Estou esperando o Jack dar o sinal de positivo. Certo, sinal dado. Vamos começar. Vamos orar.
Senhor, somos gratos porque Tu és Aquele que é digno. Senhor, ao contemplarmos a Ti nesta manhã, vemos que há somente Um que é digno. E somos tão abençoados por podermos chamar-Te de nosso Irmão.
Somos gratos porque Tu não nos deixaste sozinhos. Temos um Irmão mais velho que anda conosco, que nos guarda e que é esse socorro bem presente. Senhor, buscamos a Tua presença ao nos aproximarmos da Tua Palavra nesta manhã.
Senhor, ao continuarmos a olhar para a história do testemunho de Jesus, realmente, tudo diz respeito a Ti. Queremos continuar aprendendo cada vez mais de Ti, considerando a plenitude da grande obra que Tu tens realizado ao longo dos séculos e o chamado que tens para nossa vida nestes últimos dias.
Somos gratos porque podemos nos oferecer a Ti, para que Tu operes no coração e na vida de cada um de nós e para que o Teu testemunho resplandeça por meio de nós, para Tua glória e honra. Em Teu nome oramos. Amém.
Há uma passagem das Escrituras com a qual gostaria que começássemos. Está em Efésios 3:17-19 e, para mim, essa passagem realmente fala do século XIX, que vamos considerar nesta ocasião e, provavelmente, também na próxima, ou por mais algum tempo.
Para que Cristo habite, pela fé, em vossos corações;
a fim de, estando arraigados e fundados em amor,
poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento,
para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Sabem, durante esse século XIX que vamos considerar, vemos realmente o amor de Deus manifestado em sua plenitude de tantas maneiras maravilhosas.
Vemos a altura desse amor, porque há uma revelação pela qual as pessoas começam a vislumbrar o que é a igreja, a verdadeira unidade para a qual fomos chamados em Cristo e a natureza celestial da igreja. Há uma altura à qual somos elevados.
Também, durante o século XIX, somos conduzidos a uma profundidade do amor de Deus por meio de movimentos como Keswick e outros, que nos ensinam essa questão da vida interior, da vida mais profunda, da vida trocada que temos com Cristo: Cristo em nós, e nós em Cristo. Há uma profundidade sendo experimentada durante esse século.
Há também uma largura que vemos na expressão do amor de Cristo, quando todos os crentes acolhem uns aos outros de maneira maravilhosa. Eles permanecem juntos e se reúnem, vendo realmente o amor de Cristo manifestado uns aos outros.
E há também o comprimento do amor de Cristo. A extensão que esse amor alcança se vê na propagação do evangelho pelo mundo inteiro. Antes, ele estava principalmente na Europa; depois, espalhou-se pela China, pela Índia e por muitos outros lugares. Vemos a extensão do amor de Deus expressa àqueles que, naqueles dias, eram chamados de pagãos, e somos gratos por isso.
Ao olharmos para o século XIX, é útil ter uma ideia do que estava acontecendo naquela época por meio de alguns acontecimentos mundiais importantes. Vou agrupá-los de certa maneira.
Vemos a consolidação de algumas potências. Os Estados Unidos estão crescendo. Napoleão está no auge do seu poder. Vemos Vitória e o Império Britânico se fortalecendo.
Também, depois dessa primeira parte, após a morte de Napoleão, há um período de paz geral no mundo até a Primeira Guerra Mundial. Não havia a turbulência que existira na última parte do século XVIII, exceto, obviamente, neste país, durante a Guerra Civil. Havia, de modo geral, paz e prosperidade.
Mas também vemos, nessa época, Freud com seus escritos; Darwin com A origem das espécies; Karl Marx com O Manifesto Comunista e O capital; e Nietzsche com Assim falou Zaratustra. Surge o conceito do super-homem. O homem já não serve mais; haverá um super-homem para assumir o seu lugar.
Assim, embora Deus esteja operando, há também essa ação contrária. Se olharmos para esses quatro homens — Freud, Darwin, Marx e Nietzsche —, veremos o impacto que quatro homens usados pelo inimigo poderiam exercer sobre a humanidade. Ainda hoje sofremos com isso, e os crentes precisam resistir.
Também, do ponto de vista da expansão, o mundo começa a ficar um pouco mais interligado. Temos o primeiro cabo telegráfico atravessando todo o Atlântico. Agora a Europa e os Estados Unidos podem se comunicar. Foi uma revolução tremenda.
Nos Estados Unidos, temos a conclusão da ferrovia transcontinental. Naquela ocasião, foi cravado o prego de ouro. O Canal de Suez também tornou o transporte muito mais fácil.
Se vocês lerem muitas das mensagens proféticas daquela época, verão que as pessoas e as coisas estavam começando a ir de um lado para outro com muito mais facilidade do que antes. Eles realmente pensavam que a volta do Senhor estava próxima porque, em Daniel 12:4, ao falar dos tempos do fim, está escrito:
Muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará.
Quando a ferrovia transcontinental foi concluída, aquele prego de ouro representou um grande momento profético. Todos diziam: “Agora as pessoas podem ir de um lado para outro pelos Estados Unidos. O Senhor está voltando em breve”.
Assim, vemos como todos esses movimentos estavam despertando as pessoas para aquilo que Deus estava fazendo e continua a fazer. Essa era, em linhas muito amplas e gerais, a situação do mundo.
Mas estamos mais interessados no que está acontecendo entre o povo de Deus. Há muitas coisas importantes, e nesta manhã vamos olhar apenas para as duas primeiras.
Há, obviamente, uma preocupação crescente com as missões mundiais, e também surgem grupos independentes por todos os Estados Unidos, pela Europa e pela Grã-Bretanha. Provavelmente, na próxima ocasião, veremos o Movimento de Oxford, que era um movimento liberal; o cristianismo na Rússia, sobre o qual ainda falamos pouco; a Reunião de Oração da Rua Fulton; a Convenção de Keswick; e muitos grandes pregadores que ministraram naquela época e de cujo ministério nos beneficiamos hoje.
Portanto, muita coisa acontece durante esse século. Vemos Deus operando de maneira maravilhosa para expressar a altura e a profundidade, o comprimento e a largura do Seu amor por toda a humanidade.
Primeiro, vamos começar com esse movimento missionário mundial. Ao olharmos para essas pessoas, é realmente difícil escolher apenas algumas. Escolhi algumas aqui, mas há muitas outras que não estão nesta lista.
Esses três primeiros — William Carey, Robert Morrison e David Livingstone — foram verdadeiros pioneiros na Índia, na China e na África. Se vocês os avaliassem pelo fruto de seus trabalhos, nenhum deles teria sido, entre aspas, “tão bem-sucedido”. Mas o que fizeram foi ir e lançar um fundamento. Podemos dizer que quebraram o gelo para que outros os seguissem e entrassem depois.
Sabem, gostamos de medir o sucesso de uma maneira, e Deus o mede de outra. Esses foram os pioneiros que foram até lá.
Eles enfrentavam não apenas a oposição dos pagãos aos quais se dirigiam; a atitude de grande parte da igreja naquela época também se reflete na conversa que William Carey teve quando estava se preparando para ir à Índia.
Ele estava expressando seu encargo aos líderes do lugar onde se reunia, quando foi interrompido bruscamente e ouviu: “Jovem, sente-se. Você é um entusiasta. Quando Deus quiser converter os pagãos, Ele o fará sem consultar você ou a mim. Ele pode fazê-lo sem a sua ajuda”.
Pois é, que palavra de encorajamento para seguir em frente! Quero dizer, a soberania de Deus é uma verdade, mas aquela fala não estava no Espírito de Deus nem de acordo com o que Ele deseja entre Seu povo. Mas, louvado seja Deus, isso não impediu William Carey. Ele seguiu para a Índia mesmo assim.
Carey foi para o norte da Índia. Os morávios estiveram no sul da Índia no século anterior e tiveram ali um testemunho maravilhoso, mas Carey estava no norte. Uma das coisas que ele fazia era traduzir a Bíblia para várias das muitas línguas e dos muitos dialetos da Índia.
Uma das frases de Carey que realmente tocou meu coração, e que considero tão aplicável a nós, onde quer que estejamos na vida, é esta:
Não tenho medo de fracassar. Tenho medo de ter sucesso em coisas que não importam.
Sabem, nossa carreira, nossa carreira esportiva, nossos passatempos e todas essas coisas — tenho medo de ter sucesso em coisas que não importam. Como isso nos confronta! Trata-se de realmente colocar o Senhor em Seu devido lugar e permitir que Ele tenha essa primazia em nossa vida.
Carey realmente foi e abriu a porta na Índia, e outros chegaram depois. Somos muito gratos por ele.
Depois, passamos a Robert Morrison. Ele foi para a China e ficou na região de Cantão. Naquela época, havia restrições: eles não podiam entrar no interior da China, mas apenas permanecer ao longo da costa.
É impressionante o que essas pessoas enfrentaram. Enquanto Morrison viajava de navio para a China, o capitão lhe perguntou: “Sr. Morrison, o senhor realmente espera causar algum impacto sobre a idolatria do grande Império Chinês?”.
E ele respondeu: “Não, senhor, mas espero que Deus o faça”.
Louvado seja Deus. Ele tinha a perspectiva certa e a atitude certa. Isso nos encoraja. Talvez, para alguns que ainda estão na escola ou que trabalham, as pessoas perguntem: “Você realmente acha que vai causar algum impacto sobre as pessoas da sua escola? Vai causar algum impacto sobre as pessoas do seu trabalho?”.
Não, mas Deus vai. Vamos permitir que Ele opere por meio de nós, para o Seu testemunho e por amor a Ele? Sabem, é disso que se trata. Essa era a atitude desses queridos irmãos.
Enquanto Morrison estava na China, a Grã-Bretanha e a China tinham muitas discussões a respeito do ópio. Morrison estava tentando negociar um acordo entre a Grã-Bretanha e a China. Ele acabou morrendo, e depois ocorreu a Primeira Guerra do Ópio. Isso vai além da história que estamos tratando aqui.
Mas ele traduziu o Novo Testamento e o Antigo Testamento para o chinês. Durante seu tempo ali, viu apenas dez chineses serem batizados. Por meio de todos os seus esforços e de todos aqueles anos, ele estava lançando um fundamento para outros. Somos gratos por isso.
Um dos que foram para a África foi David Livingstone. Livingstone era tanto explorador quanto missionário. Além do evangelho, seu objetivo era encontrar a nascente do rio Nilo. Onde o Nilo começa?
Quando foi para lá, ele viajou principalmente pela região que hoje se chama Zâmbia. Casou-se com Mary Moffat, filha de outro missionário, Robert Moffat. Ficaram casados por dezessete anos, mas ela morreu de malária. A malária era um problema muito sério naquela época.
Quando voltou à África, após a morte dela, ele explorava a região e conhecia muitas pessoas diferentes. Sofreu com pneumonia e malária. Quando lemos sobre essas pessoas e as doenças pelas quais passaram, vemos que a maioria delas servia em condições de fraqueza física.
Não eram muitos os primeiros missionários que tinham pleno vigor físico. Por causa das condições em que viviam, alguma coisa — pneumonia, malária ou outra doença — os havia enfraquecido bastante fisicamente. Isso é um testemunho da graça de Deus, que os sustentava apesar de suas condições físicas.
Provavelmente, uma das coisas que o mundo conhece a respeito de Livingstone é o encontro com Stanley. Stanley estava procurando por ele porque todos queriam notícias das explorações de Livingstone.
Uma das histórias conta que Stanley o cumprimentou dizendo: “Dr. Livingstone, presumo?”. Ele era o único homem branco na África, então… Mas ninguém sabe ao certo se a história é verdadeira, porque Stanley a registrou em seu diário e depois a apagou. Portanto, não sabemos.
Livingstone acabou passando o restante da vida ali. Morreu de malária e de hemorragia interna causada por disenteria.
Agora, aqueles de vocês que têm o estômago sensível, tapem os ouvidos por um minuto. Ele era tão respeitado ali que, quando morreu, retiraram seu coração e o enterraram na Zâmbia, e ainda há um marco naquele lugar. Depois, embalsamaram seu corpo e o levaram de volta. O restante do corpo está sepultado na Abadia de Westminster.
Pronto, agora vocês podem destapar os ouvidos, se forem muito sensíveis.
Aprecio Livingstone e o valor que ele atribuía ao serviço ao Senhor. Ele disse:
Não atribuirei valor a nada que tenho ou venha a possuir, a não ser em relação ao reino de Cristo.
E então, ao considerar seu chamado para ir à África, disse:
Se uma comissão dada por um rei terreno é considerada uma honra, como uma comissão dada pelo Rei celestial pode ser considerada um sacrifício?
As pessoas falam do sacrifício que fiz ao passar grande parte da minha vida na África. Definitivamente, isso não é um sacrifício; é, antes, um privilégio.
Sabem, essa é a vida. Falamos de como talvez tenhamos de abrir mão disto ou daquilo, mas essas pessoas entregaram a própria vida. Tinham uma visão celestial daquilo para o que o Senhor as havia chamado. Elas viram Cristo, consideraram-No, e Ele era uma realidade para elas.
Ninguém passa por algumas dessas coisas apenas com um conceito. Há um conhecimento Dele de maneira muito especial, e somos gratos por essas pessoas.
Alguém com quem estamos um pouco mais familiarizados é Hudson Taylor. Ele conseguiu avançar ainda mais para dentro da China.
Quando Hudson Taylor nasceu, seu pai orou: “Senhor, concede que ele trabalhe para Ti na China”. Ele veio de uma família muito piedosa, e sua família realmente o consagrou ao Senhor desde o nascimento.
Aos vinte e um anos, embarcou para a China e chegou a Nanquim, um dos portos abertos por tratado. Por causa da relação entre a China e o mundo ocidental, havia certos portos ao longo da costa aos quais os estrangeiros podiam chegar, basicamente para atividades comerciais. Eram cinco portos, chamados de portos de tratado, mas não se podia entrar no restante da China.
Uma das coisas revolucionárias que Hudson Taylor fez foi perceber, ao chegar ali, que alguns dos outros missionários ocidentais continuavam vestidos de terno e gravata. Viviam separados e tentavam ocidentalizar os chineses.
Mas Taylor sentiu, da parte do Senhor, que a maneira de alcançá-los com o evangelho era ir e estar com eles. Então, começou a se vestir como um chinês. Deixou crescer uma daquelas pequenas tranças, aprendeu a falar chinês e viveu entre eles. Não se separou deles; identificou-se com eles.
Ele queria que soubessem que Cristo Se identificava com eles e que, por isso, ele também se identificaria com eles e compartilharia o amor de Cristo.
Ele iniciou um trabalho missionário em Ningbo, mas esse trabalho não durou muito. Casou-se com Maria, que também tinha uma paixão maravilhosa pela China. Quando se casaram, tinham tamanho ardor que, em dois ou três anos, chegaram à exaustão e precisaram voltar à Inglaterra para um período de descanso.
Quando estava na Inglaterra, novamente sentiu esse encargo pela China. Foi então que fundou a Missão para o Interior da China, que conhecemos hoje.
Um ano depois, partiu da Inglaterra com sua família e dezesseis missionários da Missão para o Interior da China que havia reunido.
Os princípios que ele estabeleceu para a Missão para o Interior da China talvez não nos pareçam tão extraordinários, mas eram revolucionários naquela época.
Eles realmente olhavam para Ele como o Senhor, seu Provedor. Louvado seja Deus, ao longo da história de Taylor e da Missão para o Interior da China, o Senhor honrou isso.
Ele também queria que o trabalho da Missão para o Interior da China fosse supervisionado na própria China, e não por uma sede no exterior. Muitas vezes, o trabalho missionário era acompanhado e controlado por uma sede na Inglaterra ou nos Estados Unidos, e as pessoas de lá não faziam ideia do que estava acontecendo no campo. Ele viu a necessidade de a liderança estar ali.
Além disso, eles avançariam para o interior da China. Na China — e hoje isso continua bastante semelhante —, uma enorme porcentagem da população vive ao longo da costa, em Xangai e nas várias cidades daquela região. Depois, há aquele imenso interior do país, onde não há tantas pessoas.
A maioria dos missionários daquela época estava ao longo da costa, mas Taylor tinha um encargo pelas pessoas do interior da China, inclusive das regiões mais difíceis. Era isso que ele queria fazer.
Ele também dizia que, quando estivessem com os chineses, não apenas falariam chinês, mas continuariam usando roupas chinesas e adorando em edifícios de estilo chinês. Algumas pessoas iam para a China e construíam uma igreja no estilo de Londres, reproduzindo-a ali.
Ele disse: “Não. Se estamos na China, precisamos ser como os chineses”. Seja qual for o país em que você esteja, se houver um determinado estilo de arquitetura, é esse que você deve usar — não importar algo de outro país.
Outra coisa muito marcante naquela época era sua convicção de que mulheres solteiras eram plenamente capazes de servir como missionárias. As pessoas simplesmente não acreditavam nisso naquele tempo, mas Taylor reconheceu o valor das mulheres solteiras, que podiam ir e servir como qualquer outra pessoa. Muitas delas foram grandemente usadas pelo Senhor, de maneira maravilhosa, para espalhar o evangelho.
Uma das coisas que aconteceram na trajetória de Hudson Taylor foi que, em 1869, ele experimentou o que chamou de vida trocada. Durante todo o seu serviço, nunca havia entrado no descanso. Sempre sentia que precisava provar seu valor ao Senhor.
Ele estava lutando. Queria encontrar fé, queria ser fiel e realmente se esforçava e se empenhava para agradar a Deus, descansar Nele e estar em paz com Ele. Mas nunca conseguia encontrar esse lugar de descanso. Todos os seus esforços o deixavam exausto.
Finalmente, ele encontrou a vida trocada. Isso está resumido nesta carta à sua irmã. Ele foi bastante sincero aqui:
Quando a agonia da minha alma chegou ao auge, uma frase numa carta do querido McCarthy foi usada para tirar as escamas dos meus olhos, e o Espírito de Deus revelou a verdade da nossa unidade com Jesus como eu nunca a havia conhecido antes.
McCarthy era outro missionário da Missão para o Interior da China. Louvado seja Deus, Taylor viu essa unidade. Passou a enxergar como estava em Cristo e como Cristo estava nele. Isso trouxe um efeito fortalecedor e libertador.
Ele disse:
McCarthy havia sido profundamente afligido pelo mesmo sentimento de fracasso, mas viu a luz antes de mim e me escreveu: “Mas como ter a fé fortalecida? Não nos esforçando para obter fé, mas descansando Naquele que é fiel”.
Ele entrou no descanso. Passou a descansar Nele, em vez de se esforçar para fortalecer sua fé, como aquela pequena locomotiva: “Eu sei que não consigo. Eu sei que não consigo. Preciso ter mais fé”. Ele entrou no descanso quando viu a plenitude de Quem o Senhor era e daquilo que Ele havia feito.
Ele continua:
Enquanto eu lia, vi tudo. “Se somos infiéis, Ele permanece fiel.” Olhei para Jesus e vi. E, quando vi, oh, como a alegria transbordou! Ele havia dito: “Nunca te deixarei”. Ah, aí está o descanso! Pensei: “Tenho me esforçado em vão para descansar Nele. Não me esforçarei mais. Pois não prometeu Ele permanecer comigo, nunca me deixar, nunca me desamparar?”. E, querida, Ele jamais o fará.
Louvado seja Deus pelo descanso em que ele entrou. Dessa experiência veio aquele pequeno livreto, A vida trocada. A vida de muitos crentes foi transformada por meio dessa vida trocada, dessa experiência de Hudson Taylor ao entrar no descanso em Cristo e permanecer em Cristo, apesar de todas as dificuldades e de todos os desafios da vida.
É um ministério tremendo, e todos somos profundamente devedores por aquilo que o Senhor lhe mostrou e pela maneira como ele pôde compartilhar isso.
Infelizmente, depois disso, sua querida esposa Maria morreu em 1871. Ele se casou novamente, com outra irmã, Jennie Faulding, que era missionária ali. A essa altura, a Missão para o Interior da China havia crescido para cerca de cinquenta e dois missionários e continuava avançando para o interior.
Taylor havia mapeado a China, observado todas as diferentes províncias e desejava enviar determinados missionários para cada região.
Em 1885, um grupo chamado os Sete de Cambridge chegou à China. O mais conhecido deles era C. T. Studd, e um dos Sete de Cambridge acabou liderando a Missão para o Interior da China após a aposentadoria de Hudson Taylor.
Os Sete de Cambridge eram sete jovens que haviam acabado de concluir seus estudos na Universidade de Cambridge. Todos vinham de famílias muito aristocráticas, da elite. Eram médicos e advogados, pessoas de posição muito elevada na sociedade. O Senhor tocou a vida deles por meio do ministério de Hudson Taylor, e eles abriram mão de tudo o que tinham e se mudaram para a China para servir ao Senhor.
Eram tão conhecidos que, antes de partir, percorriam a Inglaterra e as Ilhas Britânicas, atraindo grandes multidões. Talvez isso lhes tenha subido um pouco à cabeça, porque, durante a longa viagem de navio para a China, recusaram-se a estudar e oraram para receber sobrenaturalmente a língua chinesa.
Tinham tamanha confiança no Senhor: “Senhor, não precisamos estudar chinês. Tu vais nos ensinar. Dá-nos a capacidade de falar chinês”. Bem, o Senhor não deu. Eles chegaram lá e estudaram. Pois é.
Mas podemos apreciar seu zelo e sua fé Nele. Talvez tenham ficado um pouco convencidos, mas o Senhor encontrou uma maneira de humilhá-los e usá-los.
Tragicamente, mais tarde, por volta de 1900, ocorreu a Revolta dos Boxers. Foi uma grande revolta contra os estrangeiros. Era antiestrangeira, anticristã e anti-imperialista. Um grupo de chineses de determinada região, apelidados de Boxers, saiu por toda parte massacrando ocidentais.
Cinquenta e oito missionários da Missão para o Interior da China foram mortos. Ao todo, cerca de 136 missionários foram mortos, além de padres e freiras católicos romanos, trinta mil católicos chineses e alguns milhares de protestantes chineses. Não sabemos ao certo quem conhecia o Senhor, mas foi um massacre enorme.
Houve uma reação contra a ocidentalização que estava entrando na China, e eles disseram não.
Mas Hudson Taylor atravessou tudo isso fielmente. Ele acabou morrendo e foi sepultado ali na China, na província de Hunan. Esse homem, ainda jovem, teve uma grande visão. Buscou o Senhor, e o Senhor o honrou.
Aprecio algumas de suas frases:
Deus não está procurando homens de grande fé. Ele está procurando homens comuns que confiem em Sua grande fidelidade.
Sabem, esse é o ponto: a fidelidade Dele.
Há três estágios na obra de Deus: o impossível, o difícil e o realizado.
Começa com o impossível, depois passa a ser apenas difícil e, então, está realizado. Essa é a obra de Deus. Louvado seja Deus por isso.
Taylor também disse:
Não é tanto a grandeza dos nossos problemas, mas a pequenez do nosso espírito que nos faz reclamar.
No país em que ele estava e nas situações difíceis que enfrentava, havia muitas oportunidades para reclamar. Eles tinham motivos para reclamar. Mas ele viu que não eram as situações; era a pequenez do seu espírito, a pequenez da medida em que realmente estava entrando no Senhor. Isso mudou sua atitude.
Ele também disse:
Nunca nos esqueçamos: o que somos é mais importante do que o que fazemos.
Cristo em nós — aquilo que somos é muito mais importante. É como vimos no profeta Ageu: a mensagem estava no mensageiro. Essa é a chave. O Senhor quer que Sua vida seja formada em nós. Ele está muito mais interessado nisso do que naquilo que estamos fazendo.
Às vezes, colocamos o serviço, o fazer, muito acima de qualquer outra coisa.
O herói de Mary Slessor era David Livingstone. Ele era sua grande inspiração. Ela foi para Calabar, no que hoje se chama Nigéria, e acabou adquirindo ali uma reputação tão maravilhosa que foi chamada de Rainha Branca de Calabar.
Ela cresceu numa situação muito difícil. Seu pai era alcoólatra, e ela foi obrigada a trabalhar numa fábrica. Não teve condições de receber uma educação formal. Mas, por volta dos vinte e oito anos, por conta própria, embarcou para a Nigéria como missionária e professora.
Permaneceu ali praticamente pelo restante da vida, exceto por algumas viagens de volta para casa depois de adoecer. Estabeleceu várias bases de trabalho e conquistou o respeito dos chefes tribais daquela região da África.
Uma das coisas que conseguiu realizar, por ter conquistado o respeito deles, foi acabar com o infanticídio de gêmeos. Em sua superstição, quando nasciam gêmeos, eles pensavam que eram amaldiçoados. Acreditavam que o diabo era o pai de um deles.
Não conseguiam identificar qual dos gêmeos era filho do diabo e qual era natural, então matavam os dois.
Certa noite, ela encontrou dois pequenos gêmeos enrolados num cobertor fora de uma área tribal. Eles abandonavam os gêmeos na mata para que os animais os devorassem. Ela resgatou aquelas duas crianças, descobriu o que estava acontecendo e começou a confrontar os chefes tribais.
Era uma mulher pequena, mas os enfrentava cara a cara: “Por que vocês estão fazendo isso?”. Eles passaram a respeitá-la. Às vezes, realizavam reuniões tribais com todos os chefes das tribos vizinhas, e ela era incluída nessas reuniões para expressar sua opinião sobre o que deveriam ou não fazer.
Quando vocês pensam nessa pequena mulher, o que ela tinha era o poder de Deus.
Outra coisa que ela conseguiu interromper na Nigéria foi a prática de beber veneno para provar a própria inocência. Havia uma planta venenosa e, quando julgavam alguém e não sabiam se a pessoa era culpada ou não, diziam: “Muito bem, beba este veneno. Se você for inocente, ficará bem”.
Bem, se era veneno, não fazia muita diferença — a pessoa morria. Então, finalmente, ela conseguiu fazer com que abandonassem essa prática.
Quando morreu, era tão conhecida que houve um grande funeral de Estado, organizado conjuntamente pelos britânicos e pelos nigerianos.
Uma coisa que aprecio em seu espírito é que muitas pessoas diziam: “Você é apenas uma mulher solteira ali”. Ela respondia:
Por que eu deveria temer? Estou numa missão real. Estou a serviço do Rei dos reis.
Alguns destacavam seu poder como mulher, e ela dizia:
Quando vocês pensam no poder dessa mulher, esquecem-se do poder do Deus dessa mulher. Eu prosseguirei.
Ela não estava ali como uma defensora da libertação feminina. Estava ali para representar o Senhor. Considerava a oração o maior poder que Deus colocou em nossas mãos para o serviço.
Orar é mais difícil do que fazer — pelo menos, é assim para mim. Mas é na oração que está a força para fazer avançar o reino de Deus.
Louvado seja Deus. Às vezes, podemos estar tão ocupados, e fazer pode ser mais fácil do que orar. Precisamos ser pessoas que param e oram.
Temos também C. T. Studd, aquele famoso campeão inglês de críquete. Por intermédio de seu pai, ele foi desafiado no Senhor por D. L. Moody. Era um dos Sete de Cambridge de quem falamos.
Quando seu pai morreu e ele recebeu toda a herança — milhões e milhões —, doou tudo. Entregou tudo ao Senhor. Foi primeiro para a China, depois para a Índia e, em 1910, viajou para a África, para o que então se chamava Congo Belga e hoje é a República Democrática do Congo. Serviu ali até sua morte.
Studd era um famoso jogador inglês de críquete. Talvez isso não signifique muito para nós, mas seria mais ou menos como Steph Curry ou Tom Brady abrir mão de tudo e deixar o esporte. Era isso que representava naquela época.
Aprecio seu zelo pelos perdidos:
Alguns desejam viver ao alcance do som do sino de uma igreja ou capela;
eu quero manter um posto de resgate a um passo do inferno.
Ele estava ali para resgatá-los. Era bastante direto:
Cristo não quer pessoas que apenas belisquem o possível; Ele quer pessoas que agarrem o impossível.
Aprecio seu espírito de luta:
Oro para que, quando eu morrer, todo o inferno faça uma festa para celebrar o fato de que já não estou na batalha.
Ele queria ser um combatente. Dizia: “Quero lutar tanto que o inferno até comemore quando eu morrer”.
Depois, ele disse:
O verdadeiro cristianismo é como a varíola. Se você o contrai, transmite aos outros, e ele se espalha.
Pois é, esse é o evangelho avançando.
Agora chegamos a Amy Carmichael. Muitos a conhecem e estão familiarizados com seus escritos. Ainda jovem, decidiu seguir Jesus.
Por volta dos dezoito anos, ela estabeleceu em Belfast o que se chamava Welcome, para as mulheres conhecidas como Shawlies. Sabem por que eram chamadas assim? Porque usavam xales sobre os vestidos. Não tinham dinheiro para casacos e outras coisas. Eram moças que trabalhavam nas fábricas têxteis e viviam praticamente escravizadas ali.
Depois, pediram que se mudasse para Manchester, na Inglaterra, para servir ali, e ela realizou um grande trabalho de evangelização. Ouviu Hudson Taylor falar em Keswick sobre a vida missionária e, então, fez sua primeira viagem missionária ao Japão.
Ela adoeceu e voltou para a Inglaterra. Depois, em 1895, mudou-se para a Índia para servir e ficou com uma família chamada Walker, no sul da Índia. Eles lhe ensinaram a língua.
Em 1901, iniciou o que se chamou de Comunidade de Dohnavur, para resgatar meninas. Naquela época, meninas na Índia eram colocadas nos templos e serviam ali como prostitutas dos templos.
Havia uma menina chamada Preena. Ela estava no templo, e Amy Carmichael começava a tomar conhecimento daquelas práticas. Preena fugiu do templo e foi se esconder com Amy Carmichael. Isso aconteceu antes de o trabalho ser iniciado.
Carmichael sabia que não podia simplesmente devolvê-la. Então, abriu sua casa e, por fim, estabeleceram Dohnavur para proteger essas meninas.
Foi um trabalho tremendo e realmente contrariava a cultura daquela época. Na antiga sociedade de castas da Índia, muitas crianças eram vendidas ou abandonadas. Iam para os templos como prostitutas para os sacerdotes e como fonte de renda para os deuses dali. Era realmente trágico.
Mais tarde, ela acrescentou um lar para meninos. Infelizmente, em 1931, houve um acidente trágico. Ela estava examinando uma área onde pensava em comprar um edifício, e havia uma vala que deveria ter sido aterrada, mas não havia sido.
Ela caiu, fraturou a perna e o tornozelo e também sofreu lesões bastante graves no quadril e nas costas. Ficou acamada pelo restante da vida. Mas dessa experiência surgiram livros como Rosa entre espinhos, muitos livros preciosos para nos encorajar.
Ela estava acamada, mas isso não interrompeu seu ministério. Continuou ministrando numa condição que pareceria de total incapacidade. Finalmente, faleceu em Dohnavur, em 1951.
Começou jovem, cuidando das pessoas, e, à medida que envelheceu ali, passou a ser chamada de Amma, que significa mamãe, mãe, uma mãe terna e amorosa.
Entre suas frases, ela disse:
Você pode dar sem amar, mas não pode amar sem dar.
Ela também disse:
Satanás é muito mais empenhado do que nós. Ele aproveita a oportunidade enquanto ainda estamos nos perguntando quanto ela vai custar.
E aqui está sua maneira de examinar o amor do Senhor em sua vida:
Se o elogio dos outros me exalta, e a censura deles me deprime;
se não consigo descansar quando sou mal compreendida, sem me defender;
se amo mais ser amada do que amar, ser servida do que servir,
então nada sei do amor do Calvário.
Ela dizia que preferia se consumir a enferrujar. Queria continuar ardendo pelo Senhor.
Sua oração a esse respeito foi expressa num pequeno poema:
Dá-me o amor que abre o caminho,
a fé que nada pode abalar,
a esperança que nenhuma decepção cansa,
a paixão que arderá como fogo.Não me deixes afundar e tornar-me um torrão inerte;
faze de mim Teu combustível, ó Chama de Deus.
Ela queria continuar ardendo, em chamas pelo Senhor, de uma maneira muito preciosa. Assim era ela.
Ao olharmos para essas pessoas, vemos até onde o Senhor foi em Seu amor e como Ele conquistou o coração delas de maneira maravilhosa.
Também, durante essa época, o Senhor estava operando pelo mundo de muitas maneiras maravilhosas, levantando várias assembleias independentes.
Havia vários fatores. Isso resultou do Grande Despertamento que vimos nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, com pessoas realmente se voltando para o Senhor. Havia também maior acesso à Bíblia, e a alfabetização estava aumentando. As pessoas podiam ler; podiam ter uma Bíblia em sua própria língua e lê-la.
Assim, as pessoas começavam a enxergar o coração e o propósito de Deus quanto a se reunirem. Muitos estavam se reunindo. Não precisavam se reunir sob determinado nome nem segundo determinada forma, mas podiam se reunir na simplicidade Dele.
De fato, em 1818, houve um grupo na cidade de Nova York que enviou uma carta e a publicou em muitos jornais, procurando encontrar pessoas que se reunissem como eles. Em poucos anos, receberam mais de quarenta respostas dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Europa.
Eram grupos que se reuniam como eles, na simplicidade de se ajuntarem em torno da Mesa do Senhor, na simplicidade de permanecerem na Palavra e de serem um testemunho para Ele.
Várias pessoas foram usadas por toda a Escócia, pelo País de Gales, pela Grã-Bretanha e pela Europa para apresentar a Palavra. Somos gratos pela clareza do testemunho que tinham no início; de modo geral, permaneceram fiéis por cerca de uma geração.
Infelizmente, muitos desses grupos acabaram se tornando denominações mais tarde. O trabalho na Escócia, que havia começado de maneira independente, acabou se tornando a Igreja Livre da Escócia, em contraste com a igreja oficial. Mesmo nos Estados Unidos, pessoas que começaram por conta própria acabaram se tornando os Discípulos de Cristo, a Igreja de Cristo e vários outros grupos.
Provavelmente, o movimento mais conhecido por nós é o movimento dos Irmãos. Vou usar esse termo. No início, eles não se chamavam assim; referiam-se uns aos outros como irmãos. Mas, porque se tratavam como irmãos, as pessoas passaram a chamá-los de Irmãos.
Havia uma percepção crescente da necessidade de demonstrar verdadeira comunhão nas localidades, com base no Senhor, e não na condição de membro de uma igreja. Alguns desses queridos irmãos visitavam diferentes igrejas e, a menos que se tornassem membros daquela igreja, não eram bem-vindos ali e não podiam participar.
Mas eles viram nas Escrituras que havia outro caminho.
Em 1825, Edward Cronin e Henry Hutchinson partiram o pão juntos na casa de Cronin. Ao mesmo tempo, em outra parte de Dublin, John Parnell e outras pessoas estavam se reunindo. Eles se juntaram a Anthony Norris Groves, Cronin, Wilson e outros e passaram a se reunir na casa de Hutchinson.
Esses dois grupos de Dublin finalmente tomaram conhecimento um do outro em 1827 e começaram a se reunir juntos. Vinham das mais variadas origens. Alguns eram médicos, outros advogados, e alguns eram apenas aquilo que chamaríamos de gente comum. Mas se referiam uns aos outros simplesmente como irmãos. Não usavam designações ou títulos.
Nessa época, também estavam acontecendo conferências proféticas, primeiro em Albury, sob a direção de Henry Drummond, e depois no Castelo de Powerscourt.
O Castelo de Powerscourt pertencia a Lady Powerscourt. Ela era semelhante a Lady Huntingdon, do século anterior: uma viúva muito rica, que tinha um coração voltado para o Senhor e era inteiramente consagrada a Ele.
Ela havia sido despertada pelos ensinamentos proféticos de Drummond e também conheceu os Irmãos. Organizava conferências em sua propriedade, e os Irmãos se reuniam ali. Ela lhes dava muito apoio.
Aquela era sua pequena casa. Cecília, você esteve lá, não é? A Cecília está aqui? Certo. Sim, ela esteve lá. Hoje vocês podem até fazer uma visita ao local.
Lady Powerscourt era uma mulher muito influente. Quase se casou com Darby. As histórias variam quanto a terem ficado oficialmente noivos ou não, mas muitos dos Irmãos recomendaram que Darby não se casasse com ela por causa do chamado de Deus para sua vida. Então, ele rompeu o relacionamento.
Isso faz alguns pensarem que talvez ela tenha morrido de desgosto, porque morreu aos trinta e seis anos. Não sabemos se foi assim, mas vemos como o Senhor a usou de maneira poderosa para ajudar os Irmãos naquela época.
Então, Darby entra em cena. Em 1828, começa a se reunir com eles em Dublin. Nessa época, escreve um dos mais claros folhetos e testemunhos sobre a igreja, chamado Considerações sobre a natureza e a unidade da igreja de Cristo.
Esse texto mostra nossa unidade em Cristo e a verdadeira vocação celestial da igreja. Os escritos de Darby nem sempre são tão fáceis de entender, mas aqui há clareza quanto ao encargo. Ele resumiu e expressou o chamado que Deus havia mostrado.
Na verdade, por toda a Inglaterra e a Irlanda, outras reuniões semelhantes estavam começando.
Em 1829, Groves partiu para Bagdá e para a Índia. Sentiu o chamado do Senhor, e houve um testemunho ali. Sofreu muito. Perdeu a esposa e o filho mais novo numa epidemia em Bagdá, mas prosseguiu para a Índia.
Groves é chamado de pai das missões pela fé, porque não pedia dinheiro nem divulgava suas necessidades. Simplesmente prosseguia e sabia que Deus proveria — e Ele proveu.
Em 1832, Darby mudou-se para Plymouth. Aquela se tornou a assembleia mais conhecida, razão pela qual muitas vezes todos são chamados de Irmãos de Plymouth.
Também nessa época, George Müller e Henry Craik começaram seu trabalho na Capela Bethesda, em Bristol, e abriram seu primeiro orfanato pouco tempo depois. Robert Chapman mudou-se para Barnstaple para ministrar. Falaremos um pouco mais sobre Robert Chapman daqui a pouco.
Darby estava aceitando cada vez mais convites para passar temporadas na Europa, na Suíça e em outros lugares. Então, depois de sete anos, voltou à reunião em Plymouth e acusou Newton de pregar algumas coisas que seriam heresia.
Após seis meses, Darby anunciou que estava deixando a reunião. Mais tarde, quando Darby disse: “Esperei seis meses”, Robert Chapman lhe respondeu: “Você deveria ter esperado seis anos”.
Chapman era aquele apóstolo do amor sobre quem falaremos daqui a pouco. Logo depois que Darby deixou aquela reunião, começaram outra reunião em Plymouth com alguns outros Irmãos.
Em 1847, dentro de poucos anos, Newton já havia sido confrontado a respeito de seus erros. Newton não era um orador muito claro. Era bastante obscuro, o que significa que não se expressava com muita clareza.
Se você gostasse de Newton, entenderia o que ele dizia de uma maneira. Se não gostasse dele, poderia entender de outra. Mas, à medida que essas coisas lhe foram apontadas, ele escreveu publicamente uma declaração e um folheto reconhecendo certos erros doutrinários que havia cometido.
Infelizmente, mesmo depois de se arrepender e se humilhar, continuou sendo rejeitado por seus acusadores. Eles não o receberam de volta.
Para mim, essa é uma das coisas mais trágicas da história. Ele estava procurando se arrepender, e as pessoas não aceitavam seu arrependimento. Irmãos e irmãs, quando começamos a julgar o arrependimento de alguém, entramos num terreno escorregadio.
Somente Deus pode fazer isso. Infelizmente, ao longo da história, houve muitas ocasiões em que pessoas se arrependeram, mas outras não aceitaram esse arrependimento. Irmãos e irmãs, quando começamos a avaliar e julgar a sinceridade do arrependimento de alguém, entramos num terreno escorregadio, e isso é trágico.
É aí que entra o valor da comunhão.
O amor cobre uma multidão de pecados.
E:
O amor é sofredor.
O que é verdadeiro se manifestará no tempo do Senhor. O que não é Dele também se manifestará.
Gostaria que Darby tivesse esperado um pouco mais. Talvez pudessem ter tido mais comunhão. Não conheço todas as circunstâncias em detalhe, mas havia um caminho para atravessar aquilo. A única coisa que sei é que havia, no Senhor, um caminho para superar essa situação. Não precisava ter acontecido dessa maneira.
Será que encontraremos o caminho do Senhor nisso e conseguiremos continuar prosseguindo?
Alguns anos depois, dois irmãos de Plymouth visitaram a Capela Bethesda, onde estavam Müller e Craik. Quando Darby soube disso, escreveu a Bethesda e disse que, como aquelas pessoas vinham da reunião de Plymouth, onde, em sua opinião, havia heresia, Bethesda deveria excluí-las da comunhão.
Bethesda não respondeu de imediato, então Darby escreveu novamente. Depois, Bethesda respondeu: “Somos uma localidade separada e não julgaremos o que acontece em outros lugares. Se alguém trouxer heresia até nós, nós a julgaremos”.
Darby discordou dessa conclusão. Excomungou a assembleia de Bethesda e disse que qualquer pessoa que frequentasse a assembleia de Bethesda não poderia frequentar a dele.
Isso provocou uma grande divisão no movimento dos Irmãos. É trágico como, em apenas vinte anos, aquilo que começou de maneira tão maravilhosa acabou se tornando um dos testemunhos de mais curta duração da história.
O inimigo entrou como uma inundação, mas carne e sangue abriram a porta. Havia carne e sangue no conflito entre Darby e Newton. Fossem quais fossem suas diferenças de personalidade, carne e sangue abriram a porta, e o inimigo se aproveitou disso. Como é trágico.
Essa divisão levou ao que hoje se chama de Irmãos Abertos, mais ligados a Müller e às pessoas reunidas com ele, e Irmãos Exclusivos, mais ligados a Darby. Isso continua até hoje.
O triste é que, entre alguns dos Irmãos Abertos, as pessoas podem se tornar cada vez mais abertas a qualquer coisa. Tornam-se tão abertas que perdem o testemunho.
Os Irmãos Exclusivos, por sua vez, tornam-se cada vez mais exclusivos, excluindo diferentes pessoas. Há vários relatos de pessoas entre os Irmãos Exclusivos que, no fim da vida, só conseguiam se reunir num grupo mínimo, com um irmão e um casal. Não podiam ter comunhão com mais ninguém. Ninguém atendia aos seus critérios.
Quando você estabelece uma linha aqui, depois acontece outra coisa e você estabelece outra linha. E a linha vai sendo traçada sem parar. Essa é uma das grandes tragédias que temos.
Aqui nesta assembleia, fomos influenciados pelos Irmãos, e essa é uma das razões pelas quais provavelmente estamos mais familiarizados com esse movimento. Mas há uma grande lição que precisamos aprender.
Nesta sala, temos opiniões, pensamentos e personalidades diferentes. Há muitas oportunidades para divisão aqui, certo?
Mas a única razão pela qual estamos juntos é Cristo. Aquela Mesa — é por isso que estamos aqui.
Não estamos aqui porque cremos nisto ou naquilo, porque temos determinadas interpretações sobre a vinda do Senhor, sobre como uma assembleia deve ser estruturada, como a música deve ser conduzida, como as crianças devem ser ensinadas ou quais livros devem ser lidos.
Todos têm suas várias ideias. Mas precisamos enxergar que nossa unidade está em Cristo. Temos de lutar por isso.
Há uma unidade que temos em Cristo e que está sob ataque nestes dias. Precisamos lutar vigorosamente por ela; caso contrário, continuaremos vendo um ou dois serem afastados aqui, e um ou dois ali.
Irmãos, estamos uns pelos outros. É uma grande batalha. Estamos longe de ser perfeitos. O que somos aqui? Somos uma sala cheia de pecadores. Somos uma sala cheia de pecadores salvos pela graça. É isso.
Todo o nosso conhecimento sobre isto e aquilo tem realmente pouco valor quando se trata da realidade de preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz que temos em Cristo. Essa é a questão, irmãos e irmãs. É por isso que precisamos nos esforçar; é isso que precisamos preservar.
Precisamos preservá-la para que aqueles que são um pouco mais jovens, se o Senhor demorar, tenham algo em que entrar. Eles poderão entrar na bondade do Senhor.
Quando vocês leem a história dos Irmãos, um dos desafios é saber se estão lendo um livro de história escrito pelos Irmãos Abertos ou um livro escrito pelos Irmãos Exclusivos.
Os Irmãos Abertos retratam Darby como um demônio. Os Irmãos Exclusivos o retratam como um santo. Quem era Darby? Darby era como cada um de nós.
Somos santos, mas somos pecadores. Ele foi um grande homem de Deus, com grandes falhas. Watchman Nee, T. Austin-Sparks, quem quer que vocês queiram mencionar: grandes homens de Deus, mas com grandes falhas. Todos temos pecado. Somos pecadores salvos pela graça. Que aprendamos algumas lições aqui.
Muitos conhecem George Müller e o grande trabalho que realizou com os orfanatos. Vou apenas tocar nesse assunto. Se vocês quiserem saber qualquer coisa sobre George Müller, temos um especialista aqui. Conversem com o Bob. O Bob é o Sr. George Müller.
Estou falando sobre George Müller com temor e tremor, porque sei que o Bob está sentado ali. Agora que o deixei completamente constrangido, perdoe-me, irmão.
Müller nasceu na Prússia e estudou em Halle, onde Zinzendorf havia estudado e Francke havia iniciado o trabalho. Quando foi para Londres, adoeceu e foi apresentado a um irmão chamado Henry Craik, que o apresentou aos Irmãos.
Müller se casou com Mary, irmã de Anthony Norris Groves. Depois, mudaram-se para Bristol para servir na Capela Bethesda. Quando chegaram ali, as pessoas que haviam servido antes recebiam salário, mas eles abriram mão do salário. Nunca receberam salário.
Em 1836, abriram seu primeiro lar para trinta crianças. Em 1870, já tinham instalações para acomodar duas mil crianças e duzentos funcionários. Durante seu tempo ali, cuidaram de mais de dez mil crianças e lhes deram educação. E as alimentaram — louvado seja Deus.
Nunca, nem uma vez, pediram recursos, divulgaram suas necessidades ou fizeram qualquer campanha de arrecadação. Nem sequer faziam isso de maneira sutil.
Há a história daquele velho pregador que nunca pedia aumento, mas conduzia a congregação em oração diante do púlpito, ajoelhado e voltado para a frente, deixando aparecer os buracos nos sapatos. Nada de pistas sutis ou coisas desse tipo.
Há testemunhos maravilhosos da provisão do Senhor. O primeiro lar ficava na Rua Wilson, e depois veio o grande complexo de orfanatos que ele acabou construindo. Ainda é possível visitá-lo hoje. Está lá; o Bob o visitou. Ah, os dois foram. Certo.
Entre as frases de Müller, há uma de que gosto muito:
Meus olhos não estão na densidade da neblina, mas no Deus vivo, Que controla cada circunstância da minha vida.
Isso surgiu porque, certa vez, ele estava atravessando o Atlântico de navio. Tinha um compromisso para falar em Quebec e estava ao largo da costa de Terra Nova quando uma neblina intensa envolveu o navio. O capitão não conseguia enxergar e disse: “Simplesmente não podemos nos mover. Não podemos avançar”.
Müller conversou com o capitão e sabia que ele era crente. Disse: “Bem, vamos até sua cabine, até a casa do leme, e vamos orar”.
O capitão respondeu: “Bem, esta neblina está muito forte, mas podemos ir orar mesmo assim”.
Müller fez uma oração muito simples: “Senhor, abre o caminho. Senhor, abre a porta”, algo assim. Então, o capitão começou a orar, mas Müller o interrompeu e disse: “Não ore. Você não crê nisso mesmo. Você não crê que Deus pode fazê-lo”.
Eles saíram, e a neblina se dissipou. Continuaram navegando, e ele chegou a Quebec a tempo de seu compromisso.
Müller era um grande homem de fé e um grande homem de oração. Ele disse:
A fé não opera no âmbito do possível. Não há glória para Deus naquilo que é humanamente possível. A fé começa onde termina o poder do homem.
Müller, como bom alemão, mantinha bons registros — registros muito detalhados. Em seus diários, registrou mais de cinquenta mil orações respondidas durante seu trabalho com o orfanato. Trinta mil delas, escreveu ele, foram respondidas no prazo de um dia ou de uma hora depois de terem sido feitas.
Um exemplo foi quando tinham cerca de trezentas crianças no orfanato, esperando pelo café da manhã. Não havia comida na cozinha.
Müller chamou todas as crianças. Elas se sentaram, prontas para o café da manhã, mas não havia comida alguma. Ele orou: “Senhor, providencia o café da manhã”.
Alguém bateu à porta. Era um padeiro. O Senhor havia despertado o padeiro bem cedo e lhe dito que fizesse mais pão e o levasse a Müller. Ele fez isso, e eles tiveram pão.
Assim que o padeiro saiu, alguém bateu novamente à porta. Era o leiteiro da região. Sua carroça havia quebrado bem em frente ao orfanato, e ele disse: “Olhe, se eu deixar minha carroça aqui e voltar para buscar a peça para consertá-la, vão roubar todo o meu leite. Aqui, fique com todo o leite”.
Assim, o Senhor providenciou o café da manhã. Eles tiveram leite e pão. Esse é apenas um pequeno e simples exemplo de como o Senhor continuava provendo para eles de maneiras grandiosas.
Quanto a alguns outros Irmãos, mencionamos Chapman e Mackintosh. Temos os livros de Mackintosh, e eu recomendaria estas duas obras para a biblioteca de vocês: Notas sobre o Pentateuco e O tesouro.
George Cutting escreveu um folheto evangelístico, Segurança, certeza e gozo. Esse folheto ainda é usado hoje e provavelmente é um dos mais conhecidos na história do cristianismo.
Quero mencionar também James Deck: ele era o compositor de hinos dos Irmãos, e temos cerca de quinze de seus hinos em Cristo em cânticos, que usamos para cantar.
Chapman era conhecido como o Apóstolo do Amor. Demonstrava amor de maneira tão maravilhosa que, segundo se dizia, todos na Inglaterra o conheciam.
Uma carta enviada da Austrália foi endereçada assim: “Robert Chapman, Apóstolo do Amor, Inglaterra”, e o correio conseguiu entregá-la a ele. Conseguiram.
Ele era um testemunho tão precioso. Seu desejo na vida era este:
Há muitos que pregam, mas não tantos que vivem Cristo. Meu objetivo será viver Cristo.
Quando Chapman se mudou para Barnstaple, comprou uma casa grande o suficiente para servir como lugar de hospitalidade e refúgio para outros missionários ou servos do Senhor que estivessem cansados e precisassem de um lugar para descansar. Sua casa estava sempre aberta para que as pessoas viessem e ficassem ali.
Ele tinha este costume em sua casa: sempre que alguém se hospedava ali, pedia que deixasse os sapatos do lado de fora da porta do quarto à noite, e ele os limpava para que estivessem limpos pela manhã.
Quando as pessoas rejeitavam isso e diziam que não o fariam, ele não cedia. Seu pequeno comentário era:
Em nossos dias, não é costume lavar os pés uns dos outros. O que mais claramente corresponde a esse mandamento do Senhor é limpar as botas uns dos outros.
Assim, quando você se hospedava na casa dele, recebia um par de botas limpas. As botas ficavam sujas naqueles dias. Era uma maneira maravilhosa e preciosa de servir.
Mesmo apesar da fraqueza dos Irmãos depois de vinte anos, houve muitas coisas preciosas que eles recuperaram e que pudemos enxergar por meio deles.
Os escritos de Darby recuperaram a vocação celestial da igreja e a unidade do corpo de Cristo. Eles realmente praticavam o sacerdócio universal de todos os crentes. Não era apenas um conceito; era praticado.
Houve também uma recuperação da consciência da segunda vinda do Senhor e de muitas outras verdades proféticas sobre os tempos do fim.
Ao olharmos para esse século, vemos o amor de Deus manifestado de muitas maneiras diferentes: a altura e a profundidade, o comprimento e a largura.
O objetivo é que conheçamos o amor de Cristo, que excede o entendimento, e sejamos cheios de Sua plenitude. Esse é o propósito do amor de Deus. O amor de Deus nos atrai para Ele mesmo, para nos encher, a fim de que O conheçamos cada vez mais.
Somos gratos porque o Senhor teve vasos que pôde usar, tanto para espalhar o evangelho por muitas terras pagãs quanto para reunir pessoas por todo o mundo como testemunhos preciosos para Ele — essas várias assembleias reunidas na simplicidade de Cristo.
Também podemos ser encorajados a prosseguir. Que nosso coração seja conquistado de maneira nova e que estejamos arraigados e fundados no amor de Deus, para que Ele também realize em nós aquilo que deseja fazer. Vamos orar.
Senhor, nós nos achegamos neste dia com o coração cheio de adoração. Senhor, é sempre maravilhoso ver como Tu podes tomar um vaso e usá-lo, prepará-lo para o uso do Mestre.
Senhor, a maioria dessas pessoas não fazia ideia de como sua vida se desenvolveria. Tudo o que fizeram foi se apaixonar por Ti e, então, colocar-se à Tua disposição. Tu as usaste como desejaste.
Senhor, é isso que queremos fazer. Queremos que esse amor cresça mais profundamente em nosso coração. Que nos apaixonemos por Ti repetidas vezes.
Senhor, que sejamos pessoas disponíveis para Ti, para que Tu possas nos usar como desejas nestes dias em que vivemos.
Senhor, protege-nos de nós mesmos. Protege-nos do inimigo. Ajuda-nos a ser sábios, conhecendo o amor longânimo de Deus, para que sejamos pessoas que fortaleçam o Teu testemunho e não o enfraqueçam de maneira alguma.
Em Teu nome oramos. Amém.