Bom dia.
Aquele relógio vai me confundir para sempre, marcando 132, por isso trouxe meu velho relógio de corrida. Ele será mais útil aqui do que nas corridas, então tenho um relógio preciso. Se vou respeitá-lo, aí já é outra história, como vocês sabem.
Então, voltem comigo à última parte de Romanos 4, aos versículos 13 a 25. Acho que vocês provavelmente já leram esse trecho, e isso será útil, mas vamos lê-lo novamente, porque sempre é bom ler a Palavra de Deus.
Novamente, em Romanos 4:13, Paulo disse:
Porque não foi pela lei que veio a promessa a Abraão ou à sua descendência de que seria herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé.
Porque, se os que são da lei são herdeiros, a fé é esvaziada, e a promessa é anulada;
Porque a lei produz ira, mas onde não há lei também não há transgressão.
Portanto, é pelo princípio da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja certa para toda a descendência; não somente para a que é da lei, mas também para a que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós,
Conforme está escrito: Por pai de muitas nações te constituí; perante o Deus em Quem creu, o Qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se fossem;
O qual, contra a esperança, creu em esperança, para tornar-se pai de muitas nações, segundo o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.
E, não sendo fraco na fé, não considerou o seu próprio corpo já amortecido, tendo cerca de cem anos, nem o amortecimento do ventre de Sara;
E não hesitou diante da promessa de Deus por incredulidade, mas encontrou força na fé, dando glória a Deus,
E estando plenamente convicto de que o que Ele prometeu também é poderoso para fazer.
Por isso, também lhe foi imputado como justiça.
Ora, não foi escrito somente por causa dele que lhe foi imputado,
Mas também por nossa causa, a quem será imputado, a nós que cremos Naquele que ressuscitou dentre os mortos Jesus, nosso Senhor,
O Qual foi entregue por nossas ofensas e ressuscitou para nossa justificação.
Vamos orar.
Pai, somos sempre gratos pela Tua Palavra. Confessamos diante de Ti que não a compreendemos inteiramente, mas sabemos que as Tuas palavras são espírito e vida. Pedimos que sopres sobre a Tua Palavra. Dá-nos uma compreensão mais profunda do que significam esses treze versículos.
Ajuda-nos a compreender o que foi realizado nesses treze versículos e o que temos agora por causa da obra de nosso Senhor Jesus apresentada neles. Pedimos tudo isso para que fales conosco nesta manhã e nos ajudes a entrar na realidade do que isso significa, e não apenas a fazer um estudo doutrinário sobre o seu significado. É o que pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Bem, acho que vocês já conhecem a preocupação central deste assunto. Enviamos um pequeno esboço. Mas, antes, deixem-me dizer uma coisa: esse não é o esboço. Entendem? É o meu esboço. Existem muitos bons esboços, e não estou dizendo que vocês devem simplesmente seguir este, mas que continuem lendo a Palavra.
Aliás, uma coisa que aprendi no estudo da Palavra com aqueles irmãos que nos treinaram foi: leiam a Palavra. Leiam a Palavra. Depois, cheguem ao ponto de conseguir elaborar um esboço da Palavra por vocês mesmos. Então, talvez possam consultar comentários, antes de absorver toda aquela… Bem, não vou dizer lavagem cerebral. Não é isso que quero dizer. Vocês sabem o que quero dizer. Vocês devem descobrir por si mesmos o que a Palavra diz.
Então, daqui a pouco entraremos nesse pequeno esboço de hoje. Na última vez em que falamos, tratamos da primeira parte de Romanos 4, dos versículos 1 a 12. Hoje concluiremos este capítulo, em Romanos 4:13-25.
Agora, todo este capítulo dá continuidade ao assunto da justificação pela fé, que nos foi apresentado inicialmente em Romanos 3:21-31. Não há nada mais importante para o cristão conhecer do que essa questão da justificação pela fé. Não se pode começar a vida cristã sem ela. É o nosso ponto de partida. É a nossa plataforma de lançamento. É o início pelo qual entramos em um relacionamento com o Pai por meio do Senhor Jesus Cristo.
Outra coisa: sem a justificação pela fé, a vida cristã não é apenas difícil — vocês conhecem a minha frase favorita —, ela é impossível. Precisamos conhecê-la. Essa é a dimensão de sua importância.
Agora, em todo o capítulo de Romanos 4, Paulo trata de um único homem: Abraão. Achei curioso, quando li isso tantas vezes por orientação do irmão Kong, que Paulo dedicasse um capítulo inteiro a Abraão, depois de terminar sua explicação sobre a justificação pela fé.
Por que isso acontece? Porque não precisamos apenas compreender a doutrina. Ela pode se tornar um sistema rígido em que compreendemos os fatos, mas será que compreendemos a realidade da justificação pela fé?
Abraão é a ilustração bíblica e o caso concreto do que significa a justificação pela fé. Ele marca o seu início. Ele é o seu começo. Vocês não podem compreender a realidade da justificação pela fé a menos que a vejam ilustrada na vida. A vida em que Paulo, e a Bíblia, a ilustram claramente é a de Abraão.
Por isso, Paulo usou o que alguns poderiam considerar um pequeno parêntese para dedicar tanto tempo a Abraão. Não é um parêntese de modo algum. Essa também deve ser a nossa experiência.
Como eu disse, a primeira parte de Romanos 4 tem o título “Crer em Deus”. É o início da fé. Vocês sabem o que significa início: é o começo. Os últimos treze versículos, Romanos 4:13-25, tratam da progressão da fé.
Somos apresentados a Abraão nesses primeiros doze versículos e descobrimos que, de fato, ele foi justificado somente pela fé. Mas, nos últimos treze versículos, vemos a progressão da fé na vida desse homem. Afinal, Deus não busca apenas a fé inicial — crer no Senhor. Deus quer um povo de fé: um povo que cresça na fé, um povo que avance na fé, um povo que se aproprie da fé ao longo da vida.
Então, acho que essa talvez seja uma explicação das duas partes distintas de Romanos 4. Vamos examinar:
Agora, ao começarmos, vamos tratar dessa questão do princípio da fé. A palavra dominante nesta última parte de Romanos 4 é fé. Ela aparece seis vezes, e vocês devem observar isso.
Esse foi um hábito que desenvolvi com o irmão Graham Scroggie. Gosto muito disso — não sei se vocês têm o pequeno manual dele —, mas, se não têm o Manual Bíblico de Scroggie, estão perdendo algo. Eu tenho a edição em brochura. Sugiro que procurem um exemplar. Se estiver esgotado — e não sei se está —, procurem na internet e vejam se conseguem encontrá-lo.
Uma coisa que Graham Scroggie fazia e que eu considerava muito poderosa era encerrar frequentemente seus pequenos resumos de cada livro com palavras-chave. Quando vocês veem as palavras-chave, começam a compreender a ênfase do autor. Se vocês simplesmente forem lendo, como acho que Lance costumava dizer — ah, não acho que era Lance; vou lembrar de outra pessoa —, “lá-lá-lá”, passando superficialmente pelo texto sem descobrir essas palavras-chave, perderão o ponto central do autor.
Então, antes de tudo, a palavra mais importante nesta última seção de Romanos 4 é fé. Por que vocês acham que é assim? Simplesmente porque Deus está buscando um povo de fé.
Vocês se lembram do que o Senhor Jesus disse em Lucas 18, quando falou sobre a parábola do juiz injusto? O ponto central era que os homens devem orar sempre e não desfalecer. Mas, quando Ele chegou ao final, aquilo quase pareceu uma contradição em relação a essa questão da oração. Ele disse:
Quando vier o Filho do Homem, encontrará fé na terra?
Essa é uma declaração muito importante de nosso Senhor Jesus. Em outras palavras, ao final de tudo, quando Ele vier e encontrar um povo, será esse povo um povo de fé, como Abraão foi? Esse é o ponto central daquela parábola em Lucas 18:1-8.
Portanto, essa expressão muito importante em Romanos 4:16 é o princípio da fé. Toda a vida cristã se baseia nesse princípio. Deus usa princípios porque eles são os Seus caminhos, e este é o caminho para o Seu povo: o princípio da fé. Se não compreendermos sua importância, não poderemos viver a vida cristã. Essa é a questão.
Agora, o dicionário define o que são princípios. É bastante interessante a maneira como esse dicionário humano, secular, define princípios. Aliás, no exemplo que vem depois da definição, ele diz: “o princípio do cristianismo”. Achei isso surpreendente. Até o dicionário secular usou esse exemplo.
Mas um princípio é uma verdade fundamental. Esta é a verdade mais fundamental. É uma proposição que serve de fundamento para um sistema. É uma verdade que serve de alicerce. Mais do que isso, se vocês examinarem cuidadosamente, é um fundamento para um sistema de crenças ou de comportamento, ou para uma cadeia de raciocínio. O exemplo é o princípio básico do cristianismo.
Agora, Paulo começa Romanos 4:13 com duas palavras que usava frequentemente: não e mas. Podemos pensar que são palavras dispensáveis. Aliás, com essa minha espécie de dislexia, muitas vezes deixo passar essas palavrinhas quando estou lendo, e Linda me avisa quando omito um tu ou um e. Mas elas não eram palavras pequenas para o apóstolo Paulo. Significavam tudo. Por meio dessas palavras simples, ele deixava seu argumento absolutamente claro, vez após vez.
Romanos 4:13 diz:
Porque não foi pela lei que veio a promessa a Abraão ou à sua descendência de que seria herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé.
Essas duas coisas — lei e fé, ou o princípio da lei e a justiça que vem pela fé — são princípios totalmente contraditórios. Não são a mesma coisa. São estradas divergentes que nunca se encontram. São a antítese uma da outra.
Paulo quer estabelecer esse como seu primeiro ponto nesta última seção: não pela lei, mas pela justiça da fé. Esses dois princípios estão claramente ilustrados: o princípio da lei e o princípio da fé.
Gosto do que William R. Newell disse: “Fé e lei são princípios contraditórios”. Não são a mesma coisa, e precisamos enxergar isso. Esse é o ponto central do final de Romanos 4.
Vocês não podem compreender o Antigo Testamento, não podem compreender o Novo Testamento e não podem compreender a Bíblia inteira a menos que entendam que esses dois princípios são mutuamente exclusivos. Quero deixar isso muito claro, porque, à medida que avançamos no texto, isso muda nossa visão do que é a vida cristã.
Se estamos debaixo da lei, o que isso significa? Se estamos debaixo da justiça da fé, o que isso significa? É muito importante. Por isso Paulo começou por essa questão.
Vocês começam a perceber que essa expressão domina Romanos e Gálatas. Gálatas, para aqueles que talvez não saibam, é o livro que acompanha Romanos, mas tem uma ênfase mais direta ou mais delimitada. Gálatas trata de lei e graça. No fundo, é disso que ele trata: lei e graça.
Romanos é muito mais amplo em seus dezesseis capítulos. Ele aborda muito mais coisas. Mas ambos estão centrados em explicar esses dois princípios ao povo de Deus: aquilo pelo qual não vivemos e aquilo pelo qual vivemos. Esse é o ponto central do princípio da fé: essas duas estradas divergentes.
Deixem-me refrescar a memória de vocês, caso achem que estou exagerando. Abram em Romanos 1:16-17. Para compreenderem o livro de Romanos, vocês precisam entender que esses são os versículos que apresentam seu tema central. Esse é o resumo de Romanos. Essa é a importância de Romanos.
Porque não me envergonho das boas-novas, pois são o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.
Porque nelas se revela a justiça de Deus pelo princípio da fé para a fé, conforme está escrito: Mas o justo viverá pela fé.
Esse é o ponto central de Romanos. Irmãos e irmãs, como vivemos a vida cristã? Por meio de regras religiosas? Por meio de mandamentos impostos, ainda que sejam mandamentos divinos, dizendo: “Você fará isto”, ou: “Você viverá desta maneira”, ou: “Você viverá daquela maneira”? Ou por meio da vida que vem pela justiça da fé, que se baseia inteiramente na graça?
Se vocês não compreenderem isso, viverão uma vida cristã confusa. Estarão constantemente debaixo de culpa por causa de seus fracassos. Estarão constantemente pensando em como são miseráveis, em certo sentido. Se não acreditam em mim, leiam Romanos 7, porque ainda vai demorar até chegarmos lá. Paulo era uma criatura miserável quando pensava que precisava viver debaixo da lei.
Mas foi somente quando descobriu a liberdade, a graça e o poder de viver debaixo da justiça da fé que sua vida foi totalmente transformada. É disso que trata esta última seção.
Essa expressão, “o princípio da fé”, aparece em Romanos 4:16, Romanos 5:1, Romanos 9:30 e Romanos 9:32, se vocês estão fazendo anotações. Mas aparece oito vezes em Gálatas. Não vou citar todos esses versículos. Vocês podem encontrá-los por si mesmos. Mas, em Gálatas, Paulo enfatizou que precisamos compreender o princípio da fé.
Vou ler apenas um versículo. Abram em Gálatas 2:16. Talvez isso os ajude a compreender a ênfase de Paulo nesse livro.
Sabendo que o homem não é justificado pelo princípio das obras da lei, mas pela fé de Jesus Cristo, também nós temos crido em Cristo Jesus, para sermos justificados pelo princípio da fé de Cristo, e não pelas obras da lei; porque, pelo princípio das obras da lei, nenhuma carne será justificada diante de Deus.
Vocês entendem isso? É muito importante: nenhuma carne será justificada. Essa é a importância do que Paulo nos deixou. Precisamos compreender isso. Precisamos reconhecer que é o princípio mais importante e fundamental de toda a vida cristã.
Foi isso que Abraão descobriu quatrocentos e trinta anos antes de a lei chegar. Se não acreditam em mim, leiam Gálatas 3:17. O texto diz que uma aliança estabelecida com Abraão não é anulada porque outra aliança veio depois, quatrocentos e trinta anos mais tarde.
A aliança anterior era o fundamento. Depois veio a lei, e daqui a pouco vamos tratar disso: por que a lei entrou em cena. Sei que isso é um mistério para a maioria das pessoas.
Mas deixem-me dizer, antes de tudo, a vocês, gentios: quando estive em Israel, eles nos chamavam — acho que é uma gíria, provavelmente uma palavra um pouco ofensiva — de goyim. Foi assim que me chamaram. Eu sou um goy. Preciso pesquisar isso; ainda não pesquisei. Mas nós somos gentios. Vocês não têm a lei. Vocês não vivem debaixo da lei.
É um mistério para mim que cristãos gentios que se chamam de cristãos messiânicos voltem e abracem a lei. Nunca foi essa a intenção. A maioria de vocês nesta sala, a menos que sejam judeus — judeus de nascimento —, não está debaixo da lei. De modo algum.
Portanto, esses versículos deixam claro que a justiça da fé veio a Abraão para que toda a descendência — as nações, os gentios, os judeus — pudesse ser incluída, e ninguém fosse excluído. Pensem só: se a justiça se baseasse na lei, cada um de nós seria excluído. Nenhum de nós seria incluído.
É disso que trata esta seção. Nada que o homem possa fazer por meio de seus atos religiosos, ou tentando seguir regras divinas, pode conduzir à justificação. Nada que vocês possam fazer. Essa é a história de Abraão. Ele creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Essa é a revelação que vemos em Abraão.
Nada que o homem possa fazer. Tudo o que o homem faz é excluído, exceto crer em Deus.
Romanos 4:14 diz:
Porque, se os que são da lei são herdeiros, a fé é esvaziada, e a promessa é anulada.
Essa é uma declaração muito clara e direta. Ele não poderia ter sido mais claro. É por isso que chamo este livro de uma obra-prima. Ele é absolutamente claro.
Vejam Romanos 4:15:
Porque a lei produz ira, mas onde não há lei também não há transgressão.
A lei, irmãos e irmãs, nunca teve o propósito de justificar. Nunca. Seu propósito era convencer-nos do pecado. Era expor nossos pecados. Era mostrar-nos que não podíamos corresponder àquela exigência santa. Ela é justa e santa, mas esse era o propósito da lei. Ela tinha o propósito de expor os pecados.
Gálatas 3:24 fala disso desta maneira:
Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo, para que sejamos justificados pelo princípio da fé.
Na versão King James, usa-se a palavra schoolmaster, mestre-escola: “o mestre-escola para nos conduzir a Cristo”. Agora, é verdade, a lei era um mestre-escola severo.
Sabem, quando eu ia à escola — vocês detestam quando os mais velhos dão essas ilustrações —, eu não caminhava dezesseis quilômetros na neve para ir e trinta e dois quilômetros na neve para voltar, nada disso. Mas eu tinha um mestre-escola que, por acaso, era meu treinador de futebol americano. Era o treinador Bailey, e ele era o responsável pela disciplina na Brookland Junior High School.
Agora, sei que vocês chamam essa etapa de middle school. Isso ainda me confunde. Mas, no meu tempo, chamávamos de junior high school. Lembro que o treinador Bailey tinha uma palmatória em sua sala. Ele era o responsável pela disciplina. Costumava dar palmadas nos alunos com ela.
Sei que vários de vocês, pais, vão desmaiar só de pensar que um diretor ou vice-diretor, como ele era, realmente daria palmadas em uma criança com uma palmatória. Vou contar um pequeno segredo: acho que estaríamos melhor se ainda tivéssemos palmatórias nas escolas. Ah, pela primeira vez ouvi uns améns. Acho que estaríamos melhor. Desculpem, jovens. Sei que isso é impensável para vocês.
Mas nunca vou me esquecer: certa vez, o treinador Bailey me pegou. Minha mãe fabricava cigarros — isso foi quando eu era incrédulo; ainda não era salvo —, quando trabalhava como operadora de máquinas de cigarros na Philip Morris. Hoje eles têm um nome mais bonito, mais apresentável, mas isso foi na época em que o tabaco reinava por aqui e em Petersburg.
Minha mãe tinha aquelas sacolas cheias de Marlboros. Eu era o homem do Marlboro no bairro. Todos os meninos, todos os adolescentes, vinham me procurar para conseguir Marlboros.
Lembro que, um dia, tive a completa falta de juízo de ficar no banheiro masculino da Brookland Junior High School fumando um Marlboro, e o treinador Bailey entrou. Foi terrível. Nunca vou me esquecer.
Primeiro, fui para a sala dele. Depois, como eu era um de seus atletas, ele disse: “Espere até esta tarde”. Acho que o tempo na sala dele foi mais fácil do que a tarde.
Mas, irmãos e irmãs, o ponto central é este: a lei é um mestre-escola, um mestre-escola severo, que nos conduz a Cristo. Esse era o seu propósito. Era mostrar a nossa injustiça. Ela é como uma enorme lupa divina, até com uma daquelas lentes especiais de ampliação extra, pela qual vemos o pecado como ele realmente é.
Esse era o único propósito da lei. Suas exigências são inflexíveis. Se vocês não acham que é assim, leiam Tiago 2:10.
Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto é culpado de todos.
Pensem nisso. Eu diria que ficava feliz quando tirava noventa e cinco na escola, por mais raro que isso fosse no ensino médio. Mas pensem: um ponto. Dez mandamentos, um ponto. Pensem nisso. Esse é o terror da lei.
Agora vocês entendem por que Paulo disse: “Não pela lei, mas pela justiça da fé”? É impossível. A lei é impossível para nós. Seu propósito era apenas expor.
Romanos 3:20 diz:
Por isso, pelas obras da lei, nenhuma carne será justificada diante Dele; porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
Se vocês lerem Romanos 10 — e não vamos dedicar tempo a lê-lo agora —, quando o texto fala sobre a eleição, os filhos de Israel, as nações e o mistério da eleição, ele diz muito claramente que o problema dos judeus era confiar em uma justiça baseada na lei, no exterior. Eles não confiavam em uma justiça baseada no princípio da fé. Essa é a principal questão de Deus com eles.
Vocês poderiam dizer: “Bem, isso parece uma troca enganosa. Por que Deus lhes deu aquela lei que eles nunca poderiam cumprir desde o início?”. Foi para que enxergassem, soubessem e entrassem na realidade do que significa viver pela fé. É disso que se trata.
O versículo 16 é o resumo de Paulo nesta primeira seção. Há uma palavra importante que Paulo usa frequentemente em seus escritos, traduzida como portanto:
Portanto, é pelo princípio da fé, para que seja segundo a graça.
É graça. Graça e lei não poderiam ser mais diferentes. Graça é algo que não merecemos. Graça é algo que não podemos realizar por nós mesmos. Lei é algo que tentamos cumprir para atender aos mandamentos divinos. Era disso que Paulo estava tratando.
Nossa, já são duas horas. Ainda não, não é, Evan? O relógio de corrida diz que são apenas 11h34.
Bem, Abraão… Este capítulo diz algumas coisas bastante impressionantes sobre Abraão. Em Romanos 4:13, diz que ele seria herdeiro. Em Romanos 4:16, diz que a promessa é certa para toda a sua descendência e que ele é pai de todos nós.
Não sei se vocês compreendem bem a soberania de Deus em Sua escolha antes da fundação do mundo, mas vocês conhecem o nome Abraão? Aquele homem de uma família idólatra, aquele incrédulo de Ur dos caldeus? O significado de Abrão é “pai exaltado”. Quando o Senhor mudou seu nome para Abraão, em Gênesis 17, creio eu, passou a significar “pai de uma multidão”.
Ele é pai daqueles que andam na fé de Abraão. Mas, em certo sentido, isso não está falando apenas de Abraão. Está falando do herdeiro. Abraão não era o herdeiro do mundo, mas Jesus, nosso Senhor Jesus, é o herdeiro.
Vocês se lembram daquela maravilhosa parábola em que o pai planta uma vinha? É uma ilustração de Deus e de toda a criação. Ele planta uma vinha, coloca nela um lagar e a arrenda a lavradores. Acho que está em Mateus 21, se estou me lembrando corretamente.
Naquela parábola, chegou o tempo de receber os frutos do senhor da vinha, e ele enviou servos. Mataram um, espancaram outro e fizeram todas aquelas coisas terríveis. Então o senhor enviou outros servos. Agora, vocês sabem do que isso está falando? Está falando dos profetas. Ele estava sempre enviando pessoas aos filhos de Israel para que seus olhos fossem abertos, mas, por causa da cegueira da lei, seus olhos estavam fechados.
Então o senhor disse: “Enviarei a eles meu único filho. Respeitarão meu filho”. Vocês se lembram dessas palavras? “Respeitarão meu filho.” Mas, quando Seu Filho veio, disseram: “Este é o herdeiro”. Essas foram as palavras deles. Cristo é o herdeiro. Tudo o que recebemos é por causa de Cristo. É por meio Daquele que é o herdeiro; e eles O mataram.
Vocês não acham que essa é uma história da criação, desde o início em Gênesis 1 até a morte de nosso Senhor Jesus na cruz? É disso que trata a parábola do dono da vinha.
Não apenas isso: o texto diz que a promessa é certa para toda a sua descendência. Isso não diz respeito apenas a Abraão, porque, se vocês lerem Gálatas, Paulo deixa muito claro que o seu descendente está sempre no singular. Ele disse: “Seu descendente é Cristo”. É Ele o descendente. É Nele que nós, como filhos, estamos.
Não é Abraão. Ele pode ter sido o pai dos fiéis, ou o pai daqueles que creram na justiça pela fé, mas não é o Pai de todos. Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus veio a Maria Madalena e apareceu a ela depois de Sua ressurreição. Ele disse, em João 20:17: “Vá dizer aos irmãos”:
Subo para Meu Pai e vosso Pai, e para Meu Deus e vosso Deus.
Este é o Pai de todos. Graças a Deus por este capítulo, no qual vemos claramente a única coisa que Deus está buscando: um povo que compreenda o princípio da fé.
Agora, a segunda coisa é que não precisamos apenas compreender o princípio da fé; precisamos também compreender o poder da promessa de Deus. A fé pode se tornar apenas uma palestra, a menos que vocês entendam que ela está inteiramente ligada à promessa de Deus. Essa é toda a resposta.
Tudo isso acontece porque Alguém prometeu que o fará, e Ele nunca falha em Sua promessa. É isso que vemos em Romanos 4:16-20. A justiça da fé se baseia somente na promessa de Deus.
Abraão não fez nada para receber a justificação pela fé. Se vocês lerem este capítulo, verão que Paulo dedicou tanto tempo a Abraão para ilustrar, de uma vez por todas, que tudo o que ele fez foi crer em Deus. Foi isso que ele fez. Não se tratava de uma obra que ele realizou, mas de sua resposta.
Acho que essa é claramente a resposta: precisamos enxergar o poder da promessa de Deus. Isso faz parte da progressão da fé. Não se trata apenas de crermos inicialmente e sermos salvos — e, para muitos cristãos, isso é toda a vida cristã. Acho que ouvi isso ontem à noite de meu irmão: eles estão satisfeitos com isso. Sabem que têm a vida eterna, e é tudo de que precisam.
Mas, na progressão da fé, existe algo muito maior do que isso. Podemos começar a descobrir o poder das promessas de Deus. É exatamente isso que vemos em Abraão.
Deixem-me ler Romanos 4:17:
Conforme está escrito: Por pai de muitas nações te constituí; perante o Deus em Quem creu, o Qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se fossem.
Foi isso que Abraão experimentou. O Senhor vivificou os mortos. Abraão estava morto. Era impossível. Essa é uma palavra forte para dizer a alguém: “Você está morto”. Mas é exatamente isso que Efésios 2 diz sobre nós. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados.
Não havia como vocês se tornarem justos. Era impossível. Vocês nem sequer estavam vivos. Abraão não estava vivo no que dizia respeito à promessa. Ele não podia realizá-la.
Vocês se lembram da história em que Deus lhe disse, em Gênesis 17, que ele receberia um filho. Lembram-se do que o texto diz? Ele caiu no chão, rindo. O texto diz isso de maneira ainda mais expressiva, e gosto muito da forma como a Bíblia apresenta: ele caiu sobre o seu rosto, rindo.
Sara não foi melhor, quando chegamos a Gênesis 18. Vocês se lembram de que vieram três homens e, aliás, acho que um daqueles três homens era o próprio Deus. Acho que foi uma daquelas aparições do Senhor Jesus antes da encarnação, porque, se vocês lerem o que Aquele diz a Abraão, verão que Ele fala na primeira pessoa. É Deus falando com eles.
Deus precisou aparecer a Abraão para lhe mostrar o poder da promessa. Deus precisa aparecer a nós para nos mostrar o poder da promessa.
Em Gênesis 18, Sara estava preparando comida para aqueles três homens, conforme as instruções de Abraão. Aquele que falou, e que creio ser o próprio Deus — nosso Senhor —, disse: “E Sara? Daqui a um ano, nesta mesma época, Sara terá um descendente, dará à luz um filho”.
Sara, na tenda, ouvindo enquanto preparava a comida, estava rindo. Então Deus disse: “Você riu?”. Ela não foi melhor do que Abraão. Se vocês acham que Abraão era justo em si mesmo, esses dois queridos personagens do Antigo Testamento mentiram para Deus.
Abraão disse: “Eu não ri”. Deus foi muito paciente. Ele nos conhece inteiramente. Disse: “Muito bem, vamos chamar o menino de Isaque”, que significa riso. Acho que isso foi a genialidade de Deus.
Então, quando Sara disse: “Ah, eu não ri”, Ele disse: “Ah, você também não riu”. Depois Deus simplesmente disse: “Você riu”. E esse foi o fim da história.
Ah, como isso é impossível para nós, a menos que realmente enxerguemos a promessa de Deus. Não há nada que possamos fazer. Não há nada que possamos fazer por nós mesmos. Mas, quando vocês enxergam o poder — ali está a promessa de Deus —, há poder nessa promessa para nos ajudar e nos capacitar a crer.
Voltando a Gênesis 18. Vocês se lembram do que Deus disse a Abraão, em Gênesis 18:14?
Há alguma coisa demasiadamente difícil para o Senhor?
Essa foi a Sua palavra: “Há alguma coisa demasiadamente difícil para o Senhor?”. Abraão não conseguia acreditar. Ele caiu sobre o rosto, rindo. Depois mentiu sobre ter rido.
Vocês se lembram de Maria, a mãe de Jesus. Quando o Senhor apareceu a Maria e lhe disse que ela teria um Filho, e que Seu nome seria Jesus, Ele explicou, em Lucas 1:37:
Porque para Deus nada será impossível.
Por que isso acontece? Porque as promessas de Deus contêm em si um poder tão grande que Ele pode tornar possível o impossível. Essa foi a história de Abraão. Seu corpo estava amortecido; ele não podia ter um filho. O texto diz, até neste capítulo, que ele considerou o amortecimento do ventre de Sara. Ela não podia ter um filho.
Não era uma situação em que seria difícil e eles precisariam de medicamentos para fertilidade. Era absolutamente impossível — exceto por uma diferença: havia uma promessa. Essa promessa tinha um poder incrível.
Irmãos e irmãs, vocês sabem disso? Sabem que a promessa tem um poder incrível?
Vejam Romanos 4:19-20:
E, não sendo fraco na fé, não considerou o seu próprio corpo já amortecido, tendo cerca de cem anos, nem o amortecimento do ventre de Sara;
E não hesitou diante da promessa de Deus por incredulidade, mas encontrou força na fé, dando glória a Deus.
Irmãos e irmãs, algo aconteceu em Abraão. Quando a promessa se tornou realidade, ele foi fortalecido interiormente.
Agora, se vocês acham que essa progressão da fé significa que a fé de Abraão ficou mais forte, estão enganados. Acho que o irmão Darby teve uma percepção iluminada quando disse: “Esta não é a fé de Abraão. Esta é uma fé que é dada. Esta é uma fé que nos é disponibilizada”.
Quando começamos a meditar na promessa de Deus, Ele desperta em nós o que se chama de fortalecimento interior da fé. Essa não é a fé de Abraão. É a fé do Senhor Jesus Cristo.
Aprecio muito o fato de Romanos usar essa expressão: “a fé do Senhor Jesus Cristo”. Desculpem-me, mas há muitas traduções que a traduziram como “fé no Senhor Jesus Cristo”. Acho que é muito mais do que isso. Deus faz algo por meio dessa promessa, e coloca essa fé dentro de nós.
Há um fortalecimento interior quando Ele coloca essa fé em nós. Darby disse que isso significa literalmente “agraciado com força”. Ele não tinha a força. Seu corpo estava amortecido. Ela não tinha a força. Seu ventre estava amortecido. Mas Deus fez algo quando fez aquela promessa. Ele entrou neles e gerou neles uma fé que não vinha deles mesmos.
Isso é Romanos 4. Como é maravilhoso. É isso que significa a justiça da fé, queridos irmãos e irmãs. Como precisamos responder corretamente à promessa de Deus.
Se respondermos corretamente, a promessa de Deus poderá nos transformar. Mas precisamos, antes de tudo, compreender que não se trata de nossa força, de nosso poder nem de nossa fé. É algo concedido, algo realizado dentro de nós quando Deus nos dá revelação e enxergamos a promessa.
É isso que significa a concessão da fé em Efésios 2. Como a nossa fé é fraca! Quando isso aconteceu, algo ocorreu em Abraão. Ele não hesitou diante da promessa de Deus. Não é maravilhoso?
Quando Deus o fortaleceu, quando Deus lhe deu aquela revelação — “Esta é a Minha promessa. Há alguma coisa demasiadamente difícil para o Senhor?” —, ele foi transformado interiormente. Então pôde crer na promessa de Deus pelo poder da promessa de Deus.
O testemunho da própria Sara, conforme registrado em Hebreus 11:11, foi:
Pela fé, também a própria Sara recebeu força para conceber um descendente e deu à luz um filho, já fora da idade, porque julgou fiel Aquele que havia prometido.
Observem o que o texto diz. Sublinhem em suas Bíblias, se não se importam de sublinhar: recebeu força. Não diz que Sara tinha força. Diz que ela recebeu força para conceber um descendente e deu à luz um filho quando já havia passado da idade. Impossível, não é? Porque julgou fiel Aquele que havia prometido.
Que diferença! Essa é a progressão da fé. Quando chegamos ao ponto de dizer: “Senhor, para nós é igualmente impossível. Mas, Senhor, poderias despertar em mim esse fortalecimento interior? Poderias conceder-me esse dom da fé, para que eu também não hesite diante da promessa de Deus?”.
Vocês se lembram de Tomé, o incrédulo, coitado. Ele terá de carregar para sempre a fama de ter duvidado e não ter crido. Vocês se lembram de que ele disse com toda a firmeza: “Não crerei, a menos que pegue meu dedo e o coloque nas feridas de Suas mãos. Não crerei, a menos que pegue minha mão e a coloque na ferida de Seu lado”.
Então aconteceu algo maravilhoso: o Senhor apareceu a ele. Imagino que, naquele momento, ele tenha ficado um pouco mais humilde. O Senhor apareceu e disse: “Tomé” — Dídimo, vocês sabem, o gêmeo; aparentemente ele tinha um irmão gêmeo. Fico imaginando se os dois duvidavam.
Mas Ele disse: “Venha aqui. Pegue seu dedo e coloque-o em Minha mão. Venha aqui. Pegue sua mão e coloque-a na ferida da lança”. Ali fica claro que Tomé não fez isso. Acho que Tomé estava convencido. Deus fortaleceu aquele que duvidava para que cresse.
O Senhor, de fato, teve uma palavra um pouco mais direta para ele. Disse, em João 20:29:
Tu crês porque vês. Bem-aventurados os que creem e não veem.
Mas creio que, naquele momento, aquele que duvidava foi transformado. Que maravilha. Esse é o poder da promessa de Deus.
Então vocês examinam essa questão de estar plenamente convicto. Deixem-me ler Romanos 4:21-22. Voltem ao capítulo 4, caso achem que eu o abandonei.
E estando plenamente convicto de que o que Ele havia prometido também é poderoso para fazer.
Por isso, também lhe foi imputado como justiça.
Esse é o segredo. Já chegamos ao ponto, na progressão da fé, em que estamos plenamente convictos — não de nossas circunstâncias, não de nossa própria força, não mais de nossas capacidades, mas simplesmente de que Aquele que prometeu também é poderoso para realizar?
Essa é uma mudança profunda para um cristão. Quando chegamos a esse ponto, podemos dizer, como o apóstolo Paulo: “Estou plenamente convicto”, não por causa do que consigo alcançar, mas simplesmente porque Tu prometeste. Quando Tu prometes, a promessa nunca pode falhar.
Acho que isso é tão claro quanto qualquer coisa pode ser. Esse é o testemunho de Abraão, e deve ser o testemunho de todo cristão.
“Plenamente convicto” é uma expressão de Paulo. É uma expressão usada somente por Paulo. Se vocês pesquisarem, ninguém mais usou essa expressão. Paulo disse, perto do final desta carta — acho que no capítulo 14 —: “Cada um esteja plenamente convicto em sua própria mente”, falando de dias e de coisas semelhantes, a respeito dessas questões.
Depois, quando escreveu sobre seu filho Timóteo, em seu último escrito, disse em 2 Timóteo que Timóteo havia sido plenamente convencido desde a juventude. Ah, que nos tornemos plenamente convictos!
Acho que esse era o objetivo claro da progressão da fé em Romanos 4: que fôssemos como Abraão e que também pudéssemos dizer que estamos plenamente convictos.
Vocês se lembram de que o apóstolo Paulo usou isso como seu próprio testemunho cinco vezes em suas epístolas. Ele disse: “Estou convicto”. Esse era o testemunho de Paulo. Era o testemunho de Abraão. Era o testemunho de Sara. Esse deve ser o nosso testemunho na progressão da fé.
Que o Senhor faça isso. Paulo, quando escreveu Filipenses 1:6, disse:
Tendo confiança nisto mesmo: que Aquele que começou em vós uma boa obra a completará até o dia de Jesus Cristo.
Esse é o segredo de estar plenamente convicto: crer Naquele que prometeu, não crer em nossas circunstâncias, não olhar para nossa condição, não olhar para nossos fracassos, não olhar para tudo o que está fora do lugar, mas olhar somente para Aquele que prometeu, porque só Ele é poderoso para realizar.
Então chegamos à última seção: a imputação da fé. Vou ler novamente esses versículos, Romanos 4:23-25:
Ora, não foi escrito somente por causa dele que lhe foi imputado,
Mas também por nossa causa, a quem será imputado, a nós que cremos Naquele que ressuscitou dentre os mortos Jesus, nosso Senhor,
O Qual foi entregue por nossas ofensas e ressuscitou para nossa justificação.
Esse foi o pensamento conclusivo de Paulo neste capítulo. Não foi escrito somente para Abraão. Irmãos e irmãs, se tivesse sido escrito somente para Abraão, seria apenas uma lição de história do Antigo Testamento.
Às vezes, acho que é assim que olhamos para o Antigo Testamento. Ficamos admirados com homens e mulheres de fé, como Débora, e dizemos: “Olhem para eles. Ah, se eu fosse como eles!”. Bem, vocês sabiam que o propósito de Deus é que sejam como eles?
Esse era o ponto central. Esse era o pensamento conclusivo. Esse era o resumo do ensino de Romanos sobre Abraão. Não foi escrito somente para o benefício dele, mas para o nosso benefício.
Também por nossa causa: nós que cremos Naquele que ressuscitou dentre os mortos Jesus, nosso Senhor, O Qual foi entregue por nossas ofensas e ressuscitou para nossa justificação. Isso nos será imputado.
Irmãos e irmãs, acho que a palavra nossa deveria estar toda em letras maiúsculas e em negrito. Se eu pudesse imprimir a Bíblia novamente, é isso que faria. Foi escrito para NÓS.
O que aconteceu com Abraão não foi apenas para Abraão. O que aconteceu com Sara não foi apenas para Sara. O que aconteceu com aqueles de Hebreus 11, a galeria da fé, não foi apenas para eles. Porque, sem nós, eles não serão aperfeiçoados; é assim que Hebreus 11 termina.
Ele está buscando um povo — um povo sobre o qual possa dizer: “Agora, aí está a fé”. É isso que significa a imputação da fé.
Vocês se lembram de que lhes falei sobre a importância dessa palavra, imputação. Se vocês não a enxergarem no livro de Romanos, nunca compreenderão o livro de Romanos. Ela significa que Deus fez algo, inteiramente por Sua própria iniciativa, e o aplica a nós. Portanto, Ele o considera verdadeiro.
Não importa se vocês o consideram verdadeiro. O que importa é que Ele o considera verdadeiro. Essa é a imputação da fé. Na progressão da fé, Deus finalmente diz: “É verdade”.
Não era verdade apenas a respeito dele. Não era verdade apenas a respeito dela. É verdade a respeito de vocês. Nós mesmos somos considerados justos.
Gosto muito do que um autor disse. Acho que ele expressou isso melhor do que eu consigo. Tenho lhes dito frequentemente que este livro de Romanos apresenta o tribunal divino e o Juiz divino. Foi isto que ele disse: “Nossa justificação é um ato judicial soberano”.
Vocês entendem o que isso significa? Significa que vocês não tiveram nenhuma participação nisso, a não ser aceitá-lo. Quando Ele lhes deu fé, fortaleceu-os no homem interior e os agraciou com fé, vocês creram. Essa é a única razão pela qual são salvos. Não existe outra razão.
Então ele continuou dizendo que, quando um pecador está para ser justificado, justo é precisamente o que ele não é. Achei isso muito profundo. Algumas pessoas falham aqui. Dizem: “Ah, agora sou justo”. Não, você não é. Você é considerado justo.
Deus o vê como justo. Deus o declara justo por causa da obra de justiça realizada na cruz. Você não é justo. Está confundindo santificação com justificação.
Esse é o final dessa progressão — o progresso da fé. Somos considerados justos. É isso que significa. Essa deve ser a experiência de todo cristão.
Agora, deixem-me ler um versículo, e vou encerrar. Esta é a conclusão. Vocês conhecem isso, certo? Acho que já conhecem 2 Pedro 1:4. Esse texto fala sobre o poder das promessas de Deus.
Pelas quais Ele nos tem dado as maiores e preciosas promessas, para que, por elas, nos tornemos participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela cobiça.
Agora, frequentemente falamos da Bíblia como um livro de superlativos, mas isso a leva a um nível completamente diferente. O texto não fala das promessas, simplesmente das promessas. Fala das grandes promessas.
Não fala apenas das grandes promessas. Fala das grandíssimas promessas. Não fala apenas das grandíssimas promessas. Fala das preciosas promessas.
Então diz a coisa mais extraordinária. Se não estivesse nesta Bíblia, todos vocês me chamariam de mentiroso. Mas ele disse que, por meio delas — por meio desses atos de Deus —, vocês se tornarão participantes da natureza divina.
Pode haver algo maior do que isso? Não pode haver nada melhor do que isso. Agora, tenham cuidado com o que fazem com esse versículo. Ele não fala de o homem se tornar Deus. Não fala de vocês se tornarem divinos. Fala de vocês participarem da natureza divina por meio das promessas de Deus.
Agora Cristo está em vocês, o que é a esperança da glória, o mistério oculto em Deus ao longo dos séculos, mas agora manifestado.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a progressão da fé. Abraão não apenas creu em um momento, e tudo terminou ali. Abraão continuou. Deus continuou trabalhando nele até o ponto em que ele não mais olhava para suas circunstâncias.
Ele não olhava mais para as impossibilidades, mas considerava as promessas Daquele que não podia mentir. Quando fez isso, descobriu que algo milagroso havia acontecido em seu interior. Houve uma concessão de fé que o transformou para sempre.
O resultado foi que ele se tornou plenamente convicto. Então Paulo concluiu: isso não foi escrito apenas para o benefício dele, mas para o nosso.
Que Deus encontre hoje um povo assim. É isso que Ele está buscando. Foi precisamente isso que Ele quis dizer quando disse, em Lucas 18:8:
Quando vier o Filho do Homem, encontrará fé na terra?
É isso que Ele busca.
Senhor, entregamos a Ti a Tua Palavra, para que as Tuas palavras se tornem mais reais para nós. Senhor, não sei se conseguimos explicar essas coisas. Tentamos, de maneira insuficiente. Mas somente o Espírito Santo pode tomar palavras de vida e colocá-las dentro de nós.
Assim, o que Tu prometeste, Tu também és poderoso para realizar. Mas pedimos que mudes a nossa maneira de olhar para as coisas. Não nos deixes olhar apenas para a lei — para o que é exigido de mim —, mas permite que aprendamos a viver pela justiça da fé, que é a fé do próprio Senhor Jesus Cristo.
É o que pedimos no precioso nome de Jesus. Amém.