Então chegamos a este último momento. Eu ia dizer que queria compartilhar apenas algumas palavras para encerrar, mas, às vezes, quando alguém diz “algumas palavras”, isso nos apavora, porque sabemos que, uma hora e meia depois, a pessoa ainda estará falando. Vocês conhecem essas pessoas… Mas vou tentar ser breve.
Foi uma bênção estarmos juntos nesta semana. Sabem, tantas orações foram feitas durante tantos meses por esta conferência — é maravilhoso vivenciar a resposta a essas orações. Às vezes, orávamos, talvez com apenas um pouquinho de fé: “Senhor, como Tu vais fazer isso?” Às vezes, surgiam dificuldades: “Senhor, como Tu vais resolver isso?” Às vezes, alguém que estava escalado para conduzir uma oficina não podia vir: “Senhor, quem Tu vais providenciar?”
E, graças a Deus, estamos aqui para testemunhar: Ele providenciou muito além de tudo o que pedimos ou pensamos. Ele é um Deus maravilhoso, e somos muito gratos por termos sido os beneficiários de Sua bênção nesta semana.
Ao olharem para o manual, vocês verão aquelas três perguntas que tínhamos. A primeira diz: “O que é a verdade?” E vimos, de uma maneira muito viva, que a verdade, como Pessoa, é o próprio Cristo.
E a segunda diz: “Quem és Tu, Senhor?” Vimos que Ele é Aquele que vive, Aquele que vive dentro de nós, e vimos o poder atuante de Sua plenitude: Aquele que é cheio de amor, cheio de luz, cheio de justiça, cheio de santidade. Há uma plenitude Nele — não uma imagem distorcida que o mundo tenta nos apresentar, mas Aquele que nos amou primeiro e nos chamou para Si.
Tínhamos aquela terceira pergunta: “O que devo fazer?” Somos gratos porque, como Dana mencionou ontem à noite, o que estamos fazendo é permanecer Nele. Estamos permitindo que o Realizador — se eu conseguir acertar todas essas palavras. É um vocabulário inteiramente novo. É difícil resumir algumas dessas coisas! Mas o Realizador opera dentro de nós. Descobrimos que é Ele mesmo Quem está realizando a obra.
Paulo diz em Filipenses 2 — e as palavras de Paulo, às vezes, logo de início nos enchem do temor de Deus. Ele diz:
Operai a vossa salvação com temor e tremor;
porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.— Filipenses 2:12-13
Esse versículo é assustador. Quero dizer, se você olhar apenas para aquela pequena frase, dirá: “Puxa, isso não tem jeito”. Mas, graças a Deus, não termina aí. Ele está fazendo isso.
E Jim, que nos pregou uma peça ontem de manhã, disse: “Não vou responder à pergunta sobre o que vocês devem fazer”, e então foi lá e respondeu para nós. Ele não respondeu no âmbito natural, mas na realidade espiritual. Ele viu que há uma vida dentro de nós que está ansiosa para ser descoberta.
Conhecemos o zelo Daquele que está dentro de nós, que deseja tanto Se manifestar? Há uma bomba, há uma dinamite — até na língua grega há essa palavra, dinamite — querendo explodir de dentro de nós. Vamos sair do caminho e permitir que essa vida poderosa se manifeste? Vimos essa vida nesta semana. Tocamos nessa vida e somos muito gratos por ela.
Ao encerrarmos nesta manhã, gostaria que voltássemos ao nosso versículo-tema, àquela passagem em João 18 em que temos a conversa entre Pilatos e Jesus, e ao versículo que temos lido. Na verdade, vou ler o versículo inteiro.
Disse-Lhe, pois, Pilatos: Que é a verdade?
E, dizendo isso, tornou a sair para junto dos judeus e disse-lhes: Não acho Nele crime algum.— João 18:38
Agora, para termos uma visão um pouco mais completa do que Pilatos estava enfrentando, voltem por um instante a Mateus 27. Ao olharmos para Mateus 27, vemos algumas das lutas pelas quais Pilatos estava passando, algumas das pressões que sofria.
Se olharmos para Mateus 27:18-19, veremos que Pilatos sabia que O haviam entregado por inveja. Sabem, Pilatos — e isso é interessante — perguntou: “O que é a verdade?” No entanto, naquela situação, Pilatos estava enxergando claramente algumas das verdadeiras motivações, mais do que outras pessoas. Pilatos podia perceber que Jesus estava sendo levado até ele por inveja, por causa daqueles fariseus e saduceus.
E o texto continua no versículo 19:
E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo;
porque hoje, em sonho, muito sofri por causa Dele.— Mateus 27:19
E aqui está alguém que ama Pilatos, que realmente se importa com ele, e ela chega e diz: “Meu bem, será que você poderia deixar Deus cuidar desse homem? Você vai se meter em muita confusão”. No sul dos Estados Unidos, chamamos todo mundo de “meu bem”. Sabem, quando Jim se mudou do sul da Califórnia para Richmond, tivemos de ensiná-lo a dizer “meu bem”. Agora Jim é especialista em chamar os outros de “meu bem”. Ele vai dizer a vocês que já sabe fazer isso muito bem.
Então vemos que ele está sofrendo pressão das chamadas más influências — esses homens perversos. Ele percebe que estão fazendo isso por inveja. E também está sendo influenciado por uma pessoa boa, que o ama e se importa com ele. Por isso, está realmente dividido por dentro.
Gostaria de usar essa história para nos encorajar, porque, ao olharmos para os capítulos 18 e 19 de João, vemos dois homens em um momento de crise. Pilatos está enfrentando uma crise em sua vida. Jesus também está em um momento de crise em Sua vida.
A razão pela qual gostaria que olhássemos para isso é que, depois de sairmos daqui, Deus, em Seu grande amor, proporcionará um momento de crise a cada um de nós. É uma oportunidade para Ele tomar aquilo que ouvimos nesta semana — aquela verdade absoluta — e permitir que essa verdade absoluta se torne a realidade vivida que tanto desejamos.
Agora, por que Deus vai permitir que passemos por essa crise? Porque, durante esta semana, creio que cada um de nós disse: “Senhor, quero Te conhecer mais. Tenho fome de Ti”. De alguma maneira, expressamos o desejo de prosseguir com o Senhor. Percebemos que não estamos satisfeitos com o ponto em que nos encontramos.
E, quando fazemos isso, estamos, na verdade, dando permissão a Deus. Deus nunca age contra a nossa vontade. Se você não quer que Deus opere em sua vida e diz ao Senhor: “Eu não quero”, Ele recua. Mas a resposta que vimos nesta semana, de cada um de vocês, foi: “Senhor, quero tocar mais de Ti. Senhor, eu Te vi em parte, e quero mais”.
Quando Lhe damos essa liberdade em nossa vida, Ele começa a agir e traz esses momentos de crise.
Gostaria que pensássemos nisto: como o Senhor vai tomar algumas das coisas que ouvimos nesta semana e torná-las uma realidade viva, experimentada em nosso coração e em nossa vida.
Agora, quantos de vocês conseguem se identificar com Pilatos? Quantos Pilatos há nesta sala?
Bem, eu diria que cada um de nós, em si mesmo, é um Pilatos. Sem Cristo, eu conheço um pouco a mim mesmo. Sei que, se não conhecesse o Senhor, agiria por mim mesmo da mesma maneira que Pilatos agiu.
Uma das coisas que acontecem quando vemos mais do Senhor é que começamos a conhecer um pouco a nós mesmos. Eu mencionei esse momento de crise para esses dois homens. E, ao olharmos para eles, vemos que um homem, por medo dos homens e por amor a si mesmo, salvou a si mesmo. Outro Homem, por amor à humanidade, negou a Si mesmo e salvou todos os demais.
Em Pilatos, vocês veem um grande contraste. E sei que, em minha própria vida, houve ocasiões em que surgiram situações e eu salvei a mim mesmo. Preservamos as aparências. Nós nos encontramos em determinada situação, em determinado ambiente, e fazemos algo que, na verdade, não queremos fazer.
Mas acabamos sendo como aquilo que Paulo descreve em Romanos 7: queremos fazer o bem, mas nos vemos fazendo o mal. Queremos fazer uma coisa, mas acabamos fazendo outra. E isso é como Pilatos. O próprio Pilatos sabia. Acho que ele sabia o que era bom, mas amava tanto a si mesmo que seguiu em frente, cedeu e salvou a si mesmo.
Sabem, uma das coisas belas nesses momentos de crise é que passamos a conhecer o Senhor de uma maneira grandiosa e maravilhosa, como nunca antes. Cada um de nós terá oportunidades, todos os dias, de fazer uma escolha.
De fato, a vida cristã, em muitos aspectos, é uma vida de escolhas. A cada dia temos uma escolha: a quem vamos servir? A quem vamos seguir? Será ao Senhor ou a nós mesmos?
E, muitas vezes, é uma mistura. Mas, graças a Deus pelo sangue do Cordeiro, que nos purifica. Quando fazemos escolhas erradas, isso também não nos desqualifica, porque, em Seu grande amor, Ele prepara outra circunstância para nos trazer de volta e nos dar a oportunidade de retornar à corrida e continuar avançando.
Ele nos ama tanto. É tão maravilhoso ver como, enquanto passamos por essas coisas, o Senhor conduz nossa vida. Ele tem zelo por nós, para que descubramos as riquezas Dele mesmo dentro de nós.
Ao olharmos para Pilatos, mencionamos que havia essas três influências em sua vida. Havia aqueles homens perversos incentivando-o a fazer algo errado, e eles faziam isso por suas próprias ambições egoístas.
Muitas vezes, se formos sinceros, quando nos deparamos com algumas escolhas, talvez haja pessoas próximas de nós — talvez amigos, os chamados amigos — e, em nosso coração, sabemos o que é certo. Mas as pessoas ao nosso redor estão nos incentivando a fazer o mal. Há pessoas nos empurrando para cá, nos empurrando para lá. “Ah, é só você fazer isso. É só você fazer aquilo. Venha com a gente.”
O livro de Provérbios está cheio disso: a sedução, a maneira como o mundo tenta seduzir esse jovem a seguir por determinado caminho e não seguir o Senhor. Vemos que há muitas dessas pressões, e elas podem ocorrer em público ou em particular.
Quando você está sozinho em seu quarto, talvez usando o computador — sei que alguns de vocês usam o computador de vez em quando, mas estou falando para aqueles que raramente o usam —, às vezes você está fazendo alguma coisa e, de repente, aquela vozinha diz: “Ei, não há ninguém em casa. Ninguém vai saber. Por que você não clica? Por que não entra nesse site?”
E você percebe que há uma luta ali? Você diz: “Não, não, não, sei que não devo fazer isso”. Mas então vem: “Ah, talvez você veja alguma coisa ali, algum prazer. Ah, é só clicar, só por um instante”. E há uma luta interior.
“Entre nessa sala de bate-papo. Talvez você possa assistir a esse filme.” Você sabe que não é algo que deveria estar assistindo, algo que deveria estar fazendo. Mas existe uma luta interior, se formos sinceros conosco mesmos.
E, graças a Deus, somos gratos por termos essa vida dentro de nós, que pode nos sustentar para que façamos a escolha certa. Pilatos cedeu. Ele não disse não àquela voz má. Mas, graças a Deus, nós podemos dizer.
Ele não tinha apenas aquela voz má pressionando-o; tinha também aquela voz boa dizendo: “Vamos, não se complique com esse homem”. Sua esposa o estava aconselhando. Graças a Deus, temos irmãos e irmãs ao nosso redor que nos encorajam.
Talvez queiramos fazer algo que não deveríamos fazer, mas os irmãos e as irmãs dizem: “Você sabe que não deveria fazer isso. Essa não é a escolha certa. Não faça isso”. Mas existe essa luta interior.
Vocês percebem que, às vezes, estão lutando com Deus? Na verdade, é uma experiência maravilhosa, porque é uma ocasião na vida — é a única luta na vida — em que há benefício em perder. Na maioria das vezes, lutamos para vencer. Quando você luta com Deus, perde, recebe o benefício e ganha na eternidade. Essa é a questão, porque o coração Dele para conosco é bom.
Por fim, ao olharmos para Pilatos aqui, enquanto ele luta, vemos que ele não está lutando apenas com os homens. Há esses homens maus e há uma pessoa boa, ambos tentando influenciá-lo. Mas Pilatos, dentro de seu próprio coração — de certa forma, poderíamos dizer — também está lutando com Deus.
Ele teve um encontro com Jesus Cristo. E, embora aquela luz — aquele disparador naquele momento — não tenha entrado… Que tipo de disparador é mesmo? Zoe Zapper? Certo. Embora aquele Zoe Zapper, aquele disparador da vida, não tenha entrado, foi uma realidade na qual ele tocou.
Até mesmo quando um incrédulo toca em uma realidade de Cristo, há algo ali. Sei que é de uma natureza diferente… Isso fica evidente na conversa dele. Na verdade, é maravilhoso. Jesus e Pilatos tiveram um diálogo muito bom, uma conversa de um com o outro. Jesus dedicou tempo para conversar com ele, falou sobre de onde Ele vinha e sobre todas essas coisas. Então eles tiveram uma boa conversa.
Pilatos percebeu: “De que reino Tu és? Tu és rei?” Ele faz essas perguntas porque percebe que há algo diferente ali. Como percebe que há algo diferente em Cristo, começa a lutar e tenta, de todas as maneiras, sair daquela situação.
Primeiro, ele diz: “Ei, vocês têm o costume de soltar um homem. Que tal soltar Este?” E vocês podem ver que o inimigo já está tramando, porque parece que, sem nem pensar, eles respondem imediatamente: “Barrabás!” É como se Pilatos dissesse: “Opa!” Ele não esperava uma resposta tão rápida. Achava que tinha a solução. Achava que havia encontrado uma maneira de sair daquela situação.
Ele diria: “Vamos soltar Jesus”, e eles responderiam: “Ah, está bem”. Mas foi como se o inimigo quase tivesse previsto aquilo e dissesse: “Não, Barrabás”. Puxa! O plano não funcionou.
Então ele volta e conversa um pouco mais com Jesus. Chega a dizer: “Ah, vou açoitá-Lo”. Então manda bater Nele, manda açoitá-Lo, o que, na verdade, era ilegal Pilatos fazer. Ele não tinha permissão para açoitar alguém que não havia sido condenado.
Ele pensou: “Bem, se eu mostrar que estou infringindo a lei ao fazer isso, talvez isso os satisfaça”. Então manda bater Nele, leva-O para fora novamente, e eles dizem: “Não, crucifica-O”.
E então, por fim, ele sai e está tentando soltá-Lo. Eles dizem: “Este Homem diz que é o Filho de Deus”. E, puxa, isso chamou a atenção de Pilatos.
Se vocês olharem para João 19, depois que aqueles judeus disseram, no versículo 7, que aquele Homem afirmava ser o Filho de Deus, João 19:8 diz:
E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.
— João 19:8
Ele estava tremendo de medo. Era um homem deste mundo que tinha um poder tremendo. Tinha poder absoluto sobre todos ali. Podia estalar os dedos, e um era elevado, outro era derrubado. Mas estava apavorado, porque havia encontrado algo de outra esfera. Ele não compreendia, mas havia algo ali.
No entanto, por causa de seu medo dos homens e de seu amor por si mesmo, ele cedeu, e sabemos que Cristo foi crucificado.
Ele tentou sair daquela situação de todas as maneiras. Estava fazendo manobras. Às vezes, no íntimo, entre nós e o Senhor, sabemos o que Deus quer que façamos. Mas podemos tentar lutar para fazer prevalecer a nossa própria vontade.
Talvez você queira ir para determinada universidade. Quer ir para lá porque sua namorada estuda lá, seu melhor amigo estuda lá, ou por vários outros motivos. Você gosta das cores da instituição, gosta do mascote, seja o que for. Mas sabe, em seu coração, que Deus está pedindo que vá para outro lugar.
E então o que fazemos? Começamos a racionalizar. Começamos a lutar. Talvez seja uma situação de emprego. Abrem-se algumas portas de trabalho, e há uma percepção interior: você sabe que Deus quer que esteja aqui. Mas há outra empresa de que você realmente gosta. É uma empresa de prestígio. “Puxa, se eu estiver no J. P. Morgan ou em uma dessas empresas enormes, todo mundo vai me admirar.”
É como no mundo da contabilidade: se você está na KPMG, está no topo do mundo. A maioria de vocês não faz ideia do que eu estava falando, mas, enfim, é a maior empresa de contabilidade da história do universo — uma opinião totalmente imparcial. E há pessoas aqui que também podem confirmar isso.
Mas, enfim, tentamos lutar. Sabemos qual é a vontade de Deus, mas tentamos racionalizar, escapar dela e tudo o mais. Sentimos vontade de fazer uma coisa, mas Ele nos conduz para outra direção. Então, louvado seja o Senhor, temos essa vida dentro de nós, que sempre vence e já venceu.
Sou tão grato pela paciência do Senhor com cada um de nós e pela maneira como Ele opera em nossa vida enquanto passamos por essas crises. Não conseguimos atravessá-las por nós mesmos, mas, graças a Deus, temos dentro de nós a vida que pode nos conduzir através delas.
Não é porque somos homens de tão grande fé. Às vezes, temos só um pouquinho de fé, mas temos um grande Deus.
Queria compartilhar um pequeno testemunho da minha vida, de uma ocasião em que enfrentei uma crise. É interessante o que eu considero uma crise. Hoje, quando olho para trás, não parece ter sido algo tão importante, mas, para mim, naquele momento, era uma crise enorme.
Na vida de cada um de vocês, provavelmente há alguma coisa acontecendo que, para vocês, é uma crise enorme. Outras pessoas talvez não a vejam dessa maneira. Elas dizem: “Por que você está preocupado com isso?” É porque não entendem. Cada um de nós tem a sua própria caminhada, e cada um de nós tem as coisas pelas quais precisa passar.
Ao olhar para trás, minha crise não parece tão grande, mas, naquele momento, era um muro enorme diante de mim. Tudo girava em torno daquela grande crise do softbol.
Agora, muitos de vocês vão até rir disso. Mas, depois que Stella e eu nos casamos, voltamos para o Senhor e nos envolvemos com a igreja em Richmond.
Durante toda a minha infância e juventude, eu sempre pratiquei esportes. Nos tempos antigos, praticávamos todos os esportes. Passávamos do futebol americano para o basquete, depois para o beisebol e o atletismo. Você não se especializava em um esporte; praticava todos. Então cresci praticando de tudo, fosse bom ou ruim naquilo.
A escola era tão pequena que todo mundo tinha de jogar. Se você tinha mais de um metro e oitenta, entrava no time de basquete. Não importava. Nunca me destaquei como Jim; eu simplesmente tinha mais de um metro e oitenta, então estava no time.
Minha especialidade no basquete era conseguir me posicionar na frente de alguém muito rápido — acreditem ou não, eu conseguia me colocar na frente de alguém. Eu era ótimo em provocar uma falta de ataque. Nunca conseguia acertar uma cesta, mas conseguia provocar uma falta de ataque. As pessoas esbarravam em mim, e eu conseguia acertar os lances livres.
Mas, enfim, depois que Stella e eu nos casamos e terminei a faculdade, eu estava trabalhando naquela grande empresa de contabilidade. Tínhamos um time de softbol, então eu jogava softbol. Eu estava no time e era… não sei como dizer, com humildade, que você era muito bom… mas, enfim.
Nossos jogos de softbol eram todas as quartas-feiras à noite. Bem, no sul dos Estados Unidos, vocês sabem o que acontece na quarta-feira à noite. É a noite da reunião de oração. Em alguns outros lugares, as pessoas oram às terças e às quintas. No sul, sempre se ora às quartas-feiras à noite. É assim. Não importa se você está em uma denominação, em uma igreja local, seja onde for. Por algum motivo, quarta-feira à noite é noite de oração.
Bem, eu jogava softbol na quarta-feira à noite, e gostava muito daquilo. Eu ia para o jogo de softbol, e Stella ia para a reunião de oração. Mas então o Senhor começou a trabalhar em meu coração e disse: “Mac, quero que você deixe o softbol e comece a participar da reunião de oração”.
Ninguém me disse para fazer isso. Os irmãos da igreja foram muito compreensivos. Stella foi muito compreensiva. Não, ela foi mesmo. Ela é a pessoa mais gentil que vocês conhecerão quando se trata de pegar no pé de alguém.
Orávamos, porque eu sabia. Eu sabia, em meu coração, o que deveria fazer. Mas estava tentando descobrir, como Pilatos, uma maneira de escapar. Eu tinha as chamadas más influências — os rapazes do trabalho. Eles diziam: “Sabe, Mac, você precisa continuar jogando. Você é tão importante para o time”. Stella e os irmãos apenas oravam, incentivando-me da maneira certa a deixar aquilo.
Então eu estava realmente lutando. Como Pilatos, tentei escapar. Tentava encontrar uma saída e preservar as aparências, porque não era uma pessoa de grande fé. Tinha pouca fé e, por isso, confiava em mim mesmo. Tentei encontrar minha própria maneira de escapar.
Primeiro, comecei a racionalizar. Eu disse: “Bem, todo mundo no trabalho sabe que sou cristão. Como cristão, dei minha palavra de que jogaria softbol neste ano. Então, se eu voltar atrás, vou arruinar meu testemunho”.
Isso fazia tanto sentido para mim. Consegui racionalizar, e aquilo funcionou por uns sete ou oito dias. Então o Senhor disse: “Não”. Ele derrubou completamente aquele argumento. Disse: “Não, você vai Me seguir”.
Então eu disse: “Bem, como posso fazer isso?” Eu simplesmente não tinha fé para sair do time e ir embora. Queria preservar minha reputação, manter as aparências e tudo isso. Então pensei: “Já sei o que vou fazer. Vou começar a jogar mal, para que eles não se importem se eu sair do time”.
Bem, eu sabia que não podia mudar demais o movimento da rebatida. Não podia ficar tão óbvio que estava tentando fazer aquilo. Então me lembro de uma vez em que fui jogar e pensei: “Bem, vou apenas diminuir um pouco a velocidade da minha rebatida”. Você pode fazer pequenos ajustes no movimento da rebatida que têm um grande impacto.
Então o que aconteceu? Diminuí a velocidade da rebatida. Na primeira vez em que fui rebater, diminuí a velocidade. Normalmente, eu mandava a bola para a esquerda ou para o centro; a bola foi para o campo direito. Se algum de vocês joga softbol, quem eles colocam no campo direito? O pior defensor de todos.
Rebati a bola para o campo direito, e o sujeito não fazia ideia do que fazer. Ele errou completamente a jogada, e eu consegui um home run. Eu disse: “Ah, não!”
Na vez seguinte em que fui rebater, também não bati com força, e a bola voltou a cair suavemente. Passou logo por cima do campo interno e caiu bem no espaço entre os jogadores. Foi uma colocação perfeita. Acho que consegui três rebatidas válidas em quatro tentativas, ou algo assim, naquele jogo. Não funcionou.
Então fui na semana seguinte, para o próximo jogo. Pensei: “Bem, o que vou fazer?” Lembro-me da primeira vez em que fui rebater naquele jogo. Numa crise, é impressionante o que você guarda na memória. Ainda me lembro desses jogos porque foi ali que o Senhor Se tornou real para mim. É por isso que me lembro.
Fui rebater no início do jogo, e as bases estavam cheias, sem nenhum jogador eliminado. Então o que isso diz a vocês? Significa que eu era o quarto rebatedor, aquele encarregado de trazer os corredores para marcar.
Tudo o que eu precisava fazer para marcar um ponto era rebater a bola para o alto. Ela cairia, alguém a pegaria, mas pelo menos o corredor da terceira base marcaria. Eu sabia disso, então pensei: “Nada de bolas altas”. Disse: “Vou ajustar um pouco minha posição. Vou rebater uma bola que quique no chão. Talvez eu provoque uma eliminação dupla”.
Então bati na bola de modo que ela quicasse. A bola foi bem pelo meio, quicou através do campo interno e chegou ao campo externo. Os corredores da segunda e da terceira bases marcaram. O lançamento para a terceira base, para eliminar o jogador que vinha da primeira, passou da base. Então esse jogador também marcou. Consegui duas corridas impulsionadas, e a terceira corrida veio por causa de um erro. Limpei as bases. Acabei na segunda base.
Era como se eu dissesse: “Isso não está funcionando”. Eu dizia: “Estou tentando”. Continuei tentando todas aquelas maneiras diferentes. Imagino que alguns de vocês, nas várias coisas com que lutam, provavelmente também tenham tentado seus pequenos jeitos de escapar.
Mas, por fim, eu disse: “Preciso simplesmente contar a eles”. Então fui falar com o treinador do time, que também era meu chefe, o que tornava tudo pior. Eu disse: “Vou precisar sair. Temos reunião de oração na quarta-feira à noite, e preciso estar lá”.
E o mundo é tão maravilhoso! Ele disse: “Mac, não se preocupe com isso. Na verdade, há uma igreja no meu bairro que tem reunião de oração na terça-feira à noite. Você pode ir lá”.
Eu disse: “Não, não. Esqueça. Não, é naquela igreja que estamos congregando”.
Então ninguém no trabalho entendeu, e tive de passar pela experiência de ser incompreendido. Mas sabia, em meu coração, que estava fazendo a coisa certa. Eu ainda estava lutando.
Chegou a quarta-feira seguinte, e fui à reunião de oração. Todos ficaram muito gratos por me ver ali. Não queriam demonstrar demais, mas estavam felizes em me ver. Era como se dissessem: “Ah, nossas orações finalmente deram resultado nisso”.
Então estou na reunião de oração, sentado ali, e gostaria de poder contar um grande testemunho daquele momento. Onde estava meu coração? Meu coração ainda estava no campo de beisebol. Mas eu estava passando por aquele processo.
Eu sabia onde deveria estar. Tinha um pouquinho de fé, simplesmente obedeci ao Senhor e estava ali. Fiquei infeliz naquela primeira semana, vou dizer a vocês.
Mas o Senhor, em Sua misericórdia — cheguei ao trabalho no dia seguinte e descobri que eles tinham vencido sem mim. Então eu disse: “Tudo bem. Obrigado, Senhor”. Não precisei levar a culpa por uma derrota.
Na semana seguinte, voltei à reunião de oração e comecei a perceber, durante a semana, que estava sentindo vontade de ir à reunião. Nesse processo, em poucas semanas, já não tinha vontade de estar jogando softbol. Pelo contrário, eu aguardava com expectativa. Estava ansioso para estar com os irmãos na reunião de oração.
Porque aquilo em que eu havia tocado era a realidade de Cristo. Eu havia permitido que o Realizador — havia permitido que o Espírito Santo; isso é mais fácil de dizer —, a vida de Cristo dentro de nós, agisse. Eu havia permitido que Ele operasse dentro de mim e O havia descoberto de uma maneira que antes não conhecia.
Quero compartilhar isso apenas como um encorajamento para todos vocês. Ao voltarem para casa, ao passarem por diversas situações, sim, aquilo pode parecer um muro que vocês não têm como atravessar. Em vocês mesmos, não têm fé para ordenar que aquele muro caia.
Mas, se simplesmente nos rendermos a Ele, se permanecermos Nele, confiarmos Nele e Lhe dermos uma oportunidade… O Senhor está tão desejoso de que Lhe demos apenas uma pequena oportunidade de demonstrar quem Ele é para nós.
O Senhor demonstrou quem Ele é para mim, e descobri as riquezas Dele mesmo. O Senhor tem um zelo intenso por demonstrar quem Ele é a cada um de nós. Ao vermos esses dois homens nessa crise, isso se torna muito real em nossa própria vida: as escolhas que precisamos fazer.
Estamos orando uns pelos outros para que, ao enfrentarmos essas escolhas, o Senhor seja sempre fiel em nos mostrar mais de Si mesmo.
Enquanto continuamos caminhando, algo que há muitos anos tem sido um grande consolo para mim no Evangelho de João está bem no final. Abram em João 21. Se vocês têm uma edição com as palavras de Jesus em vermelho, verão algumas das últimas palavras que Ele falou, porque isso realmente nos alcança e nos encoraja a continuar.
Veremos muitas coisas acontecendo com outros irmãos. Nessa situação específica, o Senhor havia dito a Pedro: “Pedro, você será crucificado, mas João continuará vivendo”. Pedro está dizendo: “Puxa, Senhor, não entendo”.
Nós nos encontramos em situações em que olhamos ao redor. Este irmão faz isso, aquele irmão está seguindo por esse caminho, esta irmã está nessa situação, e podemos nos distrair. Os irmãos — o que está acontecendo?
Mas qual é a última palavra do Senhor?
Se Eu quero que ele fique até que Eu venha, que te importa a ti?
Segue-Me tu.— João 21:22
E é a isso que o Senhor nos chama nesta hora, porque cada um de nós passa por suas diversas provações e situações. Não nos deixemos distrair pelo que está acontecendo com os outros. O que isso importa a você? Você, siga-Me.
Quando o ciúme surge em nosso coração, quando a inveja ou outras coisas aparecem, o que isso importa a você? Você, siga-Me. Ao segui-Lo, aprendemos cada vez mais sobre a grandeza de Sua vida.
Uma das coisas belas que apreciei na maneira como Jim e Dana apresentaram todo esse assunto é que eles realmente nos trouxeram de volta à simplicidade de Cristo.
O mundo e boa parte do cristianismo de hoje tentam tornar tudo tão complicado. “Ah, se você quer ser um grande cristão, precisa fazer um doutorado em cristianismo.” Eles adoram complicar as coisas.
Mas essa era, de fato, a preocupação que estava no coração de João. João desejava simplesmente trazer as pessoas de volta àquele lugar de simplicidade e pureza de devoção a Cristo, de apenas conhecê-Lo.
Assim como começou esse Evangelho com Cristo, no final ele diz: “Olhe, não importa o que aconteça, nem o que os outros estejam fazendo; quanto a você, siga-Me”. À medida que continuarmos a segui-Lo dia após dia, entraremos cada vez mais nessas grandes riquezas.
Somos gratos pela maneira como o Senhor nos falou nesta semana sobre esse assunto. Somos gratos pelas diversas verdades que recebemos.
Queria que encerrássemos com um hino. Na verdade, é um hino que dá testemunho daquilo que está em Isaías 43. Jim compartilhou esse versículo; ele foi compartilhado algumas vezes nesta semana.
Em Isaías 43, o Senhor diz:
Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel:
Não temas, porque Eu te remi;
chamei-te pelo teu nome, tu és Meu.— Isaías 43:1
Esse hino, de uma maneira diferente daquele grupo que Jim mencionou, que escreveu um salmo, é um testemunho e uma resposta a isso. Ele diz: “Sou do Senhor. Sou do Senhor”.
E continua: “Sou do Senhor, ó alegria inexprimível”. Conhecemos o Senhor dessa maneira?
Ao passarmos por algumas dessas coisas — como eu passei por algo que, para muitos de vocês, parece bobagem, deixar o softbol —, muitos de vocês, se não praticam esportes, nem conseguem se identificar com isso. Parece tão tolo. Mas foi real em minha vida.
Aquilo pelo que você passa é real em sua vida. Ele quer mostrar a Si mesmo, a realidade de quem Ele é, a cada um de nós, para que cheguemos ao ponto de dizer: “Sou do Senhor”, e isso fique firmado em nosso coração. A partir desse conhecimento, passamos a dizer: “Ó alegria inexprimível”.
Podemos cantar esse hino, e depois encerrarei com uma oração.
A congregação canta um hino que começa com as palavras: “Sou do Senhor, ó alegria inexprimível”.
Senhor, mais uma vez queremos voltar a Ti e Te adorar, porque podemos cantar: “Sou do Senhor”. Senhor, somos gratos porque Tu nos amaste primeiro.
Senhor, somos gratos porque, ao encerrarmos este tempo, podemos orar uns pelos outros. Senhor, nós Te agradecemos pela bênção da comunhão, pela bênção deste corpo de Cristo no qual Tu nos inseriste.
Senhor, pela bênção de, na verdade, esta conferência não estar terminando, mas de simplesmente continuarmos neste caminho de vida que temos em Ti, Senhor.
Senhor, oramos uns pelos outros. Oramos por cada irmão e irmã aqui, enquanto voltam às suas diversas localidades, enquanto retornam às diversas circunstâncias da vida. Alguns estão indo para momentos agradáveis; outros estão indo, talvez até com medo de voltar para casa.
Mas, Senhor, somos gratos porque Tu estás com eles. Tu estás com cada um de nós, Senhor. Somos gratos porque Tu nunca nos deixas. Tu nunca nos abandonas.
Senhor, há um desejo em nosso coração, e oro por cada um deles, Senhor, para que a realidade de Tua vida se manifeste de maneira mais plena e maior.
Senhor, ao nos depararmos com essas crises na vida diária, que não sejamos daqueles que recuam. Mas, quando tivermos um vislumbre de Teu rosto amoroso nos atraindo a Ti, que nos rendamos a Ti. Esse rosto amoroso não espera que consigamos atravessar tudo por nosso próprio esforço, mas que simplesmente nos rendamos a Ti e permitamos que Tu nos mostres mais de quem Tu és.
Senhor, defende cada um de nós do inimigo. Sabemos que Tu realizaste uma grande obra durante esta semana. Sabemos que o inimigo percebeu isso.
Por isso, simplesmente declaramos que cada um de nós está escondido em Cristo, e o inimigo não tem terreno, não tem base para nos tocar.
Somos gratos, Senhor, pela grandeza da salvação que temos, e somos gratos porque podemos orar uns pelos outros, permanecer ao lado uns dos outros, olhando para Ti, Senhor, para que sejamos esse testemunho, a geração que Tu nos chamas a ser nesta hora.
Em nome de Jesus. Amém.