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    Romans 5 - The Justified's Boast In Full Reconciliation © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Romans 5 - The Justified's Boast In Full Reconciliation
    Romans 5 - The Justified's Boast In Full Reconciliation
    Pittman, Kenny

    A exultação dos justificados na plena reconciliação

    Bom dia. Abram comigo em Romanos 5. Hoje vamos examinar os primeiros onze versículos, dando continuidade ao nosso estudo de Romanos. Vou ler esses versículos na tradução de Darby.

    Portanto, tendo sido justificados pelo princípio da fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por Quem também temos acesso, pela fé, a este favor no qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança; e a esperança não envergonha, porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado. Porque nós, estando ainda sem forças, no devido tempo Cristo morreu pelos ímpios. Pois dificilmente alguém morrerá por um justo; porque talvez pelo homem de bem alguém até se atreva a morrer. Mas Deus demonstra o Seu amor para conosco pelo fato de que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Muito mais, portanto, tendo sido agora justificados no poder do Seu sangue, seremos salvos por Ele da ira. Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, muito mais, tendo sido reconciliados, seremos salvos no poder da Sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem agora recebemos a reconciliação.

    Pai, nós sempre Te agradecemos pela Tua Palavra. Sabemos que a Tua Palavra é verdade. Sabemos que a Tua Palavra é vida. Sabemos que a Tua Palavra pode vivificar. Sabemos que a Tua Palavra pode nos levar a andar na plenitude da vida em Cristo Jesus.

    Por isso, nós Te suplicamos nesta manhã, ao nos achegarmos: faze o que nenhum homem pode fazer. Abre a Tua Palavra, unge a Tua Palavra e faze com que ela viva enquanto a consideramos nesta manhã. Faze com que não sejamos apenas ouvintes da Palavra, como disse Tiago, mas praticantes da Palavra.

    Queremos que esta Palavra afete a nossa vida: onde vivemos, aonde vamos, como agimos, como nos relacionamos. Queremos que ela seja a Palavra viva em nós — isto é, Cristo Jesus, nosso Senhor. Todas essas coisas pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    A centralidade da reconciliação

    Bem, acho que todos sabem que estamos tratando desses primeiros onze versículos — apenas onze versículos. Quando vocês se dedicarem ao estudo da Palavra, procurem dividi-la em seções. Acho que isso vai ajudá-los. Se vocês dividirem o texto e se limitarem a determinadas seções, isso os ajudará a compreender o pensamento do escritor. Se tentarem abranger muita coisa, talvez acabem absorvendo pensamentos demais de uma só vez. É por isso que estamos tratando dessas seções mais curtas.

    A última palavra desta seção, em Romanos 5:11, me chamou a atenção: reconciliação. É uma palavra enorme. Se você não compreender a reconciliação, nunca poderá viver a vida cristã. A reconciliação é algo de extrema importância para o crente. É o nosso ponto de partida na justificação. É por meio da reconciliação que entramos em tudo o que Deus tem para nós.

    Então, tomei emprestada essa última palavra para o título: “A exultação dos justificados na plena reconciliação”. Alguns de vocês talvez não tenham visto ou lido o e-mail, mas, se não o fizeram, é disso que estamos tratando.

    Esta seção termina com uma gloriosa exultação daqueles que foram justificados, ao perceberem tudo o que Deus havia feito. E não é uma exultação apenas na reconciliação; é uma exultação na plena reconciliação.

    Quero ler alguns versículos de 2 Coríntios 5:18-20, talvez para ajudá-los a compreender a importância dessa palavra, reconciliação. Acho que são palavras muito importantes para entendermos a plena reconciliação.

    E todas as coisas são de Deus, que nos reconciliou Consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério dessa reconciliação.

    Essa é a primeira coisa. Pensem nisso: todas as coisas são de Deus, que nos reconciliou Consigo mesmo por Jesus Cristo. É um pensamento muito importante sobre a reconciliação. E Ele nos deu o ministério dessa reconciliação. Este é o nosso ministério.

    Quando falamos de Deus, precisamos falar de reconciliação, porque, assim como Paulo — e não apenas Paulo, mas vocês e eu, como crentes no Senhor Jesus —, agora recebemos esse ministério da reconciliação.

    Deus estava em Cristo reconciliando Consigo mesmo o mundo, não lhes imputando as suas ofensas e colocando em nós a palavra dessa reconciliação.

    Somos embaixadores. Você sabia que era um embaixador? Sempre acho um tanto engraçado quando um presidente é eleito: ele nomeia todos os seus embaixadores, e geralmente quem contribuiu mais recebe o melhor posto de embaixador. Normalmente são amigos. Não tenho certeza de que todos sejam qualificados, mas deram muito dinheiro.

    Somos, portanto, embaixadores de Cristo, como se Deus rogasse por nosso intermédio. Rogamos por Cristo: reconciliai-vos com Deus.

    Este é o nosso ministério. Este é o nosso chamado. Era isso que Deus estava fazendo: Ele estava em Cristo reconciliando Consigo mesmo o mundo. Portanto, este é um assunto enorme que Paulo aborda nesses onze versículos.

    Não sei se vocês sabem, mas a palavra reconciliação é usada nas epístolas apenas por Paulo, e somente quatro vezes. Talvez vocês queiram anotar estas referências e examiná-las depois:

    • Romanos 5:11
    • Romanos 11:15, onde ela trata do mistério da eleição
    • 2 Coríntios 5:18-20, que acabamos de ler

    Portanto, o que vamos abordar nesta manhã é como Deus nos reconcilia Consigo mesmo em Cristo. Se vocês enxergarem isso, começarão a descobrir uma riqueza de poder, graça e favor que foi derramada sobre vocês, de modo que agora, por causa dessa reconciliação e por meio dela, podem viver a vida cristã. É a única maneira possível.

    Quero ler para vocês uma definição de reconciliação. Isso realmente falou comigo. Este é um livro que recomendo, caso vocês não o tenham, para ajudá-los em seu estudo: Dicionário expositivo de palavras do Novo Testamento, de W. E. Vine.

    Não quero, de modo algum, que vocês ou eu — a menos que tenham a grande ambição de fazê-lo — nos tornemos estudiosos do grego. Sempre gostei do que o irmão Knoch dizia: não era necessário fazermos isso. Mas, em determinados momentos, precisamos conhecer o significado bíblico de certas palavras, e esse livro é muito útil quando estudamos essas palavras.

    Vine disse que reconciliação propriamente denota uma mudança, uma troca — de pessoas —, uma mudança da inimizade, ou da condição de inimigo, para a amizade; reconciliar. Quanto ao relacionamento entre Deus e o homem, o uso dessa palavra e de palavras relacionadas mostra que a reconciliação primordial é aquilo que Deus realiza.

    Essa é a única coisa em que quero que vocês se concentrem na definição dele: a reconciliação primordial é aquilo que Deus realiza, não aquilo que nós fazemos.

    Ele prosseguiu dizendo que Deus exerce a Sua graça para com o homem pecador com base na morte de Cristo em sacrifício propiciatório, sob o juízo devido ao pecado. É isso que precisamos saber, irmãos e irmãs: a reconciliação de Deus é algo que Ele realiza por nós.

    Nós somos os beneficiários. Recebemos a graça, o favor derramado sobre nós, mas não fizemos nada. Tudo o que podemos fazer é olhar para o alto e dizer: “Senhor, Tu fizeste tudo isso”.

    Este é o segredo em Romanos 5: Deus, por meio de Cristo, nos introduziu na plena reconciliação. Ele tornou isso possível, e este é o nosso testemunho.

    A estrutura de Romanos 5:1-11

    Quando examinamos esses onze versículos, há quatro coisas que precisamos considerar:

    1. Os fatos divinos e eternos da reconciliação.
    2. A obra de reconciliação de Deus.
    3. O poder de Deus para a reconciliação.
    4. Nossa exultação na plena reconciliação.

    Se vocês não conhecerem esses fatos divinos e eternos, vão subestimar essa plena reconciliação. Quando os conhecem, enxergam quão plena foi a reconciliação. Vamos examinar fatos divinos, não fatos humanos.

    A segunda coisa é a obra de reconciliação de Deus. Ele não apenas nos mostra os fatos da reconciliação; Ele realiza a obra da reconciliação — tudo vem Dele. Como isso é maravilhoso. E nós recebemos os benefícios dessa obra.

    Em terceiro lugar, há o poder de Deus para a reconciliação. Ele não apenas apresenta os fatos. Ele realiza a obra e concede o poder para a reconciliação. Se vocês compreenderem essas três coisas simples, poderão começar a perceber a plenitude da reconciliação.

    E, se compreenderem essas coisas, chegarão ao quarto ponto: nossa exultação na plena reconciliação. Paulo estava fora de si, exultando naquilo que recebemos por meio dessa grande reconciliação.

    Os fatos eternos da reconciliação

    Primeiro, os fatos eternos decorrentes da reconciliação. É apenas em Romanos 5:1-2 que esses fatos eternos aparecem aqui, mas os versículos 1 e 2 são tão ricos que mal podemos imaginar a profundidade dessa reconciliação.

    Às vezes lemos de maneira superficial. Mas, se vocês lerem esses dois versículos sem prestar atenção, não compreenderão quão plena e profunda é essa reconciliação. Hesito em dizer “bênçãos”; é muito mais do que bênçãos. E certamente não quero usar “resultados”. Resultados é uma palavra comum demais.

    Esses não são meramente resultados da reconciliação. São fatos imutáveis. As bênçãos podem mudar; podem vir e ir. Os resultados, vocês podem experimentá-los ou não. Mas os fatos divinos não mudam. Vocês não podem mudá-los.

    A palavra imutável significa que você não pode mudar aquilo. Esses fatos são, se vocês me permitirem colocar isso de maneira ainda mais forte, garantias divinas. É isso que o Garantidor fez. Ele nos deu essas garantias divinas essenciais, para que possamos saber quão plena é a Sua reconciliação.

    A justificação como fato consumado

    Penso em começar com o encorajamento que está ali. O texto diz:

    Portanto, tendo sido justificados.

    Observem que esse é o ponto de partida. Ele não disse que esperava ser justificado. Não disse que talvez fosse justificado.

    O apóstolo Paulo é muito cuidadoso na escolha das palavras. Ele disse:

    Portanto, tendo sido justificados.

    Irmãos e irmãs, é isso que precisamos saber no início da nossa caminhada. Essa obra foi tão grande que somos completamente justificados.

    Este é o começo. É um fato glorioso — o primeiro fato glorioso que Paulo queria comunicar à igreja em Roma e a todos os que viessem a ler essa carta depois: vocês foram justificados.

    Isso está no passado. É maravilhoso saber disso quando começamos nossa vida no Senhor. Agora, quando vocês pensam nesse fato maravilhoso, precisam voltar e pensar no que aconteceu em Romanos 1:18–3:20.

    Sei que tenho sido duro com vocês ao tratar desses versículos, mas, nesses quase três capítulos, vemos como é impossível sermos justificados. O homem é totalmente corrupto. Às vezes cometemos o erro de dizer: “Bem, não somos tão ruins assim”.

    Vocês não podem ler Romanos 1:18–3:20 com qualquer luz divina e chegar à conclusão: “Bem, não somos tão ruins assim. Só precisamos de um pequeno ajuste, de uma pequena regulagem”.

    É como quando o motor do carro está fora de ponto e você o leva à oficina. Antigamente, usavam uma lâmpada para verificar isso — não sei o que fazem hoje. Essas coisas têm computadores, e já não dá mais para mexer nelas. Mas, quando eu era menino, nós nos enfiávamos debaixo do capô, junto ao motor, e trabalhávamos neles. Fazíamos alguns ajustes e, com apenas uma pequena regulagem, eles funcionavam melhor.

    Isso não é verdade quando se trata de ser reconciliado. Quando você é reconciliado, não basta receber um pequeno ajuste. Deus precisa fazer muito mais do que isso.

    Agora, se vocês observarem, ele começa com a palavra portanto. Essa é uma palavra muito importante. Aliás, ao estudarem o livro de Romanos, gostaria que prestassem atenção à palavra portanto. Paulo usa essa palavra dezesseis vezes no livro de Romanos.

    Se vocês procurarem, verão que ele a usa com muita frequência em pontos estratégicos, quando há uma mudança no desenvolvimento do argumento, quando quer deixar claro algum ponto importante. Ele começa: “Portanto”.

    Portanto, tendo sido justificados.

    Esse é um fato maravilhoso. Pensem em Romanos 12:1, por exemplo:

    Rogo-vos, portanto, pelas misericórdias de Deus, que vos ofereçais como sacrifício vivo, o que é o vosso culto racional.

    Talvez vocês nunca tenham pensado em se oferecer como sacrifício a Deus. Para quem não recebeu instrução, isso pode parecer um tanto louco. Mas, se vocês enxergarem a plena reconciliação de Deus, não acharão isso loucura. Chegarão à mesma conclusão a que chegou o apóstolo Paulo: esse é o seu culto racional. É a sua adoração inteligente, como dizem outras versões.

    Paulo olha para aqueles onze capítulos de Romanos e chega a esta grande conclusão:

    Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, apresentai os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

    Agora, quando vocês olham para aquela primeira expressão em Romanos 5:1, “portanto, tendo sido justificados”, percebem que ela está em determinado tempo verbal. Os tempos verbais são importantes. Vocês sabem que já disse isso muitas vezes: não sou formado em Letras. Acontece que sou casado com alguém que seguia esse caminho, e aprendi bastante com ela. Aliás, ela sempre me diz quando não acerto, e agradeço por isso.

    Como engenheiro, levei uma eternidade para aprender a usar corretamente “I” e “me” — as formas de “eu” e “mim” em inglês — nas frases. Mas, finalmente, com a ajuda da minha querida e amada esposa, consegui entender isso direito e, na maioria das vezes, sai corretamente.

    Então, observem: “portanto, tendo sido justificados”. Em inglês, isso está no present perfect. Vocês entendem? Isso é muito importante. “Tendo sido justificados” significa que isso está completamente realizado. Pelo menos até onde entendo, em inglês não há maneira melhor de expressar isso do que o present perfect.

    É um fato consumado. É um fato que vocês não podem mudar. É um fato imutável, como já disse. É isso que é tão importante.

    O irmão Darby falou desse tempo presente, e gosto da maneira como ele colocou isso. Ele disse: “Nós o obtivemos e o possuímos”. É assim que precisa ser.

    Você recebeu essa justificação? Você não a conquistou. Não poderia conquistá-la. Não foi por meio das suas obras. Você a recebeu. E tomou posse dela? Ela é sua? Você pode dizer, como o apóstolo Paulo nesse início tão importante:

    Portanto, tendo sido justificados.

    Esse é o primeiro fato. Isso é muito importante.

    A justificação e a declaração divina

    Um irmão disse o seguinte: a justificação pela fé é ser declarado justo por Deus por crer em Deus. E ele disse: “É um fato que aconteceu”. Nunca se esqueçam disso.

    Acho que algumas pessoas vivem tanto em seus sentimentos — talvez especialmente os americanos. Sou americano. Vivo nesta cultura. Conheço esta cultura bastante bem, não tanto as outras. Mas muitas vezes dizemos: “Bem, não me sinto justificado. Levantei hoje de manhã e não estou sentindo isso”.

    Sabem, não é isso que os jovens dizem? “Não estou sentindo isso.” Isso não tem nada a ver com sentimentos. Tem a ver com fatos. Se vocês se esquecerem dos fatos e viverem apenas nos sentimentos, sua vida cristã será uma ruína.

    Goodwin Thomas disse que a justificação é um dom imediato. Não é lindo? Um dom imediato. Ela vem pela fé. No momento em que uma pessoa crê, ela é recebida, não realizada; obtida, não conquistada.

    Você pode frequentar uma escola, trabalhar duro e estudar muito; ou pode abrir uma empresa e trabalhar duro. Por meio de todos os seus esforços, pode dizer: “Eu conquistei isso”. Mas nunca poderá dizer isso a respeito da plena reconciliação.

    Nenhum crente é um homem ou uma mulher que se fez por si mesmo. Somos homens e mulheres feitos por Deus. Tudo foi obra Dele, e como isso é extraordinariamente maravilhoso.

    No momento em que você creu, Deus o declarou justo — e Ele nunca mudará de ideia. Se não vivermos nos fatos, mas nos nossos próprios sentimentos, poderemos acordar amanhã de manhã e dizer: “Será que Deus mudou de ideia a meu respeito?”. É assim que as pessoas pensam.

    Irmãos e irmãs, esta é a exortação do apóstolo Paulo: vivam nos fatos — não nos seus fatos, não na sua verdade; vivam nos fatos divinos. Se viverem nos fatos divinos, serão vencedores. É simples assim.

    A paz com Deus

    Há outro fato: temos paz com Deus. Nosso irmão Steve já falou sobre isso à mesa, mas como isso é maravilhoso. Trata-se da paz com Deus. É assim que a versão King James traduz:

    Temos paz com Deus.

    Como isso é maravilhoso. Já não estamos em guerra com Deus. Já não somos inimigos de Deus. Já não somos rejeitados por Deus. Agora temos paz com Deus. Isso é um fato. Vocês podem viver nesse fato.

    Agora, vocês ainda podem pecar, porque todos nós pecamos. Enquanto viverem na carne, enquanto agirem segundo aquela velha vida, poderão pecar. Poderão perder temporariamente essa paz com Deus. Mas tudo o que precisam fazer é voltar e confessar, e Ele restaurará essa paz em vocês. É um fato divino. Vivam nele.

    Nos primeiros capítulos de Romanos, vocês veem que não havia paz entre Deus e o homem. Veem como o homem era contrário a Deus e como Deus, em Sua justiça, não podia tolerar isso. Não havia absolutamente nenhuma paz. Mas agora temos paz com Deus.

    Paz total. A paz pode governar o seu coração. A paz pode governar a sua mente. A paz pode governar a sua experiência, porque esse foi o fato declarado na plena reconciliação. A animosidade e a inimizade entre Deus e o homem foram completamente removidas na plena reconciliação.

    Que pensamento maravilhoso. Como nós, crentes, precisamos acolher esse pensamento. Precisamos acordar de manhã e dizer: “Deus, temos paz Contigo por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Essa era a única maneira de isso ser possível. Caso contrário, estaríamos em conflito; estaríamos em conflito por toda a vida.

    Agora, quando vocês leem isso, entendem que há uma diferença entre a realidade objetiva e a experiência subjetiva. Precisamos viver na realidade objetiva. Isso é verdade. Isso é fato. Mas então começamos a aprender a andar na experiência subjetiva.

    Como essa paz com Deus pode se tornar possível na experiência? Como isso pode acontecer? Mais adiante, o texto diz que é porque o Espírito Santo foi derramado em nossos corações. É assim que podemos passar do fato da paz com Deus à experiência da paz de Deus.

    Tudo isso porque Ele colocou algo em nós: o Espírito Santo, para que possamos viver a vida cristã. É assim que Ele torna isso possível. A ordem divina é importante. Se confundirmos essas duas coisas — experiência e fato —, ficaremos confusos durante toda a nossa vida cristã.

    O fato é a justificação. A experiência é a santificação. A justificação se estende até Romanos 5. Quando terminarmos o capítulo 5, Paulo terá tratado de maneira completa da plena reconciliação e da justificação.

    Quando chegamos a Romanos 6, 7 e 8, Paulo começa a tratar de uma experiência viva: como vivemos como cristãos? O tema de Romanos 6, 7 e 8 é a santificação. Nunca confundam essas duas coisas.

    A única maneira de vocês passarem do fato objetivo e imutável da paz com Deus à experiência da paz de Deus é quando o Senhor realiza a Sua obra em vocês pelo Espírito Santo. Isso se torna parte da sua experiência.

    Foi isso que o Senhor disse em João 14:27:

    Deixo-vos a paz; a Minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

    Ele nos dá algo à medida que o Espírito Santo opera em nós, de modo que essa paz se manifesta na nossa experiência. Mas ela sempre se baseia no fato de que temos paz com Deus. Nunca mudem a ordem.

    Você pode olhar para a sua experiência e dizer: “Não tenho paz”. Precisa olhar para o fato, e é ali que descobrirá a paz. Filipenses 4:7 diz:

    E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

    Como isso é possível? Como é possível passar da paz com Deus para esse tipo de paz que excede o entendimento? Somente quando o Espírito Santo nos introduz nessa experiência. É a única maneira.

    E há um versículo — eu amo esse versículo. Vocês provavelmente o conhecem: Isaías 26:3. Ele fala de perfeita paz. Vocês entendem que a perfeita paz é possível no Senhor Jesus?

    Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em Ti.

    Como isso é maravilhoso. Irmãos e irmãs, começamos com o fato divino inalterável: a inimizade entre nós e Deus acabou. Mas então este capítulo entra na nossa experiência, e a nossa experiência é que o Espírito Santo opera em nós até que a realidade da paz que excede o entendimento — a paz de Deus, a perfeita paz que guarda nossos corações e nossas mentes — se torne nossa própria experiência.

    Enquanto permanecemos firmes nas verdades objetivas e eternas, começamos a entregar nossa vida à obra santificadora do Espírito Santo, para sermos conformados à imagem do Senhor Jesus. Essa é a operação mais plena da paz de Deus.

    O acesso a Deus

    O terceiro fato me deixa maravilhado. No Antigo Testamento, ele nem sequer poderia ser considerado. É o acesso. Se vocês olharem para Romanos 5:2, o texto diz:

    Por Quem também temos acesso, pela fé, ao favor no qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

    Vocês entendem que agora, como crentes, por causa da plena reconciliação, temos pleno acesso a Deus? Não é um acesso limitado.

    Vocês devem se lembrar do relato do Antigo Testamento. O sumo sacerdote, tanto no tabernáculo quanto no templo, só podia entrar no Santo dos Santos — o lugar santíssimo, onde estava a presença de Deus — uma vez por ano. Só podia entrar em um único dia: o Dia da Expiação.

    E somente nessa ocasião a pessoa mais santa, designada como sumo sacerdote, tinha acesso a Deus. Vocês conseguem imaginar se a nossa vida cristã fosse assim? Se o dia 15 de março fosse o único dia em que vocês pudessem entrar na presença de Deus, o único dia em que pudessem ter acesso pela fé?

    Como a vida cristã seria terrível. Mas o fato que o apóstolo Paulo nos apresenta é que temos acesso pleno e ilimitado ao Deus vivo. Isso é maravilhoso, irmãos e irmãs. Isso é maravilhoso.

    Penso em Hebreus 9:7-8, que fala desse sumo sacerdote:

    Mas, no segundo, somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si mesmo e pelos erros do povo; mostrando o Espírito Santo, com isso, que o caminho do Santo dos Santos ainda não havia sido manifestado, enquanto o primeiro tabernáculo permanecia de pé.

    O que eles tinham no Antigo Testamento empalidece diante do que temos em Cristo Jesus. Agora vocês, a cada momento do dia, a cada minuto da vida, a cada ano da sua existência, têm pleno e livre acesso ao Santo dos Santos.

    Penso que um dia, quando estivermos na eternidade, se algum daqueles sumos sacerdotes — e creio que haverá sumos sacerdotes salvos porque creram — se aproximar de vocês e de mim, dirá: “O que vocês tinham, nós nem conseguíamos imaginar. Não conseguíamos compreender. Nem sequer podíamos nos aproximar com um pensamento assim”.

    O que vocês têm está além de tudo o que o homem poderia acreditar: que todo ser humano, o grande e o comum, tenha acesso pleno e ilimitado a Deus pelo Espírito Santo, em Cristo Jesus. Este é o terceiro fato eterno. Nunca se esqueçam disso.

    Hebreus 10:19-20 diz:

    Tendo, portanto, irmãos, ousadia para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele consagrou para nós através do véu, isto é, da Sua carne.

    É assim que somos instruídos a nos achegar. Não é envergonhadamente, se é que essa palavra existe. Não é ter vergonha de vir. É aproximar-se com ousadia, sabendo que essa foi a provisão da plena reconciliação: que vocês e eu podemos entrar na Sua presença, além daquele véu, porque o Seu corpo foi rasgado na cruz.

    E, quando ele foi rasgado, aquele véu se rasgou em dois, de alto a baixo. Agora, vocês sabem como era aquele véu? Isso não é algo insignificante. Quando o Senhor entregou o Seu espírito na cruz e expirou, o texto diz imediatamente que o véu do templo se rasgou de alto a baixo.

    Vocês sabem o que isso fez? Deu a vocês acesso completo. Acesso completo. Agora, isso não foi um feito pequeno. Se vocês lerem cuidadosamente todos os detalhes do Antigo Testamento, o véu tinha quarenta e cinco pés de altura, cerca de quatorze metros. É a maior cortina que já vi — quarenta e cinco pés. Isso é uma cortina de quatro andares.

    E outro fato a respeito dele: quando foi feito, o véu tinha um palmo de espessura — três polegadas e meia, cerca de nove centímetros. Agora, Philip trabalha na construção. Ele sabe que essa é a medida de uma peça de madeira conhecida como “dois por quatro”: três polegadas e meia. Era essa a espessura.

    No entanto, ele foi rasgado, não de baixo para cima para nos dar acesso, como se o homem pudesse fazer alguma coisa para obter esse acesso. Foi rasgado de alto a baixo pelas mãos divinas de Deus. E agora vocês têm acesso livre e ilimitado a Deus.

    Sempre penso no livro de Ester. É um dos meus livros favoritos. Vocês se lembram de que Ester, quando queria se aproximar do rei Assuero, precisava esperar até que o rei lhe estendesse o cetro de ouro. Se ele não estendesse o cetro de ouro, ela jamais poderia entrar na sua presença.

    Vocês entendem que limitação era essa? Não consigo imaginar quantas vezes ela deve ter ido até o pátio, visto o rei no trono com o seu cetro de ouro, e ele não o estendido a ela. Como deve ter sido isso, sendo ela a própria rainha dele?

    Mas, irmãos e irmãs, um dia ele lhe estendeu o cetro de ouro. Ela se aproximou, e o livro de Ester diz que tocou a ponta do cetro de ouro.

    Por causa da plena reconciliação, podemos tocar a ponta do cetro de ouro — o verdadeiro cetro de ouro, não o cetro de ouro de Assuero, mas o cetro de ouro de Deus. Agora, esta é a história de Ester: temos acesso pleno, completo, ilimitado e irrestrito ao Santo dos Santos.

    A esperança da glória de Deus

    Então o texto diz algo mais — o quarto fato:

    Nós nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

    Vocês sabem que têm esperança? Esperança real.

    Quando leio as notícias — e provavelmente leio notícias demais —, preciso dar os parabéns à Linda por isso: ela reduziu o tempo que passo assistindo às notícias. Ela é a fiscal das notícias. Se estou ligando um canal de notícias, ela sai da sala fazendo um pequeno alarde: “Estou saindo. Estou saindo. Fique aí vendo as suas notícias”.

    Mas, quando você olha para as notícias, fica tão sem esperança. Que esperança há neste mundo?

    Mas, em Cristo, o quarto fato que Paulo queria gravar no coração dos santos em Roma — e no nosso, para sempre — é que nos gloriamos em uma esperança eterna. Temos uma esperança que o mundo não conhece.

    Temos uma esperança independentemente do que nos aconteça, independentemente da nossa vida diária, das nossas provações e dificuldades. Temos uma esperança que dura para sempre. Ela não pode ser tirada de nós, porque não é condicional. É um fato.

    Pedro disse em 1 Pedro 1:3 que esta é uma esperança viva. Deus Pai nos conduziu a uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. É uma esperança viva, não um mero desejo.

    Paulo escreveu a Tito — em Tito 2:13, creio eu — sobre a bem-aventurada esperança. Esta é a bem-aventurada esperança. É a esperança mais bendita que se pode imaginar. Estaremos com Deus por toda a eternidade.

    Não sei o que vocês pensam a respeito do tempo. O tempo é um grão de poeira. Eu disse a alguns dos meus colegas — fui a uma comemoração de uma empresa outro dia, porque eles convidam os mais velhos de vez em quando —, e eles me perguntaram: “O que você está fazendo?”.

    Eu disse: “Bem, estou aproveitando a aposentadoria. Isso é maravilhoso. Estou gostando muito”. Eles sabem das diferentes coisas que estou fazendo, e essa esperança que temos é tão extraordinária.

    Não estamos sem esperança como o mundo. Eles dizem: “Bem, o que você realmente quer fazer?”. Eu digo: “Olhem, estou aproveitando a aposentadoria. Estou gostando de estar com o povo de Deus, de viajar, de conhecer o Senhor e de estudar mais a Bíblia”. Sou tão grato por isso.

    Esta é a esperança que temos. Ela nunca desaparecerá. Esta é a nossa esperança infalível, que não pode ser tirada de nós.

    Hebreus 6:18-19 diz:

    Temos forte encorajamento, nós que fugimos em busca de refúgio, para nos apegarmos à esperança que nos está proposta; a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que entra no interior do véu.

    Sublinhem isso na sua Bíblia: temos essa esperança. Não estamos procurando essa esperança. Esta é a esperança da glória de Deus. Não é extraordinário? Vocês conseguem imaginar uma esperança maior do que essa? Ela nunca pode ser tirada de nós.

    É nisso que nos gloriamos. O texto fala de uma âncora para a alma. Agora, se vocês têm um barco — eu não tenho um barco e nunca terei, porque entendo que o primeiro dia, quando você o compra, é o melhor dia da sua vida ou o pior dia da sua vida. No entanto, John vai me dizer isto: o último dia, quando você se desfaz do barco, é o melhor dia da sua vida. Desculpe, senhor pescador.

    Mas aqui se trata de estar ancorado. Como vocês estão ancorados em Deus? É por meio da esperança. É por meio da esperança.

    Lembro-me de uma antiga história que li há muitos anos sobre a Marinha Real britânica. A Marinha Real derrotou uma das marinhas mais poderosas do mundo, a Armada Espanhola. Acho que foi em 1588, na Batalha de Gravelines. O professor de história terá de me corrigir nisso.

    Mas eles sabiam algo profundo naquela marinha. Desenvolveram uma âncora que nunca falharia — ou melhor, que nunca havia falhado. Eles a testavam. Por que os navios estavam perdendo suas âncoras e ficando à deriva até a destruição? Como podemos corrigir isso?

    A família real designou um grupo especial de pesquisa para fabricar uma âncora que nunca falhasse. Quando testavam uma âncora e constatavam que ela nunca falharia, colocavam nela o selo real. Somente a âncora com o selo real nunca falha.

    Vocês entendem? Essa é a esperança. Espero que conheçam essa esperança.

    A obra de reconciliação de Deus

    A segunda coisa sobre a qual queremos falar é a obra de reconciliação de Deus. Precisamos conhecer todos esses fatos eternos; eles são aquilo que temos. Mas também precisamos saber que a plena reconciliação se baseia exclusivamente na Sua obra.

    Se vocês olharem para Romanos 5:3-5, isso fica muito claro:

    E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança; e a esperança não envergonha, porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado.

    Agora, isso vai além do fato. Já mencionamos isso uma vez. Esta é a obra de Deus. O que Ele faz por nós é inimaginável: Ele coloca em nós o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade divina.

    Vocês se lembram de quando o Senhor disse: “Irei ao Pai e pedirei a promessa do Pai”. Lembram-se do que Ele disse em João, naqueles capítulos tão belos:

    Ele estará convosco.

    E vocês se lembram do que mais Ele disse sobre o Espírito Santo?

    Ele estará em vós.

    Vocês conseguem imaginar? Deus, o Espírito Santo, em nós. É assim que passamos do fato à experiência. É assim que podemos nos gloriar nas tribulações. É assim que podemos alcançar a perseverança. É assim que podemos alcançar a experiência, porque o Espírito Santo nos introduz nessa realidade.

    Irmãos e irmãs, não consigo pensar em nada mais poderoso do que isso. Imaginem se o Senhor Jesus tivesse partido e dito: “Deixo vocês com a Minha Palavra”. Onde estaríamos? Vocês conseguiriam fazer isso? Conseguiriam viver a vida cristã? Conseguiriam vencer? Conseguiriam fazer tudo o que Ele exigiu? Não haveria a menor possibilidade de conseguirem.

    Então Ele fez algo que ninguém poderia ter imaginado. Ele disse: “Vou ao Pai e vou pedir ao Pai que lhes dê aquilo que Ele chamou de promessa do Pai”.

    Esse Espírito Santo viria e estaria com vocês para sempre. Isso é muito tempo. E esse Espírito Santo estará em vocês para sempre. Como é maravilhosa a obra de Deus.

    É assim que somos conformados à Sua imagem. É assim que somos conduzidos da justificação à santificação. É assim que vivemos a vida cristã: não apenas pelo fato, mas pela Sua obra. É isso que é essencial.

    Se vocês olharem para Filipenses 2:12-13, acho que esse pode ser um texto assustador se lerem apenas a primeira metade:

    Desenvolvei a vossa própria salvação com temor e tremor.

    Acho que muitos cristãos leem esse versículo assim. Ponto final.

    Desenvolvei a vossa própria salvação com temor e tremor.

    Que vida cristã miserável seria essa. Acho que eu desistiria. Vocês não conseguiriam fazê-lo. Nenhum homem conseguiria.

    Mas, graças a Deus, o texto não termina aí:

    Porque é Deus Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo o Seu beneplácito.

    Isso não é uma boa notícia? Esta é a obra de Deus. Ele está operando em nós. O que significa a primeira parte? Há esforço. Há a entrega de si mesmo a Deus. Há o dizer não à carne. Há provações na vida.

    Mas, sabem, no fim, tudo depende completamente da obra de Deus somente. É Deus Quem opera em vocês tanto o querer como o realizar, segundo o Seu beneplácito. Esse é o primeiro segredo da Sua obra.

    A morte de Cristo pelos que não têm forças e pelos pecadores

    Então vocês olham para Romanos 5:6-8:

    Porque nós, estando ainda sem forças, no devido tempo Cristo morreu pelos ímpios. Pois dificilmente alguém morrerá por um justo; porque talvez pelo homem de bem alguém até se atreva a morrer. Mas Deus demonstra o Seu amor para conosco pelo fato de que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

    Como isso é maravilhoso, irmãos e irmãs. Ao lermos esses versículos, precisamos perceber como isso é maravilhoso. O texto diz:

    Nós, estando sem forças.

    Agora, ele não diz que, quando vocês foram salvos, de repente receberam forças para viver a vida cristã. Ele diz:

    Porque nós, estando ainda sem forças.

    Observem essa palavra: “ainda”. Cristo morreu pelos ímpios.

    Um dia vocês não tinham forças. Não foi como se, no dia seguinte ao da sua salvação, vocês tivessem forças para viver a vida cristã. Quando Paulo falou da plena reconciliação baseada na obra de Deus, ele disse:

    Porque nós, estando ainda sem forças.

    Acho que isso é revelação. Precisamos confessar que não temos forças para viver a vida cristã. Precisamos confessar que nunca tivemos essas forças para viver a vida cristã. Precisamos ser francos com Deus e dizer: “A menos que Tu operes em mim, nunca poderei ser o homem ou a mulher de Deus que Tu queres que eu seja”.

    Isso é absoluta e completamente impossível. O tempo verbal aqui é muito enfático:

    Porque nós, estando ainda sem forças.

    É isso que precisamos enxergar. Éramos impotentes, e então Deus opera.

    Se vocês olharem para 2 Coríntios 12:9-10 — todos conhecem essa passagem, o espinho de Paulo na carne —, o texto diz:

    A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De muito boa vontade, portanto, antes me gloriarei nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse sobre mim.

    Isso não é maravilhoso? Vocês não precisam se angustiar por causa da sua fraqueza. Na verdade, a Palavra de Deus deixa isso muito claro: vocês ainda estão sem forças. Agora, em que podem se gloriar? No poder de Deus que está sobre vocês. É isso que torna a vida cristã possível. É a única coisa que torna a vida cristã possível.

    E ele disse:

    No devido tempo Cristo morreu pelos ímpios.

    Ouçam isto:

    Pois dificilmente alguém morrerá por um justo; porque talvez pelo homem de bem alguém até se atreva a morrer. Mas Deus demonstra o Seu amor para conosco pelo fato de que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

    Vocês perceberam? É quase a mesma expressão: “sendo nós ainda pecadores”. Para nós, é impossível. Contudo, a obra de Deus é tão completa que podemos viver a vida cristã. Como isso é maravilhoso. Como isso é grandioso.

    Alguém talvez se atrevesse a morrer por um justo. Vocês conseguem ler os primeiros três capítulos de Romanos e encontrar um justo? Conseguem ler esses capítulos e encontrar para mim um homem bom?

    O jovem rico se aproximou do Senhor Jesus em Lucas 18 e disse:

    Bom Mestre.

    Esse foi o ponto que o Senhor questionou nele. Ele disse:

    Por que Me chamas bom? Ninguém é bom, senão Deus.

    Mesmo assim, ele continuou insistindo que havia guardado todos os mandamentos desde a juventude.

    Acho que isso é um engano tão grande. Irmãos e irmãs, como precisamos conhecer o Senhor em Sua obra de plena redenção. Ele fez algo muito maior do que simplesmente morrer pelos ímpios e pelos pecadores.

    Ele superou até mesmo a Sua própria definição do maior amor. Vocês se lembram de quando Ele estava falando em João? Ele disse:

    Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos.

    Vocês se lembram de que, antes disso, Ele disse:

    Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

    Para mim, essa é a definição do maior amor. Vocês conseguem imaginar alguém entregando a vida por vocês como amigo? Essa foi a definição do próprio Senhor. Não foi a definição de Pedro. Não foi a definição de Mateus. Não foi a definição de João. Foi a definição do Senhor para o maior amor.

    Mas, quando vocês chegam a Romanos 5, Ele entregou a Sua vida pelos ímpios. Quando chegam a Romanos 5, Ele entregou a Sua vida pelos pecadores. Ainda éramos pecadores; Ele entregou a Sua vida.

    Como isso é extraordinário. Isso supera toda definição — a mais elevada definição do maior amor. Esta é a obra de Deus. Que o Senhor nos ajude a enxergar quão grande é esse amor.

    Não podemos viver a vida cristã sem saber que, quando ainda estávamos sem forças, Ele morreu pelos ímpios. Quero que vocês sublinhem essa expressão. E, quando ainda éramos pecadores, Ele morreu por nós. Essa é a obra da plena reconciliação.

    O poder de Deus para a reconciliação

    Agora, quero que pensemos também no poder de Deus. Ele não apenas nos deu fatos eternos pelos quais precisamos viver; não apenas realiza a obra em nós pelo Espírito Santo e nos dá forças para que possamos viver a vida cristã; mas, quando chegamos à última parte, vemos o poder que Ele nos dá.

    Há duas expressões que quero que consideremos em Romanos 5:9-10:

    Muito mais, portanto, tendo sido agora justificados no poder do Seu sangue, seremos salvos por Ele da ira. Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, muito mais, tendo sido reconciliados, seremos salvos no poder da Sua vida.

    Há duas expressões que quero que vocês reconheçam. Na versão King James, a expressão é “muito mais”. Se vocês lerem Romanos 5, descobrirão que há quatro ocorrências de “muito mais”.

    O que Deus está dizendo é: “Eu fiz tudo isso. Dei a vocês os fatos divinos; eles nunca mudarão. Fui além do mais elevado padrão de amor e os salvei enquanto estavam sem forças e enquanto ainda eram pecadores”.

    Agora, na última seção, Paulo chega a esse ponto em que nos mostra o poder que torna possível vivermos a vida cristã. Observem esse “muito mais”. Sublinhem isso na sua Bíblia.

    Ele nos dá dois poderes. Um poder trata de todo o nosso passado, e o outro trata de toda a vida cristã.

    O poder do sangue de Cristo

    O primeiro é que fomos justificados no poder do Seu sangue. Irmãos e irmãs, não há nada mais poderoso do que o sangue de Jesus. Ele pode apagar cada pecado, cada falha e tudo o que vocês já fizeram. Somente o sangue de Jesus. Somente o sangue de Jesus.

    Acho que na semana passada cantamos aquele hino maravilhoso sobre o poder que há no sangue. Não cresci em um lar cristão, mas me lembro de quando fui salvo naquela pequena capela da Assembleia de Deus Betel, em 4 de fevereiro de 1972.

    Lembro-me de que cantamos: “Há poder no sangue”, e eu chorei e chorei. Naquela noite, descobri que saí daquele lugar como um homem transformado. Mal podia acreditar. Continuei cantando: “Há poder no sangue, poder que opera maravilhas no sangue”.

    Como ele é poderoso. Todo o seu passado é apagado. E, mesmo que você falhe ao caminhar na vida cristã — porque ainda é humano —, o sangue nunca perde o seu poder. Pense nisso.

    1 João 1:9 diz que, se confessarmos nossos pecados, Ele é capaz de nos purificar de toda injustiça — não apenas de algumas. Você pode dizer: “Bem, existem certos pecados. Você não me conhece. Existem certos pecados que, se você soubesse, ficaria envergonhado”. Mas o Senhor pode nos purificar de toda injustiça.

    O que o apóstolo Paulo estava tentando nos fazer enxergar era o poder absoluto do sangue de Jesus. A expressão era:

    No poder do Seu sangue.

    O poder da vida de Cristo

    Ele tinha algo mais a dizer. Não apenas purificou nosso passado e nos deixou por nossa própria conta, mas tinha outro segredo. Esse segredo era: muito mais, agora que fomos justificados, seremos salvos no poder da Sua vida.

    Observem essa expressão. É uma expressão muito importante. É um grande segredo da vida cristã. Uma vida é colocada em vocês — a vida de Deus. Por meio dessa vida em vocês, agora podem viver a vida cristã.

    Compreendam o que o apóstolo Paulo está dizendo: todo o seu passado foi resolvido. Para qualquer pecado futuro, há provisão no poder do sangue. Mas essa vida que vocês são chamados a viver, e que lhes é totalmente impossível, só pode ser vivida de uma maneira: pelo poder da Sua vida.

    Vocês entendem isso? É surpreendente. Esse é o segredo. É isso que o apóstolo Paulo quer que enxerguemos. Se enxergarmos, isso fará uma enorme diferença.

    A exultação do crente na plena reconciliação

    A última coisa: nossa exultação na plena reconciliação. Se vocês lerem Romanos 5:11, isso fica muito claro:

    E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem agora recebemos a reconciliação.

    Como isso é maravilhoso. Recebemos essa plena reconciliação. Se vocês lerem os primeiros capítulos de Romanos, verão muito claramente que o homem não tem nada de que se gloriar.

    Vocês não podem se gloriar na lei. Não podem se gloriar na sua justiça, porque não têm nenhuma. Não podem se gloriar nos seus atos. Não há nada de que possam se gloriar.

    Mas, quando o apóstolo Paulo chegou a Romanos 5, disse que há algo em que vocês podem se gloriar. Podem se gloriar no Senhor Jesus Cristo, por Quem recebemos a plena reconciliação.

    Observem essa palavra: “agora”. Por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem agora recebemos a reconciliação. A salvação da morte e da ira veio por meio Dele. A salvação pela Sua vida agora está em nós. Temos algo absolutamente claro: plena reconciliação.

    Agora podemos nos gloriar na esperança da glória de Deus, como diz Romanos 5:2. Agora podemos nos gloriar nas nossas tribulações, até que tudo isso produza perseverança e experiência, porque estamos no Senhor Jesus, e o Senhor Jesus está em nós.

    Nossa exultação está Nele. Ele é a nossa plena reconciliação.

    Bem, espero que isso faça sentido. Esta é a exultação dos justificados na plena reconciliação.

    Cristo nos foi feito sabedoria e justiça, santificação ou santidade. Todas essas coisas Ele Se tornou para nós. Ele é o único em Quem nos gloriamos, e é assim que podemos viver na plena reconciliação.

    Vocês compreendem os fatos eternos? Compreendem que essa é a obra de Deus? Compreendem que esse é o poder de Deus? Se compreendem, têm algo em que se gloriar. Que o Senhor abra nossos olhos para a plena reconciliação.

    Senhor, nós entregamos a Ti essas coisas tão preciosas da Tua Palavra. Elas podem mudar a nossa vida.

    Essas coisas da Tua Palavra podem abrir nossos olhos, e já não precisamos andar na nossa própria força nem lutar com o nosso próprio poder, que não existe. Mas podemos viver na plenitude.

    Como oramos para que comecemos a viver nos fatos. Como oramos para que comecemos a viver na compreensão de que Tu fizeste a obra e estás realizando a obra.

    Como precisamos compreender, no fim, que tudo é por meio do Teu poder: o poder do sangue, o poder da Tua vida. Este é o segredo da nossa exultação.

    Isso pedimos em nome do Senhor Jesus. Amém.