Bom dia, irmãos e irmãs.
É realmente um grande privilégio nos lembrarmos juntos do nosso Senhor Jesus, virmos adorar ao redor da Sua mesa — Aquele que deu tudo de Si por nós, Aquele que estabeleceu tamanha aliança. É sobre isso que nos firmamos; é nisso que descansamos. Que alegria estarmos reunidos!
Como já foi dito, é algo que quase se repete vez após vez e, ainda assim, é tão real: este é o ponto alto. Este é o ponto alto deste tempo — não tanto uma mensagem. É nos reunirmos ao redor do nosso Senhor Jesus e adorarmos juntos.
Podemos fazer mais uma oração antes de lermos a Palavra de Deus e meditarmos?
Senhor, nós realmente Te agradecemos por tamanho privilégio. Ao virmos como aqueles que foram redimidos pela Tua graça, pelo Teu amor, Senhor, viemos para Te adorar, para Te reconhecer, para Te contemplar mais uma vez ao redor da mesa. Muito obrigado, querido Senhor.
E agora, ao voltarmos à Tua Palavra, cremos que Tu ainda tens algo a nos dizer. E a nossa oração, Senhor, ao considerarmos este assunto do Senhor da colheita e da Sua comissão, é que Tu possas ter, mesmo durante este tempo, uma colheita em nossos corações — aquela colheita que resulta de uma resposta à Palavra de Deus, que, por fim, cresce e produz fruto. Assegura essa colheita, Senhor, em nossos corações.
Faze com que a Tua Palavra seja proclamada pelo Teu Espírito Santo, Senhor. Somente Tu podes fazer isso. Oramos para que o faças para a Tua própria glória, para que os Teus propósitos sejam cumpridos e para que Tu sejas glorificado. Nós Te pedimos, Senhor, em Teu precioso nome. Amém.
Gostaria de ler a passagem que temos lido. Praticamente todos os que compartilharam leram Mateus 9, que é a primeira das nossas passagens principais desta conferência. E vamos começar em Mateus 9:35.
Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, proclamando o evangelho do reino e curando toda espécie de enfermidade.
Vendo as multidões, Ele teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desanimadas, como ovelhas sem pastor.
Então disse aos Seus discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Portanto, rogai ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a Sua seara”.
E, continuando em Mateus 10:1:
Jesus chamou os Seus doze discípulos e lhes deu autoridade sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade.
E espero que isso lhes soe familiar, porque a mesma expressão foi lida no resumo do Seu ministério em Mateus 9:35:
Curar toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade.
Mateus 10:5 — apenas a primeira metade:
A estes doze Jesus enviou, depois de lhes dar instruções.
E agora, se puderem abrir em Atos 2, começando em Atos 2:1:
Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar.
E, de repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
E apareceram-lhes línguas como de fogo, que se distribuíram e pousaram sobre cada um deles.
E todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
E uma última passagem para este momento inicial: Isaías 61. Vamos ler a partir de Isaías 61:1.
O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu para trazer boas-novas aos aflitos; Ele Me enviou para cuidar dos quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos e libertação aos prisioneiros; para proclamar o ano favorável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; para consolar todos os que choram.
Isaías 61:3:
Para conceder aos que choram em Sião, dando-lhes uma coroa em vez de cinzas, o óleo de alegria em vez de pranto, o manto de louvor em vez de um espírito desfalecido; para que sejam chamados carvalhos de justiça, plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado.
Assim, continuamos com o nosso tema: o Senhor da colheita e a Sua comissão. E, se vocês se lembram, se estavam aqui ontem de manhã, consideramos o que o nosso Senhor fez, em que consistia o Seu ministério e por que Ele o realizou. Mas deixamos praticamente de fora a comissão. Apenas tocamos nesse assunto aqui e ali. Nós o deixamos para hoje. Gostaríamos de concentrar o nosso tempo hoje na própria comissão.
Então, esta última passagem que lemos agora no início, Isaías 61 — vocês se lembrarão de que é a passagem que Jesus escolheu ler na sinagoga de Nazaré. E, segundo o relato de Lucas, esse é o ponto de partida do Seu ministério.
O nosso Senhor, vocês se lembram, vai à sinagoga em Nazaré, e Lhe entregam o rolo de Isaías. Ele o abre nessa passagem. Ele lê Isaías 61. Agora, a pergunta é: por que Ele leria essa passagem? A resposta deve ser bem simples. É o ponto inicial. Ele está escolhendo aquela passagem específica e, segundo Lucas, esse é o ponto de partida do Seu ministério.
Assim, nessa passagem vocês têm uma explicação, uma descrição daquilo em que esse ministério consistirá, de qual é a sua natureza essencial — o ministério que está começando naquele momento.
E vocês perceberão, ao lermos Isaías 61, os versículos que lemos, que o nosso Senhor, naturalmente, deixou de fora uma parte dessa passagem. Ele diz:
O Senhor Me enviou para proclamar o ano favorável do Senhor.
E “o dia da vingança” — Ele deixou essa parte de fora. Porque aquele dia, o dia da Sua primeira vinda, ainda não é o dia da vingança; é o ano favorável do Senhor. Portanto, Ele deixa de fora a parte da vingança. Isso é algo que virá na Sua segunda vinda. Sim, haverá isso. Mas, neste momento, ainda vivemos nesta era, o ano favorável do Senhor.
Mas, se essa passagem que Ele escolhe para iniciar o Seu ministério é uma descrição do caráter do Seu ministério, da natureza do Seu ministério, o que vocês encontram nela? Como resumiriam essa maravilhosa passagem de Isaías 61?
Creio que três coisas se tornam bastante evidentes. Vamos colocá-las numa frase. Vemos nesta passagem, Isaías 61, o Messias revestido do Espírito Santo e da Palavra de Deus para um ministério de cura e restauração.
Vocês entenderam? Acho que isso merece ser repetido. Vocês veem o Messias revestido do Espírito Santo e da Palavra de Deus para um ministério de cura e restauração.
E não quero apenas dizer isso a vocês. Talvez vocês devam olhar rapidamente para a passagem. Vejam que tudo começa assim:
O Espírito do Senhor está sobre Mim.
Aí está. É isso — o ponto de partida.
E então observem como há uma ênfase na Palavra de Deus na boca do Messias:
Porque o Senhor Me ungiu para trazer boas-novas.
Proclamação, certo?
Para proclamar liberdade aos cativos.
Isso está no final de Isaías 61:1. “Para proclamar”, em Isaías 61:2. Trazer boas-novas, proclamar, proclamar. O Espírito Santo e a Palavra de Deus são o que caracteriza esse ministério. Mas com que finalidade essas coisas Lhe são dadas?
Para cura e restauração. E toda a passagem está simplesmente repleta dessa ideia, de que, por meio disso, Ele trará cura. Assim, Ele trará boas-novas aos aflitos. Ele cuidará dos quebrantados de coração, proclamará liberdade aos cativos, libertação aos prisioneiros, proclamará o ano favorável do Senhor. Isaías 61:3 — tudo diz respeito à Sua cura e à Sua restauração. Essa é a natureza do ministério do nosso Senhor Jesus.
Agora, dissemos algo nesse sentido ontem; vocês devem se lembrar. Porque dissemos que Mateus 9:35, que é um resumo do Seu ministério, corresponde de muitas maneiras, de forma bastante notável e muito próxima, ao que lemos em Isaías 61. Na verdade, vocês têm pelo menos duas dessas coisas ali, mas a terceira está, de certa forma, implícita.
Então, vamos apenas nos lembrar de que, em Mateus 9:35, vocês veem Jesus percorrendo as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando — portanto, a Palavra de Deus. E então diz:
Curando toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade.
Com vistas à cura.
Mas vocês podem perguntar: “E quanto ao Espírito Santo? Ele foi deixado de fora?” Não, na verdade, não. Ele está, de certa forma, implícito no contexto mais amplo do livro de Mateus. Porque o nosso Senhor Jesus, em Mateus, pouco antes da Sua manifestação pública — o que acontece é que Ele passa pelas águas do Jordão. Vocês se lembram disso? Ele é batizado. E, naquele momento, o Espírito Santo vem sobre Ele.
Ele é ungido — Aquele que já havia nascido pelo Espírito Santo. Ele está sendo ungido para cumprir o Seu ministério. Assim, de certa maneira, vocês ainda têm os três elementos na passagem que estamos considerando, se levarem em conta o contexto mais amplo de Mateus. Naturalmente, tudo o que Ele faz nos Evangelhos é pelo Espírito Santo. E o resumo que estamos considerando em Mateus 9 enfatiza a Palavra de Deus — ensinar, pregar o reino — com vistas à cura, curando toda espécie de doença e enfermidade.
Agora, mencionamos ontem — vou apenas refrescar a memória de vocês —, e os nossos irmãos, creio que praticamente todos mencionaram isto: na passagem do final de Mateus 9, há três coisas depois do resumo que lemos em Mateus 9:35. Três coisas são enfatizadas ali.
Primeiro: a compaixão do Senhor Jesus. Não há registro de Jesus dizendo algo naquele momento. Mas, obviamente, quando aqueles discípulos olharam para o seu Mestre enquanto Ele olhava para a multidão, perceberam imediatamente alguma coisa. Não havia necessidade de palavras.
Eles viram a compaixão, algo que O comovia, como o nosso irmão compartilhou ontem — o mais íntimo do Seu ser sendo movido de compaixão por aquelas ovelhas perdidas. Essa é a primeira coisa que vocês veem: a Sua compaixão.
Mas, logo depois disso, em Mateus 9:37, vocês têm um chamado aos discípulos, porque Ele disse aos Seus discípulos, como lemos:
A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
E a implicação parece bastante clara. Enquanto o Senhor Jesus contempla com compaixão as ovelhas perdidas, a multidão, Ele convida os discípulos a enxergarem as coisas. Ele está vendo uma colheita — não apenas pessoas quebrantadas e sem esperança, mas uma colheita a ser recolhida. Um chamado para ver as coisas como Ele as vê. Essa é a segunda coisa na conclusão de Mateus 9.
A terceira coisa: um chamado para orar ao Senhor da colheita, para que envie trabalhadores para a Sua colheita.
E, como dissemos, essas coisas não são a própria comissão. Entretanto, são uma espécie de preparação e condição indispensáveis para a comissão que, de fato, é dada em Mateus 10, certo? E creio que o nosso irmão já compartilhou isso à tarde. Assim, em Mateus 10, vocês têm o que poderiam chamar de comissão propriamente dita.
Mas aqui está o que espero que fique gravado em nossos corações. Não vamos examinar Mateus 10 em detalhes. Vou apenas mostrar uma ou duas coisas. Mas gostaria de enfatizar o seguinte. Este é o encargo que trago no coração: quando Jesus chama os doze, Ele os comissiona com o mesmo ministério do Espírito, da Palavra e da cura que era o Seu próprio ministério.
Agora, vocês perceberam isso? Uma coisa é muito clara. A parte da cura está ali no texto. O final de Mateus 9:35 é idêntico àquilo que Ele está comissionando os discípulos a fazer. É quase a mesma coisa, palavra por palavra:
Curando toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade.
Essa é a comissão dada aos doze.
Agora, e quanto às outras duas coisas? Bem, vocês precisam percorrer Mateus 10 para ver que a ênfase está nessas mesmas coisas, que essa cura acontecerá por meio da Palavra de Deus, pelo Espírito Santo. Quero apenas indicar alguns versículos para tentar estabelecer essa correspondência.
Assim, em Mateus 10:7, por exemplo, o nosso Senhor diz:
E, indo, pregai, dizendo: “É chegado o reino dos céus”.
Ora, o Messias — não foi Ele ungido para anunciar boas-novas, para pregar o reino? Aí está.
Mateus 10:20:
Porque não sois vós que falais.
Mais uma vez, o falar da Palavra de Deus, uma parte dessa comissão que está sendo dada a esses doze. Mas o que diz em seguida?
Mas é o Espírito de vosso Pai que fala em vós.
Não é simplesmente falarem por si mesmos. Ah, se é isso que temos de fazer, que o Senhor nos ajude. Não há esperança. É pelo Espírito Santo.
Mateus 10:32, por exemplo:
Portanto, todo aquele que Me confessar diante dos homens—
A confissão, falar em nome Dele.
Também Eu o confessarei diante de Meu Pai que está nos céus.
Essa é a comissão, irmãos e irmãs. São as mesmas coisas que caracterizam o Seu ministério, agora sendo dadas à igreja.
Agora, precisamos nos lembrar de duas coisas nesse assunto, ao considerarmos muito brevemente Mateus 10. Primeiro: há algo representativo nesses doze.
Se quisermos ser um pouco rigorosos, vocês poderiam dizer: “Bem, essa foi uma comissão para aqueles doze”. E sabemos pelas Escrituras que os doze, os apóstolos, têm algo que é único no seu ministério. Assim, até mesmo Paulo, que não é um dos doze, mas certamente é apóstolo, diz que a igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas.
Portanto, há algo fundamental que veio por meio deles. Eles não são o fundamento. O fundamento é o Senhor Jesus, sem dúvida. Mas, por meio deles, esse fundamento foi apresentado. Temos a Palavra de Deus, o Novo Testamento, dada em grande parte por meio dos doze. Bem, há Paulo, naturalmente, mas por meio deles, por meio dos apóstolos.
Entretanto, é disto que gostaria de lembrá-los: ao mesmo tempo, nesses doze, vocês veem algo que é representativo e que inclui toda a igreja. Vocês se lembrarão de que, no Antigo Testamento, o povo de Israel consiste em doze tribos, certo?
Então, quando Jesus escolhe doze, é quase como se estivesse declarando: “Ah, aqui começa um novo povo, um novo Israel, o Israel de Deus”, como vocês leem no Novo Testamento, a expressão que Paulo usará. Há esse novo povo sendo estabelecido, e há algo representativo nos doze para todos nós.
Assim, nunca podemos dizer: “Está bem, a comissão era para eles”, certo? Embora, naturalmente, eu precise dizer que, se vocês lerem Mateus 10 com atenção, há ali elementos que são temporários, sem dúvida. Entretanto, a comissão, em seu sentido amplo, é para todos nós. Essa é a primeira coisa a ter em mente.
A segunda é esta: há um tom profético em Mateus 10. E o que quero dizer com isso? Basicamente, é o seguinte: muito do que lemos nos Evangelhos — não sei, suspeito que seja a maior parte — é algo que, de certa forma, é profético. Está aguardando o seu cumprimento em sua totalidade, plenamente, em outro dia, não naquele momento.
Está aguardando o dia de Pentecostes. E, naquele dia, todas as coisas que o Senhor está dizendo nos Evangelhos serão cumpridas. Elas se tornarão uma realidade pelo Espírito Santo. Portanto, tenham isso em mente.
Bem, vemos a comissão em Mateus 10. Sim, eles saem e fazem muitas coisas, mas ainda não receberam o Espírito Santo. Vocês sabem disso. Isso está aguardando o dia de Pentecostes em Atos 2. Assim, espero que tenham em mente que isso faz parte daquilo de que precisamos nos lembrar.
Entretanto, naquele dia, como gostaríamos de considerar nesta manhã, naquele dia de Pentecostes, vemos que o mesmo revestimento do Espírito Santo e da Palavra de Deus que caracterizou o ministério do nosso Senhor Jesus está sendo dado a toda a igreja, e isso é dado com vistas à cura.
É algo que, creio eu, se torna bastante claro ao considerarmos o que acontece no dia de Pentecostes. Então, vamos examinar isso por partes. Estou enfatizando esses três elementos, usando Isaías 61 e também o resumo do ministério do nosso Senhor Jesus: o Espírito Santo sendo dado, a Palavra de Deus, e isso com vistas à cura. É o ministério do Messias sendo dado à igreja. Como vemos isso sendo cumprido no dia de Pentecostes?
Bem, vamos começar pelo Espírito Santo. Vamos examinar isso por partes. É bastante evidente. Se vocês tiverem de resumir o que acontece naquele dia, creio que, obviamente, a primeira coisa que vemos com tanta clareza é que o Espírito Santo está sendo dado naquele dia.
Agora, o Espírito Santo, como sabemos, é o poder para que a comissão seja obedecida, seja cumprida. Não há dúvida quanto a isso. Está abundantemente claro na Palavra de Deus:
Mas recebereis poder, ao vir sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas.
Isso está no início de Atos, antes do dia de Pentecostes, quando o Senhor anuncia isso. Portanto, sem dúvida, o Espírito Santo será o poder para que a comissão seja cumprida.
Entretanto, irmãos e irmãs, há algo ainda mais importante do que isso. E não é porque o poder não seja importante; ele é essencial. Sem poder, nada acontecerá. Entretanto, há algo ainda mais essencial acontecendo no dia de Pentecostes, algo ainda mais fundamental: ao descer naquele dia, o Espírito Santo está efetuando a nossa união com Cristo.
Naquele dia, aqueles 120 indivíduos no cenáculo — pessoas fiéis, a melhor congregação, como alguém disse, certo? Os fiéis, os que permaneceram com o Senhor. Até mesmo os 500 que O viram ressurreto — não foi na ascensão —, mas, mesmo entre esses, onde estão os outros 380, vocês sabem? Não sabemos, mas eles não permaneceram ali. Não estavam presentes no dia de Pentecostes. Vocês têm apenas 120 ali: irmãos e irmãs fiéis. Eles são maravilhosos.
E, ainda assim, o que está acontecendo naquele dia é algo absolutamente fundamental. O Espírito Santo que está sendo dado unirá esses 120 indivíduos em um só corpo, o corpo de Cristo. Eles estão sendo unidos à Cabeça. A união com Cristo está sendo efetuada.
Eu diria que essa é a coisa mais fundamental que acontece no dia de Pentecostes. E, mais uma vez, não estou tentando colocar isso em oposição ao poder, de modo algum. Os dois são absolutamente necessários. Mas, quando chegamos ao que é mais fundamental — ah, sermos unidos ao Senhor Jesus! O que vocês acham que pode ser maior do que isso?
Vejam, mesmo se vocês pensarem na sua salvação, por mais maravilhosa que seja — está bem, ótimo. Vocês sabem, fui livrado de ir para o inferno. Posso passar a eternidade com Ele. Mas vocês verão que há algo muito, muito, muito, muito mais grandioso naquilo que o nosso Senhor Jesus fez, naquilo que acontece no coroamento da Sua obra consumada no dia de Pentecostes.
Não apenas que estamos sendo salvos, que a nossa salvação foi assegurada e que a Sua presença nos foi assegurada — isso, por si só, é inimaginável. É maravilhoso. Mas há algo muito mais grandioso do que isso.
Como cantamos: “Eu me pergunto o que Ele viu em mim”. Espero que vocês se perguntem isso. E, ainda assim, fomos unidos ao Filho por toda a eternidade. Isso começou aqui. Por toda a eternidade, um com Ele.
Irmãos e irmãs, quero voltar à comissão, porque creio que a conexão está justamente nessa direção. A comissão não é apenas termos recebido um mandamento do Senhor: “Saiam para alcançar outras pessoas”. Naturalmente, há uma ordem — isso está fora de questão. Mas há, mais uma vez, algo mais fundamental. A comissão é a sua própria identidade.
Por quê? Ela é uma consequência da sua união com o Senhor Jesus, porque essa era a missão Dele: ungido com o Espírito Santo, tendo recebido a Palavra de Deus para curar outros. Agora, ao serem unidos a Ele, a missão Dele se tornou a missão de vocês.
Irmãos e irmãs, creio que esse é o ponto de partida para enxergarmos a comissão. Se não for assim, haverá algo um tanto sem esperança e um tanto esmagador para todos nós. Porque, como todos percebemos quando nos colocamos diante da comissão e do que ela significa, todos sabemos que não estamos à altura.
Todos sabemos que não amamos o suficiente, que, em nós mesmos, não somos nada parecidos com o nosso Senhor Jesus em Sua compaixão, que somos, por natureza, quase o oposto. E, ainda assim, se agora vocês estão unidos a Ele, a missão Dele é a missão de vocês. Mas é mais do que isso. A vida Dele é a vida de vocês. A disposição Dele é a disposição de vocês. E a comissão, creio eu, só pode ser cumprida sobre essa base.
É por isso que, de certa maneira — espero que vocês entendam o que quero dizer —, em Mateus 10, vocês veem a comissão ali, mas em grande parte de modo profético. Ela nunca se tornaria uma realidade antes do dia de Pentecostes e antes de o Espírito Santo nos unir ao Senhor.
Aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele.
Essa é a maravilha daquele dia, irmãos e irmãs.
Permitam-me esclarecer apenas uma coisa. E espero que seja evidente, mas merece uma pequena ressalva e um esclarecimento. A missão Dele é a missão de vocês. Naturalmente, espero que entendam que não estou tentando dizer que cada coisa na missão Dele é nossa, porque é evidente que há coisas na Sua missão que são exclusivamente Dele.
A expiação na cruz — não temos participação nisso. É claro que não. A Sua redenção — não, Ele a realizou sozinho. A Sua expiação, a Sua morte vicária, a Sua morte substitutiva por nós — Ele fez isso sozinho.
Mas, quando se trata desse ministério caracterizado pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus, dados a nós para curar outros, sim, em nossa união com Ele, essa também é a nossa missão. Creio, irmãos e irmãs, que esse precisa ser o ponto de partida para este assunto da comissão que nos foi dada.
Quero também esclarecer, espero, algumas coisas. Primeiro: Pentecostes. Vocês sabem, Pentecostes é algo que, de certa maneira, sempre me causa dor no coração, porque, naturalmente, se vocês estão no Senhor há apenas alguns anos, sabem o quanto o povo de Deus pode estar dividido quanto ao significado de Pentecostes. E há todo tipo de entendimento por aí.
Realmente sinto que é como se o inimigo tivesse conquistado muito terreno nisso. Porque Pentecostes faz parte da obra consumada do Senhor Jesus; é o seu coroamento. Vocês nunca podem separar o Calvário de Pentecostes. Os dois caminham juntos. De certa maneira, o Calvário preparou o caminho para Pentecostes, e Pentecostes coroou a Sua obra consumada.
E então, se é assim, se a era em que vivemos é caracterizada pelo que aconteceu naquele dia, se o inimigo pode nos dividir com todo tipo de concepção e entendimento, se de alguma forma isso se afasta um pouco do fato fundamental que está acontecendo — ah, que perda!
Não é minha intenção aqui entrar numa espécie de debate teológico. Vou falar segundo a minha consciência. Vou abrir o meu coração a vocês, e não faço isso de maneira dogmática. Faço isso com convicção. Mas definitivamente não faço isso para me opor a ninguém. Essa não é a minha intenção.
Mas gostaria de dizer o seguinte: o dia de Pentecostes, em seu significado básico, não é, em primeiro lugar, uma experiência, algo que vocês tenham de experimentar de alguma maneira um dia. Naturalmente, vocês poderiam dizer que há um elemento de experiência nisso, sem dúvida. Mas há algo mais fundamental aqui.
Porque, se o dia de Pentecostes é o coroamento da obra consumada do Senhor Jesus, isso significa que aquilo que aconteceu naquele dia aconteceu de uma vez por todas. E entramos, pela fé, no benefício daquilo que aconteceu de uma vez por todas.
Deixem-me dar apenas um exemplo simples. É assim: suponham que vocês estejam pregando o evangelho a um amigo, e ele ou ela não esteja entendendo muito bem: “Está bem, o que precisa acontecer?” Vocês alguma vez diriam a esse amigo, ao pregar o evangelho: “Bem, a questão é esta: Jesus precisa morrer por você. E, quando Ele morrer por você, sim, então você será salvo”?
É quase ridículo dizer algo assim, certo? Porque vocês sabem aonde quero chegar. A morte do Senhor Jesus é um acontecimento único e definitivo. E o que vocês diriam ao amigo é: “Escute, Ele já morreu por você. Ele já assegurou a sua salvação. Se você crer Nele, entra no benefício dessa salvação. Ela é sua, somente pela fé. Mas isso já aconteceu”.
Irmãos e irmãs, o dia de Pentecostes não é diferente em seu significado básico e fundamental: um acontecimento único e definitivo, quando o Espírito Santo foi dado. E entramos no dia em que vivemos, na era, na nova aliança caracterizada pelo Espírito de vida que nos foi dado.
Agora, apenas como exemplo do Antigo Testamento: eu já disse que o Calvário e Pentecostes não podem ser separados. No Antigo Testamento, vocês encontrarão vários episódios em que um sacrifício foi oferecido. Consigo me lembrar de pelo menos três; talvez haja mais.
E, quando o sacrifício é oferecido sobre o altar, vem fogo do céu, como que dizendo: “Eu aceito isto. Estou satisfeito com isto”, e consome o sacrifício sobre o altar. Sacrifício sobre o altar; fogo do céu.
Um fala do Calvário, do nosso Senhor Jesus oferecendo a Si mesmo por nós de uma vez por todas. O fogo do céu fala de Pentecostes, do Espírito Santo sendo dado. Mas eles não podem ser separados. Essa é a figura que vocês encontram, até mesmo em forma de tipo, no Antigo Testamento.
O sacrifício e o fogo que virá do céu, juntos. De certa forma, isso é o Calvário e Pentecostes, parte da mesma obra consumada que o nosso Senhor Jesus realizou ao morrer na cruz, ressuscitar, ser exaltado e ser ungido no dia de Pentecostes, aliás. Mas estou me adiantando.
Deixem-me tentar esclarecer um segundo ponto aqui. Não estou querendo sugerir nem por um segundo, ao compartilharmos e considerarmos este assunto, que, no que diz respeito ao Espírito Santo, não existam experiências posteriores com o Espírito Santo em nossa vida cristã. Não estou tentando dizer isso de modo algum.
Pelo contrário, creio que é bastante claro ver isso na Palavra de Deus. Vemos que, sim, há um ser cheio continuamente do Espírito Santo, algo que aponta para uma experiência crescente dessa realidade. Mas, quando se trata da entrada nessa realidade, há um acontecimento único e definitivo.
Para mim, uma maneira muito útil de pensar sobre esse assunto — e vou deixá-la com vocês — é a questão da terra de Canaã, por exemplo, outro tipo do Antigo Testamento. Aqui vocês têm o Senhor dando a terra aos patriarcas, primeiro por juramento: a Abraão; Ele repete isso a Isaque, a Jacó. “Ela é de vocês.” É como se a escritura da propriedade estivesse sendo entregue, certo?
E então, sob Josué, o povo de Israel entra na terra e começa a tomar posse dela. Mas, ao lerem o livro de Josué, há aquela frase que aparece pelo menos uma vez — acho que é mais de uma —: eles estavam tomando posse da terra, e Josué diz ao povo: “Ainda há muita terra a ser possuída”.
Agora, pensem nisso. Para mim, essa é uma boa ilustração dessa questão do Espírito Santo. Porque o Espírito Santo nos foi dado. Aqui está: uma Pessoa divina habitando em vocês. Se Ele é divino, há algo, quase por definição, que é inesgotável. Vocês acham que vamos esgotar isso?
Sim, nós O recebemos, graças ao Senhor. Mas há algo no Espírito Santo, naturalmente, como Pessoa divina, que é inesgotável, e Ele nos conduzirá a mais, e mais, e mais de Cristo. Há sempre mais a ser possuído, a ser experimentado.
Entretanto, o que estou tentando enfatizar aqui é que o ponto de partida é este: quando fomos salvos pela graça de Deus, mediante a fé na obra consumada do Senhor Jesus, entramos nessa realidade. Ela é sua. Pertence a você.
E, nisso, a comissão é dada — o mesmo ministério que caracterizou o nosso Senhor Jesus, agora nosso pelo Espírito Santo.
Quero ler dois versículos com vocês que, espero, esclareçam esse ponto sobre a entrada nessa realidade. Como vocês entram? Ou como o Espírito Santo passa a ser de vocês? Se estiverem lendo João 7, uma passagem muito conhecida, começando em João 7:37, lemos:
No último dia, o grande dia da festa, Jesus Se levantou e clamou, dizendo: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba”.
Agora, prestem atenção. João 7:38-39:
“Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”
Mas isso Ele disse a respeito do Espírito, que haviam de receber os que Nele cressem; pois o Espírito ainda não havia sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado.
Vocês veem a condição que o próprio Senhor Jesus estabelece para que o Espírito seja dado:
Quem crê em Mim, do seu interior fluirão rios de água viva.
Fé no Senhor Jesus. E a explicação de João é: ah, Ele estava falando do Espírito Santo, que ainda não havia sido dado. Isso aconteceu no dia de Pentecostes, quando Jesus foi glorificado — algo que aconteceu de uma vez por todas.
Creio que Paulo concorda com isso. Em Efésios 1:13, ele nos diz:
Nele, também vós, depois de ouvirdes a mensagem da verdade, o evangelho da vossa salvação — tendo também crido, fostes selados Nele com o Espírito Santo da promessa.
Vocês veem a condição para serem selados com o Espírito Santo? Ter crido Nele. Vocês ouviram a mensagem da verdade, o evangelho da sua salvação, creram Nele — pronto, Ele é de vocês.
Irmãos e irmãs, creio que isso é fundamental, porque é algo com que começamos, mas é para toda a nossa vida cristã. Essa é a vida cristã, poderíamos dizer: é o Espírito Santo em vocês. E, aliás, Ele é o único que pode nos capacitar a ser como o Senhor Jesus.
Creio que percebemos isso ao vermos a imensidão do que está diante de nós, se realmente considerarmos a comissão com seriedade. Acho que imediatamente percebemos que há algo aqui que é — nossa! Está além da capacidade humana cumprir essa comissão. Quem ama com esse amor? Quem tem compaixão como o Senhor Jesus tem? Está totalmente além de nós.
E, ainda assim, aqui está a boa notícia, irmão: o Espírito Santo nos foi dado. Vocês sabem, Ele está à frente disso. Entre as muitas coisas que Ele está fazendo, Ele é o responsável pela obra de conformar você e eu à imagem de Cristo.
Vocês se lembram de 2 Coríntios 3:
Todos nós, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória nessa mesma imagem, como pelo Senhor, o Espírito.
É isso que o Espírito está fazendo em nossa vida. Ao contemplarmos o Senhor Jesus, Ele nos conforma a essa imagem.
Irmãos e irmãs, não sei quanto a vocês — isso me dá uma esperança tremenda. Essa é a única esperança que tenho. Porque, à parte dessa obra do Espírito Santo, quem pode ser como Cristo? Quem pode ter a Sua compaixão? Quem pode cumprir a comissão?
Ah, o Espírito Santo nos foi dado, responsável por essa obra de nos tornar semelhantes a Ele. Essa é a nossa esperança, irmãos e irmãs. Se alguma vez tentarmos fazer disso uma questão de mandamento — nossa, acho que estamos caminhando para o naufrágio. Uma questão de: “Está bem, sei qual é a comissão. Vou tentar fazer o meu melhor”. Ah, não.
É algo que caracterizou o Messias e que foi dado a vocês em união com Ele, pelo Espírito Santo. E Ele trabalhará na vida de vocês para torná-los semelhantes a Ele. É assim que a comissão pode ser cumprida.
Muito bem. Acho que estou me demorando bastante e preciso ficar atento a isso. Sim, o nosso tempo está quase acabando. E há outros dois pontos que ainda não abordamos, porque estou tentando gravar em vocês que o que caracterizou o ministério do Messias é o Espírito Santo e a Palavra de Deus com vistas à cura. Acabei de falar sobre o Espírito Santo.
Mas escutem, a Palavra de Deus é outra coisa, e também é algo que vocês veem no dia de Pentecostes. É algo que, de certa forma, está sendo dado à igreja. Creio que isso é muito claro. Vamos novamente a Atos 2.
E deixem-me ler outra vez. Naturalmente, Atos 2:2 é quando o Espírito Santo está vindo. Isso é descrito como:
Um som como de um vento impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam sentados.
E então Atos 2:3 diz:
E apareceram-lhes línguas como de fogo, que se distribuíram e pousaram sobre cada um deles.
E ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
Agora, mais uma vez, vocês estão percebendo que hoje decidi entrar em águas delicadas, certo? Porque aqui está: vocês têm as línguas de fogo sendo dadas no dia de Pentecostes. Como vão interpretar isso?
Sei que talvez — não sei se a maioria, mas um número significativo de queridos irmãos e irmãs creia: “Bem, este é o dom carismático que vemos acontecendo, por exemplo, em 1 Coríntios 14. Aqui temos um dom carismático sendo dado à igreja”.
Agora, escutem. Deixem-me começar por isto: eu não sou cessacionista, está bem? Não, creio que todas essas coisas continuam acontecendo. Entretanto, precisamos ser fiéis ao que a Palavra de Deus está dizendo, e precisamos chegar ao fundo da questão.
Portanto, não estou tentando diminuir nenhum dom carismático; esse não é o meu propósito. Mas a pergunta é: isso é o que realmente está acontecendo neste dia de Pentecostes? E vou apenas lembrá-los de uma coisa.
Uma dificuldade que eu teria, se vocês tentassem me dizer: “Não, este é o dom carismático sobre o qual lemos em 1 Coríntios 14” — ali Paulo diz, se vocês se lembram, que aquele que fala em uma língua está orando a Deus em seu espírito, e ninguém entende o que ele está dizendo, a menos que seja dado o dom de interpretação. Vocês devem se lembrar disso.
E não é exatamente isso que vemos acontecer no dia de Pentecostes. No dia de Pentecostes, eles começam a falar nas línguas dos vários países de onde vinham os judeus da dispersão, que haviam chegado para a Festa de Pentecostes. E começaram a falar nas línguas daqueles respectivos países, e todos podiam entender o que estavam dizendo.
Portanto, não há dúvida: um milagre tremendo está acontecendo aqui. Mas não creio que o milagre seja exatamente da mesma natureza daquele sobre o qual vocês leem em 1 Coríntios 14.
Parece, de certa maneira, que no dia de Pentecostes está acontecendo aqui a reversão do que ocorreu na Torre de Babel. Porque vocês se lembram do que acontece ali na Torre de Babel. Se lerem Gênesis 10 e Gênesis 11, precisam ler ambos.
Em Gênesis 10, vocês têm o primeiro grande imperador, o primeiro sujeito, o sujeito que fundou Babilônia, ou Babel: um certo Ninrode, um poderoso caçador, um rebelde. E esse primeiro grande construtor de impérios, em desafio ao Senhor, reúne todo tipo de gente ao seu redor, e eles decidem construir uma Torre de Babel. E o resultado disso é que, no fim, as línguas são confundidas, e ninguém consegue entender o que os outros estão dizendo.
Agora, pensem no dia de Pentecostes. No dia de Pentecostes, como o nosso irmão compartilhou ontem usando o Salmo 133, creio que a figura ali é o Sumo Sacerdote, o Arão celestial, sendo ungido. Ele está recebendo essas coisas. É isso que Pedro dirá no dia de Pentecostes. O próprio Jesus, como Rei, recebeu isto que vocês estão vendo. Ele está sendo ungido no céu.
E essa unção está descendo da Cabeça no céu até as bordas das Suas vestes, ungindo todo o corpo. O mesmo Espírito Santo que caracteriza o Messias agora caracteriza todo o corpo. Todos, todo o corpo, sob — não um rebelde —, sob o Senhor, sob o legítimo Senhor Jesus. E, como resultado, eles falam em outras línguas; todos entendem. Há algo singular acontecendo.
Creio, irmãos e irmãs, que as línguas de fogo que aparecem aqui — será que poderiam falar da Palavra de Deus, da expressão profética dada à igreja, começando naquele dia de Pentecostes? Lembrem-se: o mesmo ministério que caracterizou o Messias — Espírito Santo e Palavra de Deus.
E quanto à parte da cura? Onde vocês a veem? Bem, vocês não diriam que, quando 3.000 pessoas estão sendo salvas, há uma tremenda manifestação, uma demonstração do resultado? Por que o Espírito Santo está sendo dado? Por que a Palavra de Deus está sendo dada? Por que eles podem falar das grandezas de Deus, e as pessoas podem entender? Qual é o resultado? Três mil pessoas sendo salvas.
Creio que isso tem a ver com cura. E talvez vocês digam: “Está bem, isso é forçar um pouco a interpretação, não é? Parece que eles foram salvos. Muito bem. Entendo isso. Consigo ver isso. Mas e quanto à parte da cura?”
Acho que precisamos ler apenas dois versículos para estabelecer algo. Se vocês forem à história que, mais uma vez, o nosso irmão estava usando ontem à noite, em Mateus 9, quando o nosso Senhor Jesus cura aquela mulher que tinha um fluxo de sangue, em Mateus 9:22 diz:
Mas Jesus, voltando-Se e vendo-a, disse: “Filha, tem bom ânimo; a tua fé te curou”.
E, naquele instante, a mulher ficou curada.
A palavra no original é sōzō. Não tenho ideia se essa é a pronúncia correta. E a palavra em grego significa salvação. É daí que vem “soteriologia”, vocês sabem, para aqueles que estudam alguma coisa de teologia. É salvação. Assim, o Senhor está dizendo à mulher, literalmente:
A tua fé te salvou.
Mas ela está sendo curada.
Agora, deixem-me mostrar o outro lado disso. Outra passagem, outra mulher — que não está sendo curada fisicamente aqui, o que considero bastante importante. Lucas 7, aquela mulher, a pecadora que foi a Jesus na casa de um fariseu, Simão.
E aquela mulher está banhando os pés do Senhor com as suas lágrimas, em adoração, em ação de graças, em gratidão. E Simão, todo crítico: “Ah, se este Homem fosse profeta, saberia quem é esta que O está tocando”. E vocês se lembram de que o nosso Senhor Jesus, sem entrarmos nos detalhes da história, diz que ela amou muito e foi muito perdoada.
E isto é o que o Senhor diz na conclusão da história, Lucas 7:50:
E Ele disse à mulher: “A tua fé te curou”, ou “te salvou”.
Exatamente a mesma palavra usada na cura da outra mulher. Havia alguma cura física acontecendo com essa mulher? De modo algum. Mas vocês entendem o ponto.
Que cura é essa de que estamos falando, irmãos e irmãs? Qual é a cura que o Messias veio realizar? Ele a realizou pelo Seu Espírito Santo, pela Palavra. Ele ainda a realiza. O que é isso? Ah, é uma cura que vai muito além do físico.
E, mais uma vez, não sou cessacionista. De modo algum. Ainda creio que Ele faz isso. Ele pode curar vocês. É claro que pode. Fisicamente, sim. Mas o que é isso em comparação com a cura da sua alma, da minha alma? Essa é eterna. Qualquer outro benefício, se for físico, é apenas temporário.
A cura, irmãos e irmãs, é aquela salvação que Ele veio realizar em todas as esferas. A nossa salvação da condenação eterna — vocês poderiam chamar isso de salvação do seu espírito. A salvação que Ele realiza em nossas almas, Ele ainda está realizando, não está?
Vocês creem Nele? Está bem, estão salvos, sim. Mas Ele está salvando vocês hoje, não está? Ele está transformando vocês. Ele está libertando vocês de toda aquela bagagem que ainda carregamos. Ele está curando vocês.
Agora, há uma coisa que eu gostaria de destacar — está bem, vamos ser ousados. Vamos ver se isso funciona. Mas quero mostrar a vocês: há uma quantidade enorme de passagens na Palavra de Deus que testemunham acerca da própria Palavra de Deus como o meio para essa cura da nossa alma.
Deixem-me repetir: um número tremendo de versículos nas Escrituras mostra que a Palavra de Deus é esse meio para a salvação, para a restauração da nossa alma. Vou dar apenas alguns exemplos. Vocês nem precisam procurar; são muito conhecidos, certo? Então, aqui estão.
Salmos 19:7 — como isso é familiar!
A lei do Senhor é perfeita, restaura a alma.
É isso que a Palavra de Deus faz. Ela nos acusa. Ela nos transforma. Ela nos liberta de nós mesmos. É cura.
Salmos 107:20:
Ele enviou a Sua Palavra e os curou.
Mais uma vez, é isso que a Palavra do Senhor faz. É por isso que o Messias foi revestido do Espírito Santo e da Palavra de Deus com vistas à cura.
Mais um: Efésios 5:26.
Para que Ele a santificasse—
A igreja; o nosso Senhor Jesus santifica a igreja.
Tendo-a purificado pela lavagem de água com a Palavra.
Mais uma vez, alguns de vocês talvez estejam franzindo a testa: “Espere. Não vejo nenhuma cura aqui. É o Senhor Jesus santificando a igreja por meio da Palavra”. Sim, isso é verdade. Mas lembrem-se: acho que alguém disse certa vez — e isto, para mim, é maravilhoso — que a santidade é para a nossa alma o que a saúde é para o nosso corpo. Entenderam?
É isso que a Palavra do Senhor está fazendo em nós. Quando Ele santifica vocês, quando os separa de tudo o mais para Si, essa santidade que Ele está realizando é para a sua alma o que a saúde é para o seu corpo. É aquilo que vocês deveriam ser. É o verdadeiro eu de vocês finalmente vindo à tona. Como isso acontece, irmãos e irmãs? Por meio da Palavra de Deus.
Bem, no dia de Pentecostes, essa Palavra de Deus está sendo dada. Naturalmente, temos a Palavra de Deus escrita. Mas, no dia de Pentecostes, há algo que tem a ver com a própria comissão. Há uma capacidade dada à igreja para proferir essa Palavra de Deus com vistas à cura.
E, quando vocês veem 3.000 pessoas sendo salvas, sim, há uma cura acontecendo — a cura mais fundamental, que é a nossa salvação inicial. O ministério do Senhor Jesus, que Ele exerceu em Seu corpo físico, agora está sendo continuado em Seu corpo místico, a igreja. E essa é a comissão, irmãos e irmãs.
Quero apenas — vamos ver. Vamos selecionar, certo? Vamos ser seletivos aqui. Sim, acho que devemos dizer alguma coisa, porque não abordei nenhuma das outras duas passagens. E quero apenas mencionar algo muito rapidamente sobre a segunda das nossas passagens temáticas, que é 2 Timóteo 4, certo?
Então, se vocês forem até lá, verão que diz, em 2 Timóteo 4:1-2:
Eu te encarrego solenemente, na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, e pela Sua manifestação e pelo Seu reino:
Prega a Palavra; está pronto a tempo e fora de tempo; repreende, censura, exorta, com toda a paciência e instrução.
Agora, é interessante, porque, no nosso pequeno folheto, os versículos estão na versão New King James. Eu li na New American Standard. E há uma palavra que não está aqui, de que gosto muito, que está na New King James. Ela diz:
Eu te encarrego solenemente, portanto.
Agora, há algo muito técnico nisso. Tem a ver com os manuscritos que, vocês sabem, as traduções utilizaram. Os manuscritos mais antigos aparentemente não têm essa palavra ali, e a New American Standard os utiliza. Mas os manuscritos mais recentes, que a King James utilizou — aqueles que estavam disponíveis na época —, e a New King James utiliza os mesmos, tinham essa palavra ali.
Agora, o meu ponto é este: isso é muito técnico, certo? Mas, mesmo que não haja um “portanto” no texto, logicamente, com certeza, há um “portanto”. Assim, gosto muito do que a New King James fez: “Portanto, eu te encarrego solenemente”. Não sei se o “portanto” estava ali, mas ele está ali.
Por que o “portanto” está ali? Vocês se lembram do que Paulo estava falando no final de 2 Timóteo 3? Ah, é a Palavra de Deus. É que toda a Escritura é inspirada e dada. E, de certa maneira, a comissão que ele está dando a Timóteo está absolutamente relacionada a isso, porque essa Palavra de Deus nos foi confiada.
E essa Palavra de Deus faz o que faz. Vocês se lembram do que ele diz? Ela pode capacitar cada pessoa para toda boa obra. Irmãos e irmãs, se eu pudesse enfatizar isso — não consigo enfatizá-lo como merece. Mas deixem-me apenas lembrá-los: a Palavra de Deus é a chave, não apenas para alguém que está numa plataforma falando aos outros. A Palavra de Deus é a chave para toda boa obra.
Ah, como precisamos da Palavra de Deus, irmãos e irmãs! Quando tiveram de escolher sete para servir às mesas, vocês se lembram de quais eram os critérios? Que fossem garçons habilidosos ou algo assim? Não, não. Era que fossem homens cheios do Espírito Santo. É algo espiritual, e a Palavra de Deus nos capacitará para isso.
E então Paulo diz: “Portanto, eu te encarrego”, e toda a comissão que se segue tem a ver com a Palavra de Deus.
Agora, eu disse que não podemos entrar nisso em detalhes, mas posso indicar alguns pontos a vocês. É muito interessante, porque o alcance da comissão também é muito claro aqui. Vocês veem que o alcance dessa comissão não é apenas alcançar os perdidos.
Na verdade, eu diria que, nessa passagem, isso está presente, porque diz em 2 Timóteo 4:5 que vocês devem:
Fazer a obra de um evangelista.
Ah, isso definitivamente é alcançar os perdidos. Mas o restante, os versículos que estamos lendo, estritamente falando, tem a ver com a Palavra de Deus sendo ministrada na igreja.
Como vocês veem isso? Acho que não poderia ser mais claro. Ele diz:
Prega a Palavra; está pronto a tempo e fora de tempo; repreende, censura, exorta, com toda a paciência e instrução.
Vocês acham que, quando pregarem o evangelho, estarão censurando e exortando? Não, isso é algo que está no âmbito da igreja, irmãos e irmãs, o que nos lembra de como a nossa comissão é ampla.
Ela nunca é algo restrito a alcançar os perdidos. Isso é uma parte importante dela, sem dúvida. Mas há também o alcançar dentro da própria casa de Deus. E a ênfase dos versículos que foram escolhidos em 2 Timóteo 4, a menos que eu esteja lendo isso de forma equivocada, creio que tem a ver com a família do Senhor.
De certa maneira, isso faz vocês se lembrarem da história do bom samaritano, não faz? “Quem é o meu próximo?” A quem tenho a obrigação de fazer isso, de proceder da mesma maneira? Vocês fazem isso ao seu próximo — a todos aqueles que o Senhor colocou ao seu redor: os perdidos, os que estão na congregação, e assim por diante.
Vou terminar com apenas um versículo, e agora precisamos realmente terminar. Senão, vocês ficam sem almoço, e eu fico em grandes apuros, certo? Se vocês ficarem sem almoço, conseguem imaginar o que acontece comigo? Então, preciso encerrar de alguma forma.
Quero ler um versículo em Isaías 50, porque esse versículo, de certa maneira, levantará o véu sobre a vida diária do Messias com o Seu Pai. Graças ao Senhor por um versículo como esse, porque não sabemos quase nada do que aconteceu naqueles trinta anos. Como era a Sua vida diária?
E esse versículo, de maneira surpreendente, levanta o véu, permite que espiemos, que tenhamos uma ideia de como era a vida do nosso Senhor Jesus. E aqui está. E lembrem-se: este é Aquele que foi revestido do Espírito Santo e da Palavra de Deus para um ministério de cura.
E aqui está. Aqui o véu é levantado sobre a vida diária do Servo do Senhor, o Messias, o nosso Senhor Jesus. Isaías 50:4:
O Senhor Deus Me deu a língua de discípulos.
E um discípulo aqui significa simplesmente alguém que está aprendendo — um aprendiz, alguém que se coloca nessa posição: “Eu preciso aprender”.
E aqui está a razão pela qual isso Lhe é dado:
Para que Eu saiba sustentar o cansado com uma palavra.
Ele recebe a língua de um aprendiz. Isso parece um pouco contraintuitivo. Vocês diriam: “Não deveria ser o ouvido de um aprendiz?” Mais adiante, Ele dirá isso. Mas a ideia é quase esta: se vocês estiverem nessa posição de aprendiz, de discípulo, de alguém que está aprendendo, de alguém que ouve, receberão uma língua.
Vocês terão a palavra para sustentar o cansado. Serão capazes de cumprir essa comissão que, de certa maneira, é tão temível. Mas vejam, o poder não está em vocês, uma vez que vocês têm esse mesmo Espírito.
E escutem como o versículo termina:
Ele Me desperta manhã após manhã; Ele desperta o Meu ouvido para que Eu ouça como um discípulo.
Irmãos e irmãs, essa é a vida diária do Filho de Deus como homem. Dia após dia, manhã após manhã, ouvindo o Seu Pai, recebendo a Palavra de Deus, e, a partir disso, Ele tem uma palavra para sustentar o cansado.
De certa maneira, voltamos a Maria. Vocês percebem isso? Porque a atitude de Maria para com o nosso Senhor Jesus é exatamente como a atitude do Senhor Jesus para com o Seu Pai. Ambos estão ouvindo. E há a ideia de algo contínuo. No caso de Maria, o verbo está no pretérito imperfeito: ela estava ouvindo. Algo que não acontece de uma vez por todas. Continua.
Irmãos e irmãs, deixem-me concluir com esta palavra de encorajamento para todos nós. Precisamos desesperadamente dessa renovação contínua. E a Palavra de Deus é aquilo que nos revigorará dia após dia.
Essa Palavra de vida, quando a recebemos do Pai, quando a recebemos do nosso Senhor dia após dia, é aquilo que manterá vocês no caminho, por assim dizer, e lhes dará a palavra para sustentar o cansado. O segredo do nosso Senhor Jesus — que o Senhor faça dele o nosso próprio segredo, para todos nós.
Senhor, oramos para que Tu tomes estas palavras. Pelo Teu Espírito Santo, que haja clareza, que haja luz e até mesmo um desafio para nós. E, mais do que um desafio, Senhor, oramos para que Tu nos permitas ver a maravilha da nossa porção, da nossa posição no Senhor, daquilo que Tu fizeste, daquilo que nos deste.
Oramos para que, ao vermos, Senhor, que Tu nos chamaste para ter exatamente o mesmo ministério que Tu tiveste — e quem somos nós para participar disso, Senhor? Ainda assim, Tu o fizeste, Senhor, pela Tua obra consumada. Oramos, Senhor, para que possamos descansar, pela fé, naquilo que Tu fizeste.
E, pela Tua misericórdia, ó Senhor, concede que haja em nós a atitude de discípulo que vemos em Jesus. Em nome de Jesus.