é um trono. Apocalipse 20 trata de um julgamento diante de um trono branco, ou, como muitos o chamam, o juízo do grande trono branco. Esse é um julgamento para os incrédulos.

    Não é um julgamento para nós, na igreja, que estamos nessa comunhão celestial. Escapamos desse julgamento. Na verdade, a palavra grega é thronos. Dela vem a palavra “trono”.

    Mas há um segundo tribunal, o tribunal de Deus. Se vocês olharem 2 Coríntios 5:10, acho que isso fica um pouco mais claro. Esta leitura é da versão King James:

    Porque todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo; para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, seja bem ou mal.

    Cada um de vocês que crê terá de comparecer diante do tribunal de Cristo. Será uma prova. Será um exame. Não se trata de um Deus severo — você já é Seu filho —, mas de um exame: você viveu para o Senhor? Esse é todo o exame.

    Você viveu assim? Se não viveu, haverá perda, mas não haverá perda da salvação. Vocês entendem a diferença? Esse tribunal de Cristo é o julgamento da família. É aquilo sobre o que lemos em 1 Coríntios 3, em 2 Coríntios 5:10 e aqui, em Romanos 14:10.

    Se vivemos para o Senhor, receberemos uma grande recompensa. Se não vivemos, receberemos disciplina, mas nunca perderemos a salvação. Não deixem ninguém lhes dizer que vocês podem perder a salvação.

    Se ela é o dom gratuito de Deus, como você pode perder a salvação? Se tudo é pela graça, como você pode perder a salvação? Não se trata de perder a salvação.

    Acho muito claro o que William Newell disse sobre isso. Ele disse: “No tribunal de Cristo, o que está em questão é a recompensa pelo nosso serviço, e não a salvação”. Como isso é claro!

    Irmãos e irmãs, enquanto vivemos na terra, precisamos viver tendo em vista o tribunal de Cristo. Se você vive apenas para si mesmo, sofrerá perda. Será disciplinado. Estará na eternidade, mas não receberá a recompensa que deveria ter recebido se tivesse vivido para o Senhor.

    A prevenção de tropeços

    Terceiro ponto: não julguem uns aos outros. Esta próxima seção é Romanos 14:13-21. Vejam Romanos 14:13:

    Portanto, não nos julguemos mais uns aos outros; antes, decidi isto: não pôr tropeço ou ocasião de queda no caminho de vosso irmão.

    Vocês perceberam? Toda a questão aqui, na comunhão, é que podemos fazer nossos irmãos e irmãs tropeçarem. Na verdade, as formas “tropeçar”, “tropeço” e “tropeça” aparecem três vezes nesta seção.

    Essa é a única coisa que vocês devem julgar. Não julguem seu irmão. Ajudem seu irmão. Deixem-no com o Senhor. O Senhor é capaz de mantê-lo em pé. Mas decidam isto: não ponham um tropeço no caminho dele. Isso impedirá a comunhão.

    Ao examinarem esta seção, vocês encontrarão expressões fortes:

    Não destruas, por causa da tua comida, aquele por quem Cristo morreu.

    E:

    Não destruas a obra de Deus por causa da comida.

    Vocês sabem o que isso significa? Vocês podem destruir essa comunhão celestial.

    Você ousa destruir essa comunhão celestial por causa de comida? Ousa destruir essa comunhão celestial por causa de uma pequena diferença naquilo em que crê? São palavras muito fortes. Precisamos prestar atenção a elas.

    Tudo isso é porque o Senhor ama tanto a comunhão. Ele não quer divisão na igreja. Essa é toda a mensagem de Romanos 14.

    Mas aqui está a boa notícia. Acabo tratando essa parte de maneira um pouco pesada. Vocês não ouvem muitas mensagens aqui sobre o tribunal de Cristo, certo? Por sinal, há um bom livro sobre o tribunal de Cristo. Acho que Jeffrey Pittman preparou uma nova edição e conseguiu autorização para reeditar aquele antigo volume. Vale a pena lê-lo.

    Devemos viver à luz do tribunal de Cristo. Muitas coisas seriam corrigidas se vivêssemos assim. Devemos viver tendo a eternidade em vista, e não esta terra, porque fomos transportados da autoridade das trevas para o reino do Filho do amor de Deus.

    Gosto muito da passagem de Judas. Abram nessa passagem. É maravilhosa. Judas 1:24-25:

    Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e para vos apresentar diante da presença de Sua glória sem mácula, com grande alegria;
    Ao único Deus, nosso Salvador, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, sejam glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre. Amém.

    Que encorajamento! Há somente Um que pode guardar vocês de tropeçar. Graças a Deus por Ele. Podemos tropeçar. Muitas vezes tropeçamos. Às vezes fazemos outras pessoas tropeçarem. Mas há Um que pode nos guardar de tropeçar.

    Ele não apenas pode guardar vocês de tropeçar, mas também os apresentará sem mácula diante da presença de Sua glória. Isso é maravilhoso. Não poderia haver nada mais claro.

    A fé como fundamento da comunhão

    O último ponto é: “Tudo o que não provém de fé é pecado”. São apenas Romanos 14:22-23. Vou lê-los:

    A fé que tens, tem-na para ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena naquilo que aprova.
    Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque não come por fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

    Um versículo poderoso. Só é possível viver a vida cristã de fé em fé. Vocês se lembram de quando Paulo apresentou o versículo-tema de todo o livro de Romanos, em Romanos 1:17, a respeito desse evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.

    Ele fala de fé em fé. Depois apresenta aquela maravilhosa citação de Habacuque 2:4:

    Mas o justo viverá pela fé.

    Toda a vida cristã se baseia nisso. Sem fé, há pecado. É pela fé que permanecemos em comunhão. Temos fé em Deus, não em nós mesmos. Nós desistiríamos. Entraríamos em desespero. Seríamos vencidos. Mas nossa fé está em Deus.

    Sabem, Hebreus 11:6 diz:

    E sem fé é impossível agradar-Lhe.

    Queridos irmãos e irmãs, Romanos 14:22 é dirigido ao forte na fé, àquele que tem liberdade. Romanos 14:23 é dirigido ao fraco na fé, cuja consciência o condena. Mas a verdade aqui é que ao fraco foi dada fé, e ao forte foi dada fé.

    Se andarmos de fé em fé, todas as questões estarão resolvidas. Creio que é pela fé dEle, não pela nossa fé. Se fosse pela sua fé que você conseguisse manter essa comunhão e não causar tropeço, certamente fracassaria.

    Mas Paulo disse esta coisa maravilhosa, em Gálatas 2:20:

    Vivo pela fé, pela fé do Filho de Deus.

    Muitas de suas versões não apresentam a frase dessa maneira. Não a fé dele, não a fé de Paulo, mas a própria fé viva de Cristo em nós. Porque tudo o que não provém de fé é pecado.

    Vocês sabem que esse simples versículo de Habacuque 2:4 aparece três vezes no Novo Testamento? Apenas uma vez em Habacuque 2:4, mas três vezes no Novo Testamento. É o tema do Novo Testamento:

    O justo viverá pela fé.

    Esse é o segredo da comunhão. Ele nos mantém em comunhão. Faz com que cresçamos em comunhão. Faz com que mantenhamos comunhão com irmãos e irmãs nos mais diferentes lugares, para que o corpo de Cristo nunca seja dividido.

    Esse é o segredo com que Paulo termina, e é isso que precisamos saber: há uma fé que pode nos levar até o fim, uma fé que é a fé dEle. Louvado seja o Senhor por isso.

    Conclusão e oração

    Bem, acho que vocês entenderam o ponto. Deixem-me terminar com estas poucas palavras. A comunhão sempre foi a perfeita vontade de Deus. Isso nunca mudará. É a explicação de toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse.

    Para manter a comunhão, precisamos guardar a unidade do Espírito até chegarmos à unidade da fé. Temos de fazer isso. Temos de guardar essa unidade que nos foi dada, e não insistir, julgar, examinar e questionar, mas ajudar e conduzir outros a conhecer esse Cristo que é capaz de fazê-lo. Esse é o segredo da comunhão.

    Não devemos permitir que nossas liberdades causem tropeço. Vou lhes contar rapidamente uma história pessoal. É curta. O irmão Kong me repreendeu mais de uma vez. Quero que vocês saibam disso. Todas as vezes, foi útil.

    Fiz alguma coisa, e ele me chamou de lado e disse: “Os outros podem; você não pode”. Este capítulo se abriu para mim. Minha liberdade: eu havia usado minha liberdade para fazer algo que não era certo.

    Ele era um homem de pouquíssimas palavras. Olhou diretamente nos meus olhos e disse: “Kenny, os outros podem. Você não pode. Não use sua liberdade para fazer um irmão ou uma irmã tropeçar. Isso destruirá a obra de Deus”.

    Essas são as palavras fortes desta passagem. Precisamos andar em fé, porque sem fé é impossível agradar a Deus.

    Senhor, trazemos de volta a Ti estas palavras tão frequentemente mal compreendidas. Pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, Tu as tornes reais. Senhor, ajuda-nos a amar essa comunhão tanto quanto Tu a amaste, a ponto de dares Teu Filho unigênito.

    Senhor, ajuda-nos, enquanto caminhamos juntos nesta vida cristã prática, a viver para o Senhor. Ajuda-nos a não viver para nós mesmos. Ajuda-nos a ser aqueles que andam em amor.

    Senhor, queremos conhecer essa comunhão em unidade e em liberdade, sem causar tropeço. Perdoa-nos nas situações em que contribuímos para destruir a obra de Deus e faze de nós um povo que anda nos Teus caminhos.

    Pedimos isso no precioso nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.