Bom dia.
Gostaria que vocês abrissem em alguns versículos conhecidos da carta de Paulo aos Gálatas. Vamos examinar apenas alguns. Abram em Gálatas 1:15; começaremos ali.
Paulo disse o seguinte. Este era o seu testemunho:
Mas, quando aprouve a Deus, Que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela Sua graça,
revelar Seu Filho em mim.
Esse é o primeiro versículo que gostaríamos de examinar. Outro versículo muito conhecido é Gálatas 2:20. Acho que todos vocês o conhecem. Muitos o memorizaram.
Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne, vivo na fé, a fé que está no Filho de Deus,
Que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim.
O último versículo de Gálatas que gostaríamos de examinar é Gálatas 4:19:
Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
Então, vamos fazer uma breve oração.
Senhor, somos gratos por virmos Àquele Que tem as palavras da vida eterna. Nós Te dizemos mais uma vez: queremos que Tu nos fales nesta manhã. Precisamos que o Espírito Santo abra o nosso entendimento e nos ajude a falar.
Somente Tu podes dar aquilo que é vivo e real. Oramos, em nome de Jesus, para que abras esta palavra para nós de maneira viva nesta manhã. Não temos mais ninguém a quem recorrer.
Sempre oramos assim; sempre sentimos isso. Como Pedro disse:
Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
Fala conosco mais uma vez, enquanto esperamos diante de Ti, para que ouçamos o que o Espírito está dizendo às igrejas. Pois pedimos isso juntos, no precioso nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, hoje estamos dando continuidade à série sobre os fundamentos da vida cristã — ou à série de lições básicas, como vocês preferirem. O tema que tenho para hoje é a vida substituída.
Agora, estou curioso. Quantos de vocês nesta sala — e estou olhando ao redor de propósito; quero que levantem a mão, não para constrangê-los, mas porque gostaria de ter uma ideia — nunca ouviram a expressão vida substituída? Poderiam levantar a mão, por favor?
Estou vendo alguns, John. Mais alguém? Vocês nunca ouviram? Certo? Está bem. Não há nada de errado em nunca terem ouvido. Quantos já ouviram, se tiverem coragem de levantar a mão? Acho que a maioria de vocês já ouviu a expressão vida substituída.
Bem, se vocês nunca ouviram, podem ficar tranquilos: ela não está na Bíblia. Então, talvez esse seja um motivo para nunca a terem ouvido. Mas acho que é uma expressão que reúne tudo o que está na Bíblia. Ela reúne aquilo que o Novo Testamento expressa plenamente e traduz de maneira adequada tudo o que as profecias do Antigo Testamento disseram acerca do Senhor Jesus no propósito de Deus.
Por essa razão, considero essa expressão muito importante. Acho que esse é um dos assuntos mais importantes. Não vou dizer o mais importante, porque gosto muito da ressurreição — o assunto da semana passada —, mas conhecer a vida substituída é tremendamente importante.
Agora, não estou falando de conhecê-la aqui na cabeça, porque vocês podem conhecer a expressão. Podem dizer: “Ah, sim, ouvi o irmão Stephen falar sobre isso vinte anos atrás. Sei exatamente do que se trata”. Mas, se vocês não a conhecerem profundamente no coração, vão viver uma vida de muitas lutas e dificuldades.
Vocês não entrarão no pensamento de Deus e no propósito de Deus para a vida cristã. É assim que essa ideia — se vocês quiserem que eu use essa palavra —, esse conceito, é importante. Não gosto da palavra conceito, porque não é um conceito. É uma realidade concreta que transforma a vida. Essa descrição expressa muito melhor o que ela significa para o cristão.
Creio que ela reúne tudo aquilo de que trata o Novo Testamento.
Agora, vocês poderiam perguntar: de onde veio essa expressão? Como foi que noventa e cinco por cento das pessoas nesta sala passaram a conhecê-la?
Bill Bright, fundador da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, disse que vida substituída é uma expressão cunhada por Howard Taylor, filho de Hudson Taylor, o grande missionário. Quando Howard Taylor viu o testemunho da vida do Senhor Jesus em seu pai, disse: “Isso é mais do que simplesmente viver a vida cristã. Isso é a vida substituída”.
Esse era o testemunho de J. Hudson Taylor. Howard Taylor usou a expressão para descrever a descoberta transformadora na vida de seu pai, Hudson Taylor, o famoso missionário na China.
Vocês se lembram de que Hudson Taylor mudou a China para sempre. Ele foi à China como missionário e fundou a Missão para o Interior da China. Houve um grande mover de Deus. Mas precisamos entender a base desse mover de Deus.
Não foi o trabalho de Hudson Taylor. Na verdade, quando descrevia seu trabalho, ele falava com muita frequência de seu esforço penoso e de suas privações. Expressava todas as dificuldades que enfrentara até chegar a essa revelação transformadora do que significava conhecer e experimentar a vida substituída.
Ele amava o Senhor. Amava o Senhor de todo o coração e dava o seu melhor a Cristo — e isso o esgotava. Isso o consumia.
Ele descobriu um segredo que muitos cristãos nunca descobrem, e o segredo é este: você não consegue viver a vida cristã.
O segredo da vida cristã começa com a compreensão da vida substituída. Hudson Taylor era inteiramente dedicado a Cristo, mas, em muitos aspectos, seu ministério não era bem-sucedido. Vocês dificilmente acreditariam nisso ao lerem as biografias de hoje, mas ele contou como vivia a vida cristã em meio a agonia e dificuldades.
Há uma carta preciosa — se vocês nunca a leram, deveriam ler. Foi escrita à sua querida irmã na Inglaterra, Amelia Broomhall. Nessa longa carta, ele descreveu tanto sua luta para viver a vida cristã quanto o grande segredo que descobriu e que tornou sua vida cristã bem-sucedida.
Nessa carta tão comovente, ele dizia à querida Amelia:
Orei, agonizei, jejuei, esforcei-me, tomei resoluções, li a Palavra de Deus com mais diligência, procurei mais tempo para recolhimento e meditação; mas tudo foi sem efeito.
O querer, de fato, estava presente em mim; mas não encontrava como realizá-lo.
Então veio a pergunta: “Há algum socorro? Terá de ser assim até o fim — conflito constante em vez de vitória, e derrota tantas vezes?”
Ouçam o que ele disse à querida Amelia: “Eu odiava a mim mesmo”.
“Eu odiava o meu pecado.”
Isso muda a maneira como vocês enxergam esse grande homem de Deus, não muda? Todas essas biografias foram escritas, e isso muda um pouco a nossa perspectiva. Ele era muito parecido com vocês e comigo. Não era diferente.
Colocamos esses homens e mulheres de Deus num pedestal e achamos que são diferentes de nós. Não são diferentes de nós. São iguais a nós.
A boa notícia é que descobriram algo que os transformou de dentro para fora.
Ele continuou dizendo:
Quando a agonia da minha alma chegou ao auge, uma frase numa carta do querido McCarthy foi usada para remover as escamas dos meus olhos, e o Espírito de Deus revelou a verdade da nossa união com Jesus como eu nunca a havia conhecido antes.
Ouçam o que ele disse. Este é o último trecho dessa carta que vou compartilhar:
Vi que Jesus não apenas jamais me deixaria, mas que eu era membro de Seu corpo, de Sua carne e de Seus ossos.
A videira, agora vejo, não é apenas a raiz, mas o todo — raiz, caule, ramos, pequenos galhos, folhas, flores, fruto.
E Jesus não é somente isso; Ele é o solo e a luz do sol, o ar e a chuva, e dez mil vezes mais do que jamais sonhamos, desejamos ou necessitamos.
Ah, a alegria de enxergar essa verdade! Oro, de fato, para que os olhos do seu entendimento sejam iluminados, para que você conheça e desfrute as riquezas que nos foram dadas gratuitamente em Cristo.
Aqui estava alguém que viu e experimentou — porque é mais do que apenas ver — a vida substituída. Irmãos e irmãs, creio que, em nossa série sobre os fundamentos da vida cristã, precisamos enxergar isso.
Vocês vão passar pelas mesmas lutas. Vão passar pelas mesmas dúvidas. Às vezes, talvez cheguem até ao ponto de dizer, como o querido Hudson Taylor: “Eu odeio a mim mesmo”.
Mas há algo maravilhoso, incrivelmente maravilhoso, quando enxergamos a verdade da vida substituída.
Agora, como alguém vive a vida substituída? Como se faz isso? É maravilhoso falar sobre ela, mas como vivê-la?
Acho que o primeiro passo, absolutamente indispensável, é reconhecer que você não consegue fazer isso. Se você não chegar a esse primeiro passo em sua caminhada com o Senhor — reconhecer que não consegue viver a vida substituída —, nunca chegará à vida substituída.
O começo é enxergar a impossibilidade. Foi aí que Hudson Taylor começou, e é aí que precisamos começar.
O segredo é: eu não posso, mas Ele pode. Esse é o segredo. Essa é a vida substituída em poucas palavras.
Lembro-me da primeira campanha presidencial de Obama. Sei que vocês detestam quando entro em política, então já peço desculpas. Foi revolucionário. Não importa o que vocês pensem a respeito: tirar do caminho Hillary Clinton, a rainha predestinada — perdoem-me se foi nela que vocês votaram —, foi notável, para dizer o mínimo.
Aquele jovem senador carismático conquistou uma nação inteira. Ninguém o conhecia. Quem conhecia Obama? Ninguém o conhecia de verdade. Mal dava para saber como ele votava no Senado, mas ele conquistou uma nação com aquela ideia carismática de esperança e mudança.
Se vocês se lembram, houve um lema que se espalhou pela nação inteira: “Sim, nós podemos”. Lembram? Vocês ficaram cansados de ouvir aquilo e de ver aqueles adesivos nos carros: “Sim, nós podemos”.
Agora, para o cristão, nosso lema é exatamente o contrário. Precisamos chegar ao ponto de dizer: “Não, nós não podemos”. Se vocês quiserem, eu me junto a vocês: compramos esse adesivo e o colocamos nos nossos carros — “Não, nós não podemos”.
Mas, graças a Deus, irmãos e irmãs, esse não é o fim da história. Mas Ele, sim, pode. Essa é a vida substituída.
Hudson Taylor sabia disso. Fiquei pensando: como descrever a vida substituída? Assumimos o peso de tratar desse assunto numa única mensagem, e isso será impossível. Espero deixar com vocês apenas algumas impressões e espero que depois voltem à Palavra e a examinem por si mesmos.
Espero que vocês sejam como os bereanos e digam: “É assim mesmo? É possível? Será realmente possível sair de uma vida de derrota certa e de luta para uma vida tão extraordinária?” Examinem isso por si mesmos. Acho que é absolutamente possível.
Pensei numa palavra, e essa palavra é interioridade — em inglês, inness. Vocês me entenderam com o meu sotaque sulista? Inness. Essa palavra existe mesmo. Sei que os engenheiros inventam palavras, mas esta é uma palavra de verdade: in-ness, a condição de estar “em”.
Agora, Linda já está pesquisando, porque essa será a primeira coisa sobre a qual ela vai conversar comigo depois da ministração. Existe o nome próprio George Inness, e não estou falando de George Inness, o famoso pintor paisagista americano. Por mais que vocês gostem das obras de George, não vamos falar sobre ele.
Mas existe essa ideia de inness, de interioridade. É isso que a vida substituída é. É uma realidade interior. É uma vida interior. É um poder interior. É um recurso interior.
Por meio dessa interioridade, podemos viver a vida cristã. Inness significa uma condição de ser. Também significa estar dentro de um grupo seleto de pessoas. Pensem nisso: nós que estamos em Cristo — não para nos orgulharmos — fazemos parte de um grupo seleto de pessoas.
A interioridade é o segredo. Se vocês se lembrarem de alguma coisa, lembrem-se dessa palavra: interioridade.
Todos os versículos que lemos tratam dessa palavra: em. Vocês se lembram: Cristo revelado em mim — Gálatas 1:15-16. Gálatas 2:20: Cristo vive em mim. Isso é interioridade. Depois, em Gálatas 4:19: Cristo formado em mim. Tudo é interioridade.
Aliás, esse é o nosso esboço do que vamos examinar hoje:
Se vocês compreenderem esses pensamentos básicos, começarão a entender do que trata a vida substituída, porque ela está contida nesses pensamentos.
Agora, permitam-me fazer uma breve digressão sobre Gálatas. O apóstolo Paulo escreveu Gálatas com um propósito específico. A carta foi escrita para combater um enorme erro que entrou na igreja por meio dos judaizantes.
Toda a ênfase deles estava na exterioridade, em vez da interioridade. Diziam que as pessoas podiam ser salvas, mas depois teriam de viver pela lei. Isso é exterioridade.
Portanto, o conflito — numa explicação bem resumida de Gálatas — está entre exterioridade e interioridade, ou aquilo que agora gosto de chamar de inness. Esse é todo o conflito.
Assim como Davi pegou uma pedra lisa e a lançou, Paulo lançou a verdade contra esse grande engano que havia entrado no cristianismo. Com esse pequeno escrito de Gálatas, ele esclareceu de uma vez por todas o que a vida substituída deve ser.
Bem, vocês sabem que eu gosto de introduções. Vamos examinar Cristo revelado em mim.
No primeiro capítulo de Gálatas, vemos como precisamos começar a compreender essa vida substituída. A vida substituída precisa começar com revelação.
Agora, sei que alguns de vocês não gostam dessa palavra. Acham que a usamos demais. Mas o apóstolo Paulo explicou toda a sua transformação com essa única palavra: foi por revelação.
Não foi por intermédio de homem algum. Na verdade, quando explicou nessa mesma carta que mais tarde subiu a Jerusalém para se encontrar com os apóstolos, ele disse:
Subi por revelação.
Toda a sua vida era governada por revelação.
O segredo que ele descobriu — e essa é a vida substituída — é Cristo revelado em mim. Esse era o segredo.
Ouçam mais uma vez:
Mas, quando aprouve a Deus,
Que desde o ventre de minha mãe me separou
e me chamou pela Sua graça,
revelar Seu Filho em mim.
Graças a Deus por isso: “aprouve”. Pensamos em Deus como um velho malvado, de cabelos brancos, que faz tudo de má vontade e fica esperando tropeçarmos para nos condenar. Mas Paulo conhecia algo diferente. Sabia que Deus é Aquele a Quem aprouve revelar Seu Filho em mim.
Paulo tinha mais entendimento do que qualquer pessoa de sua época, e talvez mais do que qualquer pessoa desde então. Vocês podem discordar de mim, mas ele fez esta declaração extraordinária em Gálatas:
E, na religião dos judeus, excedia a muitos da minha idade entre os meus compatriotas.
É uma coisa incrível de se dizer. Eu nunca poderia dizer isso. Vocês nunca poderiam dizer isso. Não acho que haja muitas pessoas nesta sala que poderiam dizer isso. Há engenheiros melhores do que eu jamais serei — vários deles trabalham para mim.
Mas Paulo podia dizer que, no judaísmo, havia avançado além de seus contemporâneos na nação. Que conhecimento esse homem tinha!
Pensem em Filipenses 3:5-6:
Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus;
quanto à lei, fariseu;
quanto ao zelo, perseguidor da igreja;
quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.
Havia alguém melhor do que o apóstolo Paulo? E, no entanto, ele era inimigo de Deus e destruía a igreja.
Irmãos e irmãs, insisto nesse ponto porque a vida substituída não vem pelo conhecimento da vida substituída. Esse é o testemunho de Paulo. Ele está nos dizendo, com suas próprias palavras: “Eu era o homem. Eu era o judeu com mais entendimento entre todos os judeus”.
Ali estava esse aluno de Gamaliel, o principal rabino da época, o principal mestre. Ele superava todos os judeus em conhecimento, em comportamento, em justiça, em linhagem — em todos os aspectos que vocês possam imaginar.
No entanto, ele nunca enxergou a vida substituída até que, um dia — um dia —, Deus, por Sua misericórdia, Se agradou em revelar Seu Filho nele.
Que glória! Essa é a vida substituída. Conhecimento não basta. Paulo disse que precisamos de revelação.
Gálatas 1:12 diz:
Porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado, mas veio a mim por revelação de Jesus Cristo.
O que transformou o apóstolo Paulo no caminho de Damasco foi uma revelação interior e viva — lembrem-se da minha palavra, interioridade — de Quem era Cristo Jesus.
Naquele momento, ele caiu do cavalo, ficou cego, olhou para cima e disse:
Quem és Tu, Senhor?
Esse homem de imenso conhecimento, a quem ninguém no judaísmo podia se comparar — algo aconteceu com ele. Uma revelação interior o transformou.
Insisto nisso porque, se vocês vão compreender a vida substituída e, mais importante ainda, se vão viver a vida substituída, precisam ter, por si mesmos, uma revelação interior e viva de Cristo revelado em vocês.
Assim como aconteceu com o apóstolo Paulo. Esse é o segredo profundo que ele compartilhou.
Ouçam o que Oswald Chambers disse:
O objeto da revelação divina era Seu Filho — não apenas a verdade sobre Ele ou Sua obra, ou Sua morte, ou Sua glória, mas Ele mesmo. Ele mesmo, incluindo toda a Sua pessoa, é a suma do evangelho.
Agora, eu acrescentaria o seguinte: se vocês entenderem a carta aos Gálatas, entenderão o que estou prestes a dizer. Qualquer outra coisa é um evangelho diferente.
Qualquer coisa que não seja o próprio Cristo, que não seja a revelação de Cristo em mim, que não seja o poder para viver por meio de Outra Pessoa, que não seja a obra de sermos conformados à imagem do Senhor Jesus, é um evangelho inteiramente diferente.
Foi contra isso que o apóstolo Paulo lutou. Este é o segredo: Cristo revelado em mim. Qualquer outra coisa é um evangelho diferente.
Se vocês examinarem a história bíblica e a história da humanidade, há milhões — milhões incontáveis, dezenas de milhares — que fizeram essa descoberta da vida substituída. Ela os transformou de cristãos comuns e cheios de lutas, como chamaríamos pessoas como vocês e eu, em pessoas com uma compreensão mais profunda do que o Senhor havia feito.
Eles entraram nessa realidade não por alguma força em si mesmos, nem por algum grande entendimento em si mesmos. Na verdade, o entendimento de Paulo o impedia de enxergá-la.
Isso é Cristo revelado em mim. Que o Senhor nos ajude a ter essa experiência.
Nunca menosprezem essa palavra: revelação. Ficamos cansados das coisas. Sei que já disse isso, mas ficamos cansados das coisas. Irmãos e irmãs, vocês devem fazer disso sua oração, e eu devo fazer disso minha oração: aquilo que o apóstolo Paulo orou pela igreja em Éfeso, para que vocês tenham o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele.
Essa é a vida substituída.
Agora, o segundo ponto que gostaria de examinar com vocês é: Cristo vive em mim.
Irmãos e irmãs, não se trata apenas de Deus nos revelar alguma coisa, e então termos essa joia da revelação que, de vez em quando, numa conferência ou num momento de comunhão, tiramos para mostrar, dizendo: “Deixem-me compartilhar com vocês o que tenho visto do Senhor Jesus”.
No fim das contas, é Cristo vivendo em mim.
Gálatas 2:20 — abram ali novamente. Esse era o segredo que o apóstolo Paulo compartilhou para combater aquele erro, e esse era o segredo que ele experimentava profundamente:
Estou crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
Irmãos e irmãs, essa é a vida cristã.
Lutamos com isso o tempo todo. Acho que as pessoas são salvas e depois pensam que cabe a elas viver a vida cristã. Agora, talvez seja com a ajuda Dele. Talvez seja à medida que Ele concede graça, poder e unção. Talvez seja tudo isso.
Mas, ainda assim, de alguma maneira, concluem em seu pensamento que cabe a elas viver a vida cristã. Irmãos e irmãs, se vocês lerem a Bíblia com atenção, o grande alívio que encontrarão é descobrir que nunca cabe a vocês viver a vida cristã.
Na verdade, vocês atrapalham o viver da vida cristã. Deus já pronunciou Seu juízo a respeito de vocês: vocês são inteiramente incapazes. Ele tem outro caminho, um caminho muito mais grandioso, e é Cristo Quem vive em mim.
Isso pode ser uma notícia de última hora para alguns de vocês. Pode ser um choque para alguns. Mas já disse isso tantas vezes que vocês ficaram cansados de ouvir e sabem o que vou dizer.
Costumamos dizer que a vida cristã é difícil. Lembro-me de anos atrás, quando era um cristão novo e passava por essas agonias da luta — fracasso e vitória, alegria e tristeza, pecado e angústia. Lembro-me de quando a luz se acendeu e enxerguei que não se trata apenas de a vida cristã ser difícil.
A vida cristã é impossível para vocês e para mim. Vocês precisam entender isso. É disso que trata a vida substituída.
E a glória adicional é que Deus nunca esperou que vocês vivessem a vida cristã. É isso que a lei exige.
A lei diz:
Sede perfeitos, como Eu sou perfeito, diz o Senhor.
Vocês conseguem imaginar? Que laço terrível ao redor do pescoço! Vocês conseguem fazer isso? Vocês são assim? São perfeitos?
Perguntem à minha esposa se sou perfeito e preparem-se para uma longa tarde. Nenhum de nós é perfeito.
A exterioridade impõe uma exigência absolutamente esmagadora, que vocês não conseguem cumprir. Já a aliança superior — como diz Hebreus, a nova aliança — traz liberdade.
Como Mari disse à mesa, as promessas são: “Eu farei”. Leiam o que Ele disse em Jeremias 31:33-34:
Porei a Minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração.
Todos Me conhecerão, desde o menor deles até o maior.
Porque perdoarei a sua iniquidade e não Me lembrarei mais do seu pecado.
Que diferença! Essa é a vida substituída.
O erro da exterioridade corrigido em Gálatas era: “Você fará”. A gloriosa revelação que vem em Gálatas é: “Eu farei”. Que diferença, irmãos e irmãs! Precisamos saber disso. Precisamos saber disso. É tão importante!
Agora, deixem-me voltar, porque Jim leu essa passagem e acho que Mari a retomou: Romanos 5. Quero falar com vocês sobre uma salvação em dois aspectos. Talvez vocês achem que estou entrando em terreno perigoso aqui, mas é uma salvação em dois aspectos.
Vamos começar em Romanos 5:8-9:
Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco em que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.
Muito mais, pois, sendo agora justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira de Deus.
Observem que essa é a primeira ocorrência de “salvos”. Sublinhem isso na Bíblia, se quiserem.
Depois, Romanos 5:10:
Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho,
muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida.
Vocês perceberam que há duas salvações diferentes aí? Primeiro, em Sua morte, somos salvos da morte pelo poder de Seu sangue. Essa é a boa notícia do evangelho.
Para muitas pessoas, isso é tudo o que conhecem: porque Ele morreu, vocês não morrerão mais. Nunca morrerão. Na verdade, a Bíblia nunca fala do cristão como alguém que morre. Fala do cristão como alguém que adormece. E quem tem medo de dormir?
Para quem tem dificuldade de dormir, como certa pessoa com quem moro, a ideia de dormir seria maravilhosa.
Mas há outra salvação extraordinária. Ele não apenas nos salva de morrer, mas também nos salva de viver. Esse é o segundo aspecto.
Somos salvos pelo poder de Sua vida. Vocês entenderam? Acho isso extraordinário. Quando a luz se acende e vocês começam a enxergar, dizem: “Senhor, Tu nunca pretendeste que eu vivesse esta vida”.
Tu não apenas me salvaste da morte, mas também me salvas de viver. Por causa de Cristo, já não preciso morrer. Por causa de Cristo, também já não preciso viver.
Isso não é lindo? Essa é a vida substituída.
Paulo diz:
Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
Vocês são salvos da morte pelo poder de Seu sangue e são salvos de viver pelo poder de Sua vida.
Esse é o segredo extraordinário que Hudson Taylor descobriu, assim como muitos milhares de pessoas. Que o Senhor comece a abrir nossos olhos para esse segredo em dois aspectos.
O irmão Nee disse:
Assim como Cristo é nosso substituto na morte, Ele também é nosso substituto na vida.
Essa é uma declaração profunda. Que boa notícia!
Romanos 8:1-2 — todos vocês conhecem. Vamos abrir ali:
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.
A lei do Espírito da vida — esse é o segredo. Esse é o segredo.
Há três leis mencionadas na Bíblia — pelo menos aqui há três, e vou ficar com essas três. Talvez vocês tenham uma visão diferente.
Há a lei de Moisés, que dizemos ser impossível cumprir. Embora a Bíblia a tenha imposto aos filhos de Israel, Gálatas abre a cortina e nos mostra a razão. Ela deveria ser um mestre-escola, um tutor, para nos conduzir a Cristo.
Quando terminamos de lidar com a lei, dissemos: “Não queremos mais essa lei”. Ela deveria nos mostrar nossa necessidade absoluta de outra fonte de vida.
Depois, há a lei do pecado e da morte. Vocês conhecem essa lei. O apóstolo Paulo falou sobre ela em Romanos 7. Ele disse: “Tentei fazer o que era certo. Eu conseguia desejar fazer o que era certo”, assim como Hudson Taylor disse à querida Amelia.
“Mas encontrei em mim outra lei” — a lei do pecado e da morte — que me dominava e me fazia tropeçar toda vez que eu tomava uma nova resolução. Quantas resoluções já tomei? Eu tropeçava na lei do pecado e da morte. Ela está em vocês.
Mas, irmãos e irmãs, a boa notícia da vida substituída não termina aí. Há uma terceira lei: a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus.
Essa é a lei tão extraordinária.
Lembro-me da primeira vez que fiz um voo internacional num 747. Pensei: “Essa coisa é grande demais para voar”. Lembrem-se: espera-se que eu seja uma pessoa racional. Alguns de vocês talvez discordem, mas espera-se que eu raciocine com base na ciência. Pensei que aquilo nunca sairia do lugar.
Havia mais de trezentas pessoas, todas as malas delas — porque todo mundo fazia as malas como se fosse morar por um ano no lugar para onde ia —, todos os suprimentos, toda aquela coisa e o peso do avião. Pensei: “Isso nunca vai voar”.
Lembro-me de encostar a cabeça naquela janelinha de acrílico, olhando ao longo da pista, torcendo, torcendo e orando para que ele decolasse. Finalmente, vi o avião avançando pesadamente pela pista, com as asas tremendo. Pensei: “Ah, não! É agora. Senhor, estou indo para casa”.
Então, ele chegou perto do fim da pista, e aquele avião gigantesco se ergueu no ar. Pensei: “Ah, que coisa interessante! Que legal!”
Existe uma lei maior, maior do que a lei de Moisés e maior do que a lei do pecado e da morte. É a lei da aerodinâmica.
Agora, ainda não entendo tudo muito bem, embora, por sinal, eu tenha tirado nota máxima em física. Ainda não entendo tudo muito bem, mas existe uma coisa chamada sustentação. Perguntem ao Jerry; ele é o engenheiro aeroespacial. Eu só tento impedir que as coisas caiam.
Essa nova lei supera as antigas leis, que eram pesadas, para dizer o mínimo. Ela nos eleva a um novo lugar, às regiões celestiais em Cristo Jesus.
A primeira vez que atravessei aquele grande lago — o oceano — de avião foi extraordinária. Pensei: “Isso é maravilhoso”. Graças a Deus por essa nova lei.
Essa é a vida substituída: a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus. Ela está em Cristo Jesus. Vocês se lembram da palavra interioridade? Não está em nós; está em Cristo Jesus.
Lembro-me de quando era um cristão novo e lia a Bíblia inteira. Comecei a enxergar aquela expressão, em Cristo, e ela passou a chamar minha atenção. Comecei a percebê-la em toda parte: em Cristo.
Depois, comecei a perceber outra expressão: Cristo em nós. Pensei: “Puxa, esses são segredos. Isso deve ser a vida cristã”.
Lembro-me do irmão Sparks. Quando li pela primeira vez o que ele tinha a dizer sobre isso, ele chamou “em Cristo” de o em que tudo abrange. Que pensamento lindo!
Vocês conhecem 1 Coríntios 1:30-31?
Mas vós sois Dele, em Cristo Jesus, Que para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;
para que, como está escrito: aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
Vocês estão em Cristo Jesus. Não há expressão ou fórmula que apareça com maior frequência no Novo Testamento do que esta: em Cristo.
Às vezes, ela varia na tradução — por, através de, com —, mas, no texto original, é “em Cristo Jesus”, “Nele”. Aparece duzentas vezes. O princípio é o mesmo.
Em todo o campo da doutrina cristã, nada é mais abrangente do que isso e, no entanto, nada é menos compreendido e apreciado. Esse é o significado de estar em Cristo, e a expressão correspondente é Cristo em vocês.
Irmãos e irmãs, não sei quanto a vocês, mas isso me impressiona profundamente. Consigo entender a pequena partícula — eu, a pequena partícula — dentro do oceano de plenitude em Cristo. Mas é difícil compreender o oceano de plenitude dentro da pequena partícula: Cristo em vocês.
É exatamente disso que trata a vida substituída.
Pensamos que a encarnação de Cristo é um grande milagre. E é. Não me entendam mal; eu jamais a menosprezaria: Deus conosco. Mas acho um milagre extraordinário que Cristo entre em cada um de nós e viva em cada um de nós, de modo que já não precisemos viver a vida cristã.
Que segredo extraordinário e glorioso, em dois aspectos! Como explicá-lo?
Antigamente, havia um ferreiro em cada cidade. Quando tínhamos cavalos — vocês ainda têm cavalos, mas, para ver um, precisam ir a uma fazenda ou a um desfile, eu imagino —, os cavalos usavam ferraduras de ferro para proteger os cascos.
Havia um ferreiro em cada cidade. Ele pegava a ferradura e, antes de tudo, a colocava no fogo. Antes que o ferro pudesse ser útil, precisava ser colocado no fogo. Não demorava muito para começar a brilhar, incandescente, quase branco.
De repente, vocês descobriam um novo mistério: não apenas o ferro estava no fogo, mas o fogo estava no ferro. Isso não é incrível?
É exatamente isso que acontece com a vida substituída. Estamos em Cristo Jesus pela própria ação de Deus, mas não apenas estamos em Cristo Jesus: o fogo do Senhor está em nós.
Incrível. Incrível.
Foi isso que Moisés viu em Êxodo, na sarça ardente. Era um arbusto comum, desses que cresciam pelo deserto, uma cena corriqueira. Mas o que chamou sua atenção foi o fogo no arbusto. A sarça não era consumida.
O testemunho de Deus veio daquele fogo naquela sarça. É isso que vocês são, se não ficarem muito ofendidos. Vocês são um velho arbusto espinhoso — seco, incapaz de fazer o que Deus exige.
Mas Ele não Se contenta com isso. Paulo compartilhou o segredo para combater o erro:
Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
Isso não é glorioso, irmãos e irmãs? Acho isso glorioso.
Bem, pensem nisso. Como entramos nessa realidade de “Cristo vive em mim”?
Em primeiro lugar, vocês precisam aceitar o fato. Paulo disse:
Estou crucificado com Cristo.
Não gostamos de aceitar o fato divino.
Romanos 6:6 diz — e, por sinal, é ainda mais forte:
Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele.
É um fato consumado. Não é algo pelo qual vocês precisam ir para casa e orar: “Senhor, Tu poderias me crucificar hoje?” Vocês precisam declarar esse fato e permanecer firmes nele:
Estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.
Esse é o segredo.
John Adams, o segundo presidente dos Estados Unidos — um virginiano, devo acrescentar —, disse a famosa frase: “Os fatos são teimosos”. Todo advogado que já participou de um julgamento repetiu isso ao encerrar sua argumentação: os fatos são teimosos.
Vivemos tanto pelo que vemos, mas podemos aceitar os fatos divinos. Os fatos divinos são mais certos do que aquilo que vocês veem com os próprios olhos.
Se vocês acham que isso não é verdade, vão a um espetáculo de mágica. Agora, não estou sugerindo que vão a um espetáculo de mágica, mas vocês entendem o que quero dizer. A questão toda é que aquilo que vocês veem não é real. Os mágicos se aproveitam disso. É o que se chama de prestidigitação.
Vocês acharam que viram aquele coelho sair da cartola, embora ele não estivesse ali, mas foram enganados.
Os fatos divinos nunca são alterados — nem pelos nossos sentimentos, nem pelas nossas circunstâncias, nem por nos recusarmos a aceitá-los, nem por taparmos os ouvidos e não os escutarmos. Os fatos divinos são teimosos. São verdadeiros.
Na verdade, são mais verdadeiros do que qualquer coisa que vemos.
A segunda maneira de entrar nessa realidade é apropriar-se dela pela fé. Foi isso que Paulo disse:
E a vida que agora vivo na carne, vivo na fé, a fé que está no Filho de Deus, Que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim.
Irmãos e irmãs, vocês perceberam como isso foi formulado? Não diz: “Vivo pela fé”. É assim que pensamos. É a nossa fé que falha.
Mas a glória da vida substituída não é a nossa fé falha e vacilante. Paulo compartilhou um segredo ainda mais profundo depois de dizer que Cristo vive em mim. Ele diz que a fé pela qual vivemos não é somente a nossa fé.
A sua fé é importante, mas é a fé do Filho de Deus, Que me amou e Se entregou por mim.
A fé é mais poderosa do que aquilo que vemos. Se vocês lerem Hebreus — e acabamos de ter uma conferência sobre Hebreus —, a fé é substância. Vocês pensariam: “Se eu vir, acredito”. Somos um pouco como Tomé, que duvidou: “Se eu vir, vou acreditar”.
Mas a fé, diz a Bíblia, é literalmente substância. E ela vai além nesse mesmo versículo. Diz que a fé é evidência — mais do que isso, evidência infalível, evidência irrefutável. É verdadeira.
Portanto, em primeiro lugar, precisamos permanecer firmes no fato, independentemente do que sentimos. Se vocês acordarem de manhã e sentirem algo diferente, permaneçam firmes nos fatos — não nos seus fatos, mas nos fatos divinos.
Em segundo lugar, vivam pela fé — não pela sua fé. É a fé Dele. Esse é o segredo da vida substituída.
Bem, o último ponto: Cristo formado em mim. Esse é o segredo final.
Pensamos no poder desse pequeno livro, Gálatas, e na grandeza daquilo que Paulo compartilhou no segredo da vida substituída. Lembro-me de que, anos atrás, li sobre um homem chamado professor Paul Sabatier. Ele era francês e teólogo.
Era bastante famoso. Não era apenas teólogo; foi indicado cinco vezes ao Prêmio Nobel de Literatura — algo que nunca acontecerá comigo, por sinal. Então, ele reconhecia um bom texto quando o via.
Ele disse:
Não há nada na literatura antiga ou moderna que se compare a esta epístola.
Palavras bem fortes. Não as recebam como se fossem minhas. Recebam-nas de alguém que foi indicado cinco vezes ao Prêmio Nobel de Literatura. Ele conhecia o poder desse segredo que estava sendo revelado.
Esse é o poder que nos libertará.
Agora, vejam Gálatas 4:19. Estamos chegando ao fim.
Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
O objetivo final da vida substituída é Cristo ser formado em vocês. Essa é toda a razão pela qual vivemos nesta terra, pela qual não fomos salvos e imediatamente levados aos céus.
Vocês estão aqui porque a intenção de Deus é levá-los ao ponto em que estejam tão conformados à imagem de Cristo e tão transformados pela glória do Senhor Jesus que o próprio caráter de Cristo seja formado em vocês.
No fim, deve haver uma semelhança de família. No fim, acreditem ou não, Ele dirá, assim como Adão disse de Eva:
Osso dos meus ossos e carne da minha carne.
Ele dirá isso quando nos receber como Sua noiva.
Isso é Cristo formado em mim. Esse é o propósito de Deus.
Não é uma daquelas coisas vagas, em que Cristo é formado em nós, e vocês olham, apertam um pouco os olhos e dizem: “Bem, sim, acho que vejo — bem, talvez eu veja Cristo. Bem, às vezes vejo Cristo neles”.
No fim, não se trata de uma pequena imagem de Cristo em nós. Na verdade, a palavra significa plenamente formado em vocês.
É disso que trata a vida substituída. Essa é a razão pela qual vocês passam pelo que passam. Essa é a verdadeira razão de todo o tratar de Deus: para que Cristo seja formado em vocês.
Nunca fiz um daqueles testes de manchas de tinta — os testes de Rorschach, é assim que se chamam? Talvez vocês tenham feito. Os psicólogos gostavam muito dessas coisas. Imagino que não façam mais. Você teria de me dizer, Glenn.
Eles mostram aquela coisa e, se a mostrassem para mim, eu diria: “Alguém derramou a tinta”. Eles perguntam: “O que você vê nisso?”
Acho que às vezes somos assim em relação a Cristo formado em nós. “Bem, sabe, se você se afastar e olhar do ângulo certo, acho que vejo uma árvore, um cachorro e pássaros.”
Irmãos, não é uma mancha vaga de tinta que mal se consegue distinguir. Você pergunta a três pessoas e recebe três explicações diferentes do que ela é.
No fim, o propósito de Deus é que Cristo seja formado em nós, e todos digam: “Eles são Cristo”.
Vocês se lembram de que foi isso que aconteceu em Antioquia. Os cristãos foram chamados cristãos pela primeira vez em Antioquia. Não foram os cristãos que chamaram a si mesmos de cristãos. Foi o mundo que olhou para eles e disse: “Vejam como se comportam. Vejam como se conduzem. Vejam a vida deles”.
“É diferente. Eles vivem por algum poder. Não faço ideia de onde vem isso. O único nome que consigo dar a essas pessoas é: cristãos.”
Isso é Cristo formado em nós. No fim, é isso que o Senhor procura.
Robert Govett disse:
A conversão não basta. A vivificação não é tudo. Ele buscava a formação do caráter cristão. Esse é um progresso diário, até que, por fim, Cristo venha.
É isso que Romanos 8:28-29 significa:
E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Porque aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho,
a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Irmãos e irmãs, essa é a vida substituída. No fim, precisa haver uma semelhança de família.
Lembro-me de anos atrás — algum de vocês ainda se lembra? Eu me lembro com carinho — de Margie Brewington. A querida Margie. Que mulher engraçada, que risada maravilhosa! Ela era uma daquelas pessoas que, como Paulo, sentiam dores de parto para que Cristo fosse formado em nós.
Ela marcou minha vida. Lembro-me de que, um dia, depois que Jessica nasceu e cresceu um pouquinho, ela veio até mim e disse: “Kenny, ela é a sua cara, cuspida e escarrada”.
Que semelhança de família! Agora, Jessica não gosta de ouvir isso. Ela é muito mais bonita, por sinal, caso vocês não tenham percebido. Ela não tem barba grisalha, caso vocês não saibam.
Mas, quando vocês olham, enxergam alguma coisa. Quando as pessoas olham para nós, se não veem Cristo formado em nós, não veem a vida substituída. É simples assim.
Bem, como isso é feito? Vou apresentar três pontos rápidos, e depois vocês podem meditar sobre eles.
Primeiro, é a obra de Deus. Efésios 2:10 diz:
Somos feitura Sua.
Vocês estão na roda do Seu oleiro. Ele está moldando vocês, assim como o oleiro em Jeremias molda o barro — formando-o, transformando-o, conformando-o àquilo que deve ser, em toda a sua glória.
Às vezes, o barro se estraga em Suas mãos, mas Ele nunca desiste. Ele o molda à Sua imagem. Essa é a formação de Cristo.
Em segundo lugar, é a obra do grande Sumo Sacerdote. Vocês conhecem o Senhor Jesus. Acabamos de ouvir, em Hebreus 7:25, que temos um grande Sumo Sacerdote. Ouçam o que se diz a respeito Dele: Ele vive sempre.
Ele nunca tira uma folga. Nunca tem feriado. Nunca tira férias. Nunca tem licença remunerada. Ele vive sempre para interceder por nós, para que, no fim, Cristo seja formado em mim e em vocês.
Depois, é a obra contínua e incansável do Espírito Santo.
Se vocês pudessem fazer um único pedido a Deus, pensem nisso: o que pediriam? Eu não sei. Não teria inteligência para pensar nisso. Mas o Senhor sabia. Ele sabia exatamente o que era necessário.
Quando teve aquela última conversa íntima registrada em João, sobre a qual todos nós acabamos de compartilhar, Ele disse:
É importante que Eu vá, porque, se Eu for, vos enviarei outro Consolador.
Ele disse pelo menos duas coisas sobre esse Consolador de que vocês devem se lembrar:
Ele estará convosco.
Mas depois disse algo ainda mais extraordinário:
Ele estará em vós.
Vocês conseguem imaginar? Isso é interioridade. Conseguem imaginar Deus, o Espírito Santo, entrando no próprio ser de vocês e estabelecendo residência permanente em vocês?
Vocês acham que essa obra da vida substituída é possível? É absolutamente possível porque Deus fez dela Sua obra. É absolutamente possível porque nosso grande Sumo Sacerdote vive sempre para interceder. É absolutamente possível porque o Espírito Santo, Deus, o Espírito Santo, estabeleceu residência permanente em vocês.
Agora, irmãos e irmãs, podemos entristecer o Espírito Santo. Podemos ignorar o Espírito Santo. Podemos apagar a ação do Espírito Santo.
Podemos fazer todas essas coisas. Mas, se vocês ouvirem aquela voz mansa e suave — este é o lado prático —, se, a cada dia, Aquele Que está em vocês, esse especialista que habita em vocês, disser: “Não faça isso”, talvez vocês digam: “Senhor, eu amo isso. Vou fazer isso. Essa lei do pecado e da morte — vou fazer isso”.
Digam ao Senhor: “Senhor, a Tua vida é a única coisa que pode me impedir de fazer isso”. Esse é o segredo. Essa é a vida substituída.
O Espírito Santo vai conversar com vocês mais do que o seu melhor amigo. Não vou dizer marido, porque as esposas sempre dizem que eles nunca conversam o suficiente.
Ele vai, John. Deixe essa onde está, irmão. Vamos deixar essa onde está.
O Espírito Santo comunica Quem Cristo é, conduz-nos a toda a verdade, é a unção que vem do alto, vivifica tudo o que Cristo disse e traz isso de volta à nossa atenção.
No fim, Deus confiou ao Espírito Santo essa obra de formar Cristo em nós. Ele não pode falhar. Talvez leve mais uma geração, mas Ele não pode falhar.
Bem, essa é a vida substituída.
Essa carta era tão importante que Paulo fez algo diferente do que costumava fazer. Na maioria das vezes, ele ditava suas cartas. Vocês se lembram de Coríntios e de Gaio. Mas não fez isso aqui.
No fim dessa carta, em Gálatas 6:11, ele disse:
Vede com que grandes letras vos escrevo de minha própria mão.
Essa mensagem era tão importante, tão vital, que o apóstolo Paulo, que tinha uma limitação e não conseguia enxergar claramente, escreveu essa carta em letras grandes, diretamente de seu coração, com sua própria mão.
Ele escreveu para que os cristãos da Galácia, e nós que viemos depois deles, conhecêssemos o segredo da vida substituída.
Esse é o encargo que eu tinha para compartilhar. Que o Senhor nos ajude.
Senhor, dá-nos revelação, para que conheçamos em nossa experiência Cristo revelado em mim.
Senhor, faz algo para que realmente conheçamos em nossa experiência: Cristo vive em mim.
Senhor, continua fazendo algo extraordinário, para que nos rendamos a Ti em toda circunstância e em toda dificuldade, em toda bênção, em cada etapa da vida, de modo que, no fim, sejamos conformados à Tua imagem e Cristo seja formado em nós.
Senhor, entregamos essas coisas de volta a Ti. Sabemos que não conseguimos explicar isso adequadamente, mas o Espírito Santo pode. Tu podes.
Por isso, oramos para que nos ajudes a compreender isso profundamente e a experimentá-lo ainda mais profundamente. Que isso transforme nosso viver cristão, assim como Hudson Taylor e milhões de outras pessoas foram transformados.
Pedimos isso juntos, no precioso nome de Jesus. Amém.