Serei breve, sabendo que vocês estão ansiosos para voltar para casa.
A primeira pergunta diz respeito a uma comunidade com uma longa tradição de liderança no modelo de “chefe da família”. Embora muitos assuntos sejam discutidos, um irmão mais antigo toma a decisão final e organiza a escala dos que ministram aos domingos. Ele é respeitado, mas esse padrão de liderança não parece bíblico, porque uma única pessoa toma todas as decisões. Se esse líder mais antigo não quiser mudar, o que os irmãos podem fazer para tornar a liderança mais saudável?
Quando vocês estão numa situação assim, creio que a única coisa que podem fazer é orar. Cremos que Deus ouve nossa oração. Orem para que Deus dê a esse líder entendimento do que a Bíblia ensina.
Ninguém pode mudar a maneira de pensar de outra pessoa, mas Deus pode. Portanto, se vocês estão nessa situação, eu diria: orem e esperem que Deus ouça sua oração.
Ele pode tocar o coração do líder, fazendo com que ele veja que aquilo que estava fazendo não estava de acordo com a Palavra, ou pode removê-lo. A Bíblia nos mostra que Cristo é o Cabeça; mas, além Dele, os que estão na liderança são sempre mais de um.
Em outras palavras, ninguém deve se colocar como cabeça. Você é apenas o pescoço, mas nunca é o cabeça.
Quando alguém tenta fazer isso, e os irmãos e as irmãs estão orando, ou o Senhor dará àquele irmão o entendimento de que o que ele fez não era bíblico, e ele estará disposto a trazer outros irmãos para a liderança com ele, ou o Senhor o removerá.
A segunda pergunta diz respeito aos irmãos que decidem questões em conjunto. Encontrar o pensamento do Senhor sobre assuntos específicos pode parecer algo subjetivo e pessoal. Como podemos encorajar uns aos outros em meio a essas dificuldades e aguardar pacientemente o resultado?
Como seres humanos, tendemos a ter nossas próprias opiniões. Uma vez formada uma opinião, é muito difícil mudá-la.
Quando os irmãos servem juntos, pode haver um irmão que tenha formado sua própria opinião e não queira mudar. Não importa quanto orem nem quanto esperem, ele sempre mantém sua própria opinião.
Se esse for o caso, creio que a única coisa a fazer é pedir ao Senhor que remova aquele irmão.
Sempre me lembro de uma história que Lance Lambert me contou. No início, havia um irmão que sempre insistia em sua própria opinião. Eles haviam concordado que não tomariam nenhuma iniciativa até que todos estivessem de acordo, mas ele nunca concordava. Sempre queria que prevalecesse sua própria opinião.
Por fim, Lance me contou que Lady Ogle e outros estavam orando. Lady Ogle era uma pessoa muito baixinha e pequena, mas era uma mulher de oração. Lance dizia que, quando ela orava, era como um trovão.
Essa senhora orou para que o Senhor removesse aquele irmão e, dentro de uma semana, ele faleceu.
Servir ao Senhor é algo tão celestial que não podemos ser terrenos e manter nossa própria opinião. Precisamos ser flexíveis diante do Senhor, e o Senhor honrará essa humildade.
Se um irmão se orgulha de si mesmo e se coloca como cabeça, mais cedo ou mais tarde o Senhor o removerá. Acho isso muito sério.
A terceira pergunta diz respeito a uma igreja com muitos irmãos e irmãs que falam chinês. Ao viver em um país de língua inglesa, as reuniões devem ser conduzidas em inglês? As placas em chinês devem ser retiradas, e os hinos em chinês devem deixar de ser ensinados na escola dominical?
Creio que esse é um problema real para os chineses neste país. Quando cheguei aqui, reuni-me com alguns irmãos e irmãs, em sua maioria americanos. Muitos que eu conhecia na China vieram e trabalharam entre os chineses, e eu frequentemente discutia com eles. Dizia: “Estamos nos Estados Unidos; portanto, nosso idioma deve ser o inglês”.
Mas eles não acreditavam no que eu dizia. Assim, neste país, há vários grupos de cristãos que se reúnem e falam chinês. Mas vocês sabem qual é o resultado: quando os jovens crescem, todos falam inglês. Isso tem causado um grande problema entre os grupos chineses, e eles procuram por toda parte alguém que fale inglês e possa ajudar os jovens.
É bem verdade que, para nós, chineses, vir a este país e tentar falar inglês não é natural; é sobrenatural. Mas Deus espera que façamos isso.
Vocês não podem levar uma igreja chinesa para outro país. Onde quer que Deus os coloque, o idioma daquele lugar é o que vocês precisam usar.
Agora, é difícil. Preciso admitir isso, porque eu era chinês quando cheguei a este país. Lembro-me de que algumas irmãs me aconselhavam, dizendo: “Irmão, agora você veio para os Estados Unidos. Precisa falar inglês”.
Orei a respeito disso, e o Senhor me disse: “Quem fez a sua língua?”. Com base nisso, comecei a falar inglês. Na primeira vez em que falei em inglês, falei pouco, mas foi assim que tudo começou.
Graças a Deus pelo Dr. Stewart. Depois que eu falava, ele sempre procurava me ajudar, corrigindo os erros que eu cometia em inglês. Isso foi de grande ajuda.
Irmãos e irmãs, se o Senhor os envia a outro país, vocês precisam entender que não podem transportar seu chinês para esse outro país. Precisam aprender a falar o idioma daquela terra.
Sei que é difícil, porque passei por isso. Mas Deus é capaz de fazê-lo e, se procuramos obedecer a Deus, creio que é isso que devemos fazer.
Mesmo na escola dominical, eu diria que devemos ensinar inglês a essas crianças. Na verdade, se elas crescem neste país, falam inglês. Se vocês tentarem ensiná-las somente em chinês, isso não será natural para elas.
Mais cedo ou mais tarde, depois de crescerem, elas irão embora, porque se sentirão estrangeiras entre vocês.
Sou grato por meu irmão americano ter feito aquela última pergunta. Não vou me estender muito nisso, porque queremos orar uns pelos outros antes de ir embora. Mas quero agradecer ao Senhor por esta ocasião preciosa.
Não consigo pensar em nada mais maravilhoso do que estar junto de 110 homens que amam o Senhor e O adoram juntos. Foi um privilégio estar aqui com todos vocês. Não sei, nem imagino, se algum dia faremos isso novamente, mas o fato de termos feito isso desta vez tem grande valor em meu coração.
É um grande encorajamento para mim ver o que o Senhor está fazendo e ouvir as pessoas sendo renovadas na comunhão. Havia tanta coisa que tornava este encontro impossível. As únicas datas que conseguimos encontrar foram domingo à noite, segunda, terça e quarta-feira. Isso tornava a vinda quase impossível.
Depois, é claro, o Senhor acrescentou uma bela tempestade, cancelou vários voos, e ficamos sem eletricidade na primeira manhã. Que tempo maravilhoso!
Em meio a tudo isso, de alguma forma nosso querido irmão Kit precisou ir até Nova York — minha cidade natal — só para conseguir chegar aqui. Que jornada todos nós tivemos! Espero que vocês sintam, como eu, que isso foi proveitoso e útil.
Como vocês podem ver, não temos todas as respostas. Cada assembleia aqui está passando por algum tipo de transição. Temos conversado sobre a transição do chinês para o inglês, mas todos nós estamos em transição. Espero que essa transição seja do natural para o espiritual.
Fomos reunidos pelo Senhor, e Ele é tão gracioso. Ele reúne pessoas carnais, até mesmo pessoas que têm um coração voltado para o Senhor. Creio que essa é a chave.
Às vezes estamos tão cheios de nós mesmos. Somos inteligentes demais, e nossa vontade é forte demais. Mas, se temos um coração voltado para o Senhor, e o Senhor vê esse coração, Ele pode quebrantar a vontade e mudar a mente.
Estar com irmãos que têm um coração assim para o Senhor é algo precioso para mim. Estou com vocês nessa caminhada. Sou tão chinês quanto vocês, e vocês podem ser tão americanos quanto eu. Somos um. Não percebo nenhuma distinção.
Louvado seja Deus por podermos estar juntos e ouvir a sabedoria colhida ao longo de 104 anos — falando a verdade em amor.
A primeira pergunta se baseia em Mateus 10:37:
Quem ama pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim;
e quem ama filho ou filha mais do que a Mim não é digno de Mim.
Como aplicamos esse versículo ao serviço, especialmente quando as esposas talvez não sirvam com o mesmo coração ou no mesmo ritmo? Como evitamos o ressentimento de uma esposa que se sente negligenciada, ou que sente que o tempo com ela e com os filhos foi sacrificado?
Permitam-me colocar isso numa dimensão mais ampla. Nesse versículo, Jesus está falando aos Seus discípulos. Ele declara uma realidade do reino de Deus. Se você serve no reino de Deus — não meramente na igreja, mas no reino, sob o Rei —, então Ele exige lealdade absoluta.
É somente Ele. Não é Ele em primeiro lugar; é somente Ele. A esposa, os filhos e quaisquer outros entes queridos — o Senhor é o primeiro e o único. Se não resolvermos isso claramente, o diabo usará as circunstâncias para comprometer nossa vida.
O Senhor não está procurando o primeiro lugar. Ele é o Rei, ponto final. Se o Rei mandar você saltar de um penhasco, você salta do penhasco. Se o Senhor mandar você entregar seu filho sobre um altar, você o entrega. É disso que se trata um Rei.
Contudo, precisamos equilibrar isso com o amor cheio de graça do Senhor na igreja. Os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a igreja.
O Senhor, que é nosso Rei, conhece perfeitamente a dinâmica do casamento. A passagem que sempre fala ao meu coração é 1 Pedro 3:7-8:
Vós, maridos, igualmente, vivei com vossas esposas com entendimento,
como com alguém mais frágil, por ser mulher;
e dai-lhe honra como coerdeira da graça da vida,
para que não sejam impedidas as vossas orações.
Finalmente, sede todos de um mesmo sentir, compassivos, fraternais, misericordiosos e humildes de espírito.
Devemos ser bondosos, humildes e amorosos de espírito, e desfrutar juntos da graça da vida. Essa é uma dádiva preciosa que nos foi concedida pela graça de Deus no casamento. Vocês acham que o Senhor manda ignorar isso? Não.
A questão é esta: vivemos numa tensão constante entre nossa vida e nosso serviço. Há períodos em que o Senhor nos chama a realmente carregar a cruz e nos sacrificar.
Pode haver períodos na comunhão de vocês em que seja necessário ir todas as noites à casa de Deus e orar com os irmãos por causa de alguma opressão ou conflito espiritual. Talvez vocês precisem orar todas as noites, até mesmo a noite inteira, deixando a esposa e os filhos em casa. Mas isso seria por um período.
O Senhor não pretende que você mantenha uma agenda que deixe sua esposa e seus filhos de fora. Se você faz isso, está fazendo algo errado, porque está ignorando o fato de que o Senhor quer que vocês sejam coerdeiros da graça da vida.
Todo irmão casado já enfrentou essa tensão. Às vezes, a esposa se ressente porque você está fora ou não está com os filhos. Em certo sentido, você precisa carregar a cruz, porque isso faz parte do custo de assumir responsabilidades.
Mas a verdadeira chave é envolver sua esposa nas coisas. Não quero dizer envolvê-la em todos os problemas da comunhão. Há dificuldades no serviço a Deus, mas Deus dá graça ao servo para lidar com essas dificuldades. Isso não significa que Ele tenha dado graça à sua esposa para lidar com cada dificuldade, caso você lhe conte tudo.
A expressão “coerdeiros da graça da vida” tem esta conclusão decisiva: “Para que não sejam impedidas as vossas orações”. A chave é orar com sua esposa. Envolva-a, pelo menos, na oração por sua família. Isso faz muita diferença.
Se você está orando com sua esposa, suas orações não serão impedidas. Pela graça de Deus, ela compreenderá. Se você serve ao Senhor no temor do Senhor e, ao mesmo tempo, ama sua esposa e seus filhos, ela perceberá isso.
O Senhor colocou ao seu lado uma auxiliadora idônea, alguém que nasceu para ajudá-lo e sustentá-lo.
Vamos nos apegar a estas duas coisas. Primeiro, você precisa ser absolutamente leal ao Rei. Ele pode enviá-lo para cá e para lá e, quando o fizer, esteja disposto a ir. O Senhor cuidará de sua família.
Segundo, lembre-se de que vocês devem desfrutar da graça da vida como coerdeiros no lar. Quando estiver em casa, envolva sua esposa nessa graça da vida.
Isso me leva a outro assunto. Vocês conhecem o versículo de 1 Pedro 5:7 que diz:
Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele cuida de vós.
Meu pai foi salvo aos cinquenta anos. Era psiquiatra, formado em Harvard, e havia exercido a psiquiatria por muitos anos. Depois que ele foi salvo, perguntei: “Pai, como você consegue? Como conversa com pessoas que estão pensando em suicídio, pessoas em profunda depressão e angústia mental, e depois vive uma vida normal?”.
Basicamente, ele disse: “Preciso deixar de lado as preocupações daquela sessão de aconselhamento e simplesmente voltar a ser uma pessoa”.
Ele tinha um consultório particular de psiquiatria, e seu consultório ficava em nossa casa. A cada hora, dez minutos antes de o próximo paciente chegar, ele subia e entrava em seu quarto. Depois, na hora marcada, descia para atender o paciente seguinte.
O que ele fazia para sobreviver? Estudava chinês.
Quando ele tinha cinco anos, seu pai se mudou para a Faculdade de Medicina de Pequim, e meu pai morou lá por cinco anos. Como não queria perder seu chinês, estudava os caracteres. Ele falava fluentemente e, num hospital público, muitas vezes era a única pessoa que conseguia se comunicar com os pacientes chineses.
Essa era sua forma de relaxar. Era a maneira prática pela qual lançava suas ansiedades sobre o Senhor.
Qual é o versículo que vem antes de “lançando sobre Ele todas as vossas ansiedades”? É este:
Humilhai-vos.
A pessoa que carrega sobre si o encargo do Senhor é muito orgulhosa. Você acha que consegue dar conta disso? É um peso esmagador.
Irmãos, precisamos assumir essas responsabilidades, mas precisamos nos humilhar e dizer: “Senhor, preciso lançar estas coisas sobre Ti”. Se vocês querem viver uma vida normal, precisam fazer isso.
Caso contrário, vocês andarão pela casa nervosos, impacientes e gritando com a esposa, quando isso não tem nada a ver com ela. Vocês não lançaram essas ansiedades sobre o Senhor, que cuida de vocês.
Não levem toda essa carga para casa. Não contem à esposa quem falou mal de vocês e todas essas coisas. Não, não, não.
Com sua esposa, deve haver algo belo: serem coerdeiros da graça da vida. Isso é algo belo, muito belo. O Senhor quer que vocês vivam essa realidade.
Vemos isso em Efésios 5. Ele quer que você seja tão bondoso e sensível com ela quanto Ele é conosco. Tenha estas duas coisas em mente: você está no reino e está numa família. Essas coisas não são opostas.
A segunda pergunta diz respeito às assembleias que enfrentam fortes influências tanto do cristianismo tradicional quanto dos movimentos carismáticos. O que deve ser feito para continuar andando no caminho revelado pelo Senhor?
Para isso, eu simplesmente recorreria a Apocalipse 2:14-16, onde o Senhor fala à igreja em Pérgamo:
Mas tenho algumas coisas contra ti, porque tens aí alguns que seguem o ensino de Balaão,
o qual ensinou Balaque a pôr tropeço diante dos filhos de Israel,
para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e cometerem fornicação.
Assim, tens também alguns que, de igual modo, seguem o ensino dos nicolaítas.
Arrepende-te, pois; ou, se não, venho a ti sem demora,
e contra eles pelejarei com a espada da Minha boca.
Ao conversarmos sobre o Senhor restaurar Sua realidade, há um fundamento de verdade na assembleia? As pessoas conhecem a verdade? Há um testemunho do Senhor e uma luz sobre o candelabro da assembleia de vocês?
Se essas coisas estão presentes e funcionando, e se vocês compreendem o mistério da piedade, como conversamos a partir de 1 Timóteo 3, então, quando algo vem de fora, vocês conseguem perceber imediatamente que alguma coisa está errada. Alguma coisa está fora do lugar.
Como disse DeVern Fromke, o principal é manter o principal como principal.
Pérgamo, em meio a grande angústia, começou a se apegar a ensinamentos em vez de se apegar ao Cabeça. Nossa palavra é esta: apeguemo-nos firmemente ao Cabeça, nosso Senhor Jesus Cristo.
O ensino dos nicolaítas é, basicamente, o governo de um único homem sobre o povo. O ensino de Balaão equivale a lucrar com as coisas cristãs. Mas, além dos erros específicos envolvidos, creio que é errado se apegar a um ensinamento. Precisamos nos apegar a Cristo como nosso Cabeça.
Recentemente, houve um ressurgimento da teologia reformada — a TULIP, a predestinação e tudo isso. Por que as pessoas se interessam? A carne está sempre ávida por alguma coisa, alguma migalha intelectual que possa nos tornar mais conhecedores do que os outros.
A predestinação está claramente na Palavra de Deus, mas o calvinismo não está na Palavra de Deus. Quando alguém se apega a um ensinamento assim, está comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal, e isso traz divisão.
Lembro-me de estar na Pacific Lutheran, em Tacoma. Vi uma jovem que havia participado do grupo de jovens anos antes. Convidei-a para a reunião, mas ela se recusou. Disse: “Não posso entrar na reunião e ouvir o irmão Kong”. Quando perguntei por quê, ela respondeu: “Porque ele não é calvinista”.
Ela havia estudado numa escola na Filadélfia e adotado uma vertente específica do calvinismo de Westminster. Não queria entrar na reunião. Que espécie de unidade do Espírito se expressa nisso?
Aquele ensinamento tinha algo de carnal, e ela estava orgulhosa de sua teologia recém-descoberta. Um pouco de teologia é algo perigoso. As pessoas gostam de se agarrar a essas coisas.
O mesmo acontece com os movimentos carismáticos. Se uma assembleia tem um fundamento de verdade e a luz do Seu testemunho, então os dons do Espírito também devem funcionar, se estamos vivendo na plenitude do Espírito Santo. Mas não precisamos ser “carismaníacos”.
Um carismático, no sentido em que esse termo costuma ser usado, é alguém que tirou os olhos da centralidade de Cristo e os voltou para uma busca pelo Espírito Santo. Mais uma vez, estão se apegando a um ensinamento.
Buscas assim podem levar pessoas que verdadeiramente amam o Senhor a coisas estranhas. Recentemente, li sobre uma prática chamada “absorção de unção em túmulos”. As pessoas viajam aos locais onde gigantes espirituais foram sepultados, deitam-se sobre seus túmulos e buscam uma unção.
Vi uma foto de uma irmã agarrada à lápide de C. S. Lewis, orando por uma unção. Outros se jogam sobre o túmulo de John Wesley para receber seu espírito. Eles tiram isso do relato do homem que caiu na sepultura de Eliseu e voltou à vida.
Se você está viajando para a Inglaterra para absorver unção em túmulos, creio que está um pouco fora do rumo. Está fora do centro. Cristo é a plenitude da vida. Coloque-se debaixo Dele e de Seu trono; receba o Espírito Santo. Você não precisa absorver coisa alguma dos ossos de algum irmão morto.
A distração em Pérgamo era que as pessoas se apegavam a este ou àquele ensinamento e não se apegavam firmemente ao Cabeça, que é Cristo.
Pode haver um aspecto do calvinismo que seja verdadeiro, e pode haver um aspecto do ensino carismático que seja verdadeiro. Mas não compramos um pacote fechado. Retemos o que é bom, e o restante avaliamos diante do Senhor.
Alguns foram prejudicados por experiências emocionais. Na Bênção de Toronto, as pessoas riam, faziam sons de animais, latiam como cães ou caíam no chão enquanto outros tentavam pregar. Chamavam isso de renovação, mas muitas vezes se tornava um vício da alma em experiências cada vez mais intensas.
Há algo verdadeiro na leitura-orante: ler a Palavra de Deus juntos e agradecer a Deus por ela. Mas, quando isso é levado ao extremo e transformado numa prática, pode se tornar viciante. As pessoas precisam de cada vez mais gritos e clamores para satisfazer a alma.
Isso pode se tornar um exibicionismo da alma e das emoções, em vez de um exercício espiritual. A igreja primitiva em Atos não era um circo. As pessoas eram cheias do Espírito, e as pessoas exclamavam: “Amém!”. Era de todo o coração, mas não era forçado.
Isso não é verdadeira plenitude do Espírito. Vi muitas pessoas cuja alma foi ferida por experiências do passado.
Estive numa comunhão em Long Island por vinte anos. Havia um querido irmão que sempre se opunha ao reconhecimento dos irmãos responsáveis. Ele dizia: “Não, não, não. Somos todos irmãos”. Com o tempo, soube que sua família havia sido dividida e desfeita pela igreja local.
Seu irmão continuava servindo ali, mas não falava nem tinha comunhão com ele. Seus pais haviam sido afastados. Ele passara por uma experiência tão traumática que qualquer coisa que se parecesse com autoridade fazia suas orelhas se erguerem como as de um cão de guarda.
Às vezes, aquele irmão teimoso na assembleia teve a alma profundamente ferida por uma experiência religiosa anterior. Talvez seja por isso que ele é assim.
Devemos continuar conversando e tendo comunhão juntos, orando para que o Senhor cure essa ferida. Um trauma religioso pode tornar uma pessoa irracional em determinado ponto, e isso precisa ser curado para que ela possa confiar no Senhor.
Uma pessoa teimosa pode acreditar que é o cão de guarda que precisa manter tudo fiel. Ela pensa: “Vou ser fiel. Não me importa o que os outros façam”. Mas, quando você assume essa posição, fica completamente sozinho. É uma responsabilidade grande demais. Precisamos voltar a depender do Senhor.
O que estou tentando dizer é isto: mantenham Cristo como o centro, mas certifiquem-se de que suas assembleias sejam assembleias vivas. Quando uma assembleia está morta, apenas com doutrina, coisas sedutoras entram, porque as pessoas dizem: “Preciso de renovação. Preciso de alguma coisa. Isto não está suprindo minha necessidade”.
Devemos estar de joelhos, pedindo ao Senhor que nos dê vida, para que nossos filhos possam ver a vida e nós possamos viver nessa vida. Quando há vida real, não existe a mesma fome de buscar alguma outra coisa fora da comunhão.
A pergunta final é esta: como os irmãos responsáveis podem deixar de apenas discutir e decidir segundo seu próprio entendimento e passar a verdadeiramente buscar e encontrar o pensamento do Senhor sobre as questões?
Lembrei-me do testemunho de um irmão ontem. Ele foi encorajado pelo fato de que Davi consultava continuamente o Senhor.
Nem toda decisão administrativa precisa ser levada ao trono. Quem vai abrir a porta no domingo de manhã? Vocês não precisam dizer: “Senhor, vimos a Ti”. Vocês podem tomar essas decisões.
Mas, quando há encargos, problemas e situações, o Senhor está compartilhando Seu encargo com os irmãos responsáveis. Esse encargo precisa ser levado ao Santo dos Santos, e não apenas discutido como uma questão intelectual.
Na vida natural de uma assembleia, há muitos pequenos detalhes. Mas, quando há encargos e situações, essa é a hora de entrar na sala do trono.
Gostei muito do que nosso irmão disse ontem: o pescoço precisa expressar ao Cabeça os sentimentos do corpo. Os irmãos precisam levar os encargos do corpo ao Senhor e dizer: “Senhor, o que devemos fazer?”.
Moisés se prostrava com o rosto em terra diante do Senhor e dizia: “Senhor, este povo está murmurando de novo. Tu lhes deste alimento; agora querem mais água. Tu lhes deste água; agora querem codornizes. Senhor, este é o Teu povo”.
Moisés estava expressando os sentimentos da congregação. Só podemos fazer isso diante do trono. Se somos o pescoço, precisamos comunicar ao Senhor o que os santos estão dizendo e então dizer: “Senhor, não sabemos o que fazer”.
Então passamos para outro nível. Já não estamos apenas discutindo questões intelectuais e ponderando as coisas. É preciso haver uma espera diante do Senhor: “Senhor, estamos percebendo algo. O que Tu estás dizendo neste momento?”.
Até mesmo distribuir a ministração é uma questão espiritual. Quem vai compartilhar na reunião de domingo? Não deve ser apenas um rodízio — “Você vai, depois você vai”. Devemos perguntar ao Senhor.
Em Atos 6, quando as viúvas de língua grega não estavam recebendo alimento, os apóstolos não tomaram simplesmente uma decisão executiva. Foram ao Senhor e encontraram Seu pensamento.
Disseram ao povo, em Atos 6:3:
Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação,
cheios do Espírito e de sabedoria,
aos quais encarreguemos deste serviço.
Eles receberam isso do trono. Seja qual for o nível em que os irmãos estejam em suas reuniões, precisa haver um nível além das decisões executivas. Deve haver questões espirituais em cada assembleia que precisem ser levadas diante do Senhor.
“Que hora é esta, Senhor? O que Tu estás fazendo?”
Certa vez fui à Halford House, onde Lance Lambert estava, para a semana de oração e estudo bíblico deles. No início de cada ano, creio que em janeiro, eles se reuniam durante uma semana e oravam: “Senhor, dá-nos uma palavra para este ano. Há algo profético de que possamos nos apropriar?”.
Eles se reuniam de manhã, à tarde e à noite. Toda a assembleia orava durante uma semana: “Senhor, o que Tu estás dizendo? O que estamos fazendo? Estamos Te agradando? Cristo é o centro? Há algo que precisamos mudar? Há algo pela frente?”.
O Senhor lhes dava uma palavra a cada ano, e eles a levavam diante do Senhor, dizendo: “Senhor, cumpre em nós a Tua palavra”. Isso lhes dava direção para o ano seguinte.
Será que nossos santos poderiam se reunir todas as noites durante uma semana? Isso poderia ser complicado. Mas, pelo menos, devemos ter essa percepção de que há momentos em que precisamos comparecer diante do Senhor e perguntar: “Que hora é esta em nossa assembleia? Tu estás nos dizendo alguma coisa? Há passos que podemos dar para Te agradar?”.
Isso exige mais do que decisões executivas. Exige entrar na sala do trono. Deus abençoe a assembleia cujos irmãos estão diante do trono. Isso permite que o Cabeça expresse Seus sentimentos à congregação e confere grande valor a esses irmãos.
Chegamos ao fim de nossas perguntas. Antes de sair, queremos orar uns pelos outros.
Há trinta e nove comunidades representadas aqui — da Costa Oeste, do Canadá, do Sudeste, do Nordeste, do Centro-Oeste e até do Texas. É maravilhoso que o Senhor nos tenha reunido nestes dias.
Não podemos passar por cada região e perguntar sobre cada necessidade e problema, porque todos enfrentamos os mesmos problemas em cada lugar. O inimigo quer entrar como uma inundação, e o Espírito Santo está levantando um estandarte.
Precisamos estar despertos como supervisores e vigilantes sobre a comunhão, porque nosso inimigo quer fazer o mal, e o Senhor quer que vençamos. Isso é supervisionar.
Cada assembleia precisa de olhos que possam ver e estar atentos, como o Senhor disse a Sardes em Apocalipse 3:2:
Sê vigilante e fortalece as coisas que restam, que estavam para morrer.
Não somos apenas supervisores; somos pastores. Como nossas crianças e nossos jovens precisam de pastoreio!
Uma das grandes bênçãos para mim, ao ler sobre o pastoreio, é a incumbência tríplice: alimentar os cordeiros, pastorear as ovelhas e alimentar as ovelhas. Isso não é um desafio em nossas assembleias?
Quem pode fazer isso, a não ser nosso Pastor? Contudo, como irmãos responsáveis, precisamos não apenas pastorear, mas também encorajar os demais santos a pastorear segundo a medida de graça, dom e conhecimento de Deus que possuem.
Como precisamos de pastoreio — de ovelhas saudáveis que cresçam e sejam capazes de ouvir a voz do Mestre. Isso é algo maravilhoso.
No fim de tudo, não somos apenas supervisores e pastores, mas presbíteros. Irmãos, espero que vocês tenham o caráter de Cristo, para que, quando as pessoas precisarem ver um padrão, de alguma forma possam ver Cristo em vocês.
As pessoas são muito encorajadas quando veem um homem de caráter piedoso se sacrificando por elas.
Nossos queridos irmãos em Flushing e Manhattan não estão sendo remunerados. Estão entregando sua vida. Alguns fazem isso de uma maneira tão piedosa que se torna um testemunho para toda a igreja.
É isso que significa ser um sacrifício vivo. Posso sentir o aroma do sacrifício da vida deles, e isso é precioso aos olhos de Deus.
Precisamos orar uns pelos outros, para que sejamos verdadeiramente presbíteros que manifestam o caráter de Cristo; para que possamos pastorear; para que peçamos ao Grande Pastor que cuide de nós; e para que sejamos os supervisores que Ele quer que sejamos.
Por que não oramos conforme o Espírito nos conduzir, orando uns pelos outros? Orem por suas próprias assembleias, mas talvez vocês tenham sido tocados pelo testemunho de um irmão de outra assembleia e queiram orar especificamente por ela. Fiquem à vontade.
Vamos interceder uns pelos outros, porque todos estamos na mesma situação. Precisamos da ajuda do Senhor nestes últimos dias.
Senhor, estamos tão conscientes de que Tu és o Grande Pastor, nosso Supervisor e nosso Irmão mais velho. Senhor, precisamos da Tua ajuda.
Há assembleias aqui à beira da extinção. Há outras assembleias que estão crescendo, mas não estão crescendo espiritualmente. Há outras que ficaram estagnadas, e algumas têm muitos idosos, mas nenhum jovem. Há todo tipo de necessidade.
À medida que Tu colocas essas questões em nossa mente, Senhor, dá-nos um coração intercessor. Ao levá-las diante do Teu trono, entramos na sala do trono pelo precioso sangue de Jesus Cristo e fazemos nossas petições em favor uns dos outros.
Neste momento, nem mesmo por nós mesmos, mas em favor uns dos outros. Ajuda-nos a orar nesta hora de oração, em nome de Jesus. Amém.