Vamos às Escrituras, no Novo Testamento, à carta aos Hebreus, capítulo 11. Apenas um versículo: Hebreus 11:21.
Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José; e adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José; e adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Vamos nos inclinar juntos para mais uma palavra de oração?
Nosso amado Pai, queremos agradecer-Te porque estamos aqui, em Tua presença, nesta noite. Já dissemos, Senhor: queremos simplesmente ouvir-Te. Cremos que Tu tens algo a nos dizer, Senhor.
Juntos, nós nos apropriamos da provisão que fizeste para o falar e o ouvir, para que não haja nada da carne nisto, Senhor — nem no falar, nem no ouvir —, mas para que conheçamos aquela capacitação e aquele poder divinos que farão com que o Teu propósito para este momento seja cumprido em sua totalidade.
Senhor, damos-Te todo o louvor, toda a adoração e toda a gratidão, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Agora já é tarde para recapitular todos estes encontros que tivemos sobre a vida e o caráter de Jacó. Nesta manhã, eu estava falando sobre Jacó como vencedor, e falei sobre aquela pequena expressão:
Os coxos tomarão a presa.
— Isaías 33:23
Jacó era o coxo; Esaú era o homem sem deficiência. Esaú era o caçador, mas não tomou a presa. Jacó, no fim, tendo sido incapacitado por Deus, foi quem tomou a presa. Ele alcançou o trono de Deus e chegou ao lugar que Deus lhe havia destinado.
Toda essa questão de vencer é, de muitas maneiras, muito, muito importante. Há muitos equívocos e mal-entendidos a respeito de vencer. Conversamos um pouco sobre isso nesta manhã.
O que quero fazer agora, nesta noite, é avançar mais um passo e falar um pouco mais sobre Jacó como vencedor. Mas, desta vez, quero falar dele como adorador e como uma bênção.
Porque vencer não significa absolutamente nada, a menos que isso signifique que, finalmente, você e eu nos tornamos verdadeiros adoradores do Senhor e pessoas capazes de transmitir aos outros uma bênção real, concreta e prática.
Se não conseguimos fazer isso — se não conseguimos adorar o Senhor nem transmitir uma bênção aos outros —, não somos vencedores.
Vencedores não são pessoas que apenas conhecem certa quantidade de verdade, têm determinado esquema doutrinário ou são fiéis a determinada forma de doutrina. Isso está incluído. Quero deixar essa questão bem clara.
A verdade é a verdade, e a doutrina pura é a doutrina pura. Não podemos desprezar essas coisas, como alguns fizeram, e sair dos trilhos. Mas, em última análise, trata-se de algo mais do que uma apreciação mental da verdade, ou até mesmo uma revelação interior da verdade. Precisamos conhecer a verdade tornando-se carne e sangue, de modo que ela realize algo em nós.
Deus quer levar você e eu ao trono.
Há uma mentalidade muito estranha que, de alguma forma, se desenvolveu entre o povo de Deus. Temos a ideia de que, só porque as pessoas são salvas, todas elas, automaticamente, pelo simples fato de terem se convertido, vão se sentar em tronos de ouro para julgar a terra.
É uma ideia extraordinária. Só porque uma pessoa se converteu, vai se sentar num trono — o universo inteiro coberto de tronos, com os crentes sentados neles.
A ideia parece ser de glória, de exibição. De alguma forma, pensa-se que o trono é uma espécie de topo da pirâmide. Quando você chega ao topo, senta-se ali em glória, todos o admiram, e você se torna o centro das atenções.
Isso entrou tão profundamente na mentalidade humana a respeito do trono que é assim que pensamos na realeza. Pensamos nela, basicamente, como uma espécie de exibicionismo — um foco de atração, uma espécie de glória superficial.
Essa não é a ideia de Deus sobre a realeza, nem é a Sua ideia sobre reinar a partir do trono. A ideia de Deus sobre a realeza é serviço.
Aquele que for o maior entre vós será escravo de todos.
Na concepção de Deus, a realeza não consiste em atrair as pessoas para si, mas em servir aos outros. Essas pessoas são instrumentos da autoridade de Deus para o bem dos outros, para cuidar dos outros, alimentar os outros, corrigir os outros e fortalecer os outros. É algo bem diferente da nossa mentalidade sobre a realeza.
Deus nos livre de alguns cristãos que conheço chegarem a se sentar em tronos! Alguns cristãos não permitiram que Deus produzisse neles qualquer espécie de capacidade espiritual.
Alguns não conseguem nem governar a pia da cozinha. Não conseguem governar a própria casa. Não conseguem governar no escritório. No entanto, de alguma forma, parecem pensar que, num piscar de olhos, alguma coisa vai acontecer, e poderão se sentar num trono e governar uma vasta região.
A Palavra de Deus não diz isso. Ela diz:
Se padecemos com Ele, também com Ele seremos glorificados.
Ela diz:
Se servimos, também com Ele reinaremos.
Jesus disse:
Ao que vencer, conceder-lhe-ei que se assente comigo no Meu trono; assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
Como o Senhor Jesus venceu? Por meio de uma Belém. Foi assim que Ele venceu. Por meio de uma Nazaré. Foi assim que Ele venceu. Por meio de um Jordão — um batismo no Jordão. Foi assim que Ele venceu.
Por meio de três anos de ministério abnegado, dia e noite. Foi assim que Ele venceu. Por meio de um Getsêmani:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Foi assim que Ele venceu. Por meio de um Calvário, onde, pelo Espírito eterno, ofereceu a Si mesmo a Deus, sem mancha nem defeito. Foi assim que Ele venceu.
É assim que você e eu vencemos. Nós também precisamos conhecer em nós essa vida vencedora do nosso Senhor: a vida de Belém, a vida do Jordão, a vida dos três anos de ministério em nós, a vida do Calvário e, graças a Deus, a vida de ressurreição e ascensão.
Como Deus faz isso? Ele o faz levando-nos ao nosso próprio Jaboque, onde Jacó se torna Israel; onde o velho Jacó, que trama, manipula e engana, escravizado à sua própria força natural e à sua vontade própria, é incapacitado por Deus no centro do seu poder natural.
Daquele dia em diante, ele foi um homem fisicamente incapacitado. Mancou pelo resto da vida. Não chamou aquela experiência de santificação, nem de segunda bênção, nem de claudicação, nem de quebrantamento, nem mesmo de batismo. Simplesmente a chamou de face de Deus.
Esse é o tipo de experiência que eu quero. Não é esse o tipo de experiência que vocês querem?
Isso pode nos custar a incapacitação da nossa vida natural, a desarticulação dos nossos talentos naturais e a interrupção da nossa energia natural. Mas, graças a Deus, se isso significa que nos tornamos um Israel, então temos poder com Deus e com os homens que nunca tivemos antes.
Já não se trata de algo psicológico — como criar um ambiente, como manter alguma coisa em andamento, como persuadir as pessoas. Torna-se uma questão da chama de Deus dentro de nós.
De Jacó a Israel.
Logo no início destes encontros, eu lhes disse que precisamos prestar atenção à vida de Jacó por esta razão: não há personalidade ou personagem bíblico que tenha exercido maior influência sobre tudo o que veio depois do que Jacó.
Afinal, o povo de Deus não se chama Abraão. Não se chama Isaque. Não se chama Moisés. Não se chama Samuel. Não se chama Davi. Esses são grandes homens de Deus, mas o povo é chamado de Jacó e de Israel para sempre.
Ao longo de todo o Livro, Deus diz, dirigindo-se a todo o Seu povo:
Não temas, ó Jacó.
Eu te criei.
Ó Israel, Eu te formei.
Eu sou contigo.
Chamei-te pelo teu nome; tu és Meu.
Vencer — o que é vencer? É para podermos nos sentar num trono e simplesmente exibir glória, como se, de alguma forma, todos fôssemos pequenos focos de atração? Não.
Vencer significa que percorremos o caminho que o Mestre percorreu e saímos dele com um caráter que não pode fazer outra coisa senão reinar.
Vocês já contemplaram o Senhor Jesus? Querem que eu lhes diga em que momento de toda a Sua vida Ele manifestou a realeza de maneira mais maravilhosa, mais profunda e mais abrangente do que em qualquer outro?
Não foi quando acalmou o mar. Com uma única palavra, disse à tempestade:
Aquieta-te.
E, imediatamente, houve calmaria.
Não foi quando alimentou cinco mil pessoas com cinco pães e dois peixes. Aquilo foi tremendo.
Não foi quando curou o leproso, purificou o leproso, deu audição aos surdos, fala aos mudos, capacidade de andar aos coxos, ou até mesmo ressuscitou os mortos.
Vou lhes dizer em que momento o Senhor Jesus manifestou a Sua realeza mais do que em qualquer outro: quando foi espancado até ficar coberto de hematomas, quando Lhe arrancaram a barba, cuspiram em Seu rosto, zombaram Dele, vestiram-No com o manto escarlate de um soldado, colocaram-Lhe uma cana na mão como cetro e cravaram uma coroa de espinhos em Sua cabeça.
Ele foi feito alvo de toda piada grosseira, objeto de brincadeiras brutais. É aí que a realeza perde a sua aura.
Nos países de onde venho, onde temos monarquias, falamos da aura da realeza. Mas, quando um homem é despido, espancado até ficar coberto de hematomas e quase irreconhecível como ser humano, torna-se uma figura digna de pena. Perdeu a sua dignidade e, ao perder a dignidade, perdeu a sua realeza — mas não Jesus.
Ele não lhes respondeu uma só palavra.
Foi naquele momento que todo o universo — o universo invisível — estava prostrado em adoração. Não houve palavra mais verdadeira do que aquela que Pilatos pronunciou ao trazê-Lo para fora:
Eis o vosso Rei.
Foi naquele momento que, finalmente, todo o mundo invisível, até o próprio inferno, teve de reconhecer que Este era digno do trono de Deus.
A partir daquele momento, nada poderia deter o Senhor Jesus. Foi ali que ficou claro que Ele teria de subir e assumir o trono à direita da Majestade nas alturas.
Agora, queridos, graças a Deus, a maioria de nós nunca será chamada a passar por uma experiência como essa, embora alguns crentes tenham passado. Mas, em princípio, todos nós precisamos percorrer esse caminho.
Temos a ideia de que a realeza tem a ver com um cetro, uma coroa, um trono de ouro, vestes magníficas — as roupas e os mantos da realeza.
Quero lhes dizer uma coisa. Nunca houve, em todo o universo, um cetro mais poderoso do que aquela cana nas mãos de Jesus. Nunca houve uma coroa mais gloriosa do que aquela coroa de espinhos sobre a Sua cabeça.
Aquilo era a realeza suprema. E vocês sabem por que Ele fez isso? Por você. Por mim. Era serviço. Isso é realeza.
Ele estava disposto a ser espancado até ficar coberto de hematomas. Estava disposto a ser desprezado. Estava disposto a suportar ser objeto de brincadeiras brutais — brincadeiras grosseiras de soldados rudes e vulgares — por você, por mim, para que pudesse conduzir muitos filhos à glória.
Esse é o vencedor. É disso que se trata quando falamos de vencer.
Não é posição. Não é título. Não é status. Não é construir algum império sobre o qual possamos exercer influência espiritual.
Vencer, finalmente, significa que Deus forma em você um caráter semelhante ao de um cordeiro. E, por ser semelhante ao de um cordeiro, há nele o Leão de Judá. Esse caráter precisa chegar ao trono. Não pode fazer outra coisa senão chegar ao trono.
É isso que Deus está fazendo em sua vida. Não despreze aquela pia da cozinha. Não despreze aquelas crianças tão cheias de energia. Não despreze aquele escritório difícil.
Não despreze todos os problemas que você tem nos relacionamentos com marido, esposa, filhos, pais, irmãos e irmãs, empregadores e empregados. Esses são os caminhos pelos quais Deus nos conduz a um lugar onde somos vencedores pela Sua graça.
Do que estamos falando? Vamos nos juntar a algum sistema mundial e universal de vencedores? Todo sistema desse tipo está condenado ao fracasso antes mesmo de começar.
Vencedores nunca vencem em massa. Os vencedores são encontrados dentro da igreja, até mesmo dentro da verdadeira igreja, sobre o fundamento correto, onde as pedras estão sendo edificadas conjuntamente.
Ali o Senhor diz:
Ao que vencer.
Ele nunca diz: “Aos que vencerem”. Ele diz:
Ao que vencer.
Jacó ficou sozinho.
Ao que vencer — há uma solidão nessa questão de vencer. Outros podem ajudá-lo; outros podem encorajá-lo. Mas, em última análise, ninguém pode vencer por você. Você precisa vencer sozinho.
É aí que o caráter da realeza é gravado a fogo em você. Então você será levado ao trono. Então Jacó se torna um Israel. Esse é o significado da casa de Deus. Esse é o significado da igreja de Deus: Jacó se tornou Israel pela graça de Deus — Daquele que disse:
Amei a Jacó.
Daquele que escolheu Jacó.
Esse é o propósito de Deus para você. Agora, não é interessante que o escritor da carta aos Hebreus, seja ele quem for — e todos nós, sem dúvida, temos nossas ideias sobre quem escreveu a carta aos Hebreus —, resuma a vida de Jacó em uma única frase?
Há quem creia firmemente que foi o apóstolo Paulo. Eu como o meu chapéu se foi ele! Ainda assim, vou descobrir que estava errado sobre várias coisas. Portanto, se eu estiver errado nesta questão, pedirei desculpas a Paulo.
Pessoalmente, não sei quem a escreveu. Às vezes, penso que Apolo pode ter escrito essa carta, mas, ainda assim, não sei. Porém, quem quer que a tenha escrito, pelo Espírito Santo — esse é o ponto —, resume a vida de Jacó em uma única frase.
Realmente, acho muito, muito interessante a maneira como ele a resume. Ele não diz: “Pela fé, Jacó se tornou Israel”. É isso que eu teria feito.
Eu teria dito: “Pela fé, Jacó se tornou Israel”. Ou talvez houvesse outras coisas que vocês poderiam dizer: “Pela fé, Jacó se tornou o pai da casa de Israel”. Poderiam ter escrito isso. Não estaria errado.
Mas ele diz:
Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José; e adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Portanto, o vencedor não é apenas alguém que está reinando com Cristo, exercendo a autoridade de Cristo, que sabe o que significa usar cada vez mais as chaves do reino dos céus, que conhece armas poderosas em Deus para destruir fortalezas, derrubar raciocínios e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.
Ele também é um adorador.
Jacó não era adorador. Não leio em lugar algum que Jacó adorasse. Agora, não me entendam mal nessa questão. Jacó não era um homem feio e sem atrativos, como tantas vezes é retratado.
Na minha opinião, ele era um homem extremamente cativante. Preciso tomar cuidado com o que digo. Afinal, vamos encontrá-lo um dia. Ouço as coisas mais incríveis serem ditas a respeito de alguns santos, por isso sempre sinto que preciso ter um pouco de cuidado com o que se diz sobre eles.
Mas, pessoalmente, sinceramente não acho que Jacó fosse uma pessoa sem atrativos. Acho que era um homem muito cativante. Não o vejo como um sujeito de ombros caídos, encurvado, torcendo as mãos, como algumas pessoas imaginam que Jacó fosse.
A maioria dos verdadeiros trapaceiros — e conheci alguns ao longo da vida —, a maioria dos verdadeiros trapaceiros que já conheci, os verdadeiros enganadores, e não digo isso por mal, mas aqueles que têm esse tipo de natureza, são pessoas muito cativantes.
Realmente, eles sabem como conquistar você. Como dizemos do meu lado do Atlântico, conseguem convencer até um burro a abrir mão de uma pata traseira. Eles têm um dom.
Esse homem era cativante. Mas, sabem, ele não era um adorador. Tinha uma tremenda percepção espiritual. Viu o que seu irmão gêmeo não viu: que aquele direito de primogenitura tinha valor eterno. Viu que aquela bênção tinha valor eterno.
Ele não a desprezou como seu irmão Esaú. Agora, a maneira como a obteve foi inteiramente errada — tanto o direito de primogenitura quanto a bênção.
Ele tinha verdadeira percepção, verdadeira compreensão espiritual. Tinha revelação de Deus. Viu a casa de Deus. Viu aquela escada posta na terra, cujo topo alcançava o céu, os anjos subindo e descendo, e o Senhor acima dela.
Ele disse:
Esta não é outra senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
Ele tinha mais entendimento da casa de Deus do que alguns cristãos. No entanto, nunca foi adorador.
Nunca lemos que ele se inclinou e adorou o Senhor quando conseguiu o direito de primogenitura. Nunca ouvimos que ele se inclinou e adorou o Senhor quando conseguiu a bênção. Nunca ouvimos que, quando o Senhor lhe apareceu, ele se prostrou e adorou.
Ouvimos, sim, que ele levantou uma coluna, derramou azeite sobre ela, invocou o nome do Senhor e depois disse:
Se Tu fores comigo e me guardares neste caminho que vou seguindo;
e me deres pão para comer e vestes para vestir;
e eu tornar em paz à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus.E esta pedra, que tenho posto por coluna, será casa de Deus:
e de tudo quanto me deres, certamente Te darei o dízimo.
Ele era um negociador, não um adorador.
Agora, muitos cristãos são negociadores; não são adoradores. Não é verdade? Dizemos: “Senhor, vou a essa conferência, desde que Tu faças isto, isto e isto por mim”.
“Senhor, darei esta quantia do meu dinheiro a Ti, desde que Tu faças isto e isto por mim.” Assim que o Senhor vem, dizemos: “Muito bem, Senhor, está certo. Preciso dizer-Te que isso é um tremendo sacrifício para mim, mas, Senhor, se Tu fizeres isto, isto e isto, eu farei aquilo”.
Somos pessoas tremendamente egocêntricas. Vamos admitir. Há alguém aqui que foi salvo porque amava a Deus?
Tenho percorrido o mundo inteiro perguntando às pessoas: “Há alguém aqui que foi salvo por ter um coração cheio de amor por Deus? Você amava tanto o Senhor que disse: ‘Quero ser salvo’?” Não, ainda não encontrei ninguém.
Em todos os milhares e milhares de lugares onde estive, não encontrei uma única pessoa que tenha sido salva porque amava a Deus. A razão pela qual todos nós somos salvos é que somos miseráveis, infelizes, nossa vida está arruinada, nosso casamento se desfez, nosso negócio faliu, estamos vazios por dentro, cheios de medo, temos medo do inferno ou precisamos chegar ao céu — alguma coisa desse tipo, totalmente centrada em nós mesmos.
Não é verdade? E vocês sabem, Deus ama tanto a Jacó que entra no jogo. Ele sabe muito bem que não há maneira de colocar você na família de Deus nem no reino dos céus, a menos que diga: “Está bem, está bem. Você não tem paz; Eu tenho. Você não tem vida; Eu tenho. Você não tem uma vida plena; Eu lhe darei uma vida plena”.
Não é verdade? Mesmo quando o Senhor nos ordena que nos arrependamos, só nos arrependemos quando nossa vida está tão sem esperança, tão arruinada, tão vazia, que sentimos: “Ah, preciso de paz. Preciso de alegria. Preciso conhecer o sentido da vida”.
Então, depois de sermos salvos, somos como bebezinhos. Há, sim, uma fase apropriada para ser bebê, mas, quando somos bebês recém-nascidos, não somos adoradores. Vamos admitir: ainda somos negociadores.
Todo bebê é um negociador. É verdade, não é? Aqueles berros e aquele choro — muito depressa, aquele pequeno corpinho de carne e sangue já avaliou a mãe e o pai, os tios e as tias, e sabe exatamente como fazer a casa inteira girar em torno do seu dedinho.
Há uma fase apropriada para a primeira infância. Pegamos um bebê e fazemos todos aqueles barulhinhos maravilhosos. Damos chupetas. Damos chocalhos. Damos brinquedos — qualquer coisa para fazê-lo parar de chorar. Ah, fazemos qualquer coisa por ele.
Nós, cristãos, somos exatamente assim. “Ah”, dizemos, “quero meu chocalho, Senhor. Quero meu chocalho. Quero um brinquedo novo, Senhor.” E o Senhor diz: “Ah, Meu pequenino querido. Vou lhe dar um brinquedo novo. Aqui está”.
Choramos, choramos e choramos, e o Senhor vem, nos abraça e nos cobre de beijos. Temos momentos tão maravilhosos com o Senhor.
Vocês não se lembram disso quando foram salvos? Tenho pena de quem foi salvo e não teve esse tipo de experiência de primeira infância espiritual. É simplesmente maravilhoso. Deus faz coisas maravilhosas conosco quando somos bebês.
Mas então, é claro, cometemos um grande erro. Pensamos que, já que fomos salvos com base naquilo que recebemos e atravessamos a primeira infância espiritual com base naquilo que recebemos, agora continuaremos vivendo de acordo com aquilo que recebemos.
É aí que perdemos a alegria da nossa salvação. Chega um momento em que o Pai diz: “Nada de mais brinquedos, nada de mais chocalhos, nada de mais chupetas. Se você chorar, gritar e berrar, vou deixá-lo chorar, gritar e berrar”.
Isso pode explicar por que alguns de vocês têm chorado, gritado e berrado, e dizem: “É estranho, parece que o Senhor me abandonou. Ele nunca se aproxima de mim ultimamente”.
“Antes, bastava eu dar um choramingo, e lá estava Ele: uma maravilhosa sensação da presença do Senhor, Seus braços ao meu redor, um beijo, um beijo espiritual, uma chupeta, um brinquedo novo, alguma coisa para me manter seguindo em frente. Agora, onde está aquela felicidade que conheci quando vi o Senhor pela primeira vez?”
Então vocês ouvem falar de um aprofundamento da vida espiritual, de consolo, e dizem: “É disso que preciso”. E vão à convenção como um bombardeiro a jato e ficam ali, cheios de expectativa: “Será que posso tirar alguma coisa disso?”
Muitas pessoas têm uma experiência espiritual real, mas ela não dura. Sabem por quê? Conheci pessoas sobre as quais o Espírito Santo veio, e isso transformou completamente a vida delas.
Conheci pessoas que chegaram à experiência de serem crucificadas com Cristo e de conhecerem a vida de ressurreição de Cristo, e isso nunca as deixou. Conheci outras que tiveram um momento culminante e, dentro de um ou dois meses, tudo azedou. Então não conseguem entender.
Vou lhes dizer por quê. Uma experiência assim precisa nos conduzir a uma mudança: de uma base centrada em nós mesmos para uma base centrada em Cristo. É aí que, pela primeira vez, nos tornamos vencedores.
Chega um momento em que Deus diz: “Chega de infância. Você precisa crescer. Agora precisa pensar nos outros. Não mais a minha vontade, mas a vontade Dele. Não mais a minha satisfação, mas a satisfação Dele. Não mais a minha alegria, mas a alegria Dele. Não mais a minha herança, mas a herança Dele”.
Você mudou o pé de apoio. Esse é um grande passo e exige uma cirurgia espiritual. É então que um Jacó se torna um Israel.
Agora, vejam essa questão de ser adorador: quando tudo é “Me dá, me dá, me dá”, tudo gira em torno do que você pode receber. Você está adquirindo, adquirindo, adquirindo.
Cada reunião é avaliada: “Não achei grande coisa; não recebi nada daquilo. Não achei grande coisa aquele livro; não recebi nada dele. Não achei grande coisa aquele pregador; não recebi nada daquilo. Não achei grande coisa aquela conferência; não recebi muita coisa dela”.
Tudo é avaliado pelo que você recebeu ou pelo que colocou ali. Não é avaliado pelo serviço do qual você participou; é avaliado pelo que você recebeu.
Quando somos esse tipo de pessoa — e todos nós já fomos assim —, não somos adoradores. Podemos pensar que estamos adorando o Senhor. Podemos cantar alguns hinos, todos podem levantar as mãos, e podemos entrar juntos naquele fluir, por assim dizer. Pensamos: “Ah, estou adorando o Senhor”, mas Deus não Se deixa enganar. Você não é um adorador.
Você está no fluir daquela reunião, isso é verdade, mas não é um adorador. Um adorador é alguém que se esqueceu de si mesmo.
É por isso que fomos feitos para adorar. Nenhum ser humano é feliz até sair de si mesmo.
Somos feitos de tal maneira que, quando ficamos presos à consciência de nós mesmos, isso é como o inferno. Quando, o tempo todo, só conseguimos pensar em nós mesmos — no que somos, no nosso vazio, na nossa infelicidade, nas nossas dores, no que não temos, em por que o Senhor não faz isso, em por que Ele não responde —, não conseguimos adorar o Senhor.
Mas, no momento em que começamos a sair de nós mesmos, a esquecer de nós e de tudo o que somos, tanto o negativo quanto o positivo, e começamos a ver o Senhor e a adorá-Lo, uma alegria vem ao nosso coração, uma paz vem ao nosso coração, e uma nova vida nos é ministrada. De alguma forma, começamos a viver de novo.
Acho que uma das coisas mais maravilhosas no Livro é que a última imagem que temos de Jacó é a dele adorando. Vocês notaram que ele está apoiado sobre a extremidade do seu bordão? Aquele velho quadril deslocado o acompanha até o fim.
De alguma forma, aquele quadril deslocado está ligado à sua adoração. Ele se tornou adorador porque foi incapacitado.
Um adorador. Algumas pessoas me dizem que não conseguem adorar.
Quando temos um período aberto de adoração, muito raramente se ouvem pessoas realmente adorando. A maioria de nós diz algumas coisas e quase imediatamente transforma aquilo em oração de pedidos.
Dizemos: “Senhor, agradecemos-Te porque estás aqui. Senhor, estamos felizes por estar em Tua presença. Agora, Senhor, por favor, poderias fazer isto, isto, isto, isto e isto?”
Não conseguimos evitar. Não somos adoradores; somos pessoas que querem receber. Somos acumuladores.
Num período aberto de louvor, às vezes muitas pessoas não conseguem louvar o Senhor. Agora, sei que louvar o Senhor em voz alta não é necessariamente adoração, porque a adoração é muito mais profunda até mesmo do que as palavras.
A adoração exige uma história espiritual. A adoração exige experiência espiritual. Significa que você percorreu um caminho com Deus. É daí que nasce a adoração.
É interessante que o apóstolo Paulo diga isto:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é a vossa adoração espiritualmente inteligente.
Aí está o nível mais profundo de adoração, mais profundo do que todas as palavras. É apresentar a nós mesmos como sacrifício vivo a Deus. Isso é vencer. Isso é vencer.
Não são apenas algumas palavras, enquanto nossa vida do ego permanece intacta. Chegamos e dizemos: “Senhor, Tu és maravilhoso”, e saímos correndo com nossa vida do ego ainda intacta. Sentimo-nos um pouco melhor por causa da reunião, mas não somos adoradores.
Às vezes, quando chegamos a essa questão do louvor, o inimigo vem e diz: “Ora, você não pode louvá-Lo”. Dizemos: “Não”. O inimigo nos diz: “Sabe por quê?” Dizemos: “Não. Por quê?”
Ele diz: “Porque você não está se sentindo bem”. “Sim, é claro. Estou me sentindo péssimo.”
O diabo diz: “Você não pode louvar o Senhor quando está se sentindo péssimo”. “Sim, é claro que não.”
Então o diabo diz: “Você não quer ser hipócrita, quer?” “Não, já há hipócritas suficientes, não é?”
Então o diabo diz: “Bem, fique calado. Não louve o Senhor, senão será hipócrita”. Dizemos: “Sim, sim. Já há hipócritas suficientes na igreja. Não vou abrir a boca e dizer: ‘Senhor, Tu és maravilhoso’, louvando quando não estou me sentindo gloriosamente bem. Quero ser autêntico. Quero ser verdadeiro”.
O diabo diz: “Sim. Com certeza. Com certeza”.
Sabem, o inimigo vai amarrando corda após corda — na verdade, são correntes, são cordas — ao nosso redor, dando volta após volta. Vocês descobrirão que nunca conseguirão louvar o Senhor, porque não importa onde estejam nem a que hora: sempre haverá alguma coisa que não está absolutamente certa, e vocês não poderão louvar o Senhor.
Agora, isso não é adoração. Se adorar é dizer: “Senhor, aqui estou. Sinto-me maravilhosamente bem. Senhor, sinto-me muito bem. Aqui estou para louvar-Te, Senhor, porque me sinto tão bem, tão maravilhosamente bem”, então, graças a Deus, há ocasiões em que realmente nos sentimos muito bem. Não são tantas assim.
Quando nos sentimos muito bem, maravilhosamente bem, isso é maravilhoso. É uma bênção sentir-se assim. Mas, se o inimigo puder impedir você de adorar e louvar o Senhor, logo cuidará para que você nunca se sinta muito bem.
Ele mexerá com a sua digestão. Mexerá com o seu estômago, lhe dará uma dorzinha de cabeça, fará as crianças chorarem a noite inteira, fará sua esposa ficar irritada, seu marido ficar impaciente, ou alguma coisa dará errado. Sempre haverá uma razão pela qual você não poderá adorar o Senhor, e o diabo cuidará disso.
Então chegará um dia em que, de repente, você entenderá: “Não adoro o Senhor por causa do que sou ou do que sinto. Adoro o Senhor por causa do que Ele é”. Isso resolve a questão — Ele nunca muda.
Gosto de ser honesto. Às vezes digo: “Senhor, estou me sentindo péssimo”. Algumas pessoas acham que não podem dizer isso ao Senhor. Pensam que é terrível dizer ao Senhor que estão se sentindo péssimas. Mas, se você está se sentindo péssimo, por que não dizer?
Depois diga: “Senhor, Tu és maravilhoso e nunca mudas. És sempre o mesmo. Tua misericórdia é a mesma hoje que era ontem. Tua graça é tão grande hoje quanto era ontem. Não sinto coisa alguma, mas obrigado, Senhor, por aquilo que Tu és”.
Na verdade, a forma mais elevada de adoração é nem sequer dizer nada a respeito de si mesmo. Você simplesmente louva o Senhor. Há tantas coisas pelas quais louvar o Senhor.
O trono Dele não desabou porque você acordou com o pé esquerdo. Algumas pessoas pensam que, porque acordaram com o pé esquerdo, estão com dor de cabeça, desanimadas ou abatidas, todo o céu abdicou. Há uma crise no governo do céu.
Estão dizendo: “O que vamos fazer? O que vamos fazer? Lance acordou se sentindo péssimo”.
Vocês realmente acham que suas dores, seus pequenos altos e baixos, afetam o governo do céu, a vontade de Deus ou a realização daquele propósito? Não.
Deus é o mesmo. Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre. O Cordeiro está no trono para sempre. Seu nome está acima de todo nome que se possa mencionar — para sempre.
Ah, há tantas coisas pelas quais adorar o Senhor. Se começarem a adorar o Senhor assim, começarão a pensar em todas as coisas pelas quais podem adorá-Lo que não têm nada a ver com vocês.
Então começarão a contemplar Sua infinitude, Sua grandeza, Sua graça, verdade, misericórdia, justiça, Seu propósito, o destino da igreja e mil e uma coisas. Depois de adorarem por algum tempo, vocês se sentirão completamente diferentes. Nem saberão o que aconteceu.
Sairão dizendo: “Ah, que coisa curiosa. Acordei com o pé esquerdo nesta manhã, e agora estou me sentindo melhor por causa disso”.
Vou lhes dizer outra coisa. Satanás ficará tão perturbado que haverá uma reunião de emergência no quartel-general satânico. O principado responsável por toda esta região chamará um espírito de menor posição e lhe dirá: “Pare de incomodar Lance. Deus está recebendo mais dele quando você o incomoda do que quando o deixa em paz”.
“Não podemos permitir esse tipo de adoração. Esse homem vai adorar assim? Ora, ele vai se tornar um vencedor num instante. Retire toda a oposição agora. Deixe-o sentir-se muito bem, maravilhosamente bem. Vamos ver se conseguimos derrubá-lo desse jeito.”
Não, vejam, todos nós rimos disso, mas Satanás não é nenhum simplório. Alguns de vocês devem ter lido Cartas de um diabo a seu aprendiz, de C. S. Lewis. Há ali, em certo sentido, uma verdadeira revelação do que acontece.
A natureza essencial deste universo é espiritual, não física. O que realmente acontece ocorre no invisível, e o visível é apenas a expressão desses movimentos no invisível.
Ah, ser um adorador! Deus tomou um Jacó e fez dele um adorador.
O texto não diz, como poderia dizer:
Pela fé, Israel, quando estava para morrer, abençoou cada um dos dois filhos de José; e adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Para nosso consolo e encorajamento, diz:
Pela fé, Jacó adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Você é um Jacó? Identificou-se com o que tenho dito a respeito dos Jacós?
Se sim, aqui está o encorajamento: Deus, por Sua graça e por Seu poder, fará de você um adorador.
Ninguém jamais chegará ao trono de Deus sem ser adorador. Não haverá ninguém no grande governo e na administração eterna de Deus que não tenha sido feito adorador nesta vida.
Cada posição ocupada no governo e na administração eterna do Cordeiro é ocupada por um adorador. Louvado seja Deus.
Queremos ser aqueles que adoram em espírito e em verdade. Isso não significa que a alma não participa. Algumas pessoas pensam que significa excluir completamente a alma. Não significa isso de maneira alguma.
Lembrem-se do que Maria disse no Magnificat:
A minha alma engrandece ao Senhor;
e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador.
Seu espírito deu início à ação, e a alma entrou em cena. Não tenham medo da emoção na adoração. Quando excluímos toda emoção, nossa adoração se torna artificial. Não é adoração em espírito.
O que significa adorar em espírito e em verdade? Significa que nossa adoração está sob o governo do Espírito de Deus.
Às vezes, é bom nos ajoelharmos quando adoramos o Senhor, porque nosso corpo precisa expressar alguma coisa. Às vezes, é bom levantar as mãos.
Não sei por que as pessoas são contra levantar as mãos. Essa era a maneira comum de orar até aproximadamente o quinto século depois de Cristo. Mas agora todos pensam: “Ah! Levantar as mãos — coisa de carismático”.
Eu não daria a mínima se as pessoas chamassem vocês de carismáticos ou de qualquer outra coisa. Sempre nos rotularam de uma coisa ou de outra. Já recebi os rótulos mais extraordinários. Se eu pudesse contar algumas das coisas de que me chamaram — há coisas que eu nem conheço.
Na verdade, tenho tido momentos interessantes pesquisando essas coisas para descobrir o que dizem que eu sou. Não me preocupo muito com isso.
Creio que o movimento carismático foi realmente um mover do Espírito de Deus, embora tenha excessos, extremos, desequilíbrios e assim por diante. Foi o Espírito de Deus que Se moveu sobre a face do mundo.
Graças a Deus por cada coisa que Ele nos trouxe, para que possamos permanecer abertos e seguir juntos nesse caminho.
Há ainda outra coisa nessa questão. Vejo que o nosso tempo já passou, como sempre. Ele não é apenas um adorador; é também uma bênção.
Pela fé, Jacó abençoou cada um dos dois filhos de José; e adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Ele abençoou.
Já disse uma ou duas vezes, durante estes encontros sobre Jacó, que alguns de nós não somos uma bênção. Não somos nada além de uma mortalha. Entramos em qualquer reunião, e conosco vêm pressão, tensão, artificialidade, aparência. Não somos uma bênção; roubamos do povo de Deus uma bênção.
Entramos num lar cristão feliz e, em pouco tempo, todos perderam a alegria e a paz porque estamos ali. Entramos em algum pequeno grupo e, em pouco tempo, tudo se arruína rapidamente. Não temos a intenção de fazer isso. Não conseguimos evitar. Somos Jacós.
Jacó não era uma bênção. Nunca dava uma bênção; roubava uma bênção. A maioria dos crentes começa roubando bênçãos. Não conseguimos evitar. É esse egocentrismo. É uma reação espontânea, automática, do egocentrismo: “Precisamos ter isso”.
Se vemos pessoas felizes, não suportamos. “Eu estou infeliz.” Então imediatamente dizemos: “E eu?”
Agora, se vocês disserem a algumas dessas pessoas queridas: “Bem, você é tão egocêntrico”, elas vão embora. “Saí. Deus me conduziu ao grupo ali na outra rua.”
De modo geral, os cristãos não gostam de uma conversa franca. Somos todos iguais. Sempre dizemos: “Seja honesto comigo”, mas muito raramente conseguimos suportar muita honestidade.
É claro, preciso dizer isto: muitas vezes as pessoas dizem: “Vou lhe dizer uma coisa porque creio que devo falar a verdade em amor”, mas raramente é em amor. Muitas vezes caímos nesse hábito muito ruim.
Mas e essa questão de ser uma bênção? O que é uma bênção? A palavra hebraica significa felicidade.
Alguns cristãos parecem pensar que ser feliz, ou a felicidade, é algo superficial. Eu não penso assim. Este mundo já tem sofrimento suficiente sem que os cristãos sejam infelizes e espalhem um pouco mais de infelicidade.
Ao olhar para alguns de nossos rostos, ninguém imaginaria que encontramos a salvação. Ninguém imaginaria que encontramos o propósito da vida. Certamente, ninguém imaginaria que estamos a caminho do reino eterno.
Ninguém, de maneira alguma, imaginaria que Deus, em Sua graça, nos alcançou. Nossa cara parece a traseira de um ônibus de luto.
Jacó não conseguia evitar. Precisava adquirir, adquirir, adquirir e adquirir. Suponho que, no fundo, fosse uma insegurança básica.
Normalmente, as pessoas vão adquirindo coisas ao longo dos anos por causa de uma insegurança básica. Isso tem sido a única coisa que as faz sentir um pouco seguras: adquirir, adquirir, adquirir e adquirir.
Jacó chegou a Labão sem nada. Antes de partir, tinha imensos rebanhos. Era sua maneira de buscar segurança. Levou as duas filhas de Labão e a maior parte dos seus rebanhos, e então se sentiu um pouco mais seguro. Mas depois descobriu que não estava realmente seguro — apenas em um nível.
Ser uma bênção significa que precisamos nos tornar um Israel. Quando nos tornamos um Israel, isso não significa que nossos problemas acabam. Como eu disse nesta manhã, havia uma Raquel a ser sepultada. Havia um José a ser perdido.
Havia filhos e uma filha que o ludibriaram, enganaram, manipularam as coisas e fizeram coisas terríveis, nas quais ele viu com toda a clareza sua própria natureza. Mas Jacó havia se tornado uma bênção.
O texto diz uma coisa belíssima a respeito de Jacó. Quando chegou a Siquém, diz que toda a região o respeitava. Ele era uma bênção.
Diz:
O temor de Jacó caiu sobre todo o povo.
E a palavra é respeito. Eles viram que o Senhor estava com ele. Havia algo nele.
Isso não havia acontecido antes. O temor do Senhor não estava sobre o tio Labão quando ele enganou Jacó, tirando-lhe Raquel e dando-lhe Lia em seu lugar.
Não, mas agora algo havia acontecido. Jacó havia se tornado Israel; havia se tornado uma bênção. Quando um homem é uma bênção, as pessoas o respeitam.
Não há quadro mais belo na Bíblia do que Jacó diante de Faraó, e Faraó sendo abençoado por Jacó: o maior potentado da Antiguidade abençoado por esse velho frágil, apoiado em seu bordão, com o quadril deslocado.
Ele deve ter levantado uma das mãos e abençoado Faraó em nome do Deus de Abraão e de Isaque. Foi uma bênção real. Foi uma bênção real. Ele transmitiu algo.
Ele se tornou uma bênção para todos aqueles filhos. Ah, como é interessante ler Gênesis 49. Não foi uma coisinha do tipo: “Agora, meu querido rapaz, lembre-se deste pensamento, daquele pensamento e do outro, e seja assim, assim e assim”.
Ali havia discernimento espiritual. Havia percepção espiritual. Eram quase os dons do Espírito antes do seu tempo. Ele tinha uma palavra de sabedoria, uma palavra de conhecimento. Tinha fé a respeito de alguns deles. Tinha discernimento de espíritos a respeito de todos.
Era uma bênção profética.
Sabem, queridos irmãos e irmãs, vamos ser realistas por um momento. O que significa sermos uma bênção uns para os outros?
Significa que, a qualquer momento, o Senhor pode manifestar-Se de maneira suficiente a outro crente. Às vezes, isso pode acontecer simplesmente por meio de um braço ao redor do ombro, de algumas palavras que parecem tão comuns, mas são proféticas.
Nem sempre é numa reunião que vem uma palavra claramente profética. Às vezes, ela vem numa conversa. Alguém está falando com você e diz alguma coisa: “Sabe, eu sei que Deus vai fazer isto, isto e isto por você”.
Anos depois, dizemos: “Você se lembra do que disse? Foi profético”.
Às vezes, em nossa comunhão uns com os outros, alguém está passando por uma grande necessidade. Temos orado por essa pessoa e dizemos: “Sabe, fico pensando se você não deveria fazer isto, isto e isto. Ore a respeito”. Uma palavra de sabedoria.
Vamos ser práticos nessa questão. Como somos uma bênção uns para os outros? Apenas sorrindo uns para os outros? Bem, isso é melhor do que parecer infeliz, mas não é uma maneira muito forte de transmitir bênção, é?
Dizemos: “Louvado seja o Senhor”, e damos tapinhas nas costas uns dos outros? Já fizeram isso comigo quando eu estava me sentindo péssimo, e só me fez sentir pior.
Como recebemos uma bênção de outra pessoa? Recebemos uma bênção quando o Senhor está ali, naquela pessoa.
Quando o Senhor não está apenas dentro dela — há alguns crentes com os quais preciso decidir não conhecer coisa alguma, senão Jesus Cristo e Este crucificado, porque acho muito difícil encontrar o Senhor neles. Mas preciso tomar essa decisão.
Que coisa maravilhosa quando não preciso fazer esse esforço. Eu vejo o Senhor. Ah, o Senhor Se manifesta por meio dos olhos deles. O Senhor Se manifesta por meio dos lábios deles. Não é apenas a palavra; é a própria presença. Isso é uma bênção.
Sabem, fomos chamados para ser uma bênção aos filhos de Deus. Fomos chamados para ser uma bênção ao mundo não salvo. Podemos até ser uma bênção para o governo — um governo não salvo — por meio da nossa oração, da nossa intercessão, da nossa determinação, no lugar secreto, de que a vontade de Deus seja feita nesta nação. Nós os abençoamos.
Ah, que aprendamos a ser uma bênção. É isso que significa vencer. É disso que se trata.
Que coisa linda quando Jacó estava para abençoar — bem, deixem esse gatinho; está tudo bem. Gosto de São Francisco de Assis; ele pode vir e dizer uma palavra.
Que coisa maravilhosa quando Jacó abençoou aqueles dois filhos. Todos vocês já leram a história? Espero que sim.
Sabem o que ele fez? O querido José levou os dois meninos até Jacó, bem perto dele, e eles saíram de entre os seus joelhos. Eram garotinhos.
Jacó, cego como seu querido pai Isaque, cruzou as mãos.
José ficou horrorizado. “Pai”, disse ele, “pai, o senhor cruzou as mãos”.
“Eu sei, meu filho, eu sei”, respondeu ele. “Mas o mais novo será abençoado mais grandemente do que o mais velho.”
As pessoas sempre dizem que Isaque era um homem tão piedoso, que nunca fez nada errado na vida, exceto quando foi a Abimeleque e disse que sua esposa era sua irmã, assim como seu pai havia feito antes.
As pessoas sempre falam da nobreza de Abraão, da nobreza de Isaque, e da maldade e da natureza trapaceira de Jacó. Mas Jacó, na verdade, às vezes pode ser muito mais nobre.
Ele nunca desceu ao Egito, não até que o Senhor lhe dissesse para fazê-lo. E certamente nunca disse que Lia era sua meia-irmã.
Sabem, Isaque era um querido homem de Deus, mas era governado pelo sentimentalismo. Amava Esaú.
Jacó deve ter percebido em seu espírito Deus dizendo: “Jacó, cruze as mãos. Este menino mais novo será o escolhido”. Ele fez o que seu pai não fez.
Seu pai conhecia aquela palavra profética, dada quando os meninos estavam no ventre da mãe:
O mais velho servirá ao mais novo.
Por que Isaque não agiu de acordo com ela? Mesmo havendo um engano, por que ele não disse, quando Esaú estava ali: “Sinto muito, não posso lhe dar a bênção do primogênito. Preciso dá-la a Jacó”?
Isso teria desfeito o engano de Jacó, não teria? Pensem nisso. Ele teria de sair correndo, tirar tudo e voltar dizendo: “Aqui estou, pai — Jacó”.
Uma bênção. Todos os vencedores são sempre uma bênção. Sempre têm algo do Senhor para dar.
Aqui está a última coisa que quero dizer nesta noite, e vou dizê-la o mais rapidamente possível. Vocês notam que é pela fé?
Talvez alguns de vocês tenham se perguntado o que, afinal, a adoração tem a ver com a fé.
Pela fé, Jacó abençoou.
Pela fé, Jacó adorou.
Muitos de nós estamos esperando alguma grande experiência esmagadora que nos leve a um lugar onde sejamos, automática e espontaneamente, uma bênção para os outros. Quero lhes dizer uma coisa: nunca conheci o exercício de um dom verdadeiro sem fé.
Quando as pessoas me dizem que um grande poder vem sobre elas, que começam a tremer e depois dizem: “Sei que foi Deus”, e estão cem por cento certas, eu sei que não é o Senhor.
Tenho visto tantas tragédias causadas por pessoas que impõem as mãos sobre outras e pronunciam coisas sobre elas, dizendo ter cem por cento de certeza de que aquilo é de Deus.
Minha experiência é muito diferente. Descobri que, todas as vezes em que fui usado por Deus — em profecia, de qualquer outra forma, no ministério ou ao ajudar alguém —, fui assaltado pela dúvida.
“És Tu? És Tu? É a carne? É o inimigo?” Então, finalmente, preciso dizer: “Senhor, creio que és Tu”. Dou então um passo à frente pela fé, e é Deus.
Satanás nunca ataca aquilo que procede dele mesmo. Vocês não acham que Satanás virá quando vocês tiverem algo que veio dele e dirá: “Agora, isto não é do Senhor”. Ele simplesmente dirá: “Continue. É absolutamente de Deus”.
Lembrem-se disso da próxima vez que forem abrir a boca em público para orar ou louvar. Quando o inimigo vier e disser: “Não é no Espírito, não é no Espírito. Isso é a carne”, simplesmente digam ao Senhor: “Senhor, isso é a carne ou não é?”
Se ainda estiver ardendo no seu coração, diga: “Senhor, vou prosseguir pela fé”, e você descobrirá que o Senhor está com você. Outros serão abençoados, e você será edificado, assim como eles.
Fé. Sabem, temos uma ideia de fé própria de uma seita. O que quero dizer a respeito disso é muito importante.
Temos uma espécie de conceito de fé da Ciência Cristã, e ele se espalhou por todos os círculos cristãos. O que é? É isto: a fé é algo natural.
O que você faz é espremer fé de dentro de si até ter fé suficiente; então, com fé suficiente, aquilo acontece.
Mas essa é a ideia de fé que temos: de alguma maneira, é a ideia de fé da Ciência Cristã. “Tenho uma ferida na mão. Não, não tenho uma ferida na mão. Não, não, não, não, não. Minha mão está perfeita.”
Isso me lembra Winston Churchill, numa das reuniões do gabinete durante a guerra, quando perguntou: “Há algum adepto da Ciência Cristã aqui?” Um dos almirantes respondeu: “Sim, senhor, eu sou”. Ele disse: “Bem, o senhor poderia trocar de lugar comigo? Estou sentado numa corrente de ar”.
Nossa ideia de fé muitas vezes é exatamente esse tipo de coisa. É a ideia de que, de alguma forma, podemos inflar a fé dentro de nós até que, no momento em que tivermos fé suficiente, de repente rompamos a barreira do som — aconteceu.
Isso não é fé. Quero lhes dizer: Jesus disse:
Se tiverdes fé como um grão de mostarda…
Isso é tão pequeno!
…podereis remover um monte.
Pensamos que precisamos ter uma montanha de fé para remover uma montanha de dificuldades. Deus diz que tudo de que precisamos é um grão de fé, e poderemos remover um Everest de dificuldades.
Então, qual é o ponto? O ponto é este: a fé nunca remove uma montanha; é Deus Quem remove a montanha. Portanto, você não precisa de muita fé para se ligar a Deus. Tudo de que precisa é aquilo que Deus lhe deu. Então use isso. Use isso.
A fé precisa ser objetiva. A fé não é subjetiva. Em outras palavras, o que estou dizendo é isto: você precisa ter um conhecimento, um conhecimento interior, de que Deus está presente. Ele está.
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre. O propósito de Deus permanece. A Palavra de Deus é verdadeira. Quando você tem esse tipo de fé, não tem muita fé, mas imediatamente chega lá.
Pela fé, Jacó abençoou.
Pela fé, Jacó adorou.
Não há outro caminho para se tornar um vencedor.
Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus?
Que é o que vence o mundo? É a nossa fé.
Eles o venceram, a Satanás, pelo sangue do Cordeiro;
pela palavra do seu testemunho, a expressão da fé;
e porque não amaram a própria vida até a morte — a entrega da nossa vida pela fé.
Vamos orar?
Pai, oramos para que verdadeiramente faças de cada um de nós, neste lugar, um vencedor, pela Tua graça e pelo Teu poder.
Faze de nós não apenas pessoas que chegam ao trono, que reinam contigo agora, nesta terra, em espírito, mas, Senhor, faze de nós adoradores e uma bênção para os outros — não apenas para o Teu povo, Senhor, mas para o mundo.
Senhor, somente Tu podes fazer isso. Nós nos entregamos a Ti para que, Senhor, tomes as medidas necessárias para assegurar que todos os que têm um coração disposto sejam conduzidos ao lugar onde, somente pela Tua graça e por meio da obra consumada do Cordeiro, se tornem vencedores.
Pedimos Àquele que venceu, em Seu precioso nome. Amém.
Podemos encerrar este momento cantando o hino 354, procurando oferecê-lo como uma oração individual, porque é isso que ele realmente é? Número 354. Podemos ficar de pé?
A congregação começa a cantar o hino 354.