Boa noite. Podemos abrir, por favor, em nosso texto-tema, em Mateus 9? Vamos ler Mateus 9:35-38.
E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, proclamando o evangelho do reino e curando toda espécie de doença e toda espécie de enfermidade. E, vendo as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos Seus discípulos: “A colheita é abundante, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, rogai ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a Sua colheita”.
Agora, podemos abrir no Evangelho de João, capítulo 4? Vamos começar em João 4:10.
Jesus respondeu e lhe disse: “Se conhecesses o dom de Deus e Quem é que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu Lhe terias pedido, e Ele te teria dado água viva”.
Agora, a segunda metade de João 4:35.
“Eis que vos digo: levantai os olhos e contemplai os campos, que já estão brancos para a colheita. Já aquele que ceifa recebe salário e ajunta fruto para a vida eterna, para que o que semeia e o que ceifa se alegrem juntos”.
Agora, podemos abrir no Evangelho de Mateus, em Mateus 25:31?
Quando, porém, o Filho do Homem vier em Sua glória, e todos os anjos com Ele, então Se assentará em Seu trono glorioso. E todas as nações serão reunidas diante Dele; e Ele as separará umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à Sua direita, e os cabritos à esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era estrangeiro, e Me acolhestes; estava nu, e Me vestistes; estava enfermo, e Me visitastes; estava na prisão, e fostes ver-Me”. Então os justos Lhe responderão, dizendo: “Senhor, quando Te vimos com fome e Te alimentamos, ou com sede e Te demos de beber? E quando Te vimos estrangeiro e Te acolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-Te?” E o Rei lhes responderá: “Em verdade vos digo: na medida em que o fizestes a um destes Meus irmãos, mesmo ao menor deles, a Mim o fizestes”.
Agora, vamos ler três passagens — três passagens curtas — sobre o corpo de Cristo. Começaremos em Efésios 4, lendo a partir de Efésios 4:11.
E Ele concedeu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos para a obra do serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a condição de homem maduro, a medida da estatura que pertence à plenitude de Cristo.
Romanos 12. Vamos ler Romanos 12:1-2 e, depois, Romanos 12:4-10. Bem, vamos ler Romanos 12:3 também.
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo e santo, aceitável a Deus, que é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que comproveis qual é a vontade de Deus: aquilo que é bom, aceitável e perfeito. Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com sobriedade, conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um. Pois, assim como temos muitos membros em um só corpo, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo e, individualmente, membros uns dos outros. E, tendo dons que diferem segundo a graça que nos foi dada, exerçamo-los de acordo com ela: se profecia, segundo a proporção da sua fé; se serviço, no seu servir; ou aquele que ensina, no seu ensino; ou aquele que exorta, na sua exortação; aquele que contribui, com generosidade; aquele que lidera, com diligência; aquele que exerce misericórdia, com alegria. Seja o amor sem hipocrisia. Aborrecei o mal. Apegai-vos ao bem. Sede dedicados uns aos outros no amor fraternal. Dai preferência uns aos outros em honra.
E, por fim, podemos abrir em 1 Coríntios 12? Vamos começar em 1 Coríntios 12:7.
Mas a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum.
Depois, passaremos para 1 Coríntios 12:11.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, distribuindo a cada um, individualmente, assim como Ele quer. Porque, assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora sejam muitos, constituem um só corpo, assim também é Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo.
Vamos inclinar a cabeça para uma palavra de oração.
Senhor, nós Te agradecemos porque já tens sido tão fiel a nós naquilo que desejas nos dizer. Senhor, oramos nesta noite para que nosso coração esteja aberto a Ti. Senhor, pedimos que o poder da Tua Palavra fale ao nosso coração. Senhor, nós Te agradecemos porque, em três mensagens, já nos lembraste de que tudo isso está edificado sobre um amor que vem do mais profundo de Quem Tu és para nós. Por isso, Senhor, queremos tremer diante de um fato tão maravilhoso, ao considerarmos todas as coisas que preparaste. Nós Te agradecemos, Senhor, e nos abrigamos sob o Teu amor, no precioso nome de Jesus. Amém.
Irmãos e irmãs, vamos começar novamente junto ao poço, na cidade de Samaria. Havia um poço chamado Poço de Jacó, em Sicar, na região de Samaria.
E, em João 4, como nosso irmão mencionou nesta manhã, encontramos nosso Senhor Jesus ali. Seus discípulos haviam saído para providenciar uma refeição.
Nesse momento, uma mulher chega, carregando um cântaro, porque veio buscar água para matar a sede. Era o peso da vida cotidiana. E ela veio não apenas com o peso da vida diária — isto é, “estou com sede neste calor” —, mas também com outros fardos. Ela havia vivido com cinco homens, e o homem com quem estava naquele momento não era seu marido. Talvez fosse marido de outra pessoa. Assim, ela chegou carregando um fardo.
O cântaro que ela trazia talvez pudesse aliviar sua sede, mas não podia resolver seu pecado. É claro que o Senhor sabia disso. Ele estava ali e, quando ela chegou, Ele a viu.
E, em amor — esse amor maravilhoso sobre o qual já compartilhamos —, Ele começou a conversar com ela. E o extraordinário é que Ele começou a lhe revelar todas as verdades sobre sua vida. Mas, como aconteceu com tantos de nós, não houve condenação. Em vez de ser afastada pela clareza com que suas falhas foram expostas, algo a atraía para perto Dele.
Como sabemos que isso é verdade? Porque essa era a intenção do Senhor: chegar até onde aquela pessoa estava e atraí-la para perto Dele.
Havia muitas razões pelas quais essa interação não deveria estar acontecendo. Por um lado, havia razões terrenas. Ele era um homem judeu, e ela era uma mulher gentia; conversas desse tipo não aconteciam entre pessoas como essas.
Havia também uma razão celestial pela qual essa interação não deveria acontecer: nós, pecadores, não temos lugar na presença de um Deus justo. Mas ali, naquele poço, essa maravilha estava acontecendo.
E o impulso invisível daquela conversa era esse amor imensurável que o Senhor tem por nós, que estamos perdidos. Ele derruba todas as barreiras. O Senhor apontou os pecados dela, mas os apontou sob a cobertura desse amor.
Ela esperava tirar água do poço com seu cântaro, mas havia uma outra água, uma fonte, uma nascente, que ela não podia alcançar. Por isso, o Senhor lhe disse que, se ela soubesse Quem estava falando com ela e Lhe pedisse, Ele lhe daria uma água que a faria nunca mais ter sede. Mais do que isso, ao beber dessa água, ela teria dentro de si uma fonte de vida eterna, que ninguém poderia tirar.
Então, naturalmente, ela Lhe disse:
“Dá-me dessa água”.
Depois, olhou para Ele, aquele Homem que não deveria estar tendo essa conversa com ela. Um pensamento lhe veio à mente quando disse:
“Sabemos que o Messias está para vir”.
Era uma intuição em seu coração. Então Ele disse:
“Eu, que falo contigo, sou Ele”.
E ela deixou seu cântaro, porque já não lhe servia mais, e correu de volta para sua cidade para contar às pessoas que havia encontrado o Messias.
A essa altura, os discípulos haviam chegado e também a tinham visto. Mas a viram com olhos humanos, com os olhos errados. E o que viram foram todas aquelas coisas que já mencionamos. Ela era da raça errada, segundo os critérios terrenos, e era do sexo errado. Aquilo não deveria ter acontecido.
Mas o Senhor os vê e lhes revela algo do Seu coração. Ele lhes diz: “Levantem os olhos. Não olhem para o chão. Não olhem com olhos humanos. Levantem os olhos. Contemplem os campos. Estão brancos, prontos para a colheita”.
Então Ele lhes diz que, se saírem para essa colheita e ceifarem, ceifarão segundo a economia do céu. Colherão algo de valor tão extraordinário que nada nesta terra poderá servir de medida para compará-lo. Depois, Ele diz: “E, se vocês fizerem isso, o que semeia e o que ceifa se alegrarão juntos”.
Ele lhes comunicava algo sobre essa colheita tão preciosa: vejam a colheita como Eu a vejo. Vejam essa mulher que, nesta terra, aos seus olhos, não tem valor — do sexo errado, naquele tempo distorcido em que se fazia essa distinção; da raça errada; sem valor aos olhos humanos. Mas, aos olhos Dele, ela é a recompensa do céu, preciosa além de qualquer medida.
E Ele lhes dizia que, se participassem desse chamado, o que semeia e o que ceifa seriam unidos pela alegria. Portanto, mudemos nossa maneira de pensar. Não pensemos segundo o sistema bancário do mundo. Pensemos segundo a economia do céu, porque, na economia do mundo, haverá perda. Isso terá um custo, se você decidir sair para o campo. Custará seu tempo, custará sua energia e talvez custe nossa reputação. Mas receberemos uma recompensa de vida eterna.
Assim, irmãos e irmãs, Ele estava comunicando algo da maior importância em Seu coração.
Naquele momento, o Senhor Jesus caminhava para o campo, e Seus olhos estavam voltados para os necessitados.
Como nosso irmão compartilhou conosco nesta tarde, é exatamente isso que Ele está fazendo neste fim de semana: Ele vem para o nosso meio e caminha no campo. E nós somos como aquela mulher gentia. Somos aqueles que estão no campo. Somos invisíveis na economia do mundo.
Somos pecadores que precisam de salvação. Alguns de nós têm procurado aquilo que é verdadeiro em sua vida. Alguns de nós estão abatidos e precisam de esperança. Há aqueles que foram derrubados, prostrados, e precisam ser levantados. Alguns de nós somos salvos, mas estamos feridos, dilacerados, como o Senhor disse ao olhar para as ovelhas.
Mas, irmãos e irmãs, se levantarmos os olhos e olharmos para o campo, nós O veremos ali. Ele está no meio do Seu campo, ministrando às Suas ovelhas — a todos nós que estamos necessitados.
Tiago escreveu sobre isso, sobre seu irmão. Tiago escreveu que seu irmão, quando ensinava algo, fazia exatamente aquilo. Portanto, quando via os necessitados, Ele estava presente. Vivia como ensinava. Isso vinha de dentro Dele. Vinha desse amor que descrevemos, que procedia do mais profundo do Seu ser — de Suas entranhas, de Suas vísceras. Estava Nele. Era mais profundo que Seu coração. Era mais profundo que as circunstâncias. Era tão intenso que O movia à ação.
Assim foi em Mateus 9, nosso texto-tema. Quando Ele olhou para os campos e viu as ovelhas — todas aquelas pessoas —, viu-as com a compaixão que vinha do mais profundo de Quem Ele era. E nos instruiu: orem e vão. Como nosso irmão compartilhou conosco nesta manhã: vão e façam o mesmo. Era orar e ir, ver e fazer.
Mas o maravilhoso nisso tudo é que éramos ovelhas perdidas, e é às ovelhas que Ele encontrou que agora faz o chamado: antes, vocês eram aqueles que ouviam, e Eu vim e os encontrei; agora é hora de vocês saírem como trabalhadores. Vocês são os que receberam a graça, e agora vem o chamado para serem canais da graça.
Isso significa que somos todos iguais: aqueles de nós que eram ovelhas não são diferentes daqueles de nós que serão trabalhadores. Não existe uma classe de um tipo e outra classe de outro. Ele nos fazia saber que estamos todos juntos, como um só. E, se levantássemos os olhos para o campo e pudéssemos enxergar, por um momento, com os olhos Dele, seríamos movidos por um amor profundo que jamais conheceríamos à parte Dele.
Ele estava compartilhando conosco: “Eu vejo isso e sei, em Meu coração e em Minha mente, o que desejo fazer”. Mas, na sabedoria de Sua graça, Ele nos deu a oportunidade de sermos Seu corpo: para que aquilo que Ele deseja em Sua mente, aquilo que Ele ordena em Sua mente, leve o corpo de Cristo a se mover e agir.
Nossos irmãos compartilharam que nosso texto-tema é um ponto de ligação entre os capítulos 8 e 9 e o capítulo 10 — a passagem que liga a visão Dele, o Senhor da colheita, à Sua comissão.
Nos capítulos 8 e 9, somos chamados a ver como Ele vê. Ao observarmos, no capítulo 9, a maneira como Ele age e como sai ao encontro das pessoas, nessas ações que às vezes parecem comuns, começamos a enxergar princípios do funcionamento do corpo de Cristo. É sobre eles que gostaríamos de compartilhar brevemente nesta noite. Depois, no capítulo 10, começamos a receber as instruções para segui-Lo ao campo.
E tenho a impressão de que o Senhor, desta vez — às vezes Ele nos dá diferentes conjuntos de versículos, e às vezes parece colocar todos nós no mesmo lugar —, está enfatizando algo profundo em Seu coração. Por isso, gostaríamos de compartilhar hoje, primeiro, sobre o capítulo 9, para enxergarmos os princípios do corpo de Cristo na colheita.
Quando vemos o Senhor em meio à colheita, nós O vemos entre Seu povo, olhando para os perdidos, para os necessitados. Já compartilhamos que não existe uma classe de aflitos e abatidos em oposição a uma classe de trabalhadores.
Posso dar um exemplo disso. Tenho uma paciente de quem cuido há vinte e quatro anos. Quando comecei a cuidar dela, ela tinha oitenta anos. E, neste ano, ela estava com 104 anos.
Quando eu a atendia, ela me perguntava: “Como está sua família?” E eu pensava: “Bem, que gentileza”. Então conversávamos um pouco.
Como muitos de vocês sabem, em nossa família temos enfrentado problemas de saúde com nossa filha, que exigiram muitas cirurgias. Houve um ano em que essa paciente veio justamente num desses períodos. Então contei a ela sobre minha filha, a quem, é claro, eu amo. Ela perguntou o nome dela. Quando a vi novamente, na consulta seguinte, ela disse: “Bem, como ela está? Como está a Lily?” Eu lhe contei, e então ela disse: “Eu oro por ela todos os dias”.
E eu disse: “Obrigado”. Mais uma vez, que coisa gentil de se dizer. Então, ao longo dos anos, começou a acontecer que, toda vez que eu a atendia, ela perguntava: “Como está a Lily? Eu oro por ela todos os dias”.
Houve momentos muito difíceis. Sabe, todos nós que passamos por dificuldades com nossos filhos chegamos carregando fardos. E eu costumava dizer a ela: “Sinto que eu é que deveria pagar uma consulta para a senhora, em vez de a senhora vir se consultar comigo”. E ela dizia: “Eu oro por ela todos os dias”.
Então, há cerca de um mês, ela foi internada. Quando alguém tem 104 anos, não existe internação simples. E ela foi internada em um hospital diferente do nosso. Por isso, naquela manhã, antes de ir trabalhar, fui de carro visitá-la, porque não sabia o que esperar.
Quando a vi, conversaram comigo um pouco sobre o que estava acontecendo. Dei uma olhada na radiografia e soube que a recuperação seria muito difícil, se é que ela se recuperaria. Ela não conseguia respirar muito bem. Então me inclinei para perto dela e disse: “Dorothy, eu oro pela senhora todos os dias”.
Senti uma honra tão grande em poder lhe dizer aquilo, porque, irmãos e irmãs, ela havia saído para o campo por mim.
E o que vemos aqui, irmãos e irmãs, é que estamos todos juntos. Não existem classes. Não existem níveis. Começamos a enxergar, na obra do Senhor, que estamos todos juntos, como um só corpo, e somos instrumentos de Sua vontade. Por isso, senti tamanha honra em poder retribuir àquela pessoa que, tantas vezes, havia ido ao campo por minha família.
O que vemos aqui, irmãos e irmãs, é que o campo é um lugar onde estão as necessidades da vida. Mas não podemos enxergar o campo com clareza se não reconhecermos que, em algum momento da nossa vida, o corpo de Cristo nos alcançou. Isso nos coloca a todos no mesmo nível. Todos nós somos necessitados. Todos nós já estivemos abatidos e aflitos. E, em algum momento, o Senhor envia alguém à nossa procura.
Irmãos e irmãs, sou muito grato por este lugar. Quando eu estava crescendo, nem sequer vinha às reuniões, mas ouvia as mensagens. E os irmãos que estavam aqui — Dana estava brincando sobre isso, o pão, a mortadela e o pão —, por meio da preparação da Palavra, eram aqueles que o Senhor havia enviado para encontrar a nós, que estávamos necessitados. Ele sempre foi fiel em fazer isso.
E Ele quer que olhemos para o campo e vejamos que há pessoas lá fora que precisam de salvação, pessoas que precisam de apoio e pessoas que precisam sobreviver. Vê-las com os olhos Dele é diferente de vê-las num livro de imagens ou num filme. Vemos o Senhor da colheita em Seu campo.
Dessa maneira, começamos a enxergar o funcionamento e a importância do corpo de Cristo nestes dias: aquilo que está em Sua mente e em Seu coração não permanece aprisionado ali, paralisado. Pelo contrário, nós, a quem Ele veio buscar, podemos aprender a funcionar segundo os princípios do Seu corpo.
Por isso, gostaríamos de examinar, no capítulo 9, três histórias aparentemente comuns, cada uma das quais demonstra algo de um desses princípios.
Começaremos em Mateus 9 e leremos a primeira história.
E, entrando num barco, Ele atravessou para o outro lado e chegou à Sua própria cidade. E eis que Lhe traziam um paralítico, deitado numa cama. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: “Tem bom ânimo, Meu filho; os teus pecados estão perdoados”. E eis que alguns dos escribas disseram consigo mesmos: “Este homem blasfema”. E Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: “Por que pensais o mal em vosso coração? O que é mais fácil: dizer ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer ‘Levanta-te e anda’? Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados” — então disse ao paralítico —: “Levanta-te, toma a tua cama e vai para casa”.
Irmãos e irmãs, essa história é relatada em Mateus 9, Marcos 2 e Lucas 5. Ela conta a história de um grupo de amigos. Não sei quantos eram, mas sempre suponho que fossem quatro. Talvez fossem mais, ou menos; não sei. Eles tinham um amigo que estava paralisado. Basicamente, isso significa que algo na cabeça não conseguia se comunicar com algo no corpo: talvez a intenção estivesse presente, mas a capacidade de se mover, de estender e flexionar os músculos, havia sido perdida.
O Senhor Jesus havia voltado à Sua cidade e estava ensinando. Naquele momento, estava em uma casa, e as multidões haviam se reunido ali. Então esses amigos trouxeram seu amigo numa esteira, carregando-o até perto da casa. Eles tinham uma intenção em comum: vamos levá-lo à presença do Senhor Jesus, porque cremos e sabemos que o Senhor tem o desejo de curar.
Quando se aproximaram, perceberam que havia tanta gente que não era possível chegar perto. Então eles — fossem quantos fossem — elaboraram um plano. Vamos subir no telhado. Vamos dar um jeito de levar a esteira e nosso amigo paralítico até lá. Depois, vamos olhar pela porta da frente e calcular quantos passos para oeste e para norte Ele está, a partir do canto por onde subimos. Nesse ponto, vamos abrir um buraco no telhado e baixar nosso amigo, na esteira, até a presença Dele. Era um plano coordenado. E foi isso que fizeram.
Não sei como conseguiram. Mas, de alguma maneira, um deles deve ter subido primeiro, depois outro, talvez. Jogaram a esteira para cima e, então, de algum modo, os dois que estavam no chão esticaram os braços do amigo, levantaram-no, e os outros o puxaram para cima. Depois, arrastaram-no até onde achavam que o Senhor estava e abriram o telhado.
Você pode imaginar o Senhor dentro da casa. De repente, começa a cair terra. Ele olha para o teto, e aparece um pequeno buraco de luz; depois, um buraco maior, e outro ainda maior. Então Ele olha para cima, e há duas silhuetas — ou não sei quantas — dos amigos olhando para baixo. Mas o que certamente aconteceu foi que a silhueta de um homem paralítico desceu numa esteira até a presença Dele.
Com olhos humanos, as pessoas na sala teriam olhado para cima. Teriam visto a esteira e o homem paralítico. Mas a Bíblia nos diz que o Senhor viu com os olhos do céu e enxergou algo diferente. A Bíblia nos diz que Ele viu a fé deles.
Essa combinação de palavras é muito interessante: “deles”, referindo-se a mais de uma pessoa, no plural, e “fé”, no singular. Havia uma unidade da fé. Ele enxergava algo que era um só entre muitos. E aquilo que Ele enxergava era um combustível celestial, uma capacitação que vinha de Deus e só se manifestava plenamente por meio de mais de uma pessoa. Era algo único manifestado em muitos.
Irmãos e irmãs, isso era muito importante, porque aquela única fé, que os unia, levou-os imediatamente à ação. Essa fé unificada, associada à convicção de que Ele era Quem esperavam que fosse, fez com que fossem buscar o amigo em sua casa. “Ouvimos dizer que Jesus está chegando. Levante-se”. Bem, ele não conseguia se levantar. “Venha conosco. Vamos levar você até lá”. Será que ele resistiu? Não sabemos. Mas, juntos, eles o levaram e o baixaram até o Senhor.
A unidade da fé é uma das pernas de um tripé de características do corpo de Cristo, que encontramos aqui, se voltarmos a Efésios 4.
Em Efésios 4:11, encontramos essa conhecida sequência de exemplos: uns como apóstolos, outros como profetas, evangelistas e mestres. E lemos: até que todos alcancemos a unidade da fé. Há uma união de muitos de nós que se agarram a uma só coisa e não a soltam. Temos a esperança de que Ele é Quem diz ser. E isso nos impulsiona para a frente, faz-nos deixar para trás quem temos sido e nos conduz àquilo que viremos a ser.
Portanto, a unidade da fé é uma manifestação desse corpo de Cristo, juntamente com o conhecimento do Filho de Deus. Isso significa que nós O conhecemos. Temos estado com Ele. E experimentamos algo Dele que nos permite conhecer Sua Pessoa. Isso se torna, então, uma característica do corpo de Cristo.
Além disso, crescemos até a condição de homem maduro. E isso diz respeito à ação.
Quando meus meninos eram menores — e eu gosto de tentar consertar as coisas em casa —, minha esposa costumava dizer que, depois que eu consertava alguma coisa, ela precisava chamar alguém para consertar aquilo que eu tinha consertado. Mas meus meninos tentavam me ajudar. E, quando tentavam ajudar, eu não estava levantando apenas uma peça de madeira de duas por quatro polegadas; estava levantando também os meninos, que seguravam a outra ponta da madeira, porque ainda não tinham maturidade suficiente.
Mas chegaria um momento em que eles teriam crescido e conheceriam, pelo menos, minha intenção. Então seriam capazes de me ajudar a levantar as coisas para alcançar aquele objetivo.
Portanto, o que Ele nos faz saber aqui é que, na natureza do corpo de Cristo descrita em Efésios 4:11-13, existem esses três componentes fundamentais, que, juntos, correspondem à estatura de nosso Senhor Jesus:
Mas como chegamos a esse ponto?
Irmãos e irmãs, no início dessa passagem, quando lemos que Ele concedeu uns como apóstolos, outros como profetas e outros como evangelistas, vemos que há um propósito. Em Efésios 4:12, Ele nos diz que aqueles que têm esse serviço específico existem para o aperfeiçoamento dos santos para a obra do serviço.
Isso significa que todo santo é um ministro. Todo santo é um servo. A ideia de que deve haver aqueles que ministram e aqueles que recebem é estranha ao corpo de Cristo. Cada um de nós é um servo e tem um ministério. Isso é muito importante.
Irmãos e irmãs, nós fomos aquelas ovelhas sem pastor. É verdade. Talvez estejamos assim neste momento. E o Senhor nos vê com compaixão e vem ao nosso encontro. O corpo de Cristo estenderá a mão. Mas, quando isso acontece, somos atraídos para algo mais. A igreja é o corpo de Cristo, para que, à Sua ordem, possamos caminhar para onde Ele ordena, para que possamos alcançar, para que possamos segurar e não soltar. Essas são as funções do corpo de Cristo.
E chegamos a isso envolvendo-nos no serviço onde estamos, de maneiras simples. Aqueles que tinham o ministério mais visível existiam para o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, porque o ministério pertence aos santos. A obra, o serviço, pertence aos santos, e todos nós somos chamados a fazer parte desse corpo de Cristo.
Assim, quando aquele dia chegar, haverá um homem maduro que conhece o Filho de Deus, todos unidos na unidade da fé para o Seu propósito, segundo a Sua ordem.
Portanto, irmãos e irmãs, esse é um primeiro princípio do corpo de Cristo, visto naqueles quatro amigos que tinham unidade da fé, que criam no Senhor Jesus e haviam amadurecido a ponto de serem capazes de agir.
Agora, um segundo princípio. O segundo está em Mateus 9. Vamos ler Mateus 9:9. Esta é uma parte muito terna da história, sobre a qual nossos irmãos já compartilharam.
E, passando Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria de impostos e lhe disse: “Segue-Me”. E ele se levantou e O seguiu. E aconteceu que, estando Ele reclinado à mesa na casa, eis que muitos cobradores de impostos e pecadores vieram e estavam à mesa com Jesus e Seus discípulos. E, vendo isso, os fariseus disseram aos Seus discípulos: “Por que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Mas Ele, ouvindo isso, disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os enfermos. Ide, porém, e aprendei o que significa: desejo compaixão, e não sacrifício; pois não vim chamar justos, mas pecadores”.
Irmãos e irmãs, é uma história muito bonita, contada em terceira pessoa, mas é uma autobiografia. Creio que muitos de nós conhecemos a história, mas gostaria de revê-la, caso isso seja novo para você.
Aquela terra havia sido conquistada pelo Império Romano, e o Império Romano se sustentava por meio dos impostos. Por isso, procuravam homens e mulheres muito inteligentes. Essas pessoas precisavam falar vários idiomas. Precisavam ser competentes e precisas em contabilidade, matemática e finanças. Também precisavam ter um coração que amasse o dinheiro. Assim, procuravam pessoas que estivessem dispostas a trair seu povo.
Isso significa que permitiam que elas cobrassem impostos além do devido. Por exemplo, se eu estivesse sentado à minha mesa de cobrador de impostos e chegasse uma família que devia 100 dólares, eu podia cobrar 120. Registraria os 100 dólares nos livros e colocaria os outros 20 no bolso. Era uma traição ao seu povo. Eles também eram ladrões. Roubavam seus familiares, seus amigos e seus vizinhos, e eram considerados os mais desprezíveis dos pecadores.
Aqueles que escolhiam ser cobradores de impostos não chegavam a isso por acaso. Não era algo acidental. Eles faziam os cálculos. Sabiam qual seria o custo e qual seria a perda. E escolhiam servir aos ocupantes da Terra Prometida.
Mateus era uma dessas pessoas. Era inteligente. Falava vários idiomas. Tinha uma mente exata e precisa e uma boa memória. Como nosso irmão compartilhou, ele se tornou o escriba entre os discípulos.
Certo dia, esse jovem cobrador de impostos foi até um pequeno monte, uma colina, e viu o Senhor Jesus. Ouviu-O transmitir uma mensagem que hoje todos chamamos de Sermão do Monte. E fez um registro tão preciso: escreveu tudo.
Quando escreveu, não sei se o fez para si mesmo. Posso imaginar que tenha sido assim. Quero dizer, cada coisa que o Senhor dizia falaria a ele e a nós. Por isso, ele escreveu tudo, primeiro para si mesmo e, depois, pela sabedoria do Espírito Santo, para todos nós.
Entre as coisas que registrou, escreveu:
Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.
Você pode imaginar que as pessoas ao redor dele diriam: “Este é o homem mais distante de ter um coração puro”. Mas creio que, em algum momento, quando ficamos tão atolados em nossos pecados, começa a acontecer justamente o contrário: algo puro nasce de repente. “Isto não está certo. Estou perdido”. Penso que muitos de nós já sentimos isso, quando chegamos ao fim de tudo e, pela primeira vez em muito tempo, nos voltamos e procuramos algo mais.
Por isso, penso que ele havia chegado a um ponto em que procurava algo mais. Então, ao ouvir “puros de coração”, percebeu que havia algo naquele jovem rabino. É… não consigo explicar.
Assim, em meio à luta em sua mente, ele foi trabalhar. Certo dia, estava sentado à sua mesa de cobrador de impostos, e a Bíblia nos diz que o Senhor Jesus foi até ele. Foi até ele, e Mateus escreveu: “Ele me viu”.
Não havia como esconder. Sentado à minha mesa de cobrador de impostos, estou fazendo meu trabalho. É quem eu sou. E Ele me viu.
Então Mateus registrou que ouviu duas palavras e ficou rendido. O Senhor lhe disse:
“Segue-Me”.
Irmãos e irmãs, Mateus poderia ter ficado sentado e dito a Ele: “Senhor, tudo o que dizem sobre mim é verdade”. Mas o Senhor o viu por inteiro. Nada estava oculto aos Seus olhos, e Mateus sabia disso. Por isso, ele se levantou, deixou sua mesa e O seguiu.
O Senhor veio nos mostrar que não podemos amar à distância, que não podemos alcançar o campo de longe. Ele veio até onde estávamos e nos viu como somos. Creio que cada um de nós pode testemunhar essa verdade: Ele nos viu exatamente como éramos. Era como se pudéssemos dizer: “Senhor, eu me abri completamente diante de Ti. Nada está oculto aos Teus olhos”. E o chamado do Senhor para nós, independentemente de onde estivemos, é: “Segue-Me”.
É um chamado para passarmos de quem recebeu a graça — algo real para nós — a um canal da graça.
Naquele mesmo dia, Mateus se tornou um instrumento. Foi chamar seus amigos para virem à sua casa, porque agora todos os seus amigos eram cobradores de impostos, não é? Afinal, com quem mais eles iriam conviver? Então todos foram à sua casa, e ele estava à mesa com eles, bem perto deles.
É claro que os importantes e poderosos, os religiosos, vieram e viram aquilo. Olharam com superioridade para aquelas pessoas e para o Mestre que havia ousado, como nosso irmão nos lembrou, sujar suas tradições e tudo o que consideravam santo. Ele estava à mesa com cobradores de impostos. E o Senhor sabia o que havia no coração deles. Por isso, lhes disse:
Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os enfermos.
Então Ele lhes diz: “Desejo que vocês aprendam compaixão, e não sacrifício”.
Isso é muito importante, irmãos e irmãs. Em três mensagens, o Senhor tem enfatizado isto para nós: o fundamento do nosso tema é um amor tão profundo, que vai além da emoção. Está no mais profundo de Quem Ele é. É tão profundo que, sem ele, Ele não seria Quem é.
Assim, o Senhor lhes diz: “Desejo que vocês aprendam compaixão, e não sacrifício. Estou fazendo esta refeição com eles não por dever, não por pena, não por bondade, não por religião. Não é por obrigação e não é por culpa. É por amor misericordioso”.
E é por isso, irmãos e irmãs, que Ele veio nos buscar. Não foi por essas outras coisas. Essa é a força que move e motiva o corpo de Cristo: esse amor que não nos solta.
Então Ele faz uma comparação. Mateus se lembra disso e faz a comparação mais adiante. Compara com aquilo que ouviu em Mateus 7. Se vocês abrirem em Mateus 7:21, encontrarão uma passagem que nos é familiar.
Nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus. Muitos Me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizamos em Teu nome, e em Teu nome não expulsamos demônios, e em Teu nome não realizamos muitos milagres?” Então lhes declararei: “Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim”.
O que Ele estava dizendo era: nesse sacrifício que vocês exibem quando, entre aspas, “fazem o bem”, vocês destacam tudo o que fizeram por Mim. Registram tudo. Marcam cada item da lista. “Aquilo de que estou abrindo mão por Ti, Senhor — veja, está escrito neste papel”. Mas o Senhor estava dizendo que a força que move o corpo de Cristo é um amor que está no mais profundo de quem somos.
Se pudermos abrir em Romanos 12, veremos alguns pontos sobre a oferta e o amor no corpo de Cristo. Este capítulo é nossa segunda passagem sobre o corpo de Cristo. A parte que trata do corpo de Cristo começa em Romanos 12:4. Mas a descrição do membro começa em Romanos 12:1.
Em Romanos 12:4, lemos:
Pois, assim como temos muitos membros em um só corpo, e nem todos os membros têm a mesma função.
Portanto, somos informados de que há muitos membros no corpo. E sou muito grato por ser contado entre vocês e junto com vocês, porque, daqui onde estou, posso olhar e ver todos vocês. O corpo de Cristo tem muitos membros, e eles têm muitas funções.
Já vimos que havia um membro do corpo de Cristo que era cobrador de impostos. Ele tinha uma função, porque tinha acesso a outros cobradores de impostos. Mais adiante, encontramos Nicodemos, que era fariseu e tinha acesso aos fariseus.
Há irmãos e irmãs nossos que foram salvos nas prisões ou em diversos lugares onde talvez você e eu nunca tenhamos ido. Mas somos membros uns dos outros, unidos em um só corpo.
Assim, Ele nos diz que há muitos membros no corpo de Cristo. Em Romanos 12:5:
Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo e, individualmente, membros uns dos outros.
Ele nos diz que estamos ligados, que há uma incompletude quando falta qualquer um de nós, que o corpo de Cristo precisa alcançar muitos lugares diferentes. Em Sua sabedoria, Ele salvou pessoas para que houvesse acesso; Ele está ao alcance. Portanto, Ele nos diz que somos todos membros uns dos outros.
Mais adiante, leríamos que, quando um sofre, todos sofremos, porque estamos todos unidos.
Mas então surge a pergunta: como isso acontece? Qual é o caráter de um membro do corpo de Cristo? Como entendemos o amor, de modo a aprender compaixão, e não sacrifício, como o sacrifício que eles exibiam? Qual é o sacrifício correto?
Ele nos diz em Romanos 12:1, como uma introdução à Sua descrição do corpo. Ele nos fala sobre os membros: devemos apresentar nosso corpo como sacrifício vivo e santo, que é nosso culto espiritual.
Eles oferecem sacrifícios dizendo: “Estou Te dando algo de quem sou — meu tempo, meu dinheiro. Estou Te dando algo de mim mesmo. E veja como isso representa uma grande perda para mim”. Mas o Senhor nos diz, como corpo de Cristo, que existe uma oferta diferente. Ele diz que nós, membros do corpo de Cristo, precisamos nos oferecer a Ele, porque somos Dele. Pertencemos a Ele. Basicamente: “Senhor, faz comigo o que quiseres”. É isso que Ele está dizendo que é a oferta. É uma oferta diferente, irmãos e irmãs.
É nessa oferta que Ele nos deseja: que não reste nada que eu retenha para mim, que eu não fique medindo aquilo de que abro mão por Ti, porque, Senhor, tudo pertence a Ti. Essa é a primeira característica de um membro do corpo de Cristo quanto ao sacrifício.
A segunda coisa que Ele nos diz em Romanos 12:2 é que devemos ser transformados pela renovação da nossa mente, para que possamos comprovar qual é a vontade de Deus.
Quando somos membros do corpo de Cristo e a vontade de Deus chega como uma ordem ao corpo, o corpo se move. O corpo age. E nós, juntos, temos a oportunidade de comprovar qual é essa vontade por meio daquilo que é realizado, daquilo que se põe em ação, daquilo que se concretiza.
Assim, ao fazermos parte desse corpo extraordinário, que é a igreja — esse aspecto funcional, ligado à Cabeça e obediente à Sua vontade —, irmãos e irmãs, temos a oportunidade, em nossa vida, de comprovar a vontade de Deus. Isso é maravilhoso: ao sairmos, podemos demonstrar o que Ele deseja, para que o bem que está em Seu coração seja realizado e haja uma luz no mundo.
Depois, em Romanos 12:3, Ele nos diz que os membros do corpo de Cristo não devem pensar de si mesmos além do que convém.
Irmãos e irmãs, não há nada mais prejudicial ao funcionamento do corpo de Cristo do que pensarmos que somos importantes, que temos um chamado especial. O ministério pertence a cada membro do corpo de Cristo. Há lugares aonde não podemos ir, mas outra pessoa irá.
Irmãos e irmãs, somos membros uns dos outros. Temos uma só Cabeça. Não podemos pensar, nem devemos pensar, de nós mesmos além do que convém. Essa é a coisa mais destrutiva para a realização da Sua vontade.
É importante que, neste momento, irmãos e irmãs, paremos um pouco para considerar se esse pensamento está em nosso coração. Creio que, em muitos de nós, mesmo que não pensemos nisso conscientemente, talvez haja um pouco desse veneno. Se for esse o caso, precisamos pedir ao Senhor que nos ajude a fazer isso morrer.
Portanto, irmãos e irmãs, essas três são as características dos membros do corpo. Elas são delimitadas, primeiro, pela oferta, pelo sacrifício que os fariseus não tinham. E Ele conclui em Romanos 12:9.
Seja o amor sem hipocrisia. Aborrecei o mal. Apegai-vos ao bem. Sede dedicados uns aos outros no amor fraternal, dando preferência uns aos outros em honra.
Essa é a característica do corpo de Cristo: há um amor sem hipocrisia. A palavra original para “hipocrisia” tem o sentido de representar um papel. Somos atores. Temos duas faces. E Ele está dizendo que o amor na casa de Deus, no corpo de Cristo, é um amor sem hipocrisia. Ele se manifesta em nossa dedicação uns aos outros, em darmos preferência uns aos outros.
Isso, para mim, é fácil de entender. Peço desculpas pelo exemplo bobo, mas, quando eu era menino, adorava os Transformers. Sei que muitos de vocês que estão na faixa dos cinquenta anos provavelmente também adoravam os Transformers. Tínhamos nossos favoritos, e o meu era um dos aviões, chamado Skywarp. Ele era roxo. Eu gostava muito dele. Costumava colocá-los em ordem de preferência: Skywarp vinha primeiro, e eu gostava de Hound, que era o jipe, e de outros também. Talvez vocês se identifiquem comigo, se cresceram naquela época.
Mas, irmãos e irmãs, o que isso significa para nós é que, quando olhamos uns para os outros — bem, talvez Skywarp não tenha sido um bom exemplo, porque ele era um vilão —, veríamos Skywarp. Veríamos aqueles a quem damos a primeira preferência. Nós nos importamos com eles e os temos em alta consideração. É um exemplo bobo, mas o que ele realmente significa é que tenho minhas preferências. Ninguém poderia dizer que não tenho. Porém, na casa de Deus, com esse tipo de amor, há um amor que nos leva a dar preferência aos outros em vez de a nós mesmos.
Essa é a natureza do corpo de Cristo. E, quando isso não está presente, o corpo de Cristo não consegue funcionar como deveria.
O terceiro princípio, e este é o último, está no capítulo 9. Desculpem — podemos voltar a Mateus 9:20?
E eis que uma mulher que sofria de hemorragia havia doze anos aproximou-se por trás Dele e tocou a orla do Seu manto; pois dizia consigo mesma: “Se eu apenas tocar em Sua veste, ficarei curada”. Mas Jesus, voltando-Se e vendo-a, disse: “Filha, tem bom ânimo; a tua fé te curou”. E, naquele instante, a mulher ficou curada.
Essa era uma mulher, irmãos e irmãs, de origem muito comum. Não sabemos seu nome. O que sabemos sobre ela é que ficava sentada num canto da rua, na cidade do Senhor Jesus. Estava ali, sem nome, sofrendo de hemorragia havia doze anos. Isso significa que provavelmente estava anêmica e, portanto, cansada. Era uma excluída, uma pessoa invisível, encolhida à beira da estrada.
Mas ela ouviu que Ele estava chegando. Em seu coração, formou-se uma intenção que ninguém podia ver. Quando o Senhor Jesus chegou, ela, sabendo Quem Ele era, entrou discretamente na multidão, abriu caminho até perto Dele, estendeu a mão e tocou a orla, ou a barra, de Sua veste.
Irmãos e irmãs, a barra de Sua veste era o ponto mais periférico de Sua presença. Era o ponto mais distante do Senhor. Mas era também o extremo do Seu alcance. Então ela se aproximou e estendeu a mão para alcançá-Lo, para encontrá-Lo.
A barra fica ali perto dos pés. Provavelmente não estava muito limpa, nem era um lugar muito glorioso.
Mas, no Salmo 133, recebemos uma figura do corpo de Cristo. É uma figura de Arão. Nessa figura, o precioso óleo da unção, que representa o Espírito, é derramado sobre sua cabeça. Ele desce por seus cabelos, por seu rosto e por suas vestes, sobre o tronco e a cintura, até chegar à barra. Há um transbordamento do óleo da unção, a ponto de, se você segurasse a parte de baixo da barra e a apertasse, o precioso óleo do Espírito sair em abundância.
É uma figura muito bonita desse Espírito que satura o corpo inteiro, do alto da cabeça até a barra da veste.
No Antigo Testamento, lemos que a orla da veste do sumo sacerdote tinha uma campainha e uma romã, outra campainha e outra romã. Assim, seu som anunciava a vida de Cristo representada nas romãs e o fruto do Espírito. Portanto, de cima a baixo, tudo ficava saturado pelo Espírito.
Aqui vemos uma figura de que o Senhor Jesus estava ao alcance. Isso significa que, quando o Senhor estende Sua mão ao campo, não há nenhuma parte do campo onde Ele pretenda ficar longe demais de alguém. Se houver uma única pessoa necessitada, Ele quer que ela possa estender a mão e tocar a orla de Sua veste.
De tal maneira que não haja uma única pessoa ou lugar onde não se tenha ouvido que o Senhor Jesus está passando.
Isso significa que precisamos estar presentes — no trabalho, em nossa família, entre nossos amigos. Precisamos estar disponíveis para que, quando alguém precisar estender a mão, o Senhor Jesus esteja ao alcance. Isso é muito importante, irmãos e irmãs.
E, quando estivermos lá fora, precisamos permanecer ligados, para que o corpo alcance o lugar onde Ele nos colocou. Assim, quando as pessoas entrarem em contato com Sua vida em meio ao Seu povo, o poder do Espírito poderá agir e transformar vidas.
É um momento extraordinário quando ela toca aquele ponto mais distante, mas ainda ao alcance, e o Senhor Se volta, e ela é descoberta. Então a Bíblia nos diz que Ele a vê e a chama: “Filha, Eu vejo você, filha”.
O Senhor está sempre ao alcance. E, irmãos e irmãs, deve estar em nosso coração o desejo de sermos um canal de Sua graça no lugar onde Ele nos colocou.
A figura disso está em 1 Coríntios 12. Podemos abrir ali, em nosso terceiro capítulo sobre o corpo de Cristo? Vamos ler a partir de 1 Coríntios 12:4.
Ora, há diversidade de dons, mas o mesmo Espírito. E há diversidade de ministérios, mas o mesmo Senhor. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus Quem opera todas as coisas em todos. Mas a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum. Porque a um é dada, por meio do Espírito, a palavra de sabedoria; e a outro, a palavra de conhecimento, segundo o mesmo Espírito; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; e a outro, dons de curar, pelo único Espírito; a outro, a operação de milagres; e a outro, profecia; e a outro, discernimento de espíritos; a outro, diversos tipos de línguas; e a outro, interpretação de línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, distribuindo a cada um, individualmente, assim como Ele quer. Porque, assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora sejam muitos, constituem um só corpo, assim também é Cristo.
1 Coríntios 12:14:
Porque o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: “Porque não sou mão, não faço parte do corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. E, se a orelha disser: “Porque não sou olho, não faço parte do corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo.
1 Coríntios 12:25:
Para que não haja divisão no corpo, mas os membros tenham igual cuidado uns pelos outros. E, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele.
Irmãos e irmãs, essa porção da Escritura nos diz que o corpo é capacitado pelo Espírito. O Espírito planeja e, em Sua sabedoria, prepara. Em certo momento, um dos membros terá uma palavra de sabedoria. Em outro, uma palavra de conhecimento. Alguns têm fé por todos nós, não é? Como precisamos deles! Às vezes surge algo tão assustador que nós, que temos pouca fé, nem conseguimos acreditar, mas uma pessoa tem fé suficiente para levar todos nós adiante. Às vezes há milagres. É o mesmo Espírito Quem distribui.
O outro ponto é que cada um de nós serve a um propósito diferente, nenhum mais importante que o outro. Se tivéssemos um bíceps, mas não tivéssemos um deltoide ou um tríceps, ficaríamos sempre com o cotovelo dobrado ou com o braço em posição de soco. Precisamos de todos eles juntos. Precisamos uns dos outros para o funcionamento adequado, a fim de levarmos o Espírito ao campo. E a barra, a orla de Sua veste, era o extremo do Seu alcance.
Irmãos e irmãs, é verdade que a casa de Deus é um lugar precioso, muito precioso, onde vivemos juntos, compartilhamos uma vida de família e apoiamos uns aos outros. Mas também existe um perigo. Hoje, existe o perigo de nos fecharmos e ficarmos apenas entre nós, compartilhando a vida e desfrutando tanto da companhia uns dos outros que deixamos de enxergar o campo.
Devemos nos alegrar por causa do amor na casa de Deus. Não há nada semelhante a ele. Mas precisamos ter no coração que há pessoas que precisam entrar. Algumas não são salvas. Outras são salvas, mas nunca conheceram essa realidade.
Portanto, precisamos ter a consciência de que o corpo de Cristo deve alcançar as pessoas, e esse alcance precisa se estender ao lugar onde Ele nos colocou.
Isso não significa necessariamente, irmãos e irmãs, que precisamos fazer uma abordagem evangelística todos os dias no trabalho. Mas as pessoas com quem trabalhamos devem saber Quem é nosso Mestre. E precisamos assumir a responsabilidade pela maneira como nos comportamos. Ela reflete Quem Ele é. Devemos ser uma luz no mundo, estendendo a mão, sempre pertencendo a Ele. Somos Dele por inteiro. Estamos cobertos por Seu amor e somos capacitados pelo Espírito. Fomos oferecidos no altar. Estamos crescendo por meio do serviço. Nossas dificuldades nos tornaram humildes, para que estejamos sempre ao alcance daqueles que precisam de um toque do Senhor.
No mundo de hoje, este é um momento muito importante para que o povo de Deus faça brilhar uma luz. E esse é o chamado do corpo de Cristo.
O ministério pertence a cada um de nós. Ao servirmos juntos, podemos aprender o que significa ter a unidade da fé, o conhecimento do Filho de Deus e a condição de homem maduro, para refletirmos a estatura de Cristo. Exercitamo-nos em direção a essa maturidade ao servir onde fomos plantados. E, quando olhamos para o campo, que seja sempre com um amor sem hipocrisia; que tenhamos nos oferecido no altar; que estejamos atentos para não pensar de nós mesmos além do que convém; e que nos lembremos de que, aonde quer que vamos, o Espírito nos capacitou para transmitir a presença de Deus às pessoas ao nosso redor.
São, portanto, três histórias simples, enquanto o Senhor caminhava em meio à colheita. Ele disse: “Levantem os olhos. Vejam que a colheita está pronta. Vejam o Senhor da colheita no campo”. Que possamos segui-Lo até lá.
Vamos orar.
Querido Senhor, chegamos diante de Ti nesta noite e devolvemos estas palavras aos Teus cuidados. Senhor, pedimos que protejas a Tua Palavra e permitas que ela produza fruto em nossa vida. Senhor, pedimos que nos ajudes a ver como Tu vês. Senhor, transforma nosso coração para que possamos Te seguir. Obrigado, Senhor. Nós Te louvamos, em nome de Jesus. Amém.
Vamos dedicar alguns momentos para responder ao Espírito Santo. Se o Senhor conduzir, vocês podem orar em voz alta; caso contrário, apenas permaneçam diante Dele.