Somos gratos por podermos nos reunir novamente este ano. Temos vivido muitos momentos maravilhosos e preciosos, e temos tido oportunidades de nos reunir neste fim de semana do feriado do Dia de Colombo.
Pensei em começar esta noite com um grande desafio: o desafio do hino que ninguém conhece. Eu gosto dele. Daqui a pouco vocês vão entender por que esse hino estava tão presente no meu coração. Mas, enfim, vocês sabem que o tema deste ano é o Senhor da Colheita. Então, vamos olhar os versículos que nos foram designados como textos-tema para este encontro.
Os versículos são de Mateus 9:36-38.
Mas, ao ver as multidões, Ele Se moveu de compaixão por elas, porque estavam cansadas e dispersas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos Seus discípulos: A colheita é, de fato, abundante, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, rogai ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a Sua colheita.
E, depois, Colossenses 1:10-12.
Para que andeis de modo digno do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; fortalecidos com todo o poder, segundo a Sua gloriosa força, para toda perseverança e longanimidade com alegria; dando graças ao Pai, Que nos habilitou a participar da herança dos santos na luz.
E, finalmente, em 2 Timóteo 4:1-2: “Conjuro-te, pois, diante de Deus…”
Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Que julgará os vivos e os mortos, pela Sua manifestação e pelo Seu reino: Prega a palavra. Está pronto a tempo e fora de tempo. Convence, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.
Se vocês olharam o e-mail que receberam e também o site, viram como os irmãos expressaram o encargo para este encontro. Vou citar o que escreveram.
Nossa atenção neste ano foi direcionada ao coração compassivo de nosso Senhor para com a multidão de pessoas cansadas, dispersas e perdidas, e às abundantes colheitas que Ele vê nelas. Isso dá urgência à Sua incumbência aos que O seguem: andar de modo digno do Senhor, Que nos habilitou a participar da herança dos santos, e servir como pastores e cooperadores em Sua colheita agora, enquanto aguardamos a Sua manifestação.
Vamos orar.
Senhor, somos gratos ao nos reunirmos nesta noite. Reunimo-nos sobre um fundamento sólido e seguro, nosso Senhor Jesus Cristo. Reunimo-nos porque sabemos que o fundamento deste encontro estava em Teu coração, Senhor, e Tu fizeste toda a provisão abundante para ele.
Então, Senhor, chegamos realmente orando para que, depois de viajar e nos acomodar, possamos dizer: “Aquieta-te, ó minha alma”. Que, com a disposição de Maria, possamos nos sentar aos Teus pés, Senhor, com os olhos em Ti, deixando de lado as distrações, as coisas que deixamos para trás e aquelas com que talvez tenhamos de nos preocupar adiante. Mas, Senhor, que neste fim de semana encontremos a única coisa necessária: contemplar-Te de maneira muito nova e viva.
Nós nos achegamos. Abrimos o coração. Senhor, Tu escolheste este tema específico para este encontro, e viemos com grande expectativa de como desejas usar estes versículos para nos equipar para os dias em que vivemos, para revelar a cada um de nós mais e mais de Ti mesmo, a fim de que sejamos encontrados cooperando Contigo, para a Tua glória e para a Tua honra. Em Teu precioso nome oramos. Amém.
Sabem, este tema — o Senhor da Colheita e Sua incumbência — tem sido uma grande bênção para mim por meio desses versículos. Quando os recebi pela primeira vez, não entendi. Pareciam apenas três conjuntos de versículos desconectados. Mas é maravilhoso perceber, quando paramos para considerar, como o Senhor começa a entretecer as coisas, e vemos Seu belo coração.
Muitas vezes, é como uma tapeçaria que, à primeira vista, você não entende muito bem. Mas, quanto mais você O contempla, quanto mais contempla Sua Palavra, começa a ver o Espírito Santo entretecendo tudo para nos revelar Seu coração.
Nesses versículos, vemos Seu grande coração de compaixão, entristecido pela condição da multidão: pessoas cansadas, sem esperança, dispersas, desanimadas, vivendo num mundo perdido e pervertido. Isso não parece descrever os dias de hoje? Você olha para a falta de esperança de tantas pessoas, tentando encontrar amor nos lugares errados, depositando sua esperança em coisas materiais e em outras coisas deste mundo, e tudo isso só leva a mais e mais desespero.
Ah, como o coração de nosso Senhor se volta para aqueles que estão lá fora buscando! Mas eles nem sabem o que estão buscando. Contudo, Ele é Aquele Que busca, e Ele os encontrará. Seu coração está tão cheio de compaixão, desejando que venham a conhecê-Lo. E a pergunta é: quem irá até Ele? Quem sairá por Ele? Quem irá até eles?
Esses outros versículos foram uma verdadeira bênção para mim quando comecei a examiná-los, porque realmente nos mostram o motivo. Por que Ele os está enviando, e qual é a grande incumbência que lhes dá? Em cada um desses textos, vemos Sua compaixão alcançando os que estavam perdidos. Sua compaixão os alcança para que sejam salvos. Para que não apenas desfrutem da alegria daquela salvação inicial — por mais extraordinária que ela seja —, mas passem a andar de modo digno, agradável a Ele, conhecendo-O de maneira plena e vivencial: uma salvação plena. Não apenas saber a respeito Dele, mas entrar na realidade Daquele Que morreu por eles, Que os amou e nos atraiu a Si mesmo.
Porque um dia, como diz em 2 Timóteo, nosso Deus voltará, e louvado seja Deus por isso. Mas o que Ele busca? Quando falamos do propósito final de Deus, o que Ele busca? Qual é o Seu propósito?
Muitas vezes se tem dito e mencionado que Deus procura aquela companheira eterna e coletiva para Seu Filho, aquela noiva, para compartilhar das riquezas da herança que temos Nele. E agora Ele procura a manifestação de Sua vida em nós. Quando olha para nós, Ele não olha tanto para nossas ações exteriores. Ele olha para nosso coração. Olha para nossa vida. Quanto de Si mesmo Ele vê? Estamos andando de modo digno?
Isso me lembra de quando Adão viu Eva pela primeira vez, e sabemos o que ele disse de uma perspectiva natural. Fisicamente, ele disse:
Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne.
Mas, de uma perspectiva espiritual, quando nosso Senhor voltar, Seu desejo é que Sua vida esteja manifestada em Sua noiva, de modo que, espiritualmente, Ele possa dizer: “Esta é osso dos Meus ossos e carne da Minha carne”. Seu coração está satisfeito. Há uma vida na noiva que corresponde a Ele.
Esses são os que andaram de modo digno. Permitiram que Ele realizasse uma grande obra de conformação e transformação em seu coração e em sua vida, não fazendo as coisas para si mesmos, mas para Ele, cooperando com Ele, cuidando das coisas que são Dele, produzindo bons frutos e entrando naquele verdadeiro conhecimento vivencial de Quem Ele é, na grande realidade de Sua vida.
Louvado seja Deus. E, à medida que as pessoas respondem a esse chamado, à medida que respondem à incumbência que Ele deu, vemos Sua vida se manifestar cada vez mais.
Qual é essa incumbência? Ele é o Senhor da Colheita, e nos dá Sua incumbência. E, se vocês lerem esses textos-tema em 2 Timóteo, verão que dizem:
Está pronto.
Agora, muitas vezes, quando pensamos em estar prontos, nós, como crentes — vou fazer um pequeno desvio aqui —, temos uma tendência. Alguns se concentram no início, na salvação inicial. “Que maravilha! Precisamos levar todos à salvação!” E, louvado seja Deus, precisamos mesmo. Outros se concentram no fim. “Esteja pronto. É preciso se preparar. É preciso se preparar. Esteja pronto para o futuro.” E, louvado seja Deus, precisamos fazer isso também.
Bem, como se vai do ponto A ao ponto B? É por meio desse processo de vida. É o processo do caminho da cruz. É o processo pelo qual passamos para que Sua vida seja formada em nós. E é disso que trata este fim de semana. É isto: Ele quer compartilhar conosco esse processo de Sua vida operando em nós, para estarmos prontos agora.
Hoje, para entrarmos e cooperarmos com Ele. Para pastorearmos diferentes pessoas, a tempo ou fora de tempo, quando for conveniente ou inconveniente, em circunstâncias favoráveis ou desfavoráveis, cooperando com Ele, porque Ele deseja que cada um de nós responda.
Essa resposta não é apenas a Ele, mas também a todos os nossos irmãos e irmãs e ao mundo perdido. É um coração extraordinário. É uma obra extraordinária que Ele está realizando. E o objetivo é estarmos prontos a tempo e fora de tempo.
Ao compartilharmos essas coisas, tenham em mente que tudo aquilo de que Ele está falando — o que procura, o que deseja — é que esse evangelho avance para além do evangelho da salvação somente. Este é o evangelho do reino: Sua vida entre Seu povo, preparando um povo para aquele dia de Seu glorioso retorno.
Lembro-me de como Ed Miller costumava expressar isso, e vou parafrasear, porque não me lembro exatamente. Ele dizia: como vamos dizer a Ele que O amamos tanto quando nosso Senhor voltar no futuro, se não Lhe dissermos hoje que O amamos tanto? É isso que Ele procura: a maneira de nos prepararmos para o futuro é hoje. Amando-O hoje. Tendo um coração inteiramente entregue a Ele hoje. E Ele vê isso e trabalha dentro de nós.
É por isso que o que estou compartilhando é, na verdade, mais uma palavra introdutória. Porque, quando pensamos em tudo o que o Senhor deseja fazer, é algo extraordinário. E, como parece que todos os anos eu dou esta mensagem introdutória, faço isso com temor e tremor. Porque tenho a oportunidade de falar primeiro, mas depois vêm esses outros três sujeitos, e não quero dizer nada que os faça ficar bravos comigo, pegar no meu pé e me acusar de ser ladrão, salteador, plagiador e tudo mais.
Mas estou me protegendo esta noite. Vou tentar ficar longe da área deles, seja ela qual for. Nem conversamos antes, então quem sabe o que vão compartilhar? Mas descobriremos amanhã. Assim, vou encontrando meu caminho nisso pela graça de Deus.
Quando vemos isso e falamos desse processo que Deus deseja realizar, a razão pela qual queremos examiná-lo e até considerar o propósito final que Ele busca, Sua incumbência, é que isso nos dá um vislumbre da perspectiva Dele sobre por que faz as coisas. Precisamos ver por que Deus está fazendo isso. Por que nos chama para cooperar com Ele? Por que nos chama para pastorearmos uns aos outros? Porque há um objetivo final em vista. Há um processo. Há um objetivo final em vista.
Por isso, Ele nos mostra essas coisas, de modo que, quando fala de Sua compaixão, quando fala de andar de modo digno, quando fala de estar pronto, tudo se encaixa: “Ah, é porque é para lá que Ele deseja nos levar. Este é o processo pelo qual estamos passando para cumprir Seu desejo de nos preparar para Sua volta, como aquela preciosa noiva”.
Com isso em mente, primeiro gostaria de me concentrar nesta palavra: compaixão. Vocês provavelmente já perceberam isso pelo hino e por tudo mais. Assim que li o primeiro versículo e o que os irmãos escreveram, esse pensamento sobre compaixão começou a tocar profundamente meu coração de maneira muito preciosa. Porque, ao longo dos Evangelhos, lemos repetidas vezes que nosso Senhor Se moveu de compaixão. Ele Se moveu de compaixão aqui. Moveu-Se ali. Curou os cegos. Moveu-Se de compaixão em outra ocasião. Ressuscitou os mortos com compaixão. Então, o que é essa compaixão que tanto O motivava a fazer essas coisas?
Nossa palavra inglesa vem de uma combinação de termos do inglês antigo e do francês antigo e significa — e vocês vão adorar esta expressão, vão adorar esta definição de compaixão — sofrer uns com os outros. Está bem? Que tal isso para animar vocês esta noite? Compaixão significa sofrer uns com os outros. E, se não gostarem dessa definição, podem dizer que significa compartilhar a aflição uns dos outros. Está bem? Então escolham de qual delas vocês gostam.
Mas, na família de Deus, trata-se realmente do cuidado que temos uns pelos outros no corpo de Cristo, na casa de Deus, na família de Deus. É esse cuidado verdadeiro, esse sofrer, esse suportar com paciência uns aos outros em meio a tudo isso.
Em inglês, há outras palavras bastante semelhantes a essa, mas também existe uma distinção entre elas que amplia o significado de ambas. Isso nos mostra, realmente reflete cada vez mais, a plenitude do caráter de Deus e de Seu coração.
Por exemplo, vamos examinar duas palavras que muitas vezes usamos como se fossem intercambiáveis, sem nem pensar: compaixão e misericórdia. Mas existe, de fato, uma pequena diferença entre compaixão e misericórdia. Então, vamos ter uma pequena aula sobre palavras por um momento.
Pensando em compaixão, vou ler algumas definições aqui. Compaixão envolve uma profunda percepção do sofrimento dos outros, acompanhada de uma resposta voluntária de se colocar ao lado deles — não acima deles, mas ao lado deles, caminhando com eles, quase como aquele Parakletos, a palavra usada para o Espírito Santo, Aquele Que vem para estar ao lado. Colocar-se ao lado deles para caminhar com eles durante um período de sofrimento ou aflição.
Vou ler novamente. Envolve uma profunda percepção do sofrimento dos outros, acompanhada de uma resposta voluntária de se colocar ao lado deles e caminhar com eles durante um período de sofrimento ou aflição.
Quando comparamos isso com misericórdia, vemos como são intimamente relacionadas, mas há uma distinção aqui. Misericórdia é o ato de demonstrar bondade ou perdão a alguém que você tem poder ou autoridade para punir ou prejudicar. Você escolhe não punir. Escolhe não causar dano. Há uma pequena diferença aqui entre compaixão e misericórdia.
Essa misericórdia, novamente, está intimamente relacionada. É o ato de demonstrar bondade ou perdão a alguém que você tem poder ou autoridade para punir ou prejudicar. Então, na misericórdia, há alguém numa posição acima de outra pessoa que demonstra misericórdia a ela. Na compaixão, há igualdade. Há um colocar-se ao lado, de irmão para irmão, de irmã para irmã, caminhando com eles em meio a isso.
E isso nos mostra um aspecto mais pleno do coração de Deus. Nosso Deus é tão misericordioso, mas também é um Deus de compaixão. Não se trata apenas de escolher palavras diferentes para descrevê-Lo. Isso realmente nos mostra a plenitude do caráter e da natureza de Deus. Em algumas ocasiões, Ele demonstra grande misericórdia. Em outras, grande compaixão, colocando-Se ao nosso lado como o Bom Pastor. Louvado seja Deus por isso.
Há também outra palavra que às vezes podemos comparar com compaixão: compaixão e pena. Tirei essas definições do dicionário.
A compaixão nasce de uma compreensão genuína e de empatia pela dor do outro, reconhecendo seu valor inerente e sua igualdade. Ela é ativa e motiva você a tomar medidas concretas para aliviar o sofrimento e promover o bem-estar da pessoa.
Essa compaixão nasce — esta é a definição do mundo, ou a definição do Webster — de uma compreensão genuína e de empatia pela dor do outro, reconhecendo seu valor inerente e sua igualdade. Ela é ativa e motiva você a tomar medidas concretas para aliviar o sofrimento e promover o bem-estar da pessoa.
Agora, a pena. Ela se origina, novamente, de um senso de superioridade ou condescendência em relação à pessoa em sofrimento. Envolve sentir pena de alguém sem necessariamente compreender sua experiência ou atender às suas necessidades. Você não faz nada por ela.
Bem, vamos percebendo cada vez mais o que há nesta palavra: compaixão. É uma palavra muito ativa. É uma palavra voltada para a ação. À medida que começamos a compreender sua definição e seu significado, isso abre nosso coração para enxergar o que Ele fazia quando Se movia de compaixão. Ele não ficava apenas parado ali. Não estava apenas sendo condescendente. Colocava-Se ao lado das pessoas. Caminhava com elas em meio às situações. Levava-as a um lugar. Sempre as levava a Si mesmo.
Se os olhos de nosso coração puderem ser abertos para realmente enxergar isso, esse amor multifacetado, multiforme, que procede Dele, ao vê-Lo manifestado nas vidas como esse Deus de compaixão, começaremos a compreender algo disso. E percebemos como essa compaixão é poderosa. É uma palavra cheia de ação, com um propósito e um objetivo final em vista.
Ele tem essa compaixão pelas pessoas porque deseja que venham a Ele e O conheçam. E Ele Se coloca ao lado delas. Vai ao âmago da situação. Tira-as das profundezas do desespero e as traz a Si mesmo. Ele não as tira das profundezas do desespero apenas para lhes dar uma roupa nova, vinte dólares, um cartão de débito com cem dólares e dizer: “Fiquem bem; aqueçam-se”. Não. Ele caminha com elas. Dá-lhes esperança de maneira nova e renovada.
Não há absolutamente nada de passivo na compaixão. E, louvado seja Deus, nossa compaixão — quando falamos de ter compaixão — vem de contemplarmos Seu grande amor, de vermos Seu amor e Seu desejo por aquela noiva, Seu coração compassivo.
Se pudermos compreender mais do coração compassivo do Senhor para conosco, para com Seu povo, Sua noiva e os perdidos, isso nos impactará. Isso nos faz amar uns aos outros como irmãos e irmãs de maneira mais forte, mais intensa. Faz-nos estar dispostos a passar pelas situações com aqueles que sofrem, colocando-nos ao lado deles para que possam ganhar Cristo. Dá-nos aquele coração genuíno para que o evangelho seja anunciado e para vermos salvos os que estavam perdidos. Que nosso coração seja conquistado por Sua compaixão.
E precisamos sempre ter clareza. Muitas vezes usamos a expressão “nossa compaixão”, e ela se expressa por meio de nós, mas, na verdade, não é nossa. É a compaixão Dele sendo manifestada por meio de nós, à medida que nos rendemos a Ele. Verdadeiramente, não eu, mas Cristo.
Quando olhamos este versículo-tema em Mateus, em que se fala de Sua compaixão, vemos que ali é usada uma palavra grega. E essa palavra grega aparece apenas nos Evangelhos Sinóticos e é usada somente em relação ao nosso Senhor Jesus Cristo. Ela aparece apenas nessas poucas ocasiões.
Essa é, na verdade, uma palavra curiosa. Vocês percebem como gosto de palavras. Parece engraçado, por eu ser contador, mas gosto de palavras. Gosto de saber de onde vieram. O que significam?
Mas essa palavra grega usada no Novo Testamento para compaixão não é encontrada na literatura grega. Ela não aparece na literatura grega clássica, em nenhum dos escritos que temos. O que aconteceu foi que os judeus daquela época, que haviam sido dispersos e escreviam em grego, pegaram uma palavra grega, acrescentaram algo a ela e criaram essa palavra para compaixão.
A palavra grega original que pegaram, e à qual acrescentaram algo, significava “entranhas”. Hoje, falar de entranhas soa estranho. Mas, naquela época, isso significava apenas algo que vinha de dentro de você, algo muito profundo em seu interior, tão genuíno, tão real. Hoje diríamos que vinha do coração. Então, pegaram essa palavra e a adaptaram para expressar compaixão. É algo profundo que vem do coração e flui para os outros.
Como dissemos, ela aparece apenas nos Evangelhos Sinóticos. E, ao pensar nisso e perceber como compaixão e amor estão tão relacionados, surgiu uma pergunta: por que ela não é usada no Evangelho de João? Se aparece nesses três Evangelhos Sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas —, por que o apóstolo do amor não usa essa palavra, essa palavra específica, em seu Evangelho?
Enquanto pensava nisso, voltei a examinar como ela era usada nos Evangelhos Sinóticos, e sempre nos mostra uma ação exterior de nosso Senhor, como Ele demonstra compaixão às pessoas, fazendo isto ou aquilo. Daqui a pouco veremos alguns exemplos.
Mas, quando olhamos os escritos de João, vemos que ele realmente entra no âmago dos outros Evangelhos e nos mostra mais da plenitude do coração de Deus em cada uma dessas coisas. Assim, ele nos mostra o que estava por trás daquelas ações: a ação de Seu coração.
E você começa a perceber, no Evangelho de João, um paralelo entre a maneira como a palavra compaixão é usada nos Evangelhos Sinóticos e as declarações “Eu sou” no Evangelho de João. Porque, ao dizer “Eu sou”, Ele está dizendo: “É isto que Eu sou”. Ele está Se revelando. E isso realmente nos permite alcançar uma compreensão maior da compaixão de Deus.
Às vezes é uma palavra tão comum, mas há tanta preciosidade nela. Minha esperança é que o Espírito Santo conquiste nosso coração esta noite para realmente vermos o Deus de compaixão. Que coração compassivo! Ele está muito além do sentimentalismo, muito além disso. Está derramando a Si mesmo de maneira tão plena. Então, vamos examinar algumas dessas comparações com as declarações “Eu sou”.
Se olharmos nosso versículo-tema, Mateus 9:36, ali vemos a palavra compaixão, quando diz:
Ao ver as multidões, Ele sentiu compaixão por elas, porque estavam aflitas e desanimadas, como ovelhas sem pastor.
E, se olharmos o que João escreveu em João 10:11, lemos:
Eu sou o bom pastor; e o bom pastor dá a Sua vida pelas ovelhas.
Nessa comparação, Ele é o Bom Pastor. E esse Pastor salva as ovelhas. Cuida das ovelhas. Alimenta as ovelhas. Provê para as ovelhas. Protege-as. Guia-as. Conduz-as. Ele é o líder, o Senhor da vida delas. E toda a Sua vida está ocupada com essas ovelhas e entregue a elas. É por isso que diz que Ele está disposto a dar Sua vida pelas ovelhas.
Na cultura daquela época, quando Jesus falava de ovelhas sem pastor, as pessoas entendiam o que Ele queria dizer. Isso não tem a mesma ressonância para nós hoje, mas, naqueles dias, elas compreendiam a necessidade de um rebanho de ovelhas ter um pastor. Caso contrário, elas simplesmente se destruiriam, que é o que está acontecendo entre as multidões, no mundo de hoje. Não têm pastor e estão se destruindo.
Mas esse Bom Pastor é uma mensagem clara do coração e do caráter de nosso Senhor, muito além de apenas sentir pena delas. Ele Se coloca ao lado delas e realmente dá Sua vida por elas. É assim que Ele as pastoreia.
E a beleza do pastoreio é esta: olhem para Davi e para outros pastores nas Escrituras. Você está ali vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Davi dormia sob as estrelas. Se quiserem — é algo lindo —, percorram os Salmos em algum momento e observem a revelação de Deus que Davi recebia simplesmente ao olhar para os céus à noite.
Os céus declaram a glória de Deus.
Ele via toda a majestade de Deus simplesmente por estar ali. Estava com aquelas ovelhas à noite, cuidando delas o tempo todo.
É assim que vemos nosso Senhor Jesus. Diante dessa multidão, Ele diz: “É isto que Eu sou. Vim para ser esse Pastor”. E quem irá? Então Ele faz a pergunta: “Quem sairá? Quem está disposto a cooperar Comigo? Quem está disposto a ser outro pastor Comigo, a cuidar das pessoas, a dar sua vida uns pelos outros, a ser daqueles que se colocam ao lado?”
O “Eu sou” nos dá um vislumbre maior do coração do que o Senhor está dizendo aqui, quando fala que são ovelhas sem pastor. É um clamor de Seu coração. Ele não está apenas descrevendo uma condição física. Está dizendo: “Ah, esses queridos estão perdidos. Precisam de alguém que venha, que se coloque ao lado deles, que caminhe com eles, que os proteja, conduza e guie, que esteja disposto a dar sua vida por eles. É isto que Eu sou”.
E é para isso que Ele nos chama nestes dias: manifestar compaixão dessa maneira, como um bom pastor.
Se olharmos também em Mateus e Lucas, encontramos os relatos de quando Ele alimentou os cinco mil e, novamente, os quatro mil. Essa palavra é usada nessas ocasiões em que alimentou as multidões. Vejam Marcos 8:2. Ele diz:
Tenho compaixão da multidão, porque já há três dias permanece Comigo e não tem o que comer.
Não é difícil fazer a ligação com o Evangelho de João, e a maioria de nós provavelmente já consegue enxergar, em João 6, onde Jesus diz:
Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a Mim não terá fome, e aquele que crê em Mim jamais terá sede.
Ele não está falando apenas de alimentá-los fisicamente. Está apresentando a Si mesmo. É aquele sustento essencial que realmente provê vida espiritual, para que sejam satisfeitas as necessidades mais profundas da alma humana, as necessidades mais profundas da pessoa. Ele diz: “Vocês têm fome. Vocês têm sede. O mundo pode lhes dar pão temporário, mas Eu sou o pão da vida”.
É uma vida que realmente entra em nós. Ele mostra: “Estarei com vocês durante os períodos de fome da vida, não apenas com a satisfação temporária e passageira que o mundo oferece. Eu entrarei. Alimentarei vocês com vida, em seus diversos aspectos, quando houver aquela necessidade profunda em vocês que nada consegue suprir. Haverá esse pão da vida. Esse pão entrará e nutrirá vocês”.
Porque, às vezes — eu sei que comigo acontece —, pensamos apenas em comer. Acho que, na maior parte do tempo, quando estou comendo, não estou pensando em nutrição, sabem? Estou pensando: “Nossa, que delícia! Isso parece bom”. A maioria de vocês sabe que sou fã de hambúrguer. Adoro um bom hambúrguer. Esqueço a nutrição e tudo mais. Simplesmente não estou pensando nisso.
Mas Ele vê além do hambúrguer. Diz: “Essa carne tem bastante proteína. Isso é bom para vocês que são mais velhos. Vocês precisam comer proteína”. Então, Ele vai mais fundo em nossa verdadeira necessidade e nos atende ali.
Ah, somos gratos por termos o pão da vida. Temos a Palavra de Deus, que é pão da vida, da qual podemos nos alimentar todos os dias, para que venha nutrir nosso ser interior, dar-nos força, dar-nos sustento para prosseguirmos e enfrentarmos todos os desafios e todas as coisas que encontramos diariamente, seja na escola, no trabalho, em casa ou onde for. Louvado seja Deus.
Essa é a compaixão que Ele tem por cada um de nós, provendo para todos os aspectos de nossa vida.
Lembrem-se de outra história em que Ele demonstra Sua compaixão. Havia a viúva de Naim, cujo filho havia morrido. Estavam saindo da cidade, num cortejo fúnebre. A viúva estava muito angustiada. O Senhor Se aproxima. Em Lucas 7:13, lemos:
Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão por ela e lhe disse: “Não chores”.
Ele era um desconhecido para ela. Tinha acabado de chegar e estava encontrando aquela querida mulher pela primeira vez. Aproximou-Se e tocou o caixão. Os que o carregavam pararam, e Ele disse:
Jovem, Eu te digo: levanta-te.
E sabemos como aquele jovem se levantou.
Mais uma vez, não é difícil traçar um paralelo com uma declaração “Eu sou” em João. Se formos a João 11:25, Jesus está ali falando com Marta e Maria e diz:
Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em Mim viverá, ainda que morra. Eu sou a ressurreição e a vida.
Ele está declarando Seu poder sobre a morte. Mais adiante, veremos isso em Sua própria experiência, com esse coração compassivo. Vemos Seu coração de compaixão, a vitória que tem sobre a morte, aquele testemunho: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Quando Ele vai à cruz e oferece a Si mesmo — Sua morte na cruz, Seu sepultamento, Sua ressurreição, Sua ascensão —, que vitória sobre a morte vemos ali! Ele diz: “Eu sou essa ressurreição”.
E o que Ele está fazendo aqui é abrir o caminho da salvação para toda a humanidade, para todos os que estão lá fora. Espiritualmente, você está morto. Não há esperança para você em nenhum outro lugar. Sua família talvez tenha orado por você durante anos, mas você ainda não O recebeu. Porém, louvado seja Deus, ainda há esperança. Há um caminho de salvação, até mesmo para os mortos deste mundo, os espiritualmente mortos. Louvado seja Deus, essa vida pode entrar.
Vejam, isso é vida. É o Espírito Se movendo. Aleluia. Está bem. Não sei o que eu disse, mas, enfim, vamos ver.
Vemos como essa vida de ressurreição entra e transborda de maneira tão maravilhosa: salvação para toda a humanidade. Será que alguma vez paramos para considerar isso? Foi daquele coração compassivo que Ele disse: “Eu sou a ressurreição e a vida”, e mostrou o que isso significava. Muito além de apenas aquele jovem em particular, mas para cada pessoa. Ah, louvado seja Deus! Que esperança temos por aqueles que pareciam tão mortos, sem esperança, até mesmo vestidos com roupas de sepultamento e levados ao cemitério. Mas nunca é tarde demais. Louvado seja Deus. Temos Aquele Que diz: “Eu sou a ressurreição”, e Ele venceu.
Outro exemplo: Ele está Se aproximando de Jericó. Há dois cegos que clamam a Ele:
Filho de Davi, tem misericórdia de nós.
E, em Mateus 20, Ele Se volta e olha para eles, movido de compaixão. Jesus toca os olhos deles. Imediatamente recuperam a visão e O seguem.
Os cegos passaram a enxergar. João 8:12:
Jesus lhes falou novamente, dizendo: “Eu sou a luz do mundo. Aquele que Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.
Não se trata apenas de remover a escuridão física; vai muito além de curar uma pessoa cega. Não é apenas dar-lhes luz, mas dar-lhes a luz da vida, para que possam enxergar, para que os olhos de seu coração sejam abertos. Então, os olhos de seu coração podem ver a esperança de seu chamado. Podem ver as riquezas da glória de Sua herança nos santos. Podem ver a suprema grandeza de Seu poder para conosco, os que cremos. Uma luz entrou, e nossos olhos foram abertos.
Quando Deus age em Sua compaixão, sempre deseja que vejamos, experimentemos e aprendamos mais de Cristo. Cristo é manifestado. Cristo é visto, e Ele está preparando cada um de nós para conhecê-Lo de maneira muito viva. Louvado seja Deus por isso, irmãos e irmãs.
Jesus também usa essa palavra em outros contextos. Este será o último exemplo, certo? Não vamos abordar todas as declarações “Eu sou”, mas há mais algumas ocasiões em que Ele usa essa palavra para compaixão, em parábolas muito conhecidas. Uma delas é a do bom samaritano.
Acho que conhecemos a história do bom samaritano: o sacerdote e os outros passaram por ali. Viram aquele homem que havia sido espancado, caído à beira da estrada, como morto. Passaram pelo outro lado. Mas esse samaritano o viu. Era um judeu caído ali. Ele se aproximou e o ajudou. Cuidou dele.
E também há o filho pródigo, em Lucas 15. O texto diz que o pai teve compaixão, e o pai corre. Dizem que essa é a única ocasião nas Escrituras em que vemos Deus correndo. Normalmente Ele caminha, mas ali está correndo.
Ao considerar essas duas histórias — não vamos nos aprofundar nelas —, vocês percebem como esse coração de amor os move a responder, a ir ajudar os necessitados, muito além do que eles jamais haviam pedido ou imaginado. Aquele filho estava voltando apenas para ser um servo. Ah, quando você volta para Deus, Seu coração compassivo faz muito mais do que você pede. Você é trazido de volta à condição de filho. E o que dizer de governar e reinar com Ele? Louvado seja Deus por isso.
Ah, como o samaritano cuidou daquele pobre homem, daquele que não tinha mais ninguém em quem depositar esperança! Proveu tudo de que ele precisava. E também lhe deu uma promessa. Disse ao dono da hospedaria:
Quando eu voltar, se houver mais alguma despesa, ponha na minha conta.
Sabem?
É isso que Deus está dizendo em nossa vida. Ele diz: “Mesmo enquanto você segue pela vida, quando erra e faz suas coisas, Minha compaixão nunca falha. Minha compaixão está presente. Isso ficará na Minha conta, e Eu virei, levantarei você e continuarei a sustentá-lo e carregá-lo até que seja plenamente redimido, plenamente restaurado, plenamente conduzido à realidade de conhecer Meu Filho, o Senhor Jesus Cristo”.
Compaixão, só para reiterar, é uma palavra poderosa e ativa. Não é uma palavra passiva. É tão ativa! E como precisamos desesperadamente disso no corpo de Cristo, no cuidado uns pelos outros, em nos colocarmos ao lado uns dos outros. Como eu disse, não se trata apenas de demonstrar solidariedade: “Ah, é tão terrível você ter de passar por isso”. Não, vai muito além. É passar por isso com as pessoas, tendo um objetivo final em vista. É trazê-las de volta a Cristo, porque essa é a resposta para qualquer situação. É trazê-las de volta a Cristo.
Vemos Sua natureza multifacetada. Ela se manifesta de muitas maneiras diferentes, mas envolve caminhar com as pessoas em meio às situações. Às vezes você suja os pés. Às vezes precisa pôr as mãos na situação. O lugar pelo qual você precisa caminhar com alguém nem sempre é agradável. Talvez a pessoa tenha algum vício. Talvez esteja passando por uma situação horrível. Mas você chega e atravessa aquilo com ela para levá-la a Cristo. Sempre há Cristo em vista.
Essa é uma das grandes diferenças entre isso e o que alguns chamam de evangelho social. O evangelho social quer apenas fazer boas obras, ajudar. Alimenta as pessoas. Dá-lhes roupas, cuida delas e, louvado seja Deus, isso é maravilhoso. Sou grato por isso. Mas há um último passo que precisa acontecer. É preciso chegar a Cristo. Elas precisam ser levadas a Cristo. Talvez não O aceitem. Você não pode obrigá-las. Como é o ditado? Você pode levar um cavalo até a água, mas não pode obrigá-lo a beber. Você as leva até ali. Deus provê tudo. Mas nós estamos presentes. Caminhamos com elas. Passamos por suas provações com elas, ajudando-as.
Às vezes, talvez você tenha de acompanhá-las ao tribunal, levá-las aqui e ali. Ah, às vezes é uma coisa complicada. Mas estamos com elas, procurando levá-las a Cristo, para que desfrutem daquela gloriosa liberdade dos filhos de Deus e sejam libertas de tudo o que as prende.
Graças ao Senhor por João, pela maneira como explica e desenvolve essa palavra e nos mostra o próprio coração compassivo de Deus por meio de todas as belas declarações “Eu sou”.
Como eu disse, vocês podem perceber que a compaixão estava em meu coração. Mas, ao me encaminhar para o final, deixem-me tocar em alguns dos outros versículos que temos como textos-tema. Vimos isso em Colossenses 1:10. Vou ler novamente para refrescar nossa memória.
Para que andeis de modo digno do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; fortalecidos com todo o poder, segundo a Sua gloriosa força, para toda perseverança e longanimidade com alegria; dando graças ao Pai, Que nos habilitou a participar da herança dos santos na luz.
Quem alguma vez andou de modo digno, agradando-Lhe em tudo? Quem fez isso? Somente nosso Senhor Jesus. Ele foi o único Que pôde fazer isso. É Sua vida em nós. Louvado seja Deus.
Muitas vezes, quando olhamos as Escrituras e lemos “andar de modo digno”, nosso primeiro pensamento é: “Ah, precisamos fazer isso”. Dizemos: “Preciso ter um coração compassivo. Preciso fazer isso”. De alguma maneira, pensamos que somos nós que precisamos fazê-lo.
É por isso que uma de minhas cartas favoritas é a carta à igreja em Filipos, porque contém alguns de meus versículos preferidos. Em Filipenses 2, enquanto encoraja os irmãos, Paulo lhes diz, em Filipenses 2:12:
Assim, pois, meus amados, como sempre obedecestes, não somente na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor.
Sou tão grato por Paulo não ter parado aí. Esse é um versículo assustador. “Está bem, Eu fiz isso. Agora vocês desenvolvam a salvação. Agora façam isso.” Não.
Paulo não para. Em inglês, o texto termina ali, você passa para outro versículo e, às vezes, quase perde o pensamento ao passar de um versículo para outro ou de um capítulo para outro. Essas palavras foram escritas como uma única linha de pensamento. Mas, louvado seja Deus, ele não para. Ele diz — e precisamos nos lembrar disso em nossa vida diária juntos; como precisamos disso:
Porque é Deus Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.
Ele é Quem está fazendo a obra. Nós simplesmente Lhe damos essa permissão, permitindo que trabalhe dentro de nós para realizar aquela grande obra de transformação. Ele está operando em nós. Não eu, mas Cristo. Louvado seja Deus por isso. Somos gratos por Seu poder capacitador, o Espírito Santo. E é à medida que nos rendemos a Ele que andamos de modo digno.
É porque a origem desse andar está em Cristo, não em mim. A origem de nosso serviço a Ele está em Cristo, não em mim. A origem de nosso coração compassivo está em Cristo, não em mim. Assim podemos andar de modo inteiramente agradável a Ele. E por que isso Lhe agrada? Porque Ele vê Seu Filho. Vê a vida de Seu Filho manifestada. Louvado seja Deus por isso. É isso que Ele procura.
Paulo conclui sua segunda epístola a Timóteo, em 2 Timóteo 4, antes de sua morte, escrevendo estas palavras finais:
Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, Que julgará os vivos e os mortos, pela Sua manifestação e pelo Seu reino: Prega a palavra. Está pronto a tempo e fora de tempo. Convence, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.
Já mencionamos essa expressão: “Está pronto”. Estar pronto. E gosto muito de como diz “a tempo ou fora de tempo”. Às vezes não é conveniente. Às vezes não é muito confortável. Pode ser desconfortável. Não é conveniente.
Quando Deus nos chama para fazer alguma coisa, vocês não acham que Ele conhece nossas circunstâncias? É como se dissesse: “Quero que você faça isso, Mac. Não quero que você bata no microfone, mas quero que faça isso”. E a resposta é: “Espere um pouco, Senhor. Eu ia ao jogo dos Yankees naquele dia. Eu tinha até combinado isso”. Vejam, nem estou distraído, porque eles foram eliminados. Então posso simplesmente relaxar e aproveitar o fim de semana. O Ray também pode. Ele está ali chorando. Há outros chorando por aqui também.
Mas vemos como o Senhor sabe exatamente onde estamos, o que está acontecendo. Sabe o que acontece em nossa família. Conhece nossos relacionamentos, nossas obrigações no trabalho e na escola. E Ele diz… Rapaz! É assim: esteja pronto a tempo ou fora de tempo. Vocês não acham que Ele sabe de tudo isso?
Então, Ele não vai nos colocar numa situação… Bem, não gosto de usar a palavra impossível, porque todas as coisas são possíveis com Ele. Mas Ele não vai nos colocar num lugar que comprometa nossa vida, nosso testemunho. Contudo, às vezes precisamos fazer uma escolha. “Mac, o que você quer fazer? Quer ter comunhão com esses irmãos ou ir ao jogo dos Yankees?”
Bem, louvado seja Deus. Essa é uma escolha fácil. Prefiro a comunhão dos irmãos a qualquer momento. E alguém aqui vai dizer: “Claro, você simplesmente gravou o jogo dos Yankees em DVD”. Mas não, não gravei.
Vemos que há escolhas que podemos fazer. E é isso que Ele coloca diante de nós, para que estejamos prontos a tempo e fora de tempo. Às vezes você acha que não está pronto. E a beleza disso — vou usar esta conferência como exemplo — é que, quando é “a tempo”, nós precisamos nos preparar: os que vão falar, os que vão ensinar as crianças, todos os que estão envolvidos nas diversas atividades. Tivemos de nos preparar para alguma coisa. Então, isso é, de certa forma, “a tempo”. Você chega preparado.
Em outras ocasiões, enquanto segue pela vida, talvez na escola ou no trabalho, alguém lhe faz uma pergunta sobre o Senhor. Isso pega você completamente de surpresa. Você não estava pensando nessa direção. Estava pensando em outra coisa. Essa é a oportunidade “fora de tempo”, quando você acha que não está totalmente preparado.
Mas, se temos estado na Palavra todos os dias, se temos estado em Sua presença todos os dias, se estabelecemos um relacionamento vivo com Ele, descobriremos que, mesmo tropeçando nas primeiras palavras que tentamos dizer, enquanto procuramos pensar e falar ao mesmo tempo, quando damos o passo e começamos a compartilhar, talvez o início não seja muito bonito. Mas, de repente, você percebe que um versículo vem ao coração, e depois outro versículo vem ao coração. Um testemunho lhe vem à mente. As coisas começam a fluir. E isso acontece porque você tem uma reserva. Há uma vida ali, pronta para ser usada naquele momento.
Quando você supera o nervosismo de estar numa situação desconfortável e se rende a Ele, esse nervosismo se acalma. E então, fora de tempo, a vida se manifesta. É assim que precisamos ser: preparados a tempo e fora de tempo, seja qual for a situação, seja qual for o momento. Louvado seja Deus por isso.
É estar pronto hoje. Quanto mais estamos prontos hoje, mais nos preparamos para estar prontos amanhã.
Nesses dois textos, vocês também notarão algumas palavras recorrentes. Uma palavra maravilhosa, que todo mundo adora: longanimidade. Não apenas sofrer, mas suportar por muito tempo. E, quando voltamos a Colossenses, o texto chega a dizer: longanimidade com alegria. Está bem: sofrer com alegria.
Lembram-se daquela definição de compaixão, da palavra inglesa: sofrer uns com os outros? Compartilhar a aflição do outro. Esse é o coração da compaixão. É suportar com paciência, por muito tempo, alguns irmãos e irmãs.
Muitos de nós podemos dizer que, se você participa da vida da igreja — e não leva muito tempo —, sabe o que é ter longanimidade com os irmãos. Ter longanimidade com as irmãs. Há todas aquelas pequenas peculiaridades e todas as dinâmicas envolvidas, mas perseveramos com paciência. Permanecemos ao lado deles. Passamos por isso com eles. Aproximamo-nos. Somos um com eles.
E a única maneira de termos longanimidade uns para com os outros é sabendo que há um propósito e um objetivo final em vista. É por isso que isso é tão importante. As pessoas sempre falam do propósito eterno de Deus, da noiva sendo preparada, da família sendo edificada em conjunto, da casa sendo edificada em conjunto, de tudo isso. Se não enxergarmos o objetivo final, se não enxergarmos o propósito enquanto fazemos essas coisas, tudo pode se tornar muito desanimador e desencorajador, e pensamos: “Por que me dar ao trabalho?”
Mas, se isso nos impulsiona, se isso nos conquista, entendemos o que significa dizer que Ele Se moveu de compaixão. Gosto muito de como o texto diz repetidas vezes que o Senhor Jesus Se moveu de compaixão. É como se a compaixão fosse essa força propulsora dentro Dele. Era um amor que não O deixava desistir. Nem gosto de usar a palavra emoção, mas era como um poder dentro daquela vida. Ele era tão impulsionado por isso porque via o coração de Seu Pai. Sabia por que havia vindo a esta terra. Sabia que havia vindo para morrer, mas via a alegria que Lhe estava proposta e a compaixão voltada para aquele objetivo final. Isso O sustentou ao longo de todo o caminho.
Irmãos e irmãs, nos dias em que vivemos, os desafios que enfrentamos e as pressões que enfrentaremos vão aumentar cada vez mais. É por isso que precisamos uns dos outros, para caminharmos juntos em meio a esses desafios e a essas pressões, para termos longanimidade uns para com os outros, conduzindo tudo ao Seu glorioso propósito final, a tudo o que Ele busca. Louvado seja Deus. Que coisa gloriosa! Que dia glorioso será!
Em Richmond, uma querida irmã — muitos de vocês a conhecem —, Shirley Harrison, faleceu recentemente. Aquele hino se tornou cada vez mais presente em seu coração nos últimos dias. Nós a visitávamos de vez em quando. E, por algum motivo, ela pedia que Stella e eu cantássemos para ela. Mas não vamos fazer isso esta noite, porque amamos vocês.
Era simplesmente isto:
Que dia será! Que dia glorioso será! Meu Salvador verei.
Ah, vocês podiam perceber como ela vislumbrava aquilo. Há um dia glorioso para todos nós. Mas o ponto é que nossa irmã estava preparada. Ela havia suportado por muito tempo. Havia sofrido muito, mas não havia apenas sofrimento nela. Havia uma fragrância que emanava dela e encorajava você a prosseguir, a continuar avançando.
Vemos, nessa compaixão de nosso Senhor Jesus Cristo, sua altura e profundidade, seu comprimento e largura. Mais uma vez, estou chamando compaixão de uma palavra cheia de ação. Não é sentimentalismo, não é apenas ficar sentado ali; ela é poderosa quando se manifesta.
Talvez vejamos uma tempestade forte neste fim de semana, mas a compaixão de Deus é maior que o Isaias — acho que é assim que se pronuncia. Está bem. Mas percebemos isso.
No início, tentamos cantar esse cântico, especialmente o refrão. Fomos até bem no refrão. E ele dizia assim:
Que amor sem limites, que graça insondável, Tu nos mostraste, ó Deus de compaixão. Cada dia que vivemos é uma oferta de louvor, ao mostrarmos ao mundo Tua compaixão.
Gosto muito disso. Cada dia que vivemos é uma oferta de louvor, ao mostrarmos ao mundo Tua compaixão. Mostramos ao mundo Tua compaixão a cada dia. Que sejamos esse testemunho vivo Dele, mostrando Sua compaixão ao mundo, deixando Sua vida se manifestar por meio de nós em diferentes situações: para nossa família, nossos irmãos, colegas de trabalho, estudantes, seja quem for.
Isso é andar de modo digno, agradando-Lhe. É aquele testemunho de estar pronto a tempo ou fora de tempo. É a manifestação do testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo. E é isso que apressa aquele dia glorioso. É isso que apressa Sua volta. É isso que apressa a vinda de Seu reino, quando Ele vê a vida de Seu Filho em Seu povo.
Ah, irmãos e irmãs, enquanto estamos aqui neste fim de semana, que o Deus de compaixão toque nosso coração de maneira muito nova. E que sejamos daqueles que estão dispostos a ser treinados, dispostos a dar ao Espírito Santo essa maravilhosa liberdade para trabalhar em cada uma de nossas vidas, de modo que, sem que percebamos, mas com Ele operando de maneira viva dentro de nós, de repente estejamos andando de modo digno.
Quando você anda de modo digno, uma das coisas que não está presente é o orgulho. Você não diz: “Sim, estou andando de modo digno. Já dominei isso. Vamos lá. Você precisa fazer isto”. Não. Uma humildade se manifesta. É a vida Dele.
À medida que temos longanimidade, que cuidamos uns dos outros, prontos para atender ao Seu chamado, quando Ele diz:
A quem enviarei?
Que sejamos como Isaías:
Sou um homem de lábios impuros.
“Eu mesmo sou terrível, mas aqui estou, Senhor”, porque tudo é pela Tua graça, pela Tua compaixão. Temos disposição para responder, para ser esses pastores com Ele, cooperadores com Ele, em tudo o que está em Seu coração, e para sermos daqueles que expressam o coração de um Deus de compaixão.
Vamos orar.
Senhor, estamos aqui nesta noite porque Tu és o Deus de compaixão. Tu foste Aquele Que viu isso. Tu foste Aquele Que nos comprou. Tu foste Aquele Que soprou vida em nós. E, Senhor, somos gratos por termos esta oportunidade neste fim de semana. Oramos antes para nos sentarmos aos Teus pés. Abrimos nosso coração a Ti.
Senhor, não estamos aqui apenas para adquirir conhecimento a Teu respeito, mas para ter um encontro com o Deus vivo, por meio de Teu precioso Espírito Santo. Trabalha em cada um de nossos corações, em cada uma de nossas vidas. Em Teu precioso nome. Amém.