Por favor, abram em Gênesis 3. Não faremos a leitura, pois abordaremos o capítulo inteiro.
Vamos primeiro fazer uma oração.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te por Te entregares a nós de tal maneira que nos redimiste das profundezas e nos elevaste às alturas. Nós Te agradecemos por tudo o que fizeste por nós. Sem o Senhor, onde estaríamos?
Ao continuarmos juntos em Tua presença, pedimos que, pelo Teu Espírito, nos abras a Tua Palavra, para que sejamos absorvidos por ela, sejamos um com ela e glorifiquemos o Teu nome. Entregamos este tempo em Tuas mãos. Oramos em Teu precioso nome. Amém.
A Bíblia começa com um jardim, o Jardim do Éden. Em certo sentido, termina com outro jardim, o Jardim do Getsêmani. E, nesses dois jardins, podemos ver a obra de Deus.
Alguns dizem que o Jardim do Éden é o paraíso perdido, mas o Jardim do Getsêmani é o paraíso recuperado.
Depois de criar o homem à Sua imagem, conforme a Sua semelhança, Deus o colocou no Jardim do Éden, o jardim do prazer. No jardim havia toda espécie de árvores boas para alimento, e, no meio do jardim, estavam a árvore da vida e, junto dela, a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Não pensem que Deus colocaria uma árvore ruim em Seu jardim. Não. A árvore do conhecimento do bem e do mal só fica atrás da melhor.
E Deus disse ao homem que ele poderia comer livremente de todas as árvores do jardim. Mas não deveria comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que dela comesse, certamente morreria.
Infelizmente, não sabemos por que Adão e Eva pareciam estar separados. Eles deveriam estar juntos. Deveriam trabalhar juntos, cultivar juntos e guardar juntos. Essa é a vontade de Deus.
Mas não sabemos como isso aconteceu. Parece que o marido e sua esposa estavam separados; não estavam juntos. E, por essa razão, Adão falhou para com Deus e permitiu que o inimigo de Deus entrasse sorrateiramente.
E Eva, tendo se afastado do marido, chegou ao centro do jardim. Mas, estranhamente, não foi a árvore da vida que a atraiu. Em vez disso, ela prestou atenção à árvore do conhecimento do bem e do mal.
Por causa disso, ela ficou sujeita à tentação. O inimigo veio e disse que Deus os havia proibido de comer de qualquer árvore do jardim. Em outras palavras, ele apresentou Deus de uma maneira tão negativa, como se Deus não amasse o homem; como se, na verdade, Ele quisesse que o homem morresse.
Então Eva disse: “Ah, não. Deus disse que podemos comer todos os frutos das árvores, exceto o da árvore do conhecimento do bem e do mal”. Mas ela acrescentou algo. Disse que Deus havia dito que não poderiam comê-lo, porque, se o comessem, morreriam.
Então Satanás tentou Eva e disse: “Vocês talvez não morram, porque Deus não quer que vocês sejam tão inteligentes quanto Ele. Se comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, terão inteligência. Em outras palavras, vocês serão Deus. Não precisarão de Deus”.
Infelizmente, ela cedeu à tentação. Comeu do fruto e, além disso, deu-o ao marido.
O marido comeu conscientemente. Ele sabia o que a Palavra de Deus dizia. Mas, sabem, ele amava sua esposa mais do que a Deus. Então deu ouvidos à esposa e comeu o fruto proibido.
Ao fazerem isso, descobriram que estavam nus. Agora, irmãos e irmãs, Deus vestiu todos os animais com peles. Como é que Ele não vestiu o homem com alguma coisa?
Evidentemente, Ele vestiu o homem com glória. No dia em que pecaram, a glória os deixou, e eles se viram nus.
Tentaram se cobrir com folhas de figueira. Mas todos sabemos que, se houver vento, essa cobertura não permanecerá.
Então, quando Deus veio ao jardim para ter comunhão com eles, não os encontrou. Eles se esconderam de Deus. Então Deus disse:
Adão, onde estás?
Adão disse:
Estávamos nus; por isso, nos escondemos entre as árvores.
Deus disse:
Quem te disse que estavas nu?
Agora, irmãos e irmãs, creio firmemente que, se Deus vestiu todos os animais com peles, Ele não poderia deixar o homem sem nenhuma vestimenta. Portanto, evidentemente, Deus vestiu Adão e Eva com glória. A glória era a sua vestimenta. Mas, por terem pecado contra Deus, a glória os deixou, e eles se viram nus.
Então Deus começou a proclamar Seu juízo. Mas, graças a Deus, mesmo em Seu juízo, Ele lhes deu uma promessa: o Descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente, e a serpente feriria o Seu calcanhar.
E sabemos, é claro, que isso se refere à vinda de nosso Senhor Jesus: Ele esmagaria a cabeça de Satanás, mas Satanás feriria o Seu calcanhar.
E, por causa disso, Deus os vestiu com peles. Agora, de onde vieram essas peles? Evidentemente, algum animal teve de ser morto para que houvesse peles para cobrir o homem.
E isso, é claro, é uma profecia que nos diz que um dia o Descendente da mulher, Cristo, esmagaria a cabeça da serpente, Satanás; mas Satanás feriria o Seu calcanhar.
E Deus disse que, por causa disso, o homem não deveria permanecer no jardim. Eles foram expulsos do jardim, e querubins guardavam a entrada do Jardim do Éden. Era o paraíso perdido.
Contudo, havia esperança em um futuro Descendente que esmagaria a cabeça da serpente, embora a serpente ferisse o Seu calcanhar. Eles foram expulsos do Jardim do Éden. Era o paraíso perdido.
Mas Deus sabia de tudo. Mesmo antes da fundação do mundo, quando Deus começou a pensar na criação para expressar Seu amor por Seu Filho, Ele já sabia que haveria um problema.
E foi naquele momento que o Filho Se apresentou e disse: “Pai, se esta é a Tua vontade, prossegue. Eu serei o Cordeiro morto desde a fundação do mundo para redimir essa situação”. Isso está em 1 Pedro 1:20.
Então, prossegue com a criação. E creio que todos conhecemos a história.
Mas, depois de dois mil anos, encontramos outro jardim: o Jardim do Getsêmani. Isso está em Mateus 26.
Vemos que nosso Senhor Jesus, depois de viver uma vida de pureza, agradou a Deus em tudo. No Monte da Transfiguração, Ele estava pronto para deixar o mundo e voltar para Seu Pai. Mas não quis fazê-lo. Por quê? Não por causa de Si mesmo, mas por sua causa e por minha causa.
Ele estava disposto a descer do monte e voltar Seu rosto para Jerusalém, pois ali enfrentaria outro jardim, o Jardim do Getsêmani.
Ele teria de passar por uma prensa. Já havia vivido uma vida de pureza, mas Se recusou a voltar ao céu no Monte da Transfiguração. Desceu e voltou-Se para Jerusalém, sabendo o que aconteceria ali.
Então levou Seus discípulos ao Jardim do Getsêmani. E a Bíblia nos diz que Ele estava profundamente triste, até a morte.
Ele disse aos discípulos que O esperassem ali. Levou consigo três de Seus discípulos mais próximos e avançou um pouco. Esperava que esses três discípulos vigiassem com Ele por algum tempo.
Ele Se adiantou para orar:
Pai, se é possível, passe de Mim este cálice;
todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.
Em outras palavras, Ele havia vivido uma vida de pureza. Por Si mesmo, não precisava sofrer mais. Mas sabia que tinha vindo por nós. Era por nossa causa que Ele precisava passar pela morte. Precisava ir à cruz para salvar pessoas como nós.
Mas pensem no conflito que deve ter havido em Sua vida. O Jardim do Getsêmani é realmente indescritível.
Nosso Senhor estava tão profundamente triste em Sua alma que quase morria. Se um anjo não tivesse aparecido para fortalecê-Lo, é possível que Ele tivesse morrido no jardim.
E qual era o conflito? O conflito éramos nós. Porque Ele sabia que precisava ir ao jardim e Se submeter à vontade de Deus para Ele.
Durante toda a Sua vida, Ele viveu com tamanha pureza, sem jamais ofender o Pai, ouvindo a Deus o tempo todo. Ele disse:
Nada posso fazer de Mim mesmo. Faço porque vejo Meu Pai fazê-lo.
Nada posso dizer de Mim mesmo. Digo porque ouvi Meu Pai dizê-lo.
A lugar algum posso ir por Mim mesmo. Vou porque o Pai Me enviou.
Durante toda a Sua vida, Ele obedeceu ao Pai em tudo. Não era digno de morrer; era digno de ser arrebatado e voltar para o Pai.
Mas Ele sabia que, se fizesse isso, haveria apenas um Homem no céu: Cristo. Todos nós ficaríamos para trás, porque somos pecadores. E Ele estava disposto a morrer em nosso lugar, a tomar o nosso lugar. Caso contrário, não haveria esperança para nenhum de nós.
E, por amor a nós, irmãos e irmãs — quero enfatizar mais uma vez —, foi por amor a vocês e a mim, pessoas como nós, que nosso Senhor Jesus esteve disposto a negar a Si mesmo, tomar a cruz e morrer na cruz do Calvário.
Que amor é esse? É indescritível.
Portanto, a agonia pela qual nosso Senhor Jesus passou no Jardim do Getsêmani é indescritível. Pensem nisso. Se você é uma pessoa muito asseada, e alguém tão sujo e descuidado, que espalha coisas pela casa inteira, vai morar com você, o que você acha disso?
Nós logo o mandaríamos embora e diríamos: “Você não tem condições de ficar aqui”. Mas nosso Senhor não faria isso.
Como vemos em Mateus 26, ao orar, Ele disse:
Pai, se é possível, passe de Mim este cálice;
todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Irmãos e irmãs, não conseguimos sequer imaginar a agonia pela qual nosso Senhor Jesus passou no jardim. Nós, que não somos puros, nós, que somos pecadores — suponha que você seja uma pessoa asseada e outra pessoa venha morar com você, sendo tão suja e espalhando coisas pela casa inteira. O que você faria?
Provavelmente você a mandaria embora e diria: “Você não é digno de morar comigo”. Mas com Cristo não foi assim. Ele estava disposto a entregar a Si mesmo para salvar você e a mim. E isso é amor.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o Getsêmani é uma cena indescritível. Não conseguimos imaginar o que nosso Senhor Jesus passou no Jardim do Getsêmani. Mas, por nossa causa, Ele disse:
Pai, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
E, depois de orar três vezes, Ele sabia qual seria a vontade do Pai.
E sabemos como Ele foi julgado e crucificado na cruz do Calvário. E tudo isso foi por nossa causa — por você e por mim.
Caso contrário, como poderíamos estar aqui nesta manhã, ouvindo? Estamos aqui nesta manhã por causa do que nosso Senhor Jesus fez na cruz do Calvário. Ele morreu em nosso lugar para nos redimir do inimigo e nos salvar, salvar-nos até o fim.
Portanto, graças a Deus pelo Jardim do Getsêmani. E, por causa de tudo o que nosso Senhor fez por cada um de nós, estamos aqui nesta manhã.
Por isso, devemos ter um coração grato. Não podemos receber um amor tão maravilhoso sem sermos tocados nas profundezas do nosso ser.
Você só pode se prostrar diante Dele e dizer: “Senhor, Tu salvaste pessoas como nós. Tu, o mais puro, morreste por nós, os mais impuros. E estamos aqui; tudo se deve à Tua misericórdia e à Tua graça”.
O que podemos fazer, irmãos e irmãs, a não ser nos entregarmos totalmente a Ele e deixarmos que Ele governe nossa vida? Deixem que Ele opere Sua salvação em cada um de nós.
Essa é apenas uma pequena maneira de expressar nossa gratidão a Ele.
Portanto, entre esses dois jardins, vemos a salvação de nosso Senhor. E estamos aqui nesta manhã.
Irmãos e irmãs, não sei como vocês se sentem, mas eu me sinto tão grato a Ele. Nosso Senhor Jesus morreu em meu lugar. Eu é que deveria morrer. Eu não deveria ter esperança alguma.
E, no entanto, hoje posso erguer os olhos para Ele. Ele é meu Salvador. Ele é meu Deus. E Ele me salvará até o fim.
Confesso que muitas vezes peco; eu caio. Mas Ele nunca desiste de mim. Sempre me levanta e me conduz adiante, porque deseja salvar cada um de nós até o fim.
Graças a Deus, Ele fará isso. Então, você está disposto, nesta manhã, a se entregar totalmente a Ele e deixá-Lo assumir o pleno controle da sua vida?
Aprendam a ser obedientes. Aprendam a permitir que o Espírito Santo trabalhe em sua vida. Aprendam a negar a si mesmos e aprendam a ser salvos até o fim. Essa é a perfeita vontade de Deus para cada um de nós.
Vamos, então, fazer uma oração.
Amado Senhor, ao pensarmos no amor que derramaste sobre nós, nós que éramos os principais pecadores, vemos que Tu, o mais puro, o Filho de Deus, estiveste disposto a morrer em nosso lugar.
E, por causa disso, Tu nos salvaste e estás disposto a nos salvar até o fim. Ó amado Senhor, como podemos nos reter de Ti e não nos entregarmos completamente a Ti?
Senhor, toma-nos e molda-nos segundo a Tua vontade, até que a Tua vontade seja feita em cada um de nós aqui, assim como é feita no céu. Voltamos nossos olhos para Ti, Senhor. Ouve a nossa oração, em Teu precioso nome. Amém.