Hoje sou o professor substituto de vocês, caso ainda não soubessem. Glenn Miller precisou cuidar de alguns assuntos de família, então fizemos uma pequena mudança no fim da sexta-feira.
Agora, na minha vida anterior, quando eu era um grande pecador no ensino médio, lembro-me do que fazíamos com os professores substitutos. Era uma festa. Perguntem ao Jim — ele vai contar a vocês. Não ouvíamos nem prestávamos atenção, porque sabíamos que eles não eram o professor de verdade. Então estou confiando… Como? De vez em quando.
Mesmo assim, nós os torturávamos; acho que era isso que eu gostava de fazer. Eu costumava confundi-los e, quando eles… Bem, enfim, graças ao Senhor pela salvação dos piores entre nós. Então estou substituindo nosso irmão. Vocês receberam o aviso no fim da sexta-feira.
Gostaria que vocês abrissem, por favor, em Apocalipse — a Revelação, como é propriamente chamado —, o último livro da Bíblia. Vamos examinar um texto muito pequeno nesta manhã, começando na parte final do versículo 5. Capítulo 1, desculpem. Mantenham o professor substituto na linha, por favor. Apocalipse 1:5b-6.
Àquele que nos ama,
e nos lavou dos nossos pecados em Seu sangue,
e nos fez um reino, sacerdotes para Seu Deus e Pai;
a Ele sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.
Vamos fazer uma breve oração.
Senhor, somos tão gratos porque a Tua Palavra é viva. Somos tão gratos porque nos achegamos Àquele que nos ensinará todas as coisas. Entregamos este tempo ao Espírito Santo, para que Tu, conforme a promessa do nosso precioso Senhor, nos ensines todas as coisas a respeito do Senhor Jesus.
Senhor, somente Tu tens as palavras de vida eterna. Não há mais ninguém a quem possamos recorrer. Olhamos para Ti, para que nos vivifiques hoje, enquanto compartilhamos e consideramos este breve texto; para que nos fales de maneira viva e nova, e ouçamos o que o Espírito está dizendo às igrejas. Seja feita a Tua vontade. Nós Te adoramos e olhamos para Ti, esperando tudo o que tens para nós nesta manhã, no precioso nome de Jesus. Amém.
Bem, vou tentar compartilhar apenas três pensamentos gerais nesta manhã, a partir deste texto tão breve. Creio que o título geral é “A Revelação Essencial de Deus”. Acho que não é um título grande demais.
O texto é muito breve, mas é extraordinariamente pleno. Quando olhamos para a sua plenitude, temos uma impressão da revelação essencial de Deus. Na verdade, é disso que trata o livro de Apocalipse.
Há poucos instantes, eu disse que é a Revelação. Infelizmente, algumas pessoas leem o título deste grande livro como as Revelações, como se estivesse no plural. Aliás, há alguma justificativa para isso. Há muitas revelações na Revelação: as cartas às igrejas, as pragas, as taças, as guerras, os vencedores, a vinda do Senhor, a Nova Jerusalém, o novo céu e a nova terra, e a grande vitória do nosso Senhor Jesus. Poderíamos continuar: Satanás, a besta, o falso profeta. Há tantas revelações.
Este livro tem cativado os crentes ao longo dos séculos, mas ele é, de fato, a Revelação. É uma única revelação. Seu título está no singular porque tudo nele diz respeito ao Senhor Jesus. Não se trata do Senhor Jesus e de todas essas outras coisas; trata-se do Senhor Jesus.
Essas outras coisas nos mostram como o nosso soberano Senhor cumpre toda a Sua vontade no fim desta era. É algo maravilhoso. Mas João deixou absolutamente claro, no versículo inicial deste livro, do que ele trata, em Apocalipse 1:1:
Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus Lhe deu.
Não eram muitas coisas; era uma só. Esse é o segredo deste livro.
Não é diferente do livro de Hebreus, que estamos começando a estudar como igreja. Logo no início, em Hebreus 1:1-2, lemos:
Havendo Deus falado outrora, em muitas partes e de muitas maneiras, pelos profetas,
ao fim destes dias nos falou na pessoa do Filho.
Toda a carta aos Hebreus, escrita por aquele autor desconhecido, trata do falar definitivo de Deus na pessoa de Seu Filho. Há outro ponto que precisamos destacar ao considerar isso: não é o Seu Filho falando; é o falar no Filho. Há uma grande diferença. Seu Filho é a Sua mensagem. Seu Filho é toda a revelação de Deus. Seu Filho é a revelação essencial de Deus.
Portanto, esses livros são muito semelhantes. “Em Filho” é, literalmente, como o grego deve ser lido, embora soe estranho. Então, em Apocalipse 1:1, temos: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus Lhe deu”. Em certo sentido, são uma e a mesma coisa.
Agora, há uma exortação principal no livro de Hebreus. Ela usa a expressão considerai. Em Hebreus 3:1, está escrito:
Portanto, santos irmãos, participantes da vocação celestial,
considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.
Essa é a exortação de Hebreus: considerem Jesus. Então, quando chegamos a Hebreus 12:3, ela é ainda mais forte. Vocês sabem que tenho uma preferência pela tradução de Darby, e ele usa estas palavras: “Considerai-O bem”.
Não é considerar como vocês consideram que par de meias vão usar pela manhã. Eu sempre pareço errar nisso. Não consigo distinguir as azuis das pretas, e não é raro eu entrar no meu armário, sair, chegar ao escritório e estar com meias de duas cores diferentes.
Na verdade, como John está dizendo, um dia apareci no escritório com um sapato preto e outro marrom. Foi extremamente constrangedor.
Mas, irmãos e irmãs, devemos considerá-Lo bem. Ele deve ser o nosso foco. Ele deve ser o nosso único foco. Ele é a revelação essencial de Deus.
Fazemos bem em ouvir a oração do apóstolo Paulo pela igreja em Éfeso. Era a primeira de suas duas orações, em Efésios 1:17, e é uma oração que precisamos fazer uns pelos outros repetidas vezes:
Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,
vos dê espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele.
Muitos de nós oramos por espírito de sabedoria e de revelação, e paramos aí. Mas, graças a Deus, a oração não parou aí: no pleno conhecimento Dele. Essa é a revelação essencial de Deus. Essa era a oração de Paulo pela igreja em Éfeso.
Hoje vamos examinar esse versículo e meio. É breve, denso e pleno. Ele nos dá uma revelação mais completa dessa revelação essencial.
Talvez eu tente ilustrar, porque não sei se já fiz vocês dormirem. As pessoas tendem a dormir quando os professores substitutos falam, então talvez eu grite com vocês. Se eu souber o seu nome, talvez grite o seu nome. Cuidado com isso se começarem a ficar sonolentos.
Para mim, isto é cristianismo molecular. A maioria de vocês provavelmente já ficou entediada só de ouvir essa expressão, mas acho que vou dar uma espécie de aula de ciências. Vocês sabem o que é uma molécula. É a menor porção de uma substância — agora, todos os estudantes de artes não fazem ideia do que estou falando —, a menor unidade em que uma substância pode ser dividida e ainda conservar sua natureza original e completa.
É muito pequena. Talvez vocês precisem de um microscópio para vê-la, mas essa molécula de uma substância — como a água, H₂O — contém a natureza da água. H₂O significa que temos dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio. Naquela coisinha minúscula está tudo o que constitui a água, essa coisa sem a qual não podemos viver, sem a qual morreríamos.
Então acho que esses versículos, embora sejam apenas um versículo e meio, são cristianismo molecular: muito pequenos, muito plenos, com toda a substância ali.
Acho que podemos enxergar isso de três maneiras:
Antes de tudo, vamos examinar o Seu caminho supremo.
Estou usando esses adjetivos de propósito, porque acho que, neste pequeno trecho, vemos algo grandioso, algo fenomenal, algo extraordinariamente belo em profundidade e abrangência. Vemos o Seu caminho supremo.
Esse caminho supremo está contido nesta pequena frase: “Àquele que nos ama”. Esse é o Seu caminho supremo.
A Bíblia fala repetidas vezes sobre a nossa necessidade de conhecer os caminhos de Deus. Se vocês lerem o Antigo Testamento, essa era a exortação: os filhos de Israel deveriam conhecer os Seus caminhos e andar neles. Foi por isso que Ele condenou Israel. Ele disse: “Vocês não andaram nos Meus caminhos”.
Foi por isso que Ele condenou os reis de Israel. Ouçam apenas alguns versículos:
E guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus,
para andares nos Seus caminhos e para O temeres.
— Deuteronômio 8:6
Se guardares todos estes mandamentos para os cumprires,
os quais hoje te ordeno, para amares o Senhor teu Deus
e andares sempre nos Seus caminhos.
— Deuteronômio 19:9
Pensem em Davi. Salmos 25:4 registra a oração do seu coração profundamente movido:
Faze-me conhecer os Teus caminhos, Senhor;
ensina-me as Tuas veredas.
Será que essa é a nossa oração? Então pensem em Salmos 103:7:
Fez conhecidos os Seus caminhos a Moisés;
os Seus feitos, aos filhos de Israel.
Era isso que distinguia Moisés. Irmãos e irmãs, como precisamos orar para conhecer os Seus caminhos. Se conhecermos os Seus caminhos, Ele poderá nos fazer andar neles. É isso que Ele busca, afinal.
Este texto trata do Seu caminho supremo. Não trata de todos os Seus caminhos; toda a Bíblia contém todos os Seus caminhos. Mas ele revela que há um caminho supremo de Deus por trás de todos os Seus caminhos, dando-lhes força. Nós o vemos naquela primeira frase: “Àquele que nos ama”.
Esse é o Seu caminho supremo. É o Seu amor, irmãos e irmãs. É a explicação de tudo. Se não entendermos que o Seu caminho é o amor, nunca entenderemos a Bíblia. Ela será regras, revelações, histórias, coisas — isto e aquilo —, mas nunca será o Seu caminho supremo.
Agora, a propósito, eu não assisto a muitos filmes. Não sou muito de cinema, então não estou recomendando um filme. Nunca o assisti inteiro, mas vi o suficiente de Uma Mente Brilhante para que uma única impressão ficasse gravada no meu coração.
Russell Crowe interpretou um matemático brilhante que era, para dizer o mínimo, confuso. Ele tinha esquizofrenia. Ouvia vozes, via pessoas que não estavam ali e levava uma vida atormentada. Mas era brilhante. Ninguém pode me acusar de ser brilhante e, até agora, ninguém me acusou de ter esquizofrenia.
No filme, depois dessa vida atormentada, esse homem brilhante recebeu um Prêmio Nobel. Quando se levantou para recebê-lo, disse algo extraordinário:
Somente nas misteriosas equações do amor se pode encontrar alguma lógica ou razão.
Irmãos e irmãs, essa única coisa explica tudo a respeito de Deus. Todos os Seus caminhos, todos os Seus mistérios, são explicados pelo amor.
O apóstolo João compreendeu isso. Em 1 João, a primeira de suas três epístolas, ele usou a palavra amor, ou amor ágape, trinta e duas vezes. Nesse pequeno livro, usou essa palavra mais do que em qualquer outro livro de toda a Bíblia.
Ele compreendeu o significado profundo desse caminho supremo. Fez duas declarações extraordinárias. Em 1 João 4:8, disse:
Deus é amor.
Esse caminho supremo, esse pensamento acima de todos os pensamentos, o cativou tão profundamente que, nove versículos depois, em 1 João 4:16, ele o disse novamente:
Deus é amor.
Aqui está alguém que compreendeu essa revelação essencial. Todos nós conhecemos e amamos João 3:16. João 3:16 é o coração da Bíblia. É o que os mais jovens chamam de mic drop, aquela hora de largar o microfone porque não há mais nada a dizer. Leiam esse versículo e larguem o microfone.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito,
para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
— João 3:16
Fim da história.
G. Campbell Morgan era conhecido como o príncipe dos expositores. Ele não se deu esse título, mas era tão eloquente e tão profundo em sua compreensão da Palavra de Deus que muitos grandes homens lhe deram esse nome.
Ele disse algo extraordinário sobre João 3:16: “Este é um texto sobre o qual nunca tentei pregar”. Não é notável? O príncipe dos expositores disse que nunca havia se proposto a pregar sobre esse texto central da Bíblia.
Ele continuou: “É grande demais. É grande demais. Quando o leio, não há mais nada a dizer. Se apenas soubéssemos lê-lo de modo que os ouvintes percebessem o seu sentido, não haveria mais nada sobre o que pregar”.
Esse é o caminho supremo de Deus.
Houve outro irmão na história, Henry Moorhouse. Ele era bem o contrário de G. Campbell Morgan. Começou a pregar aos dezesseis anos e teve uma vida curta, um pouco como Oswald Chambers, mas foi usado por Deus.
Vocês sabem o que ele fazia toda vez que pregava? Toda vez que Henry Moorhouse se levantava, usava esse único texto, João 3:16, e nunca se afastava dele. Extraordinário. Aqui estava alguém que compreendia o Seu caminho supremo.
Nosso texto diz: “Àquele que nos ama”. A versão King James diz: “Àquele que nos amou”, no passado. Eu amo a versão King James. Ela tem sido poderosamente usada desde 1611 e tem salvado muitos milhões do inferno. Nunca devemos desrespeitar algo que foi tão grandemente usado.
Mas acontece que eu gosto desta tradução: “Àquele que nos ama”, no presente. Ele nunca deixa de nos amar. Não nos amou apenas o suficiente para nos salvar e depois disse: “Agora vocês estão por conta própria nesta caminhada cristã. Façam o melhor que puderem”. Ele nos ama continuamente, sem cessar, até o fim.
Darby, a Revised Standard Version, a American Standard Version e a New American Standard Version dizem todas: “Nos ama”. O sentido do grego, na tradução interlinear, é: “Àquele que está nos amando”. Isso nunca cessa. É contínuo. É presente. Vai de antes da fundação do mundo até o fim: Àquele que nos ama.
Carolyn Bowles costumava ler para nós a Amplified Version com bastante frequência quando éramos mais jovens no Senhor. Nunca vou me esquecer de uma ocasião em que ela leu assim: “Àquele que sempre nos ama”. Esse é o Seu caminho supremo.
Se fosse apenas “Ele nos amou”, pensem em como isso seria desolador. Todo casal divorciado, em algum momento, se amou, e alguma coisa mudou. Já não se amam. Deus nunca é assim. Ele nos ama e nunca Se afastará desse caminho supremo.
Deus não apenas nunca deixa de nos amar, mas o Seu amor é um recurso inesgotável. Vocês podem esgotar o meu amor bem depressa. Não é preciso muito. Talvez vocês tenham uma opinião elevada sobre a própria maneira de amar, mas suspeito que, se convivessem comigo por algum tempo, eu esgotaria o amor de vocês bem depressa.
Mas vocês nunca podem esgotar o amor inesgotável de Deus. É impossível.
Às vezes sinto que tudo o que aproveitei dos estudos foram fragmentos. Lembro-me de ter estudado economia — obrigado, John —, e um professor me disse algo profundo: “Economia é o estudo da escassez”. Eu nunca havia pensado nisso. Achava que era o estudo da riqueza. Não é o estudo da riqueza; é o estudo da escassez e a ciência de como as nações lidam com recursos escassos.
Pensem nisso à luz do amor inesgotável do Senhor. Não existe escassez. Não há limite para ele. Não há como esgotá-lo. Não há como ele acabar.
É o recurso inesgotável — e o único inesgotável. Falamos que os recursos naturais são esgotáveis, e devemos ser bons administradores do meio ambiente. Mas este não é um recurso natural; é um recurso divino que vocês nunca podem esgotar e que nunca acabará. Graças a Deus por esse Seu caminho supremo e inesgotável.
Outra coisa a respeito do amor de Deus: Seu amor é imensurável. Vocês não podem medir o Seu amor. Ouçam Efésios 3:17-19:
Que Cristo habite, pela fé, em vossos corações;
para que vós, estando arraigados e alicerçados em amor,
possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade;
e conhecer o amor de Cristo, que excede o conhecimento.
Irmãos e irmãs, esse amor de Deus toma todas as definições humanas de dimensões mensuráveis e declara que ultrapassa todas elas. Seja altura, profundidade, largura ou comprimento, nenhuma dessas coisas mensuráveis pode medir o amor imensurável de Deus. É absolutamente impossível quantificá-lo.
Lembro-me do irmão Richard Ackroyd, um homem muito distinto, alto e de boa aparência. Creio que havia sido comandante de submarino e se casara com uma das filhas de T. Austin-Sparks. Era professor em Louisville, e Linda e eu tivemos o prazer de hospedá-lo em nossa casa.
Ele era encantado pelo hino “Ó Profundo Amor de Jesus”. Talvez vocês se lembrem da ocasião em que ele falou aqui. Ele nos corrigiu um pouco, pedindo que cantássemos mais devagar e pensássemos nessa realidade imensurável. Cantou com uma voz tão bonita:
Ó profundo, profundo amor de Jesus,
vasto, imensurável, sem limites, gratuito.
Esse é o caminho supremo de Deus. Vocês não podem medi-lo.
Uma última coisa sobre a frase “Àquele que nos ama”: esse caminho supremo é tão grande que nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Ouçam Romanos 8:38-39:
Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados,
nem as coisas presentes, nem as futuras, nem os poderes,
nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura
poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Isso não é uma boa notícia? Irmãos e irmãs, devemos encorajar uns aos outros, seja qual for a situação que estejamos enfrentando, seja o que for que tenha sido permitido em nossa vida por um momento: “Você não sabe, querido irmão ou irmã, que nada pode separar você do amor de Deus que está em Cristo Jesus?”. Afinal, esse é o Seu caminho supremo.
Agora vamos ao segundo ponto: Sua obra suprema.
E nos lavou dos nossos pecados em Seu sangue.
— Apocalipse 1:5
É isso que Ele faz. Deus é um Deus que trabalha ao longo de toda a Bíblia. E precisamos lembrar de outra coisa: Deus é um Deus que sempre termina a Sua obra.
Muitas vezes contei a história — Linda detesta ouvi-la — de como projetei e construí nossa casa trinta anos atrás e nunca a terminei. As pessoas vinham à nossa casa e perguntavam: “Por que você nunca pintou esta porta?”. Eu nunca tinha uma boa razão. Simplesmente nunca terminei o trabalho. Vocês não ficam felizes por eu não ser Deus?
Deus sempre trabalha e sempre termina a Sua obra. Gênesis 2:1-3 diz:
Assim foram acabados os céus e a terra, e todo o seu exército.
E, no sétimo dia, Deus terminou a Sua obra que fizera; e descansou, no sétimo dia, de toda a Sua obra que fizera.
E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou; porque nele descansou de toda a Sua obra que Deus criara e fizera.
Deus trabalha e termina a Sua obra.
Em João 4:34, o Senhor Jesus disse:
A Minha comida é fazer a vontade Daquele que Me enviou
e terminar a Sua obra.
Vocês não ficam felizes por Ele ter dito isso? Não ficam felizes por o Senhor Jesus não ter dito apenas: “Vim fazer a obra Daquele que Me enviou”? Ele disse: “Vim terminar a Sua obra”.
Em João 5:17, Ele disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Então, como foi lido nesta manhã, em nosso momento de lembrança do Senhor, João 19:30 diz:
Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado.
E, inclinando a cabeça, entregou o Seu espírito.
Irmãos e irmãs, essas foram as últimas palavras do nosso precioso Senhor na terra. Como é importante reconhecer que, quando se trata da obra suprema de Deus, Ele está sempre trabalhando e sempre termina a Sua obra. Da mesma forma, quando se trata da obra suprema do Senhor Jesus, Ele está sempre trabalhando porque vê o Pai trabalhando, e sempre, sempre termina a Sua obra.
Nosso texto diz: “E nos lavou dos nossos pecados em Seu sangue”. Esta é uma obra suprema do Senhor Jesus: nossa redenção. Em certo sentido, ela é maior do que a obra da criação.
Quando vocês saem em um belo dia de primavera e contemplam toda a folhagem e as flores, ou quando saem numa noite estrelada, sem poluição luminosa, e veem a vasta extensão do espaço, concluem: “Que obra impressionante. Que obra incrível. Quem é Este cujas mãos lançaram estrelas no espaço? Que obra se compara à Tua obra, ó Deus?”.
Mas há uma obra que supera todas as outras: a obra da redenção. É disso que trata este versículo.
Vocês entendem que nós éramos a criação arruinada? Faria sentido se Deus nos deixasse de lado e dissesse: “Para Mim, basta”. Faria sentido se Ele começasse de novo e dissesse: “Farei uma nova obra”. Mas, em vez disso, aconteceu algo impensável: aqueles que se rebelaram contra Ele, que ficaram sob o domínio do pecado e da morte, Ele escolheu redimir como Sua obra suprema.
Quando vocês lerem 2 Coríntios 5:21, pensem nisso. Meditem nisso. Pensem de verdade:
Àquele que não conheceu pecado,
Ele O fez pecado por nós.
Esse é um versículo difícil de compreender plenamente. Podemos pensar que a redenção de Deus por meio de Cristo Jesus é uma espécie de indulto presidencial. Com uma simples palavra, Ele poderia dizer: “Você está livre do seu pecado. Vá, você está livre”. Mas ela não é como um indulto presidencial.
Que rei ou presidente diria ao executor: “Deixe-Me tomar o lugar dele”? Vocês conseguem imaginar? Observem a primeira parte desse versículo: “Aquele que não conheceu pecado”. Ele nem sequer sabia qual era a sensação.
Vocês e eu vivemos em um mundo adoecido pelo pecado. O pecado é comum para nós. A natureza pecaminosa é comum para nós. Mas assimilem o significado dessa frase: “Aquele que não conheceu pecado”. Ele não sabia como era, não sabia qual era a sensação e não sabia o impacto que teria sobre um corpo humano até que, pela graça de Deus, provou a morte por todos.
É isso que Hebreus diz. Para mim, isso é extraordinário. É a Sua obra suprema.
Jim tem compartilhado sobre as epístolas de Pedro. Em 2 Pedro 1:9, está escrito:
Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, vendo somente o que está perto,
tendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
Queridos irmãos e irmãs, esta é a obra suprema: a redenção. Levaremos a eternidade para compreender a redenção. Hebreus diz que Ele não escolheu os anjos caídos, mas escolheu a descendência de Abraão. Fico imaginando o que os anjos devem pensar — tanto os anjos obedientes quanto os anjos caídos. Esta é a obra suprema, e eu a considero tremenda.
Tenho um problema — talvez vocês já tenham percebido. Aliás, tenho mais de um problema. Mas tenho um problema que deixa Linda muito zangada. Coloco canetas no bolso da camisa, e elas mancham minhas camisas.
Agora superei o meu problema. Tenho um pouco de vergonha de mostrar a vocês, mas uso um protetor de bolso. Fiz uma adaptação nele e cortei a aba, para que vocês não me achassem tão nerd.
Nunca vou me esquecer de uma ocasião em que fui à ODU falar a educadores de todo o país sobre a importância do ensino a distância. Saí correndo do carro enquanto rabiscava algumas anotações. Cheguei ao púlpito, desabotoei o paletó e descobri que aquela camisa branca novinha, com monograma, estava com uma enorme mancha preta. Olhei para baixo e, por um momento, pensei que não conseguiria falar. Então fechei o paletó e disse a eles que minha esposa me mataria depois.
Mas vocês sabem que a mancha do pecado só pode ser removida por essa obra de redenção? A mancha do pecado é tão profunda que não pode ser removida. Vocês não podem tirá-la. Foi necessária uma obra suprema para removê-la.
Isaías 1:18 diz:
Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor:
ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve;
ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.
Essa obra suprema é tão grande e incrível que já não há qualquer evidência de pecado em nós quando Ele nos salva. Salmos 103:12 diz que Ele afasta de nós os nossos pecados tanto quanto o oriente está longe do ocidente. Qual é a distância entre o oriente e o ocidente? É o que chamamos, na engenharia, de infinito. Eles continuam se afastando. Não é possível sequer quantificar essa distância.
Essa obra suprema de redenção é tão grande que Ele remove toda mancha. A promessa da nova aliança, em Jeremias 31:34, é:
E dos seus pecados não Me lembrarei mais.
Tenho acompanhado tantos casamentos em que as pessoas se lembram de cada coisinha. Mas este Deus, Aquele que criou a memória, a inteligência superior do universo, Ele mesmo diz: “Não Me lembrarei mais”. Essa é a obra suprema.
Há outro pensamento neste versículo. Não apenas somos lavados dos nossos pecados, de modo que a mancha desaparece por completo, mas também somos soltos e libertos. Ele não trata apenas dos pecados; trata do pecado.
Nunca vou me esquecer do impacto que senti ao ler o livro do irmão Nee, A Vida Cristã Normal. Se vocês ainda não o leram, por favor, leiam. Quando chega a Romanos 6, ele classifica aquela seção como “o caminho do progresso”.
Essa obra suprema não é apenas tão grande que Ele nos lava completamente de toda mancha de pecado; Ele também trata do dilema do pecador. Ele leva o pecador à cruz, como diz Romanos 6:6:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele.
Foi isso que aconteceu. Não apenas os seus pecados, mas você mesmo. Agora, por causa dessa grande obra suprema, podemos andar em novidade de vida. Essas palavras não são alegóricas; são factuais. São fatos divinos. Você foi crucificado.
A segunda parte dessa obra divina e suprema é que não apenas os seus pecados foram purificados, mas você mesmo foi tratado. 2 Coríntios 5:17 diz:
Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura.
Gosto da tradução: “Eis que há uma nova criação”. Somos colocados em Cristo Jesus. Cristo Jesus Se torna a nossa própria vida por meio dessa nova obra, dessa obra suprema. Agora podemos viver para Deus, não pela frustração da velha vida adâmica, mas por meio da vida do Senhor Jesus e nela, e viver em liberdade.
Tudo o que precisamos fazer, diz Romanos, é nos entregar. Se você se entregar a este Rei, se você se entregar a este Espírito Santo, poderá viver no poder de uma vida indestrutível.
Hebreus 7:25 diz:
Portanto, também pode salvar totalmente os que por Ele se achegam a Deus,
vivendo sempre para interceder por eles.
Não sei quanto a vocês, mas não uso a expressão até o limite máximo com muita frequência. Se eu procurasse Linda nesta tarde e dissesse: “Linda, eu amo você até o limite máximo”, não sei qual seria a reação dela. Talvez não fosse agradável.
Mas a questão é que não usamos palavras assim. Quando se trata da obra suprema, nunca há um superlativo adequado. Certa vez, uma professora de inglês me repreendeu por usar a palavra grande vezes demais em um trabalho. Ela disse: “Você não deve usar tantos superlativos. Eles acabam se tornando comuns”.
Os superlativos precisam ser reservados para Aquele que é o Supremo. Esta é a Sua obra suprema.
Vamos ao último ponto. Voltem a Apocalipse e ao nosso texto:
E nos fez um reino, sacerdotes para Seu Deus e Pai.
— Apocalipse 1:6
Há uma razão para o Seu caminho supremo de amor. Há uma razão para a Sua obra suprema de redenção. A razão é que Ele nos fez sacerdotes para Deus. Há uma vontade suprema por trás do caminho supremo e da obra suprema.
Há um propósito por trás do caminho supremo e da obra suprema. Se você não enxergar isso, vai ver tudo como algo que diz respeito a você, e não a Deus. No fim, tudo diz respeito ao Seu propósito, à Sua vontade suprema.
A razão pela qual Ele ama você ao máximo, e a razão pela qual Ele salva você completamente, é que, no fim, você possa servi-Lo como sacerdote. Esse é o objetivo. A vontade suprema é o propósito supremo.
Como cristãos, sempre falamos sobre a vontade de Deus. “Qual é a vontade de Deus para a minha vida?” Essa é uma pergunta importante. Não quero diminuir sua importância. Não sei quantas vezes tentei responder a essa pergunta quando era um jovem crente.
Ele deixa Sua vontade muito clara. Sua vontade é que Ele ama você desde sempre e para sempre. Sua vontade é que Ele redimiu você completamente. Sua vontade é que você O sirva como sacerdote na casa de Deus.
Você é sacerdote. O texto diz: “Nos fez sacerdotes”. Acho que todos nós tentamos, com toda a nossa energia, fazer de nós mesmos sacerdotes. Você não pode fazer de si mesmo um sacerdote. Não pode ir para uma escola de sacerdotes, obter um diploma de sacerdote, conseguir de alguma forma um colarinho engomado, virá-lo ao contrário e, de repente, tornar-se sacerdote.
Irmãos e irmãs, no fim, Sua vontade suprema é que Ele nos fez sacerdotes.
Se você não perceber que todo o Seu caminho de amor e toda a Sua obra de redenção têm um propósito, isso distorcerá tudo a respeito do Seu amor e da Sua redenção. Mas, se perceber que tudo tem um objetivo em vista, poderá servir como sacerdote. Ele nos fez sacerdotes. É a razão pela qual nos ama. É a razão pela qual nos lava.
Lembro-me de que, anos atrás, acho que foi a irmã Spence quem leu a New American Standard Version. Desde que ela leu Atos 13:36 a respeito de Davi, esse texto me cativou e se tornou uma oração:
Porque Davi, depois de servir ao propósito de Deus em sua própria geração,
adormeceu.
Você sabe que esse é o propósito de Deus para você? Você não está aqui apenas para ter uma família, obter uma formação ou se tornar um empresário ou uma empresária de sucesso — ou não. Você está aqui para um propósito supremo, e esse propósito supremo é que Ele fez de você um sacerdote.
Esse é o objetivo. Você sabia que esse era o seu destino divino? Sabia que Deus fez de você um sacerdote? Você O está servindo como sacerdote?
Recentemente temos nos reunido na casa de Dora e Stephen, estudando o livro do irmão Nee, O Sacerdócio Universal dos Crentes. Watchman Nee disse o seguinte no prefácio:
É uma pena que essa verdade bíblica do sacerdócio universal dos crentes cristãos não esteja sendo praticada entre a maioria do povo de Deus hoje. Por isso, estas mensagens são muito importantes e devem ser lidas com cuidado e oração.
É uma pena. Ainda não entramos plenamente na própria razão pela qual Ele nos ama, na própria razão pela qual Ele nos redimiu. Como isso deve entristecer o Seu coração. Não creio que Ele vá começar de novo, mas creio que anseia por pessoas que respondam.
Você sabia que era sacerdote?
Anos atrás, tínhamos reuniões de irmãos. Às vezes eram um pouco acaloradas e um pouco difíceis, mas tudo bem. Somos a família de Deus. Não há problema em não concordarmos em tudo. Não há problema em, às vezes, levantarmos a voz.
Mas fizemos algo que considero extraordinariamente proveitoso. Dissemos: “Passamos por muita coisa como igreja, e vocês ainda estão aqui. Pensem nisso: o que cativou vocês? O que os manteve aqui?”.
Um dos irmãos mais firmes entre nós, Bobby Mueller, disse algo que nunca esquecerei: “O que me cativou e o que me manteve aqui foi essa compreensão do sacerdócio universal de todos os crentes”.
Isso cativou você? A vontade suprema cativou você?
1 Pedro 2:5 fala de um sacerdócio santo. 1 Pedro 2:9 diz que somos um sacerdócio real. Isso sempre esteve no coração de Deus. Quando Ele tirou os filhos de Israel da escravidão do Egito, porque os amava tanto, queria que fossem um povo especial, um povo que Lhe pertencesse.
Ele os levou ao monte, e foi isto que disse a Moisés. Pensamos que essa é uma ideia do Novo Testamento. Não é uma ideia do Novo Testamento. Êxodo 19:6 diz:
E vós Me sereis um reino de sacerdotes e uma nação santa.
O Senhor disse a Moisés, em Êxodo 19:6:
Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.
Desde o princípio, essa era a Sua vontade suprema.
Permitam-me terminar com isto. Não sei se temos apenas um bom ensino sobre esse assunto ou não. Graças a Deus, temos ensino sobre ele.
As pessoas perguntam: “O que você é?”. Eu digo: “Sou sacerdote”. Isso as deixa loucas. Já disseram isso a um sacerdote — ao sujeito de colarinho? Eles ficam loucos. “Você é sacerdote?” “Sim, sou sacerdote.” “Como você se tornou sacerdote?” “Deus me fez sacerdote.”
Sabemos que somos sacerdotes? Mas aqui está o problema. Este é o encargo. Se vocês esquecerem tudo o mais que eu disse, lembrem-se disto: será que tudo está apenas aqui, na cabeça?
Será que ainda estamos presos à maldição do catolicismo e à maldição do chamado protestantismo, em que deixamos tantos outros serem sacerdotes, enquanto o restante de nós é apenas leigo?
A pergunta que surge em Romanos 12, e a questão fundamental, não é se você entende que é sacerdote e consegue recitar o versículo: “Ele me fez sacerdote”. A questão é se você pode dizer: “Estou exercendo minha função de sacerdote”.
Cada um de nós, por mais dons que tenha — ou, talvez no meu caso, por não ter tantos dons assim —, pode ser uma pessoa de um só talento, mas pode responder a essa vontade divina. Você pode dizer: “Senhor, Tu fizeste tudo isso com esse objetivo. Como posso deixar de responder a Ti?”.
“Preciso responder como sacerdote e assumir minha função sacerdotal na casa de Deus, com os irmãos e as irmãs e, na verdade, onde quer que eu esteja.”
Você pode ser professor; você é sacerdote. Pode ser médico; você é sacerdote. Pode cuidar do lar; você é sacerdote. Pode ser estudante; você é, de fato, sacerdote.
O objetivo desse pequeno versículo e meio, tão pleno e completo, é que Ele nos fez sacerdotes. Que o Senhor nos ajude a responder.
Este versículo é tão pleno. Ele nos mostra o Seu caminho supremo: “Àquele que nos ama” — um amor que nunca cessa, nunca termina e é imensurável. Pensem nisso: nada pode separar vocês dele.
Ele nos mostra a Sua obra suprema: a obra da redenção. Como ela é grande. O Novo Testamento chega a usar a expressão “a remoção do pecado”.
Ele nos mostra a Sua vontade suprema: “E nos fez sacerdotes”. Não é de admirar que essa pequena introdução do apóstolo João em Apocalipse termine com estas palavras de adoração, em Apocalipse 1:6:
A Ele sejam a glória e o poder pelos séculos. Amém.
Se você enxergar o Seu caminho supremo, se enxergar a Sua obra suprema, se enxergar a Sua vontade suprema — a revelação essencial de Deus —, irromperá em adoração. Essa só pode ser a única resposta adequada.
Senhor, oferecemos a Ti estes pensamentos extraídos dessas poucas palavras, nesses versículos. Dizemos: Espírito Santo, mostra-nos Jesus de novo.
Ensina-nos os Teus caminhos, ó Senhor. Não queremos apenas ver os Teus feitos; queremos conhecer os Teus caminhos. Mostra-nos a grande redenção que está em Cristo. Mostra-nos a medida extrema que tomaste e como essa salvação é segura e completa, até o limite máximo.
Senhor, conduz-nos para dentro da Tua vontade. Perdoa-nos por pensar que tudo gira em torno de nós — sempre nos perguntando quanto Tu nos amas, sempre nos perguntando quanto fizeste por nós, e nunca pensando: “O que Tu queres?”.
O conde Zinzendorf disse:
Tu fizeste tudo isso por mim.
O que eu fiz por Ti?
Cativa-nos de uma maneira nova por meio destes poucos pensamentos, para que possamos viver e servir ao Teu propósito em nossa geração. Em nome de Jesus.