Ele me disse que isto aqui pode parar de funcionar. Se acontecer, vocês estão me ouvindo, certo? Basta acenarem com a cabeça de vez em quando, e isso já será um incentivo.
Vamos ler novamente aqueles versículos de 1 João 1:1-4:
O que era desde o princípio, o que temos ouvido,
O que temos visto com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito da Palavra da vida —
E a vida foi manifestada, e nós a temos visto e dela damos testemunho, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada —
O que temos visto e ouvido vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é, de fato, com o Pai e com Seu Filho, Jesus Cristo.
E estas coisas vos escrevemos, para que a vossa alegria seja completa.
Depois, em Filipenses 1:3-6, versículos conhecidos, Paulo escreve à igreja em Filipos:
Dou graças ao meu Deus por toda lembrança que tenho de vós,
Fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações,
Pela vossa comunhão no avanço do evangelho, desde o primeiro dia até agora;
Estando certo disto: que Aquele que começou em vós uma boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo.
Vamos fazer uma oração.
Senhor, somos tão gratos por termos a Tua Palavra. Sem a Tua Palavra, onde estaríamos? De fato, como disse o salmista:
A Tua Palavra é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho.
Somos tão gratos pelas palavras que vêm de Ti. Sempre nos lembramos das Tuas palavras:
As palavras que vos tenho falado são espírito e são vida.
A quem iremos? Nesta manhã, viemos somente a Ti.
Fala algo vivo e eterno. Ajuda-nos a enxergar a imensidão daquilo em que fomos introduzidos em Cristo Jesus. Esperamos; voltamos os nossos olhos para Ti; pedimos que fales. Senhor, o Teu servo ouve. Amém.
Hoje continuaremos com este encargo acerca da comunhão. Creio que não há nada mais importante para nós, como povo de Deus — nem, por sinal, algo mais importante para o Pai.
Pensem nisso. Na eternidade passada, se podemos usar essa expressão, antes da criação, tudo girava em torno da comunhão que Ele tinha com Seu Filho. Aquilo era tudo. Era o centro e o foco de tudo.
E, se vocês conseguem imaginar, Ele nos introduziu nessa mesma comunhão, para que ela fosse o centro e o foco da igreja. Que coisa maravilhosa. Está além de qualquer descrição humana.
Hoje falaremos sobre a comunhão pessoal, à medida que continuamos a desenvolver esse pensamento. Na última vez, vocês se lembram, falamos sobre 1 Coríntios 1:9:
Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Dissemos que esse versículo é de suma importância. É o que gosto de chamar de um versículo carregado de significado. Há um universo de significado nele.
Falamos sobre a declaração sem paralelo. Pensem só: se aquelas três palavras, “Deus é fiel”, não estivessem na Bíblia, onde estaríamos? Em que descansaríamos? Em que confiaríamos?
Essas são três das palavras mais importantes de toda a Bíblia. Repetidas vezes, os escritores daqueles sessenta e seis livros retomaram esse tema e o proclamaram. Mesmo em meio ao juízo, como Isaías, e mesmo em meio ao juízo, como Jeremias, eles conheciam esta única verdade: Deus é fiel.
Depois falamos sobre o chamado universal. Graças ao Senhor pelo Seu chamado. Ele chamou Abraão. Ele chamou Davi. A Bíblia inteira, como já disse antes, trata de chamado. E também trata de resposta.
É um chamado universal:
Por Quem fostes chamados.
Que chamado maravilhoso: sermos chamados para esta comunhão.
Depois falamos sobre o privilégio insondável. Imaginem: Ele não nos chamou apenas para sermos salvos. Não chamou vocês apenas para livrá-los do inferno. Não os chamou apenas para introduzi-los na vida eterna.
Ele chamou vocês para compartilhar essa mesma comunhão que Ele teve por toda a eternidade com Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. É quase inimaginável. É por isso que uso a expressão privilégio insondável.
Nisso vemos a própria natureza de Deus — Quem Ele é. Deus é fiel: isso revela a Sua Pessoa. Vemos o Seu desejo pelo ser humano, algo tão extraordinário. Está além de tudo o que poderíamos pedir ou imaginar — Deus vindo em busca do ser humano.
Graças a Deus por isso. Vocês não estariam aqui, irmãos e irmãs, se Deus não tivesse vindo em busca de vocês. Graças a Deus por isso.
E, quando pensamos nisso, vemos o Seu objetivo final. Por que Ele faz o que faz? Por causa desse propósito maravilhoso. Davi compartilhou sobre esse propósito maravilhoso, mas nós fomos envolvidos e introduzidos nesse propósito maravilhoso por toda a eternidade. Vocês nem conseguem imaginar.
Então, hoje, ao começarmos a nos aprofundar um pouco mais na comunhão pessoal, creio que precisamos compreender tudo o que nos foi dado em Cristo Jesus. Precisamos compreender a imensidão dessa comunhão.
Ela é profundamente pessoal. É para você, para mim: uma comunhão sem nada que a obscureça, uma comunhão sem fim — tão profunda que ninguém jamais poderia tê-la imaginado na antiga aliança.
Depois queremos olhar para tudo o que Deus tornou possível para introduzir você nessa comunhão pessoal. Se não fosse por essas coisas, você não teria essa comunhão pessoal. Seria impensável. Mas, porque Ele fez o que fez, nós a temos.
Estas são as duas coisas nas quais gostaria que nos concentrássemos: a imensidão da comunhão pessoal e tudo o que Deus fez para torná-la possível.
Creio que podemos dizer uma coisa: toda a vida cristã é uma vida pessoal de comunhão com o Deus vivo. Essa é a definição mais simples que consigo formular.
Não se pode subestimar a comunhão pessoal. Se você não tem comunhão pessoal com o Deus vivo, não tem a vida cristã. É tão simples assim — e tão profundo assim.
Vocês conseguem imaginar? Fomos colocados e introduzidos nessa vida de comunhão sem fim com o Deus vivo. Maravilhoso. As palavras humanas não conseguem descrevê-la.
Há um ponto importante que preciso destacar: sem comunhão pessoal ou individual com o Deus vivo, a vida cristã é absolutamente impossível.
Vocês já me ouviram dizer isso. Têm me suportado por anos. Sempre digo que a vida cristã não é difícil. As pessoas vêm a mim e dizem: “Ah, a vida cristã é tão difícil”. Eu sempre digo: “A vida cristã não é difícil. A vida cristã é impossível”.
Há somente Um que pode viver a vida cristã. Nós vivemos a vida cristã Nele, por meio Dele e por Ele, como disse o escritor de Romanos.
Este é o encargo que quero compartilhar: uma comunhão que começa, continua e se completa em um relacionamento direto com o Deus todo-poderoso e vivo. Se vocês pensarem nisso, essa é a herança de vocês. Que maravilha.
Quando falamos dessas coisas, vocês podem achar que elas são impossíveis. Por causa de Quem Ele é e por causa do que Ele fez, elas são totalmente possíveis. Ele fez tudo para garantir que sejam possíveis.
Sabem, na minha profissão de engenheiro, não posso usar essa palavra, garantir. É uma daquelas palavras proibidas. A seguradora do meu seguro de responsabilidade profissional diz: “Você nunca pode usar a palavra ‘garantir’ com seus clientes”. Imagino que eles se perguntem pelo que estão pagando.
Não posso garantir a eles que o prédio ficará de pé para sempre. Mas posso assegurar a vocês que Deus, o Deus vivo, jamais falhará. Ele não pode falhar.
O escritor de Hebreus disse que Deus, que não pode mentir, fez essas promessas. Disso recebemos forte encorajamento. Isso é comunhão pessoal.
Deixem-me voltar ao que João disse em 1 João 1:1-4. João relata como essa comunhão é profundamente pessoal. Algumas pessoas pensam que a comunhão é algo meio abstrato, meio místico. Que não é tão real assim.
Mas as expressões que João escolheu deixam perfeitamente claro que ela é absolutamente real e profundamente pessoal.
Ele usou expressões como:
O que temos visto com os nossos olhos.
Nós vimos algo. Isso nos transformou para sempre.
Ele diz:
O que contemplamos.
Vocês se lembram do que João disse em seu Evangelho:
E a Palavra Se fez carne e habitou entre nós
(e contemplamos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai),
Cheia de graça e de verdade.
Outras versões dizem: “Contemplamos a Sua glória”. Nós a contemplamos. Refletimos profundamente, e isso nos transformou para sempre.
Depois João diz:
As nossas mãos apalparam.
Pode haver algo mais pessoal do que isso? Suas mãos apalparam essas coisas.
E depois ele disse:
Temos visto e damos testemunho.
E também:
O que temos visto e ouvido.
Acho essas palavras maravilhosas.
Se João tivesse simplesmente declarado que vocês foram introduzidos na comunhão, isso não teria o mesmo peso. Mas ele usou essas palavras para nos dizer como isso é profundamente pessoal.
Tudo o que escreveu foi por uma razão, e somente uma:
Para que também vós tenhais comunhão conosco.
Esse era o seu propósito. Era isso que estava por trás do que ele escreveu.
Aqueles que conhecem a ordem em que os livros da Bíblia foram escritos sabem que as epístolas de João estavam entre os últimos. Há alguma discussão sobre se o Evangelho de João e as três epístolas foram escritos na mesma época, mas, juntos, estavam entre os últimos livros da Bíblia que temos.
Muitos pensam que, por ser o último livro da nossa Bíblia, o Apocalipse foi escrito por último. Isso não é verdade. Mas as epístolas de João foram escritas por último.
Foram escritas por último por uma única razão: para que vocês tivessem comunhão conosco. João disse:
Estas coisas vos escrevo, para que a vossa alegria seja completa.
Quando vocês têm essa comunhão, descobrem a plenitude da alegria. Creio que isso é muito importante.
Gosto de Graham Scroggie. Se vocês não têm o manual bíblico de Scroggie — que é mais ou menos deste tamanho e desta grossura —, deveriam comprá-lo. Se não tiverem dinheiro, bem, Linden não está aqui; eu compro para vocês.
Scroggie disse que a palavra-chave de 1 João é comunhão. Gosto muito da maneira como ele sempre encontrava a palavra-chave. João está compartilhando conosco essa comunhão maravilhosa, profunda e pessoal.
Depois João descreve o que ela é. Ele diz: “A nossa comunhão” — e não parou por aí. Gosto de palavras. Gosto de me concentrar nas palavras quando medito na Bíblia.
A nossa comunhão é, de fato, com o Pai e com Seu Filho.
Que maneira enfática de dizer isso. Essa é a comunhão mais elevada na qual vocês foram introduzidos.
Lembro-me de anos atrás — todos nós amávamos Carolyn e Fontaine Bowles —, quando começamos a Comunhão Bíblica e lhe demos esse nome. Estávamos na casa de Carolyn e Fontaine numa sexta-feira à noite.
Era a época em que o time que antes se chamava Redskins era realmente bom. Já faz décadas. Eu era um grande torcedor. Aliás, muitos estão aliviados porque já não tenho um ingresso para a temporada inteira — digo isso para aqueles que vinham orando por este irmão teimoso.
Fontaine e eu estávamos muito empolgados com a temporada. Antes de a reunião começar, estávamos conversando sobre os Redskins. Nunca vou me esquecer: o irmão Stephen Gog olhou para nós com seu olhar mais severo e, com sua voz mais severa, disse: “Redskins não é comunhão”.
Nunca vou me esquecer disso. Nunca mais toquei no assunto.
De fato, a nossa comunhão é com o Pai e com o Filho. Como isso é maravilhoso. Que maravilha.
Deixem-me voltar aos versículos de Filipenses, porque eu queria mencioná-los. Filipenses é a última carta de Paulo a uma igreja.
Uma vez tive problemas ao dizer isso, porque alguém falou: “Irmão, você não conhece a sua Bíblia. Primeira Timóteo, Tito e Segunda Timóteo são os últimos livros”.
Eu disse: “Não, não, irmão, você não entendeu o que eu disse”. Essas são epístolas pastorais, escritas especificamente a homens que deveriam dar continuidade à incumbência recebida. Mas Filipenses foi a última carta dele a uma igreja.
Paulo amava profundamente aquela igreja. Ele começou a compartilhar o que havia em seu coração por eles e o vínculo que tinha com eles.
Sempre digo que compartilhamos as coisas mais profundas, as mais preciosas ao nosso coração, com aqueles que amamos. Paulo tinha um vínculo com os filipenses que durou desde o momento em que foi chamado pelo homem macedônio para ir à Macedônia até o fim.
Esse vínculo nunca deixou de existir. Mesmo quando Paulo disse:
Todos os que estão na Ásia se afastaram de mim.
Esse vínculo com os filipenses nunca foi rompido.
Paulo disse, naquela saudação inicial:
Pela vossa comunhão no avanço do evangelho.
Essa era a razão de ele ter um vínculo tão forte.
Agora, qual é o nosso vínculo uns com os outros? Pensem nisso. Nosso vínculo são os carros — os carros antigos? Digo isso por causa do John. Ele gosta de carros antigos, eu gosto de carros antigos, e ele está tentando me fazer gostar ainda mais de carros antigos.
Mas é esse o nosso vínculo de comunhão? Paulo deixou perfeitamente claro que nosso vínculo singular e infalível é a comunhão no evangelho. Esse é o segredo, e essa é a alegria.
Paulo disse: “Nunca deixei de orar por vocês”. Era por causa disso que ele fazia suas súplicas. É um vínculo que durará mais do que qualquer coisa que possamos imaginar.
Paulo declarou sua confiança Naquele que era capaz de completar o que havia começado neles e aperfeiçoá-lo até o dia de Jesus Cristo — tudo por causa daquela comunhão pessoal que eles tinham.
É um vínculo inquebrável. Muitas coisas podem ser rompidas na vida, mas esse vínculo de comunhão não pode ser rompido. Aleluia. Que história. Acho tudo isso maravilhoso.
Quando olhamos para o que esses dois irmãos escreveram — lembrem-se: são palavras finais. Eu creio que as palavras finais são importantes.
As últimas palavras de João e as últimas palavras de Paulo a uma igreja se concentraram nessa questão da comunhão. Como isso é importante.
Hoje gostaríamos de considerar, a partir dessas coisas que foram relatadas, que tudo de que precisamos para sermos introduzidos na comunhão, tudo de que precisamos para permanecermos na comunhão e tudo de que precisamos para que essa obra de comunhão seja completada foi disponibilizado em Cristo Jesus.
Que forte encorajamento isso nos traz.
Vamos examinar algumas coisas:
Se vocês não compreenderem a nova e melhor aliança, jamais compreenderão a profundidade daquilo que lhes foi dado para introduzi-los na comunhão e mantê-los nela.
Se vocês não compreenderem as promessas de Deus — que Ele não pode falhar —, jamais compreenderão o que foi feito para introduzi-los na comunhão e mantê-los nela.
Se vocês não compreenderem que são uma nova criação e que há uma nova capacidade, jamais compreenderão a profundidade dessa comunhão. E, se não compreenderem o novo poder que lhes foi dado, jamais compreenderão.
Primeiro, vamos examinar a nova e melhor aliança. É preciso começar pensando na antiga aliança. A antiga aliança limitava completamente a comunhão.
Há uma diferença como a do dia para a noite entre a antiga e a nova aliança.
Agora voltamos àquele versículo de Hebreus que eu queria que vocês lessem: Hebreus 8:6, que fala do Senhor Jesus como nosso grande Sumo Sacerdote:
Mas agora alcançou Ele um ministério tanto mais excelente, quanto é também Mediador de uma melhor aliança, estabelecida sobre melhores promessas.
Irmãos e irmãs, essas duas coisas — a melhor aliança e as melhores promessas — são os assuntos aos quais dedicaremos a maior parte do nosso tempo. Elas tornam a comunhão possível: tornam possível o impossível.
Pensem por um momento no Antigo Testamento. Há alguns fatos duros a respeito da antiga aliança — fatos muito duros.
A antiga aliança nos condena. Creio que a maioria de vocês concordará com isso.
A antiga aliança limita nosso acesso a Deus. Isso é absolutamente claro. Quando apenas uma pessoa podia entrar uma vez por ano no Santo dos Santos, apresentar a oferta e sair, o acesso era claramente limitado.
A antiga aliança nos lembra constantemente dos pecados. Está sempre trazendo-os à memória. A antiga aliança sempre exige sacrifícios contínuos, sem fim, dia e noite.
A antiga aliança não pode aperfeiçoar ninguém. Vocês se lembram de que Paulo diz isso em Romanos. E a antiga aliança exige perfeição sem pecado. Esses são fatos duros.
Aquelas pessoas que dizem: “Ah, eu gostaria de viver na antiga aliança, com o fogo na sarça, o fogo no monte, o maná do céu e a água saindo da rocha” — ah, queridos irmãos e irmãs, que engano. Vocês estariam vivendo na comunhão mais limitada que se possa imaginar.
Lembrem-se do que Deus disse a Abraão quando ele tinha noventa e nove anos, ao fazer as promessas da aliança:
Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda diante de Mim e sê perfeito.
Todos vocês que conhecem Abraão sabem que isso é impossível. Pensem naquela pequena questão de Ismael e naquela pequena questão de Sara, sua esposa, ou irmã — bem, seja lá como for. Imperfeito, sem dúvida.
Somos vasos imperfeitos, seres imperfeitos. Pensem no que o Senhor mandou Moisés dizer aos filhos de Israel em Levítico 19:2:
Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.
Mais uma vez, Ele disse:
Santificai-vos, portanto, e sede santos; porque Eu sou o Senhor vosso Deus.
Pensem nesse padrão que foi estabelecido. Vocês conseguem viver à altura desse padrão? Isso é possível? Se quiserem manter uma comunhão ininterrupta, terão de viver à altura desse padrão. Essa é a antiga aliança.
Graças a Deus pela nova e melhor aliança.
Sempre olho para essa exigência inflexível da antiga aliança e me pergunto: por que Deus permitiu algo assim? Estava apenas fazendo com que passassem por uma provação profunda? Não. Ele estava lhes ensinando algo.
Gálatas deixa muito claro que a lei foi nosso tutor para nos conduzir a Cristo. Ela deveria nos ensinar uma coisa: que a comunhão — a comunhão pessoal com o Deus vivo — é impossível sob a antiga aliança.
A Escritura prossegue dizendo, como já mencionei, que ninguém pode ser aperfeiçoado pela lei, como Paulo escreveu aos romanos.
Sempre volto aos Dez Mandamentos. Não vamos ler todos, mas vocês podem consultar Êxodo 20:2-17 e Deuteronômio 5:6-21.
Vocês começam a perceber como a antiga aliança era difícil. Há uma expressão que se repete continuamente: “Tu farás” ou “Tu não farás”.
Não terás outros deuses diante de Mim.
Não farás para ti imagem de escultura.
Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
Não farás trabalho algum no sábado.
Não matarás.
Não furtarás.
Não adulterarás.
Não cobiçarás.
Pensem nisso. Toda a responsabilidade recai sobre vocês. Não é isso que essa expressão diz? “Tu farás.”
Se vocês quiserem viver em comunhão contínua, comunhão ininterrupta, comunhão profunda com o Deus vivo, terão de cumprir todas essas coisas. Ela diz claramente: “Tu farás isto”.
Agora, você pode enganar a si mesmo. Pode dizer: “Bem, sou uma pessoa muito boa. Nunca cometi adultério, nunca roubei nada e certamente nunca matei ninguém. Talvez tenha pensado nisso, mas não fiz”.
Foi assim com o jovem rico. Vocês se lembram da história: o jovem rico veio ao Senhor Jesus e disse:
Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
O Senhor disse:
Por que Me chamas bom? Ninguém é bom, senão Um, que é Deus.
Essa foi uma boa maneira de começar. Aquilo deveria ter feito luzes vermelhas piscarem: “Somente Um é bom: Deus”.
O Senhor disse, em outras palavras: “Muito bem, não mate. Não cometa adultério. Não roube”. Observem que Ele não disse: “Não cobice”.
O jovem rico, acreditem ou não, disse:
Todas essas coisas tenho observado desde a minha juventude.
Se já houve um homem profundamente enganado, aí estava ele. Talvez quisesse seguir o Senhor, mas estava profundamente enganado.
Sempre penso no Sermão do Monte. Gostaria que o Senhor não tivesse dito algumas daquelas coisas. Quantas vezes elas me pegaram, quando eu pensava que talvez houvesse algo em mim, apenas para perceber: não, não está em mim de modo algum. Está inteiramente Nele.
Vocês se lembram do que o Senhor disse em Mateus 5:28:
Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar já cometeu adultério com ela em seu coração.
Isso não revela quem você é? Não estou pedindo que ninguém responda em voz alta. Estou apenas dizendo: isso não revela quem você é?
Como Ele ampliou esse peso profundo da lei. Não o diminuiu. Não abrandou a lei.
Depois, em Mateus 5:21-22, Ele disse:
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar estará sujeito a julgamento:
Eu, porém, vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento.
Gostaria que o Senhor tivesse parado aí — mas Ele não parou. Ele sabia o que estava fazendo. Provavelmente eu estava um pouco irritado com alguns de vocês antes de chegar aqui, e vocês provavelmente estão mais do que um pouco irritados comigo agora.
Mas pensem nisso: como a comunhão é impossível sob a antiga aliança.
Isso só se torna possível quando chegamos a essa nova e melhor aliança. Amo Jeremias 31:31-34. Vocês deveriam memorizar esses versículos. Eles apresentam um grande contraste entre a antiga e a nova aliança.
O escritor de Hebreus, aquele escritor ungido e anônimo, a chama de nova e melhor aliança.
Jeremias diz:
Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.
Porei a Minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração.
E Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo.
Porque perdoarei a sua iniquidade e não Me lembrarei mais do seu pecado.
Vocês ouvem a ênfase? Não há um contraste tremendo entre “Tu não farás” e “Eu farei”?
Irmãos e irmãs, essa é a diferença entre o céu e a terra. Sou tão grato por não vivermos sob a antiga aliança.
Tiago disse que aquele que tropeça em um só ponto da lei se torna culpado de todos. Experimentem isso e vejam se funciona para vocês.
Mas, nessa maravilhosa nova e melhor aliança, Cristo é o Mediador de uma aliança melhor. Como essa comunhão pessoal se torna possível.
“Eu farei, Eu farei, Eu farei, Eu farei” — repetidas vezes. Graças a Deus, a responsabilidade muda de mãos. Nossa resposta é necessária para que Ele possa assumir essa responsabilidade.
É isso que torna a comunhão ininterrupta, sem fim e plena. Como isso é maravilhoso, de fato.
Essa é a melhor aliança, estabelecida sobre o fundamento de melhores promessas.
Deus não estava brincando conosco na antiga aliança. Em Sua sabedoria, Ele precisou conduzir um povo que deveria ser Seu testemunho vivo, assim como nós devemos ser como igreja, por um período em que fossem convencidos de que isso era impossível para eles.
Eles não podiam fazer o que Ele exigia. No fim, somente Ele poderia fazer o que exigia. Acho que essa é uma revelação maravilhosa na Bíblia. Essa é a diferença entre a antiga e a nova aliança.
Vocês se lembram de que falei sobre o jovem rico. Lembram-se da reação dos discípulos? Em Mateus 19:25, quando os discípulos ouviram isso, ficaram extremamente admirados. Não ficaram apenas chocados; ficaram extremamente admirados.
Eles disseram:
Quem, pois, pode ser salvo?
E o Senhor deu a resposta, a única resposta:
Aos homens isso é impossível; mas a Deus todas as coisas são possíveis.
Isso não é maravilhoso? Ah, eu amo esse versículo. Amo essa história.
Como é maravilhosa essa aliança sob a qual vivemos. Nunca deixem de lhe dar o devido valor.
Pensem nessa questão do acesso limitado a Deus. Sempre penso no Antigo Testamento, quando a rainha se aproximou do rei Assuero, e ele estendeu aquele cetro de ouro.
Irmãos e irmãs, gosto de dizer isto porque creio que está absolutamente claro nas Escrituras: o cetro de ouro da comunhão está sempre estendido para nós. Sempre podemos nos aproximar.
Gosto de dizer às pessoas que não tenho acesso ilimitado à minha dentista. Dei uma mordida numa baguete da Panera Bread — acho que é assim que se chama. Aquilo é duro como pedra.
Quando finalmente consegui minha consulta, a dentista disse: “Eu digo às pessoas: nunca comam baguetes da Panera Bread”. Mas eu tinha mordido uma e quebrado um dente inteiro.
Liguei para eles — eu parecia uma criança de dois anos —, e disseram: “Bob, não podemos atender você antes da semana que vem. Podemos providenciar um medicamento, mas não podemos atender você antes da semana que vem”.
Não tenho acesso ilimitado ao meu médico. Liguei, e disseram: “Ele pode atender você daqui a seis meses”. Que coisa estranha.
Nem sequer tenho acesso ilimitado ao meu mecânico. Ligo para ele e digo que preciso vê-lo, que estou com problemas. Ele diz: “Bem, o primeiro horário disponível é daqui a duas semanas”.
Mas pensem nisso. Considerem: vocês têm acesso ilimitado ao Deus santo. Isso é comunhão pessoal.
Era impensável no Antigo Testamento. Ninguém poderia ter imaginado isso. Mas nós podemos, por causa da nova e melhor aliança.
Depois penso nas novas e melhores promessas. Ah, essas promessas são maravilhosas. Graças a Deus por elas.
Ao examinarmos Hebreus, deixem-me contar uma breve história. Anos atrás, quando eu estudava Hebreus em profundidade, percebi que a palavra melhor aparecia muitas vezes.
Graham Scroggie disse que ela aparece treze vezes e é uma chave para o livro. Melhor, melhor por toda parte. Melhor em todos os lugares.
O livro fala de Cristo como sendo muito melhor do que os anjos; da melhor aliança; do melhor altar; da melhor ressurreição; do melhor sacrifício. Poderíamos continuar indefinidamente.
Em Hebreus 8:6, lemos sobre essa nova e melhor aliança, fundamentada em melhores promessas.
Outra coisa que percebi ao estudar Hebreus foram as expressões que continuam se repetindo: “tanto”, “muito mais”, “mais excelente”. Comecei a perceber um padrão e, de fato, há um padrão claro.
O escritor está tentando convencer os cristãos hebreus, que estavam recuando dessa nova e melhor aliança para a antiga, de como a nova aliança era superior.
Ele usou expressões como “muito mais”, “tanto mais”, “quanto mais”, “tanto maior” e “de quanto”. Essas expressões — melhor e tanto mais — aparecem repetidas vezes e proclamam as promessas infalíveis de Deus.
Vocês conhecem essas promessas? Se não as conhecem, não podem viver em comunhão pessoal contínua, ininterrupta e celestial. É impossível.
Há tantas nas quais poderíamos pensar. Quero mencionar apenas algumas.
Hebreus 1:4 diz que Cristo tomou uma posição:
Tanto melhor do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Em Hebreus 3:5-6, há uma chave — uma chave na Bíblia e uma chave para toda comunhão:
E Moisés, na verdade, foi fiel em toda a Sua casa, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas;
Mas Cristo, como Filho, sobre a Sua casa; a qual casa somos nós, se conservarmos firme, até o fim, a nossa confiança e a glória da nossa esperança.
Se vocês são daqueles que se recusam a sublinhar a Bíblia porque ela é tão sagrada, por favor, sublinhem esta expressão: “Mas Cristo.” É uma expressão importantíssima.
Nunca vou me esquecer de quando eu era um crente jovem. Já não sou um crente jovem. Mas, quando era, eu estava lutando com a vida cristã.
Foi enquanto lutava que cheguei a esta revelação: ela é impossível. Eram avanços e interrupções, vitórias e fracassos, desânimo e abatimento.
Então li Gálatas 2:20, e isso iluminou meu mundo espiritual:
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
Que revelação foi aquela. Virou meu entendimento espiritual de cabeça para baixo e depois o colocou na posição certa. Então entendi. Eu disse: “Senhor, agora entendi. Entendi”.
Por mais que Tu me ames e por mais que tenhas dado por mim, nunca pretendeste que eu fizesse isso. Mas Cristo é a chave. Isso é absolutamente importante.
Hebreus 6:9 diz:
Mas de vós, amados, estamos persuadidos de coisas melhores e das que acompanham a salvação.
Na nossa salvação, tudo foi providenciado para vivermos em comunhão contínua com o Deus vivo.
Depois, Hebreus 7:25 diz:
Por isso também Ele pode salvar plenamente os que por Ele se aproximam de Deus.
Isso não é maravilhoso? Não sei quanto a vocês, mas a expressão usada no original, to the uttermost, “até o mais completo grau”, é uma daquelas expressões antigas. Já não a usamos muito.
Não chego para Linda e digo: “Você é tão bonita. Sua beleza é até o mais completo grau”. Eu nunca faria isso, e ela me daria um tapa se eu fizesse.
Mas vocês entendem o ponto: Ele é capaz de nos salvar plenamente. Como essa salvação é melhor. É incomparável.
Depois penso em Hebreus 7:7:
Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior.
Vocês sabem do que isso trata? Foi escrito sobre Melquisedeque e Abraão. Aliás, não é diretamente sobre o Senhor. É sobre Melquisedeque e Abraão.
Na batalha dos reis, quando Abraão derrotou os quatro reis, esse sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisedeque — que é mencionado apenas duas vezes em todo o Antigo Testamento, mas é mencionado repetidas vezes em Hebreus —, encontrou Abraão.
A explicação foi esta:
O menor é abençoado pelo maior.
Se vocês não percebem a analogia, posso ajudar.
Fomos abençoados além de tudo o que se possa imaginar por Aquele que é maior. Pensem no que o apóstolo Paulo diz em Efésios 1:3:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
Ele não disse algumas bênçãos espirituais. Não disse poucas bênçãos espirituais. Não disse muitas bênçãos espirituais. Disse:
Toda bênção espiritual nas regiões celestiais.
Se vocês sabem disso, podem conhecer as profundezas da comunhão pessoal e ininterrupta. Nós, que somos menores, fomos abençoados Naquele que é maior. Entenderam?
Sei que estou falando devagar e com cuidado, mas estou tentando destacar um ponto. Na verdade, isso não diz respeito a Melquisedeque. O escritor de Hebreus estava prefigurando o Senhor Jesus, que é o verdadeiro Sacerdote de Deus.
Ele não deixou dúvidas ao dizer do que estava falando em Hebreus 8:1:
Ora, o ponto principal das coisas que estamos dizendo é este: temos tal Sumo Sacerdote.
Esse era todo o seu assunto.
Hebreus 7:19 diz:
Pois a lei nada aperfeiçoou.
Mas foi introduzida uma esperança melhor, pela qual nos aproximamos de Deus.
Pensem na esperança melhor que temos. Não é apenas esperança. Não é simplesmente aquilo que costumávamos dizer: “Estou fazendo isso com uma asa e uma oração”. Seja lá o que isso signifique — uma asa e uma oração.
Talvez vocês pensem que são algum tipo de avião com uma asa avariada. É aquela velha ideia da Segunda Guerra Mundial, “uma asa e uma oração”, e vocês esperam conseguir chegar.
Mas nessa esperança há plena certeza. É uma esperança melhor. O escritor de Hebreus foi preciso. Ele disse: “Esta é a esperança melhor”.
Porque vocês têm essa esperança melhor, podem se aproximar de Deus. Isso não é maravilhoso? É isso que torna a comunhão pessoal possível.
Há mais algumas coisas nas quais gostaria que pensássemos: Hebreus 9:22-23.
E quase todas as coisas, segundo a lei, são purificadas com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.
Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão nos céus fossem purificadas com esses sacrifícios; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que esses.
Vocês se lembram de que eu disse que o Antigo Testamento exigia sacrifícios contínuos.
Não quero acabar com a ilusão de ninguém aqui, mas o judaísmo, em certo sentido, já não existe. Agora, que nenhum de vocês que são pró-Israel invada o púlpito e me jogue pela janela, lá no estacionamento.
O judaísmo, nesse sentido, já não existe porque já não há sacrifício. Já não há aquele sacrifício, porque eles não aceitaram o Sacrifício — o melhor Sacrifício.
Às vezes nos perguntamos: “Deus está realmente no trono? Ele está realmente governando?” Ele sabia exatamente o que estava fazendo quando permitiu os acontecimentos do ano 70 d.C., que Jerusalém fosse saqueada e que os sacrifícios chegassem ao fim.
Quando veio esse supremo e melhor Sacrifício, foi o fim de todos os sacrifícios para sempre. Graças a Deus. Graças a Deus por isso.
Hebreus nos diz que temos um patrimônio melhor e permanente, em Hebreus 10:34.
Pensem nisso. Há uma enorme diferença entre a realidade concreta e as sombras. O Antigo Testamento é sombras; o Novo Testamento é realidade. O Antigo Testamento é sombras, mas o Novo Testamento é substância.
Vocês entendem a diferença? É uma diferença muito grande. Não se trata apenas de algo concreto — porque podemos segurar algo nas mãos e aquilo pode desaparecer —, mas o escritor de Hebreus sabia exatamente o que estava fazendo. Ele disse: “Permanente”.
Essa é uma realidade melhor, que jamais perderemos. Essa é a realidade.
Depois, todos vocês conhecem Hebreus 11. Amamos Hebreus 11, a galeria da fé. Eles buscavam uma pátria melhor.
Eu sempre costumava pensar que os Estados Unidos eram o melhor país. Neste último ano, já não tenho tanta certeza. Sou tão grato pelas grandes liberdades que temos, mas sei de uma coisa com certeza: temos uma pátria melhor.
Temos uma cidade permanente. Temos um lugar que nunca nos será tirado.
Aqueles santos do Antigo Testamento passaram por perseguições e dificuldades extremas porque seus olhos estavam voltados para a pátria melhor.
Seus olhos estão voltados para a pátria melhor? Se não estiverem, sua comunhão será limitada.
Mas, se seus olhos estiverem voltados para a pátria melhor, aquela Jerusalém que é de cima e que não pode falhar, então você poderá conhecer a comunhão.
Por último, vou apenas mencionar que Hebreus 11 diz que mulheres receberam seus mortos pela ressurreição, e outros foram torturados, não aceitando o seu livramento.
Há pessoas que não aceitaram o livramento. O escritor de Hebreus dá a razão: para que obtivessem uma ressurreição melhor.
Isso não é maravilhoso? Estamos aguardando uma ressurreição que não tem comparação. Esse é o segredo. Esse é o segredo dessa comunhão.
Vocês compreendem esse forte encorajamento em Hebreus? Se não compreendem, jamais poderão conhecer a profundidade dessa comunhão pessoal. Jamais poderão vê-la, apalpá-la com as mãos, ouvi-la ou contemplar a sua profundidade.
Tudo isso é por uma única razão: para que vocês entrem nessa comunhão.
Tenho mais dois pontos muito breves. Muito breves.
Vocês sabiam que Deus fez outra coisa indescritível quando os colocou em Cristo? Vocês foram feitos uma nova criação. Foram feitos uma nova criação.
As pessoas dizem: “Ah, se eu pudesse ter um novo começo — um novo começo na vida. Ter uma chance”. Não é essa a expressão que as pessoas usam? Ter uma chance.
Vocês receberam muito mais do que uma chance.
Está escrito em 2 Coríntios 5:17:
Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas passaram; eis que se fizeram novas.
Que coisa maravilhosa aconteceu quando vocês foram colocados em Cristo. Agora são uma nova criação, capaz de viver nessa nova esfera de comunhão ininterrupta. Deus fez isso por vocês.
Ele os transportou, como diz em Colossenses, da autoridade das trevas para o reino do Filho do Seu amor. Agora vocês podem conhecer a comunhão pessoal sem impedimentos, porque Ele fez isso.
Nunca vou me esquecer de quando experimentei isso, quando fui salvo. Eu sabia que era uma nova criação.
Meus amigos da faculdade, no último semestre, acharam que eu tinha perdido o juízo quando apareci com uma Bíblia e um grande broche laranja escrito “Jesus salva”.
Eles acharam que era uma brincadeira. Mas eu sabia que era uma nova criação. As coisas antigas tinham passado. Todas as coisas tinham se tornado novas. Que maravilha.
Por fim, Ele colocou em vocês um novo poder. Pensem nisso. Deus poderia ter feito algo mais por vocês além da nova e melhor aliança, das novas e melhores promessas, de torná-los uma nova criação em Cristo e, depois, colocar um novo poder em vocês?
O próprio Deus Espírito Santo.
Paulo falou sobre isso em Efésios. Estamos lendo esse livro agora. Naquela primeira oração, ele pede que Deus lhes dê espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele.
Vocês se lembram do último daqueles três pontos que ele apresentou: que vocês conheçam a suprema grandeza do Seu poder para com nós, os que cremos.
Pensem nesse poder extraordinário — não algum poder, não um poder limitado. É isso que precisamos conhecer.
Essas duas expressões, “em Cristo” e “Cristo em nós”, são duas das mais importantes de toda a Bíblia. Vocês precisam estudá-las — estudá-las cuidadosamente.
Em Cristo, vocês são uma nova criação. Mas Cristo em nós é essa realidade indescritível: Ele colocou em nós o Espírito Santo, o Espírito Santo que habita em nós, para viver em nós e nos tornar tudo o que devemos ser.
Indescritível. Que maravilha. Além de qualquer descrição. A suprema grandeza do Seu poder: Deus Espírito Santo.
Não quero dizer que o Espírito Santo seja apenas um GPS divino, mas Ele está sempre ali — falando, corrigindo, ajustando seu caminho. Ele é o Especialista que habita em nós, a unção sobre a qual João falou.
Foi isso que Deus fez. Ele colocou vocês em Cristo. Vocês são uma nova criação. Portanto, podem ter comunhão pessoal ininterrupta.
Ele fez algo ainda mais maravilhoso: colocou Cristo em vocês. Isso sempre me deixa admirado.
Era isso que Paulo queria dizer quando escreveu aos colossenses sobre o mistério. Vocês se lembram de que ele estava combatendo a heresia gnóstica — aqueles níveis superiores de ensino. Acho que às vezes, como cristãos, ficamos presos a esses níveis superiores de ensino.
Ele estava se opondo à heresia gnóstica e disse:
O mistério que esteve oculto desde todos os séculos e gerações, mas que agora foi manifestado aos Seus santos,
Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória.
Que maravilha. Que maravilha. Esse é o segredo da comunhão.
Você não precisa ir longe. Ele está ali. Você só precisa permanecer Nele.
Você só precisa estar em comunhão com Aquele que está em você e andar na luz, andar no amor e andar na vida. Essa era a mensagem de João.
Esses são os segredos da comunhão. É assim que a comunhão pessoal se torna possível.
Uma nova e melhor aliança. Não se pode sequer começar a compará-la com a antiga aliança.
Novas e melhores promessas, e um Deus que prometeu e que não pode mentir, como falou o escritor de Hebreus.
Uma nova criação. Vocês são uma nova criação em Cristo.
E, ainda mais, um novo poder. Quem teria imaginado? Deus Espírito Santo passando a habitar em mim e em vocês para tornar a comunhão pessoal possível.
É isso que a Bíblia tem a dizer sobre a comunhão pessoal.
Senhor, viemos a Ti com ações de graças por tudo o que fizeste. Mal conseguimos imaginar que isso seja verdade, mas é inteiramente verdade.
É difícil compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Deus — daquilo que nos foi disponibilizado. Mas somos gratos.
Tudo isso foi feito para nos introduzir naquela mesma comunhão que tiveste desde sempre com o Teu Pai.
Ensina-nos, Senhor, a viver nessa comunhão pessoal, a andar nessa comunhão pessoal e a permanecer nessa comunhão pessoal.
Que sejamos formados como esses filhos de Deus. Amém.