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    Foundation Series: Corporate Prayer © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Foundation Series: Corporate Prayer
    Foundation Series: Corporate Prayer
    Pittman, Kenny

    Oração corporativa: princípio, poder e prática

    Vamos abrir em Mateus 16.

    Acho que o microfone está ligado. Nunca ouvi ninguém reclamar que eu falo baixo.

    Bem, vocês conhecem esses versículos. Vamos examinar parte de Mateus 16, começando em Mateus 16:13. Não vou ler tudo, porque vocês conhecem muito bem essa passagem. Foi quando o Senhor Se voltou para os Seus discípulos e perguntou:

    Quem dizem os homens que Eu sou?

    Vamos nos concentrar na parte final, em Mateus 16:18.

    E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja, ou assembleia;
    E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Esta é a parte em que vamos nos concentrar mais hoje, em Mateus 16:19:

    E dar-te-ei as chaves do reino dos céus:
    E tudo o que ligares na terra será ligado nos céus;
    E tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

    Há também outra passagem, creio eu, muito conhecida, em Mateus 18. Apenas alguns versículos. Essa seção vai de Mateus 18:15-20. Não vamos ler tudo, mas o contexto é que o Senhor está explicando novamente algo a respeito da Sua igreja — a igreja local, como acredito que todos sabemos.

    Trata-se de uma situação bem específica: um irmão pecou contra outro irmão, e o Senhor explica como lidar com isso. Mas então, em Mateus 18:18, depois de explicar algo sobre a igreja local, Ele diz:

    Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu;
    E tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

    Parece familiar, não é? Mateus 18:19-20:

    Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus.
    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.

    Agora, Mateus 21:12-13:

    E Jesus entrou no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
    E disse-lhes: Está escrito: A Minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

    Agora, vamos fazer uma oração.

    Senhor, somos tão gratos por termos a Tua Palavra. Onde estaríamos sem a Tua Palavra escrita? E onde estaríamos sem a Tua Palavra falada, viva, rhema?

    Nós simplesmente nos achegamos a Ti e Te dizemos mais uma vez: só Tu tens as palavras de vida eterna. Mais uma vez, ao entrarmos na Tua presença, pedimos, Senhor, que Tu nos fales com muita clareza; que Tu nos reveles algo do significado da Tua Palavra, o que somente Tu podes fazer pelo poder do Espírito Santo; e que nos ajudes a entrar na realidade do que é dito, e não apenas a tê-lo lido.

    Pois é isso que pedimos hoje, no precioso nome de Jesus. Amém.

    Obrigado pela água, Tim.

    O tema da oração corporativa

    Acho que hoje estamos concluindo a série de lições básicas. Não vou prometer isso, mas creio que foi o que me disseram. Se alguém tiver outro encargo, podemos considerá-lo. Mas hoje estamos concluindo a série de lições básicas que John começou algum tempo atrás.

    Recentemente, nosso irmão Jeffrey compartilhou sobre a devoção pessoal, e creio que todos fomos encorajados por aquela mensagem. Hoje, o encargo que vou compartilhar é a oração corporativa.

    Talvez alguns de vocês não estejam tão familiarizados com esse termo, então vou procurar esclarecê-lo. A devoção pessoal diz respeito à vida de oração individual. Não creio que alguém nesta sala duvide da importância da oração.

    A oração corporativa diz respeito à vida de oração da igreja — a nós coletivamente, como um todo, como um corpo. E isso, irmãos e irmãs, é pouco compreendido na igreja de Deus de modo geral. Precisamos ter certeza de que compreendemos a importância que o Senhor Jesus atribuiu a ela.

    A oração é o exercício vital do crente individual. Sem oração, você cairá numa vida de fraqueza e até de ruína. De maneira semelhante, a oração corporativa é o exercício vital da igreja. Se não compreendermos a importância da oração corporativa, nunca, durante a nossa vida, participaremos da plena realização do propósito do Senhor.

    A importância da oração individual

    Não creio que algum de vocês duvide da importância da oração individual. Vocês se lembram da parábola que o Senhor contou em Lucas 18:1-8 — a parábola do juiz injusto.

    Lucas 18:1 diz com muita clareza:

    E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer.

    Para mim, vocês não precisam de mais nenhum versículo na Bíblia para saber como a oração individual é importante diante do Senhor. Aqui está o próprio Senhor falando, e aqui está o próprio Senhor ensinando. Quanto à oração, os homens devem orar sempre e nunca desfalecer.

    Às vezes, lemos essa parábola e entendemos mal a aplicação da figura do juiz injusto. Muitas vezes tenho dito isto — e alguns de vocês já me ouviram dizer: não se trata de uma comparação; trata-se de um contraste.

    Quando essa viúva foi ao juiz injusto e apelou: “Por favor, faze-me justiça contra o meu adversário”, vocês se lembram do que o juiz injusto disse: “Essa mulher está me esgotando. Como ela vem continuamente e está me esgotando, talvez eu ceda ao pedido dela”. Esse é o sentido geral da história.

    Agora, eu pergunto: essa é a sua ideia de oração a Deus? Essa não é, de modo algum, a nossa ideia. Não precisamos nos achegar a Deus, esgotá-Lo, ficar lembrando-O, dizendo a mesma coisa repetidamente, e então esperar — esperar — que talvez Ele ceda às nossas constantes súplicas em oração.

    Não se trata de uma comparação; trata-se de um contraste. Ouçam a passagem de Lucas 18:3-5:

    Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva, que vinha ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
    E por algum tempo não quis; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens;
    Todavia, como esta viúva me incomoda, far-lhe-ei justiça, para que, vindo continuamente, não me importune.

    São palavras muito fortes. Como alguém pode pensar que o Senhor estava comparando Deus com esse homem? Esse era o juiz injusto. Mas o Senhor diz — e aqui está o contraste, em Lucas 18:6-8:

    Ouvi o que diz o injusto juiz.
    E não fará Deus justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que seja longânimo para com eles?
    Digo-vos que depressa lhes fará justiça.

    Que diferença! Pensem nisso quando pensarem na oração individual. Vocês não precisam, por assim dizer, correr atrás de Deus espiritualmente, torcer-Lhe o braço — falando espiritualmente, de maneira alegórica — e forçá-Lo a responder ao seu clamor em oração. Ele responderá. Essa é a glória da oração pessoal. Acho isso lindo.

    E, novamente, Tiago 4:2:

    Nada tendes, porque não pedis.

    Como precisamos pedir e continuar pedindo! Isso mostra algo da importância da oração pessoal. Ela é a ligação fundamental, irmãos e irmãs, entre o homem e Deus. É assim que nos conectamos com Deus. É assim que conhecemos a Deus.

    A importância da oração individual nunca será exagerada. A oração é mencionada na Bíblia cerca de 250 vezes. Creio que só isso já deveria mostrar a vocês a sua importância.

    Muitas vezes, leio os Salmos e penso em Davi. Vocês não acham que Davi deu vida a essa questão da oração nos Salmos? Será que sabíamos como orar antes de realmente lermos Davi derramando o coração e expressando sua paixão? Creio que descobrimos a paixão da oração nos salmos de Davi.

    Salmos 64:1 diz:

    Ouve, ó Deus, a minha voz na minha oração:
    Guarda a minha vida do temor do inimigo.

    E Salmos 65:2 apresenta esta maravilhosa continuação:

    Ó Tu que ouves a oração,
    A Ti virá toda a carne.

    A devoção individual é absolutamente importante. Se você a negligenciar, isso levará à ruína da sua vida espiritual. Nunca pensem que estou tentando ofuscar o que nosso irmão disse.

    Lembro-me de um homem, John Smith — não o de Dothan, aliás, embora talvez seja ele e eu não saiba. Lembro-me de ter lido na história, acho que as datas eram de 1794 a 1731, sobre um irmão no Senhor muito dedicado à oração pessoal. Seu nome era John Smith.

    Na verdade, chamavam-no de “o homem dos joelhos calejados”. Ele se dedicava tão intensamente à oração que ficou conhecido como o homem dos joelhos calejados. Pergunto-me se não nos faria bem pensar nesse querido irmão, John Smith, e seguir seu exemplo.

    A oração corporativa como ministério da igreja

    Agora precisamos chegar ao nosso assunto. A oração corporativa é o tema de que estamos tratando. Já apontamos a diferença: uma é a sua devoção individual; a outra é o seu exercício corporativo com o povo de Deus. Ambas são igualmente importantes do ponto de vista estratégico.

    A maioria dos cristãos, no cenário da igreja cristã, nunca ouviu a expressão oração corporativa. Eles sabem muito sobre a oração individual. Não pensem que estou inventando isso, porque pessoas melhores do que eu já disseram a mesma coisa. Muitos sabem bastante sobre a oração independente, individual, e isso é bom. Mas muitos de nós não têm ideia do que seja essa questão da oração corporativa.

    Antes de tudo, sou muito grato por termos crescido entre irmãos e irmãs que não apenas ouviram falar desse vasto assunto, mas, em alguma medida, entraram na sua realidade.

    Irmãos e irmãs, isto será mais um apelo do que um ensino. Posso dizer que não sei onde estaria como cristão se não tivesse ouvido palavras de homens de Deus que nos apresentaram essa questão da oração corporativa. Vou dizer de maneira ainda mais forte: não sei onde estaríamos como assembleia ou igreja sem termos ouvido essas grandes verdades sobre a oração corporativa.

    Isso mudou a nossa vida. Mudou a minha vida. Posso olhar para os rostos nesta sala e dizer: “Mudou a sua vida”. Fomos abençoados e privilegiados por ouvir coisas que nem todo cristão tem a oportunidade de ouvir.

    A revelação desse grande mistério nos redirecionou para algo maior do que nós mesmos. E é isso que a oração corporativa é.

    Os cristãos estão sempre concentrados em: “Senhor, Tu conheces a minha necessidade”. E graças a Deus, Ele nunca negligencia a nossa necessidade. Ele deixa muito claro que sabe que somos apenas pó. Ele Se importa com o nosso pão de cada dia. Ele Se importa com as nossas tentações. Ele Se importa com os nossos relacionamentos, e precisamos sempre ter clareza sobre o perdão. Esse é o coração da oração do Pai-Nosso.

    Mas, irmãos e irmãs, creio que a revelação desse mistério nos introduziu em algo cujo foco não está em nós, mas na vontade de Deus:

    Venha o Teu reino.
    Seja feita a Tua vontade na terra, como no céu.

    É assim que começa a oração do Pai-Nosso. Graças a Deus, Ele não ignora a nossa necessidade individual:

    O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
    E perdoa-nos os nossos pecados.

    Ele nunca Se esquece. Mas, irmãos e irmãs, essa é a profundidade à qual Ele nos conduziu. Considero isso o mais elevado privilégio.

    Quando eu era um jovem de vinte e um anos e ouvi essas mensagens, elas me cativaram. Elas me detiveram. Mudaram a minha direção. Levaram-me a algo em que percebi: não se trata apenas de mim.

    No fim das contas, embora Ele cuide de mim e me tenha dado as insondáveis riquezas da Sua graça, Ele está levando você e a mim a algo muito maior, muito mais amplo. E isso é a oração corporativa.

    Recursos para o aprendizado da oração corporativa

    Creio que o privilégio de receber esse ministério realmente mudou a nossa vida. Deixem-me mencionar alguns livros. Vou vender alguns livros — na verdade, não, porque não vendo livros —, mas vou mencionar alguns.

    O primeiro é O ministério de oração da igreja, do irmão Nee. Vocês podem ver meu exemplar antigo; está um pouco surrado, e peço desculpas, as páginas estão se soltando. Lembro-me de quando éramos uma assembleia ainda jovem, lemos esse livro e absorvemos cada palavra.

    Pergunto-me se os irmãos e irmãs, embora esse livro esteja disponível, chegaram a lê-lo e a refletir sobre esse grande chamado que recebemos. Esse livro mudou esta assembleia para sempre. O livro do irmão Nee mostra que a oração corporativa é o ministério da igreja.

    Creio que todos vocês sabem quanto amamos o irmão Lance Lambert. A escola da oração — aliás, eu estava querendo dizer isto, já que estou vendendo livros, e Linda não vai gostar: se você não tem esse livro, adquira-o. Se não puder pagar, eu o comprarei; só não conte à Linda.

    Você deve adquirir esse livro, lê-lo em oração e considerar diante do Senhor: você está fazendo tudo o que deveria fazer como crente no corpo de Cristo? Esse é o apelo.

    O livro de Lance se chama A escola da oração. Gosto muito desse título porque nunca terminamos de aprender, sabem? Nunca chegamos ao fim do aprendizado. Se você acha que é professor emérito em oração corporativa, está muito, muito enganado.

    Essa é uma das coisas, entre muitas — sou um pouco parcial —, de que gosto na Universidade da Virgínia, a UVA. Eles não chamam ninguém de senior, como se já tivesse chegado ao estágio final. O velho Thomas Jefferson, gostem dele ou não, derrubem sua estátua ou não, disse que nunca chegamos ao fim. Você é aluno do primeiro ano, do segundo ano, do terceiro ano, e nunca um senior; é aluno do quarto ano. Somos sempre alunos na escola da oração.

    Esse livro e o ministério do nosso irmão mudaram esta assembleia. Deram-nos uma compreensão do propósito de Deus. Eu me sentei aqui com vocês e ouvi aquelas histórias das velhinhas no Egito, da irmã Ogle e de como ele falava de Rees Howells, o intercessor. Essas histórias nos cativaram e nos fizeram enxergar esse grande mistério da oração corporativa.

    O último livro é Ensina-nos a orar, associado ao irmão Stephen Kaung. Aliás, ele não escreveu esse livro. São quarenta e uma lições ministradas no início de cada reunião de oração, durante semanas consecutivas, quando ele estava aqui.

    Essas quarenta e uma lições mudaram esta assembleia. Eram mensagens de quinze minutos, por meio das quais começamos a aprender a orar. O título foi tomado daquele pedido que um discípulo fez ao Senhor Jesus:

    Ensina-nos a orar.

    Aprendemos algo desse grande universo e ministério da oração corporativa. Bem, espero que vocês tenham percebido o encargo. Vou apresentar algumas lições, porque estamos numa série de lições, mas espero reacender em nós esse fogo e esse desejo de aprender a orar juntos de maneira ainda mais intensa, corporativamente.

    Um apelo à renovação da oração corporativa

    Este é o meu temor: creio que, de algumas maneiras, estamos perdendo o foco. De algumas maneiras, estamos perdendo o fogo. Se Deus, em Sua misericórdia, puder nos mostrar a grande realidade que está em Seu coração e nos levar a experimentá-la — não apenas a compreendê-la —, então poderemos fazer diferença no cumprimento do propósito de Deus.

    Vou contar rapidamente um pouco da minha própria experiência. Vocês sabem disso, e só o digo para ajudar aqueles que talvez estejam numa situação semelhante. Sou empresário. Algumas pessoas talvez não me considerem um empresário muito bom, mas, ainda assim, sou empresário.

    Certa noite, porém, quando comecei a orar em preparação para a reunião de oração corporativa, o Senhor me fez perceber, com tanta urgência, que o negócio de que eu estava tratando naquela noite era um negócio celestial. Era o negócio mais importante de que eu havia tratado durante toda a semana.

    Por causa dessa percepção, embora minha agenda estivesse cheia e as exigências fossem grandes, determinei diante do Senhor que, quando estivesse na cidade, nunca faltaria à reunião dos santos para a oração corporativa.

    Não pretendo envergonhar vocês. Espero inspirá-los. Mas, irmãos e irmãs, lembro-me como se fosse hoje daquela noite em que eu estava orando, e o Senhor falou comigo e disse: “Este é o negócio mais importante de que você está tratando”.

    Pergunto-me se não somos todos muito parecidos. Todos dizemos: “Quando eu ficar um pouco mais velho, terei tempo. Quando me aposentar, terei tempo. Quando meus filhos crescerem, terei tempo. Quando terminar os estudos, começar minha carreira e conseguir alguma estabilidade, terei tempo”.

    Acho que somos o povo que diz: “Terei tempo”. Mas o tempo se esgota, e não nos dedicamos às prioridades mais importantes da Palavra de Deus.

    Somos um pouco como aquele que disse ao Senhor: “Deixa-me ir sepultar meu pai”. Quem negaria um pedido desses? Se você viesse a mim, eu iria com você para ajudá-lo. Mas o Senhor disse:

    Deixa aos mortos o sepultar os seus mortos.

    Creio que essa é uma das declarações mais difíceis do Senhor Jesus. Será que Ele não Se importava com a perda daquele homem? Será que não Se importava com sua tristeza? Creio que Ele está nos dizendo que, na vida, existem prioridades legítimas que podem, e muitas vezes vão, ofuscar aquilo para o que Ele nos chamou. Precisamos prestar atenção ao que Ele nos chamou para fazer.

    Desde aquela noite de oração, tenho sentido essa convicção e estou convencido de que me reunirei com os santos. Embora eu seja um aluno tão fraco, continuarei aprendendo na escola da oração.

    Três aspectos da oração corporativa

    Vamos examinar três aspectos. Esse foi o apelo, aliás, caso vocês não o tenham percebido. Querem que eu o repita? As lições que precisamos aprender já foram tema de conferências, de muitas mensagens e de várias séries. Não abordaremos muitas lições, mas devemos abordar algumas.

    Queremos examinar três coisas:

    1. O princípio e o privilégio da oração corporativa. Se você não enxergar o princípio, não a compreenderá. Se não enxergar o privilégio, nunca se dedicará a ela.
    2. O poder da oração corporativa. Deus concedeu enorme poder à oração corporativa em Sua igreja.
    3. A prática da oração corporativa. Precisamos ao menos tocar nesse assunto, embora o aprendamos estando juntos.

    A oração corporativa, diferentemente da oração individual, que é de suma importância, é a oração da igreja. É o ministério da igreja. Se nós, como povo de Deus, não estamos envolvidos nesse ministério da igreja, não estamos cumprindo o ministério da igreja.

    Vocês podem achar isso forte demais. Eu, por minha parte, não acho que seja forte demais, e creio nisso de todo o coração. É uma reunião corporativa do corpo do Senhor, orando: “Seja feita a vontade de Deus na terra, como no céu”.

    Isso não se limita a determinado lugar ou horário, mas o Senhor deixou absolutamente claro, em Mateus 18:20, que acontece onde quer que dois ou três estejam reunidos em Seu nome. Irmãos e irmãs, não usem isso como desculpa para não se reunirem com os santos na quarta-feira. Quando nos reunimos na quarta-feira à noite, estamos juntos como a assembleia que se reúne aqui, com o propósito de orar corporativamente.

    Deixem-me dar um testemunho. Vocês se lembram do querido irmão Fontaine Bowles. Ele gostava de dar os avisos, mas muitas vezes não conseguia chegar nem à metade deles. Era um pouco parecido comigo no que diz respeito às emoções — tinha emoções demais.

    Quando o irmão Fontaine se levantava, vocês se lembram de como ele sempre fazia um apelo e dizia: “Reunião de oração corporativa”? Nunca colocamos esse pensamento na cabeça dele, dizendo: “Fontaine, você deve dizer que todos, pelo menos um de cada família, precisam estar lá”. Fontaine conhecia a importância disso.

    Ele dizia: “Que pelo menos um de cada família esteja reunido ali”. Algumas vezes, em longas viagens que fizemos juntos, ele me contou como o Senhor lhe havia mostrado a importância da oração corporativa.

    Antes, o boliche era importante para Fontaine, e o softbol era muito importante para ele. Não sou contra o boliche nem o softbol, embora não seja bom em nenhum dos dois. Mas então, por meio do amor paciente de uma esposa que intercedia por ele com profundo esforço, ele enxergou a importância da oração.

    Quando ficou livre do compromisso que o afastava da oração, determinou em seu coração que nunca faltaria a uma reunião de oração corporativa se pudesse fazer algo para evitar isso. Esse é um irmão cujo exemplo quero seguir.

    O princípio da oração corporativa

    O princípio da oração corporativa pode ser visto nas duas passagens que lemos em Mateus 16 e Mateus 18.

    Creio que deve chamar a atenção de vocês o fato de que as únicas duas vezes em que o Senhor Jesus falou diretamente sobre a igreja foram em Mateus 16, a respeito da igreja universal, e em Mateus 18, a respeito da assembleia local. Em ambos os casos, Ele terminou com o mesmo pensamento conclusivo: a importância da oração corporativa.

    Pensem nisso. Quando o Senhor estava ensinando sobre a Sua igreja, poderia ter concluído com qualquer pensamento. Havia muitas coisas sobre as quais Ele poderia ter ensinado — o evangelho, por exemplo. Quão importante é o evangelho? Ele poderia ter falado de um milhão de coisas. Mas isso é mais do que curioso; é absolutamente importante percebermos que, nas duas vezes em que o Senhor falou diretamente sobre a igreja, Ele usou palavras quase idênticas a respeito deste mesmo assunto:

    Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu;
    E tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

    Ele disse isso a Pedro. Algumas pessoas pensam que esse foi um privilégio concedido a Pedro. Não foi um privilégio concedido a Pedro; foi um privilégio concedido à igreja. Era um princípio para a igreja.

    Ele disse a Pedro:

    Dar-te-ei as chaves.

    Ele disse:

    Edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Então, apresentou esse pensamento abrangente e conclusivo: o que importa na igreja, em última análise, é a oração corporativa.

    Não creio que haja como se enganar quanto a isso. Não creio que alguém possa ler Mateus 16 e chegar a outra conclusão. Não creio que alguém possa ler Mateus 18 e chegar a outra conclusão.

    Sei que Mateus 18 começa com uma situação um tanto complicada na igreja local, mas quero lhes contar um segredo: a igreja local é complicada. É difícil sermos edificados juntos. Há desafios. Ficamos ofendidos. Pisam nos nossos calos. E, acreditem ou não, um irmão peca contra outro irmão — sem falar que uma irmã também peca contra outra irmã de vez em quando.

    Há problemas na igreja. Mas, no fim, Ele voltou a Se concentrar exatamente no mesmo assunto. É como se o Senhor estivesse dizendo ao Seu povo: “É isto que importa na igreja”.

    Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu;
    E tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

    O que isso significa? Lembro-me de que, quando era um crente jovem, antes de ouvir esses ministérios sobre oração corporativa, eu pensava: “Do que o Senhor está falando?”. Vocês já acharam isso confuso? O que Ele quer dizer quando afirma que tudo o que vocês ligarem na terra será ligado no céu, e tudo o que desligarem na terra será desligado no céu?

    Em Mateus 18:19-20, quando chegou à conclusão a respeito da assembleia local, Ele disse:

    Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus.
    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.

    Irmãos e irmãs, isso tem uma importância extraordinária e suprema. Quando o Senhor falou sobre a igreja, esse foi Seu pensamento conclusivo. Há pouco falamos sobre a importância da devoção individual. Esta é a importância da oração corporativa.

    O Senhor teve aqueles momentos com os Seus, quando finalmente estava revelando como seria a Sua igreja, e isso foi o que Ele sentiu necessidade de deixar registrado para a eternidade. Creio que isso mostra o que o Senhor buscava.

    A casa de oração

    Há outro episódio: a purificação do templo. Creio que todos vocês o conhecem. A única dificuldade que tenho é com aqueles que pensam que foi um só acontecimento. Não foi um só acontecimento; foram dois.

    Houve um acontecimento no início do ministério terreno do Senhor, registrado em João 2. Depois, houve outro perto do fim do Seu ministério terreno, registrado nos Evangelhos Sinóticos. Essas são as duas purificações, e creio que são muito instrutivas em relação à oração corporativa.

    No início do Seu ministério, Ele viu os vendedores de pombas, os cambistas e tudo aquilo. Fez um chicote de cordas, expulsou os cambistas e virou as mesas. Ora, ora — o Senhor deveria orar a respeito do Seu temperamento, vocês não acham? Desculpe, Mari. Eu sei.

    Mas o Senhor demonstrou uma ira justa naquele momento. Os discípulos ficaram tão impressionados com o acontecimento que se lembraram:

    O zelo da Tua casa Me devora.

    Creio que esse primeiro episódio a respeito da casa de Deus na terra tem a ver com a Sua paixão pela casa. Agora, esta é a minha pergunta a vocês: vocês têm paixão pela casa do Senhor? Realmente pensam nela?

    Muitas vezes, digo ao Senhor: “Senhor, eu realmente tenho paixão por Ti? Amo a Tua habitação? Anseio habitar nos átrios do Senhor, ser até mesmo um porteiro, como disse o salmista?”.

    Aqui está Alguém que realmente tinha paixão por Sua casa. Quando chegamos a Mateus 21:12-13, encontramos a segunda purificação. As circunstâncias são quase as mesmas. Ele vira as mesas, expulsa aquelas pessoas e diz estas palavras marcantes:

    A Minha casa será chamada casa de oração;
    Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

    Pensem nisso, irmãos e irmãs. É o mesmo que vemos em Mateus 16 e Mateus 18. O Senhor poderia ter dito qualquer coisa. “Minha casa é uma casa de amor.” Nós teríamos concordado. “Minha casa é uma casa de justiça.” Ele poderia ter dito muitas coisas apropriadas.

    Mas o que ardia no coração do Senhor, quando estava na terra, era encontrar os Seus que compreendessem:

    A Minha casa será chamada casa de oração.

    Para mim, esse é o propósito da casa.

    Na primeira purificação, vemos a paixão pela casa. Na segunda, vemos o próprio propósito e chamado da casa. Esse é o assunto de que estamos tratando hoje.

    O padrão de intercessão no Antigo Testamento

    Creio que, no Antigo Testamento, vemos alguns desses mesmos pensamentos se desenvolverem. Creio que o mesmo propósito estava no coração de Deus desde a criação do homem.

    Vocês se lembram de Gênesis 1:26, quando Ele criou o homem à Sua própria imagem. Gosto da maneira como Darby trata isso. Primeiro ele escreve “homem” com inicial minúscula, e depois “Homem” com inicial maiúscula. Em outras palavras, Deus não queria apenas criar uma raça de seres humanos. Deus estava buscando o Homem corporativo.

    Esse instrumento corporativo é constituído de homem e mulher. Não se trata apenas de Adão, mas de homem e mulher feitos à Sua imagem para cuidar dos Seus assuntos. Ele lhes deu uma instrução no jardim: deveriam cultivar e guardar.

    Eu creio que é exatamente isso que a oração corporativa é. Nós nos achegamos, oramos e guardamos o que pertence ao Senhor. Cultivamos o que pertence ao Senhor e esperamos levá-lo a frutificar, proclamando o que Ele disse e declarando que a Sua vontade seja feita.

    Na fase inicial da criação, Ele apresentou Seu propósito ao buscar um instrumento corporativo que fizesse a Sua vontade — cultivar e guardar. E disse algo mais: “Vocês devem exercer domínio”.

    Irmãos e irmãs, creio que é isso que a oração corporativa é. É exercer domínio em nome do Senhor. No fim, Ele terá domínio sobre todas as coisas. De alguma maneira, no mistério do Seu propósito, Ele escolheu você e a mim para sermos os instrumentos que proclamam isso e o trazem à realidade. Não sei se algum dia conseguirei compreender tudo isso plenamente.

    Lembro-me de Lucas 10. O Senhor deu poder aos discípulos, e eles foram e expulsaram demônios. Voltaram e disseram:

    Senhor, até os demônios se nos sujeitam.

    Ele respondeu com algo muito estranho, algo que parece completamente fora de contexto:

    Eu via Satanás, como raio, cair do céu.

    O que isso significa? Significa que o homem — esse instrumento, esse novo Homem em Cristo, a igreja — deve exercer domínio, cultivar e guardar. Quando Ele os vê exercendo domínio, sabe que Seu propósito de derrotar Satanás será cumprido.

    Nunca vou me esquecer de quando Stephen nos disse, alguns anos atrás, que o Senhor usaria o homem para derrotar o inimigo. Isso não é extraordinário? Vocês conseguem compreender isso?

    O Senhor poderia, com um gesto da mão ou uma palavra, dizer: “Vai embora”, e Satanás desapareceria. Contudo, Ele está tão comprometido com Seu propósito de levantar esse novo Homem em Cristo — a igreja, Cabeça e corpo unidos — e de lhe dar essa responsabilidade da oração corporativa, que deseja sua participação na própria derrubada e derrota de Satanás.

    É extraordinário. Essa é a prefiguração.

    Penso em Isaías 59:16:

    E viu que ninguém havia,
    E maravilhou-Se de que não houvesse intercessor.

    Vocês não percebem o que está por trás disso? Aquela mesma dor: “Foi para isso que vocês foram criados”. Ele contemplou todo o cenário da humanidade e Se admirou — expressou Sua admiração e a colocou nos pensamentos do profeta — porque não encontrou nenhum intercessor.

    Isaías 21:11-12 diz:

    Peso de Dumá.
    Gritam-me de Seir: Guarda, que houve de noite?
    Guarda, que houve de noite?
    Disse o guarda: Vem a manhã, e também a noite; se quereis perguntar, perguntai; voltai, vinde.

    Creio que esse é o coração do Senhor. Ele está procurando vigias — Vigias com V maiúsculo. Ele está procurando esse instrumento que será Seu vigia. A única coisa que Ele busca nesse instrumento é que consulte. Que pergunte: “Qual é a Tua vontade?”, e ore para que essa vontade se torne realidade.

    Então, Isaías 62:6:

    Ó Jerusalém, sobre os teus muros pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão:
    Vós que fazeis lembrar ao Senhor.

    Não é um versículo notável? Para mim, essa é a definição da oração corporativa: “Vós que fazeis lembrar ao Senhor”.

    Esses vigias, esse instrumento corporativo, devem cumprir esta única tarefa: fazer com que Ele Se lembre. Não se trata de fazermos aquilo que pensamos que Ele fará. Trata-se de suplicarmos a Ele a respeito daquilo que já disse que fará. Nós simplesmente O fazemos lembrar.

    Para mim, esse é o princípio da oração corporativa, e este é o privilégio da oração corporativa: que você e eu, juntos, possamos ser esses vigias; que possamos ser esse instrumento juntamente com os remidos do Senhor, parte dessa assembleia corporativa que pode fazê-Lo lembrar.

    Esse é o princípio extraordinário, e esse é o imenso privilégio. Vocês conseguem imaginar?

    O poder da oração corporativa

    Agora, o poder da oração corporativa. Nunca subestimem o poder da oração corporativa. Precisamos absolutamente enxergá-lo.

    Ele disse:

    Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu;
    E tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

    E tudo o que vocês pedirem em Seu nome será feito. Irmãos e irmãs, para mim, esse é o poder da oração corporativa. É a arma mais poderosa da terra.

    Recentemente, compartilhei numa quarta-feira à noite sobre armas de destruição em massa. Estávamos orando pela Coreia do Norte — aquele pequeno louco, perdoem-me se vocês são admiradores dele —, aquele pequeno louco na Coreia do Norte que está ameaçando o mundo inteiro e levando todos à guerra com seu arsenal nuclear, que tão amorosamente permitimos que adquirisse.

    Então, falamos sobre armas e oração. Examinamos Efésios 6 e vimos as armas, a panóplia de Deus, toda a armadura de Deus. Mas, quando chegamos ao fim dessa lista de armamentos defensivos extraordinariamente poderosos, chegamos à verdadeira essência do poder.

    A passagem de Efésios 6:10-18 culmina na oração, e o pedido continua em Efésios 6:19:

    Orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito, e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos;
    E por mim, para que me seja dada a palavra, ao abrir da minha boca, a fim de fazer conhecido com ousadia o mistério do evangelho.

    Oração — essa era a coisa essencial à qual ele queria chegar. Irmãos e irmãs, o próprio Senhor nos concedeu a arma mais poderosa já conhecida.

    Ela é mais poderosa do que as armas de Kim Jong Un, mais poderosa do que as armas dos Estados Unidos, mais poderosa do que qualquer coisa que se possa conceber, porque a arma da oração corporativa é capaz de mudar o próprio destino da terra, e não apenas abrir uma cratera num lugar isolado.

    Esse é o poder da oração corporativa — um grande poder.

    O irmão Nee disse o seguinte a respeito de ligar e desligar em O ministério de oração da igreja. Lembro-me do impacto que isso teve sobre mim anos atrás. Ele perguntou: “Qual é a característica desse versículo?”. Então, disse:

    O ponto peculiar aqui é que a ação na terra precede a ação no céu. Não é que o céu ligue primeiro, mas a terra liga primeiro. Não é que o céu desligue primeiro, mas a terra desliga primeiro. Como a terra já ligou, o céu também ligará. Como a terra já desligou, o céu desligará.

    Essa declaração está gravada na minha memória. Ele continuou e fez uma declaração profundamente significativa: “Pois a terra governa o céu.”

    Pensem nisso. Irmãos e irmãs, quando eu era um cristão jovem, mal conseguia assimilar isso. Eu dizia: “Não, não pode significar isso. Certamente o céu governa a terra. Certamente o irmão Nee se enganou”. Mas creio que ele estava certo.

    O Senhor confiou aos Seus a maior, a mais poderosa, a mais extraordinária arma já conhecida no universo. Esse é o poder disso.

    O exemplo de Moisés, Arão e Hur

    Sempre penso em Êxodo 17. Vocês se lembram da batalha entre Amaleque e os filhos de Israel. Há duas cenas. Há uma batalha no vale — Amaleque contra Josué e os filhos de Israel. Então, no alto do monte, Moisés estava com a vara de Deus.

    Creio que a vara de Deus representa a oração corporativa. Moisés levantava aquela vara, e, quando a levantava, Josué e os filhos de Israel venciam Amaleque. Quando suas mãos se cansavam e baixavam, Amaleque prevalecia.

    Então, aconteceu algo tremendo. Arão e Hur subiram ao monte. Um ficou de um lado e o outro do outro lado, e sustentaram as mãos de Moisés com a vara. A vara nunca mais deixou de permanecer erguida.

    Irmãos e irmãs, essa é uma lição sobre oração corporativa. Isso é grande demais para qualquer um de nós sozinho, por mais importante que sejamos no plano de Deus. Moisés era bastante importante na economia de Deus; vocês precisam me dar um desconto aqui. Mas Moisés sozinho não era suficiente.

    Você sozinho não é suficiente. Stephen sozinho não é suficiente. Lance sozinho não é suficiente. É preciso haver três — dois ou três. Foi isso que o Senhor disse em Mateus 18:20. E eles prevaleceram.

    Esta é a lição: não é o que acontece no vale; é o que acontece no monte que importa. Essa é a lição da oração corporativa.

    Algumas pessoas dizem: “O que essas pessoas estão pensando, reunindo-se para orar, levantando a voz ao céu, fazendo essas proclamações? Afinal, o que elas estão pensando?”. Estamos controlando a batalha.

    O que se faz no monte é o que determina a vitória. Entenderam? Irmãos e irmãs, esse é o poder da oração corporativa.

    A intercessão e a vontade de Deus

    Penso em Ezequiel 36:37-38:

    Assim diz o Senhor Deus: Ainda por isto serei consultado pela casa de Israel, para que lho faça; multiplicar-lhes-ei os homens como um rebanho.
    Como o rebanho consagrado, como o rebanho de Jerusalém nas suas festas solenes, assim as cidades desertas se encherão de rebanhos de homens: e saberão que Eu sou o Senhor.

    Observem o que Ele diz: “Serei consultado pela casa de Israel, para que lho faça”. Pensamos que somos nós que fazemos. Ele diz: “Serei consultado […] para que lho faça”. Ele é Quem faz. Nunca tenham de si mesmos uma ideia tão elevada a ponto de pensar que são vocês que fazem.

    Ele fará, irmãos e irmãs. Tudo o que precisamos fazer é nos achegar e consultar. Esse é o poder da oração corporativa.

    Lembro-me de outro versículo, desde quando eu era um crente jovem. Sei que há pessoas que levantam enormes objeções a esse versículo, e vocês têm liberdade para fazê-lo. Eu, por minha parte, creio nele integralmente. É Isaías 45:11:

    Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, e o seu Criador: Perguntai-Me as coisas futuras acerca de Meus filhos, e acerca da obra das Minhas mãos dai-Me ordens.

    Acho isso extraordinário. O irmão Nee enxergou isso por revelação. É nisso que consiste o poder da oração corporativa. Devemos consultá-Lo a respeito da obra das Suas mãos. Uma vez que conhecemos a Sua vontade, não somos nós que a realizamos, mas devemos declará-la.

    Devemos dar-Lhe ordens. É um pensamento extraordinário. Creio que só podemos compreendê-lo no contexto da oração corporativa. Qualquer outra interpretação seria equivocada.

    O exemplo de Dunquerque

    Talvez vocês se perguntem sobre o poder da oração corporativa. Vou contar uma pequena história. Recentemente, foi lançado o filme Dunkirk — sobre a Batalha de Dunquerque, na Segunda Guerra Mundial. Eu realmente fui assistir a esse filme. Fazia não sei quanto tempo que eu não ia ao cinema; acho que, na última vez em que fui, os filmes ainda nem eram falados.

    Fui convidado por um irmão e não queria ofendê-lo, então fui. Na verdade, fiquei contente por ter ido. Foi bastante inspirador.

    Todo o desfecho de Dunquerque, e provavelmente de toda a Segunda Guerra Mundial, dependeu do poder da oração corporativa. Todo o exército britânico em Dunquerque estava nas praias, como alvos fáceis — trezentos mil homens encurralados contra o mar.

    Um escritor disse que foi como o milagre do mar Vermelho, quando os filhos de Israel estavam encurralados junto ao mar Vermelho e eram perseguidos pelo exército egípcio.

    O rei George VI emitiu uma proclamação e disse: “Que este domingo seja um dia de oração” — uma oração sem precedentes — “e que nos posicionemos em favor da vontade de Deus”. Foi isso que o rei da Inglaterra fez.

    Aconteceu algo muito estranho. Sob muitos aspectos, não era um país tão religioso, mas as ruas ficaram cheias, e as filas para entrar naquelas catedrais e capelas também. Quando se reuniram com esse único propósito de orar, o poder da oração corporativa se manifestou.

    O que aconteceu foi um verdadeiro milagre. Oitocentas embarcações — barcos de pesca, barcos pequenos, barcos maiores, não embarcações militares, mas civis — foram às praias de Dunquerque e salvaram o exército britânico intacto.

    Isso provavelmente mudou o rumo da Segunda Guerra Mundial. Talvez todos nós estivéssemos falando alemão, e vocês compartilhariam da minha herança cultural.

    Irmãos e irmãs, esse é o poder da oração.

    A prática da oração corporativa

    A prática da oração corporativa é essencial. Não basta apenas compreender o privilégio e o princípio, por maiores que sejam. Não basta apenas contemplar o grande poder da oração corporativa.

    É absolutamente essencial que nós, como filhos de Deus, entremos na realidade da oração corporativa e a experimentemos na prática.

    Conheço pessoas que podem lhes dizer tudo o que está naquele livro. Conheço pessoas que conseguem falar com eloquência sobre oração corporativa, mas quase nunca as vejo. Pergunto-me: será que estão enganando a si mesmas?

    Será que Deus, em última análise, não contempla toda a humanidade em busca desse instrumento? Se elas compreendessem isso, seriam impelidas, independentemente de sua agenda ou de seus compromissos, a se reunirem em Seu nome.

    A prática é o que importa. Deixem-me enumerar algumas coisas. Estudem esses livros e meditem neles.

    A reunião dos crentes

    Primeiro, a importância de nos reunirmos. Creio que já falei disso. Há algumas pessoas que amo que fazem ressalvas a essa questão de nos reunirmos. Concordo com elas se estiverem dizendo que alguém está substituindo sua vida real com Cristo por uma vida visível na assembleia. Concordo cem por cento com elas.

    Nunca substituam a vida de oração individual pela vida de oração corporativa. Se você não está orando, precisa começar a orar.

    Mas, dito isso, vocês podem duvidar do que o Senhor quis dizer quando afirmou:

    Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome.

    Sem dúvida, estava em Seu coração que nos reuníssemos.

    Quanto àqueles que dizem que reunir-se não é importante, vou ser tão bondoso quanto consigo — e Linda lhes dirá que isso não é muita bondade: não deem ouvidos a eles. É um engano.

    Faço apenas esta ressalva: se estão vendo pessoas que substituem a verdadeira vida cristã por uma vida cristã pública, então estão certos.

    A vontade determinada de Deus

    Segundo, a vontade determinada de Deus. A oração corporativa não é a expressão da sua vontade e da minha vontade. Não nos reunimos, colocamos todos os nossos pedidos de oração numa cesta, como numa refeição em que cada um traz um prato, e chamamos isso de oração corporativa.

    A oração corporativa tem o propósito único de que a vontade determinada de Deus seja feita. Essa expressão aparece, até onde sei, em Atos 2:23. Ali se fala do Senhor Jesus, Que foi crucificado por homens maus segundo o determinado conselho, ou vontade, de Deus.

    Existe uma vontade determinada no universo. Na oração corporativa, nós nos reunimos para discernir, juntos, qual é essa vontade determinada. Uma vez que a conhecemos, nós a proclamamos. Isso é oração corporativa na prática.

    Não é: “Você ora pelo que quiser. Aaron, ore pela Sue. Kenny, ore por outra coisa. Jerry, você ora por outra coisa”. Estamos juntos para um propósito muito maior: descobrir o determinado conselho de Deus numa questão e então perseverar em oração até que ela chegue à sua conclusão.

    A oração em unanimidade

    Terceiro, orar em unanimidade. Não há expressão mais importante no livro de Atos do que esta: em unanimidade. Ela ocorre onze vezes. Começa no Pentecostes: eles se reuniram e oraram em unanimidade.

    Quando nos reunimos, precisamos orar em unanimidade. Isso significa que você e eu precisamos abrir mão das nossas próprias ideias e pensamentos. Precisamos nos entregar a Ele para podermos orar juntos, e não de maneira fragmentada, dispersa, com todas as nossas ideias diferentes.

    Orar em unanimidade é a chave do testemunho de Jesus em Atos.

    A direção do Espírito Santo

    Quarto, precisamos seguir a direção do Espírito Santo. Algumas pessoas dizem: “A reunião de oração de vocês não é aberta, porque algumas pessoas dão uma orientação”. Não confundam a existência de orientação com a falta de submissão à direção do Espírito Santo.

    Eu, por minha parte, aprecio o que alguns irmãos disseram nos momentos de abertura. Isso me ajudou muito. Mas, no fim, se vocês observarem, abrimos espaço para orar conforme o Espírito Santo nos conduz.

    A Bíblia nos diz, em Romanos 8, que não sabemos orar como convém, mas Ele nos deu o Espírito. Se nos reunirmos e nos submetermos à Sua autoridade como Cabeça — o Cabeça da igreja, o Regente da sinfonia —, o Espírito Santo nos conduzirá para que possamos orar segundo o Espírito.

    É assim que devemos orar.

    A vigilância e a oração

    Por último, o Senhor tinha uma palavra no fim do Seu ministério terreno, e a disse em várias ocasiões:

    Vigiai e orai.

    Por que Ele disse isso? A primeira vez, creio eu, foi no Getsêmani. Ele levou os três Consigo, esperando que entrassem com Ele num momento de oração em Sua hora mais sombria.

    Ele disse: “Fiquem aqui e orem Comigo. Vou um pouco mais adiante para orar”. E eles adormeceram. Vocês se lembram de que o Senhor voltou três vezes. O que Ele lhes disse?

    O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

    Irmãos e irmãs, isso é um impedimento à oração. Precisamos realmente que o Senhor nos ajude. O Senhor está procurando um grupo que deseja levar à comunhão Consigo e ao exercício da oração corporativa, mas eles não conseguiram.

    Precisamos combater a nossa própria carne. Precisamos dizer não. Sei que isso não é popular. Linda lhes dirá que a palavra mais difícil de sair da minha boca é “não”. Ela diz: “Você não consegue dizer isso. Por favor, comece a dizer”.

    Todo mundo liga, e eu digo: “Sim, é claro. Quer que eu vá até aí? Sim, é claro. Você me ajuda a fazer isso? Com certeza”. Então desligo o telefone, e a primeira coisa que ouço é: “Você não consegue dizer não”.

    Você dirá não à carne? Ela exige tudo de você. Dedique-se a esse ministério de oração corporativa.

    O Senhor também disse: “Vigiai e orai”, e não deixem que os cuidados desta vida os dominem. Irmãos e irmãs, a vida está cheia de preocupações — absolutamente cheia de preocupações. Elas vão dominá-los. Vão tirar de vocês tudo o que puderem.

    Mas, se você perder essa única coisa que o Senhor busca, o que terá perdido? Terá ganhado o mundo e perdido a sua alma?

    Ele disse: “Vigiai e orai”, para que os excessos desta vida não os dominem.

    Conclusão e oração

    Bem, esse é o encargo. Vocês podem perceber que é mais um apelo, mais uma exortação, do que um ensino. Mas creio que precisamos ouvi-lo.

    Deixem-me concluir com algo que Lance disse. Não poderia haver assunto mais vital do ponto de vista estratégico para a igreja do que essa questão da oração corporativa. Nada é mais importante estrategicamente do que a oração corporativa.

    Então, ele disse o seguinte, e creio que é uma advertência para os dias em que vivemos:

    Nos dias que estão por vir, durante a última fase da história mundial, precisaremos saber como orar juntos e como perseverar em oração por uma questão até que ela seja resolvida.

    Vamos nos dedicar novamente a esse grande chamado. Que o Senhor acenda um fogo em nós, para que recebamos esse encargo e respondamos dessa maneira.

    Senhor, entregamos estes pensamentos a Ti e pedimos que o Espírito Santo esclareça aquilo que não conseguimos esclarecer.

    Oramos em nome de Jesus para que Tu nos conduzas novamente, como um grupo dos que Te pertencem, a compreender profundamente essa questão — seu princípio, o grande privilégio e o enorme poder.

    Mas, Senhor, não nos deixes aí. Leva-nos à sua prática, para que seja algo que façamos e a que nos dediquemos, e para que a Tua vontade seja feita.

    Que estejamos entre aqueles que apressam a vinda do Senhor.

    Em nome de Jesus.