Bom dia. Vamos continuar nossa revisão de Romanos. Hoje, examinaremos a segunda parte de Romanos 8.
Eu divido Romanos 8 em três partes. O grande desfecho, no final, vai de Romanos 8:31 até o fim do capítulo. Mas hoje examinaremos Romanos 8:17b-30. Então, vamos ler esses versículos.
Se de fato sofremos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados.
Pois considero que os sofrimentos do tempo presente não são dignos de comparação com a glória vindoura que nos será revelada.
Porque a ardente expectativa da criatura aguarda a revelação dos filhos de Deus.
Pois a criatura foi sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa Daquele Que a sujeitou, na esperança de que também a própria criatura seja liberta da escravidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Porque sabemos que toda a criação geme juntamente e juntamente sofre dores de parto até agora.
E não somente ela, mas também nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a adoção — isto é, a redenção do nosso corpo.
Porque fomos salvos em esperança; mas a esperança que se vê não é esperança. Pois o que alguém vê, por que ainda o espera?
Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.
E, da mesma maneira, o Espírito também une Sua ajuda à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir como convém, mas o próprio Espírito intercede com gemidos que não podem ser expressos.
Mas Aquele Que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque Ele intercede pelos santos segundo Deus.
Mas sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o propósito;
Porque aos que Ele de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.
Vamos fazer uma oração.
Senhor, somos tão gratos hoje por podermos estar em Tua presença, lembrando-nos de Ti. Que alegria é sempre ter um lugar à mesa do Rei. Nós Te bendizemos e Te agradecemos.
Que alegria, ó Pai, voltar e agradecer-Te por essa dádiva gratuita e inexprimível de Cristo. Como nosso irmão Josh disse, Tu deste tudo. Não nos negaste nada.
Agora, ao nos voltarmos para Tua Palavra, pedimos uma bênção especial: que abras nossos olhos — não apenas nossos olhos naturais, mas os olhos do nosso coração — para vermos o que está em Tua Palavra. Abre nossos ouvidos para entendermos o que o Espírito está dizendo às igrejas. Concede-nos o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Ti, para compreendermos que Tuas palavras são espírito e vida.
Concordamos juntos, em nome do nosso Senhor Jesus, para que liberes essas palavras. Pedimos isso juntos, no poderoso nome de Jesus. Amém.
Bem, eu enviei um e-mail a vocês. Acho que a maioria provavelmente o viu. Se não viram, vou tentar ajudá-los. Já estou mudando uma coisa para vocês — perdoem-me.
Enquanto meditava nesta manhã, ampliei o título com uma palavra. Lembrem-se de que eu disse que seria Do Sofrimento à Glória. Quero acrescentar uma palavra porque, como vocês verão, ela é realmente o coração dessas passagens: A Filiação: Do Sofrimento à Glória. Acho que esse é um título melhor.
Já lemos o texto. Vamos examinar quatro áreas. Acho que ele se divide assim, pelo menos da maneira como eu o vejo:
Ao começarmos nesta manhã, quero lembrar-lhes que chegamos ao ponto mais elevado do livro de Romanos. O capítulo 8 é o ápice. Chegamos ao cume da revelação de Deus sobre o evangelho do Senhor Jesus Cristo. Não se pode chegar mais alto do que isso.
Lembro-me de que eu era uma espécie de fanático pela National Geographic. Adorava receber a National Geographic, e durante anos guardamos os exemplares. Acho que Linda os jogou fora; não tenho certeza. Mas eu examinava aquelas revistas atentamente.
Sempre me interessei pelo monte Everest, o pico mais alto da Terra — 8.849 metros — e pela maneira como as pessoas arriscam a vida, realmente arriscam a vida, para alcançar aquele cume. Muitas perderam a vida tentando subir até lá, fincar uma estaca e dizer: “Eu estive aqui”.
Bem, nosso cume é muito mais elevado do que o monte Everest. O monte Everest é apenas uma pequena colina comparado ao cume de Deus ao qual fomos conduzidos. Devemos compreender isso ao chegarmos a este capítulo.
Neste capítulo, vemos o grande propósito de Deus — Seu pensamento mais elevado para o homem. Vemos a porção que temos em Cristo Jesus, uma porção inacreditável. Nesses treze versículos e meio, lemos algo tão abrangente: como a filiação, como o sermos constituídos filhos de Deus, se concretiza.
Para aqueles que ainda não compreenderam bem meu esboço, essa segunda parte de Romanos, depois da justificação, trata da santificação. No fim das contas, a santificação pode ser melhor descrita como a formação de filhos — o aperfeiçoamento de filhos. É disso que tratam esses treze versículos e meio.
O texto fala da passagem do sofrimento à glória. Às vezes, acho que nós, como crentes, nos concentramos em nosso sofrimento. Esta passagem não se concentra em nosso sofrimento. Ela não ignora nosso sofrimento, mas seu foco é a glória.
O que precisamos ver, como crentes, é a glória colocada diante de nós. Recebemos um auxílio que está além de tudo o que os anjos poderiam compreender. O Espírito Santo de Deus é esse poder que habita em nós, pelo qual somos constituídos filhos.
Também vemos este grande propósito de Deus: desde o princípio, Ele desejava que muitos filhos fossem conduzidos à glória. Ele ama Seu Filho. Temos ouvido que Ele dá tudo a Seu Filho. Mas Ele teve outro pensamento — um pensamento inexprimível.
Repito: os anjos teriam inveja de nós. Nunca pensem que vocês querem ser como os anjos. Eles nunca serão filhos. Serão apenas servos ministradores, como diz Hebreus. Mas vocês e eu, irmãos e irmãs, seremos literalmente os filhos de Deus, feitos à Sua imagem para expressar Quem Ele é por toda a eternidade. Como isso é maravilhoso e glorioso!
Acho que vemos o propósito mais grandioso que se pode imaginar em Romanos 8:29: sermos conformes à imagem de Seu Filho. Se eu lhes dissesse isso e vocês não tivessem uma Bíblia, não conhecessem esse versículo e não tivessem sido ensinados sobre ele durante tantos anos, talvez se sentissem provocados a me chamar de mentiroso.
Mas, quando olhamos para a Palavra de Deus, este é o propósito final de Deus: Seu Filho, Que enche todas as coisas, expresso em muitos filhos — nós. Isso, sim, é glória. Vocês querem uma definição de glória? Isso é glória: Seu Filho, Aquele Que é todo glorioso, e os muitos filhos que refletem tudo o que Ele é.
Agora, vamos examinar esse pensamento sobre sofrimento e glória. Sei que as pessoas consideram o sofrimento algo muito negativo. Mas, para alguém que está sendo constituído filho, o sofrimento é necessário. Vocês precisam compreender isso.
Já conversei com crentes, muitos dos quais se reuniam conosco, que diziam que os cristãos nunca deveriam sofrer. Não sei de onde eles tiram isso. Se vocês lerem Romanos 8:17, o texto diz:
Se de fato sofremos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados.
Que maravilhoso! Observem: é com Ele. Às vezes, estamos tão concentrados, de maneira tão negativa, naquilo por que passamos que só levamos em conta nosso sofrimento. Mas esses não são apenas sofrimentos comuns. São sofrimentos com Ele. Essa é a ênfase.
E essa é glória com Ele. Essa é a ênfase. Gosto da maneira como Darby explica isso em sua nota. Ele diz: “Trata-se de sofrer juntamente com Ele, para que participemos da glória juntamente com Ele”.
Isso explica tudo pelo que vocês passarão na vida como crentes — como aqueles que estão sendo santificados, que estão sendo constituídos filhos de Deus. Nossa vida cristã não é isenta de sofrimento. Todo cristão que conhece o Senhor, anda com o Senhor e tem o Espírito habitando nele certamente passará por dificuldades e sofrimentos.
Vocês não podem negar isso quando leem a Bíblia. Isso é evidente na Bíblia. E não é apenas evidente na Bíblia; é necessário na obra transformadora que nos conduz da condição de crianças de Deus à de filhos de Deus plenamente maduros, refletindo a glória do Filho unigênito.
Quando Paulo falou a seu amado filho na fé, Timóteo, em sua última carta, ele disse em 2 Timóteo 3:12 — vou ler na versão King James:
Sim, e todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus sofrerão perseguição.
Se o Senhor foi perseguido, nós seremos perseguidos. O Senhor disse:
Se odiaram a Mim, também odiarão a vós.
Passaremos por muitas coisas.
Vocês se lembram do que Paulo e Barnabé disseram àqueles crentes da Ásia em Atos 14:22?
Por muitas tribulações devemos entrar no reino de Deus.
Esse foi o caminho de nosso Senhor, e será o nosso caminho. Vocês compreendem isso? Não quero apresentar apenas um pensamento negativo, porque, se vocês compreenderem esses treze versículos e meio, nunca mais olharão para o sofrimento como algo negativo.
Vocês serão transformados ao verem a glória que lhes está reservada como crianças de Deus, para serem constituídos filhos plenamente desenvolvidos e maduros.
Esse foi o caminho do Senhor. Em Hebreus 2:10, Aquele Que não merecia sofrer — Aquele Que nunca fez nada errado — seguiu esse caminho.
Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem são todas as coisas, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoar por meio de sofrimentos o Autor da salvação deles.
O caminho Dele é o nosso caminho. Por favor, compreendam isso.
Agora, deixem-me chegar à parte positiva. O sofrimento é necessário para nos transformar em filhos de Deus, mas o sofrimento não é o fim. Vocês compreendem isso?
Por favor, lembrem-se disso. Se não se lembrarem de mais nada, lembrem-se disto: o sofrimento é absolutamente necessário para nos transformar em filhos de Deus, mas o sofrimento não é nosso fim, irmãos e irmãs.
Esse primeiro versículo e meio nos diz que nosso fim é a glória. Nosso fim não é o sofrimento. Como isso deveria encorajar vocês e a mim!
Romanos 8:17b começa com sofrimento e termina assim:
Para que também com Ele sejamos glorificados.
Toda esta seção dedicada à filiação termina em Romanos 8:30:
A estes também Ele glorificou.
Como isso é maravilhoso! A glória é nosso fim. A glória é nosso destino certo. O sofrimento não é nosso destino. O sofrimento é um meio para chegar a um fim, mas não é nosso destino.
Paulo ponderou essa verdade. Se vocês lerem Romanos 8:18, verão que ele chegou a uma grande conclusão:
Pois considero que os sofrimentos do tempo presente não são dignos de comparação com a glória vindoura que nos será revelada.
Gosto da maneira como a versão King James expressa isso:
A glória que em nós será revelada.
Acho que é ainda melhor. Agradeço ao Senhor porque esse é nosso destino determinado.
Paulo ponderou o sofrimento. Nenhum ser humano conheceu o sofrimento como Paulo. Nenhum. Vocês se lembram de quando ele foi chamado no caminho de Damasco, e Ananias tinha medo até de ir orar por ele. Ananias questionou Deus. Será que Deus sabia quem era aquele homem perverso, aquele homem que devastava Sua igreja?
O Senhor disse: “Ah, Eu sei. Eu o conheço. Mas ele é um vaso, um vaso escolhido, e Eu lhe mostrarei quanto sofrerá por amor do Meu nome”.
Essa é a história de Paulo. Se vocês quiserem compreender o apóstolo Paulo, precisam meditar em 2 Coríntios. Nunca me esquecerei de nosso amado irmão Kong dizendo que 2 Coríntios é a autobiografia de Paulo. Se vocês querem conhecer Paulo, leiam 2 Coríntios.
Em 2 Coríntios 4, vemos os sofrimentos inacreditáveis pelos quais ele passou. Em 2 Coríntios 11, lemos sobre os enormes perigos que ele enfrentou. Não há como negar: esse homem sofreu por Cristo mais do que qualquer outro homem.
Mas seu foco não estava nos sofrimentos. É isso que é tão belo. Ele ponderou essas coisas. Conhecia aquilo pelo que passaria, mas considerou que os sofrimentos do tempo presente não eram dignos de comparação com a glória vindoura que seria revelada em nós.
Já fizemos esse cálculo? A palavra considerar, sobre a qual já conversamos muitas vezes, é uma palavra característica de Paulo e particularmente importante em Romanos. É uma palavra que envolve cálculo.
Vocês que são contadores e gostam desse tipo de coisa sabem que se faz, de fato, um cálculo. Quando fazemos um cálculo, chegamos a uma conclusão por meio de uma comparação. Foi exatamente isso que Paulo fez. Ele considerou. Ele calculou. Pensou metodicamente em todas aquelas coisas.
Ele chegou à conclusão de que os sofrimentos não podiam se comparar à glória que estava prestes a ser revelada em nós. Acho isso maravilhoso. Acho que é isso que significa: do sofrimento à glória.
William R. Newell explicou isso muito bem. Ele disse que considerar é uma das palavras preferidas de Paulo. Ela representa a fé em ação, mas uma ação calculada e específica da fé.
Você olha para as coisas como elas são e, então, chega a uma conclusão com base naquilo que elas são. Essa conclusão não pode ser contestada: a glória preparada para nós é incomparável ao sofrimento. Não há comparação.
Lembro-me de um livro de J. Oswald Sanders, O Cristo Incomparável. Sempre amei esse título. Sanders compreendeu o Cristo incomparável, e Paulo compreendeu a glória incomparável que vem por meio dos sofrimentos e nos transforma em filhos de Deus.
Em 2 Coríntios 4:17-18, Paulo diz:
Porque a nossa momentânea e leve aflição produz para nós um peso de glória sobremodo excelente e eterno;
Enquanto não atentamos nas coisas que se veem, mas nas que se não veem:
Porque as coisas que se veem são temporais; mas as que se não veem são eternas.
Quando vocês passam por sofrimentos no Senhor, sua avaliação é que essas são aflições momentâneas e leves? Essa era a avaliação de Paulo. Era isso que Paulo via e considerava. Como peregrinos nesta caminhada, essa também deveria ser nossa avaliação.
Observem que Paulo diz que essas aflições “produzem para nós”. Ele não ficou sentado pensando: “Que palavras posso acrescentar aqui para completar esta frase?”. Ele disse que essas coisas produzem para nós. Elas produzem para nós um peso de glória incomparável e eterno.
Que perspectiva! Ao caminharem nesta vida como crentes que estão sendo santificados e constituídos filhos por meio de todo o tratamento de Deus, essa deve ser sua perspectiva. Caso contrário, vocês olharão para seus sofrimentos e perguntarão: “Por que eu? Por quê, Senhor?”.
Pedro fez a mesma coisa. O contexto de 1 Pedro e 2 Pedro é uma igreja que sofre — a diáspora. Eles haviam sido expulsos pela perseguição para lugares distantes. Pedro queria dar-lhes a maior certeza de que esses sofrimentos não eram em vão e de que produziam um peso eterno de glória.
Em 1 Pedro 5:10-11, ele diz:
Mas o Deus de toda a graça, Que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo Jesus, depois de haverdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortalecerá e estabelecerá.
A Ele seja a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.
Como isso é belo: “por um pouco”. Nossos sofrimentos são aflições momentâneas e leves. Nossos sofrimentos produzem para nós um peso eterno de glória. Nossos sofrimentos duram apenas um pouco.
Parece que foi ontem que eu tinha vinte anos, quando fui salvo. Depois vocês podem me explicar para onde foram esses cinquenta e três anos. Foi um momento — um momento. Se vocês me pedissem para recordar tudo pelo que passei, eu não conseguiria. Mas eu diria: “Graças a Deus”.
Há um irmão no Senhor que quero mencionar: Paul Billheimer. Ele é conhecido por dois livros. Um é Destinados ao Trono. É isso que vocês são como filhos de Deus: estão destinados ao trono, para reinar com Cristo e governar com Cristo por toda a eternidade.
O segundo livro é Não Desperdice Seus Sofrimentos. É um livro complementar. Esse era alguém que compreendia a necessidade dos sofrimentos e a glória vindoura. Os sofrimentos são uma ferramenta que nos capacita a reinar com Cristo. Sem essa intervenção de Deus na tristeza, nunca poderemos reinar plenamente com Cristo.
Como a Palavra nos encoraja: não é o sofrimento; é a glória. Depois que vocês provarem a glória vindoura, a glória que lhes pertence em Cristo Jesus, nunca mais pensarão que esses sofrimentos ultrapassam tudo o que se pode imaginar — mesmo que ultrapassem.
Vamos examinar as dores de parto da criação e da criatura. Essa é a maior parte de Romanos 8:18-25. Esses versículos nos dão uma compreensão divina do que está acontecendo nesta presente era má.
Essa expressão vem de Gálatas 1:4. Vivemos numa presente era má. O mundo inteiro jaz no maligno. Não pensem nem por um momento que este mundo é seu lar. Não fiquem tão à vontade a ponto de gastar toda a vida e toda a energia construindo um lugar aqui.
Lembrem-se do que foi dito pelo Senhor Jesus quando Ele andou sobre a Terra:
As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar Sua cabeça.
Irmãos e irmãs, este não é nosso lar. Nosso lar é a glória inexprimível — uma glória que não pode ser imaginada, uma glória que não pode ser explicada, uma glória na qual só podemos entrar à medida que nos rendemos à obra de Deus, Que usa todas essas coisas para produzir para nós um peso eterno de glória.
Nesta segunda parte, vocês começam a ver dores de parto. Começam a ver gemidos. A própria criação e as criaturas — isto é, nós; não estou chamando vocês de cachorro ou de hipopótamo, mas vocês são criaturas — estão gemendo interiormente pela manifestação dos filhos de Deus.
Somente então o plano divino estará completo. Essa é sua grande expectativa, sua ardente expectativa, sua tão desejada expectativa.
Deixem-me ler Romanos 8:19 na versão King James. Gosto mais da maneira como está ali. Ela descreve essas dores de parto, esse gemido, essa agonia, esse nascimento, essa espera para produzir algo:
Porque a ardente expectativa da criatura aguarda a manifestação dos filhos de Deus.
Essa é uma explicação completa. Estão gemendo. Estão esperando. Essa é sua maior expectativa, sua ardente expectativa, sua tão desejada expectativa: que, por fim, esta presente era má fique para trás e sejam plenamente manifestados, juntamente com o Filho único, aqueles muitos filhos que Ele conduziu à glória.
Lembro-me de lutar para ler Grandes Esperanças na escola, quando era jovem. Não li o livro inteiro. Nunca consegui. O famoso livro de Charles Dickens tem algo entre 480 e 500 páginas. Já me propus a ler a Bíblia muitas vezes, mas acho que nunca lerei Grandes Esperanças.
Na verdade, tirei nota A em inglês. Linda não acredita nisso, mas tirei. Em todas as disciplinas de inglês que fiz na faculdade, tirei A. Milagres acontecem.
Acho que devo ter usado os CliffsNotes — aqueles maravilhosos livrinhos amarelos de antes da internet, com os quais se podia trapacear e fingir que se entendia o livro inteiro, seu tema, seu começo e seu fim. Então, quando era preciso fazer aquelas terríveis apresentações orais sobre os livros, dava para fingir que se tinha lido o livro.
Mas é um livro que oferece uma boa ilustração do que Deus está fazendo em nós. Há Pip, um pobre órfão, sofrendo num orfanato horrível. Por fim, Pip foi adotado. Pip estava destinado a ser transformado num cavalheiro de classe.
Não levem a ilustração longe demais, porque é um livro terrível em tantos aspectos. Mas ali estava alguém totalmente perdido, um órfão, sem esperança e sem Deus no mundo. Ele foi resgatado daquele orfanato e transformado numa pessoa de classe.
Sua grande esperança não acabou sendo tão grande no fim. Mas nossa grande esperança é diferente. Quando chegarmos ao fim, veremos a coisa mais gloriosa que Deus já concebeu: Seu Filho único finalmente revelado em toda a Sua glória, e Seus muitos filhos refletindo a glória de Seu Filho único.
Essa é nossa grande esperança. É a grande esperança de vocês? Deveria ser. O gemido, as dores de parto, a espera e o anseio pela manifestação dos filhos de Deus são o que precisamos enxergar.
Quando examinamos Romanos 8:20-21, o texto fala da maldição que Deus colocou sobre o mundo depois que Adão e Eva pecaram.
Pois a criatura foi sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa Daquele Que a sujeitou, na esperança de que também a própria criatura seja liberta da escravidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Foi isso que aconteceu em Gênesis. Quando Adão e Eva pecaram, foram amaldiçoados. E não apenas eles foram amaldiçoados; a criação foi amaldiçoada. Satanás foi amaldiçoado. Deus disse que ele rastejaria sobre seu ventre. A criação foi amaldiçoada com espinhos e abrolhos. O homem e a mulher foram sujeitos à vaidade — não por sua própria vontade, mas por causa de suas ações.
Mas ali está a maior esperança. É por isso que Paulo começa a se concentrar na palavra esperança. A partir desses versículos, vocês veem a esperança muitas vezes.
A maior esperança aparece em Gênesis 3, na declaração da maldição. Quando Deus estava amaldiçoando Satanás, Ele disse que a descendência da mulher viria por meio das dores de parto, esmagaria a cabeça da serpente e teria Seu calcanhar ferido.
Foi isso que a cruz fez. Seu calcanhar foi esmagado — aquela parte que tocava a terra —, mas Ele esmagou a cabeça de Satanás. A maldição foi removida porque, como lemos em Gálatas 3:13, Ele Se fez maldição por nós.
Somos nós que seremos constituídos filhos de Deus. Essa esperança é tão clara em Romanos 8:22-23:
Porque sabemos que toda a criação geme juntamente e juntamente sofre dores de parto até agora.
E não somente ela, mas também nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a adoção — isto é, a redenção do nosso corpo.
Agora, essa palavra adoção exige que voltemos a Romanos 8:15, sobre o qual conversamos da última vez:
Porque não recebestes um espírito de escravidão para outra vez estardes em temor; mas recebestes um espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai.
Se vocês lerem as notas do irmão Darby, a palavra grega traduzida como adoção é a mesma que filiação. É por isso que toda a criação está ansiando e gemendo: para que, um dia, haja a plena manifestação dos filhos de Deus.
Paulo, em seu capítulo que resume o evangelho — Romanos 8 —, está dizendo: “É isso que está acontecendo no mundo. Essa é a razão pela qual as coisas estão acontecendo no mundo. Essa é a razão pela qual o sofrimento vem ocorrendo desde a criação”. No fim, Deus deseja algo espetacular e cheio de glória: a plena manifestação dos filhos de Deus.
Romanos 8:24-25 diz:
Porque fomos salvos em esperança. Mas a esperança que se vê não é esperança: pois o que um homem vê, por que ainda o espera?
Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.
Sublinhem essa expressão em sua Bíblia: “Com paciência o aguardamos”. Essa é sua ardente expectativa — ser um filho de Deus plenamente maduro, refletindo a glória que só existe no amado Filho de Deus? É isso que aguardamos com paciência.
Essa é nossa grandiosa esperança. Essa é nossa grande expectativa. Pip não tinha nada que se comparasse ao que temos. Ele acabou decepcionado, mas nós nunca seremos decepcionados. A glória revelada para vocês e para mim é certamente incomparável.
Para garantir que isso aconteça, Deus faz algumas coisas. Se depender de vocês, isso nunca acontecerá. Se depender de mim, vocês sabem que não acontecerá. Se quiserem uma prova, vão conversar com Linda.
Isso precisa depender do Senhor. O Senhor fez o impensável: nessa criação que geme e nessas criaturas que gemem, Ele colocou o Espírito Santo para habitar naqueles que incumbiu o Espírito de transformar em filhos de Deus.
Não é você mesmo que faz isso. Isso é o mais maravilhoso. O que poderia ser mais maravilhoso do que Deus, o Espírito Santo, habitando em você?
Como diz 2 Coríntios:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
Deus colocou em você o Espírito Santo, uma das Pessoas do Deus Triúno. Ele é o especialista Que assume a responsabilidade de transformar você de uma lagarta feia — perdão, eu disse uma borboleta feia; obrigado pela ajuda — numa linda borboleta.
Acho que as borboletas estão entre as criaturas mais belas da Terra. Admiro as pessoas que têm coleções de insetos, nas quais fixam cuidadosamente aquelas lindas borboletas com alfinetes. Eu não teria paciência para isso.
Quem poderia ter concebido aquelas cores gloriosas senão Deus, o Criador? Elas são tão belas, tão magníficas, tão graciosas.
A palavra usada quando o texto fala de sermos transformados é metamorpho, a palavra grega da qual vem metamorfose. Vocês sabem o que significa: a lagarta muda e, por fim, é transformada numa linda borboleta.
Quando vocês veem aquela borboleta voar e pousar, veem algo da glória da criação. É isso que Deus está fazendo. E Aquele a Quem Ele encarregou disso é Deus, o Espírito Santo. Ele habita em vocês.
Agora, nosso problema é que muitas vezes ignoramos Deus, o Espírito Santo. Ele é tão gentil. Se vocês deixarem de ouvi-Lo, Ele deixará de falar com vocês.
Há uma advertência solene na Bíblia:
Não entristeçais o Espírito Santo de Deus.
Esse é seu caminho de saída. Esse é o caminho pelo qual vocês serão transformados na glória que só existe no Senhor Jesus. É por isso que Ele colocou o Espírito em nós.
Ele sabe que somos apenas pó. Ele conhece nossas fraquezas. Salmos 103:14 diz:
Pois Ele conhece a nossa estrutura; lembra-Se de que somos pó.
Ele conhece nossas fraquezas, e o Espírito Santo é colocado em nós para vencer essas fraquezas. Romanos 8 aponta uma fraqueza específica: não sabemos orar como convém. Mas essa não é sua única fraqueza. Vocês têm legiões de fraquezas.
Deus, o Pai, colocou a promessa do Pai — o Espírito Santo — em vocês, para viver e habitar ali. Se vocês lerem 1 João, começarão a descobrir como é importante ouvir a unção do Espírito Santo.
Vocês nunca serão constituídos filhos. Nunca serão transformados — metamorfoseados — a menos que comecem a seguir a direção do Espírito Santo. Isso é Romanos 8. Esse é o tema.
Vocês se lembram do versículo?
Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
O Espírito Santo que permanece em vocês, o Espírito Santo que habita em vocês, está constituindo vocês filhos e conduzindo-os à plenitude da glória.
Ele é nosso Intercessor na Terra. Romanos 8:26 diz:
E, da mesma maneira, o Espírito também ajuda a nossa fraqueza: porque não sabemos orar como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos que não podem ser expressos.
Pensem nisso. Vocês têm em seu interior um Intercessor divino, vivendo em vocês e intercedendo por vocês segundo a vontade de Deus. Ele conhece a vontade de Deus. Ele conhece o objetivo de Deus. Ele conhece o propósito de Deus.
Toda a Sua energia está dedicada a transformar vocês e a mim daquilo que éramos naquilo que seremos no Senhor Jesus. Isso é tão belo: um Intercessor divino.
Podemos depender dessa intercessão divina. Podemos recorrer a essa intercessão divina. Podemos viver segundo a unção e a direção desse Intercessor divino. Se o fizermos, nos tornaremos filhos — filhos maduros, filhos plenamente desenvolvidos.
O Senhor não nos deu apenas um Intercessor divino na Terra. Vocês se lembram de Hebreus 7:25? O texto fala do grande Sumo Sacerdote:
Portanto, Ele também pode salvar plenamente os que por Ele se chegam a Deus, visto que vive sempre para interceder por eles.
Esse era o ponto culminante da ilustração do sumo sacerdote no Antigo Testamento. O sumo sacerdote terreno era humano, falhava e precisava oferecer sacrifícios até por seus próprios pecados. Mas nós não temos apenas um Intercessor divino na Terra; temos um Intercessor divino no céu: o Senhor Jesus.
Vocês acham que Deus poderia ter feito mais? Ele colocou o Espírito Santo em vocês, e Ele é chamado de garantia, de selo da herança, para conduzi-los ao lugar ao qual Deus determinou conduzi-los.
Não apenas isso, mas o próprio Senhor Jesus, à direita da Majestade nas alturas, vive sempre e ora por vocês — para que sejam transformados dessa lagarta, dessa coisa feia e peluda, numa borboleta.
Não gosto de lagartas. Amo borboletas. Essa é a obra de transformação que Ele está realizando. Louvado seja o Senhor por isso.
Esse é o auxílio do Espírito Santo: o Intercessor terreno Que vive em nós. Depois, temos o Senhor Jesus, o Intercessor celestial, Que garante que todos os gemidos que não conseguimos expressar sejam levados ao Pai.
Vocês acham, por um momento sequer, que o Pai negará esses pedidos? Impossível. Impossível.
Isso me dá esperança de que vocês e eu podemos ser transformados de glória em glória. Por que Deus faria algo assim? Como Ele concebeu isso? Para mim, é espetacular.
Há um autor de quem gosto, James Denney, um antigo teólogo escocês. Ele falou dessa glória na qual estamos sendo transformados e a chamou de glória refletida. Gosto disso.
Nunca é sua glória. Nunca é minha glória. É sempre a glória Dele.
A única ilustração que consigo imaginar que chega perto disso está em Gênesis. Acho que mencionei o capítulo errado antes. Gênesis 3 é depois da Queda. Mas, no relato da criação, Deus diz: “Haja dois grandes luminares” — um para governar o dia, o grande luminar, e outro para governar a noite, o luminar menor.
O grande luminar é o sol — em inglês, sun. O luminar menor é a lua. Pensem na lua. A lua é apenas uma grande rocha. Não tem glória em si mesma, não tem luz em si mesma, não tem nada em si mesma.
Se o sol não estivesse no céu, a lua nunca brilharia. Mas a lua brilha. Adoro a lua cheia. Linda se cansa de me ouvir dizer isso. Toda vez que há lua cheia e o quintal fica iluminado, eu digo: “Você viu a lua cheia?”. E ela diz: “Sim, Kitty, eu vi a lua cheia. Você comenta isso toda vez”.
Ela brilha e ilumina a Terra. Mas não é sua própria glória. É glória refletida. A luz da lua é a luz do sol refletida.
Agora estou chegando ao ponto: em inglês, Son, “Filho”, soa como sun, “sol”. Nunca será nossa glória. Cometemos um erro se pensamos assim. É, de fato, glória manifesta, mas é uma glória que vem do Filho unigênito de Deus e brilha por meio de nós à medida que somos transformados.
Como diz 2 Coríntios, somos transformados de glória em glória pelo Espírito, contemplando a glória do Senhor. Isso é passar do sofrimento à glória. Acho isso belo. É algo que precisamos enxergar.
O último ponto é o grande propósito. São apenas três versículos, mas há tanto em Romanos 8:28-30.
Nos versículos anteriores, o texto diz que não sabemos orar como convém. Essa é uma expressão importante. Deus dá o Espírito Santo porque gememos em nós mesmos, aguardando a adoção — ou nossa manifestação como filhos de Deus.
Irmãos e irmãs, Deus ouve os gemidos de Seu povo. Ele nunca desprezará os gemidos de Seu povo.
Penso em Êxodo, um livro belo. É um roteiro para nós no Antigo Testamento, uma ilustração viva do que acontece conosco. Deus chamou os filhos de Israel para fora da escravidão e os libertou com uma grande libertação. Eles enfrentavam enormes dificuldades sob o domínio de Faraó e dos egípcios.
Em Êxodo 6:5, Deus diz:
E também tenho ouvido o gemido dos filhos de Israel, aos quais os egípcios mantêm em escravidão; e tenho-Me lembrado da Minha aliança.
Isso não é belo? Nossos gemidos, Ele ouve. Em resposta aos nossos gemidos, Ele age. Nossos gemidos O movem a realizar aquilo que sempre propôs. Acho que isso é mais do que maravilhoso.
Em Romanos 8:26, não sabemos o que devemos pedir como convém. Mas, então, em Romanos 8:28, o texto diz: “Mas sabemos”. Isso não é belo?
Romanos 8:26 diz que não sabemos. Entregues a nós mesmos, seríamos ignorantes. Mas, por causa do Espírito Santo, quando chegamos a Romanos 8:28, podemos dizer que sabemos:
E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Irmãos e irmãs, esse é um versículo tão belo. Esse é o grande propósito de Deus. Muitas vezes, acho que usamos esse versículo de maneira errada. Podemos tentar encorajar alguém que não conhece o Senhor, dizendo: “Você sabe que todas as coisas cooperam para o bem”.
Não tenho nenhum problema em encorajar alguém a vir ao Senhor. Sou totalmente a favor disso. Mas esta é uma promessa específica, uma certeza reservada não às pessoas do mundo, mas ao povo de Deus que está sendo transformado em filhos.
Ela tem duas condições: “daqueles que amam a Deus” e “daqueles que são chamados segundo o propósito”. Antes de sermos salvos, não amávamos a Deus. Amávamos a nós mesmos.
Devemos ler o versículo como um todo. Aqui está o grande propósito de Deus para nós que fomos chamados para ser filhos, para aqueles que foram chamados segundo o propósito mais elevado já concebido — o propósito de toda a eternidade: o Filho e muitos filhos.
Tudo coopera para o bem. Vocês compreendem? É isso que torna esse versículo belo.
Lembro-me de Oswald Chambers. Acho que muitos de vocês o conhecem. Ele viveu apenas até cerca de quarenta e três anos. Teve uma vida muito curta, mas realizou uma grande obra.
Uma de suas maiores obras foi o devocional Tudo para Ele — cujo título em inglês expressa a ideia de “O meu máximo para o Seu supremo”. Não consigo imaginar uma expressão mais bela. Ah, que nós, como povo de Deus, sendo santificados e constituídos filhos, tivéssemos essa declaração e esse gemido em nosso coração: “O meu máximo para o Seu supremo”.
Não há nada em que eu possa gastar meus recursos ou me deixar gastar que seja mais importante do que essa única e grande aspiração, essa grande expectativa.
Lembro-me de que, quando eu era um jovem engenheiro enfrentando dificuldades na carreira, recebi dois livros de Oswald Chambers. Um querido irmão no Senhor veio à nossa casa e me presenteou com esses dois tesouros.
Ao começar a lê-los, encontrei uma afirmação da qual nunca me esqueci: “Deus projeta nossas circunstâncias.”
Ele calcula. É algo preciso da parte Dele. É algo destinado a produzir aquele projeto final que Ele deseja. Acho que devemos compreender isso.
Romanos 8:29-30 nos diz o que Deus fará. Romanos 8:28 apresenta Seu propósito. Ele estabeleceu um grande propósito. Vocês acham que ele se cumprirá? Não precisam questionar isso. É absolutamente certo.
Romanos 8:29-30 nos diz não apenas o que Deus propôs, mas o que Deus fará. Há cinco coisas que o texto diz que Deus fará:
Porque aos que Ele de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou, a estes também chamou: e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.
Isso não é belo? Ele nos dá a certeza de que nosso destino na glória é seguro. Ele diz: “Eu estabeleci este grande propósito e determinei fazer estas grandes coisas”.
Ele nos conhece desde antes da fundação do mundo. Efésios 1:4 diz que, antes que o mundo existisse, Ele nos conheceu de antemão. Antes que alguém pensasse em vocês, antes que fossem concebidos, Ele os conheceu de antemão.
Não apenas isso, mas Ele nos predestinou para sermos conformes à imagem de Seu Filho. Essa era Sua intenção eterna. Vocês acham que, com essa predestinação, isso não acontecerá? Acho muito difícil. É certo que acontecerá.
Aos que Ele predestinou, a esses também chamou. Lembrem-se do que Paulo disse em Romanos 1:1: “Paulo, chamado para ser apóstolo”. E, em Romanos 1:6, falando daqueles que estavam na igreja em Roma:
Sois os chamados de Jesus Cristo.
O próprio nome da igreja, da assembleia, significa aqueles que foram chamados para fora e reunidos. A razão pela qual estão reunidos é que, no fim, sejam manifestados como filhos de Deus, refletindo a glória do Filho unigênito.
Mas Ele diz outra coisa: aqueles a quem chamou, Ele justificou. Examinamos os primeiros cinco capítulos de Romanos, que falam de nossa justificação. Ele não apenas propôs isso, mas o fará.
Ele conheceu vocês de antemão, predestinou-os, chamou-os e justificou-os. Deus vê vocês em Cristo como justos. Ele não vê vocês como justos em si mesmos; Ele vê vocês em Cristo como justos. Cristo é nossa justiça, como diz 1 Coríntios 1:30-31.
Mas Ele fez mais do que isso. Surpreende-me que Paulo deixe de fora “santificou” aqui. Eu gostaria que Paulo tivesse escrito mais uma expressão: “Aquele a quem Ele justificou, Ele santifica”. Mas ele não disse isso.
Em vez disso, ele diz:
Aos que justificou, a estes também glorificou.
Para Deus, a obra está concluída. Para nós, não está concluída. Deus a vê completa. Ele vê a obra de santificação como plenamente realizada.
Nós não a vemos dessa maneira porque estamos sendo constituídos filhos, mas Ele a vê assim. Ele tem certeza disso. Observem que Paulo coloca isso no passado. Ele não diz: “serão glorificados”. O Espírito Santo foi muito cuidadoso com as palavras que deu ao apóstolo Paulo:
A estes também Ele glorificou.
Irmãos e irmãs, essa é a filiação, do sofrimento à glória. Pode haver um propósito mais elevado para a humanidade? Pode haver alguma glória que se compare a esta — a de manifestarmos plenamente Quem é o Filho de Deus por meio dessa glória refletida?
Esse propósito nunca pode falhar. Esse propósito é absolutamente certo. Esse propósito foi estabelecido por Deus, e então Ele acrescenta cinco coisas que fará para garantir que seja realizado.
No fim, seremos muitos filhos conformes à imagem do Filho único. Como precisamos nos prostrar diante do fato de que isso foi escrito para nós! Como precisamos adorar o Senhor porque essas palavras foram deixadas para nós, porque o apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, escreveu essas coisas para nós!
Nossa esperança é incerta? Nunca. Nossa glória é questionável? Não. Ele a propôs e diz: “Eu a realizarei”. Ele fala dela no passado.
É isso que devemos fazer: prostrar-nos em adoração diante Daquele Que está realizando uma obra em nós para nos santificar — para nos constituir filhos.
Vamos orar.
Senhor, às vezes essas coisas são difíceis demais de explicar, mas sou tão grato porque são verdadeiras. Onde estaríamos sem Tua Palavra? Onde estaríamos sem essa esperança?
Ainda não vemos isso manifestado, mas vemos Aquele Que o propôs. Vemos Aquele Que o planejou. Vemos Aquele Que concedeu todo auxílio para que isso fosse realizado.
No fim, vemos Aquele Que o realiza. Nós nos alegramos e gememos em dores de parto até que aquele dia chegue plenamente, quando Tu, Pai, tiveres Teu Filho único e Teus muitos filhos.
Bendito seja o nome do Senhor para sempre. Amém.