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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    NECC 2026 Sunday Afternoon David P.© 2026 Christian Testimony Ministry
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    NECC 2026 Sunday Afternoon David P.
    NECC 2026 Sunday Afternoon David P.
    P., David

    O Senhor da Colheita e a Formação de Seus Trabalhadores

    Boa tarde.

    Podemos abrir, por favor, no Evangelho de Mateus? Vamos ler o capítulo 9, dos versículos 35 a 38. Mateus 9:35-38.

    E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles e proclamando o evangelho do reino, e curando toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade.

    E, vendo as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e abatidas, como ovelhas sem pastor.

    Então disse aos Seus discípulos: “A colheita é abundante, mas os trabalhadores são poucos.

    Portanto, rogai ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a Sua colheita”.

    E agora o capítulo 25, a parte final da última seção dos cinco discursos de ensino que Mateus apresentou antes da crucificação. Mateus 25; vamos ler a partir do versículo 31.

    Mas, quando o Filho do Homem vier em Sua glória, e todos os anjos com Ele, então Se assentará no Seu glorioso trono.

    E todas as nações serão reunidas diante Dele; e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.

    E porá as ovelhas à Sua direita, e os cabritos à esquerda.

    Então o Rei dirá aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai; herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo”.

    “Porque tive fome, e Me destes de comer;

    Tive sede, e Me destes de beber;

    Era estrangeiro, e Me acolhestes;

    Estava nu, e Me vestistes;

    Estive enfermo, e Me visitastes;

    Estive na prisão, e viestes a Mim”.

    Então os justos Lhe responderão, dizendo: “Senhor, quando Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?

    E quando Te vimos estrangeiro e Te acolhemos, ou nu e Te vestimos?

    E quando Te vimos enfermo ou na prisão e fomos visitar-Te?”

    E o Rei lhes responderá: “Em verdade vos digo: na medida em que o fizestes a um destes Meus irmãos, mesmo ao menor deles, a Mim o fizestes”.

    E, se pudermos voltar a Mateus 10, começaremos na primeira metade do versículo 5.

    A estes doze Jesus enviou, depois de lhes dar instruções.

    Mateus 10:7.

    E, à medida que fordes, pregai, dizendo: “Está próximo o reino dos céus”.

    Versículo 9 — desculpem, Mateus 10:8.

    Curai os enfermos;

    Ressuscitai os mortos;

    Purificai os leprosos;

    Expulsai os demônios.

    De graça recebestes, de graça dai.

    Mateus 10:16.

    Eis que Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos;

    Portanto, sede prudentes como as serpentes e inocentes como as pombas.

    Mateus 10:24.

    O discípulo não está acima do seu mestre, nem o escravo acima do seu senhor.

    Mateus 10:26-27.

    Portanto, não os temais; pois nada há encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido.

    O que vos digo nas trevas, dizei-o na luz;

    O que ouvis sussurrado ao ouvido, proclamai-o sobre os telhados.

    Mateus 10:29-30.

    Não se vendem dois pardais por uma pequena moeda? E, contudo, nenhum deles cairá em terra sem vosso Pai.

    Mas até os cabelos da vossa cabeça estão contados.

    Mateus 10:38.

    E quem não toma a sua cruz e vem após Mim não é digno de Mim.

    Mateus 10:42.

    E quem, em nome de discípulo, der a um destes pequeninos ainda que seja um copo de água fria para beber, em verdade vos digo: de modo algum perderá a sua recompensa.

    Oração Inicial

    Vamos nos curvar para orar.

    Senhor, nós Te agradecemos pelos cânticos que pudemos cantar. Senhor, eles nos lembraram de Quem é Aquele a Quem nos achegamos. Assim, Senhor, nós que estamos nesta sala estamos reunidos ao Teu redor. E oramos, Senhor, para que possas falar ao nosso coração. Pedimos que abras a Tua Palavra, Senhor, e que abrandes o nosso coração. Senhor, guarda a ministração, para que tudo seja para a Tua glória e para o propósito do Teu reino. Nós Te agradecemos, Senhor, e entregamos este tempo a Ti, no precioso nome de Jesus. Amém.

    Contemplar o Senhor Antes de Receber Suas Instruções

    Quando eu era adolescente e vinha a conferências como esta, não era raro pensar comigo mesmo: “Sabe, eu gostaria que simplesmente me dissessem o que fazer”.

    E acho que, depois de algum tempo, começamos a perceber que, quando ouvimos uma mensagem que nos diz especificamente o que devemos fazer e tentamos colocar isso em prática em nossa vida, logo percebemos que não há bondade suficiente em mim para continuar fazendo aquilo. Porque aprender o que fazer, no fim das contas, não nos sustenta.

    Por isso, quando o Senhor Jesus veio, Ele veio para o nosso meio. E, antes de nos dar instruções sobre aonde ir ou o que Ele tinha para fazermos, deu-nos a oportunidade de vê-Lo, de observá-Lo e de ver o bem que Ele fazia.

    Os Encontros Transformadores com o Senhor

    Ontem, começamos a compartilhar sobre um cântaro, uma esteira, uma mesa de coletoria de impostos e um pequeno espaço numa esquina onde se sentava uma mulher com hemorragia. Eram quatro objetos ou lugares que, por fim, se tornaram desnecessários ou ficaram vazios porque o Senhor da colheita entrou na vida dessas pessoas. Eram símbolos dos fardos da nossa vida.

    E, quando o Senhor entrou na vida de uma mulher samaritana, Ele trouxe uma fonte de vida eterna. E lhe deu água para que nunca mais tivesse sede. A um homem paralítico, Ele fez com que os pensamentos e as ordens da mente voltassem a se conectar aos músculos e às articulações do corpo. E um cobrador de impostos que escreveu sua breve autobiografia tornou-se discípulo, o que, para ele, provavelmente foi a coisa mais extraordinária de todas. E então essa mulher com hemorragia foi curada pelo Espírito de Deus.

    Nessas breves ilustrações ou nesses momentos da vida do Senhor em Mateus 9, por fora tudo pareceria apenas o dia a dia normal do Filho de Deus. Mas, nessas ações, começamos a ver os princípios do Seu corpo e a força impulsionadora do Seu amor. Nós O vimos em Seu campo, entre aqueles a quem Ele amava.

    E havia ovelhas de todo tipo. Ele ajudou aqueles que já criam Nele. Ajudou aqueles que ainda viriam a crer. Havia jovens. Havia idosos. Havia pessoas necessitadas. Havia pessoas necessitadas que não sabiam que eram necessitadas. Eram pessoas de todo tipo que, no entanto, tinham algo em comum: estavam abatidas. E o Senhor veio para nos levantar. Assim, Ele estendeu a mão e encontrou cada um de nós onde estávamos.

    O Chamado à Oração por Trabalhadores

    Então, irmãos e irmãs, começamos a compartilhar que, àqueles a quem Ele estendeu a mão, em algum momento Ele apresenta uma questão. E essa questão é olhar para o campo e enxergar, por nós mesmos, as ovelhas aflitas e abatidas, vagando sem direção. E então Ele nos dá uma incumbência: orem.

    Ele nos incumbe de orar porque diz:

    Os trabalhadores são poucos.

    Essa é uma declaração, um fato que Ele apresentou. E é provável que isso não tenha mudado ao longo dos anos. Por isso, Ele diz: “Orem para que haja trabalhadores que entrem em Seu campo”. Essa é, portanto, a questão e o versículo que o Senhor colocou diante de nós para este tempo.

    Reconhecer a Necessidade do Senhor naqueles que Ele Ama

    Gostaria de dedicar um momento a compartilhar brevemente sobre Mateus 25, que é a última parte do Seu ensino antes de ir à cruz, conforme o registro de Mateus.

    Nessa seção específica, o Senhor está separando as pessoas, as nações. E coloca um grupo à Sua direita, as ovelhas, e outro à Sua esquerda. Às ovelhas, Ele diz que fizeram todas aquelas coisas maravilhosas: quando Ele teve sede, deram-Lhe de beber; quando esteve na prisão, foram visitá-Lo.

    E seria perfeitamente razoável que as ovelhas perguntassem: “Senhor, quando fizemos essas coisas? Porque, Senhor, não me lembro de uma ocasião em que Tu estivesses na prisão”. Não é? Seria uma pergunta muito lógica para nós.

    Na verdade, a pergunta é: “Senhor, Tu és o Filho de Deus. Quando estiveste em necessidade? Tu és todo-suficiente. Quando estiveste em necessidade?” Porque o Senhor está dizendo que houve um momento em que “Eu estava em necessidade, e vocês vieram Me encontrar”. E o Senhor respondeu para nos fazer saber: “Tenho necessidade por causa daqueles a quem amo”. Essa é a força que move a Sua necessidade.

    Portanto, o que Ele pediu às ovelhas, àqueles de nós que foram chamados e salvos — a questão que Ele nos apresenta — é que olhemos para o campo onde Ele tem necessidade, onde o nosso Senhor está em necessidade. Uma coisa é olhar e ver ovelhas, porque às vezes conhecemos o nosso próprio coração: há julgamento; há atitudes que as abatem ainda mais.

    Mas o Senhor está dizendo: “Vocês precisam olhar de outra maneira. Olhem para o campo e vejam onde Eu estou em necessidade; saiam e venham Me encontrar”. Ele está nos pedindo que pensemos de outra maneira, que vejamos como Ele vê. E lhes disse:

    Quando o fizestes ao menor destes Meus irmãos, a Mim o fizestes.

    Assim, irmãos e irmãs, o que Ele está dizendo é que as ovelhas alcançadas se tornam os trabalhadores, os obreiros que saem para a colheita. E, no final, quando todos estivermos reunidos novamente, continuaremos sendo ovelhas. Ele diz: “Mas vocês foram aqueles que saíram”. Portanto, irmãos e irmãs, nós, ovelhas, sempre somos ovelhas. Às vezes somos aquelas que estão perdidas e abatidas; em outras ocasiões, somos aquelas que saem. Mas essa é a maravilha da casa de Deus.

    Contemplar Aquele que nos Vê

    Chegamos agora a um segundo pensamento. Quais são as instruções para aqueles de nós que serão trabalhadores? Como podemos sair? Nesta parte, gostaria de dizer que, ao lermos esses versículos, eles podem parecer uma lista de tarefas. Mas essas tarefas não têm poder algum sem que fixemos os olhos no Senhor Jesus. Vê-Lo é o primeiro passo e o mais fundamental para a leitura deste próximo capítulo, que está ligado ao capítulo 9 pelo nosso versículo-tema.

    Agar, Natanael e Pedro

    Lembramos que, quando Agar foi expulsa da casa por Sara, ao ficar grávida de Ismael, ela fugiu para um lugar chamado Beer-Laai-Roi. E o nome desse lugar significa, em essência: “Vi Aquele que me vê”. E o Senhor veio até ela e lhe disse: “Agar, Eu vejo você”. E Agar O viu. Daí o nome do lugar: “Vi o Vivente que me vê”.

    Também lembramos que, quando Natanael foi chamado e o Senhor veio ao seu encontro, Ele disse: “Sabe, Eu vi você debaixo da árvore”. E, para Natanael, foi a mesma coisa: “Estou olhando para Aquele que me viu”.

    E, naturalmente, lembramos de Pedro. Pedro, no fim de sua vida, quando estava tão certo de que nunca negaria o Senhor — ele O negou três vezes. E, quando O negou pela terceira vez, o galo cantou; ele olhou para o Senhor, e o Senhor estava olhando para ele. E Pedro poderia dizer a mesma coisa: “Vi Aquele que me vê”.

    E então, é claro, o Senhor o restaurou com uma pergunta muito simples:

    Amas-Me mais do que estes?

    E, diante da resposta fraca e vacilante de Pedro, o Senhor lhe deu uma incumbência:

    Cuida, alimenta, apascenta as Minhas ovelhas.

    E o que vemos aqui, irmãos e irmãs, é que chegamos como somos. Achegamo-nos Àquele e contemplamos Aquele que me viu. Ontem, compartilhamos que precisávamos ver como Ele vê para reconhecer a importância do momento. E agora gostaríamos de compartilhar que, para sair, precisamos ver Aquele que me vê. Beer-Laai-Roi.

    Portanto, não podemos tratar dessas próximas instruções de Mateus 10 sem vê-Lo, sem mantê-Lo bem diante dos nossos olhos. O Senhor Jesus nos ensinou o que significa viver em Seu campo.

    Cinco Instruções para os Trabalhadores

    É nesse contexto que Ele começa a compartilhar, e gostaríamos de tratar de cinco seções:

    1. A primeira é: “De graça recebestes, de graça dai”.
    2. A segunda é que somos discípulos do Mestre.
    3. A terceira é: “Não temais”.
    4. A quarta: “Toma a tua cruz e segue-Me”.
    5. E a quinta é cuidar das crianças.

    Cada uma dessas cinco instruções oferece um fortalecimento necessário para que possamos sair.

    1. Receber de Graça e Dar de Graça

    Vamos começar com a primeira: “De graça recebestes, de graça dai”. Está em Mateus 10:8.

    Isso começa em Mateus 10:6, onde Ele diz:

    Ide às ovelhas perdidas da casa de Israel.

    Na verdade, para ser sincero, começa em Mateus 10:1:

    E, tendo chamado os Seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade.

    E depois, em Mateus 10:5-8:

    A estes doze Jesus enviou, depois de lhes dar instruções, dizendo: “Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade alguma dos samaritanos;

    Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel.

    E, à medida que fordes, pregai, dizendo: ‘Está próximo o reino dos céus’.

    Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios.

    De graça recebestes, de graça dai”.

    Dons para um Povo e um Propósito Específicos

    O que vemos aqui, no início deste capítulo, é que Ele tem um público muito específico e um objetivo muito específico. Ele deu dons a esse grupo de doze discípulos. Os dons são autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsá-los, e para curar toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade. Ele lhes deu essas coisas para que fossem a um grupo de pessoas.

    E esse grupo de pessoas, como lemos aqui, não são os gentios, que viriam depois, no livro de Atos, no livro de Lucas. Mas, nessa primeira saída, Ele os estava enviando para onde já havia caminhado. E, nesse lugar, Ele diz:

    Ide às ovelhas perdidas da casa de Israel.

    E preguem:

    Está próximo o governo dos céus.

    “Curai os enfermos”, e assim por diante. E, no final, Ele diz:

    De graça recebestes, de graça dai.

    Sabemos que, nessa seção, o público-alvo são os judeus. Mas, ao lermos algumas dessas instruções, gostaríamos de destacar que elas se aplicam ao longo de toda a Bíblia.

    Eu me lembro — e já mencionei o quanto sou grato pelos irmãos que têm compartilhado há tantos anos em conferências como esta — de que nosso querido irmão Christian costumava dizer algo que eu achava muito engraçado. Ele dizia: “Sabe, na Bíblia existe uma lei das duas vezes”. E eu pensava comigo mesmo: “O que será essa lei das duas vezes?”

    O que ele queria dizer era que há ocasiões em que algo é dito e depois confirmado em outras ocasiões. Assim, a lei das duas vezes se refere ao fato de que as cinco instruções que estamos prestes a ler — sim, nesse contexto específico, dizem respeito aos judeus — são repetidas pelo Senhor em muitas ocasiões, à medida que Seus discípulos saem. Portanto, gostaríamos de lê-las como instruções que se aplicam a nós, embora, no início desta seção, o primeiro público-alvo sejam os judeus.

    E Ele lhes diz:

    De graça recebestes, de graça dai.

    A Autenticidade do Dar

    Eles tinham visto no Senhor como Ele dava. Tinham visto que havia ocasiões em que Ele falava com pessoas necessitadas e nem sequer lhes dizia Quem Ele era. Elas vinham, Ele as curava e, mais tarde, alguém lhes perguntava: “Quem curou você?” E a pessoa dizia: “Sabe, não sei. Não fiquei sabendo o nome Dele”. Em outras ocasiões, elas sabiam Quem Ele era, mas Ele lhes dizia: “Não digam nada”.

    A instrução do Senhor Jesus também era essa. Era o objetivo intrínseco e puro de fazer o bem. Ele não estava nos pedindo que saíssemos com uma grande propaganda de Jesus ou algum tipo de placa piscando. Era um coração puro para demonstrar amor àqueles a quem Ele amava. E essa pureza se comunica com muita clareza quando as pessoas estão buscando.

    Haverá ocasiões em que surgirá uma curiosidade, e as pessoas perguntarão: “Qual é a religião deles?” Lembro que, quando minha filha chegou em casa, eu era professor na região da baía de São Francisco. E, quando trouxemos nossa filha da China para casa, isso despertou várias conversas entre os alunos chineses: “Qual é a religião dele?”

    Naquele momento, percebi que há ocasiões em que um coração puro para fazer o bem traz consigo uma voz forte, embora inaudível, que dá às pessoas a oportunidade de se perguntar. Assim, o que vimos aqui foi que, ao saírem, havia a intenção de fazer o bem. E essa intenção era autêntica.

    Capacidades Recebidas de Graça como Pontos de Conexão

    E Ele os preparou. Deu-lhes algo. Deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsá-los, e para curar toda espécie de doença. Isso foi algo dado a eles, algo especial, mas não mais especial do que as coisas que Ele pode dar a nós em nossa área de atuação.

    Para eles, era: “Vou lhes dar estes dons de cura para os judeus”. Para nós, pode ser: “Vou ajudar você a entender Álgebra 2 para atuar na Escola de Ensino Médio Wilson. E você vai ficar bom em derivadas e integrais”.

    Ele dá um dom especial para um momento especial e para um grupo específico de pessoas. Naquela ocasião, eram aquelas coisas para aquele grupo; e, naturalmente, ao longo dos anos, Ele enviou pessoas diferentes a áreas diferentes, com dons diferentes que proporcionariam uma conexão.

    Essas coisas são dadas de graça. E não são para nós. O conhecimento de derivadas e integrais — e nem sei se isso faz parte de Álgebra 2 —, mas o conhecimento dessas coisas, irmãos e irmãs, não é para nós. Ele nos deu coisas por meio das quais podemos estabelecer uma conexão com aqueles que estão ao nosso redor, ou com o momento e o lugar em que nos encontramos.

    E as oportunidades de conexão que Ele nos deu foram dadas de graça. Então, devo dizer que foram recebidas de graça por nós e devem ser dadas de graça. Seu propósito era estabelecer uma conexão com algo maior e abrir a possibilidade de as pessoas buscarem algo igualmente gratuito, mas muito mais valioso do que a matemática ou mesmo a cura de uma doença.

    Assim, irmãos e irmãs, Ele estava nos dizendo: “O que estou dando a vocês não é para vocês. O que lhes dei deve ser usado para o reino, porque vocês vão sob a autoridade do Rei”.

    O Custo do Dom Gratuito da Salvação

    O que vemos, portanto, é que, nesse momento, como nosso irmão nos lembrou nesta manhã, Mateus 10 é profético. Porque esse dom gratuito que devemos poder dar gratuitamente aos outros se conecta, naturalmente, a outra coisa que também foi gratuita: nos anos seguintes, esse Jesus que os estava enviando seria crucificado na cruz. E Ele seria feito, é claro, uma oferta pelos nossos pecados e um pagamento pela nossa dívida.

    Mas, se você e eu estivéssemos observando junto à cruz, nossa conclusão seria que esse dom da vida eterna, na verdade, não é de modo algum gratuito. Porque teríamos visto o custo suportado pelo Senhor Jesus, o preço, o preço integral que Ele pagou.

    Ontem, compartilhamos que Mateus era o grande contador. Ele sabia exatamente quantos dólares cada família devia naquele pequeno canto do mundo. Mas Mateus não se compara ao inimigo. O inimigo é, de fato, o grande contador. Ele registrou cada um dos nossos pecados. Conhece a dívida de cada um de nós até o menor detalhe. Sabe exatamente onde ficamos aquém e mantém a conta atualizada.

    Assim, naquele dia em que o Senhor veio e foi pendurado na cruz, Ele suportou tudo e também estava fazendo a soma. Sabia que tudo, tudo precisava ser pago. Até o último débito, para que a salvação pudesse ser gratuita para aqueles de nós que clamam. E, quando isso foi concluído, nosso Senhor Jesus disse:

    Está consumado.

    Até a última dívida foi registrada e plenamente paga. E, por causa disso, há algo que podemos oferecer. Aquilo a que se conecta o que Ele nos deu para dar de graça também é recebido de graça e dado de graça. E essa é a história do preço que foi pago. De graça foi recebido, de graça é dado. É, literalmente, o maior presente que já foi dado.

    Mas, irmãos e irmãs, o Senhor organiza todas as conexões.

    Uma Ilustração a Partir de Aulas de Apoio em Química Orgânica

    Permitam-me dar um breve exemplo. Quando estava na faculdade, eu diria que era um aluno razoavelmente bom. Não diria que era um excelente aluno. E houve um dia, quando eu estava no segundo ano — morava fora do campus, num quarto só meu —, em que estava tentando aprender química orgânica. Talvez eu já tenha contado essa história a vocês, mas há uma segunda parte que acho que ainda não contei.

    Lembro de um dia em que fiquei muito frustrado, porque, em química orgânica, você precisa pegar uma molécula e acrescentar uma série de — como é que se chamam? Enfim, substâncias que desencadeiam reações e levam você de A para B, de B para C, de C para D e de D para E. Você precisa descobrir como ir de A até E acrescentando todas essas outras substâncias químicas. E eu estava olhando fixamente para a folha, para aquela única questão. Provavelmente fiquei trabalhando nela por cerca de uma hora, sem conseguir descobrir como resolvê-la. Estava muito frustrado.

    Então me veio um pensamento, e foi este: “Senhor, se Tu és o Criador e criaste isso, então sabes a resposta para esta questão impossível. Poderias, por favor, me ajudar com este problema de química orgânica?” Foi literalmente assim.

    Terminei de orar, olhei para a folha e fui de A para B, de B para C, de C para D e de D para E. Então olhei para o papel e fiquei completamente espantado. Eu não tinha fé. Mas, de algum modo, tinha ido de A até E, e a resposta estava correta.

    A partir daquele dia, decidi que iria orar antes de fazer cada tarefa, e foi o que fiz. Puramente egoísta, não é? Eu orava antes de cada tarefa e aprendi química orgânica tão bem que, de longe, aquelas foram minhas duas melhores notas na faculdade. Não tinha dúvida alguma de que Ele havia me explicado aquilo.

    No ano seguinte, em nosso grupo cristão — nada disso foi premeditado —, alguns alunos do segundo ano, e eu agora estava no terceiro, iam cursar química orgânica. Então eu disse: “Sabe de uma coisa? Se vocês quiserem, fui muito bem nessa matéria. Vou tentar ajudá-los na… Esqueci qual era o dia. Quarta-feira, nas noites de quarta-feira”.

    E eles disseram: “Está bem”. Então começamos a nos reunir no alojamento deles. Sempre começávamos orando, porque eu lhes dizia: “Vocês precisam orar antes de começar e precisam orar quando estivermos terminando”. Puramente egoísta. E fazíamos isso. Orávamos antes de começar e antes de terminar, e tudo estava indo bem.

    Então eles começaram a convidar amigos, e vieram cada vez mais pessoas. Depois conseguimos uma sala maior. E era muito engraçado, porque tínhamos cerca de cinquenta pessoas não crentes reunidas toda semana, orando antes e depois de um encontro sobre química orgânica. Era algo que, sabe, ninguém teria esperado.

    Então minha esposa começou a… Ela ainda não era minha esposa naquela época, mas ela e algumas outras pessoas vinham preparar lanches e biscoitos. Fazíamos isso nos alojamentos. Durante trinta semanas, fizemos isso, um ano inteiro, e acabou se tornando algo normal. Eles simplesmente se acostumaram: cinquenta pessoas vinham, e nós orávamos antes de começar e no final. Nada disso foi planejado.

    Exceto que tudo foi coordenado pelo Senhor, pelo Espírito. E lembro que, na última semana em que estivemos juntos, pensei comigo mesmo: “Sabe, tenho todos esses não cristãos nesta sala comigo. Provavelmente deveria dizer alguma coisa”.

    Fui até lá e, depois de termos orado, disse: “Sabe, na semana passada eu estava num café, sentado perto de um casal, e eles estavam falando muito mal dos cristãos. Estavam simplesmente criticando os cristãos duramente”.

    Então eu disse: “Fico muito feliz que vocês tenham estado conosco nestas últimas trinta semanas. Agradeço por nos permitirem orar antes e depois. E espero que um dia, se alguém chegar até vocês e disser: ‘Sabe, os cristãos não prestam’, ou algo assim, vocês possam dizer: ‘Bem, sabe, conheci alguns certa vez e, sabe, eles não eram tão ruins assim’”. Quer dizer, de todas as coisas que eu poderia dizer, foi isso que eu disse.

    Então eles disseram — esqueci quem foi —, alguém disse: “Muito obrigado por nos deixarem vir”. E todos estavam concordando com a cabeça. “Gostamos muito de participar disso”.

    Quando penso nisso, percebo que a luz não perdeu o brilho, porque nenhum de nós sequer sabia o que estava acontecendo. Não tínhamos a percepção de que desempenhávamos algum papel naquilo. Era simplesmente porque, de alguma maneira, segundo o Seu propósito, havia algo que Ele tinha dado a alguns de nós. Eu tinha um amigo chamado Brian que me ajudava nisso. E havia algo em que Ele nos havia ajudado em determinado momento que se tornou um canal para ajudar outras pessoas.

    E a luz teria perdido mais o brilho se tivéssemos alguma sensação de que, de algum modo, éramos nós que estávamos por trás daquilo. Não éramos. Todos sabíamos disso. Era outra coisa. E, em cada momento, o Senhor sempre nos dava as palavras certas e as maneiras de estabelecer conexão.

    A Administração do que o Senhor nos Confia

    Portanto, Ele nos diz:

    De graça recebestes, de graça dai.

    “Não se apeguem às coisas que lhes dei como se pertencessem a vocês. Não as acumulem. Elas não são para vocês”. Assim, Ele estava nos dizendo: “Vão. Proclamem que vocês têm um Rei”. E todas essas coisas, na verdade, pertencem a Ele. Devemos usá-las da maneira que Ele planejou.

    Nossa primeira instrução, então, é não pensar que aquilo que vamos oferecer veio de nós. Não veio. Vamos deixar isso resolvido agora mesmo. É algo que o Senhor nos deu, algo que nos confiou para que fosse transmitido por meio de nós.

    E Ele será o Coordenador. Ele fará tudo acontecer. Pelo Espírito, como nosso irmão nos lembrou nesta manhã, pelo Espírito, Ele preparará cada oportunidade. Organizará cada interação. Estabelecerá todas as conexões com as pessoas que vamos encontrar.

    E elas podem ser crentes. Podem ser não crentes. Há muitos que estão em necessidade, e nós também seremos ajudados, reciprocamente. Esse é o corpo de Cristo funcionando na casa de Deus. Portanto, esta é a primeira instrução:

    De graça recebestes, de graça dai.

    2. O Discipulado como Aprendizado junto ao Mestre

    A segunda instrução está na próxima seção. Precisei combinar um pouco duas delas, mas esta vem de Mateus 10:24.

    O discípulo não está acima do seu mestre, nem o escravo acima do seu senhor.

    Isso nos mostra que a incumbência que recebemos é uma incumbência de discipulado. A seção começa, na verdade, em Mateus 10:16. E, logo no início, somos informados de que Ele está nos enviando como ovelhas entre lobos. Essa é uma advertência real para nós.

    A Dificuldade de Sair para o Campo

    Acho que seria maravilhoso se alguém viesse nos dizer que essa obediência específica será um passeio no parque. Não será. Somos informados de que somos ovelhas entre lobos. E a verdade é que estamos envolvidos na batalha dos séculos. É a batalha entre nosso Senhor e Seu adversário.

    O que sabemos sobre o Seu adversário é que ele não pode ferir o Senhor, o próprio Senhor em Si. Não pode fazê-lo. Por isso, naturalmente, ele toma como alvo aqueles a quem nosso Senhor amou. E assim entramos na mira.

    É uma história tão comum, não é? É por isso que Clark Kent não pode namorar Lois Lane: os vilões não podem ferir o Superman, mas podem ferir Lois Lane. Não é? Ou o Homem-Aranha e a namorada dele. Ele não pode namorá-la, como vocês se lembram, porque sabe que ela se tornará um alvo.

    Digo isso com um pouco de humor, mas vocês podem perceber a lógica dessa estratégia. Porque ele sabe o quanto — ele, mais do que ninguém, sabe o quanto o Senhor nos ama. Ele sabe. Por isso, procura esconder esse amor e vem atrás de nós.

    Mas é nesse contexto que o Senhor nos lembra de que Ele também foi odiado neste mundo. E nos chamou para ser discípulos, para segui-Lo. Vamos suportar coisas semelhantes às que Ele suportou.

    E, durante gerações, irmãos e irmãs, houve aqueles que vieram e se foram, que entraram no mundo como ovelhas entre lobos para alcançar os aflitos e abatidos. E foi por causa do trabalho deles que uma tocha passou de geração em geração.

    Essas coisas não acontecem por acaso. Acontecem por escolha. Houve pessoas que sabiam que essa batalha estava em andamento e decidiram correr em direção ao perigo.

    E o Senhor nos disse:

    Os trabalhadores são poucos.

    Isso é verdade. Mas é fácil entender por que é assim, não é? Porque, ao escolher isso, haverá dificuldades, obviamente. Então, como podemos ser preparados?

    Aprender uma Vida por Meio da Proximidade

    O discipulado, como o irmão Kong nos lembrou, é um aprendizado junto a um mestre. E esse aprendizado não consiste apenas em adquirir uma habilidade. É como se você fosse um luthier, não é? Você aprende a fazer violinos. Ser aprendiz não é simplesmente aprender o conjunto de habilidades necessárias para fazer um violino. Na verdade, você estava ligado a um mestre luthier, vivia com ele e observava como ele vivia.

    Tornar-se discípulo é ser aprendiz para observar uma vida sendo vivida. Aprendemos e observamos, dia após dia, como aquela pessoa se relaciona com o mundo. Assim, quando o Senhor nos chama: “Segue-Me”, o que Ele está nos pedindo primeiro é que sejamos discípulos, aprendizes; que venhamos viver perto Dele para que possamos observá-Lo.

    O irmão Kong, em seu pequeno livro, disse que, quando Ele chamou Pedro, Seu chamado foi:

    Segue-Me, e Eu vos farei pescadores de homens.

    Ele estava dizendo que o primeiro chamado é para ser discípulo. E o segundo chamado é para ser servo. Ou seja, primeiro precisamos aprender e observar Sua vida, estar perto Dele, viver juntos nossos momentos de quietude.

    Mais uma vez, Mateus 10 era profético em relação à Palavra de Deus, que ainda não havia sido plenamente escrita. A Palavra de Deus, da qual podemos aprender hoje, é um instrumento pelo qual o Senhor Se aproxima de nós. E, por meio desse instrumento, Ele nos diz:

    O que Eu sussurro ao teu ouvido, proclama-o sobre o telhado.

    O que Ele estava dizendo era: “Haverá um tempo em que, durante o seu aprendizado, enquanto você estiver perto de Mim, teremos momentos de comunhão, e haverá algo que Eu lhe direi baixinho, em particular, em nosso lugar secreto, no esconderijo do Altíssimo. E, nesses momentos, aquilo que lhe mencionei no decorrer de sua vida normal lhe dará poder e palavras para falar, por Minha causa”.

    Isso significa que precisamos ter uma proximidade com Ele que nos capacite a sair. Não há como sair sem isso. E não há como imitar isso. Não se pode colocar outra coisa em seu lugar. Precisamos ter um relacionamento com o Deus Altíssimo no lugar secreto.

    A Formação por Meio do Fracasso e da Fraqueza

    E isso acontece nos momentos em que falhamos. Nós realmente O conhecemos, conhecemos o quanto Ele nos ama, nos momentos de incerteza, em nossos fracassos ocultos ou em nossas fraquezas ocultas. São os momentos em que nos achegamos àquele lugar e percebemos que Ele é o único que está ali e que Ele sabe. “Vi Aquele que me vê”, e nada está escondido dos Seus olhos.

    É essa proximidade que nos transforma, de modo que, quando respondemos ao chamado, essa resposta produz algo que vem de quem somos, não de como fomos treinados. Vem de algo que aprendemos ao cair, que nos permite levantar e ajudar outra pessoa a se levantar.

    E todos aprendemos dessa maneira, uns com os outros, porque esse é o poder secreto da casa de Deus quando não reprimimos nem escondemos essas coisas. É que estamos unidos uns aos outros e levantamos uns aos outros, tudo porque, em nossos lugares secretos, o Senhor está perto daqueles de nós que precisam Dele.

    Portanto, irmãos e irmãs, somos chamados para ser discípulos e, depois, somos chamados para ser servos. Somos chamados para estar perto, para que Ele possa nos sussurrar algo que nos capacite a sair; não é o contrário. Esse é o próximo segredo que Ele lhes revela. Será um caminho difícil, mas é assim que conseguiremos atravessá-lo.

    3. Coragem por Meio do Conhecimento e da Presença do Pai

    A terceira instrução é: “Não temais”. Está em Mateus 10:28. É o versículo 28? Sim, 28.

    E não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma.

    Mateus 10:29-30.

    Não se vendem dois pardais por uma pequena moeda? E, contudo, nenhum deles cairá em terra sem vosso Pai.

    Mas até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.

    Encontrar Coragem na Presença do Senhor

    Sempre que pensamos no medo, lembro dessa passagem do livro de Atos, quando Paulo estava diante do Sinédrio, em Jerusalém, e o caos havia se instalado ao seu redor, e ninguém sabia o que estava acontecendo. Havia o receio de que a multidão despedaçasse Paulo. Naquela ocasião, Paulo esteve diante do Sinédrio e, mais tarde, ao contar a história, ao dar seu próprio testemunho, ele diz: “O Senhor Se colocou ao meu lado”. E o Senhor Se colocou ao lado dele e disse:

    Tem coragem.

    O Senhor vê o nosso coração. Paulo não precisou Lhe dizer: “Senhor, estou com medo”. O Senhor podia ver. Por isso, o Senhor lhe disse: “Tenha coragem”.

    Coragem é uma palavra maravilhosa. A origem da palavra vem de cœur, que é a palavra francesa para coração. Portanto, basicamente, significa ter força no coração. Naquele dia, o Senhor estava dizendo a Paulo: “Fortaleça o seu coração”. E Paulo sabia que Ele estava ao seu lado.

    O Custo Terreno do Discipulado

    Por que precisamos ter coragem? Porque, irmãos e irmãs, já mencionamos que sair para o campo é, de fato, entrar num lugar que pode ser perigoso. E, quando O seguimos, isso tem um custo para a nossa vida material.

    Billy Graham disse de maneira tão maravilhosa: “A salvação é gratuita, mas o discipulado vai custar tudo a você”. Entre as coisas que podemos perder, certamente está a nossa reputação. Isso pode nos custar recursos financeiros. Certamente nos custará tempo. Todos os recursos fundamentais para um futuro seguro neste mundo podem ser colocados em risco.

    Também há o FOMO, que, para aqueles que não sabem — como eu, até pouco tempo atrás —, significa “medo de ficar de fora”. Se você fizer isso, o que deixará de aproveitar? O chamado do Senhor para sairmos dessas coisas certamente vai contra a cultura, porque vivemos num mundo em que somos incentivados a nos agarrar firmemente a todas elas.

    Quando passamos por essas tentações, sabemos que haverá ocasiões em que cairemos. Haverá momentos em que talvez cedamos a alguma coisa, seja negando o Senhor numa determinada situação, seja escondendo algo do Senhor que é importante em nossa vida. Há momentos em que cairemos e haverá perdas. E, nessas ocasiões, somos trazidos de volta àquela verdade: “Vi Aquele que me vê”.

    E o Senhor nos diz nesta seção: “Eu vejo você. Eu sei. Sei tudo sobre quem você é”.

    O Cuidado do Pai com o Pardal

    Então Ele nos leva ao mercado. Ele diz: “Sabe, se caminhássemos por uma rua de Jerusalém naquela época e passássemos por uma das carroças, haveria um homem vendendo dois pardais por uma pequena moeda”. E isso é uma boa oferta. Mas, se continuássemos caminhando, em Lucas 12, talvez encontrássemos outro homem com uma carroça.

    O homem de Lucas 12 saberia que o homem de Mateus 10 estava vendendo dois pardais por uma moeda. Então o homem de Lucas 12 diria: “Bem, eu lhe dou cinco pardais por duas moedas”. Não é? O quinto pardal, então, sairia de graça. E lembro que o irmão Kong sempre dava esse exemplo de matemática. Ele dizia: “Sabe, aquele quinto pardal, sem valor, vai de brinde”.

    Mas até esse quinto pardal, quando cai, o Senhor cai com ele. É isso que está escrito em Mateus 10:29:

    E, contudo, nenhum deles cairá em terra sem vosso Pai.

    Isso significa que, enquanto estamos despencando, Ele está ali conosco. É como se pensássemos que estamos completamente sozinhos, caindo pelo céu, como num salto de paraquedas. De repente, você olha para a direita — o Senhor está bem ali. E é algo maravilhoso saber que Ele sabe e que está conosco.

    Quando o medo vem, quando temos medo de fracassar, ou já fracassamos, ou temos medo daquilo de que talvez precisemos abrir mão, esse é o momento mais importante para saber que, quando eu caio, Ele cai comigo. Ele não será Aquele que vai Se afastar. Podemos pensar que, se estamos caindo, ficamos separados; Ele não será Aquele que Se separa. Ele sempre estará conosco, ao nosso lado.

    Os Cabelos Contados da Cabeça

    Então, em Mateus 10:30, o Senhor menciona os cabelos. Bem, não se pode mencionar cabelos — para aqueles que não sabem, minha formação é em dermatologia. Assim, no momento em que alguém menciona cabelos, minha mente começa a trabalhar nisso, porque, sabe, somos responsáveis pelos cabelos. Está escrito aqui:

    Mas até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.

    Isso é extraordinário, irmãos e irmãs. Não é apenas que Ele sabe quantos cabelos temos. Os cabelos estão contados, um por um.

    Quando nascemos — e vocês vão precisar me perdoar, vou entrar um pouco no lado técnico agora —, todos os folículos capilares da nossa cabeça já estão ali. Quando nascemos, todos os nossos cabelos já estão ali. Portanto, para aqueles de nós que esperam conseguir produzir mais cabelos, sinto muito dizer: isso não vai acontecer. Está bem?

    Dito isso, à medida que envelhecemos, alguns fios se miniaturizam. Eles chamam isso de miniaturização, e então os fios caem. Se vocês estão se perguntando o que é isso, eu poderia mostrar, mas, sabe, talvez vocês tenham sua própria experiência pessoal com o assunto. Assim, seus fios se miniaturizam.

    A terceira coisa que acontece é que, quando estamos estressados, nosso cabelo passa por algo chamado eflúvio telógeno. Isso significa que existe um ciclo normal do cabelo: algo como 80% dos fios estão crescendo, e 20% estão caindo. Quando vêm aqueles períodos de estresse, ocorre uma mudança: apenas 40% dos fios estão crescendo, e 60% estão caindo.

    Portanto, quando a Bíblia nos diz — e eu levo isso de maneira bastante literal — que Ele contou os cabelos da nossa cabeça, isso significa, para mim, que o Senhor estava ali quando nascemos. E Ele sabia, e sabe, como nos fez. Sabe o número fixo de cabelos que teríamos quando nascemos. Sabia quem éramos. Sabia para que fomos feitos.

    Depois, à medida que envelhecemos e alguns desses fios se miniaturizam por causa do tempo e das experiências pelas quais passamos, Ele também conhece essas coisas: ao longo da nossa vida e dos fardos que carregamos, nós nos tornamos alguém. E Ele sabe em que ponto da nossa jornada estamos, talvez por causa dos cabelos da nossa cabeça. Aliás, isso provavelmente se aplica mais aos homens do que às mulheres, mas os cabelos da nossa cabeça que se miniaturizaram — nós sabemos disso. Ele os conhece.

    E Ele também sabe quando estamos passando por períodos de enorme estresse, quando algo fora do comum aconteceu e houve aquela mudança para 40%. Conhece os fardos que estamos carregando neste momento. Portanto, quando a Bíblia nos diz que Ele contou os cabelos da nossa cabeça, Ele sabe para que nos fez. Sabe onde estamos em nossa jornada. E sabe quais fardos estamos carregando. Esse é Quem Ele é, e é assim que nos conhece profundamente.

    Então, quando os medos vêm, precisamos ver Aquele que me vê, para saber que Ele está conosco.

    4. Negar a Si Mesmo e Tomar a Cruz

    A quarta instrução: “Toma a tua cruz e segue-Me”.

    Talvez possamos ler alguns versículos. Bem, acho que não tenho tempo. Então vou apenas compartilhar que uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove vezes ao longo dos Evangelhos o Senhor nos disse: “Segue-Me”. E, cinco vezes, Ele nos disse que, para isso, precisamos negar a nós mesmos e tomar a nossa cruz.

    Ele disse a Pedro:

    Segue-Me, e Eu vos farei pescadores de homens.

    Conheço as Minhas ovelhas.

    Elas ouvem a Minha voz e Me seguem.

    Ele disse:

    Se alguém Me serve, deve seguir-Me;

    E, onde Eu estou, ali também estará o Meu servo.

    Ele disse ao jovem rico:

    Vende o que possuis, dá aos pobres e segue-Me.

    E então, em Lucas 14, em Mateus 10, em Marcos 8, em Lucas 9 e em Mateus 16, em todas essas ocasiões o Senhor nos diz:

    Nega a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-Me.

    Por quê, irmãos e irmãs?

    A Ameaça da Carne

    Há um perigo inerente ao discipulado. E esse perigo, como um dos nossos irmãos destacou ontem de manhã, é a carne. A carne precisa estar em primeiro lugar. No trono do nosso coração, ela precisa estar sentada, e não vai desistir sem lutar. E ela é a maior ameaça àquilo que o Senhor deseja realizar em nossa vida.

    Houve um momento no livro de Atos em que Paulo estava se despedindo dos efésios e lhes dizia que viriam dificuldades, encorajando-os a prosseguir. E ele disse: “Haverá lobos que surgirão até mesmo dentre vocês”. Antes, tínhamos sido advertidos de que seríamos ovelhas cercadas por lobos. Agora Paulo estava dizendo aos santos de Éfeso: “Haverá lobos entre vocês”.

    E ele lhes deu uma proteção. A proteção que lhes deu era algo que sabia que o Senhor Jesus havia dito, um corolário dos versículos que lemos. E o Senhor lhes disse:

    Mais bem-aventurado é dar do que receber.

    Eu pensava que isso era apenas um ditado americano da época do Natal. Mas é algo que está em letras vermelhas na minha Bíblia, algo que Paulo se lembrava de ter ouvido do Senhor Jesus:

    Mais bem-aventurado é dar do que receber.

    Isso significa que vou tomar a cruz e não permitir que eu mesmo esteja em primeiro lugar. Esse é um princípio fundamental do Senhor e da Bíblia. É uma proteção contra o coração egoísta que deseja envenenar a obra do Senhor.

    Assim, irmãos e irmãs, Dana disse isso ontem de manhã. Essa é a marca, a única maneira pela qual conseguimos segui-Lo, segui-Lo a todos os lugares aonde Ele deseja que vamos. E, à medida que vivemos com Ele e O contemplamos, isso deixa uma marca em nosso coração.

    Exemplos de Abnegação entre os Santos

    Já compartilhei sobre essa passagem e me lembro de um ano numa conferência na costa oeste. Naquele ano, eu era responsável por preparar um dos alojamentos. Lembro de entrar no alojamento que seria destinado às pessoas de setenta e oitenta anos.

    Entrei no alojamento na manhã do retiro e percebi que nenhuma das camas tinha sido rebaixada. Estavam, não sei, a mais de dois metros de altura. Fiquei olhando, sem saber o que fazer. Então alguns irmãos pensaram um pouco na situação. Decidimos ir à Home Depot comprar várias ferramentas elétricas para rebaixar todas as camas.

    Quando voltamos, alguns dos santos já tinham chegado. Eles não nos avisaram. Entrei num quarto ocupado por alguém que havia servido ao Senhor a vida inteira. Eu não sabia; apenas vi a cama. Então subi para começar a desmontá-la. A primeira coisa era tirar o colchão e colocá-lo no chão.

    Subi para tirar o colchão e percebi que ele tinha arrumado a cama. A cama estava arrumada, havia um travesseiro e, ao lado do travesseiro, uma Bíblia. Ele não estava no quarto. Saí e descobri que aquele irmão tinha oitenta e cinco anos. Não conseguia acreditar. Fiquei olhando, sem saber o que dizer.

    Porque alguém havia negado a si mesmo e entendido que aquilo era o que o Senhor tinha preparado para ele: “O lugar onde eu vou dormir”. Fiquei em choque.

    Havia outra pessoa, uma irmã. Quando entramos, ela também estava ali. Não sei quantos anos tinha. Mas alguém tinha pelo menos ajudado a colocar o colchão no chão. Ela estava sentada no chão, e eu lhe disse: “Vamos rebaixar a sua cama”.

    E ela disse: “Não, outras pessoas precisam mais do que eu”.

    Eu disse: “Não, vamos rebaixar a cama”.

    Ela olhou para mim e disse: “Não”.

    E eu lhe disse: “Irmã, você não consegue se levantar”.

    Ela respondeu: “Consigo, sim”.

    Eu conhecia aquela irmã. Disse: “Então me mostre”.

    A irmã olhou para mim, sentada na cama. Então fez um movimento: virou-se, deitou de algum jeito, fez uma espécie de cambalhota de lado, conseguiu ficar de joelhos, levantou-se, virou-se, olhou para mim e disse: “Viu?”

    Olhei para ela, e não vou esquecer isso. Em primeiro lugar, foi muito engraçado. Mas ficou como uma lembrança de santos que negavam a si mesmos porque pensavam que outras pessoas precisavam mais e que ela podia se virar. E eu perdi. No fim, não rebaixei a cama.

    Há uma vida, irmãos e irmãs. Quando seguimos essa vida, Ele nos ensina a negar a nós mesmos.

    5. O Cuidado com as Crianças na Casa de Deus

    A última seção é a quinta. É breve e serve como um lembrete para nós. Está aqui em Mateus 10, no último versículo, Mateus 10:42.

    E quem, em nome de discípulo, der a um destes pequeninos ainda que seja um copo de água fria para beber, em verdade vos digo: de modo algum perderá a sua recompensa.

    Era isso que o Senhor estava nos dizendo em Mateus 25: “Não se esqueçam das crianças”. Era uma instrução especial no final.

    A Responsabilidade de Amar e Proteger os Mais Novos

    Nesta manhã, durante a mesa do Senhor, tive a oportunidade de me sentar atrás das crianças do Josh, das filhas dele. Você olha para elas e percebe que são tudo para nós. Tudo. Elas são tudo para o Senhor.

    As crianças — preciso ter cuidado aqui, porque nossos jovens que estão no ensino médio, tecnicamente, acho que ainda são crianças, mas, sabe, já têm idade para estar entre aqueles que marcham. Ainda assim, penso que há um lembrete para nós: precisamos estar atentos às crianças, porque elas são tudo para Ele.

    Quando elas estão com sede ou em necessidade, precisamos lhes levar água. Sabe, isso provavelmente se refere à água física, mas há também, obviamente, um aspecto espiritual: precisamos estar atentos a elas e fazê-las saber que são amadas.

    Isso é verdade, naturalmente, em nossas famílias. E também é verdade na casa de Deus: quando olharem para trás e pensarem no lugar onde cresceram e nos santos que estavam ao seu redor, elas saberão: “Sabe, ficou em mim essa marca do amor que tinham por mim”. Precisamos ser fiéis a essa instrução.

    É difícil, porque, no mundo, em certas culturas, os mais novos servem aos mais velhos. Mas não é assim na casa de Deus. Na casa de Deus, os mais velhos precisam se colocar em defesa dos mais novos. Precisamos negar a nós mesmos e protegê-los. E precisamos lhes demonstrar amor.

    Ensinar de Maneira que os Mais Novos Possam Compreender

    Um antigo pastor, Harry Ironside — muitos de vocês talvez tenham lido seus livros —, disse que nós, que ensinamos a Palavra, precisamos colocar os biscoitos onde as crianças possam alcançá-los. É um bom lembrete: podemos lançar luz sobre muitas verdades e ensinar a Palavra, mas, ao ensinarmos as coisas elevadas do Senhor, precisamos nos lembrar dos biscoitos, para que os mais novos possam entender o que o Senhor está tentando dizer.

    Há alguns anos — eu estava contando isso a alguns irmãos de Massachusetts —, fui a Harvard Square, entrei numa livraria antiga e encontrei um livro antigo sobre a história do cristianismo. Estava lendo ali e encontrei uma pequena nota sobre o irmão Nee.

    Tenho certeza de que o restante era impreciso, mas o texto dizia algo de que, estou bastante certo, muitos dos irmãos que vieram e se foram discordariam. O autor dizia que eles haviam introduzido um cristianismo intelectual.

    Mas, irmãos e irmãs, penso que, com todas as fibras do nosso ser, e também daqueles que vieram antes e conhecem o que foi compartilhado e dito, essa seria a última coisa que desejaríamos. O cristianismo é a nossa vida, e o Senhor Jesus é o nosso Rei.

    Assim, à medida que avançamos para o campo, precisamos ser capazes de ensinar as coisas extraordinariamente elevadas e maravilhosas de maneira que possamos compreendê-las, nos maravilhar com elas e permitir que marquem a nossa vida.

    Seguir o Senhor em Sua Colheita

    Portanto, irmãos e irmãs, essas são as cinco instruções. Há outras nesta seção, mas vamos parar por aqui; os irmãos e as irmãs podem voltar a ler Mateus 10 para ver o que mais há ali. Gostaríamos, porém, de concluir com isto: por que segui-Lo? Por quê? Por que segui-Lo ao campo onde a colheita está pronta?

    Lembramos que houve um lugar onde não pudemos segui-Lo. É o que nossos irmãos e irmãs católicos chamam de Via Dolorosa, o caminho que o Senhor percorreu até o Calvário, onde morreu.

    Ao longo do caminho, como todos sabemos, um por um, tanto física quanto espiritualmente, nós nos afastamos. E, até mesmo no final, o Pai Se afastou. Assim, Ele percorreu esse caminho sozinho.

    Pensamos Nele, em nosso corajoso Senhor Jesus, e em tudo o que deu, porque Ele estava saindo, irmãos e irmãs, para semear. Estava indo semear o campo, a um custo tão grande.

    Então, quando chega o momento e Ele nos chama para segui-Lo e sair para colher, irmãos e irmãs, Ele é tão digno, tendo pago um preço tão alto. Precisamos pensar no que nos recusaríamos a fazer. Que tenhamos, portanto, um coração que compreenda o peso do que essa incumbência significa para todos nós.

    Oração Final

    Vamos nos curvar para uma palavra de oração.

    Senhor, nós Te adoramos e Te agradecemos. E Te agradecemos, Senhor, porque Te aproximaste de nós para que possamos viver perto de Ti. Senhor, oramos para que, em nossa vida, Tu nos atraias para cada vez mais perto de Ti, para que sejamos cada vez mais semelhantes a Ti. Nós Te agradecemos, Senhor, e Te damos louvor, em nome de Jesus. Amém.