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    Jonah - Death To Self © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Jonah - Death To Self
    Jonah - Death To Self
    Miller, Ed

    A morte de Jonas e a identificação com Cristo

    Ao nos voltarmos novamente para a Palavra de Deus, lembro ao meu coração e ao de vocês que há um princípio de estudo bíblico absolutamente indispensável. Muitos princípios são úteis; apenas um é indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.

    Como precisamos do Espírito Santo! Sem o Espírito Santo, tudo o que eu compartilhar, ou qualquer outra pessoa compartilhar, será apenas teoria. Não queremos teoria; queremos vida. E, sem o Espírito Santo, não há vida. Por isso, precisamos do Espírito Santo.

    A mensagem do Antigo Testamento em forma de semente

    Antes de compartilhar um versículo, quero apenas fazer este comentário. Vocês sabem que estamos no livro de Jonas. Jonas está no Antigo Testamento. A diferença entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento não está na mensagem. A mensagem é a mesma.

    A diferença é que o Antigo Testamento apresenta a verdade em forma de semente, em forma de história. O Novo Testamento apresenta a verdade plenamente desenvolvida. É exatamente a mesma verdade. O livro de Jonas é Romanos 6–8. Esse é o livro de Jonas.

    Ao examinarmos isso, peço apenas a paciência de vocês, porque vamos olhar para a semente, e eu vou apresentar mais da forma plenamente desenvolvida. Mas vocês a verão na semente. Então, queremos apenas que o Senhor nos ajude nisso.

    Romanos 7:4:

    Portanto, meus irmãos, também vocês foram feitos mortos para a lei por meio do corpo de Cristo,
    para que fossem unidos a outro,
    Àquele que foi ressuscitado dentre os mortos,
    a fim de que produzamos fruto para Deus.

    A morte de Jonas e a frutificação

    Nesta manhã, vamos falar sobre a morte de Jonas. E por que ele morreria? Para que pudesse se casar com outro — com Aquele que ressuscitou dentre os mortos. E por que se unir a Ele? Para que produzamos fruto para Deus.

    Morremos para nos casar, para que o casamento produza fruto.

    Oração inicial

    Vamos orar juntos.

    Pai celestial, obrigado por nos reunir novamente. E, Senhor, pedimos apenas que, pelo Teu Espírito Santo que habita em nós, possamos ver o Senhor Jesus de uma maneira nova e viva.

    Sabemos que, um dia, lá adiante, quando O virmos, seremos semelhantes a Ele. Sabemos que isso é verdade agora mesmo: quando O vemos, somos semelhantes a Ele. Então, abre os nossos olhos, abre o nosso coração. Revela-Te a nós.

    Agradecemos antecipadamente porque Tu estás fazendo isso e vais fazê-lo, pois o reivindicamos no nome do nosso Senhor Jesus, que tudo pode. Amém.

    Cristo como propósito do estudo bíblico

    Muito bem, sejam novamente bem-vindos ao nosso estudo do Senhor Jesus no livro de Jonas. Quando vocês se aproximam de qualquer livro da Bíblia, não o estudam simplesmente para conhecer o livro. Espero que conheçam Jonas um pouco melhor quando terminarmos, mas estudamos Jonas para conhecer Cristo.

    É por isso que vocês estudam Gênesis, Salmos e Romanos. Cada livro foi destinado a voltar os seus olhos para o Senhor Jesus. E assim, no livro de Jonas, vamos ver o Senhor Jesus.

    Eu sugeri que a explicação completa da mensagem de Jonas estava no Novo Testamento e vinha dos lábios do nosso Senhor Jesus. Quero apenas ler esses versículos novamente.

    O sinal de Jonas em Mateus

    Mateus 12:38-41:

    Alguns dos escribas e fariseus disseram a Ele: “Mestre, queremos ver um sinal da Tua parte”.
    Mas Ele respondeu e lhes disse: “Uma geração má e adúltera anseia por um sinal;
    contudo, nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas.
    Pois, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do monstro marinho,
    assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.
    Os homens de Nínive se levantarão com esta geração no juízo e a condenarão,
    porque se arrependeram com a pregação de Jonas;
    e eis que aqui está algo maior do que Jonas”.

    O sinal de Jonas em Lucas

    E agora uma passagem paralela de Lucas 11. Há algumas diferenças.

    Lucas 11:29-32:

    À medida que as multidões aumentavam, Ele começou a dizer: “Esta geração é uma geração perversa;
    procura um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas.
    Pois, assim como Jonas se tornou um sinal para os ninivitas,
    assim o Filho do Homem será para esta geração.
    A rainha do Sul se levantará com os homens desta geração no juízo e os condenará,
    porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão;
    e eis que aqui está algo maior do que Salomão.
    Os homens de Nínive se levantarão com esta geração no juízo e a condenarão,
    porque se arrependeram com a pregação de Jonas;
    e eis que aqui está algo maior do que Jonas”.

    Jonas como sinal

    O Senhor realizou uma poderosa obra de redenção por meio de Jonas quando ele se tornou um sinal. É bem possível que talvez meio milhão de pessoas tenham sido salvas em um único dia porque Deus usou Jonas como sinal.

    E Ele disse que esse é o único sinal que dará à geração perversa, e isso se aplica à nossa geração. Se Deus vai alcançar esta geração, Ele terá de ter um sinal. E esse sinal terá de ser Jonas.

    Deus quer realizar em nós exatamente o que realizou em Jonas, e da mesma maneira. Quando o livro de Jonas começa — isto é apenas uma revisão —, Jonas não é um sinal. O livro de 2 Reis o chama de servo do Senhor. O livro de 2 Reis o chama de profeta do Senhor.

    Ele é servo; ele é profeta; mas não é um sinal. Este livro é um testemunho. Estou quase tentando não chamá-lo mais de livro, porque é o testemunho de Jonas.

    Ele é muito precioso para mim, porque também é o meu testemunho. À medida que avanço e observo Jonas testemunhar, e o vejo contar como Deus o conduziu, volto os olhos para a minha própria vida. É um livro precioso, precioso.

    O testemunho de Jonas foi escrito por Jonas. É um testemunho precioso. Cheguei a ler alguém que disse que provavelmente Jonas não o escreveu. Eu penso que o capítulo 2 é um testemunho em primeira pessoa. Ora, ele está lá dentro do peixe, entendem o que estou dizendo?

    De qualquer modo, neste testemunho, Jonas é absolutamente franco. Ele derrama o coração e conta exatamente quem Deus revelou que ele era, como teve de encarar isso e, depois, como teve de ser substituído.

    Jonas como o problema central

    A crise deste livro é que Jonas não tinha um problema. Muitos pensam que ele tinha. Seu problema era Nínive; seu problema era: “Sou um profeta”; seu problema era uma visão incorreta de Deus; seu problema era que ele era um patriota e Israel estava em dificuldades.

    Ele não tinha um problema. Ele era o problema. E Deus teve de resolver Jonas. Deus teve de resolver o problema que era a própria pessoa. Isso faz parte do testemunho dele.

    Para que isso acontecesse, vimos em nossa introdução que seria necessário um poderoso milagre de Deus para transformar alguém como Jonas, que tinha um coração sem disposição missionária e contrário às missões, em alguém que pudesse se tornar um sinal e levar milhares a Cristo. Que poderoso milagre foi necessário!

    Vimos como o livro está cheio de milagres — milagres físicos: o poder de Deus sobre o tempo e o poder de Deus sobre a criatura marinha. Deus fala com uma planta, fala com um verme, fala com o vento oriental e ordena ao sol que brilhe com intensidade. Ele controla a superstição, a sorte que lançaram para identificar Jonas.

    Tantos milagres! E, depois, o grande milagre moral: tantas pessoas salvas em um único dia. O maravilhoso milagre.

    O livro mostra todos esses milagres porque Jonas está testemunhando, dizendo: “Deus me levou ao ponto de me tornar um sinal”. Esse é o poderoso milagre no livro de Jonas.

    Por mais maravilhosos que sejam aqueles outros milagres, eles apenas nos apontam para o fato de que Deus precisa realizar um poderoso milagre em mim e em vocês. Vocês podem se surpreender quando fracassam, mas Deus nunca esperou de vocês nada além de fracasso. É tudo o que Deus espera de mim: fracasso.

    Eu preciso de um milagre. Vocês precisam de um milagre. Jonas precisava de um milagre. E Jonas disse: “O que Deus fez por mim foi tão grande que quero registrar isso”.

    Agora, Jonas está escrevendo um testemunho. Deus está escrevendo a Bíblia. Jonas nunca imaginou que faria parte da Bíblia e que seu testemunho permaneceria ao longo dos séculos. Ele era apenas um homem de quem Deus teve imensa misericórdia, e se tornou um sinal.

    A necessidade de se tornar um sinal

    Como eu disse, quando o livro começa, Jonas é servo do Senhor e profeta do Senhor. Não basta ser servo do Senhor. Não basta ser cristão. Não basta ser profeta, mestre, presbítero ou estudante da Bíblia.

    Você precisa ser um sinal. Você precisa ser um sinal. Porque Deus disse que nenhum outro sinal será dado a esta geração.

    A única esperança para Nínive era que Jonas se tornasse um sinal. E a única esperança para esta geração — olhem todos os sinais sentados aqui — é essa. Essa é a esperança para o mundo. Essa é a esperança para o mundo. Que Deus nos ajude.

    O fim da vida própria de Jonas

    Ao encerrar, sugeri este pequeno esboço. Nesta manhã, gostaria de examinar como Deus levou Jonas ao fim da vida própria de Jonas. Como Deus levou Jonas ao fim dessa vida, para levantá-lo por uma vida que não era a sua e transformar aquele homem em um sinal?

    É isso que veremos nesta manhã. Se o Senhor permitir, nesta noite vamos examinar o que isso significa. O que é exatamente o sinal? Defina isso com precisão. Diga-me. Quero saber exatamente o que é esse sinal. Com a ajuda de Deus, veremos isso nesta noite.

    O testemunho de Jonas tem duas partes. Isto é o que Deus fez comigo antes de eu me tornar um sinal. Mas eu ainda não havia chegado ao fim. Isto é o que Deus fez por mim depois de eu me tornar um sinal. Esse é o capítulo 4, o grande arremate do seu testemunho.

    Neste estudo, quero mostrar o processo pelo qual Deus faz de Seu filho um sinal, e esse processo está exposto nos capítulos 1 e 2. Nesta manhã, gostaríamos de examinar o coração desses capítulos.

    Deus leva Jonas ao fim de Jonas. Enquanto Jonas viver a vida própria de Jonas, nunca será um sinal. Enquanto Ed Miller viver a vida própria de Ed Miller, nunca será um sinal. Como sugeri ontem à noite, coloque o seu nome aí. Pois bem, o Senhor vai atrás de você.

    Não podemos ser um sinal em nossa vida natural.

    A morte da vida do eu como obra de Deus

    Agora, quero começar com uma verdade muito importante, que às vezes é mal compreendida e frequentemente encontra resistência. Trata-se da morte de Jonas — ou de morrer para si mesmo, como vocês quiserem dizer; da morte de Ed Miller. O princípio é este: a morte da vida do eu é uma obra de Deus.

    Você não pode levar a si mesmo à morte por meio da entrega. Muitos cristãos pensam que esse é o caminho. Estão constantemente se entregando, se dedicando, se rededicando, se consagrando, começando de novo; e dizem: “Finalmente, morri para mim mesmo”.

    É uma poderosa obra de Deus. É por isso que enfatizamos, na primeira lição, que o livro inteiro é apenas milagre após milagre após milagre. É necessário um milagre de Deus. Se Deus vai levar você ao fim de si mesmo, será por um milagre do Senhor.

    A fuga de Jonas da presença do Senhor

    A crise, como sugeri, é Jonas — não o que Jonas está pensando e racionalizando, não o que Jonas está sentindo a respeito de Nínive ou de Israel, não o que Jonas está deixando de fazer, ao desobedecer à vontade de Deus, nem o que ele está fazendo.

    A mensagem deste livro não é como Deus transformou um profeta desobediente em um profeta obediente. Essa não é a mensagem. A mensagem é como Deus levou Jonas à morte para que a Sua própria vida pudesse ser vivida.

    Jonas 1:1-2:

    A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
    “Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e clama contra ela,
    porque a sua maldade subiu até a Minha presença”.

    Agora, de maneira bastante vívida, o Espírito Santo explica o problema. Jonas 1:3:

    Mas Jonas se levantou para fugir para Társis, da presença do Senhor.
    Então desceu a Jope, encontrou um navio que ia para Társis,
    pagou a passagem e desceu para dentro dele, a fim de ir com eles para Társis, da presença do Senhor.

    Não se desviem do assunto por causa de Társis, como muitos comentários parecem fazer. Eles tratam como importante a pergunta: onde fica Társis? Alguns dizem que é o rochedo de Gibraltar, junto à costa da Espanha. Alguns dizem que fica em algum lugar da Inglaterra. Alguns dizem que é o mesmo lugar de onde veio Saulo — a cidade natal de Paulo.

    A palavra Nínive e a palavra Társis podem se tornar uma distração. Vou dizer claramente onde fica Társis: fica na direção oposta à de Nínive. É lá que fica, porque esse é o ponto.

    Fica na direção oposta à vontade de Deus. Ele não poderia se afastar mais da vontade de Deus. Esse é o coração natural de vocês e o meu: sair da presença do Senhor; seguir o meu próprio caminho.

    Há muitas estradas, muitas rotas para Társis. Alguns vão para Társis pela rota dos negócios. Alguns vão para Társis pela rota da educação. Alguns vão para Társis pela rota do prazer. Alguns seguem a rota da vida doméstica. Alguns vão para Társis pela rota religiosa. Muitos fazem isso.

    Mas resistir à vontade de Deus e seguir na direção oposta — mais uma vez, isso é o sintoma. Não é o problema. Não é o problema. Não é isso que Deus vai corrigir.

    O problema não é que ele fugiu para Társis, que fugiu da comissão de Deus ou que estava fugindo da vontade de Deus. O versículo 3 diz duas vezes: “da presença do Senhor”. Essa é a questão.

    Não apenas uma vez no versículo 3, mas duas: “da presença do Senhor”. Depois, no barco com os marinheiros, Jonas 1:10 diz:

    Então os homens ficaram extremamente atemorizados e lhe disseram: “Como pudeste fazer isso?”
    Pois os homens sabiam que ele estava fugindo da presença do Senhor, porque ele lhes havia contado.

    Mesmo quando ele estava dentro do peixe, a presença do Senhor se tornou a questão. Jonas 2:4:

    Então eu disse: “Fui expulso da Tua vista”.

    Agora isso o incomoda. Ele estava tentando fugir da presença do Senhor. Agora está provando um pouco do que isso significa: estar separado.

    O custo de fugir da presença de Deus

    Tenho certeza de que, se vocês entrevistassem Jonas durante a fuga, ele poderia dar muitas respostas religiosas para explicar por que estava fugindo. Não penso que, naquele momento, ele compreendesse a verdadeira questão.

    Será que ele teria confessado: “Eu simplesmente não quero estar na presença do Senhor”? Não penso que ele teria dito isso. Acho que teria tentado dar uma explicação menos direta do que: “Quero fazer as coisas do meu jeito”.

    Ele teria dito: “Sou um patriota. Estou lutando pelo meu povo. Acho que Deus está cometendo um erro aqui. Acho que esse povo precisa ser julgado. Odeio esse povo. Eles são perversos. Precisam ser julgados. Não quero ser considerado um falso profeta”.

    Acho que ele teria dado muitas razões. Antes de eu começar a conhecer — e ainda estou começando a conhecer — a vida do Senhor que habita em nós, se vocês tivessem me entrevistado ao longo do caminho, eu não teria dito: “Simplesmente não quero estar na presença de Deus”.

    Eu teria pensado que minhas decisões estavam me levando para mais perto do Senhor e que eu estava entrando cada vez mais na presença do Senhor.

    Há uma expressão no versículo 3 na qual quero me concentrar: “Pagou a passagem”. É literal, mas também é espiritual. Ele pagou a passagem.

    Se você fugir da presença do Senhor, vai pagar a passagem. É muito parecido com a expressão de João 13:30 a respeito de Judas:

    Depois de receber o pedaço de pão, ele saiu imediatamente; e era noite.

    Eu sei que era noite; o sol havia se posto. Mas digo a vocês: ele saiu para uma noite — uma terrível noite moral. Ele pagou a passagem.

    A trajetória descendente da vida do eu

    Há uma palavra recorrente no testemunho de Jonas, e não penso que seja por acaso. Acho que ele a colocou ali de propósito.

    Jonas 1:3: ele desceu a Jope. Ele desceu ao navio. Jonas 1:5: ele desceu ao porão do navio. Jonas 1:12: lançado ao mar. Jonas 1:17: engolido pelo peixe, descendo ao estômago do peixe.

    Jonas 2:2: descendo às profundezas do Sheol. Jonas 2:3: lançado no abismo. Jonas 2:6: desceu às raízes dos montes.

    Queridos amigos em Cristo, não sou bom com direções. Eu me perco — como sempre digo — até ao passar por uma porta giratória. Não consigo encontrar o caminho.

    Há apenas duas direções no meu mapa e no mapa de vocês: a minha vida ou a vida dEle. É só isso que há no mapa — a minha vida ou a vida dEle.

    Se eu escolher a minha vida, como escolhi, vou pagar a passagem. Se você escolher a sua vida, vai pagar a passagem. Você pergunta: “Qual é o preço da passagem?”

    Para baixo, para baixo, para baixo, para baixo, para baixo, para baixo. É o percurso completo. Esse é o preço da passagem.

    O fundo não é o mesmo para todos. Fico impressionado com algumas pessoas. Elas parecem estar no fundo, mas não estão.

    Lembro-me de uma ocasião em Chicago, quando eu estava testemunhando a um homem na rua — um alcoólatra, sentado naquela cidade dos ventos, no inverno, vestindo apenas uma camiseta. Ele estava encharcado no próprio vômito.

    Tentei compartilhar o evangelho com ele, e ele disse: “Sou um alcoólatra. Sei que sou um alcoólatra, mas pelo menos eu sei disso. Os outros alcoólatras não sabem. Sou um alcoólatra, mas admito”.

    Mas lá estava ele, sentado no próprio vômito, e ainda não havia chegado ao fundo. O fundo é diferente para cada pessoa. Mas Deus diz: “Você vai descer se escolher a sua própria vida”.

    Portanto, a questão é que Jonas está fugindo da presença do Senhor, está pagando uma passagem e está descendo, descendo, descendo.

    A graça de Deus que vai ao nosso encontro

    Agora quero mostrar a vocês o processo que Deus usou na vida dele para levá-lo ao fim da experiência de Jonas, da vida própria de Jonas.

    O primeiro passo desse processo — e que Deus o sublinhe no coração de vocês — é este: Deus é um Deus de graça. Em seu testemunho, Jonas não consegue parar de falar sobre o fato de que, quando ele estava fugindo, quando estava fugindo do Senhor, Deus estava indo atrás dele.

    Ele foi atrás de Jonas antes de ele ser um sinal e foi atrás dele depois de ele ser um sinal. O Senhor está atrás de Jonas. Ele vai pôr fim à vida própria de Jonas, e uma parte importante disso é que Deus vai realizar um milagre.

    Ao longo dos capítulos 1 e 2, vemos o coração do Senhor que vai atrás dele.

    Deixem-me dar este pequeno conselho — especialmente a vocês, rapazes. Bem, não, não especialmente aos rapazes; especialmente a todos nós. Se vocês tentarem fugir do Senhor, Alguém estará indo atrás de vocês. Nem sonhem que vão escapar. Não vão.

    Quando Deus vai atrás, Ele alcança Sua presa. Ele alcança Sua presa.

    Ao longo de todo esse testemunho de Jonas, nos bastidores, Jonas mostra que Deus estava conduzindo, controlando, guiando providencialmente, organizando, ordenando, governando, reinando e intervindo soberanamente. Ele continua chamando a atenção para isso.

    Sei que eu não estaria diante de vocês hoje se Deus não fosse um Deus que vai atrás de Seu filho para torná-lo um sinal. Imagino que vocês também não estariam aqui hoje.

    Se você se considera cristão e ainda está fugindo, eu lhe garanto: Deus está indo atrás de você. Ele está indo atrás de você. Você nasceu de novo; você é cristão. Você será feito um sinal — algum dia, de alguma maneira, de algum modo, custe o que custar. Ele está indo atrás de você, assim como foi atrás de mim e de Jonas.

    As circunstâncias como orientação não confiável

    Agora, no desejo de Deus de nos capturar, é fácil nos enganarmos. Por exemplo, as circunstâncias não são uma orientação confiável para conhecer a vontade de Deus.

    Às vezes, simplesmente dizemos: “Bem, não estou fugindo do Senhor. Deus providenciou todas essas circunstâncias”. Sabem, às vezes, quando vocês estão fugindo da presença do Senhor, as circunstâncias se tornam muito favoráveis.

    Para Jonas, o navio estava pronto para partir. Estava bem ali. Ele chegou na hora certa. Tinha dinheiro suficiente. Havia lugar no barco. Havia lugar na cabine. Circunstâncias.

    E ele está fugindo do Senhor. Parece a vontade de Deus. Tudo deu certo.

    “Sei que deve ser a vontade de Deus porque fui aceito. Deve ser a vontade de Deus porque fui convidado. Deve ser a vontade de Deus porque fui promovido. Deve ser a vontade de Deus porque conheci as pessoas certas, exatamente na hora certa, e isso abriu aquela porta. A porta se abriu. Deve ser a vontade de Deus.”

    Sabemos que as circunstâncias deram certo para Jonas, mas não era a vontade de Deus. Deus nunca vai forçar a sua vontade. Ele não vai forçar a minha vontade.

    Certamente Ele intervirá soberanamente sobre ela, e intervirá sobre as circunstâncias. E, graças a Deus, Ele faz isso. Mas seguir as circunstâncias como prova de que algo é a vontade de Deus é como deixar que a sua consciência seja o seu guia. Ela não é confiável. Foi cauterizada. Foi arruinada.

    A tempestade como instrumento de Deus

    Jonas descreve as armas que Deus usou, e eu gostaria de chamar a atenção para as duas principais armas que Deus usou nele e que costuma usar conosco — certamente na minha vida.

    Jonas tem muito a dizer sobre a tempestade. Vocês vão querer ler o Salmo 29. Não vou compartilhá-lo, mas vocês vão querer ler o Salmo 29: a voz de Deus na tempestade. É um capítulo maravilhoso. Prestem bastante atenção às corças ao ler esse capítulo.

    A tempestade é um fator poderoso para levar Jonas ao ponto em que chegará ao fim de Jonas. Jonas 1:4:

    O Senhor lançou um grande vento sobre o mar,
    e houve uma grande tempestade no mar,
    de modo que o navio estava prestes a se despedaçar.

    Há uma tempestade lá fora, mas estou dizendo a vocês que há uma tempestade aqui dentro — na vida de Jonas. É assim que Deus age ao ir atrás de mim, ao ir atrás de vocês, de qualquer pessoa que precise chegar ao fim de si mesma.

    Também gosto da expressão: Ele lançou a tempestade. Como vocês imaginam isso? Ele lançou a tempestade contra Jonas. Há muitas maneiras de dizer isso, mas garanto uma coisa: Ele vai sacudir o seu barco.

    Certamente foi isso que Ele fez ali. Ele vai quebrar coisas. Isso vai perturbar o seu descanso. As tempestades constituem uma parte importante dos meios de Deus para levar uma pessoa ao fim de si mesma.

    Já ouvi testemunhos sobre tempestades literais. Conheço uma pessoa que veio ao Senhor por meio de uma enchente — uma tempestade literal. Furacões. Acidentes.

    Fui muito amigo, até o Senhor levá-lo para o céu, de um homem que tinha um dos testemunhos mais impressionantes que já ouvi. Ele era pastor lá em Vermont. Havia ouvido o evangelho, mas amava a bebida. Bebia e bebia e não queria ser salvo. Ele dizia: “Vou ser salvo na velhice”.

    Ele ouviu o evangelho muitas e muitas vezes. Um dia, embriagado, saiu em disparada, em alta velocidade pela estrada, saiu da pista, bateu em uma árvore, e o carro pegou fogo.

    Ele perdia e recuperava a consciência. Viu as chamas. Pensou que estava no inferno. Gritou: “Salva…” e perdeu a consciência.

    Ele acordou na sala de recuperação, salvo. Eu conheci esse homem. Maravilhoso. Tivemos uma ótima comunhão. Esse era o testemunho dele.

    Deus vai atrás, e Ele usará qualquer meio. Ele usará uma tempestade.

    O aumento da intensidade da tempestade

    No caso de Jonas, aquela tempestade foi excepcionalmente intensa. Estou supondo que esses marinheiros fenícios, em cujo barco Jonas estava, eram acostumados ao mar e às tempestades.

    Contudo, lemos em Jonas 1:10:

    Os homens ficaram extremamente atemorizados.

    Eles disseram:

    Como pudeste fazer isso?

    Vocês têm homens que são profissionais do mar, e eles estão extremamente atemorizados.

    Jonas 1:4 diz:

    O Senhor lançou um grande vento sobre o mar,
    e houve uma grande tempestade no mar,
    de modo que o navio estava prestes a se despedaçar.

    Usem a imaginação e visualizem isso: a tempestade, o vento, as ondas, o barco balançando. Ele está se desfazendo; está gemendo, está rangendo, está tremendo.

    Em seu testemunho, ele fala da tempestade em Jonas 1:11:

    O mar se tornava cada vez mais tempestuoso.

    Deus está indo atrás de você. Se Ele envia uma tempestade e você não responde, a tempestade fica mais tempestuosa. Depois, vejam Jonas 1:13:

    O mar se tornava ainda mais tempestuoso.

    Se você responde a uma tempestade, e depois ela fica extremamente tempestuosa, e então fica ainda mais tempestuosa, Ele está atrás de você. Ele quer a sua atenção. Ele usa uma tempestade.

    Deus foi o autor daquela tempestade. Deus controlou aquela tempestade. Deus sabe quando pôr fim a ela. Ele também fez a tempestade cessar.

    As formas das tempestades pessoais

    Permitam-me sugerir, irmãos, que, em Seu desejo de transformar vocês em um sinal, Deus pode lançar uma tempestade na vida de vocês.

    Pode ser uma tempestade na saúde. Pode ser uma tempestade financeira. Pode ser uma tempestade na família, uma tempestade nos relacionamentos. Pode ser uma tempestade na igreja. Pode ser uma tempestade na mente: confusão, ansiedade, depressão, frustração.

    Que comentário sobre Provérbios 13:15:

    O caminho do transgressor é difícil.

    Salmos 107:27 pergunta por que Deus traz uma tempestade:

    Subiam aos céus,
    desciam às profundezas;
    sua alma se derretia em sua aflição.
    Cambaleavam e vacilavam como um bêbado,
    e chegaram ao fim de todos os seus recursos.

    Sabem por que Deus traz a tempestade? Para levar vocês ao fim de todos os seus recursos. A capacidade de vocês — vocês não conseguem lidar com aquilo. Não sabem o que fazer. Estão frustrados. Tudo está desmoronando.

    O ministério dos marinheiros

    Jonas menciona outra coisa que Deus usou enquanto ia atrás dele. Refiro-me à interação entre Jonas e os marinheiros, os marinheiros fenícios.

    Foi essa associação, essa ligação com os pagãos, que finalmente expôs Jonas como a pessoa que ele realmente era. Deus usou os pagãos. Deus usou aqueles marinheiros.

    A tempestade enviada para alcançar Jonas também afetou os marinheiros. Jonas 1:4 diz que o navio começou a se despedaçar. Aquele não era o navio dele. Agora ele está trazendo sofrimento a outras pessoas — sofrimento a esses marinheiros.

    Jonas 1:5 diz:

    Então os marinheiros ficaram com medo, e cada homem clamou ao seu deus;
    e lançaram ao mar a carga que estava no navio, para aliviá-lo.

    Aquelas coisas não eram dele. Aquela carga não era dele. Agora, sei que Deus está tratando com os marinheiros tanto quanto está tratando com Jonas. Todos merecem ser afogados no mar. Aqueles marinheiros eram pagãos; eram idólatras. Mereciam ser afogados.

    Mas a interação dele com eles exerceu o ministério de expô-lo como o hipócrita que ele realmente era. Isso faz parte de chegar ao fim de si mesmo. É descobrir a si mesmo. É aprender quem você é.

    Sempre dizemos: “Sabe, a carne — Deus, livra-me da carne”. Pensamos que a carne é algo dentro de nós que se levanta de vez em quando e nos causa problemas. Não é.

    Romanos 7:18 — vocês conhecem o versículo:

    Nada de bom habita em mim, isto é, na minha carne.

    A carne é você. Tudo o que há em mim — isto é, a carne. Não é algo que se levanta em você de vez em quando e lhe causa problemas. É você. Sou eu. É Jonas.

    É doloroso ver que eles estão jogando todas as suas coisas ao mar. Isso não vai parar até que joguem Jonas ao mar. Esse é o problema. É Jonas.

    É doloroso ver como vidas egoístas podem causar tanta dor aos outros.

    Muito do testemunho que vocês ouvirão será assim: “Eu feri minha família. Feri minha esposa. Feri meus filhos. Feri meus pais. Feri meus amigos. Causei sofrimento a eles. Causei dor. Feri a igreja. Arruinei meu testemunho. Fui exposto”.

    Nós somos o problema.

    A insuficiência das correções externas

    É impressionante como jogamos todo o resto ao mar, pensando que estamos nos acertando. “Deixar o ministério. Vamos jogá-lo ao mar. Vamos nos mudar. Vamos para outro lugar, outra localização, aceitar outro emprego. Vou me livrar daqueles amigos. Tudo — vou começar tudo de novo.”

    “Meu problema é a preguiça. Muito bem, então vou resolver a preguiça. Vou me ocupar. Meu problema é o egoísmo. Muito bem, vou começar a ser generoso. Negligência? Está bem, vou me levantar cedo. Vou adotar algumas disciplinas espirituais e segui-las.”

    Jogamos tudo ao mar, ficamos ocupados e pensamos que somos autênticos. Mas não somos. Estamos envolvidos, estamos nos concentrando em outras coisas, e a tempestade continua furiosa. Continua furiosa.

    Porque ainda estamos no barco. Ela não vai parar até que saiamos do barco. Esse é o caminho de Deus.

    A repreensão dos descrentes

    Jonas era culpado por muitas das dificuldades que os outros enfrentaram. Jonas 1:10:

    Então os homens ficaram extremamente atemorizados e lhe disseram: “Como pudeste fazer isso?”
    Pois os homens sabiam que ele estava fugindo da presença do Senhor, porque ele lhes havia contado.

    Alguma vez vocês foram — não respondam, apenas pensem —, alguma vez foram repreendidos pelos pagãos? Isso é constrangedor. Eu já fui, por pessoas não salvas.

    “Pensei que você fosse cristão. Como pôde fazer isso? Nunca imaginei que ouviria uma palavra dessas sair da boca de um crente. Pensei que você fosse cristão. Como pôde tratá-los assim? Como pôde trapacear? Como pôde mentir? Por que exagerou?”

    Enquanto isso, Jonas — eles estão tirando água do barco, estão remando, estão tentando sobreviver, estão jogando suas coisas ao mar. Onde está Jonas? Está lá embaixo, dormindo.

    A palavra hebraica para dormir ali inclui a ideia de roncar. Era assim que ele estava: roncando, inconsciente de todas as coisas espirituais que estavam acontecendo ao seu redor.

    A resposta genuína dos marinheiros

    Agora, é possível pensar que aqueles marinheiros fossem cristãos de ocasião, daqueles que recorrem a Deus apenas no perigo. Quando pararam de orar aos seus deuses e confiaram no Senhor, o texto diz que ofereceram sacrifícios, e a palavra hebraica significa sacrifícios de animais.

    Eles não tinham animais naquele barco. Isso aconteceu depois, quando chegaram à terra. Foi genuíno, assim como o arrependimento de Nínive foi genuíno. Vocês perguntam: “Como você sabe?” Jesus me disse.

    Ele disse no Novo Testamento que eles se arrependeram com a pregação de Jonas. É real.

    Quando vocês leem o relato, Jonas deveria ser o homem espiritual. Eles parecem mais espirituais do que ele. Estão orando; estão clamando aos seus deuses. Ele está lá embaixo, dormindo.

    Pergunto-me quantos bens Jonas teria sacrificado por eles. Eles estão jogando todas as suas coisas ao mar.

    Jonas 1:11-12:

    Então lhe disseram: “Que faremos contigo para que o mar se acalme para nós?”
    Pois o mar se tornava cada vez mais tempestuoso.
    Ele lhes disse: “Levantem-me e lancem-me ao mar.
    Então o mar se acalmará para vocês,
    pois sei que, por minha causa, esta grande tempestade veio sobre vocês”.

    Quando descobriram a causa de todo o medo, da perda de suas coisas, da ameaça de perder o barco e do perigo que agora corria a vida deles, vocês não acham que teriam dito: “Seu canalha! Você afirma ser servo dAquele que fez a terra e o mar, que está no controle de tudo. Você nos custou os nossos bens. Você nos custou o nosso barco. Você está ameaçando a nossa vida. Pode ter certeza de que vamos jogá-lo neste mar”?

    Mas o que lemos? Jonas 1:13:

    Contudo, os homens remavam desesperadamente para voltar à terra, mas não conseguiam,
    porque o mar se tornava ainda mais tempestuoso contra eles.

    Vocês percebem isso neste testemunho abrangente? Ele começa com Jonas dizendo: “Nenhuma misericórdia para os pagãos”. Agora os pagãos estão tendo misericórdia de Jonas. Estão tentando desesperadamente levá-lo para a terra.

    Pergunto-me o que passou pela mente dele ao ver isso. Ele não quer que os pagãos recebam misericórdia, e agora os pagãos estão demonstrando misericórdia para com ele.

    Não vou desenvolver isso aqui, mas o Senhor não está tratando apenas com Jonas — vocês sabem disso. Ele também está tratando com eles.

    A tempestade não afetou apenas aquela pequena embarcação. Imagino que também houvesse outros navios no mar naquele momento, e que aquela tempestade os tenha afetado igualmente. Deus está sempre tratando com todos ao mesmo tempo.

    Não quero subestimar o fato de Deus usar Jonas na vida dos marinheiros antes de ele se tornar um sinal. Ele apenas não o estava usando de maneira poderosa no propósito e na redenção de Deus.

    A exposição da hipocrisia

    Assim, Deus usa a tempestade para me abater, e usa os pagãos para me expor, para revelar o hipócrita que há em mim. Jonas lhes disse em Jonas 1:9:

    Sou hebreu e temo o Senhor, o Deus do céu,
    que fez o mar e a terra seca.

    É uma grande crise na vida de qualquer pessoa, e foi assim para Jonas, quando Deus vai atrás dela com uma tempestade — lança uma tempestade em sua vida — e quando ela finalmente percebe todo o estrago que causou ao seu redor, como feriu sua família.

    Lembro-me de quando Deus começou a abrir para mim o caminho da vida. Pensei que teria de me divorciar. Foi um período difícil. Eu havia ferido tanto a minha família.

    É uma grande crise. Ele está quase em desespero. Então precisa fazer alguma coisa. Precisa fazer alguma coisa. Foi desmascarado. Foi exposto. Foi descoberto. Ele é Jonas. Precisa fazer alguma coisa.

    A entrega de si mesmo e o fim do capítulo 1

    O Senhor havia ido atrás dele com uma tempestade e havia usado os pagãos — usado aqueles a quem ele havia ferido tão profundamente. Ao chegarmos ao fim do capítulo 1 de Jonas, parece, aos olhos naturais — não aos olhos espirituais, mas aos olhos naturais —, que Jonas finalmente chegou ao fim de si mesmo.

    Não se deixem enganar. É apenas uma aparência.

    Jonas 1:12:

    Ele lhes disse: “Levantem-me e lancem-me ao mar.
    Então o mar se acalmará para vocês”.

    Parece uma mudança positiva em Jonas — o fim do eu. “Levantem-me. Não posso fazer mais nada agora. Fiz tanta coisa errada, feri tantas pessoas. Tudo o que posso fazer é me entregar.”

    Mas é o eu que está se entregando. Não há humildade aqui. Não há arrependimento aqui. Não há confiança no Senhor. Ele ainda é Jonas. Ainda tem um coração sem disposição missionária. Ainda tem um coração contrário às missões. Ainda não é um sinal.

    Parece bom. “Vou salvar vocês. Vocês não precisam morrer. Então, lancem-me ao mar. Darei a minha vida pelos pagãos.” Isso soa tão bem. Parece nobre.

    Mas é um apelo para que a carne morra para a carne. A carne nunca pode morrer para a carne. Você não pode morrer por meio da entrega de si mesmo. Não pode morrer por meio da dedicação de si mesmo. Não pode morrer por meio da rededicação de si mesmo. Não pode morrer por meio da consagração de si mesmo. É impossível.

    É necessária uma obra de Deus. Jogue a sua vida ao mar.

    Muitos testemunhos são constituídos dessa experiência, em que o eu entregou o eu para que pudéssemos chegar ao fim do eu. Vocês ouvem testemunhos: “Eu poderia ter sido médico. Poderia ter sido advogado. Poderia ter sido um homem de negócios ou um empreendedor”.

    “Mas, um dia, fui encorajado. Ouvi uma mensagem: ‘Jogue a sua vida ao mar. Salve os pagãos’. Então dei a minha vida para me tornar missionário”, ou algo assim.

    A entrega de Jonas, penso eu, é maravilhosamente descrita em 1 Coríntios 13:3:

    Se eu der todos os meus bens para alimentar os pobres,
    e se entregar o meu corpo para ser queimado,
    mas não tiver amor, isso de nada me aproveitará.

    Como alguém poderia dar mais do que tudo o que possui e o próprio corpo para ser queimado? Contudo, se não tiver amor, que é o fruto do Espírito, a obra de Deus — se eu der tudo e o meu corpo para ser queimado, se me lançar ao mar ou pedir que alguém me lance ao mar —, isso não aproveita em nada.

    Essa entrega que parece ser uma entrega no capítulo 1 é apenas Saul caindo sobre a própria espada para salvar sua reputação. É apenas o eu orgulhoso saindo de cena em um clarão de glória.

    A abnegação não é a negação do eu. O eu não pode negar a si mesmo. Isso é apenas um homem-bomba. É só isso que Jonas é. Está apenas explodindo a si mesmo. É a última resistência da carne.

    A inutilidade das repetidas entregas de si mesmo

    Sofri muito em minha própria vida quando descobri que eu era o problema. Deus usou as tempestades, e usou outras pessoas e o modo como eu as havia ferido.

    Acho que isso é um grande obstáculo à mensagem da vitória em Cristo. Quanto mais a tempestade se enfurece, mais pensamos que precisamos nos entregar. Então nos entregamos, mas é apenas o eu entregando a si mesmo.

    Não funciona, e nunca vai funcionar. Joguei mais gravetos na fogueira, assinei mais cartões, levantei mais vezes a mão, fui à frente e atravessei mais linhas — e nunca funcionou. Nunca funcionou.

    Toda vez que eu fazia besteira, toda vez que caía, alguém dizia: “Você não está entregue. Está retendo alguma coisa”. Então eu me entregava ainda mais.

    Houve um período da minha vida, irmãos, em que me entreguei até não aguentar mais. Comecei com o meu corpo, e entreguei o meu cérebro. Depois fui descendo e entreguei os meus olhos. Entreguei tudo o que entrava na minha boca e tudo o que saía da minha boca. Entreguei os meus ouvidos. Entreguei as minhas mãos, entreguei os meus pés, entreguei o meu coração.

    Eu não sabia mais o que entregar. Então pensei na minha família e entreguei todos os meus filhos e netos, minha esposa, tias, tios. Entreguei uma tia-avó que não via havia anos.

    Depois, não sabia mais o que entregar. O Senhor me deu uma biblioteca enorme. Passei por cada livro e os entreguei um de cada vez: “Dou-Te este livro, dou-Te este. Eu entrego”.

    Levantei-me, e vocês não podem imaginar os pensamentos imundos que passaram pela minha mente. Eu não conseguia acreditar nos pensamentos que estavam passando pela minha mente. Depois fiquei com raiva. Depois fiquei impaciente.

    Funcionou? Dizemos que a entrega é a cura. A entrega é uma grande inimiga daquilo que Deus quer fazer na minha vida.

    Precisamos ter cuidado, porque esse é um apelo feito especialmente aos jovens: “Entregue-se. Entregue-se. Entregue a sua vida”. É melhor ter certeza de que não é o eu tentando se entregar.

    A entrega após a vida dentre os mortos

    A entrega tem o seu lugar, mas não antes de eu me tornar um sinal. Depois de me tornar um sinal, entregamo-nos continuamente ao Senhor. Mas costumamos dizer: “Senhor, estou todo quebrado, e aqui estão todos os pedaços. Toma-me. Arruinei isto e arruinei aquilo”.

    O que Ele quer com essa sucata? Ele não quer isso.

    Romanos 6:13 diz:

    Apresentai-vos a Deus,
    como vivos dentre os mortos.

    Agora, entreguem isso. Essa é uma história completamente diferente.

    A obra mais profunda de Deus

    De qualquer modo, voltando ao assunto. Jonas 1:15 termina assim:

    Então levantaram Jonas e o lançaram ao mar,
    e o mar cessou a sua fúria.

    Acabou. Jonas morre — exceto que conhecemos o testemunho; conhecemos o relato. Jonas ainda vive.

    Deus precisa realizar — e o trocadilho é intencional — uma obra mais profunda. Uma obra mais profunda. Deus precisa realizar uma obra para que ele seja levantado como sinal. Deus precisa realizar uma obra secreta e abaixo da superfície, além da visão humana.

    Deus precisa realizar uma obra em Jonas. Jonas 1:17:

    E o Senhor designou um grande peixe para engolir Jonas,
    e Jonas esteve no estômago do peixe três dias e três noites.

    Deus ainda está indo atrás dele. Deus ainda está em seu encalço. Ele usou as circunstâncias. Usou a tempestade. Usou os pagãos. Usou a sorte. Usou a consciência de culpa por todas as pessoas que ele havia ferido. Deus continua indo atrás dele.

    Deus ama Jonas. Aquele peixe não é um castigo. Aquele peixe é a sua salvação. É o seu livramento. Deus está usando aquele peixe. Ele ainda está indo atrás de Jonas.

    A identificação com Cristo

    Quero descrever a realidade do que Deus está fazendo. Lembro a vocês novamente: estamos nas imagens do Antigo Testamento, em forma de semente. Há uma forma plenamente desenvolvida no Novo Testamento. Meu coração está cheio dessa forma plenamente desenvolvida, mas quero expressá-la nos termos da imagem.

    Jonas 1:17, novamente:

    O Senhor designou um grande peixe.

    Jonas é colocado por Deus onde experimentará a identificação com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo.

    Como sei disso? Jesus me disse na forma plenamente desenvolvida:

    Pois, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do monstro marinho,
    assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.

    Na experiência de Jonas, Deus está retratando como Ele, miraculosamente, leva uma pessoa ao fim de si mesma. É necessário, absolutamente necessário, identificar-se com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo.

    Tenho certeza de que Jonas, naquele momento, não compreendia nada disso. Tudo o que ele sabe é: “Estou sendo engolido por um peixe”. Ele não sabe que Deus lhe concederá o privilégio de retratar, para sempre, a identificação com a morte, o sepultamento e a ressurreição do Senhor Jesus.

    Simbolicamente, foi ali que ele foi colocado — dentro do peixe, dentro da mensagem de identificação com Cristo. Vocês precisam lembrar que aquele é um espaço pequeno. Ele está cercado por essa mensagem. É tudo o que tem agora. Perdeu todo o resto.

    Tudo o que ele tem é a mensagem de identificação com Cristo: morte, sepultamento, ressurreição.

    Testemunho pessoal de identificação

    Bem, vou acrescentar um pouco do meu testemunho a isso. O Senhor me salvou em 1958, e houve muita vida própria de Ed Miller nos sete anos seguintes. Eu me esforcei até não poder mais, tentando ser o melhor cristão que Ele já havia salvado.

    De qualquer modo, fui exposto como o hipócrita que eu era em 1965. Fiz o que Jonas fez. Disse: “Acabou. Joguem-me ao mar. Quero morrer. Não quero perder minha esposa. Não quero perder minha família. Já perdi meu testemunho”.

    Eu já havia sido exposto como hipócrita. Não sentia que estava dentro de um peixe, mas agora, olhando para trás, sinto que estava dentro de um peixe, porque minha vida fedia.

    Era escuro. Eu não via nada. Era apertado. Uma pressão tremenda. Esse é Jonas. É isso que ele está passando.

    Para onde quer que eu me voltasse naquela época, em 1965, tudo o que conseguia ouvir era a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo — identificação com Cristo.

    Cada cântico que eu cantava parecia dizer isso. Cada mensagem que eu ouvia parecia dizer isso. Cada pessoa que eu encontrava parecia saber disso. Eu não sabia; elas pareciam saber.

    Cada livro que me entregavam era um desses livros. Fui apresentado a Andrew Murray, a Maxwell, a Stanford, a Smith, a Kongs e a todos os que consegui encontrar. Eu estava cercado pela mensagem: identificação com Jesus Cristo. Estava envolvido por aquela mensagem.

    Jonas no lugar dos pagãos

    Há uma segunda parte. Dentro do peixe, Deus colocou Jonas no lugar dos pagãos — daqueles que ele havia sido enviado para resgatar.

    Deus estava levando Jonas ao desespero completo. Jonas 2:3: descendo ao coração do mar; Jonas 1:17: descendo ao ventre do monstro marinho; Jonas 2:2: descendo às profundezas do Sheol; Jonas 2:6: descendo às raízes dos montes.

    Nossa, lembro-me daquela pressão inacreditável na minha experiência. Quando Jonas olha para trás e relembra sua experiência, ele diz: “Sabe, tudo aquilo finalmente me levou à oração”.

    Jonas 2:1:

    Então Jonas orou ao Senhor, seu Deus, do estômago do peixe.

    Vejam, os pagãos não mereciam misericórdia alguma. Agora Jonas se vê em um lugar onde não merece misericórdia alguma. Não havia a menor diferença entre Jonas e os ninivitas. Eles mereciam ser condenados, e ele também.

    Quando um missionário olha nos olhos de um canibal, ele não é o herói que veio salvar o canibal. Ele merece exatamente o mesmo juízo que aquele canibal merece. É apenas alguém de quem Deus teve muita misericórdia e a quem Ele conduziu até aquele lugar.

    Eu disse a vocês que Deus colocou Jonas no lugar dos pagãos, mas ele está se identificando com a vida, a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo. Cristo também foi colocado no lugar dos pagãos. Ele Se fez pecado por nós.

    A experiência de Jonas e seu cumprimento em Cristo

    Nas descrições que Jonas faz de sua experiência dentro do peixe, ele, sendo profeta, descreve a própria experiência por meio de hipérboles. Usa uma linguagem vívida para descrever o que estava experimentando.

    Jonas, sendo profeta, descreveu a própria experiência por meio de hipérboles. Cristo, sendo o Messias, cumpriu a hipérbole. Para Ele, foi literal. Para Ele, foi real.

    Jonas 2:2:

    Na minha aflição, clamei ao Senhor,
    e Ele me respondeu.
    Das profundezas do Sheol, gritei por socorro;
    Tu ouviste a minha voz.

    Sheol é o lugar dos espíritos dos mortos. Para Jonas, isso é linguagem figurada. Para Cristo, é literal.

    Jonas 2:4:

    Eu disse: “Fui expulso da Tua vista”.

    Essa agonia, para Jonas, era linguagem figurada. Quanto ao Senhor Jesus, Ele foi expulso da vista do Pai.

    Jonas 2:5:

    As águas me cercaram até o ponto de morte.
    O grande abismo me envolveu.

    A versão King James diz:

    As águas me cercaram, até à alma.

    Isso é o hebraico — literalmente, penetrando. Para Jonas, é linguagem figurada. Para o nosso Senhor Jesus, é literal. Jonas está se identificando com Cristo.

    Jonas 2:5 diz:

    Algas se enrolaram em minha cabeça.

    Quanto a Jonas, ele está enredado em algas lá embaixo, e, cada vez que tenta escapar, elas apertam mais e mais. O Senhor Jesus tinha espinhos ao redor de Sua cabeça.

    Jonas 2:6:

    Desci às raízes dos montes.
    A terra, com suas barras, estava ao meu redor para sempre.

    Isso é uma figura de linguagem para Jonas, mas não para Jesus. Tudo o que você teria sofrido se fosse para o inferno para sempre, Ele condensou em três horas na cruz.

    Tudo o que eu teria sofrido para sempre — e cada pessoa do mundo —, Ele foi capaz de condensar a eternidade. As barras estavam ao redor dEle para sempre. Para Jesus, é literal.

    Jonas estava se identificando com Jesus. Deus faz uma ilustração. O que acontecia literalmente com Jesus também acontecia com Jonas ao mesmo tempo. Essa é a obra mais profunda que era necessária.

    A salvação pertence ao Senhor

    Ele finalmente se vê no lugar dos pagãos, identificando-se com o Senhor Jesus, e finalmente clama em Jonas 2:9:

    Eu Te oferecerei sacrifício com voz de ação de graças.
    O que votei, cumprirei.
    A salvação vem do Senhor.

    Tudo é pela graça. Não mereço nada. A salvação pertence ao Senhor.

    Isso deu início à esperança em Jonas. Na escuridão, no aperto, naquele lugar malcheiroso, naquela situação de impotência, ao se identificar com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo, ao se ver experimentando o que Cristo experimentou, ele começou a ter esperança.

    Jonas 2:4 diz:

    Fui expulso da Tua vista.
    Contudo, tornarei a olhar para o Teu santo templo.

    Olhar novamente. Ele está na escuridão — não é com estes olhos.

    Jonas 2:7 diz:

    Quando eu desfalecia, lembrei-me do Senhor,
    e a minha oração chegou a Ti,
    ao Teu santo templo.

    Jonas 2:9:

    A salvação vem do Senhor.

    Ele olha novamente. Ele se lembra. Ele crê. Ele espera. Agora ele tem fé.

    A ressurreição por uma vida que não era a sua

    Eu disse a vocês que ele se identificou com a morte e a ressurreição de Cristo. Assim que disse: “A salvação pertence ao Senhor”, qual é o versículo seguinte?

    Jonas 2:10:

    Então o Senhor ordenou ao peixe,
    e ele vomitou Jonas em terra seca.

    Ele se identificou com a morte, o sepultamento e a ressurreição do Senhor. Foi levantado por uma vida que não era a sua.

    Considerar-nos mortos

    Vou tentar responder a uma pergunta que os comentaristas discutem: Jonas realmente morreu? Quero dizer, literalmente, e depois Deus o ressuscitou dentre os mortos?

    Há muitos debates a respeito. Pessoalmente, não penso que ele tenha morrido de fato. Mais uma vez, vocês verão isso no Novo Testamento, mas Deus o levou ao ponto em que teve de considerar-se morto.

    Juntem tudo isso — vocês sabem do que estou falando. Ele teve de considerar-se morto. Era como se estivesse morto. Morreu para a vida própria de Jonas e foi levantado por uma vida que não era a sua.

    Jonas não morreu para Jonas no fim do capítulo 1. Morreu para Jonas no fim do capítulo 2, quando se identificou com Cristo.

    Morremos pela fé, não pela entrega.

    A identificação com Cristo aconteceu, irmãos, há dois mil anos. Foi naquele momento que vocês morreram para si mesmos.

    É de partir o coração ver cristãos tentando continuamente morrer para si mesmos. Já foi feito. Acabou. Está consumado.

    Sei que parece espiritual: “Preciso morrer para mim mesmo. Há tanto de mim em mim que é inacreditável”. Para algumas pessoas, isso nunca termina. Pensam que a vitória consiste em morrer progressivamente todos os dias: “Preciso morrer mais para mim mesmo”.

    Mas pensam que morrer é entregar-se, então tentam se entregar cada vez mais, e nunca funciona. Não pode funcionar.

    Dia após dia, nós nos consideramos mortos. É assim que morremos dia após dia: nós nos consideramos mortos. É pela fé; não é pela entrega.

    A entrega é uma obra da carne, a menos que você tenha sido feito um sinal. Então ela é uma obra de Deus.

    A união com Cristo na morte e na ressurreição

    Quando Ele morreu, você morreu. Vocês conhecem a mensagem. Não preciso dizer isso a vocês. Vocês conhecem a mensagem.

    Quando Ele morreu, você morreu. Quando Ele ressuscitou, você ressuscitou. Quando Ele ascendeu, você ascendeu. Quando Ele Se assentou, você passou a estar assentado com Ele. Você está assentado com Ele nas regiões celestiais.

    O que será necessário, irmãos? Não sei onde vocês estão no Senhor. Não quero julgar o coração de vocês. Sei onde eu estava.

    Será necessária uma tempestade? Quantas pessoas você precisa ferir antes de saber quem você é?

    Você precisa sair do caminho. Não precisa de um eu consagrado. Precisa ser crucificado. O eu precisa sair. Isso aconteceu há dois mil anos.

    Conclusão

    Deixamos Jonas na praia. Se o Senhor permitir, retomaremos daí nesta noite. Lá está ele. Nunca mais esperava voltar a pisar na terra de Deus.

    Agora ele é um sinal. O que isso significa? Bem, vamos encerrar aqui por enquanto.

    Oração final

    Vamos orar.

    Pai, obrigado pela Tua Palavra. Mais uma vez, o que supomos ou pensamos que ela significa não é o que Tu sabes que ela significa. Tu a inspiraste. Pedimos que realizes isso em nosso coração.

    Senhor, obrigado por essa ilustração de Jonas e por como Tu o levaste ao fim de sua vida própria de Jonas, pela identificação com a morte, o sepultamento e a ressurreição.

    Quando abriste o coração dele para ver que a salvação pertence ao Senhor, imediatamente tudo estava feito. Ele estava na praia, pronto para ser usado por Ti.

    Ó Senhor, realiza isso em nosso coração, nós Te pedimos. Em nome de Jesus.