Podemos voltar à Palavra de Deus, em Isaías 43.
Vamos ler a partir de Isaías 43:1 e também alguns outros versículos deste capítulo.
Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó,
E que te formou, ó Israel:
Não temas, porque Eu te remi;
Chamei-te pelo teu nome; tu és Meu.Quando passares pelas águas, elas não te submergirão;
Quando passares pelo fogo, não te queimarás,
Nem a chama arderá em ti.Porque Eu sou o Senhor, teu Deus,
O Santo de Israel, teu Salvador.
E então, Isaías 43:19:
Eis que farei uma coisa nova;
Agora sairá à luz; porventura não a percebeis?
Eis que porei um caminho no deserto,
E rios no ermo.Os animais do campo Me honrarão,
Os chacais e os avestruzes;
Porque porei águas no deserto,
E rios no ermo,
Para dar de beber ao Meu povo, ao Meu escolhido,
Ao povo que formei para Mim,
Para que proclamasse o Meu louvor.
E agora, nos Salmos, primeiro Salmos 149:1-6.
Louvai ao Senhor.
Cantai ao Senhor um cântico novo,
E o Seu louvor na congregação dos santos.Alegre-se Israel nAquele que o fez:
Regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei.
Louvem o Seu nome com danças:
Cantem-Lhe louvores com tamborim e harpa.Porque o Senhor Se agrada do Seu povo:
Ele adornará os mansos com a salvação.
Exultem os santos na glória:
Cantem de alegria em seus leitos.Estejam na sua boca os altos louvores de Deus,
E uma espada de dois gumes na sua mão.
E então, Salmos 145:1-3:
Exaltar-Te-ei, ó Deus meu e Rei;
E bendirei o Teu nome para todo o sempre.
Cada dia Te bendirei;
E louvarei o Teu nome para todo o sempre.Grande é o Senhor, e mui digno de louvor;
E a Sua grandeza é insondável.
E então, se vocês puderem acompanhar mais um pouco, Salmos 95:1-7:
Vinde, cantemos ao Senhor;
Jubilemos à Rocha da nossa salvação.
Apresentemo-nos diante da Sua presença com ações de graças;
Jubilemos a Ele com salmos.Porque o Senhor é Deus grande,
E Rei grande acima de todos os deuses.
Nas Suas mãos estão as profundezas da terra;
E as alturas dos montes são Suas.
Seu é o mar, e Ele o fez;
E as Suas mãos formaram a terra seca.Vinde, adoremos e prostremo-nos;
Ajoelhemos diante do Senhor que nos criou.
Porque Ele é o nosso Deus,
E nós somos o povo do Seu pasto,
E as ovelhas da Sua mão.Hoje, se ouvirdes a Sua voz.
E então, Salmos 34:1-5:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo:
O Seu louvor estará continuamente na minha boca.
A minha alma se gloriará no Senhor:
Os mansos o ouvirão e se alegrarão.Engrandecei ao Senhor comigo,
E juntos exaltemos o Seu nome.
Busquei ao Senhor, e Ele me respondeu,
E me livrou de todos os meus temores.Olharam para Ele e foram iluminados;
E os seus rostos jamais serão confundidos.
E, por último, um versículo do Novo Testamento, Mateus 4:10:
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás:
Porque está escrito:
Ao Senhor, teu Deus, adorarás,
E só a Ele servirás.
Vamos nos curvar juntos em oração?
Pai, queremos agradecer-Te porque, ao nos voltarmos a Ti em adoração e oração, cremos que recebeste tanto a nossa adoração quanto a nossa súplica. Agora, com toda a simplicidade, queremos, juntos e pela fé, assumir a posição que nos cabe nessa unção que nos foi concedida para falar e para ouvir.
Pedimos, Senhor, que concedas que, tanto ao falarmos a Tua Palavra quanto ao ouvirmos a Tua Palavra, experimentemos a Tua graça e o Teu poder. Olhamos para Ti, ó Senhor, para que estejas maravilhosamente presente, cumprindo o Teu propósito para este momento desta noite e escrevendo algo de maneira indelével em nossos corações, para que, Senhor, a Tua Palavra se cumpra.
Agora nos entregamos a Ti com ações de graças, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, nesta manhã falei sobre toda essa questão da adoração e sobre o poder da adoração. Falei um pouco sobre essa arte esquecida de adorar.
Todo cristão nascido de novo acha que sabe alguma coisa sobre adoração. Chamamos as nossas reuniões de culto de adoração, ou reunião de adoração, ou dizemos que vamos adorar. Mas muito, muito raramente o povo do Senhor está, de fato, adorando ao Senhor.
Todos reconhecemos que testemunhar, evangelizar, orar e todas essas coisas são essenciais. Nós as consideramos uma parte necessária da vida do povo de Deus. Mas a adoração é algo que não consideramos essencial. Nós a consideramos um luxo.
De vez em quando, temos uma experiência no alto da montanha, na qual adoramos ao Senhor. Pensamos que talvez uma vez por ano, ou algumas vezes por ano, quando estamos nessas experiências tão elevadas, adoramos ao Senhor; somos liberados para adorar ao Senhor. É um luxo. Não é algo essencial.
Foi a essa questão que me dediquei nesta manhã, e quero dedicar-me a ela nesta noite, pelo poder capacitador do Espírito Santo. A adoração não é um luxo. É um fundamento.
Ela é fundamental para todo crescimento espiritual, para toda saúde espiritual e para toda plenitude e frutificação espiritual. Se você e eu não aprendermos a adorar em espírito e em verdade, na realidade não chegaremos a lugar nenhum nas coisas espirituais.
Vamos crescer aqui, na cabeça. Só Deus sabe: temos gente de sobra com tanta coisa aqui na cabeça. São como enciclopédias espirituais ambulantes. Podem corrigir você em qualquer assunto. Decoraram grandes porções da Bíblia.
Mas, quando se trata de coisas simples, como abrir a boca no meio do povo de Deus e simplesmente dizer: “Senhor, eu Te amo”, não conseguem. Não conseguem, como se estivessem com a boca costurada.
Ah, eles sabem tudo. Conhecem a Bíblia. São convertidos há anos e anos e anos. Se abrem a boca, precisam fazer uma longa exposição complicada, uma paráfrase do Sermão do Monte, ou um resumo de algum trecho de Isaías, Daniel, Amós ou Joel.
Parece que não conseguimos ser simples, que de alguma forma não conseguimos chegar ao cerne de tudo: adorar ao Senhor.
Na minha opinião, essa questão é um dos grandes segredos da vida cristã. Quando uma pessoa aprende a ser adoradora, ela começa pelo próprio cerne da questão. Ela chegou ao cerne da questão.
Então, nesta manhã falei sobre o propósito de Deus na adoração. Somos um povo que deve proclamar o Seu louvor. Fomos formados especificamente para proclamar o louvor do Senhor. Devemos existir para o louvor da Sua glória.
Falamos sobre várias outras coisas. Não vou retomá-las, embora haja algumas pessoas que não estiveram conosco nesta manhã. Vocês terão de ouvir isso nas fitas. Só espero que o que tenho a dizer nesta noite não lhes pareça um tanto sem sentido, porque o que dissemos antes é muito, muito importante para aquilo que quero continuar a dizer nesta noite.
Por que devemos adorar? Vou dizer algo sobre isso.
Devemos adorar porque Deus é absolutamente digno de ser louvado.
Grande é o Senhor, e mui digno de louvor;
E a Sua grandeza é insondável.
Por essa razão, é absolutamente vital que todo crente nascido de novo aprenda a adorar ao Senhor. Por um motivo simples: é algo tremendo sair de toda essa insensatez subjetiva e descobrir que Deus é, objetivamente, maior do que todos nós juntos e do que toda a criação reunida.
Vejam, é absolutamente verdade que o Senhor está em nós. Mas lembro-me de que, anos atrás, um irmão muito piedoso me disse algo depois de uma exposição sobre a nossa união com Cristo. Era um irmão a quem Watchman Nee descreveu como um ventre na igreja, um homem que conhecia as dores de parto espirituais. Ele me disse: “Sabe, irmão, há apenas uma coisa que me incomoda nessa verdade que nos foi apresentada de maneira tão competente e tão maravilhosa”.
“É o seguinte: quando enfatizamos o Senhor como Aquele por Quem vivemos, Aquele que é a nossa vida, Aquele que é o nosso poder, Aquele com Quem somos absolutamente um, nem sempre conseguimos adorá-Lo.”
Na época, não consegui entender do que ele estava falando, mas depois passei a compreender. Quando, de uma forma ou de outra, você simplesmente come do Senhor, bebe do Senhor, respira o Senhor, alimenta-se do Senhor, nem sempre consegue adorar ao Senhor.
Precisamos recuperar o equilíbrio nesse ponto. É claro que somos um com o Senhor. É claro que devemos comer a Sua carne e beber o Seu sangue. É claro que precisamos beber dEle cada vez mais profundamente. É claro que precisamos viver por Ele. Mas há outro lado nisso.
Ele é o Homem à direita do Pai. Ele é Aquele que está entronizado para sempre à direita da majestade de Deus.
Ora, se isso é verdade, quando começo a enxergar isso, de alguma maneira consigo adorar. Deixo a mim mesmo. Saio de mim mesmo. Encontro Alguém maior do que eu. Encontro Alguém distinto de mim. De alguma maneira, curvo-me diante dEle e O adoro.
Deus é absolutamente digno de ser louvado. Todas essas outras verdades maravilhosas não podem diminuir a adoração que Lhe é devida, nem nos afastar de uma adoração voltada para Ele, na qual perdemos de vista a nós mesmos e nos esquecemos de nós mesmos.
Outra coisa que considero muito importante nessa questão é que fomos feitos para adorar a Deus. Deus nos fez de tal maneira, como seres humanos, que todo ser humano precisa adorar alguma coisa.
Os ateus adoram alguma coisa. Adoram o homem. Todo mundo precisa adorar alguma coisa. Todos têm um pequeno santuário e algo diante do qual se curvam e que reconhecem como senhor.
Às vezes, adoramos a nós mesmos. Às vezes, adoramos outra pessoa. Às vezes, adoramos uma teoria. Às vezes, adoramos uma ideologia ou uma filosofia. Às vezes, adoramos alguma modalidade esportiva, ou alguma outra coisa. Às vezes, é uma carreira.
Mas sempre adoramos alguma coisa, porque nós, seres humanos, fomos feitos para adorar, e precisamos dirigir a nossa adoração a alguma coisa. Isso faz parte do nosso ser. É como respirar.
Ninguém ensinou você a respirar. Minha mãe nunca me disse: “Inspire, expire, inspire, expire, inspire, expire, inspire, expire”. A sua disse? É claro que não. Você aprendeu a respirar porque está vivo. Se estivesse morto, não estaria respirando. Bem, às vezes, quando olho para algumas pessoas, fico na dúvida. Mas, enfim…
O fato é que, se você está vivo, está respirando, e ninguém lhe ensinou a respirar. É perfeitamente verdade que, mais tarde, alguns de nós aprendem a respirar porque desenvolveram formas erradas de respiração. Bem, isso é outra questão.
Mas, nessa questão da adoração, todo ser humano precisa adorar. Não é que você diga a si mesmo: “Agora preciso adorar”. Você já adora. É por isso que o Senhor fala tanto na Palavra sobre idolatria, tanto sobre curvar-se diante de outros deuses.
Todo ser humano precisa adorar alguma coisa, e aquilo que adora é um deus. É um objeto de veneração, um objeto de respeito, algo a que nos entregamos. Agora, nós, os crentes, dizemos: “Senhor, Senhor”, e não fazemos o que Ele diz.
Todos sabemos, se nascemos de novo, que devemos adorar ao Senhor. Mas o maravilhoso nessa questão — e não vou dizer muito mais, porque quero prosseguir com esses outros assuntos — é o seguinte: fomos feitos para adorar, e precisamos adorar.
O maravilhoso é que, quando você e eu adoramos a Deus sem transformar isso em oração, e sem transformar isso em súplica, tocamos em algo que libera paz, alegria e satisfação dentro de nós. É incrível. Experimente.
No momento em que transformamos isso em oração, perdemos tudo. Mas, quando simplesmente adoramos ao Senhor por Quem Ele é e pelo que Ele é, e nos esquecemos de nós mesmos, da nossa condição, do que precisamos e de tudo isso, simplesmente dizemos: “Senhor, Tu és maravilhoso. Tu és tão tremendo. Tu és eterno. Tens o mundo inteiro em Tuas mãos. Não tens princípio nem fim”.
É como se, de alguma maneira, tocássemos em algo e, imediatamente, nas situações mais inquietantes e infelizes, uma paz viesse ao nosso coração. Nas circunstâncias mais tristes e angustiantes, uma alegria brota dentro de nós. Quando tudo ao nosso redor é morte, a vida surge dentro de nós, porque tocamos em algo que está no próprio cerne do nosso ser como seres humanos.
Deus nos fez para adorar. Quando adoramos a Deus, de repente, por assim dizer, algo começa a acontecer dentro de nós. Algo começa a fluir. Ah, que segredo maravilhoso! Se ao menos os crentes pudessem descobrir esse segredo… Mas não conseguem.
É impressionante. Como eu disse nesta manhã, quando estava terminando, vocês deste lado — nós do outro lado somos quase tão ruins. Na Europa, na Grã-Bretanha e no Velho Mundo, como o chamamos aqui neste Novo Mundo, somos quase tão ruins; mas vocês certamente são piores nessa questão do complexo de sucesso.
É maravilhoso como as pessoas têm sido bem-sucedidas na América, nos Estados Unidos e no Canadá. É uma história de sucesso. Mas o complexo de sucesso penetrou em todo o ambiente, de modo que há uma atmosfera de correria, ocupação constante, tensão. Precisamos avançar, precisamos chegar a algum lugar, precisamos ter sucesso.
Isso entrou nas coisas cristãs, e as pessoas não conseguem sequer estar diante do Senhor por quinze minutos sem começar a fazer pedidos. Quando realmente se disciplinam, conseguem chegar ao Senhor em oração, mas o que fazem? Têm uma lista interminável.
Mas chegar ao Senhor e curvar-se diante dEle — realmente curvar-se diante dEle — e dizer: “Senhor, Tu és tão maravilhoso. Tu és tão extraordinário”, e passar quinze minutos apenas admirando o Senhor, apreciando o Senhor, expressando o que pensamos dEle… Nós pensamos: “Ah, não consigo fazer isso”.
“Você quer que eu passe quinze minutos nisso?” Pensamos: “Que perda de tempo. Certamente, se o Senhor estiver vendo isso, é uma perda de tempo. Não seria melhor começar a interceder pelo presidente, ou orar por Los Angeles, ou orar pelo irmão Fulano, que tem um ministério em algum lugar e está enfrentando grande oposição?”
Mas não estou dizendo que vocês não devem orar. O que estou dizendo é isto: perdemos a arte da adoração. Por isso, como crentes e como igreja, perdemos a nossa paz, perdemos a nossa alegria, perdemos o nosso senso de satisfação.
Podemos recorrer a todas essas outras coisas, mas nada libera dentro de nós a paz, a alegria e a vida de Deus como adorar ao Senhor.
Agora quero prosseguir a partir do que vimos nesta manhã. Quando devemos adorar?
Quando devemos adorar? Quando nos sentimos bem? Não.
Essa é a ideia comum. Vejam, é por isso que não abrimos a boca e dizemos ao Senhor que O amamos. É por isso que não abrimos a boca e expressamos o nosso apreço pelo Senhor e pelo que Ele é: porque temos a ideia de que só podemos adorar ao Senhor quando tudo está certo, quando as coisas estão bem, ou quando nos sentimos bem.
Mas o salmista tinha um segredo tremendo. Ouçam o que ele diz em Salmos 34:1:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo:
O Seu louvor estará continuamente na minha boca.
Vocês ouviram isso?
Bendirei ao Senhor em todo o tempo.
Quando continuamos a ler esse salmo, descobrimos que ele tinha dificuldades. Salmos 34:6:
Este pobre clamou, e o Senhor o salvou de todas as suas angústias.
Portanto, ele tinha angústias.
Salmos 34:7:
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra.
Portanto, ele precisava de livramento. Ele continua falando de muitas outras coisas nesse salmo. Se vocês o lerem até o fim, descobrirão que ele passou pelas mesmas experiências que todos nós.
Ele teve altos e baixos. Teve vales e experiências no alto da montanha. Passou por regiões maravilhosas, férteis, arborizadas, verdejantes, e passou por desertos. Essa foi a sua experiência, assim como a de todos nós. Mas ele havia aprendido um grande segredo:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo.
Agora, alguém logo me diz: “Espere um pouco, espere um pouco. Não é possível bendizer ao Senhor em todo o tempo. Não seria um tanto artificial bendizer ao Senhor em todo o tempo?”
“Quer dizer, vamos ficar como aquelas pessoas que estão sempre dando tapinhas nas costas dos outros e dizendo: ‘Louvado seja o Senhor’? Sabe, todos esses maníacos por aleluia. Não importa o que aconteça.”
Bem, lembro-me de um homem que havia adquirido um hábito tão ruim nessa questão que já não conseguia se controlar. Quando abria a boca para orar, dizia coisas como: “Ó Senhor, nós resistimos ao diabo aleluia”.
Quer dizer, às vezes as pessoas podem ser como uma máquina de fazer salsichas, algo que fica simplesmente produzindo a mesma coisa. Há uma frase pronta, uma pequena frase que sai automaticamente. Não significa nada.
O que significa louvar ao Senhor, bendizer ao Senhor em todo o tempo? Significa dizer: “Eu Te bendigo, Senhor”? Isso é realmente bendizer ao Senhor? Não sei.
O Senhor não é bendito por pequenas frases vazias, pequenos clichês, pequenas expressões que assimilamos e que simplesmente saem da nossa boca, mas não significam nada, não têm experiência por trás, não têm história por trás. Isso não significa coisa alguma para o Senhor. Ele não é bendito por esses clichês ou por esse palavreado vazio.
Como, então, bendizemos ao Senhor em todo o tempo?
É interessante que, quando lemos a Palavra, encontramos algo muito belo a respeito de Jó: quando tudo deu errado para ele, Jó havia aprendido uma grande lição. Não é de admirar que o Senhor tenha dito ao inimigo: “Há alguém como o Meu servo Jó na terra?”
Pois, quando o Senhor lhe tirou tudo — todos os seus filhos e filhas, e todos os seus rebanhos —, ele se prostrou com o rosto em terra, diz o texto, adorou ao Senhor e disse:
O Senhor o deu, e o Senhor o tomou;
Bendito seja o nome do Senhor.
Isso é adoração. Ele adorou num momento em que a maioria de nós estaria absolutamente em choque, num momento em que não conseguiríamos adorar.
Outra pessoa que adorou num lugar extraordinário foi Jonas. Não consigo imaginar o interior de uma baleia como um lugar muito agradável para adorar. Mas o livro de Jonas diz que ele se voltou para o Senhor, para o lugar da Sua habitação, e adorou.
Muitas vezes me perguntei como, dentro do peixe, no mar, ele sabia em que direção ficava Jerusalém. Mas suponho que tenha feito isso pela fé e dito: “Senhor, talvez eu esteja voltado para a direção errada, mas, pela fé, estou voltado para a Tua Jerusalém”. E ele adorou ao Senhor.
Muitos de nós talvez não entendam muito bem o que a adoração poderia significar numa situação tão extraordinária. Há outro episódio muito interessante em Gênesis 22: quando o querido Abraão levou o seu filho e pensou que teria de sacrificá-lo, ele havia aceitado em seu coração que, mesmo que o matasse, Deus o ressuscitaria dentre os mortos e o devolveria vivo.
O texto diz que, ao falar com os servos, ele disse:
Ficai aqui; eu e o rapaz iremos até lá e adoraremos.
Isso revela uma compreensão da adoração, não é? Vocês não diriam que tudo estava bem ali, que tudo estava maravilhoso. O pobre Abraão devia estar sentindo uma dor tremenda no coração naquele momento. Mas era adoração.
O que, então, queremos dizer quando afirmamos:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo:
O Seu louvor estará continuamente na minha boca.
Ou, novamente, em Salmos 145:1-2:
Exaltar-Te-ei, ó Deus meu e Rei;
E bendirei o Teu nome para todo o sempre.
Cada dia Te bendirei;
E louvarei o Teu nome para todo o sempre.
Ou Salmos 146:2:
Enquanto eu viver, louvarei ao Senhor:
Cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu existir.
Esses santos do Antigo Testamento se apropriaram de um segredo no qual muitos santos do Novo Testamento ainda não entraram. Do que eles se apropriaram? Apropriaram-se do fato de que Deus deseja profundamente que sejamos adoradores.
Deus nos constituiu de tal maneira, tanto na nossa criação como seres humanos quanto na Sua redenção, que precisamos adorar. Quando aprendemos a adorar, algo acontece no nosso coração.
Como? Bem, agora chegamos, de fato, na minha opinião, ao segredo de tudo. É simplesmente isto: não adoramos ao Senhor apenas quando tudo está certo. Não adoramos ao Senhor apenas quando nos sentimos bem. Esse não é o cerne da questão.
É claro que, quando estamos centrados em nós mesmos, não conseguimos adorar porque não nos sentimos bem. Portanto, achamos que não podemos adorar ao Senhor, porque a nossa ideia de adoração é dizer ao Senhor: “Estou me sentindo maravilhoso, Senhor. Estou me sentindo absolutamente extraordinário. Estou ótimo. Eu Te agradeço tanto por essa sensação maravilhosa de bem-estar, saúde, poder e tudo mais. Hoje realmente sinto que posso Te adorar”.
Acho que o inimigo vai a Deus e diz: “Será que posso ficar com ele por um tempinho?” E isso não é brincadeira. “Será que posso ficar com ele por um tempinho?” E Deus, por assim dizer, responde: “Creio que ele é forte o suficiente. Fique com ele por um tempinho”.
Então o inimigo vem e trata de garantir que eu não me sinta bem. Toda aquela bela sensação de poder desmorona. Toda aquela bela sensação de saúde desaparece. Então não consigo adorar.
Por isso, fico calado e, quando talvez sinto que deveria adorar ao Senhor, há um sussurro no meu ouvido que diz: “Não vá adorar ao Senhor. Já há hipócritas suficientes na igreja sem você aumentar esse número. Você não está se sentindo bem, está?”
E você diz: “Não, não estou”. “Então, como pode louvar ao Senhor?” E você diz: “Bem, não, é claro que não posso.” “Você não quer ser hipócrita, quer?” “Não, não quero ser hipócrita.” “Então, cale a boca.” E assim permanecemos em silêncio.
Fico pensando quantos, por exemplo, nesta manhã, durante o nosso tempo à mesa do Senhor, permaneceram calados e quietos simplesmente porque não se sentiam bem. Estavam cansados. Estavam exaustos. Depois daqueles dias lá na montanha, sentiam mais vontade de estar na cama do que aqui nesta manhã.
E então você diz: “Ah, sim, não estou em condições de adorar nesta manhã”. E o inimigo diz: “Não, você não está. Apenas descanse”.
Talvez outros não estivessem se sentindo muito bem por causa de alguma coisa. Acordaram com o pé esquerdo. Então o inimigo diz: “Não, não adore. Não seria verdadeiro. Não seria adoração em espírito e em verdade”.
Você diz: “É, isso mesmo. Eu não estaria adorando em verdade nesta manhã, porque me sinto péssimo”. “Sim, é claro”, diz o inimigo. Então você diz: “Sim”. E vem a ordem: “Fique quieto”.
Então, o que o inimigo faz? Ele trata de garantir que todos nós tenhamos coisas, circunstâncias, situações, relacionamentos, outras coisas que entram na nossa vida, problemas, dificuldades, que tornem impossível qualquer um de nós adorar em qualquer momento.
Muitos crentes ficam debaixo de uma nuvem por meses e meses e meses e meses. Não conseguem adorar. Não conseguem louvar ao Senhor. Não conseguem romper essa barreira.
Mas escutem:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo:
O Seu louvor estará continuamente na minha boca.
Não o meu louvor — o Seu louvor. O que queremos dizer? O louvor a Ele estará na minha boca. Ah, isso faz uma grande diferença. Posso esquecer-me de mim mesmo.
Suponhamos que eu tenha acordado com o pé esquerdo. Suponhamos que tenha comido alguma coisa ontem à noite que não me fez bem durante a madrugada e, por isso, não estou me sentindo muito bem. Meu fígado está meio revirado hoje. Então não consigo me sentir muito bem. E agora não consigo adorar… Mas não, de modo algum. De modo algum.
Posso me sentir péssimo, mas posso ser honesto. Por que precisamos ter essa piedade artificial, na qual sempre dizemos ao Senhor: “Senhor, aqui estou. Sinto-me extraordinário, maravilhoso, cheio”, quando, na verdade, não sentimos nada disso?
Depois, ficamos com a consciência pesada. “O que eu disse não é realmente verdade. Eu disse pela fé.” Por que não ser mais como os antigos santos hebreus, que eram muito honestos?
Por que não poder dizer ao Senhor — não publicamente, mas em casa você pode dizer ao Senhor —: “Senhor, eu me sinto péssimo. Hoje me sinto péssimo. Não sei o que comi ontem à noite, nem por que me sinto todo revirado, e assim por diante”.
“Mas, Senhor, quero Te dizer uma coisa: Tu és maravilhoso. O fato de eu me sentir péssimo não tem nada a ver com o fato de Tu seres maravilhoso. Tu és o mesmo ontem, hoje e para sempre. Nada mudou em Ti.”
Quando você começa a adorar ao Senhor dessa maneira, algo acontece. Algo extraordinário acontece no nosso coração, porque o Senhor é sempre o mesmo. Ele não muda.
Podemos adorar a Deus pelo que Ele é. Não adoramos a Deus pelo que sentimos, mas O adoramos pelo que Ele é. Agora vocês chegaram ao cerne da adoração.
A maioria dos crentes sabe muito, muito pouco sobre esse tipo de adoração. Ela não depende do ambiente, das circunstâncias, das coisas vistas ou das coisas sentidas. Depende do que Deus é.
Então você entra na mais maravilhosa nova dimensão de serviço e adoração que já experimentou na vida. Pela primeira vez, já não está preocupado consigo mesmo. Pode esquecer-se de si mesmo.
Pode esquecer as suas pequenas circunstâncias, em vez de agir como se, por você estar se sentindo mal, tivesse ocorrido uma crise no céu e o governo celestial estivesse agora em tumulto. Como se o Senhor estivesse dizendo: “Não consigo governar. Alguém acordou com o pé esquerdo. Agora é impossível Eu fazer qualquer coisa porque ele está se sentindo tão mal”.
Não é um absurdo? Digo isso apenas para vocês perceberem como é tolo. Mas é aí que o inimigo nos pega. Pensamos que, porque nos sentimos tão mal, ou porque as nossas circunstâncias são difíceis, ou porque surgiu algum problema na nossa vida, tudo parou e não podemos adorar. Não podemos louvar ao Senhor.
Mas podemos. Quando aprendemos a fazer isso, acontece algo extraordinário: o inimigo abandona toda uma série de artimanhas. Ele descobre que, ao fazer você tropeçar e deixá-lo debaixo das circunstâncias, na verdade está fazendo você louvar ao Senhor, e isso significa mais para Deus do que nunca.
Então ele prefere deixar você passar bem por algum tempo. Não, isso é realmente verdade. É realmente verdade.
Conheci um irmão… Deixem-me dar uma ilustração. É sobre oração, não sobre adoração, mas o princípio é o mesmo. Esse querido irmão é um dos irmãos mais queridos e piedosos que estão conosco quase desde o início, em Richmond. É um irmão mais velho que aprendeu algo sobre intercessão e batalha de oração.
Ele não veio ao nosso principal encontro de oração numa semana, nem na segunda semana. Ficamos pensando o que teria acontecido. Na primeira vez, presumimos que estivesse apenas resfriado ou algo assim.
Então ele veio falar comigo. Disse: “Irmão, é uma coisa estranha, mas, duas terças-feiras atrás, à tarde, senti tanto cansaço que poderia ter adormecido à minha mesa. Depois, realmente comecei a me sentir mal, então fui para casa, deitei-me e não vim à reunião de oração”.
“Mas, na manhã seguinte, eu estava novinho em folha. Então fui trabalhar e não tive problema algum. Na terça-feira seguinte, à tarde, senti o mesmo cansaço outra vez, quase adormeci e novamente passei mal. Então me deitei. Na manhã seguinte, eu estava novinho em folha.”
“Isso já aconteceu em três terças-feiras. De repente, me veio à mente: será que é o inimigo?”
“Sim”, eu disse. “Tenho certeza de que é o inimigo. O que você precisa fazer é o seguinte: simplesmente diga em voz alta — não fale com o inimigo, apenas diga em voz alta —: ‘Ah, estou mesmo cansado, mas vou à reunião de oração e, se for necessário, vou dormir na reunião de oração’.”
“É mesmo?”, ele disse. “Sim.” E ele fez isso. Sentiu mais cansaço do que nunca e quase dormiu de fato. Então o inimigo desapareceu e nunca mais o incomodou dessa maneira.
Muitos de nós já passaram por coisas assim. Não é estranho? Não sei se vocês têm aqui um horário regular de oração, mas vocês que têm um horário regular perceberão que é justamente nesse momento que mais se sentem cansados. Um cansaço estranho.
Vou lhes dizer uma coisa. Não vou desafiá-los a fazer uma experiência, mas quase sugeriria: por que não mudar o dia? Vou lhes dizer uma coisa: dentro de uma ou duas semanas, vocês estarão se sentindo cansados no novo dia.
Não, isso é absolutamente verdade, porque não é apenas algo físico. É uma obra do inimigo. É assim que ele impede as pessoas de louvar ao Senhor. Ele nos impede de adorar ao Senhor. Simplesmente injeta sentimentos em nós.
Sentimo-nos péssimos. Ficamos, como dizemos numa gíria inglesa lá do meu lado, irritadiços. Ficamos meio mal-humorados e irritadiços. Dizemos: “Ah, não consigo louvar ao Senhor. Não tenho vontade. Estou me sentindo péssimo”.
De onde vem essa injeção repentina? Vem do invisível, do ambiente espiritual. Às vezes, justamente quando vamos louvar ao Senhor, ou ter o nosso tempo com o Senhor, ou algo assim, pouco antes disso, uma espécie de peso desce sobre nós como uma tampa.
Não sentíamos isso uma hora antes. Mas, justamente quando chega aquele momento, sentimo-nos absolutamente terríveis. Essas são táticas do inimigo.
Se o inimigo perceber que está conseguindo, você se tornará um hipocondríaco. Vocês entendem essa palavra? Sim.
Vou lhes dizer uma coisa: meu Deus, há muitos hipocondríacos no meio do povo do Senhor. É apenas egocentrismo distorcido, só isso — setenta e cinco por cento disso. É uma espécie de imaturidade, de nunca ter saído do nosso egocentrismo.
Se você não aprender essa lição simples, descobrirá que o inimigo brincará com os seus sentimentos, brincará com as suas circunstâncias, criará situações, causará problemas em casa, causará problemas no trabalho, de alguma maneira perturbará os seus relacionamentos com outras pessoas, sejam elas quem forem — crentes ou descrentes —, e o prenderá numa armadilha na qual você nunca, jamais, adorará ao Senhor, porque nunca terá vontade.
Então você ou desiste completamente nesse ponto, ou chega a essa maravilhosa experiência do salmista:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo:
O Seu louvor estará continuamente na minha boca.
Não, não preciso dizer ao Senhor que me sinto maravilhoso quando não me sinto assim. Graças a Deus, há momentos em que me sinto maravilhoso. Fico feliz por isso. Como eu disse, pessoalmente sou muito grato por um êxtase ou dois, de vez em quando, ao longo do caminho.
Sei que algumas pessoas morrem de medo de êxtases. Pensam: “Ah, não, nada disso. Não, não, não, nada disso. Isso é da alma”. Simplesmente seguimos de maneira impassível e não sentimos nada. Tudo é monótono, cinzento, pesado, rotineiro, e assim por diante.
Ah, fico feliz quando, de vez em quando, Deus nos arrebata ao terceiro céu e vemos o Senhor; ou quando o Espírito de glória nos toca no meio de algum grande problema; ou quando o Senhor projeta um raio de luz no nosso coração, tudo se ilumina por um momento e vemos a luz na Sua luz.
É maravilhoso seguir ao Senhor. Há momentos em que podemos entrar na presença do Senhor com ações de graças e dizer: “Senhor, tenho algo pelo qual Te agradecer. Hoje tive um dia maravilhoso, absolutamente maravilhoso. Estou me sentindo ótimo”.
Mas não pense que isso significa que você é especialmente aceito, nem que todos os dias serão iguais. Não. Não faça disso uma medida de nada.
No dia seguinte, você pode ser açoitado da manhã à meia-noite, do começo ao fim, levando golpes, com tudo dando errado. Como dizemos lá do meu lado — talvez vocês também tenham esse provérbio —: uma desgraça nunca vem sozinha.
Então você diz: “Hoje não consigo adorar ao Senhor”. Vamos entrar abatidos e pesados e dizer: “Não, bondoso Senhor, não. Eu seria hipócrita se Te dissesse qualquer coisa hoje. Tive um dia terrível”?
Temos a sensação de que não podemos, de maneira alguma, entrar na presença de Deus e dizer que tivemos um dia terrível. Ele ficaria profundamente ofendido. Afinal, nenhum cristão deveria ter um dia terrível, porque o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo; alegria indizível e cheia de glória; paz que excede todo entendimento.
Então o diabo diz: “Você não pode louvar ao Senhor. Não conheceu a paz que excede todo entendimento. Estava bastante neurótico”. Você diz: “Ai, é verdade, eu estava”.
Então o inimigo lhe diz: “Você não deu um bom testemunho hoje. Pense bem”. Mas sabem de uma coisa? Mesmo quando você deu um mau testemunho e precisa dizer: “Senhor, perdoa-me. Hoje fui irritadiço. Fiz isto e aquilo hoje, e tive um dia horrível. Foi terrível”, ainda pode se curvar e adorar ao Senhor.
Você pode dizer: “Sabes o que é tão maravilhoso, Pai? O Senhor Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. A minha explosão de irritação não mudou absolutamente nada nEle. Louvado seja o Senhor”.
Vocês não acham isso maravilhoso? Eu acho. Talvez vocês não achem. Eu simplesmente considero isso absolutamente maravilhoso. Quando estamos tão presos a nós mesmos, à nossa própria condição e a tudo mais, como podemos realmente adorar?
Mas que coisa maravilhosa é desprender-nos de nós mesmos, ir além de nós mesmos e conseguir pensar no Senhor, pensar naquelas coisas que não mudam e não são afetadas pelas nossas pequenas circunstâncias.
Querem que eu lhes dê algumas sugestões? Talvez queiram pegar um lápis. Não quero sistematizar isso, mas talvez o Espírito de Deus faça essas coisas penetrar no seu coração, e vocês não precisem anotá-las. Aqui estão algumas coisas pelas quais creio que vocês podem adorar ao Senhor.
Primeiro, por que não adorar ao Senhor pelo que Ele é? Por que precisamos sempre adorá-Lo pelo que Ele faz?
Percebo que quase todo mundo, quando abre a boca, diz: “Senhor, obrigado por me salvar”. Bem, louvado seja Deus por isso. Não estaríamos aqui se não tivéssemos sido salvos.
Mas vocês sabem como é maravilhoso poder chegar diante do Senhor, adorá-Lo e dizer: “Senhor, Tu és tão cheio de amor”? Isso é algo que vai além de você, além das suas circunstâncias.
Você pode adorá-Lo pelo que Ele é: amor, luz, vida, verdade, justiça, santidade, misericórdia — todos os atributos do Senhor. Ah, o glorioso caráter de Deus!
Poderíamos continuar falando sem parar sobre adorá-Lo pelo que Ele é. Que coisa linda seria se amanhã você se sentasse por cinco minutos e pensasse na grandeza de Deus. Nada mais — apenas na grandeza de Deus.
Talvez primeiro passasse alguns instantes em silêncio e simplesmente refletisse: “Este Deus… Deus é infinito. Grande, de uma grandeza insondável”.
Se vocês quiserem alguma ajuda, aqui vai uma pequena ajuda. Eu começaria a pensar: Ele não tem princípio nem fim. Pensem nisso.
Depois, pensaria nEle como o “EU SOU”. Ah, eu amo isso.
EU SOU O QUE SOU.
Não “Eu fui o que fui”. Ao ouvir alguns cristãos, acho que o nome dEle é “Eu Fui”.
Ele só podia fazer alguma coisa no passado. Abriu o mar Vermelho no passado, guiou o povo pelo deserto do Sinai no passado, derrubou as muralhas de Jericó no passado e fez a lua e o sol pararem no passado. Fez tudo no passado. Tudo parece ter terminado com o cânon das Escrituras. Agora Ele não faz nada.
“EU SOU.” Pensem nEle.
Aqui está outra coisa em que vocês podem pensar. Por que não pensar nEle no Senhor Jesus? Ah, que pensamento! Pensem em Deus em Cristo.
Pensem no Senhor Jesus, na maneira como viveu, na maneira como veio à terra, na maneira como ministrou, na maneira como lutou por nós e na maneira como morreu na cruz. Pensem em tudo isso: esse é Deus. É assim que Deus é.
Vocês não acham que isso começaria a lhes dar motivos para adorar? Não precisariam pensar nas suas dores, nos seus incômodos e em tudo mais, porque Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele não mudou.
Então vocês podem começar a louvá-Lo: “Senhor, como Tu és belo. Como és cheio de graça e de verdade. Como és glorioso. Como és poderoso”.
Há outra coisa em que vocês também podem pensar, que vai além de vocês. Que tal a Sua obra consumada? Para mim, isso é um motivo tremendo para louvar a Deus.
Ah, eu amo isso, porque o diabo não suporta pensar que a obra do Senhor Jesus está realmente consumada. Ele gosta de fazer todos nós sentirmos que precisamos acrescentar alguma coisa a ela, que ela ainda está em aberto.
Mas, quando você começa a louvar ao Senhor e diz: “Senhor, essa obra consumada… O véu do templo foi rasgado em dois. Pensem nisso. Nós, seres humanos caídos, que antes não éramos salvos, fomos trazidos a Ti por meio dessa obra consumada”.
“Nessa obra consumada, tudo, absolutamente tudo de que você e eu precisamos para sermos salvos já foi feito — concluído. Não falta um pingo no i, nem um traço no t. Tudo, absolutamente tudo, está feito.”
Ah, que motivo para adorar! Eu não podia fazê-lo; Ele o fez. Não importa se me sinto mal, melancólico numa manhã, ou debaixo de uma nuvem escura. Isso não faz diferença alguma para a obra consumada do Senhor Jesus.
Ela foi consumada há mil e novecentos anos. Louvado seja o Senhor. O meu pequeno momento ruim nesta manhã não vai alterar nada nela. Está feito. Ah, posso me sentir mal, mas a obra continua a mesma.
Vocês não acham que isso é motivo de louvor? Pensem por um momento: “Bem, estou tendo sentimentos tão ruins. Sinto-me péssimo. Ou recebi esta notícia, ou uma carta que me perturbou, ou alguma outra notícia pelo telefone que realmente me abalou e me levou para dentro de um vale”.
Mas, louvado seja Deus, nada pode tocar nessa obra consumada do Senhor Jesus. Ela foi consumada na cruz, e Deus colocou nela o Seu selo. Isso é motivo de louvor.
Aqui está outro motivo de louvor: e a posição atual do Senhor Jesus? Ah, maravilhosa!
Acima de todo nome que se nomeia, de todo principado e potestade, constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, com todas as coisas sujeitas debaixo dos Seus pés. Isso é motivo de louvor, não é?
Você precisa aprender a ser um bom soldado, suportando as dificuldades. Esses pequenos estados de ânimo, essas pequenas situações e circunstâncias parecem tão grandes e enormes para nós, mas, na verdade, não são nada. São picadas de alfinete.
Precisamos suportar as dificuldades e não permitir que elas nos abatam, mas louvar a Deus e adorar a Deus, esquecendo-nos de nós mesmos e do que sentimos.
E a Palavra do Senhor? Sempre penso que isso é algo pelo qual devemos louvar a Deus. A Sua Palavra permanece para sempre.
Muitas vezes, quando estou mal, penso: “Aqui estou eu, pensando numa frase da Palavra de Deus que significou alguma coisa para o rei Davi, e depois talvez tenha significado alguma coisa para João Batista, e depois tenha significado alguma coisa para os apóstolos”.
Depois ela significou alguma coisa para Agostinho, depois para Martinho Lutero, depois para George Fox, depois para John Wesley, e agora significa alguma coisa para mim. Louvado seja o Senhor. Ela permanece para sempre.
Bem, espero que vocês comecem a compreender o poder da adoração. Vejam, quando vocês começam a aprender a ser adoradores, Jesus disse que o Pai procura aqueles que assim O adorem.
Ele disse em João 4:24:
Deus é Espírito;
E importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade.
Isso não significa que a sua alma fique de fora. Maria mostrou o caminho quando disse:
O meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
E a minha alma engrandece ao Senhor.
O espírito dela começou e a alma acompanhou, e essa é a ordem correta. Não queremos que a alma comece e que o espírito seja, de alguma maneira, arrastado atrás dela, se é que chega a acompanhá-la. O que queremos é algo que comece no espírito, e então a alma acompanhe.
Quando devemos adorar? Em todo o tempo. Como, então, podemos adorar? Só podemos adorar em todo o tempo quando nos esquecemos de nós mesmos e das nossas circunstâncias e pensamos nEle.
Quando nos apropriamos daquelas coisas que, em certo sentido, não têm nada a ver com as nossas circunstâncias, começamos a adorar. Descobrimos que, de uma forma ou de outra, depois de algum tempo, olhamos para as nossas situações e circunstâncias com outros olhos.
De repente, vimos o Senhor alto e sublime, e a orla das Suas vestes enchendo o templo. De repente, vimos Aquele que é Cabeça sobre todas as coisas para a igreja. De repente, vimos Aquele debaixo de cujos pés todas as coisas foram colocadas.
Então vemos as nossas situações com outros olhos. Ah, precisamos aprender a ser adoradores.
Agora, o que é adoração? Vamos deixar isso claro. Adoração não é oração. Muitas pessoas pensam que fazer súplicas, pedir, é adorar. Não é. Não é solicitação, súplica ou pedido. Não é oração.
E adoração não é fazer sermões. Não sei… Nosso querido Senhor ouve mais sermões dirigidos a Ele do que qualquer outra pessoa no universo. Nenhuma congregação jamais ouviu tantos sermões quanto o nosso Senhor tem ouvido do Seu povo.
Às vezes, quase me pergunto, de maneira irreverente, por que não O convidamos a vir à frente e tomar uma decisão.
É incrível para mim o que algumas pessoas fazem na oração. Elas sentem que, de alguma forma, precisam parafrasear uma passagem inteira. Agora, não me entendam mal: precisamos nos firmar nas promessas de Deus quando o Espírito Santo as concede a nós.
Precisamos nos firmar na Palavra de Deus, nas declarações da Palavra de Deus, nas promessas da Palavra de Deus. É assim que vencemos: por meio da Palavra de Deus.
Mas esse fazer sermões, esse tipo de paráfrase floreada das Escrituras, às vezes é uma forma de falta de autenticidade. É quase como se Deus estivesse dizendo: “Não quero mais ouvir”.
É quase como se Ele tocasse no seu ombro e dissesse: “Meu filho, Meu filho, fui Eu que escrevi isso. Sei tudo a respeito. Sei o que está ali. Você não precisa continuar…” É algo sem autenticidade.
As pessoas estão sempre me dizendo: “Venha à nossa reunião de oração; há uma pessoa lá que ora… Ah, como eu gostaria de orar assim!” Então, quando ouvimos, o que encontramos? Encontramos uma grande oratória floreada, que dá a volta ao mundo inteiro, e nada é feito.
O Senhor Jesus disse:
Não sejais como os gentios, que creem nas vãs repetições.
O que é vã repetição, senão pegar certas coisas e, por meio da oratória, colocá-las em frases maravilhosas, elevadas e pomposas? O que isso significa?
Agora, se você está tomando a Palavra de Deus e se firmando nela numa situação, isso é outra coisa. Você a está usando como a espada de Deus, a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Então ela significa alguma coisa.
Então você pode tomar uma palavra de Deus e chegar com os altos louvores de Deus na boca e uma espada de dois gumes na mão, como diz Salmos 149:6. Maravilhoso. Você está louvando ao Senhor, está adorando ao Senhor e tem a Palavra de Deus na mão.
Você executa juízos em nome do Senhor. Prende nobres e reis por meio do juízo que está escrito, por meio da Palavra.
Ah, se ao menos soubéssemos como enfrentar principados, potestades ou os dominadores deste mundo de trevas e, pela adoração e pela Palavra de Deus, colocá-los no seu devido lugar! Mas esse outro tipo de sermão não tem absolutamente nada a ver com essa batalha de oração, com essa batalha de adoração ou com o serviço no campo de batalha.
Fazer sermões… Há tantos sermões assim. Isso não é adoração.
O que é adoração? É a expressão simples e direta de amor. Esse é o cerne da questão.
É por isso que eu disse nesta manhã: Deus Se alegra muito mais com uma pessoa que está em Cristo há trinta anos e abre a boca para dizer: “Senhor, eu Te amo de todo o meu coração”. Isso significa tanto para o Senhor.
No entanto, de uma forma ou de outra, quando estamos reunidos em adoração, quando temos um tempo aberto de adoração, às vezes temos algo muito simples e pensamos: “Não posso falar isso. É simples demais”.
Então entramos nessa terrível forma de falar, na qual tudo precisa ser grandioso e pomposo, mas não significa nada. Na próxima vez que você tiver um pensamento muito simples sobre como o Senhor é digno, ou quiser dizer: “Eu Te amo, Senhor”, por que não simplesmente abrir a boca e dizer?
Apenas diga ao Senhor o quanto você O ama. Não pense sempre que precisa dizer: “Eu Te amo, Senhor”. Há momentos em que você pode expressar isso por todos nós e dizer: “Senhor, queremos que saibas hoje que nós Te amamos”.
Isso toca mais o coração de Deus do que mil dessas peças em forma de sermão.
Então, o que a Bíblia diz sobre adoração? Diz, em primeiro lugar, que bendizemos ao Senhor. Isso é bastante bonito, não é? Como bendizemos ao Senhor?
Suponho que signifique que O fazemos feliz. Em hebraico, bênção é felicidade. A palavra significa ser feliz, ser feito feliz ou felicidade. Então suponho que bendizer ao Senhor significa que O fazemos feliz.
Isso não seria belo? Se você e eu, em toda a nossa fraqueza e fragilidade, pudéssemos fazer o Senhor feliz — trazer alguma alegria ao Seu coração, algum sorriso ao Seu rosto, alguma reação no Seu grande coração de amor por causa de algo que você Lhe ofereceu hoje.
Bendizemos ao Senhor. Louvamos ao Senhor. Isso está em Salmos 34:1. Outra expressão é que exaltamos o Seu nome.
Salmos 34:3 diz:
Juntos exaltemos o Seu nome.
Como exaltamos o nome do Senhor, a não ser dizendo coisas absolutamente verdadeiras a respeito do nome do Senhor? Não podemos tornar o nome do Senhor Jesus mais elevado do que já é, mas podemos exaltar o Seu nome.
Outra coisa maravilhosa em que pensei foi engrandecer ao Senhor. Alguém já pensou no que significa engrandecer ao Senhor? Algumas pessoas têm a ideia de que isso significa tornar o Senhor maior do que Ele é. Isso não é engrandecer.
O que você faz quando pega uma lente de aumento? Pega a lente, posiciona-a e destaca uma pequena parte. Você a vê com mais clareza. Você a amplia.
Você não pode tornar o Senhor maior do que Ele é, nem mais grandioso do que Ele é. Mas o que pode fazer, quando O adora, é pegar uma lente de aumento, olhar para um pequeno atributo e destacar esse atributo.
Talvez seja a Sua graça. Talvez a Sua misericórdia. Talvez o Seu amor. Talvez a Sua santidade. Talvez a Sua grandeza, a Sua infinitude. Mas você engrandece ao Senhor.
Que tarefa temos, então, como crentes! Não seria maravilhoso se, na próxima vez em que nos reuníssemos à mesa do Senhor, todos viessem com uma lente de aumento espiritual e cada um destacasse alguma coisa do Senhor?
Não seria maravilhoso? Não é de admirar que os não salvos sejam salvos. O texto de 1 Coríntios 14:25 diz que o não salvo entre vocês se prostrará e adorará, dizendo:
Deus está neste lugar.
Porque, ao olhar ao redor, você vê pessoas que realmente estão adorando. Saíram de si mesmas. Estão verdadeiramente em contato com Deus.
Qual é o cerne da verdadeira adoração? O cerne da verdadeira adoração não são palavras, nem apenas uma forma. O cerne da adoração está em Romanos 12:1-2:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
Que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo,
Santo e agradável a Deus,
Que é a vossa adoração espiritual.
Portanto, no fim das contas, adoração não é apenas palavras, nem apenas a expressão do nosso amor; adoração é a entrega de todo o nosso coração a Deus — de tudo, sem reservas. Todo o nosso ser. Essa é a adoração espiritualmente inteligente.
Observem: essa entrega não é a homens. Não nos entregamos integralmente a apóstolos, profetas ou mestres, sem reservas. Isso é ensino falso.
Não devemos, sob nenhuma circunstância, entregar-nos cem por cento a homens dessa maneira. Devemos nos entregar como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus — a Deus. Essa é a nossa adoração espiritualmente inteligente.
Então nos comprometemos uns com os outros, com o Senhor presente uns nos outros. Isso é uma coisa muito diferente.
Bem, acho que precisamos chegar ao fim de toda essa questão. Qual é o poder da adoração? Aqui está o poder da adoração, apenas para recapitular o que dissemos.
Primeiro, Deus é engrandecido e Cristo é exaltado. Creio que isso é poder. Vivemos num mundo essencialmente espiritual.
Este mundo em que estamos, que parece tão físico, na verdade não é apenas um mundo físico. Por trás dele há realidades espirituais. Há coisas invisíveis, assim como há coisas visíveis.
Quando adoramos ao Senhor individualmente ou em conjunto, algo maravilhoso acontece. Deus é engrandecido; Cristo é exaltado.
Exaltar-Te-ei, ó Deus, meu Rei;
Cada dia bendirei o Teu nome.
Isso produz algo no mundo invisível, às vezes mais do que uma reunião de oração, mais do que um estudo bíblico. A adoração, a verdadeira adoração do povo de Deus, faz o inimigo recuar. O peso é dissipado. Toda aquela atividade do inimigo, suas artimanhas e assim por diante, de alguma maneira perde a eficácia.
Em segundo lugar, o poder da adoração está no fato de que o diabo teme e foge. Não creio que o diabo suporte ver o povo de Deus adorando ao Senhor. É a única coisa que ele quer: adoração. Ele não suporta quando o povo de Deus realmente adora a Deus. Ele se retira.
O corpo de Cristo é edificado quando realmente adoramos. Ah, é algo maravilhoso quando adoramos juntos. Suponho que todos conheçamos reuniões das quais saímos mais cansados do que entramos. Espero que isso não seja verdade nesta noite.
Entramos já bastante cansados, mas saímos ainda mais cansados. Quase nos arrastamos para fora. Não queremos isso.
Que coisa maravilhosa é entrar numa reunião, sentir-se um pouco cansado e, de repente, o Senhor entrar em todo aquele tempo e nos levantar — não de maneira emocional, não apenas da maneira da alma, mas realmente pelo Espírito de Deus.
Uma após outra, as pessoas louvam ao Senhor e adoram ao Senhor, e você sente que recebeu uma ministração. Não consegue dizer por quê, mas algo acontece com você. Você é edificado. O corpo de Cristo é edificado.
O poder da adoração está no fato de que experimentamos, tanto individualmente quanto em conjunto, alegria, liberdade e paz quando adoramos. Experimente. Apenas experimente. Creio que você descobrirá que isso transformará a sua vida.
Fico tão triste quando vejo todas essas novas seitas, essas coisas de meditação transcendental, essa coisa de ioga — não tão novas, mas essas coisas se espalhando por toda parte, atraindo todo mundo. Nós, os crentes, deveríamos estar mostrando o caminho naquilo que é correto.
Existe uma meditação verdadeira, e ela faz parte da adoração. Se, em vez de nos deixarmos prender nessa corrida desenfreada, permitíssemos que Deus nos tornasse o que Ele quer que sejamos como seres humanos redimidos, estaríamos mostrando o caminho nisso.
As pessoas veriam em nós uma paz, uma alegria e uma luz que não veem no mundo. Os não salvos são atraídos por isso.
Então, deixem-me terminar dizendo primeiro algo sobre a adoração comunitária e, por fim, algo sobre a chave para ela. Primeiro, a adoração comunitária.
Sabem, quando nos reunimos para adorar, creio que um dos maiores problemas — e agora falo de maneira simples, quase como uma observação à parte — é o medo.
É incrível. Aonde quer que eu vá, encontro um sistema rígido ou uma ditadura em que não se permite fazer isto, não se permite fazer aquilo, ou há tabus e convenções. Eu entendo.
Mas, em muitos dos grupos que visito, não há tabus nem convenções. Se há convenções, elas não estão escritas. Depois, as pessoas se aproximam e dizem: “Sabe, não me sinto livre. Naquele tempo que tivemos, eu queria tanto… Mas simplesmente não me senti livre”.
O que acontece? Todos culpamos uns aos outros. Culpamos a liderança. Culpamos este irmão. Culpamos aquele irmão. Culpamos esta irmã. Culpamos aquilo. Dizemos: “Ah, é este ensino ou aquele ensino”. Não é nada disso. É apenas medo. É o temor do homem.
A maioria dos crentes tem algo borbulhando em algum lugar, bem no fundo do seu interior, mas tem medo de deixar isso sair. “Ah, o irmão Fulano vai me cortar se eu disser uma coisa dessas.”
Ou alguém diz: “É simples demais”. Às vezes temos algo e pensamos: “Isso é completo demais”. Se você é mais velho no Senhor, o inimigo chega e diz: “Agora fique calado. Deixe os mais novos terem uma oportunidade, em vez de impor todas essas suas bobagens a eles”.
Então você diz: “Ah, sim, preciso ficar quieto”. E se cala. Agora ele prendeu você. Depois vai aos mais novos e diz: “Vocês são novos demais. Acham que podem louvar ao Senhor? Vocês só têm um ano de vida cristã. Ora! Olhem para estes aqui. Já estão há vinte anos no caminho. Se eles não abrem a boca, vocês também não devem abrir”.
Então, o que o inimigo fez? Prendeu os mais velhos. Prendeu os mais novos. Todos estão presos, e ficamos sentados olhando uns para os outros, esperando que a água seja agitada.
Estamos esperando que um anjo desça e agite a água. Todos esperamos, esperamos. Então, finalmente, o que acontece? Alguém escolhe um hino favorito. Ah…
Depois, outra pessoa escolhe outro hino favorito. Então o irmão Fulano faz a mesma oração que faz todo domingo de manhã há quinze anos. Depois, alguém traz a sua passagem bíblica favorita. Quer dizer… Ah…
Então dizemos: “Bem, é claro, o problema aqui neste grupo é a liderança”. Isso não tem nada a ver com a liderança. É o inimigo. O inimigo está prendendo todo mundo.
Então, por que não começamos a despertar para isso quando nos reunimos? Somos o corpo de Cristo. O corpo de Cristo não é um só membro; são muitos membros. Portanto, todos temos uma responsabilidade.
Os presbíteros não estão aqui para sair avançando enquanto todos os demais tentam acompanhá-los. A função dos irmãos presbíteros é administrar.
Nas reuniões, a função dos irmãos presbíteros é cuidar para que o erro não entre e a falsificação não entre. Mas eles podem ficar em segundo plano quando temos um tempo aberto de louvor e adoração.
É o corpo, sob a direção do Espírito Santo. O Espírito Santo pode tomar alguém muito simples no Senhor e muito novo no Senhor, fazê-lo abrir a boca e, de repente, é como se o céu se abrisse sobre todos nós.
Então outra pessoa louva ao Senhor e, antes que percebamos, somos conduzidos pelo Espírito de Deus — não numa emoção, mas num verdadeiro descortinar do nosso Senhor diante da nossa vida.
Ah, como isso é precioso! Como é maravilhoso! Qualquer grupo do povo de Deus que tenha tocado na verdadeira adoração nunca mais será o mesmo. Nunca, nunca.
Vocês sentiram o que é estar em casa. Daí em diante, já não se contentam com nada inferior nem com qualquer outra coisa. É a coisa mais maravilhosa do mundo estar no meio do povo de Deus quando há um verdadeiro espírito de adoração, quando o Senhor é glorificado, engrandecido, quando o Seu nome é exaltado em conjunto, quando Ele é enaltecido.
Medo. O que faremos com o medo? Alguns de vocês me dizem: “Sim, mas será possível que eu esteja na carne?” Sim, é uma possibilidade muito real.
Então vocês dizem: “Bem, nesse caso, certamente devo tomar muito cuidado”. Concordo plenamente. Mas alguém já aprendeu a orar em público cometendo um erro e depois ficando calado até se tornar mais espiritual?
Nunca conheci ninguém assim. Essas pessoas se calam pelo resto da vida. Nunca mais abrem a boca.
Vocês não aprenderam a andar dessa maneira. Quem de vocês começou a andar e nunca caiu? Todos nós caímos.
Quem de vocês abriu a boca e falou um perfeito inglês da rainha? Nenhum de vocês deste lado. Desculpem essa brincadeira maliciosa.
Quem de vocês abriu a boca, ainda bebê, e falou um inglês perfeito? Nenhum de vocês. Nem eu, nem vocês, nenhum de nós.
Porque, quando abrimos a boca, fazíamos: “Blá, blá, blá, blá”. Depois dizíamos coisinhas engraçadas. Não conseguíamos dizer “papai”; dizíamos “baba” ou alguma outra coisa. Tínhamos nomes engraçados para tudo. Falávamos errado.
O pai chegava e dizia: “Agora preste atenção: nem mais uma palavra até você aprender a falar inglês direito”? A mãe nunca dizia: “Vá para o seu quarto. Fique no seu quarto até conseguir chamar seu pai de Ethelbert corretamente”.
É claro que vocês riem, mas isso vai à raiz da questão, não é? É claro que não esperaríamos que uma criança, quando começa a falar, deixasse de cometer todo tipo de erro.
Quando uma pessoa começa a louvar ao Senhor, comete erros. Quando uma pessoa começa a orar, comete erros. Quando uma pessoa começa a interceder, comete erros. Quando uma pessoa começa a exercer dons, comete erros. Precisamos estar preparados para isso.
O céu não desaba porque alguém deu uma mancada numa reunião de oração.
Agora, é inteiramente errado alguém se levantar e dizer: “Assim diz o Senhor”, quando aquilo vem do diabo; ou alguém se levantar e dizer: “Assim diz o Senhor”, quando aquilo é contrário às Escrituras. Isso é errado.
Mas, quando é um erro porque somos novos no Senhor, somos inocentes, não sabemos realmente para onde estamos indo, ou talvez tenhamos algumas fraquezas, o Senhor diz: “Calma, calma, Eu entendo isso”.
Passamos por um momento difícil por causa disso, e esse sofrimento queima o problema dentro de nós. Na próxima vez, se prosseguirmos pela fé, teremos aprendido aquela lição.
Então, por que não começamos a olhar para isso dessa maneira? Por que não podemos nos reunir e todos olhar para Deus? Por que chegamos e ficamos sentados esperando que o irmão Fulano comece, ou esperando que certos irmãos responsáveis deem início a tudo?
Por que não chegamos, nos sentamos e cada um diz: “Senhor, estou aqui e, sob a Tua direção, estou disponível. Quero estar Contigo neste tempo. Quero que este tempo seja glorioso. Quero que seja pleno”?
Talvez haja pessoas novas no Senhor. Elas vão cometer algum erro. Louvado seja o Senhor, se cometerem. Nós as ajudaremos. Não vamos franzir a testa nem lançar olhares severos para elas. Apenas procuraremos ajudar. Assim prosseguiremos juntos.
Se pudéssemos aprender o que fazer com os nossos medos e com essas artimanhas satânicas, começaríamos a descobrir o funcionamento do corpo do nosso Senhor Jesus de maneiras que antes nunca imaginamos possíveis.
Então, queridos, queridos irmãos, como é maravilhoso quando chegamos ao Senhor. O apóstolo disse:
Quando vos ajuntais, cada um tem salmo,
Tem doutrina, tem revelação,
Tem língua, tem interpretação.
Que fareis, pois, irmãos?
Faça-se tudo para edificação.
É maravilhoso quando Deus pode usar o corpo, não apenas num tempo de adoração, mas em qualquer outro momento. No nosso tempo de oração, Ele nos conduz de um ponto a outro, em vez de ficarmos dando a volta ao mundo inteiro.
Em outros momentos abertos de estudo bíblico, ou simplesmente quando nos reunimos para comunhão, o Espírito Santo pode nos conduzir. Um tem isto, outro tem aquilo, outro tem outra coisa, e é algo maravilhoso — não uma confusão, não um emaranhado, mas um maravilhoso descortinar do pensamento divino.
Bem, acho que já disse o suficiente sobre a adoração comunitária. Mas há algo maravilhoso na adoração comunitária, assim como há algo significativo na adoração individual.
Oro para que aprendamos a abrir a boca juntos e louvar ao Senhor. Também não tenham medo do silêncio na adoração.
Algumas pessoas têm uma espécie de doença em relação ao silêncio. Sentem que, assim que há silêncio, precisam preenchê-lo com alguma coisa. Os quacres tinham algo a nos ensinar sobre o silêncio.
Às vezes há cinco minutos de silêncio. Pode ser difícil com as crianças, mas, quando há cinco minutos de silêncio — silêncio absoluto —, isso pode ser glorioso.
Deus pode Se aproximar e fazer brotar do nosso coração todo tipo de coisa que será expressa depois. Todos devemos descansar no Senhor, sem achar que precisamos fazer barulho, sem achar que precisamos parecer um cemitério, mas simplesmente estar sob a Sua direção.
Agora, qual é a chave? Muito simplesmente, já percorri tudo isso, então vou apenas mencionar essas coisas.
Primeiro, vista deliberadamente as vestes de louvor. Essa é a primeira coisa. Vista deliberadamente as vestes de louvor. Falamos nesta manhã sobre Isaías 61:3 e Isaías 61:10.
Em segundo lugar, seja firme consigo mesmo. Algum de vocês já percebeu como o salmista, que entendia bem mais do que alguns cristãos do Novo Testamento, trata a si mesmo?
Bendize, ó minha alma, ao Senhor.
Quem está falando com quem?
Bendize, ó minha alma, ao Senhor.
Sabem, às vezes você precisa pegar a sua alma pelo cangote. Não pense que essa alma sempre terá vontade de adorar ao Senhor.
Há momentos em que você precisa pegar a sua alma e dizer: “Vamos, vamos, minha alma. Vamos adorar ao Senhor”.
A sua alma pode ser como um jardim velho e abandonado — cheio de ervas daninhas, com tudo crescendo por toda parte. É uma exuberância de vida, mas sem disciplina.
O que você precisa fazer, pelo Espírito, é podar aquilo e colocar tudo em ordem. O salmista disse em outro lugar:
Aquietei a minha alma como uma criança desmamada.
Isso significa que a criança está chorando e gritando, talvez um pouco irritada, mas precisa ser acalmada. Você sabe aquietar a sua alma como uma criança desmamada?
Então, seja firme consigo mesmo nessa questão. Lembre-se de que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus. Em outras palavras, pelo Espírito, no nosso espírito, adoramos ao Senhor.
Então começamos a adorar. Isso começa no nosso espírito, e dizemos: “Agora, minha alma, vamos em frente”. Não pense que pode simplesmente adorar ao Senhor em espírito e que a alma não participa disso. Você precisa incluir a sua alma.
É a sua alma que traz o calor. É a sua alma que traz a poesia. É a sua alma que traz a cor. É a sua alma que traz a originalidade.
Portanto, primeiro o seu espírito; mas você precisa dizer: “Minha alma, bendize ao Senhor”.
Em terceiro lugar, seja normal. Seja normal e natural, sem inibições.
É estranho como, entre o povo do Senhor, somos tão pouco naturais. Assim que começamos a adorar, de alguma maneira deixamos de ser naturais. Assim que entramos numa reunião, colocamos um rosto especial de reunião, uma expressão piedosa especial.
Temos um tipo especial de linguagem, um jeito especial. É muito estranho como nos tornamos tão pouco naturais. Por que não podemos ser normais?
Precisamos elevar a voz para que todos possam ouvir. Isso faz parte da comunhão, não é, quando estamos juntos? Mas por que não podemos ser normais? É maravilhoso ser normal.
Posso lhes dizer uma coisa? Deus salvou algumas pessoas muito excêntricas. Quando Ele salva essas pessoas excêntricas, normalmente elas continuam excêntricas. Mas não precisamos todos ser excêntricos.
Cada um precisa ser quem é. Então, se você é um pouco estranho — quero dizer, se é uma dessas pessoas que comem castanhas e alface o tempo todo, e nada mais —, tudo bem. Tudo bem.
Desde que não tente me fazer comer castanhas e alface o tempo todo, ou seja lá o que for, e desde que faça isso como para o Senhor, tudo bem.
Mas há pessoas muito, muito estranhas. Têm hábitos e maneiras muito estranhos, e, ainda assim, são preciosas. Ah, eu poderia prender vocês aqui por uma ou duas horas falando sobre cristãos excêntricos que conheci — pessoas realmente preciosas.
Não estou falando dos verdadeiramente diabólicos. Eu poderia encher a Catedral de São Paulo com as duas testemunhas de Apocalipse 11 que conheci ao longo da vida. Conheci onze messias.
É claro que, estando em Jerusalém, naturalmente encontramos essas pessoas. Elas chegam e dizem: “Você sabe quem eu sou?” Eu digo: “Não”. Elas dizem: “Sou o messias”. “Ah”, eu digo, “é mesmo?”
Muito, muito estranho. De fato, encontramos pessoas esquisitas, mas não estou falando disso. Há pessoas genuinamente excêntricas. Deus salva algumas delas; bem, continuam excêntricas. Mas queremos ser pessoas normais.
Por último, sejam cheios do Espírito. Sejam cheios do Espírito, porque a Palavra diz algo belíssimo a esse respeito:
Falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais,
Cantando e entoando melodias de coração ao Senhor.
Isso é muito belo. Na minha experiência, descobri que as pessoas não conseguem fazer isso a menos que sejam cheias do Espírito. Mas, quando são cheias do Espírito, há uma liberação interior, e elas se tornam adoradoras.
Que Deus nos ajude nessa questão da adoração. Espero que Deus tenha falado alguma palavra ao coração de vocês, tanto individualmente quanto em conjunto, como povo.
A propósito, ninguém me pediu que falasse sobre adoração. Realmente senti no meu coração, quando voltei de uma conferência: “O que vou compartilhar com aquelas pessoas queridas amanhã?”
Então, enquanto estava deitado por uma hora, de repente veio ao meu coração: “Fale a eles sobre o poder da adoração”.
Oro para que Deus use estas poucas e pobres palavras minhas sobre a adoração para trazer a vocês grande bênção, instrução e liberdade. Que, se Deus, na Sua bondosa graça e misericórdia, permitir que eu volte, eu possa encontrar pessoas que, pela graça de Deus, tenham se tornado adoradoras.
Vocês que são adoradores, que o Senhor os abençoe e os ajude a prosseguir. Vocês que nunca souberam o que é adorar ao Senhor, que, a partir deste dia, sejam conduzidos a adorá-Lo em espírito e em verdade.
Vamos orar?
Querido Senhor, vela sobre esta palavra para cumpri-la. Apaga qualquer coisa que tenha sido dita por causa da minha fraqueza, Senhor — qualquer coisa inadequada.
Mas tudo o que veio de Ti, Senhor, escreve em nosso coração. Senhor, acima de tudo, faz de nós verdadeiros adoradores do Senhor.
Ensina-nos a adorar-Te juntos, assim como individualmente. Pedimos isso juntos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Hino número 323. Vamos ficar de pé e adorar ao Senhor com o nosso canto. Número 323.
Senhor da glória, Cristo de Deus.