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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    NECC 2026 Sunday Evening Dana Congdon© 2026 Christian Testimony Ministry
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    NECC 2026 Sunday Evening Dana Congdon
    NECC 2026 Sunday Evening Dana Congdon
    Congdon, Dana

    A Tríplice Incumbência de Receber e Expressar o Reino

    Ações de Graças pelo Semeador do Reino

    Louvado seja o Senhor. Bem, achei que todos vocês já teriam ido para casa por causa da chuva. Fico contente em ver todos nós juntos.

    Ao longo destes dias, somos muito gratos porque o Senhor, que é verdadeiramente o Semeador do reino, saiu a semear em nosso meio. Não sei bem que tipo de solo vocês são, mas certamente o Senhor quer que alguma semente do Seu reino crie raízes em nós. Ele quer imprimir Sua imagem em nós.

    Vocês conhecem aquela expressão: o Espírito Santo nos sela. Às vezes, não sei o que vocês entendem por esse selo, mas o significado é este: quando o Espírito Santo vem a nós, somos como cera macia, maleável, e Ele imprime Sua imagem nela. Essa imagem permanece para sempre. E quanto mais nos encontramos com o Senhor, pelo Espírito Santo, mais Ele pode imprimir Sua imagem em nós, para que, quando as pessoas olhem para a igreja, vejam somente Jesus, sempre Jesus.

    Foi para isso que nos reunimos neste período. As pessoas compartilharam várias coisas. Nos bastidores, nosso querido Senhor tem saído, levando a preciosa semente com lágrimas, por causa de Sua compaixão. Mas, sem dúvida, Ele voltará com alegria, trazendo Consigo os Seus feixes. Foi daí, naturalmente, que surgiu aquele cântico, “Trazendo os Feixes”, do Salmo 126.

    Três Passagens Relativas à Incumbência

    Gostaria que vocês abrissem em três passagens relacionadas à nossa incumbência nesta noite, porque é imprescindível que vejamos Aquele que nos vê, como nosso querido irmão compartilhou nesta tarde. Para recebermos Sua incumbência e carregarmos a cruz necessária para avançar até seu cumprimento, precisamos vê-Lo nos dando essa incumbência. E, nesta noite, vou procurar me concentrar, tanto quanto possível, no aspecto coletivo de recebermos essa semente do reino.

    A Comissão em Mateus 28

    A primeira porção das Escrituras, se vocês puderem abrir comigo, está bem no final do Evangelho de Mateus. Todos vocês conhecem muito bem o que chamamos de Grande Comissão, mas há nela uma incumbência para nós.

    Em Mateus 28:18-20, está escrito:

    Jesus aproximou-Se e lhes disse: Toda autoridade Me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações; batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar tudo o que vos tenho ordenado. E lembrai-vos: Eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.

    Que promessa preciosa.

    A Comissão em Atos 1

    Agora queremos ir ao livro de Atos, bem no início, para ver outra incumbência. Jesus, agora ressuscitado dentre os mortos, reúne-Se com Seus discípulos pouco antes de Sua ascensão. Logo no começo, em Atos 1:1-8, está escrito:

    Escrevi o primeiro relato, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar; até o dia em que foi elevado às alturas; depois de haver dado instruções, por meio do Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera. Depois de haver padecido, também Se apresentou vivo a eles, com muitas provas convincentes; aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando acerca do reino de Deus. Enquanto estava com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai; a qual, disse Ele, de Mim ouvistes. Porque João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias. Então, estando eles reunidos, perguntaram-Lhe: Senhor, é neste tempo que restauras o reino a Israel? Ele lhes disse: Não vos compete conhecer os tempos ou as épocas que o Pai fixou pela Sua própria autoridade. Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo; e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria; e até os confins da terra.

    A Incumbência em 2 Timóteo 4

    E, por fim, a última incumbência, da nossa porção em 2 Timóteo 4, lendo alguns versículos além da passagem que temos como tema. Em 2 Timóteo 4:1-4:

    Conjuro-te, portanto, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo; que há de julgar os vivos e os mortos, por Sua manifestação e por Seu reino: Prega a palavra; está preparado a tempo e fora de tempo; convence, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino. Porque virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, segundo os seus próprios desejos, multiplicarão para si mestres; porque têm coceira nos ouvidos para ouvir o que desejam. Desviarão os ouvidos da verdade; e se voltarão até mesmo para os mitos.

    E, no contexto dessa incumbência, ele lhe diz que prossiga e faça o trabalho de um evangelista.

    Oração pela Compreensão Pessoal da Incumbência

    Agora, Senhor, nós nos achegamos a Ti nesta noite. Somente Tu podes dar essa incumbência ao Teu povo. Somente Tu podes nos chamar a esse discipulado que produz o fruto do reino. Por isso, pedimos que o Espírito Santo esteja muito presente sobre nós, dando-nos uma compreensão pessoal da Tua incumbência sobre nós e sobre as diversas congregações nas quais nos reunimos. Nós Te agradecemos por esta oportunidade, neste lugar maravilhoso, de virmos passar este tempo juntos. No precioso nome de Jesus. Amém.

    Três Perspectivas sobre a Incumbência

    Ao olharmos para esses versículos, podemos ver o Senhor nos apresentando uma incumbência. E, mais uma vez, estamos ali com Ele em Mateus 9 e percebemos que Ele dá essa incumbência aos Seus discípulos a partir daquela compaixão humana, profunda, visceral, que Lhe quebrantava o coração. Sabem, quando Ele olha para os discípulos, não está se lamentando por causa deles. Ele os ama muito. E ama muito vocês. Ainda assim, Ele nos dá uma incumbência, para que sejamos Seus parceiros na obra do reino.

    E, quando olhamos para essas três incumbências, percebemos que há algo mais profundo em cada uma delas que exige que tenhamos visão, se quisermos compreender plenamente e obedecer à incumbência. Há aqui três perspectivas diferentes, três pontos de vista, quando olhamos para essas diferentes ordens.

    Em Mateus 28, há aquela perspectiva global do propósito eterno de Deus: a incumbência dada aos discípulos, aos obreiros, de edificar a igreja em todas as nações.

    Toda autoridade Me foi dada no céu e na terra.

    “Agora Eu estou no controle. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações.” Que incumbência tremenda. Precisamos ver o Senhor que nos vê; precisamos vê-Lo nos dando essa incumbência.

    A segunda incumbência, em Atos 1, é a de termos visão para compreender a fonte invisível da nossa obra no reino: recebermos esse maravilhoso Espírito Santo, para sermos testemunhas especificamente da ressurreição de Jesus, à medida que vamos de um lugar a outro sob a direção do Espírito Santo.

    E a terceira incumbência, em 2 Timóteo, é aquela incumbência do reino para o tempo do fim. Porque, em Mateus 28, vemos o reino edificando a igreja; mas aqui, em 2 Timóteo 4, vemos a igreja trazendo o reino e a volta de Jesus, à medida que a noiva se prepara. Essa incumbência para os últimos tempos talvez se aplique aos tempos em que vivemos agora, porque são tempos de oposição.

    Vocês percebem que, nessas três passagens, na verdade, somente em Timóteo aparece a palavra que expressa essa incumbência solene. É uma palavra forte, porque há seriedade e urgência em Paulo, que está prestes a ser martirizado. Enquanto está na prisão, aguardando esse momento, ele insiste nessa incumbência para Timóteo à luz dos últimos tempos, à luz da oposição de Roma e à luz da crescente oposição espiritual que o cerca. É preciso ser um vencedor. É preciso ter fé verdadeira em algo além disso tudo para pregar a palavra e exortar nestes últimos dias, quando as pessoas já não querem ouvir a sã doutrina.

    Vejam, todas essas incumbências só podem ser obedecidas se negarmos a nós mesmos, tomarmos a cruz e O seguirmos. Por isso, queremos examiná-las um pouco em seu contexto nesta noite. Naturalmente, vocês já as conhecem.

    A Perspectiva Global de Mateus 28

    Primeiro, olhamos para a perspectiva global de Mateus 28, a perspectiva que o Rei tem a respeito do Seu reino: ir por todo o mundo e fazer discípulos. Vocês conseguem imaginar esses doze discípulos, em sua maioria da Galileia, recebendo essa ordem tão abrangente de sair por todo o mundo? Provavelmente, nem saberiam dizer onde ficava a Índia, mas foram até lá. Ou a China. Mas eles foram.

    Eram galileus, gente bem simples, e receberam uma incumbência para a qual precisariam ter uma visão celestial, a fim de conseguirem cumpri-la. E, naturalmente, vocês sabem que eles a cumpriram.

    Quanto a essa comissão, acho que devemos dizer, antes de tudo, que ela é dada especificamente a apóstolos, missionários e evangelistas que foram separados por Deus para percorrer o mundo e realizar Sua obra evangelística, pregando o evangelho e trazendo o reino a todas as nações. E sabemos, por Mateus 24, que isso é necessário como testemunho de Jesus e de Sua volta.

    Mas, embora essa incumbência global tenha sido dada especificamente aos apóstolos que estavam ali, ela também se aplica a nós, não é? Pelo menos em nossas congregações locais, quando se trata de batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito, ensinar a observar todas as coisas e discipular aqueles que chegam até nós, essa certamente é uma incumbência que se aplica a nós.

    Oração pela Colheita Mundial

    Mas o que precisamos enxergar — porque o Senhor está pedindo, nesse aspecto específico, essa perspectiva global — é que aqui realmente precisamos de oração. Irmãos e irmãs, em nossas reuniões de oração, precisamos de uma visão global.

    Essa colheita mundial está acontecendo agora mesmo. Vocês têm consciência disso? Existe o Centro de Estudos do Cristianismo Global, no Seminário Gordon-Conwell, na região de Boston. Atualmente, eles têm procurado calcular, com base no que está acontecendo ao redor do mundo, os resultados dessa Grande Comissão. A semente está sendo semeada, especialmente agora nos campos do Oriente Médio e da África, enquanto, dez ou quinze anos atrás, a ênfase ainda estava no Extremo Oriente e na América do Sul.

    Mesmo assim, eles dizem que, diariamente — enquanto estivemos juntos neste mesmo dia —, entre setenta e oitenta mil pessoas entraram no reino pela pregação do evangelho. Pensem nisso. Glória a Deus.

    Sabem, irmãos e irmãs, não conhecemos sequer o nome da maioria desses obreiros, muitos deles no terceiro mundo, em países em desenvolvimento. Mas eles são preciosos para o Senhor. Deveríamos estar orando por eles. Todos os nomes que conhecemos, deveríamos colocá-los diante do Senhor, pedindo ajuda para eles enquanto realizam essas coisas. Setenta a oitenta mil. Isso significa, segundo as estimativas desse centro de pesquisa sobre o cristianismo global, que entre vinte e cinco e trinta milhões de cristãos são acrescentados ao reino todos os anos.

    O Senhor é fiel em Sua colheita?

    Nossos tempos podem ser difíceis. Onde moro, na cidade de Nova York, estou esperando que o zelador seja salvo; e, se isso acontecer, acho que já estaria pronto para ser arrebatado à glória, sabem? Mas, em outros lugares do mundo, os campos estão brancos para a colheita, irmãos e irmãs. Estão brancos. Eles não têm dificuldade em levar as pessoas à salvação. A dificuldade é saber o que fazer com elas depois que são salvas, como veremos daqui a pouco. Os campos estão brancos para a colheita, e novas igrejas estão surgindo aqui e ali. Os campos estão maduros.

    E, naturalmente, a chave é sempre esta: perceber onde os campos estão brancos em cada momento. Isso é muito importante, e é por isso que precisam da direção do Espírito Santo ao saírem pelo mundo. E como são abençoados aqueles que têm a oportunidade de servir nessas coisas.

    Um Testemunho da Cruzada em Seul

    Agora, eu me lembro… vejamos, 1964. Então, eu era cristão havia nove anos. Era pastor. E, como voluntário, fui, em 1973, à Cruzada de Billy Graham em Seul, na Coreia. Fui com uma equipe de cerca de vinte e cinco empresários. Eu não era propriamente um empresário, mas me infiltrei no grupo, e fomos testemunhar nas diversas cidades da Coreia. Fiquei numa cidade do sul chamada Busan. Havia quatro cruzadas acontecendo ao mesmo tempo, sendo a principal, naturalmente, a do nosso querido irmão Billy Graham, lá em Seul.

    Sabem, nunca vou me esquecer daquela experiência, porque os céus estavam abertos sobre a Coreia do Sul. Foi tremendo. Nem consigo dizer quantas pessoas foram alcançadas. Eu compartilhava meu testemunho e fazia um apelo. Vi algumas escolas presbiterianas em que todos os alunos se levantaram e aceitaram o Senhor; então, virei-me e vi que os professores também estavam aceitando o Senhor. Eles queriam ser cristãos. Conheciam a Palavra, mas nunca tinham entendido que precisavam receber Cristo, e foi só isso que compartilhei.

    Isso acontecia no mercado. Ficávamos do lado de fora de um prédio de igreja, e um pastor batista baixinho interpretava para mim. Pregávamos o evangelho, e aqueles empresários paravam onde estavam, pelo poder do Espírito Santo. Mas deixem de lado o que eu fiz. Eu apenas ia de um lugar a outro e ajudava como podia, assim como aquelas outras duas dúzias de obreiros voluntários. Também participávamos da cruzada, aconselhávamos as pessoas que vinham e fazíamos essas coisas. Mas vejam o que aconteceu.

    A Cruzada de Billy Graham de 1973 acabou sendo a maior que ele já realizou. Foi impressionante. Ao todo, 3,2 milhões de pessoas participaram daquela cruzada. Foram apenas cinco dias, creio eu. E o maior público, na última noite, lá em Seul, na Coreia — nunca vou esquecer —, foi de 1,1 milhão de pessoas ouvindo o evangelho. E, nossa, elas vieram em massa. Eu simplesmente comecei a chorar. Elas invadiram o campo daquele estádio de futebol para receber o Senhor. Ah, só de fazer parte daquilo… É maravilhoso.

    E, naturalmente, enquanto estava lá, descobri o segredo — como se fosse um segredo. Acontece que esse pastor, Paul Yonggi Cho, por meio de sua grande igreja em Seul, na Coreia, havia comprado um monte que chamavam de Monte de Oração. Quem já esteve lá sabe que fica nos arredores de Seul, na Coreia, e eles oravam vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Quando chegamos, os céus estavam abertos. O inimigo estava derrotado. Sentávamos para almoçar, usando o crachá da cruzada, e as pessoas nos perguntavam como poderiam ser salvas.

    Era oração, entendem? É por isso que Jesus diz:

    Rogai ao Senhor da seara.

    Que tal rogarmos por esses queridos amigos?

    Ah, escutem, irmãos e irmãs. Temos um chamado para que nossas reuniões de oração sejam maiores do que apenas a dor no dedo do pé da vovó. Nosso encargo precisa incluir a vovó, mas precisa ser muito maior do que isso. Há um mundo lá fora que o Senhor está alcançando com sementes do reino, aqui e ali. E, especialmente quando conhecemos lugares, ocasiões ou pessoas, deveríamos estar orando. E não se trata apenas de missionários em algum lugar distante. Até um lugar como este — vocês sabem como esta obra é preciosa? Fico pensando em quantas pessoas já foram salvas aqui. Ouvi algumas histórias sobre o grupo chinês que se reúne aqui. É no fim de semana do Dia do Trabalho, todos os anos? E, nos últimos anos, centenas e centenas de pessoas foram salvas. Isso não é maravilhoso? Então, deveríamos estar orando por essas coisas.

    Mas o que isso exige? Exige um coração quebrantado de compaixão, que se sinta ligado às pessoas ao redor do mundo. Vejam, isso não é algo natural para nós. É por isso que, em nossa pequena reunião de oração em Manhattan, quando oramos uns pelos outros, todo mundo aparece, inclusive a vovó com a dor no dedo do pé. Mas, quando vamos orar nesta semana pelo reino de Deus ao redor do mundo: “Ah, não posso ir. Não é sobre mim. Não estou interessado. Se não for sobre Nellie ou Charlie, estou fora”.

    Ah, escutem. É por isso que orar pelas nações exige negar a nós mesmos e tomar essa cruz. E vocês ficariam surpresos com o tamanho do encargo que o Senhor pode lhes dar por essas pessoas que mal conhecem. E é ainda mais maravilhoso quando vocês se conectam com elas e começam a trocar correspondência. Ah, é algo tremendo ver essas coisas. Mas escutem.

    A Necessidade da Igreja Local

    Sabemos que o trabalho evangelístico nesses encontros do reino é maravilhoso, mas é preciso mais do que isso. Porque o problema enfrentado em toda parte é onde acolher essas pessoas depois que são verdadeiramente salvas.

    Em 1968, eu ainda estava no seminário, e Ernie Heil e eu fomos convidados a ir a Pittsburgh, à Escola de Evangelismo de Billy Graham, que ele realizava durante sua cruzada ali. Então, frequentávamos a escola durante o dia e trabalhávamos nas cruzadas à noite. Billy Graham se levantou e disse três coisas. Elas ficaram comigo até hoje; e minha mente já está tão velha, aos oitenta e dois anos, que fico admirado por ainda me lembrar. Mas aqui estão três coisas que ele disse a nós — provavelmente uns duzentos seminaristas e jovens pastores que vieram àquela escola de evangelismo.

    Primeiro, ele disse isto: segundo um estudo da própria Associação Evangelística Billy Graham, apenas 25% das pessoas que respondem ao apelo se tornam cristãos comprometidos. Agora, pensem nisso.

    A segunda coisa que Billy Graham nos disse foi que seu evangelismo era o pior tipo de evangelismo em termos de eficácia. E foi assim que ele se descreveu: “Eu subo ali à noite com um balde cheio de água do evangelho, e lá no estádio há quinze ou vinte mil garrafas de Coca-Cola, daquelas de gargalo estreito. Então, jogo aquela água do evangelho sobre as garrafas. Um pouquinho entra aqui. Bastante entra ali. Nada entra naquela outra. É a pior forma de evangelismo. Tocou essa pessoa. Aquela outra não entendeu do que o sujeito estava falando. A outra foi embora sem ser tocada”. É o pior tipo. Mas ele disse: “Foi para isso que Deus me chamou”.

    Então, ele disse: “Quero lhes dizer para que Deus chamou vocês. Deus chamou vocês para serem uma igreja que prega todo o conselho de Deus e vive uma vida de corpo cheia de vitalidade, na qual essas pessoas que são salvas possam ser nutridas, ajudadas, discipuladas e conduzidas à força e à maturidade”. Foi isso que Billy Graham disse. Ele afirmou: “Sem a igreja local, meu evangelismo não tem efeito”.

    Bem, naturalmente, todos conhecemos outras histórias. Vocês conhecem nosso querido irmão Bakht Singh, na Índia. Depois de estudar no Canadá, ele voltou e começou a pregar o evangelho. Houve um tremendo avivamento em Madras, na Índia. E ele voltou durante a guerra, em 1941, alguns anos depois daquele avivamento. Sabem o que encontrou? Quarenta e duas mil pessoas haviam respondido ao evangelho ali em Madras, nas reuniões de Bakht Singh. Foi um acontecimento poderoso. E, quando voltou em 1941, alguns anos depois, não conseguiu encontrar nenhuma delas. Todos aqueles cristãos tinham desaparecido por aí.

    E sabem qual foi a razão? Quando foram salvos, entraram no que, naqueles dias, se chamava Igreja da Índia. Era a Igreja Anglicana, e aquela igreja específica em Madras, pelo menos, era completamente liberal. Não pregavam a Palavra. Não acreditavam na ressurreição de Jesus. Não acreditavam na salvação pela fé. Acreditavam em religião. E, um a um, aqueles novos cristãos fervorosos esfriaram e foram embora.

    E o que ele fez? Bakht Singh teve de aprender a edificar a igreja para acolher os que eram salvos. E acho que muitos de vocês conhecem a história de Watchman Nee. Ele foi um evangelista eficaz nos primeiros tempos, no Extremo Oriente, mas também se deparou com esse mesmo problema. Muitas pessoas vêm ao Senhor, mas, sem uma igreja — uma igreja que seja o corpo de Cristo, que possa ser uma incubadora para os novos cristãos —, muito do trabalho evangelístico fica sujeito ao acaso.

    Então, vemos que essa é uma preocupação real. Quando falamos da incumbência e vemos aqueles que saem e pregam o evangelho, também precisamos orar pelas igrejas da região, para que o trabalho continue sendo frutífero.

    Mas, no fim das contas, descobrimos, na história dos avivamentos e da obra evangelística, que o evangelismo mais eficaz é aquele realizado por uma igreja local, na qual as pessoas carregam a cruz, saem para testemunhar e pregam o evangelho. Algumas pessoas são salvas. Algumas são batizadas. Mas elas permanecem. A porcentagem dos que permanecem cristãos, quando pequenas congregações — e não evangelistas famosos — realizam fielmente reuniões evangelísticas e fazem a obra do evangelho, é muito maior. Elas não recebem os elogios que um grande evangelista receberia. Mas esse é o desejo de Deus. Ele sempre quis que os que fossem salvos fossem discipulados em Suas igrejas locais.

    Então, essa é a primeira incumbência, e só posso pedir que o Espírito Santo ajude vocês a ver que Jesus está lhes dando essa incumbência para o mundo inteiro, a partir daquele Seu coração compassivo.

    A Fonte Invisível do Ministério em Atos 1

    Agora, a segunda incumbência vem do livro de Atos, de Atos 1, como vocês se lembram. E aqui vemos que o Senhor precisa lhes revelar — ou eles precisam receber uma revelação — a fonte invisível do ministério do reino que estava diante deles, a saber, o Espírito Santo.

    Antes da morte de Jesus, os discípulos haviam sido ensinados, em João 14–16, a respeito da obra do Espírito Santo, tanto sobre eles como dentro deles. Mas, ainda naquele momento, não haviam compreendido o segredo do seu discipulado e da incumbência que receberiam de sair pelo mundo. Assim, ao longo daqueles quarenta dias, enquanto Jesus Se apresentava vivo e conversava com eles, sobre o que falavam? Sobre as coisas relacionadas ao reino de Deus.

    E, mesmo depois de tudo isso, a pergunta que os discípulos fizeram foi: “Agora, Jesus, estamos esperando aqui em Jerusalém. É neste tempo que Tu vais restaurar o reino a Israel?”. Em outras palavras, a compreensão que tinham do reino não era universal. Não incluía todas as nações, além dos judeus. Entendiam o reino como um reino terreno, centrado em Jerusalém, no qual o Messias venceria Roma e qualquer outro inimigo.

    Jesus disse: “Não cabe a vocês conhecer os tempos e as épocas, nem mesmo a respeito da Minha volta. Não quero que fiquem esperando em Jerusalém até que Eu volte” — o que, infelizmente, é o que muitas igrejas estão fazendo hoje, basicamente sem fazer nada além de esperar Jesus voltar. Ele disse: “Não, não. Vou lhes dizer o que precisam fazer. Precisam esperar em Jerusalém até receberem o poder do Espírito Santo. Então, vão, conforme Ele os conduzir. Neguem a si mesmos, tomem sua cruz e sigam o Espírito Santo à medida que Ele os conduzir, começando em Jerusalém, depois na Judeia e em Samaria, e até os confins da terra. Mas deixem que o Espírito Santo os conduza”.

    O Espírito como Vento e Sopro

    Vocês conhecem aquela palavra maravilhosa para espírito: no grego, é pneuma; e, no Antigo Testamento, é ruach. Significam a mesma coisa. Há um duplo significado, certo? Vocês sabem disso. Significa vento e sopro.

    Agora, vocês precisam do vento do Espírito Santo para encher suas velas. Precisam do poder do Espírito Santo para realizar a obra por este mundo, conforme o Senhor os conduzir. Mas também precisam do Seu sopro, daquela voz mansa e suave: “Agora vá para lá. Não vá para lá”.

    Ah, há gente demais tentando evangelizar sem ouvir o Espírito Santo. Estão meio por conta própria, com alguma coisa mecânica, com certas atividades que realizam. Mas ouvir a voz do Espírito Santo é tão necessário nessa obra. Por isso, Jesus está procurando abrir os olhos deles para que vejam essa fonte interior e invisível de poder que devem ter como testemunhas da ressurreição, enquanto o poderoso ímã — o próprio Jesus — atrai as pessoas para Si.

    Jesus como o Poderoso Ímã

    Escutem isto. Outro dia, minha esposa — ela está sempre fazendo perguntas — perguntou: “Então, sobre o que você vai compartilhar?”. Ela pega no meu pé. Enfim, um dia ela disse: “Bem, sobre o que você vai compartilhar?”. Eu contei um pouco. Ela disse: “Ah, você leu o devocional de Spurgeon hoje?”. Eu disse: “Não, não li”. Ela lê muita coisa devocional, sabem como é? E ali estava. Chamava-se… posso ler para vocês? É só um trechinho. Vou ler apenas uma parte. O título é “O Poderoso Ímã de Deus”, baseado em João 12:32:

    E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim.

    O poderoso ímã.

    Spurgeon diz:

    Vinde, obreiros, e tende bom ânimo. Temeis não conseguir atrair uma congregação. Experimentai pregar um Salvador crucificado, ressuscitado e elevado aos céus; pois essa é a maior força de atração que já se manifestou entre os homens. O que vos atraiu a Cristo, senão o próprio Cristo? O que vos atrai a Ele agora, senão Sua própria bendita Pessoa? Ide, pois, com o nome de Jesus àqueles que até agora têm sido obstinados, e vede se Ele não os atrai. Nenhum tipo de pessoa está além do alcance desse poder de atração. Velhos e jovens, ricos e pobres, ignorantes e instruídos, depravados e amáveis: todos sentirão essa força de atração. Jesus é o único ímã. Não pensemos em nenhum outro. A música não atrairá a Jesus, nem a eloquência, a lógica, o cerimonial ou o ruído. O próprio Jesus deve atrair as pessoas a Si. Não vos deixeis tentar pelos charlatanismos da época; mas, como obreiros do Senhor, trabalhai à Sua maneira e atraí com as próprias cordas do Senhor. Atraí a Cristo. Atraí por Cristo. E então Cristo atrairá por meio de vós.

    Quantos de vocês estão dispostos a sair sob o poder do Espírito Santo, com o ímã, o poderoso ímã de Jesus, e falar sobre Jesus? Vocês querem atrair pessoas para perto de vocês? É assim que se faz.

    Tenho muito pelo que ser grato em minha vida, e uma das pessoas a quem devo muito é meu sogro, que era um maravilhoso evangelista no contato pessoal. No fim, ele tinha um grupo de 2.300 homens na Carolina do Norte que participavam de fins de semana de testemunho de leigos, nos quais compartilhavam seus testemunhos. E era isto que faziam: iam de casa em casa numa comunidade, geralmente usando as fichas de visitantes da igreja batista. Era assim que faziam. Entravam numa casa e contavam como haviam sido salvos. Depois, à noite, tínhamos um culto, e nesse culto um dos quinze ou vinte irmãos e irmãs que estavam ali naquele fim de semana contava como havia sido salvo.

    Pessoas eram salvas por toda parte. Tudo o que faziam era contar como Jesus as havia salvado. Meu sogro não era dos melhores em teologia. Mas sabia usar o poderoso ímã de Jesus. As pessoas eram atraídas. E vimos alguns avivamentos poderosos, muitas pessoas salvas, em algumas igrejas grandes, como a Primeira Igreja Batista de Nashville e outras. Mas, vejam, nada supera o ímã de Jesus.

    O Chamado para Ser Testemunha

    Mas agora escutem. Vocês precisam ter olhos para enxergar, porque essa é uma incumbência para serem testemunhas agora.

    Ao descer sobre vós o Espírito Santo, sereis Minhas testemunhas.

    Agora, quantos de vocês são testemunhas? Vejam, todos deveriam levantar a mão. Mas alguns são péssimas testemunhas, e outros são boas testemunhas. Fico pensando se vocês já viram Jesus, que vê vocês, nessa questão de sair e ser Sua testemunha.

    Campos Já Brancos para a Colheita

    Sabem, é interessante. Se vocês abrirem numa passagem de João 4 — ela já foi lida várias vezes, mas vamos examiná-la novamente, em João 4:35-38 —, veremos os campos brancos. Vamos observar o que Jesus diz, a partir do Seu coração, sobre essa questão de ser testemunha.

    Isso se refere àquela visita a Samaria. Ele diz aos Seus discípulos:

    Não dizeis vós: Ainda há quatro meses, e então vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os olhos e vede os campos; porque já estão brancos para a colheita. Quem ceifa recebe salário e ajunta fruto para a vida eterna; para que tanto o que semeia como o que ceifa se alegrem juntos. Porque nisto é verdadeiro o ditado: um semeia, e outro ceifa. Eu vos enviei a ceifar aquilo em que não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no trabalho deles.

    Vejam, vocês precisam de visão para olhar os campos e perceber que já estão brancos para a colheita. Então, escutem, irmãos e irmãs. É nisso que Jesus está desafiando vocês. Aqui está o desafio: o campo de vocês, onde vivem e onde trabalham, está branco agora — se vocês puderem enxergá-lo.

    Naturalmente, os discípulos nunca teriam pensado que os samaritanos eram um campo branco para a colheita. Na melhor das hipóteses, se fossem bondosos, diriam: “Ainda faltam quatro meses para a colheita estar pronta aqui. São samaritanos, gente difícil, sabem?”. Jesus diz que são como uma uva madura que se colhe da videira, tão prontos estão para receber o evangelho. E esse é o nosso problema. Vejam, as pessoas ao nosso redor estão mais prontas para receber o evangelho do que nós estamos para testemunhar dele.

    Pensamos: “Com certeza, essas pessoas no meu trabalho não podem estar prontas. Meu bairro é o bairro mais avesso ao evangelho do mundo. O momento certo virá logo depois que Jesus voltar”. Não. Mas será que levantamos os olhos?

    E então Ele diz:

    Quem ceifa recebe salário e ajunta fruto para a vida eterna; para que tanto o que semeia como o que ceifa se alegrem juntos. Porque nisto é verdadeiro o ditado: um semeia, e outro ceifa. Eu vos enviei a ceifar aquilo em que não trabalhastes; outros trabalharam.

    Vocês sabem que estão num campo onde outra pessoa já arou e plantou, onde o Espírito Santo já realizou uma obra invisível de convencimento? Não pensem, quando testemunham a alguém pelo poder do Espírito Santo, que são a primeira pessoa que já falou com ela.

    Fico admirado com a frequência com que descubro que faço parte de uma sequência de acontecimentos, conduzidos pelo Espírito Santo e por outras pessoas, quando falo com alguém sobre o Senhor. Vou tentar dar alguns exemplos, e peço desculpas por usar meus próprios exemplos pessoais.

    O Testemunho e os Dons do Espírito

    Lembro-me de uma ocasião. Estávamos do lado de fora da sorveteria Friendly’s, distribuindo folhetos e pregando o evangelho, e eu estava com alguns jovens. Eu ainda era jovem naquela época… bem, estava com jovens. Eu já não era um jovem. Estávamos ali distribuindo folhetos. Na verdade, eu tocava violão e cantava algumas músicas sobre Jesus, enquanto eles distribuíam os folhetos.

    Estávamos em frente a uma espécie de loja de variedades. Um homem passou por ali para entrar numa loja de bebidas. Uma das moças lhe entregou um folheto e disse: “Aqui, Deus abençoe você”. O sujeito respondeu: “Não quero seu folheto. Não quero seu Deus. Não quero falar com você”.

    Agora, escutem. É disso que estou falando. Deixem-me fazer esta afirmação: a maioria dos dons do Espírito Santo de que falamos se manifesta enquanto testemunhamos. Pensem nisso. Quando vocês leem o livro de Atos e veem uma palavra de conhecimento, uma palavra de sabedoria, algum discernimento, discernimento de espíritos ou algo assim, muitas vezes isso acontece exatamente no contexto do testemunho.

    Aquele sujeito jogou o folheto no chão, e eu estava tocando violão. Parei de tocar porque, sim, aquele homem estava ficando bravo. E a moça disse — eu detesto quando as pessoas falam sem pensar —: “Bem, e a sua família?”.

    Nossa. Fiquei imaginando o que ele faria. Ele se virou e perguntou: “O que você quer dizer?”. “Bem, só queria perguntar sobre sua família. Você não quer o Senhor, mas e a sua família?” E o sujeito ficou muito sério. Então, fui até ele e conversei. Perguntei: “Por quê? O que está acontecendo? Por que você está preocupado com sua família?”. Finalmente, depois de alguns minutos, ele disse: “Acabei de sair de casa e estava indo à loja de bebidas para me embriagar e abandonar minha família”.

    Aquela moça recebeu uma palavra de conhecimento. Vejam, é isso que aconteceu. Ela não era carismática, mas Deus disse: “Precisamos desse dom. Envia-o, Espírito Santo. Ela precisa de uma palavra de conhecimento”. Ela disse apenas aquela frase. Bem, no fim, oramos por ele. E, depois de orarmos, ele disse que voltaria para casa.

    Lembro-me de outra ocasião. Mais uma vez, saí com alguns jovens. Gosto de levar os jovens, porque eles ainda estão dispostos a ir e carregar a cruz. Os mais velhos não estão dispostos, sabem? Então, um dia fomos a um parque e estávamos testemunhando. Eu estava com um cristão relativamente novo na fé. Ele tocava violão muito bem, mas havia sido dependente de drogas e fora salvo. Quero dizer, tinha uns dois anos de vida cristã. Eu disse: “Vamos, Charlie, vamos testemunhar”. Charlie respondeu: “Bem, não sei. Nunca testemunhei. Não sei o que as pessoas vão pensar”. Eu disse: “Vai ficar tudo bem”.

    Estávamos andando pelo parque. Eu disse: “Está vendo aquele sujeito ali? Ele está rebatendo umas bolas de softball com um taco”. Então, falei: “Dê um folheto para ele”. Charlie entregou o folheto. O homem o rasgou e jogou no chão. Charlie voltou: “Está vendo? Não funciona. Não funciona”. Eu disse: “Não, não, não. O Senhor nos trouxe aqui por uma razão. Vamos ver”.

    Então, olhei para o meio do campo, provavelmente a uns quarenta e cinco metros de distância, e vi um homem numa cadeira de rodas e outro em pé ao lado dele. Eu disse: “Bem, por que não vamos testemunhar para eles? Afinal, aquele homem está numa cadeira de rodas. Eles não podem fugir”.

    Charlie disse: “Não, não, não. Vamos fazer assim: você vai. Você vai”. Eu disse: “Não, não, não. Nós dois devemos ir”. Caminhamos até eles. Não estou brincando: aquelas duas pessoas estavam orando para encontrar uma igreja que fosse seu lar, justamente na cidade onde tínhamos uma congregação, em Long Island. E nós aparecemos.

    Quando Charlie viu aquilo, sua vida mudou. Porque ele percebeu que, quando vocês saem para testemunhar pelo Senhor, Ele os direciona. Ele pega o pequeno leme e vai conduzindo vocês para cá e para lá, mas, por fim, vocês se deparam com alguma coisa. É um encontro preparado por Deus.

    Mas, vejam, vocês precisam de sensibilidade a esse Líder invisível dentro de vocês, que diz: “Vá para lá. Fale esta palavra. Diga aquilo”. É admirável o que o Senhor pode fazer. Mas vocês estão dispostos a carregar a cruz e dizer: “Senhor, torna-me sensível à Tua colheita branca ao meu redor”?

    Talvez vocês trabalhem num grupo de seis pessoas. Talvez uma delas esteja pronta. E, se orarem por elas fielmente, pode chegar o dia em que poderão dizer: “Deixe-me orar por você a respeito disso”, ou: “Você sabia disto?”. Entendem? Não precisa ser de outra maneira.

    Vocês não precisam… acho que, às vezes, quando saímos para testemunhar, cada pessoa tem seu jeito. Algumas vão direto para a rua, sobem num pequeno caixote e pregam o evangelho abertamente. Mas, na maioria das vezes, uma pessoa cheia do Espírito pode ser conduzida pelo Espírito a dizer exatamente a palavra certa.

    Sabem quando descobri isso? Fui salvo no Dia da Mentira, em 1º de abril de 1964. Em maio, minha mãe veio de Nova York. Na época, eu morava na Carolina do Norte com minha esposa. Minha mãe veio de Nova York para assistir à nossa formatura numa faculdade de dois anos e saber como eu estava. Eu estava morando lá no Sul. Ela não tinha certeza de que eu estava bem, sabem? Então, descobriu que eu era cristão. Eu havia nascido de novo. Já tinha contado a ela. Ela veio e disse: “Não sei o que significa tudo isso”.

    Entre outras coisas, eu disse: “Bem, mãe, hoje é domingo, e agora Julie e eu cantamos no coral. Você vem à igreja?”. Ela disse que sim. Eu falei: “Sabe, mãe” — ela era cantora de ópera —, “você tem uma voz tão bonita. O que o Senhor poderia fazer com ela, se você entregasse sua vida a Deus!”. Foi só isso que disse. Que tipo de testemunho é esse, não é?

    Até que vi minha mãe caminhar por aquele corredor e entregar a vida a Cristo. Ela era praticante da Ciência Cristã, rigorosa até o último fio de cabelo, essas coisas todas. Mas algo que eu disse — aquela palavra aparentemente tola, “O Senhor poderia usar você” — fez efeito. Ele sabe exatamente que palavras colocar no coração de alguém, para que essa pessoa vá para casa e pense nelas, entendem?

    Mas essa é a obra do Espírito Santo: não apenas encher nossa vela com Seu vento; às vezes, também realizar curas. Vi obras de cura tremendas enquanto pregávamos o evangelho e realizávamos ações evangelísticas — coisas que normalmente não se veem na vida habitual da igreja. Mas, quando o evangelho vivifica a situação, o Espírito Santo também atua vivamente. Como Pedro diz em Atos 5:32:

    Nós somos testemunhas destas coisas; e também o Espírito Santo.

    Ele havia compartilhado com eles a ressurreição de Jesus.

    Quando testemunhamos da ressurreição, do poderoso ímã de Jesus, o Espírito Santo também testemunha. Vejam o que acontece. Vocês dizem alguma coisa; o Espírito Santo diz: “Isso mesmo”. Vocês dizem alguma coisa; o Espírito Santo diz: “Isso mesmo”. Vocês dizem alguma coisa; depois, a pessoa vai para casa à noite, deita na cama, e o Espírito Santo diz: “Certo. Isso mesmo. Isso mesmo. Isso mesmo”.

    O Espírito Santo está aqui. Por que ser cheio do Espírito se você não vai ser testemunha? O que Jesus diz? “Sejam cheios do Espírito e depois fiquem deitados, sentindo arrepios”? Não, não, não. Ser cheio do Espírito tem um propósito e uma finalidade, e isso tem a ver com o seu chamado.

    Você aceitou seu chamado para negar a si mesmo e ser testemunha do Senhor? Se, ao longo de um ano, uma pessoa do círculo de cada um viesse ao Senhor, nós dobraríamos de tamanho.

    Não precisamos realizar grandes campanhas evangelísticas, embora eu ache que, se vamos fazer essa obra do evangelho, precisamos do apoio de duas coisas. Eu avisei que estava passando para esse assunto?

    O Apoio aos que Evangelizam

    Primeiro: acho que, em toda congregação, há determinados irmãos e irmãs que são evangelistas. E acho que precisamos apoiá-los, ajudá-los. Quando dizem: “Queremos sair”, nós dizemos: “Bem, como podemos ajudar vocês? Podemos ir junto? Podemos orar?”. Quero dizer, precisamos levá-los a sério.

    Há evangelistas na congregação de vocês? Não estou falando de um grande pregador e de uma cruzada. Estou falando de alguém disposto a entregar um folheto a outra pessoa, alguém disposto a conversar com alguém sobre Jesus. Estamos falando simplesmente de alguém disposto a se conectar com outra pessoa, porque tem aquela compaixão que o leva a se aproximar dos pecadores. E há pessoas assim. Algumas irmãs preciosas. Ah, irmãs maravilhosas, evangelistas, como Evódia e Síntique, em Filipenses.

    Mas escutem. Se a igreja não lhes dá apoio, elas se sentem como uma espécie de terceira perna no corpo de Cristo. Ninguém quer ajudá-las. Nós as deixamos sair inteiramente por conta própria, sabem? Nem sequer oramos por elas na reunião de oração. Estão sozinhas. Não, não. Não deveria ser assim.

    Sejam tão criativos quanto quiserem. Talvez algumas pessoas não sejam tão boas para conversar individualmente com alguém, mas alguém pode criar um ótimo folheto. Não sei quantos de vocês ouviram isso, mas, recentemente, por ocasião do 11 de Setembro, alguns queridos irmãos vieram de vários lugares. Um irmão de Memphis meio que liderou o trabalho. Ele havia conseguido um excelente folheto sobre Mickey Mantle. E distribuíram, não sei, 45 mil exemplares, ou todos os que ele tinha. Foram ao Yankee Stadium, acho que por duas noites. Está certo, Genor? Duas noites no Yankee Stadium, e todo mundo no estádio recebeu um folheto sobre Mickey Mantle. Mas, sabem, Mickey Mantle foi salvo antes de morrer. É disso que os folhetos tratam.

    Algumas dessas mentes brilhantes que temos aqui… temos pessoas que são designers gráficos, gênios da informática, sei lá, ou que podem até dizer: “Ei, ChatGPT, faça um bom folheto sobre Jesus para mim, pode ser?”. Vamos lá. Mas trata-se de aceitar esse chamado como um chamado para você, e não apenas para os discípulos.

    Você foi cheio do Espírito Santo? Então, está seguindo a direção Dele para Jerusalém? Talvez seja hora de ir para a Judeia. Talvez para Samaria. E, mesmo quando Ele conduz até os confins da terra, pode acontecer como com Paulo: tentaram ir para a Bitínia, e o Espírito Santo disse: “Não, não, não. Não vão para lá”.

    Conduzidos pelo sopro, pela voz mansa e suave; capacitados pelo vento. Esse é o chamado sobre todo cristão para ser testemunha neste tempo.

    A Incumbência dos Últimos Tempos em 2 Timóteo 4

    Mas gostaria de chegar a essa terceira incumbência, em 2 Timóteo 4, porque aqui estou pensando especialmente na própria igreja. A igreja tem uma incumbência. É um tanto incomum nestes últimos dias. A igreja deve trazer o reino, trazer o Rei de volta, preparando-se.

    Como eu disse, Paulo estava na prisão e logo seria martirizado. Os tempos haviam se tornado muito difíceis, mesmo desde que 1 Timóteo fora escrita. Em 1 Timóteo, a igreja era a casa de Deus, a casa do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. Mas, quando 2 Timóteo foi escrita, alguns cristãos já não queriam ouvir o ensino sadio. Alguns cristãos eram bons vasos, e outros eram péssimos vasos. As igrejas haviam se tornado uma grande casa, na qual não se sabia bem quem estava de que lado, quem era realmente cristão, quem não estava santificado e quem realmente amava o Senhor. E é uma carta que faz vocês se entristecerem, se têm a compaixão de Jesus no coração.

    Não consigo deixar de pensar que essa passagem de 2 Timóteo 4 me leva de volta a ver Jesus olhando para aquela encosta e vendo todas aquelas pessoas. E o que Ele vê, afinal? Vamos fazer uma distinção, apenas para esclarecer isso.

    As Ovelhas Perdidas e a Condição das Igrejas

    Antes de tudo, Ele vê ovelhas perdidas. Agora, tenham um pouco de paciência comigo. Vou dizer que essas ovelhas perdidas representam cristãos que simplesmente se desviaram. Estão perdidos. Simplesmente se afastaram. Não quero dizer que perderam a salvação. Quero dizer que não estão permanecendo em Cristo. Não estão participando da comunhão em lugar algum.

    Sabem, minha história é esta: eu morava em Long Island e, quando aconteceu o 11 de Setembro, em 2001, o Senhor começou a trabalhar em meu coração. Assim, em 2002, Julia e eu nos mudamos para a cidade, para um pequeno apartamento. Foi a primeira vez que moramos na cidade de Nova York. Eu já tinha sessenta anos, algo assim. Mas o Senhor colocou uma palavra em meu coração, vinda das Escrituras, dos Salmos. Ela diz:

    Ajuntai a Mim todos os Meus filhos que ofereceram sacrifício.

    E senti que o Senhor estava me dizendo: “Quero que você reúna os Meus cristãos que estão vagando pelas ruas de Manhattan”.

    Uma ovelha perdida é uma ovelha que deixou de ouvir a voz do pastor. Está simplesmente por aí, em algum lugar. A ovelha afligida talvez seja uma descrição melhor — a palavra grega, na verdade, é bastante forte —, e isso implica que agora a ovelha está solta. Vocês entendem o que quero dizer. Ela ouve os lobos chegando: “Uuuh, uuuh”. Torna-se presa deles e chega a ser atacada. Depois, fica presa nos espinheiros e acaba toda machucada.

    Não sei quantos cristãos nascidos de novo agora perderam completamente o rumo na cidade de Nova York. Só sei que isso me partiu o coração. Não sou grande evangelista nem nada disso, mas o Senhor disse: “Tente reuni-los. Quando descobrir onde estão, tente alcançá-los e trazê-los para um estudo bíblico”. Começamos assim. Ficamos com o estudo bíblico durante dois anos; depois, começamos a nos reunir, partir o pão e fazer essas coisas. Mas, sabem, há tantos lá fora.

    E o Senhor olha para aquele vale. Ele vê Suas ovelhas numa condição terrível. Ah, queridos irmãos e irmãs, espero que vocês tenham maturidade suficiente para não fazer um comentário superficial como: “Ah, a igreja está bem”. Estou falando da igreja como um todo, naturalmente. Espero que a congregação de vocês seja vibrante e viva. E há muitas, algumas denominacionais, outras não, que são vibrantes e realmente amam o Senhor.

    Mas a igreja como um todo… vejam, quando essas ovelhas ficam vagando por aí, olham para um prédio de igreja e não encontram incentivo para entrar, porque as igrejas perderam o rumo. Estão brigando umas com as outras, erguendo muros, fechando-se em si mesmas. Não estão entregando suas vidas. Não estão sendo aquele terreno ao qual essas ovelhas podem ser trazidas de volta.

    Acho que isso parte o coração do Pastor, irmãos e irmãs. E acho que, sempre que vocês vão ao trabalho e convivem com alguns cristãos, seja qual for a igreja que frequentam, é isto que devem fazer: estudem a Bíblia com eles e conduzam-nos à plenitude de Cristo. Simplesmente mostrem como Cristo é maravilhoso. Não precisam dizer: “Escute, você tem de vir para a minha igreja”. Talvez venham. Mas, por enquanto, mostrem-lhes a plenitude de Cristo. Mostrem-lhes a beleza do Senhor. Mostrem-lhes como a palavra de Deus é preciosa.

    Vocês têm cristãos ali. Agora, não presumam simplesmente que, por serem cristãos, está tudo bem com eles. Há muitos cristãos vivendo pela carne, improvisando como podem, especialmente em lugares como a cidade de Nova York. Quero dizer, há pessoas assim lá fora. Reúnam-nas. Reúnam-nas ao redor do Senhor. Talvez, à medida que cresçam no Senhor, venham participar da comunhão com vocês. Ou, se não vierem, levarão um pouco de vida de volta à igreja que frequentam.

    Vocês acham que temos um chamado para fazer isso? Há um chamado e um encargo em nossa vida para ajudar pessoas que já são cristãs a se tornarem cristãos cheios do Espírito? Cristãos que amam Cristo? Cristãos que dizem: “Jesus é tudo, em todos e em todas as coisas”, como cantamos nesta noite?

    Ah, escutem. Conheço o Senhor Jesus, que diz:

    Pai, oro para que eles sejam um; para que o mundo saiba que Tu Me enviaste.

    Essa é a oração do coração de Jesus, ainda não cumprida nesta época de divisões. Já não me importo com a marca que uma igreja carrega. Vi algumas igrejas maravilhosas com todo tipo de nome interessante. E vi algumas igrejas totalmente, entre aspas, “ortodoxas”, com os nomes certos, que estão absolutamente mortas.

    Senhoras e senhores, se o Senhor não tiver um odre novo no qual colocar a nova criação, essas pessoas são salvas e depois saem vagando. Se a congregação de vocês e a minha não conseguem acolher sinceramente qualquer pessoa que entre e ajudá-la, então não sei… talvez estejamos no caminho errado.

    Então, ali está Timóteo. Ele vê não apenas as ovelhas judias perdidas, mas agora também vê, entre os gentios, pessoas que foram salvas e, no entanto, já não querem seguir a palavra de Deus, não querem carregar a cruz, não querem viver em santidade nestes dias, mas são vasos de desonra. E estão naquilo que chamam de igreja e se dizem cristãos.

    E espero que vocês vejam que esse gemido vem do Calvário. É como se Paulo dissesse ao seu querido cooperador mais jovem: “Escute. Você precisa ser firme”. Nos últimos dias, irmãos e irmãs, as coisas podem ficar difíceis. Jesus não nos engana a esse respeito. Precisamos estar dispostos a carregar a cruz, às vezes a um preço bastante alto, não é?

    A Vitória em Campos Difíceis

    Alguns dos queridos irmãos da CBM e da nossa congregação em Flushing, Nova York, estabeleceram contato com um pastor na Ucrânia. Oramos por eles com bastante regularidade na reunião de oração. Sou muito grato por termos essa ligação. Mas também enviamos algum dinheiro e ajuda para esse irmão. Ele nos manda relatórios recentes, dizendo que agora os russos deixaram de bombardear suas instalações, fábricas e usinas de energia e começaram a bombardear moradias e pessoas.

    Ele diz que estão bombardeando tudo ao redor deles, mas, naquela pequena igreja, estão realizando um encontro de jovens durante um fim de semana, e ele manda uma foto. São umas setenta e cinco ou oitenta ovelhas que parecem completamente perdidas, mas encontraram abrigo naquela casa transformada em igreja. E estão realizando um encontro de fim de semana no qual entram em contato com o Senhor e ouvem a pregação de Jesus.

    Sabem, não é fácil em muitos lugares, embora para nós, aqui, as coisas sejam muito mais simples. Mas o Senhor quer que, onde quer que estejamos, na igreja em que vivemos, sejamos aqueles que vencem.

    Escutem. Escutem a urgência por trás disso: “Agora eu lhe dou esta incumbência, Timóteo, diante de Deus, diante do Senhor Jesus Cristo: restaure a igreja. Aperfeiçoe a noiva”. É assim que ele coloca:

    Prega a palavra.

    Ah, irmão Timóteo, não se preocupe se alguém acha que você é jovem demais. Não se preocupe.

    Prega a palavra; está preparado a tempo e fora de tempo.

    Mantenha sempre o coração voltado para o Senhor.

    Convence, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino.

    Agora, isso aqui é colher.

    Então, o que a igreja faz nestes últimos dias? Bem, temos duas responsabilidades, se eu puder recorrer a Mateus 9 mais uma vez. Uma é reunir aquelas ovelhas que pertencem ao Senhor, mas estão perdidas. A segunda é ir à colheita e pregar o evangelho aos que estão perdidos. Temos de fazer as duas coisas.

    E fazer as duas coisas é parte do que nos torna uma igreja preciosa e viva. Porque, quando chegam pessoas que vieram ao Senhor recentemente — não sei quanto a vocês —, isso acrescenta um nível inteiramente novo de vida à reunião da igreja. Elas estão ali. Vocês já ouviram cristãos recém-convertidos? Não conhecem nada da linguagem de Sião. Fazem orações completamente inesperadas. Mas seu coração realmente ama o Senhor. Isso simplesmente traz vida às nossas reuniões.

    Ah, há bênçãos para aqueles que estão dispostos a sair. Mas há uma cruz envolvida, não há? E, especialmente nos últimos dias, muitas igrejas podem pensar: “Vamos nos esconder. As coisas estão ficando difíceis demais, sabem? Estão aprovando leis contra a pregação em público e a distribuição de folhetos. Não sei. Vamos orar contra o governo”. Bem, não é exatamente isso que Paulo diz. Que tal encontrarmos maneiras de testemunhar às pessoas quando é difícil?

    Escutem. Nosso querido amigo Bob Emory é um organizador de missões mundiais, e tem trazido alguns relatos, não apenas dele, mas de vários lugares, de que, nos últimos dois anos, mais de dez mil iranianos foram salvos e estão recebendo ajuda por meio de estudos bíblicos na internet, oferecidos por determinadas organizações que usam o farsi, a língua da Pérsia, e lhes pregam o evangelho. É um trabalho difícil, porque é clandestino. Essas pessoas não podem simplesmente aparecer e dizer: “Ei, agora sou cristão”.

    Mas a igreja está crescendo onde, pelo que imaginaríamos, o campo é mais difícil. Isso não é curioso? O campo está branco para a colheita justamente no lugar mais difícil de atuar.

    Não sei onde vocês moram, mas eu indicaria a cidade de Nova York como candidata a lugar difícil. No entanto, creio que os campos estão brancos para a colheita. E, mais uma vez, posso mencionar aqueles queridos irmãos que vieram por ocasião do 11 de Setembro? Vieram compartilhar o evangelho, e tudo foi maravilhoso. Mas foi isto que trouxeram em seu relatório: já haviam estado na cidade de Nova York antes, distribuindo folhetos evangelísticos e assim por diante. Dizem que, nestes últimos tempos, os nova-iorquinos estão muito mais abertos ao evangelho e a conversar com as pessoas do que no passado.

    Fico pensando em Quem está plantando essas sementes. Quem está cultivando essa fome, para que talvez colhamos onde nem sequer semeamos? Mas quem está disposto a tentar? Onde está a congregação disposta a abrir suas portas ou, pelo menos, a sair de alguma maneira?

    Agora, escutem. Quero que vocês sejam fiéis em sua reunião evangelística, que tenham uma reunião evangelística como parte da vida da igreja. Mas, mais ainda, quero que cada um de vocês seja, pessoalmente, uma testemunha cheia do Espírito neste tempo.

    Agora, tudo isso… terminei. Estou cansado demais para continuar falando. Mas quero dizer isto.

    O Custo e a Compaixão da Cruz

    Quando Jesus nos chama e nos dá uma incumbência em escala global, para seguir esse Espírito invisível como Suas testemunhas, ou para servir ao Senhor reunindo as ovelhas e colhendo no campo em tempos difíceis, como no caso de Timóteo, em todas essas situações precisamos negar a nós mesmos e tomar a cruz para fazê-lo.

    Mas, quando fazemos isso e nos envolvemos, o Senhor quebra nosso vaso de alabastro. Então, já não é: “Tenho de fazer isso contra a minha vontade”. Você faz, como Paulo diz, porque agora é devedor. Há algo a que estou ligado, em relação às ovelhas perdidas, em relação às pessoas perdidas lá fora, no campo de colheita. Estou ligado a elas por essa compaixão. Há entranhas de compaixão que me atingem profundamente, de maneira visceral, quando olho para a situação.

    No meu caso, porque já estou por aqui há algum tempo, vou lhes dizer o que me atinge como um soco no estômago: ver igrejas que precisam ser restauradas. Ministérios totalmente desalinhados, pessoas em conflito, divididas, brigando, e todo tipo de coisa. Porque penso: esta é a igreja pela qual Cristo morreu. E olhem para sua condição. Como Ele vai voltar para buscar Sua noiva, quando metade dela está nessa condição horrenda?

    Não bastarão algumas congregações espalhadas pelo Nordeste para Ele dizer: “Muito bem, estou pronto para voltar”. Não sabemos tudo o que está envolvido, mas sabemos que carregar nossa cruz com sinceridade, por amor, e até movidos por essa compulsão interior, faz parte do aperfeiçoamento da noiva. A noiva deve ter o mesmo coração que seu Mestre. Vocês não acham?

    Assim, reconhecemos que, nos últimos dias, não há apenas a unção que Timóteo possui. Vocês se lembram do que Paulo diz no início de 2 Timóteo? Em 2 Timóteo 1: não tenha medo. Reavive os dons que estão em você. Pare de esconder esses dons. Você tem dons do Espírito. Não, você mesmo: pare de escondê-los. Ou sua avó Eunice vai ficar brava com você? Não, não foi isso que Paulo disse.

    Paulo diz: esteja disposto a carregar o evangelho segundo o propósito eterno de Deus. Não se envergonhe do evangelho. Irmãos e irmãs, não se envergonhem do evangelho. Estejam dispostos a reavivar os dons. Vocês são conduzidos pelo Espírito. Então, ali está Timóteo, pregando, exortando. Ele está fazendo todas essas coisas.

    Deixem-me falar sobre nós. Ele tem um segundo testemunho. Não apenas é capacitado pelo Espírito Santo e pelos dons que recebeu interiormente, mas algo mais irrompeu nas profundezas da sua vida, em sua compaixão. Sabem o que é? Quando o Senhor pode nos quebrantar como vasos de barro, então não há apenas a unção do Espírito Santo; Sua vida também se manifesta.

    João diz: “Estou preso por causa do testemunho de Jesus”. O que isso significa? Havia muitos pregadores nos dias de João, quando ele escreveu Apocalipse. Muitos bons pregadores, muitos pregadores ungidos, muitos evangelistas. Mas João tinha essa experiência singular. Ele era quase uma palavra de Deus ambulante. Diz que estava ali por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Porque, quando ando por aí, a razão de as pessoas se incomodarem é que, quando falo, algo da vida Dele fala por meio de mim.

    E isso é mais do que apenas uma unção do Espírito. Como muitas vezes lhes disse, quando eu era um jovem cristão, o Senhor me ungiu com o Espírito Santo, mas eu nada sabia sobre Sua vida brotar dentro de mim e estabelecer uma ligação mais profunda com aquilo que eu dizia. Vejam, é a vida Dele dentro de nós. Isso só pode acontecer quando somos quebrantados, para que essa vida possa se manifestar.

    Estamos vivendo nestes últimos dias. A noiva deve ser aperfeiçoada com uma compaixão que vem do Senhor Jesus, pelo poder do Espírito, para vencer nestes dias difíceis. Estamos dispostos a fazer isso?

    Então, minha oração é esta: temos diante de nós uma tríplice incumbência. Espero que vocês vejam o Senhor lhes dando a incumbência de ter um encargo global, de fazer discípulos de todas as nações; que tenham um encargo interior de descobrir essa presença invisível, Seus dons e recursos, à medida que se disponham a testemunhar no mundo em que vivem; e que, como igreja, estejam dispostos, apesar da situação atual ao seu redor, a ser fiéis para pregar e exortar, com longanimidade, com entranhas de compaixão.

    Que esse seja o testemunho da congregação na qual vocês e eu nos reunimos.

    Oração Final

    Ó Senhor, semeia estas sementes com lágrimas em nosso coração, e que Tu tragas os feixes com alegria, trazendo Contigo estes queridos irmãos e irmãs, como aqueles que são chamados, escolhidos e fiéis. Oramos no precioso nome de Jesus.