Quero apenas reforçar o que Jerry compartilhou: como é maravilhoso finalmente estarmos juntos. Somos muito gratos porque, ao nos reunirmos, todos sabemos que irmãos de muitos lugares diferentes têm orado durante muitos meses por este tempo.
E isso traz certa expectativa ao nosso coração, porque, considerando os dias e os tempos em que vivemos, sabemos que não estamos aqui por acaso. Estamos aqui para um tempo como este. O Senhor tem um propósito especial para este tempo.
É maravilhoso podermos deixar de lado tantas coisas que tentam nos distrair, tantas preocupações da vida, e realmente nos entregar inteiramente a Ele, para ouvir o que Ele compartilha conosco do Seu coração nesta semana. Somos gratos pelos nossos irmãos que compartilharão a Palavra ao longo da semana.
Neste momento introdutório de hoje à noite, desejamos simplesmente estabelecer uma disposição para a semana que permita ao nosso Senhor entrar e trabalhar no coração e na vida de cada um de nós. Então, vamos fazer uma oração antes de começar.
Senhor, continuamos a Te adorar e a Te louvar. Somos tão gratos pela multidão de orações que tantos santos têm elevado a Ti. Agradecemos porque, estando aqui agora, pela fé entramos nessas orações.
Senhor, somos gratos porque, acima de tudo, Tu, como nosso grande Sumo Sacerdote, estás intercedendo por este tempo. Somos gratos porque, em Ti, Senhor, fizeste toda a provisão para este tempo. Pela fé, entramos nela.
Reconhecemos os dias e os tempos em que estamos vivendo. Reconhecemos este chamado e este tema de estar preparados. Creio que cada um de nós está aqui com este simples desejo: “Senhor, queremos ser aqueles que estão prontos para a Tua volta”.
Por isso, abrimos nosso coração a Ti, Senhor, e realmente esperamos em Ti para que, de maneira maravilhosa, fales a cada um de nós. Em Teu nome oramos. Amém.
Somos gratos por podermos nos reunir. Como sabemos pelas muitas camisetas que vocês já viram e pelo manual, o tema deste ano é “Estejam preparados”. É sempre bom perguntar: de onde veio esse tema?
Ele surgiu no ano passado. Enquanto nos reuníamos em torno do tema “Vocês têm necessidade de perseverança”, nosso irmão Stephen frequentemente nos fazia uma pergunta simples: “Vocês estão prontos?”. Ele perguntava com ênfase, e havia ali um encargo genuíno.
Apreciei muito quando ele compartilhou isso, porque era como uma figura paterna clamando do fundo do coração, por amor e preocupação conosco: “Vocês estão realmente prontos?”.
É maravilhoso termos esses queridos irmãos que vão à nossa frente, aqueles que já passaram por muitas coisas. Eles enxergam o que está diante de nós. Às vezes, por nossa falta de experiência, há certa ingenuidade em relação aos dias em que vivemos.
Aqueles que, como nosso irmão, já passaram por tantas coisas estão simplesmente clamando para que despertemos e reconheçamos o tempo — a urgência dos dias em que estamos vivendo.
Até mesmo o nosso Senhor, quando estava nesta terra, foi questionado pelos Seus discípulos: “Senhor, quando voltarás? Quais são os sinais dos tempos? O que vai acontecer?”. Em algumas ocasiões, nosso Senhor mencionou várias sequências de acontecimentos.
É bom podermos estudar e ter nossas considerações sobre a sequência dos acontecimentos e as coisas que vão ocorrer. Mas, quando examinamos de fato o que nosso Senhor compartilhou, vemos que a principal preocupação do Seu coração em relação aos discípulos era a condição deles.
Ele lhes fazia esse apelo repetidamente: “Vocês estão prontos?”. Se vocês examinarem Mateus 24, muitas das parábolas do discurso no monte das Oliveiras trazem esse encargo. Não vamos examinar todas, mas há um versículo em Mateus 24:44:
Por isso, estai vós também preparados;
porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis.
Então, Ele continua e conta uma parábola sobre um servo fiel, estabelecendo um contraste. Se vocês examinarem os versículos seguintes, verão que, na verdade, se trata de um servo, não de dois. Ao entrarmos nestes dias, uma escolha é colocada diante de nós: seremos o servo fiel ou seremos o servo mau?
O contraste entre os dois é que um se preocupava com o senhor. Seu coração estava voltado para o senhor, e ele aguardava a volta do senhor. Ele cuidava das coisas da casa do senhor.
Esse servo tinha um coração voltado para o senhor. Estava atento, na expectativa, e queria estar pronto para a sua chegada. Com aquilo que o senhor lhe havia confiado, ele não fez nada espetacular. Simplesmente foi fiel.
O Senhor disse: “Cuide da Minha casa. Cuide daqueles que estão na casa”. Esse querido servo simplesmente cuidou deles. Fez o que lhe foi pedido. Fez aquilo que havia sido colocado em suas mãos.
Mas havia outra possibilidade. Uma pessoa poderia fazer uma escolha e se tornar aquele servo mau. O mau diz: “Meu senhor está demorando”. Ele é egocêntrico, vive para si mesmo, não se importa com os outros que estão na casa nem com as coisas do senhor.
Nestes dias e neste tempo, essa pergunta está diante de nós: para onde estão voltadas as afeições do nosso coração? Nosso coração está voltado para as coisas do nosso Senhor? Nós nos importamos com a Sua volta? Nós nos importamos com as coisas da Sua casa? Nós nos importamos com nossos irmãos e irmãs? Ou estamos simplesmente vivendo para nós mesmos, cuidando apenas dos nossos próprios interesses?
Somos gratos porque um deles fez uma escolha pelo senhor. Creio que cada um de nós fez uma escolha ao estar aqui nesta semana. Não estamos vindo para uma sessão acadêmica sobre como ser preparados.
A maioria de nós, ao longo desta vida e à medida que o Senhor tem nos tocado, percebe cada vez mais que não é o desempenho exterior que interessa ao nosso Senhor. O Senhor está olhando para o nosso coração. É isso que Ele vê.
Cada um de nós reconhece a condição do próprio coração. A maioria de nós pode dizer: “Meu coração realmente não está onde deveria estar”. Somos gratos por tudo o que Ele fez, mas queremos que nosso coração seja ainda mais atraído por Ele.
Não queremos servir a outros deuses nem aos ídolos deste mundo. Queremos um coração inteiramente entregue a Ele, ocupado com a Sua vontade e o Seu propósito.
Quando examinamos as várias parábolas que nosso Senhor compartilhou, vemos que era isso que estava no Seu coração. Ele desejava aqueles que fossem fiéis. Procurava aqueles que pudessem andar em sabedoria, aqueles que estivessem prontos e aqueles que tivessem o poder capacitador do Espírito Santo, por terem tratado com Ele e por terem azeite de reserva para a Sua volta.
Não sabemos o que está à nossa frente. Em muitos sentidos, nem sequer sabemos para o que estamos sendo preparados, porque não sabemos o que vem pela frente. Mas sabemos Quem está à nossa frente.
A maneira de sermos preparados é a mesma pela qual chegamos até aqui: simplesmente mantendo nossos olhos Nele. À medida que voltamos os olhos do nosso coração para o amor do nosso Senhor e olhamos para Ele, Ele pode continuar a nos preparar de uma maneira que seja um testemunho para Ele nesta hora.
Nos escritos do Novo Testamento, vemos como essa questão de o nosso coração estar na condição correta ocupava o coração dos apóstolos. Paulo frequentemente falou sobre uma sequência de acontecimentos em suas cartas aos tessalonicenses e em outros lugares, mas, quando escreveu à igreja em Éfeso, também disse, em Efésios 5:14:
Desperta, tu que dormes,
e levanta-te dentre os mortos,
e Cristo te iluminará.
Tenham cuidado com a maneira como andam. Estes dias são maus. Andem como sábios, não como insensatos, compreendendo a vontade de Deus. Isso significa tratar diariamente com o Senhor e ter esse relacionamento íntimo e pessoal com Ele.
Pedro encorajou os santos de modo semelhante em sua epístola. Quando falou sobre a chegada do dia do Senhor, Pedro perguntou: “Que tipo de pessoas devemos ser?”. Em nossa conduta santa, em nosso andar e em nosso caráter, devemos expressar um caráter piedoso.
É esse caráter que nosso Senhor procura. Nosso Senhor procura a vida do Seu Filho manifestada no Seu povo. É isso, de fato, que está no Seu coração.
Ao passarmos este tempo juntos nesta semana, creio que é isso que o Senhor deseja trabalhar em cada um de nós. Ele não quer que fiquemos concentrados apenas em sequências de acontecimentos. Ele sabe que teremos nossas opiniões e nossas várias considerações.
É por isso que Ele disse: “Virei numa hora em que vocês não pensam que Eu virei”. Ele sabe que teremos essas ideias. Eu garanto a vocês — e, sempre que alguém garante alguma coisa, já está pisando em terreno escorregadio — que, em meio a todas as diferentes interpretações teológicas, creio que, quando o Senhor voltar, cada um de nós será surpreendido de uma maneira ou de outra.
Seja o que for que estejamos pensando, haverá algum aspecto Dele, algo da Sua plenitude e algo a respeito da Sua volta que nos deixará maravilhados e surpresos. Há tamanha plenitude Nele, enquanto somos tão limitados em nosso modo de pensar e em nossas ideias.
Ele deseja que cresçamos nessa união com Ele que experimentamos no Espírito, conhecendo-O de maneira mais plena e mais profunda. É por isso que somos gratos por podermos estar aqui nesta semana.
Em nosso coração, aguardamos aquele dia. Aguardamos aquele tempo glorioso descrito em Apocalipse 11:15:
O reino do mundo se tornou
o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo;
e Ele reinará pelos séculos dos séculos.
Esse é o desejo do nosso coração. Desejamos que nosso Rei venha. Desejamos que esse reino seja estabelecido e queremos ser aqueles que apressam a Sua volta. É por isso que estamos aproveitando esta oportunidade de estar juntos na Sua presença.
Ao examinarmos as Escrituras, somos gratos porque, diante dessas questões sobre o desejo de estar prontos e preparados, encontramos nelas muitas belas figuras e exemplos de preparação.
Em 1 Coríntios, lemos que o Antigo Testamento foi escrito para nossa instrução. Há muitos exemplos no Antigo Testamento, escritos para a instrução de nós, sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
Ao considerarmos essa questão de estar preparados, fomos levados de volta a 1 Crônicas 12. Enquanto desejávamos a vinda desse reino, pensamos: há alguma história ou figura no Antigo Testamento de um momento em que esse reino veio?
Em 1 Crônicas 12, estava prestes a acontecer uma grande transferência do reino. O reino de Saul estava prestes a ser transferido para Davi. Davi havia sido ungido rei por Samuel muitos anos antes, mas ainda não havia sido reconhecido publicamente como rei de Israel.
Homens valorosos estavam reunidos — aqueles que haviam sofrido rejeição com Davi, que haviam passado por tempos difíceis e que haviam aprendido, sob a direção de Davi, a se tornar homens valentes. Tinham um coração voltado para os interesses dele e estavam vencendo em meio à perseguição.
Estavam prontos para transferir o reino de Saul para o reino de Davi. Estavam reunidos com um só coração e um só propósito.
Irmãos e irmãs, é pela mesma razão que estamos aqui. Desejamos conhecer e ver essa grande transferência do reino para o nosso Senhor. Sabemos que Jesus é o Rei de toda a terra, mas Ele não é reconhecido publicamente como Rei nesta terra.
Muitos não reconhecem isso, mas sabemos muito bem que haverá um dia em que todos saberão que Ele é Rei, e todo joelho se dobrará. Graças a Deus, nós já sabemos disso e podemos dobrar os joelhos agora.
Queremos olhar para esses queridos homens que se reuniram para fazer Davi rei e ver como haviam sido preparados, para que, de maneira semelhante, permitamos ao Senhor nos preparar para essa grande transferência do reino que está por vir em nossos dias.
Vamos voltar a 1 Crônicas 12. É aqui que encontramos o versículo do nosso tema. 1 Crônicas 12:32 fala dos filhos de Issacar:
E dos filhos de Issacar, homens que tinham entendimento dos tempos,
para saberem o que Israel devia fazer;
os seus chefes eram duzentos;
e todos os seus irmãos estavam sob as suas ordens.
A frase que chamou nossa atenção enquanto orávamos na reunião de planejamento foi esta: “Homens que entendiam os tempos, com conhecimento do que Israel devia fazer”. Há duas características vitais aqui: eles entendiam os tempos e sabiam o que Israel devia fazer.
Isso era vital e essencial naquela época e, irmãos e irmãs, é igualmente vital e essencial agora. É vital que o Senhor tenha um povo que entenda os tempos.
Quando olhamos ao redor, os tempos são bastante evidentes. A cada dia, parece que vemos mais um sinal. Há alguns anos, era possível listar algumas coisas, mas os sinais dos tempos estão aumentando em rapidez e intensidade.
No entanto, não se trata apenas de entender os sinais dos tempos. Trata-se também de saber o que a igreja deve fazer — saber como nós, como povo de Deus, devemos nos entregar completamente a Ele, fazer a Sua vontade e estar preparados para a Sua volta.
É isso que Deus busca nesta hora, e é para isso que estamos aqui nesta semana. Não vou entrar nos detalhes desse versículo, porque nossos irmãos provavelmente o desenvolverão ao longo da semana.
Mas gostaria que primeiro considerássemos o contexto de 1 Crônicas 12. Provavelmente vou dizer Coríntios quando estiver querendo dizer Crônicas, mas vocês terão que se acostumar com isso. Na verdade, estou apenas verificando se vocês estão acordados.
Por que esses homens estavam ali? Uma das coisas mais bonitas é que cada um estava ali porque havia feito a escolha de estar ali. Foi uma escolha voluntária. Nenhum deles era obrigado a estar ali.
Saul ainda era rei. Ele tinha o poder. Ele reinava. Davi era um fugitivo; ainda não havia sido reconhecido publicamente como rei.
No início de 1 Crônicas 12, Saul ainda era rei. Na parte final do capítulo, Saul já estava morto, e o povo estava reunido em Hebrom. Mas sabemos pelos livros de Samuel que a guerra entre a casa de Davi e a casa de Saul ainda continuava.
Não foi uma transição fácil. Havia uma batalha em andamento. Haveria uma batalha tremenda. Era uma guerra.
Irmãos e irmãs, nos dias em que vivemos, há uma batalha pelo testemunho de Jesus. Aqueles que desejam ser um testemunho de Jesus, tanto em nossa vida individual quanto em nossa vida juntos, logo percebem que existe uma batalha tremenda pelo testemunho de Jesus.
Mas, graças a Deus, ao olharmos para esses queridos homens, vemos que 1 Crônicas 12:38 resume por que estavam ali. Depois de listar aqueles que vieram a Hebrom para fazer Davi rei, o texto diz:
Todos estes, homens de guerra, que sabiam ordenar a batalha,
vieram a Hebrom com coração íntegro, para fazer Davi rei sobre todo o Israel;
e também todo o restante de Israel era de um só coração para fazer Davi rei.
Amo esse versículo porque ele nos mostra como esses homens estavam reunidos e preparados. Eles haviam aprendido. Haviam passado por disciplina e treinamento.
Estavam ali com um só propósito. Não estavam ali simplesmente para fazer o que era certo aos próprios olhos. Não estavam ali por nenhuma outra razão senão fazer Davi rei.
Irmãos e irmãs, isso nos diz muito. Com o que estamos ocupados nestes dias? Há em nosso coração um único propósito de fazer do nosso Senhor Jesus Cristo o Rei da nossa vida, individualmente e juntos?
Há uma unidade de propósito à qual Ele deseja nos conduzir. Esse é um aspecto da preparação: conhecer e ter clareza a respeito daquilo para o que Deus está nos chamando nesta hora.
Não havia apenas um só propósito; havia também um só coração. O versículo diz que eles estavam reunidos com coração íntegro. Isso não significa um coração sem pecado; significa um coração sem divisão.
Sua afeição era atraída para Davi. Havia amor pelo seu rei, e fariam tudo o que pudessem por ele. Não estavam distraídos com outras coisas, e suas afeições não estavam voltadas para outras coisas.
Haviam sido conquistados pelo amor ao seu rei. Irmãos e irmãs, esta é a pergunta diante de nós: nossas afeições foram conquistadas pelo nosso Rei?
O amor de Cristo nos conquistou de tal maneira que somos constrangidos pelo amor de Cristo? Já não vivemos para nós mesmos, mas para Aquele que nos amou e morreu por nós?
Esses são os que estão preparados para trazer o reino. É para isso que o Senhor nos chama nesta hora: que não tenhamos outras afeições, mas que nossa afeição esteja inteiramente voltada para Ele.
Ao olhar para essa lista, gosto muito de como ela fala de cada família ali presente. Cada família era singular. Havia uma grande variedade de habilidades, mas todos estavam unidos como um só.
Cada família era vital. Cada família era essencial. Os filhos de Issacar eram importantes, mas não estavam ali sozinhos. Eram parte do todo.
Poderiam ter todo o entendimento e toda a sabedoria sobre o que Israel devia fazer, mas não poderiam fazer isso sozinhos. Dependiam de todos os outros que estavam com eles.
Em meio à grande diversidade de seus dons e da maneira como o Senhor os usava, haviam sido conduzidos à unidade de testemunho.
Irmãos e irmãs, é para isso que o Senhor nos chama nesta hora. Há uma grande diversidade da vida do Senhor sendo manifestada por meio de muitos irmãos e irmãs, de muitas maneiras diferentes. Mas estamos usando isso para nós mesmos ou estamos permitindo que o Senhor nos conduza à experiência da unidade no corpo de Cristo?
Não se trata de uma unidade exterior, ecumênica. Trata-se de permitir que a Sua vida nos una na experiência diária dessa vida, permitindo que a operação da cruz nos leve a negar a nós mesmos, cuidar dos outros e colocar toda a nossa afeição nas coisas do Senhor.
É importante lembrarmos que, embora nos concentremos nos filhos de Issacar, eles eram apenas uma parte. Graças a Deus, cada um de nós é parte do corpo de Cristo.
Cada um de nós é vital. Não há membro insignificante no corpo de Cristo. Todo membro é vital. O Senhor precisa de cada um de nós e deseja que entremos na experiência da unidade da Sua vida, que foi colocada em nós.
Esses homens haviam se disposto a passar pelo processo de ser preparados. O texto diz que sabiam se organizar em formação de batalha ou, em algumas traduções, que sabiam manter as fileiras.
Ninguém se organiza em formação de batalha sem muito treinamento. Uma formação de batalha não é apenas um desfile ou uma cerimônia.
Quando servi nas forças armadas por algum tempo, fiz parte de uma equipe de ordem unida. Podíamos nos organizar em todos os tipos de formação. Tínhamos nossos fuzis, tudo estava polido, usávamos peças de metal nas solas dos sapatos e podíamos fazer uma grande apresentação. Podíamos lançar os fuzis uns para os outros e pegá-los. Podíamos marchar pela rua e fazer uma bela exibição.
Mas aquilo era apenas uma apresentação. Não havia nenhuma batalha acontecendo. Quando começam os tiros e o fogo das armas, é algo completamente diferente.
Manter uma formação de batalha em meio ao combate — manter as fileiras — significa que o comandante tem um plano e que, em meio à batalha, você mantém esse plano, não importa o que esteja passando ao redor da sua cabeça.
Quando você está numa batalha, não sabe de onde as coisas estão vindo. A atmosfera muda; até o cheiro muda. Há cheiro de fumaça e cheiro de sangue. Toda a dinâmica muda.
Mas esses homens haviam sido preparados para atravessar situações assim. Irmãos e irmãs, nos dias em que estamos vivendo, provavelmente poderíamos ouvir um testemunho de cada irmão e irmã aqui sobre as batalhas em que estamos envolvidos.
O Senhor está usando todas essas coisas para nos treinar — não apenas individualmente, mas juntos — na guerra espiritual. Ele está nos treinando na questão de nos reunirmos para orar pelo Seu reino, orando pelos Seus interesses, e não pelos nossos.
Quando pensamos nos queridos homens que estavam com Davi e nas batalhas pelas quais passaram, uma coisa singular é que a maioria das batalhas era completamente diferente.
Numa ocasião, faziam um ataque direto. Em outra, davam a volta e chegavam por trás. Em outra, ficavam à espreita e preparavam uma emboscada. Havia muitas batalhas diferentes, dependendo de cada situação.
O que funcionava numa batalha talvez não funcionasse em outra. Estamos permitindo que o Senhor nos treine para que compreendamos os tempos e os dias específicos em que estamos vivendo e a maneira específica como Ele quer que enfrentemos determinada situação?
Algo pode ter funcionado na semana passada, mas a batalha atual pode exigir outra estratégia. Temos aqueles que entendem os tempos e sabem o que devemos fazer para lutar essa batalha?
Isso vem do relacionamento com a Cabeça. Esses homens estavam com Davi. Quando Davi dizia: “Vão por aqui” ou “Vão por ali”, eles tinham ouvidos para ouvir. Não questionavam seu senhor; avançavam, e a grande transferência do reino aconteceu.
Que sejamos aqueles que permitem ao Espírito Santo nos treinar nesta hora. Há uma grande batalha nestes dias. É a batalha dos séculos.
Podemos nos animar, porque as coisas só vão piorar. A batalha está apenas se tornando mais intensa. Irmãos e irmãs, não coloquem sua esperança numa Suprema Corte conservadora.
Louvado seja Deus por tudo o que acontecer, e agradeceremos ao Senhor. Mas nossa esperança não está numa Suprema Corte conservadora. Nossa esperança está no Rei dos reis e Senhor dos senhores. É para Ele que olhamos. É Nele que mantemos nossos olhos.
Irmãos e irmãs, os filhos de Issacar eram um povo com um destino, e nós, assim como eles, somos um povo com um destino.
Eles nasceram com um propósito. Nós nascemos com um propósito. Eles eram propriedade de Deus, e nós também somos propriedade de Deus.
Estamos aqui para proclamar as excelências Daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. Eles eram uma parte e nós, assim como eles, somos parte do todo.
Seus interesses estavam voltados para as coisas do rei. Queremos que nossos interesses estejam voltados para as coisas do Rei. Queremos aprender a lutar como eles aprenderam a lutar.
Gostaria que considerássemos a história da tribo de Issacar. Quantos aqui já estudaram a tribo de Issacar? Não existem muitos estudos teológicos sobre a tribo de Issacar, então estou em terreno seguro. Não tenho tantos especialistas aqui.
Vemos como esses queridos homens chegaram a um lugar de maturidade espiritual. Chegaram a compreender a vontade de Deus e a conhecer os tempos. Como chegaram lá? Foi simplesmente um “puf”, e lá estavam eles? Acho que a maioria de nós diria que não.
Passaram por um processo. Passaram por um processo de crescimento. Não estamos olhando para os filhos de Issacar tanto como uma lição de história, mas para considerar aquilo pelo que passaram, de modo que nós, de maneira semelhante, possamos aprender.
Nós, assim como eles, somos um povo com um destino. Eles passaram por muitas coisas, e queremos permitir que nos ensinem.
Antes de avançarmos no estudo dos filhos de Issacar, gostaria de ler algumas passagens das Escrituras para nos lembrar do que temos em Cristo e do grande chamado que Ele nos deu.
Nascemos de novo. O Senhor nos comprou, não apenas para nos redimir, mas também nos chamou com um propósito. Quero ler alguns versículos conhecidos de Efésios.
Às vezes, quando temos versículos conhecidos, podemos permitir que se tornem familiares demais e percam sua preciosidade. Ao considerarmos os filhos de Issacar, quero que mantenhamos esses versículos de Efésios em mente.
O Senhor chamou os filhos de Issacar e lhes deu um destino, e Ele também nos chamou e nos deu um destino. Abram em Efésios 1. Não teremos oportunidade de desenvolver cada versículo, mas vamos colocá-los novamente diante de nós.
Observem que muitos desses versículos estão escritos no passado. O Senhor já fez isso por nós. Fomos introduzidos nisso. Essa é a nossa herança. É isso que temos em Cristo. Efésios 1:3 diz:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
que nos abençoou com toda bênção espiritual
nas regiões celestiais em Cristo.
Poderíamos ter uma conferência inteira sobre esse versículo. Mas será que realmente vemos aquilo em que o Senhor nos introduziu? Efésios 1:4-6 continua:
Assim como nos escolheu Nele antes da fundação do mundo,
para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele em amor;
tendo-nos predestinado para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, para Si mesmo,
segundo o beneplácito de Sua vontade,
para o louvor da glória de Sua graça,
que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado.
Vejam o que temos aqui, em Efésios 1:7-8:
No Qual temos a redenção pelo Seu sangue,
o perdão das nossas transgressões,
segundo as riquezas da Sua graça,
que Ele fez abundar para conosco
em toda sabedoria e prudência.
Não apenas segundo a Sua graça, mas segundo as riquezas da Sua graça, que podemos experimentar todos os dias. Ele a derramou abundantemente sobre nós em toda sabedoria e entendimento.
Ele nos deu a conhecer o mistério da Sua vontade. Ele nos revelou o Seu Filho. Deu-nos a conhecer o mistério da Sua vontade segundo o Seu beneplácito, que propôs Nele. Efésios 1:10 diz:
Para a dispensação da plenitude dos tempos,
de reunir todas as coisas em Cristo,
as que estão nos céus
e as que estão na terra.
Esse é o nosso Deus. Esse é o Seu desejo: reunir todas as coisas em Cristo. Fomos introduzidos nisso. Efésios 1:11-12 continua:
Nele também fomos feitos herança,
tendo sido predestinados segundo o propósito Daquele
que opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade;
a fim de sermos para o louvor da Sua glória.
Irmãos e irmãs, esses versículos são nossos. Como precisamos ter o desejo de entrar na experiência e na realidade daquilo que ouvimos.
Esses versículos são conhecidos. Não sei quantas vezes foram lidos nesta conferência ao longo dos anos, enquanto considerávamos o propósito eterno de Deus. Mas é para isso que o Senhor está nos chamando.
Queremos manter em mente aquilo para o que o Senhor nos chamou — nosso destino divino — ao olharmos para os filhos de Issacar.
Voltem à primeira menção de Issacar, em Gênesis 30. É aqui que Issacar nasceu.
Gostaria de olhar para Issacar e para os filhos de Issacar enquanto passam por um processo de crescimento, usando o padrão que João emprega em sua epístola. Veremos os filhos de Issacar passarem de criancinhas a jovens e, depois, a pais.
Eles passaram por experiências. Houve um processo de crescimento. Isso é importante porque, às vezes, queremos ser pais instantaneamente. Queremos tudo instantâneo — entendimento instantâneo e sabedoria instantânea. Mas há um processo para entrar nisso.
Às vezes, isso pode ser desanimador, porque já queremos estar lá. Mas o Senhor diz: “Não, Eu tenho um caminho. Tenho uma escola para vocês. Tenho um lugar de treinamento. Tenho uma obra a realizar na vida de vocês para treiná-los dessa maneira”.
Issacar era o quinto filho de Lia. Aprecio muito o fato de que até sua mãe, Lia, era uma mulher de visão.
É possível fazer um estudo inteiro sobre Raquel e Lia. Sabemos que Jacó amava Raquel, mas, no início, não tinha tanto interesse em Lia. No entanto, para mostrar o impacto que Lia teve sobre Jacó: no início, ele queria Raquel, mas, no fim, com quem Jacó foi sepultado?
Ele foi sepultado com Lia: Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Jacó e Lia. Ela era uma mãe, uma mulher de visão.
Entre seus filhos, os dois primeiros não foram tão bons — Rúben e Simeão —, mas depois temos Judá, Levi e Issacar: três irmãos.
Não estou fazendo um estudo expositivo desses versículos; estou apenas compartilhando minhas impressões. Mas, quando olho para Judá, Levi e Issacar, vejo um rei, um sacerdote e um profeta.
O Rei veio de Judá. Levi se tornou a tribo sacerdotal. Issacar era esse profeta, aquele que conhecia a mente de Deus.
O nome Issacar significa “ele trará uma recompensa”. Sempre que penso na palavra recompensa, minha mente vai imediatamente para o reino. Ele trará uma recompensa; ele trará esse reino.
Quando penso em Issacar, penso em alguém que nasceu com um destino divino e um propósito divino. Não foi simplesmente um nome dado ao acaso. Assim como Davi viria de Judá, Issacar era alguém a quem havia sido dado um destino divino.
Alguns capítulos depois, quando Jacó e toda a família estavam no Egito, Jacó orou por todos os seus filhos. Em Gênesis 49:14-15, vemos a bênção e a profecia de Jacó a respeito de Issacar:
Issacar é jumento forte,
deitado entre os apriscos;
e viu que o lugar de descanso era bom
e que a terra era agradável;
e inclinou o ombro para levar cargas
e tornou-se servo sujeito a trabalhos forçados.
Ele era esse jumento forte. Para mim, era alguém forte e trabalhador, sob a autoridade do seu senhor e trabalhando para fazer aquilo que seu senhor desejava.
Mas, além disso, a pequena expressão que chamou minha atenção na oração de Jacó foi simplesmente esta: “Ele viu”.
O que ele viu? Viu um lugar de descanso que era bom e viu uma terra agradável.
Quando pensamos num lugar de descanso e numa terra agradável, especialmente em termos do Antigo Testamento, pensamos naquela terra prometida — a terra agradável que manava leite e mel, a herança que o Senhor tinha para eles.
Ao dizer que ele viu, parece-me que ele estava destinado a ser um homem de visão, um homem de discernimento. Ainda não havia visto aquilo no âmbito físico, mas haveria de vê-lo.
Irmãos e irmãs, também para nós o Senhor colocou diante de nós esse lugar de descanso e essa terra agradável. Já não se trata de uma terra. Trata-se de uma Pessoa. Trata-se de Cristo.
Foi isso que os filhos de Issacar viram. Se colocarmos em termos dos nossos dias, eles viram Cristo. Viram-No como esse lugar de descanso. Viram-No como essa boa terra.
Queremos estar preparados para a volta do nosso Senhor? Queremos estar preparados para estes dias e este tempo? Nós realmente vemos o Senhor? Nós O vemos em toda a plenitude e em toda a provisão que temos Nele?
Issacar, desde o início, era alguém que chegaria a conhecer os tempos e a ter entendimento. Nasceu com um destino e um propósito divinos.
Nós também nascemos com esse propósito. Issacar teve um bom começo, e nós também tivemos um bom começo. Irmãos e irmãs, quando fomos redimidos pelo sangue do Cordeiro, não há começo melhor do que esse.
Quando fomos introduzidos em Cristo, não há começo melhor do que esse. Se nos lembrarmos de tudo aquilo em que fomos introduzidos, como lemos em Efésios, veremos que temos um bom começo.
Agora abram em Números 2. Aqui vemos outras coisas que nos encorajam a respeito de Issacar. Eles ainda estavam crescendo; ainda não eram maduros.
Em Números 2, vemos a organização do acampamento. A primeira tribo posicionada ali foi Judá. Judá estava do lado oriental. Por quê? Porque é ali que o sol nasce. É dali que o Rei vem. É ali que está a estrela da manhã.
Judá estava nesse primeiro lugar. Quem estava bem ao lado de Judá? Se vocês olharem Números 2:5, Issacar estava bem ali.
Entre todas as tribos, o Senhor colocou Judá e, logo ao seu lado, Issacar: um lugar de honra e responsabilidade, um lugar ao lado do rei, para atuar como profeta e oferecer orientação e entendimento.
Estavam ali em expectativa. Na verdade, saíam à frente. Estavam conduzindo toda a nação à vontade de Deus. Quando a marcha começava, estavam na frente, conduzindo seus irmãos e irmãs para onde Deus queria que fossem.
Esse é o espírito dos filhos de Issacar: cuidar do povo de Deus e nos conduzir cada vez mais àquilo que Deus tem para nós em Seu propósito e em Seu coração.
Há também a questão dos censos no início e no fim de Números. Vocês terão que desculpar o contador que há em mim, mas a tribo de Issacar cresceu.
No início, eram cerca de cinquenta e quatro mil e, no fim, cerca de sessenta e quatro mil. Durante o período registrado em Números, aumentaram aproximadamente vinte por cento.
De modo geral, as tribos fiéis cresceram ao longo de Números, enquanto as que não foram fiéis diminuíram. Por meio das provações e dos tempos difíceis pelos quais passaram, houve crescimento entre os filhos de Issacar.
Eles não eram perfeitos. Uma das provações pelas quais passaram envolveu um representante de Issacar que era um dos doze espias enviados à terra.
Poderíamos esperar que alguém de Issacar — alguém destinado a ver o lugar de descanso e a terra agradável — reconhecesse aquilo imediatamente. Ele diria: “É isto!”.
Todos viram que a terra era boa, mas os gigantes o aterrorizaram. Ele foi contado entre os espias que deram um mau relatório. Não enxergou que aquilo era tudo o que Deus tinha para eles. Viu as coisas da sua própria perspectiva, em vez da perspectiva de Deus.
Não enxergou aquilo como o lugar de descanso. Mas, graças a Deus, irmãos e irmãs, os filhos de Issacar continuaram avançando. Quando chegou o tempo de Davi, viram aquilo como a boa terra. Viram aquilo como o lugar de descanso.
Às vezes, podemos ficar desanimados porque não enxergamos alguma coisa. Todos nós enxergamos o propósito de Deus agora? Talvez não. Mas não desistam.
Uma coisa que me encorajou tanto a respeito dos filhos de Issacar é que eles realmente falharam feio. Estavam entre os espias que deram um mau relatório, mas continuaram avançando. Por fim, tornaram-se aqueles que entendiam os tempos e sabiam o que Israel devia fazer, porque continuaram prosseguindo.
Lembro-me do que provavelmente foi a primeira vez que vim a esta conferência de famílias e ouvi sobre o propósito eterno de Deus. Eu estava sentado ali e não fazia ideia do que estavam falando.
Sou um pouco lento para entender, mas eu não sabia do que estavam falando. Mesmo depois de estar nesse meio por algum tempo, é fácil assimilar o vocabulário do propósito eterno de Deus. Você aprende certas expressões e pode agir como se soubesse do que está falando, quando, na realidade, sabe que não sabe.
Mas havia algo de Cristo. Eu não entendia o que era, mas sabia que havia algo ali e queria continuar avançando.
Esse é o testemunho de tantos: não compreendemos plenamente alguma coisa no início, mas, à medida que continuamos prosseguindo, Deus nos mostra.
Nesta semana, as crianças estão estudando o livro de Daniel. Tenho encontrado grande encorajamento em Daniel, especialmente no último capítulo, Daniel 12.
Depois que o Senhor deu a Daniel grandes e maravilhosas revelações sobre o que aconteceria até o fim dos tempos, Daniel disse: “Senhor, não entendo tudo isso”.
O Senhor o repreendeu? Disse: “Como assim? Acabei de lhe mostrar tudo isso”? Não. Vejam o último versículo de Daniel 12. Isso tem sido um grande encorajamento pessoal para mim. Daniel 12:13 diz:
Tu, porém, vai pelo teu caminho até o fim;
pois descansarás
e estarás na tua porção,
no fim dos dias.
Continue seguindo o seu caminho. Irmãos e irmãs, ao passarmos por esta vida cristã, há coisas que não entendemos. Às vezes, podemos dizer: “Bem, eu não entendo. Preciso parar e ficar aqui até entender”. Não. Continuamos avançando.
Continuamos seguindo Cristo. Era isso que o Senhor estava dizendo a Daniel: “Daniel, você não entende agora, mas há um caminho que está percorrendo. Você está Me seguindo. Continue, e, no fim, verá tudo aquilo para o que Eu o chamei”.
Abraão, pela fé, saiu sem saber para onde ia. Mas saiu e, por fim, chegou a ver.
Há um provérbio que aprecio muito, porque fala da vereda dos justos como a luz da aurora, que vai brilhando cada vez mais até o dia pleno.
Esse é um desafio, um dos desafios práticos que muitos de nós enfrentamos na vida cristã. Vamos a uma conferência, ouvimos mensagens sobre o propósito eterno de Deus ou sobre o grande chamado para estar preparados, e não entendemos.
Dizemos: “Não entendo isso plenamente”, e paramos. Mas não; continuamos avançando. À medida que avançamos, a luz da aurora brilha cada vez mais, e o Senhor nos revela mais de Si mesmo.
É assim que prosseguimos. É assim que somos preparados. Esse é o processo de preparação.
Cada um de nós está numa fase diferente desse processo. Ao prosseguirmos, encorajamos uns aos outros e permitimos que esse processo opere em nossa vida.
Às vezes, em minha própria vida, não entendo, e parece que só quero desistir: “Nunca vou entender isso”. Não, isso é ceder ao inimigo. Continuamos avançando. Nós O seguimos. Fixamos nossos olhos em Jesus.
É assim que adquirimos entendimento. Quanto mais caminhamos com Ele, mais O vemos. Entramos em tudo o que está no Seu coração. Foi assim que esses homens foram preparados e entraram em tudo o que o Senhor tinha para eles.
A próxima referência significativa a Issacar está perto do fim de Deuteronômio. Novamente, temos uma oração e uma bênção, desta vez a oração de Moisés antes de Israel estar pronto para entrar e possuir a terra.
Em Deuteronômio 33:18-19, vemos o destino divino de Issacar se desenvolvendo:
E de Issacar disse: Alegra-te, Issacar, nas tuas tendas.
Chamarão os povos ao monte;
ali oferecerão sacrifícios de justiça;
porque sorverão a abundância dos mares
e os tesouros escondidos da areia.
Porque veem algo do coração de Deus, algo dessa terra agradável e dessa terra de descanso, devem chamar os povos ao monte.
Estão chamando as pessoas para fora de tudo o que está acontecendo nesta terra e lhes dando uma perspectiva diferente. Jerry, quando abriu este tempo, falou desse chamado para subir. Era esse o chamado que os filhos de Issacar tinham.
Diziam: “Subam ao monte. Vocês chegaram ao monte Sião. Subam aqui. Entrem neste lugar celestial. Olhem desta perspectiva. Mudem sua perspectiva”.
Precisamos, nesta hora, de pessoas com o mesmo chamado dos filhos de Issacar: aqueles que nos encorajam a sair dos caminhos desgastados e das rotinas desta vida e a mudar nossa perspectiva, para que vejamos as coisas da perspectiva Dele, e não da nossa.
Nossa perspectiva pode ser tão pessimista. Nossa perspectiva diz que não há esperança. Mas, Nele, à medida que subimos ao monte, o ar fica mais fresco e mais limpo. Não há poluição, não há distrações, e há quietude e serenidade na presença do Senhor.
Então, podemos começar a enxergar claramente aquilo para o que Ele realmente nos chama. Esses são os que chamam outros para subir.
Isso me faz lembrar de Hebreus 10:24-25:
E consideremo-nos uns aos outros,
para nos estimularmos ao amor e às boas obras;
não abandonando a nossa congregação,
como é costume de alguns,
mas exortando-nos uns aos outros;
e tanto mais
quanto vedes que o dia se aproxima.
Esse é o encorajamento dos filhos de Issacar: considerar uns aos outros e atrair as pessoas para uma experiência mais completa das riquezas de Cristo.
Vejam o que eles podiam fazer. Moisés orou para que extraíssem a abundância dos mares e os tesouros escondidos da areia.
Não se satisfaziam com as coisas superficiais do Senhor. Não se satisfaziam apenas com o que estava na superfície. Entravam mais fundo. Extraíam as coisas profundas do Senhor.
Há tesouros ali, mas há um preço a pagar. Somos aqueles que realmente buscam as insondáveis riquezas de Cristo?
O precioso é que aqueles que são como os filhos de Issacar dedicam tempo e fazem o esforço de mergulhar nas profundezas de Cristo e trazer essas riquezas para todos nós. Então, todos podemos experimentar essa bênção.
Tenho apreciado esta conferência ao longo dos anos e os muitos irmãos que compartilharam aqui — irmãos que extraíram as riquezas de Cristo e as colocaram diante de nós, para que possamos provar e ver como o nosso Senhor é bom.
Esse é o espírito dos filhos de Issacar. É assim que precisamos nos tornar aqueles que entendem os tempos.
Eles dedicaram tempo. Fizeram o esforço. Pagaram o preço. Não se deixaram distrair por outras coisas. Tinham um só desejo: queriam conhecer o Senhor de maneira mais plena e mais profunda.
Queriam experimentar todas as insondáveis riquezas de Cristo. Quando pensamos no que lemos em Efésios, que fomos abençoados com toda bênção espiritual em Cristo, quantas dessas bênçãos já provamos?
Sobre quantas delas realmente dedicamos tempo para refletir? “Senhor, quais são essas bênçãos? Em que me introduziste? O que é essa herança? Quero experimentá-la de maneira real.”
Não apenas ser capaz de falar sobre isso, mas entrar nessa experiência. Esse é o encorajamento que recebemos dos filhos de Issacar.
No livro de Josué, Issacar entrou e possuiu sua terra. Não há muito escrito sobre isso, mas eles entraram e possuíram sua porção e sua herança. Esse é um fato maravilhoso e tremendo.
Então, chegamos ao livro de Juízes e vemos uma grande transição nos filhos de Issacar. Em Juízes, vemos que estão crescendo de criancinhas para jovens.
O contexto de Juízes é triste e trágico. Não havia rei em Israel, e cada um fazia o que era certo aos próprios olhos. Isso nos lembra muito os dias em que estamos vivendo.
No entanto, em Sua fidelidade, Deus levantou juízes. Uma das pessoas que Ele levantou como juiz foi Débora. Israel estava sob a opressão do rei de Canaã havia vinte anos, mas o Senhor encontrou alguém como Débora.
Por meio da liderança e do encorajamento de Débora, uma grande vitória foi conquistada. Em Juízes 5:15, lemos:
E os príncipes de Issacar estavam com Débora;
como Issacar, assim também Baraque;
para o vale se precipitaram a seus pés.
Graças a Deus, em meio a essa batalha, Issacar estava presente. Estavam ali lutando. Vemos crescimento acontecendo neles. Já não eram apenas egocêntricos, preocupados somente consigo mesmos.
A visão que havia sido implantada neles estava impactando sua vida. Essa é uma das características da passagem de criancinha a jovem. Haviam ouvido certas coisas, mas agora aquilo que viam começava a impactar sua vida.
Quando o chamado foi feito, escolheram ir e estar ali com Débora e Baraque. Gosto muito da maneira como o texto diz que se precipitaram para o vale.
Para mim, isso significa que estavam no monte. Você não pode descer ao vale se não estiver no monte. Haviam atraído pessoas para o monte, estavam no lugar de vitória e haviam visto, da perspectiva correta, o que devia ser feito.
Então, foram juntos para o vale e conquistaram uma grande vitória. Issacar respondeu e lutou com bravura, e houve um grande livramento.
Essa é a primeira ocasião registrada em que vemos Issacar se posicionar ativamente pelos interesses de Deus. Isso me fez lembrar novamente de 1 João, onde os jovens são caracterizados por vencer o maligno. Em 1 João 2:14, lemos:
Eu vos escrevi, jovens,
porque sois fortes,
e a palavra de Deus permanece em vós,
e vencestes o maligno.
Era isso que Issacar tinha. A palavra permanecia neles. Responderam a essa palavra e ao destino divino que haviam recebido.
Importavam-se com os interesses de Deus. Foram e permitiram que o Senhor os conduzisse, e experimentaram cada vez mais a vitória que tinham. Já não era apenas uma visão; tornou-se uma realidade em sua vida.
Haviam ouvido, de geração em geração, seus antepassados transmitirem aquilo que havia sido profetizado. Tinham ouvido falar dessas coisas, e agora havia uma realidade na qual estavam entrando.
Nós entramos nessa realidade? Entramos em tudo o que o Senhor tem para nós? Vemos esses homens passando pelo processo de crescer de criancinhas para jovens.
Então, voltamos a 1 Crônicas 12, onde eles passam de jovens a pais.
Havia sido profetizado sobre eles que veriam a terra agradável e o lugar de descanso. Havia sido profetizado que extrairiam tesouros escondidos de Deus. Agora, vemos esses homens vivendo na realidade disso.
Essas coisas eram reais. Haviam aprendido do Senhor. Haviam permitido que o Senhor trabalhasse em seu coração, de modo que estavam preparados.
Haviam aprendido do rei de tal maneira que sabiam quem ele era. Sabiam o que estava em seu coração. Sabiam qual era o seu propósito.
Compreendiam: “Este é o tempo. Este é o tempo em que o Senhor quer fazer Davi rei sobre todo o Israel”. Sabiam o que deviam fazer e encorajavam os outros.
Sabiam que estavam ali para um tempo como aquele. Estavam ali com todos os outros, simplesmente como uma parte, com um só coração, uma só mente e um só propósito: fazer Davi rei.
Mais uma vez, 1 Crônicas 12:38 nos oferece uma bela imagem de pessoas que estão preparadas:
Todos estes, homens de guerra, que sabiam se organizar em formação de batalha,
vieram a Hebrom com coração íntegro
para fazer Davi rei sobre todo o Israel;
e também todo o restante de Israel era de um só pensamento
para fazer Davi rei.
Irmãos e irmãs, com esse versículo diante de nós, por que estamos aqui nesta semana? Por que estamos aqui?
Creio que essa é uma questão que precisamos ter resolvida em nosso coração. Todos estamos em diferentes estágios do desenvolvimento da vida. Temos criancinhas, temos jovens e, graças ao Senhor, temos alguns pais.
Há uma vasta experiência de Cristo aqui. E, estando aqui, o Senhor nos reuniu com um propósito.
Podemos ser encorajados pelos filhos de Issacar. Naquele momento de 1 Crônicas 12, eles sempre haviam estado preparados? Não. Sempre haviam entendido os tempos? Não. Sempre haviam sido fiéis? Não.
Mas, apesar disso, continuaram seguindo o Senhor e aprendendo Dele. Por meio disso, o Senhor os preparou e os deixou prontos para o tempo em que viviam.
Isso me encoraja tanto pessoalmente. Eu compreendo plenamente o propósito de Deus? Não. Mas desejo conhecê-lo cada vez mais.
Andamos sem pecado? Somos perfeitos? Não. Mas somos gratos pelo sangue do Cordeiro. Somos sempre fiéis? Não, não somos.
Mas, à medida que continuamos avançando e temos esse relacionamento pessoal e diário com Ele, podemos permitir que o Espírito Santo trabalhe em nós — preparando-nos diariamente e nos levando a ser o povo de Deus, chegando a esse lugar de inteireza de coração.
Então, um dia, poderemos ver o reino deste mundo tornar-se gloriosamente o reino do nosso Senhor e do Seu Cristo.
Irmãos e irmãs, já que temos esta oportunidade nesta semana, que realmente a aproveitemos. É um grande privilégio, nesta hora, podermos nos separar por um tempo.
Que sejamos aqueles que têm o espírito de Maria, vindo sentar-se aos pés do nosso Senhor e dizendo: “Senhor, não estamos prontos. Torna-nos prontos”.
“Senhor, desejamos a Tua volta. Queremos apressar a Tua volta. Não queremos ser aqueles que a retardam ainda mais. Senhor, trabalha em meu coração.”
Cada um de nós deseja dar ao Espírito Santo grande liberdade em nosso coração e em nossa vida. Somos gratos por este tempo. Sentimos que o Senhor tem um propósito especial para ele.
Não se trata de nós. Trata-se Dele. Ele deseja trabalhar. De maneira simples, Ele quer nos mostrar mais do Seu Filho.
Estamos numa condição em que podemos ver mais do Seu Filho? À medida que vemos mais do Seu Filho, estaremos um pouco mais prontos, um pouco mais preparados e, esperamos, apressaremos a Sua volta de maneira mais plena e mais significativa.
Queremos ser uma ajuda para Ele. Não queremos ser um impedimento para Ele.
Ao termos essas oportunidades, é maravilhoso passar tempo juntos, mas reservem também momentos a sós, em quietude, diante do Senhor. Permitam que o Espírito Santo trabalhe em nosso coração e em nossa vida, preparando-nos de fato.
Devemos realmente sustentar nossos irmãos Stephen, Dana e David, para que tenham grande liberdade para falar. Muitas vezes, a palavra que o Senhor os chama a falar não é uma palavra fácil.
Que tenham ousadia e confiança para ser fiéis àquilo que Ele colocou em seu coração. Que tenhamos uma disposição acolhedora e um coração aberto para receber a Sua palavra. Que haja esse mesmo espírito no trabalho com as crianças.
Somos gratos por estarmos aqui nesta semana. Ao nos achegarmos ao Senhor, desejamos simplesmente que Ele realize uma obra de preparação no coração e na vida de cada um de nós e que sejamos encontrados cooperando com Ele. Vamos orar.
Senhor, ao considerarmos essa questão de estar preparados, podemos ter nossas próprias ideias sobre o que significa estar preparados. Mas, Senhor, acima de tudo, queremos ver o que é estar preparados da Tua perspectiva.
Queremos que tenhas plena liberdade no coração e na vida de cada um de nós para nos preparar, Senhor.
Senhor, nas áreas em que desejas nos tocar, queremos estar dispostos a permitir que trabalhes. Não queremos ser encontrados resistindo a Ti, Senhor.
Mesmo estando aqui, sentimos uma batalha nestes dias, uma batalha em torno deste tempo. Mas somos gratos pela Tua vitória, que temos em Ti.
Senhor, pela fé cremos que farás uma grande obra. Pela fé, queremos ser aqueles que permitem que trabalhes em cada um de nós.
Tu tomaste esses filhos de Issacar, Senhor. Eles passaram por muitas coisas, e Tu os colocaste no lugar certo, no momento certo.
Também queremos ser ensináveis e dispostos a receber treinamento, para que, naquele momento, Senhor, sejamos encontrados Contigo, aguardando e trabalhando Contigo para que venha o Teu reino.
Em nome de Jesus. Amém.