Ao nos voltarmos para a Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável — um princípio que vocês não podem dar por garantido, um princípio sem o qual vocês não podem viver. Esse princípio é a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Somente Deus pode revelar Deus. Ele prometeu que, se viermos como criancinhas — e somente Ele pode produzir essa atitude em nosso coração —, Ele fará a luz de Cristo raiar sobre nós. Ele nos alimentará, e tem prazer em fazer isso.
Antes de orarmos, quero compartilhar um versículo que não está na folha: Salmos 119:130:
A exposição da Tua Palavra dá luz;
Dá entendimento aos simples.
Isso está em harmonia com João 1:4:
NEle estava a vida;
E a vida era a luz dos homens.
Quando confiamos no Espírito Santo para nos dar luz, é a Sua vida que é a luz dos homens.
É absolutamente impossível, irmãos, alguém permanecer neutro quando Deus concede luz. Vocês não podem ficar neutros. Ou correrão para a luz, receberão a luz e encontrarão alívio na revelação, ou se esquivarão dela, a rejeitarão e tentarão evitá-la. Vocês não podem ficar neutros quando Deus concede luz.
Acho que uma importante explicação para tantos cristãos que enfrentam dificuldades e vivem em escravidão e derrota é que estão tentando permanecer neutros quando Deus já fez a luz de Cristo raiar sobre eles. Não é possível permanecer neutro.
Tom e eu temos esperado diante do Senhor, e cremos que temos uma mensagem para compartilhar. Estamos orando para que o Espírito Santo revele a vida de Cristo por meio da Sua Palavra. À medida que Ele a revela, nós decidimos. Nós escolhemos.
Com esse pensamento em mente, vamos nos curvar diante do Senhor e entregar nosso tempo a Ele.
Nosso Pai, nós Te agradecemos tanto porque Cristo é a vida, a luz dos homens. Pedimos que, pela Tua graça, Tu nos conduzas além da luz e nos mostres a vida de Cristo. Revela isso a nós por meio da Tua Palavra, pelo Teu Espírito Santo, nós Te pedimos.
Encontra-nos onde estamos. Leva-nos aonde desejas que estejamos. Nós Te agradecemos porque podemos confiar em Ti para isso. Agora entregamos esta sessão a Ti, no nome incomparável do nosso Senhor Jesus. Amém.
Quero começar expressando nossa gratidão. Tom e eu somos muito gratos ao Family Ministries por nos convidar e nos dar este privilégio de falar a vocês. Somos profundamente gratos por esse privilégio.
Juntamente com o Family Ministries, quero dar as boas-vindas a todos vocês. Estamos muito felizes por vocês estarem aqui. Damos as boas-vindas àqueles que já estiveram aqui antes, e também a vocês, irmãos, que talvez estejam aqui pela primeira vez. De maneira especial, queremos acolher os irmãos mais jovens.
Agradecemos ao Senhor por todos vocês, irmãos mais jovens. Salmos 63:1 diz:
Ó Deus, Tu és o meu Deus;
Eu Te buscarei desde cedo.
Na margem, está escrito: “Desde cedo eu Te buscarei com fervor”.
Fico muito feliz pelos irmãos mais jovens, porque, quando vocês vêm ainda jovens, quando buscam o Senhor desde cedo, Ele não salva apenas a alma de vocês; Ele salva a vida de vocês. Somos gratos por vocês estarem aqui, e oramos para que Deus dê a todos nós um coração aberto para receber Sua revelação.
Acho que a maioria de nós conhece o tema do nosso encontro. Creio que Paul Greenlee já o divulgou. Deixem-me retomá-lo, dizer onde estamos e para onde vamos; então começaremos.
Estamos chamando esta série de “Conformados à Sua visão”. Com isso, não queremos dizer o que geralmente queremos dizer quando falamos em ser “conformados à visão de Cristo”. Há uma ênfase um pouco diferente aqui.
Normalmente, quando nos reunimos, viemos para ver Jesus. Então dizemos: “Queremos ser conformados a isso”. Talvez O vejamos como o Senhor que tem a primazia, como o Sacerdote, como Aquele que realiza milagres, como nossa vida ou como nossa suficiência. Vemos o Senhor e queremos ser conformados à visão de Cristo que recebemos.
Aqui é um pouco diferente. É claro que isso está incluído. É claro que queremos ver Jesus, e é claro que queremos que Deus nos conforme ao Senhor Jesus. Mas a ênfase é um pouco diferente quando dizemos que queremos ver a visão de Jesus.
Não se trata de vê-Lo; trata-se de ver o que Ele viu. É a visão de Jesus. É ver aquilo que Jesus viu. Para o que Ele olhou? O que capturou Sua atenção? O que O impressionou?
Estamos orando para que possamos ver o que Ele viu, da maneira como Ele viu, e então sermos conformados àquilo que Ele viu. Acho que isso ficará mais claro à medida que avançarmos.
Esse enfoque específico foi sugerido por uma observação de Graham Scroggie. Acho que alguns de vocês conhecem esse autor. Ele foi um mestre bíblico escocês que viveu na Inglaterra. Se vocês não o conhecem, sugiro que suas obras seriam uma excelente contribuição para sua biblioteca cristã.
Ele me poupou muitas horas de pesquisa. Era um irmão maravilhoso e escreveu muitos livros úteis: um sobre os Salmos, um sobre os Evangelhos e aquele que considero sua grande obra, The Unfolding Drama of Redemption — uma visão geral da história da redenção. Ele também escreveu um livro devocional sobre Josué, chamado The Land and the Life of Rest, um livro sobre oração, outro sobre profecia, um comentário sobre Apocalipse e um livro sobre princípios de estudo bíblico. Foi um autor muito prolífico, e suas obras seriam uma excelente contribuição para a biblioteca de vocês.
Graham Scroggie observou que havia uma palavra grega especial usada somente no Evangelho de Marcos — não em Mateus, com uma pequena exceção em Lucas, e não no Evangelho de João. Ela tem a ver com o olhar de Jesus.
Há outras palavras gregas que falam do olhar de Jesus. Quem já estudou a Bíblia e não ficou tocado quando Ele olhou para Pedro? Vocês se lembram disso? Ali é uma palavra grega diferente. Ou quando Ele olhou para o céu antes de alimentar os cinco mil — ali é outra palavra. Ou quando, diante do túmulo de Lázaro, a Bíblia diz que Ele levantou os olhos para o céu e olhou — ali também é outra palavra.
Essa palavra — provavelmente não vou pronunciá-la corretamente — é periblepō, algo assim. Blepō significa “olhar”, e peri significa “ao redor”. Então, Ele olhou ao redor. Mas, se tudo o que vocês entendem disso é que Ele simplesmente olhou ao redor, vocês deixam de perceber o coração. Deixam de perceber o coração do Senhor. Deixam de perceber a essência.
Scroggie disse que a palavra significa “um olhar lento e perscrutador”. Vocês precisam imaginar Jesus olhando ao redor. Ainda assim, acho que nem mesmo Scroggie chegou ao âmago dessa palavra.
Fiz um pequeno estudo. Não sei grego, mas tenho livros de referência. Seus autores sabem grego, e estou confiando neles. Há uma palavra que usamos: “panorâmica”. Vocês a ouvem nos noticiários. Eles pegam as câmeras e fazem uma panorâmica para mostrar a extensão dos danos de uma tempestade, ou fazem uma panorâmica para mostrar o tamanho da multidão.
Nosso Senhor Jesus olhou ao redor — periblepō —, mas não fez uma panorâmica assim. Ele não viu simplesmente quantas pessoas havia na multidão. Ele viu as árvores, não apenas a floresta. Olhou com aquele olhar lento, deliberado e perscrutador. Viu cada pessoa na multidão e então concentrou Sua atenção em algo específico.
É isso que, com a ajuda de Deus, queremos ver.
Alguns versículos demonstram esse olhar. Apocalipse 1:14 diz:
Seus olhos eram como chama de fogo.
Foi com olhos assim que Ele olhou — com aquela acuidade que tudo penetra.
Hebreus 4:13 diz:
Não há criatura oculta à Sua vista;
Pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e expostas aos olhos dAquele a Quem temos de prestar contas.
É esse tipo de olhar: Ele vê tudo, não deixa passar nada e concentra Sua atenção, de maneira especial, em algo específico.
Acho que Paul Greenlee forneceu um esboço geral das ocasiões em que esses olhares aparecem. O Senhor conduziu Tom e a mim a essas histórias bíblicas. Para onde Ele olhou, e o que Ele viu?
Cada vez que esse olhar é mencionado — cinco vezes em relação a Jesus e uma vez em relação aos discípulos —, alguma grande verdade é iluminada. É isso que queremos ver. Qual era essa verdade?
É quase como se o Senhor dissesse: “Estive com vocês, ministrando durante estes três anos e meio, e vocês viram muitas coisas. Mas não quero que deixem de perceber estas cinco”.
Há cinco coisas nas quais essa palavra concentra nossa atenção. É como se o Senhor dissesse: “Há algumas realidades preciosas e, seja o que for que vocês vejam, não deixem de perceber isto. Não deixem de perceber isto”.
Cada um desses olhares aparece em uma história bíblica. Estudamos as histórias, procuramos acompanhar esse olhar e buscamos descobrir, diante do Senhor, qual era aquela realidade gloriosa que Ele viu. Irmãos, nós também queremos vê-la. Queremos vê-la da mesma maneira que Ele a viu, e queremos que ela faça por nós o que fez por Ele.
Não estamos tentando enganar vocês, fazer suspense ou nos preocupar em tirar o impacto do que nós mesmos vamos dizer. Por isso, vou mencionar as cinco logo de início. Vou dizer imediatamente o que Ele viu, e então iremos às histórias e tentaremos nos aprofundar um pouco mais.
A primeira coisa que Ele viu — e que examinaremos esta noite — foi descanso. Ele olhou ao redor e viu descanso. Viu o sábado. Viu que eles não compreendiam o sábado, e parou. Olhou ao redor e disse: “Vocês precisam ver o descanso da mesma maneira que Eu o vejo”.
A segunda coisa: Ele disse: “Quem é Minha mãe? Quem é Meu irmão?”. Ele olhou ao redor e viu relacionamento. Vocês não podem deixar de perceber isso. Precisam ver isso.
Na terceira história, Ele olhou ao redor e disse: “Quem Me tocou?”. Vocês precisam ver fé. Precisam ver a fé da mesma maneira que Ele a viu. Precisamos ver o descanso como Ele viu o descanso, o relacionamento como Ele viu o relacionamento e a fé como Ele viu a fé.
Então Ele olhou ao redor, na ocasião do jovem rico, e disse: “Venda tudo. Desfaça-se de tudo”. Ele viu entrega. Vocês precisam ver a entrega da maneira como Ele a viu.
Por fim — e Tom nos conduzirá a isso —, a última coisa que Ele viu foi revelação. Essa precisa de um pouco de explicação, mas vou deixar isso para Tom.
Com isso como introdução, gostaria que examinássemos a primeira história. Queremos ver essas cinco coisas da maneira como Ele as viu.
Marcos 3:1-6:
Ele entrou novamente numa sinagoga; e estava ali um homem cuja mão era ressequida.
E observavam-No para ver se Ele o curaria no sábado, a fim de O acusarem.
E Ele disse ao homem da mão ressequida: “Levanta-te e vem para o meio!”.
E disse-lhes: “É lícito, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar?”. Mas eles ficaram em silêncio.
Depois de olhar ao redor para eles com ira, entristecido pela dureza de seus corações, disse ao homem: “Estende a tua mão”. E ele a estendeu, e sua mão foi restaurada.
Os fariseus saíram e imediatamente começaram a conspirar com os herodianos contra Ele, sobre como O destruiriam.
Marcos 3:5 diz:
Depois de olhar ao redor para eles com ira, entristecido pela dureza de seus corações, disse ao homem: “Estende a tua mão”.
Esse é o primeiro uso da palavra. Ele olhou ao redor com aquele olhar penetrante e perscrutador — um olhar deliberado.
A Bíblia diz que Ele estava irado. A Bíblia diz que Seu coração estava entristecido pela dureza deles. Quero que examinemos essa história. O que entristeceu nosso Senhor Jesus? O que O deixou tão irado?
Marcos 3:2 diz:
Observavam-No para ver se Ele curaria no sábado.
Isso tem a ver com o sábado. Eles observavam atentamente para ver se Jesus violaria o sábado, segundo a compreensão que tinham do sábado.
No contexto, a história imediatamente anterior a essa — em Mateus, Marcos e Lucas — trata da mesma questão. Marcos 2:23 diz:
Aconteceu que Ele passava pelas searas no sábado, e Seus discípulos começaram a abrir caminho, colhendo espigas.
Os fariseus Lhe diziam: “Vê! Por que fazem eles o que não é lícito no sábado?”.
O sábado era uma questão de grande importância para os fariseus. Vou citar algumas passagens — disparar os versículos como uma metralhadora. Vocês não precisam conhecer toda a história para entender o ponto. Quero que vejam a atitude do coração dos fariseus.
João 5:16:
Por essa razão, os judeus perseguiam Jesus, porque Ele fazia essas coisas no sábado.
Persegui-Lo é uma coisa, mas ouçam João 5:18:
Por essa razão, os judeus procuravam ainda mais matá-Lo, porque não somente violava o sábado, mas também chamava Deus de Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus.
João 9:16:
Por isso, alguns dos fariseus diziam: “Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado”.
Lucas 13:14:
O dirigente da sinagoga, indignado porque Jesus havia curado no sábado, tomou a palavra e disse à multidão: “Há seis dias em que se deve trabalhar; portanto, vinde nesses dias para serdes curados, e não no dia de sábado”.
Deixem-me dizer de onde os fariseus tiraram sua ideia distorcida sobre o sábado. Eles não a tiraram da Bíblia. Não foi dali que veio essa ideia.
Eles tinham três livros. Talvez vocês já tenham ouvido falar deles: a Torá, a Mishná e o Midrash. Esses eram seus três comentários. Tecnicamente, a Torá eram os primeiros cinco livros, o Pentateuco — de Gênesis a Deuteronômio. Mais tarde, aqueles outros dois comentários passaram a fazer parte da Torá. Mas, basicamente, eram comentários. Comentavam a Bíblia.
Aqui está a diferença entre nossos comentários e os deles: nossos comentários comentam a Bíblia. Os comentários deles comentavam a Bíblia, mas também os acréscimos — as tradições orais transmitidas de boca em boca. Em outras palavras, aquilo não era Bíblia; era a tradição oral deles.
O ponto que vou apresentar vem da Mishná deles. Nesse comentário, a Mishná, havia uma grande seção chamada “Sábado”. Nessa seção, havia trinta e nove categorias de proibições. Eles tinham regras contra tudo, e muitas delas beiravam o absurdo.
Tinham restrições minuciosas sobre semear, arar, colher, debulhar, joeirar, limpar a casa, moer, viajar, vestir-se e relacionar-se com os vizinhos. Tinham leis sobre tudo o que dizia respeito ao sábado, e isso ia muito além da Bíblia.
A Bíblia tinha algumas regras, como não apanhar lenha no sábado. Mas eles diziam, por exemplo, que, se você usasse sandálias e seu dedo do pé fizesse um pequeno sulco na poeira, teria violado o sábado, porque estava arando. Você não podia arar no dia de sábado.
Tudo o que você não pudesse amarrar ou desamarrar com uma só mão era proibido, porque você não podia trabalhar no dia de sábado. Se estivesse com dor de dente, podia enxaguar a boca com vinagre. Mas cuspir era trabalho, então você tinha de engolir o vinagre. Não podia cuspir.
Quando os discípulos atravessaram a seara, na história anterior a essa, estavam colhendo espigas. Bem, aquilo era colher. Depois, esfregaram as espigas nas mãos. Bem, aquilo era debulhar. Então comeram, mas era antes das nove horas da manhã, e estavam quebrando o jejum. Tudo isso era uma violação.
Eles tinham até uma regra contra a autodefesa no sábado. Deixem-me descrevê-la da maneira como eles a descreviam: se uma mosca pousasse em seu rosto, você não podia espantá-la com um tapa, porque aquilo era autodefesa, e autodefesa era trabalho. Não podia fazer isso no dia de sábado.
Essa ilustração não é minha; é deles. Se uma pulga entrasse em seu olho, você não podia esfregar o olho para tirá-la. Esse era o sábado em que acreditavam quando nosso Senhor Jesus estava na terra e começou a realizar Seus milagres, muitos deles no dia de sábado.
O sábado havia se tornado uma grande escravidão para o povo de Deus. Estava recoberto de incrustações de religião e tradições criadas pelos homens.
Certo verão, eu precisava de um emprego. Vi no jornal de Newport, em Rhode Island, que alguém procurava uma pessoa para raspar as cracas de um barco. Então me candidatei. Digo a vocês: não aguentei nem um dia tentando raspar aquelas cracas do barco. É um trabalho difícil. Aquelas coisas realmente se agarram ao fundo do barco.
O que quero dizer é que isso foi o que aconteceu com o sábado. Havia todas aquelas cracas, todas aquelas incrustações, todos aqueles acréscimos que colocaram sobre o belo sábado de Deus.
Parece que aquilo que chamou a atenção de Jesus, quando Ele olhou ao redor e viu a atitude deles em relação ao sábado, fez com que Ele ficasse profundamente irado com essa atitude. Seu coração ficou entristecido pela maneira como viam o sábado. Isso O encheu de justa indignação, porque Ele sabia o que o sábado realmente deveria ser.
Ele compreendia o sábado. Na história imediatamente anterior, quando Jesus caminhava pela seara, Marcos 2:27 diz:
O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado;
Portanto, o Filho do Homem é Senhor até mesmo do sábado.
Irmãos, acho que nunca apreciaremos plenamente aquele olhar — a ira do nosso Senhor Jesus e a tristeza que encheu Seu coração — até vermos o contraste entre o que eles pensavam que o sábado era e o que Ele sabia que o sábado era.
Quatro mil anos antes disso, quando Deus instituiu o sábado, sabemos, pelo Evangelho de João, que todas as coisas foram feitas por Ele. Nada foi feito sem Ele. Esse mesmo Jesus estava ali quatro mil anos antes, quando instituiu o sábado.
Eu não ficaria surpreso se Deus tivesse criado o homem no final do sexto dia, pelo menos em parte, para que o homem não tentasse ajudá-Lo na criação. Se Adão estivesse por ali no segundo ou no terceiro dia, consigo imaginá-lo agarrado às pernas de Deus, dizendo: “Por favor, deixa eu Te ajudar um pouquinho. Uma gota de água, uma folha de grama, uma pena — alguma coisa!”.
Deus diz: “Não, não vou nem deixar você estar por perto. Vou terminar a obra e então vou criar você, para que seu primeiro dia seja o Meu sábado”. Isso foi deliberado da parte do Senhor.
Deus foi sábio e criou o homem depois que tudo estava pronto. O ato culminante da criação de Deus foi criar o homem à Sua imagem, para que o homem pudesse entrar no Seu sábado e desfrutar desse descanso.
Gosto de expressar isso assim: vocês não podem compreender o coração de Deus a respeito do sábado sem perceber que sábado e descanso estão ligados. O que Ele viu — estamos usando o sábado como ilustração — foi descanso. Precisamos ver o descanso como Ele o viu.
Agora, vocês sabem o que o descanso não é. Não é recuperação depois do cansaço. Deus não estava cansado depois de criar. Desde então, Ele poderia ter criado, a cada seis dias, um universo inteiro sem jamais repetir uma forma, um tamanho, uma cor, uma lei ou qualquer outra coisa. Poderia ter feito isso repetidamente, a cada seis dias, até hoje e por toda a eternidade.
Não é aposentadoria do trabalho. Não é isso que significa descanso. Ele disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Não se trata de Jesus precisar Se apoiar em um poste. Tentei subir as escadas aqui e, quando cheguei ao alto, estava completamente sem fôlego. Eu preciso me apoiar em alguma coisa. Preciso me sentar. Deus não estava cansado assim.
Deus não descansou porque estava cansado. Descansou porque havia concluído. Descansou porque tudo estava terminado, e Ele estava satisfeito. Olhou e disse: “É bom”. A obra estava concluída. A criação não pode ser aperfeiçoada. Vocês não podem acrescentar nada a ela nem tirar nada dela.
Vocês não podem compreender aquele sétimo dia sem relacioná-lo aos seis primeiros dias e ver como Deus estava satisfeito. Era uma obra consumada.
Aquele primeiro sábado que Deus criou era tão maravilhoso que Ele disse: “Não quero que as pessoas jamais deixem de desfrutá-lo”. Então, parafraseando, Deus disse: “Quero que se lembrem do Meu sábado toda semana”. Ele separou um dia, um dia de sábado, a cada semana, para que não deixassem de desfrutá-lo.
Então Ele disse: “Vou separar o sétimo mês”. Em cada ano, o sétimo mês era separado, porque Ele não queria que deixassem de desfrutar Seu sábado. Depois disse: “A cada sete anos, vou separar um ano inteiro — um ano sabático”.
Então Ele disse: “Sete vezes sete — a cada ciclo de sete sábados de anos —, terei um jubileu sabático”. Vocês percebem o milagre desse jubileu sabático? A partir da colheita do quadragésimo oitavo ano, eles não trabalhavam no quadragésimo nono ano, porque aquele era o ano sabático, nem trabalhavam no quinquagésimo ano, porque aquele era o jubileu, até a colheita do quinquagésimo primeiro ano.
Eles tinham de confiar em Deus: “Vão para casa. Descansem. Eu cuidarei das necessidades de vocês”. Se vocês fossem meteorologistas, teriam um bom emprego naquela época, porque saberiam que, no quadragésimo oitavo ano, haveria uma colheita extraordinária. Ela tinha de durar quatro anos.
O sábado estava no coração de Deus. Acho que todos vocês conhecem a história bíblica e o cativeiro babilônico. O Reino do Sul teve de ir para o cativeiro. Quanto tempo permaneceram no cativeiro na Babilônia? Setenta anos. Por que não sessenta e nove? Por que não setenta e um?
2 Crônicas 36:20-21 diz:
Os que haviam escapado da espada, ele levou para a Babilônia; e foram servos dele e de seus filhos até o domínio do reino da Pérsia,
Para cumprir a Palavra do Senhor pela boca de Jeremias, até que a terra tivesse desfrutado de seus sábados.
Todos os dias da sua desolação, ela guardou o sábado, até que se completassem setenta anos.
Durante quatrocentos e noventa anos, eles não guardaram o ano sabático. Você diz: “Quem está contando?”. Vou dizer quem está contando: Deus está contando. Deus está contando. Ele disse: “Quatrocentos e noventa anos — isso significa setenta anos sabáticos que vocês deixaram de guardar. Vocês irão para o cativeiro durante setenta anos, até que Minha terra possa descansar”.
O sábado tinha grande importância no coração de Deus. Quando vocês olham para Israel ou Judá naquela época, dizem que foram para o cativeiro porque se voltaram para a idolatria. Isso é verdade. Dizem que foram para o cativeiro por causa da sua imoralidade. Eles eram imorais. Dizem que foram para o cativeiro por causa de alianças ímpias e insensatas com nações estrangeiras. Sim, fizeram isso.
Mas não foi por isso que foram para o cativeiro. Não foi por seu formalismo, hipocrisia, opressão ou idolatria — todos aqueles pecados terríveis. Foram porque não reconheceram o descanso de Deus. Era disso que se tratava.
Nesse contexto, gosto muito de Isaías 58:13-14:
Se, por causa do sábado, desviares o teu pé de fazer a tua própria vontade no Meu santo dia,
E chamares ao sábado deleitoso, e ao santo dia do Senhor, digno de honra,
E o honrares, deixando os teus próprios caminhos, não buscando a tua própria vontade nem falando as tuas próprias palavras,
Então te deleitarás no Senhor,
E Eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra;
E te alimentarei com a herança de Jacó, teu pai,
Porque a boca do Senhor o disse.
O cerne disso é: se vocês apenas guardassem Meu sábado e se deleitassem no Senhor. É disso que trata o sábado — deleitar-se nEle.
O sábado estava no coração do Senhor Jesus. Quando Ele viu aqueles fariseus a um milhão de anos-luz de tudo o que Deus pretendia que o sábado fosse, isso partiu Seu coração. Partiu Seu coração ver o que haviam feito com o sábado.
Aquela imagem preciosa havia se tornado um capataz com um chicote. Estava escravizando o povo de Deus, mas havia sido estabelecida para libertá-lo, para que pudesse se deleitar no Senhor.
Isso me intrigou por algum tempo. Percorri o Novo Testamento e vi que Jesus realizou milagres no dia de sábado sete vezes. A princípio, pensei que fosse uma espécie de provocação: “Tomem essa!”. Ali estavam os fariseus, e o Senhor estava dizendo: “Não Me importo com o que vocês acreditam. Este é o Meu sábado”.
O rabino estava certo em um sentido: Ele poderia ter realizado o milagre na terça, na quarta ou na quinta-feira. Por que escolheu o sábado?
Creio que foi porque Ele queria restaurar Seu dia de sábado. Queria recuperar a verdade do descanso e trazer o sábado de volta ao seu propósito original — aquilo que Deus sempre havia pretendido que ele fosse. Eles o haviam destruído, e ele havia se transformado em um monstro. Ele viu o que fizeram com Seu sábado e disse: “Estou trazendo-o de volta”.
Lucas 11:46 diz:
Ai de vós também, intérpretes da lei! Porque sobrecarregais os homens com fardos difíceis de suportar, enquanto vós mesmos nem sequer tocais nesses fardos com um de vossos dedos.
O sábado havia se tornado o dia mais temido da semana. Eles o odiavam. O coração dEle estava pesado. Ele estava irado. Eles estavam dispostos a deixar aquele homem com a mão ressequida sem ajuda.
Tinham mandamentos opressivos que deixavam as pessoas em cativeiro e escravidão. Ninguém conseguia acompanhar todas as minúcias que acrescentavam à lei.
Como foi vívida a posição de Deus em defesa da verdade. Marcos 3:2-5 diz:
Observavam-No para ver se Ele curaria no sábado, a fim de O acusarem.
E Ele disse ao homem da mão ressequida: “Levanta-te e vem para o meio!”.
E disse-lhes: “É lícito, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar?”. Mas eles ficaram em silêncio.
Depois de olhar ao redor para eles com ira, entristecido pela dureza de seus corações, disse ao homem: “Estende a tua mão”.
E ele a estendeu, e sua mão foi restaurada.
Jesus não deixou aquele homem permanecer anônimo. Chamou-o para a frente da sinagoga. “Ei, você, venha aqui. Assuma uma posição pública. Quero que você demonstre, diante destes violadores do sábado, o que o sábado realmente é.”
Observem Marcos 3:5:
Depois de olhar ao redor com ira, disse ao homem: “Estende a tua mão”. Ele a estendeu, e sua mão foi restaurada.
O doutor Lucas nos informa que era sua mão direita.
Aqueles que conhecem o grego nos dizem que sua mão provavelmente estava ressequida, mas que isso não era congênito. Ele não havia nascido assim. Segundo a palavra grega, alguma coisa havia acontecido — algum tipo de lesão. Não sabemos o que foi. Talvez sua mão tenha sido cortada, esmagada de alguma forma, infectada ou afetada por um coágulo. Alguma coisa havia acontecido com sua mão.
O Senhor disse: “Venha aqui”. Ele veio. Então, no plano terreno — e falo como um insensato —, Ele ordenou algo que não fazia sentido. Era muito irrazoável dizer: “Estende a tua mão ressequida”.
Irmãos, que Deus nos ajude a ver isto: quando Deus ordena o que parece irrazoável, significa que Ele está prestes a fazer o impossível.
Era disso que se tratava. Esse homem poderia ter argumentado no plano terreno: “Por que Tu me dás uma ordem tão irrazoável? Estender minha mão? Não posso. Ela está ressequida. Essa é uma ordem cruel. Por que estás me dando uma ordem tão cruel? Isso não faz sentido”.
Sim, mas não no sábado de Deus. Não, se você compreendesse o sábado.
Se aquele homem ousasse, ainda que por um momento, recorrer à sabedoria e ao raciocínio humanos, estaria perdido. Estaria completamente perdido. Se tivesse olhado para sua anatomia, sua mão, seu braço — flácido e atrofiado — e dito: “Deus está me pedindo que faça o impossível. Está me pedindo algo irrazoável. O que Ele me ordena fazer é contrário à lógica, à razão e à ciência”, não teria obedecido.
Irmãos, é meu dever obedecer ao Senhor. É o dever de vocês. Não está no poder de vocês, mas é o dever de vocês. É responsabilidade de vocês obedecer ao Senhor. É minha responsabilidade.
A mão ressequida não é desculpa para não obedecer ao Senhor. A razão é que, com a ordem, Ele concede a capacitação. Ele nos capacita a fazer o que ordena.
O dever é meu; o poder é dEle. Se acredito que não tenho a mão ressequida, sou um tolo. Se você acredita que não tem a mão ressequida, é um tolo.
Jesus disse: “Levante-se. Venha a Mim. Venha a Mim”. Você olha para o rosto de Cristo e ouve Suas ordens. Em cada caso, você tem uma mão ressequida. Você não consegue.
Ele diz:
Tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações.
Isso é uma ordem. Ele diz:
Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a igreja.
Isso é uma mão ressequida. Eu não consigo fazer isso.
Oferece a outra face.
Vai a segunda milha.
Orai por aqueles que vos maltratam e vos desprezam.
Sede cheios do Espírito.
Permanecei em Cristo.
Em tudo dai graças.
Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está nos céus.
Se você não acha que tem uma mão ressequida, precisamos nos apresentar diante do Senhor e examinar isso. Essa é uma demonstração vívida diante daqueles que não compreendem.
Jesus realizou esse milagre no dia de sábado. Era disso que tratava Seu descanso. Esse é o propósito original de Deus. Ele está determinado a resgatar Seu dia de sábado e abrir os olhos para esse propósito original.
Deixem-me mostrar isso no contexto, por meio da história anterior. Isso vai, por assim dizer, confirmar a questão para nós. A história anterior foi o que desencadeou esta história e aquele olhar que revelou Sua ira e a tristeza de Seu coração.
Marcos 2:23 diz:
Aconteceu que Ele passava pelas searas no sábado, e Seus discípulos começaram a abrir caminho, colhendo espigas.
Os fariseus Lhe diziam: “Vê! Por que fazem eles o que não é lícito no sábado?”.
E novamente, em Marcos 2:27-28:
O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado;
Portanto, o Filho do Homem é Senhor até mesmo do sábado.
Quero relacionar essa história dos discípulos caminhando com Jesus pelas searas no dia de sábado a esta mensagem porque ela ilustra e demonstra perfeitamente o propósito original. Foi isso que Ele viu. Esse é o verdadeiro descanso.
Vou dizer em uma frase. O que é o descanso sabático? O que é um cristão que vive esse descanso? É alguém que aprendeu a caminhar com o Senhor Jesus pelas searas, onde Ele satisfaz toda a sua fome — tudo aquilo pelo que essa pessoa tem fome —, e faz isso bem diante do legalista.
Isso é o descanso sabático em toda a sua bela simplicidade. É simplesmente caminhar com Jesus pela seara.
Marcos 2:23 diz:
Aconteceu que Ele passava pela seara no sábado; e Seus discípulos começaram a abrir caminho, colhendo espigas.
Para mim, há algo belo em caminhar com Jesus no dia de sábado pelas searas, tendo minha fome satisfeita — essa união com Cristo.
Embora eu considere isso uma imagem, e não uma descrição completa, vocês conhecem aquele cântico, “I Come to the Garden Alone” — “Venho ao jardim sozinho”? Ele me faz pensar nessa caminhada pela seara:
Venho ao jardim sozinho,
Enquanto o orvalho ainda repousa sobre as rosas;
E a voz que ouço, que chega aos meus ouvidos,
Revela o Filho de Deus.
Ele caminha comigo, e conversa comigo,
E me diz que sou Seu.
Isso é descanso. Isso é descanso sabático.
Enquanto caminhavam, o Senhor Jesus satisfazia a fome deles. Naquele dia de descanso sabático, aqueles discípulos famintos tiveram sua fome saciada.
Essa imagem da vida cristã é tão simples. É caminhar e ter comunhão com Jesus na seara.
Digo que a vida cristã é você caminhando com Ele, mas não é assim que está escrito. Não é assim que está escrito. Marcos 2:23 diz:
Aconteceu que Ele passava pela seara no dia de sábado.
Ele é Quem está caminhando.
Não se trata tanto de eu caminhar com Jesus. A maravilha é que Jesus está caminhando comigo. Jesus está caminhando com você. Esse é o sábado dEle. Essa é a festa dEle. Esse é o milagre do dia de sábado.
Faz sentido que eu queira caminhar com Ele, mas que Ele caminhe comigo e, ao mesmo tempo, satisfaça minha fome — essa é a maravilha.
Quero chamar a atenção para aquilo que traz essa história de volta ao tema que estamos considerando. Marcos 2:24 diz:
Os fariseus Lhe diziam: “Vê! Por que fazem eles o que não é lícito no sábado?”.
Os legalistas, irmãos, não suportam quando vocês simplesmente querem caminhar com Jesus na seara e deixar que Ele satisfaça sua fome. Isso os incomoda muito.
Nosso Senhor Jesus quer que vejamos o que Ele viu. Eles prefeririam ver vocês acorrentados a um sistema de leis, regras, regulamentos e uma porção de “pode” e “não pode”.
Vocês perceberam, no versículo 24, que os fariseus foram a Jesus? Não foram aos discípulos. Não repreenderam os discípulos. Na verdade, se vocês lerem o relato, os discípulos não disseram uma palavra durante toda a história.
Não precisaram se defender. Não precisaram tomar sua própria defesa. Não precisaram interromper o saciar da sua fome para tentar dar uma explicação aos legalistas. Não precisaram sair do descanso e justificar sua caminhada com Jesus.
Vou dizer a vocês: uma das grandes liberdades que tenho experimentado nos últimos anos é não tentar me defender diante do legalista. Estou falando sério. Não preciso explicar a eles meu descanso em Jesus.
Eu costumava achar que devia uma explicação a eles. Vinham me acusar: “Você é preguiçoso. Só fica descansando. Você é desligado. É passivo”, e todo esse tipo de coisa.
Sabem o que faço agora? Simplesmente continuo caminhando, comendo, desfrutando e me deleitando no Senhor. Se Ele quiser me defender, pode me defender.
Eles estão tentando me tirar da seara. Estão tentando romper a comunhão. Estão tentando tornar a vida cristã complicada. Ela não é complicada.
A vida cristã — e foi assim que Jesus a viu — é passear com Jesus pela seara, permitindo que Ele satisfaça todos os desejos do seu coração. Ele defenderá você durante todo o caminho.
Se há um versículo que se parece com isso, é este:
Ele preparou uma mesa diante de mim na presença dos meus inimigos.
É exatamente isso. É disso que trata a vida cristã: comunhão com Cristo.
Quero encerrar com uma ênfase que é vital para compreender o descanso e o sábado. Quero chamar a atenção para quem é o dono desse descanso.
Hebreus 3:11 diz:
Assim jurei na Minha ira:
Não entrarão no Meu descanso.
Ele o chama de Seu descanso.
Hebreus 3:18 diz:
E a quem jurou que não entrariam no Seu descanso, senão aos que foram desobedientes?
Hebreus 4:3 diz:
Nós, os que cremos, entramos naquele descanso, como Ele disse:
Assim jurei na Minha ira:
Não entrarão no Meu descanso,
Embora Suas obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.
Hebreus 4:4 diz:
Pois Ele disse em certo lugar, a respeito do sétimo dia: “E Deus descansou no sétimo dia”.
É o descanso dEle.
Hebreus 4:5 diz:
Não entrarão no Meu descanso.
Hebreus 4:10 diz:
Aquele que entrou no Seu descanso também descansou de suas obras, assim como Deus descansou das Suas.
O descanso de que estamos falando não é algum descanso que Ele dá a você. É um descanso que Ele tem. Ele está nos convidando a entrar no Seu descanso, na Sua satisfação. Ele está satisfeito com a obra consumada. Está satisfeito.
Deixem-me perguntar uma coisa. Não respondam; apenas pensem. Quanta ansiedade Jesus tem a respeito da sua vida?
Vocês têm algumas decisões a tomar nos próximos dias. Ele está ansioso por causa disso? Está preocupado com isso? Alguns de vocês, jovens, perguntam: “O que vou fazer da minha vida? Com quem vou me casar? Como Deus vai me guiar? Em que escola devo estudar?”. Deus está preocupado com isso?
Deus está em descanso, e convidou você a entrar no descanso dEle. Você pode estar tão livre de ansiedade a respeito de tudo em sua vida quanto Deus está livre de ansiedade. Eu posso estar igualmente livre de ansiedade a respeito de tudo em minha vida.
Deus não está preocupado com a possibilidade de eu não sobreviver por causa de alguma coisa. Ele está em descanso e nos convidou a entrar no descanso dEle.
Oramos no início, e continuaremos orando durante todo o fim de semana, para que sejamos conformados à Sua visão. Nesta história, isso significa duas coisas, segundo meu entendimento.
Significa que entrarei no descanso da maneira como Ele vê o descanso. Entrarei no descanso dEle. Mas também significa que serei conformado à Sua visão a respeito daqueles que deixam de compreendê-lo e não entram nele.
Eu realmente não havia percebido isso. O Senhor tratou comigo enquanto eu estudava esse assunto, porque minha atitude em relação àqueles que não entravam no descanso era de pena. Eu sentia pena deles. Eles estavam perdendo essa bênção.
Essa não é a visão dEle. Ele não estava sentindo pena deles. Estava irado. Seu coração estava entristecido. Ele disse que era por causa da dureza do coração deles que estavam deixando de entrar.
Precisamos ser conformados à Sua visão. Eu era complacente com o legalista. Apenas sentia pena. Sentia dó. Desejava que eles pudessem entrar. “Ah, estão perdendo isto. Estão perdendo aquilo.”
Tenho pedido a Deus que coloque uma santa indignação em meu coração e que faça meu espírito se afligir por aqueles que estão deixando de entrar no descanso.
Queremos ser conformados à Sua imagem. Na primeira imagem que examinamos, Ele olhou ao redor e viu o sábado. Ele estava tão difamado e distorcido, e Jesus procurou restaurá-lo.
Não quero que Ele fique irado comigo, nem quero que fique entristecido. O contrário disso é que, se eu compreender, Ele fica feliz. Eu ministro ao Seu coração.
Que Deus nos conforme àquela primeira imagem. Foi isso que Ele viu. Viu descanso. Viu o sábado. Que Deus trabalhe em cada um de vocês, irmãos, para que aprendam a glória e a simplicidade de apenas caminhar, passear com Jesus pela seara, deixando que Ele satisfaça todas as suas necessidades.
Deixem que Ele os defenda. Vocês não precisam se defender.
Vamos orar.
Pai, obrigado pela Tua Palavra. Precisamos dizer novamente: não aquilo que entendemos que ela seja, nem aquilo que pensamos que ela signifique, mas Tu inspiraste a Tua Palavra. Por isso, pedimos que realizes em nosso coração tudo aquilo que, pela Tua inspiração, ela significa. Pedimos em nome de Jesus. Amém.