Bom dia. Gostaria de começar lendo alguns versículos para vocês. Acho que, depois de lê-los, vocês saberão qual é o encargo.
Abram em Hebreus 12. Vamos começar em Hebreus 12:18 — não existe um versículo 81 —, no versículo 18.
Porque não chegastes ao monte que se podia tocar e que ardia em fogo, nem à escuridão, às trevas e à tempestade; nem ao sonido da trombeta e à voz das palavras, a qual os que a ouviram pediram que não se lhes falasse mais; porque não podiam suportar o que se lhes ordenava: Se até um animal tocar o monte, será apedrejado; e tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou sobremodo aterrorizado e trêmulo.
E então, isto é de suma importância, Hebreus 12:22-24:
Mas chegastes ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial; e às incontáveis hostes de anjos, à assembleia universal; e à igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus; e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o Mediador de uma nova aliança; e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.
E a primeira frase de Hebreus 12:25:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Vou ler Hebreus 11:10, na versão King James. Este texto fala de Abraão. Todos vocês conhecem este versículo, Hebreus 11:10:
Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o arquiteto e construtor é Deus.
E agora gostaria de ler, no Antigo Testamento, um salmo que talvez muitos de vocês não conheçam bem. É o Salmo 87, mas espero que vocês se familiarizem mais com ele.
O Seu fundamento está nos montes santos. O Senhor ama as portas de Sião Mais do que todas as habitações de Jacó. Coisas gloriosas se dizem de ti, Ó cidade de Deus. Selá.
Farei menção de Raabe e da Babilônia entre os que Me conhecem: Eis a Filístia e Tiro, com a Etiópia: Este nasceu ali.
Sim, de Sião se dirá: Este e aquele nasceram nela; E o próprio Altíssimo a estabelecerá. O Senhor contará, ao registrar os povos: Este nasceu ali. Selá.
Tanto os que cantam como os que dançam dirão: Todas as minhas fontes estão em ti.
Senhor, somos tão gratos pela Tua palavra nesta manhã. Sabemos que, ao nos achegarmos a Ti, precisamos desviar os olhos de nós mesmos. Não podemos olhar para nós mesmos nem confiar em nós mesmos para oferecer algo de verdadeiro valor espiritual.
Mas sabemos que somente Tu tens as palavras da vida eterna. Ao nos achegarmos a Ti, fazemos isso em completa dependência, para que o próprio Senhor — Aquele de Quem ouvimos nesta manhã, à Sua mesa — traga a Sua palavra. Que diferença isso fará em nossa vida e em nosso andar no Senhor Jesus!
Por isso, pedimos que nos vivifiques para falar e nos vivifiques para ouvir, a fim de que saibamos o que o Espírito está dizendo às igrejas. Pedimos estas coisas em nome de Jesus. Amém.
Bem, desde que compartilhei sobre a certeza divina — acho que alguns de vocês se lembram daquelas mensagens —, tenho buscado saber do Senhor o que Ele teria em Seu coração para eu compartilhar, se houvesse algo.
E esta frase me veio: “Prosseguindo em direção a Jerusalém.” Veio com muita força. Nunca vou me esquecer de que, quando fui a San Antonio, à última conferência em que falei, isso foi confirmado. Um irmão ali falou sobre as portas de Jerusalém, e eu soube. Soube que aquilo vinha do Senhor.
De fato, creio que a Bíblia é uma jornada progressiva em direção a Jerusalém. É difícil imaginar que seja de outro modo. Quando chegamos ao fim do Antigo Testamento — nossos irmãos têm compartilhado sobre Neemias nas noites de sexta-feira, a cada duas semanas —, tudo trata da reconstrução dos muros de Jerusalém.
Tudo trata daquela cidade que estava em ruínas. E, em pouco tempo, Deus — porque é Ele Quem realiza a grande obra — pôde transformar aquele lugar desolado e arruinado em um lugar de glória e maravilha. Em apenas cinquenta e dois dias, como lemos.
Então, esse é o final do Antigo Testamento. Vocês veem claramente qual é a ênfase. Quando chegam ao fim do Novo Testamento, também começam a perceber o que parece estar no coração do Senhor.
Vocês se lembram do escritor de Hebreus. Acabamos de ler esse livro. Lembram-se de como ele compartilhou aquelas palavras que lemos em Hebreus 12? Eram suas palavras conclusivas. Para esse escritor de Hebreus, aquilo era a síntese. Era isso que estava em seu coração.
E, nesse grande contraste, vemos a grande obra de Deus. Então, olhem para o final de Apocalipse. Não há como se enganar — não há como se enganar. A última visão de Apocalipse, nos capítulos 21 e 22, depois do fim do reino de mil anos, trata de Jerusalém, a cidade de Deus.
Acho que está bem claro. O Senhor tem algo a dizer. No final do Antigo Testamento, àqueles judeus que eram tentados a voltar às coisas antigas, àquelas sombras, e viver nelas, Ele os estava chamando de volta a Sião. E então, no final da Bíblia, creio que isso também está bem claro.
Lembro-me de que, quando estivemos recentemente na Conferência da Família Cristã, aquele pensamento de Neemias 6:3 ficou gravado em meu coração. Quando Neemias disse àqueles inimigos:
Por que eu deveria descer até vocês? Por que faria isso? Estou fazendo uma grande obra e não descerei.
Agora, irmãos e irmãs, não era o próprio Neemias quem estava fazendo uma grande obra. Era Deus Quem estava fazendo uma grande obra. E, graças a Deus, em Sua soberania, isso é um privilégio inconfundível: em Sua soberania, Ele chama o homem para estar com Ele e participar dessa grande obra.
Isso é extraordinário, quando pensamos a respeito. Quem teria imaginado? Deus poderia fazer tudo sozinho. Por que Ele precisa chamar o homem para essa situação e para esse relacionamento, para fazer parte de Sua grande obra?
E a resposta simples é: esse sempre foi o Seu propósito. Essa é a explicação da criação do homem. Essa é a explicação de Gênesis 1:26-27, quando Ele fez o homem à Sua imagem e à Sua semelhança, para ter domínio e participar dessa grande obra.
Então, este é o encargo que o Senhor colocou em meu coração. Vou compartilhá-lo em três partes, porque dificilmente conseguirei apresentar tudo hoje. O encargo inteiro está nesta frase: “Prosseguindo em direção a Jerusalém.”
Acho que há uma marcha em direção a Jerusalém, um movimento em direção a Sião, desde o começo da Bíblia até aquela grandiosa conclusão no final. Há muita coisa em jogo.
O Senhor terá o que deseja? Tenho certeza de que sim. O homem estará envolvido nisso, participando como Ele deseja? Espero que sim. Tudo depende da nossa resposta.
As três partes constituem uma progressão, assim como a progressão de seguir em direção a Jerusalém:
Em primeiro lugar, a frase que me vem é aquela de Hebreus 11:10: buscar Jerusalém. É claro que o texto diz que ele esperava a cidade, mas está claro que o que Abraão buscava era Jerusalém — a Jerusalém celestial, não a Jerusalém terrena.
Alguns estão tão presos à Jerusalém terrena. Graças a Deus, ela é uma ilustração maravilhosa neste mundo de que Deus pode preservar um povo que enfrenta tanta oposição, tanto conflito e que está tão no centro das controvérsias. Mas, ainda assim, a Jerusalém terrena não é o nosso destino final. A Jerusalém celestial é o nosso destino final.
Então, primeiro: hoje vamos considerar o que significa buscar Jerusalém. Acho que isso é muito importante.
Outra coisa nessa progressão se torna clara na Bíblia. Quando vocês veem Davi, Abraão, Neemias, Esdras e Ageu, veem pessoas que anelavam por Jerusalém.
Pensem nisso. Temos esse anseio em nosso coração — esse profundo anseio por Jerusalém? Isso fará diferença. Fará diferença.
E, em terceiro lugar, acho que esta expressão está muito clara na Bíblia: viver em Jerusalém. Não basta apenas ver algo. Nem mesmo basta ter paixão por algo. Se isso não faz parte da realidade da sua vida, e você não está vivendo nisso, então perdeu o essencial.
Assim, na grande conclusão, o que Deus busca é que nós, como povo de Deus, assim como em Neemias 11:1-2, acabemos vivendo em Jerusalém. Seríamos como aqueles sacerdotes de outrora, mencionados no Antigo Testamento, que viviam em Jerusalém.
Esse é o encargo geral. Essas três etapas são uma progressão necessária para prosseguirmos em direção a Jerusalém.
Agora, gostaria de falar sobre esses versículos que li em Hebreus 12. Acho que são versículos maravilhosos. Eles mostram tudo o que temos em Cristo Jesus. Mostram a grande obra que Ele realizou. Mostram a plenitude dessa obra e a provisão que nos é disponibilizada em Cristo Jesus.
Creio que essas palavras são a visão conclusiva desse escritor anônimo e ungido de Hebreus. A esta altura, vocês já devem estar cansados de me ouvir dizer isso, porque sempre digo quando falo sobre Hebreus. Mas esse escritor nunca se identifica.
Por que ele não se identifica? Paulo se identificava. Gosto de vocês que dizem: “Tenho certeza de que foi Paulo.” Fico feliz que tenham tanta certeza. Mas ele nunca se identifica, porque a mensagem é mais importante do que o homem. Essa é a chave.
Esse autor anônimo e ungido tinha uma palavra conclusiva para o povo de Deus. Vocês poderiam discutir comigo e dizer: “Bem, certamente há outras coisas — o capítulo 13 inteiro. Irmão, você arrancou essa página da sua Bíblia?” Não arranquei.
Eram lembretes, mas não eram o pensamento conclusivo. Ele disse em Hebreus 13:1-2:
Permaneça o amor fraternal; e não vos esqueçais da hospitalidade.
Ele disse em Hebreus 13:7:
Lembrai-vos dos que vos lideraram, homens que vos falaram a palavra de Deus; e, considerando o resultado de sua vida, imitai a sua fé.
Penso nesse versículo quase todos os dias, quando me lembro de nosso amado irmão Kong e de sua partida. Lembrem-se dos seus líderes. Imitem os seus líderes. Andem como eles andaram.
E então, é claro, em Hebreus 13:18, ele disse:
Orai por nós.
Orem por nós enquanto persuadimos outros. Creio que esses são pontos que ele apresentou, mas não eram sua gloriosa conclusão. A conclusão estava no capítulo 12.
Eu já pensava assim havia algum tempo, mas fui muito ajudado quando li o pensamento do irmão Sparks. Não sei se vocês já leram Agora Chegamos ao Monte Sião. É um livro antigo, creio que da década de 1960. Na verdade, eram ministrações orais, preservadas dessa forma.
Mas o irmão Sparks disse que o escritor anônimo e ungido de Hebreus havia resumido aqui tudo o que tinha a dizer. E continuou: “Toda a carta se concentra nesta única seção, regida por estas duas palavras: não e mas. São as palavras-chave que desvendam o mistério daquilo que Deus busca.”
É um contraste entre a antiga aliança e a aliança superior, mas é muito mais do que um contraste. É a conclusão do escritor. Deixem-me colocar de outra maneira, porque sei que alguns de vocês talvez não gostem desta palavra, mas vou dizê-la, e vou dizê-la mais de uma vez: era a visão conclusiva do escritor.
Era isso que ele queria que aqueles judeus que haviam se tornado crentes, e que estavam prestes a voltar atrás e se afastar do Senhor Jesus, ouvissem. Era seu pensamento conclusivo. Era sua principal exortação.
Vocês conhecem o livro de Hebreus. Em Hebreus 13:22, ele diz:
Suportai a palavra de exortação.
O livro está cheio de exortações. Está cheio de advertências: “para que não” — isso é uma advertência —, repetidas vez após vez. E então está cheio de exortações: “façamos”, “aproximemo-nos”.
Essas duas expressões nos mostram o que estava em seu coração. Mas, irmãos e irmãs, nesta palavra de exortação, esta é a exortação. Vocês entendem o que está em meu coração? Esta é a exortação: de onde viemos e aonde chegamos; do que trata esta jornada; de onde estamos saindo e para onde estamos indo — prosseguindo em direção a Jerusalém.
Isso me ajudou tanto quando o irmão Sparks, um homem que realmente tinha visão, o disse. Quando penso no irmão Sparks, penso que ele era um homem de visão. Ouço música celestial. Ele era um homem de visão.
Algumas pessoas diziam que ele não era tão prático. Eu não ousaria dizer isso do irmão Sparks. Quanto temos recebido de alguém que viu alguma coisa! Vocês entendem minha ênfase? Alguém que viu alguma coisa.
Esse é o ponto de Hebreus. Ele buscava uma cidade. Viu alguma coisa e, depois disso, nunca mais foi o mesmo.
Então, este é o encargo que o Senhor colocou em meu coração. Olhem novamente para Hebreus 12:18, nessa visão conclusiva:
Porque não chegastes ao monte que se podia tocar.
Essa é uma frase muito importante.
Aqueles crentes hebreus estavam voltando à antiga aliança. Estavam voltando a essas coisas. Mas então vocês leem Hebreus 12:22, e este é o sentido de sua exortação:
Mas chegastes ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial.
Era isso que ele tinha a dizer. Era tudo o que ele tinha a dizer. Esta é a jornada que prossegue em direção a Jerusalém. Duas palavras, como disse o irmão Sparks: não e mas. Que diferença!
Quando vocês olham para a primeira parte, naqueles primeiros versículos, que descrevem aquele monte, o texto diz algo impressionante: era uma visão terrível.
E diz tanto que, em Hebreus 12:21, Moisés — agora, Moisés, que tinha a visão, que tinha a revelação, cujo rosto resplandecia quando desceu do monte Sinai —, o texto diz que Moisés declarou:
Estou sobremodo aterrorizado e trêmulo.
Graças a Deus, essa não é a visão que vemos no restante desta exortação. Era uma visão terrível. Há um grande contraste entre o Sinai e a aliança superior. No Sinai, a visão é terrível. Eles não se aproximavam do monte. Era tão assustador; temiam ser feridos de morte.
Mas, ah, Sião é diferente. Em Sião, tudo nos é disponibilizado em Cristo Jesus. Tudo de que precisamos nos é disponibilizado em Cristo Jesus. Não há falta, não há carência, não há limitação. Tudo está providenciado.
É isso que creio que essas duas palavras, não e mas, significam.
O Salmo 87:3 diz:
Coisas gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus.
E, quando vocês leem Hebreus 12:22-24, começam a descobrir essas coisas gloriosas que se dizem de ti, ó cidade de Deus.
Como são gloriosas! De fato, quando vocês as leem, começam a compreender a profundidade das coisas gloriosas que nos foram dadas em Cristo Jesus.
Quando vocês leem a palavra, devem lê-la com cuidado e meditação. Devem refletir quando algo é repetido. Se não refletirem quando algo é repetido, perderão a ênfase do escritor. A repetição muitas vezes é a chave nas Escrituras.
Pelo menos na minha versão — a Darby, que uso —, há esta expressão: “e a”.
Chegastes ao monte Sião, e a…
Sete vezes essa expressão se repete: “e a”.
Irmãos e irmãs, quando pensei nisso, pensei: esse é o número perfeito. Sete é o número da perfeição. Aqui vemos todas as glórias de Deus das quais se fala, realizadas em Cristo Jesus. Tudo nos foi disponibilizado quando chegamos ao monte Sião e enquanto caminhamos em direção a Jerusalém.
Olhem para essas coisas, pelo menos por um momento. Vamos ver como estamos em relação ao tempo. Em Hebreus 12:22, está escrito:
E à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial.
Irmãos e irmãs, a visão que contemplamos já não é aquela visão terrível. O Sinai ficou para trás. Vocês não conseguiam cumprir suas exigências. Era um fardo que não podiam suportar. Era simplesmente aquele tutor severo, como diz Gálatas, para prepará-los para Cristo.
Somente Ele é Quem pode fazer o que é exigido. Ele é o único que pode realizar essa grande obra. Vocês entendem isso?
O Sinai fala dos esforços do homem para chegar a Deus, e acho que há uma palavra que se encaixa muito bem. Vocês poderiam escrever sobre todo o Sinai: Impossível. É impossível. Vocês não querem ouvir de novo minha história sobre a vida cristã, mas é impossível.
Mas, quando chegam a Sião, quando chegam à cidade do Deus vivo, vocês veem uma grande obra que o Salvador realiza em um povo, preparando-o completamente e introduzindo-o em toda a sua herança em Cristo Jesus.
Sião é a plenitude de tudo o que está disponível em Cristo. O Deus vivo está conosco, fazendo o que jamais poderíamos fazer sob a antiga ordem das coisas.
Em segundo lugar, ainda em Hebreus 12:22:
E às miríades de anjos, à assembleia universal.
Agora, vou ser bem sincero com vocês. Eu não entendia muito bem essa expressão, nem por que estava ali. Mas acho maravilhoso que Deus a tenha colocado ali por meio desse escritor.
Isso significa que toda provisão divina está disponível a vocês em Cristo Jesus para fazê-los prosseguir em direção a Jerusalém e levá-los até a linha de chegada. Como isso é maravilhoso!
Pensem em Lucas 22:43. Ali está o Senhor Jesus em Seu momento de mais profunda agonia no Getsêmani, e o texto diz algo notável:
E apareceu-Lhe um anjo do céu, que O fortalecia.
Não sei o que vocês pensam disso, mas todos os recursos estavam disponíveis. O escritor de Hebreus nos diz, nos primeiros capítulos, que os anjos são espíritos ministradores. Deus disponibilizou essas miríades de anjos, essa assembleia universal, para nos introduzir em tudo o que é nosso em Cristo Jesus.
Há outro “e a”, o terceiro:
E à assembleia dos primogênitos, que estão inscritos nos céus.
Graças a Deus por isso.
Vocês sabem que esta jornada em direção a Jerusalém nunca é uma jornada solitária? Algumas pessoas pensam, equivocadamente, na vida cristã como uma caminhada solitária. Há muita coisa individual na vida cristã, mas, ainda assim, no final, há esse grande encorajamento.
Nessa visão conclusiva de Sião, da Nova Jerusalém, chegamos à assembleia dos primogênitos. A igreja é o lugar onde O vemos com maior clareza.
Minha visão de Cristo é tão pequena; não é suficiente. Sua visão de Cristo é tão pequena; não é suficiente. A visão de Jerry, acreditem ou não, é tão pequena. Mas, nessa reunião dos primogênitos, nessa santa assembleia, vemos um Cristo grandioso.
Sempre gostei da maneira como o irmão Fromke colocava isso. Não sei quantos de vocês conhecem o irmão Fromke, de Indianápolis. Ele falava sobre visão desta maneira: dizia que era como um elefante dentro de um armário.
Agora, não sei como se põe um elefante dentro de um armário, a menos que seja um elefante pequeno ou um armário grande. É isso que Linda gostaria de ter: um armário do tamanho de um elefante.
Mas, nessa situação, todos nós tocamos uma parte. Alguns de nós pegam aquela cauda velha e fina e dizem: “É assim que o elefante é. É isso que eu vejo.” E, a propósito, acho que ele disse que era no escuro, dentro do armário.
Ah, você toca aquela perna enorme, como um tronco, e diz: “Ele é como uma árvore gigante.” Ou pega aquela longa tromba e diz: “Ele é como uma cobra grande.” Vemos em parte.
Mas, quando estamos juntos, nessa reunião dos primogênitos, vemos as coisas com mais plenitude e clareza do que jamais vimos. Assim como nesta manhã, à mesa do Senhor: vemos as coisas de maneira mais plena.
A abertura foi preciosa. O momento de lembrá-Lo foi ainda mais precioso. Como sou grato pela assembleia! Como sou grato! Quando Deus concebeu esta jornada em direção a Jerusalém, nunca pretendeu que a fizéssemos sozinhos. Nunca pretendeu que fosse solitária. Sempre pretendeu que fosse coletiva.
Bem, vou acabar me metendo em problemas se não tomar cuidado. O quarto ponto:
E a Deus, o Juiz de todos.
Sou tão grato por haver um Juiz justo.
Na maioria dos dias, fico indignado — e sei que alguns de vocês dirão: “Você ouve notícias demais.” Entendo isso. Às vezes, eu mesmo sinto que preciso rever esse hábito. Mas ouvimos o tempo todo esses juízes que acham que têm poder supremo, tomando decisões depois que a lei foi invocada.
Mas temos um Juiz justo. Ele julgará o mundo com justiça. Ele não pode falhar. Todos os Seus juízos são retos, e todos os Seus juízos são verdadeiros. Chegamos ao Juiz justo.
E o quinto ponto — gosto muito deste:
E aos espíritos dos justos aperfeiçoados.
Vocês já meditaram nisso?
Quando fomos introduzidos nessa cidade de Sião, nessa Jerusalém, pelo nascimento fomos feitos justos. Fomos justificados. Você não vai ser justificado. Você já é justificado.
A maravilhosa carta aos Romanos apresenta essa justificação de maneira tão extraordinária. Somos justificados, mas esse não é o fim da obra de Deus. O encorajamento nessa visão conclusiva é: justos aperfeiçoados.
Agora, vocês entendem? Ele está realizando uma obra contínua. Está nos aperfeiçoando. Sempre penso em Pedro. Vocês se lembram daquele primeiro chamado a Pedro:
Vinde a Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
Tenho certeza de que Pedro se esqueceu daquela frase: “Eu vos farei.” Tenho certeza de que ele entrou com tudo nos assuntos divinos, pensando que, de algum modo, poderia realizar a grande obra de Deus. E como falhou, vez após vez!
Vocês se lembram da disciplina do Senhor sobre ele. Conseguem imaginar um discípulo do Senhor, e o Senhor olhando para ele e dizendo:
Para trás de Mim, Satanás.
Uma coisa é vocês me chamarem de mau irmão. Dora me chama de mau irmão quase todos os dias. Mas outra coisa — desculpe, Dora —, outra coisa é ser chamado de Satanás.
Eu lhes digo: Ele está realizando uma obra. Está nos aperfeiçoando. Deu ao Espírito Santo a responsabilidade singular de nos transformar e nos conformar à imagem do Senhor Jesus.
Justos aperfeiçoados. Isso não é belo? Ele poderia ter dito: “Justos — e, daqui para a frente, vocês se viram, rapazes.” Como isso seria terrível!
Se não fosse pela Sua obra santificadora, se não fosse pela Sua obra transformadora, se não fosse pela Sua obra de nos conformar à Sua imagem, como poderíamos completar nossa jornada até Jerusalém? Seria impossível.
Obrigado, irmão. E o sexto ponto, em Hebreus 12:24:
E a Jesus, o Mediador da nova aliança.
Isso não é belo? Isso diz tudo. Jesus é tudo em todos.
Na verdade, amo aquele versículo — acho que é Colossenses 1:13 — que descreve o que significa esse “tudo em todos”. Ele diz:
Ele é tudo.
Agora, que parte fica de fora de “tudo”?
Se eu desse tudo a Linda — o que, a propósito, não acontece —, o que ela pediria? Não haveria necessidade de mais nada.
Em Cristo, a glória dessa visão conclusiva é esta: vocês chegaram a Jesus. E, em Jesus, Deus lhes providenciou tudo. É de tirar o fôlego. Uma visão de tirar o fôlego.
E não sei bem por quê, mas hoje entendo melhor por que o sétimo ponto não é o sexto, e o sexto não é o sétimo. Na minha sabedoria, se eu fosse o escritor anônimo e ungido, teria colocado o sexto como sétimo: “E a Jesus.” O que mais poderia haver?
Mas ele disse algo maravilhoso. Passei a apreciá-lo mais. O texto diz:
E ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.
Pensem nisso. Quando tudo o mais falhar em sua jornada em direção a Jerusalém, o último pensamento que ele queria deixar com vocês é este: o sangue está sempre disponível.
O sangue nunca pode falhar. O sangue pode nos purificar de todo pecado. Em cada desvio que tomamos, como esses crentes hebreus, o sangue pode nos trazer de volta, purificar nossa consciência, e continuamos nossa jornada em direção a Jerusalém.
Vocês entendem? Vou contar uma história sobre meu irmão mais velho, se é que ele consegue me ouvir. Seus aparelhos auditivos estão colocados, Jerry?
Jerry é o irmão mais velho, a propósito. Ele é oito anos mais velho do que eu. Quando fomos salvos e passamos a participar juntos dessa grande obra, eu costumava me admirar. Jerry frequentemente orava: “Obrigado pelo sangue de Jesus.”
Tenho de admitir que eu não tinha a mesma apreciação que ele tinha pelo sangue. Mas, à medida que ele continuava orando assim, comecei a pensar que devia haver algo nisso. E, quando vejo que o escritor de Hebreus conclui com esse ponto, sei que há algo nisso.
O sangue pode corrigir qualquer rumo. O sangue pode resgatar todo pecador caído. O sangue pode nos tornar puros diante de Deus. Não importa onde falhemos, o sangue está sempre disponível.
Essas são as glórias de que fala o Salmo 87:3:
Coisas gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus.
Ó Jerusalém, ó Sião.
E então há esta exortação. Sempre há uma responsabilidade. Lembrem-se: esta é uma carta de exortação. A primeira frase de Hebreus 12:25 diz:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Irmãos e irmãs, podemos ser cabeças-duras. Linda me diz isso com bastante frequência. Podemos ser teimosos. Podemos ser obstinados.
Mas, irmãos e irmãs, creio que a única cura é não rejeitar Aquele que fala. Quando Ele fala, as coisas acontecem. Quando Ele fala, Sua grande obra é realizada. Quando Ele fala, tudo é colocado em ordem.
Vede que não rejeiteis Aquele que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram Aquele que os advertia na terra, muito mais…
Todos vocês sabem que essa é uma expressão de Hebreus: “muito mais”.
Quem se afasta Dele? Pensem nisso. Se nos afastarmos Dele, nunca conseguiremos fazer esta jornada até Jerusalém. É impossível.
Esses crentes hebreus eram um testemunho disso, voltando às sombras. Como precisamos que o Senhor nos ajude nessa questão!
Essa não é a única visão conclusiva. Quando vocês olham para Apocalipse, veem nos capítulos 21 e 22 essa visão maravilhosa. Como já lhes disse, ela está no final do reino milenar, no final do tempo, e é tudo aquilo que está colocado diante de nós para sempre, por toda a eternidade.
Agora, pensem nisso. Pensem em como Deus é bondoso: enquanto vivemos e peregrinamos como estrangeiros sobre a terra, temos um registro de como será a eternidade — de como ela será, em parte.
Nunca, nunca conseguiremos imaginar todas as coisas que Ele preparou para aqueles que O amam. Mas podemos ter uma pequena amostra. Aqui está a última visão conclusiva da Bíblia.
Para aqueles que estão começando a ficar nervosos, vocês sabem que meu primeiro ponto geralmente é o mais longo. À medida que nos aproximarmos do fim, os pontos ficarão mais curtos. Se vocês têm um assado no forno, estou apenas avisando.
Se olharem para Apocalipse 21:1, o texto diz algo maravilhoso:
E vi um novo céu e uma nova terra.
Essa é a chave. João viu.
Para nós, a palavra de Deus é: vocês já viram? Estão buscando isso? Já se deram conta das glórias que estão preparadas?
O primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
Então, em Apocalipse 21:2 — observem a repetição, muito importante:
E vi a santa cidade, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para seu esposo.
Agora, olhem para Apocalipse 21:9:
Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas e falou comigo, dizendo: Vem cá.
Ele não disse apenas: “Vem cá.” Disse:
Mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
Queridos amigos, sei que vocês talvez discordem de mim, mas creio que tudo isso trata de visão. Tudo isso trata de visão celestial. A única maneira de avançarmos em direção a Sião, a única maneira de seguirmos em direção a Jerusalém, é com visão. Essa é a chave. O que vocês veem?
A João, isso foi mostrado. Então, em Apocalipse 21:10-11:
E levou-me em espírito a um grande e alto monte; e mostrou-me a santa cidade, Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus; tendo a glória de Deus.
Pensem novamente no Salmo 87: nas glórias que se dizem dela. Pensem nessas glórias. O texto começa a falar dos fundamentos — os doze fundamentos —, das portas, dos muros, de todas aquelas pedras inacreditáveis, belas e preciosas naqueles muros.
Pensem no tamanho de Jerusalém. Pensem na magnificência de Jerusalém. O texto diz que são doze mil estádios. Agora, a maioria de vocês não vai à Lowe’s comprar uma trena graduada em estádios. Se forem, terão dificuldade.
Mas, se convertermos esses estádios em milhas, são mil e quatrocentas milhas de comprimento. Conseguem imaginar? Mil e quatrocentas milhas — uma cidade com mil e quatrocentas milhas de comprimento. É como a distância de Boston a Kansas City.
Mas essa cidade gloriosa é tão magnífica. Tem mil e quatrocentas milhas de comprimento, mil e quatrocentas milhas de largura e, acreditem ou não, mil e quatrocentas milhas de altura. Isso é glória — maior do que qualquer cidade.
Agora, sou engenheiro. A maioria de vocês sabe disso e tem paciência comigo. Quando olhamos para uma cidade, falamos em milhas quadradas. Não pensamos em milhas na vertical; aquilo é ar. Mas essa cidade é tão gloriosa que sua glória é tridimensional.
Sempre pensamos em milhas quadradas. Richmond não é uma cidade tão grande, mas há uma cidade na China — você precisa me ajudar, Dora; sabe como meu chinês é ruim —, Hulunbuir, na China.
Essa cidade tem cem mil milhas quadradas. Que cidade! É melhor vocês ficarem felizes por não terem de atravessar essa cidade de carro elétrico até chegar à outra ponta. Não, isso não foi um comentário político. Perdoem-me.
Mas vocês entendem que a cidade de Sião, a Nova Jerusalém, tem um milhão e novecentas e sessenta mil milhas quadradas? É vinte vezes o tamanho de Hulunbuir.
O irmão Steve está no Zoom e mora naquele lugarzinho, Vermont — apenas nove mil e seiscentas milhas quadradas. E essa cidade, em toda a sua glória, tem um milhão e novecentas e sessenta mil milhas quadradas.
Como é maravilhosa! Que visão! Que visão de glória indizível! Muros de duzentos e dezesseis pés de altura. Projetei muitos muros em minha carreira, mas nunca projetei um muro independente com duzentos e dezesseis pés de altura.
Chamamos isso de muro em balanço. Sabem, o primeiro muro que projetei tinha vinte e cinco pés. Quando fui vê-lo, não havia nenhum edifício ao redor. Pensei: “Ah, este é um muro grande.”
Mas a glória de Jerusalém é tão magnífica. A cena em Apocalipse 21 e 22 é tão magnífica que mal pode ser descrita. É para lá que estamos caminhando.
Tudo está ali, e o melhor de tudo é que o trono de Deus está naquela cidade. O melhor de tudo é que o trono do Cordeiro está na cidade. O melhor de tudo: a árvore da vida está na cidade, e o rio da vida está ali.
Conseguem imaginar um lugar mais magnífico para se estar? Talvez vocês pensem que Orlando e a Disney World são o lugar de maravilhas e magia, mas não são. É Jerusalém, com toda a sua glória — glória indizível.
Lembro-me de nossos amigos de Nova York. Agora, se vocês são de Nova York, por favor, perdoem-me. Acho que as pessoas de Nova York podem ser um pouco arrogantes. Não venham todos para cima do púlpito ao mesmo tempo.
Eles falam de Nova York — não do estado, mas da cidade. Dizem: “A cidade.” É só isso que dizem. “Onde você mora?” “Na cidade.” Como se fosse a maior cidade do mundo.
Acho que agora as pessoas estão se mudando de lá. Não tenho certeza de que seja o melhor lugar do mundo. Mas a cidade, aos olhos de Deus, é Sião. A cidade é Jerusalém. Ali, tudo é magnífico.
Linda e eu fomos à propriedade Biltmore, em Asheville, na Carolina do Norte. Eu recomendaria que vocês fossem. Talvez não gostem tanto, mas achei magnífico.
É a maior residência particular dos Estados Unidos. Aquilo tem quase duzentos mil pés quadrados. É enorme: quarenta e três banheiros. Conseguem imaginar se Linda me fizesse limpar tantos banheiros?
Três cozinhas, duzentos e cinquenta cômodos. É magnífico.
Lembro-me de que, quando estivemos lá, o artista que fez o desenho oficial a bico de pena estava presente. Só há um. Eles não entregam o trabalho a três pessoas, dizendo uma coisa a um homem e outra coisa a uma mulher. O artista oficial do desenho a bico de pena estava lá.
Ele era cristão. Linda e eu descobrimos isso e tivemos comunhão com ele. Olhei para aquele desenho a bico de pena — e eu amo desenhos a bico de pena. Era lindo. Era lindo.
Eu disse: “Isto é magnífico. Este lugar é magnífico. Mas escute: existe algo mais magnífico.” Pedi que ele escrevesse, por favor, naquela cópia que tão gentilmente assinou para mim, as palavras de Hebreus 11:10:
Da qual o arquiteto e construtor é Deus.
Quanto mais magnífica é essa Jerusalém! Ele ficou tocado com aquilo, e fomos embora. Hoje o desenho está pendurado em nossa cozinha, sobre a mesa onde tomamos café da manhã.
Ele sempre me lembrará de que não há nada tão magnífico. Não há nada mais maravilhoso. Mesmo quando se pode construir a coisa mais grandiosa de todos os Estados Unidos, não há nada mais maravilhoso do que Sião e Jerusalém.
Essa foi a impressão que ficou. Bem, precisamos seguir adiante. Há uma expressão sobre Jerusalém, relacionada ao Senhor Jesus, para a qual gostaria de chamar sua atenção. Vocês vão notar que ela diz: “Prosseguindo em direção a Jerusalém.”
Nosso Senhor prosseguia em direção a Jerusalém. Vocês se lembram de Mateus 16:21, quando Ele disse:
É necessário que Eu vá a Jerusalém.
Caminhar em direção a Jerusalém é uma expressão usada a respeito de nosso Senhor.
Ele vai. Ele completa Sua grande obra. E, porque completa essa grande obra, Sião e Jerusalém são uma certeza, não uma probabilidade. Vocês entendem? Ele realizou aquela obra inteiramente sozinho.
Agora, quero dedicar apenas alguns momentos para falar sobre aqueles que contemplaram a visão. Não estou aqui apenas para lhes dizer como Jerusalém e Sião são gloriosas. Falar disso pode ser útil. Mas a chave é que, assim como João, vocês precisam ver.
Abraão é um exemplo tão bom. Vocês se lembram de que Abraão é descrito como o pai da fé. Em Romanos 4:1, e acho que em Romanos 4:12, ele é descrito como nosso pai.
Algumas pessoas talvez achem isso um pouco blasfemo, mas ele é o pai da fé, que foi adiante de nós. Sabemos, quando lemos Hebreus 11, que ele foi um dos principais exemplos de verdadeira fé.
Mas essa não era sua motivação. Quando chegamos a Hebreus 11:10, vemos o que o motivava. Ele caminhava como peregrino em uma terra prometida. Não sabia para onde estava indo, mas Hebreus 11:10 diz:
Ele esperava a cidade da qual o arquiteto e construtor era Deus.
Irmãos e irmãs, acho que essa é a chave. Vocês estão buscando aquela cidade? Essa visão, essa visão conclusiva, tomou de tal maneira o seu coração que vocês não conseguem desviar os olhos? Ela enche os seus olhos? Vocês a desejam e anelam por ela?
É isso que, a meu ver, explica Abraão. Lembrem-se: ele nunca teve uma propriedade. Por fim, comprou uma para sua querida esposa. Ali estava esse homem a quem tudo havia sido prometido, mas nada o satisfaria — somente aquela cidade. Ele a buscava.
Creio que essa é uma mensagem clara de Hebreus. Sabem, ele viu Jerusalém. Muitas pessoas talvez discutam isso, mas, quando Melquisedeque apareceu — o rei —, vocês se lembram de quando Abraão derrotou os quatro reis e resgatou Ló, que sempre acabava se metendo em encrenca?
Melquisedeque aparece: sacerdote do Deus Altíssimo, rei de justiça, rei de Salém. Salém é Jerusalém. Ele viu alguma coisa.
Ele não apenas imaginou. Quando viu esse rei, aquele que não tinha princípio nem fim de dias, quando viu aquele que não tinha pai nem mãe, viu o Rei de Salém — Jerusalém. E essa era sua força motivadora.
Não foi só isso; ele viu outra coisa. Quando foi a Moriá, ao monte Moriá, em Gênesis 22:2, Deus disse:
Toma agora teu filho, teu único filho, a quem amas, e oferece-o.
Sobre o monte que Eu te mostrar — vocês se lembram disso.
Como Abraão foi provado! Tudo o que sempre quis foi um herdeiro. Ele tinha o herdeiro, e Deus disse: “Sacrifique-o.”
Mas, naquele dia, quando foi ao monte Moriá e o Anjo do Senhor — que era o próprio Senhor Jesus, uma manifestação do próprio Senhor Jesus no Antigo Testamento — deteve aquela faca, ele viu o animal preso no mato. O próprio Deus proveria a oferta.
Ele viu Moriá. Se vocês verificarem, o monte Moriá é o lugar da construção do templo de Deus em Jerusalém. O monte Moriá é o lugar onde o sacrifício de Deus seria realizado. Foi isso que ele viu. Não era Isaque.
Há outro exemplo, creio, em Neemias. Acho Neemias um homem extraordinário. Gostei de terem dito, na conferência da família: “Bem, ele era apenas um homem comum.” Não sei quanto a vocês, mas isso me dá muita esperança.
Ele era o copeiro do rei e estava muito bem de vida no palácio de Susã. Tinha tudo o que queria, exceto que talvez provasse um vinho envenenado e partisse desta vida. Ele daria sua vida pelo rei.
Mas, um dia, perguntou a seus amigos. Disse: “Venham até mim. Contem-me sobre Jerusalém. Contem-me sobre Jerusalém.”
Seu amigo e os outros vieram e disseram: “Os muros estão queimados. A cidade está em ruínas.” E isso partiu seu coração. Ele nunca mais foi o mesmo.
Daquele momento em diante, o palácio não significava nada para ele. Somente Jerusalém e aquela grande obra de Deus preenchiam sua visão. Ele sabia que não podia realizá-la. Não havia dúvida.
Então, a primeira coisa que fez ao ouvir essa notícia devastadora foi prostrar-se, diz o texto, diante do Deus dos céus. Por quê? Porque não havia testemunho na terra. Ele já não era o Deus dos céus e da terra; era apenas o Deus dos céus.
Mas, graças a Deus, quando Sua grande obra foi concluída, em pouco tempo, quando Deus a realizou, Ele era o Deus dos céus e da terra. Vocês entendem?
Nunca vou me esquecer: minha vida inteira mudou quando li o livro do irmão Sparks, A Restauração do Testemunho do Senhor em Plenitude. Fui transformado para sempre. Isso foi no começo da década de 1970.
Agora, sei que alguns de vocês, mais jovens, não gostam quando nós, os mais velhos, ficamos relembrando os dias de glória, mas aqueles dias me transformaram para sempre. Eu vi alguma coisa. Li aquele livro.
Este mundo já não significava para mim o que havia significado antes. Jerusalém — aquela glória que Ele buscava — encheu meus pensamentos e meu coração. O mesmo aconteceu com Linda e, muitos anos depois, com Jessica.
Nunca vou me esquecer, Stephen: o irmão Kong compartilhou aquelas três mensagens em dezembro de 1973, quando visitou Richmond. Ele compartilhou sobre Neemias, e nunca vou me esquecer daquela palavra.
Assim como a vida de Neemias foi completamente reorientada, tudo o que ele tinha — e era muita coisa — deixou de significar algo para ele. O que significava tudo para ele era a grande obra de Deus e Jerusalém.
Bem, a última coisa: e quanto ao efeito dessa visão? Claramente, ela afetou Abraão. Claramente, afetou Neemias. A pergunta é: ela nos afetará? Terá o mesmo tipo de impacto?
Sempre me lembro de Lance, com sua maneira eloquente de falar, citando para nós — e também do irmão Kong — Provérbios 29:18:
Onde não há visão, o povo perece.
Essa é a King James.
Ou, na Darby:
Onde não há visão, o povo abandona a disciplina.
Então, penso que o que acontece com o povo de Deus é que as pessoas se tornam seus próprios reis e seus próprios senhores. É a sua própria vida, o seu próprio futuro e a sua própria família.
Agora, escutem: não sou contra nenhuma dessas coisas. Adoro correr atrás dos meus netos. Não sei se eles gostam, mas eu gosto.
Mas é isso que acontece quando não há visão. O último versículo de Juízes, Juízes 21:25, diz:
Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que era reto aos seus próprios olhos.
Acho que, de certa forma, estamos vivendo nos dias de Juízes. Não é o que Deus quer. Não é Sua grande obra. Cada um está fazendo o que acha certo. Tornamo-nos deuses para nós mesmos. Que o Senhor nos livre disso.
Bem, este é o encargo que o Senhor colocou em meu coração. Penso em 2 Crônicas 16:9. O texto trata de Asa, rei de Judá, que foi um homem mau. Na verdade, trata de juízo, se vocês lerem. Mas diz algo extraordinário.
Os olhos do Senhor percorrem toda a terra.
Buscando pessoas — buscando pessoas — que Ele possa fortalecer.
Creio que aqueles que veem essa visão conclusiva são as pessoas que nosso Senhor está buscando. Creio que esses são apenas alguns exemplos do que o Senhor procura.
E o que Ele dirá no final é aquela maravilhosa palavra do Salmo 87. Vou ler apenas estes versículos para encerrarmos.
O Senhor ama as portas de Sião Mais do que todas as habitações de Jacó.
O Salmo 87:5 diz:
Sim, de Sião se dirá: Este e aquele nasceram nela; E o próprio Altíssimo a estabelecerá.
Isso não é encorajador? Então, o Salmo 87:6 continua:
O Senhor contará, ao registrar os povos: Este nasceu ali. Selá.
No final, o Senhor dirá de você e de mim: Você nasceu ali? Você nasceu ali. Sião era o seu lar. Jerusalém era a sua morada.
Agora você tem uma nova vocação. Está envolvido em Sua grande obra. E essa, creio, é a história dessa visão conclusiva.
Pai, nos achegamos a Ti sabendo muito bem que não podemos explicar essas coisas grandiosas. Elas são inexplicáveis para os seres humanos. Mas o Espírito Santo pode explicá-las.
Tu podes escrever essas coisas em nosso coração. Podes fazer de nós pessoas que conheçam essa visão conclusiva e façam dela sua vocação.
Senhor, Tu podes fazer de nós não apenas pessoas que a conheçam, mas pessoas que a vejam, que a busquem, que anelem por ela e que vivam nela.
Somente Tu podes realizar essa preciosa e grande obra. Mas Tu estás buscando. Estás buscando homens e mulheres comuns que possam se unir a Ti nessa grande obra.
Que Tu faças isso. Pedimos estas coisas em nome de Jesus. Amém.