Vamos orar antes de entrarmos na Sua Palavra.
Querido Pai celestial, precioso e todo-poderoso Senhor, obrigado, Senhor, por nos dares esta maravilhosa oportunidade de nos achegarmos ao trono da graça; e, Senhor, pela oportunidade que nos deste de nos reunirmos à mesa do Senhor, para nos lembrarmos de Ti e Te exaltarmos.
Senhor, agora que nos reuniste novamente em torno da Palavra, fala conosco do Teu trono. Estamos em diferentes faixas etárias, Senhor, tanto física quanto espiritualmente. Senhor, Tu conheces a necessidade de cada um. Senhor, pode ser algo simples, mas é extremamente necessário. Senhor, Tu tens os Teus pensamentos a nosso respeito. Conduze-nos. Abre os nossos ouvidos para ouvirmos a Tua voz; abre o nosso coração para acolhermos a Tua Palavra.
Senhor, coloco a mim mesmo e a todos sob a aspersão do sangue do Cordeiro. Em nome de Jesus, oramos.
Vamos abrir em Números 32. Já ouvimos muitas mensagens sobre esse capítulo. O Senhor tem a Sua maneira de nos lembrar das coisas repetidas vezes. Abram em Números 32. Vamos ler os primeiros cinco versículos e, depois, Números 32:12 e Números 32:16-18. Talvez seja melhor lermos uma passagem de cada vez.
E os filhos de Rúben e os filhos de Gade tinham muitíssimo gado;
e viram a terra de Jazer e a terra de Gileade, e eis que o lugar era lugar de gado.
Vieram, pois, os filhos de Gade e os filhos de Rúben e falaram a Moisés, e a Eleazar, o sacerdote, e aos príncipes da congregação, dizendo:
Atarote, e Dibom, e Jazer, e Ninra, e Hesbom, e Eleale, e Sebã, e Nebo, e Beom,
a terra que o Senhor feriu diante da congregação de Israel é terra de gado; e teus servos têm gado.
Disseram mais: Se achamos graça aos teus olhos, dê-se esta terra aos teus servos em possessão, e não nos faças passar o Jordão.
Exceto Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, e Josué, filho de Num;
porquanto perseveraram em seguir ao Senhor.
Então, se chegaram a ele e disseram: Edificaremos currais aqui para o nosso gado e cidades para as nossas crianças;
porém nós nos armaremos, apressando-nos diante dos filhos de Israel, até que os levemos ao seu lugar;
e ficarão as nossas crianças nas cidades fortes, por causa dos moradores da terra.
Não voltaremos para nossas casas até que os filhos de Israel estejam de posse, cada um, da sua herança.
Quando estava meditando nesta Palavra, procurei olhar para o que o texto diz, tentando entender este capítulo. Há muitas mensagens sobre ele, mas eu não queria recorrer às mensagens e lê-las, não é? Apenas li este capítulo repetidas vezes, tentando entender do que se tratava.
Mesmo quando Deus estava realizando coisas maravilhosas pelo Seu poder na vida dos israelitas, o Senhor ainda permitia que o Seu povo usasse a própria sabedoria e o próprio discernimento para fazer escolhas. Deus guia o mundo e a igreja, mas muitas vezes age por meio das decisões, do raciocínio e do compromisso do Seu povo.
O Senhor não força as pessoas a tomar posse daquilo que Ele dá. Mas o Senhor é um Deus sábio e também nos fez sábios. Muitas vezes, Ele age por meio das decisões, do raciocínio e do compromisso das pessoas. Então, eu estava olhando para este capítulo por esse ângulo: como o raciocínio, as decisões e o compromisso deles estão funcionando, e em que se apoiam — especialmente na vida da tribo de Rúben e na de Gade?
E isso também se aplica a nós como indivíduos, como famílias e como igreja. Temos de tomar decisões e temos o nosso próprio raciocínio e compromisso. Com base nisso, fazemos escolhas e seguimos em frente.
Se vocês também olharem para a história da igreja, não é de admirar que existam tantas denominações ao redor do mundo. Certamente, o Senhor não criou tantas denominações. Foi a sabedoria e o discernimento das pessoas, que Deus lhes permitiu exercer, que as levaram nessa direção.
Então, eu estava pensando e examinando a mim mesmo. Posso dizer isso a meu respeito. De certa forma, isso me estimulou a perguntar: as decisões e as ações nos conduzem à plenitude do Senhor? Eu estava me questionando. E também: elas refletem o caráter e a imagem de Cristo? É isso que o Senhor deseja? As decisões que tomamos como indivíduos, como famílias e como igreja estão de acordo com a Palavra de Deus?
Não quero olhar apenas para o que se deve ou não fazer, mas quero examinar essas pessoas: como agiram, como suas habilidades de análise, sua tomada de decisões ou seu raciocínio funcionavam em torno daquilo que desejavam.
Sabem, embora nós, como crentes, estejamos servindo ao Senhor, pregando a Palavra de Deus e, muitas vezes, realizando diversos ministérios, ainda podemos nos desviar do Senhor por causa das decisões que tomamos. Elas são impulsionadas por um dom que temos: os nossos desejos.
E essa é uma das maiores coisas que o ser humano possui. Se não há desejo, não há sentido em viver, sabem? Portanto, o desejo também é um dom do Senhor, e é o desejo que impulsiona o interesse pessoal. Nós nos levantamos nesta manhã e escolhemos ir à presença do Senhor. Isso é um resultado desse desejo.
Mas, quando tomamos decisões e fazemos escolhas à luz dos nossos próprios desejos, é muito provável que façamos escolhas erradas. Não estou dizendo que fazemos escolhas erradas todas as vezes, mas muitas vezes podemos fazê-las.
É por isso que temos Provérbios 3:5. Todos nós conhecemos:
Confia no Senhor de todo o teu coração;
e não te estribes no teu próprio entendimento.
Na verdade, essa é uma advertência contra a confiança excessiva no conhecimento pessoal, no raciocínio e na sabedoria do mundo. Certo? Portanto, há uma advertência aqui.
Porque vocês têm esses dons — têm conhecimento pessoal, têm boas habilidades de raciocínio, têm sabedoria do mundo —, mas o Senhor está advertindo contra a confiança excessiva nessas coisas.
Há uma razão para Provérbios 3:7 dizer:
Não sejas sábio a teus próprios olhos.
O mundo ensina exatamente o contrário, não é? Portanto, essas são advertências. O Senhor está nos preparando. Vejam, há uma razão para o Senhor ser o Cabeça da nossa vida pessoal e da vida da igreja.
Muitas vezes, como crentes, mantemos Cristo como o Cabeça da igreja, mas, na nossa vida pessoal, ficamos trocando de cabeça. Às vezes, mantemos o Senhor como o Cabeça; outras vezes, colocamos o nosso desejo como cabeça.
Neste capítulo, se olharmos para a vida dos israelitas, o desejo do Senhor, em Deuteronômio 6:1-3, é que eles atravessem. Deuteronômio 6:1 diz — estou lendo apenas uma parte:
Que mandou o Senhor, vosso Deus, para se vos ensinar,
para que os fizésseis na terra a que passais a possuir.
Portanto, a obediência não consiste apenas em seguir os mandamentos, mas também em perceber para onde o Senhor os está conduzindo. E, em Deuteronômio 6:3, Ele diz novamente a mesma coisa, na parte do meio:
Como te disse o Senhor, Deus de teus pais,
na terra que mana leite e mel.
Portanto, o Senhor era muito firme — firme quanto a essa terra para esse povo —, porque havia uma possessão para eles. O Senhor havia prometido isso a Abraão. O Senhor quer que tomemos posse daquilo que Ele preparou para nós.
Às vezes, isso pode não ser visível para nós. Às vezes, não temos muito entendimento a respeito. Não importa. Mas, Senhor, aquilo que Tu preparaste para nós, Tu queres que tomemos posse disso.
A intenção do Senhor era que aquele fosse um lugar onde eles vivessem sob as bênçãos da aliança de Deus, e também tivessem uma vida de comunhão com Deus e de cidadania no Seu reino. Porque o Senhor Deus sempre quis fazer deles uma nação de sacerdotes.
Ele não quer formar apenas uma nação, mas uma nação de sacerdotes, e não quer deixar de fora nenhum de nós. É o mesmo para cada um de nós. Ele quer formar uma nação de sacerdotes, porque o Senhor quer que esse povo desfrute dessa comunhão e também da cidadania no Seu reino.
Da mesma forma, pela manhã, durante o nosso tempo de adoração, muitos irmãos oraram sobre como o Senhor nos atraiu para Si e sobre como o Senhor tinha comunhão com Adão. Esse era o pensamento do Senhor.
E essa terra não é apenas uma terra. Ela também é a promessa que Deus fez a Abraão e aos seus descendentes. Portanto, há coisas maiores envolvidas nessa terra.
Da mesma maneira, Deus tem desejado que o Seu povo entre na plenitude do Seu Filho. Creio que, na última conferência, ouvimos muitas mensagens sobre a possessão, sobre como ir e tomar posse dela.
Uma das coisas em que eu estava pensando era: como tomar posse disso, sabem? Tenho habilidades de raciocínio, habilidades de análise e a Palavra de Deus. Há uma frase que diz: “Tomar posse das promessas exige um coração comprometido em fazer a vontade de Deus.” Se você não está comprometido em fazer a vontade de Deus, não pode ir e tomar posse, ou receber, aquilo que Deus quer lhe dar.
O Senhor tem o mesmo desejo hoje para mim e para você: que entremos na plenitude do Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Ele não tem apenas um desejo, mas também nos selou com o Espírito Santo, que nos dirige para que o nosso andar, as nossas escolhas, avancem nessa direção — rumo à plenitude de Cristo.
Portanto, nesta passagem, em Números 32, há duas tribos. Nós as vemos aqui: Rúben e os filhos de Gade. Se olharmos para toda a história, se lermos o capítulo inteiro, o resumo é que eles querem viver em uma terra diferente daquela que o Senhor queria lhes dar.
Mas uma coisa que podemos ver é que eles queriam uma terra diferente e, ainda assim, estavam comprometidos com o sucesso da conquista. Não abandonaram os outros no meio do caminho. Isso significa que permaneceram com as outras nove tribos e meia até que a terra fosse repartida. Estiveram com elas para vencer na conquista, mas isso não é um elogio.
Essa é uma triste realidade. É uma triste realidade que eles queiram fazer tudo, mas não queiram permanecer na terra que o Senhor escolheu para eles. Entendem?
Há também outra maneira de olhar para isso: as duas tribos, embora não quisessem ir para o outro lado do Jordão, ainda tinham disposição para lutar, um compromisso de lutar. A única coisa que não queriam era aquilo que o Senhor havia escolhido. Essa é uma triste realidade.
Enquanto eu lia, o pensamento era mais ou menos este: “Deus, não achamos que essa terra que Tu escolheste para nós vai atender às nossas necessidades, não importa o que haja para nós do outro lado do rio Jordão”.
Então, eu estava pensando: como isso pode acontecer? Na realidade, eles rejeitaram o plano de Deus, mas ainda caminhavam com os filhos de Deus, ainda procuravam cumprir a vontade do Senhor na conquista da terra de Canaã. Quero dizer, como podem rejeitar e, ao mesmo tempo, cooperar para conquistar aquela terra?
Enquanto eu observava, duas coisas se destacaram. A primeira — que explica como essas tribos de Gade e Rúben seguiram em outra direção — é que elas tinham seu próprio interesse. Seu próprio interesse.
Se olharmos para Números 32:1, o texto diz:
O lugar era lugar de gado.
E Números 32:4 diz:
E teus servos têm gado.
E eles estão pedindo a Moisés que não os faça passar para o outro lado. A diferença é que o Senhor quer lhes dar a terra; eles querem terra para o gado, entendem? Não se importam, porque estão mais preocupados com os bens que o Senhor lhes deu.
Eu estava pensando: por que estão tão preocupados com o gado? O Senhor quer lhes dar proteção. O Senhor quer formá-los como uma nação de sacerdotes. O Senhor quer abençoá-los, mas eles não se importam. Estão procurando terra para o gado, mas o Senhor está preparando terra para o Seu povo. Entendem?
Há uma diferença muito simples. Nos dois casos, trata-se de terra. Eles vão morar nela de qualquer maneira, mas o desejo é diferente. O conceito é o mesmo — a terra —, mas o desejo é diferente. O Senhor quer que os Seus filhos tenham a terra, uma terra para o povo; mas Rúben e Gade têm outro pensamento: terra para o seu gado.
Esse gado, queridos irmãos e irmãs em Cristo, de certa forma representa tantas coisas que temos — os nossos bens.
Pode representar a nossa identidade terrena, não é? A identidade terrena, porque não somos diferentes deles quanto ao que temos neste mundo. A identidade terrena pode ser: “Eu, a mim, eu mesmo, meu ministério, minhas sugestões, meu jeito. É assim que as coisas devem acontecer”.
Isso não é errado, porque você é fortemente motivado pelos seus pensamentos, pelas suas experiências de vida e pelas suas habilidades. Não estou dizendo que isso seja errado. Mas o problema é que essas coisas não devem se colocar no caminho do Senhor; devem contribuir para a obra do Senhor.
Portanto, esse gado em nós representa a nós mesmos, aquilo que possuímos. Essa possessão pode ser qualquer coisa. Pode ser a nossa habilidade de falar. Pode ser a nossa formação. Pode ser o nosso conhecimento espiritual. Pode ser qualquer coisa.
Existe uma possibilidade muito real de o nosso próprio interesse se colocar no caminho do Senhor. Pode interferir de tal maneira que você acabe rejeitando o plano que o Senhor tem para você.
O gado aqui representa as bênçãos materiais e o interesse pessoal. Às vezes, as bênçãos de Deus podem se tornar uma distração, se nos levarem a priorizar o conforto em vez do propósito mais pleno de Deus.
Creio que muitas pessoas não fariam isso. Sei que muitas pessoas aqui realmente querem trabalhar para o Senhor. Queremos de fato sacrificar tantas coisas, mas, de alguma forma, não conseguimos deixar de lado os nossos próprios interesses. É por isso que não conseguimos ver um verdadeiro avivamento como aquele que os irmãos que trabalharam antes de nós puderam ver. Há pessoas aqui que o viram. É assim que o corpo de Cristo é formado.
E a segunda coisa, para todos nós como crentes, é que podemos nos preocupar mais em preservar aquilo que temos do que em buscar aquilo que Deus prometeu.
Ficamos tão ocupados cuidando das coisas, protegendo-as, que não conseguimos — como corpo de Cristo, como indivíduos, como família — buscar aquilo que Deus quer nos dar.
Em Números 32, eles estão fazendo esse pedido a Moisés. Em Números 32:5, pedem:
Disseram mais: Se achamos graça aos teus olhos,
dê-se esta terra aos teus servos em possessão.
Vejam a quem estão fazendo esse pedido. Estão pedindo a um homem que faria qualquer coisa para entrar naquela terra — o próprio Moisés.
Moisés teria feito qualquer coisa se Deus dissesse: “Moisés, faça isto, e Eu o levarei a Canaã”. Ele teria feito qualquer coisa para ir até lá. Mas é justamente a essa pessoa que eles dizem: “Olhe, nós não queremos ir para lá”.
Moisés talvez tenha pensado: “Que tipo de pensamento, que tipo de coração essas pessoas têm? Eu mesmo quero entrar naquela terra, mas essas pessoas estão se recusando a ir”.
Queridos irmãos e irmãs em Cristo, o interesse pessoal pode atrapalhar tanto que chega a impedir você de buscar aquilo que o Senhor preparou para você.
Isso me lembra de inúmeras histórias, sabem, sobre a cobiça dos olhos ou o nosso próprio interesse, como no caso de Ló e Abraão e das escolhas que fizeram. Mas quero me limitar a esses homens. Eles estão realmente pedindo; estão tentando achar graça aos olhos de Moisés para não precisarem atravessar. Tinham medo, porque tantas pessoas haviam morrido. Mas o interesse deles os havia cegado para tudo o que o Senhor queria lhes dar.
Sabem, ao buscar o próprio interesse, essas pessoas estão desprezando a entrada na plenitude de Deus. Querem trocar a herança que o Senhor preparou para elas por aquilo que seus olhos estão contemplando, por aquilo que seus olhos estão vendo.
E, às vezes, é assim que somos como indivíduos, como corpo de Cristo, como família. Afastamos aquilo que o Senhor quer nos dar, porque queremos ter alguma coisa, queremos ver alguma coisa, queremos que algo aconteça — na vida individual, na família ou na igreja.
Ao ver esse desejo deles, esse interesse próprio, fiquei surpreso com a maneira como o nosso próprio interesse nos faz trabalhar como se estivéssemos trabalhando para o Senhor. Você está trabalhando para o Senhor, mas os nossos próprios interesses nos levam até esse ponto. Parece que estamos trabalhando para o Senhor, e estamos, mas como deixamos escapar aquilo que o Senhor realmente quer que tenhamos!
Por isso, em Números 32:16, fiquei impressionado ao ver como essas duas tribos, Rúben e Gade, estão dispostas a rejeitar a herança que o Senhor preparou para elas a fim de garantir aquilo que mais as beneficiava.
Mas, se olharmos para o texto, Moisés disse algo assim: “Não. Por fazerem isso, seus pais que tinham mais de vinte e um anos morreram. Por que vocês estão repetindo a mesma coisa?”. Mas essa sabedoria do mundo, que o Senhor permitiu que exercessem, lhes deu uma solução alternativa. A solução alternativa foi: “Está bem, vocês não podem simplesmente parar aqui. Venham lutar por seus irmãos”.
Eu estava pensando: agora isso se parece com a obra de Deus, porque, como eu disse, eles realmente tinham um forte compromisso. Eram sinceros na luta. Nunca abandonaram seus irmãos. Mas tudo isso era porque queriam buscar os seus próprios interesses. Estão vendo?
Eles estão dispostos a morar ali. Números 32:16-17 diz:
Então, se chegaram a ele e disseram:
Edificaremos currais aqui para o nosso gado e cidades para as nossas crianças;
porém nós nos armaremos, apressando-nos diante dos filhos de Israel.
Estão dispostos a deixar suas esposas para trás para lutar a batalha do Senhor. Nem sequer sabem se, depois de irem para a guerra, voltarão ou não. Estão dispostos a deixar seus filhos e atravessar o Jordão para lutar por seus irmãos. E também se recusam a voltar para casa até que cada tribo tenha recebido a sua herança.
Eles estavam comprometidos com a causa de Deus, mas escolheram a própria herança. Não é? É algo tão sutil. Você está comprometido com a causa de Deus. Quer fazer isso, mas ainda quer escolher a sua herança, entendem?
É como se estivessem dispostos a sacrificar o conforto, a família, até a própria vida, mas não quisessem sacrificar o seu próprio interesse. Querem alcançá-lo a qualquer custo.
Se alguns irmãos tivessem visto isso, talvez os tivessem admirado muito: “Nossa, que grande trabalho estão fazendo! Estão servindo ao Senhor. Estão lutando por seus irmãos. Estão vindo para este lado do Jordão, deixando suas famílias, deixando seus filhos”.
Mas o problema é que a intenção deles não era cumprir o plano do Senhor, nem receber a herança do Senhor. A intenção era atender ao próprio interesse. Essa é uma triste realidade, querido irmão e querida irmã em Cristo.
Essa é uma triste realidade de hoje, uma triste realidade a meu respeito. Não quero apontar isso para ninguém. É uma realidade tão triste de uma igreja, porque querem fazer tudo, mas de acordo com o próprio interesse.
O interesse é uma força tão poderosa na vida humana, sabem? Outra palavra para interesse é motivação. Então, o que motiva você? Temos tantas coisas. Como indivíduos, como família, como igreja, o que nos motiva a vir aqui e nos reunir? O que nos motiva a servir a Deus?
Se um dos nossos interesses ou desejos não está sendo atendido, então já fomos embora. Ainda permanecemos aqui — não estou falando fisicamente —, mas era isso que eu estava observando na vida deles.
Então, eu estava pensando: é possível nos dedicarmos à obra de Deus para realizar o nosso desejo e, ainda assim, perdermos de vista o desejo de Deus para nós? É possível nos dedicarmos a fazer a obra de Deus para realizar o nosso desejo e, ainda assim, perdermos de vista o desejo de Deus para nós?
De que adianta? Conseguimos tudo e, um dia, ficamos diante do Senhor, face a face. Ele não pode dizer estas palavras:
Muito bem, Meu amado servo.
Essa é a condição dessas pessoas.
Quantas vezes fazemos o mesmo? Eu estava pensando, sabem, que, na nossa vida pessoal e na igreja, podemos negligenciar aquilo que o Senhor quer que possuamos enquanto buscamos aquilo que nós queremos possuir.
Desculpem-me por enumerar essas coisas, mas é para o nosso benefício, sabem? Pode ser reconhecimento. Pode ser satisfação. Pode ser liderança. Pode ser aplauso. Pode ser influência, ou pode ser também fortalecimento emocional.
Podemos buscar essas coisas terrenas de uma maneira piedosa e, ainda assim, perder de vista o verdadeiro desejo de Deus para nós.
É possível sermos sinceros nas nossas ações e, ainda assim, estarmos errados naquilo que buscamos?
A maior perda não é deixar de conseguir aquilo que queremos, mas deixar de tomar posse daquilo que Deus preparou para nós.
Eu estava pensando: todos nós conhecemos 1 Samuel 15:22, em que Samuel diz que, mais do que sacrificar, é importante obedecer à voz do Senhor, certo?
Portanto, na vida de Israel, a verdadeira voz do Senhor era: “Tomem posse da terra de Canaã”. A razão pela qual o Senhor se agradou de Calebe e Josué foi que eles tinham esse pensamento do Senhor: queriam tomar posse daquela terra.
O medo pode ter impedido as outras pessoas, ou algum outro interesse, seja o que for, mas é isso que o Senhor está procurando. Essas pessoas obedeceram a tudo o mais. Às orientações alternativas que Moisés havia dado: “Vocês devem ir com seus irmãos. Não os abandonem. Lutem na guerra. Não voltem até vencerem, até que as tribos tenham a sua herança”. Mas não querem obedecer quanto à coisa principal que o Senhor quer lhes dar.
Queridos irmãos e irmãs em Cristo, isso é muito importante em nossa vida — como indivíduos, como pessoas, como famílias na igreja. Você está realmente buscando aquilo que o Senhor quer lhe dar?
Muitos jovens precisam fazer tantas escolhas na vida. Vocês estão realmente buscando aquilo que o Senhor quer lhes dar ou estão buscando aquilo que vocês querem, em nome de Deus?
É uma estratégia tão sutil do inimigo. Eu também já fui jovem; agora estou mais velho e vou envelhecer ainda mais. Mas isso é muito importante. Você está realmente, como indivíduo, buscando aquilo que o Senhor quer lhe dar — em termos de espiritualidade, de um companheiro ou uma companheira para a vida, de amigos, seja o que for?
Se você não consegue buscar aquilo que o Senhor quer lhe dar nas coisas menores, como poderá buscar as coisas maiores que o Senhor quer dar? Como poderá caminhar com confiança: “Sim, Senhor, Tu querias isso. Quero seguir nessa direção”?
Há uma razão para as inúmeras advertências que a Palavra de Deus nos dá. Vejam, Satanás, o inimigo, é muito astuto.
Com todas as habilidades que você tem — as habilidades intelectuais, a noção de tempo, a capacidade de tomar decisões, a motivação —, ele usa todas essas coisas para que você faça tudo como se fosse o que o Senhor quer que você faça. Você busca aquilo que o Senhor quer dar, mas busca por interesse próprio. Entendem? Eu já fiz isso. Muitas pessoas já fizeram coisas assim.
Foi isso que me fez lembrar dessas pessoas. Quero dizer, que tipo de pessoas são essas? Não viram aquela terra. Só viram esta. Pelo menos, sabem, eu teria dito: “Deixem-me ir ver aquela terra também”. Na verdade, essa era a intenção do Senhor. Depois que chegassem lá, o Senhor poderia agir.
Porque o plano do Senhor era que eles estivessem seguros. O plano do Senhor era que estivessem ao redor do tabernáculo. O plano do Senhor era que estivessem juntos. Mas, depois, essas duas tribos e meia ficaram fora da terra prometida pelo Senhor.
Não sei por que a meia tribo se afastou. Talvez tenha sido uma decisão de Moisés para que pudessem manter a ligação entre si. Mas vimos como essas pessoas foram as primeiras a ser atacadas, já que se afastaram do Senhor.
É por isso que há tantas advertências sobre como, individualmente, precisamos buscar o Senhor. Provérbios 14:12 diz:
Há caminho que ao homem parece direito,
mas o fim dele são os caminhos da morte.
Essa é uma advertência: aquilo que nos parece benéfico pode não ser o propósito mais elevado de Deus. Entendem? Pode não ser o propósito mais elevado.
Da mesma forma, em Isaías 55:8-9:
Porque os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
nem os vossos caminhos, os Meus caminhos, diz o Senhor.
O plano de Deus muitas vezes é maior e melhor do que aquilo que escolhemos para nós mesmos.
E há uma grande palavra em Filipenses 2:21:
Porque todos buscam o que é seu,
e não o que é de Cristo Jesus.
Todos nós conhecemos estas palavras de 1 João 2:16-17:
A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida
não são do Pai.
Mas devemos fazer a vontade de Deus em obediência. O problema é que sabemos de todas essas coisas, mas não pensamos que o nosso desejo habitual possa ser uma cobiça do coração. Entendem? As coisas comuns sobre as quais fazemos escolhas podem envolver uma cobiça do coração.
Eu costumava pensar que entendia, sabem? A soberba da vida, eu entendo, mas há algo dentro de nós. Esse algo deseja alguma coisa. Todos têm um desejo.
Queridos irmãos e irmãs em Cristo, não sei que desejo vocês têm que os está impedindo de realmente servir ao Senhor da maneira como Ele quer que sirvam, e de realmente tomar posse daquilo que Ele quer lhes dar. Pode ser uma coisa muito pequena. Para o povo das tribos de Rúben e Gade, era o gado.
O gado também havia sido dado por Deus, certo? É algo tão simples: gado. Vocês estão negligenciando tudo o que o Senhor quer lhes dar porque viram um pouco de pasto verde para o gado.
Que pensamento insensato! Mas esse pensamento insensato acabou afastando-os da terra que o Senhor queria lhes dar. Portanto, não sabemos o que temos dentro de nós. Quero dizer, qual é o gado que está aí dentro? Algo muito simples, sabem?
Às vezes, é uma coisa muito simples: “Por que não desta maneira? Sinto que isto está certo”. Talvez essa seja a coisa simples que pode destruir uma pessoa, destruir uma família, destruir a unidade na igreja.
Então, eu estava observando tudo isso e fiquei realmente feliz ao ver Calebe e Josué. A Palavra de Deus dá este testemunho a respeito de Calebe e Josué em Números 32:12. Ela diz:
Porquanto perseveraram em seguir ao Senhor.
Até aquele momento, na verdade, não havia grandes guerras em que Josué tivesse lutado sozinho, porque Moisés ainda estava ali. Mas Deus já lhes havia dado esse reconhecimento: perseveraram em seguir ao Senhor.
O desejo deles é receber aquilo que o Senhor preparou para eles.
Seguir ao Senhor de todo o coração não é apenas — quero dizer, sabem, às vezes lemos muitos livros, lemos muito a Palavra de Deus. Isso é muito bom. Ao ler tantos livros, adquirimos muito conhecimento. Muito bom, porque isso nos ajudará a entender cada vez melhor a Palavra de Deus.
Mas, se não estamos buscando aquilo que o Senhor quer que busquemos, então perdemos o rumo. Todo esse conhecimento é como aquilo que as tribos de Rúben e Gade estavam usando para lutar, mas em favor do próprio desejo. Portanto, devemos ter muito cuidado com o que estamos buscando, com o que queremos e com o que o Senhor quer de nós.
É isso que Paulo diz em Filipenses 3:13-14:
Esquecendo-me das coisas que …
E avançando para as que …
Portanto, queridos irmãos e irmãs em Cristo…
Desejar tomar posse daquilo que o Senhor preparou é a prioridade na vida de uma pessoa. Quero dizer, precisamos fazer isso à maneira do Senhor. Mas simplesmente fazer toda a obra do Senhor, sem conseguir enxergar para onde Ele quer que vamos ou do que Ele quer que tomemos posse, pode realmente nos levar a trabalhar contra a vontade de Deus.
Não sei como será o dia do juízo para essas tribos. Se eu fizesse parte delas, também teria me comportado assim, porque, ainda hoje, às vezes me comporto como Rúben e Gade. Isso é algo que abre os nossos olhos.
Já ouvimos, sabemos, temos tantas coisas das quais tomar posse. Temos tantas coisas a alcançar. Há uma possessão para nós. Quero dizer, precisamos recebê-la. Queremos servir ao Senhor. Queremos realizar o ministério do Senhor. Queremos ensinar. Queremos crescer. Mas de que adianta? Sempre ouvimos que a imagem do Senhor Jesus Cristo não está plenamente formada e que não estamos conseguindo entrar na plenitude de Cristo.
O que está no meu coração hoje, o meu desejo hoje, aquilo que quero colocar diante de vocês é: o que está nos impedindo de entrar na plenitude de Cristo?
Às vezes, é também o excesso de ocupações. Um pastor estava dizendo em sua mensagem: “Eu sempre leio a Bíblia para falar a outra pessoa. Então, estou sempre lendo a Palavra de Deus porque preciso pregar. Essa é a única razão pela qual estou lendo. Enquanto leio, preparo anotações sobre o que deve ser ensinado aos outros”.
Mas a Palavra de Deus nos foi dada para que nós sejamos ensinados. Portanto, seja o que for que estejamos fazendo, quero apenas encorajar vocês a examinarem a si mesmos, para que não venhamos a cair.
No fim, não queremos ser como aquelas tribos, tão decepcionadas. Não queremos ouvir:
Não vos conheço, vós que praticais a iniquidade.
Queremos apenas ouvir:
Muito bem, amado servo. Seja bem-vindo.
[Palavras finais pouco claras.]
Querido Pai celestial, precioso e todo-poderoso Senhor, obrigado, Senhor, por nos dares esta oportunidade de nos reunirmos em torno desta Palavra. Senhor, Tu nos preparaste. Senhor, queremos entrar naquilo que Tu preparaste para nós, entrar nessa plenitude de Cristo.
Senhor, não queremos um lugar pela metade. Não queremos ficar brincando nas fronteiras. Queremos entrar na plenitude. Senhor, esta pode ser uma palavra simples, mas, Senhor, de que adianta sabermos tudo e perdermos aquilo que Tu queres nos dar?
Senhor, fala ao nosso coração individualmente, para que, Senhor, seja qual for o propósito para o qual Tu nos criaste nesta terra, seja qual for o propósito para o qual nos constituíste como indivíduos, como família, como igreja — Senhor, cumpre esse propósito por meio de nós, para que, Senhor, entremos na plenitude de Cristo.
Nós Te damos toda a glória e honra por este momento. Nós Te damos toda a glória no nome sobremodo exaltado do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.