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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Worship #1 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Worship #1
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    Lambert, Lance

    O poder da adoração

    Estou muito contente por poder trazer a vocês a Palavra de Deus nesta manhã. Gostaria que abrissem a Bíblia em uma ou duas passagens.

    Leituras bíblicas

    Primeiro, Salmos 149:1-9.

    Louvai ao Senhor.
    Cantai ao Senhor um cântico novo,
    E o Seu louvor na congregação dos santos.
    Alegre-se Israel Naquele que o fez:
    Regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei.
    Louvem o Seu nome com danças:
    Cantem-Lhe louvores com tamborim e harpa.
    Porque o Senhor Se agrada do Seu povo:
    Ele adornará os mansos com a salvação.
    Exultem os santos na glória:
    Cantem de alegria em seus leitos.
    Estejam na sua boca os altos louvores de Deus,
    E uma espada de dois gumes em sua mão;
    Para exercer vingança sobre as nações,
    E castigos sobre os povos;
    Para prender os seus reis com cadeias,
    E os seus nobres com grilhões de ferro;
    Para executar sobre eles o juízo escrito:
    Esta honra têm todos os Seus santos.
    Louvai ao Senhor.

    E depois, Salmos 145:1-8.

    Eu Te exaltarei, ó meu Deus e Rei;
    E bendirei o Teu nome para todo o sempre.
    Todos os dias Te bendirei;
    E louvarei o Teu nome para todo o sempre.
    Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado;
    E a Sua grandeza é insondável.
    Uma geração louvará as Tuas obras à outra,
    E anunciará os Teus poderosos feitos.
    Na majestade gloriosa da Tua honra,
    E nas Tuas maravilhas, meditarei.
    Os homens falarão do poder dos Teus feitos temíveis;
    E eu declararei a Tua grandeza.
    Proclamarão a memória da Tua grande bondade,
    E cantarão a Tua justiça.
    O Senhor é compassivo e misericordioso;
    Tardio em irar-Se, e grande em amor.

    E depois, Salmos 34:1-5.

    Bendirei o Senhor em todo o tempo:
    O Seu louvor estará continuamente na minha boca.
    A minha alma se gloriará no Senhor:
    Os mansos o ouvirão e se alegrarão.
    Engrandecei o Senhor comigo,
    E juntos exaltemos o Seu nome.
    Busquei o Senhor, e Ele me respondeu,
    E me livrou de todos os meus temores.
    Olharam para Ele e ficaram radiantes;
    E os seus rostos jamais serão envergonhados.

    E depois, no Novo Testamento, o Evangelho segundo Mateus 4:10.

    Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás: porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e somente a Ele servirás.

    Vamos nos inclinar juntos em oração?

    Oração inicial

    Pai, queremos realmente agradecer-Te porque estamos aqui, na Tua presença, nesta manhã. Ao nos voltarmos para a Tua Palavra, Senhor, estamos tão contentes porque fizeste uma provisão específica para nós. Não nos deixaste, Senhor, entregues aos nossos próprios recursos, talentos ou energias, nem para falar nem para ouvir; mas fizeste uma provisão deliberada e específica para este momento desta manhã, distinta de qualquer outra.

    Senhor, nós Te louvamos e Te adoramos porque, ao nos aproximarmos, sabemos, Senhor, que por nós mesmos, separados de Ti, nada podemos fazer. Podemos dizer palavras; podemos ouvir palavras, Senhor; mas Tu sabes que isso não produzirá nada no que diz respeito a Ti.

    Mas, Senhor, queremos nos apropriar dessa provisão que fizeste para todos nós, tanto para quem fala quanto para quem ouve. Pela fé, Senhor, nos firmamos nessa unção para falar e para ouvir, para que o Teu propósito para este breve momento se cumpra, Senhor, e possamos nos encontrar Contigo, receber de Ti, e para que Tu nos dirijas aquela Palavra que realiza aquilo para o que foi enviada.

    Senhor, daremos a Ti todo o louvor e toda a glória. Agora, juntos, nos entregamos a Ti, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A adoração como necessidade espiritual

    Gostaria de falar nesta manhã, e talvez nesta noite, sobre o poder da adoração — o poder da adoração.

    A adoração é uma arte esquecida entre o povo de Deus. É algo que só se encontra nos primeiros dias de cada movimento do Espírito de Deus. Sempre que Deus agiu, em qualquer época, desde o Pentecostes, ao longo dos muitos séculos da história da igreja, toda vez que o Senhor agiu, houve uma manifestação intensa de adoração genuína e espontânea.

    Homens e mulheres redimidos pela graça de Deus, nascidos do Espírito, foram levados a esquecer de si mesmos e adoraram o Senhor juntos. Também adoraram o Senhor individualmente.

    Mas, como sempre acontece em cada movimento do Espírito, quando aquilo começa a se cristalizar, quando se institucionaliza, quando se formaliza, a adoração se torna uma liturgia, uma forma ou, de um jeito ou de outro — até mesmo em nosso momento de participação livre —, nós a transformamos em uma tarefa enfadonha.

    Não pensem que, simplesmente porque não somos bons católicos e não temos uma boa e maravilhosa liturgia, o fato de termos um momento livre como este significa que há adoração. Não é necessariamente adoração. Já estive em lugares tão completamente presos às formas quanto uma igreja episcopal em sua pior expressão.

    Sabem, ninguém ousa fazer nada um pouco diferente. Lembro-me de uma ocasião — e nem era um momento de participação livre — em que um dos líderes da igreja decidiu orar antes do hino das crianças, em vez de depois, e quatro professores da escola dominical pediram demissão na mesma hora.

    Absolutamente incrível. Mas essa questão de estar preso às formas é uma tendência entre os seres humanos. Assim que passamos de uma coisa para outra, desenvolvemos nossa própria forma. Às vezes, a nossa forma é a ausência de forma, se vocês entendem o que quero dizer. Mas, ainda assim, não ousamos realmente seguir o Espírito Santo.

    Desenvolvemos nossa própria forma, e nesse tipo de situação se perde a arte da adoração real e genuína, em espírito e em verdade.

    É justamente por isso que quero falar sobre esse assunto. Acho que a oração, o testemunho, o estudo da Bíblia — essas coisas, pelo menos, todos nós consideramos essenciais. Mas, quando se trata de adoração, não a consideramos essencial.

    A adoração é um luxo. A adoração é uma experiência no alto da montanha. É algo que acontece de vez em quando, muito raramente, quando Deus toca o Seu povo; é uma espécie de experiência de luxo. Espiritualmente falando, é uma refeição de Ação de Graças — uma vez por ano, um momento especial.

    Não é isso que encontro na Bíblia. E não apenas no Novo Testamento, mas em todo o Antigo Testamento: Deus procura aqueles que O adorem. O Senhor Jesus resumiu tudo isso ao dizer, em João 4:24:

    Deus é Espírito: e os que O adoram devem adorar em espírito e em verdade.

    O que muitas vezes chamamos de adoração não é adoração. Pode ser uma espécie de sermão — pregarmos uns aos outros sob o pretexto de falar com o Senhor. As indiretas dirigidas aos outros, que aparecem de um jeito ou de outro em nossa suposta adoração, não são realmente adoração, porque uma alma que adora perde de vista o lugar e as pessoas, e só tem consciência do Senhor.

    É a linguagem do amor. É a linguagem de um coração em contato com Deus, que anda com Deus, que vê Deus e expressa algo da infinitude que vemos em Deus: a infinitude da graça, a infinitude do amor, a infinitude da verdade, a infinitude da misericórdia. De um jeito ou de outro, é a linguagem do nosso coração.

    A adoração é fundamental para todo crescimento espiritual, para a saúde espiritual e para a plenitude espiritual.

    Espero mesmo que vocês entendam o que estou dizendo. Estou dizendo que a adoração não é algo a que chegamos depois de crescer; ela é fundamental para o crescimento espiritual. Em outras palavras, se vocês e eu não aprendermos a adorar, mesmo como pequeninos no Senhor, de um jeito ainda de jardim de infância, não vamos crescer. Vamos crescer aqui, na cabeça, e essa é a tragédia da cristandade.

    Há tantos grupos, até mesmo como este, com muitas pessoas que têm tudo aqui, na cabeça. Ao longo dos anos, ouvimos oradores maravilhosos. Tivemos estudos bíblicos maravilhosos. Ouvimos mensagens maravilhosas. Está tudo muito claro aqui, na cabeça.

    Mas, quando se trata da prática, aquilo não está presente. Não sabemos como ministrar uns aos outros. Não sabemos como edificar uns aos outros na prática. Tudo fica no ar. Falamos de edificar uns aos outros, mas não conseguimos fazê-lo. Não sabemos como exercer um dom. Não sabemos como atuar no Corpo de Cristo. Não sabemos como tocar a vida uns dos outros no Senhor.

    Não sabemos adorar. Se ficássemos a sós com o Senhor em um quarto por meia hora, não saberíamos o que fazer.

    “Ah, saberíamos, se você está falando de oração. Claro. Posso começar imediatamente com uma lista inteira de parentes. A bisavó está com artrite no quadril, depois tem a tia Fulana, que está com problemas sérios em casa, e depois tem o vizinho lá da rua, cujo casamento parece estar desmoronando.”

    Podemos passar meia hora com o Senhor quando se trata de oração. Podemos fazer uma lista deste tamanho de coisas sobre nós mesmos e sobre os outros, e começar a falar com o Senhor. Mas ficar a sós com o Senhor por meia hora e simplesmente admirá-Lo — ah, não, isso não conseguiríamos fazer. Morreríamos de tédio. Não saberíamos o que dizer.

    Admirar o Senhor por meia hora, quando há tanto serviço de casa para fazer, quando há tanto a fazer no trabalho, quando há tantas coisas mais práticas a fazer! Ah… admirar o Senhor; adorar.

    A Confissão de Westminster colocou assim: “O fim supremo do homem é adorar a Deus.”

    A adoração e o propósito de Deus

    Quero dizer a vocês que essa questão da adoração é um dos grandes segredos da vida cristã. Estou falando sério. É um dos grandes segredos.

    Vou lhes dizer — e vocês sabem disso — que qualquer psiquiatra lhes dirá que pelo menos um terço dos seus pacientes são cristãos evangélicos. Não é incrível?

    É por isso que, na Suécia, têm tentado aprovar algumas leis no Parlamento para restringir as atividades cristãs. Um importante professor de Uppsala disse na universidade, e isso foi transmitido pela televisão: “Enquanto não nos livrarmos da consciência cristã, nunca conseguiremos viver normalmente”. Não é uma coisa terrível de se dizer?

    Esse é o rumo das coisas que estão por vir. Mas nós, os crentes, muitas vezes temos dado provas, lamentavelmente, de que somos neuróticos — de que estamos continuamente esgotados emocionalmente, de que vivemos com os nervos à flor da pele.

    Conhecemos o Senhor. Sabemos que nascemos de novo. Cremos na Bíblia. Cremos na revelação que recebemos. Cremos nas verdades fundamentais do evangelho. Mas não temos descanso nem paz.

    O segredo é a adoração.

    Bem, vamos começar a dizer algumas coisas e ver até onde chegamos. Primeiro: o propósito de Deus e a adoração.

    Se vocês abrirem em Isaías 43:21, lemos estas palavras maravilhosas:

    O povo que formei para Mim,
    Para que proclamasse o Meu louvor.

    Esse é o propósito do Senhor:

    O povo que formei para Mim,
    Para que proclamasse o Meu louvor.

    O propósito de Deus é ter um povo que realmente expresse o louvor de Deus, que proclame o louvor de Deus.

    Eles não apresentam apenas algo a respeito de si mesmos. Apresentam a pessoa de Deus — algo da beleza de Deus, algo da glória de Deus, algo da infinitude de Deus, algo da graça de Deus, algo do poder de Deus. Proclamam o Seu louvor.

    Esse mesmo capítulo começa assim, em Isaías 43:1-2:

    Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó,
    E Aquele que te formou, ó Israel: Não temas, porque Eu te remi;
    Chamei-te pelo teu nome, tu és Meu.
    Quando passares pelas águas, Eu estarei contigo;
    E pelos rios, eles não te submergirão:
    Quando andares pelo fogo, não te queimarás,
    Nem a chama arderá em ti.

    Então, aqui estão pessoas que foram redimidas, que foram chamadas pelo nome Dele e que pertencem a Ele. Depois, precisam passar por experiências bastante profundas: atravessar rios, atravessar águas, atravessar o fogo, atravessar as chamas. Tudo isso, penso eu, representa algum tipo de provação e experiência profunda, vocês não acham? Não é nada fácil. Não é um passeio.

    Então Ele diz, em Isaías 43:19-21:

    Eis que farei uma coisa nova; agora brotará; não a percebeis?
    Farei até um caminho no deserto, e rios na terra árida.
    Os animais do campo Me honrarão, os chacais e as avestruzes;
    Porque dou águas no deserto, e rios na terra árida,
    Para dar de beber ao Meu povo, ao Meu escolhido,
    O povo que formei para Mim,
    Para que proclamasse o Meu louvor.

    Bem, esse é o ponto supremo da adoração. Deus quer que sejamos um povo que adora, proclamando o louvor do Senhor.

    A adoração como testemunho

    É perfeitamente verdade que, quando damos testemunho do Senhor, nós O apresentamos. Mas vocês não acham que, às vezes, damos ao mundo ao nosso redor a impressão de que somos vendedores?

    Esse não é um dos aspectos um tanto infelizes da evangelização: damos a impressão de que temos algo para vender e estamos tentando convencer as pessoas, tentando levá-las, por assim dizer, a comprar aquilo — a se decidir, a aceitar?

    Não sou contra a evangelização. Aqueles de vocês que estiveram conosco na conferência sabem que falei duas ou três coisas sobre crescimento e multiplicação, e sobre a necessidade disso. Mas o fato é que, ao testemunhar, às vezes damos a impressão, mesmo quando é o melhor tipo de testemunho, de que estamos vendendo alguma coisa, de que estamos anunciando alguma coisa para levar as pessoas a recebê-la ou aceitá-la.

    Quando um povo adora o Senhor, Ele é apresentado. Eles se esquecem do mundo. Esquecem-se dos não salvos, mesmo daqueles que estão no meio deles, e adoram o Senhor. A pessoa que está entre eles, diz em 1 Coríntios 14:25, se prostrará e adorará, dizendo:

    Deus está aqui.

    Ela vê um povo que não está entediado, nem apático, nem simplesmente esperando, como quem segue uma linha partidária, mas um povo inteiramente absorvido no Senhor — adorando de fato o Senhor, saindo de si mesmo porque está vendo o Senhor. Eles estão compreendendo o Senhor e, por assim dizer, proclamando o louvor do Senhor.

    Algo acontece com as pessoas quando veem isso. Ou rejeitam e dizem: “Que bobagem”, ou encontram o Senhor, porque sabem que aquilo não é dirigido a elas. Não estão sendo encurraladas por nós, com todos dizendo algo como: “Sabes, eu Te agradeço, Senhor, porque há dez anos Te encontrei, quando eu era um bêbado” — indireta, indireta, indireta.

    Vocês sabem como é. Dizemos coisas na esperança de que alguém que esteja conosco e que não seja salvo preste atenção e seja salvo. Mas, quando realmente adoramos o Senhor, esquecemos inteiramente os não salvos e simplesmente nos voltamos para o Senhor. Então algo acontece no coração de quem não é salvo.

    Eles dizem: “O que há com essas pessoas? Ou são loucas, ou estão tendo alucinações, ou tomaram alguma droga espiritual, ou algo real aconteceu com elas. Quem é esse Deus com Quem todos estão falando? Onde Ele está? Olhem para o rosto delas. Estão completamente arrebatadas. De alguma maneira, esqueceram de si mesmas. O que é isso?”

    Em Efésios 1, aparece três vezes uma pequena expressão que tenho certeza de que a maioria de vocês conhece. Em Efésios 1:6:

    Para louvor da glória da Sua graça,
    Que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado.

    Ou em Efésios 1:12:

    A fim de que fôssemos para louvor da Sua glória,
    Nós, os que antes havíamos esperado em Cristo.

    Ou, novamente, em Efésios 1:14:

    Para a redenção da propriedade de Deus,
    Para louvor da Sua glória.

    A fim de que sejamos para louvor da Sua glória. Ah, precisamos esperar até chegar lá? Não há nenhuma maneira pela qual nós, como povo de Deus, possamos ser para louvor da Sua glória agora, ainda que de maneira pobre, pequena, relativamente falando? Não há alguma maneira pela qual as hostes invisíveis ao nosso redor — os principados e potestades caídos, assim como os anjos que permaneceram fiéis a Deus — possam ver em nós o louvor da glória de Deus?

    E Salmos 40:1-3? Tenho certeza de que vocês também conhecem muito bem.

    Esperei com paciência pelo Senhor;
    E Ele Se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
    Tirou-me também de um poço horrível,
    Do lodo de lama;
    E pôs os meus pés sobre uma rocha,
    E firmou os meus passos.
    E pôs um cântico novo na minha boca, um hino de louvor ao nosso Deus:
    Muitos o verão, e temerão,
    E confiarão no Senhor.

    Essa é uma maneira de evangelizar, vocês não acham? Ah, se pudéssemos romper todas as amarras, todas as formas, todas as restrições, todos os medos que estão em nosso coração — medo uns dos outros; medo de, de algum modo, estar fora do Espírito, ou fazer a coisa errada, ou deixar a carne agir, ou de a emoção tomar conta, ou qualquer outra coisa que nos amedronte.

    Não estou pedindo que as pessoas rolem pelo chão ou, como costumo dizer, se pendurem nas luminárias — isso daria trabalho neste lugar. Mas as pessoas dizem: “Ah, o que ele quer? Que todos fiquem emotivos? Que chorem? Que derramem lágrimas?” Não, não, de jeito nenhum. Só quero que vocês sejam pessoas apaixonadas por Deus, só isso, e que expressem esse amor.

    Tenho certeza de que o Senhor deve morrer de tédio, às vezes, com a maneira como O tratamos. Sabem, a mesma coisa de sempre, toda semana. Ele diz: “Ah, quem dera Fulano pudesse mudar um pouco a música”. Só um pouquinho de amor.

    Deus é amor. Se Ele pudesse ouvir uma pessoa romper toda aquela conversa, todo esse tipo de jargão, e dizer: “Eu Te amo, Senhor”, tenho certeza de que Deus quase dançaria. “Vocês ouviram? Vocês ouviram? Ele é salvo há quarenta anos e acabou de Me dizer que Me ama. Não o ouço dizer que Me ama desde que foi salvo, há quarenta anos.”

    “Tudo o que ele Me oferece o tempo inteiro é um monte de jargão — linguagem de Canaã. E agora ele conseguiu romper isso. Acabou de dizer aquelas palavras mágicas. Disse: ‘Eu Te amo, Senhor. Eu Te amo’.”

    Isso significa tanto para Deus. Vocês não entendem? Deus é amor.

    Deus não quer sentimentalismo, mas quer realidade. Quer pessoas apaixonadas por Ele, que rompam todas essas fórmulas de palavras que parecem tão espirituais, mas que, na verdade, são uma fachada. Finalmente somos verdadeiros com Deus: “Eu Te amo, Senhor. Eu Te adoro, Senhor”.

    Como é maravilhoso o que está escrito em Salmos 40:3:

    E pôs um cântico novo na minha boca, um hino de louvor ao nosso Deus:
    Muitos o verão, e temerão,
    E confiarão no Senhor.

    Não há dúvida: quando um homem ou uma mulher se torna um adorador, algo acontece em sua vida. No escritório, as pessoas começam a notar algo completamente diferente. Talvez essa pessoa seja salva há vinte anos, e todos no escritório morram de medo dela.

    Ela parece ser um modelo de virtude. Abre as janelas quando acha que elas devem estar abertas e fecha as janelas quando acha que elas devem estar fechadas. Ai de quem fumar um cigarro; vai receber um folheto sobre câncer de pulmão. Ai de quem beber um pouco de vinho; provavelmente vai receber um longo sermão sobre:

    A bebida forte é escarnecedora.

    É assim que muitas vezes somos conhecidos. Somos conhecidos por aquilo com que não concordamos e pelas coisas que não devemos fazer. Então dizem: “Ah, Fulano vai à igreja pelo menos duas vezes no domingo”.

    Mas, quando um homem ou uma mulher se torna um adorador, é como se uma plenitude fosse liberada em sua vida, como se alguma realidade entrasse em sua vida, como se, de alguma maneira, o amor o tocasse, lhe desse um novo brilho e o tornasse humano outra vez. De repente, as pessoas dizem: “O que aconteceu com Fulano?”

    Muitos o verão, e temerão,
    E confiarão no Senhor.

    Ah, o que o Senhor faz nessa questão! É o Seu propósito. Essa questão da adoração é o Seu propósito.

    A veste de louvor

    Agora vejam novamente Isaías 61:1-3. Ouçam esta pequena palavra maravilhosa. A primeira parte, naturalmente, diz respeito ao nosso Senhor Jesus, o Messias.

    O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim;
    Porque o Senhor Me ungiu para pregar boas-novas aos mansos;
    Enviou-Me para curar os quebrantados de coração,
    Para proclamar liberdade aos cativos,
    E a abertura da prisão aos presos;
    Para proclamar o ano do favor do Senhor,
    E o dia da vingança do nosso Deus;
    Para consolar todos os que choram;
    Para conceder aos que choram em Sião,
    Uma grinalda em vez de cinzas,
    O óleo de alegria em vez de pranto,
    A veste de louvor em vez do espírito de abatimento;
    Para que sejam chamados árvores de justiça,
    Plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado.

    Uma veste de louvor em vez do espírito de abatimento. Não conseguimos evitar um espírito de abatimento; como crentes, temos muita coisa contra nós. Não, não somos como o mundo. Demos meia-volta e agora temos toda a correnteza, todo o fluxo do mundo, contra nós.

    O inimigo está o tempo inteiro tentando nos fazer tropeçar. Não são as coisas grandes, não é? São as pequenas. De repente, uma caixa-d’água no sótão começa a vazar, e a casa inteira fica inundada. De certo modo, não é necessariamente uma coisa grande, mas é o suficiente para nos deixar malucos por pelo menos meio ano.

    Depois o cortador de grama quebra, ou alguma coisa pega fogo no fogão, ou as crianças pegam um resfriado desgastante atrás do outro, e outro, e outro, e acabamos com um espírito de abatimento.

    Mas a obra do nosso Senhor é dar, em lugar do espírito de abatimento, a veste de louvor. Será que buscamos isso Nele? Ou dizemos: “Ah, esse espírito de abatimento — temos de aceitá-lo. É o caminho da cruz”?

    Mais parece o caminho da codorniz! Todos os que vão entrar no reino entrarão por muitas tribulações. É perfeitamente verdade: entramos no reino por muitas tribulações. Não há dúvida quanto a isso.

    Mas o maravilhoso é que Deus pode ser o auxílio que ilumina o seu rosto. Ele pode dar a você uma veste de louvor em lugar do espírito de abatimento. Então, por que se entregar ao espírito de abatimento? Por que simplesmente deixar o inimigo impô-lo a você permanentemente?

    Por que não dizer: “Senhor, a Tua obra no Calvário é me dar uma veste de louvor em lugar do espírito de abatimento”?

    Agora ouçam Isaías 61:10:

    Regozijar-me-ei muito no Senhor,
    A minha alma se alegrará no meu Deus;
    Porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    Cobriu-me com o manto da justiça,
    Como o noivo que se adorna com uma grinalda,
    E como a noiva que se enfeita com as suas joias.

    Não em si mesmo — esse é o problema da maioria de nós. Vou chegar a isso daqui a pouco. Pensamos que louvar é nos alegrarmos em nós mesmos: “Ah, estou me sentindo maravilhoso nesta manhã, Senhor. Absolutamente maravilhoso, Senhor. Estou me sentindo tão bem. Estou me sentindo saudável, pleno, poderoso e tudo o mais, Senhor”.

    Não estamos nos alegrando no Senhor; estamos nos alegrando em nós mesmos. Ouçam Isaías 61:10:

    Regozijar-me-ei muito no Senhor,
    A minha alma se alegrará no meu Deus;
    Porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    Cobriu-me com o manto da justiça.

    Você não pode conhecer a veste de louvor sem antes vestir a veste da salvação. Mas, depois de vestir a veste da salvação — o manto da justiça Dele —, você pode acrescentar a veste exterior de louvor.

    Por que a maioria de nós tem dificuldade para louvar o Senhor? Porque somos acusados pelo inimigo ou pela nossa própria consciência. O inimigo vem e diz: “Você perdeu a paciência? Não estava irritado uma hora atrás? Você não pode louvar o Senhor nessa reunião, seu hipócrita”.

    Então, sabem o que o diabo faz? Especialmente com os homens, ele tem uma caixa inteira de pensamentos imundos e os injeta na mente de alguém bem no momento certo. Depois vem, alguns minutos mais tarde, e diz: “Esse pensamento imundo na sua mente — você não acha que pode louvar o Senhor neste lugar, acha?”

    E você diz: “Ah, devo ser a única pessoa neste lugar pensando uma coisa dessas”. Aquilo nem sequer veio de você; veio do inimigo. Mas não sabemos o que fazer. Não estamos atentos às artimanhas do inimigo. O resultado é que ficamos ali sentados, numa espécie de abatimento sombrio.

    Regozijar-me-ei muito no Senhor,
    A minha alma se alegrará no meu Deus;
    Porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    Cobriu-me com o manto da justiça.

    Como isso é maravilhoso!

    Todos vocês precisam fazer isso. Toda vez que vierem para um momento como este, a primeira coisa a fazer não é simplesmente ficar circulando e conversando. Vão para o seu lugar. Sentem-se em silêncio por alguns minutos e digam: “Senhor, estou vestido com a veste da salvação. Estou revestido da justiça do Teu Filho. Agora, pela fé, visto a veste de louvor”.

    Caso contrário, vocês verão o inimigo agindo tão poderosamente entre vocês que sempre, pelo menos oitenta por cento de vocês ficarão em silêncio — a grande maioria muda.

    Você diz: “Bem, não quero ser uma daquelas pessoas que vivem abrindo a boca e dizendo um monte de coisas”. Você acabou de revelar algo sobre isso: “Não quero ser uma daquelas pessoas”. Essa é outra maneira pela qual o inimigo nos pega.

    Você ouve Fulano — alguém com quem não nos damos muito bem — e o escuta louvando o Senhor sem parar. Claro que não dizemos isso em voz alta, mas é o que pensamos por dentro: “Vento. Só vento, e lá vem o falastrão de novo. Se Deus pudesse fazer algo mais profundo nele, ele ficaria calado”.

    “Mas Deus está fazendo algo em mim. É por isso que não abro a boca. Deus está fazendo algo em mim.” Quero dizer, somos todos iguais, não é? Vamos encarar a realidade. Ficamos ali sentados, com aqueles belos semblantes piedosos, mas o que de fato acontece por dentro é muito diferente da aparência exterior.

    Você fica ali sentado, com uma maravilhosa sensação de justiça — justiça própria —, dizendo: “Bem, graças a Deus, creio que Ele está fazendo algo em mim. É por isso que acredito que a adoração é mais profunda do que palavras”.

    Mas, se Deus está realmente fazendo algo por dentro, isso vai se manifestar. Haverá momentos em que você não conseguirá dizer uma palavra. Mas, no fim, aquilo vai se manifestar, e não será em grandes, longas e enormes paráfrases das Escrituras. Será em poucas palavras de amor, simples e diretas.

    A dignidade de Deus para receber adoração

    O propósito de Deus. Bem, há também outra coisa. Por que devemos adorar? É uma boa pergunta, não é?

    Em primeiro lugar, Deus é absolutamente digno da nossa adoração. Salmos 145:3:

    Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado;
    E a Sua grandeza é insondável.

    Não é uma palavra maravilhosa, quando vocês param para pensar? Todos nós conhecemos essas palavras. Muitas vezes cantamos o que diz Salmos 48:1:

    Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado,
    Na cidade do nosso Deus.

    E assim por diante. Mas nem sempre pensamos no que estamos cantando ou lendo.

    Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado;
    E a Sua grandeza é insondável.

    Não vou me alongar mais, senão veremos que o tempo acabou outra vez. Mas acho que isso basta para dizer uma coisa: por que devemos adorar? Porque Deus é absolutamente digno da nossa adoração. É por isso.

    Qualquer pessoa que realmente conheça o Senhor sabe que Ele é digno da nossa adoração. Então, esse é o primeiro ponto.

    A humanidade criada para adorar

    Aqui está o segundo ponto: Deus não apenas é absolutamente digno da nossa adoração, mas nós fomos originalmente criados para adorá-Lo.

    Foi assim que o Senhor Jesus respondeu ao diabo quando o diabo disse: “Prostra-Te diante de mim uma única vez, e eu Te darei todas essas coisas”. O Senhor lhe disse, em Mateus 4:10:

    Vai-te, Satanás: porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e somente a Ele servirás.

    Todo ser humano precisa adorar alguma coisa. Agora, por alguns momentos, vamos pensar nesse assunto, porque ele chega ao cerne de toda a questão.

    O ser humano foi feito espírito, alma e corpo. Mesmo em seu estado caído, continua sendo espírito, alma e corpo. Ele foi criado, se posso usar a linguagem da escola dominical, com um espaço vazio em seu ser que tem a forma de Deus.

    Em outras palavras, foi feito para Deus. O fato supremo a respeito do ser humano é que ele não foi feito para a terra. Os seres humanos não foram feitos uns para os outros. Não foram feitos apenas para uma espécie de comunhão horizontal, como se depois Deus tivesse pensado em algo mais elevado. O ser humano foi originalmente feito para Deus.

    Fomos feitos para adorar. Portanto, todo ser humano precisa se prostrar diante de alguma coisa. Muitos se prostram diante de si mesmos. Adoram a si mesmos todos os dias. Entram no santuário do eu, olham para si mesmos, inclinam-se profundamente e dizem: “Você é digno”.

    Ah, vocês sorriem, mas isso é absolutamente verdade. O mundo inteiro é composto de pessoas que adoram a si mesmas.

    Outros adoram amigos — o marido, a esposa, a família. Às vezes, adoramos um conceito. Às vezes, uma filosofia, uma ideologia. Pode ser o marxismo; pode ser outra coisa. Mas é uma ideologia que adoramos. Todo ser humano precisa adorar. Até mesmo os ateus adoram.

    Fizeram do homem um deus e se prostram diante do santuário do homem, dizendo: “Reconheço que você é digno”.

    Esse é um ponto interessante, porque significa que, se vocês e eu fomos salvos, ainda temos esse instinto dentro de nós: precisamos adorar. Se não estamos adorando o Senhor, estamos adorando alguma coisa. É disso que se trata a idolatria.

    É por isso que o Novo Testamento diz repetidamente:

    Idolatria, que é cobiça.

    Em outras palavras, há alguma coisa — uma amizade, um relacionamento, às vezes até uma amizade legítima, um relacionamento legítimo — que tomou o lugar de Deus e se tornou um ídolo em nosso coração.

    Às vezes, é a cobiça. Assimilamos o espírito do mundo e queremos tanto determinada coisa. Queremos aquilo mais do que qualquer outra coisa no mundo inteiro. Ficaremos até surdos para Deus se acharmos que não podemos consegui-lo. Se acharmos que o Senhor nos negaria aquilo, simplesmente fingiremos que não O ouvimos. Não conseguimos confiar Nele. Não conseguimos prosseguir com Ele dessa maneira.

    Fomos feitos para adorar. Por que devemos adorar? Porque não pode haver paz, realização, alegria ou satisfação sem adoração. Experimentem. Talvez vocês já saibam disso.

    Adoração, paz e realização

    Viajo por toda parte e estou sempre encontrando cristãos com trinta anos no Senhor, vinte anos no Senhor, dez anos no Senhor, que perderam toda a alegria, toda a paz e toda a satisfação. Eles dizem: “Não sei… Se eu pudesse ser sincero com você por alguns minutos, simplesmente perdi tudo. Às vezes, me pergunto para que fui salvo. Não tenho coragem de contar isso a ninguém, mas é o que sinto no coração”.

    Sempre faço uma ou duas perguntas. A primeira pergunta que sempre faço é: “Você costuma adorar?” “Ah, claro.” Mas o que você quer dizer com “claro”? “Bem, eu tenho meu momento devocional.”

    Não, eu não estava perguntando se você tem um momento devocional. Seu momento devocional pode ser quinze minutos de pedidos. Isso não é adoração. Quero saber se há algum momento em sua vida em que você não faz nada além de se inclinar diante do Senhor, gloriar-se Nele e exultar Nele, recusando-se a transformar uma única expressão de louvor em um pedido.

    Seria quase um sacrilégio sugerir isto, mas vou sugerir. Quero fazer essa observação antes, para que ninguém fique ofendido.

    Talvez fosse uma boa ideia, de vez em quando, entre nós, pedir a um irmão em quem todos confiamos absoluta e completamente que nos avisasse se estamos transformando nosso louvor em pedidos. Muitas vezes não percebemos isso.

    Começamos dizendo: “Senhor, nós Te agradecemos por Quem Tu és. Agradecemos porque nos salvaste. Agradecemos, Senhor, porque estamos aqui. Agora, Senhor, por favor, faz isto, isto e isto em nós”. Então, de repente, sentimos um pequeno alerta e voltamos: “Bem, Senhor, nós realmente Te agradecemos”.

    Mas, vejam, não conseguimos evitar. Não conseguimos louvar o Senhor por alguns momentos sem dizer: “Faz isto, isto e isto, Senhor”. Não conseguimos evitar. Muitas vezes, nem percebemos. Não somos adoradores; somos pessoas que só querem receber.

    Não há nada de errado em receber. O Senhor diz, em Tiago 4:2:

    Nada tendes, porque não pedis.

    Mas o fato permanece: quase ninguém, nem mesmo aqueles grandes santos mais experientes, consegue realmente adorar o Senhor de maneira contínua. Precisam transformar a adoração em pedidos.

    Algumas pessoas até acham que é bastante egoísta adorar o Senhor. Sabem, a menos que comecemos a orar pelo mundo ao nosso redor, acham que está tudo errado. Concordo plenamente que há muitos grupos que são apenas pequenos grupos abençoados. Simplesmente não se importam com o mundo que perece ao redor deles. Não se importam com a nação em que vivem. Não se importam com a intercessão, com a batalha em oração ou com alcançar homens e mulheres para levá-los ao Senhor. Tudo o que querem é uma espécie de fuga da realidade.

    Bem, entendo isso. Mas permanece o fato de que, quando um homem ou uma mulher salvo pela graça de Deus começa a adorar o Senhor pela primeira vez como cristão adulto, passa a conhecer a paz.

    Pela primeira vez, surge uma alegria que você nem sabe de onde veio. No meio das circunstâncias mais infelizes, algo brota dentro de você. É a alegria do Senhor, que se torna a sua força.

    Você encontra uma satisfação incrível no mais profundo, no mais profundo do seu ser, como se tivesse tocado o sentido da sua existência — o sentido da sua criação. E tocou mesmo.

    Quando um homem ou uma mulher se inclina e realmente adora o Senhor, esquecendo-se de si mesmo, pela primeira vez toca de fato o cerne da questão. Naquele momento, conhece a satisfação. De repente, é como se tocássemos aquilo a que pertencemos.

    Sei como foi a primeira vez — preciso ter cuidado; talvez eu não volte a esse assunto —, mas lembro-me da primeira vez. Fui criado na Grã-Bretanha. Fui criado entre os britânicos. Nunca conheci minhas origens familiares por causa do mistério que as envolvia e da maneira como minha irmã e eu fomos escondidos.

    Eu costumava achar os britânicos um povo extraordinário. Gostava muito daquele jeito fleumático, imperturbável, mas às vezes os achava muito engraçados. Tinha vontade de correr para o meu quarto e dar gargalhadas.

    Lembro-me da primeira vez em que fui a Israel, sentei-me na praia de Tel Aviv, olhei para todas aquelas pessoas, algumas das quais eu não gostava, e me senti completamente em casa. Foi a primeira vez em que toquei as raízes do meu próprio ser. Isso é algo físico.

    Junto com isso vieram uma paz, uma alegria e uma realização que eu nunca havia conhecido. Pois é exatamente isso que acontece no nível espiritual, na dimensão espiritual, quando um homem ou uma mulher salvo por Deus começa a adorar.

    De repente, toca alguma coisa e sente: “Ah…” Toca alguma coisa e sente uma libertação interior imediata, como se estivesse fazendo aquilo para o que foi feito e estivesse no meio, na atmosfera em que deveria estar — como se, pela primeira vez, estivesse realmente vivendo, e não apenas existindo.

    Ah, vocês vivem numa sociedade tão apressada; eu também. Não sei para onde vão os anos. Não sei para onde vão os anos.

    Lembro-me de quando era um menino de seis anos. Eu pensava: “Quando vai chegar meu próximo aniversário?” Tínhamos acabado de apagar as seis velinhas do bolo, e aquele ano inteiro parecia um milênio sem fim. Eu perguntava muitas vezes: “Já está chegando meu aniversário?” Minha mãe dizia: “Não, claro que não. Você acabou de fazer aniversário”.

    Então o tempo passava, passava, passava, até que finalmente chegava meu sétimo aniversário. Depois vinha outro ano inteiro, e então chegava meu oitavo aniversário. Hoje não é assim. Acreditem, hoje não é assim.

    Eu tinha acabado de me sentar para a ceia de Natal de 1978 e então — pronto! — já estamos em 1979. Para onde foi o tempo? Não sei para onde foi. Vivemos tão apressados.

    Vocês aqui, deste lado do oceano — nos Estados Unidos e no Canadá —, vivem o que é, na prática, uma maravilhosa história de sucesso. Essa obsessão pelo sucesso se enraizou na mentalidade norte-americana, a tal ponto que tudo é tensão, pressa, ocupação, seguir em frente, em frente, em frente — sempre em frente.

    É maravilhosa a maneira como vocês realizam as coisas. Nós levamos anos para fazer o que vocês fazem em semanas. Mas é uma obsessão pelo sucesso, e ela entra no povo do Senhor. Vocês têm toda essa tensão e esse desgaste interior para realizar as coisas, seguir em frente, em frente, em frente. Ninguém jamais para para adorar. Não há tempo para adorar.

    “Você não quer que todos nós nos tornemos Marias místicas, quer? Somos todos Martas. Fazemos as coisas acontecerem. Não podemos ficar sentados aos pés do Senhor.”

    “Você não quer que sejamos esse tipo de místico que fica ali sentado, de olhar perdido, meditando, quer?” Não, não quero que vocês pratiquem meditação transcendental. Mas deixem-me dizer uma coisa: a meditação é uma necessidade muito real na vida do crente.

    Ah, se pudéssemos refletir sobre o Senhor, se meditássemos no Senhor, se assimilássemos a Palavra de Deus!

    Todo crescimento espiritual, toda vida, toda plenitude e todo poder estão relacionados à adoração. Tudo o que estou dizendo é isto: experimentem. Vejam por vocês mesmos. Vocês podem perceber isso, por si mesmos, pelo lado negativo.

    Muitos de vocês estão no Senhor há vários anos, mas não têm alegria. Não têm paz. Não têm um senso de satisfação. Não têm um senso de realização. Sabem que são cristãos. Sabem que nasceram de novo. Mas não há um centro maravilhoso e profundo de paz na vida de vocês.

    A adoração é a chave. Quando vocês começam a aprender a adorar o Senhor, algo começa a acontecer.

    Considerações finais e oração

    Bem, acho que vou parar por aqui. Imagino que nosso tempo já tenha acabado há um bom tempo. Vou parar por aqui e talvez continue, trazendo coisas muito mais práticas.

    Não ficarei chateado se vocês não vierem nesta noite. Isso realmente não me incomoda. Prefiro muito mais que venham se Deus realmente tiver algo para vocês e realmente quiser lhes falar e fazer alguma coisa.

    Mas, se o Senhor conduzir, continuarei e direi coisas muito mais práticas sobre essa questão da adoração. Como adoramos? Quando devemos adorar? Qual é a verdadeira chave para isso? Vamos ver se o Senhor nos ensina mais algumas coisas.

    Vamos orar?

    Senhor, a Tua Palavra diz, em Filipenses 3:3:

    Nós somos a circuncisão,
    Os que adoramos pelo Espírito de Deus.

    Querido Senhor, perdoa-nos, porque muitos de nós não sabemos o que é adorar.

    Senhor, o que chamamos de adoração é apenas um agradecimento. Não sabemos o que é, Senhor, realmente apreciar-Te, realmente expressar o nosso apreço por Ti — não pelo que fizeste, Senhor, mas por Quem Tu és.

    Ó Senhor, pedimos que, em Teu grande amor e misericórdia, Tu realmente nos conduzas a ser verdadeiros adoradores — adoradores em espírito e em verdade. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.