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    The Testimony Of God Revealed © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Testimony Of God Revealed
    The Testimony Of God Revealed
    Pittman, Kenny

    O testemunho de Deus revelado

    Bem, bom dia.

    Gostaria de pedir que vocês abrissem suas Bíblias comigo no último livro, que, como vocês sabem, é o livro de Apocalipse. Vamos ler alguns versículos do último livro da Bíblia e depois alguns de uma parte anterior, para começar a compartilhar as coisas que estão no meu coração.

    Leituras bíblicas

    Começando bem no início de Apocalipse, em Apocalipse 1:1-3. Vocês conhecem estes versículos:

    Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos as coisas que em breve devem acontecer; e Ele a comunicou, enviando-a por intermédio do Seu anjo ao Seu servo João; o qual testemunhou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, todas as coisas que viu. Bem-aventurado aquele que lê, e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas; porque o tempo está próximo.

    Mais adiante, nesse mesmo livro, Apocalipse 12:17:

    E o dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao restante da sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.

    E agora Apocalipse 19:10. Aqui é João quem está falando:

    E prostrei-me diante dos seus pés para adorá-lo. E ele me disse: “Olha, não faças isso. Sou teu conservo e conservo de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o espírito da profecia é o testemunho de Jesus”.

    Agora gostaria de ler alguns versículos do Antigo Testamento. Abram em Êxodo — Êxodo 16. É um dos meus livros favoritos do Antigo Testamento. Começando no versículo 32:

    E Moisés disse: “Esta é a palavra que o Senhor ordenou: Enchei um ômer disto, para que se guarde para as vossas gerações; para que vejam o pão que vos dei a comer no deserto, quando vos tirei da terra do Egito”. E Moisés disse a Arão: “Toma um vaso e põe nele um ômer cheio de maná, e deposita-o diante do Senhor, para que se guarde para as vossas gerações”. Como o Senhor ordenara a Moisés, assim Arão o depositou diante do testemunho, para que se guardasse.

    A Versão Autorizada diz “guarda-o diante do Senhor”, em vez de “deposita-o diante do Senhor”.

    Observem essa palavra: “Assim Arão o depositou diante do testemunho”, ou o colocou diante do testemunho.

    Agora Êxodo 25. Alguns de vocês talvez já tenham lido estes versículos. Versículo 14:

    E meterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para que a arca seja levada por elas. As varas estarão nas argolas da arca; não se tirarão dela. E porás na arca o testemunho que Eu te darei.

    E, finalmente, Êxodo 38:21:

    Estas são as coisas contadas do tabernáculo, do tabernáculo do testemunho, que foram contadas segundo o mandamento de Moisés, pelo serviço dos levitas, sob a direção de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.

    Oração

    Senhor, sempre nos achegamos a Ti quando lemos a Tua Palavra e dizemos: “Senhor, abre a Tua Palavra para nós”. Se Tu não o fizeres, de que adianta? Lembramos do salmista que disse:

    A entrada das Tuas palavras dá luz.

    Esse é o único caminho.

    E nós Te lembramos, repetidas vezes, que Tu tens as palavras da vida eterna. A quem iremos? Fala, Senhor. Enquanto esperamos em Ti, pedimos que tomes alguns destes versículos conhecidos, e outros não tão conhecidos, e sopres sobre eles, para que possamos enxergar neles aquilo que pretendias mostrar, de modo que a Tua Palavra não volte para Ti vazia, conforme a Tua promessa. Em nome de Jesus, amém.

    A centralidade do testemunho

    Bem, acho que está claro, pelo menos pelas palavras e pelos versículos que lemos, que o encargo é o testemunho. Esta palavra, esta única palavra, está muito presente no meu coração há alguns anos. E, mais recentemente, tem estado no nosso coração como irmãos e irmãs há uns dezoito meses, ou até mais, enquanto temos orado sobre passar a tocha do testemunho.

    Vocês vão se lembrar da Conferência da Família Cristã do ano passado. O tema foi Passando a tocha do testemunho. Estas palavras que vou compartilhar com vocês hoje e nas próximas ocasiões, na verdade, já compartilhei em Richmond. Sei que alguns de vocês não se lembram — muitos provavelmente não se lembram — de dez anos atrás. Há dez anos, eu era mais jovem, e vocês também, e provavelmente não se lembram.

    Mas, recentemente, Mari, Bea, Linda e eu tivemos o privilégio de ir aos Países Baixos. Compartilhamos estas coisas em uma conferência cujo tema para o fim de semana era O testemunho de Deus.

    Hoje quero compartilhar a primeira parte. Talvez seja a parte introdutória, mas o assunto é o testemunho de Deus revelado. Creio, irmãos e irmãs, que não devemos deixar de lado este pensamento — aquilo que o Senhor está imprimindo tão profundamente em nós como a necessidade desta geração.

    Esta única palavra é o meu encargo: testemunho. Fico pensando: depois de tanto orarmos, vocês se perguntam: “O que é o testemunho? O que o testemunho realmente significa? Como assumimos a tocha do testemunho? Como passamos a levar esse testemunho?” É uma palavra que temos usado muitas vezes em nossas orações.

    Espero que, ao final desta série, o Senhor ajude a todos nós e lance alguma luz sobre isso. Acho que a palavra testemunho, antes de tudo, é muito familiar aos cristãos. Todos nós conhecemos essa palavra. Entendemos o conceito. Se você é cristão, precisa dar testemunho. Entendemos o conceito do nosso testemunho. Acho que vocês compreendem isso. Dar testemunho é o que devemos fazer. Significa simplesmente testemunhar acerca de algo ou alguém.

    É isso que, a meu ver — e não acho que seja um exagero —, constitui o assunto de toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse. Espero que, depois de compartilharmos algumas coisas nesta manhã, vocês também creiam nisso.

    O testemunho pessoal e o testemunho de Deus

    Quando pensamos em testemunho pessoal, lembramos de 1 Pedro. Sei que muitos de vocês memorizaram esse versículo. É um versículo muito precioso: 1 Pedro 3:15. Ele fala de estar sempre preparado para dar uma resposta, não é? Para explicar a esperança que há em vocês — dar conta da esperança que está em vocês —, mas com mansidão e temor. Isso é testemunho pessoal.

    Como crentes, devemos dar testemunho pessoal. Acho isso absolutamente vital, absolutamente importante, e nunca devemos nos esquecer disso. Mas há algo mais importante do que apenas o nosso testemunho. Há algo mais importante na Bíblia do que apenas o testemunho pessoal.

    Creio que há algo que abrange toda a Bíblia, do início de Gênesis ao fim de Apocalipse: o testemunho de Deus. É disso que devemos nos ocupar. Dentro da estrutura — ou do contexto — do testemunho de Deus, devemos ter o nosso próprio testemunho, dar testemunho pessoal e participar desse testemunho.

    Você precisa ter um testemunho pessoal. Sabe, se você vai a um tribunal, é chamado para ser testemunha e não tem um testemunho pessoal, o que apresenta não passa de um depoimento baseado no que ouviu de terceiros. E quero que vocês saibam que esse tipo de depoimento nem sequer é admissível nos tribunais dos Estados Unidos da América.

    E vou lhes dizer uma coisa: um depoimento baseado no que se ouviu de terceiros também não é admissível no tribunal eterno. Você precisa conhecer por si mesmo. Precisa crer por si mesmo. Precisa ter esse testemunho pessoalmente. Precisa tê-lo. Esse é o único caminho.

    Vocês se lembram da história — eu gosto muito dela — dos sete filhos de Ceva, em Atos 19, e de como eles foram repreender o demônio? Vocês se lembram. Na verdade, a história é até um pouco engraçada. Eles disseram: “Em nome de Jesus, em nome Daquele que Paulo prega”. Foi isso que disseram: “Por Aquele que Paulo prega, eu vos conjuro”.

    Pensaram que isso resolveria. E o demônio — acreditem ou não — respondeu. O demônio disse:

    A Jesus conheço, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?

    E se ele dissesse isso a nós?

    Você precisa ter um testemunho pessoal. Eles estavam apresentando um depoimento baseado no que tinham ouvido de outros: apenas esse testemunho de Jesus, esse testemunho que Paulo pregava. Mas, irmãos e irmãs, precisamos ter o nosso próprio testemunho. Precisa ser algo real e pessoal.

    Mas, além disso, espero que vocês entendam o ponto. Além disso, há uma definição mais ampla de testemunho na Bíblia. Não se trata apenas da sua revelação pessoal. Não se trata apenas do seu relacionamento pessoal. Não se trata apenas da sua caminhada pessoal e daquilo que você conhece do Senhor Jesus — e que deve conhecer. Trata-se do testemunho do próprio Deus, e é com isso que, creio eu, devemos nos preocupar.

    O significado do testemunho de Deus

    Outra coisa que quero dizer é que o testemunho do próprio Deus diz respeito a quem Ele é. É disso que se trata. É simples. Ficamos aqui dizendo: “Temos orado por este testemunho. O que é o testemunho? O que esse testemunho significa?”

    Significa simplesmente quem Ele é e qual é o Seu propósito. Não é mais complicado do que isso. Se enxergarmos, ao longo das páginas da Bíblia, quem Ele é e qual é o Seu propósito, então teremos uma compreensão do que é o testemunho de Deus.

    A segunda coisa que considero absolutamente importante é que o testemunho de Deus não está oculto. Graças a Deus por isso. Não é um tesouro escondido. Não é uma revelação oculta. É um mistério revelado.

    E pensem nisso, irmãos e irmãs. Deus, em Sua misericórdia, abre para nós aquilo que está no Seu coração e nos dá a conhecê-lo. Gosto muito dessa expressão em Efésios. Vocês não podem compreender o livro de Efésios sem compreender essa expressão de Efésios 1:9-10:

    Tendo-nos feito conhecer.

    Essa é a beleza da revelação. Essa é a beleza do testemunho de Deus. Vocês não podem compreendê-lo sem enxergar isso em Efésios 3:10, onde se diz que a multiforme sabedoria deve ser conhecida por meio da igreja.

    Acho que, em resumo, é isto: o testemunho de Deus não diz respeito apenas a Ele mesmo e ao Seu propósito; a glória desse testemunho é que ele nos foi revelado. E nós podemos participar dele. Bem, considero isso absolutamente importante.

    O testemunho de Deus na criação

    Antes de tudo, pensem no testemunho de Deus na criação, bem no princípio. Abram no primeiro livro da Bíblia. É por aqui que quero começar, esperando convencer vocês de alguma coisa. É disso que a Bíblia trata.

    Vejam apenas as primeiras palavras da Bíblia. Isso basta. Ela diz:

    No princípio, Deus.

    Irmãos e irmãs, isso é testemunho. É disso que se trata.

    Vocês não precisam avançar mais na Bíblia. Não precisam se aprofundar mais nela. Já começam a entender que o testemunho de Deus diz respeito a quem Ele é. Ao começarmos o livro, vemos que, bem no princípio, antes que qualquer coisa fosse criada, antes de explorarmos a Sua genialidade criadora, começamos a enxergar esse testemunho profundo que abre a nossa Bíblia:

    No princípio, Deus.

    Tudo estava Nele. Tudo estava centrado Nele. Tudo dizia respeito a Ele. Tudo estava voltado para Ele. Poderíamos continuar, mas creio que, para compreender esse conceito do testemunho de Deus, vocês precisam entender que ele nos precede. Somos parte dele, mas ele nos precede. E precisam entender: de quem ele trata? Trata Dele.

    É isso que a Bíblia deixa absolutamente claro. Agora, aqui está outro aspecto do relato da criação. O testemunho não apenas diz respeito a Ele, mas — se me permitem usar esta expressão — isto vai deixar vocês de queixo caído. Vocês ficarão imensamente empolgados quando começarem a entender, ao percorrer estas páginas, que o testemunho de Deus nos inclui.

    Está escrito:

    Façamos o homem à Nossa imagem.

    E também:

    Assim, Deus criou o homem à Sua imagem.

    Isso é extraordinário.

    Está escrito: “Façamos”. Não sei se vocês já perceberam isso. Talvez pensem: “Quem é esse ‘Nós’?” Isso pode parecer um pouco confuso. Bem, na verdade, nesse primeiro versículo da Bíblia — “No princípio, Deus” —, a palavra é Elohim, o Supremo. É Deus no plural. É Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

    Assim, quando Ele inclui o homem nessa grande visão do testemunho de Deus, diz:

    Façamos o homem à Nossa imagem.

    Pensem nesse privilégio. Irmãos e irmãs, certamente vocês devem se empolgar ao ler estas palavras: em meio a toda a genialidade criadora demonstrada nesses capítulos iniciais, somente o homem tem o privilégio de levar a imagem e a semelhança do próprio Deus.

    Isso me deixa maravilhado. Esse é o testemunho de Deus.

    A expressão coletiva do testemunho

    Mas o testemunho de Deus também deve ter uma expressão coletiva em um povo. Conheço muitas pessoas, muitos cristãos queridos, muitos cristãos que amamos, muitos que conhecemos bem, para os quais tudo a respeito de Deus se resume a Deus neles. Que Deus os abençoe.

    Acho que é um pouco como os meus netos. Tudo gira em torno deles. Eu os amo demais, mas, para falar francamente, são um tanto imaturos e também bastante egoístas. E nós às vezes pensamos que tudo gira em torno de mim. Tudo se resume ao que Deus faz por mim.

    Linda não está aqui, então posso repetir a história, se vocês prometerem não contar a ela. Uma das minhas histórias favoritas — que repito muitas vezes — é a daquele adesivo no carro de uma moça. Eu tinha saído desta reunião e estava indo para casa pela Huguenot Road quando vi o adesivo: “Eu sou o centro do universo”. Pensei: “Que impressionante você pensar assim, e ainda por cima colocar isso no carro”.

    Certamente, trata-se de algo maior do que apenas nós. Isso nos inclui — que precioso! —, mas diz respeito ao próprio Deus e inclui um povo, um povo para Sua própria possessão.

    Deus realmente nos ama como indivíduos. Ele nos salva como indivíduos, e cada um de nós entra na Sua vida individualmente. Mas precisamos ir além de uma caminhada cristã apenas individual. Se quisermos compreender o testemunho de Deus, precisamos começar a entender que ele é maior do que “eu e Deus”. Trata-se de nós.

    Ele inclui todos nós, e o Seu testemunho só pode ser expresso coletivamente em um povo. Há um povo que foi salvo da escravidão, como vocês se lembram, do Egito — o mundo. Se trouxermos isso para a compreensão do Novo Testamento, somos salvos do reino do inimigo, tirados deste sistema do mundo e salvos em Cristo Jesus.

    Portanto, esse povo, esse povo coletivo, precisa ser, antes de tudo, um povo redimido, e é redimido para Ele mesmo. Deuteronômio 26:8 diz:

    Com mão forte e braço estendido.

    Foi assim que vocês foram salvos. Foi assim que os filhos de Israel foram salvos. E a razão pela qual foram salvos é o testemunho de Deus.

    Ao examinar mais adiante, vemos que foram salvos com um propósito. Vejam, por exemplo, Deuteronômio 14:2:

    E o Senhor te escolheu para Lhe seres um povo de Sua própria possessão.

    Esse é o testemunho de Deus. Se vocês procurarem — e eu os desafio: consultem sua concordância bíblica, pesquisem —, verão que a palavra testemunho, sobre a qual temos orado e falado tantas vezes, aparece com maior frequência no Antigo Testamento no livro de Êxodo. No Novo Testamento, aparece com maior frequência no livro que o encerra, Apocalipse.

    Seu contexto é um povo coletivo, salvo da escravidão, trazido para Ele, vivendo para ser uma expressão viva de quem Ele é. Esse é o contexto. Se vocês examinarem Êxodo com atenção, começarão a ver essa palavra, testemunho, repetidas vezes.

    O testemunho de Jesus

    Mas, quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos o exemplo mais claro do que é esse testemunho. Chegamos àquela expressão definitiva: o testemunho de Jesus.

    Irmãos e irmãs, não acho que seja por acaso que Apocalipse começa com o entendimento de João de que ele estava ali por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Não acho de maneira nenhuma que seja por acaso que a expressão “o testemunho de Jesus” esteja apenas no livro de Apocalipse e tenha sido reservada para o final, a fim de destacar um ponto.

    Creio que esse ponto único, de máxima importância, é que, no fim, o que é vital é o testemunho de Jesus. Nós lemos essas palavras.

    Usei uma expressão, acho que nos Países Baixos — e talvez há dez anos; ninguém vai se lembrar. É uma expressão que conclui a Bíblia. Gosto disso. Creio que é mesmo. É a expressão que coroa o Novo Testamento. É disso que tudo trata.

    No fim — entendam, aqui há um jogo de palavras —, Apocalipse é o fim da Bíblia. Vimos a criação no princípio. Agora saltamos para o fim da Bíblia e estamos examinando Apocalipse. Entendemos que a expressão enfatizada, a expressão que encerra tudo, é o testemunho de Jesus.

    Se vocês não perceberem essa expressão, perderão tudo aquilo de que Apocalipse trata. Certamente verão selos, guerras, calamidades e cartas às igrejas que parecem não estar à altura Daquele que anda no meio delas. Mas, se não enxergarem essa expressão que João enfatizou quando começou a escrever, perderão o sentido de Apocalipse.

    Eu iria ainda mais longe — e vocês talvez não concordem comigo: se não enxergarem essa expressão, não compreenderão o assunto de toda a Bíblia, porque, no fim, é disso que a Bíblia trata.

    Lembro-me de ter lido, há dez anos, algo que o irmão Sparks disse. Isso me tocou muito profundamente. Estava de acordo com o que acabei de compartilhar e com aquilo que creio que o Senhor me mostrou. Ele disse o seguinte — e é lindo, muito mais bem expresso do que eu conseguiria dizer:

    Vocês descobrem que a expressão que governa todo o livro é esta única expressão: “o testemunho de Jesus”.

    Irmãos e irmãs, é disso que a Bíblia trata.

    A posse do testemunho de Jesus

    Agora, os dois últimos pontos sobre essa expressão, “o testemunho de Jesus”, estão naqueles dois últimos versículos: Apocalipse 12:17 e Apocalipse 19:10. Em ambas as passagens, está escrito:

    Aqueles que têm o testemunho de Jesus.

    Irmãos e irmãs, deixem-me dizer: há dez anos, essa única palavra, embora vocês possam considerá-la irrelevante, saltou da página para mim. Pensei: “Este é o segredo. No fim, este é o segredo: que nós tenhamos o testemunho de Jesus”.

    Quando aquele anjo falou com João, que se prostrou indevidamente diante do que viu da festa das bodas do Cordeiro, o anjo disse:

    Olha, não faças isso. Sou um dos teus conservos, de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus.

    Depois vemos o mesmo no remanescente que sofre perseguição: aqueles que têm o testemunho de Jesus. Irmãos e irmãs, quero enfatizar isso muito ao longo desta série.

    No fim, ouçam-me com muita atenção. Se vocês se esquecerem de tudo o que eu disse, ouçam isto com muita atenção: se não temos o testemunho de Jesus, então não temos aquilo que Deus está procurando.

    Podemos falar sobre a conferência, sobre o testemunho de Jesus. Podemos até realizar conferências sobre o testemunho de Jesus. Mas, irmãos e irmãs, parece-me que o Espírito Santo reserva Sua ênfase para essas duas últimas ocorrências e deixa explicitamente claro que o essencial é termos o testemunho de Jesus.

    Espero, então, que isso ajude vocês a compreender qual é o encargo. Acho que isso resume todo o encargo.

    O espírito da profecia

    Outra coisa em Apocalipse 19:10 é aquela expressão final:

    Porque o espírito da profecia é o testemunho de Jesus.

    Vocês já pensaram nesse versículo?

    Quero lhes dizer que, quando eu era um crente jovem, esse versículo me inquietava muito. Eu ficava pensando: “O que será que João quis dizer com isso, que o espírito da profecia é o testemunho de Jesus?” Eu ficava me perguntando.

    Certa vez, estava lendo a Versão Amplificada, o que, aliás, não faço com frequência. A senhora Carolyn está aqui; ela costuma ler essa versão. Ali aparecia a palavra essência, e pensei: “É isso”. É a essência de toda profecia. É a essência de toda palavra proferida. É a essência de tudo o que foi revelado, do início de Gênesis ao fim de Apocalipse.

    O espírito da profecia é a essência do testemunho de Jesus.

    Bem, sou empresário e gosto dessas coisas de negócios. Lembro-me de quando uma empresa de perfumes — eu sei, eu sei, pelo que ouvi, aqui não se pode usar perfume, então desconsiderem a ilustração, se quiserem — lançou uma campanha de marketing que achei absolutamente genial. Deram ao perfume o nome Essence, “Essência”.

    Vocês talvez pensem: “Bem, é um nomezinho bobo para um perfume”, mas não é. Uma das definições de essência é perfume. É uma definição pouco usada. Assim, nessa brilhante iniciativa de marketing, posso imaginar toda aquela equipe rindo ao redor da mesa, se divertindo com o fato de ter escolhido o nome Essence. É a essência da fragrância. É a essência do perfume.

    Portanto, o testemunho de Jesus é a essência de toda profecia, de toda palavra proferida e de tudo o que é revelado na Bíblia. Bem, esse é o encargo, o encargo geral que está no meu coração, e espero conseguir compartilhar algumas coisas que façam sentido.

    A revelação como fundamento essencial

    Agora vamos pensar em outro ponto que gostaria de apresentar. Vamos examinar hoje, começando pelo Antigo Testamento, o testemunho de Deus revelado. Vejam isso no Antigo Testamento.

    Isso é importante. Daqui a pouco vocês entenderão a ligação entre ter e revelado, mas, se o testemunho de Deus não for revelado, de que adianta? Vocês podem ter um entendimento mais profundo do que a Bíblia ensina. Podem ter uma compreensão mais profunda do que há em todas estas páginas, indo além daquilo que Deus fez por vocês. Mas isso não nos serve de nada se não for revelado.

    Esse é o encargo específico que está no meu coração para esta manhã. Vemos isso com os filhos de Israel. Abram no Salmo 78. Gosto muito deste versículo.

    Eu não conhecia esse versículo até dez anos atrás, apesar de ter lido o livro de Salmos tantas vezes. O Salmo 78 é chamado de uma instrução de Asafe. Acho que essa é uma boa maneira de vê-lo. É um daqueles salmos históricos que revelam o sentido da história dos filhos de Israel e a maneira como Deus tratou com eles.

    Vejam o versículo 5. Isso se tornou tão vivo para mim:

    Porque Ele estabeleceu um testemunho em Jacó.

    Esse é todo o propósito, irmãos e irmãs, dessa instrução. O que o salmista estava tentando nos dizer é que o sentido de Israel era o estabelecimento do testemunho de Deus em um povo. Era disso que se tratava.

    Foi por isso que Ele os separou. Foi por isso que os salvou dentre as nações. Foi por isso que os reuniu junto a Si. Foi por isso que os disciplinou tanto como nação. Foi por isso que permitiu que fossem para o cativeiro: para salvar dentre eles um remanescente que voltasse para o testemunho de Jesus.

    Porque Ele estabeleceu um testemunho em Jacó.

    Essa é a vontade divina. Isso procede de Deus. Era isso que Deus buscava em Israel, e é isso que Deus busca em nós.

    Uma definição do testemunho de Deus

    Quando vocês pensam no testemunho de Deus, talvez eu ainda não tenha lhes dado uma boa definição. Não estou apresentando uma definição definitiva. Vocês podem ter uma definição melhor. Certamente acho que o irmão Stephen teria uma definição melhor. Mas esta é a minha definição, e a deixo com vocês:

    O testemunho de Deus é, antes de tudo, a revelação do próprio Deus e a expressão dessa revelação em um povo e por meio dele.

    É isso que penso ser o testemunho de Deus. Creio que isso é verdade no Antigo Testamento. Creio que é verdade no Novo Testamento. Que glorioso que esse Deus, que era Elohim — o Supremo, inteiramente autossuficiente em Si mesmo —, tenha pensado em fazer o homem à Sua própria imagem, e que o homem, juntamente com esse Deus coletivo, Elohim, levasse um testemunho eterno.

    É disso que trata esse pensamento.

    Gosto do que o irmão Nee disse em O testemunho de Deus. Acho tão simples e profundo. É lindo. Acerta tão bem o alvo. Ele falou do testemunho de Deus e disse:

    Testemunho é a autorrevelação de Deus.

    Não é bom? Acho isso muito bom. Gostaria de ter pensado em algo assim. Acho poderoso. Trata-se de quem Ele é, e tudo começa com essa revelação de quem Ele é.

    Sei que alguns de vocês ficam cansados quando usamos a palavra revelação e oramos pelo espírito de sabedoria e revelação. Mas, irmãos e irmãs, o ponto fundamental é este: quando se trata do testemunho de Deus, quando se trata do Seu propósito eterno, vocês nem sequer podem compreendê-lo, e certamente não podem participar dele, sem o espírito de sabedoria e revelação. Precisamos tê-lo.

    Há inúmeros exemplos na Bíblia que mostram, repetidas vezes, como os olhos dos que pertenciam a Ele foram abertos; e, quando viram quem Ele era, foram transformados. Pensem, por exemplo, em Moisés diante da sarça ardente. Quando ele viu o EU SOU, foi transformado.

    Pensem em Jó. No final, Jó, que estava confuso, disse:

    Eu Te conhecia só de ouvir; mas agora os meus olhos Te veem.

    Que lindo. Vejam o que a revelação faz conosco: ela nos tira da neblina e nos traz para a luz.

    Que Deus seja tão misericordioso conosco a ponto de nos dar, como Paulo pediu — em sua primeira e mais importante oração pela igreja em Éfeso —, o espírito de sabedoria e revelação. A respeito de quê? Não da igreja. Não da salvação. Ele não orou para que Deus lhes desse o espírito de sabedoria e revelação acerca de todos os Seus benefícios. Não foi isso que ele disse.

    Ele pediu que Deus lhes desse o espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento Dele. Irmãos e irmãs, esse é o testemunho de Deus: a autorrevelação de Deus.

    Isso mudou Pedro para sempre. Lemos aqueles versículos de Mateus 16 tantas vezes que nem vou me atrever a lê-los de novo. Mas foi naquele momento em que Ele disse:

    Quem dizem os homens que Eu sou?

    E depois Se voltou de modo mais direto para os Seus e disse:

    Quem dizeis vós que Eu sou?

    Vejam, no fim, vocês enxergaram isso? No fim, o importante é que vocês o tenham. Por isso, a pergunta se torna pessoal:

    Quem dizeis vós que Eu sou?

    Vocês se lembram de que Pedro pronunciou aquelas palavras. Graças a Deus por Pedro. Vocês podem culpá-lo à vontade por todas as suas indiscrições, mas quisera Deus que eu fosse mais parecido com Pedro, que tivesse a paixão que Pedro tinha, o amor que Pedro tinha e o desejo que Pedro tinha.

    Certamente, esse anseio pelo Senhor abriu muitas coisas para ele. E Ele disse:

    Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas; porque não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai, que está nos céus.

    Portanto, entendam, antes de tudo: quando se trata do testemunho de Deus, o essencial é a revelação. Foi isso que aconteceu no Antigo Testamento. É isso que acontece no Novo Testamento. Tudo começa com a revelação, e tudo flui da revelação.

    Lembrem-se de quando o apóstolo Paulo disse aos crentes da Galácia:

    Mas, quando aprouve a Deus, que me separou desde o ventre de minha mãe, revelar Seu Filho em mim…

    Esse é o segredo. Esse é o começo.

    Sou tão grato porque, um dia, em 1972, o Deus da glória Se revelou a mim. Irmãos e irmãs, já contei isso antes, então não vou tomar o tempo de vocês hoje, mas naquele dia eu encontrei o Deus vivo. Não havia dúvida alguma na minha mente, e fui transformado em um instante. Lembro-me como se fosse ontem.

    Esse é o começo de tudo. Que o Senhor realmente nos ajude a enxergar que tudo, no Antigo Testamento, no Novo Testamento e em nós, começa com a revelação.

    Esse é o ponto essencial. Não podemos compreender o testemunho de Deus e certamente não participaremos dele — para usar aquela palavra do Novo Testamento, não o teremos — sem o espírito de sabedoria e revelação.

    Portanto, estejam ou não cansados de ouvir essa palavra, eu os exorto a continuar fazendo essa oração: que Deus lhes dê esse espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento Dele.

    O testemunho em Êxodo

    Agora também quero examinar, no Antigo Testamento, algumas ocorrências dessa palavra, testemunho. Se vocês a enxergarem em seu contexto, creio que ela começará a fazer sentido.

    A primeira ocorrência: o testemunho como o próprio Senhor

    Vamos voltar a Êxodo 16:32. Esta é a primeira ocorrência: Êxodo 16:32. Já lemos e discutimos bastante as últimas ocorrências da palavra testemunho em Apocalipse. Ao examinarmos o testemunho de Deus em Israel, vamos voltar e observar a primeira ocorrência.

    Está escrito:

    E Moisés disse: “Esta é a palavra que o Senhor ordenou: Enchei um ômer de maná, para que se guarde para as vossas gerações; para que vejam o pão que vos dei a comer no deserto, quando vos tirei da terra do Egito”. E Moisés disse a Arão: “Toma um vaso e põe nele um ômer cheio de maná, e deposita-o diante do Senhor”, ou “guarda-o diante do Senhor”. Como o Senhor ordenara a Moisés, assim Arão o depositou, ou o guardou, diante do testemunho, para que se conservasse.

    Aliás, um ômer, pelo que entendo, corresponde a cerca de quatro pintas na nossa medida.

    Espero que vocês tenham percebido a diferença nessa parte repetida. Primeiro ele disse: “Toma este ômer de maná e guarda-o diante do Senhor”. Certo? Vocês entenderam. Mas depois repete: “Toma este ômer de maná e guarda-o diante do testemunho”.

    Acho isso muito importante. Na verdade, vocês podem conferir o que estou dizendo. Fiquem à vontade para conferir. Acho que, pelo menos neste caso, verão que estou certo: esta é a única vez, em toda a Bíblia em inglês, em que a palavra Testemunho aparece com inicial maiúscula.

    Em nenhum outro lugar da Bíblia em inglês a palavra testemunho aparece com inicial maiúscula. Assim, vocês começam a entender o que ele está dizendo: “Guarda-o diante do Senhor. Guarda-o diante do Testemunho”. A ênfase é o Testemunho.

    Entenderam? Há uma ênfase aí. A Palavra de Deus enfatiza isso e, para enfatizar ainda mais que o Senhor é o Testemunho, acrescentam o T maiúsculo, assim como quando está escrito:

    EU SOU O QUE SOU.

    Espero que isso signifique alguma coisa para vocês ao examinarem esse versículo. O testemunho é o próprio Senhor. Está claro: “Guarda-o diante do Senhor. Guarda-o diante do testemunho”. Essa é a primeira ocorrência dessa palavra em todo o Antigo Testamento, se vocês consultarem sua concordância.

    Depois vocês começam a ver em Êxodo esta expressão repetidas vezes: “diante do testemunho” — sem a inicial maiúscula, aliás. Mas, se começarem a procurar e lerem especialmente Êxodo, e Números em menor medida, verão que diante do testemunho é uma expressão repetida muitas vezes.

    Acho isso muito importante. Esse primeiro ponto nos leva de volta ao que compartilhei sobre o testemunho ser o próprio Senhor. Isso está absolutamente claro. Vocês veem a expressão “diante do testemunho” e a reconhecem como uma referência ao próprio Senhor.

    A arca do testemunho

    Agora, a segunda menção do testemunho no Antigo Testamento é muito importante. Vamos examiná-la: Êxodo 25:16. Também lemos esse versículo, mas voltem a ele.

    Sempre prestem atenção à última e à primeira vez em que uma palavra é mencionada nas Escrituras. Os estudiosos da Bíblia, que compreendem muito mais do que eu, frequentemente dizem que essa é a lei da primeira e da última menção. Isso começa a lançar luz sobre o sentido de todo o assunto.

    Êxodo 25:16 diz:

    E porás na arca o testemunho que Eu te darei.

    Depois o texto passa a descrever o propiciatório de ouro puro, com dois côvados e meio de comprimento e um côvado e meio de largura, e os dois querubins. Ele descreve essa arca do testemunho.

    O Senhor poderia facilmente, no registro feito pelo Espírito Santo, ter chamado isso apenas de arca. Na verdade, na maioria das vezes, quando falamos da arca, dizemos apenas “a arca”. É a arca. Mas o Espírito Santo é muito cuidadoso ao Se referir a ela como a arca do testemunho.

    Acho que isso é bastante ilustrativo na Palavra: esse era um recipiente especial, com um significado especial, e continha tudo o que Deus queria dizer acerca do Seu testemunho. Esse recipiente singular: a arca do testemunho.

    Vocês sabem, antes de tudo, que a arca do testemunho era a única coisa que havia no Santo dos Santos. Sabem disso, não é? Pelos seus estudos do Antigo Testamento, vocês sabem que o tabernáculo do testemunho — aliás, essa é a expressão usada em Êxodo — se divide em três espaços: o átrio exterior, o Lugar Santo e o Santo dos Santos.

    Nesse Santo dos Santos, esse recipiente, esse único recipiente, era a única coisa que havia. Acho isso muito impressionante. O Santo dos Santos era onde estava a presença de Deus; e, na presença de Deus, a única coisa presente, a única coisa que estava ali, era essa arca do testemunho.

    Agora, o que isso significa? Bem, acho que, se vocês lerem e estudarem cuidadosamente a arca do testemunho, começarão a compreender seu significado. Precisam ver de que ela era feita e o que havia dentro dela. Quando começarem a compreender de que era feita e o que havia dentro dela, começarão a compreender o que é a arca do testemunho.

    A madeira de acácia

    Antes de tudo, ela era feita de madeira. Vocês sabem: madeira de acácia. Não sei se temos essa madeira nos Estados Unidos; alguns de vocês que trabalham com madeira poderiam me dizer. Ela vem da árvore chamada shittim. A madeira de acácia era muito resistente a qualquer tipo de deterioração ou apodrecimento.

    Agora pensem: houve alguém assim nas Escrituras? Houve. É o Senhor Jesus. Hebreus diz que o nosso Sumo Sacerdote era como nós em todos os aspectos, mas faz uma enorme exceção: sem pecado.

    Ele foi o único Homem incorruptível. Na verdade, quando vocês estudam a Bíblia, começam a perceber que a madeira representa o homem. Portanto, a madeira, neste caso — a estrutura básica dessa arca do testemunho —, era madeira de acácia, essa madeira incorruptível.

    Ela não apodrecia por uma razão: porque apontava para quem a arca realmente representava.

    O revestimento de ouro

    Pensem em outra coisa. A arca do testemunho era revestida de ouro por fora e inteiramente por dentro. Quando vocês estudam a Bíblia, começam a compreender que o ouro representa a glória de Deus. O ouro fala da natureza de Deus. O ouro fala de quem Deus é.

    Ao examinarem essa descrição de como deveriam fazer esse recipiente singular, esse recipiente tão importante, vocês leem: “Certifica-te de revesti-lo completamente por fora e por dentro, todo de ouro”.

    O que isso significa? O Senhor Jesus, embora tenha Se tornado Homem — lemos esses versículos nesta manhã —, era inteiramente Deus. Inteiramente Deus. Verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. Esse Deus-Homem: esse é o recipiente perfeito. Aqui está o recipiente. Ele aponta para o Deus-Homem, o Senhor Jesus.

    Assim como lemos em Mateus que Ele será chamado Emanuel — Deus conosco.

    O propiciatório

    Agora observem outro aspecto desse recipiente. Havia um propiciatório na parte de cima. Li uma parte da descrição. O propiciatório tinha os dois querubins, e vocês conhecem tudo isso; não vamos entrar nesse assunto. Mas Deus disse ali — esta é a Palavra de Deus aos filhos de Israel:

    Ali Me encontrarei contigo.

    Onde o Senhor Se encontrou conosco? Quando lemos Romanos 3, descobrimos que Cristo é o nosso propiciatório. Irmãos e irmãs, Ele é esse recipiente. Ele é a arca do testemunho.

    Quando lemos Hebreus, descobrimos que devemos nos achegar ao trono da graça para encontrar graça e misericórdia em tempo de necessidade. Ele é inteiramente o nosso propiciatório. Acho isso muito significativo.

    O conteúdo da arca

    O que havia dentro daquilo a que se refere essa segunda ocorrência da palavra testemunho no Antigo Testamento? O que foi colocado dentro da arca do testemunho? Acho que todos vocês sabem. Todos receberam bom ensino na escola bíblica e sabem que havia três coisas.

    Já falamos do ômer de maná. Não falamos das outras duas coisas. Quais eram? Havia a vara de Arão que floresceu, certo? E qual era a terceira? Os mandamentos estavam lá dentro. Aliás, leiam a Bíblia: quando ela fala dos mandamentos em Êxodo, chama-os de tábuas do testemunho.

    Tudo isso estava dentro do Senhor. O que será que isso poderia significar? Bem, só sabemos o que significa quando chegamos ao Novo Testamento e ouvimos as palavras registradas por João em João 6, quando o Senhor disse:

    Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram maná no deserto; mas Eu sou o pão eterno. Eu sou o pão da vida.

    Ele disse isso. Ele é o pão celestial. É disso que trata a arca do testemunho.

    Pensem na vara que floresceu. Não sei quantos de vocês conhecem a história em Números 16, mas, ao examiná-la, vocês percebem que foi um período conturbado da história dos filhos de Israel. Houve uma grande rebelião. Arão e Moisés foram confrontados, e a questão era a autoridade.

    O Senhor mostrou a Arão o que fazer: tomar todas aquelas varas e colocá-las diante do Senhor. A vara de Arão foi colocada ali, junto com todos aqueles pedaços de madeira mortos. Nada aconteceu, exceto com a vara de Arão. Sabem o que aconteceu? Ela brotou. Floresceu e produziu frutos maduros.

    Irmãos e irmãs, o que isso nos diz a respeito da arca do testemunho é que Ele é o Deus de toda autoridade. Lembram-se do que o Senhor disse em uma de Suas últimas palavras aos Seus? Ele disse:

    Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.

    Mas isso também nos fala daquilo que Ele disse aos que estavam ao redor de Lázaro antes que Lázaro fosse ressuscitado:

    Eu sou a ressurreição e a vida.

    Ele é o ramo que brotou e chegou à plenitude da vida.

    A única maneira de qualquer um de vocês, pedaços de madeira mortos — se não se ofenderem com isso —, voltar à vida é a vida de ressurreição do Senhor Jesus entrar em vocês e vivificá-los.

    Acho que, quando Moisés escreveu, pela inspiração do Espírito Santo, “Esta é a arca do testemunho”, tinha em mente essa visão exclusivamente do Senhor Jesus. Somente Ele é o testemunho de Deus. Tudo está Nele. Ele é o único que está diante da Sua presença. Para mim, irmãos e irmãs, isso parece algo muito precioso.

    O tabernáculo do testemunho e a casa de Deus

    Agora, acho que esta é a última coisa que quero compartilhar com vocês — não vai demorar; normalmente deixo meu ponto mais curto para o final. Alguns de vocês talvez já tenham percebido isso.

    Há outro recipiente em Êxodo que considero muito importante. Quando vocês examinam essa palavra, testemunho, precisam enxergá-lo. Há esse recipiente chamado tabernáculo do testemunho. Essa expressão se repete muitas vezes.

    Às vezes aparece de forma abreviada como tabernáculo de testemunho, ou tenda do testemunho, ou ainda o véu do testemunho que estava no tabernáculo do testemunho.

    Acho que esse é um recipiente absolutamente importante, e este é o ponto com o qual quero concluir. Creio que não se pode compreender o contexto da Palavra de Deus, nem o testemunho de Deus, sem enxergar a importância da casa de Deus.

    Creio que é isso que Êxodo está nos dizendo. Depois de mostrar que o testemunho é o próprio Deus, e depois de mostrar que a arca do testemunho é o próprio Senhor Jesus e tudo o que vem com Ele, o texto começa a apresentar outro recipiente.

    Esse outro recipiente é a tenda do testemunho, ou o tabernáculo do testemunho, como vocês preferirem chamá-lo. Creio que isso é absolutamente importante.

    Conheço irmãos e irmãs que só falam do seu relacionamento individual com o Senhor. Acho isso absolutamente vital. Se você não tem um relacionamento individual com o Senhor, não tem um relacionamento com a casa de Deus. Não pode ter.

    Mas, se você tem um relacionamento individual e vivo com o Senhor, precisa ter um relacionamento coletivo com o povo de Deus. O propósito Dele nunca foi que tudo se resumisse a você e Ele. Desculpem se estou estourando a bolha espiritual de vocês.

    Por mais importante que isso seja, a ênfase Dele sempre foi que vocês fossem trazidos para a Sua casa e que houvesse uma expressão coletiva de quem Ele é. É por isso que, quando o Espírito Santo continua a enfatizar essa palavra, testemunho, a maioria das referências diz respeito ao tabernáculo do testemunho.

    Creio que isso é absolutamente importante. Vejam Êxodo 38:21. Vou apenas ler esse versículo, caso vocês não queiram procurá-lo. Acho que anotei a referência errada. Nem consigo ler minha própria letra. A situação fica lamentável quando a gente envelhece. Versículo 21 — vocês estão certos:

    Estas são as coisas contadas do tabernáculo, do tabernáculo do testemunho, que foram contadas segundo o mandamento de Moisés, pelo serviço dos levitas, sob a direção de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.

    Isso fica absolutamente claro quando lemos. É inequivocamente claro. Deus quer uma casa. Está absolutamente claro. Irmãos e irmãs, devemos amar a casa de Deus.

    Na verdade, acho que essa foi uma das razões pelas quais Davi ocupa um lugar tão destacado nas Escrituras. Ele tinha uma paixão pelo próprio Senhor, mas também tinha uma paixão pela Sua casa. Creio que isso distingue Davi de tantos outros e faz dele um homem segundo o coração de Deus.

    Essa casa faz parte do testemunho. É isso que precisamos enxergar.

    O tabernáculo, assim como a arca, é uma sombra do que acontece no Novo Testamento. Quando chegamos ao Novo Testamento, começamos a ver a paixão de Deus pela Sua igreja. Lemos em Efésios como Ele Se entregou por ela, como a amou. Lemos repetidas vezes que as cartas, as epístolas, são cartas às igrejas.

    Lemos no último livro da Bíblia, naquelas cenas de Apocalipse 2 e 3, onde o Senhor Jesus está. Onde vemos o Senhor Jesus? Andando entre os candeeiros — as igrejas.

    O que Ele estava procurando? O Seu testemunho. O que Ele estava procurando? A revelação Dele mesmo naquela igreja. Ela correspondia àquela visão? Era apenas isso que Ele procurava.

    Creio que vocês não podem compreender a Bíblia sem compreender a casa de Deus.

    Conclusão: a plenitude do testemunho

    Então, permitam-me concluir com estes pensamentos. Sem o Testemunho — o próprio Deus —, não há testemunho. Observem: deve ser o Testemunho, com T maiúsculo.

    Sem a arca do testemunho — o nosso Senhor Jesus —, não há testemunho. Tudo vem a nós por meio do Senhor Jesus. Tudo, no fim, será reunido no Senhor Jesus.

    E, finalmente, sem o tabernáculo do testemunho, ou a casa de Deus — a igreja —, não há testemunho pleno.

    Irmãos e irmãs, quero apenas lhes dizer isto: se vocês aceitarem, aceitem. Se rejeitarem, rejeitem. Mas não deixem ninguém lhes dizer, na caminhada cristã, que a igreja não é importante.

    Tenho ouvido repetidas vezes a crítica de pessoas que dizem: “Você enfatiza demais a igreja”. Acho muito difícil que isso seja verdade. Não creio que vocês diriam isso se compreendessem o lugar dela nas Escrituras, no testemunho.

    Mas não deixem ninguém lhes dizer que ela não é importante. Não deixem ninguém lhes dizer: “Desde que você esteja bem com o Senhor, isso é tudo o que se exige”. Não deixem ninguém lhes dizer: “Desde que você tenha algum contato com alguns crentes, isso basta. Você não precisa ser edificado junto com seus irmãos e irmãs”.

    Não deixem ninguém lhes dizer isso. Se deixarem, nunca serão contados, no fim, entre aqueles que têm o testemunho de Jesus. Essas três coisas são absolutamente importantes.

    Irmãos e irmãs, vocês enxergam a importância dessa única palavra na Bíblia? Enxergam isso em Apocalipse, nesse pensamento que conclui tudo? Enxergam isso em Gênesis, quando Deus diz quem Ele é? Enxergam isso quando Ele salva um povo para Si?

    Ele disse repetidas vezes: “É o testemunho. É o testemunho”. Não o seu testemunho. É o testemunho de Deus no meio de vocês. Vocês enxergam isso?

    Quero orar para que enxerguemos. Quero orar para que, quando enxergarmos, isso faça diferença.

    Acho que o problema de muitos de nós, como acontece com tantas outras coisas cristãs, é que temos entendimento, mas não conhecemos a realidade. Creio que a Bíblia deixa muito claro, do princípio ao fim, que essa é a realidade que Ele está procurando.

    Que oremos repetidas vezes. Bem, façam-me um favor: sublinhem essa palavra. Sim, alguns de vocês, não se preocupem — eu parei de fazer marcações na minha Bíblia. Marquei tantas Bíblias no passado que prometi a mim mesmo que não faria marcações nesta. Então estou quebrando minha própria promessa.

    Mas marquem em suas Bíblias, em Apocalipse 12:17 e Apocalipse 19:10. Sublinhem a palavra têm. Sublinhem. E, mais importante do que sublinhá-la, façam dela a sua oração. Façam dela a sua oração.

    Digam: “Senhor, não quero apenas saber a respeito destas coisas. Não quero fazer apenas um exercício de estudo bíblico que identifica onde todas as palavras aparecem e o que talvez signifiquem. No fim, se a Tua ênfase final é que nós tenhamos esse testemunho como um povo, esta é a minha oração: que o tenhamos e que ele seja revelado”.

    Que o testemunho de Deus seja revelado novamente em nosso meio.

    Oração final

    Senhor, entregamos estes pensamentos e estas palavras a Ti e pedimos que, onde forem insuficientes, o Espírito Santo venha ungir e tornar real aquilo que não conseguimos expressar.

    Mas, Senhor, como ansiamos! Como ansiamos ser como Davi — um homem ou uma mulher segundo o coração de Deus, ter essa paixão única pelo próprio Deus, ver-Te e permitir que isso nos transforme de dentro para fora.

    Como ansiamos, Senhor, ter uma paixão pela Tua casa. Ajuda-nos, Senhor. Não permitas que estas palavras se limitem a uma mensagem de uma manhã, ou mesmo a uma conferência em que as coisas foram tão bem expressas.

    Em nossa geração, em nossos dias, em nosso meio e em nossa vida, torna isso real. Pois Te pedimos juntos, em nome do Senhor Jesus. Amém.