Aos presbíteros, pois, que há entre vós, exorto eu, que também sou presbítero e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e também participante da glória que há de ser revelada:
Pastoreai o rebanho de Deus que está entre vós, exercendo a supervisão, não por constrangimento, mas voluntariamente, segundo Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade;
Nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas tornando-vos exemplos para o rebanho.
E, quando o Supremo Pastor Se manifestar, recebereis a coroa da glória que não se desvanece.—1 Pedro 5:1-4
São três coisas simples, porque sei que não tenho muito a acrescentar. Mas são três coisas.
Irmãos, fomos chamados para o chamado mais elevado. Vocês conseguem imaginar? O Senhor da glória colocando Sua igreja, Suas ovelhas, Seu rebanho sob os nossos cuidados? Conseguem imaginar? Certamente, não posso aconselhar o Senhor, mas fico pensando se essa foi uma decisão sábia. Conseguem imaginar? Este é o chamado mais elevado para a vida de vocês.
Ao saírem deste lugar, quero que estas palavras de Pedro estejam escritas no coração de vocês:
Aos presbíteros que há entre vós, exorto.
Deixem que o Espírito Santo escreva isso no coração de vocês.
Não há chamado mais elevado do que este. O Senhor confiou a vocês uma responsabilidade tão grande. Esse era o propósito supremo do Pai para Seu Filho. Se vocês conseguem imaginar tamanha responsabilidade, ela deve pesar sobre o coração de vocês, e vocês devem estar sempre olhando para o grande Pastor das ovelhas.
Não há chamado mais elevado. Vocês conhecem aquela canção que cantamos: “Não há honra maior do que receber esta tremenda responsabilidade”. Não consigo pensar em nada maior.
Este é o objetivo final do que Deus busca: Sua igreja, que seria o corpo de Seu próprio Filho, que seria a noiva de Cristo por toda a eternidade. Vocês conseguem imaginar um chamado mais elevado, uma responsabilidade maior? É a isso que Pedro nos exorta ao final.
Mas há outra coisa, uma segunda coisa, que quero deixar com vocês — uma impressão. Pensem em quem está fazendo essa exortação. É Pedro.
Poderia haver alguém menos perfeito para esse chamado tão elevado? Eu digo que esse é o chamado impossível. Você não consegue cumprir esse chamado. Eu não consigo cumprir esse chamado. Stephen não consegue cumprir esse chamado, se ele me perdoar por dizer isso. Dana não consegue cumprir esse chamado. Dale não consegue cumprir esse chamado.
Deus escolhe Pedro para nos mostrar que Ele pode fazer o impossível por meio do menos perfeito.
Vocês conhecem aquela cena. Nós a lemos em João 21, quando eles passaram a noite inteira pescando e não pegaram nada. Vocês se lembram: lemos no livro Pastoreio toda a explicação disso dada por meu irmão Stephen.
Vocês se lembram do relato de João? Eles passam a noite inteira no mar, e o Senhor está na praia. Ele diz: “Pegaram alguma coisa?”. Vocês se lembram? Eles disseram: “Não pegamos nada”. Esses homens eram pescadores profissionais.
Agora, se eu estivesse lá, não teria conseguido nem uma fisgada, nem uma beliscada na isca. Mas esses homens conheciam o mar da Galileia como a palma da mão — e não pegaram nada.
Então Ele diz: “Lancem a rede do outro lado”, e vem uma quantidade de peixes que vocês nem conseguem imaginar: 153 peixes. A rede quase se rompeu. Então João disse:
É o Senhor.
Pedro — é o Senhor.
Agora, se eu tivesse escrito essa história, teria feito João mergulhar no mar e nadar até o Senhor, porque acho que João seria um candidato melhor. Sabem, não consigo pensar em tanta coisa errada em João. Ele é o discípulo a quem o Senhor amava. Ele reclina a cabeça sobre o peito dEle. O Senhor lhe fala ao ouvido.
Talvez ele tivesse algum problema com o temperamento. Não sei o que significa “os filhos do trovão”. Mas suspeito que tenha sido a mãe dele quem queria aquele lugar para Tiago e João. Ele parece quase perfeito. Por que o Senhor não colocou João nessa posição? Mas Ele chamou Pedro.
Pedro nadou até a praia, e aquelas palavras foram:
Amas-Me mais do que estes?
E ele — aquele que havia negado, aquele que havia blasfemado — devia ter tudo muito vivo em sua memória: aquela fogueira, aquele pequeno pátio e aquela mulher que disse: “Você é um deles. Você é um deles”. “Não, eu não sou um deles.”
O galo começou a cantar. E aquele que havia dito: “Os outros podem Te abandonar, mas eu morrerei por Ti” — esse chegou ao ponto de amaldiçoar o Senhor. Vocês conseguem imaginar?
Imagino que o Senhor estivesse sondando seu coração e dizendo:
Amas-Me?
O coração dele devia estar afundando. Ele devia estar dizendo: “É impossível. Senhor, Tu sabes”.
Quase dá para perceber a agonia. Você lê as palavras: “Senhor, Tu sabes. Tu sabes todas as coisas. Tu sabes que, no máximo, posso dizer: ‘Sinto-me atraído por Ti’”.
Apascenta os Meus cordeiros.
Amas-Me?
“Senhor, Tu sabes.”
“Não Te lembras, Senhor? Eu disse que nunca Te abandonaria. João pelo menos estava junto à cruz. Como pode ser?”
“Tu sabes todas as coisas. Sinto-me atraído por Ti.”
Pastoreia as Minhas ovelhas.
“Pedro, você se sente atraído por Mim?”
“Senhor, Tu sabes todas as coisas. Por que continuas me perguntando? Sinto-me atraído por Ti.”
Irmãos e irmãs, creio que isso é a misericórdia de Deus. Isso nos mostra que Ele pode tomar aquele que fracassou da maneira mais grave e que mais fracassou e, ainda assim, chamá-lo para esse chamado impossível.
Não sei como tem sido a experiência de vocês na igreja. Tenho ouvido a agonia das orações aqui. Nunca me esquecerei da agonia da oração de Bobby neste fim de semana.
Mas creio que o Senhor está dizendo: “Eu chamei vocês. Eu escolhi vocês. E farei o impossível por meio de vocês”.
Esse é o segundo ponto.
Tudo isso é porque fomos chamados segundo o propósito do Senhor — como diz a Palavra de Deus e como Stephen disse. Que propósito! E esse propósito é que aqueles a quem Ele conheceu de antemão, Ele predestinou para serem conformados à imagem de Seu Filho.
Isso me leva ao meu terceiro ponto.
Pedro era um candidato tão improvável. Mas o Senhor lhe disse algo. Ele vinha tratando com Pedro por meio da cruz ao longo de todo o caminho. Então disse: “Pedro, aqui está o segredo”.
“Quando você era jovem, ia para onde queria. Mas agora que é mais velho” — isso é tudo o que Ele lhe diz — “você estenderá as mãos, e outro o conduzirá”.
Irmãos e irmãs, tudo o que o Senhor nos pede hoje é que estendamos as mãos Àquele que pode fazer o impossível, que nos chamou para esse chamado tão elevado.
Vocês se lembram das palavras que Dana compartilhou em 1 Crônicas 29 a respeito de Davi? Qual era a palavra que aparecia repetidamente, tanto em relação a Davi quanto ao povo? Eles se ofereceram voluntariamente.
É só isso que o Senhor procura em você e em mim. Na verdade, quando lemos 1 Pedro 5:1-4, Ele diz:
Pastoreai o rebanho de Deus voluntariamente.
Esta terceira coisa é tudo o que Ele procura: uma resposta. Ele fará o restante. Você se humilha. Confessa que não consegue fazer isso. Confessa, como Pedro, que não tem o que é preciso. Mas Ele é capaz de fazer o impossível, e escolheu fazer o impossível por meio de nós.
Lembro-me de que, há quarenta e cinco anos, eu estava bem ali — John, exatamente onde você está.
Fiz duas coisas. Casei-me com minha esposa aqui, em uma conferência, em 1974. A culpa é toda do Stephen.
Fui procurar o irmão Kong. Eu já havia pedido Linda em casamento, e disse ao irmão Stephen, depois de uma conferência de jovens: “Bem, irmão, você acha que devemos nos casar?”. Não sei o que Linda teria feito comigo se ele tivesse dito que não.
Mas ele disse: “Sim. Casem-se na conferência, daqui a seis semanas, porque, no fim das contas, a conferência trata de um casamento”. E eu estava ali.
Mas houve outra coisa. Foi ainda maior.
No livro que vocês têm lido sobre liderança espiritual, as duas primeiras mensagens são daquela conferência de 1974, com Lance e o irmão Stephen — aquela em que me casei.
E, naquela conferência, foi feito um chamado à liderança espiritual.
Há quarenta e cinco anos, eu estava ali, casei-me com Linda e aceitei o chamado.
Lembro-me de que o irmão Stephen disse na cerimônia de casamento: “Vamos dar cinco anos. Vamos ver como estarão daqui a cinco anos, e então saberemos”.
Já se passaram nove vezes cinco anos.
E isto eu sei: há um chamado sobre a nossa vida ao sairmos deste lugar. É o chamado mais importante. É o chamado mais elevado. É um chamado impossível. E Ele está à procura de uma única resposta.
Você estende as mãos. Diz: “Senhor, eu me entrego sem reservas a Ti para esse elevado chamado”. E então você confessa. Se tudo o que consegue dizer é: “Estou disposto”, isso será suficiente. Ele fará o restante. De qualquer maneira, você não consegue fazer isso.
Quero pedir que vocês façam algo incomum. Nunca fiz isso antes. Todos os que querem responder a esse chamado, fiquem de pé.
Elevem o coração neste momento e digam ao Senhor: “Senhor, estou disposto. Eu me ofereço voluntariamente”.
Em espírito, estendam os braços e digam: “Senhor, faz o impossível. Tua igreja é a Tua possessão mais preciosa. Tu a confiaste a nós. Faz a obra que não podemos fazer. Mas nós nos oferecemos a Ti”.
Vamos fazer isso por alguns instantes.
Senhor, sou grato porque Tu nos reuniste nestes últimos dias para ouvirmos a respeito do Teu grande propósito, para ouvirmos como, de maneira inacreditável, Tu nos incluíste nesse propósito tão grandioso e para vermos como nos confias este chamado tão elevado.
Como pode ser? Que misericórdia nos foi demonstrada?
Agora, Senhor, sabemos que é impossível. Sabemos que Tu não escolheste os melhores. Mas cremos que Tu nos chamaste.
E estamos aqui, de pé, como testemunho desse chamado, e dizemos: “Senhor, toma-nos. Nós nos oferecemos voluntariamente”.
Estendemos as mãos e dizemos: “Senhor, nós mesmos temos conduzido nossa vida, em tantas coisas, mas não mais”.
Conduze-nos. Faz a obra de nos conformar. Faz a obra de nos formar, assim como fizeste em Pedro.
E então vemos Pedro transformado, ao final, exortando seus companheiros presbíteros.
Que a Tua vontade seja feita. Que Tu vás conosco. Que o Teu propósito se cumpra.
Em nome de Jesus, amém.