Bom dia, santos.
Quero compartilhar apenas alguns versículos com vocês. Veremos outros ao longo da mensagem, mas o versículo central — que não quero que vocês esqueçam enquanto conversamos sobre esse assunto — está em Hebreus 2:10:
Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas e por Quem são todas as coisas,
ao conduzir muitos filhos à glória,
aperfeiçoar, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.
Agora, no Evangelho de João — acho que todos vocês conhecem essa passagem. É sobre Nicodemos: João 3:1-12. Vou ler esses versículos.
Ora, havia um homem dentre os fariseus, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus.
Este foi ter com Ele de noite e Lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus;
porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.Jesus respondeu e lhe disse: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-Lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?
Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de Eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito.Nicodemos respondeu e Lhe disse: Como pode ser isso?
Jesus respondeu e lhe disse: Tu és o mestre de Israel e não compreendes estas coisas?
Em verdade, em verdade te digo: Nós falamos do que sabemos e damos testemunho do que temos visto; e não recebeis o Nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrenas e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais?
E, em João 1, vamos olhar apenas alguns versículos: João 1:11-13.
Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no Seu nome;
os quais nasceram, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
Vamos fazer uma breve oração.
Senhor, somos muito gratos pela Tua Palavra. Mais uma vez, olhamos para Ti ao nos aproximarmos de Ti para considerar a Tua Palavra, para que o Espírito Santo a vivifique. Sem isso, serão apenas palavras vazias.
E nós Te dizemos, ao clamar a Ti, que as Tuas palavras são espírito e vida. E Tu és o Único a Quem podemos recorrer neste momento. Tu és o Único que pode abrir a Tua Palavra, soprar sobre ela e fazê-la viver diante dos nossos olhos — e fazê-la viver, ainda mais importante, em nosso coração.
Assim, entregamos este tempo a Ti. Pedimos que o abençoes. Que nos dês ouvidos para ouvir o que o Espírito está dizendo às igrejas. Que até mesmo, como disse nosso irmão John, elimines toda a interferência e todo o ruído. Quantas vezes isso nos impede de ouvir o que o Senhor está dizendo!
Que Tu sejas exaltado nesta manhã, enquanto nos aproximamos de Ti em nome de Jesus. Amém.
O encargo que está em meu coração — e que continuará em meu coração por algum tempo, pelo menos por mais algumas mensagens — vem de uma única expressão em um único versículo: Hebreus 2:10.
É aquela expressão à qual pedi que vocês prestassem bastante atenção: “conduzir muitos filhos à glória”.
Acho que essa é uma expressão muito importante — não apenas para a Epístola aos Hebreus, mas para toda a Bíblia — porque nos revela o que está no coração de Deus para o homem, o que Ele está fazendo pelo homem e qual era o Seu propósito em tudo o que fez.
No fim, não era apenas, se vocês conseguem imaginar, exaltar aquele único Filho, que é distinto de todos os demais, mas, além disso, conduzir muitos filhos à glória, para estarem com aquele único Filho para sempre. Esse é um pensamento extraordinário. Mal conseguimos compreendê-lo. É tão grandioso quando pensamos nele. Vai além da compreensão humana, mas, ainda assim, é verdade.
Sabem, quando olhamos para essa questão da filiação, vemos que ela é muito importante na Palavra de Deus. Gosto do que nosso irmão Kong disse há alguns anos, quando falou sobre esse assunto. Ele disse que a filiação está intimamente relacionada ao propósito eterno de Deus.
Falamos muito sobre isso aqui, e não acho que devamos jamais evitar esse assunto, porque, se o evitarmos, por que nos reunimos? Mas, se vocês pensarem nisso, nosso irmão deixou muito claro que essa questão está muito próxima do propósito eterno de Deus.
Sua intenção divina, no fim, é conduzir muitos filhos à glória. Isso está no coração de Deus desde o princípio. Quando Ele disse:
Façamos o homem à Nossa imagem.
Essa era a Sua vontade predeterminada para o homem.
Somos chamados à filiação. Se você quer saber qual é realmente o seu chamado, ele não é apenas ser missionário, professor, esposa ou alguma dessas outras coisas. No fim, o chamado que abrange todos os demais, para cada santo de Deus, é ser filho.
Isso explica muita coisa na Bíblia. Aliás, explica muitos dos versículos difíceis da Bíblia sobre a disciplina de Deus. Ele está nos treinando. Ele está nos formando como filhos.
É aqui, então, que entra o encargo. Como dissemos da última vez, esse é o direito do único Filho. É um direito somente Dele.
Agora, ouçam com muita atenção o que estou dizendo. Esse é um pensamento extraordinário. Isso deveria mudar a maneira como vocês valorizam o que o Senhor fez e manter o coração de vocês prostrado em adoração.
Era um direito exclusivo do único Filho. Contudo, na misericórdia e na graça de Deus, esse direito exclusivo foi estendido a você. E agora, no mais íntimo do Seu coração, Ele deseja que muitos filhos sejam conduzidos à glória.
Chamamos isso de privilégio supremo. Vocês não conseguem imaginar um privilégio maior. Tudo se concentrava no Filho. Todo o Seu coração estava voltado para o Filho. Contudo, em Sua bondosa intenção, em Seu pensamento eterno, em Sua vontade determinada, Ele disse: “Quero muitos filhos”.
E aos que eram falhos, aos que se afastaram Dele, somente a esses, Ele estendeu esse privilégio supremo. Agora, vocês compreendem isso? Deveriam realmente considerar isso. Deveriam meditar e pensar nisso.
Vimos algo ainda mais magnífico. Esse era o Seu direito supremo, e se tornou o nosso privilégio supremo. Tornou-se o nosso privilégio exclusivo. Pensem nisso.
Quando vocês leem Hebreus, o texto diz que Ele não tomou os anjos pela mão. Isso é dito com muita clareza em Hebreus 2. Mas Ele tomou pela mão a descendência de Abraão. É maravilhoso. É um privilégio exclusivo.
Mais uma vez, era somente o Filho. Se vocês conseguirem imaginar a comunhão na eternidade passada, ali estavam o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E essa comunhão exclusiva — e quero dizer essa palavra com toda a força possível — foi estendida a vocês e a mim.
Não apenas o privilégio supremo, mas o privilégio exclusivo. A que comunhão fomos chamados! Mais uma vez, era o Seu direito exclusivo, mas, na misericórdia de Deus, Ele estendeu esse direito exclusivo a nós.
É a comunhão mais elevada que já se conheceu ou mesmo se imaginou. Se vocês conseguirem imaginar Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, pode haver comunhão mais exclusiva do que essa?
Sei que gostamos de usar a palavra relacionamento. Tenham um pouco de paciência comigo. Não gosto tanto dessa palavra. Na verdade, essa palavra não está na Bíblia. Sei que a repetimos muitas vezes. A palavra que está na Bíblia é comunhão.
Fomos introduzidos nessa comunhão exclusiva, se vocês conseguem imaginar. Acho que mal conseguimos compreender isso, mas como é maravilhoso!
1 Coríntios 1:9 diz:
Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Esse é o privilégio exclusivo que foi estendido a nós.
E esse é o propósito mais elevado de que falamos da última vez. Vocês conseguem imaginar um propósito maior?
Algumas pessoas pensam que a salvação é um grande propósito. É, de fato, um grande propósito. Mas considerem o que diz Romanos 8:29:
Porque aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho,
a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Essa foi a primeira mensagem, em sua totalidade. Espero que vocês tenham visto esse privilégio supremo. Espero que tenham visto esse privilégio exclusivo. Espero que tenham visto esse propósito mais elevado. Se viram, a vida de vocês será transformada para sempre. Vocês não serão os mesmos se tiverem visto isso.
Agora, hoje, vamos olhar para essa questão da filiação em seu desenvolvimento. Vamos considerar o nascimento dos filhos.
Vocês sabem como gosto de aliterações. Isso significa usar palavras que começam com a mesma letra. Aliás, não é apenas para castigar vocês, como alguns talvez pensem. Na verdade, é para ajudá-los a lembrar.
Então, descobri uma palavra nova enquanto buscava o Senhor a respeito disso: a parturição dos filhos. Agora, parturição — posso até soletrar, se vocês quiserem, mas não vou fazê-los passar por isso —, a parturição dos filhos significa o nascimento dos filhos.
E a primeira coisa que Deus deseja é que nasçamos de novo. Você não pode ser filho a menos que nasça do alto. Essa é toda a história de Nicodemos.
Hoje, vamos considerar apenas três coisas:
Aliás, a necessidade do novo nascimento não é algo opcional. Linda me deixou comprar uma caminhonete nova, e comprei uma com todos os opcionais que pude incluir, porque, na minha idade, penso que talvez esse seja meu último veículo. Mas isso não é um opcional. Isso é uma necessidade.
E a única coisa que o Senhor reforçou a Nicodemos naquele encontro noturno foi: “Nicodemos, se você vai ser filho, precisa nascer de novo”. É uma necessidade.
Depois, vamos considerar a resposta dos filhos recém-nascidos. Como você sabe que é filho? Se não tem a resposta correta, não é filho. A Bíblia é muito clara sobre qual é essa resposta. Vamos entrar nesse assunto.
E então, em terceiro lugar, a condição dos filhos recém-nascidos. Talvez possamos nos divertir um pouco com isso, está bem? Porque a condição dos filhos recém-nascidos não é das melhores, certo?
Mas o destino dos novos filhos, segundo Hebreus 2:10, é serem conduzidos à glória. Portanto, nesse desenvolvimento dos filhos, precisamos manter os olhos no destino final ao pensar sobre isso. Espero que isso ajude.
Vamos começar por essa questão. A filiação começa com o novo nascimento. Continua por meio da preparação e do amadurecimento dos filhos. E culmina em filhos maduros, que são conduzidos à glória, que são conformados à imagem do Senhor.
Se vocês não compreenderem esse processo intencional da obra de Deus, nunca entenderão bem o que Ele está fazendo na vida de vocês. Sempre perguntarão: “Senhor, por que fizeste isso? Senhor, por que permitiste isso?”
Tudo o que Ele faz tem como objetivo preparar filhos para a glória.
Então, voltemos a esse primeiro ponto: a necessidade do novo nascimento.
Sabem, já que estamos tratando da vida espiritual, ela se parece muito com a vida natural. A vida espiritual começa com o nascimento. Eu, pessoalmente, acredito que a vida começa na concepção. Vocês podem discutir comigo, se quiserem, mas, quando se trata de defender a vida, minha posição é firme, está bem?
Mas a manifestação efetiva da filiação começa no novo nascimento. É assim na vida natural e também na vida espiritual. A filiação começa com o novo nascimento.
Já vimos esses versículos em João 1:11-13. Acabamos de lê-los. São versículos abrangentes sobre o novo nascimento. Eles estão falando dos judeus. Os judeus são aqueles que não O receberam, certo?
Mas o texto vai além. Ele diz — e vou ler novamente, porque não quero que vocês se esqueçam:
Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,
aos que creem no Seu nome;
os quais nasceram, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
O que distinguia aqueles que O receberam é que eles nasceram. Nasceram de novo. E, para se tornar uma criança de Deus, ou para se tornar um filho de Deus, você precisa nascer de novo.
Acho que isso está muito claro. O texto fala de crer no Senhor Jesus como o caminho para nascer de novo. E fala de nascer do Espírito — não da vontade da carne, não da vontade do homem, não do sangue, mas pelo Espírito.
Acho que isso é muito importante. Esse é o início da filiação.
O nascimento de uma criança é um milagre. Acho que todos vocês concordariam comigo. É um milagre. Talvez vocês o considerem apenas um milagre natural. Eu não. Acho que é um milagre divino: o nascimento de uma criança.
Agora, Linda e eu — vou contar uma história; tenho a permissão dela, então não fiquem todos olhando para ela com lágrimas nos olhos, pensando que estou castigando-a nesta manhã. Ela está preparada para isso, está bem? — não podíamos ter filhos. Não podíamos. Era impossível.
Lembro-me de ir ao shopping e jamais esquecerei as lágrimas nos olhos dela quando via uma mãe com seu bebê no colo. Ela via um bebê num carrinho, e tudo o que eu podia fazer era me afastar e dar a ela aquele momento.
Jamais esquecerei a dor em seu coração por não poder ter filhos.
Então, o que um homem faz? Não muita coisa. Mas fui, e compramos um cachorro. Qual é a segunda melhor coisa depois de um filho? Um cachorro.
E compramos aquele cachorrinho irritante, como algumas criancinhas irritantes. Era um daqueles dachshunds — aqueles salsichinhas, sabem, que são mais compridos do que altos.
Ele mordia os irmãos e as irmãs. Que coisa terrível! Ele mordeu Stella. Stella, até hoje peço desculpas por isso. Ele mordeu mesmo, Stella. Não sei o que ele tinha com a Stella.
O nome dele era Sir Lucas Snobs, por causa dessa coisa alemã. Sir Lucas não gostava de gente e mordia as pessoas. Ele mordeu Lance, então você está em boa companhia. Por algum motivo, você e Lance desagradavam o pobre Sir Lucas. Nunca entendi isso.
Mas não havia nada que pudéssemos fazer, e passamos anos usando medicamentos para fertilidade, tentando sem resultado.
Então — não sei quantos de vocês conhecem essa história — Linda quase morreu. Ela esteve muito perto da morte e foi para o hospital. Então o Senhor salvou a vida dela. Ela é um milagre vivo — não porque me aguentou todos esses anos. Gunther, sei o que você está pensando. Não é por isso. Ela é um milagre vivo.
E então, quando saímos do hospital, depois de o Senhor salvar a vida dela, isso voltou ao nosso coração: será que o Senhor faria esse milagre e nos permitiria ter um filho?
Sabem, algo aconteceu. Fomos buscar os novos medicamentos prescritos para fertilidade, e nada aconteceu. Pegamos os medicamentos, mas nunca os tomamos — nunca os tomamos. Estávamos esperando o momento em que ela poderia tomá-los. Havia um ciclo específico para usá-los, e não conseguíamos começar.
Pensamos: “Será que ela está grávida?” Ela tinha acabado de quase morrer. Fomos ao médico e dissemos: “Não conseguimos tomar os comprimidos que o senhor nos deu”. Eles a examinaram, e ela estava grávida.
O novo nascimento é um milagre.
O nascimento espiritual é um milagre divino. Irmãos e irmãs, que maravilha! Jamais esquecerei o dia em que Jonathan nasceu. Ele foi nosso primogênito. Nós o chamamos de Jonathan porque esse nome significa “presente de Deus”.
E então, Stella, nos desfizemos de Sir Lucas, para que você nunca mais tivesse que aguentá-lo, está bem?
Digo isso por apenas uma razão: o novo nascimento é precioso. O novo nascimento é o início da vida. O novo nascimento é essencial para os filhos. E, se vamos ser aqueles filhos conduzidos à glória, precisamos experimentar o novo nascimento.
Quando esse versículo diz que Ele lhes deu o direito de serem filhos de Deus, vocês se lembram de como insisti, da última vez, na diferença entre direitos e privilégios. Vocês se lembram disso.
Muitas vezes gostamos de nos gloriar dos nossos direitos, mas, quando se trata de Deus, precisamos nos gloriar dos nossos privilégios, porque não tínhamos direito algum.
Na verdade, Darby, ao explicar isso, diz que essa palavra deveria ser poder. A Tradução Literal de Young diz que essa palavra deveria ser autoridade. É como quando aqueles discípulos receberam poder sobre os espíritos, vocês se lembram, e para curar toda espécie de doença. Eles receberam poder. Essa é a palavra correta.
O que recebemos foi poder para nos tornarmos filhos de Deus por meio do novo nascimento.
Então, olhem para a história de Nicodemos. Acho essa história maravilhosa. Amo a história de Nicodemos. Ela é cheia de coisas admiráveis, mas também traz uma lição muito importante sobre a filiação.
Já mencionei a necessidade absoluta do novo nascimento. Agora, ela começa com aquela expressão:
Havia um homem.
Vocês se lembram de que, pessoalmente, gosto dessa expressão: “Havia um homem”.
Mas lembrem-se do problema desse homem: ele não era filho de Deus. Ele não era uma criança de Deus.
Ele era um homem bastante notável. Quando lemos sobre Nicodemos, o texto diz que ele era um homem dentre os fariseus. Esse era o grupo mais elevado de todo o judaísmo. Era a ordem espiritual mais elevada. Ele era realmente um grande homem.
E vai além disso. O texto diz que ele era um dos principais dos judeus. Isso significa que ele tinha assento no Sinédrio. Era um dos membros do Sinédrio, que governava toda a vida — tanto civil quanto religiosa — de todo o judaísmo. Eram apenas setenta pessoas e um presidente.
Ele era um dos principais dos judeus, diz a Palavra. Então, em João 3:10, o Senhor disse:
Tu és o mestre de Israel e não compreendes estas coisas?
Lembrem-se: Nicodemos estava dizendo: “O que queres dizer com ‘nascer de novo’? Posso entrar no ventre da minha mãe e sair outra vez, sendo velho?” Ele estava perplexo.
O Senhor disse:
Tu és o mestre de Israel e não compreendes estas coisas?
Agora, esse “o” é o artigo definido no grego. Ele traz uma ênfase. É como “o Filho”. Sabem, quando Ele é mencionado como o Filho, usa-se o artigo definido.
Isso significa: “Nicodemos, você é o principal mestre de Israel e não conhece essas coisas”.
Um homem bastante notável, quando pensamos nisso. Pensem em sua linhagem espiritual. Pensem em seu currículo, se ele pudesse escrever um. Não imagino que fizessem isso naquela época. Hoje, estamos todos envolvidos com esse pessoal de recursos humanos e com currículos. Quantos currículos você olha por semana?
Bem, você está desempregado. Desculpe, eu não deveria ter feito isso com você. Só um — você olha o seu, certo? Perdoe-me, irmão. Continuamos orando por você. Você sabe disso, não sabe?
Que homem era Nicodemos! Que homem! Contudo, ele não era uma criança de Deus. Ele não era filho de Deus.
Agora, por que vocês acham que o Senhor escolheu Nicodemos para essa lição, que ocupa tantos versículos, para tornar esse ponto absolutamente claro? Vou dizer por quê. Vocês podem ter sua própria opinião, mas vou compartilhar o que penso.
Meu pensamento é este: esse homem representa o melhor dos filhos de Israel, certo? O melhor dos filhos de Israel. Ele representa o melhor que o judaísmo pode produzir. Poderíamos dizer que era o homem mais religioso que existia naquele momento.
Contudo, ele não era filho de Deus. Ele não era uma criança de Deus. E assim o Senhor começou a lhe ensinar esta lição extraordinária: o melhor de vocês, o melhor que existe, o mais experiente, aquele que mais demonstrou seu valor, não tem esperança, a menos que nasça de novo.
Vocês se lembram de que ele veio ao Senhor à noite. Vou dizer mais algumas palavras sobre isso. Além disso, ele era alguém que buscava.
As pessoas dão uma má fama a Nicodemos, e eu não aceito isso de maneira alguma. Dizem que Nicodemos entrou meio às escondidas, à noite. Lembrem-se: foi isso que chamei de encontro noturno — à noite. Dizem que ele veio porque tinha medo dos judeus.
Não acredito nem por um momento que esse líder de Israel, esse mestre de Israel, tivesse medo dos judeus. Acho que ele veio naquele momento, naquele encontro noturno, para estar a sós com Jesus, quando a multidão não O cercava. Creio que essa é toda a verdade.
Ele tinha essas perguntas ardentes. Disse:
Sabemos que és Mestre vindo de Deus;
porque ninguém pode fazer estes sinais, se Deus não estiver com ele.
E, sabem, o Senhor não o deixou terminar seu pensamento. Acho isso maravilhoso. O Senhor sabia exatamente qual era a necessidade dele. Ele o interrompeu. Interrompeu-o imediatamente.
Às vezes faço isso com Linda. Ela diz: “Você me interrompeu”.
O Senhor o interrompeu. Disse:
Em verdade, em verdade te digo: se não nasceres de novo, não podes ver o reino de Deus.
Vocês se lembram de que Ele disse isso três vezes. Ele não parou ali.
Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
Então, disse novamente:
Necessário vos é nascer de novo.
Irmãos e irmãs, creio que essa é uma lição importante. Se vocês vão ser crianças de Deus, se vão ser transformados em filhos ou filhas de Deus, precisam começar por essa questão do novo nascimento.
Jamais esquecerei o dia em que nasci de novo. Jamais esquecerei. Foi em 4 de fevereiro de 1972, e o Deus da glória me encontrou naquele momento. O Deus da glória. Jamais esquecerei. Foi algo transformador.
Eu não tive uma criação religiosa. Fui convidado por meus amigos hippies — minha filha sabe que sou um ex-hippie — para uma reunião.
Ali, naquela pequena reunião de avivamento, quando Deus estava agindo por Seu Espírito na VCU, convidado por amigos que haviam nascido de novo e se tornado filhos do Altíssimo, o Deus da glória me encontrou.
A vida nunca mais foi a mesma.
A convicção de pecado era tão real. Era tão esmagadora. Ao mesmo tempo, quando confessei, a paz de Deus inundou meu ser, e o amor do Senhor me transformou.
Foi tão marcante que, no dia seguinte, fui começar meu último semestre na faculdade. Para começar, eu era o palhaço da turma. Sei que vocês acham difícil acreditar nisso.
Mas, quando apareci carregando minha Bíblia e minha grande caneta laranja que dizia “Jesus salva”, meus amigos acharam que eu tinha perdido o juízo.
Eu não perdi o juízo. O Deus da glória me encontrou.
Agora, sua experiência de salvação talvez não tenha sido assim. Linda e eu conversamos muito sobre isso. Ela foi conhecendo o Senhor de maneira tranquila enquanto crescia, e sabe em seu coração que pertence ao Senhor e que nasceu de novo.
Sua experiência pode ser diferente da minha. Graças a Deus, Ele não age apenas de uma maneira ou de outra. Como isso é precioso!
Mas, naquela noite, tudo mudou, irmãos e irmãs. Para mim, isso demonstra a necessidade do novo nascimento.
Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
E o Senhor não parou. Na terceira vez, Ele disse: “Nicodemos” — é como se estivesse dizendo: “Nicodemos, você está entendendo?”:
Necessário vos é nascer de novo.
Agora, você nasceu de novo?
Você pode ser Nicodemos. Pode ser o melhor dos melhores. Pode ser a pessoa mais religiosa que alguém já conheceu. Por qualquer critério, você tem uma linhagem e um currículo extraordinários.
Mas, aos olhos de Deus, só uma coisa conta. A única coisa que conta é: você nasceu de novo?
Realmente preciso dizer às pessoas, especialmente em nossos círculos, onde há aqueles que cresceram entre nós e não têm de fato essa certeza de terem nascido de novo: precisamos saber disso.
Esse é o início da filiação. Até que você dê esse primeiro passo na filiação, jamais chegará à plenitude da filiação. Esse é o encargo que está em meu coração.
Agora, irmãos e irmãs, esse homem, o melhor dos filhos de Israel, nos diz algo. Quando vocês examinam na Palavra de Deus a condição do homem, descobrem qual é sua verdadeira condição.
Quando olham em Romanos 3, o texto diz:
Não há justo, nem sequer um;
não há quem entenda,
não há quem busque a Deus.
Não há uma só pessoa que, sem essa experiência, possa se tornar filho de Deus.
Aliás, nossa condição é pior do que isso. Se vocês olharem Efésios 2:1, o texto diz que estamos mortos em nossas transgressões e pecados.
Agora, sempre encontro pessoas que discutem comigo e dizem: “Não estou morto. Estou andando, falando e respirando. Como você pode me chamar de morto?”
Bem, gosto muito dessa ilustração. Vocês se lembram de que já a usei antes. É aquela expressão das prisões: “Morto andando”. Talvez vocês saibam o que significa. Houve um filme feito não há muito tempo. Aliás, não vi o filme. Só sei que houve um filme. Mas conheço a história dessa expressão.
É isso que somos. Sem nascer de novo, somos mortos-vivos. Essa é nossa verdadeira condição. Estamos perdidos e sem esperança neste mundo — Efésios diz: sem Deus.
Esse apelo para nascer de novo precisa chegar a todos nós, para que saibamos que nascemos de novo.
Lembro-me da primeira vez em que aprendi sobre essa questão do “morto andando”. Aprendi que ela se aplica aos que estão no corredor da morte. Isso inclui todo ser humano. Sem o Senhor, estamos todos no corredor da morte, aguardando o julgamento, certo? Vocês entendem isso?
É ali que todos nós nos encontramos. Então, quando vão do corredor da morte para a sala de execução, há uma marcha, e o condenado está preso por correntes. Essa marcha é chamada de marcha da morte.
É isso que a vida é para os que não nasceram de novo. É uma marcha da morte. Não é uma marcha da vida.
Enquanto ele caminha, os outros presos observam seu companheiro e começam a dizer, no tom mais sombrio e solene, repetindo as palavras vez após vez: “Morto andando. Morto andando. Morto andando”.
Repetem sem parar, até que ele chega à sala de execução e recebe sua sentença final. É isso que somos. Você talvez pense que é Nicodemos, mas Nicodemos está no mesmo barco.
Que o Senhor mostre a todos nós a necessidade absoluta do novo nascimento. Acho isso muito importante. Não quero encerrar sem enfatizar como isso é importante.
Deus usou intencionalmente esse homem, o melhor de todos, para nos mostrar nossa necessidade absoluta. Esse é o encargo nesse primeiro ponto sobre o nascimento dos filhos.
Você nasceu de novo? Você sabe que nasceu de novo?
O que amo na epístola de 1 João é que ele usa essa expressão — e, se vocês conhecem 1 João, conhecem a expressão —: “sabemos”. Ele a repete muitas vezes. Vocês precisam observar coisas assim na Palavra de Deus.
O texto diz: “Sabemos”. E há outra expressão igualmente importante: “Nisto sabemos”.
Todos podem saber que nasceram de novo. Devem saber. Se há a certeza dada pelo Espírito Santo no coração, isso é suficiente. Então, você é filho de Deus. Pode ser um filho recém-nascido, mas, ainda assim, é filho.
A segunda coisa sobre a qual quero que pensemos é a resposta dos filhos recém-nascidos. Se você é um filho recém-nascido, qual deveria ser sua resposta? Pense nisso. Deve haver uma resposta.
Lembro-me do momento em que Jonathan e Jessica finalmente puderam se comunicar conosco — além de simplesmente chorar —; houve uma resposta. Todo pai e toda mãe aguardam aquele momento em que os filhos dizem: “Pai. Mãe”.
Creio que as Escrituras deixam muito claro qual é a resposta dos filhos recém-nascidos.
Há uma expressão relacionada ao Senhor Jesus. Há um versículo. Se vocês abrirem comigo em Marcos 14:36, verão um momento extraordinário.
Isso acontece no jardim do Getsêmani. É a hora mais sombria do Senhor antes da cruz. Imaginem: o texto diz que, enquanto Ele orava, enquanto estava em agonia diante do Pai, Seu suor era como grandes gotas de sangue.
Agora, vocês que são da área médica terão que me explicar isso. Ainda não ouvi uma explicação satisfatória. Mas, irmãos e irmãs, esse era o momento Dele.
Que noite foi aquela, quando pensamos nisso!
Naquela noite, Ele Lhe diz:
Aba, Pai, todas as coisas Te são possíveis;
afasta de Mim este cálice:
contudo, não seja o que Eu quero, mas o que Tu queres.
Pensem nisso. Essa foi a resposta do único Filho em Seu momento mais sombrio: “Aba, Pai”.
Pensem nisso. Acho isso tão extraordinário.
Aba é uma palavra que vem do aramaico, a língua do Senhor Jesus na época dos discípulos. Significa simplesmente Pai. “Pai” traduz a palavra grega, e seu significado literal é Pai.
Portanto, Ele está dizendo, em Seu momento de mais profunda agonia — Sua única resposta a Deus é: “Aba, Pai”. Acho isso importante.
É assim que você sabe que é filho. É assim que sabe. Não há prova mais clara do que esta: “Pai”.
Pai era o clamor do único Filho. Não deveria ser também o clamor de todos os filhos?
Agora, sei que há pessoas — e, se eu tocar num ponto sensível, sei que já fiz isso antes, então vou pedir perdão desde o início — que usam aquela expressão comum e dizem: “Papai”. Não gosto disso. Sinceramente, não gosto.
Agora, se você faz isso, não vou derrubá-lo no chão, brigar, gritar e berrar com você. Mas acho que essa expressão é tão cheia de reverência.
Ele disse, do mais íntimo do Seu coração, naquele momento de mais profunda agonia: “Pai. Pai. Pode este cálice ser afastado de Mim? Contudo”:
Não seja como Eu quero, mas como Tu queres.
Creio que essa é a resposta bíblica dos filhos. Essa é a evidência de que são filhos.
Olhem Romanos 8. Acho que começarão a compreender. Romanos 8 tem muito a ver com a filiação, caso vocês não saibam. Já lemos um versículo em Romanos 8:29.
Talvez eu tenha anotado o versículo errado. Sim, eu escrevi — não consigo ler minha própria letra. Vocês precisam me perdoar.
Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor;
mas recebestes o Espírito de adoção, pelo Qual clamamos: Aba, Pai.
Não era apenas a resposta do único Filho, mas também a de cada um de nós que somos filhos de Deus, que nascemos de novo e fomos adotados. O clamor da filiação é: “Aba, Pai”.
Essa é a prova. Essa é a prova.
Paulo disse aos crentes de Corinto:
Eu vos gerei.
Essa era a prova. A prova em suas palavras era esta única expressão: “Aba, Pai”.
Há algo maravilhoso nessa expressão. Há algo absolutamente extraordinário nessa expressão.
Vocês se lembram de Maria Madalena depois da ressurreição? O Senhor Jesus apareceu a ela. Vocês se lembram da cena. Acho essa cena muito notável, e as palavras do Senhor a Maria Madalena são ainda mais notáveis.
Ele lhe disse em João 20:17:
Não Me toques; porque ainda não subi ao Pai:
mas vai ter com Meus irmãos e dize-lhes:
Subo para Meu Pai e vosso Pai,
e para Meu Deus e vosso Deus.
Que maravilha! Que comunhão foi aberta a nós, irmãos e irmãs! Que comunhão extraordinária!
Antes, Ele só podia chamá-Lo de “Meu Pai”. Antes, Ele só podia chamá-Lo de “Meu Deus”. Mas, quando ressuscitou dentre os mortos, as boas-novas se manifestaram com toda a força.
Ele disse:
Vou para Meu Pai e vosso Pai, para Meu Deus e vosso Deus.
Que magnífica certeza isso nos dá!
Mesmo quando ensinava os discípulos a orar, Ele já tinha esse momento em vista. Disse: “Orai assim”:
Pai nosso, que estás nos céus.
Mas, até que o Senhor morresse por nossos pecados e tornasse possível que nascêssemos de novo pelo Espírito, não estávamos incluídos nessa grande comunhão em que “Meu Pai” e “Meu Deus” se tornam nosso Pai e nosso Deus.
Irmãos e irmãs, acho essa resposta muito importante. Ela não é apenas alguma doutrina obscura na Palavra de Deus, mas é a própria base da nossa comunhão.
A terceira passagem em que essa resposta é mencionada, se vocês quiserem abrir, é Gálatas 4:4-7:
Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
para remir os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.
E, porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de Seu Filho ao nosso coração, que clama: Aba, Pai.
Assim, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro por Deus.
Acho isso extraordinário. Se você nasceu de novo, esse não será apenas o clamor do coração do Senhor; começará a ser também o clamor do seu coração. Sem essa resposta, não há evidência de que você nasceu de novo.
Acho que isso está muito claro na Palavra. Essas passagens deixam claro que esse era o clamor do Senhor. Deixam claro que é o nosso clamor. E deixam claro que, nesse desejo de conduzir muitos filhos, esse deve ser também o clamor deles.
Já contei essa história antes. Vou contá-la novamente e pedir perdão, caso vocês não gostem de ouvi-la outra vez.
Quando fiz meu mestrado em engenharia — aliás, essa não era minha matéria favorita. Minha disciplina favorita — eles me permitiram cursar duas disciplinas optativas —, a primeira optativa que escolhi foi estética e história do jazz.
Agora, talvez vocês me considerem menos por causa disso, mas, na verdade, gostei muito daquela disciplina. Tínhamos um professor tecladista que conseguia tocar todo aquele jazz e contar toda a história, e eu gostava muito disso, aliás.
Ele tocava aquelas músicas extraordinárias e explicava o que havia por trás delas. Agora, já esqueci tudo o que ele disse. Fazemos isso, especialmente quando envelhecemos.
Mas há uma coisa que ele disse da qual jamais esquecerei. Ele disse que o jazz começou com a influência africana, e que tudo tinha a ver com chamada e resposta.
No jazz, uma chamada é feita. Os que tocam os instrumentos respondem, então alguém faz um solo, e tudo vai respondendo àquela chamada.
Creio que, na esfera divina, um chamado partiu de Deus:
Necessário vos é nascer de novo.
E Ele espera uma resposta das pessoas. Essa resposta é: “Aba, Pai”.
Há um chamado — o chamado à filiação. Precisa haver uma resposta para que ele se complete, e essa resposta é: “Aba, Pai”.
Acho que essa é a resposta dos filhos recém-nascidos. Agora, o último ponto: qual é a condição dos filhos recém-nascidos?
Isso talvez surpreenda vocês um pouco. A verdadeira condição dos filhos recém-nascidos é que são bebês. Isso não deveria surpreendê-los. São criancinhas.
Pedro deixou isso muito claro: como bebês, desejem o leite puro da Palavra de Deus. A maneira de crescer como filho é ser nutrido pela Palavra de Deus. Você não apenas nascerá como filho; amadurecerá como filho.
Para mim, essa condição dos filhos recém-nascidos — pensem por um minuto na esfera natural — é assim: eles são muito encantadores. Acho que quase todo mundo vê um bebê e diz: “Ah!” Aliás, é mais ou menos o mesmo com os cachorrinhos. As pessoas dizem: “Um cachorrinho!”
Se vocês estão chateados porque comparei seu pequeno João ou sua pequena Maria a um cachorrinho, por favor, perdoem-me. Mas, irmãos e irmãs, eles são fofos. Dá vontade de abraçá-los — agora não estou falando de cachorros; voltei a falar dos filhos.
Mas esses seres fofos e aconchegantes são egoístas. Quero dizer a vocês: a verdadeira condição é que tudo gira em torno do pequeno João ou da pequena Maria.
Todos vocês que já passaram pela experiência de ser pai ou mãe sabem como é. O alarme dispara na boca deles, e eles começam a chorar a plenos pulmões até que vocês atendam à necessidade deles.
Acho que essa é a verdadeira condição. São bebês. São criancinhas. Isso é compreensível. Estão sob os cuidados dos pais. Mas, graças a Deus, eles deixam essa fase para trás; caso contrário, seríamos todos celibatários.
Quero dizer, vocês conseguem imaginar? Jamais esquecerei nosso filho do meio — e hoje deixei Jessica em paz; ela agradece muito por isso —, nosso filho do meio, Justin. Dei a ele o apelido de Fussy Jess, porque era tão chorão.
Eu não conseguia fazer nada certo. Vou dizer a vocês: sabem aquela coisa de a cabeça girar, com gente atirando coisas? Naquele momento, era mais ou menos assim que me parecia. Eu não conseguia fazer nada certo com ele.
Ele era tão difícil de acalmar. Lembro-me de uma vez, em nossa antiga casa, em que não conseguia consolá-lo. Tentei de todas as maneiras. Não sei por que Linda me deixou naquela situação.
Mas finalmente desisti. Peguei Justin e o deitei no meio do chão da sala da família. Disse: “Chega. Chega”. Saí da sala e fechei a porta.
Creio que somos assim como cristãos, como filhos recém-nascidos. Tudo gira em torno de nós: “Atende à minha necessidade, e atende agora”. É assim que pensamos.
O interesse dos filhos recém-nascidos não é saber qual é a vontade do Pai. Não é nem mesmo se unir a Ele e cuidar dos assuntos do Pai. Tudo gira em torno de mim. Eu sou o centro do universo.
Creio que essa é a verdadeira condição dos filhos.
Mark Twain disse: “Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cachorro”.
Essa é a nossa condição.
Harry Truman, aquele homem de palavras diretas, disse: “Quer um amigo em Washington, D.C.? Arranje um cachorro”.
Nossa condição como filhos recém-nascidos é esta: tudo gira em torno de nós. Sou eu, o centro do universo. Eles são inocentes. São egoístas.
Graças a Deus, isso dura apenas um pouco, e esperamos que eles comecem a amadurecer como filhos. Crescem e começam a ser conformados à imagem do único Filho. Começam a responder ao Seu amor e à Sua disciplina. Ao fazerem isso, são formados como filhos.
Vejam, acho que nascemos como crianças, mas somos formados como filhos. A Bíblia deixa isso muito claro. Há uma progressão.
Começamos como recém-nascidos. Amadurecemos um pouco e não permanecemos crianças totalmente egocêntricas. Então, o processo vai além e mostra que a progressão espiritual completa é nos tornarmos filhos maduros, que se importam com os assuntos do Pai.
Eles se importam com as coisas que estão em Seu coração. Entregam-se a Ele para que Sua vontade seja feita. Acho que isso está muito claro.
Infelizmente, as palavras em inglês traduzidas como “crianças” ou “filhos” não expressam bem o significado das palavras gregas. Há várias palavras na Bíblia que mostram a verdadeira condição dos filhos.
Primeiro — e não vou ler o grego, porque vocês não se lembrarão do grego mais do que se lembram das minhas histórias —, há uma palavra que significa um bebê: queridos pequeninos, criancinhas.
Vocês se lembram de quando João escreveu sua epístola? Na tradução para o inglês, acrescentaram até uma palavra, para que vocês percebessem que o significado era mais profundo. Essa expressão é “filhinhos”. São crianças pequenas.
Há outra palavra grega. Ela significa uma criança ainda pequena, certo? Ainda não são maduros. São meninos ou meninas que cresceram apenas parcialmente.
Então, há uma terceira palavra grega, que significa uma criança, uma filha ou um filho. Todas essas palavras gregas nos dão o quadro completo do desenvolvimento da infância. Primeiro, mostram a condição dos filhos e, depois, o processo de desenvolvimento.
Vou dar um exemplo. João disse:
Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo.
Esse é o bebê. É o menor de todos.
Então, mais adiante, quando disse:
Eu vos escrevo, filhinhos.
Essa é a criança pequena, ainda imatura.
Mas a Palavra de Deus vai além. Há uma palavra específica para filho. Mais uma vez, não quero dizer a palavra grega, porque vocês nunca se lembrarão dela. Mas essa palavra é bastante específica.
É a palavra que aparece em Hebreus 2:10:
Ao conduzir muitos filhos à glória.
É a que aparece em Romanos 8:19, quando fala sobre a filiação.
Há um processo de amadurecimento. Passamos de seres humanos totalmente recém-nascidos, voltados para si mesmos, egoístas, perguntando: “Quando Deus vai atender à minha necessidade?”, para pessoas que começam a amadurecer e crescer, a ser transformadas e a se tornar úteis para o Mestre.
Esse é o destino, irmãos e irmãs. Essa é a progressão.
Jamais esquecerei o que nosso irmão Kong disse há alguns anos, falando dos mais novos desse grupo — os bebês: “A natureza adâmica está desnuda na criança”.
Jamais esquecerei de dizer aos meus próprios filhos, e de lhes falar sobre os filhos deles, e de dizer a outros pais — talvez ainda estejam zangados comigo, aliás — que, quando o pequeno João estava fazendo uma birra daquelas e virando tudo de cabeça para baixo, eu dizia: “Aí está o melhor de Adão”.
Irmãos e irmãs, graças a Deus, Ele não nos deixa nessa condição. Graças a Deus, embora tenhamos passado por essa condição, o que Ele deseja é esse crescimento progressivo até a plena maturidade.
Que o Senhor nos conduza à experiência de ser esse filho plenamente desenvolvido.
Lembro-me do irmão Sparks — foi num artigo ou numa mensagem; não tenho certeza — citando Hebreus 6:1 e usando aquela expressão bíblica que realmente explica todo o livro de Hebreus: “até a plena maturidade”.
É disso que se trata: da filiação.
A filiação começa com um bebê recém-nascido. Passa daí para uma criança pequena, ainda, em grande parte, egocêntrica, ainda completamente dependente dos pais. Passa daí para uma criança mais velha.
Mas então deve ir muito além disso. Deve avançar até a maturidade. Esse é o filho plenamente desenvolvido e maduro.
Irmãos e irmãs, esse é o encargo que o Senhor colocou em meu coração. A parturição dos filhos é apenas o começo.
Muitas vezes encontro cristãos, até mesmo eu, em certos momentos, presos a uma dessas fases. Minha condição ainda não é a condição que Deus procura em Seus filhos plenamente maduros.
Você pode ter vinte anos. Pode ter quarenta anos. Pode ter sessenta anos. Pode ter oitenta anos. Deus nos livre, você pode ter cem anos e ainda estar na mesma condição.
Mas não é isso que Deus deseja. Não é isso que Deus deseja de modo algum. O que Ele procura é que cresçamos, que nos tornemos plenamente maduros, que sejamos conformados à Sua imagem.
Esses são os filhos que Ele está conduzindo à glória.
Vamos fazer uma breve oração.
Senhor, nós Te agradecemos por Teu grande propósito. Mal conseguimos imaginar um privilégio mais elevado, um privilégio mais exclusivo. Mal conseguimos imaginar um plano maior: aquilo que estava destinado ao único Filho foi estendido a nós.
Tu procuras aqueles que possam nascer do Espírito. Procuras aqueles que possam receber a filiação. Procuras aqueles que possam crescer e amadurecer como filhos.
Tu procuras pessoas em quem, quando outros olharem para nós, vejam o Senhor Jesus. Senhor, faz essa obra. Queremos nos oferecer a Ti.
Creio que a maioria nesta sala já nasceu de novo. Mas creio que muitos de nós não prosseguimos, não avançamos e não nos tornamos aqueles filhos plenamente maduros que Tu procuras.
Nós nos oferecemos a Ti neste momento, enquanto estamos com nossos irmãos e irmãs e na Tua presença, para que nos conduzas a essa plena maturidade.
Que prossigamos até a estatura plena. Que, no fim, Tu tenhas muitos filhos para conduzir à glória.
Pedimos essas coisas em Teu precioso nome. Amém.