Bem, boa tarde, irmãos.
Vamos continuar — não na Bíblia ao contrário de Greenlee —, mas olhando para a história de Noé e do dilúvio.
Ao nos voltarmos para a Palavra de Deus, lembro ao coração de vocês, e ao meu também, aquele princípio indispensável do estudo bíblico. É o único princípio absolutamente indispensável. Outras coisas vão auxiliar vocês e ajudá-los ao longo do caminho, mas, no fim, vocês precisam confiar no Senhor. O livro é Dele.
A Bíblia é como o nosso Senhor Jesus: é humana e divina. Há um lado humano. Quando Jesus viveu na terra, algumas pessoas só enxergaram esse lado e não O reconheceram.
Precisamos do lado humano. Não estamos tentando glorificar a ignorância. Vocês precisam estudar; precisam do lado humano. Mas também precisam do lado divino, e só Deus pode revelar Seu Filho.
Isaías 50:4. O contexto de Isaías 50 é messiânico porque, nesse capítulo, alguns versículos depois do versículo 4, Ele disse:
Ofereci Minhas costas aos que Me feriam,
E Minhas faces aos que Me arrancavam a barba.
Está falando do nosso Senhor Jesus. É uma passagem messiânica.
Nos versículos 3 e 4 dessa passagem messiânica, lemos estas palavras:
O Senhor Deus Me deu a língua dos instruídos,
Para que Eu saiba sustentar com palavras o que está cansado:
Ele Me desperta manhã após manhã,
Desperta Meu ouvido para que Eu ouça como discípulo.
Isso é messiânico. Jesus confiava que Seu Pai O despertaria todos os dias e despertaria Seu ouvido para ouvir como discípulo.
Se Jesus precisava ter Seu ouvido despertado para ouvir como discípulo, posso sugerir que talvez possamos fazer essa oração: “Desperta meu ouvido para ouvir como discípulo”.
Então, vamos nos curvar diante do Senhor e confiar Nele para isso.
Nosso Pai, nós Te agradecemos porque Tu és Aquele que dá entendimento. Agora, nesta tarde, pedimos que despertes nossos ouvidos, para que possamos ouvir de Ti.
Peço que protejas meus irmãos de qualquer coisa que eu disser que não venha de Ti, mas que os ouvidos deles estejam bem sintonizados com Tua voz. Obrigado porque vais nos guiar nesta tarde; entregamos a Ti esta meditação.
Agradecemos desde já pelo Espírito Santo, Cujo deleite, prazer e ministério é nos mostrar Cristo. Em nome de Jesus, oramos. Amém.
Bem, estamos agora em nossa terceira lição sobre essa grande ilustração de Noé e a história do dilúvio. É uma história profundamente espiritual. Ela fala da nossa grande salvação.
Da maneira como Tom e eu a estamos apresentando, e como cremos que o Senhor nos guiou, estamos olhando especialmente para a salvação no presente. Quero revisar um pouquinho, porque alguns irmãos chegaram mais tarde.
Sabemos que a história de Noé ilustra como ser salvo. Não há dúvida quanto a isso. Portanto, estamos partindo de um grande pressuposto — espero que seja verdadeiro —: que todos nesta sala já experimentaram a salvação no presente. Vocês receberam o Senhor Jesus como seu Salvador, e Ele entrou no coração de vocês e os livrou da penalidade do pecado. Vocês estão perdoados.
É desse ponto que estamos começando. Somos salvos; somos justificados; somos libertos.
A pergunta que estamos levantando é esta: o mesmo Cristo que livrou você da penalidade do seu pecado é suficiente para livrá-lo, agora mesmo, do poder do pecado em sua vida? É isso que estamos examinando.
A justificação realmente torna você apto para o céu, mas às vezes o deixa bastante inapto para a terra. Precisamos entrar na plenitude da Sua salvação para que sejamos aptos tanto para o céu quanto para a terra.
Santificação é o termo técnico, e ela é para agora. Deus fez essa provisão em Cristo.
Justificação: Deus vê você em Cristo. Louvado seja Deus por isso.
Santificação: os outros veem Cristo em você. Isso é outra coisa inteiramente diferente. Que Deus nos ajude nisso.
Em nossa lição introdutória, examinamos o ponto de partida dessa verdade que chamamos de salvação no presente. Vou ler Hebreus 11:7 novamente:
Pela fé Noé, sendo avisado por Deus acerca de coisas que ainda não se viam, movido por santo temor, preparou uma arca para a salvação da sua casa; por meio dela condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé.
Sugerimos, com base no relato, que Noé, aos 480 anos de idade, recebeu uma revelação do Senhor, porque tudo sempre começa com uma revelação do Senhor. Precisamos ver o Senhor e precisamos continuar vendo o Senhor.
Essa etapa da nossa salvação, ilustrada por Noé, começa com essa revelação. Hebreus 11 nos diz que ele recebeu uma revelação de coisas que ainda não eram vistas com estes olhos. Ele as viu em seu coração.
Mais uma vez, é uma revelação. Muitos cristãos ensinam e creem que a salvação no passado é uma decisão que alguém toma por Jesus. Ela pode incluir isso, mas não é meramente uma decisão; é uma revelação.
Amo Gálatas 1:15-16:
Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela Sua graça,
Revelar Seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios.
É uma revelação de Cristo.
O que Noé viu quando Deus revelou isso ao seu coração? A resposta é que ele viu a mesma coisa que você viu quando foi salvo. Ele viu que Deus estava entristecido com o pecado do mundo e que iria julgar o mundo.
Ele viu que havia um único caminho de salvação: a arca, que ilustra nosso Senhor Jesus Cristo. Viu que Deus, pela graça, iria recebê-lo, juntamente com sua família, na arca; e ele recebeu tudo isso pela fé.
Essa revelação mudou completamente sua vida. Durante 120 anos, depois de ter visto a arca de Deus, ele se ocupou com a arca — todos os dias, de manhã, ao meio-dia e à noite; todos os recursos, tudo. Ele estava inteiramente envolvido com aquilo que representava Cristo.
Essa revelação o transformou por completo. Mas ela ainda não era visível. Deus lhe havia falado; estava em seu coração. Deus lhe havia falado; estava em seu espírito. Ele via tudo com absoluta clareza em sua mente, mas seus vizinhos não viam. Eles não podiam ver o que estava em seu coração.
Quando você foi salvo, Cristo veio habitar em você. As pessoas olhavam para você, viam você e achavam que algo estranho estava acontecendo. Mas não conseguiam ver o que você havia visto.
O que estava no coração e na mente de Noé tornou-se público. Ele começou a construir a arca, a pegar aquela revelação que estava aqui dentro e colocá-la do lado de fora, onde seus vizinhos pudessem vê-la.
Dia após dia, enquanto ele a colocava onde seus vizinhos pudessem vê-la, eles olhavam pela janela. No começo, viam Noé em meio a uma pilha de madeira. Depois, viam Noé ficando menor, e aquela pilha começava a tomar forma. Não demorou muito para que a arca ocupasse toda a paisagem. Ela tinha mais de um campo de futebol de comprimento, e Noé era tão pequeno.
Então, como Tom nos contou hoje, Deus o chamou para dentro da arca. Quando seus vizinhos olhavam pela janela, já não conseguiam vê-lo. Tudo o que viam era aquilo que representava Cristo.
Aquela revelação, que a princípio era invisível, agora se tornou visível, e todos os vizinhos puderam ver Cristo.
Esse foi, mais ou menos, o fim da minha lição introdutória. Levei vocês até o ponto em que a revelação dá início a tudo. Então Tom prosseguiu dali e mostrou que o pano de fundo de tudo isso era o coração de Deus — o coração quebrantado de Deus.
Deus estava entristecido porque as pessoas que Ele havia criado à Sua imagem, para refletir Cristo, que é a imagem de Deus, tinham se afastado disso. Havia mistura nelas. Começaram a se sentir atraídas pelo mundo e, depois de algum tempo, foram completamente absorvidas pelo mundo. Isso partiu o coração de Deus.
Deus disse: “Porque sou santo, preciso tratar disso. É uma necessidade rigorosa do Meu caráter santo. Preciso tratar disso”.
Mas, porque Ele era amor, porque Ele era compaixão, disse: “Preciso providenciar um caminho. Eu os amo. Embora tenham se desviado de Mim e se afastado de Mim, Meu coração arde por eles”.
No pano de fundo de toda essa história de Noé está esse coração de Deus ardendo de amor — entristecido, ferido, machucado. Essas são apenas palavras que usamos. Estamos tomando o Deus infinito e comprimindo-O em nossas pequenas sílabas para termos alguma ideia do que estava acontecendo no maravilhoso coração de Deus.
O coração de Deus se derramava por eles. Ele disse: “Assim como providenciei a salvação no passado, parte Meu coração ver qualquer cristão não entrar na santificação”. Deus está igualmente entristecido hoje.
Levei vocês do princípio da revelação até o momento em que permanecem em Cristo. Então Tom explicou, pela luz de Deus, o que significa realmente permanecer em Cristo. É a descoberta desta verdade libertadora.
Irmãos, se vocês ainda não aprenderam isso — se ainda estão tentando reunir animais e descobrir o sexo dos insetos —, vão ficar exaustos tentando obedecer a Deus. Vocês não conseguem.
Tudo o que Deus já nos ordenou é impossível. Deus deu duas ordens: reuni-los de dois em dois e de sete em sete, e entrar na arca.
Noé entrou na arca, e um dos milagres mais impressionantes de todos os tempos começou: a grande migração. Os animais começaram a entrar, exatamente como Deus lhe havia ordenado. O texto diz que entraram como Deus ordenara a Noé — não a Moisés. A Noé.
Ele cumpriu um mandamento permanecendo em Cristo.
Se você ficou exausto tentando amar sua esposa como Cristo amou a igreja, tentando dar graças em tudo, tentando dar graças por tudo, tentando alegrar-se sempre, tentando oferecer a outra face e caminhar a segunda milha, tentando ser cheio do Espírito, tentando conhecer a vontade de Deus, tentando obedecer ao Senhor — se você ficou exausto, nós o convidamos a essa grande revelação, a essa grande descoberta.
À medida que você permanece em Cristo, Deus cumpre o que Deus ordena.
Se você ainda não viu essa migração, ainda não começou a viver a experiência cristã. Digo a vocês: é uma grande força atuante, uma grande libertação e uma grande liberdade.
Durante tanto tempo, lutei tentando obedecer ao Senhor. Eu amava o Senhor. Queria obedecer a Ele. Estava batendo a cabeça contra a parede tentando obedecer a Deus. Eu pecava, levantava, caía, levantava, confessava — ora estava de pé, ora estava caído.
Noé, entre na arca. Permaneça em Cristo.
Sem Mim nada podeis fazer.
Você diz: “O que queres dizer com ‘nada posso fazer’? Eu faço um monte de coisas”.
Nada que possa ser chamado de fruto.
Você não pode fazer nada que possa ser chamado de fruto à parte da vida de Cristo.
Algumas pessoas têm esta ideia: “Entendo que não consigo fazer isso com minhas próprias forças. Deus me ensinou isso. Portanto, não vou fazer para merecer um presente. Vou fazer porque amo Jesus. É por isso que vou obedecer a Ele — não para merecer alguma coisa, não por uma recompensa, mas porque amo Jesus”.
Não funciona. Não funciona.
Alguém diz: “Vou fazer por gratidão por tudo o que Ele fez por mim na cruz. Não é para ganhar alguma coisa, mas, porque O amo e tenho um coração agradecido, vou obedecer a Ele”.
Se Deus dissesse: “Levante mil libras ou você não vai para o céu”, você conseguiria? Você diz: “Está bem, vou levantar mil libras porque amo Jesus”. Isso não vai funcionar.
Mil libras são mil libras. Você não consegue levantá-las, por mais que ame Jesus. Não consegue levantá-las por estar agradecido.
Você precisa da vida do próprio Deus. Essa é a vida de troca. É Cristo vivendo em mim.
Era isso que Tom estava colocando diante de nós: Deus, com o coração ferido, fez uma provisão. Noé, ao entrar, aprendeu e descobriu o grande ponto de partida da santificação: “Posso agradar ao Senhor. Posso obedecer a Ele à medida que aprendo a permanecer em Cristo”.
Foi aí que paramos, e é daí que quero prosseguir. Supondo que você tenha recebido a revelação do próprio Cristo, supondo que tenha entrado em Cristo para permanecer Nele, supondo que tenha aprendido a grande verdade libertadora de que pode obedecer ao Senhor permanecendo em Cristo e confiando que a vida Dele fará, por meio de você, tudo o que Ele lhe pediu — supondo que você esteja nesse ponto —, o que vem depois?
Passamos da revelação para a permanência, aprendemos o segredo da permanência e agora, como Tom sugeriu, gostaria de levar vocês da permanência ao descanso.
Não deem muito peso à ordem em que vou apresentar o que vem a seguir. Essa ordem talvez não seja a ordem de Deus, porque eu sou único, você é único, e Deus certamente é único.
Não vou dizer que Deus sempre faz dessa maneira. Acho que Ele geralmente faz dessa maneira. Creio que temos visto um padrão. Mas, porque você é você, Deus sempre lida conosco conforme somos e onde estamos, a fim de nos levar aonde Ele quer.
De modo geral, o próximo passo é este: fui liberto das obras. Não vou tentar reunir animais. Não vou tentar determinar o sexo de cada animal. Não vou tentar descobrir quais sete devo trazer. Não vou me envolver nisso.
Agora sei que vou permanecer em Cristo. Então, qual é o próximo passo?
Já que não se trata de obras, estou na arca, e Deus fecha a porta. Estou sugerindo que isso se torna um tempo de luz, um tempo de ensino. Vamos usar a palavra doutrina. É um tempo em que você começa a aprender.
Noé não tinha a Bíblia. Mas, quando você aprende que permanece em Cristo e é capaz de cumprir Seus mandamentos, de repente sua Bíblia se torna muito viva. Você não consegue largá-la. Precisa estudar. “Quero conhecer Seu coração. Quero conhecer Seus caminhos. Quero conhecer Sua vontade.”
Começamos a absorver conhecimento. Agora Noé está na arca. Já não está testemunhando aos vizinhos. Foi liberto de tudo isso e agora está na arca, onde começa um tempo de aprendizado.
Começamos a estudar, orar, meditar, pensar, bater, buscar, olhar e assim por diante.
Vou pedir que vocês usem sua imaginação santificada e venham comigo. Quero contar o que acho que Noé aprendeu dentro da arca quando sua nova experiência começou.
Para aqueles que gostam de uma conexão lógica, gostaria de mostrar sete doutrinas que penso que Noé aprendeu enquanto estava dentro da arca — sete doutrinas que o cristão que permanece em Cristo começa a aprender. Mais uma vez, não imponham uma ordem a isso.
A primeira doutrina que quero mencionar — e que doutrina preciosa ela é — é a identificação com Cristo.
Creio que eles começaram a enxergar, de uma maneira que nunca haviam enxergado antes, a identificação com Cristo. Isso é ilustrado pela arca como uma figura de Cristo.
Não sei quanto tempo levou, mas, depois que entraram e Deus fechou a porta, não creio que tenham demorado muito a perceber que estavam compartilhando o destino da arca. Tudo o que acontecia com a arca acontecia com aqueles que estavam dentro dela.
Pensem no Novo Testamento, porque o que aconteceu com o Senhor Jesus aconteceu com vocês que estão em Cristo Jesus.
Sei que isso está em forma de semente no Antigo Testamento, e pode parecer que estou tentando forçar algumas coisas no texto. Mas o que estou tentando colocar ali é aquilo que vi no Novo Testamento. Sei que isso está na semente, e procuro isso na semente.
Há três arcas mencionadas na Bíblia. Há a arca de Noé; há a arca da aliança; e há o cesto em que Moisés foi colocado.
Quando Joquebede e Anrão fizeram o cesto para Moisés, usou-se a mesma palavra que “arca”. Moisés foi colocado numa arca. A palavra hebraica para as três é a mesma. É um baú, uma caixa, um caixote.
A arca é apenas uma caixa. Não acho que deixaríamos de perceber o coração de Deus se, neste caso, a imaginássemos como uma caixa — um caixão. É um caixão de três andares, mas é um caixão.
Quando Deus fechou a porta, Deus fechou a tampa. É um caixão, e Noé morreu com Cristo.
Quando aquela arca começou a subir, não se esqueçam de que a tempestade ainda não havia começado quando Noé entrou. Ele estava em Cristo antes da tempestade. Então a arca começou a receber todo o impacto da tempestade.
Noé e sua família estavam em Cristo Jesus, e a tempestade — o juízo de Deus — golpeava a arca. Eles estavam identificados com a arca.
Isso, em termos do Novo Testamento, é Gálatas 2:20:
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim: e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé, na fé que é no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.
Eles estavam identificados não apenas com Sua morte, mas também com Sua ressurreição. Gênesis 7:17-18 diz:
E esteve o dilúvio quarenta dias sobre a terra; e cresceram as águas e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra.
E prevaleceram as águas e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca andava sobre a face das águas.
Lá estavam eles na arca — no caixão —, e então ela começou a subir.
Isso diz alguma coisa a vocês sobre a verdade do Novo Testamento? Eles estavam em Cristo, mortos com Cristo enquanto Ele recebia todo o impacto da tempestade. Quando a arca começou a subir, eles começaram a subir. Subiram, subiram e subiram, até vinte e dois pés e meio acima do monte mais alto da terra.
Efésios 1:20-21 diz:
Que Ele operou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos e fazendo-O assentar à Sua direita nos lugares celestiais,
Muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste mundo, mas também no vindouro.
Em Efésios 2:5-6, aprendemos que fomos ressuscitados com Ele e assentados com Ele nos lugares celestiais. Em todos os sentidos, eles estavam identificados com a arca.
Morreram em Cristo. Ressuscitaram em Cristo. Então Gênesis 8:4 nos diz que a arca repousou sobre os montes de Ararate. Eles descansaram em Cristo. Verdades da identificação.
Eu não consigo voar. Mas, se estou no avião, eu voo.
Minha esposa lava minhas calças. Meu dinheiro está no bolso. Meu dinheiro é lavado porque está nas calças.
Minha pasta se perde. Meu passaporte está na pasta. Meu passaporte se perde.
Vocês entendem o que estou dizendo? Tudo o que é verdadeiro a respeito de Cristo é verdadeiro a respeito daqueles que estão Nele.
Irmãos, vocês sabem que morreram em Cristo Jesus, que foram ressuscitados com Ele e que foram assentados com Ele nos lugares celestiais. Estou simplesmente sugerindo que aqueles que estavam dentro da arca, experimentando a arca receber todo o impacto da tempestade, talvez tenham pensado, como não teriam pensado antes: “Estou identificado com esta arca, e o destino da arca se tornou o meu destino”.
Guardem isso, e deixem-me mostrar outra doutrina da qual penso que Noé tomou consciência. Acho que ele começou a pensar na eleição, na doutrina da predestinação e na soberania de Deus.
Gênesis 7:16 diz:
E os que entraram, macho e fêmea de toda carne entraram, como Deus lhe ordenara: e o Senhor o fechou dentro.
Quando Deus fechou a porta, não creio que eles já tivessem pensado muito nisso. Mas, depois que Deus fechou a porta e eles ficaram trancados dentro da arca e identificados com ela — depois de terem preparado a arca, reunido o alimento e terminado de pregar aos vizinhos, porque Pedro disse que Noé era um pregador da justiça —, acho que talvez tenham começado a se perguntar.
Não sei se ouviram pessoas clamando por socorro. Algumas pessoas dizem que Noé conseguia ouvir seus gritos: “Tenha misericórdia! Abra a porta!” Talvez tudo o que ele tenha ouvido fosse o trovão de Deus contra os pecadores. Não sei.
Mas, cedo ou tarde, isso deve ter tocado profundamente seu coração, como tocou o meu e, imagino, como tocou o de vocês: Por que eu?
Por que estou nesta arca? Como é que minha família está na arca, e meus vizinhos estão perecendo? Meus amigos estão perecendo. Muitos que são chamados filhos de Deus estão sendo engolidos pelo mundo. Como é que Deus teve tanta misericórdia de mim?
Talvez ele tenha olhado ao redor e dito: “Fico pensando: por que aquelas sete vacas, e não as outras? Como foram escolhidas? Por que há sete cervos? Por que aqueles sete cervos e aquelas sete pombas? Por que foram escolhidos?”
Parece-me lógico que ele tivesse essas perguntas em sua mente.
Quando olho para minha família e vejo como Deus a abençoou, surge essa questão: “Deus, Tu tens sido tão bom. Tens sido tão bondoso e misericordioso comigo e com minha família”.
Então, depois de algum tempo, você começa a pensar: aqueles animais subiram por aquela prancha por livre vontade, ou Deus os atraiu para que subissem?
Não consigo entender por que foram esses sete, e não outros sete. Será que Ele faz acepção de animais? Escolhe alguns e não escolhe outros?
Acho que, na mente deles, essa doutrina da eleição, da soberania e do livre-arbítrio talvez estivesse se desenvolvendo.
Irmãos, não estou lhes dizendo nada que vocês não saibam. Vocês observaram o que eu observei: depois que alguém aprende a permanecer em Cristo, fica inteiramente envolvido com a verdade da identificação. Lê livros sobre identificação, ouve mensagens sobre identificação, fica todo animado e quer que todos saibam que estamos identificados com Cristo.
Tudo o que é verdadeiro a respeito de Cristo é verdadeiro a seu respeito. Ele é o Filho de Deus, e você é um filho de Deus. Ele é vencedor, e você é vencedor. Você está em Cristo Jesus. Ele é perfeito, e você é perfeito. E continuam falando sem parar.
Você precisa aprender isso. Então, depois de algum tempo, essas pessoas recebem ensino sobre a soberania de Deus e o livre-arbítrio do homem — calvinismo e arminianismo. Precisamos conversar: “Eles têm livre-arbítrio? Deus forçou a vontade deles? Ele os atraiu para que subissem?”
“Consigo entender como esta galinha subiu, mas aquele jumento — o que ele está fazendo aqui? Como chegou aqui? Ele é tão teimoso por natureza.”
Estou apenas sugerindo que talvez isso passasse pela mente deles, porque, depois que você permanece em Cristo, Deus começa a revelar as coisas. Doutrina, aprendizado e entendimento passam a ter grande importância.
Acho que houve uma terceira doutrina que Noé e sua família aprenderam. Não tenho dúvida de que ela se tornou muito preciosa para Noé. Estou falando da doutrina da segurança.
Fico pensando se, quando entraram na arca e a porta foi fechada, quando o vento começou a soprar e a arca começou a balançar, eles se sentiram seguros.
Fico pensando se aqueles carpinteiros — Noé e seus filhos, que haviam montado tudo — estavam pensando: “Vocês acham que estas paredes vão aguentar? Esse vento está soprando, e aquela tempestade está ficando feia lá fora”. Fico pensando se procuravam vazamentos. Fico pensando se aquilo era impermeável ao juízo de Deus nas águas do Seu dilúvio.
Depois de algum tempo, talvez tenham conversado e dito: “Lembram-se do que Deus nos disse em Gênesis 6:14?”
Faze para ti uma arca de madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a revestirás por dentro e por fora com betume.
O betume é piche; o betume é asfalto. O betume a tornava impermeável.
Eles não sabiam que a palavra hebraica para betume era kaphar, que significava cobertura. Depois de algum tempo, ela passou a ser usada como cobertura para o pecado e, no livro de Levítico, seria traduzida como expiação.
Aquela arca estava coberta por dentro e por fora com expiação.
Talvez alguns dos filhos e das noras de Noé não tivessem certeza da salvação. Sei que minha esposa lutou muito com essa certeza. Mesmo depois de estarmos casados havia alguns anos, ela ainda lutava. Toda vez que tínhamos um culto, ela queria ser salva de novo, e de novo, e de novo.
Ela cresceu num lar cristão e não conseguia encontrar uma data em sua vida. Não conseguia identificar aquele momento. Estava sempre insegura.
Portanto, não estou atacando essas doutrinas. Toda essa ideia da identificação com Cristo — eu a amo, e espero que vocês também a amem. Toda essa ideia da soberania de Deus é um lugar de descanso: eu vim, mas Ele me atraiu. Não consigo conciliar tudo isso, mas penso a respeito. Discutimos o livre-arbítrio e a ausência de livre-arbítrio, como Deus é soberano, mas não viola a vontade humana, e assim por diante.
Então há a segurança, a segurança eterna: “Estou seguro? Deus vai me guardar?” Acho que isso se tornou muito importante enquanto subiam na arca.
Romanos 8:1 diz:
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Quando essa verdade floresce plenamente, lemos em Romanos 8:31-39:
Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele, gratuitamente, todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica;
Quem os condenará? Cristo Jesus é Quem morreu, ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, Quem está à direita de Deus, e também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por Aquele que nos amou.
Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem os poderes,
Nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Estreitamente ligada a isso está outra doutrina: a separação. Ser fechado para dentro implica ser fechado para fora.
Eles foram fechados dentro da arca, mas também foram separados da terra. Nesse ponto, quando você está permanecendo em Cristo, é quase como estar nas condições protegidas de uma estufa.
Eles quase poderiam dizer, de maneira orgulhosa: “Estou separado do mundo. Estou em Cristo; estou separado do mundo. Não sou como aqueles filhos de Deus que estão perecendo com o mundo”.
Mais uma vez, passa a haver grande ênfase na santidade e na separação. É uma maravilhosa doutrina de separação.
Noé ilustra isso enquanto estava na arca e subia. A identificação com Cristo tornou-se real para ele. A eleição — o fato de Deus ter colocado sua família ali — era uma verdade maravilhosa. A segurança era maravilhosa. A separação — o fato de Deus tê-lo livrado do mundo e de ele não estar perecendo com todos aqueles pecadores — era uma doutrina preciosa.
Deixem-me mencionar algumas outras doutrinas que penso que ele aprendeu na arca. Acho que, de uma maneira nova, Noé recebeu luz sobre a direção e a vontade de Deus.
Mostrei que aquilo era uma caixa. Era uma caixa de três andares, um caixote, um caixão. Não era uma embarcação à vela.
A arca de Noé não tinha mastro, vela, leme, remos, timão, roda de comando nem bússola. Noé não era o capitão desse navio. Era um passageiro. Era um passageiro na arca de Deus.
O caminho percorrido pela arca era determinado pela vontade de Deus, não pela vontade do homem.
Noé e sua família não tinham controle algum. Mas tenho certeza de que, em algum ponto do caminho, fizeram esta pergunta: “Aonde isso está levando? Para onde estamos indo? O que Deus está fazendo? Para onde Ele está nos levando? Qual é o fim de tudo isso? Deve haver um objetivo. Deve haver algo que Deus está fazendo. Qual é o futuro?”
Essa ideia de tentar descobrir a vontade de Deus tornou-se importante para eles. Ela se amplia, naturalmente, no Novo Testamento, na busca por conhecer a vontade de Deus.
Os cristãos de hoje muitas vezes ficam presos nisso. Porque permanecem em Cristo, querem obedecer a Cristo. Porque querem obedecer a Cristo, não querem cometer um erro.
“Qual é a vocação que Deus tem para mim? Aonde devo ir? Quem é a pessoa que Deus tem para compartilhar a vida comigo? Qual é meu ministério? Preciso conhecer a vontade de Deus para meu ministério. Quais são meus dons? Se tenho dons, quais são meus dons espirituais?”
As pessoas começam a pensar: “Para onde Deus está me levando? Qual é o Seu plano? Para onde estamos indo?”
Alguns cristãos são consumidos pela busca de descobrir a vontade de Deus, tentando entender todas essas mudanças estranhas de direção que a arca faz. Às vezes ela sobe, às vezes desce; às vezes nos elevamos e, em outros momentos, estamos nessas baixadas.
“O que Deus está fazendo? Para onde estamos indo? Qual é o fim? Qual é o Seu propósito final?”
Eles não sabem, porque não há roda de comando, remos nem bússola. Estão fechados dentro de Cristo, e Cristo diz: “Eu sei para onde vocês estão indo. Vocês não sabem, mas estão em Mim. Estão em cima, estão embaixo, estão aqui, estão ali, estão coçando a cabeça”.
A vontade de Deus se torna algo muito importante.
Deixem-me apresentar mais duas, e então tentarei concluir. Outra doutrina que aprenderam — usando a expressão de Tom para isso — é a vida do corpo.
Tom apontou a possibilidade de que os animais representassem os judeus e os gentios, aqueles eleitos, aqueles que acabarão em Cristo Jesus: a igreja inteira.
Alguns ensinam que Deus usou a hibernação para que eles pudessem controlar os animais durante todo aquele tempo. Não acho que isso seja verdade, por causa de Gênesis 6:21. Deus mandou Noé reunir alimento para alimentar os animais enquanto estivessem ali, e os animais não comem durante a hibernação.
Sendo os animais o que são, não imagino que a arca, embora parecesse grande aos vizinhos, parecesse grande quando você estava ali com todos aqueles animais. Não acho que tenha sido um passeio naquele espaço apertado.
Tom diz que talvez fosse como um zoológico. Sei que na congregação de vocês não há jumentos teimosos, certo? Não há galinhas cacarejando, macacos guinchando nem animais tentando devorar outros animais. Isso não aconteceria aí.
Gálatas 5:15 diz:
Mas, se vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais consumidos uns pelos outros.
Alguns animais são inquietos, alguns são barulhentos, e alguns são egoístas. Se os animais representam todo o corpo, então talvez a família represente os presbíteros.
É responsabilidade de vocês, presbíteros, mantê-los alimentados, gordos, felizes e separados, e assim por diante. Depois de algum tempo, acho que isso passa a consumir toda a atenção.
Quando vocês pensam na arca e nos animais, ficam imaginando se eles tinham tempo para qualquer outra coisa. A doutrina de cuidar dessas pessoas, mantê-las alimentadas e felizes, provavelmente ocupava a maior parte do tempo deles.
Eles precisaram se adaptar à convivência com essa variedade de seres vivos. Eram todos tão diferentes.
Nesse contexto, imagino que, depois de algum tempo, Noé tenha olhado ao redor e dito: “Ei, sabem o que percebi? Todo mundo nesta arca é família”.
Quer falar da verdade do corpo? Família. É tudo família. Tornamo-nos uma família. Aqui estamos na arca, e somos todos uma só família.
Isso é doutrina. Isso é o corpo. Essa é a verdade de Deus: o desejo de unidade e o desejo de enxergar que todos somos família.
Deixem-me apresentar mais uma, e vocês verão por que ela é a última.
Estou identificado com Cristo. Louvado seja Deus por isso. Sou escolhido em Cristo. Louvado seja Deus por isso. Estou seguro no Senhor Jesus. Louvado seja Deus por isso. Ele me separou do mundo. Louvado seja Deus por isso. Ele vai me guiar para dentro da Sua vontade. Louvado seja Deus por isso. Sou um com a família de Deus. Louvado seja Deus por isso.
Agora, finalmente, lemos Gênesis 8:4:
E, no sétimo mês, no dia dezessete do mês, a arca repousou sobre os montes de Ararate.
Irmãos, a arca não se chocou contra o monte. Ela repousou. Essa é uma palavra importante: a arca repousou.
Imagino que, depois da viagem, tenham tido a sensação de chegada — de que haviam chegado. Agora tinham alcançado o descanso. Finalmente, estavam dizendo: “Agora vamos ver qual é o fim, o que Deus tinha em mente. Finalmente, não estamos mais balançando. Não estamos mais subindo. Não estamos mais descendo. Estamos, enfim, em descanso”.
“Estamos tão felizes porque, antes de chegarmos ao descanso, pudemos compreender a identificação. Pudemos compreender a soberania. Pudemos compreender a certeza da salvação. Pudemos compreender o corpo, a comunhão com o corpo, a separação do mundo e tudo o mais.”
Lembro-me de quando Deus abriu meu coração e meus olhos para o descanso. Pensei que havia chegado. O que vem depois do descanso? Quando você chega ao descanso no Senhor, para onde vai a partir daí?
Você permanece em Cristo. Finalmente, aprende toda essa verdade maravilhosa e então descansa. Você para. E agora?
Irmãos, deixem-me colocar isto diante de vocês, e que Deus desperte nossos ouvidos para ouvir. Não quero que vocês deixem passar isso. Que Deus nos ajude a enxergar o que estou prestes a compartilhar.
Não tenho dúvida de que eles estavam muito agradecidos por tudo o que haviam aprendido ao longo da viagem. Provavelmente disseram: “Senhor, obrigado por esta luz”.
Mas, na realidade, nessa figura, estava escuro dentro da arca.
Não havia janelas — havia uma janela, e ela estava coberta. Não sei quão escuro estava, mas estava escuro dentro da arca. Com toda aquela escuridão, eles estavam no escuro.
O descanso, segundo esse relato, não é tudo aquilo que se costuma dizer que é. O que supostamente era luz acabou sendo escuridão, e o descanso deles tornou-se mais uma paralisação do que um descanso.
Tenho certeza de que, ao refletirem sobre toda aquela doutrina, em algum momento isso deve ter lhes ocorrido: “Estamos apenas à deriva. Estamos apenas à deriva. Vamos para cá; vamos para lá”.
Efésios 4:14 fala de andar à deriva com todo vento de doutrina.
Nesse capítulo, Paulo fala sobre maturidade. No versículo anterior, fala de chegar ao conhecimento do Filho de Deus, ao homem maduro, à medida da estatura da plenitude de Cristo — não como uma criança, à deriva com todo vento de doutrina.
Não doutrina falsa — doutrina verdadeira. À deriva com todo vento de doutrina.
Acreditem em mim, não estou criticando essas grandes doutrinas: identificação, segurança, certeza da salvação, ser guardado por Deus, ser separado do mundo e o corpo de Cristo. Não estou criticando isso.
Em certo sentido, eles poderiam ter dito: “Agora estamos tendo uma experiência no topo do monte”. Literalmente, estavam no topo de um monte, mas não tenho tanta certeza de que fosse uma experiência tão agradável.
Acho que estava escuro lá dentro. Não sei como era a ventilação. Não acho que o cheiro naquela arca fosse muito bom. Não acho que tivessem muito espaço para jogar pingue-pongue ou qualquer outra coisa. Era apertado lá dentro.
Agora estavam sentados bem acima do mundo que entristeceu o coração de Deus e condenou o coração de Deus, animados porque finalmente haviam chegado ao descanso.
O que vem depois? Não havia palavra de Deus.
Deixem-me fazer algumas contas. Gênesis 7:11 diz:
No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no dia dezessete do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram.
No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no dia dezessete, começou o dilúvio.
Gênesis 8:4 nos diz quando a arca repousou:
E, no sétimo mês, no dia dezessete do mês, a arca repousou sobre os montes de Ararate.
Isso foi cinco meses depois do início do dilúvio. A arca finalmente repousou sobre o monte.
Deus também nos diz em Gênesis 8:14:
E, no segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.
Isso foi no ano seiscentos e um da vida de Noé. Em outras palavras, ficaram na arca por mais de um ano. Alguns comentaristas fazem as contas exatas e dizem um ano e duas semanas. Alguns dizem um ano e um mês. Não sei — mais de um ano.
Por que menciono isso? Porque finalmente haviam chegado. Finalmente descansaram. E não houve palavra de Deus por mais duzentos dias.
Ficaram simplesmente sentados ali — descansando —, sem uma palavra de Deus.
Não leiam isso como quem diz “lá, lá, lá”. Garanto a vocês que uma das experiências mais difíceis que terão na vida é aprender todas essas coisas e achar que chegaram, só para descobrir que não há palavra de Deus. Ele não está falando. Ele não está se pronunciando.
É uma descoberta que muda a vida perceber que toda aquela direção que você achava ter, por meio de todo aquele belo ensino, era, na verdade, apenas estar à deriva. Toda aquela luz que você achava ter era apenas escuridão. O descanso que você achava ter era apenas uma paralisação.
E lá está você.
Você diz: “Bem, recebi a revelação de Cristo. Aprendi como permanecer em Cristo. Agora que estou permanecendo em Cristo e não estou preocupado com todas aquelas obras, estou aprendendo, estudando e recebendo instrução”.
“Pergunte-me sobre identificação — eu lhe falarei sobre identificação. Pergunte-me sobre a soberania de Deus — vamos discutir o assunto. Vamos bater um papo teológico sobre a soberania de Deus. Tenho algumas ideias, e podemos conversar sobre elas.”
“Pergunte-me sobre segurança — eu lhe falarei sobre segurança eterna. Vou lhe falar sobre separação. Vou lhe falar sobre a igreja e o corpo de Cristo. Vou lhe falar sobre unidade e sobre a família de Deus.”
E lá estamos nós, sentados num monte, sem uma palavra de Deus.
As verdades da identificação são lindas, mas, irmãos, isso não é Jesus. Não é Jesus.
A eleição é algo lindo. Não é Jesus. Não é Cristo.
A segurança — como eu a amo, especialmente desde que minha esposa entrou nessa realidade. Amo a verdade da segurança. Mas ela não é Ele.
A vontade de Deus não é o Deus a Quem essa vontade pertence.
A vida do corpo pode estar sem a Cabeça. Pode estar sem a Cabeça.
A vida cristã precisa ser mais do que legalismo. Então você diz: “Está bem, doutrina”. Mas chega um momento em que, conhecendo todas aquelas grandes verdades, você está simplesmente sentado no topo de um monte, e seu coração está dizendo: “Tem de haver mais do que isso”.
“Tem de haver mais do que conhecer toda essa verdade. Estudei isto; estudei aquilo. Minha cabeça está cheia. Sei tudo. Mas onde está o Senhor? Onde está o Senhor? Onde está o relacionamento com Ele?”
Conhecer tudo isso e ser um estranho para Aquele que está sendo representado por isso — não há dor espiritual que eu já tenha experimentado maior do que ficar sem uma palavra do céu.
Ele precisa falar com você. Precisa ministrar a você. Precisa revelar a Si mesmo. Mas, quando o céu está fechado, é um inferno na terra.
Irmãos, espero que vocês entendam onde está meu coração e o que estou tentando lhes dizer: todas essas doutrinas, todo o ensino e toda a luz podem ser simplesmente estar à deriva e ser levado de um lado para outro por todo vento de doutrina. Seu coração está dizendo: “Preciso de mais”.
Noé não sabia o que fazer, então não fez nada durante dois meses e meio. Depois disse: “Precisamos fazer alguma coisa”. Então subiu, retirou a cobertura e olhou para fora. Disse: “Sabem, as coisas estão começando a secar”.
“O que você vai fazer?”
“Tenho medo de fazer qualquer coisa. Não vamos fazer nada.”
Três semanas depois, ainda não havia palavra de Deus. Ele disse: “Bem, não podemos ficar sentados aqui para sempre. Deus não está vindo. O que vamos fazer? Vamos soltar algumas aves. Vamos soltar o corvo e a pomba”.
Ele soltou as aves. Vocês conhecem a história; Tom vai tocar nesse assunto. As aves voltaram, e ainda não havia palavra de Deus.
Então ele esperou mais um mês. Vejam, nós simplesmente lemos isso como quem diz “lá, lá, lá”. Ele esperou mais um mês sem uma palavra do céu, e seu coração clamava por mais.
Pelo menos, quando Noé estava fora da arca, estava ocupado construindo a arca. Tinha algo para fazer. Quando estava subindo na arca, tinha algo para fazer: estava aprendendo coisas, aprendendo doutrina, recebendo ensino, reunindo todas essas informações.
Mas agora estava apenas sentado ali. Para onde se vai a partir daqui?
Era apertado. Era escuro. Tinha mau cheiro. “Preciso de espaço para me mover. Preciso de liberdade. Tem de haver mais.”
A doutrina havia ficado aquém do que ele pensava, do que nós pensamos, que ela deveria ser.
Quero encerrar com um versículo: Gênesis 8:15.
Então Deus falou a Noé, dizendo:
Depois de 255 dias, Deus falou com Noé. O que Ele disse depois de todo aquele tempo?
Muito bem, Tom vai continuar a partir daí. Vamos encerrar com “Deus falou a Noé, dizendo” — deixando o suspense.
Quero deixar vocês nesse ponto, porque o que quero que enxerguem é que precisamos da revelação de Cristo. Precisamos aprender a obedecer ao Senhor permanecendo em Cristo.
À medida que somos identificados com Ele, ressuscitamos com Ele e descansamos com Ele, a doutrina é algo maravilhoso. Mas ela não é Ele.
Enquanto você não tiver essa união, esse relacionamento com Ele, não entra na santificação.
Revelação, permanência, ensino, santificação.
Não sei onde você está nessa pequena ilustração, mas conheço muitos irmãos que não conseguem passar da doutrina. Isso é tudo o que querem fazer. “Temos ensino. Precisamos aprender. Precisamos entrar nessa realidade. Vamos aprender isto e aprender aquilo.”
É tudo intelectual, enquanto o coração clama: “Quero o Senhor. Quero conhecê-Lo. Quero ter uma união íntima com Ele. Quero ter a permanência que conduz a uma vida frutífera”.
Bem, Tom vai nos conduzir ao passo final. Vamos orar juntos.
Pai, nós Te agradecemos. Muito obrigado por tudo o que nos ensinaste. De maneira nenhuma queremos diminuir a verdade de Deus, mas também não queremos ser crianças levadas de um lado para outro por todo vento de doutrina verdadeira.
Abre o Teu céu. Fala conosco, Senhor. Não nos deixes no silêncio. Precisamos que fales.
Leva-nos adiante no conhecimento de Cristo no coração. Obrigado por esta ilustração, e pedimos que operes sua realidade em nossos corações. Oramos em nome de Jesus. Amém.