Bem, somos gratos por podermos nos reunir novamente neste ano no maravilhoso nome de nosso Senhor. Gostaria que começássemos abrindo em Colossenses 2. Estes são os versículos que orientam nosso tema, como vimos no anúncio da conferência, cujo tema geral é Cristo, Nossa Vida.
Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle;
Arraigados e edificados nEle, e confirmados na vossa fé, assim como fostes ensinados, abundando em ações de graças.
— Colossenses 2:6-7
Agora, em Colossenses 3:4:
Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória.
— Colossenses 3:4
Se puderem, voltem ao Evangelho de João, em João 3. A maioria dos versículos que estamos lendo é bastante conhecida, mas vamos a João 3:15-17:
Para que todo aquele que crê tenha nEle a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele.
— João 3:15-17
Gálatas 2:20:
Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim:
E a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé, na fé que é no Filho de Deus, o Qual me amou e Se entregou por mim.
— Gálatas 2:20
Agora, em Hebreus 12:2-3:
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o Qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-Se à direita do trono de Deus.
Considerai, pois, Aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra Si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
— Hebreus 12:2-3
Por fim, em Filipenses 2:8-11:
E, sendo encontrado em figura de homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira, e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.
— Filipenses 2:8-11
Vamos fazer mais uma oração.
Senhor, somos gratos porque, ao nos reunirmos neste momento, confessamos que Jesus Cristo é Senhor. Senhor, somos gratos pela Tua fidelidade, que nos tem guardado, pela Tua fidelidade, que nos reuniu. É por meio da Tua fidelidade que podemos contemplar-Te neste fim de semana.
Senhor, somos gratos pelo Teu Espírito Santo. Queremos permitir que o Teu Espírito tenha grande liberdade em nosso coração e em nossa vida, enquanto nos assentamos aos Teus pés para considerar juntos esta questão de Cristo, nossa vida.
Senhor, abre nosso coração de uma maneira nova. Esta é uma expressão muito familiar a todos nós, mas que haja uma realidade nessa expressão que toque cada um de nós de uma maneira nova neste fim de semana. Em Teu nome oramos. Amém.
Então, temos este tema neste ano: Cristo, nossa vida. Na verdade, é uma continuação do tema do ano passado, Quem Sou Eu em Cristo?, com atenção especial ao fato de Ele viver Sua vida em nós. Somos gratos por termos estas oportunidades de estar juntos.
Quando começamos a considerar esta questão de Cristo, nossa vida, por onde começamos a explicar Sua vida? Essa vida incontaminada, essa vida que não perde seu vigor, essa vida incorruptível, essa vida gloriosa, essa vida vencedora — poderíamos continuar indefinidamente. Todos nós a conhecemos.
Ao olharmos para o tema deste ano, Cristo, nossa vida, muitos de nós aqui já o estudamos há muitos anos. Não é uma expressão nova para praticamente ninguém. Alguns aqui provavelmente até já ensinaram sobre Cristo, nossa vida. Estudamos isso em nossos estudos bíblicos e já lemos livros a respeito.
Se nos perguntassem: “Cristo é a nossa vida?”, todos responderíamos em voz alta: “Amém!” Louvamos ao Senhor porque Cristo é a nossa vida.
Bem, a pergunta que me veio — com a qual o Senhor me confrontou — foi esta: “Bem, se Cristo é a sua vida, por que sua vida está nessa condição? Se Cristo realmente é a sua vida, por que você tem todas essas lutas? Por que está passando por toda essa confusão? Se Cristo é a sua vida, por que a vida da sua família está assim? Por que nossas famílias estão assim? Se Cristo é a nossa vida, por que nossas assembleias estão assim?”
Agora, somos gratos pela porção de Cristo que todos nós já provamos e vimos. Olho ao redor desta sala e vejo muitos em quem a vida de Cristo é um grande testemunho daquilo que conhecem de Cristo vivo. Mas creio também que, em nosso próprio coração, conhecemos esta pequena expressão: muito mais.
Há muito mais de Cristo em que Ele deseja ardentemente que entremos. Há muito mais da Sua vida de que Ele quer que participemos de maneira viva — em nossa vida individual, na vida de nossa família e na vida de nossas assembleias.
Assim, um dos desafios que temos neste fim de semana, ao falarmos de Cristo, nossa vida, é superar nossa familiaridade com isso. Estamos familiarizados com o assunto. Se alguém nos perguntar o que é, podemos começar a explicá-lo desta ou daquela maneira.
Portanto, temos um desafio: “Senhor, não queremos que nosso conhecimento de Cristo, nossa vida, nos impeça de tocar a realidade disso”. Abrimos nosso coração neste fim de semana para que o Senhor realmente possa trabalhar de maneira grandiosa.
Eu estava lendo A. W. Tozer. Na verdade, era algo relacionado a outro assunto, mas, quando pensamos em Cristo, nossa vida, todos dizemos: “Amém”. Conhecemos essa verdade. Conhecemos essa doutrina. Sabemos que é verdade.
A. W. Tozer era um homem muito direto, e ele disse: “Apenas saber que algo é verdade, se isso não afeta sua vida, que valor tem?” Conhecer a verdade, conhecer a doutrina correta — se isso não afeta realmente nossa vida —, qual é o verdadeiro valor disso?
Esse é o desafio que temos neste fim de semana. Desejamos que a realidade de Cristo, nossa vida, nos afete. Sabemos que, muitas vezes, quando tomamos as coisas em nossas próprias mãos, experimentamos as fraquezas, os fracassos e as fragilidades de nossa própria vida.
Mas também já experimentamos momentos em que permitimos que Cristo fosse a nossa vida. Experimentamos essas vitórias. Experimentamos a plenitude de Quem Ele é — a realidade disso. É isso que realmente buscamos neste fim de semana.
No sentido correto, não queremos nos satisfazer apenas com um ensino sólido. Não queremos nos satisfazer apenas com uma doutrina correta. Não queremos nos satisfazer apenas com nosso serviço ou ministério, porque essas coisas, por si mesmas, não são vida.
Mas, quando temos a vida de Cristo, temos a sã doutrina. Quando temos a vida de Cristo, Sua Palavra é iluminada para nós. Quando temos a vida de Cristo, esse ministério e esse serviço fluem com unção e poder. Esse é o desafio que temos ao nos reunirmos.
Somos gratos pela maneira como Deus tem desejado revelar Seu Filho a nós. Voltamos ao Evangelho de João e, ao longo de todos os Evangelhos, vemos a revelação de Jesus Cristo. João testifica:
O Verbo Se fez carne, e habitou entre nós;
E vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
— João 1:14
Cristo foi revelado a João.
Ao percorrer o Novo Testamento, vemos como Cristo foi revelado por meio dos santos como um testemunho. Foi assim que surgiu a palavra cristão. Na verdade, ela surgiu como um termo depreciativo. Os crentes não saíam por aí dizendo: “Somos cristãos”. Eles diziam: “Somos crentes. Somos discípulos de Cristo”.
Os outros olhavam para eles. O que viam? Viam Cristo. Esse é o testemunho que buscamos nestes dias: que, quando as pessoas olharem para nós, quando nos virem como o povo de Deus, não nos vejam apenas como pessoas cheias de conhecimento intelectual e de doutrinas teóricas. Que vejam uma vida expressa por meio de nós de uma maneira que as afete, assim como a cada pessoa ao nosso redor.
Somos muito gratos porque aprouve a Deus revelar Seu Filho em nós. Eu estava pensando nessa pequena expressão, revelar Seu Filho em nós, e em como Deus deseja que, mesmo em nossos dias, haja essa revelação de Jesus Cristo — não esperando até o último livro da Bíblia, mas uma revelação de Jesus Cristo entre Seu povo.
Ele seria revelado por meio deles. Ele seria revelado por meio de cada um de nós.
Pesquisei a palavra revelação, e ela significa simplesmente descobrir ou retirar um véu. Outra palavra para revelação é apocalipse — a transliteração da palavra grega, que nem vou tentar pronunciar.
Gostei da definição de revelação dada por um irmão: “Remover um véu ou uma cobertura, expondo à vista aquilo que antes estava oculto”.
Deus deseja que a vida de Cristo seja vista por meio de cada um de nós. Queremos que esse véu seja retirado, que essa cobertura seja removida, e que aquilo que habita em nosso interior se manifeste para a glória de Deus.
Mas o que é esse véu? O que é essa cobertura que impede a vida de Cristo de realmente resplandecer em plenitude? É a nossa carne. É o nosso próprio eu. Nós somos o maior impedimento. É esse amor-próprio, essa autossuficiência e essa natureza multifacetada do eu.
Mas desejamos que o Senhor, por Sua grande misericórdia, retire esse véu. Ele tem um instrumento maravilhoso para fazer isso. É uma daquelas coisas de que todo mundo mais gosta na vida: a obra da cruz.
À medida que permitimos que essa cruz trabalhe em nós, ela realiza uma grande remoção do véu, revelando a vida de Cristo nos crentes individualmente. Se vocês observarem os vários versículos que lemos no início deste momento, havia um aspecto da cruz em cada um deles.
Quando pensamos na vida de Cristo, ou em Cristo, nossa vida, veremos uma relação muito próxima, entrelaçada, com a operação da cruz. Cristo foi revelado a nós por meio da cruz, e Ele continua a revelar cada vez mais de Si mesmo a nós por meio dela.
Nesta noite, na parte que me cabe, gostaria que considerássemos quatro aspectos de Cristo, nossa vida. Há muitos aspectos de Cristo; estou olhando apenas para quatro. Nossos outros irmãos também desenvolverão isso de maneira mais ampla e profunda.
Os quatro aspectos são:
Na verdade, poderíamos ter uma conferência sobre qualquer um desses quatro aspectos, e seria uma bênção plena. É por isso que estou usando esta pequena expressão: vamos apenas tocar nesses assuntos aqui.
Ao chegarmos a este primeiro aspecto, a vida eterna, esse é realmente o primeiro aspecto da Sua vida que tocamos. Quando nascemos de novo, tocamos essa vida eterna pela primeira vez.
Mais uma vez, quando pensamos na vida eterna, um dos desafios é nossa familiaridade com o termo. Todos conhecemos a vida eterna, falamos da vida eterna e cantamos sobre a vida eterna. Mas qual é a verdadeira essência da vida eterna, desse grande dom que recebemos?
Há um aspecto temporal na vida eterna. Sim, vivemos para sempre. Mas, se simplesmente pararmos e nos concentrarmos no aspecto temporal — na quantidade —, perderemos a verdadeira essência dessa questão da vida eterna.
É muito mais do que uma quantidade de vida; é uma qualidade de vida. É uma qualidade de vida inteiramente nova, que supera qualquer outra vida. Ela excede qualquer outra vida que já tenhamos tocado ou experimentado. É totalmente diferente.
É uma vida divina, não uma vida natural. Há nela uma natureza divina. É uma vida incriada, em contraste com nossa vida criada. Ele é o grande EU SOU. Não houve princípio nem há fim. É uma vida incriada.
Graças ao Senhor, quando nascemos de novo, essa vida eterna, incriada e todo-poderosa invadiu nosso corpo. Hoje as pessoas gostam de falar sobre invasões alienígenas. Na verdade, quando nascemos de novo, aconteceu uma invasão alienígena.
Alguém de outro reino veio e nos invadiu, a nós que estávamos mortos neste reino aqui na terra. Ocorreu uma intervenção inteiramente divina. Nós, que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, vivendo no reino natural deste mundo, experimentamos uma intervenção divina.
Ele entrou e nos tirou deste reino de trevas, libertou-nos do poder deste mundo tenebroso e de sua autoridade, e nos transportou para o reino do Seu Filho amado. Que coisa grandiosa foi essa salvação eterna! Nós literalmente nascemos de novo.
Essas palavras tão familiares — será que alguma vez realmente paramos, damos um passo para trás e vemos como são grandiosas? Vocês conhecem a grandeza de nascer de novo? Isso é maravilhoso. É o milagre dos milagres.
Aquilo que estava morto foi invadido por esse Ser de outro reino, e nascemos de novo. Não apenas nascemos de novo, mas também fomos colocados em outro reino. Ah, como isso é grandioso, irmãos e irmãs!
Quando nascemos de novo, essa vida eterna — essa vida extraordinariamente grandiosa, todo-poderosa e magnífica — veio habitar em nós. Essa vida é uma Pessoa. Tenham isso em mente neste fim de semana. Quando falamos de vida, estamos falando de uma Pessoa, não de uma coisa. Cristo é a nossa vida.
Quando você foi salvo, Cristo veio habitar em você. Não foi como se você recebesse um pouquinho, eles recebessem um pouquinho, e outra pessoa recebesse um pouquinho. Não, todos nós recebemos Cristo. Que coisa maravilhosa! Cada um de nós O tem: Cristo em nós.
Mesmo quando olhamos ao redor e vemos aqueles que poderíamos chamar de “supersantos” — um Watchman Nee, um T. Austin-Sparks ou um Spurgeon —, talvez digamos: “Nossa, eles devem ter recebido uma dose dupla de vida”. Não, eles receberam exatamente a mesma vida que nós recebemos.
Não vou entrar na questão dos dons, porque estamos nos concentrando na vida. Mas o que vemos em irmãos assim, e em queridos santos com quem caminhamos dia após dia, é que, quando essa vida entrou, eles responderam a ela. Disseram: “Quero mais dessa vida. Quero experimentar a plenitude dessa vida”.
À medida que se rendiam a essa vida, havia uma expressão maior dela, e essa expressão crescia cada vez mais. Em alguns, por vezes, não houve uma resposta real, e essa vida simplesmente ficou ali — ansiando, desejando ardentemente se manifestar. Há uma vida dentro de nós que deseja intensamente irromper e manifestar a excelência dEle.
Louvado seja Deus, quando nascemos de novo, todos recebemos essa vida. É como quando um bebê nasce nesta terra. Esse bebê tem tudo de que precisa para viver. Ele não recebe mais alguns dedos depois, nem partes extras mais tarde. Já tem tudo ali.
Irmãos e irmãs, quando nascemos de novo, já temos tudo ali. Louvado seja Deus, no reino de Deus não há defeitos de nascença. Todos nascem de novo. Temos um começo grandioso e saudável.
Quanto mais compreendermos essa coisa milagrosa que aconteceu em nós, mais isso produzirá em nosso interior um desejo maior de permitir que Ele Se manifeste em nós, para que a fragrância de Cristo realmente se exale.
Não queremos ser daqueles que param e ficam apenas agradecidos pela salvação inicial. Louvado seja Deus pela salvação inicial, mas ela é apenas o aspecto inicial dessa vida eterna. Há muito mais de Cristo que Ele quer que descubramos, e muito mais de Cristo em que Ele quer que entremos.
Paulo diz que deseja prosseguir para conhecê-Lo cada vez mais. Será que este fim de semana, enquanto os vários irmãos compartilham sobre Cristo, nossa vida, produzirá em nós uma fome e uma sede mais profundas? Louvado seja Deus, sei que há fome e sede aqui, caso contrário vocês nem estariam presentes. Mas queremos uma fome ainda maior e uma sede ainda maior por Ele.
Queremos vê-Lo em plenitude para estes dias, e queremos prosseguir para conhecê-Lo. Bem, como prosseguimos para conhecê-Lo? Qual é esse processo? Esse processo se chama discipulado. É permitir que Sua vida seja expressa de maneira real em nós.
Essa questão do discipulado nos leva ao próximo aspecto, chamado vida trocada. Foi isso que lemos em Gálatas 2:20.
Mais uma vez, é um versículo familiar. Imagino que muitos nesta sala possam citá-lo de memória, e louvado seja Deus por isso. Como precisamos aprender e memorizar cada vez mais as Escrituras! Mas, de vez em quando, parem e meditem nesses versículos.
Ao olharmos para Gálatas 2:20, vemos esta maravilhosa declaração de Paulo, que se aplica a cada um de nós:
Estou crucificado com Cristo.
— Gálatas 2:20
Não: “Estarei”, ou: “Espero estar”, mas: “Estou”. Fui crucificado com Cristo.
Aquela velha natureza, aquele velho Adão, foi tratado. É um fato estabelecido por toda a eternidade.
Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
— Gálatas 2:20
Recebemos Cristo, e Ele vive em nós. Ele deseja Se manifestar e Se expressar da maneira mais plena possível.
E a vida que agora vivo na carne…
— Gálatas 2:20
Minha língua se enrola aqui. A gente começa a falar da vida de Cristo, fica empolgado e nem consegue falar. Se algum de vocês puder interpretar minhas línguas, fique à vontade para me dizer.
Mas Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo na carne — ainda estamos nesta carne, mas a carne não tem domínio —, a vida que vivo na carne, agora vivo pela fé. Há um passo de fé para entrarmos na experiência de permitir que Sua vida seja expressa por meio de nós.
Vivemos pela fé no Filho de Deus, o Qual me amou e Se entregou por mim. Louvado seja Deus, irmãos e irmãs, uma tremenda transação aconteceu aqui. É isso que estamos chamando nesta noite de vida trocada.
Obviamente, esse não é um termo original meu. Vou dar um breve resumo. Recebemos esse termo de Hudson Taylor. Hudson Taylor servia ao Senhor na China. Quando foi para lá, servia de todo o coração, com seu próprio poder e sua própria força.
Mas, quanto mais servia, mais havia dentro dele um vazio e uma sensação de inutilidade. Ele se esforçava mais: “Vou me esforçar mais. Vou fazer mais. Vou ficar acordado por mais tempo. Vou fazer mais isto”. Mas, quanto mais se esforçava, mais percebia que não estava sendo bem-sucedido. Eram apenas os seus esforços.
Louvado seja Deus pelo seu zelo, mas ele não estava chegando a lugar algum. Embora, exteriormente, as pessoas pudessem ver algumas coisas sendo feitas, ele sabia em seu íntimo: “Está faltando alguma coisa”.
Então, por meio da comunhão com outro irmão, ele recebeu uma carta. Ela dizia, em essência: “Não se trata de melhorar sua velha vida natural, seu velho eu. Não é uma questão de melhorar isso. Há uma nova vida — uma vida trocada”.
Muitas vezes, pegamos nossa velha vida, aquela velha natureza adâmica, nossa velha vida do eu, e tentamos melhorá-la. Queremos instruí-la, reformá-la e deixá-la mais bonita.
É mais ou menos como aqueles programas de televisão sobre reformar casas para revender. Eles entram, olham para uma casa e dizem: “Ah, ela tem uma boa estrutura. Podemos reformá-la e revendê-la”.
Muitas vezes, em nossa vida cristã, dizemos: “Ah, olho para mim mesmo e vejo que tenho uma estrutura muito boa. Talvez eu possa dar uma repaginada e melhorar a mim mesmo”. Não, não temos nenhuma boa estrutura. Precisamos trocar tudo isso, demolir e permitir que o Senhor introduza uma vida inteiramente nova.
Aquela velha natureza adâmica sai, e Cristo entra. Essa é a vida que temos. Essa é a vida trocada.
Hoje em dia, todo mundo troca coisas, e é tão fácil. De muitas maneiras, tornamos essa vida trocada e o cristianismo complicados. Mas, quando você tem algo que deseja trocar, leva de volta e diz: “Não quero mais este produto. Ele não presta. Não faz o que eu pensei que faria. Não funciona como eu pensei que funcionaria. Não me deixa feliz. Não gosto dele. Não o quero”.
Então o trocamos por algo totalmente novo. É realmente isso que estamos fazendo com essa vida trocada. Estamos dizendo: “Há esta velha vida dentro de mim. Ela não funciona. Não gosto dela. Estou devolvendo-a aqui e recebendo esta nova vida”.
Deus tem um instrumento maravilhoso para realizar essa transação, essa troca: a cruz.
Quando pensamos na cruz, qual é normalmente sua reação imediata? É positiva ou negativa? A maioria das pessoas pensa na cruz de forma bastante negativa. Há um aspecto negativo nela, mas, muitas vezes, quando pensamos na cruz, pensamos apenas na morte.
Sempre que nosso Senhor Jesus falava da cruz, também falava de ressurreição, vida e vitória — da obra completa. Sim, havia morte ali, mas dela surgiu vida: vida de ressurreição, vida vitoriosa.
É por isso que realmente creio que precisamos passar a ver a cruz como nossa amiga. Às vezes, quando me refiro à cruz como nossa amiga, recebo alguns olhares estranhos. Mas, se realmente enxergarmos o que a cruz faz por nós, veremos a cruz como nossa amiga.
O que é um amigo? De maneira simples, poderíamos dizer que um amigo é alguém que deseja o melhor para você. Um amigo é alguém que cuida de você. Ele vê você fazendo alguma coisa tola ou cometendo uma grande bobagem e, por se importar com você, fala à sua vida. Seu amigo deseja o melhor para você.
É isso que a cruz faz. Quando a cruz chega até você, é como aquele amigo que vem e diz: “Veja tudo o que posso fazer por você. Se confiar em mim, se acreditar em mim, veja tudo o que posso fazer por você”.
“Posso dar um fim ao passado — a todos os pecados do passado. Você será liberto do seu passado, da culpa e da condenação. Se confiar e acreditar em mim, tudo isso poderá ser deixado de lado.”
“Todas essas forças paralisantes deste mundo, a maneira como o mundo tenta entrar e incapacitar você — você foi crucificado para o mundo. Acredite e confie em mim. Você pode desfrutar de uma nova liberdade em Cristo.”
A maravilhosa obra da cruz trata da própria soberba da vida — esse orgulho que nos causa tantos problemas. A cruz trata de nossas preocupações e inquietações com isto e aquilo. Ela trata da teimosia que há em nós.
Quem me conhece sabe que sou bastante teimoso. Acho que já mencionei antes que todos os meus avós vieram da Escócia, então sou um escocês puro-sangue. Enquanto eu crescia, nas reuniões de família e nos momentos em que estávamos juntos, havia muito orgulho de ser escocês.
Eles se gabavam: “Temos firmeza”. Então cresci pensando: “Ah, firmeza, isso é bom. Podemos enfrentar qualquer coisa. Temos essa firmeza. Quando chegam tempos difíceis, damos conta”.
Depois que fui salvo e o Senhor começou a trabalhar em minha vida, descobri que aquilo que o mundo chama de firmeza, Cristo chama de teimosia.
Podemos ter a soberba da vida, mas, na verdade, não há nada ali. Porém, essa amiga, nossa cruz, diz: “Posso libertar você disso”. Ela diz: “Não apenas libertarei você de todos esses embaraços e laços, mas também o introduzirei em um novo reino”.
“Eu o introduzirei no reino do Filho do Seu amor — o reino do amor, o reino da vitória, esse reino eterno. Não apenas o introduzirei nesse reino, mas também farei de você um sacerdote nesse reino. Farei de você um rei nesse reino.”
“Você vê esse novo Pai celestial que tem, esse Ser glorioso que o amou tanto? Farei de você Seu filho.” Não apenas um bebê diante dEle, mas, à medida que crescer, será Seu filho.
Será que vemos todos os benefícios? Quanto mais vemos, de maneira viva, o que a cruz faz por nós, todos os benefícios que recebemos — sim, há um lado negativo, mas ele se torna insignificante em comparação com a grande liberdade, a libertação e a bênção que temos ao permitir que a cruz trabalhe em nós e nos liberte.
Quando pensamos na cruz como uma amiga, isso me lembra aquele provérbio:
Fiéis são as feridas feitas por um amigo.
— Provérbios 27:6
Muitos nesta sala poderiam dar testemunho de um amigo que, a princípio, vocês acharam que os havia ferido, mas que acabou sendo um grande benefício e uma bênção. Quando isso nos atinge pela primeira vez, podemos pensar que é uma ferida, mas louvado seja Deus por isso.
À medida que nos dispomos a entrar nessa questão da vida trocada, o Senhor começa a fazer essa obra maravilhosa. Mas um dos desafios que temos ao entrar na vida trocada é que já pensamos ter entrado. Pensamos: “Ah, estou bem”.
Graças ao Senhor, permitimos que Ele trabalhasse em nós de certas maneiras, e há aspectos de nossa vida em que já entramos nessa realidade. Mas será que realmente entramos na plenitude disso?
Há uma grande batalha em torno dessa questão da vida trocada. Quem está controlando sua vida? É você quem a controla — aquela velha natureza do eu —, ou é esse novo Senhor, essa nova vida, quem a controla?
O inimigo é muito astuto. Ele gosta de introduzir uma falsificação. Vou usar um termo contemporâneo nesta noite. No mundo, temos a inteligência artificial. Espero que não haja nenhum cientista aí, porque sou um contador falando de algo muito fora da minha área.
Mas, de maneira simples, quando pensamos em inteligência artificial, penso no homem tentando criar uma vida semelhante à humana. Ele está tentando criar algo humano, tentando até melhorá-lo: “Ah, posso fazer isto e aquilo. A inteligência artificial pode melhorar a vida”.
Mas vocês sabem o que invadiu o cristianismo? Há uma inteligência artificial cristã que diz: “Ah, temos uma vida e tanto para você”. Parece tão bom. Pode se parecer com Cristo, falar como Ele e agir como Ele. Pode ter muitas características boas e ser muito atraente.
Ela tenta nos convencer: “É tão bom, muito melhor, e você ficará muito feliz com isso. Apenas entre nessa vida que estamos apresentando a você”.
Ela até interpreta as Escrituras e diz: “Veja, estas Escrituras são tão antigas. Têm alguns milhares de anos. Nós as reinterpretamos para você, para estes dias, a fim de torná-las mais relevantes nestes tempos modernos”.
Enquanto estava sentado no meu pequeno escritório, ou sala de estudos, nesta semana, considerando esta mensagem, eu olhava para alguns livros. Quem me conhece sabe que gosto de livros. Às vezes, encomendo livros da CBD, Christian Book Distributors, porque eles têm bons preços. Como escocês, vou procurar um bom preço.
Vocês sabem qual é o lema da CBD? Eu estava sentado ali e olhei para a lateral de uma caixa. Bem ali estava escrito: “Tudo o que é cristão por menos”.
Agora, se você vende livros, isso é bom. Não tenho nenhum problema com o modelo de negócio deles. É muito bem-sucedido. Mas, no que diz respeito ao cristianismo, essa frase se infiltrou entre nós. Essa é a inteligência artificial: “Tudo o que é cristão por menos”.
O que é esse “menos”? Menos cruz. Nenhum sofrimento. Nenhuma dor. “Ouça este novo ensino e você terá este cristianismo maravilhoso — tudo o que é cristão por menos.”
É tão enganoso. Há uma falsificação ali. Pode parecer bom; pode parecer bonito. Mas não é o verdadeiro. É artificial. É falsificado. Não é a vida dEle.
Infelizmente, muitos crentes provaram dessa árvore. Quando pensamos no que estou chamando de inteligência artificial cristã, não há nada de novo debaixo do sol. Isso simplesmente vem daquela velha árvore do conhecimento do bem e do mal.
Se você olhar para essa árvore, ela parece boa: “Prove isto. Faça isto. Faça aquilo. Prove isto, e você será como Deus”. Foi isso que o inimigo disse a Eva. “Faça aquilo. Coma isto, faça isto, faça aquilo, e você será como Deus.” Tudo o que é cristão por menos.
Infelizmente, muitos crentes morderam essa isca. O pior aspecto é que realmente pensamos estar em um lugar em que não estamos. Esse é o engano. Pensamos estar mais adiante nesse caminho; pensamos estar progredindo, mas não estamos.
Será que o Espírito Santo poderia vir e tocar nosso coração de uma maneira nova? Será que permitiríamos que Ele nos sondasse e nos libertasse dessas coisas que tentam nos afastar da realidade de Cristo?
Nós simplesmente amamos atalhos. Está em nossa natureza. Eu amo atalhos. Todo mundo ama atalhos, e todo mundo gosta de conseguir algo por menos. Mas, quando vemos que não é o verdadeiro, precisamos reconhecer isso.
É como ir a Taiwan e encontrar um homem na rua que tem um Rolex para vender a você por dez dólares. Você acha que pode se gabar diante de todo mundo porque fez um ótimo negócio. Você não fez um bom negócio.
No fim, esse “tudo o que é cristão por menos” não é um bom negócio. Que o Senhor abra nossos olhos para que possamos enxergar isso.
Quanto mais enxergamos, mais começamos a compreender que esse é um processo que dura a vida inteira. Nesse processo, à medida que prosseguimos para conhecê-Lo, podemos nos cansar. É aí que começamos a provar a bênção da Sua vida perseverante.
Voltem a Hebreus 12. Esse é o verdadeiro testemunho da vida de Cristo perseverando.
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o Qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-Se à direita do trono de Deus.
Considerai, pois, Aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra Si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
— Hebreus 12:2-3
Louvado seja Deus, enquanto prosseguimos, há esse olhar para Jesus — esse desviar o olhar de outras coisas, esse fixar os olhos nEle. Para mim, o princípio mais básico disso é tirar os olhos de nós mesmos.
Tirar os olhos de nós mesmos, de nossas circunstâncias, daquilo que pensamos ser os problemas, e olhar para Ele. No Evangelho, está escrito:
Levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima.
— Lucas 21:28
Há esse olhar para Ele.
À medida que olhamos para Ele, O contemplamos e O consideramos, somos encorajados porque vemos tudo o que Ele suportou. Então começamos a perceber que temos essa vida perseverante vivendo em nós.
Aquele que suportou a cruz, Aquele que desprezou a vergonha, Aquele que agora está assentado à direita do trono de Deus nas alturas, está agora em nós para nos ajudar a atravessar qualquer situação em que possamos nos encontrar.
Será que poderíamos enxergar que isso é um ajuste de nossa perspectiva — enxergar além do imediato? Ele viu a alegria que Lhe estava proposta. Ele viu o coração do Pai. Sabia que Deus tinha um propósito. Essa visão era uma realidade dentro dEle, e isso O manteve prosseguindo.
Se vamos experimentar mais do Senhor nesse aspecto da vida perseverante, precisamos ter uma compreensão clara e uma visão clara do chamado de Deus para nossa vida, do propósito de Deus para nossa vida e de tudo o que estamos fazendo.
Deus tem um fim em vista, e Ele está nos chamando. Jesus viu o coração do Pai e conhecia o fim. Que nós também possamos enxergar esse coração do Pai.
Consideramos isso há alguns anos, na conferência aqui. O tema era Vê-Lo, Conhecê-Lo e Segui-Lo. Simplesmente vê-Lo, fixar os olhos nEle.
Lembrei-me de Hebreus 11, de como Moisés perseverou:
Como quem vê Aquele que é invisível.
— Hebreus 11:27
Moisés enxergou além.
Vemos esse tema recorrente ao longo das Escrituras. José enxergou além; aqueles sonhos o sustentaram. Davi, quando Samuel o ungiu rei, não se sentia como um rei, mas algo ficou marcado em seu coração — uma marca eterna.
Paulo enxergou além quando foi alcançado naquela estrada para Damasco. Muitos santos têm testemunhos maravilhosos de como o Senhor os conquistou. Eles viram, perseveraram em meio às dificuldades e entraram cada vez mais nessa grande realidade.
Como precisamos dessa visão nestes dias! Muitas pessoas se cansam de ouvir falar de visão e pensam que é algo muito abstrato. A visão é muito prática. Ela afeta nossa vida.
Ela afetou a vida de Paulo. Por causa da visão celestial que Paulo teve, ele pôde suportar estar preso várias vezes. Lemos em Coríntios tudo pelo que Paulo passou. Foi porque Paulo era um homem forte? Não.
Paulo pôde suportar todos aqueles açoites e naufrágios porque tinha a vida perseverante dentro de si, e permitiu que essa vida perseverante o sustentasse em tudo.
Sei que poderíamos ouvir testemunhos de muitos nesta sala que passaram por várias provações e situações. Eles diriam prontamente que não foram eles mesmos, mas a vida perseverante dentro deles que os sustentou.
Essa é a visão. É isso que buscamos. É disso que precisamos nestes últimos dias. Se não tivermos isso, nos cansaremos e desfaleceremos, como diz o final de Hebreus 12:3.
Há esse perigo. O Senhor nos conhece. Ele não quer que nos cansemos e desanimemos. Mas, sem visão, nós nos cansamos e desanimamos.
Podemos ter santos fazendo exatamente a mesma coisa. Tomemos como exemplo uma refeição depois de uma reunião de domingo. Sei que muitas assembleias aqui fazem refeições juntas aos domingos, como nós fazemos em Richmond.
Se vocês olharem ao redor, às vezes verão diferentes santos fazendo exatamente a mesma coisa, mas um deles tem um grande sorriso no rosto. Ele tem um rosto redondo e está tão feliz porque enxerga o propósito. Diz: “Isto é comunhão. Isto é compartilhar uns com os outros”.
Vai além da comida — até para vocês, chineses, vai além da comida. É a comunhão. É essa vida de Cristo compartilhada uns com os outros. Essa é a alegria.
Mas há outros ali de cara amarrada. Estão tão tristes, e aquilo é um fardo para eles. “Ah, esse sujeito come tanto. Eles não gostam disso. Ninguém…” Eles conseguem encontrar qualquer coisa de que reclamar.
Estão fazendo exatamente as mesmas coisas, mas com um espírito diferente, porque um enxerga o propósito e o outro não. Que o Senhor nos conquiste com Seu coração e Seu propósito para aquilo a que nos chamou.
É assim que entramos nessa perseverança e seguimos adiante em meio a estes tempos difíceis. Quanto mais prosseguimos, mais vemos a natureza dessa vida perseverante.
À medida que prosseguimos, começamos a ter um vislumbre e a provar essa vida exaltada. Voltem a Filipenses 2, porque ali Paulo testifica dessa vida exaltada.
Se vocês realmente examinarem esse capítulo, verão tudo pelo que nosso Senhor Jesus passou. O que estamos contemplando aqui é a vida de nosso Senhor Jesus. Estamos vendo que Ele é a vida exaltada. A vida exaltada é uma Pessoa.
Vemos diante de nossos olhos como Ele deixou o esplendor do céu, como existia em forma de Deus, mas não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se apegar. Ele esvaziou-Se, assumiu a forma de servo e tornou-Se semelhante aos homens.
Ele humilhou-Se, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz. Louvado seja Deus, será que compreendemos a magnitude de o Filho de Deus humilhar-Se até à morte?
Para mim, essa é uma daquelas coisas que ultrapassam nossa compreensão. Não está além de nossa capacidade de apreciá-la, mas pode estar além de nossa compreensão. Algo grandioso foi feito ali. Que demonstração de amor!
Tudo isso aconteceu porque Ele tinha uma visão e um propósito em vista. Qual foi a resposta?
Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira, e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.
— Filipenses 2:9-11
Que exaltação temos aqui! Ele é Aquele que Se humilhou. Como Cristo entrou nessa vida exaltada? Ele humilhou-Se até à morte e obedeceu ao Seu Pai. Houve humildade e obediência.
Queremos entrar cada vez mais em uma vida exaltada? Há uma humildade colocada diante de nós. Há uma obediência colocada diante de nós. Mas, louvado seja Deus, temos essa vida dentro de nós, e há uma fragrância nela.
Outra expressão para a vida exaltada é a vida vencedora. Essa é a vida que venceu todas as coisas. Ele está muito acima de tudo. Ele é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele é Aquele que venceu tudo. Ele conquistou essa poderosa vitória.
Será que compreendemos o poder dessa vida que temos dentro de nós? Temos essa vida exaltada vivendo em nós. Paulo estava tentando expressar o poder dessa vida em Efésios 1, quando falou:
Da suprema grandeza do Seu poder.
— Efésios 1:19
Seu poder excede todos os outros poderes. Quaisquer que sejam os poderes que consideremos tão grandes, há uma vida em nós que excede esse poder e o supera. Essa é a vida que temos dentro de nós. Esse é Cristo, nossa vida. Não depende de nós; é a vida dEle.
Nesta semana, muitos irmãos e irmãs tiveram a bênção de poder visitar nosso querido irmão Hosea. Fomos abençoados ao visitá-lo ontem à tarde.
Ao olhar para ele, víamos que estava muito fraco e incapacitado exteriormente. Era como se quase não houvesse nada ali. Mas, assim que entrávamos naquele quarto, havia a presença do Senhor. Havia uma vida exaltada ali.
Era o testemunho de alguém que havia corrido a carreira, de alguém que havia entregado sua vida. Havia uma vida exaltada.
É tão curioso. Você está ali para consolá-lo. Está ali para orar com ele. No entanto, sem que ele diga nada, é você quem recebe a bênção, porque tocou a vida.
Essa é a vida exaltada. Essa é a vida que cada um de nós tem dentro de si. Assim como nosso Senhor teve de passar pela cruz, diariamente nós passamos pela cruz, e vemos como o Senhor manifesta cada vez mais de Sua vida em nós.
Uma última coisa que eu queria mencionar sobre essa vida é que a obra que o Senhor faz em nós é multifacetada. Com isso, quero dizer que há diferentes facetas em nossa vida. Temos muitas facetas e muitos aspectos em nossa vida.
Talvez, em uma área de nossa vida, já tenhamos entrado, em certa medida, na vitória dessa vida. Talvez houvesse algo no passado que era uma verdadeira armadilha, mas, louvado seja Deus, por Sua graça, nessa área específica entramos na vida exaltada. Podemos dizer que temos vitória sobre aquilo, e dizemos que não somos nós, mas Ele.
Ao mesmo tempo, em outra parte de nossa vida, talvez ainda estejamos lutando com algumas coisas nessa vida trocada. Entregamos a Ele e depois tomamos de volta. Entregamos e tomamos de volta. Lutamos com algumas coisas.
Tudo bem. Isso é normal. Ele não nos muda inteiramente de uma só vez. O inimigo nos acusará dessa maneira. Dirá: “Veja, você pensa que é tão bom por causa disso. Olhe para esta parte da sua vida”.
Mas não temos base para nos colocar diante do inimigo apoiados em qualquer uma de nossas obras. Tudo se baseia no que Cristo fez.
Somos gratos porque Ele trabalha de maneira multifacetada. Mas a promessa que temos é que Ele completará a obra que começou. Louvado seja Deus por essa promessa.
Deus é tão zeloso. Está escrito que nosso Deus é um Deus zeloso. Deus tem um zelo tão grande para que a vida do Seu Filho seja revelada, vivida e vista por meio do Seu povo.
Enquanto estamos aqui neste fim de semana considerando isso, que possamos voltar a um lugar de simplicidade em Cristo. O mundo de hoje, e o cristianismo, gostam de tornar as coisas tão complicadas.
Mas, quanto mais olhamos para a vida de Cristo, para a maneira simples como Ele Se humilhou nos vários aspectos da Sua vida, vemos que havia uma simplicidade ali. Ele está nos chamando a andar nessa simplicidade.
Que possamos enxergar, de maneira mais plena e ampla, cada vez mais da natureza ilimitada dessa vida eterna. Que Ele nos dê uma nova visão dessa vida eterna que agora vive dentro de nós.
Que o Senhor nos capacite a enxergar a liberdade e a beleza dessa vida trocada. Fomos libertos. Louvado seja Deus, que possamos entrar nessa gloriosa liberdade como filhos de Deus.
Que sejamos encorajados e fortalecidos por essa vida perseverante — não nos cansando, mas permitindo que essa vida perseverante nos conduza até o fim como um testemunho para Ele.
Que sejamos aqueles que simplesmente se prostram e adoram aos pés dessa vida exaltada, dessa vida vencedora, dessa vida inteiramente vitoriosa, dessa vida que vive dentro de nós.
Que tesouro temos neste vaso de barro! Que possamos enxergá-lo cada vez mais.
Creio que isso é tão vital, e sou grato aos nossos irmãos por terem proposto esse tema, porque os dias em que vivemos são tão maus e tão sombrios. Há, nestes dias, um chamado para voltar a Cristo. Esse é o caminho para atravessá-los.
Quanto mais entrarmos na realidade de Cristo como nossa vida, mais haverá um impacto. Temos um coração voltado para o Evangelho. Se Cristo for a nossa vida, se a vida do Seu povo for fortalecida, o Evangelho avançará. Haverá esse transbordar de Deus.
Por que, às vezes, o Evangelho é considerado ineficaz? Na verdade, é por causa de nossa própria fraqueza. Mas, quanto mais permitirmos que Cristo atue em nós, simplesmente nos humilharmos, obedecermos a Ele e permitirmos que esse glorioso Evangelho avance, mais Sua vida será expressa em nós.
Oramos para que isso também seja um fortalecimento e um encorajamento para aqueles que ficaram desanimados e desiludidos. Vemos tantos queridos, pessoas que até estiveram nesta conferência ao longo dos anos. Onde estão? Ficaram desanimados e desiludidos — afastaram-se para cá ou para lá.
Mas, se houver uma realidade de Cristo em nós que possa resplandecer, isso encorajará essas pessoas a voltar. Há um transbordar que as alcança e permite que sejam fortalecidas e restauradas, para que também possam correr essa carreira para a glória e a honra dEle.
Para os fiéis que continuam prosseguindo em direção ao alvo, há encorajamento. Somos gratos pelos muitos que estão correndo essa carreira e prosseguindo.
Quanto mais vemos Cristo, nossa vida, mais isso nos encoraja a não nos cansarmos e a não deixarmos de fazer o bem à família de Deus, mas a encorajar, fortalecer e prosseguir, para que todos possamos, ao final, ser esses vencedores.
Vencedores no sentido de pessoas que vivem a vida cristã normal. Por causa dessa inteligência artificial, há tantos vivendo uma vida abaixo do normal. Mas que essa vida cristã normal seja realmente recuperada de uma maneira que possa atrair pessoas a Cristo.
Simplesmente, Ele deseja viver Sua vida por meio de nós. Que não sejamos o impedimento para isso. Que saiamos do caminho e permitamos que Sua vida se manifeste para Sua glória e honra.
Por meio disso, que sejamos aqueles que permitem ao Senhor trabalhar de tal maneira que Sua volta seja apressada. Temos esse desejo pela Sua volta. Sabemos que ela é tão iminente.
Que possamos chegar ao ponto de ser um testemunho vivo: Cristo, nossa vida. Que o Senhor use este fim de semana para trabalhar em cada um de nós. Que o Senhor abençoe nossos outros irmãos enquanto compartilham sobre outros aspectos disso, para que possamos enxergar a plenitude de tudo aquilo em que fomos introduzidos e Seu grande zelo para que Seu Filho seja visto em Seu povo.
Vamos orar.
Senhor, somos tão gratos por sermos os privilegiados nesta terra, e esse privilégio vem por causa da Tua graça. Não é por causa de nós. Mas, por Tua graça, Tu nos chamaste a Ti mesmo. Por Tua graça, Tu nos atraíste. Por Tua graça, Tu nos guardaste.
Senhor, somos gratos pela vida que temos dentro de nós. Somos gratos pelas muitas maneiras como experimentamos essa vida. Mas, Senhor, também sabemos que há cada vez mais da plenitude de Cristo que Tu desejas que cada um de nós experimente individualmente, em nossas famílias e em nossas assembleias.
Neste fim de semana, Senhor, queremos nos oferecer a Ti e conceder-Te ampla liberdade para trabalhar de acordo com Teu propósito para este tempo juntos.
Em nome de Jesus. Amém.