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    The Discerning Bride © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Discerning Bride
    The Discerning Bride
    Graham, Mac

    Simplicidade e pureza da devoção a Cristo

    Nesta manhã, vamos abrir em 2 Coríntios 11. Vamos ler os quatro primeiros versículos.

    Quisera eu que me suportásseis um pouco de insensatez; mas, de fato, vós me suportais.
    Porque zelo por vós com zelo de Deus; pois vos tenho desposado com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem pura.
    Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, as vossas mentes sejam desviadas da simplicidade e pureza da devoção a Cristo.
    Pois, se alguém vem e prega outro Jesus, a Quem não temos pregado, ou recebeis um espírito diferente, que não recebestes, ou um evangelho diferente, que não aceitastes, vós o suportais muito bem.

    Vamos orar.

    Senhor, até mesmo aquele pensamento com que começamos nesta manhã, de permanecer firmes nas Tuas promessas — somos gratos pela plenitude de todas as Tuas promessas e por serem todas sim e amém em Cristo.

    Senhor, ao nos achegarmos agora à Tua Palavra, temos Aquele que foi prometido, o Consolador, o Espírito Santo, esse Paráclito, para tomar estas palavras escritas numa folha de papel e fazer delas palavras de vida implantadas em nosso coração.

    Senhor, nós nos achegamos e nos oferecemos a Ti. Cantamos sobre a Tua vinda; cantamos: “Maranata”. Mas, Senhor, sabemos que, se não permitirmos que Tu faças essa obra de nos preparar e nos atrair a Ti, estaremos simplesmente impedindo o Teu retorno, em vez de apressá-lo.

    Portanto, Senhor, ao nos achegarmos hoje, queremos estar abertos ao Teu Espírito, para que Tu possas falar ao nosso coração e à nossa vida e continuar despertando em nós esse afeto, esse amor e esse anseio mais profundo de que a noiva seja preparada.

    Senhor, somos tão gratos por esta grande salvação. Apropriamo-nos da provisão que temos em Ti para este dia. Em nome de Jesus, amém.

    O propósito divino da devoção a Cristo

    Estes versículos de 2 Coríntios têm estado em meu coração ultimamente por causa dos dias em que vivemos. São dias em que há uma grande batalha e um grande conflito em andamento. Há muitas coisas, tanto dentro como fora de nós, que estão tentando afastar de Cristo a nossa devoção.

    O Senhor tem um desejo: que sejamos aqueles que mantêm o foco em Seu Filho amado. O inimigo não quer apenas enfraquecer essa devoção pessoal; ele também está tentando enfraquecer o testemunho de Jesus.

    Por isso, queremos considerar estes versículos, para que sejamos encorajados nestes dias, vejamos a necessidade desse relacionamento vital e, por Sua graça e por Seu Espírito, vejamos esse relacionamento crescer e se fortalecer.

    Muito disso veio ao meu coração enquanto o irmão Kong compartilhava sobre aqueles casamentos da Bíblia. Ele começou com aquele casamento no início da Bíblia, e depois temos aqueles dois casamentos no final da Bíblia. Vemos esse pensamento do casamento ao longo de toda ela.

    Isso nos dá uma bela imagem do coração e do propósito de Deus para o homem. Deus tem esse desejo de que haja essa união — essa união ininterrupta, intacta, imaculada — entre Deus e o homem. Ele zela por isso, e Seu zelo é tão grande que enviou Seu Filho para morrer por nós, para que pudéssemos ser trazidos de volta ao lugar onde deveríamos estar.

    Há esse desejo de que tudo o que é de Cristo possa realmente ser preparado, e de que possamos ouvir estas palavras:

    A noiva a si mesma se aprontou.

    Como temos ouvido, isso não vem de nós mesmos.

    Não é que tenhamos uma parte boa e uma parte má do nosso eu. Tudo o que procede do eu, aos olhos do Senhor, é mau. É ruim. Não há nada de bom, não importa o que digamos, não importa o que façamos, não importa quantas boas obras realizemos.

    Nada que procede de nós mesmos entra na eternidade. É simplesmente aquele elemento, aquela porção de Cristo, aquele depósito, aquela riqueza de Cristo que temos permitido que o Espírito Santo, por meio da cruz, opere dentro de nós.

    Essa realidade é o que entra na eternidade. Essa é a realidade da qual o Espírito pode dar testemunho e fazer ecoar:

    A noiva a si mesma se aprontou.

    Esse é realmente o encargo de Paulo por esses queridos irmãos em Corinto. Ao escrever-lhes, ele não está escrevendo simplesmente para o momento presente. Está escrevendo tendo esse propósito em vista.

    Como vocês podem ver em 2 Coríntios 11:2:

    Zelo por vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem pura.

    Há uma obra presente que o Senhor quer fazer nesses irmãos, mas há também uma obra eterna. Há esse encontro, essa apresentação dessa virgem pura, dessa bem-aventurada, ao Senhor.

    Isso está tão profundamente no coração de Paulo que o leva a falar de zelo. Paulo pode escrever assim a esses queridos irmãos em Corinto porque tem um relacionamento especial com eles.

    Se nos lembrarmos de sua segunda viagem missionária, quando chegou a Corinto, ele passou dezoito meses ali. Imaginem o apóstolo Paulo passando dezoito meses, dia após dia, entre os irmãos e as irmãs de lá. Uma riqueza foi depositada nesses queridos irmãos.

    A partir disso, Paulo tinha um relacionamento com eles. Ele podia derramar seu coração e tratar de questões entre os irmãos em Corinto porque tinha um fundamento. Tinha um relacionamento com eles em Cristo.

    Por causa desse relacionamento, ele os conhecia. E, porque os conhecia, podia perceber que algo não estava certo. Sabemos como, na primeira carta aos coríntios, Paulo observou que havia tanta carnalidade ali e lhes escreveu.

    À medida que eles responderam à primeira carta, ele percebeu que o inimigo estava tentando outra tática: afastá-los da simplicidade e pureza da devoção a Cristo. Com um coração cheio de zelo, ele percebeu isso e cuidou deles.

    O zelo de Deus e o cuidado do amor

    É interessante: uma das características do amor é que, quando você ama alguém, começa a perceber os detalhes mais sutis da vida dessa pessoa.

    Não sei se vocês já perceberam, mas, se sua esposa vai cortar o cabelo, você percebe naquela noite — ou, pelo menos, é bom que perceba. Não acertamos todas, mas às vezes você chega a uma reunião e vê alguém com um novo corte de cabelo, uma barba nova ou sem barba, e diz: “Ah, você está sem barba”. A pessoa responde: “É, tirei a barba há três semanas”. Você não percebe tanto.

    Mas, quando existe esse relacionamento especial, até mesmo com coisas — o que é mais precioso para as pessoas hoje em dia? O celular. Se o seu celular começa a funcionar só um pouquinho diferente, você percebe. Ele não está respondendo; alguma coisa não está certa.

    Aquilo que valorizamos e guardamos como um tesouro no coração, percebemos rapidamente. Como Paulo tinha esse coração pelos irmãos em Corinto, ele percebeu rapidamente. Disse: “Vocês estão começando a ser desviados da simplicidade e pureza da devoção a Cristo”.

    Ele usa uma palavra que pode soar estranha. Diz: “Tenho ciúmes de vocês”. Muitas vezes pensamos no ciúme como uma palavra negativa, mas o ciúme, em si mesmo, é uma palavra neutra. A questão é o objeto e o desejo envolvidos.

    O que me ajuda é pensar em duas maneiras diferentes de expressar isso. Quando você tem ciúme de alguma coisa ou inveja de uma pessoa, isso é negativo, porque há algo em você que deseja alguma coisa para si mesmo ou para seu próprio interesse egoísta.

    Mas Paulo diz: “Eu zelo por vocês”. Ele zela pelo que é do Senhor neles. Não se trata dele mesmo; ele zela pelos interesses de Deus. Não devemos ter ciúmes de coisas nem inveja de pessoas, mas devemos zelar pelo Senhor.

    A palavra grega para ciúme é a mesma que usamos para zelo. Muitas vezes, no Novo Testamento, quando é usada positivamente, ela é traduzida como “zeloso”. Mas poderia igualmente ser traduzida como “ciumento”.

    Falamos de zelo segundo Deus; isso é ciúme segundo Deus. É exatamente a mesma palavra. Em inglês, usamos “zeloso” para nos ajudar a compreender o sentido positivo, mas, em grego, é a mesma palavra. O contexto mostra se o sentido é positivo ou negativo.

    Portanto, de uma maneira muito positiva, Paulo zela por eles aqui. Ele os está lembrando desse chamado de Deus sobre a vida deles: haviam sido desposados com o Senhor; estavam comprometidos com Ele.

    A virgem pura e a devoção de um coração indiviso

    Paulo tinha esse desejo de apresentá-los como virgem pura. Naquele período de noivado — e, naqueles dias, era algo bastante formal —, não era como essa maneira casual de hoje: ficamos noivos, terminamos, ficamos noivos de novo e terminamos outra vez. Era algo firmado.

    Durante aquele tempo, a noiva se ocupava de uma só coisa: preparar-se para o dia do casamento. Não se ocupava de outras coisas.

    É por isso que Paulo usa essa expressão dupla que soa estranha em inglês: “virgem pura”. Você para e pensa: “Como pode haver uma virgem impura?” Mas ele está tentando acrescentar ênfase aqui.

    Paulo não está falando simplesmente do aspecto físico. Está falando espiritualmente — daquela virgem, daquela que foi separada para o Senhor. Está acrescentando ênfase: esta é uma virgem pura, uma virgem de coração indiviso, com um só desejo e um só propósito em vista: preparar-se para o Senhor.

    Ela não tem um coração dividido. Durante esse tempo de noivado, há uma só coisa em seu coração. Às vezes, podemos nos manter como essa virgem, purificados, mas nosso coração pode se tornar dividido e ocupado com outras coisas.

    Paulo está dizendo: “Não, não tenham esse coração dividido. Uma coisa, uma só coisa: o desejo de vocês é serem preparados para esse maravilhoso dia de casamento”.

    Paulo zela por eles. Esse é o mesmo chamado de Deus sobre nós hoje. Nestes dias de confusão e de tudo o que estamos vivendo, esses versículos são muito relevantes para o nosso tempo.

    Assim como Paulo percebeu o perigo de serem desviados, nós também precisamos estar atentos a isso hoje.

    Paulo diz em 2 Coríntios 11:3:

    Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, as vossas mentes sejam desviadas da simplicidade e pureza da devoção a Cristo.

    Simplicidade e pureza na devoção

    Estas duas palavras, “simplicidade e pureza da devoção”, aparecem na tradução New American Standard. Nem todas as traduções têm exatamente essa expressão, mas a New American Standard a apresenta para enfatizar com clareza aquilo de que se está falando.

    Quando pensamos em simplicidade, isso significa simplesmente algo único. Não é complexo. Há um coração inteiramente voltado para o Senhor. Nada lhe foi acrescentado.

    A complexidade muitas vezes surge quando nos afastamos da simplicidade, acrescentando alguma coisa na tentativa de melhorá-la. Quanto disso se faz no cristianismo hoje? Afastamo-nos da simplicidade que temos em Cristo porque as pessoas estão tentando acrescentar algo: “Ah, isso vai tornar você melhor. Isso vai fazer isto. Isso vai fazer aquilo”.

    Os colossenses caíram nessa armadilha: “Se você fizer isso, será mais espiritual”. É um afastamento daquela simplicidade em Cristo. Trata-se de ter um único foco.

    Não confundam simplicidade com simplificar alguma coisa por causa da nossa própria preguiça mental. Não, não é preguiça mental. Há uma simplicidade ali, e as coisas do Senhor são simples. São simples, mas profundas.

    Quando participamos desta mesa, é uma mesa simples: Seu corpo partido, Seu sangue derramado. Mas há uma profundidade em tudo aquilo de que esta mesa fala.

    Viemos todos os domingos e participamos desta mesa, e a cada domingo vemos outro aspecto, outra verdade profunda, outra realidade de tudo o que ela expressa. Toda vez que temos um batismo, embora você conheça o batismo e já o tenha experimentado, vê a realidade, e uma profundidade maior se revela.

    Quanto mais voltamos à simplicidade de Cristo, simplesmente mantendo os olhos voltados para Ele, mais as riquezas de Sua própria vida começam a se revelar a nós, de maneira mais plena e maior.

    Isso também fala de ser puro. Mais uma vez, significa estar livre de impurezas, sem mistura alguma. Quando você tem algo puro e mistura alguma coisa a ele, você o dilui e o corrompe.

    As pessoas podem tentar melhorá-lo, mas pureza é ausência de mistura. Simplicidade e pureza não são palavras muito populares nos dias em que vivemos, mas são palavras absolutas, não relativas.

    Hoje gostamos muito da relatividade, mas essas palavras são muito absolutas.

    Estávamos com os jovens no ano passado e examinamos estes versículos de outra perspectiva. Tínhamos um recipiente grande de vidro cheio de água — um galão, mais ou menos —, e parecia água pura. Eu até comprei água purificada na loja.

    Tínhamos uma pequena gota de corante alimentício. Se você coloca uma gota de corante naquele recipiente de água, a olho nu ela parece exatamente a mesma. Mas, na realidade, agora está impura.

    Muitas vezes, em nossa vida cristã, por fora podemos parecer os mesmos. Podemos até ter a sensação de que estamos bem. Mas há uma gota, depois outra gota, e mais outra, e finalmente nossa impureza se torna evidente.

    Será que temos sensibilidade para perceber como até a menor impureza, o menor afastamento da simplicidade e pureza da nossa devoção exclusiva a Ele, nos afeta? Será que temos sensibilidade para dizer: “Espere um pouco. Estou acrescentando alguma coisa. Estou tirando alguma coisa de Cristo”?

    É por meio desse coração indiviso que a noiva pode se aprontar e se preparar.

    Sensibilidade ao pecado e à santidade

    No fim de semana passado, estivemos em Flushing. Eles nos haviam pedido que fôssemos compartilhar sobre como podemos manter um bom testemunho cristão diante da comunidade LGBT.

    Uma das coisas de que falamos foi como até mesmo o pecado se tornou relativo hoje. Em vez de o pecado ser absoluto, torna-se relativo. Consciente e inconscientemente, temos tratado o pecado da homossexualidade de maneira sensacionalista e lhe dado uma dimensão desproporcional em relação a outros pecados.

    Não se enganem: é pecado. Mas, em relação aos outros pecados, é realmente pior? Deus odeia o pecado. No entanto, temos dado a esse pecado tamanho destaque.

    Se vocês olharem 1 Coríntios 6:9-11, Paulo nos dá um exemplo de como escreve sobre isso. Podemos acabar nos concentrando em um pecado específico — e podem ser pecados diferentes para pessoas diferentes — e lhes dar um destaque maior.

    Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis;
    nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os homossexuais, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os estelionatários herdarão o reino de Deus.
    E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.

    Graças a Deus, não para por aí. Paulo o inclui entre outros pecados. Assim como temos esse problema de tratar alguns pecados de maneira sensacionalista, temos um problema equivalente no cristianismo hoje: tornarmo-nos insensíveis a outros pecados.

    Acostumamo-nos a certos pecados e não percebemos o quanto Deus os odeia. Estamos insensíveis a eles nestes dias maus.

    Percebemos o quanto Deus odeia o orgulho? Falamos de cobiça, mentira, rivalidade, semear discórdia entre irmãos, hipocrisia, fofoca, ciúme e desperdiçar tempo precioso com coisas frívolas.

    Talvez a questão não seja termos dado destaque maior a alguns pecados; talvez seja termos nos tornado insensíveis a outros.

    Ouvimos alguém compartilhar, a respeito da vida cristã normal, que a razão pela qual muitos de nós não vivemos a vida cristã normal não é que ela seja uma vida supercristã, mas que tantos de nós estamos vivendo abaixo do padrão cristão — uma vida abaixo do normal. Isso faz a vida normal parecer tão elevada.

    O padrão está sendo restaurado: Deus odeia o pecado, e Ele tem a mesma resposta para o pecado — o sangue do Cordeiro. Graças a Deus por isso.

    Mas parece que, em todo o cristianismo hoje, perdemos o espírito de santidade. Tornamo-nos insensíveis ao pecado.

    É sobre isso que Paulo está escrevendo. Ele quer que voltem àquela simplicidade e pureza da devoção a Cristo. Quando nos tornamos insensíveis ao pecado, impedimos a ação do Espírito Santo dentro de nós.

    Nestes dias maus e críticos, quanto mais perdemos nossa sensibilidade ao pecado, mais insensíveis nos tornamos ao mover do Espírito Santo e às coisas espirituais. Deixamos de reconhecer o que está acontecendo.

    Nesse estado de insensibilidade, podemos recorrer a ações da alma para tentar substituir as coisas do Senhor. É por isso que há uma grande obra de purificação que Deus deseja realizar entre Seu povo neste tempo.

    À medida que essa purificação prossegue, à medida que ocorre essa obra de separação entre alma e espírito, esse é o processo pelo qual a noiva se apronta. Isso se torna muito prático em nossa vida diária — a sensibilidade que temos.

    Se alguém tem detectores de fumaça ou de movimento em casa, sabe que, se não tirar a poeira e deixar que ela se acumule, eles perdem a sensibilidade. O sensor não consegue reconhecer quando alguma coisa está acontecendo.

    É como permitir que o pecado e a poeira deste mundo obscureçam nosso espírito, de modo que não sejamos sensíveis ao que não é do Senhor. Então, por causa disso, deixamos de perceber o que o Senhor está fazendo.

    Ele está nos chamando a voltar a Ele e a permitir que, de maneira renovada, crie em nós esse espírito sensível, para que possamos reconhecer Seu mover nestes últimos dias.

    A astúcia do inimigo

    Paulo diz: “Conheço a astúcia do inimigo”. Ele sempre foi astuto. Lembrem-se da história de Eva. Pela astúcia do inimigo, as mentes foram desviadas. Havia uma armadilha ali.

    Paulo não queria que esses irmãos caíssem nessa armadilha. Desejava que fossem libertos para seguir o Espírito e seguir o Senhor, e que, quando o inimigo viesse, não caíssem nem mesmo na armadilha de entrar em diálogo com ele.

    Infelizmente, conhecemos a história no jardim do Éden. Deus havia dito que eles poderiam comer livremente de qualquer árvore, mas não poderiam comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

    O inimigo tentou Eva e a desafiou de duas maneiras. Primeiro, questionou a Palavra de Deus. O ataque foi contra a Palavra de Deus.

    Apreciei o que Kenny mencionou sobre como o Senhor tem enfatizado em nosso coração o valor da Palavra de Deus — de lê-la e permanecer nela —, porque, desde o início, vemos que o inimigo atacou a Palavra de Deus.

    Foi isso que Deus disse? Foi isso que Deus disse?

    Vemos esse ataque continuar hoje.

    Eva tentou acrescentar alguma coisa à Palavra. Em vez de a Palavra permanecer simples, ela acrescentou alguma coisa, como se a Palavra precisasse de uma pequena ajuda: “Vou acrescentar algumas frases para torná-la mais forte”. Ao fazer isso, tornou-a complexa e perdeu sua simplicidade.

    Não apenas a Palavra está continuamente sob ataque, mas a autoridade de Deus também está sob ataque. O inimigo questionou a autoridade de Deus.

    Enquanto Eva tentou acrescentar à Palavra, o inimigo estava diminuindo a autoridade de Deus. Ele disse:

    Sereis como Deus.

    Isso coloca Deus no nosso nível. Questiona e deixa de reconhecer a verdadeira autoridade de Deus.

    Aquilo que estava dentro de Eva era a mesma coisa que estava em Lúcifer e que o transformou em Satanás: o orgulho.

    A questão do orgulho se manifesta de muitas maneiras. Como mencionei alguns daqueles outros pecados, o orgulho é realmente a raiz de quase todos eles. Não sei se podemos ser absolutos e dizer que é a raiz de cada um deles, mas pensem em ciúme, mentira, inveja e cobiça.

    Há um desejo orgulhoso de se elevar. Por que você menospreza os irmãos? Por que reclama dos irmãos? Porque quer se elevar. “Você sabe mais. Eu posso fazer isso melhor. Eles não sabem falar. Eles não sabem fazer isso.”

    Há uma questão de orgulho em nosso coração, e isso precisa ser tratado nos dias em que vivemos.

    Esperamos que o mundo questione a Palavra de Deus e a autoridade de Deus. Mas o trágico hoje é que vemos muito disso vindo até mesmo do cristianismo.

    Infelizmente, dentro do cristianismo hoje, a Palavra de Deus não tem a autoridade que tinha antes. Infelizmente, dentro do cristianismo, o próprio Deus não tem a autoridade que tinha antes. Ela está sendo questionada nestes dias.

    É por isso que não devemos ser pegos desprevenidos nem envolvidos nessa armadilha, mas permanecer nesse lugar de relacionamento íntimo e pessoal com Ele.

    Precisamos estar atentos à astúcia com que o inimigo enganou Eva. Há uma sutileza no inimigo. Às vezes, não é sutil; é evidente. Outras vezes, é muito sutil.

    Se nossos sentidos forem treinados para reconhecer as maneiras sutis pelas quais o inimigo tenta entrar, atacar nossa devoção ao Senhor e enfraquecer Seu testemunho, poderemos permanecer firmes. Esse é o processo de treinamento pelo qual o Espírito quer nos ensinar.

    Quanto mais conhecemos o que é Dele, mais somos capazes de reconhecer o que não é Dele.

    O Cristo que age com propósito em tempos de crise

    Quando chegamos ao final do Novo Testamento, a igreja já estava num tempo de crise. Muitas coisas estavam entrando, e os crentes estavam sendo desviados dessa simplicidade e pureza. Isso tem continuado até hoje.

    Mas, entre os escritores do Novo Testamento, especialmente em suas palavras finais, há um tema comum, um fio condutor. A resposta para toda crise é Jesus Cristo.

    A resposta para toda crise em nossa vida, toda crise pela qual uma assembleia passa, toda crise pela qual o povo de Deus passa, é Jesus Cristo. Não é alguém tornando a América grande novamente. É Deus nos trazendo de volta à simplicidade e pureza da devoção a Ele.

    É isso que nos fortalece e nos permite atravessar essas situações. Mas entendam o que estou dizendo: não se trata simplesmente de voltar a Jesus Cristo. Trata-se de voltar Àquele que estou chamando de Cristo que age com propósito — o Cristo do propósito.

    Não é apenas ver Cristo como uma pessoa, mas ver Cristo como aquela Pessoa que tem um propósito. Em todos os Seus movimentos ao longo das Escrituras, Ele está agindo com propósito.

    Ao nos achegarmos ao Cristo que age com propósito, Ele nos capacita a prosseguir, porque tem a eternidade em vista. Ele tem aquele propósito eterno em vista. Cada um desses queridos irmãos, ao encerrar seus escritos no Novo Testamento, tem no coração esse Cristo que age com propósito — Seu coração e Seu propósito.

    A exortação final de Paulo a Timóteo

    A última carta de Paulo foi 2 Timóteo. Ela é frequentemente chamada de o último testamento de Paulo. Ele está na prisão e se preparando para morrer, e envia essa carta a Timóteo para fortalecer e encorajar esse jovem.

    Como ele faz isso? Quais são as expressões que Paulo usa para encorajar Timóteo? Em 2 Timóteo 2:1, ele diz:

    Fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus.

    Mais adiante nesse capítulo, em 2 Timóteo 2:8, ele diz:

    Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos.

    Mas ele não para por aí. Há um propósito em vista para Timóteo. Paulo não está apenas conduzindo Timóteo de volta a lembrar-se de Jesus Cristo e a crescer na graça que está Nele.

    Por que ele está compartilhando isso? Para que Timóteo, como prossegue em 2 Timóteo 2:2, possa confiar a homens fiéis as coisas que viu, ouviu e conhece do Senhor. Ele pode compartilhá-las com pessoas fiéis, para que continuem fortalecendo o testemunho muito depois de sua partida.

    Há um propósito em vista. Paulo está trazendo Timóteo de volta a Cristo para que ele veja o propósito de Cristo e continue carregando a tocha do testemunho.

    O chamado celestial em Hebreus

    Pensem em Hebreus. Não sabemos realmente quem escreveu Hebreus. Pessoalmente, penso que foi José — mas qual era o outro nome de José? Barnabé. Eu só estava vendo quem estava acordado.

    Pelo menos assim sei que alguns de vocês estão ouvindo. Mas voltemos a Hebreus.

    Eram pessoas que estavam seguindo o Senhor, mas, como os tempos estavam ficando difíceis e elas estavam sendo pressionadas, começavam a voltar ao judaísmo e a alguns de seus antigos costumes.

    O escritor as exorta:

    Não negligencieis tão grande salvação.

    Essa grande salvação nos trouxe a promessas melhores, as promessas pelas quais adoramos o Senhor hoje. Não negligenciem tudo isso.

    Como ele faz isso? Ele os traz de volta a Cristo. Em Hebreus 3:1, diz:

    Santos irmãos, participantes de uma vocação celestial, considerai Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão.

    Ele os traz de volta a Cristo, mas os lembra de que há esse chamado celestial sobre a vida deles. Quando você volta a Cristo, isso coloca as coisas novamente na perspectiva correta.

    Mais adiante, em Hebreus 12:1-3, ele os encoraja a prosseguir. Estou parafraseando:

    Fixem os olhos em Jesus.
    Em meio a esta corrida que lhes está proposta, fixem os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da fé.
    Corram com perseverança a corrida que lhes está proposta.

    Ele quer que terminem bem, cumpram o propósito de Deus e corram de tal maneira que recebam aquela coroa.

    O crescimento na graça e no conhecimento

    Vocês podem ver como esses escritores trazem os crentes de volta a Cristo, mas é Àquele que estou chamando de Cristo que age com propósito. Eles procuram descrever tudo o que o Senhor deseja alcançar.

    Mesmo quando chegamos a 2 Pedro, esse é o último testamento de Pedro aos crentes que haviam sido dispersos. Pedro sabe que também está prestes a morrer.

    Pedro quer trazer as coisas de volta à memória deles — aquilo que compartilhou, o que ouviram e o que conhecem do Senhor. Ele os lembra do Senhor e de Seu reino eterno.

    Ele encerra 2 Pedro com uma bela oração e uma palavra de encorajamento. Em 2 Pedro 3:17-18, diz:

    Vós, pois, amados, sabendo isso de antemão, acautelai-vos, para que não sejais arrastados pelo erro de homens sem princípios e caiais da vossa própria firmeza;
    antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
    A Ele seja a glória, tanto agora como até o dia da eternidade. Amém.

    Esse conhecimento não é meramente um conhecimento mental. É um conhecimento pela experiência. É conhecê-Lo de maneira real em sua vida, à medida que você experimenta todas as verdades que temos Nele.

    Pedro percebe que há muitos falsos mestres e falsos ensinos. Ele diz: “Continuem crescendo na graça. Cresçam no Senhor”, tendo o reino em vista.

    Temos a tendência de separar as coisas de Cristo. Cristo pode ser separado do reino? Ele é o reino.

    Começamos a separar Dele as coisas que são Dele, e então nos desviamos. Tornamos tudo complexo. Quando você diz Cristo, Cristo é o reino. Não é Cristo mais o reino.

    É isso que Pedro está procurando incentivar: ao verem Cristo, vocês veem Seu coração e Seu desejo de que a noiva seja preparada.

    Comunhão e unção nas epístolas de João

    Então chegamos às epístolas de João. As três epístolas de João são suas três últimas cartas, as últimas cartas escritas no Novo Testamento, bem no final do primeiro século.

    O ministério de João era um ministério de restauração entre os crentes. Ele estava restaurando as coisas vitais e essenciais que eles haviam perdido.

    O que vocês percebem ao longo das cartas de João? Seu encargo é a restauração daquela questão fundamental: ter comunhão viva e íntima com o Senhor e uns com os outros.

    É comunhão — conhecê-Lo e compartilhar essa vida juntos. João via como era vital conhecermos a unção que temos dentro de nós.

    Irmãos e irmãs, muitas vezes oramos por unção, e há lugar para isso. Mas frequentemente deixamos de perceber que já temos a unção dentro de nós. Trata-se de, pela fé, nos apropriarmos dessa unção.

    Temos Cristo, o Ungido, vivendo dentro de nós. Permitimos que essa unção se manifeste? Tudo o que temos são as riquezas de Cristo.

    João deseja que conheçam mais de Cristo e que Cristo os capacite a continuar, embora houvesse muitos anticristos ao redor e muita coisa acontecendo contra Cristo.

    A revelação de Jesus Cristo

    Finalmente, chegamos ao livro de Apocalipse. É o último livro, conforme a ordem dos livros na Bíblia. Mas qual é o título desse livro? É A Revelação de Jesus Cristo.

    Cada um desses queridos irmãos, ao escrever em tempos de crise, se concentra em Cristo. Mais uma vez, é com um propósito em vista. Vemos Cristo para que possamos prosseguir.

    Apocalipse atrai nosso coração a Ele. Fala de muitos acontecimentos e sequências, mas o foco — a questão principal — é ver Cristo. Se vemos Cristo, as outras coisas se encaixam, porque Ele é o caminho para atravessar qualquer situação em que nos encontremos.

    Quando pensamos naquelas sete cartas em Apocalipse 2–3 — quer tenhamos abandonado nosso primeiro amor, estejamos sofrendo, tenhamos feito concessões, tenhamos falso ensino, pareçamos mortos, sejamos fiéis ou estejamos mornos —, qual é o chamado?

    O chamado é voltar a Cristo. É permitir que a vida Daquele que venceu seja expressa por meio de nós, para que vençamos.

    Onde esses vencedores chegam? Esses vencedores são os convidados para aquela ceia das bodas em Apocalipse 19. Há aquele testemunho:

    A noiva a si mesma se aprontou.

    Não amaram a própria vida até à morte.

    Permitiram que aquela separação entre alma e espírito os preparasse de tal maneira que permanecessem num lugar de simplicidade e pureza em Cristo.

    O chamado para voltar a Cristo

    O Senhor está nos chamando de maneira semelhante hoje. Está nos chamando a voltar. Tornamo-nos tão complexos em tudo.

    Mas o Senhor quer nos trazer de volta, não simplesmente por nossa causa, mas por Sua causa — para Seu propósito, para Seu coração e para que O vejamos como o caminho da vida.

    À medida que Sua vida é manifestada em nós, à medida que Sua vida opera dentro de nós, o que começamos a ver? As justiças dos santos — os atos de justiça dos santos — se manifestam.

    Eles são uma resposta. Não é que tenhamos nossa própria justiça para oferecer. Mas, ao vê-Lo, respondemos em obediência, e os atos de justiça dos santos se manifestam.

    O Senhor tem nos falado sobre isso há bastante tempo: voltar a Ele e realmente permitir essa obra.

    Temos de nos perguntar: realmente pensamos que somos diferentes dos coríntios? Às vezes podemos olhar com desprezo para os de Corinto por causa de toda a sua carnalidade.

    Mas realmente pensamos que somos melhores do que os coríntios? Dizemos: “Bem, aquilo era Corinto. Eles tinham tanto pecado, tanta divisão, tantos problemas. Mas olhem para nós. Estamos juntos há quarenta anos. Temos um ótimo site, o Christian Tape Ministry, um ministério de testemunho que alcança o mundo inteiro. Temos a Christian Family Conference. Não somos como Corinto”.

    Isso nos coloca abaixo de Corinto. Estamos em situação pior do que a deles. Precisamos despertar e ver nossa condição em Cristo, e então tudo o que Cristo quer fazer em nós para nos fortalecer, a fim de que terminemos bem.

    Ele nos chama, de maneira muito simples, a voltar a Ele. Era sobre isso que Paulo estava escrevendo.

    Outro Jesus, um espírito diferente e um evangelho diferente

    O que Paulo percebeu enquanto escrevia? Há realmente três questões que Paulo aborda. Voltem a 2 Coríntios 11:4.

    Pois, se alguém vem e prega outro Jesus, a Quem não temos pregado, ou recebeis um espírito diferente, que não recebestes, ou um evangelho diferente, que não aceitastes, vós o suportais muito bem.

    Vocês toleram isso. Há outro Cristo, um espírito diferente e um evangelho diferente — três coisas que estavam afetando esses queridos irmãos em Corinto. Estão afetando o cristianismo hoje e podem afetar a vida de cada um de nós.

    É por isso que precisamos conhecer o Senhor de tal maneira que sejamos capazes de discernir e julgar o que é Dele e o que não é Dele.

    Outro Jesus

    Quando se diz “outro Jesus”, há duas palavras no grego do Novo Testamento que são traduzidas como “outro”. O grego é uma bela língua. Não sei nada sobre ela; portanto, tudo o que compartilho sobre grego é totalmente plagiado. Deixo isso claro.

    Segundo o dicionário de Vine e alguns desses queridos irmãos, há duas palavras para “outro” em grego. Uma é a palavra de que nos lembramos em João 14, quando Jesus diz:

    Enviarei outro Consolador.

    Isso se refere a Alguém com exatamente o mesmo caráter e a mesma natureza de Cristo. O Espírito Santo veio; é a mesma vida. Eles compartilham a mesma vida.

    A palavra usada aqui é diferente. Na minha paráfrase, significa algo que parece igual por fora, mas é diferente por dentro.

    É como se eu estivesse usando esta camisa e, no almoço de hoje, como normalmente acontece comigo, derramasse alguma coisa nela. Vou e troco por outra camisa que parece exatamente igual a esta. Vesti outra camisa.

    Talvez vocês não consigam perceber a diferença. Ela parece exatamente igual a esta camisa, mas é outra camisa. É assim que outro Cristo se apresenta. Pode parecer Cristo por fora, mas, interiormente, na realidade, é de uma natureza diferente.

    É sobre isso que Paulo está advertindo esses irmãos, para que estejam atentos e reconheçam. Nos últimos tempos, sabemos que haverá muitos falsos cristos. Precisamos conhecê-Lo de maneira muito preciosa.

    Muitas vezes o que acontece — e vimos isso ao longo do Novo Testamento — é que as pessoas fazem disso Cristo mais alguma coisa. Vimos a destruição que os judaizantes trouxeram no Novo Testamento. Aquilo que se acrescenta a Cristo normalmente é algo bom.

    Mencionamos o reino, mas pode ser Cristo e a igreja. Quando separamos Cristo e a igreja e os transformamos em duas entidades, perdemos a preciosidade disso. Cristo é a igreja.

    Ao vê-Lo, quanto mais vemos Dele, vemos a igreja. Assim como, quando O vemos, vemos o reino. Podemos dizer: “Cristo e o propósito eterno de Deus”, mas Cristo é o propósito eterno de Deus.

    Não precisamos separar as coisas e acrescentá-las a Cristo. Há um foco Nele que Ele quer que conheçamos: Cristo e somente Cristo. Não é Cristo mais alguma coisa, mas simplesmente Cristo.

    Foi assim que a confusão afetou as pessoas no Novo Testamento, e pode nos afetar. Podemos nos afastar desse lugar de simplicidade e deixar de distinguir o que é Dele e o que não é.

    É por isso que temos de permitir que o Espírito faça essa maravilhosa obra de separação entre alma e espírito, para que tenhamos esse testemunho interior. Saberemos: “Isto é do Senhor” e “Isto não é”.

    Tragicamente, quando separamos Cristo e a igreja, acabamos com uma seita. Ou temos Cristo e o propósito de Deus, e as pessoas começam a se desviar, olhando para isto ou aquilo. Temos seguidores do reino de um lado, e nos desviamos por causa de coisas boas.

    O bom se torna inimigo do melhor. Temos aquela promessa melhor, uma aliança melhor — que é Cristo —, e o bom pode ser inimigo disso.

    Muitas vezes estamos atentos às coisas ruins e más, mas não percebemos as boas. Essa é a armadilha em que podemos cair. Que sejamos despertados e alertados para reconhecer isso nesta hora.

    Um espírito diferente

    Por fim, Paulo menciona duas outras coisas: um espírito diferente e um evangelho diferente. Infelizmente, a versão King James usa a palavra “outro” aqui, em vez de “diferente”, mas a palavra de fato significa diferente.

    Deveria ser outro Cristo — algo que pode parecer semelhante por fora. Mas aqui é um espírito diferente. É como tirar esta camisa e voltar usando uma camisa branca: totalmente diferente. Não é a mesma coisa.

    É isso que está acontecendo quando Paulo fala de um espírito diferente e de um evangelho diferente. É uma natureza diferente, acrescentando à verdade e à realidade ou retirando delas.

    Há muitos espíritos nestes dias. Sabemos que, nos últimos dias, haverá muitos. Mas conhecemos Sua voz? Estamos nesse lugar de comunhão íntima, de modo que, quando o Espírito diz: “Vá por aqui” ou “Vá por ali”, conheçamos Sua voz?

    Como sabemos que é o Senhor? Como sabemos que é o Espírito Santo nos conduzindo e guiando?

    Aprecio nosso irmão A. W. Tozer. Em seu livro O homem: a habitação de Deus, ele tem um capítulo sobre como testar, ou provar, os espíritos.

    A epístola de João nos diz que devemos provar os espíritos. Uma coisa sobre o Espírito Santo é que Ele nunca Se ofende por ser posto à prova. As coisas do inimigo, da carne e da alma ficam muito ofendidas quando são postas à prova.

    Tozer diz que, sempre que nos deparamos com um novo ensino, uma nova doutrina, uma nova visão da verdade ou uma nova experiência, precisamos perguntar como sabemos se isso vem do Senhor. Ele apresenta sete perguntas.

    Se alguém tiver interesse depois, há cópias dessas perguntas ali sobre a cômoda. Não vão até lá agora e se distraiam. Deixem-me apenas passar por elas.

    Critérios para avaliar influências espirituais

    1. Como isso afeta meu relacionamento com Deus, meu conceito Dele e minha atitude para com Ele?
      Isso me fez amar mais a Deus? Engrandeceu-O aos meus olhos? Purificou meu conceito Dele e O tornou mais maravilhoso do que antes?

    Obviamente, a resposta a cada uma dessas perguntas deve ser sim. Se a resposta for não, cuidado.

    1. Como isso afeta meu relacionamento com o Senhor Jesus Cristo e minha atitude para com Ele?
      Isso tornou Cristo mais indispensável e mais querido para mim? Tirou meu interesse dos meus sentimentos e o colocou em Cristo?

    É manter o foco Nele.

    1. Como isso afeta meu relacionamento com as Sagradas Escrituras e minha atitude para com elas?
      Isso encheu meu coração de maior apreço e de uma fome intensa de estudar e meditar nas Escrituras dia e noite?

    Essas coisas que experimentamos, essas coisas que entram em nossa vida — que efeito têm? Basicamente, estão nos aproximando de Cristo e de tudo o que é Dele, ou há uma distração aqui?

    1. Que efeito isso tem sobre a vida do meu eu?
      Isso me humilhou e me fez ver a mim mesmo como mais vil aos meus próprios olhos? Não há lugar para autoajuda nestes dias.

    1. Como isso afeta meu relacionamento com outros cristãos e minha atitude para com eles?
      Isso me fez amar mais o povo de Deus e me deu maior desejo de estar com ele?

    1. Como isso afeta meu relacionamento com o mundo e minha atitude para com ele?
      Isso diminuiu meu desejo de ter comunhão com o mundo?

    1. Como isso afeta minha atitude para com o pecado?
      Isso afastou meu coração do pecado e o voltou para a santidade?

    Essas são ajudas muito práticas quando falamos dos movimentos do Senhor e das coisas do Espírito. Qual é o fruto disso? Vemos que isso nos aproxima Dele e nos traz de volta a Ele, fazendo-nos enxergar nosso relacionamento com Ele com mais clareza?

    Era isso que estava acontecendo com os queridos irmãos em Corinto. Certos espíritos haviam entrado e começavam a enganá-los, e eles estavam sendo desviados daquela simplicidade e pureza.

    Que aprendamos nesta hora a voltar a Ele e a permanecer nesse lugar do Espírito.

    Um evangelho diferente

    Paulo também fala de um evangelho diferente. Já falamos sobre o evangelho dos judaizantes — Cristo mais alguma coisa.

    Hoje vemos evangelhos sociais: “Façam boas obras”. Graças a Deus pelas boas obras que fazem muito bem nesta terra, mas elas não têm necessariamente valor eterno, a menos que sua origem seja Cristo.

    Temos o evangelho da prosperidade: “Deus quer abençoar você”. Como esse evangelho é popular.

    Temos o evangelho do aperfeiçoamento pessoal: “Deus vai melhorar sua vida”. Deus não tem desejo algum de melhorar a vida do seu eu. Ela foi crucificada com Cristo.

    Ele nos deu uma nova vida Nele, e quer que essa vida cresça.

    Também vemos um evangelho sem cruz, tão popular hoje: “Deus quer que você seja feliz. Não sofra; seja feliz. Se você está sofrendo, não conhece realmente o Senhor”.

    É trágico como esse evangelho sem cruz se infiltrou na vida de tantos.

    Há algum tempo, estávamos conversando com algumas pessoas sobre um casal que conhecíamos, que havia se divorciado e estava em processo de separação. A esposa simplesmente disse: “Deus quer que eu seja feliz, e não sou feliz neste casamento”.

    Não vou entrar em tudo isso, mas vi muitos problemas. Deus nos uniu. É aí que a cruz, a separação entre alma e espírito e o enxergar além de nós mesmos se tornam necessários.

    Não se trata de nós. Trata-se Dele, de Seu coração e de Seu propósito.

    A simplicidade da fé

    Mencionamos 1 Coríntios. Ali vemos como Satanás tentou destruir o testemunho em Corinto por meio de imoralidade, divisão e pecado evidente. Agora ele está usando uma tática diferente. Está tentando, sutilmente, desviá-los para a corrupção.

    Precisamos despertar. Esse mesmo inimigo está trabalhando hoje. Nós também podemos ser desviados para a corrupção por tudo aquilo que tenta se instalar dentro de nós.

    Li uma frase de um irmão que ajuda a mostrar como podemos ser envolvidos nessa armadilha:

    Alguns amam mais o erro complexo do que a verdade simples.

    Alguns amam mais o erro complexo do que a verdade simples. O erro complexo pode fazer você parecer tão espiritual. Você pode dizer: “Uau, posso fazer isto e aquilo. Você pega Ezequiel aqui e isto ali”, e todas essas coisas diferentes fazem você se sentir bem.

    Mas, na verdade, é preciso muito mais fé para crer na verdade simples do que no erro complexo. É preciso uma fé simples para confiar Nele e crer Nele.

    É isso que Paulo está fazendo. Ele está estendendo a mão a esses queridos irmãos e os chamando de volta a esse lugar de simplicidade e pureza em Cristo.

    Graças a Deus, o Senhor permanece o mesmo para sempre. Ele nunca muda. Seu propósito é eterno, e está nos chamando de volta a Si mesmo da mesma maneira nestes dias.

    Mas precisamos estar cientes de que o inimigo também não muda. Ele está tentando todas as táticas possíveis para nos distrair e nos tirar do caminho, para que não estejamos prontos para o retorno do Senhor.

    O zelo pelos interesses do Senhor

    Graças a Deus, assim como lemos a respeito desses coríntios, nós fomos desposados com Ele. Ele nos deseja e zela por nós.

    Há um desejo que acompanha o zelo. Zelamos uns pelos outros? Zelamos uns pelos outros para que todos possamos prosseguir?

    Zelamos pelos interesses do Senhor? Zelamos por Seu coração? Zelamos por Seu retorno? Zelamos para que essa noiva seja preparada?

    Como esse zelo se manifesta? À medida que permanecemos nesse lugar de simplicidade, pureza e devoção a Ele, permitindo que o Espírito Santo faça essa obra simples, mas profunda, de separação entre alma e espírito.

    Não é complicado. Ele tem uma obra que quer fazer, na qual dizemos não a nós mesmos e sim a Ele. É uma obra simples, mas muito profunda.

    Essa é a obra, o chamado que Ele tem para nós: que possamos fazer parte daquela noiva que a si mesma se aprontou.

    Ele zela para que cada um de Seus santos, cada um de Seus queridos filhos, responda ao Seu chamado nesta hora; para que a vida de Cristo seja formada dentro de nós; e para que sejamos um testemunho luminoso em meio a estes dias de trevas.

    Que sejamos aqueles que respondem à Sua graça. Como Pedro disse:

    Crescei na graça.

    Há graça que temos Nele. Há um amor que nos constrange, e tudo isso se encontra em Cristo.

    A graça é uma Pessoa. O amor é uma Pessoa. O conhecimento Dele está numa Pessoa.

    Há uma vida dentro de nós que anseia intensamente por irromper e manifestar a Si mesma neste dia e nos dias que virão. Que sejamos aqueles que simplesmente cooperam com essa vida que temos dentro de nós.

    Vamos orar.

    Senhor, quando Tu começas a tocar nessa questão da simplicidade e pureza, começamos a perceber como rapidamente passamos a amar as coisas complexas.

    Senhor, somos gratos por Tua misericórdia e bondade amorosa, pois Tu nos falas dia após dia por meio da Tua Palavra.

    Queremos realmente ser aqueles que abrem o coração para que Teu Espírito possa fazer essa separação entre alma e espírito.

    Senhor, toca aquelas áreas de nossa vida das quais nem temos consciência, onde permitimos que entrasse insensibilidade ou que entrasse corrupção.

    Traz-nos de volta a Cristo e somente a Cristo.

    Senhor, somos gratos porque não és apenas Tu nos dizendo isso, mas és Tu dentro de nós clamando para que permitamos que faças aquilo que estás aí para fazer.

    Queremos simplesmente cooperar Contigo. Em Teu nome oramos. Amém.