Bom dia. Perdoem-me — bom dia.
Por favor, abram comigo a Epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 1. Embora isso possa tomar parte do meu tempo, gostaria de ler o capítulo inteiro. Ler a Palavra em voz alta é algo muito valioso, e eu os encorajo a fazer isso.
Há algo especial quando lemos a Palavra em voz alta. Neste ano, já aposentado, Linda e eu começamos a ler mais juntos, e estamos lendo em voz alta. Ela encontra todos os erros que cometo — e cometo muitos —, mas, mesmo assim, simplesmente ler a Palavra em voz alta é algo precioso.
Então, se vocês não entenderem o que estou dizendo sobre o capítulo 1 de Romanos, pelo menos nós o teremos lido em voz alta. Entenderam? Está bem.
Começando no versículo 1, Paulo escreve à igreja em Roma:
Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo chamado, separado para as boas-novas de Deus,
as quais Ele antes prometera por meio de Seus profetas nas santas Escrituras,
acerca de Seu Filho, que veio da descendência de Davi segundo a carne,
declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor;
por meio de Quem recebemos graça e apostolado, em favor de Seu nome, para a obediência da fé entre todas as nações,
entre as quais sois também vós os chamados de Jesus Cristo;
a todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados santos: graça a vós e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo.
Primeiramente, dou graças ao meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque a vossa fé é proclamada em todo o mundo.
Pois Deus é minha testemunha, a Quem sirvo em meu espírito nas boas-novas de Seu Filho, de como incessantemente faço menção de vós,
suplicando sempre em minhas orações que, de alguma maneira, agora finalmente, pela vontade de Deus, eu possa ser favorecido para ir ter convosco.
Pois desejo muito ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de vos fortalecer;
isto é, para que haja entre vós consolação mútua, cada um pela fé que há no outro, tanto a vossa como a minha.
Não quero, porém, que ignoreis, irmãos, que muitas vezes me propus ir ter convosco, e até o presente tenho sido impedido,
para que eu tenha algum fruto também entre vós, assim como entre as demais nações.
Sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.
Assim, quanto depende de mim, estou pronto para anunciar as boas-novas também a vós que estais em Roma.
Pois não me envergonho das boas-novas, porque são o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
pois nelas se revela a justiça de Deus, sobre o princípio da fé para a fé, conforme está escrito: “Mas o justo viverá pela fé”.
Pois a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça,
porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles; pois Deus lho manifestou.
Pois, desde a criação do mundo, as coisas invisíveis dEle são percebidas, sendo compreendidas pela mente por meio das coisas criadas,
tanto o Seu eterno poder como a Sua divindade, de modo a torná-los indesculpáveis.
Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, mas tornaram-se insensatos em seus pensamentos,
e o seu coração sem entendimento se obscureceu.
Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos,
e trocaram a glória do Deus incorruptível pela semelhança de uma imagem de homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis.
Por isso, Deus também os entregou, nas concupiscências de seus corações, à impureza, para desonrarem seus corpos entre si,
eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e honraram e serviram a criatura mais do que Aquele que a criou, o Qual é bendito para sempre. Amém.
Por essa razão, Deus os entregou a paixões vis; pois as suas mulheres trocaram o uso natural pelo que é contrário à natureza;
e, de igual modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, inflamaram-se em sua paixão uns pelos outros,
homens com homens praticando a vergonha e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.
E, como não consideraram bom ter Deus em seu conhecimento, Deus os entregou a uma mente reprovada,
para praticarem coisas inconvenientes;
estando cheios de toda injustiça, perversidade, cobiça e malícia;
cheios de inveja, homicídio, contenda, engano e disposições malignas;
murmuradores, difamadores, odiosos a Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais,
sem entendimento, sem afeição natural, sem misericórdia;
os quais, conhecendo o justo juízo de Deus, de que os que praticam tais coisas são dignos de morte,
não somente as praticam, mas também se comprazem com os que as praticam.
Agora, Senhor, nós nos achegamos a Ti em nome de Jesus e entregamos a Tua Palavra a Ti, porque, com nosso entendimento natural, somos incapazes de comunicar o que está escrito na Tua Palavra. Sabemos que somente Tu tens as palavras da vida eterna.
Nós nos achegamos a Ti para que hoje nos abras a Tua Palavra pelo Espírito Santo, a fim de ouvirmos o que o Espírito está dizendo às igrejas. E que não apenas ouçamos; que ela entre em nosso coração e nos mude. Que nos transforme. Que nos conforme à imagem do Senhor Jesus.
Senhor, se fizeres essas coisas, então algo de valor resultará deste nosso tempo. Que sejas exaltado. Que sejas engrandecido. Que sopres sobre este tempo, para que a Tua Palavra corra e seja glorificada. Em nome de Jesus, amém.
Bem, obviamente estamos considerando Romanos 1. Alguns meses atrás — vou contar um pouco do contexto —, Mari veio até nós, os irmãos, e disse: “Tenho um encargo de que consideremos Romanos”. Acho que foi uma ideia muito boa.
Vocês precisam entender Romanos para ser cristãos, e precisam viver na realidade de Romanos para conhecer a verdadeira vida cristã. Essa é a minha ênfase: a verdadeira vida cristã.
O encargo dele era que o livro inteiro trata de Cristo. E eu não poderia dizer um amém mais forte a isso. Trata de Cristo. Inclui a nós — graças a Deus, inclui a nós —, mas trata inteiramente de Cristo. Essa era a paixão de Paulo, e esse era o encargo de Paulo.
Então, se vocês não entenderem essa perspectiva do livro de Romanos, centrada em Deus, centrada no Filho, nunca entenderão Romanos. Será sempre apenas sobre vocês — sobre o que vocês recebem.
Nosso irmão Jerry, nesta manhã, ao se aproximar da mesa, nos exortou a vir simplesmente por causa de Quem Ele é, e a não nos esquecermos de adorá-Lo por tudo o que temos nEle e por tudo o que Ele fez.
O encargo de Mari foi acolhido pelos irmãos, e entendemos que deveríamos levá-lo adiante. Ele já fez uma introdução. Talvez eu diga mais algumas coisas, como costumo fazer, mas ele nos deu uma introdução, e acho que ela nos ajudou a começar a considerar esta Palavra.
Agora, quanto aos próximos passos, não temos muita certeza de como prosseguiremos. Acreditamos que outros irmãos compartilharão sobre este livro, mas precisamos nos concentrar nele.
Aliás, uma das razões pelas quais estou aqui à frente, em paralelo ao encargo que Mari trouxe, foi o que compartilhamos com os santos no Paquistão. No ano passado, eles me perguntaram — não me lembro, Jack; pode ter sido em novembro, pode ter sido em outubro, mas foi antes de eu me aposentar —: “Você poderia nos ensinar o livro de Romanos?”.
Hesitei e fui adiando. Até os ignorei um pouco, porque não sabia se deveria fazer isso. Então eles disseram: “Você poderia nos ensinar o livro de Romanos?”. Não consegui escapar.
Quando éramos irmãos jovens aqui — e, aliás, todos vocês, irmãos jovens, deveriam seguir este conselho, assim como as irmãs jovens, as irmãs mais velhas e os irmãos mais velhos —, o irmão Kong nos disse: “Escolham um livro da Bíblia e leiam esse livro”. Ele disse a mim e a todos nós: “Vocês não podem me fazer nenhuma pergunta até terem lido esse livro cinquenta vezes”.
Então, como o tolo que sou, escolhi Romanos. Deveria ter escolhido 3 João. Teria sido muito mais fácil. Mas nunca me gabei de ser inteligente.
Quando eles me disseram: “Você poderia compartilhar conosco sobre Romanos?”, não consegui esquecer isso. Não consegui esquecer. E essa iniciativa paralela é a razão de estarmos aqui hoje, compartilhando sobre o livro de Romanos.
Hoje, então, vamos estudar Romanos 1. Abordaremos o máximo que pudermos e, depois, seguiremos adiante.
Algumas coisas antes de começarmos: vocês precisam entender que o Novo Testamento é a plena revelação de Deus. Não quero entrar em tudo o que o Antigo Testamento é, mas o Novo Testamento tem vinte e sete livros. Vocês precisam entender que o apóstolo Paulo escreveu treze desses vinte e sete livros.
Agora, se meus cálculos estiverem certos — e essa é uma coisa que ainda sei fazer —, o apóstolo Paulo escreveu quase metade do Novo Testamento. É impressionante, vocês não acham?
Vinte e um desses vinte e sete livros são cartas. São chamadas de epístolas. Bem, essa é uma bela palavra antiga para cartas. Acho que são cartas de amor do próprio Deus ao povo de Deus.
Pensem na maneira como Deus Se comunicou conosco. Ele nos enviou essas cartas para que conhecêssemos tudo o que há em Seu bendito Filho para o povo de Deus.
Lembro-me de ter encontrado uma citação do irmão Graham Scroggie. Sei que alguns pronunciam seu sobrenome de uma maneira, e outros, de outra. Tenho certeza de que ele me corrigirá no céu. Mas foi isto que ele disse:
Os argumentos mais profundos e mais elevados de nossa religião nos são transmitidos na forma de escrita mais familiar que conhecemos, pois as cartas são a forma mais pessoal de literatura.
E assim, nessas cartas, Deus nos revelou Seu coração. E acontece que a primeira carta depois do livro de Atos é o livro de Romanos.
Isso me intrigou durante muito tempo, porque o livro de Romanos não foi o primeiro livro escrito pelo apóstolo Paulo. Na verdade, foi o sexto de seus treze livros — ou cartas, ou epístolas — a ser escrito pelo apóstolo Paulo: o sexto na ordem de escrita.
No entanto, quando abrimos nossa Bíblia nas epístolas, depois do livro de Atos e dos Evangelhos, descobrimos que ele aparece primeiro na ordem da nossa Bíblia. Acho isso brilhante. Divinamente brilhante.
Porque o livro de Romanos é uma obra-prima, uma obra-prima espiritual. Dificilmente algo na Bíblia pode se comparar — vou usar a palavra “dificilmente” aqui — ao que há na Epístola aos Romanos. É maravilhoso.
Nada nos escritos humanos, é claro — e isto não é um escrito humano; é inspiração divina —, nada que o homem jamais concebeu, produziu ou escreveu pode realmente se comparar ao livro de Romanos.
Creio que essa é a razão pela qual aqueles que reuniram para nós este livro glorioso o colocaram primeiro entre as epístolas: porque ele apresenta aquilo em que consiste toda a vida cristã.
Vocês não podem conhecer a vida cristã sem conhecer o livro de Romanos. Não podem entrar na realidade da vida cristã sem conhecer o livro de Romanos. É por isso que precisamos estudá-lo.
Podemos dividir Romanos, em linhas gerais, nos capítulos 1 a 8, que apresentam o evangelho completo — o evangelho do Senhor Jesus Cristo.
A segunda divisão de Romanos, os capítulos 9 a 11, fala do mistério da eleição. Depois, nos capítulos 12 a 15, vemos a expressão da vida de Cristo em um povo — como ela deve se manifestar. O texto nos diz exatamente como ela deve se manifestar.
Depois, é claro, o capítulo 16 traz aquela longa conclusão do apóstolo Paulo, em que ele menciona todos aqueles nomes. Como é maravilhoso termos todos aqueles nomes. É uma realidade: pessoas reais, pessoas reais, manifestando a vida do Senhor Jesus; a igreja manifestando a vida do Senhor Jesus.
Esse é o livro de Romanos. Essa é a explicação geral. Então, agora começaremos o capítulo 1. Vocês acharam que eu nunca chegaria lá, não foi?
A primeira parte do capítulo 1 é a saudação de Paulo, nos versículos 1 a 7. Não quero que vocês pensem que isso é apenas uma expressão de afeto que podem deixar de lado.
Quando lemos nossa Bíblia, gostamos de pular todos aqueles nomes difíceis, e gostamos de pular essas saudações e conclusões. Gostamos de dizer: “Vamos ao conteúdo principal, ao que realmente importa no assunto”. Isto é o que realmente importa no assunto.
Paulo não estava apenas dizendo algumas palavras afetuosas, fazendo uma saudação gentil e dizendo: “Olá, é bom escrever a vocês”. Não era nada disso que ele estava fazendo. Esta é a Palavra inspirada de Deus. Todos os sete versículos são inspirados, e eles têm uma mensagem para nós, como crentes.
A primeira coisa que ele diz é:
Paulo, servo de Jesus Cristo.
Ele declarou àquela igreja em Roma, ao mundo e a todos nós que era um escravo do Senhor Jesus Cristo.
Se fosse eu, teria dito: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo”. Mas ele disse:
Paulo, servo de Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, isso não passou despercebido quando tratamos desse assunto com os irmãos no Paquistão, porque estamos lidando com escravidão real lá. Esta assembleia, e alguns dos irmãos e irmãs desta assembleia, libertaram dezoito pessoas — se estou certo, dez mais oito —, dezoito escravos que trabalhavam nas fábricas de tijolos.
Existe escravidão real. Há crianças descalças fazendo tijolos, moldando tijolos sob o domínio de senhores — senhores muçulmanos —, e a maioria dessas crianças é cristã.
Nós, esta assembleia e alguns de nós, pudemos fazer uma diferença na vida daqueles que estavam presos, por dívidas, a uma escravidão que passava de geração em geração, cujos filhos, desde muito pequenos, não tinham outra coisa a fazer senão fabricar tijolos. Eles estão livres.
Eles nos enviaram uma faixa maravilhosa. Olhem naquele quadro de avisos no corredor: “Estamos livres”. Que maravilha.
Então, quando falamos de Paulo, servo de Jesus Cristo, isso não passou despercebido para eles. Eles entendiam a escravidão. Paulo queria que soubéssemos, antes de tudo, que somos escravos de Jesus Cristo.
Agora, isso não é a escravidão como o mundo a entende. Homens, governos e ditadores escravizam pessoas e as mantêm nessa condição. Isto não é a mesma coisa. Aqui se trata de um escravo por amor.
Isso remonta a Deuteronômio 15:16-17, creio eu, onde se fala de um escravo hebreu — um de seus irmãos. Pensem nisso: irmãos colocando irmãos na escravidão.
Esse escravo só podia ser mantido na escravidão durante seis anos. Ao fim desses seis anos, tinham de libertar aquele escravo hebreu. E algo acontece naqueles dois versículos que mencionei. Esse escravo diz ao seu senhor: “Não quero ser livre. Não quero ir embora livre. Quero ser seu escravo por amor”.
Ele ama o senhor. O texto diz que ele ama a casa do senhor, e ele recusa sua liberdade. Vocês conseguem imaginar? Qual de nós faria isso?
É para isso que somos chamados. Vocês sabiam? Nenhum homem neste mundo é livre. Nenhuma mulher é livre. Cada um de nós está preso à escravidão, e a única maneira de romper esse ciclo de servidão e nos libertar é o Senhor nos libertar por meio de Seu glorioso evangelho.
Essa é toda a mensagem de Romanos. E então vocês veem o que faz aquele que foi libertado. Ele é constrangido, como diz em Coríntios, pelo amor de Deus, a entregar-se a esse Senhor bondoso e dizer: “Não me liberte”.
“Leve-me até a porta. Fure minha orelha com uma sovela.” Vocês sabem o que é uma sovela? Nós que mexemos com construção sabemos o que é uma sovela. É uma ferramenta muito afiada, com uma ponta que, se cair sobre o seu dedo do pé, poderá levá-lo ao pronto-socorro.
Mas pegue uma sovela, atravesse minha orelha e prenda-a à porta, para que todos saibam para sempre: “Sou um servo de Jesus Cristo, um escravo por amor”.
Esse é o começo. Vocês acham que são apenas palavras afetuosas, palavras insignificantes, palavras sem significado? É o evangelho inteiro.
Ele continua dizendo que é chamado como apóstolo. Agora, vocês podem pensar que tudo isso diz respeito a Paulo. Não diz respeito apenas a Paulo. Ele foi chamado como apóstolo.
Muitas vezes pensamos no chamado em relação ao nosso serviço. Vocês podem ter um chamado especial no serviço e no trabalho para o Senhor. Os apóstolos tinham. Eram chamados, enviados.
Mas ele continua dizendo:
Entre as quais sois também vós os chamados de Jesus Cristo.
Vejam Romanos 1:6. E vejam Romanos 1:7:
A todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados santos.
É isso que somos. É isso que somos: santos por chamado. Irmãos e irmãs, é isso que o evangelho faz. Ele nos chama para o Senhor.
Vocês podem pensar: “Como você pode nos chamar de santos?”. Mas Paulo disse àqueles crentes romanos: “Vocês são chamados santos”. Desde o início do seu chamado, vocês já eram santos.
Ele foi além. Disse: “Amados de Deus”. Isso não é extraordinário? É disso que trata o evangelho. Ele nos chama para Si e nos torna Seus amados.
Agora, se vocês conhecem um pouco das Escrituras, sabem que esse termo, amado, é particularmente reservado para o Filho único:
Este é o Meu Filho amado.
Vocês se lembram de quando Deus Pai falou no batismo do Senhor. Quando o Senhor saiu das águas do Jordão, depois de ser batizado por João, e a pomba — o Espírito Santo — desceu sobre o Senhor, Deus falou:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Isso não aconteceu apenas uma vez. Aconteceu em Mateus 17, no monte da transfiguração. Pedro achou que seria uma boa ideia construir três tabernáculos: um para Elias, um para Moisés e, é claro, o maior para o Senhor Jesus.
Mas Deus não podia tolerar aquilo. Novamente, aquela voz divina se fez ouvir, e Ele disse:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Vocês entendem o que Ele está fazendo aqui? Amados, chamados santos — pela graça de Deus, pela misericórdia de Deus, vocês estão sendo elevados à condição de serem chamados amados de Deus.
Ele não simplesmente nos salvou, nos colocou numa sala dos fundos, lá no último banco do ônibus, e disse: “Fiquem aí. Vocês sabem qual é o seu lugar”. Ele disse: “Amados de Deus, chamados santos”. Isso não é extraordinário?
Essa foi a saudação de Paulo. É isso que somos como igreja. No próprio nome grego da igreja, ekklesia, assembleia ou igreja significa aqueles que foram chamados para fora e reunidos. É isso que somos. É isso que nós somos.
Além disso, somos os amados de Deus. Como nosso Deus é misericordioso.
No versículo 3, ele começa a tratar daquilo para o qual foi chamado. Seu chamado não era para uma doutrina. Seu chamado não era para um sistema. Seu chamado não era para uma crença. Seu chamado não era para uma fé. Ele foi chamado para o Seu Filho amado.
O assunto desse evangelho, no versículo 3, é:
Acerca de Seu Filho.
Eu sei que vocês pensam que ele diz respeito a nós. Vocês estão incluídos, mas, na verdade, ele diz respeito ao Seu Filho.
Ao escrever esses primeiros quatro versículos, parece-me que Paulo incluiu duas elaboradas expressões parentéticas. Darby teve a gentileza de colocar entre parênteses essas expressões elaboradas, parentéticas e gloriosas. Isso ajuda.
Quando vocês deixam essas duas expressões de lado, chegam ao coração do evangelho:
Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo chamado, separado para as boas-novas de Deus, acerca de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
É isso. Esse é o coração de Romanos. O restante é importante. Ele é Aquele que foi prometido. Veio da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos. Essa é a comprovação.
Mas a essência é: acerca de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. É disso que Romanos trata.
Essas boas-novas não tratam de uma religião. Essas boas-novas não tratam de um sistema de crenças. Essas boas-novas tratam de uma Pessoa: o Senhor Jesus.
Essas boas-novas são que essa Pessoa nos toma como Seus, como Seus chamados, e o Espírito Santo começa a trabalhar em nós e a nos transformar na própria imagem do Senhor Jesus. Que coisa preciosa — toda a história de Romanos.
Quando vocês chegam ao capítulo 8, veem que esse é o propósito. Qual é o propósito? Somos chamados segundo um propósito: sermos conformados à imagem de Seu Filho.
Não é melhorar vocês. O vírus é o pecado. Não é torná-los melhores nem lhes dar uma aparência melhor. Podemos enfeitar a carne. Podemos pensar que somos alguma coisa. Podemos entrar nesses modos de autoaperfeiçoamento, mas Deus não tem nenhuma ideia desse tipo quando se trata do evangelho do Senhor Jesus Cristo.
Não é um plano para melhorar sua vida. Na verdade, lamento ter de lhes dizer isto: é o funeral de vocês. E entraremos nisso bem mais adiante.
Que maravilha. Porque Ele ama Seu Filho, nos salvou e nos colocou em Seu Filho amado, somos amados de Deus. Essas são as boas-novas.
Agora, a próxima seção trata do desejo de Paulo. Vai dos versículos 8 a 15. Acho que muitas pessoas que leem e estudam a Bíblia dizem que Paulo só queria ir até eles para pregar. Vocês sabem, pregadores pregam: “Deixem-me ir e lhes dar uma palavra. Tenho uma palavra para vocês”.
Mas esse não era o desejo dele. Quando vocês leem todos os versículos de 8 a 15, começam a entender. Seu desejo é o aperfeiçoamento do testemunho de Jesus, neste caso, em Roma.
Vocês começam a entender que seu desejo é um desejo de comunhão. Começam a entender que é um desejo de compartilhar Cristo mutuamente. Isso é comunhão. É isso que a palavra significa literalmente.
Paulo só tinha ouvido notícias deles em Roma. Nunca havia se reunido com eles. Mas Paulo queria ver esse testemunho de Jesus fortalecido em Roma. Era tudo o que estava em seu coração. Embora não os tivesse visto, ansiava por estar com eles.
Ele diz em Romanos 1:8:
Primeiramente, dou graças ao meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque a vossa fé é proclamada em todo o mundo.
Vocês conseguem imaginar? Aquele pequeno grupo que somente Deus iniciou — quem sabe como começou em Roma? Gentios e judeus, escravos e livres, todos juntos —, aquele grupo que o Senhor iniciou era um testemunho tão marcante que a notícia da fé deles se espalhou pelo mundo inteiro.
Isso nada mais é do que o testemunho de Jesus. Não é apenas o desejo de Paulo; é o desejo de Deus para Seu povo.
Deus está dizendo, por meio do apóstolo Paulo: “Quero um testemunho vivo de Mim mesmo, uma expressão de Cristo em Roma. E quero que o mundo inteiro veja isso e saiba que sou Eu”. Esse é o livro de Romanos.
Esse é o desejo de Deus para a igreja: que sejamos um testemunho vivo para o mundo. Eles eram uma epístola viva.
Esta é uma epístola de Deus, uma carta de Deus para nós, pessoalmente. Em 2 Coríntios 3:2-3, está escrito acerca do povo de Deus em Corinto:
Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens;
sendo manifesto que sois a epístola de Cristo, ministrada por nós, escrita não com tinta,
mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, do coração.
É isso que devemos ser. Esse era o desejo de Paulo. Esse é o desejo de Deus para nós: que a vida de Cristo entre em nós de tal maneira, e sejamos tão transformados, que nos tornemos epístolas abertas para o mundo.
Eles nos veriam e diriam: “O que vocês têm? O que há em vocês? Em que vocês creem?”. Isso é um testemunho vivo.
Paulo orava com grande fervor, como dizem Romanos 1:9-10:
Como incessantemente faço menção de vós, suplicando sempre em minhas orações.
Irmãos e irmãs, parece-me que talvez a oração mais importante que possamos fazer na quarta-feira à noite seja para que o povo de Deus se torne um testemunho vivo e transformado, de modo que a plenitude do Senhor Jesus se manifeste a um mundo que está morrendo.
Essa é a única resposta. Essa é a única esperança. Não há outra esperança. Podemos orar por outras coisas; não estou dizendo que não devemos. Mas, em primeiro lugar, creio que essa era a oração de Paulo e, mais do que isso, creio que esse era o desejo de Deus.
É assim que devemos orar uns pelos outros em todo o mundo: pelo Seu testemunho.
Ele tinha um desejo de comunhão. Em Romanos 1:10-11, disse:
Que, de alguma maneira, agora finalmente, pela vontade de Deus, eu possa ser favorecido para ir ter convosco,
pois desejo muito ver-vos.
Esse era o desejo dele. Vocês acham que ele queria ir apenas para ensiná-los e acrescentar mais uma conquista ao seu currículo, por ter ensinado uma assembleia em Roma com a qual nunca estivera e da qual só ouvira falar? Não, não era nada disso.
O desejo de Deus e o desejo de Paulo eram pela comunhão. É compartilhar Cristo mutuamente. Não estamos aqui para formar alguma coisa. Estamos aqui para que, juntos, conheçamos a importância da comunhão do Senhor Jesus Cristo.
Vocês se lembram do que Paulo escreveu aos coríntios em 1 Coríntios 1:9:
Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Esse é o desejo de Paulo. Esse é o desejo de Deus: que o evangelho produza uma edificação mútua, um compartilhar de Cristo.
Agora, temos esse desejo de comunhão, irmãos e irmãs? Temos esse desejo?
Lembro-me daquela história maravilhosa. Já a contei antes. Perdoem-me se estão cansados dela, mas vou contá-la mesmo assim.
Quando o irmão Nee foi à Inglaterra, na década de 1930, visitou George Cutting. George Cutting era um irmão idoso do movimento dos Irmãos, um querido homem de Deus. Estava morrendo. Estava em seu leito de morte.
George Cutting escreveu Segurança, Certeza e Alegria, um folheto evangelístico muito conhecido. Vocês ainda podem lê-lo. Ele apresenta o evangelho por meio da figura de um trem. Em que trem você está? Em que parte do trem você está?
George Cutting, esse querido homem, alternando entre a consciência e a inconsciência, despertou e disse: “Não posso viver sem o Senhor, e Ele não pode viver sem mim”.
Vocês sabem que isso é o livro de Romanos? Por que Romanos foi escrito? Porque Deus está dizendo: “Não posso viver sem vocês”. Isso me impressiona, mas essa é a história de Romanos.
Quando o irmão Nee voltou à China, viu algo mais, com uma revelação maior. Ele disse: “Não posso viver sem o Senhor, e Ele não pode viver sem mim”. Isso é comunhão.
Mas ele também disse algo maravilhoso: “Não posso viver sem o Senhor. Não posso viver sem meus irmãos e irmãs, e eles não podem viver sem mim”.
É esse o entendimento que vocês têm de comunhão? Vocês podem dispensar os irmãos e irmãs e dizer: “Tudo o que preciso é do Senhor. Não preciso de mais nada”? O Senhor não disse isso.
Ele nos chamou para essa comunhão tão celestial, tão elevada, tão sagrada. Deus não pode viver sem nós. Vocês podem viver sem seus irmãos e irmãs?
Quantas vezes vejo pessoas — não vou citar nomes — que, por seu próprio comportamento, caráter e presença, deixam claramente entendido: “Posso viver sem meus irmãos e irmãs”.
Oh, queridos santos, esse desejo de comunhão, manifestado no primeiro capítulo de Romanos, nos mostra claramente o desejo de Deus, escrito como se fosse apenas o desejo de Paulo.
“Não posso viver sem meu Senhor, e Ele não pode viver sem mim. Não posso viver sem meus irmãos e irmãs, e eles não podem viver sem mim.” Vocês podem até querer viver assim, mas isso não corresponde ao coração de Deus.
Agora, a próxima seção é muito curta. São apenas os versículos 16 e 17. Este é o coração do assunto. Não pensem, nem por um momento, que a brevidade seja uma medida de importância.
Pois não me envergonho das boas-novas, porque são o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
pois nelas se revela a justiça de Deus, sobre o princípio da fé para a fé, conforme está escrito: “Mas o justo viverá pela fé”.
Estes são os dois versículos mais importantes do livro de Romanos, se vocês me permitem dizer. Tudo diz respeito a esse glorioso evangelho. Como já aprendemos, esse glorioso evangelho diz respeito inteiramente ao Filho de Deus.
Ele disse que não se envergonhava dele. E foi além, definindo esse glorioso evangelho de Deus:
É o poder de Deus para a salvação.
Vocês precisam sublinhar isso em sua Bíblia, se ainda não o fizeram: o poder de Deus para a salvação. Não é o poder dos homens. Não é nossa força. Não é nossa vontade. Nem sequer é nossa escolha. Só escolhemos depois que Ele nos escolhe. Vocês entendem?
Esse é o segredo do evangelho. É o poder de Deus para a salvação. Pode haver um poder maior do que o poder de Deus para a salvação?
Ele não nos deixou entregues aos nossos próprios recursos, dizendo: “Coloque sua vida em ordem. Conserte essas coisas quebradas e volte a Mim; então Eu o receberei”. Não há nada disso.
O glorioso evangelho de Jesus Cristo é: “Colocarei em vocês e lhes darei o poder de Deus para a salvação”. Vocês conseguem imaginar? Ele poderia ter feito algo mais?
Ele colocou o Espírito Santo dentro de nós para habitar em nós, e também o Espírito Santo sobre nós para nos ungir para o serviço. Dentro de nós está o poder de Deus.
Não quero que vocês deixem de perceber isso. Se não perceberem isso, nunca entenderão o livro de Romanos. É isso que o livro inteiro procura descrever: é o poder de Deus para a salvação.
Vocês entendem? Sem o poder de Deus para a salvação, a salvação, a vida cristã, a justiça e a santidade seriam absolutamente impossíveis.
Não é que vocês possam seguir pelo caminho B. Não é que possam chegar a uma bifurcação e ir por aqui, escolher ir por ali ou selecionar outras opções, como o pacote de opcionais B numa concessionária de carros.
Irmãos e irmãs, há apenas um caminho. É um caminho reto. É um caminho estreito. É um caminho que conduz à vida. Há uma única porta, e essa única porta é pelo poder de Deus para a salvação.
Vocês se lembram da história do jovem rico. Quando ele veio, tinha tanto zelo. Disse:
Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
O Senhor lhe falou dos mandamentos, e ele disse: “Tenho guardado todos eles desde a minha juventude”. Não consigo pensar em alguém mais iludido consigo mesmo. Tenho certeza de que era um bom rapaz, mas como estava enganado.
O Senhor estava tentando levá-lo ao fim de si mesmo. O primeiro capítulo de Romanos procura nos levar ao fim de nós mesmos, para que não tenhamos a ideia equivocada de que há alguma esperança em nós de fazer o que Ele nos chama a fazer. É impossível.
O Senhor, sabendo que ele era um jovem rico, disse:
Uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres; e vem, segue-Me.
Essa foi a palavra do Senhor para aquele homem, porque ele acreditava que podia fazer tudo o mais, mas havia uma coisa que não conseguia fazer.
Os apóstolos ficaram tão abalados que disseram: “Então, quem pode ser salvo?”. O Senhor disse aquelas palavras tão conhecidas:
Para os homens é impossível, mas não para Deus; pois para Deus todas as coisas são possíveis.
Vocês entendem? Essa é a força do poder de Deus. Como precisamos nos alegrar. Ele não nos deu um livro e disse: “Façam isto e façam aquilo”. Em vez disso, Ele nos deu o poder de Deus.
Outra coisa revelada é que a justiça de Deus se revela no evangelho. Vocês não estão felizes por não estar escrito “a justiça de Kenny”, ou “a justiça de Jerry”, ou “a justiça de Linda”?
A justiça de Deus é revelada nele. Não se espera uma justiça que venha de vocês. Acho que nossas expectativas em relação a nós mesmos estão tão equivocadas. Deus não espera isso de nós, mas nós esperamos isso de nós mesmos.
Ele nunca pensou que vocês tivessem uma justiça capaz de alcançar o padrão. Então disse: “Deixem-Me lhes dizer o que mais se revela no evangelho: a justiça de Deus”.
É isso que nos é dado. É isso que nos é imputado. É uma justiça imputada. Ela nos é concedida. Não é nossa justiça. É a justiça de Cristo.
Quando temos o poder de Deus e essa segunda coisa revelada no evangelho — a justiça de Deus —, o que nos falta? Isso é o livro de Romanos, capítulo 1. Isso é o evangelho. Essas são as boas-novas.
Ele continua dizendo que ela é revelada sobre o princípio da fé, conforme está escrito:
Mas o justo viverá pela fé.
Há apenas uma coisa a fazer: somente crer. É isso que vocês fazem. Somente crer.
Se vocês têm dificuldade para crer, amo aquele relato do homem cujo filho estava possesso por um demônio. Ele disse:
Eu creio; ajuda Tu a minha incredulidade.
É assim que caminhamos. É assim que isso se torna realidade.
O justo viverá pela fé.
Isso vem de Habacuque 2:2-4. É o segredo do Novo Testamento.
Deixem-me contar outro segredo: nem sequer é a fé de vocês. Quando olhamos para Gálatas 2:20, lemos:
Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé do Filho de Deus,
o Qual me amou e Se entregou por mim.
Que maravilha. Que maravilha é esse evangelho. Somente creiam. Isso é Gálatas 2:20 — não Romanos 2:20. Peço desculpas. Eu sei disso.
O justo viverá pela fé.
Esse é o segredo do Novo Testamento. É citado aqui, em Romanos 1:17. É citado em Gálatas 3:11. É citado em Hebreus 10:38. Em todo o Novo Testamento, esse é o único segredo.
Muito bem, vou fazer o que fiz com os irmãos no Paquistão. Nesta última parte, vamos acelerar. Sei que vocês estavam esperando por isso.
Esta parte trata da condição do homem. Não a leiam como se precisassem passar por ela depressa para chegar à justificação no capítulo 3.
Paulo dedicou quase três capítulos à condição do homem: Romanos 1:18-32, todo o capítulo 2 e o capítulo 3 até Romanos 3:20.
Ele precisou ser tão cirurgicamente preciso, tocando em cada ponto, que esses seres humanos com os quais estava lidando nunca mais pensassem: “Há alguma esperança de que eu possa cumprir o que Deus queria de mim”. A única esperança vem dEle.
De maneira cirúrgica e precisa, ele trata de cada aspecto do homem e o expõe a tal ponto que, ao final, todos estão inteiramente culpados e lançados sobre a misericórdia do Senhor.
Isso revela a condição arruinada do homem. Revela a impossibilidade de agradarmos a Deus. Revela a necessidade absoluta de Cristo, nossa vida.
Em Romanos 1:18, está escrito:
Pois a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça.
Lembrem-se: a justiça de Deus é revelada no evangelho. A segunda coisa revelada é a ira de Deus.
Sei que não está na moda falar da ira de Deus. É politicamente incorreto. Mas, se não enxergarmos Seu juízo absoluto e completo sobre toda a humanidade, nunca entenderemos como o evangelho é glorioso.
Essa é a mensagem de Romanos 1. Há algumas palavras que vocês precisam sublinhar: uma palavra e uma expressão.
Em Romanos 1:19:
O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles; pois Deus lho manifestou.
Em Romanos 1:20, Deus faz questão de manifestá-lo. O texto fala de Seu eterno poder e de Sua divindade manifestados nas coisas criadas.
Não foi como se Ele tivesse escondido Quem era. E não apenas isso: mais adiante em Romanos, vocês descobrem que há uma lei natural gravada no coração do homem. Ela é chamada de lei da consciência.
Se obedecerem à própria consciência, poderão conhecer os caminhos do Deus vivo. Pois, em Romanos 1:21, aquela palavra aparece novamente:
Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, mas tornaram-se insensatos em seus pensamentos,
e o seu coração sem entendimento se obscureceu.
Isso é uma mente obscurecida. Vocês leem essas coisas em Romanos 1, e parece o noticiário de hoje. Leem as coisas em que os homens estavam envolvidos, as coisas que os homens consideravam normais, as coisas que as mulheres consideravam normais.
Como essas palavras são explícitas. Talvez vocês nem consigam lê-las num grupo de homens e mulheres juntos.
Há algo interessante em Romanos: Deus nunca Se voltou contra o homem. O homem se voltou contra Deus.
Eles nem sequer consideraram bom manter Deus em seu conhecimento. Fizeram ídolos de aves, de quadrúpedes e de animais rastejantes, e adoraram a criação em vez do Criador, o Qual é bendito para sempre. Amém.
Como ficaram obscurecidos. E então, finalmente, lemos a reação de Deus. Em Romanos 1:24, Romanos 1:26 e Romanos 1:28, essa expressão aparece três vezes: “Deus os entregou”. Sublinhem isso em sua Bíblia.
Deus os entregou. Depois que eles abandonaram Deus, Deus os entregou.
Por isso, Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à impureza.
Por essa razão, Deus os entregou a paixões vis.
E, como não consideraram bom ter Deus em seu conhecimento, Deus os entregou a uma mente reprovada, para praticarem coisas inconvenientes.
Depois vem esta expressão:
Estando cheios de toda injustiça.
Essa é a condição do homem. Vocês percebem? Como está claro?
Deus é justo. Ele é justo ao fazer o que fez. Acho que o questionamento de hoje, e a maior parte dos ataques do mundo contra nós, é: “Como um Deus amoroso poderia fazer isso?”.
Um Deus amoroso não fez isso. O homem pensou: “Não quero Deus em meu conhecimento. Quero ser livre para expressar meu novo eu. Quero acabar com qualquer relação com Deus. Lavar minhas mãos de Deus”.
Isso é a injustiça do homem. Que lista abrangente.
Quando chegamos ao último versículo, lemos:
Os quais, conhecendo o justo juízo de Deus, de que os que praticam tais coisas são dignos de morte,
não somente as praticam, mas também se comprazem com os que as praticam.
Pensem nisso. Vocês sabem do que somos dignos? Da sentença de morte.
Vocês podem achar isso cruel. “Como Deus, um Deus amoroso, um Deus que cuida, um Deus Criador, poderia nos impor a sentença de morte?” Ele nunca fez isso. Nós a escolhemos, porque não consideramos bom ter Deus em nosso conhecimento.
Irmãos e irmãs, isso é Romanos, capítulo 1.
Para compreender Romanos 1:18-32, o capítulo 2 de Romanos e a maior parte do capítulo 3, vocês precisam entender o cenário: este é o tribunal divino, onde o justo Juiz está julgando a injustiça.
O que Ele acaba dizendo é que a humanidade, que Ele criou e que se afastou dEle, é indesculpável. Vejam Romanos 1:20:
De modo a torná-los indesculpáveis.
Vejam Romanos 2:1:
Portanto, és indesculpável, ó homem, todo aquele que julgas.
Somos declarados indesculpáveis. É isso que somos. É isso que escolhemos. É assim que somos levados a um Deus que nos dará Seu poder, nos chamará de Seus amados, nos dará Sua justiça e nos refará à Sua própria imagem.
Esse é o único segredo do evangelho. É isso que Ele busca.
Quando chegamos a esse encerramento, no versículo 32, o veredito e a sentença são pronunciados pelo Juiz divino. Ele diz: “Indesculpável. Indesculpável, ó homem”. E diz mais do que isso: “Culpado”.
Culpado a ponto de quê? Culpado e merecedor de morte. Vocês podem achar isso forte. Não é forte demais. Essa é a única maneira pela qual vocês chegarão ao conhecimento salvador do Senhor Jesus.
Isso é Romanos 1. Que o Senhor abra nossos olhos. Que o Senhor abra nossos olhos.
Senhor, entregamos a Ti essas coisas. Nós Te pedimos, Senhor: abre nossos olhos para contemplarmos a glória do Teu evangelho e a nossa própria condição.
Sem enxergarmos a glória do Teu evangelho, não há esperança. Sem enxergarmos nossa verdadeira condição, não percebemos que precisamos nos preocupar com ela. Viveremos como sempre vivemos.
Mas, quando a convicção e o poder do Espírito Santo vêm sobre nós e revelam a justiça de Deus e o poder de Deus, então dobramos os joelhos de bom grado e dizemos: “Senhor, Teu veredito é correto. É verdadeiro. É justo. Senhor, tem misericórdia de nós”.
Ó Deus, é isso que creio estar neste primeiro capítulo. Que abras nossos olhos. Dá-nos olhos para ver e ouvidos para ouvir.
Então cremos que poderás nos transformar naquilo que queres que sejamos. Isso pedimos em nome do Senhor Jesus. Amém.