Estão prontos? Está bem.
Bom dia. É bom ver todos vocês.
Pediram-me que desse um aviso, então me perdoem por começar com um aviso. Vamos projetar o texto para que vocês possam acompanhar a versão da qual estamos lendo. Também faremos isso quando lermos um versículo durante a mensagem.
Agora, vocês sabem, não dá para prender os pregadores tanto quanto gostaríamos. Quando estiverem falando de improviso e apenas mencionarem um versículo, não tentaremos projetá-lo. Mas faremos isso por alguns motivos: todos poderão acompanhar onde estamos, isso ajudará o intérprete na tradução e nos manterá juntos. Então vamos começar a fazer assim. Falaram comigo sobre isso na segunda-feira à noite, e espero ter dado o aviso pelo menos parcialmente certo. Foi isso que você me disse? Está bem. Certo.
Se vocês abrirem em Romanos 3, vamos ler. Nesta manhã, trataremos de apenas onze versículos: o final de Romanos 3, porque, da última vez, estudamos os primeiros vinte versículos. Esta é a passagem de Romanos 3:21-31, e faremos a leitura na versão Darby.
Mas agora, sem lei, a justiça de Deus é manifestada, testemunhada pela lei e pelos profetas;
justiça de Deus pela fé de Jesus Cristo para todos, e sobre todos os que creem: porque não há diferença,
pois todos pecaram e estão aquém da glória de Deus;
sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus;
a Quem Deus apresentou como propiciatório, mediante a fé no Seu sangue, para demonstração da Sua justiça quanto ao passar por alto os pecados anteriormente cometidos, pela tolerância de Deus;
para demonstração da Sua justiça no tempo presente, de modo que Ele seja justo e justifique aquele que é da fé de Jesus.
Onde está, então, a vanglória? Foi excluída. Por qual lei? Das obras? Não, mas pela lei da fé;
pois consideramos que o homem é justificado pela fé, sem obras de lei.
É Deus somente o Deus dos judeus? Não é também das nações? Sim, também das nações:
visto que há um só Deus, que justificará a circuncisão pelo princípio da fé, e a incircuncisão mediante a fé.
Anulamos, então, a lei pela fé? De modo nenhum: antes, estabelecemos a lei.
Vamos orar.
Pai, mais uma vez, como sempre, nós nos achegamos a Ti e apresentamos a Tua Palavra de volta a Ti. Só podemos compreendê-la, Senhor, quando Tu a iluminas pelo Teu Espírito Santo.
Pedimos a Ti, nesta manhã, que ilumines estas palavras que lemos, e que as Tuas palavras, que são vida e espírito, se tornem vivas para nós enquanto compartilhamos; que aquilo que é verdadeiro na Palavra de Deus, aquilo que está escrito na Palavra de Deus, se torne parte da nossa experiência cotidiana.
Faz com que seja assim, Senhor. A Tua Palavra diz com tanta clareza: aquilo para o qual Tu envias a Tua Palavra será realizado. E juntos nos firmamos nisso, no precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, nesta manhã lemos apenas estes onze versículos. A esta altura, vocês talvez estejam pensando que nunca terminaremos o livro de Romanos. De qualquer forma, ainda vai levar algum tempo.
A razão de estudarmos estes onze versículos é que eles são importantes demais para passarmos por eles com pressa. Se perdermos o que está nestes onze versículos, perderemos toda a mensagem de Romanos. Espero que, daqui a pouco, vocês percebam que isso não é um exagero da minha parte.
A justificação pela fé é a mensagem do livro de Romanos. É a mensagem pela qual começamos. Não podemos iniciar a vida cristã sem compreender, em nossa experiência, a justificação pela fé. Não podemos nos aproximar de um Deus santo sem compreender a realidade da justificação pela fé.
Estaríamos para sempre perdidos, como estranhos e estrangeiros em relação a Deus, se não compreendêssemos esta questão da justificação pela fé. Portanto, é disso que trataremos nesta manhã.
Agora, quando chegamos a este capítulo, encontramos notícias muito boas. Sei que vocês tiveram paciência comigo enquanto percorremos, de maneira bastante minuciosa, a passagem de Romanos 1:18 a Romanos 3:20. Não lamentem o tempo que dedicamos a isso, nem lamentem que o apóstolo Paulo tenha usado quase três capítulos para descrever a condição do homem.
Se vocês não compreenderem a condição do homem — a condição absolutamente corrupta do homem, a condição absolutamente sem esperança do homem —, nunca compreenderão o milagre da justificação pela fé. É um milagre.
O que acontece aqui é uma mudança enorme nesta carta. Há um novo começo nesta carta. Aquela falta de esperança e aquele desespero surgiram enquanto líamos uma descrição tão específica e de tamanha precisão cirúrgica. Sabem, eu gosto dessa expressão: tamanha precisão cirúrgica.
Paulo dissecou cada pensamento do homem, cada comportamento do homem, cada argumento do homem, cada raciocínio do homem; e então, com essa precisão cirúrgica, chegou à conclusão expressa em Romanos 1: portanto, homem, você é indesculpável. Ele começa esse mesmo pensamento em Romanos 2:1:
Ó homem, és indesculpável.
Quando pensamos nisso, não há justificativa alguma para que sejamos salvos. E essa é a glória à qual chegamos aqui, no final deste terceiro capítulo. É uma grande virada no livro.
Lembrem-se da cena. Não se esqueçam da cena. Talvez vocês pensem que estou tomando uma liberdade com o texto. Fiquei muito satisfeito ao ler, anos mais tarde, depois de o Senhor parecer ter gravado esse pensamento em mim, que isso não é tomar uma liberdade com o texto. Muitos enxergaram isso: este é um tribunal divino.
É o Juiz divino sentado em Seu trono, julgando com justiça. Nos capítulos anteriores, lemos aquela expressão poderosa: o justo juízo de Deus.
Como seres humanos, tendemos a pensar: “Bem, talvez o juízo de Deus seja um pouco exagerado”. É isso que o mundo pensa. O mundo nos diz: “Como um Deus amoroso pode julgar o homem?”. Bem, se vocês compreenderem o que o apóstolo Paulo apresenta com tantos detalhes nestes três primeiros capítulos, compreenderão como estamos arruinados e quanto precisamos do Salvador.
Portanto, a cena é a do Juiz divino em Seu tribunal divino, e Ele chega a este veredito. Vou ler Romanos 1:32. A propósito, esta passagem fala dos homens e de sua condição:
Os quais, conhecendo o justo juízo de Deus, de que os que praticam tais coisas são dignos de morte, não somente as praticam, mas também se comprazem com os que as praticam.
Este é o veredito. Este é o veredito divino. É isso que somos.
E assim chegamos agora a Romanos 3:21-31. É muito importante que compreendamos aquilo de que o apóstolo Paulo está falando. Este é todo o argumento que Paulo estava esperando apresentar: não temos justiça em nós. E deixem-me ser mais específico: não podemos ter justiça alguma em nós.
Mas Deus começa a agir e realiza um milagre que supera tudo o que foi feito em qualquer uma de Suas curas. Ele realiza um milagre que supera tudo o que fez ao criar o universo. Ele faz o absolutamente impossível quando justifica o homem — o homem injustificável.
Vocês precisam compreender estes onze versículos. Griffith Thomas disse algo sobre eles — e gosto do que ele disse; acho que é a declaração mais clara que já li: “A presente seção constitui o próprio centro do ensino do apóstolo”.
É tamanha a importância destes onze versículos. Eles são o próprio centro daquilo que o apóstolo procurava nos comunicar. A longa jornada do homem na tentativa de alcançar Deus fracassou. Nenhuma obra foi suficiente. Ele examinou os homens religiosos, os homens e mulheres irreligiosos e toda a humanidade; e concluiu, ao final, como diz Romanos 3, que não há um homem justo.
Portanto, é disso que trataremos hoje: desta questão da justificação pela fé. Este é o segredo de Deus. Este é um milagre de Deus. Sei que já disse isso — talvez vocês ainda ouçam mais algumas vezes, e terão de suportar a minha ênfase —, mas este é o milagre de Deus que vai além de tudo o que poderíamos imaginar.
Deus toma o homem que é injusto, que não pode ser justo e que não tem capacidade de ser justo; e realiza uma obra pela qual o considera justo aos Seus olhos. Isso é Romanos 3:21-31.
A passagem começa com uma expressão maravilhosa: “Mas agora”. Eu amo essa expressão. Quando vocês olham para Romanos 3:21, leem: “Mas agora”. É como olhar para tudo o que foi dito naqueles três capítulos e anunciar que algo extraordinário aconteceu.
Agora vemos que Deus fez alguma coisa. Quando o homem fracassou em ser aquilo que Deus buscava, Ele Se moveu. Quando o homem não teve capacidade de fazer aquilo que Deus buscava, Ele agiu. Quando o homem estava completamente corrompido, esse Deus incorruptível fez algo muito além do que poderíamos pedir ou imaginar, como diz Efésios.
Portanto, não passem simplesmente por essas palavras, “mas agora”, como se não tivessem significado. Para o apóstolo Paulo, elas tinham grande significado. Ele disse: “Mas agora, prestem atenção nisto. Deus vai fazer algo que a mente de nenhum homem jamais poderia ter concebido, algo que ninguém sequer poderia ter imaginado ser possível”.
Ele vai fazer algo — mas agora — que é o milagre de todas as eras. Esse é, portanto, o contexto com o qual podemos começar.
Primeiro, vamos examinar esta questão da justiça de Deus manifestada. Não sei se o pequeno esboço que enviei ontem ajudou vocês, mas vamos considerar quatro pontos. O primeiro é a justiça de Deus manifestada.
Vocês notarão que esse título não diz “a justiça do homem manifestada”, porque ela não existe e não pode existir. É a justiça de Deus manifestada.
Voltem a Romanos 1:17. Esse era o prelúdio do que estava por vir, mas Paulo precisava dar aqueles passos necessários para revelar como o homem realmente era.
Porque nele a justiça de Deus é revelada, pelo princípio de fé para fé, conforme está escrito: Mas o justo viverá pela fé.
Assim, quando vocês chegam a Romanos 3:21, a passagem retoma Romanos 1:17, onde Deus revela o segredo de que um grande evangelho seria manifestado. Nesse evangelho estaria a solução para todos os problemas da humanidade e, em particular, a solução que Ele oferece para a questão da justiça: a justificação pela fé.
Romanos 3:21 diz:
Mas agora, sem lei, a justiça de Deus é manifestada.
Ele repete essa expressão tão importante em Romanos 3:22:
Justiça de Deus pela fé de Jesus Cristo para todos, e sobre todos os que creem.
Em outras palavras, Paulo foi tão enfático e quis tanto que compreendêssemos esse segredo que repetiu o que havia dito. E não repetiu apenas uma vez; repetiu duas vezes. Quando vocês chegam a Romanos 3:25-26, ele deixa isso absolutamente claro. Ele fala da “Sua justiça” e então repete, em Romanos 3:26: “Sua justiça”.
Este capítulo não está falando da nossa justiça. Está falando de uma justiça muito maior do que qualquer justiça que poderíamos ter ou imaginar. Está falando de uma nova justiça, uma justiça que é a justiça de Deus.
Ele repete duas vezes, para garantir que vocês não percam de vista de qual justiça se trata: é a Sua justiça. Repete duas vezes para que compreendamos que é disso que está falando.
Sabem, até este ponto, o livro de Romanos nunca menciona a justiça do homem. Leiam esses três capítulos. Examinem-nos; leiam-nos repetidas vezes. Vocês descobrirão que a justiça do homem nunca é mencionada. A injustiça do homem é, sem dúvida, mencionada. Nós não temos justiça.
E então a solução divina de Deus é apresentada aqui. Ele fará algo muito além do que poderíamos imaginar, muito além do que poderíamos esperar, muito além do que julgamos possível; e tudo isso tem a ver com a Sua justiça. Entenderam? Todos estão acompanhando até aqui? Acho que vocês precisam enxergar isso antes de prosseguirmos.
Nunca se fala da justiça do homem naqueles primeiros capítulos. Esta é a justiça de Outro. Vocês entendem isso? Esta é a justiça de Outro. Essa é toda a base do livro de Romanos e da mensagem do glorioso evangelho.
Não é uma justiça que poderíamos ter por nós mesmos. Sei que já disse isso, mas vou me certificar de que vocês compreendam. Não é uma justiça que poderíamos ter por nós mesmos; não é uma justiça que poderíamos conquistar em nós mesmos. É uma justiça concedida por Ele.
Esse é o grande segredo da justificação pela fé. É a justiça de Outro, não a sua. Essa é a definição simples.
Agora, justiça é uma palavra importante em Romanos. Ela é mencionada trinta e oito vezes. Talvez vocês não soubessem disso. É apenas uma pequena informação para que, ao estudarem o livro por conta própria, compreendam que a palavra-chave em todo o livro de Romanos é justiça.
Agora estamos começando a descobrir que o que faz a diferença é de quem é essa justiça. Esse é o segredo. Romanos menciona a justiça mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento. Portanto, é disso que estamos tratando.
Há uma justiça de Outro que é o segredo da justificação pela fé. Essa é toda a história que ele apresenta com essas expressões repetidas: a solução de Deus.
Agora, este é outro ponto importante quando falamos de justificação pela fé, porque muitos cristãos expressam isso de maneira errada. A solução de Deus nunca foi tornar o homem justo. Vocês entendem isso? Às vezes dizemos: “Ele nos tornou justos”. Ele não nos tornou justos.
Vocês estão confundindo a justificação pela fé com a obra santificadora do Espírito Santo. É verdade: uma vez que estamos em Cristo e o Espírito Santo começa a agir, Ele inicia em nós uma obra santificadora — não apenas uma obra justificadora, mas uma obra santificadora. Nessa obra de santificação, o Espírito Santo nos conforma à imagem do Senhor Jesus.
Isso é diferente. Não é disso que estamos falando em Romanos 3. Estamos falando desta primeira coisa: a justificação pela fé.
Ouçam 1 Coríntios 1:30. Vou tentar obedecer e abrir a passagem para lê-la, a fim de que ninguém se perca.
Mas dEle sois vós em Cristo Jesus, o Qual nos foi feito sabedoria da parte de Deus, e justiça, e santidade, e redenção;
para que, conforme está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
Agora, vocês sabem a quem se refere esse “mas dEle”? Refere-se a Deus.
Mas dEle sois vós em Cristo Jesus.
Ouçam isto: “O Qual nos foi feito”. Sublinhem essa expressão na Bíblia de vocês: “O Qual nos foi feito”.
Essa é a expressão-chave que foi revelada aos crentes de Corinto: o Qual nos foi feito sabedoria da parte de Deus, e justiça, e santidade, e redenção. Então olhem novamente:
Mas dEle sois vós em Cristo Jesus.
E, resumindo:
O Qual nos foi feito […] justiça.
Nunca fomos justos. Nunca foi o propósito que fôssemos justos por nós mesmos. Ele realizaria esta obra de transferir para nós — e entraremos nisso daqui a pouco — uma justiça que não é nossa. Porque estamos firmados nessa justiça que é dEle, podemos nos aproximar do Deus vivo e viver sob as Suas bênçãos.
Antes de passarmos deste ponto, certifiquem-se de compreender: a solução de Deus nunca foi nos tornar justos. A solução de Deus, desde o princípio, foi fazer dEle a nossa justiça. Essa é a chave de Romanos 3.
Isso nos diz outra coisa: nossa justiça não é uma coisa. Muitas vezes pensamos no amor, na graça, na misericórdia e em todas essas coisas de Deus. Mas aqui, em 1 Coríntios 1:30, fica perfeitamente claro que nossa justiça, nossa santidade, toda a nossa sabedoria e todas essas outras coisas mencionadas são uma Pessoa, e não uma coisa.
Como isso é maravilhoso. Deus nos deu uma Pessoa. Deus não realizou uma obra em você e disse: “Pronto, Eu o tornei justo. Agora você é justo”. Não, você não é.
Esse é um erro que muitas pessoas cometem ao ler o livro de Romanos. É um erro fatal, porque, quando pensam que de repente se tornaram justas e tentam viver a vida cristã, entram em profundo desespero. O que precisam compreender é a diferença. Portanto, nossa justiça é uma Pessoa. Essa é a chave.
Até mesmo as melhores pessoas, até mesmo as melhores pessoas. Pensem em Nicodemos. Sempre gosto de dizer que, em João 3, Nicodemos é o melhor dos filhos de Israel.
Algumas pessoas menosprezam Nicodemos. Fico um pouco ofendido por ele, se posso ficar ofendido por ele, quando o apresentam como um covarde que foi sorrateiramente — provavelmente essa não é uma boa palavra; minha esposa, formada em Letras, vai ficar maluca — até Jesus durante a noite para fazer uma pergunta, porque estava com medo.
Ele não estava com medo. Queria ter Jesus só para si, a sós, e fazer-Lhe essas perguntas que ardiam em seu coração. Ele cria que Jesus era um mestre enviado por Deus. Ele cria no Senhor Jesus. Esse era o melhor dos filhos de Israel.
E, no entanto, quando foi ao Senhor em busca de uma explicação, a palavra do Senhor interrompeu sua linha de raciocínio, como vocês podem ler em João 3. Ele fez uma pergunta, e o Senhor lhe disse:
Nicodemos, deves nascer de novo.
Agora, por que isso? Sabemos o que significa nascer de novo? Pensamos que é apenas uma experiência que temos quando cremos no Senhor. Mas, irmãos e irmãs, nascer de novo é muito mais do que apenas uma experiência no dia em que cremos no Senhor Jesus.
Nascer de novo significa que agora temos uma nova fonte de vida. É isso que significa nascer de novo. A fonte de vida já não são as nossas capacidades lastimáveis. A fonte de vida agora é esse tesouro divino que é o Filho de Deus.
Quando temos o Filho de Deus em nós, temos tudo de que precisamos para começar a viver a vida cristã. Era isso que Ele procurava fazer aquele homem bom compreender, aquele que era o melhor de todos os homens. Ele lhe disse:
Deves nascer de novo, ou não podes entrar no reino de Deus.
Ele não queria que Nicodemos se esquecesse disso. Então, assim como o apóstolo Paulo repetiu o que havia dito, Ele disse novamente:
Deves nascer de novo para entrar no reino de Deus.
Sem isso, você não pode vê-lo nem entrar nele.
O que você precisa, Nicodemos, com toda a sua sinceridade, toda a sua crença e toda a sua suposta bondade, é de uma fonte de vida inteiramente nova. Portanto, se examinarmos com cuidado, é isso que significa nascer de novo.
Sobre essa manifestação da justiça de Deus, um irmão disse algo que achei muito claro: “A ideia de manifestação chama atenção especial para a fonte essencialmente divina da justiça e para a impossibilidade de ela proceder do homem”.
Lembrem-se disso: a fonte essencialmente divina da justiça e a impossibilidade de ela proceder do homem. Essa era a mensagem do apóstolo Paulo. Para nós, é impossível.
Aqui, nestes onze versículos gloriosos, ele usa o único versículo negativo, se quiserem chamá-lo assim: Romanos 3:23. Mas ele não quer que vocês se esqueçam do caminho que percorreu de Romanos 1:18 a Romanos 3:20.
Pois todos pecaram e estão aquém da glória de Deus.
Sabem, irmãos e irmãs, esta é a chave. Cada um de nós ficou aquém. Pecamos porque somos pecadores. Essa é a nossa natureza. É a nossa natureza corrupta, que herdamos de nosso pai Adão.
O que Deus procura nos mostrar por meio do apóstolo Paulo é uma fonte de vida inteiramente nova, pela qual precisamos viver. A menos que você, como crente, comece a aprender a viver por essa fonte de vida inteiramente nova, nunca compreenderá a grandeza do milagre.
Outra coisa que quero que vocês lembrem sobre esta justiça de Deus que é manifestada ou revelada é que ela nunca é conquistada; ela só é recebida. Agora, vocês compreendem a diferença?
Podemos conquistar algo por nossos esforços. Podemos conquistar grande riqueza. Podemos conquistar uma posição. Podemos conquistar uma reputação. Podemos trabalhar muito, e as pessoas nos reconhecerão. Isso é conquista humana. Você obtém algo pelo qual trabalhou. Dedicou-se a alguma coisa e, portanto, a conquistou por seus próprios esforços.
A outra coisa é bem diferente. No sentido bíblico, recebemos algo como uma dádiva gratuita de Deus. É algo que nos é dado. É algo que não temos e que Deus coloca à nossa disposição. Quando Ele o coloca à nossa disposição, passa a ser nosso.
Essa é a diferença entre conquistar e receber. A Bíblia usa esta palavra: imputar. Sei que alguns de vocês ficam um pouco confusos — eu também, tanto quanto vocês, talvez até mais. Vocês leem palavras como imputar e não sabem o que significam.
Imputar explica a transferência da Sua justiça. É apenas isso que a palavra explica na Bíblia. Ele nos imputa uma justiça que é Sua. Nessa gloriosa posição — e não gosto de usar a palavra “disposição” — e realidade, estamos firmados de tal maneira que, aos Seus olhos, somos justos.
É isso que significa. É apenas isso que significa. É isso que significa imputar. Significa considerar, lançar na conta.
Agora, não sei se vocês notaram, mas, ao lerem o livro de Romanos, não conseguem avançar sem encontrar essa palavra, considerar. Ela está por toda parte. Aparece dezoito vezes no livro de Romanos e significa que algo é lançado na sua conta.
Isso não significa que seja originalmente seu. Vocês compreendem a diferença? A propósito, é um termo contábil, uma palavra da contabilidade. John e Mac adoram essa palavra. Provavelmente têm uma tatuagem secreta em algum lugar que vocês desconhecem.
Significa débitos e créditos. Significa que algo foi lançado na sua conta, algo que nunca esteve lá antes. Portanto, ao percorrerem o livro de Romanos, procurem essas dezoito ocorrências de considerar. Deus considera que é assim; Ele lança isso na nossa conta.
Deixem-me explicar com uma pequena ilustração. Se você tivesse uma conta bancária chamada “justiça” — e não tem — e fosse ao banco consultar seus extratos, o saldo seria zero. Bem, acho que seria pior do que isso. Você teria débitos. Não seria apenas zero. Estaria tão no vermelho que estaria falido.
E, nesse momento, entra esta expressão gloriosa: “Mas agora”. Graças a Deus, Ele não nos deixou nessa condição, nessa condição terrível e sem esperança. De modo nenhum.
Ele concebeu um plano grandioso pelo qual transferiria para nós a Sua própria justiça, a imputaria a nós, a lançaria na nossa conta, a atribuiria a nós, de modo que, ao final, Deus nos vê justos no Senhor Jesus. Vocês compreendem isso? Como é maravilhoso.
Quando Deus olha para nós agora, Ele não vê todos aqueles pecados da sua juventude. Não vê todos aqueles pecados da sua vida adulta. Não vê todos aqueles problemas que você criou para si mesmo e para os outros. Ele vê você em Cristo Jesus e o vê como justo.
Isso não é maravilhoso? Essa é toda a história da justificação pela fé. Ele lança na nossa conta algo que nunca esteve lá antes e que não poderia estar. Quanto mais tentávamos colocá-lo ali, mais fracassávamos.
Mas, um dia, Deus disse: “Muito bem, Eu provei a vocês que não conseguem fazer isso. Provei que não conseguem realizar aquilo para o qual foram chamados. Agora farei algo que vocês jamais esperariam. Vou atribuir a vocês a Minha própria justiça, de modo que, quando Deus os vir, os veja como quem nunca pecou”.
Que coisa extraordinária. Vocês conseguem imaginar?
É aqui que estamos, irmãos e irmãs. Não se trata apenas de uma posição. Não se trata apenas de uma doutrina fundamental que sustentamos. Este é o maior milagre de todos: Deus olhar para você e olhar para mim e dizer: “Eu vejo vocês no Meu Filho amado como absolutamente justos”.
É isso que significa imputar. Isto, irmãos e irmãs, é o que Deus fez. Ser justificado não significa ser tornado justo. Ser justificado significa ser considerado justo. Esse é o segredo de Romanos 3.
Agora vamos examinar mais especificamente esta justificação pela fé. A justificação pela fé exige uma coisa vital da sua parte — apenas uma coisa. Isso é tudo o que se exige de você para a justificação pela fé. Todo o restante é feito por Deus, mas é necessário que você creia.
É necessário que você creia na obra consumada do Senhor Jesus e aceite a dádiva que Ele lhe oferece por Sua graça. Uma vez que você crê, ela está na sua conta.
Gostaria de conseguir deixar isso bem claro: ela está na sua conta e nunca será retirada da sua conta. Amanhã, quando você pecar — amanhã, quando disser algo ruim a meu respeito porque não gostou do que eu disse —, Deus não dirá: “Ah, agora estou retirando aquele crédito da sua conta. Olhe de novo; você voltou a zero. Pior do que isso, agora está realmente falido”.
Ele nunca faz isso. Nunca fará isso. Esta é uma justiça que jamais pode ser retirada.
Seus atos de justiça podem oscilar. Um dia você tem um dia bom e pensa: “Ah, olhem para mim. Posso me aproximar de Deus. Posso orar com fé. Posso me levantar e pregar uma palavra. Posso compartilhar o evangelho”. No dia seguinte, quando cai, você pensa: “Ah, que dia terrível”.
Agora, você achou que a sua justiça mudou? A sua justiça nunca pode mudar, porque a sua justiça nunca foi você, para começo de conversa. A sua justiça era a Pessoa do Senhor Jesus e sempre continuará sendo a Pessoa do Senhor Jesus.
Então o Espírito Santo assume aquela obra santificadora e começa a tornar você justo. Entenderam a ênfase? Espero que sim.
Vocês se lembram da história da filha de Jairo em Marcos 5. Quando ele foi se encontrar com o Senhor — alguns de vocês conhecem a história —, disse: “Minha filha, podes curá-la?”. Não vou ler esses versículos, então vocês terão de confiar em mim ou lê-los depois. Está em Marcos 5.
Sua filha estava em uma condição desesperadora. O que aconteceu nessa história foi que Jairo, aquele homem da sinagoga, estava com o Senhor, e o Senhor seguia com ele. Então apareceu a mulher com fluxo de sangue. Ela sofria desse fluxo de sangue havia doze anos e não encontrava alívio. Foi aos médicos, gastou todo o seu dinheiro e não encontrou alívio.
Eles se atrasaram quando aquela mulher se aproximou do Senhor Jesus em meio à multidão, e Ele percebeu que poder havia saído dEle. Então chegou um mensageiro da casa de Jairo e disse: “Não incomode mais o Mestre. A menina morreu”.
Vocês conseguem imaginar aquele momento de profunda dor para Jairo? Ele havia procurado o Senhor. O Senhor havia concordado em ir à sua casa. O Senhor havia concordado em curar sua filha, e, no entanto, chega a notícia: “Sua filha está morta. Não incomode mais o Mestre”.
Mas algo aconteceu. O Senhor disse:
Somente crê.
Essa é a palavra. É impossível para o homem, mas somente creia.
A única coisa vital que você e eu podemos fazer para que a justiça de Deus e a justificação pela fé se tornem nossa experiência real é simplesmente crer.
Nunca me esquecerei de quando, anos atrás, Michael Woods me deu uma pequena peça de papelão, muito bem plastificada, com um suporte — ainda a guardo como um tesouro. Estava escrito: “Somente creia”. É de Marcos 5.
Nunca me esquecerei disso. Eu sempre a deixava bem em cima do computador, no escritório. Assim, quando estava tendo um dia terrível, bastava levantar os olhos e ler duas palavras: “Somente creia”. É tudo o que você precisa fazer.
Então o Senhor foi à casa, curou a menina, e ela se levantou. Chegaram até a zombar dEle, e Ele curou a menina.
Talita cumi.
É essa a expressão? Ele a curou. Somente creia.
Como isso é maravilhoso. A justiça e a justificação pela fé estão inseparavelmente ligadas. Você precisa crer. É tudo o que pode fazer. Você não pode melhorar a sua justiça, mas, se não crer naquilo que Deus fez, essa justiça nunca poderá ser atribuída a você e lançada na sua conta.
A palavra “fé” aparece sete vezes em Romanos 3. Essas coisas estão inseparavelmente ligadas. Justificação é justificação pela fé. Não há como fugir disso. Como precisamos saber disso. Ela aparece sete vezes ali; a palavra “fé” aparece trinta e oito vezes no livro de Romanos.
Não é de admirar que o livro comece assim:
O justo viverá pela fé.
Penso em algo maravilhoso a respeito dessa fé. Vou me comportar e abrir em Gálatas 2:20. Alguém me pediu recentemente que considerasse a vida trocada. Bem, esta será a mensagem mais curta que vocês já ouviram. Gálatas 2:20 é a vida trocada.
Estou crucificado com Cristo, e já não vivo eu, mas Cristo vive em mim.
Essa é a vida cristã.
Estou crucificado com Cristo.
A solução de Deus não foi ressuscitar você, reanimar o seu velho homem, tornar justo o seu velho homem ou fazer algo no seu velho homem que fosse apenas suficiente para permitir sua entrada no reino.
A obra de Deus, o milagre da Sua obra, foi substituir você. Sei que alguns de vocês talvez não gostem disso. Talvez achem que é um pouco cruel. Mas a ideia de Deus era que agora Aquele que vive em você é o próprio Cristo. Vocês se lembram de que falei sobre a outra fonte de vida.
Então a passagem diz algo ainda mais maravilhoso:
Mas, quanto ao que agora vivo na carne, vivo pela fé.
Aqui estamos: justificação pela fé. Vocês pensam que é isso, certo? Pensam que se trata da sua fé, certo? Mas vejam o que ele disse:
A fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.
Agora, vocês notaram que era a fé do Filho de Deus? Notaram que, ao lerem nesta versão, quando se falava de fé, era a fé do Senhor Jesus?
Se vocês lerem todas as traduções literais, com exceção de uma que consegui encontrar, todas dizem: “A fé do Filho de Deus”. Quando leem a versão King James — vocês sabem quanto carinho tenho pela versão King James —, é a fé do Filho de Deus, e não a fé no Filho de Deus.
Quando leem a versão Darby, é a fé do Filho de Deus, e não a fé no Filho de Deus. Vocês compreendem a diferença?
Recebemos uma fé mais forte do que a nossa fé. Recebemos uma fé que fortalece a nossa fé fraca, para que possamos crer em tudo o que o Senhor Jesus faz e nos apropriar de tudo o que o Senhor Jesus é.
É isso que significa: a fé do Filho de Deus. Cristo vive em mim — a vida trocada. A fé do Filho de Deus — a vida trocada. Tudo procede dEle, irmãos e irmãs.
Como isso é maravilhoso. Acho que essa é a coisa mais preciosa quando lemos Romanos 3. Lembro-me de tentar explicar isso aos irmãos no Paquistão. Não tenho certeza de que, depois de passar por toda a tradução, a ideia tenha sido compreendida.
Mas não devemos enxergar isso apenas como fé em, como se precisássemos reunir fé suficiente para crer naquilo que Ele fez. Devemos crer naquilo que Ele fez porque a palavra em Marcos 5 é:
Somente crê.
Pode ser apenas uma pequena semente de mostarda de fé. Pode ser um grão de fé. Pode ser um fio de fé. Mas, quando ela se une à fé do Filho de Deus, tudo pode ser realizado. É isso que significa em Romanos 3.
No fim, não se trata nem mesmo da força da nossa própria fé. Romanos 3:22 diz:
Pela fé de Jesus Cristo.
Romanos 3:26 diz:
E justifique aquele que é da fé de Jesus Cristo.
Gálatas 2:20 diz:
Pela fé do Filho de Deus.
Como foi maravilhosa a Sua solução. Ele nos dá a Sua própria fé.
Ele não apenas nos dá a Sua própria fé; faz também outra coisa, por causa da nossa injustiça e da nossa condição de vendidos sob o pecado, como Paulo descreve mais adiante, em Romanos 7. Ele nos purifica com o poder do Seu sangue.
Romanos 3:25 diz:
Mediante a fé no Seu sangue.
Vocês perceberam que a mancha do pecado é irremovível? Acho que essa é a palavra certa. Acho que sim.
Você não consegue removê-la. Nunca conseguirá se livrar da mancha do pecado por si mesmo. Não importa quanto faça para servir a Deus. Não importa a quantas reuniões vá. Não importa quanto tente viver em santidade. A mancha do pecado nunca será removida por suas ações.
Mas a mancha do pecado é completamente removida pelo sangue de Jesus. Vocês se lembram do que diz 1 João: Seu sangue nos purifica de toda injustiça — não apenas das partes ruins, não apenas das partes escondidas, mas de toda injustiça.
Como isso é maravilhoso. Mediante a fé no Seu sangue, somos considerados justos. Isso é justificação pela fé.
Outra coisa sobre a justificação pela fé — vocês precisam notar isto; está muito claro nestes onze versículos — é que a justificação pela fé é gratuita. Agora, vocês conseguem imaginar?
Minha filha — acabamos de ajudar minha filha, nossa filha, perdoem-me, vou ouvir por causa disso —, nossa nora e nosso filho, na Carolina do Norte, a se mudarem e a organizarem as coisas da casa dela. Ela tinha um piano. Parecia que todo mundo queria um piano, e ela anunciou um piano no Facebook, acho que foi lá, de graça. Era de graça.
As pessoas ficaram enlouquecidas com um piano de graça. Lembro-me de que ela me mostrou a página do Facebook e continuou percorrendo a página, vendo todas as pessoas que queriam o piano de graça.
Mas vocês sabem que receberam algo ainda mais extraordinariamente gratuito do que qualquer coisa que se possa imaginar? Totalmente gratuito. Totalmente gratuito. Não custou nada a vocês, mas custou tudo a Deus: dar o Seu Filho unigênito. Para vocês, é de graça.
Se vocês lerem também aquela seção, verão que é graça. Tudo procede da Sua graça. Você não merecia isso. Não poderia merecer. Foi graça, graça sobre graça, e é favor imerecido para você. Tudo pela graça — é isso que significa.
Portanto, quando falamos desta questão da justificação pela fé, quero que vocês se lembrem de algumas coisas:
Vocês imaginavam que seria possível colocar tanta coisa em onze versículos? Mas o apóstolo Paulo colocou. Como isso é tremendo. Que mensagem!
Mas há mais do que isso. Há mais do que isso. O terceiro ponto é que Ele torna possível o impossível. Agora, como Ele faz isso? Parece simplesmente que não pode ser feito.
Acho que o versículo mais importante é Romanos 3:26:
De modo que Ele seja justo e justifique aquele que é da fé de Jesus.
Como Ele faz isso? Vocês já pensaram no dilema em que Deus Se encontra? Sempre dizemos que estamos em um dilema, que temos um problema. Mas pensem no problema de um Deus santo justificar o ímpio. Como vocês desatariam esse nó?
Como é possível que Deus permaneça justo e, ao mesmo tempo, justifique o ímpio? Vocês precisam pelo menos admitir que esse certamente é um impasse divino — e dos grandes.
Portanto, é isso que vemos nesta situação impossível: como Ele pode ser justo e justificar o ímpio.
Já falamos de Romanos 1:32:
Os quais, conhecendo o justo juízo de Deus, de que os que praticam tais coisas são dignos de morte.
A pena de morte.
Talvez você não ache que aquilo que fez durante a vida mereça a pena de morte, mas há uma sentença de morte sobre a sua cabeça. Até que o Senhor Jesus intervenha — naquela expressão de que tanto gosto, usada por uma querida irmã que está nesta sala — e interrompa a sua vida, você vive sob uma sentença de morte.
Então como Deus será justo e justificará os ímpios, que são tão corruptos e vivem sob uma sentença de morte? Vocês se lembram do que diz Hebreus:
Aos homens está ordenado morrerem uma vez, e depois o juízo.
É aí que estamos. É isso que herdamos ao longo de tudo: a sentença de morte.
Mas Deus faz algo maravilhoso. Na verdade, em Romanos 6:23, apenas alguns capítulos adiante, está escrito:
O salário do pecado é a morte.
Vocês sabiam disso? O salário. Nós o ganhamos. Você não apenas o recebeu; trabalhou por ele.
Foi preciso colocar algum esforço nisso. Tudo o que você é e tudo o que veio de Adão precisou se manifestar, e você ganhou esse salário merecidamente. Esse é o pagamento.
Romanos 3:24, porém, fala de algo grandioso que Deus fez:
A redenção que há em Cristo Jesus.
Como Ele poderia ser justo e justificar o ímpio? Ele fez algo milagroso.
Agora, algumas das versões de vocês usam a palavra propiciação. Trata-se de uma oferta feita pelo seu pecado. É isso que significa propiciação: ela afasta a ira de Deus. Isso é verdade.
Mas gosto da maneira como Darby e a maioria das versões literais expressam isso. Elas dizem: “Cristo é o nosso propiciatório”. Como isso é maravilhoso. É isso que significa propiciação.
Que misericórdia foi demonstrada a você e a mim! Nós estávamos em tal condição — uma condição na qual não podíamos ser salvos, uma condição corrupta, uma condição impossível —, e Deus, em Sua misericórdia, fez algo que nos resgatou desse tipo de escuridão.
É assim que Ele faz. Deixem-me ler, porque estou atento aos intérpretes: 2 Coríntios 5:21. Acho que vocês conhecem esse versículo. Ele nos diz como Deus realiza esse grande milagre.
Aquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus nEle.
Vocês perceberam a importância dessa declaração?
Aquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus nEle.
Pensem literalmente nisso, irmãos e irmãs. Ele não nos tornou justos, mas fez Seu Filho pecado por nós. Isso é um milagre.
Quem poderia ter imaginado que um Deus santo tomaria Seu Filho amado, em Quem está todo o Seu prazer, e faria desse Filho amado o próprio pecado — pecado manifestado?
Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus estava pendurado na cruz e disse ao Pai:
Meu Deus, por que Me desamparaste?
Que palavras trágicas foram essas.
Vocês sabem que esse foi o momento em que o pecado do mundo inteiro, o pecado de toda a humanidade, veio sobre o Senhor Jesus, e o Pai, que é justo e santo, não podia sequer olhar para Seu Filho?
Que milagre — um milagre que vai além de tudo o que poderíamos descrever. Ele não nos tornou justos, mas esteve disposto a fazer Seu Filho pecado para que pudéssemos ser considerados justos.
Ele Se tornou o propiciatório. Pensem nisso. Não sei o que vocês sabem sobre o propiciatório, mas ele é mencionado apenas uma vez na versão King James em todo o Novo Testamento. Está em Hebreus.
O autor diz — não vou ler a passagem —, ao falar dessas coisas:
Não podemos agora falar destas coisas em particular.
Portanto, é a única vez que o propiciatório é mencionado na versão King James. Em muitas versões, isso nem sequer é explicado.
Mas, quando é mencionado aqui nessas outras versões das quais estou falando, o texto diz que Cristo é o nosso propiciatório. Se vocês olharem para o Antigo Testamento, verão que isso significa que a única peça de mobília no tabernáculo, ou no templo, no Santo dos Santos, é o propiciatório sobre a arca da aliança.
Ele tem os dois querubins. Vocês se lembram, se lerem — acho que está em Êxodo 16 —, de que Deus dá a Moisés instruções muito detalhadas sobre como construí-lo. Os dois querubins têm os braços estendidos e se encontram sobre o centro da arca.
Deus diz a Arão e a Moisés, em Levítico:
Ali Me encontrarei convosco.
Ele lhes diz mais do que isso:
Ali falarei convosco.
E então diz ainda mais: a glória Shekinah de Deus aparecerá a eles ali, sobre o propiciatório.
Irmãos e irmãs, este é o milagre que Deus realizou. Cristo, que é o nosso propiciatório, foi feito pecado por nós. Deus Se encontra conosco ali. Deus fala conosco ali. A glória de Deus agora pode aparecer a nós ali, em Cristo Jesus.
Esta é a glória de Cristo, nosso propiciatório. Como é maravilhosa. Cristo, nosso propiciatório, é a mensagem do livro de Romanos. Tudo é colocado à nossa disposição em Cristo Jesus.
É assim que Deus pode ser justo e justificar. Cristo foi feito pecado. A questão da morte foi resolvida porque, se vocês conseguem imaginar, Seu Filho unigênito morreu por cada homem. É isso que Hebreus diz.
Agora o milagre foi realizado. Ele é justo e justifica. Ele pode justificar o ímpio porque Cristo levou o pecado.
Sabem, há dois bodes quando o Antigo Testamento fala do propiciatório. O primeiro bode era morto, e seu sangue era recolhido. O sumo sacerdote colocava o sangue sobre o propiciatório e o aspergia sobre a arca, ou diante da arca.
Aquele bode morria pelos nossos pecados. Era o Dia da Expiação, o dia mais santo em Israel. Um bode precisava morrer pelos nossos pecados.
Havia um segundo bode. Ele é chamado de bode emissário. O sumo sacerdote ia até aquele bode, colocava as mãos sobre ele e transferia os pecados para ele. O bode emissário era levado ao deserto e levava embora os nossos pecados para sempre.
Cristo é ambos os bodes. Esse é o propiciatório. Ah, irmãos e irmãs, isso é justificação pela fé.
Uma última coisa. Como podemos nos gloriar? Se Deus fez tudo isso, como podemos nos gloriar? Vejam Romanos 3:27 até o final. São apenas alguns versículos.
Onde está, então, a vanglória? Foi excluída. Por qual lei? Das obras? Não, mas pela lei da fé;
pois consideramos que o homem é justificado pela fé, sem obras de lei.
É Deus somente o Deus dos judeus? Não é também das nações? Sim, também das nações:
visto que há um só Deus, que justificará a circuncisão pelo princípio da fé, e a incircuncisão mediante a fé.
Anulamos, então, a lei pela fé? De modo nenhum: antes, a estabelecemos.
Irmãos e irmãs, há três perguntas. “Onde está a vanglória?” Essa é a primeira pergunta. Ela foi excluída, em Romanos 3:27.
“Por qual lei?” é a segunda pergunta. Você fez alguma coisa para merecer isso? Pode fazer alguma coisa para merecer isso? “Das obras?” é a terceira pergunta.
Então a resposta diz:
Não, mas pela lei da fé; pois consideramos que o homem é justificado pela fé, sem obras da lei.
Não há vanglória. Não há nada de que você possa se gloriar. Nunca poderá dizer: “Eu fiz isso”.
Mas há uma maneira de se gloriar que é permitida. Se vocês olharem para 1 Coríntios 1:31, depois de dizer que Deus fez de Cristo a nossa justiça, a passagem termina assim:
Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
É nEle que nos gloriamos. Que milagre é este. A glória que é excluída em relação a qualquer coisa que possamos fazer é permitida porque temos Aquele em Quem podemos nos gloriar, e Ele nunca falha.
Isso é Romanos 3:21-31. Recebemos uma justiça que é dEle, porque não temos nenhuma. Respondemos com fé, recebendo a dádiva gratuita de Deus e a Sua graça.
Nós vivemos:
O justo viverá pela fé.
Não pela nossa fé fraca, mas pela fé do Filho de Deus. Essa é toda a explicação.
Agora, Deus tinha isso em Seu coração desde o princípio. Encontrei um versículo em Isaías 45:25 que, francamente, eu não me lembrava de ter lido antes. Foi isso que Ele disse aos filhos de Israel. Disse-lhes que esse era o Seu plano. Eles simplesmente não compreenderam o Seu plano.
No Senhor será justificada toda a descendência de Israel, e se gloriará.
Essa palavra em hebraico significa “e se gloriará”. No Senhor somos justificados, e nisso podemos nos gloriar. Essa é a mensagem no final de Romanos 3.
Como estes onze versículos estão maravilhosamente cheios daquilo que temos em Cristo. Tudo o que temos em Cristo é aquilo que Ele fez e Quem Ele é. É nisso que podemos nos gloriar.
Somos justificados pela fé, não por qualquer coisa que tenhamos feito, mas por causa do grande milagre da redenção: Cristo. Ele era justo. Permaneceu justo e Se tornou o Justificador do ímpio. Isso é justificação pela fé.
Senhor, nós simplesmente nos achegamos a Ti e pedimos que, em Tua misericórdia, nos livres de compreender isso de maneira errada.
Senhor, em Tua misericórdia, livra-nos de pensar que há qualquer coisa em nós que possa levar-Te a nos justificar. Abre, porém, os nossos olhos para o grandioso milagre em que a misericórdia e a verdade se encontram em Cristo, nosso propiciatório; em que a justiça e a paz se beijam, como diz Salmos 85:10.
Ali, no milagre da redenção, somos plenamente justificados diante de um Deus santo. Senhor, abre os nossos olhos, faz-nos enxergar e faz-nos viver na realidade daquilo que Tu fizeste.
Pedimos isso no precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.