Bem, somos gratos ao Senhor por podermos estar juntos nesta manhã. Durante o nosso tempo juntos, gostaria de compartilhar uma breve visão geral e uma introdução ao livro de Hebreus.
Começaremos a estudar Hebreus nas noites de sexta-feira, por isso queremos aproveitar este momento para parar e considerar o livro como um todo.
Vamos abrir em Hebreus 1. Começaremos com Hebreus 1:1-4.
Deus, depois de ter falado outrora aos pais pelos profetas, em muitas porções e de muitas maneiras,
nestes últimos dias nos falou em Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez o mundo.
Ele é o resplendor da Sua glória e a expressão exata da Sua natureza, e sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder.
Depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-Se à direita da Majestade nas alturas,
tendo-Se tornado tão superior aos anjos quanto herdou um nome mais excelente do que o deles.
Agora vamos abrir no último capítulo, Hebreus 13, começando em Hebreus 13:20. Minha Bíblia traz aqui um título: “Bênção Final da Carta”.
Ora, o Deus da paz, Que trouxe dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, Jesus, nosso Senhor,
vos aperfeiçoe em todo bem para fazerdes a Sua vontade, operando em nós o que é agradável à Sua vista, por meio de Jesus Cristo, a Quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.Mas eu vos rogo, irmãos, que suporteis esta palavra de exortação, pois vos escrevi brevemente.
Sabei que o nosso irmão Timóteo foi libertado; com ele, se vier em breve, vos verei.
Saudai todos os vossos líderes e todos os santos. Os da Itália vos saúdam.
A graça seja com todos vós.
Vamos orar.
Senhor, somos gratos por termos tido novamente este maravilhoso privilégio e esta honra de nos lembrarmos de Ti à Tua mesa. Senhor, também somos gratos por podermos continuar em Tua presença.
Somos gratos, Senhor, pela Tua Palavra viva, que nos deste. Senhor, olhamos além das palavras escritas nesta página. Olhamos para Ti como Aquele Que tem essas palavras de vida, para que, Senhor, possamos realmente provar de Ti nesta manhã.
Somos gratos por esta carta aos Hebreus. Senhor, há muitos desafios ao longo desta carta. Como ela diz, é uma exortação. Há muitas imagens e muitos testemunhos belos — tão belos — de Quem Tu és e da vastidão do Teu ministério.
Senhor, ao considerarmos este livro, nos achegamos com corações dispostos a aprender. Abrimos nossos corações a Ti, Senhor, para que o Teu Espírito possa operar em nós.
Senhor, nestes últimos dias em que nos encontramos, vemos esta carta se tornando cada vez mais relevante para nós, para nos encorajar a prosseguir. Senhor, somos gratos por podermos declarar, ao nos reunirmos, que Jesus Cristo é o Senhor deste tempo. Deixamos tudo o mais de lado. Olhamos para Ti de uma maneira maravilhosa e muito preciosa.
Em Teu nome oramos. Amém.
Como mencionamos, começaremos a considerar Hebreus nas noites de sexta-feira, e somos gratos por isso. Teremos também alguns materiais de apoio disponíveis quando esse momento se aproximar.
Também fomos lembrados, em um aviso, de que todas as mensagens da CFC estão no site, tanto em áudio quanto, agora, em PDF. Boa parte das mensagens da CFC, cujo tema veio de Hebreus, tratou de muitos assuntos encontrados em Hebreus. Provavelmente seria útil voltarmos a algumas dessas mensagens e considerá-las enquanto estudamos este livro.
Ao olharmos para este livro de Hebreus, há muitas coisas que não sabemos a seu respeito. Não sabemos exatamente quando foi escrito, mas, muito provavelmente, a maioria das pessoas que vocês respeitam diria que foi escrito no final dos anos 60 do primeiro século. Foi escrito antes da destruição do templo.
O templo foi destruído em 70 d.C., e as evidências da carta nos mostram que ele ainda existia. Portanto, estamos considerando que ela foi escrita no final dos anos 60.
Também não sabemos quem foi o autor. Se vocês começarem a consultar os comentários bíblicos, encontrarão alguém defendendo a ideia de que praticamente cada personagem de destaque do Novo Testamento escreveu a carta.
Uma das sugestões mais interessantes que encontrei veio do irmão Christian Chen. Acabamos de ler Hebreus 13. Depois de treze longos capítulos, está escrito:
Vos escrevi brevemente.
Então, para ele, isso mostra que a carta foi escrita por uma irmã: Priscila.
Muito bem, essa é a piada de hoje.
Mas nós não sabemos. Há muitas opiniões por aí, e não precisamos nos distrair com isso, porque sabemos que o verdadeiro Autor é o Espírito Santo. Não importa se alguém acha que foi João, se outro acha que foi Paulo ou alguma outra pessoa. Isso não muda a mensagem da carta.
A mensagem da carta é a mesma. Ela foi escrita para nós, para os dias em que estamos vivendo.
Sabemos que os destinatários desta carta eram judeus que haviam se convertido a Cristo. Eles tinham sido criados no judaísmo, mas, quando ouviram aquele glorioso evangelho — quando ouviram falar de tão grande salvação —, entregaram-se ao Senhor, entraram em Cristo e O seguiam.
Não sabemos exatamente onde essas pessoas viviam nem a quem, especificamente, esta carta foi escrita. As duas hipóteses mais comuns são Roma e Jerusalém, porque, naquela época, havia grandes populações judaicas tanto em Roma quanto em Jerusalém.
A maioria das pessoas tende mais para Jerusalém, por causa da natureza da carta, do templo e de tudo o que é tratado ao longo dela. Mas também não podemos ser categóricos quanto a isso. Mais uma vez, isso realmente não importa. Não muda a mensagem da carta.
Mas por que esta carta foi escrita? Ao olharmos para ela, precisamos perguntar por que foi escrita. Há, na verdade, duas razões principais.
Primeiro, aqueles que haviam se entregado ao Senhor e sido salvos estavam começando a retroceder. Estavam se afastando de Cristo e voltando ao judaísmo.
Ao longo desta carta aos Hebreus, vemos pessoas se afastando e negligenciando as coisas.
Segundo, esta carta é uma advertência, porque um grande abalo viria em um futuro próximo. As coisas nas quais as pessoas depositavam sua confiança — especialmente o templo e os sacrifícios — seriam abaladas.
Portanto, esta carta as preparava para o que estava pela frente. Podemos dizer que as duas razões pelas quais esta carta foi escrita eram corrupção por dentro e perseguição por fora.
A corrupção por dentro consistia no fato de que as pessoas estavam se afastando de Cristo. Estavam substituindo Cristo por outras coisas, e isso produz corrupção interior.
Esses crentes estavam voltando ao judaísmo porque, com o início da perseguição, estava se tornando mais confortável e mais seguro se identificar com o judaísmo do que com o cristianismo.
A perseguição por fora era esse abalo futuro, que viria para abalar tudo o que pudesse ser abalado, de modo que permanecessem apenas as coisas que não podiam ser abaladas.
O Senhor tinha zelo pelo Seu testemunho. Tudo o que não estivesse à altura do testemunho de Cristo seria removido pelo abalo. Mas aquilo que tivesse o fundamento sólido e seguro de Cristo seria capaz de resistir ao abalo que estava por vir.
Quando o cristianismo surgiu, quando a igreja nasceu no dia de Pentecostes, o governo romano simplesmente via o cristianismo como uma seita do judaísmo. Como o judaísmo era legal, o cristianismo também era legal.
Assim, as pessoas estavam muito à vontade nos primeiros dias da igreja. Não havia perseguição externa acontecendo.
Mas, mais tarde, ficou claro para Roma que o cristianismo era muito diferente do judaísmo. Até mesmo os judeus estavam tentando se desvincular do cristianismo.
O cristianismo foi declarado uma religião ilegal porque Cristo era Rei, e não César. Para ser cidadão romano, era preciso declarar quem era o rei. Os cristãos podiam dizer: “Temos um só Rei, e Ele é Cristo”.
Por isso, Roma via com desprezo os cristãos. Ao lerem as cartas de Paulo, vocês veem como ele sofreu perseguição: foi preso, julgado e sofreu nas mãos do governo romano.
Mais tarde, pouco antes de esta carta ser escrita, Paulo e Pedro foram martirizados. Vemos a intensidade da perseguição aumentando depois desta carta, quando João foi exilado na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Era apenas por isso que João estava lá. Ele cria na Palavra de Deus e permanecia firme pelo testemunho de Jesus. Por causa disso, sua conduta era considerada ilegal, e ele foi perseguido e isolado naquela ilha.
Mais ou menos na época desta carta — não sabemos a data exata —, em 66 d.C., aconteceu o que foi chamado de Revolta Judaica.
Aqui vai uma pequena aula de história. Dar aulas de história diante de professores de história é sempre um desafio, mas eu dou esse passo pela fé.
Em 66 d.C., os judeus de Jerusalém se levantaram contra o governo romano por causa dos impostos. Na verdade, não foi por causa da religião; foi por causa de uma tributação injusta.
Os judeus se revoltaram e conseguiram retomar Jerusalém. O rei Agripa e os líderes romanos fugiram de Jerusalém e daquela região. Assim, por um breve período, eles haviam retomado Jerusalém.
Mas, obviamente, Roma não aceitaria aquilo. Roma enviou um de seus generais, Vespasiano, e ele teve êxito parcial na reconquista da região. Conquistou as áreas ao redor de Jerusalém e estava se preparando para tomar a própria Jerusalém.
Mas o imperador, ou César, que governava em Roma morreu. Vespasiano foi chamado a Roma e se tornou o próximo imperador do Império Romano.
Então Vespasiano deixou seu filho Tito no comando do exército que cercava Jerusalém. Tito concluiu a tarefa com muito sucesso.
Pouco depois, ele entrou novamente e retomou Jerusalém. Destruiu o templo em 70 d.C., os judeus foram dispersos, e a revolta foi completamente sufocada naquele momento.
Esse é o período da história em que ocorreu a batalha de Massada. Todas essas coisas aconteceram no início dos anos 70, quando Tito retomou Jerusalém e Roma restabeleceu firmemente seu controle.
Portanto, vemos que esta carta foi escrita para advertir as pessoas sobre o abalo que estava por vir. Infelizmente, muitos não abriram os olhos. Alguns abriram.
Vemos esta carta como um anúncio das coisas que estavam por vir. Creio que, justamente nisso, podemos perceber como ela é relevante para nós hoje.
Sabemos que algumas coisas estão por vir. Temos ouvido o chamado: Estamos preparados? A questão é se estamos preparados ou se apenas aprendemos uma nova frase para dizer: “Estamos preparados?”
O desafio para esses queridos irmãos em Jerusalém, ao receberem esta carta, era saber se responderiam a ela de maneira viva. Alguns responderam, outros não.
Em meio a essa perseguição e a tudo o que estava acontecendo, era vital que esses irmãos voltassem ao Senhor. Como o cristianismo era ilegal, muitos estavam recuando para o judaísmo.
Mais uma vez, podemos relacionar isso aos dias em que estamos vivendo. Se você declara que Jesus é o Senhor no seu trabalho ou na sua escola, pode ser perseguido. Você pode perceber uma tendência de recuar, de retroceder.
Vemos novamente a relevância desta carta nos tempos desafiadores em que vivemos. Quando os tempos se tornam difíceis, não devemos recuar no testemunho do Senhor, mas vê-Lo de uma maneira nova e plena e prosseguir para a plenitude daquilo para o qual Ele nos chamou.
Esta carta, como todas as cartas de Deus, é uma carta de amor escrita no primeiro século para despertar esses queridos irmãos.
Ao voltarem ao judaísmo, eles estavam depositando sua confiança em coisas que seriam destruídas: o templo e os sacrifícios. Era ali que encontravam sua segurança.
Olhavam para o grande templo do Senhor. Olhavam para as coisas exteriores: as pedras e a grandiosidade. Depositavam nele sua confiança.
Mas esta carta diz: “Ah, isso será destruído”. Quando as coisas nas quais vocês estão confiando forem destruídas, o que vamos fazer?
Ah, irmãos e irmãs, é por isso que, nesta hora em que estamos vivendo, nossa confiança e nossa segurança precisam estar em Cristo, e somente Nele.
Se confiamos em qualquer outra coisa — até mesmo em nossa herança religiosa ou em nossas boas obras religiosas —, essas coisas serão abaladas. Temos uma única coisa que nos mantém firmes, e essa é Cristo.
É isso que vemos ao longo de toda esta carta, repetidas vezes: Cristo apresentado de maneira vívida a esses queridos irmãos.
Que permitamos ao Espírito Santo sondar nossos corações e ver se há alguma coisa na qual estamos confiando que seria abalada. Graças a Deus, ainda temos a oportunidade; ainda se chama hoje.
Lembro-me de uma das minhas frases favoritas que Ed Miller costumava compartilhar. Tenho certeza de que ele ainda a compartilha, mas, quando a ouvi, ele disse: “Como você espera receber o Rei da glória no futuro se não está recebendo o Rei da glória em seu coração hoje?”
Como podemos esperar estar preparados para amanhã, se o Senhor demorar, se não estamos preparados hoje — se não estamos vivendo em fidelidade a Ele hoje?
Muitas pessoas perguntam: “Como se preparar?” Bem, você vive hoje. Você vive fielmente para Ele hoje, com aquilo que Ele coloca em suas mãos.
À medida que nos submetemos a Ele, Ele nos treina e nos guia. É só isso que Ele está pedindo a esses queridos irmãos hebreus: que simplesmente voltem a Cristo e permitam que Ele lhes mostre o caminho através da crise que enfrentariam.
É maravilhoso que, em qualquer período de declínio espiritual, o Senhor sempre tenha a mesma resposta, e ela seja sempre Cristo.
Lembrem-se do final do primeiro século. Paulo concluiu 2 Timóteo — sua última vontade e seu testamento para Timóteo — com esta palavra, em 2 Timóteo 2:8:
Lembra-te de Jesus Cristo.
Esse é o chamado.
João, na ilha de Patmos, recebeu uma revelação. Revelação de quê? Era a revelação de Jesus Cristo.
Não era um novo ensinamento. João, em todos os seus escritos, não nos dá novos ensinamentos nem novas doutrinas. João simplesmente compartilha Cristo conosco e nos traz Cristo de volta.
Era disso que aqueles que viviam no final do primeiro século precisavam: voltar a Cristo. É disso que precisamos hoje: um relacionamento vivo com Cristo.
Esses hebreus foram advertidos a não encontrar sua segurança nas coisas exteriores. Isso é muito semelhante ao que Paulo escreveu em 2 Timóteo 3:5: nos últimos dias, as pessoas se apegarão a uma forma exterior de piedade, negando, porém, o seu poder.
Qual é esse poder? É a vida. É apegar-se à Sua vida e conhecer a Sua vida. É para isso que somos chamados.
No primeiro século, podemos usar o termo cristianismo em um sentido positivo, porque ele realmente manifestava a vida de Cristo. Infelizmente, ao longo dos anos, o cristianismo se transformou simplesmente em um sistema.
Muito do que hoje é chamado de cristianismo está, na verdade, se opondo a Cristo. Se vocês olharem para o que o cristianismo prega e para o que se vê em boa parte dele, perceberão quanto se retira da autoridade da Palavra de Deus, da pessoa e da obra de Cristo e do valor do Espírito Santo.
Sempre há uma batalha. Ao longo dos séculos, a batalha tem sido simplesmente, como disse o irmão Sparks, uma batalha pela vida. É uma batalha para que a vida do Seu Filho seja real em nós.
Permitimos que tantas outras coisas entrem. Ao longo de Hebreus, essa é a batalha pela vida. Eles estão olhando para os sacrifícios, os anjos, Moisés e Melquisedeque, e a carta diz: “Não. Há uma vida para a qual vocês precisam olhar”.
Ela nos conduz de volta a Ele.
Ao olharmos para o cristianismo hoje, vemos, tragicamente, que coisas que sabemos ser testemunhos vivos se transformaram em cerimônias e rituais.
Tivemos um batismo há algumas semanas. Graças a Deus, que testemunho vivo! Mas, infelizmente, quanto o batismo tem se tornado um exercício cerimonial?
Até mesmo a mesa do Senhor é algo vivo, um testemunho. Há muitas outras coisas assim.
Nestes dias, há uma grande batalha para não nos contentarmos apenas com um simples conhecimento mental e uma familiaridade com o Senhor, nem nos concentrarmos em doutrinas mortas, mas permitirmos que a realidade de Cristo seja vivida em nós.
O simples conhecimento não nos sustentará, a menos que seja um conhecimento vivo — o relacionamento prático de conhecê-Lo e de conhecer a plena suficiência de Quem Ele é.
Temos tamanha tendência de substituir a vida por tantas coisas. Esta carta nos chama: Não substituam Cristo por coisa alguma. Permitam que Ele seja o nosso tudo em todos.
Infelizmente, podemos ouvir tantas dessas coisas e balançar a cabeça em concordância, mas, na realidade, elas passam por nós sem alcançar nosso coração.
Irmãos e irmãs, precisamos estar atentos. Não podemos pensar que temos um lugar de segurança nesta reunião simplesmente porque não somos uma chamada denominação.
Nossa segurança não pode estar nesta assembleia. Somos gratos por ela. Somos gratos pelos irmãos e irmãs. Mas nossa segurança não está na assembleia; nossa segurança está em Cristo.
Nossa segurança não pode estar apenas em vir às reuniões e repetir uma prática a cada semana. Ela precisa ser um relacionamento vivo com Cristo, expresso na vida.
É isso que Ele procura: não nossa produção, não nossas obras nem nossos esforços próprios, por melhores que sejam.
Nesta carta, vemos que há um caminho melhor. É isso que buscamos ao contemplarmos Cristo.
A palavra melhor é usada repetidamente em Hebreus. Precisamos ter clareza sobre o que o escritor quer dizer quando a usa.
Ele não está apenas comparando o antigo e o novo. A palavra melhor é usada no sentido de contraste. Essas duas coisas são diferentes.
Aquilo que vocês tinham antes não está simplesmente sendo aperfeiçoado. Isso é algo totalmente novo. É o novo e vivo caminho. É um contraste com o antigo, e não apenas uma melhoria dele.
Quando somos salvos, nossa velha pessoa — nosso velho homem — não é melhorada. Somos introduzidos em uma vida melhor. Há um contraste aí.
Precisamos ter cuidado para que o bom não se torne inimigo do melhor. Podemos fazer coisas boas e boas obras, mas, quando a fonte somos nós mesmos, e não a vida de Cristo, tudo se queima como madeira, feno e palha.
A questão está em nossos corações individuais. É a isso que tudo se resume.
No final de Hebreus, o escritor fala sobre sair para fora do arraial. Ao longo da história, muitos saíram para fora do arraial, e o arraial se refere a um sistema religioso.
Somos gratos por aqueles que, ao longo da história, saíram para fora do arraial, mas depois eles mesmos se tornaram um arraial. Então vem outro chamado, e as pessoas continuam saindo do arraial.
Mas, quando vocês pensam no arraial, esse arraial está, na verdade, dentro de nossos corações e de nossas vidas individuais. Não é apenas um grupo; está no seu próprio coração.
Não podemos dizer que nós, como assembleia, saímos para fora do arraial. Em nossos corações individuais, onde estamos reunidos?
Tudo se resume a cada um de nós estar em clareza diante do Senhor: “Senhor, não quero fazer parte de um sistema. Quero fazer parte de um relacionamento vivo Contigo”.
É isso que o escritor de Hebreus procura repetir e estabelecer em nossos corações, vez após vez.
Repetidas vezes, ao longo de Hebreus, vemos este simples clamor:
Considerai Jesus.
O Senhor os está desafiando, e também nos está desafiando, a voltar àquele lugar de simplicidade e pureza: um relacionamento com Ele, um relacionamento vivo e vibrante com Ele todos os dias da nossa vida.
Ao estudarmos Hebreus, que não façamos apenas um exercício mental. Que o Espírito Santo esteja operando em nossos corações.
Que percorramos este livro em oração e meditação, permitindo que esta carta escrita em folhas de papel — esta carta viva — seja escrita em nossos corações, impactando e transformando nossa vida.
Como eu disse, foi uma carta de amor escrita àqueles irmãos no primeiro século, e é uma carta de amor escrita a nós nos dias em que vivemos. Queremos responder a ela.
Se vocês quiserem definir um tema para o livro de Hebreus de maneira bem simples, podemos dizer que o tema é:
Considerai Jesus.
A carta está concentrando e voltando os olhos do nosso coração para Ele, permitindo que Ele entre e Se encontre conosco de maneira clara e especial.
Há muitos esboços detalhados de Hebreus. Alguns ocupam três páginas. Eu gosto de esboços que dão uma visão rápida.
Dentro do tema de considerar Jesus, os capítulos 1 a 4 de Hebreus podem ser vistos como uma consideração de Jesus como o Apóstolo.
Jesus é o Apóstolo, o Mensageiro. Deus nos falou em Seu Filho. Ele é o Mensageiro divino.
De Hebreus 5:1 até Hebreus 10:18, consideramos Jesus como nosso grande Sumo Sacerdote.
Nós O vemos como o Sumo Sacerdote, muito acima de todas as funções sacerdotais terrenas que vinham sendo exercidas. Nós O vemos de maneira viva, exercendo essa função sacerdotal, e precisamos conhecê-Lo hoje como nosso grande Sumo Sacerdote.
Por fim, de Hebreus 10:19 até o final do livro, consideramos Jesus como o Autor e Consumador da nossa fé.
O livro inteiro trata Dele. Nós O consideramos como o Apóstolo, como o Sumo Sacerdote, como o Autor e como o Consumador da nossa fé. Encontramos Nele o nosso tudo em todos.
Quando olhamos para um livro, é sempre bom considerar as palavras-chave. Usamos esse termo porque uma chave abre alguma coisa.
Cada escritor tem certas palavras que usa para expressar o que está em seu coração — palavras usadas para abrir ao nosso coração aquilo que realmente está sendo escrito.
Ao examinar Hebreus, encontrei oito palavras-chave. A princípio, tentei encontrar sete, porque sete é o número perfeito. Depois cheguei a oito.
Pesquisei o significado de oito. Alguém sabe? Vida de ressurreição. Muito bem. Vocês têm o perfeito e, depois, o novo começo. Oito é vida de ressurreição. Então está bom.
A primeira palavra é perfeito ou perfeição. Algumas traduções usam, às vezes, a palavra maturidade.
Isso se refere simplesmente a crescer em Cristo e experimentar as riquezas da Sua vida. Perfeição aqui nunca significa perfeição sem pecado. Significa crescer em Cristo, o amadurecimento da Sua vida e experimentar mais Dele.
Hebreus 6:1 diz:
Portanto, deixando o ensino elementar a respeito de Cristo, prossigamos para a perfeição.
Ou podemos dizer: prossigamos para a maturidade. Há um crescimento em Cristo, deixando para trás as coisas elementares. Essas coisas são vitais; são nosso fundamento. Mas estamos crescendo Nele para experimentar cada vez mais Dele.
Nesse crescimento, como esta carta menciona, também precisamos aprender a suportar as dores do crescimento. Não apenas as nossas próprias dores do crescimento, mas também as dos irmãos e irmãs ao nosso redor.
À medida que crescem, as pessoas podem passar por aquela fase adolescente de saber tudo e não aceitar que ninguém lhes diga nada. Nós, os mais velhos, precisamos ficar de boca fechada por um tempo.
Sempre digo que uma das coisas impressionantes a respeito do meu pai era que, quanto mais velho eu ficava, mais inteligente ele se tornava.
Quando eu era adolescente, costumava pensar que ele não sabia muita coisa. Mas, quando eu estava na casa dos quarenta, ele ficava cada vez mais inteligente.
Isso faz parte de crescer e perseverar, e pode ser difícil. Mas faz parte do processo pelo qual passamos.
Por isso é tão maravilhoso termos essa diversidade: jovens, pessoas de meia-idade e pessoas mais velhas. Cada um tem uma força própria, e cada um tem um desafio.
Alguns de nós, mais velhos, temos dificuldade para mudar. Ficamos presos ao nosso jeito de fazer as coisas. Graças ao Senhor, temos os mais jovens, que podem nos ajudar a permanecer maleáveis nas mãos do Senhor.
Que todos sejamos maleáveis em Suas mãos! É isso que buscamos. Há esse objetivo de perfeição — crescer até a maturidade.
Essa palavra é usada cerca de dez vezes nesta carta. Vou dizer “cerca de dez vezes”, porque, quando se começa a examinar palavras gregas, palavras inglesas e traduções, ninguém é totalmente exato.
Alguém diz que uma palavra é usada exatamente onze vezes, e o comentarista seguinte diz que é usada exatamente doze vezes. Não sou um estudioso, por isso vou usar uma estimativa ampla de cerca de dez vezes.
Em treze capítulos, se ela é usada cerca de dez vezes, isso é quase uma vez por capítulo. Isso nos mostra sua importância.
Outra palavra-chave é eterno ou para sempre. Isso fala da vida duradoura e permanente que temos com o Senhor.
Hoje, tantas coisas se concentram no aqui e agora, e andamos pelo que vemos. Mas o eterno — o para sempre — significa andar pela fé. Significa olhar para o alto. Significa enxergar além do que é visível.
Pela fé, os olhos do nosso coração são abertos para ver essa salvação eterna na qual fomos introduzidos.
Um exemplo é Hebreus 9:12:
Por meio do Seu próprio sangue, entrou no santuário uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.
Ele obteve eterna redenção para nós — não apenas redenção. O Espírito Santo quer que vejamos sua beleza, sua plenitude e sua glória. Há uma redenção eterna, não apenas para agora, mas para toda a eternidade.
Graças a Deus por aquilo em que Ele nos introduziu. Precisamos que os olhos do nosso coração sejam abertos para essa perspectiva.
A próxima palavra-chave é céu ou celestial. Dana mencionou isso na conferência. Ela é usada cerca de dezessete vezes no livro de Hebreus.
Sabemos que o judaísmo era terreno. Tudo estava nesta terra. Mas Cristo nos eleva e nos leva a um plano mais alto.
Temos a verdade de estarmos assentados com Ele nas regiões celestiais. Graças a Deus por isso. Não precisamos viver segundo este mundo; podemos estar no mundo sem ser do mundo. Ele nos elevou.
Dana nos lembrou de que todos temos essa maldição do contato com a terra. Tocamos esta terra, e é como se ficássemos sujos. Há essa maldição no viver sobre a terra. Mas, graças a Deus, Ele nos libertou disso.
Hebreus 3:1 diz:
Portanto, santos irmãos, participantes de uma vocação celestial, considerai Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão.
Irmãos e irmãs, Ele nos fez santos irmãos, e somos participantes dessa vocação celestial. Não é apenas uma vocação terrena. Ele nos chamou para além disso, chamou-nos para Si, para vivermos com Ele e para Ele.
Relacionada a isso, a próxima palavra-chave é participantes. Ela é usada cerca de nove ou dez vezes.
Isso fala de nossa comunhão e companhia contínuas com Ele. A pergunta que precisamos fazer é: do que estamos participando em nossa vida diária? Do que realmente estamos nos alimentando? O que estamos compartilhando?
Devemos ser aqueles que participam de uma vocação celestial. É disso que nos alimentamos. É isso que compartilhamos: a vida que temos Nele.
Não devemos viver presos a esta terra e participar das coisas daqui, mas encontrar nossa suficiência Nele.
A próxima palavra-chave, que já mencionei, é melhor. Melhor expressa a superioridade da vida de Cristo — a vida superior de Cristo.
Ela é usada mais de treze vezes nesta carta. Fala de uma esperança melhor, uma aliança melhor, um sacrifício melhor e uma pátria melhor.
Há essa busca pelo melhor, e não se trata apenas de uma comparação. Trata-se de um contraste. Jesus — não há alternativa a Jesus.
Infelizmente, às vezes podemos fazer de Jesus uma alternativa. Tenho considerado a vida de Elias.
Lembram-se de quando Elias reuniu todo Israel diante dele, junto com os profetas de Baal e o rei Acabe? Ele chamou o povo de Israel e disse: “Escolham hoje a quem vocês vão servir. Vão continuar oscilando entre essas duas opiniões?”
Ele disse, em 1 Reis 18:21:
Se Baal é Deus, servi a Baal;
se o Senhor é Deus, servi-O.
Naquele momento, o Senhor havia se tornado uma alternativa. As pessoas olhavam para um lado e para o outro, tentando, na verdade, servir aos dois.
O Senhor não é uma alternativa. Fomos chamados para um caminho absolutamente superior, e há um grande contraste com este mundo.
A sexta palavra-chave é a expressão façamos, ou outras formas de exortação coletiva. Ela é usada mais de treze vezes. Em geral, é uma palavra de encorajamento.
Ela fala da necessidade vital de nos apropriarmos daquilo que possuímos Nele. Ele nos deu essa herança, e precisamos responder: respondamos a isso.
A sétima palavra-chave é uma pequena expressão: para que não. Ela expressa o temor de que essas grandes e gloriosas realidades sejam perdidas.
O Senhor nos deu tanto da realidade de Si mesmo, e precisamos ter cuidado e estar atentos para que não deixemos essas coisas se perderem aos poucos.
Por fim, a oitava palavra-chave é se. Ela mostra nossa responsabilidade de responder por Sua graça.
Ela fala da responsabilidade que temos de responder por Sua graça. É usada mais de quinze vezes — não apenas como uma palavra de ligação, mas de uma maneira que apresenta uma mensagem e uma escolha.
Ao considerarmos essas palavras-chave, especialmente as três últimas — as expressões de exortação coletiva, para que não e se —, vemos que elas refletem o estilo desta carta.
O estilo de Hebreus é singular. Não há nada igual. Nenhuma das outras cartas do Novo Testamento é como ela, porque Hebreus é uma exortação.
Lemos isso em Hebreus 13:22. É uma carta de exortação.
Uma carta de exortação tem duas vertentes. Ela é usada para encorajar, mas também para advertir.
Sempre há encorajamento, mas, com o encorajamento, vem a advertência. Temos as expressões de exortação coletiva, que trazem o encorajamento, e as advertências, expressas por meio de para que não e se.
Ao longo do estilo desta carta e da maneira como essas palavras são usadas, essa exortação em Hebreus contém dois pensamentos interligados.
Primeiro, o escritor de Hebreus apresenta a supremacia e a plena suficiência de Cristo. Repetidas vezes, vemos a supremacia, a superioridade e a plena suficiência de Cristo.
Então, em segundo lugar, pela graça de Deus, há um chamado para que o ser humano responda a Ele. Agora que vocês viram a plena suficiência e a superioridade de Cristo, há um chamado para que respondamos.
Esse tema de duas vertentes percorre toda a carta. Sim, Cristo é apresentado, mas então a pergunta nos é feita: “Agora vocês viram isso. O que vão fazer com isso?”
Vamos olhar alguns exemplos. Lemos o início de Hebreus, Hebreus 1:1-4, e vamos lê-lo novamente.
Muitos chamam a maneira como Cristo é apresentado aqui de natureza sétupla da Sua glória.
Deus, depois de ter falado outrora aos pais pelos profetas, em muitas porções e de muitas maneiras,
nestes últimos dias nos falou em Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez o mundo.
Ele é o resplendor da Sua glória e a expressão exata da Sua natureza, e sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder.
Depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-Se à direita da Majestade nas alturas,
tendo-Se tornado tão superior aos anjos quanto herdou um nome mais excelente do que o deles.
Ao longo de todo este capítulo, vemos esse magnífico retrato de Cristo sendo apresentado. Ele nos eleva às regiões celestiais, onde O contemplamos em toda a Sua majestade e glória.
Mas então chegamos a Hebreus 2. Como ele começa? Depois de Cristo nos ser plenamente apresentado nessa glória sétupla, Hebreus 2:1 diz:
Por esta razão, devemos prestar muito mais atenção ao que temos ouvido, para que não nos desviemos disso.
“Por esta razão” aponta de volta para Hebreus 1. Este é Cristo. Portanto, por esta razão, devemos prestar muito mais atenção ao que temos ouvido, para que não nos desviemos disso.
Essa é a advertência. Temos ouvido tudo isso a respeito de Cristo. Graças a Deus por todos os anos em que temos ouvido e por todo o ensino que recebemos a respeito da vida de Cristo.
Por esta razão, precisamos dar ouvidos. Essa é uma palavra forte: devemos prestar muito mais atenção. Ela não diz simplesmente: “Prestem atenção”. Diz: “Prestem mais atenção”.
Talvez vocês tenham olhado para Ele apenas por breves momentos. Concentrem-se Nele. Considerem-No, para que não nos afastemos.
Quando penso em se afastar à deriva, lembro-me da época em que eu era escoteiro, quando estava crescendo. Uma das insígnias de mérito que recebi provavelmente era de canoagem — talvez de remo —, mas me lembro de amarrar a canoa ao cais.
Você amarrava a corda ao cais e depois ia para perto da fogueira, preparar o jantar ou fazer alguma outra coisa.
Se você não amarrasse bem aquela canoa, a correnteza a levaria lentamente para longe.
A característica desse afastamento é que ele não é repentino. Você pode olhar e ver a canoa ali. Talvez não perceba que a corda se soltou.
Você volta para aquilo que o distraiu. Então a canoa começa a se afastar apenas um ou dois metros. Do seu ponto de vista, ela ainda parece perto, por isso você não se alarma.
Você se distrai novamente, preparando doces de biscoito, chocolate e marshmallow na fogueira e talvez aproveitando-os até demais. Então olha de novo, e a canoa desapareceu.
As coisas não se afastam de repente. É um processo lento.
Essa é a corrupção por dentro. É como a ferrugem produzida pela corrosão. A ferrugem não aparece da noite para o dia; é um processo lento de oxidação.
Por isso é tão vital considerar Cristo diariamente e manter nosso relacionamento com Ele renovado, para que esse afastamento não comece, para que o processo de enferrujamento não comece e para que a corrosão não se inicie em nossos corações.
A segunda advertência está em Hebreus 2:3:
Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?
Essas eram pessoas que haviam ouvido a Palavra de Deus. Haviam encontrado o Senhor e estavam começando a negligenciar tão grande salvação.
Eu estava pensando nessa palavra, negligenciar. Você não pode negligenciar algo de que nada sabe.
Negligência se refere a algo que está sob seus cuidados e que você sabe que precisa ser cuidado.
Lembro-me de quando eu estava crescendo em casa e não cuidava das coisas. Minha mãe dizia: “Por que você negligenciou isso?” Eu respondia: “Eu não sabia”.
Eu não sabia que era preciso lavar a banheira depois de tomar banho. Não sabia que era preciso enxaguar a escova de dentes. Não sabia dessas coisas. Você aprende essas coisas.
No início, não é negligência. Mas, depois que você aprende e não faz, isso é negligência.
Portanto, quando falamos de negligenciar tão grande salvação, estamos falando de pessoas que experimentaram e conheceram a grandeza da salvação e depois escolhem começar a negligenciá-la, deixando de entrar nela.
Irmãos e irmãs, vivemos em um país tão maravilhoso e livre. A vida de Cristo em nós pode ser expressa entre nós com tanta liberdade.
No entanto, junto com uma bênção, pode vir aquela estranha tendência de tratar as coisas como garantidas e não nos apegarmos a elas.
Nos países onde há perseguição, aqueles que passam por tempos difíceis se apegam ao Senhor. Em muitos aspectos, se vocês entendem o que estou dizendo — e não me interpretem mal —, podemos sentir que não precisamos nos apegar ao Senhor com tanta firmeza neste país. Podemos simplesmente ir levando.
Na realidade, não podemos. Precisamos nos apegar a Ele. Creio que vocês entendem o que estou tentando dizer.
Não devemos começar sutilmente a negligenciar alguma coisa, mas entrar na grandeza dessa salvação.
Vocês veem esses dois pensamentos interligados. Há uma provisão completa: a plenitude de Cristo é apresentada. Então há um chamado para que respondamos, sejamos diligentes, prossigamos e não negligenciemos aquilo para o qual Ele nos chama.
Graças a Deus, irmãos e irmãs, Ele nunca nos chama a responder, nunca nos chama à ação nem a segui-Lo sem antes nos apresentar a Si mesmo e a Sua provisão.
Depois de nos dar essa provisão, então Ele diz: “Vão”.
Vemos isso novamente em Hebreus 3:1:
Portanto, santos irmãos, participantes de uma vocação celestial, considerai Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão.
Que essas palavras ressoem em nossos corações, em vez de apenas se tornarem familiares.
Então, em Hebreus 3:6, temos a exortação e a advertência:
Cristo foi fiel como Filho sobre a Sua casa;
casa essa que somos nós, se conservarmos firmes a nossa confiança e a exultação da nossa esperança até o fim.
É somente porque Ele é o Apóstolo Que nos deu Sua Palavra e o Sumo Sacerdote Que está orando por nós que podemos permanecer firmes. É somente por Sua graça.
O Senhor não espera que, por nós mesmos, estendamos a mão e nos mantenhamos firmes. Simplesmente respondemos a Ele por Quem Ele é e pelo que fez.
Novamente, Hebreus 3:12 diz:
Tende cuidado, irmãos, para que não haja em qualquer de vós um coração mau e incrédulo, que se afaste do Deus vivo.
Ele Se apresenta como o Deus vivo. Apresenta-Se como o tudo em todos, e então diz: “Não se afastem. Tenham cuidado”.
Não permitam que esse coração incrédulo comece a questionar as coisas. Mantenham os olhos Nele.
A passagem continua, em Hebreus 3:15:
Hoje, se ouvirdes a Sua voz.
Ele está falando. A pergunta é: estamos ouvindo Sua voz?
Somos gratos porque todas as promessas e toda a plenitude que Ele nos deu — todas as Suas preciosas e magníficas promessas — são sim e amém em Cristo.
As promessas de Deus são seguras e firmes. O se em Hebreus está relacionado à nossa resposta. É uma condição para que nossos corações respondam à Sua graça.
Um último exemplo usa o início e o final do livro. Hebreus 1:1-2 diz:
Deus, depois de ter falado outrora aos pais pelos profetas, em muitas porções e de muitas maneiras,
nestes últimos dias nos falou em Seu Filho.
Ele nos falou em Seu Filho.
Agora abram em Hebreus 12:25. Falamos antes sobre um abalo. Hebreus 12:25 nos chama a responder:
Vede que não rejeiteis Aquele Que está falando.
Não diz: “Aquele Que falou”. Ele ainda está falando hoje. Está no presente: Aquele Que está falando.
E a advertência é para não rejeitá-Lo. Essa é uma palavra forte. Quando você rejeita alguma coisa, faz uma escolha deliberada. Ouve o que foi dito, mas diz: “Não vou ouvir”.
Todos nós já passamos por isso em nossa vida. É triste. O Senhor está dizendo: “Vejam, este é Meu Filho. Eu falei com vocês”.
Você chega ao final de Hebreus, e é como se Ele dissesse: “Vejam tudo o que lhes falei nestes capítulos a respeito do Meu Filho. Não O rejeitem”.
Os versículos continuam, em Hebreus 12:25-29:
Pois, se aqueles não escaparam quando rejeitaram aquele que os advertia na terra, muito menos escaparemos nós, que nos desviamos Daquele Que nos adverte do céu.
A Sua voz abalou a terra naquele tempo; mas agora Ele prometeu, dizendo: “Ainda uma vez abalarei não somente a terra, mas também o céu”.
Esta expressão, “Ainda uma vez”, indica a remoção das coisas que podem ser abaladas, como coisas criadas, para que permaneçam as que não podem ser abaladas.
Portanto, já que recebemos um reino que não pode ser abalado, mostremos gratidão, pela qual ofereçamos a Deus um serviço aceitável, com reverência e temor;
porque o nosso Deus é um fogo consumidor.
Há esse grande abalo que está por vir. Aqueles irmãos estavam sendo advertidos, e nós precisamos, nestes dias, permitir que o Espírito Santo opere em nós.
Quanto às coisas que não são Dele, precisamos abandoná-las agora, porque um dia haverá esse abalo. O que não é Dele será removido.
Mas, graças a Deus, o que é Dele permanecerá.
Somos gratos por termos recebido um reino que não pode ser abalado. O maravilhoso a respeito desse reino é que já o temos agora, porque o Rei vive em nós.
Há um aspecto futuro do reino, sim, mas também desfrutamos agora da beleza, da bênção e das riquezas da Sua vida. Esse é o reino para o qual olhamos.
A pergunta, mais uma vez, é: estamos preparados? Vemos repetidamente a seriedade desta carta e como ela é vitalmente relevante para estes dias.
Ao falarmos desses abalos, sejamos muito claros: na carta aos Hebreus, o escritor nunca está falando de perdermos nossa salvação.
Algumas expressões em Hebreus são difíceis, mas a carta nunca fala de perdermos a salvação.
Hebreus fala de entrar nas riquezas de Cristo e experimentá-las nesta era e na era do reino que há de vir.
Ele quer que experimentemos o reino agora, as riquezas de Cristo agora, para que também possamos desfrutar do reino de Cristo no futuro.
A advertência diz respeito à possibilidade de deixarmos de desfrutar dessas coisas. Não é uma advertência sobre perder a salvação; é uma advertência sobre deixar de desfrutar das riquezas de Cristo, tanto agora quanto no reino que há de vir.
Queremos ser aqueles que entram na plenitude disso e na grandeza da nossa herança Nele.
Somos gratos por esses momentos nas noites de sexta-feira e queremos aproveitá-los bem.
Assim como esta carta começa com a glória sétupla de Cristo, ela termina com Cristo. Lemos o que é chamado de bênção final em Hebreus 13:20-21.
Ora, o Deus da paz, Que trouxe dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, Jesus, nosso Senhor,
vos aperfeiçoe em todo bem para fazerdes a Sua vontade, operando em nós o que é agradável à Sua vista, por meio de Jesus Cristo, a Quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Acho isso tão cheio da graça do Senhor. Ele falou de um abalo que está por vir. Deu advertências. Disse que Deus é um fogo consumidor. No entanto, como Ele conclui?
Ora, o Deus da paz.
O Deus da paz está trazendo paz a vocês. Ele está com vocês ao longo deste dia. Aqui, Ele não Se descreve como Deus Todo-Poderoso nem como o Senhor dos Exércitos. Não — Ele é o Deus da paz.
Há consolo nisso. Ele trouxe dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, Jesus, nosso Senhor.
Ele nos capacita em todo bem para fazer Sua vontade. Ele opera em nós aquilo que é agradável à Sua vista, por meio de Jesus Cristo.
Ele é Quem nos capacitou. Não somos nós mesmos. Ele é Quem nos habilita. Ele é Quem opera em nós.
Isso é muito semelhante ao que Paulo escreveu aos de Filipos, em Filipenses 2:12-13:
Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
porque é Deus Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.
Se esse versículo terminasse depois de “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”, todos ficaríamos aterrorizados. Mas, graças a Deus, ele continua:
Porque é Deus Quem opera em vós.
Irmãos e irmãs, o Senhor está pedindo simplesmente nossa disponibilidade e nossa cooperação com Ele. Ao falar conosco, que possamos, pela graça de Deus, nos render a Ele e permitir que Ele nos conduza de maneira triunfante.
O Senhor está nos preparando. Os tempos que virão serão difíceis.
Mas Ele diz:
Eu vos rogo, irmãos.
Há esse apelo, esse clamor:
Eu vos suplico, irmãos, que suporteis esta palavra de exortação.
Deem atenção a esta palavra. Não a negligenciem. Considerem e meditem em tudo o que Ele compartilhou conosco a respeito do que fez por nós em Seu Filho, da nossa resposta, daquilo pelo que vamos passar e do relacionamento que Ele deseja.
Suportem esta palavra de exortação. Não a descartem simplesmente por ser dura demais ou difícil demais.
Muitas pessoas não gostam do livro de Hebreus. Dizem que é uma carta dura demais. Preferem ir para uma daquelas cartas suaves, cheias de carinho.
Mas esta carta fala abundantemente do amor de Cristo, porque Ele sabe pelo que estamos passando. Ele nos mostra a plenitude da provisão que temos Nele e nos encoraja a prosseguir nesse caminho.
É por isso que Ele diz, em Hebreus 13:22:
Eu vos rogo, irmãos, que suporteis esta palavra de exortação, pois vos escrevi brevemente.
Então, em Hebreus 13:25, há aquela bênção final — a provisão que abrange tudo o que temos em Cristo:
A graça seja com todos vós.
Ou: Cristo — a vida de Cristo — seja com todos vocês.
Essa é a conclusão. Não é apenas uma saudação bonitinha no final. É um clamor do coração.
Ele está dizendo: “A graça seja com vocês. Tudo o que lhes escrevi — a graça de Deus, a vida de Cristo — seja com vocês”.
Irmãos e irmãs, ao considerarmos este livro, que permitamos ao Espírito Santo operar de maneira nova.
Nestes dias difíceis em que estamos vivendo, e nos desafios que enfrentamos tanto individualmente quanto como povo de Deus, que permitamos que este livro penetre nossos corações.
Que percorramos este livro com reverência, para que Ele fale conosco e sejamos transformados.
Que sejamos aqueles que são vivificados em Cristo, e que sejamos tudo o que Ele deseja que sejamos nestes dias.
Que disso resulte um fortalecimento do testemunho do Senhor — um fortalecimento de nossa vida individual e de nossa vida juntos.
O Senhor tem zelo para que a vida do Seu Filho seja expressa. Foi por isso que Ele escreveu esta carta. Ele viu pessoas por meio das quais a vida do Seu Filho antes era expressa.
Mas, quando vieram as dificuldades, elas começaram a retroceder, e Ele já não via aquela vida sendo expressa.
Ele as estava chamando novamente. Tinham a vida dentro delas, mas ela não estava sendo expressa. Ele as chamava a dar um passo à frente.
Permitam que essa luz brilhe. Permitam que essa vida seja expressa.
É por isso que Ele tem zelo nos dias em que estamos vivendo. Oro para que, ao estudarmos esta carta aos Hebreus, o Senhor possa usá-la na vida de cada um de nós para produzir mais de Cristo e essa maravilhosa expressão da Sua vida.
Vamos orar.
Senhor, somos tão gratos pelas várias maneiras pelas quais Tu falas conosco. Mas, acima de tudo, somos gratos porque tudo se resume nisto: Tu nos falaste em Teu Filho.
Senhor, há essa única voz. Oramos simplesmente para que tenhamos ouvidos para ouvir o que o Espírito está dizendo às igrejas nesta hora.
Senhor, ao considerarmos novamente este livro de Hebreus, oramos para que vejamos cada vez mais a natureza multiforme de Cristo.
Que vejamos a magnificência Daquele Que é supremo. Que possamos Te ver de uma maneira que ainda não vimos.
Ou talvez possamos Te ver como Te vimos algum tempo atrás, quando essa visão perdeu o brilho. Que a visão de Cristo seja renovada no coração de todos nós.
Senhor, opera em nós. Não queremos simplesmente cumprir, de maneira casual, a rotina de um estudo na sexta-feira à noite. Queremos aproveitar bem o tempo, para que ele seja usado por Ti e para a Tua glória.
Em Teu nome oramos. Amém.