Gostaria de fazer duas leituras do Antigo Testamento, do livro de Gênesis.
E Jacó saiu de Berseba e foi em direção a Harã.
E chegou a certo lugar e ali passou a noite, porque o sol já se havia posto; tomou uma das pedras daquele lugar, pô-la debaixo da cabeça e deitou-se ali para dormir.
E sonhou; e eis uma escada posta na terra, cujo topo chegava ao céu; e eis os anjos de Deus subindo e descendo por ela.
E eis que o Senhor estava acima dela e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque; a terra sobre a qual estás deitado, Eu a darei a ti e à tua descendência.
E a tua descendência será como o pó da terra, e te estenderás para o ocidente, para o oriente, para o norte e para o sul; e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
E eis que Eu estou contigo e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra; porque não te deixarei até que tenha cumprido aquilo de que te falei.
E Jacó despertou do seu sono e disse: Certamente o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.
E teve medo e disse: Quão temível é este lugar! Este não é outro senão a casa de Deus, e esta é a porta do céu.
E Jacó levantou-se de madrugada, tomou a pedra que havia posto debaixo da cabeça, ergueu-a como coluna e derramou azeite sobre o seu topo.
E chamou o nome daquele lugar Betel; porém, o nome da cidade antes era Luz.
E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste caminho por onde vou, e me der pão para comer e vestes para vestir,
De modo que eu volte em paz à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus;
E esta pedra, que ergui como coluna, será a casa de Deus; e de tudo quanto Tu me deres, certamente Te darei o dízimo.
E Deus apareceu novamente a Jacó, quando veio de Padã-Arã, e o abençoou.
E Deus lhe disse: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome; e Ele lhe chamou Israel.
E Deus lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação e uma multidão de nações procederão de ti, e reis sairão dos teus lombos.
E a terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; e à tua descendência depois de ti darei a terra.
E Deus subiu de junto dele, no lugar onde havia falado com ele.
E Jacó ergueu uma coluna no lugar onde Ele havia falado com ele, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma libação e derramou sobre ela azeite.
E Jacó chamou Betel o nome do lugar onde Deus havia falado com ele.
Vamos nos curvar juntos para uma palavra de oração?
Senhor, queremos de fato Te agradecer porque Tu estás conosco e porque nos reuniste em nome de nosso Senhor Jesus, Teu Filho, o Messias.
E, Senhor, estando aqui neste lugar, nós Te agradecemos pela provisão que fizeste para nós nesta manhã — provisão que, Senhor, suprirá cada necessidade: espiritual, mental, física e material. Pela fé, recebemos essa provisão nesta manhã.
Oramos para que nenhuma dessas coisas — os insetos ou qualquer outra coisa, preocupações, medos, coisas da noite — se coloque de alguma forma entre nós e o ouvir da Tua Palavra, de modo que algo penetre em nós. Que seja essa Tua Palavra, viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes.
Querido Senhor, nós nos entregamos a Ti. Agradecemos-Te por essa unção para falar e para ouvir. Pela fé, nós nos firmamos nela, Senhor, para este momento; e tocamos aquela Rocha que é nosso Senhor Jesus e ordenamos que esses rios de água viva fluam e supram nossa necessidade nesta manhã. Pedimos isso em Seu precioso nome. Amém.
Agora, estou tomando como tema para este período um pequeno versículo de Romanos 9:23:
Para que Ele desse a conhecer as riquezas da Sua glória sobre os vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória.
Para que Deus desse a conhecer as riquezas da Sua glória sobre os vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória.
E estou pensando muito na vida, no caráter e no caminho de Jacó, porque realmente não há personalidade na Bíblia que tenha exercido maior influência sobre tudo o que veio depois do que Jacó. De fato, Deus dá o nome de Jacó e de Israel ao Seu povo redimido para sempre. Nós somos o Israel de Deus, e isso é algo maravilhoso.
Portanto, deve haver muita coisa na vida de Jacó que tenha um significado muito real para todos nós. Ontem à noite, falei sobre o amor de Deus e Jacó: o amor de Deus por trás da eleição de Jacó, da escolha de Jacó. O amor de Deus, com sua determinação e seu zelo, significa que, uma vez que o Senhor coloca Seu amor sobre nós, Ele tem uma determinação zelosa de que finalmente cheguemos ao fim que tem para nós.
E agora, nesta manhã, sem voltar ao que já dissemos, quero falar um pouco sobre o propósito de Deus para Jacó. Isso levará uma ou duas sessões, porque o propósito de Deus para Jacó tem um significado tremendo para todos nós que somos chamados pelo seu nome.
Em Romanos 9:11, a respeito de Jacó, diz:
Para que o propósito de Deus, segundo a eleição, permanecesse.
Portanto, Deus tinha um objetivo muito real, um propósito para a vida de Jacó.
Qual era esse propósito? Ele está contido nas duas passagens que lemos juntos em Gênesis: Gênesis 28:10-22 e Gênesis 35:9-15.
Agora, esse propósito tinha cinco aspectos. Nesta manhã, trataremos apenas de alguns deles, mas eram cinco:
Então, aqui temos os cinco aspectos do propósito de Deus para Jacó: que ele possuísse uma terra que Deus lhe havia prometido; que ele se tornasse um povo; que ele fosse uma bênção; que ele tivesse poder com Deus e, portanto, também com os homens; e que ele edificasse a casa de Deus.
Quero, então, considerar imediatamente o primeiro deles, e talvez o segundo. Talvez consigamos abordar vários deles e reservar mais tempo para o último, sobre o qual há tanto a dizer.
Primeiro, uma terra a ser possuída. Gênesis 28:13:
E eis que o Senhor estava acima dela e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque; a terra sobre a qual estás deitado, Eu a darei a ti e à tua descendência.
E Gênesis 35:12:
E a terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; e à tua descendência depois de ti darei a terra.
Essa terra não era qualquer terra que Jacó escolhesse. Se ele tivesse escolhido, por exemplo, o fértil delta do Nilo, aquela não teria sido a terra prometida por Deus. Se tivesse escolhido a grande região fértil da Mesopotâmia, aquela não teria sido a terra escolhida e prometida por Deus. Se tivesse ido mais para o noroeste e escolhido a Europa, ou alguma região fértil da Europa, aquela não teria sido a terra prometida pelo Senhor.
A terra que havia sido divinamente dada e prometida era claramente definida. Tinha limites claramente definidos. Era uma terra assegurada por aliança. Deus disse: “Dentro dessa terra, Eu lhe darei tudo. Fora dessa terra, nada”. Simples assim.
Abraão, o avô de Jacó, não havia aprendido muito bem essa lição. Embora sempre entendamos que Abraão era um homem de fé — e ele era —, houve um daqueles grandes colapsos da fé em sua vida quando desceu ao Egito.
Agora, o interessante é isto: Jacó acabou descendo ao Egito, mas havia esta diferença. Deus conduziu Jacó ao Egito, enquanto, no caso de Abraão, foi porque havia fome na terra.
Algumas pessoas nunca acreditam que possa haver fome quando estamos na vontade de Deus. Elas creem no evangelho da prosperidade. Creem que, quando você está na vontade de Deus, tudo está sempre, em todos os momentos, transbordando.
Agora, é absolutamente verdade: essa terra é uma terra que mana leite e mel. É uma terra regada pelas chuvas do céu. Você não precisa bombear a água com o pé, como no Egito. Morei três anos no Egito. Conheço isso muito bem. Nunca, jamais, tive vontade de voltar.
Aquela é uma terra plana como uma tábua — pelo menos na região do delta —, e você precisa bombear toda a água com o pé, com rodas ou com jumentos: sempre dando voltas, um pobre boi de olhos vendados, dando voltas e mais voltas, puxando a água, puxando a água.
Deus disse: “Não, vocês não precisam fazer isso. Nesta terra que lhes prometo, não há apenas aquilo que chamamos, nos estudos rabínicos, de oito espécies — os oito frutos diferentes —, tão férteis, tão abundantes; ela também é uma terra regada dos céus por Deus. Vocês não precisam bombear a água. Ela é dada por Deus. Tudo está nessa terra”.
Abraão, quando houve um período de fome, foi provado ao extremo. Se apenas tivesse confiado em Deus e permanecido na terra, teria vivido da fidelidade do Senhor e teria tido a experiência de Elias mil anos antes. Corvos teriam alimentado ele e sua família, ou um riacho não teria secado. Mas ele desceu porque era a coisa natural a fazer: “Há abundância lá e fome aqui. Deve ser a vontade de Deus que eu desça para lá, já que Deus não está fazendo nada aqui”.
E é assim que todos nós raciocinamos nas coisas espirituais. Muitas vezes, achamos que a grama do outro lado da cerca é mais verde. Então, se descermos para lá, teremos abundância.
E podemos ter abundância, mas também podemos perder a presença do Senhor. Foi isso que aconteceu com Abraão. Ele se meteu numa grande confusão por causa de sua mulher. Vocês se lembram da maldição que veio sobre a casa de Faraó e de como Deus livrou Abraão milagrosamente.
Agora, o maravilhoso em relação a Jacó e a essa terra foi que ele aprendeu a lição. Nunca saiu daquela terra.
Jacó talvez tivesse muitas coisas em seu caráter que não eram aceitáveis, muitas coisas que não consideramos atraentes; mas havia algo maravilhoso nesse homem. Ele tinha uma percepção perspicaz de Deus, uma percepção perspicaz das coisas de Deus e uma espécie de lógica espiritual: se Deus faz isto, isto e isto, então deve ser a melhor coisa.
Uma terra assegurada por aliança. Se vocês olharem o Salmo 105, encontrarão novamente o salmista falando desse assunto. Salmos 105:6-11:
Ó descendência de Abraão, Seu servo,
Vós, filhos de Jacó, Seus escolhidos.
Ele é o Senhor, nosso Deus;
Os Seus juízos estão em toda a terra.
Ele Se lembrou para sempre da Sua aliança,
Da palavra que ordenou a mil gerações,
Da aliança que fez com Abraão,
E do Seu juramento a Isaque;
E confirmou-o a Jacó por estatuto,
A Israel por aliança eterna,
Dizendo: A ti darei a terra de Canaã,
Como porção da vossa herança.
Uma aliança eterna, confirmada a Jacó — uma aliança eterna.
Toda a graça e todo o poder de Deus estão dentro dos limites dessa terra: desde o grande mar, o mar Mediterrâneo, até o grande rio, o rio Eufrates — na verdade, um afluente dele, não o próprio rio, como algumas pessoas pensam —; desde o norte, desde os montes do Líbano, o rio Litani, no sul do Líbano, até o rio do Egito, o que hoje chamamos de Uádi el-Arish, no norte do Sinai.
Deus disse: “Dentro desses limites está a terra que lhes asseguro por aliança para sempre. Está assegurada por aliança. Eu a prometo. Eu a dou a vocês”.
Dentro desses limites, vocês encontrarão ferro e cobre, e água do céu. Encontrarão frutificação. Encontrarão fertilidade. Encontrarão tudo de que precisam dentro dessa terra. A nação viverá.
Agora, lembrem-se: quando Ele falou com Jacó, não havia nação alguma. Mas era quase como se estivesse dizendo: “Dentro desses limites, aqui estará o centro dessa nação. Esta será a sua terra. Este será o seu território. Aqui poderão obter seu sustento. Aqui poderão viver, multiplicar-se e crescer”.
Dentro desses limites, o reino surgirá. Aqui Deus trará o homem segundo o Seu coração, Davi, e estabelecerá o reino. Nesta terra, não fora dela — não haverá reino fora dela —, mas dentro desses limites haverá o reino de Deus: o rei, o trono.
Dentro desses limites, vocês encontrarão a cidade de Deus, aquele lugar a respeito do qual Ele depois disse a Moisés: “Farei habitar ali o Meu nome para sempre”. Ali vocês levarão suas ofertas. Ali vocês Me adorarão — não em qualquer monte ou lugar que escolherem.
Vocês não podem escolher algum lugar na Babilônia, algum lugar no Egito ou algum lugar na Síria. Mas, dentro desta terra, Eu os conduzirei a um lugar específico, a um monte específico, a uma cidade específica; e, nessa cidade, farei habitar o Meu nome, e ali a casa do Senhor será edificada, e em nenhum outro lugar.
Dentro desses limites, portanto, uma nação. Dentro desses limites, um reino com um trono. Dentro desses limites, uma cidade, a casa de Deus. E, dentro desses limites, o Messias.
Mais tarde, um dos profetas diria, em Miqueias 5:2:
Mas tu, Belém Efrata,
Pequena entre os milhares de Judá,
De ti Me sairá Aquele
Que há de governar em Israel;
Cujas origens são desde os tempos antigos, desde a eternidade.
Vocês não encontrarão Belém na Babilônia. Não encontrarão Belém na Arábia Saudita. Não encontrarão Belém na Síria. Não a encontrarão no Egito. Belém estava dentro desses limites definidos da terra prometida e assegurada por aliança; e era ali que o Messias, Que é Senhor de todos, bendito para sempre, deveria nascer.
E também outro profeta disse — bem, é melhor eu ler. Em Isaías 9:1 — acabei de esquecer:
Mas não haverá escuridão para aquela que estava em angústia; como, nos primeiros tempos, Ele tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali, nos últimos tempos Ele a tornou gloriosa, pelo caminho do mar, além do Jordão, Galileia das nações.
Zebulom, Naftali — onde ficam esses territórios tribais? Não na Babilônia, não no Egito, não na Síria. Estão dentro dos limites definidos dessa terra. Onde fica a Galileia? A Galileia está dentro das fronteiras definidas dessa terra.
Deus havia prometido tudo. Aqui se realizaria a obra consumada do Messias. Aqui, todo o resplendor da glória de Deus: o Verbo Se fazendo carne, habitando entre nós, para que pudéssemos contemplar a Sua glória, glória como a do Unigênito do Pai. Tudo isso estava dentro dessa terra.
Agora, espero que vocês compreendam bem isso. Deus tinha um propósito para Jacó, e esse propósito estava inseparavelmente ligado a uma determinada porção da terra que Deus havia prometido e assegurado por aliança a Jacó e à sua descendência.
Dentro dessas fronteiras, tudo estava providenciado; fora dessas fronteiras, nada estava providenciado. Não é que Deus não os guardasse quando saíssem dessas fronteiras, mas o propósito de Deus não poderia ser realizado.
Sempre que Deus fazia alguma coisa fora dessas fronteiras, era em direção a essa terra. Ele sempre conduziu Abraão de Ur dos caldeus em direção a essa terra. Sempre tirou Seu povo do Egito, por meio de Moisés e Josué, para trazê-lo a essa terra. Quando estavam na Babilônia, Ele os trouxe de volta a essa terra. Seu propósito não poderia ser cumprido a não ser nessa terra.
Agora, o que tudo isso tem a dizer a você e a mim? Por que Deus chama você e a mim de Jacó e Israel? Alguns de vocês dirão: “Bem, você vai nos dizer que todos devemos ir morar em Israel?”
Bem, se você tem ascendência judaica, deveria. Mas, se não tem, vamos dispensá-lo.
Não, não precisamos que todo mundo venha morar em Israel. Já temos excêntricos suficientes — não estou dizendo que todos vocês sejam excêntricos —, mas, quero dizer, já temos excêntricos cristãos suficientes. É como um ímã que atrai para lá todo maluco do mundo. Cada um tem alguma ideia fixa na cabeça, e são atraídos para Jerusalém como por um ímã.
Precisamos passar nosso tempo orando para que Deus nos livre deles e os mande de volta para o lugar de onde vieram. Mas não, não estamos falando disso.
Essa terra tem seu lugar. Creio que todos os milagres finais da história mundial ainda serão cumpridos ali, dentro das fronteiras dessa terra. Isso é algo extraordinário.
Mas agora fomos além das fronteiras de uma entidade geográfica. Entramos nas dimensões de uma realidade espiritual. Qual é a terra que Deus assegurou por aliança e prometeu a todo crente nascido de novo? É o Senhor Jesus.
E esses limites são absolutamente definidos. Dentro desses limites, Deus assegura tudo por aliança; fora desses limites, nada.
Então, dentro do Senhor Jesus, Deus diz: “Eu lhe darei cada coisa de que você precisa”. Ali, dentro desses limites do Senhor Jesus, você descobrirá a nação de Deus, o povo de Deus — podemos dizer, Sua família —, um só corpo em Cristo, em Cristo.
Ali, dentro desses limites, você descobrirá o trono de Deus. Encontrará a autoridade de Deus: o nome de Jesus, que está acima de todo nome, colocado muito acima de todo principado e poder e de todo nome que se nomeia; todas as coisas tendo sido colocadas debaixo dos Seus pés, e Ele tendo sido dado como Cabeça sobre todas as coisas à igreja, que é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Um trono. Um reino. Realeza. A você e a mim é oferecida a realeza dentro dos limites dessa terra, se apenas seguirmos o Senhor por todo o caminho até o fim.
Se apenas seguirmos os Seus passos até o nosso pequeno mini-Getsêmani e até o nosso próprio mini-Calvário — e, através do nosso mini-Calvário, sem querer ser irreverente —, até a nossa própria ressurreição e ascensão e, finalmente, até a Sua glória.
Precisamos ser identificados com Ele em tudo, se quisermos chegar ao trono. Mas diremos mais sobre isso em outra ocasião. Estou apenas dizendo: isso é o que encontramos dentro dos limites dessa terra.
Encontramos a cidade de Deus dentro dos limites dessa terra. Ah, como é maravilhoso no final. Em Apocalipse 21:22, diz:
Nela não há templo; porque o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro são o seu templo.
A cidade inteira se tornou um santuário. Não é apenas a cidade de Deus; é a casa de Deus. Onde? No Senhor Jesus, à medida que somos unidos a Deus Nele, à medida que passamos a conhecê-Lo. Que maravilha.
Fora dessa cidade, nada. Ah, você pode conhecer a Sua salvação. Pode conhecer a Sua bênção. Pode viver no Egito, pode viver na Síria, pode viver na Babilônia espiritualmente, pode viver nos confins da terra espiritualmente e ainda assim conhecer o Senhor com você. O Senhor não o abandonará.
Mas você não conhecerá a cidade de Deus. Não conhecerá a casa de Deus. Pode ter suas sinagogas. Pode ter seus lugares de comunhão. Pode ter seus lugares de bênção. Pode ter suas experiências do livramento de Deus e da graça de Deus em qualquer lugar da terra, porque Deus mantém Seu relacionamento conosco como filhos, como Pai com Seus filhos.
Mas, quando Ele vem como Construtor às pedras vivas, você precisa estar nessa terra. Não pode sair vagando. Precisa estar dentro dessa terra do Senhor Jesus. Você precisa entender que há limites claramente definidos. Ultrapasse esses limites, e não conhecerá nada dessa obra de edificação.
É por isso que é tão importante para nós, à luz da vinda do Messias, entender que precisamos estar em Cristo. Precisamos crescer Nele como Cabeça. Precisamos chegar à plena maturidade Nele. Precisamos ser edificados juntos como habitação de Deus no Espírito.
Todas essas coisas são necessárias se realmente quisermos saber o que é estar naquele edifício do qual o Messias é a pedra de remate, que será colocada em seu lugar com aclamações, como em Zacarias 4:7:
Graça, graça a ela!
Eu quero estar nesse edifício.
Algumas pessoas não entendem que a cidade de Deus é menor do que o reino de Deus. Londres é uma capital; as Ilhas Britânicas, o Reino Unido. A capital é menor do que o Reino Unido.
Washington — vocês não são um reino, infelizmente; são uma república. E sei que todos têm muito orgulho de ser uma república. Mas é muito difícil para alguém que vive numa república e é republicano nesse sentido — não no sentido político — entender o que é ser um reino.
Mas, mesmo numa república, vocês têm apenas uma capital: Washington. E ela é muito menor do que a república. Portanto, precisamos entender algumas dessas coisas.
Agora, voltemos a olhar para isso. Vocês veem como Deus começa a nos dar tudo no Senhor Jesus? Tomemos apenas algumas passagens das Escrituras. Só teremos tempo para olhar uma ou duas, não mais.
Colossenses 2:9-10:
Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade,
E Nele sois feitos plenos,
O Qual é a Cabeça de todo principado e poder.
Isso não é maravilhoso? Vocês são tornados completos. São tornados plenos. Onde vocês são tornados plenos? Fora de Cristo? Não. Separados de Cristo? Não. Onde são tornados plenos? Onde são tornados completos? Nele.
Então, quando você aprende pela fé a permanecer Nele, mesmo quando há fome, Deus Se encontrará com você. E, às vezes, mesmo no Senhor Jesus, há períodos de escassez, períodos de fome, períodos de pressão, períodos de conflito. Nunca se esqueça disso. Ali você é provado para ver se permanecerá pela fé.
Outra vez, se quiserem olhar outra palavra, vejam Efésios 1:3:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
Algumas pessoas creem numa segunda bênção. Eu acho que há milhares de bênçãos. Tenho certeza de que vocês também acham. Sou grato por uma segunda bênção, e também sou grato por uma terceira bênção, uma quarta bênção, uma quinta bênção e uma sexta bênção. Há experiências maravilhosas com o Senhor.
Alguns cristãos têm tanto medo de um êxtase. Dizem: “Ah, nada disso, nada disso”. Eu sou totalmente a favor dos êxtases. De verdade, sou totalmente a favor. Digo isso sem vergonha alguma. Sou totalmente a favor, porque temos muito poucos.
Ser arrebatado ao terceiro céu, mesmo que isso signifique um espinho na carne, é algo que vale a pena ter. Graças a Deus, nesta vida de rotina monótona, sem brilho, pesada, cheia de conflitos e dificuldades, há momentos em que Deus nos arrebata ao terceiro céu, e ficamos maravilhados.
Precisamos dizer, como um amigo meu: “Não, Senhor — não mais, não mais. Vou morrer”. Graças a Deus por essas experiências. Não vou desprezá-las. Sou totalmente a favor. Ficarei entusiasmado se ouvir falar de alguém que teve um êxtase aqui durante estes dias. Que Deus os abençoe com alguns.
Existem coisas como ser arrebatado ao céu no Espírito. Existem momentos em que o Senhor toca nosso espírito com Seu Espírito, e há um toque de glória — glória. Somos transportados para fora deste corpo, como o apóstolo Paulo, que disse em 2 Coríntios 12:3:
Se no corpo, se fora do corpo, não sei.
Graças a Deus por essas coisas. Não as desprezem. Valorizem-nas, mas não deem importância excessiva àquele auge sensacional. O grande objetivo é prosseguir.
E isso significa que você desce do alto monte da transfiguração para encontrar um epiléptico que se lança no fogo e precisa ser liberto — situações demoníacas, coisas que pertencem ao vale. Precisamos descer e prosseguir com Deus.
Bem, só posso dizer isto: o que dizem as Escrituras? Efésios 1:3:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que nos abençoou — nos abençoou — com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
Onde? Em Cristo. Fora de Cristo, nenhuma bênção; dentro de Cristo, toda bênção. São bênçãos que permanecem.
O que é uma bênção? Bem, eu gosto muito da palavra hebraica asher: felicidade. Sei que, mais uma vez, as pessoas dizem: “Agora, cuidado, cuidado. Felicidade?”
“A menos que você esteja profundamente triste, aflito e em circunstâncias adversas, Deus não Se agrada de você.” Mas ser abençoado pelo Senhor é ter felicidade. Isso não significa que seja tudo vibrante e efervescente o tempo inteiro, mas, ah, conhecer as bênçãos do Senhor!
Onde elas estão? Algumas pessoas parecem pensar que receberam todas elas na conversão. Bem, diz: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que nos abençoou com toda bênção espiritual”. Mas escutem, vamos ser sensatos por um momento. Nenhum ser humano poderia conter todas as bênçãos de Deus de uma só vez.
Essa bobagem de receber tudo na conversão. É claro que recebemos tudo na conversão, mas a graça de Deus retém tudo isso. Estaríamos mortos se recebêssemos tudo. Ficaríamos estendidos no chão. Seríamos completamente derrubados. Não poderíamos conter tudo. Não poderíamos descobrir tudo. Realmente ficaríamos, por assim dizer, dominados por aquilo, como alguém embriagado.
Não, Deus, em Sua misericórdia, nos dá tudo. Com base em quê Ele nos dá? No Cordeiro pascal. Como Ele os tirou do Egito e os levou para aquela terra? Com base no sangue do Cordeiro pascal, porque o Cordeiro havia sido sacrificado por eles.
Ele os tirou do Egito e os levou ao deserto; do deserto, à terra prometida. E cada cidade que caiu diante deles caiu por causa do Cordeiro pascal. Não foi a grandeza deles, seu zelo, sua devoção ou seu conhecimento que lhes conquistou toda a terra. Foi o Cordeiro pascal.
É por isso que celebraram a Páscoa antes de sair do Egito. É por isso que celebraram a Páscoa quando chegaram a Gilgal, pouco antes de possuir a terra. Foi a morte expiatória de Outro que constituiu a base de tudo.
Bem, eu gosto muito disso: abençoados com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Maravilhoso.
E penso em outra passagem, se vocês estiverem prontos para ela. Só poderemos considerar estas poucas. Filipenses 4:19:
E o meu Deus suprirá cada necessidade vossa, segundo as Suas riquezas em glória, em Cristo Jesus.
Onde Ele supre cada necessidade de vocês? Segundo as Suas riquezas em glória, em Cristo Jesus — em Cristo Jesus, não fora; em Cristo Jesus. O que Ele quer dizer? Cada necessidade de vocês, segundo as Suas riquezas — riquezas de glória.
Bem, louvado seja o Senhor. Isso é seu e meu. Por favor, observem: não se trata apenas de necessidades espirituais supridas. Algumas pessoas têm a ideia de que o Senhor só supre necessidades espirituais. Necessidades mentais, físicas, materiais — Deus não faz esse tipo de coisa. Ele fazia no Novo Testamento, mas não faz mais.
Elas dizem que isso pertence ao cânon das Escrituras. Uma vez encerrado o cânon das Escrituras, Deus deixou de fazer muitas dessas outras coisas. A partir daí, Ele nos trata apenas como espíritos sem corpo.
Isso não é verdade. O Senhor continua sendo o Senhor Que cura você. O Senhor continua sendo o Deus de uma mente sã. O Senhor continua sendo Aquele Que pode suprir cada uma de suas necessidades: espirituais, mentais, físicas. Louvado seja o Senhor.
E onde Ele supre essas necessidades? Não fora de Cristo. Se você sair da vontade de Deus, de Cristo, da terra, não encontrará essas necessidades supridas. Mas, em Cristo, essas necessidades serão supridas.
Não estou dizendo que Ele cura cada pessoa, que supre cada necessidade financeira. Mas o que estou dizendo é isto: Deus deu uma promessa de que, quaisquer que sejam os problemas que enfrentemos, Ele nos dará aquilo de que precisamos para que Sua vontade seja feita em nossa vida e para que sejamos conformados à imagem de Seu Filho.
Às vezes, isso pode significar um pouco de adversidade. Às vezes, pode significar um pouco de aflição. Às vezes, pode significar um problema inexplicável, como um espinho na carne, diante do qual dizemos: “Ó Deus, livra-me disso, ou isso acabará comigo”, e Deus diz, como em 2 Coríntios 12:9:
A Minha graça te basta; porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
Bem, eu digo que tudo isso é maravilhoso. Tudo está no Senhor Jesus. Nada está fora Dele.
Agora chegamos ao último ponto que quero apresentar. Vejam, a maioria das pessoas nos acompanha até aqui, mas então chegamos à questão de tomar posse.
Conheço grupos de pessoas que ficam sentadas, cantando hinos e dizendo: “Tudo é nosso no Senhor. Tudo é nosso no Senhor. Já temos tudo. Glória a Deus”.
Na verdade, nem dizem assim. Dizem: “Quando me converti, recebi tudo. Não preciso de mais nada. Não há mais nada”.
Quando as pessoas me dizem que receberam tudo no Senhor em sua conversão, estão afirmando um fato teológico. Toda essa terra prometida havia sido assegurada por aliança a esse povo, em sua totalidade, mas eles só receberam aquilo sobre o que puseram a planta dos pés.
Quando aqueles sacerdotes desceram ao rio Jordão com a arca da aliança sobre os ombros, assim que a planta de seus pés atravessou a água e tocou o leito do rio, houve — fosse o que fosse, um terremoto ou qualquer outra coisa — algo lá em cima, no lugar que hoje chamamos de ponte Damia; imediatamente, o rio Jordão foi interrompido, e eles atravessaram em terra seca.
Se tivessem esperado alguma pequena indicação do Senhor de que aquela era Sua vontade — “Agora, não vamos passar vergonha levando a arca da aliança para dentro desta água. Não devemos fazer isso. Vamos apenas orar. Agora, Senhor, sê bondoso, sê bondoso. Ao nos aproximarmos deste rio Jordão, faze a água recuar, só um pouquinho, para que possamos entrar; e ela recuará, e entraremos mais um pouco; e ela recuará” —, não.
Muitos, muitos crentes são assim. Dizem que estão andando pela fé; não estão. Estão andando pelo que veem.
Eles precisaram molhar os pés. E, assim que molharam os pés, Deus agiu. Não foi sua devoção, seu zelo ou seu conhecimento; foi sua fé Nele. Foi Ele Quem fez aquilo.
E, depois disso, saem do outro lado e chegam à primeira grande cidade, Jericó. Poderiam facilmente ter dito: “Vamos conquistar isso. A planta dos nossos pés. Vocês viram? Como aqueles sacerdotes entraram — assim que a planta de seus pés atravessou a água e tocou o chão, aconteceu. Vai ser absolutamente maravilhoso”.
E então Josué disse: “Aqui estão as instruções: uma volta por dia, durante seis dias; uma vez por dia e, no sétimo dia, sete vezes. Sem conversar”.
Consigo ouvir alguns deles dizendo, quando entraram nas tendas naquela noite: “Não estou satisfeito com isso. Isso não é fé. Deus disse: ‘Todo lugar sobre o qual pousar a planta do seu pé, Eu lhe darei’. Que bobagem é essa de seis dias? Josué não é como o nosso Moisés”.
“E sete voltas no sétimo dia? Ele quer que tenhamos uma insolação? E por que não podemos louvar o Senhor? Somos o povo redimido do Senhor. Deveríamos estar louvando o Senhor desde o início. E ele disse que não devemos dizer uma palavra até o último momento da sétima volta no sétimo dia; então tocaremos as trombetas e daremos um grande grito.”
E, é claro, as muralhas caíram. Vejam, Deus é soberano nesse assunto. Algumas pessoas pensam que tudo o que precisam fazer é tomar algo pela fé e, se não acontece, ficam terrivelmente desiludidas.
Há coisas das quais você toma posse pela fé, e Deus as dá num instante. E há outras que levam sete dias e sete voltas no sétimo dia. E há outras que levam quatrocentos anos.
Eles não conquistaram Jerusalém durante quatrocentos anos. Agora, se isso aconteceu porque falharam em pôr os pés sobre ela, eu não sei. Mas como finalmente a conquistaram nos dias de Davi? Porque Joabe, que era perspicaz como Jacó, disse: “Deixem meus homens subir pelo poço até a cidade”. E, no momento em que puseram os pés lá, a cidade foi tomada.
Sabem, muitos de nós temos fortalezas em nossa vida que não conseguimos conquistar. Dizemos: “Não, não, não, não, não. Sei que o Senhor é tudo, mas, de alguma forma, isso é poderoso demais. Minha história, meu temperamento, o que herdei de meu pai e de minha mãe, dos meus avós e dos meus antepassados, é demais”.
As pessoas estão sempre me dizendo isso. Vêm e me dizem: “Sou um caso especial”. Não dizem “sou um caso especial”, mas começam a contar sua história porque, aos próprios olhos, são um caso especial. São algo único.
A Palavra de Deus se aplica a todos os outros filhos de Deus, mas não a elas, porque herdaram o temperamento muito difícil da bisavó. Têm traços de caráter que vieram do pai, que era um canalha. E, de alguma forma, simplesmente não conseguem vencer.
Escutem: não há fortaleza ou reduto em sua vida que não possa ser conquistado pela simples fé na obra consumada do Cordeiro. Essa terra está assegurada por aliança. Deus a assegurou solenemente por aliança. Tudo é seu no Senhor Jesus; fora Dele, nada.
Portanto, não há nada em sua história, nada em sua herança genética, nada em suas circunstâncias. Não há dificuldade, não há problema que você possa enfrentar que Ele não possa tocar e resolver. Glória a Deus. Mas você precisa usar os pés.
É por isso que C. T. Studd, quando compreendeu isso pela primeira vez, disse numa reunião de oração: “Obrigado, Senhor, porque eu calço tamanho quatorze”.
Em Josué 1:3, diz:
Todo lugar que a planta do vosso pé pisar, Eu vo-lo tenho dado.
Agora, sabem, muitos deles poderiam muito bem ter tido esta ideia: “Ah, vocês se lembram de Moisés? Lembram-se do que o Senhor disse a Moisés? O Senhor disse a Moisés: ‘O anjo da Minha presença irá adiante de vocês e expulsará o heteu, o girgaseu, o heveu, o jebuseu e todos os outros povos terminados em “eu”. Todos serão expulsos pelo anjo da Minha presença, e Eu os conduzirei à terra, e vocês a possuirão’”.
Sabem, vocês poderiam ter tido a ideia: “Como são maravilhosas as coisas espirituais. Deus fez tudo. Tudo está em Cristo. Tudo está feito. Tudo o que preciso fazer é ficar sentado e orar. Está resolvido”.
Eles ainda estariam sentados do outro lado do rio Jordão, cantando hinos de louvor e meditando no que lhes pertencia, até hoje, se Deus lhes tivesse dado uma vida tão longa — se tivessem feito isso.
E conheço muitos, muitos crentes que ficam sentados, cantando hinos, louvando a Deus, crendo na Bíblia e tudo o mais. Nada acontece em sua vida. Nada acontece em sua vida. Depois ainda têm a audácia de dizer que não querem um êxtase. Pelo menos isso seria alguma coisa.
Pelo menos haveria algo que vocês teriam, sobre o qual poderiam dizer: “Deus me conduziu e me tocou”.
Essa apropriação de tudo o que é nosso no Senhor Jesus não acontece simplesmente ficando sentado e dizendo: “Louvado seja o Senhor, tudo é nosso”. Acontece diante do antagonismo e da oposição satânica, quando você firma os pés pela fé e diz: “Não porque eu seja alguma coisa, mas por causa da obra consumada do Cordeiro, isto é meu”.
“Isto é meu, e isto, e isto, e isto acontecerá neste lugar, em relação a este problema, nesta situação.” Diga isso. Você vence pelo sangue do Cordeiro, pela palavra do seu testemunho.
Você não diz: “Ó Senhor, por favor, faze isso”, mas diz pela fé: “Isso é assim”. Deus começa a agir. A planta dos seus pés foi colocada sobre aquela situação. Talvez sejam sete dias. Talvez sejam alguns anos. Mas prestem atenção ao que digo: será seu, e será seu para sempre.
Bem, espero de fato que vocês compreendam isso, porque Hebreus 4:1-3 diz, numa advertência aos cristãos:
Temamos, pois, que, permanecendo a promessa de entrar no Seu descanso, algum de vós pareça ter ficado aquém dela.
Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, assim como a eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, porque não foi unida pela fé aos que a ouviram.
Em outras palavras, a fé não se uniu à palavra ouvida, e tudo acabou ali.
Conheço pessoas que me dizem que estão crucificadas com Cristo e que não falam com outro crente há dez anos. Não estão crucificadas com Cristo. É uma teologia sentimental, só isso.
Conheço outros crentes que dizem ter o poder do Espírito Santo, mas estão debaixo de um problema que os sufoca em sua vida familiar. Eles não têm realmente o poder do Espírito Santo.
Conheço outras pessoas comprometidas com práticas erradas em seus relacionamentos comerciais que, ainda assim, participam na assembleia e dizem que estão caminhando com Deus. Não estão caminhando com Deus. É mentira.
Podemos falar sobre todas essas coisas que temos, e Deus nunca nos abandonará, como eu disse ontem à noite. É por isso que falei sobre Jacó e o amor de Deus. Ele não nos abandona.
Podemos seguir nosso caminho enganando, extorquindo, expressando aquilo que somos naturalmente — força de vontade, força dos recursos e talentos naturais. Deus pode nos acompanhar por todo o caminho. Mas deixem-me dizer uma coisa: vocês não estão tomando posse do que lhes pertence em Cristo. Não estão tomando posse daquela terra.
Isso vem pela fé, e vem pela fé em situações reais e práticas. Que Deus nos ajude nisso, porque todos nós temos pontos cegos. Estamos sempre tentando tirar o cisco do olho do nosso irmão ou da nossa irmã, enquanto temos um amontoado de toras no nosso próprio olho.
Uma terra a ser possuída. Agora, se tivermos mais tempo, passarei a uma segunda coisa a respeito desse propósito do Senhor: um povo a ser formado, um povo a ser formado.
O propósito de Deus para Jacó não era apenas que ele possuísse uma terra e conhecesse tudo o que havia nela — o propósito de Deus cumprido —, mas também que ele se tornasse um povo, que um se tornasse mil, e o pequeno, uma nação forte.
Esse era o propósito do Senhor. Vocês encontrarão isso, se quiserem, em Isaías 60:22, que acabei de citar.
Agora, a frutificação e a multiplicação estão no coração do propósito de Deus. É muito interessante que as primeiras palavras que Deus falou ao homem e que foram registradas — as primeiras palavras de Deus ao homem que foram registradas — foram, em Gênesis 1:28:
Frutificai e multiplicai-vos.
Essa foi a primeira coisa que o Senhor disse, segundo o registro. Talvez tenha dito alguma outra coisa, pelo que sei. Mas, para os propósitos da Palavra de Deus, a primeira coisa que Deus disse a um ser humano foi:
Frutificai e multiplicai-vos.
Depois do dilúvio, a primeira coisa que Deus disse a Noé e aos outros sete que saíram da arca foi, em Gênesis 9:1:
Frutificai e multiplicai-vos.
Quando Deus tomou Abraão em Ur dos caldeus, disse: “Olhe para cima. Veja as estrelas. Sua descendência será tão incontável quanto as estrelas. Olhe para baixo. Veja a areia. Você consegue contar os grãos? Sua descendência será tão incontável quanto a areia, quanto os grãos que formam o deserto”.
Agora, essa é uma grande promessa, na minha opinião. É extraordinária.
Agora, o que disse nosso Senhor? Bem, novamente só podemos tocar nesse assunto, mas acreditem, é um assunto muito importante. João 15:16:
Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; para que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo dê.
Frutificação. Qual é a vontade de Deus? Ele nos elegeu. Ele nos escolheu. Por que nos escolheu? Para que fôssemos. Ele nos designou para que fôssemos e déssemos muito fruto, e para que nosso fruto permanecesse.
Agora, algumas pessoas imediatamente me dirão: “Mas o que você quer dizer com fruto? Não vamos ter aquela coisa superficial de jardim de infância, vamos? Isso pertence aos nossos primeiros dias nos círculos evangélicos. Você sabe, essa coisa de evangelismo. Queremos algo mais profundo. Evangelismo é jardim de infância, meu caro. Pertence às cruzadas de Billy Graham e a toda aquela história”.
Bem, para tranquilizar seu coração, fruto, antes de tudo, é caráter. Não é? O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade e assim por diante.
Mas agora, esperem. Vocês já conheceram um único fruto — obrigado —, já conheceram um fruto que não tivesse semente dentro dele? Agora, não deem ouvidos ao diabo. Já conheceram um fruto que não tivesse semente dentro dele?
E o que o fruto precisa fazer? Precisa cair na terra e morrer. Então, o que acontece? A semente dentro dele se multiplica. Multiplica-se.
Não suporto essa coisa entre o povo do Senhor de não nos importarmos nem um pouco com o fato de nunca termos levado outra pessoa ao Senhor. E algumas pessoas fazem das coisas mais profundas uma forma de escapismo. Dizem: “Ah, mas só nos preocupamos com as coisas mais profundas do Senhor, com seguir o Senhor. O caminho é muito impopular, sabe. Estamos indo até o fim com Deus”.
Louvo ao Senhor se vocês estão indo até o fim com Deus. Mas, quando chegarem à presença do Senhor, haverá ali uma única outra alma, na casa de Deus, na família de Deus, por causa de vocês?
Quero que vocês saibam que, no coração da sua eleição, está esse propósito de multiplicação e frutificação. Não o desprezem.
Ainda não conheci ninguém que tenha sido levado ao Senhor por algum cristão que vive recitando versículos sem parar. Conheço muitos deles. No escritório, às vezes são conhecidos como a pessoa mais difícil de todo o escritório. Mas são cristãos. Aos domingos, vão a uma reunião pelo menos uma ou duas vezes. Leem a Bíblia. Creem nela, diz o mundo. Mas, nossa, como são espinhosos.
Não vejo como algum dia ganharão uma única alma para o Senhor. Quando uma pessoa é apenas mal-humorada, egocêntrica, voltada para dentro, sombria e pesada, como alguém poderá ser ganho para o Senhor?
É quando o mundo vê amor, alegria, paz, longanimidade, fidelidade, domínio próprio — essas coisas — que ele é atraído. “Como essa pessoa, neste momento de luto, pode ter esse tipo de experiência? Como pode, diante desse problema, depois de terem falado com ela daquele jeito no banco, reagir assim? O que ela tem?”
“Como é que, quando tudo o mais está tão cheio de tensão e pressão, essa pessoa tem paz? Essa pessoa tem amor. Essa pessoa tem alegria.” Esse amor, essa alegria, essa paz — esse fruto do Espírito — se tornam a semente da igreja.
Vocês encontrarão isso, se quiserem examinar, em apenas duas passagens que lhes darei no livro de Atos. Atos 6:7. Muito interessante. Não sei se — bem, sei que a maioria de vocês é formada por bons estudantes da Bíblia. Imagino que já tenham sublinhado isso em algum momento.
Atos 6:7:
E crescia a palavra de Deus; e o número dos discípulos se multiplicava grandemente em Jerusalém.
Agora, quero que vocês façam a si mesmos uma pergunta: como a Palavra de Deus cresce? Certamente, a Palavra de Deus é a Palavra de Deus. Ela não pode crescer. Não cremos em alguma doutrina de acrescentar coisas às Escrituras, cremos? Não, cremos que esta é a Palavra de Deus. Como a Palavra de Deus pode crescer?
Certamente, isso só pode significar uma coisa. É aquilo de que Tiago fala em Tiago 1:21:
Recebei a palavra implantada.
Então, uma vez que ela entrou e a palavra de Cristo habita ricamente em vocês, em toda a sabedoria, começa a crescer. E, à medida que cresce, multiplica-se. Há mais pessoas com a Palavra de Deus.
Ah, querido irmão, querida irmã, você já influenciou outra alma para o reino? Você já se multiplicou? Deus salvou você — um. Você se tornou dois?
E agora quero fazer outra pergunta, que talvez seja tão difícil de ouvir quanto a primeira: você tem ao menos um pouco de preocupação por não ter se tornado dois?
Ou usa essas coisas mais profundas como uma forma de escapismo, para não encarar a realidade de que há um bloqueio em algum lugar da sua vida? É o velho Jacó. Não, não necessariamente um Jacó que engana, explora, extorque e ilude. Talvez seja apenas você manipulando as coisas de Deus, impulsionando as coisas de Deus com sua própria energia, de alguma forma procurando construir a obra de Deus. Não sei. Pense nisso.
Vocês encontram a mesma coisa novamente em Atos 12:24:
Mas a palavra de Deus crescia e se multiplicava.
Agora, isso é ainda mais maravilhoso. A Palavra de Deus crescia e se multiplicava. Ah, se a Palavra de Deus crescesse em mim e se multiplicasse! Se a Palavra de Deus crescesse em vocês e se multiplicasse!
O que isso significa? Significa que a Palavra de Deus precisa fazer sua obra. Nós vamos a Ele, ouvimos Suas palavras e as praticamos. É assim que acontece. A Palavra de Deus cresce e se multiplica.
É por isso que gosto tanto desta palavra, voltando a Jacó. Ouçam, em Isaías 43:1-3, uma palavra que vocês conhecem:
Mas agora assim diz o Senhor, Que te criou, ó Jacó,
E Que te formou, ó Israel:
Não temas, porque Eu te remi;
Chamei-te pelo teu nome, tu és Meu.
Quando passares pelas águas, Eu estarei contigo;
E pelos rios, eles não te submergirão;
Quando andares pelo fogo, não te queimarás;
Nem a chama arderá em ti.
Não temas, em Isaías 43:5-7:
Não temas, porque Eu estou contigo;
Trarei a tua descendência do oriente
E te ajuntarei do ocidente;
Direi ao norte: Entrega;
E ao sul: Não retenhas;
Traze Meus filhos de longe
E Minhas filhas dos confins da terra;
Todo aquele que é chamado pelo Meu nome,
E que criei para a Minha glória,
A quem formei, sim, a quem fiz.
Aqui está o propósito do Senhor: não apenas que Jacó fosse criado, que Israel fosse formado, que nós fôssemos redimidos, mas que, passando pelas provações, descobríssemos o Senhor. Não apenas isso, mas que nossa descendência viesse do norte e do sul, do oriente e do ocidente; que a Palavra de Deus crescesse em nós e se multiplicasse.
Alguém me diz: “Bem, espere, espere. É muito fácil você dizer isso. Como? Eu anseio por isso”.
Eu lhe direi: você nunca se multiplicará enquanto não der.
Nunca deixei de me maravilhar com o Jordão, porque todas aquelas águas — águas que dão vida e produzem fertilidade — que fluem durante os doze meses do ano da base do monte Hermom, das neves eternas que, de alguma forma, no verão, derreteram e penetraram em reservatórios muito, muito profundos dentro daquela enorme montanha — onde quer que essa água chegue, ela traz vida.
Eles até a canalizam por toda a região, descendo pela planície do Jordão até o Neguebe, no sul, o deserto, a região de estepes. Tudo fica verde onde quer que essa água chegue.
Mas todas aquelas toneladas de água que dá vida desembocam no mar Morto e se tornam estéreis. Não há um único pólipo vivo no mar Morto, nem camarão, nem caranguejo, nem peixe. Nada vive no mar Morto. Nada.
Como, então, todas aquelas toneladas de água que dá vida podem desembocar no mar Morto e se tornar estéreis? Porque o mar Morto não tem saída. Recebe tudo e não dá nada.
Você pode receber todas as propriedades vivificantes do Senhor Jesus, todo aquele grande poder de ressurreição e toda a Sua vida, e transformar isso em esterilidade? Sim. Como? Sendo como esponjas, sempre absorvendo, recebendo, recebendo, recebendo, recebendo, e nunca dando.
Você precisa dar aquilo que recebe. Mesmo que seja muito novo no Senhor, comece a dar e a compartilhar o que tem do Senhor, por menor que seja. Compartilhe. Dê. Encontre algum lugar, mesmo que seja apenas cuidar de crianças ou alguma outra coisa, algum lugar onde possa dar; e descobrirá que algo começará a entrar. À medida que dá, você recebe de volta.
Como diz Lucas 6:38:
Dai, e ser-vos-á dado; medida recalcada, sacudida e transbordante vos darão no regaço.
É uma lei de Deus. Você dá e recebe.
Bem, quero apenas tocar em outras duas coisas, e isso nos deixará bastante tempo para falar, na próxima sessão ou nas próximas duas, sobre esse quinto ponto. Quero apenas mencionar, porque retomaremos plenamente esses dois assuntos mais adiante nesta semana, o terceiro propósito de Deus para a vida de Jacó: que ele fosse uma bênção.
Agora, Jacó não era uma bênção por natureza. Era um homem naturalmente obstinado, de vontade própria, de alma forte. Não era uma bênção para os outros. Roubava a bênção deles. Não dava uma bênção; roubava-a.
Quero lhes dizer uma coisa. Conheço muitos, muitos crentes que roubam bênçãos, mas não as dão.
Ah, eu poderia sair e fazer minhas visitas. Posso mostrar a vocês, em qualquer grupo, pessoas que são como redemoinhos. Sugam tudo para dentro de si. O tempo todo, incessantemente, precisam receber cuidados e ministração. É sempre sobre elas: “Minha dor, isto, aquilo, aquilo outro”. Roubam bênçãos; não as dão.
Ah, como é maravilhoso quando uma pessoa está num grupo e você não sente nela nem cheiro de queimado. Você não sabe que ela passou por uma provação. Ela é simplesmente uma bênção. Tudo o que você recebe é o Senhor.
Agora, não estou dizendo que, quando temos necessidades, não devemos nos abrir. Isso é muito necessário: quando temos necessidades reais, devemos nos abrir e compartilhá-las com nossos irmãos e irmãs, e dizer: “Ore por mim. Imponha as mãos sobre mim. Por favor, você pode orar para que Deus, de alguma forma, rompa esse problema que tenho na vida e venha me socorrer?”
Às vezes, temos problemas que não deveríamos ter porque nunca nos abrimos com nossos irmãos e irmãs. Às vezes, somos orgulhosos demais para isso. Às vezes, somos reservados demais. Às vezes, não é isso; sentimos que não é espiritual. “Eu não deveria ter um problema. O que pensarão de mim se eu me abrir e descobrirem que não estou dando conta nem da pia da cozinha?”
“Ah, eles dirão: ‘Pobre irmã, ela não chegou a lugar nenhum espiritualmente. Não consegue lidar com o filho’. Todas aquelas outras mães dirão: ‘Ora! Não acho grande coisa dela’. Então fico quieta.” Mas, quando nos abrimos, Deus realmente pode fazer alguma coisa.
Não estou falando desse tipo de pessoa. Estou falando do problema interminável. Não são os problemas; é a pessoa que é o problema interminável. Ela conseguiu a atenção dos outros. Precisa ser o centro de tudo. Destruirá uma bênção em qualquer grupo.
Está sempre roubando das pessoas seu direito de primogenitura, roubando sua bênção. As pessoas não conseguem desfrutar daquilo que está ali. Não conhecemos isso? Mal nos sentamos para uma refeição, o telefone toca, e é fulano de novo, pela enésima vez.
Ah, podemos amar as pessoas. Jacó era exatamente assim. Não era uma bênção para os outros. Roubava a bênção deles. Não dava; adquiria.
Alguns cristãos são ávidos por adquirir. Estão sempre adquirindo. Não dão. Não estão aqui para dar. Julgam tudo pelo que recebem. E, de fato, metade do nosso cristianismo se baseia no que recebemos e no que damos.
No final, algo aconteceu com Jacó. Ele se tornou uma bênção para os outros. Uma das coisas mais belas no livro de Gênesis é Jacó abençoando seus filhos. Nossa, o que ele lhes deu! Nem sempre muito agradável para eles, imagino; mas, nossa, aquele dom profético!
Como ele os abençoou no fim de sua vida, e como a bênção foi verdadeira para cada um. E como tomou aqueles dois filhos, aqueles dois meninos gêmeos de José, e os abençoou. Maravilhoso.
E o mais belo de tudo foi quando ficou diante de Faraó e abençoou Faraó. No fim de sua vida, Jacó se tornou uma bênção, graças a Deus. Aquele Jacó se tornou um Israel.
Agora, para ser uma bênção, para trazer felicidade aos outros, você precisa ter uma história espiritual. Precisa ter experiências profundas do tratar de Deus. Precisa conhecer os caminhos de Deus. Há experiências que custam caro. Jacó teve tudo isso…