Certo. Certo.
Bem, somos gratos por estarmos juntos novamente nesta manhã, e vamos dar continuidade ao que compartilhamos há algumas semanas em Tessalonicenses, sobre progredir ainda mais. Sou muito criativo com os meus títulos, então este é Progredindo ainda mais, parte dois.
Senhor, nós nos alegramos na grande salvação à qual Tu nos conduziste. Obrigado por aquelas palavras que Paulo escreveu à igreja em Éfeso, que falam tão claramente hoje quanto falaram há cerca de dois mil anos.
Senhor, somos gratos porque a obra que Tu realizaste no Calvário continua sendo igualmente eficaz. Ela não perdeu nada do seu poder, mas continua a nos purificar dos nossos pecados. Ela nos permite estar na Tua presença, e Tu também nos deste esse precioso Espírito Santo — a Tua vida em nós.
Por isso, começamos este dia, assim como deveríamos começar todos os dias, em total dependência de Ti. Olhamos para Ti, Senhor, para que nos abras a Tua Palavra e fales ao nosso coração. Em Teu maravilhoso nome, amém.
Mencionei há algumas semanas que compartilhamos alguns versículos de Tessalonicenses e Hebreus, e como eles estavam relacionados. Sempre ouvi Jim Bog nos lembrar de que um bom professor sempre faz uma revisão. Então, vou tentar revisar. Não sei quanto à parte de ser bom, mas a parte da revisão eu consigo fazer.
1 Tessalonicenses 5:8-11 nos lembra:
Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios,
revestindo-nos da couraça da fé e do amor;
e tomando como capacete a esperança da salvação.
Paulo está lembrando esses queridos irmãos de Tessalônica de que eles são do dia. Eles não são da noite, mas do dia. Eles estão em novidade de vida e devem andar nessa luz — não dormindo, mas sendo sóbrios e vigilantes.
Ele continua, lembrando-lhes:
Porque Deus não nos destinou para a ira,
mas para alcançar a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo,
que morreu por nós, para que, quer estejamos acordados, quer dormindo,
vivamos juntamente com Ele.
Como fomos lembrados nesta manhã, esses queridos irmãos de Tessalônica tinham uma preocupação quando ouviram sobre a vinda do Senhor: e aqueles que já haviam falecido? E os mortos? Paulo lhes assegura que, quer estejamos mortos, quer vivos, quando Ele voltar, seremos ressuscitados.
Portanto, em 1 Tessalonicenses 5:11:
Encorajai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros,
como também já fazeis.
Ele está lembrando-lhes não apenas do relacionamento deles com o Senhor, mas também do relacionamento uns com os outros — da responsabilidade que têm de amar uns aos outros, encorajar uns aos outros e edificar uns aos outros. Louvado seja Deus, ele lhes lembra: “É isso que vocês estão fazendo”. Ele não está tentando fazê-los começar a agir assim.
Eles viviam uma vida coletiva, expressando-O como testemunho não apenas em Tessalônica, mas em toda a Macedônia.
Depois, examinamos alguns versículos de Hebreus 10:24-25.
Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras;
não deixando de nos congregar, como é costume de alguns,
mas encorajando-nos uns aos outros;
e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
Novamente, o encorajamento é para cuidarmos uns dos outros e amarmos uns aos outros, especialmente à medida que esse Dia se aproxima. O ponto que destacamos ao examinar esses versículos foi que, quando Paulo encoraja esses queridos irmãos a viver diariamente à luz da volta do Senhor, esse não é um ensinamento apenas para os crentes mais antigos. É um ensinamento para os novos crentes e para os mais antigos, não importa há quanto tempo estejamos andando com o Senhor.
Há uma verdade relacionada à Sua volta da qual precisamos estar conscientes: Ele está voltando. Os tessalonicenses eram crentes muito novos, enquanto aqueles a quem Hebreus foi dirigido já tinham uma caminhada e alguma experiência com o Senhor. No entanto, receberam o mesmo encorajamento.
É nisso que o Senhor continua a nos encorajar hoje. Não importa se somos novos cristãos ou se já estamos nessa caminhada há algum tempo. Essa verdade básica é a mesma para cada um de nós. As verdades da Palavra de Deus são para todos nós. Elas não foram escritas para alguns escolhidos; cada um de nós recebeu essa preciosa Palavra, para que Ele nos encoraje e fale conosco.
Ele também nos lembra de que a Sua volta diz respeito a Ele, não a nós. A Sua volta diz respeito à preparação da Sua noiva. Ele está voltando para buscar esse precioso vaso. Seu Pai zela intensamente para que Seu Filho tenha essa companheira eterna, essa expressão coletiva da Sua vida. É por isso que Ele tem tanto zelo.
Somos gratos quando ouvimos algumas dessas coisas, mas será que elas acabam se tornando familiares demais? Usando uma palavra que Josh empregou na abertura, será que isso se tornou familiar demais para nós?
Mesmo agora, enquanto nos preparamos para ir a uma conferência daqui a algumas semanas, vamos ouvir certas coisas. Na verdade, não haverá nada novo sendo compartilhado na conferência. As verdades serão verdades que já ouvimos, apresentadas talvez por diferentes vasos e sob diferentes perspectivas ou ângulos. Mas a verdade fundamental está ali.
Um dos desafios que temos ao participar dessa conferência é não permitir que a familiaridade com os versículos que serão compartilhados, ou com o conceito de visão celestial e coisas assim, nos impeça de deixar o Espírito Santo falar a cada um dos nossos corações de maneira nova, vivificadora e até mesmo humilhante.
Paulo estava encorajando esses queridos irmãos de Tessalônica, e ele os elogia. Eles tinham um testemunho maravilhoso, conhecido por toda a região: a sua obra de fé, o seu labor de amor e a sua perseverança na esperança.
Eles não tinham apenas um conceito; estavam vivendo isso. A fé deles estava em ação, o amor deles trabalhava e se entregava uns pelos outros, e eles permaneciam firmes, perseverando na esperança que tinham.
Muito do que Paulo compartilhou com eles foi tão eficaz e tão marcante em suas vidas por causa de quem Paulo era e de como ele demonstrou isso entre eles. Ele não apenas os ensinou. Como diz em 1 Tessalonicenses 2:8:
Assim, tendo por vós tão grande afeição,
estávamos dispostos a compartilhar convosco
não somente o evangelho de Deus,
mas também a nossa própria vida,
porque vos tornastes muito queridos para nós.
Paulo lhes pregou coisas maravilhosas, mas também lhes deu a sua vida. Ele entregou essa vida. Mostrou-lhes como uma mãe cuidaria de uma criança pequena, e como um pai, em certos momentos, traria exortação e correção.
Eles viram isso de maneira viva na vida de Paulo e de seus companheiros. Viram que aqueles que compartilhavam não estavam apenas fazendo discursos teológicos. O que compartilhavam procedia de suas vidas, e isso confirmava a mensagem deles. Por meio disso, Paulo estabeleceu relacionamentos com eles.
Para encorajá-los ainda mais, Paulo lhes apresenta duas exortações nessa carta. Como já mencionamos antes, as exortações são tanto encorajamentos quanto advertências. Elas nos encorajam em uma direção, mas também dizem: “Estejam atentos a isto”.
Essas duas exortações estão relacionadas, primeiro, à caminhada individual deles com o Senhor — para que fossem agradáveis a Ele. Poderíamos chamar isso de relacionamento vertical com o Senhor. Em segundo lugar, elas dizem respeito ao relacionamento deles uns com os outros.
Na última vez, compartilhamos sobre a primeira exortação. Em 1 Tessalonicenses 4:1, Paulo diz:
Finalmente, irmãos, nós vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus
que, assim como recebestes de nós instrução sobre como deveis andar e agradar a Deus
— como, de fato, já estais andando —,
assim continueis a progredir ainda mais.
Louvado seja Deus, eles estavam fazendo isso. Mas ele quer que progridam ainda mais. Não se acomodem. Não fiquem satisfeitos. Não parem porque acham que já chegaram longe o suficiente.
Quando alguém nos diz: “Progridam ainda mais”, o que pensamos? Na verdade, no reino cristão, o encorajamento para progredir ainda mais é um encorajamento para morrer mais — na experiência, morrendo diariamente. Progredir ainda mais não significa nós crescermos; significa nós diminuirmos e Ele crescer. É o testemunho de João Batista.
Paulo não está tentando empolgá-los e deixá-los cheios de entusiasmo para que saiam e façam cada vez mais coisas. “Precisamos de serviço.” “Está bem, vou servir, vou servir, vou servir.” Não. Ele está dizendo: “Quero que vocês permitam que a vida de Cristo os conquiste de uma maneira que ainda não experimentaram”.
Ele podia ver a vida de Cristo manifestada por meio deles, e os elogiava por isso. Mas não se acomodem. Há muito mais das riquezas de Cristo, da graça que foi derramada abundantemente sobre nós. Vamos, pessoal, progridam ainda mais. Permitam que Ele cresça e que vocês diminuam.
Precisamos, de certa forma, reprogramar nossa mente quando pensamos em progredir ainda mais. É a Sua vida em nós que deve progredir ainda mais. Que o Senhor realmente nos ajude nisso.
Ao chegarmos a essa segunda exortação, ela se relaciona mais com o nosso relacionamento uns com os outros. Está no mesmo capítulo, em 1 Tessalonicenses 4:9-10:
Quanto ao amor fraternal,
não necessitais de que alguém vos escreva,
pois vós mesmos sois ensinados por Deus a amar uns aos outros;
e, de fato, assim o fazeis para com todos os irmãos
que estão em toda a Macedônia.
Nós, porém, vos exortamos, irmãos, a progredir ainda mais.
Essa é a questão central. Há amor não apenas por Ele, mas, por causa Dele, há amor pelos irmãos. É todo esse grande chamado para amarmos uns aos outros, que ouvimos tanto por meio do apóstolo João.
Louvado seja Deus, eles são elogiados novamente. Estão amando uns aos outros e praticam esse amor para com todos os irmãos da Macedônia. Que testemunho maravilhoso eles tinham.
Imaginem receber uma carta de alguém que vocês respeitam muito, e essa pessoa diz: “Sou muito grato pela maneira como vocês amam uns aos outros, por tudo o que estão fazendo, pela maneira como demonstram seu amor uns pelos outros”. Como isso nos faria sentir? Provavelmente, a maioria de nós se sentiria muito bem por algum tempo.
Isso é encorajamento, e louvado seja Deus por isso. Precisamos desse encorajamento quando nosso amor uns pelos outros está sendo manifestado. Mas então ele diz: “Nós os exortamos a progredir ainda mais”. Essa é a parte da exortação — a advertência.
Permitam que a vida de Cristo se manifeste cada vez mais nos seus relacionamentos. É a isso que ele está nos chamando. Podemos ficar tão satisfeitos. Ouvimos alguma coisa sobre a visão celestial e dizemos: “Ah, agora eu já tenho a visão celestial”.
Louvado seja Deus porque tivemos contato com ela, mas, dentro da visão celestial, há muito mais que Ele quer nos mostrar. Há uma plenitude ali, e não tenho certeza de que veremos plenamente a totalidade da visão celestial antes daquele dia de glória.
Seremos tocados por ela. Ela nos motivará e nos encorajará. Mas ainda há muito mais de Cristo no qual Ele quer que entremos — progredindo ainda mais no conhecimento Dele.
A segunda exortação se relaciona mais com o nosso relacionamento uns com os outros. Agora, precisamos ter clareza: o relacionamento que temos uns com os outros está fundamentado no Senhor. Está em Cristo. Não estamos falando de relacionamentos naturais.
Embora eu use a palavra horizontal, na verdade, meu relacionamento com Ryan não segue nessa direção. Meu relacionamento com Ryan sobe e desce. Vai até Cristo e depois desce. Portanto, não se confundam se eu falar de um relacionamento horizontal. Ele acontece por meio de Cristo.
É tão fácil termos relacionamentos baseados no nosso temperamento, na escola em que estudamos, nos times pelos quais torcemos ou na comida. Vou revelar minha idade: havia uma palavra que não existia quando eu estava crescendo, mas hoje há toda uma indústria em torno dela — foodies, os apaixonados por gastronomia.
Há toda uma área da internet relacionada aos foodies. Eles têm uma ótima convivência, compartilhando uns com os outros. Recomendam este ou aquele restaurante, e as pessoas viajam a determinados destinos por causa da comida.
Estávamos em Indianápolis outro fim de semana, esperando um avião que estava quatro horas atrasado. Dois rapazes ao nosso lado disseram que eles e seus amigos estavam vindo de Boston para Richmond para acampar. Eu disse: “Vocês estão vindo de Boston para Richmond para acampar?” Eles responderam: “Por quê? É um destino gastronômico e tanto”.
Eles estavam vindo de Boston para Richmond para visitar vários lugares. Essa era a base da convivência deles. Esses tipos de relacionamento são bons, mas são secundários. Em primeiro lugar está Cristo, porque Ele é Quem nos une.
O maravilhoso no nosso relacionamento com o Senhor é que nosso relacionamento uns com os outros é um testemunho visível, nesta terra, do nosso relacionamento com o Cabeça. É isso que as pessoas veem.
Quando as pessoas veem crentes por todo o mundo — pessoas tão diferentes —, tentam entender o que temos em comum. O que está acontecendo aqui? Uma das orações ao irmos para Way of Mary é que, ao demonstrarmos o amor de Cristo uns aos outros e às demais pessoas, elas digam: “Quem é esse grupo? O que está acontecendo aqui?” Há algo diferente. Será que haveria uma fragrância Dele sendo exalada?
Esse era, de fato, o testemunho no Império Romano, quando tentavam perseguir os crentes. Alguns ficavam perplexos: “Vejam como eles se amam”. Havia um amor genuíno. Eles entregavam a vida uns pelos outros.
Seus bens eram roubados e confiscados, e eles eram perseguidos, mas o amor continuava a se manifestar entre eles. Esse relacionamento que temos uns com os outros está fundamentado Nele.
Há um grande desafio em não nos acomodarmos nem nos tornarmos excessivamente confiantes naquilo que temos. Boa parte das advertências nos escritos de Paulo trata disso. Em Filipenses, ele usa a expressão prosseguir em vez de progredir ainda mais.
O Senhor chega a nos dizer: “Cuidado, nos últimos dias o amor de muitos esfriará”. Ele está falando do amor entre os irmãos. O amor que temos uns pelos outros esfriará. Algumas coisas vão se introduzir entre nós.
Uma das coisas que o inimigo gosta de fazer — provavelmente um dos seus principais alvos — é dividir os irmãos. Se ele consegue entrar e trazer divisão, causar uma ofensa, provocar um mal-entendido ou fazer com que não haja perdão quando uma ofensa realmente aconteceu, ele considera isso uma vitória.
Infelizmente, quando olhamos ao redor hoje, há tanta divisão no corpo de Cristo. Estudamos 1 Samuel 11 no estudo bíblico de sexta-feira à noite. Naás, o amonita, estava vindo atacar Jabes-Gileade, e queria fazer isso para desonrar todo o Israel.
Quando o inimigo vem e ataca qualquer um dos irmãos, ou quando há divisão entre nós, ou quando as pessoas cedem ao poder do inimigo, isso mancha o testemunho de Jesus. Mancha o cristianismo.
Se vocês conversarem com pessoas que não creem e que são um pouco resistentes, qual é uma das primeiras coisas que elas dizem? “Bem, olhem para vocês, cristãos. E aquele sujeito? Ele deixou a esposa e foi embora com outro homem. E aquela igreja? Eles se dividiram por causa de dinheiro que alguém roubou.” Elas têm todos esses exemplos.
A obra do inimigo pode ser muito eficaz em dividir os irmãos, e precisamos estar conscientes disso. Isso só vai se intensificar nestes dias. Nós vivenciamos isso nesta assembleia alguns anos atrás. É algo assustador, mas precisamos estar atentos e despertos para não sermos pegos de surpresa.
Vemos esse esfriamento do amor se manifestar ao longo das Escrituras. Em Malaquias, o Senhor diz que os ama, e eles perguntam: “Em que nos tens amado?” Estavam tão desconectados do Seu amor que nem sequer o percebiam.
Laodiceia havia se tornado morna. Não era quente nem fria, mas eles achavam que tudo estava ótimo. Em Éfeso, tinham recebido aquela bela carta. Paulo lhes apresentou abundantemente o amor de Cristo, o amor pela igreja e a gloriosa visão. Então, eles abandonaram aquele primeiro amor. Exteriormente, tudo continuava funcionando.
Agradecemos ao Senhor porque Ele nos dá esses exemplos maravilhosos, dos quais podemos aprender. Nesse relacionamento, uma das coisas essenciais que nos mantêm unidos é a visão.
Sei que as pessoas se cansam dessa palavra, mas, se enxergarmos o coração e o propósito de Deus, se enxergarmos que a Sua volta não diz respeito a nós, mas a Ele, se enxergarmos que Ele deseja uma noiva e o quanto Deus zela para que Seu Filho tenha uma noiva, então as pequenas coisas que nos dividem se tornam tão insignificantes.
Elas precisam ser resolvidas, mas, quando olhamos para o quadro geral, normalmente são coisas pequenas e insignificantes que dividem os irmãos. Eles não estão dispostos a se humilhar. Esperam que a outra pessoa peça desculpas: “Assim que eles me perdoarem, eu os perdoarei”.
Graças ao Senhor porque Ele não esperou por nós. Ele tomou a iniciativa e foi àquela cruz. É assim que a visão celestial — o coração e o propósito de Deus — se torna muito prática no nosso relacionamento uns com os outros.
Também somos um testemunho visível de Cristo na igreja. Que o Senhor continue a abrir nossos olhos para vermos o privilégio ao qual fomos conduzidos. É um privilégio tremendo sermos introduzidos na casa de Deus, fazermos parte da família de Deus, fazermos parte da Sua igreja e fazermos parte desse testemunho.
Que isso nunca se torne familiar demais para nós. À medida que caminhamos juntos nesse relacionamento, que todos recebamos uma revelação mais plena e maior do coração e do propósito de Deus. Ao passarmos juntos pelas situações, poderemos dizer: “Nossa, é disso que se trata”.
Uma das coisas que essa revelação faz é impactar nossa vida. A revelação genuína impacta a sua vida. A revelação genuína, verdadeira, produz uma transformação dentro de você.
Quando realmente enxergamos o coração e o propósito de Deus, mais uma vez, diminuímos. Mas, se apenas temos conhecimento a respeito disso, esse conhecimento nos ensoberbece, e crescemos e andamos por aí cheios de nós mesmos: “Ah, você quer saber sobre o propósito eterno de Deus? Deixe-me explicar tudo. Escrevi trinta e dois livros sobre isso”.
É fácil escrever ou ler sobre isso, mas será que se tornou real? Quando isso nos toca, acontece um processo de humilhação na nossa vida.
Podemos ver esse belo exemplo de Cristo crescendo e Paulo diminuindo quando olhamos para a vida de Paulo. Quanto mais ele prosseguia, mais enxergava a plenitude da visão celestial de Deus — a visão à qual ele disse não ter sido desobediente.
Quando viu o Senhor no caminho de Damasco, foi como ver um esboço. Ele o viu, mas todas as partes ainda não estavam preenchidas. À medida que caminhava e passava pelo sofrimento, recebia uma revelação maior.
A maioria das pessoas divide a vida de Paulo em três períodos: as primeiras cartas, as cartas da prisão e as últimas cartas, escritas pouco antes de seu martírio. Nas primeiras cartas, em Coríntios, Paulo se descreve como o menor dos apóstolos.
Isso nos parece muito bom. Talvez digamos: “Está bem, Paulo, isso é humildade. Você não é maior que Pedro ou João”. Mas, à medida que ele prossegue e vê Cristo cada vez mais — Seu coração e Seu propósito —, à medida que Cristo cresce, Paulo diminui.
Então, ele diz: “Sou o menor de todos os santos”. Paulo não estava apenas criando frases poéticas para lembrarmos. Isso era realidade. Quando ele via o Senhor e enxergava Quem o Senhor era, isso lhe dava a perspectiva correta de quem ele próprio era.
Ele era o menor de todos os santos. Mais tarde, antes do seu martírio, diz em Timóteo que é o principal dos pecadores. Paulo não está apenas tentando ser humilde. Ele realmente percebe que, quanto mais vê de Cristo, mais enxerga o pecador que era.
Às vezes, não sabemos o quanto éramos pecadores porque não vemos o suficiente de Cristo. Quanto mais vemos da Sua glória, mais percebemos que somos os principais dos pecadores. Mas, louvado seja Deus, Ele morreu por nós. Isso não é algo para nos condenar; é simplesmente colocar as coisas na perspectiva correta.
Lembro-me de um irmão que definiu adoração como colocar Deus no Seu devido lugar e a nós no nosso devido lugar. Isso era adoração.
À medida que a visão de Paulo acerca de tudo o que estava no coração de Deus crescia, ele continuava a diminuir cada vez mais. Ao longo das Escrituras, quando as pessoas realmente viam o Senhor, isso as impactava.
Quando Davi estava se preparando para construir o templo e todas aquelas riquezas estavam sendo trazidas, o que ele disse? “Quem sou eu?” Davi era o rei. Tinha conquistado todas aquelas vitórias, mas disse: “Quem sou eu?” Ele tinha Deus no Seu devido lugar e a si mesmo no seu devido lugar. Salomão disse a mesma coisa.
Isaías viu o Senhor. Isaías era profeta e já estava servindo havia anos. Mas viu o Senhor e disse: “Sou um homem de lábios impuros, no meio de um povo de lábios impuros”. Ele era, mas Deus o levantou.
Ele não nos deixa ali. O foco não somos nós; é Ele. É o Seu testemunho, a graça de Deus que foi derramada abundantemente sobre nós, de modo que nós, que estávamos lá embaixo como os principais dos pecadores, podemos servir ao Rei dos reis e Senhor dos senhores. Somente Ele nos qualifica para entrar na plenitude disso. Como somos gratos.
Como a conferência está tão próxima, ela está no meu coração e na minha mente. Ao irmos para essa conferência da família, considerando, como mencionei, que o ensino já foi compartilhado antes, por que estamos indo?
Já participei de muitas conferências, e podemos ter muitas motivações. Às vezes, vamos porque queremos ficar entusiasmados: “Nossa, estou tão feliz por estar aqui”. Isso é bom, mas não pode ser nossa principal motivação.
Talvez vamos porque gostamos do ensino de determinada pessoa. Isso também é bom. Mas será que vamos com um coração preparado para receber Dele? Um coração preparado, de certa maneira, para ser abatido pelo Espírito?
Não para crescermos, mas com um coração disposto a ser levado ao chão — removendo o orgulho da nossa vida e nos fazendo descer para estarmos aos Seus pés. Então O veríamos; Ele seria tão exaltado. Ficaríamos ali e diríamos: “Ah, eu sou o principal dos pecadores”.
Isso libera a plenitude do poder de Cristo e a plenitude do poder do Espírito Santo para operar entre o Seu povo.
Falamos sobre sermos capturados e mantidos. Eu estava pensando que isso descreve um prisioneiro. Não foi isso que Paulo disse que era? Ele era prisioneiro de Cristo.
O que captura você e o mantém? O amor tem me mantido por cinquenta e três anos. Louvado seja Deus.
É o amor de Cristo que nos captura. O que realmente nos captura é enxergar o que está no coração de Deus para essa noiva — uma noiva, um relacionamento, um casamento, uma noiva e um noivo. Isso fala de amor.
Em Efésios, ágape é usado mais do que em qualquer outra carta que Paulo escreve, porque o amor está profundamente entrelaçado com o propósito e o coração de Deus. É esse amor que nos captura, e não conseguimos nos desprender.
No Antigo Testamento, há um termo: servo por toda a vida. O que era esse servo? Era um escravo por amor. Essa expressão é usada de maneira indevida na sociedade de hoje, então precisamos ter cuidado ao dizê-la.
Mas era o amor do senhor que havia conquistado aquela pessoa, de modo que, ao ser libertada, ela dizia: “Não, não quero ir embora. Amo meu senhor e a sua casa. Quero ficar. Fui conquistado pelo amor do meu senhor. Quero permanecer com ele”.
Essa pessoa se submetia àquele senhor por toda a vida, não por imposição ou de maneira legalista, mas com um coração de amor. Estamos sendo motivados por esse amor enquanto seguimos em frente nestes dias?
Podemos ter muitas experiências no alto do monte. Alguém orou na quarta-feira à noite para que, ao irmos à conferência, diferentes pessoas tivessem uma experiência no alto do monte. Isso é ótimo.
Mas onde a realidade dessa experiência no alto do monte é trabalhada? Ela é trabalhada nos vales — ao longo daqueles caminhos tortuosos que estão sendo endireitados, dos vales que estão sendo preenchidos e das barreiras que estão sendo superadas.
É então que aquilo que ouvimos começa a se tornar realidade. Passa da nossa mente para o nosso coração, e vemos mais de Cristo em cada situação. Louvado seja Deus por isso.
A realidade viva de um relacionamento com Ele muda toda a nossa perspectiva de comunhão. Ela impacta as escolhas que fazemos. Impacta nosso amor e nosso cuidado uns pelos outros.
Comunhão é o compartilhar da Sua vida. É isso que temos. É um compartilhar da Sua vida.
Conhecemos um pouco Atos 2. Milhares foram salvos e, espontaneamente, passaram a estar juntos em comunhão, oração, no partir do pão e no ensino dos apóstolos. Perseveravam dia após dia, indo de casa em casa, e pessoas eram acrescentadas ao seu meio.
O que vocês veem em Atos 2? O que chama a atenção de vocês? Vemos uma vida sendo expressa. Vemos a vida de Cristo sendo expressa nesses novos crentes.
Eles não tinham um manual de organização da igreja. O que vimos foi comunhão. Como mencionamos, a comunhão muitas vezes é mal compreendida ou a palavra é usada indevidamente. Mas comunhão é algo muito ativo.
Se vocês examinarem as Escrituras, comunhão é mais um verbo. Ocasionalmente, ela é usada como substantivo, mas é predominantemente um verbo. Mesmo quando é usada como substantivo, é algo muito ativo. Não sei se existem substantivos ativos — não sou formado em Letras —, mas é assim que gosto de enxergar isso.
Podemos pensar inconscientemente: “Bem, fui à comunhão hoje”, ou: “Há aquela comunhão em Nova Jersey”. Mas o que significa essa palavra que usamos com tanta familiaridade? É o compartilhar da Sua vida. É vida em conjunto.
Examinei as traduções Darby, King James e New American Standard — por respeito às diferentes versões, as principais dentre as melhores traduções. Havia uma palavra que eu não consegui encontrar no Novo Testamento relacionada à igreja: a palavra reuniões.
É sempre ajuntar-se ou congregar-se. Agora, ninguém interprete isso de maneira errada. Amo as reuniões. Amo estar aqui e tudo mais. Mas há algo em reunião que pode soar formal, enquanto ajuntar-se e congregar-se transmite mais a ideia de coração.
Talvez eu esteja apenas brincando com as palavras para destacar um ponto. Não sei. Mas o que Deus está tentando nos transmitir em Atos 2 e ao longo das Escrituras é que há muito mais acontecendo na nossa vida em conjunto do que apenas as reuniões.
As reuniões são muito preciosas, e devemos procurar estar em todas elas, sempre que pudermos. Mas há muito mais de Cristo a ser expresso.
Uma coisa que amo na maneira como funcionamos são os grupos. Amo o dia de trabalho comunitário. Nós o chamamos de dia de trabalho, mas o que está sendo trabalhado? Nosso relacionamento uns com os outros — a realidade de sermos um.
De repente, temos a realidade de amar e ser bondosos com alguém que acabou de dizer algo tão tolo, ou de perdoar alguém que não gostou de nada do que dissemos. É ali, na interação uns com os outros e na oração uns pelos outros, que a realidade se estabelece.
Sei que alguns irmãos se reúnem para tomar café da manhã. O que acontece nesse momento é precioso. Eles estão na região norte e na região oeste, então talvez vocês da região sul também possam começar um café da manhã. É uma verdadeira bênção.
Há muito mais do que aquilo que às vezes classificamos como reuniões. Queremos continuar prosseguindo, para que qualquer ocasião em que dois ou três possam estar juntos no Senhor seja um tempo maravilhoso.
Quando recebemos algumas pessoas do Brasil, os santos vieram e passamos um tempo juntos — uma comunhão rica e um compartilhar rico —, remindo o tempo que temos e aproveitando ao máximo essas oportunidades.
Essa realidade impacta nossa perspectiva de comunhão, mas também impacta as escolhas que fazemos. Quando enxergamos o coração de Deus e o relacionamento que Ele deseja que tenhamos em Cristo, isso começa a afetar nossas escolhas.
As escolhas que fazemos refletem o que é importante para nós. Não importa sobre o que você fala, compartilha ou prega. Se a sua vida não reflete isso, é vaidade de vaidades. Precisa haver realidade, porque as escolhas mostram o que realmente é importante para nós.
As escolhas que fazemos manifestam os desejos que temos. Quando viajamos, às vezes ficamos hospedados em diferentes casas. Muitas vezes, acabamos ficando no quarto dos filhos. Vocês provavelmente já estão acostumados a ser expulsos dos seus quartos quando chegam visitas, então somos algumas dessas pessoas que expulsam vocês.
É interessante: podemos olhar para um quarto e saber o que é importante. Podemos ver o que colocam na parede. Podemos ver se são torcedores dos Dodgers ou dos Red Sox, se gostam de basquete ou de certos tipos de música. Essas são as escolhas que fazem.
Se vocês convivem com Tim, sabem que ele gosta de carros e trens. Esse é o nosso Tim. São escolhas que ele faz porque ama essas coisas. As escolhas que fazemos transmitem uma mensagem.
Será que nossas escolhas procedem de corações e vidas conquistados por aquilo que Deus realmente busca? Um irmão disse algo que, a princípio, pareceu duro, mas, quanto mais penso nisso, mais percebo como isso reflete muitas coisas na nossa vida:
Seguir todos os ensinamentos, métodos e assim por diante acerca da casa de Deus, sem a Sua presença, é substituir a realidade viva por uma estrutura vazia.
Infelizmente, em boa parte do cristianismo de hoje, há muitas estruturas vazias — não apenas coletivamente, mas também individualmente. Precisamos zelar para que a Sua presença esteja conosco, porque, se a Sua presença não estiver conosco, não vale a pena seguir adiante.
Há algumas perguntas relacionadas às escolhas que fazemos que precisamos fazer a nós mesmos.
As escolhas que faço vão me ajudar ou me impedir de progredir ainda mais na nossa vida em conjunto?
Que escolhas eu faço? Elas vão me ajudar ou me impedir de progredir ainda mais na nossa vida em conjunto — a Sua vida compartilhada entre nós, a expressão da Sua vida na terra?
Isso inclui os empregos que estamos procurando. Há um jovem irmão aqui, Vinny, que está procurando emprego. Louvado seja Deus, ele quer permanecer, e uma de suas prioridades é estar aqui.
Há pessoas que foram conquistadas pelo Senhor de tal maneira que até a casa que compram, o lugar onde moram e as principais escolhas que fazem são orientados pelo desejo de entrar mais plenamente no relacionamento com os irmãos e na vida em conjunto. Elas não estão pensando apenas em si mesmas.
Outra pergunta é esta: Como as escolhas que faço vão impactar ou influenciar meus amados irmãos, especialmente os mais jovens?
As escolhas que faço — aonde vou, o que faço e o que ocupa minha vida —, como vão impactar meus irmãos? Será que alguma vez paramos para pensar? Se eu fizer isso abertamente, onde as pessoas possam ver e saber, como isso vai impactar os irmãos e as irmãs, especialmente os mais jovens?
Influenciamos uns aos outros de geração em geração, quer tenhamos consciência disso, quer não. Transmitimos uma mensagem com cada escolha que fazemos: “Olhem aquela escolha que fizeram. Vejam como isso é importante”.
Pensem em um jovem escolhendo uma universidade. Talvez uma instituição pareça academicamente melhor do que outra, mas ele sabe que há uma assembleia na cidade onde a outra universidade está localizada. Ele escolhe ir para lá a fim de permanecer em comunhão. Esse é um jovem com visão, fazendo uma escolha.
Essa realidade impacta nossa perspectiva de comunhão e as escolhas que fazemos, mas também impacta nosso amor e nosso cuidado uns pelos outros. Quando enxergamos aquilo em que fomos introduzidos, isso afeta nosso cuidado e nosso amor uns pelos outros em tudo.
Usamos anteriormente os versículos de Hebreus 10:24-25:
Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras;
não deixando de nos congregar, como é costume de alguns,
mas encorajando-nos uns aos outros;
e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
À medida que esse Dia se aproxima, o que estava acontecendo em Hebreus? Ao chegarmos ao capítulo 10, eles já haviam passado por sofrimento e perseguição. Alguns estavam retrocedendo ao judaísmo.
Embora tivessem sofrido muito e experimentado a fidelidade do Senhor, chegou um momento em que começaram a retroceder. Ao encorajá-los, Paulo disse, em outras palavras: “Despertem. Lembrem-se do que Ele fez por vocês”.
Mais adiante nesse capítulo, em Hebreus 10:38, ele diz:
O justo viverá pela fé.
Prossigam. Não recolham a vela; içem a vela. Continuem navegando e entrem na plenitude de tudo o que Ele tem para vocês.
Nesses versículos e naqueles que lemos em Tessalonicenses, há uma responsabilidade que temos para com o Senhor. Há também uma responsabilidade dentro do corpo de Cristo — cuidar uns dos outros, amar uns aos outros e encorajar uns aos outros pela Sua graça e pela Sua vida em nós.
Se enxergarmos o quanto recebemos Dele, então a graça, derramada abundantemente sobre nós, não ficará apenas em nós. Ela fluirá para fora. É como uma peneira: ela entra e depois sai por todos os lados. Essa é a graça sendo derramada abundantemente.
É uma graça superabundante. Ela nos impacta, sim, louvado seja Deus, mas também impacta os outros. Esse é o fruto da Sua vida se manifestando.
Há muitas passagens sobre “uns aos outros” que poderíamos examinar, mas vamos usar esta:
Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos.
A palavra considerar significa prestar atenção cuidadosa, observar plenamente ou descobrir. Cada um de nós é diferente. Cada um de nós é único. Cada um de nós tem valor e é precioso. Cristo morreu por cada um de nós.
Há grande diversidade no corpo de Cristo. Também há grande unidade no corpo de Cristo. Às vezes, a diversidade pode nos causar problemas. Pessoas introvertidas podem olhar para as extrovertidas e pensar que estão todas na carne. Pessoas extrovertidas podem olhar para as introvertidas e pensar que são intelectuais demais e ficam apenas sentadas ali.
Mas não, Deus nos formou a todos de maneira assombrosa e maravilhosa. Não quero ferir os sentimentos de ninguém, mas, na condição em que nascemos, nenhum de nós foi feito perfeito.
John tem uma frase favorita — era de J. Vernon McGee? “Por que vocês estão comemorando o nascimento de uma criança? É apenas mais um pecador vindo ao mundo.”
Esse foi John Blanchard, para ficar registrado na gravação. Certo.
Não, mas é verdade. Louvado seja Deus, temos mais um pecador. Mas todos fomos formados de maneira assombrosa e maravilhosa, e Ele tem um grande plano para cada um de nós.
É aqui que a palavra considerar precisa entrar. Pensem nos pais: cada filho que vocês têm é muito singular.
Vocês têm o primeiro filho, e tudo vai muito bem. Depois têm o segundo, e tudo vai muito bem. Pensam: “Ah, já dominamos isso”. Então chega o terceiro, e é como uma bola vindo de onde ninguém esperava. Tudo muda, e todas as suas habilidades como pais parecem não servir para nada, porque não funcionam com esse filho.
Eles são tão diferentes. Mesmo quando as crianças se parecem fisicamente, podem ser totalmente diferentes. Podem ser muito parecidas, como Joe e Josh, mas são totalmente diferentes. Se você quer motivar Josh de uma maneira, faz isto. Se quer motivar Joe de outra maneira, faz aquilo. E Sally simplesmente dá um tapa na cabeça dos dois.
Cada um é diferente. A habilidade de criar filhos consiste, na verdade, em aprender a considerar, conhecer e perceber o que motiva aquela criança.
Com algumas crianças, basta o pai ou a mãe dar aquele olhar — e todos os pais sabem o que é aquele olhar — para que elas se endireitem imediatamente. Outras fazem “hum” e continuam. Às vezes, é preciso estender a destra da comunhão a essas crianças para endireitá-las um pouco.
Coisas diferentes motivam pessoas diferentes. Isso não é verdade apenas na criação dos filhos, mas também entre os melhores treinadores e professores. Jim não pode usar a mesma técnica de ensino com todas as crianças. Certas coisas motivam uma, e outras coisas motivam outra.
Por exemplo, foi notícia nesta semana o falecimento de um dos maiores treinadores, jogadores e dirigentes da história do basquete: Jerry West.
Eu realmente me lembro de ter visto Jerry West jogar, o que mostra como sou velho. Alguns de vocês nem sequer conhecerão esse prédio. Quando ele jogava por West Virginia, a equipe fazia parte da Southern Conference, e jogava na Arena, lá nos anos 1960. Se vocês se lembram da Arena, são antigos moradores de Richmond.
Depois de uma grande carreira como jogador, Jerry West passou a trabalhar como treinador. Uma das coisas que ele fazia melhor era observar as pessoas jogarem. Ele sabia que cada um era diferente.
Mesmo quando outras pessoas não conseguiam enxergar o potencial, ele via coisas nas pessoas. Um dia, viu um garoto do ensino médio jogando basquete. Chamou-o para um teste. Todos os outros riam e diziam: “Por que você está perdendo tempo com esse sujeito?”
Mas ele viu algo naquele garoto. Ele o estava considerando — realmente enxergando. Trouxe-o para jogar profissionalmente, e ele veio a ser Kobe Bryant, um dos maiores jogadores de todos os tempos.
Quase ninguém mais prestou atenção em Kobe Bryant. Jerry West viu uma joia ali.
Quando olhamos ao redor para nossos irmãos e irmãs, não estou falando de nos voltarmos para dentro de nós mesmos ou de tentarmos analisar todo mundo. Mas será que aprenderíamos a estimular uns aos outros?
Falamos sobre servir: “Todos devem servir na casa de Deus”. Certo, mas o que realmente motiva alguém a dar um passo à frente e se dispor a servir na casa de Deus? Que tivéssemos essa percepção.
Isso não é apenas para os mais velhos. É para todos. Até para os mais jovens aqui: a pessoa sentada ao seu lado — o que é necessário para estimulá-la um pouco mais a prosseguir no Senhor e conhecê-Lo de maneira mais profunda?
Uma das pessoas de quem mais gosto na história da igreja é Isaac Watts, chamado de pai da hinologia.
O pai de Isaac Watts era pastor, e Isaac também havia estudado para se tornar pastor. Quando tinha cerca de dezoito anos, voltou para casa e, durante alguns anos, morou com os pais enquanto frequentava a igreja de seu pai.
Era uma igreja fora da Igreja da Inglaterra e, às vezes, sofria perseguição. Eles cantavam o que chamavam de salmos metrificados. Tentavam pegar todos os salmos, colocá-los em música e fazê-los rimar. Faziam um trabalho horrível. Soava horrível.
Aos vinte anos, em uma tarde de domingo, depois do culto da manhã, Watts disse ao pai que os cânticos eram feios, horríveis e terríveis. Disse que nem dava para cantá-los; era como fazer gargarejo, e ninguém entendia nada.
A princípio, seu pai ficou ofendido. Ele era diácono na igreja e levou aquilo para o lado pessoal: “Você está atacando a minha igreja. O que está fazendo?” Mas então seu filho abriu o coração.
Seu pai disse: “Está bem, por que você não tenta fazer algo melhor?” Isaac Watts foi para o seu quarto. Ele já escrevia poemas e compôs seu primeiro hino.
No culto seguinte — algumas biografias dizem que foi no domingo à noite, outras dizem que foi no domingo seguinte pela manhã; não vamos entrar nessa questão —, eles concordaram em cantar seu hino.
Seu primeiro hino, escrito aos vinte anos, foi “Contemplai as glórias do Cordeiro”. Ele não está no hinário Christ in Song, nem no hinário chinês.
Ouçam — é um jovem de vinte anos escrevendo isto:
Contemplai as glórias do Cordeiro
Em meio ao trono de Seu Pai;
Preparai novas honras para o Seu nome,
E cânticos até então desconhecidos.Pai eterno, quem contemplará
A Tua secreta vontade?
Quem, senão o Filho, tomará aquele livro
E abrirá cada selo?
Há algo realmente precioso aí. Todos gostaram tanto que disseram: “Está bem, queremos que você escreva um hino por semana para cantarmos, e nós o aprenderemos”.
Ele escreveu um novo hino durante 222 semanas consecutivas — um pouco mais de quatro anos, para vocês que gostam de matemática.
Estamos aqui com hinos de Isaac Watts nos nossos hinários, e eles são cantados em toda parte, tudo porque seu pai considerou como estimulá-lo ao amor e às boas obras.
Seu pai enxergou além da aparência. Não viu um rebelde. Viu algo dentro de seu filho que causava desconforto com os antigos cânticos que estavam cantando. Louvado seja Deus, ele continuou prosseguindo.
Esse é o chamado do Senhor para nós: que realmente possamos, em Cristo, considerar como estimular uns aos outros ao amor e às boas obras.
Não é simplesmente dizer: “Está bem, você vai servir aqui, e você vai servir ali”. Nas conferências, quando conversamos com alguns jovens, uma das coisas que mais os incomodam é que nunca puderam escolher onde serviriam.
Pode ser assim: “Está bem, vocês são a equipe das bagagens. Vocês vão fazer isto. Vocês vão fazer aquilo”. Isso pode tirar o coração do serviço voluntário.
Mas, graças ao Senhor, podemos nos oferecer a Ele, e Ele nos colocará onde quiser.
Somos gratos pelos relacionamentos que temos. Somos gratos pela maneira como Ele está nos edificando juntos. Mas queremos progredir ainda mais. Queremos mais Dele. Queremos mais de Cristo.
Queremos que a Sua vida seja formada em cada um de nós, para que realmente possamos demonstrar amor, cuidado e encorajamento. Há tantas passagens sobre “uns aos outros”. É bom fazer um estudo da expressão uns aos outros.
Vocês descobrirão que a Palavra até diz aos cristãos que sejam bondosos uns com os outros, o que é realmente muito apropriado. Parece estranho: por que é preciso dizer aos cristãos que amem uns aos outros? Por que é preciso dizer aos cristãos que sejam bondosos uns com os outros? Porque o Senhor nos conhece. Ele conhece nosso interior.
É aí que vemos como Ele realmente pode operar em nós.
Ao começar a concluir, essa não era apenas a mensagem de Paulo — progredir ainda mais ou prosseguir. Pedro também trata disso.
Em 1 Pedro 1:22, ele diz:
Tendo purificado a vossa alma pela obediência à verdade,
para um amor fraternal sincero,
amai-vos uns aos outros fervorosamente, de coração.
A palavra fervorosamente significa esforçar-se, estender-se e continuar com intensidade. Significa: “Continuem seguindo em frente”. Graças ao Senhor pelo amor sincero aos irmãos, mas continuem com fervor.
No idioma original, ela fala de um esforço que realmente nos estica. Acho que sabemos o que isso significa, porque amar algumas pessoas realmente exige que nos estendamos. Isso nos leva além de nós mesmos. Somente pela graça de Deus e por Cristo em nós podemos amar aqueles que são difíceis de amar.
Sou grato porque não há ninguém difícil de amar aqui. Mas podemos ver que esse é o encorajamento. É a mesma mensagem. João escreve sobre amar uns aos outros, continuar fielmente até o fim e deixar que esse amor permaneça.
Enquanto examinava 1 Pedro 1:22, uma das traduções que gosto de consultar quando estudo diferentes passagens das Escrituras é a tradução de Wuest. Se vocês têm uma Bíblia de Wuest, leiam 1 Pedro 1:22.
Ele pega esse pequeno versículo, que na minha Bíblia normal tem mais ou menos este tamanho, e o amplia consideravelmente. Eu não ia copiar o versículo inteiro, mas queria compartilhar a parte sobre amar uns aos outros fervorosamente.
Essa única linha, “amar uns aos outros fervorosamente”, Wuest apresenta em cinco linhas. Mas vejam a força dessa compreensão:
De coração, amai-vos uns aos outros com um intenso amor recíproco, que brota do vosso coração em razão do reconhecimento de quão preciosos são os irmãos, e que, em sua essência, é um amor que se sacrifica segundo a natureza divina.
Nossa. Vou ler novamente. Fico emocionado toda vez que leio isso. Poderia ficar aqui lendo repetidas vezes.
De coração, amai-vos uns aos outros com um intenso amor recíproco, que brota do vosso coração em razão do reconhecimento de quão preciosos são os irmãos, e que, em sua essência, é um amor que se sacrifica segundo a natureza divina.
Louvado seja Deus — como os irmãos são preciosos. Que bela imagem e descrição do amor uns pelos outros, chegando ao coração da questão. Será que entraríamos nessa realidade, progredindo ainda mais?
Ao progredirmos ainda mais, temos considerado nosso relacionamento pessoal com o Senhor e nosso relacionamento uns com os outros. Que nos tornemos mais conscientes da necessidade vital do nosso relacionamento com Ele nestes dias.
Que também nos tornemos mais conscientes de que estamos no corpo de Cristo — do impacto e da responsabilidade que temos uns para com os outros dentro do corpo de Cristo.
Que nos tornemos mais conscientes do que devemos ser. Devemos ser uma junta que supre, segundo a justa cooperação de cada parte, o que promove o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
Esse é o chamado que Ele tem para nós. Que nos rendamos a Ele e permitamos que nos prepare para sermos o testemunho que Ele nos chamou a ser.
Ele está voltando em breve. Enquanto temos o hoje — e, louvado seja Deus, ainda se chama hoje —, vamos remir o tempo.
Vamos realmente permitir que Ele tenha maior controle da nossa vida, permitindo que cresça em nós. Que Cristo progrida em nós de tal maneira que estejamos diminuindo, aguardando aquele maravilhoso testemunho: “A noiva preparou-se”.
Que progridamos cada vez mais e prossigamos para a plenitude que Ele tem para nós. Vamos orar.
Senhor, nós Te agradecemos pelas Tuas misericórdias e pela Tua bondade para conosco. Senhor, ao tocarmos nessa questão de progredir ainda mais, sentimos que apenas tocamos a superfície.
Há muito mais de Cristo que Tu queres que vejamos e contemplemos. Senhor, nós nos oferecemos a Ti como sacrifício vivo, para que não nos acomodemos nesta vida.
Assim como Tu derramaste abundantemente a Tua graça sobre nós, cria em nós esse desejo de que Tu cresças e nós diminuamos.
A razão disso é que Tu recebas toda a glória e honra, e que a noiva seja preparada. Que o desejo e o propósito do coração do Pai se cumpram nestes dias que estão à frente.
Senhor, nós oramos: “Vem, Senhor Jesus”. Sabemos que está no Teu coração voltar. Senhor, queremos ser aqueles que cooperam Contigo, para que possamos apressar a Tua volta à medida que a Tua vida opera em nós.
Em Teu nome oramos. Amém.