Senhor, nesta manhã fomos tocados pelo Teu grande amor. E queremos, no Teu amor, apresentar Jim e sua família diante do Teu trono de graça e misericórdia, para que Tu realmente intervenhas, para que o Teu amor inunde essa família e atraia a Ti aqueles que não Te conhecem.
Somos gratos pela maneira como Tu alcançaste nosso irmão e o levaste a conhecer-Te de modo tão profundo. E continuamos entregando sua mãe em Tuas mãos. Senhor, Tu sabes com muito mais clareza do que nós podemos enxergar. Somos gratos porque podemos descansar na certeza de que ela Te conhece e de que a estamos colocando em Tuas mãos.
Senhor, ao continuarmos em Tua presença hoje, fomos conquistados pelo Teu amor. E queremos permitir que o próprio amor de Cristo continue falando conosco agora, enquanto nos achegamos a Ti. Abrimos nosso coração a Ti, para que Tu venhas ao nosso encontro, nos encorajes e, Senhor, possas continuar nos capacitando de maneira profunda para estes últimos dias maus em que nos encontramos.
Em nome de Jesus. Amém.
Nesta manhã, vamos abrir a carta de Paulo à igreja em Filipos, em Filipenses 1. Eu ia compartilhar sobre a oração de Paulo e, seguindo nosso tema do amor nesta manhã, essa oração pode ser descrita como uma oração por um amor com discernimento.
Em Filipenses 1:9-10, ele diz:
E isto peço em oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em pleno conhecimento e em todo discernimento,
para que aprovem as coisas excelentes,
a fim de serem sinceros e irrepreensíveis até o dia de Cristo.
Vamos ler novamente:
E isto peço em oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em pleno conhecimento e em todo discernimento,
para que aprovem as coisas excelentes,
a fim de serem sinceros e irrepreensíveis até o dia de Cristo.
Ao nos encontrarmos vivendo nestes últimos dias, uma das coisas tão preciosas ao Senhor — aquilo pelo que O temos adorado e que é tão característico dEle — é o Seu grande amor. Conhecemos as coisas que são grandiosas no Senhor, embora “grandiosas” seja uma palavra muito inadequada: as coisas que revelam Quem o Senhor é. O inimigo também presta atenção a essas coisas.
Por isso, o inimigo vai procurar, de todas as maneiras, distorcer o amor e introduzir uma imitação dele. Vemos no mundo de hoje muitas pessoas dizendo: “É só amar todo mundo. Apenas ame, ame e deixe que façam o que quiserem”.
E isso é realmente amor? Deixar as pessoas fazerem tudo o que querem, por conta própria — isso é amor? Aceitar tudo — isso é amor?
Graças a Deus, esse não é o Seu amor. Existe um amor com discernimento. Ao olhar mais profundamente para o que é o amor de Cristo, vemos uma grande riqueza ali. Mas esse amor também está unido à santidade e à justiça.
Hebreus diz — em um daqueles versículos de que menos gostamos:
Aquele a quem o Pai ama, Ele disciplina.
Sabem, isso é amor verdadeiro. Essa é uma das maneiras pelas quais um pai mostra ao filho que o ama: disciplinando-o. Poucos filhos entendem isso antes de se tornarem pais.
Mas vemos como há neste mundo uma grande distorção do que é o amor. Por isso, queremos considerar essa questão do amor com discernimento, porque há muita confusão. E não estamos falando tanto do mundo hoje; estamos falando disso dentro do cristianismo.
Paulo ora de maneira muito específica por esses irmãos em Filipos. Ele pode orar assim porque mantém um relacionamento com eles. Ao longo dos anos, Paulo esteve muito próximo deles, e ora para que o amor deles aumente cada vez mais.
Mas como ele quer que esse amor aumente? Com pleno conhecimento e todo discernimento. Ele ora assim para que possam aprovar as coisas excelentes; ou seja, quando duas coisas se apresentarem diante deles, possam distinguir qual é do Senhor e qual não é. Para que sejam sinceros e irrepreensíveis naquele dia de Cristo.
Paulo sempre tem esse fim, esse objetivo, em vista. É isso que ele está buscando aqui.
Então, olhamos para a igreja em Filipos, até mesmo para a sua origem. É uma daquelas igrejas caracterizadas por um verdadeiro espírito de amor. O Senhor conduziu Paulo, Silas e Timóteo até lá, em Atos 16.
Vemos como eles encontraram aquelas mulheres à beira da água, e Lídia entregou seu coração ao Senhor. Sua primeira reação foi uma resposta de amor. Ela abriu sua casa e disse: “Venham ficar comigo”. Ela cuidou deles. Houve uma resposta imediata de amor.
E é isso que acontece quando Cristo nos toca. Ninguém havia dito a Lídia: “Agora que você é cristã, deve abrir seu coração e sua casa e demonstrar hospitalidade”. Era a vida dentro dela. Era o amor dentro dela. Ela respondeu dessa maneira — de modo, podemos dizer, espiritualmente natural.
Foi uma resposta natural que acolheu aqueles irmãos. Assim, desde o próprio nascimento dessa igreja em Filipos, vemos o amor sendo manifestado.
Lembram-se da história de como Paulo e Silas foram lançados na prisão? Por meio daquele terremoto, o carcereiro e toda a sua casa foram salvos. E, novamente, qual foi a resposta deles? Acolheram Paulo e Silas, limparam suas feridas, cuidaram deles, levaram-nos para sua casa e demonstraram amor.
O amor foi manifestado. Não era um ensinamento; era um modo de vida que se expressava de maneira tão orgânica naquela igreja.
Mesmo depois que Paulo saiu dali e prosseguiu em sua jornada, esses irmãos continuaram orando por ele. Ao ler esta carta à igreja em Filipos, vemos como ele é grato por terem permanecido ao seu lado desde o começo, mantendo comunhão com ele e continuando a sustentá-lo em oração e também financeiramente.
Paulo escreve esta carta cerca de dez anos depois daquela visita. Ele está na prisão, e os irmãos de Filipos o procuraram com outra oferta. Um irmão, Epafrodito, chegou até ele. Trouxe notícias sobre a condição da igreja em Filipos e entregou essa oferta a Paulo — uma demonstração contínua desse espírito de amor.
Então, Paulo escreve essa carta tão pessoal e específica para eles, e ora de maneira muito específica. É maravilhoso. Se vocês quiserem, reservem algum tempo para estudar as orações de Paulo.
As orações de Paulo por cada uma das igrejas são muito específicas. Ele não fica simplesmente repetindo uma ave-maria. Há questões específicas em Éfeso, questões específicas em Filipos ou em Colossos; e ele ora por elas de maneira muito específica.
Isso é tão encorajador e nos ensina como podemos orar. À medida que permitimos que o Espírito de Deus nos conduza, podemos orar de modo muito específico pelas situações, expressando a mente de Cristo.
Paulo é muito grato aos irmãos de Filipos pela maneira como demonstraram amor por ele. Mas sua oração diz: “Desejo que o amor de vocês aumente cada vez mais”. Não havia acomodação ali. Não havia estagnação. Paulo dizia: “Há muito mais desse amor que pode crescer em vocês, que vocês podem experimentar, e é isso que desejo para vocês”.
Mas a maneira como ele orou é muito singular. Ele ora para que o amor deles aumente em pleno conhecimento e em todo discernimento. Alguns tradutores dizem: “conhecimento verdadeiro e discernimento”.
Geralmente, quando pensamos em amor, conhecimento e discernimento, enxergamos essas coisas como dois aspectos diferentes da vida cristã. Oramos por amor: “Ó Senhor, deixa-me conhecer mais do Teu amor”. E também: “Ó Senhor, dá-me mais conhecimento e discernimento nestes dias”.
Mas Paulo está orando para que esses dois aspectos distintos se tornem um só, de maneira muito viva, na vida dos irmãos de Filipos: que o amor deles seja cheio de conhecimento e cheio de discernimento, que realmente conheçam essa realidade.
Agora, por que ele está orando assim? Porque sabe que há um perigo diante deles. Se tivermos amor sem conhecimento e discernimento — e podemos ver isso de maneira tão evidente nos dias em que vivemos —, iremos para um extremo ou para o outro.
Amor sem nenhum conhecimento ou discernimento: de um lado, surge o fanatismo. E vemos isso se manifestar no islamismo radical. Há um amor que eles têm, mas certamente não possuem um conhecimento real e verdadeiro, nem discernimento de Quem é Deus, de Quem é o Senhor. Vemos que há fanatismo ali.
Por outro lado, o amor sem conhecimento ou discernimento pode ser puro sentimentalismo, algo que vem de nós mesmos, da nossa alma, baseado nas nossas emoções. Muito disso se manifesta no espírito do humanismo hoje. É simplesmente: “Ah, acolha tudo”. E isso realmente não é o amor genuíno, verdadeiro e divino.
Ao olhar para as Escrituras e para a vida de Paulo, vemos que ele amava a Deus, mas perseguia a igreja. Ele tinha amor, mas não tinha aquele conhecimento e discernimento do que estava no coração de Deus. Pensava estar servindo a Deus, mas estava destruindo a obra de Deus.
De maneira semelhante, do ponto de vista do sentimentalismo, temos dois dos discípulos do Senhor, Tiago e João. No Evangelho de Lucas, eles estavam a caminho de Jerusalém com o Senhor. Passaram por Samaria, e os samaritanos daquele lugar não os receberam.
Por causa desse sentimentalismo natural que tinham em relação ao Senhor, disseram: “Vamos fazer descer trovões e raios sobre eles. Vamos destruí-los”. Isso é amor?
Eles tinham esse sentimentalismo, e é nesse sentido que estou usando a palavra sentimentalismo hoje: uma emoção natural que se origina em nós mesmos. A palavra pode ter várias definições, mas esse é o contexto em que vou usá-la hoje. São simplesmente os nossos próprios afetos naturais, não os afetos genuínos e verdadeiros dEle.
Além disso, ao considerar essa combinação, se tivermos conhecimento sem amor, o que teremos? Muito orgulho. Ficamos inchados com o nosso conhecimento. Temos tanto orgulho de tudo o que sabemos que isso chega a exalar orgulho.
Também podemos ter discernimento. Existe um discernimento natural; algumas pessoas são mais sensíveis do que outras. Se tivermos discernimento sem amor, no que isso acaba se tornando? Em um espírito de julgamento.
Você discerne — talvez aquilo que discerniu esteja certo —, mas não há amor, e você apenas condena e julga. É trágico ver quanto orgulho, sentimentalismo e julgamento cheio de justiça própria se manifestam no cristianismo hoje.
Mas que o Senhor nos conduza a esse lugar de realmente termos o amor com discernimento de que Paulo está falando. Porque, nestes dias em que vivemos, isso se tornará cada vez mais vital para que possamos distinguir o que é do Senhor e o que não é.
Conhecimento, discernimento e amor estão vitalmente interligados e dependem uns dos outros, para que o Senhor possa realizar plenamente tudo o que deseja.
Há tanta confusão hoje. Sabem, as pessoas dizem: “Ah, o Senhor ama todo mundo”. Bem, isso é verdade. O Senhor realmente ama todo mundo. Mas Ele não ama o pecado das pessoas. Não ama os falsos ensinamentos. Não ama as atitudes que causam divisão. Não ama as imitações.
Sim, Ele amou o mundo. Amou o mundo e deu o Seu Filho unigênito. Mas, repetidas vezes, vemos nas Escrituras o Senhor se aproximando das pessoas, tocando-as e depois dizendo:
Vai e não peques mais.
Há esse amor pela pessoa.
Como cristãos, vamos nos deparar com isso cada vez mais na época em que vivemos. Uma das questões que enfrentamos tanto hoje, e para a qual precisamos de amor com discernimento, é como vamos viver na sociedade atual, quando ela aceita a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como vamos ser um testemunho do amor de Cristo para as pessoas? Tragicamente, dentro do cristianismo hoje, surgem duas maneiras opostas de lidar com isso. Alguns chegam com uma marreta e dizem: “É pecado”, e destroem a pessoa. Deus ama essa pessoa.
Por outro lado, ao se aproximarem e acolherem as pessoas, alguns não apenas aceitam a pessoa, mas também aceitam o pecado. Dizem: “Ah, está tudo bem. Está tudo bem. Deus ama você”.
Há um caminho no Senhor para aprendermos a viver com esses desafios que enfrentamos. Vamos nos deparar com coisas que nunca tivemos de enfrentar antes. É tão comum na sociedade que as pessoas morem juntas, e há também tudo o que acontece antes do casamento entre cristãos que dizem: “Deus me perdoa, e a graça é abundante”.
Perdemos toda essa compreensão da santidade, da justiça e da pureza do amor de Deus. Mas como lidamos com isso? É aqui que o verdadeiro discernimento importa: quando enfrentamos essas situações, precisamos saber como atravessá-las de uma maneira que realmente glorifique o Senhor.
Quando estávamos na Califórnia, na semana passada, conversamos com alguns irmãos sobre toda essa questão da homossexualidade. Foi muito interessante. Um irmão que trabalha na indústria do entretenimento estava compartilhando e disse: “Sabe, Mac, uma das coisas que me ajudam é lembrar o que estamos tentando fazer: estamos conduzindo as pessoas a Deus, não à heterossexualidade”.
São pequenas coisas como essa. Que tenhamos discernimento para lidar com algumas dessas questões. Mesmo quando falar sobre isso deixa algumas pessoas desconfortáveis, precisamos realmente ter discernimento para tratar do assunto de uma maneira que seja um testemunho, uma luz em meio às trevas.
Essa luz deve atrair as pessoas, não afastá-las. Ah, que o Senhor nos dê esse grande discernimento.
Paulo está orando aqui por esses queridos irmãos em Filipos, para que o amor deles aumente cada vez mais. À medida que esse amor se torna abundante, ele transborda para enriquecer, edificar e fortalecer os outros.
Enquanto cantávamos aquele cântico, foi por isso que gostei dele: falava dos rios que fluem — o rio do amor de Deus. Não é como uma inundação descontrolada; não é destrutivo. É um fluxo conduzido.
Ele tem, podemos dizer, os limites do conhecimento e do discernimento, que nos conduzem à plenitude de tudo o que Deus tem. Quando pensamos em como a água pode ser destrutiva, é impressionante. Se vocês forem até o rio James durante uma enchente, verão a força daquela água e como ela corre sem controle.
Mas, ao mesmo tempo, vocês podem ver essa água em outra situação. Talvez ela esteja sendo canalizada em uma represa, e a mesma água passa por canais cada vez mais estreitos. Ela ganha força e é usada para o propósito para o qual foi direcionada. Gera uma quantidade enorme de eletricidade.
Assim também, o amor do Senhor deve ser canalizado por meio de nós da maneira certa, para que sejamos pessoas que crescem nessa realidade.
Como nos tornamos abundantes nesse amor? Como esse amor cresce em nós e se torna abundante? Isso acontece simplesmente ao permanecermos em comunhão com Ele, mantendo esse relacionamento vivo com Ele e conhecendo-O de maneira mais plena e profunda.
Quanto mais O conhecemos, mais esse amor se torna abundante em nós. Sabemos que Deus é amor. O amor de Deus nunca cresce. O amor de Deus é absoluto. É pleno.
Deus pode nos amar mais? Deus não pode nos amar mais. Deus não pode nos dar mais do Seu amor. Ele já nos deu todo o Seu amor.
Mas, à medida que crescemos nEle, experimentamos mais da realidade desse amor. É disso que o texto está falando ao mencionar crescimento e abundância. Já temos esse amor em nós.
Não há mais nada desse amor que Ele possa nos dar. Ele nos deu Cristo, e temos a vida de Cristo. Temos o amor de Cristo dentro de nós. À medida que nos rendemos a Ele e permitimos que essa vida cresça, passamos a conhecer e experimentar a grandeza desse amor. Ele cresce em nós de maneira mais plena e profunda, e essa luz se torna mais brilhante. Há um testemunho ali.
É disso que estamos falando. Por isso, ao compartilhar seu testemunho e uma oração por si mesmo em Filipenses 3:8, Paulo expressa esse desejo: “Ah, que eu possa conhecê-Lo”.
Vamos olhar esse trecho. Vamos apenas ler estes versículos. Eles são um tanto conhecidos, mas, ao olhar para Filipenses 3:8-11, vemos o desejo de Paulo. Há algumas semanas, quando compartilhamos, chamamos isso de um desejo insaciável. Paulo tem esse desejo de conhecê-Lo, e é assim que esse amor se torna cada vez mais abundante em nós.
Ele diz:
Mais do que isso, considero todas as coisas como perda, diante do valor incomparável de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor;
por Quem sofri a perda de todas as coisas e as considero como lixo, para que eu ganhe Cristo
e seja encontrado nEle, não tendo uma justiça própria, proveniente da lei,
mas aquela que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus com base na fé;
para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte,
a fim de alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Paulo continua falando sobre isso. Vocês percebem esse anseio dentro dele. O amor de Cristo o conquistou de maneira tão plena, e ele deseja prosseguir para conhecê-lo cada vez mais.
Será que essa também seria a nossa oração? “Senhor, eu só quero prosseguir e permitir que a atuação da Tua própria vida e da Tua natureza em mim faça esse amor crescer”.
Essa abundância, esse crescimento, não vem de nos esforçarmos mais. “Eu acho que consigo, eu acho que consigo”, ou de tomarmos uma resolução. Podemos nos esforçar cada vez mais, e isso não faz o amor crescer.
Na verdade, ele cresce justamente da maneira oposta: quando nos rendemos e negamos a nós mesmos, então ele cresce.
Não eu, mas Cristo.
É isso que Paulo testemunha em Filipenses 1:21:
Para mim, o viver é Cristo.
É assim que esse amor cresce e se torna abundante.
Ele deseja que esse amor se torne abundante em pleno conhecimento. Esse pleno conhecimento é expresso pela palavra grega epignosis, que fala de algo além de uma compreensão apenas mental. Trata-se de uma experiência. É conhecer algo com base no que se experimentou.
É uma verdade. Um dia, era uma verdade para você; depois, por causa de uma experiência, você conhece a realidade dela. Podemos pensar na paz de Deus, no consolo de Deus e na segurança que Deus nos dá. Todos conhecemos essas coisas, mas, depois que passamos por alguma situação, elas se tornam uma realidade.
Para mim, essa tem sido uma das coisas preciosas nos dois momentos de testemunhos que tivemos aos domingos de manhã. Ouvimos muitos irmãos e irmãs compartilharem sobre algo que antes conheciam como ensinamento: conheciam a Deus de uma maneira, mas, depois de passarem por algo tão trágico, tão abençoado ou por alguma das muitas experiências da vida, agora O conhecem de uma nova maneira.
Há um conhecimento pleno dEle, e eles estão testemunhando disso. Há uma realidade ali. É isso que torna tão rico o compartilhar. É por isso que esses momentos têm sido uma bênção tão grande para mim.
Podemos considerar a variedade de passagens das Escrituras que Deus usou. Se vocês voltassem e examinassem todas as passagens mencionadas nesses dois momentos de testemunhos, veriam uma grande amplitude. Não se trata de um pequeno padrão fixo; Deus tocou uns aqui e outros ali. Ele tocou Nathaniel por meio de Miqueias. Eu disse: “Nossa, isso é muito bom, Miqueias”.
Há uma riqueza nessa realidade, e é isso que Ele deseja. Não é um conhecimento mental, mas um conhecimento real, porque o conhecimento mental é algo que adquirimos. Esse conhecimento real é algo que nos conquista.
O conhecimento mental é algo de que podemos nos apoderar, mas esse conhecimento real se apodera de nós. O conhecimento mental é algo sobre o qual podemos falar, mas o conhecimento real é algo que transforma o nosso caminhar. O conhecimento mental ensoberbece; esse conhecimento real edifica.
É isso que realmente estamos buscando. Podemos olhar até mesmo para a vida de Salomão. Pelo que ele estava orando? Por um conhecimento do coração, não apenas da mente. Ele pediu um coração que ouvisse, para realmente poder conhecer o que Deus buscava.
Essa foi a oração de Paulo pelos irmãos em Éfeso: que os olhos do coração deles fossem abertos para que pudessem ver. De maneira simples, podemos dizer que esse pleno conhecimento é enxergar e conhecer o propósito eterno de Deus. É ver Cristo, ver o que está no coração do Senhor, ver o que está no coração de Cristo. Ele quer que enxerguemos aquilo que Ele conhece.
Quando enxergamos isso, toda a nossa perspectiva sobre as coisas muda.
Isso me lembra uma passagem das Escrituras: quando Davi estava se tornando rei de Israel, havia um grupo, uma das tribos, chamado os filhos de Issacar. Em 1 Crônicas 12:32, encontramos um dos grandes testemunhos sobre as tribos:
Os filhos de Issacar compreendiam os tempos,
com conhecimento do que Israel deveria fazer.
Eles compreendiam os tempos e sabiam o que Israel deveria fazer. Essa é a questão do amor com discernimento que o Senhor está apresentando com tanta urgência aos irmãos de Filipos e a nós hoje.
Ele quer que sejamos pessoas que compreendam este tempo: que discirnam os tempos, que enxerguem em que época estamos vivendo e que saibam o que — não Israel naqueles dias, mas agora a igreja, o povo de Deus — deve fazer.
O que devemos fazer? Como devemos andar nestes dias? Nunca passamos por esse caminho antes, mas Ele tem um caminho pelo qual podemos andar. Essa é a vida que Ele quer que experimentemos, tornando-nos cada vez mais dependentes dEle.
Mas Paulo não ora apenas por esse pleno conhecimento. Ele também ora para que tenham todo discernimento nestes dias tão difíceis em que estamos vivendo.
Podemos dizer, de maneira simples, que esse discernimento é ser espiritualmente sábio: ter uma percepção espiritualmente sábia, ser capaz de enxergar e distinguir. Há uma palavra específica no grego para isso. Steve Sheridan não está aqui, então vou ter de trazer algumas palavras gregas de vez em quando. Vamos sentir falta do Steve nisso, então vamos cobrir essa parte por ele.
Essa é a única vez que essa palavra é usada em todo o Novo Testamento, bem aqui nesta pequena carta. É ser capaz de distinguir entre aquilo que uma coisa realmente é e aquilo que ela não é.
Não se trata de julgar algo pela aparência exterior, no plano natural, mas de enxergar a realidade interior. Não de julgar as pessoas pela maneira como agem ou pelo que dizem, mas de enxergar as verdadeiras motivações do coração.
Ao olhar para o nosso Senhor, quando Ele estava com Seus discípulos e andava nesta terra, vemos que as pessoas Lhe faziam certas perguntas ou agiam de determinadas maneiras, e Ele conseguia enxergar através de tudo isso, percebendo o que realmente estava acontecendo.
O Senhor quer que realmente conheçamos e discirnamos o desafio destes dias: distinguir o que é dEle e o que não é, distinguir entre a Sua vida e essa imitação que está por aí, tentando tanto nos puxar para um lado e para o outro.
À medida que permanecermos nesse relacionamento, conhecendo-O de verdade e nos exercitando diariamente, seremos capazes de reconhecer o que é do Senhor e o que não é do Senhor.
Graças a Deus. É trágico hoje: existem tantas coisas em nome do cristianismo, e precisamos ser capazes de distinguir o que é do Senhor e o que não é. Há essa ideia por trás de tudo: “Ah, você precisa amar todo mundo, abrir-se e acolher tudo. Deus é amor”.
Isso é pegar uma verdade parcial e aplicá-la de maneira errada e indiscriminada. É por isso que precisamos ter nossos sentidos treinados. Toda essa questão do exercício espiritual nestes últimos dias se torna cada vez mais vital e essencial, porque teremos de ser capazes de reconhecer o que é do Senhor e o que não é do Senhor.
Por que Paulo fez essa oração por aqueles queridos irmãos em Filipos? Ele orou assim, como vemos em Filipenses 1:10:
Para que aprovem as coisas excelentes,
a fim de serem sinceros e irrepreensíveis até o dia de Cristo.
Aprovar as coisas excelentes. Aprovar significa simplesmente colocá-las à prova. Você as testa para verificar seu valor, sua autenticidade e a superioridade daquilo que se destaca.
Há algumas semanas, quando compartilhei, falei sobre minha estadia em Seattle e sobre os voos de teste da Boeing realizados ali. Esses voos colocam os aviões à prova. Procuram levá-los além dos limites previstos no projeto.
Vemos como o Senhor deseja que O coloquemos à prova, para que Ele possa demonstrar Quem é e para que O conheçamos de maneira mais profunda e plena.
Esse pequeno contexto aqui é interessante. Não se trata apenas de ser capaz de distinguir, mas de acolher aquilo, escolhê-lo e aplicá-lo à nossa vida. Estamos dizendo: “Isso é do Senhor, e estou escolhendo seguir por esse caminho. Vou permitir que isso opere de verdade na minha vida”.
Não ficamos apenas observando como juízes em uma competição de ginástica, capazes de distinguir: “Ah, este recebe um dez. Este recebe apenas oito e meio”. Não estamos apenas sentados, avaliando: este é muito bom, este é mais ou menos.
Mas, ao enxergar o caminho do Senhor, somos capazes de dizer: “Isso é do Senhor, e estou escolhendo seguir por esse caminho”. Permitimos que isso alcance nossa vida e passamos a andar de uma maneira que seja um testemunho para Ele. Isso se torna uma realidade para nós.
Sabemos que muito disso será contra a maré, contra a corrente desta era. Ela tentará nos empurrar em uma direção, mas Deus está dizendo: “Quero que você siga por esta direção”. Há um caminho estreito, e esse é o caminho pelo qual Ele quer que andemos.
Gosto muito de pensar nesse caminho estreito, porque quando é que ele parece estreito? Quando você não está nele.
Ao olhar de fora, você diz: “Ah, esse caminho é estreito. Vai me custar alguma coisa chegar ali”. Muito bem. Mas, quando você está nesse caminho estreito, como ele parece?
Há uma vastidão. Há uma amplitude ali. Você diz: “É porque esse caminho é Cristo”. Você entra no caminho dEle e na Sua maneira de andar.
Quando vemos isso, dizemos: “Nossa! Olhem o amor de Cristo. Olhem a vastidão da Sua misericórdia. Olhem as riquezas do Seu esplendor, para as quais Ele nos chamou”. Quando estamos nele, seguindo por esse caminho, de repente não há estreiteza, porque estamos vendo Cristo.
Saímos desse caminho, olhamos de fora e dizemos: “Ah, é tão estreito. Vai me custar isso. Não quero fazer aquilo”. Ah, não. Entramos nesse caminho estreito e descobrimos uma riqueza ali. Isso é entrar nas riquezas de Cristo. É nos tornarmos cada vez mais abundantes nEle. Graças a Deus por isso.
Ele fala de como podemos distinguir entre as coisas que diferem, ou entre as coisas excelentes. É simplesmente discernir o que pertence à Sua vida e o que não pertence à Sua vida. Há uma simplicidade nisso.
Vemos isso aplicado na carta aos Filipenses. Paulo contrasta dois grupos de obreiros. Ao ler Filipenses 1, vemos que havia alguns pregando o evangelho ali. Paulo estava preso em Roma naquele momento, e esse é todo um outro aspecto desta carta: Paulo em Roma, escrevendo uma carta tão cheia de alegria e de amor abundante.
Não parece uma carta escrita por alguém que está na prisão. Mas, graças a Deus, Paulo podia estar fisicamente preso, porém era livre e desfrutava do Senhor. Então escreve essa bela carta.
Ele diz: “Sabem, em Roma há alguns pregando o evangelho, e muitos estão sendo salvos; eles fazem isso com um coração puro. Mas há outros pregando o evangelho por inveja, por ambição egoísta, até tentando me prejudicar. Mas Cristo está sendo anunciado”.
Ele consegue distinguir entre os que pregam o evangelho com uma motivação pura e os que o pregam por inveja e rivalidade. Graças a Deus, ainda assim ele diz que Cristo está sendo anunciado.
Mas, quando chegamos a Filipenses 3, ele identifica um grupo completamente diferente. Em Filipenses 3:2, encontramos alguns judaizantes. Paulo discerniu quem eram esses homens, embora talvez usassem algumas das mesmas palavras e da mesma terminologia religiosa.
Ele diz:
Cuidado com os cães,
cuidado com os maus obreiros,
cuidado com a falsa circuncisão.
Há falsidade ali. Eles estão tentando roubar, tirar algo da obra de Cristo. Como vemos isso nos dias em que vivemos! Há tantos tentando diminuir a obra de Cristo.
Esta mesa diante de nós é um testemunho maravilhoso de tudo o que o Senhor fez. Há uma grande batalha nos dias em que vivemos. Alguns tentam até tirar algo disso ou acrescentar algo. Essa tem sido uma luta ao longo da história do cristianismo.
Há pessoas que tentam diminuir tudo o que Cristo fez no Calvário. Dizem: “Sim, Cristo morreu por você, mas você ainda precisa voltar e fazer isto e aquilo na sua vida. Precisa pensar nisso”. Mas não — nosso pecado, tudo, foi resolvido no Calvário.
Agora, quando somos salvos, se fizemos algo concreto contra outras pessoas, o Senhor pode nos convencer a procurá-las, pedir perdão e acertar as coisas. Mas, quanto à nossa condição diante dEle, somos novas criaturas. O passado foi encerrado. Não precisamos voltar para além disso. Está resolvido. Graças a Deus por isso.
Também ninguém deveria dizer: “Bem, agora que você é cristão, precisa fazer isso ou precisa daquilo. Precisa disso; precisa receber…”. Alguns chegam a condicionar a conversão ao batismo: “Você precisa ser batizado”. “Ah, você precisa ter outra experiência com o Espírito para ser cristão”.
Não. Há tantas coisas que acabam sendo distorcidas. Que possamos discernir o que realmente é dEle e o que não é, porque isso traz completa confusão e caos. Vemos que é uma tragédia dentro da igreja hoje.
Nem preciso dizer muito sobre essa questão do amor com discernimento dentro da família. Quero dizer, os pais ficam perplexos muito depressa. Mas há um caminho. Isso se torna muito prático na família: como demonstrar realmente o amor de Deus, com conhecimento e discernimento, ao seu filho enquanto você o cria?
É a mesma coisa quando estamos no trabalho com nossos colegas ou quando lidamos com situações dentro da congregação. Essa foi uma das questões que surgiram em Filipos.
Em geral, na carta à igreja em Filipos, não vemos erros gritantes. Mas, mais adiante, em Filipenses 4, Paulo diz: “Agora, quanto a essa questão do amor com discernimento, quero que Clemente e alguns dos outros ajudem estas duas irmãs que estão tendo dificuldades”.
Essas duas irmãs amavam o Senhor. Tinham sido muito fiéis em servi-Lo, mas algo havia se colocado entre elas. Se era rivalidade ou se uma queria ter a preeminência, realmente não sabemos os detalhes. Mas algo havia se colocado entre duas irmãs fiéis no serviço ao Senhor.
Ele está orando por elas: “Agora, Clemente e vocês, os outros irmãos, precisam do amor de Deus com discernimento para saber como ajudar essas duas a voltar ao caminho certo e a seguir plenamente o Senhor”. Elas haviam sido muito usadas, mas agora havia uma distração, um impedimento.
Quantas vezes percebemos o quanto precisamos desse amor com discernimento ao lidar com os irmãos e irmãs e nos relacionar com eles? Muitas vezes tratamos das coisas por nossa própria capacidade, todos ficam ofendidos e tudo explode em uma enorme confusão.
Ah, que o Senhor nos conceda essa capacidade de conhecer o Seu caminho em meio a essas situações.
Essa é a beleza que vemos no livro de Atos: como o Senhor lidou com problemas e situações, seja a distribuição de alimento às viúvas helenistas, sejam os vários outros problemas que a igreja encontrou.
Por causa do discernimento, por causa desse conhecimento e desse amor com discernimento, houve um caminho que acabou fortalecendo os irmãos e irmãs, elevando o testemunho e fazendo o evangelho avançar ainda mais. É isso que desejamos nestes últimos dias.
Ele os exorta a fazer isso para que, como continua dizendo em Filipenses 1:10-11, sejam sinceros e irrepreensíveis, cheios desse fruto de justiça. É uma questão do caráter interior e da natureza de Cristo formados em nós.
O fruto de justiça é simplesmente a manifestação da Sua vida. Gosto muito de como esse versículo diz:
Para serem sinceros e irrepreensíveis.
Ele fala no presente. É assim que devemos ser agora.
Não se trata de sermos puros e irrepreensíveis apenas no futuro, depois que o Senhor vier, estivermos no Seu reino e tudo tiver mudado. Seremos puros e irrepreensíveis então. Sim, graças a Deus, seremos. Mas hoje Ele deseja que nós, como povo de Deus, pela Sua graça, sejamos puros e irrepreensíveis diante dEle.
Essa pureza significa simplesmente que não há mistura. Não há mistura ali, nenhuma substância estranha. Se vocês tiverem mais alguma pergunta sobre pureza e sinceridade, podem perguntar a qualquer um dos jovens que participaram do retiro há algumas semanas. Eles receberam uma boa dose de ensino sobre pureza e sinceridade.
Uma das palavras aqui, sinceridade, significa ser testado pela luz do sol. Quando acendemos uma luz forte, aquilo que é do Senhor resiste, e aquilo que não é não resiste.
Colocamos Tony sob aquela luz forte. Ela resistiu.
Mas somos gratos. O texto também fala de sermos puros e irrepreensíveis. Irrepreensível significa simplesmente que não seríamos uma pedra de tropeço para nossos irmãos e irmãs. Que andaríamos de uma maneira que não levasse as pessoas a tropeçar.
Podemos dizer que, em muitos aspectos, a sinceridade trata do nosso caráter interior, da integridade do nosso coração. A irrepreensibilidade se refere mais à nossa conduta exterior, às nossas ações. O Senhor deseja realizar essa obra em nós, para que nosso caminhar e nosso testemunho sejam irrepreensíveis e para que sejamos cheios dessa vida maravilhosa que Ele colocou dentro de nós.
Tudo isso tem em vista aquele dia de Cristo.
Enquanto meditava nisso, pensei em um exemplo das Escrituras que nos ajuda muito por meio de um contraste. Ele nos mostra a necessidade vital do amor com discernimento nas histórias de duas famílias.
Gosto de contrastar José e seus irmãos com Davi e dois de seus filhos, Amnom e Absalão.
A maioria de nós conhece bem José e sua situação. Seus irmãos o venderam como escravo, e ele acabou se tornando o segundo governante de todo o Egito. Por fim, por causa da fome, seus irmãos foram até ele em busca de alimento.
Sabemos que José desejava que seus irmãos fossem plenamente restaurados. Para mim, José é uma bela imagem do amor com discernimento.
Ele sabia que, para seus irmãos serem realmente restaurados e voltarem ao propósito de Deus para eles como família, precisavam chegar ao ponto de assumir a responsabilidade por suas ações e se arrepender.
Em muitos aspectos, teria sido muito fácil José dizer: “Ei, sou José, o irmão de vocês. Estamos todos juntos”. Mas haveria uma questão não resolvida que continuaria a atormentá-los, corroendo-os por dentro.
Mas Deus, em Sua grande sabedoria, com esse conhecimento e discernimento, diz: “Não, precisamos de um pouco de tempo”. Isso pode parecer estranho ao ser humano. A mente natural não vai entender. Mas, no caminho de Deus, há uma maneira pela qual essa reconciliação deve acontecer.
Foi um processo doloroso, mas cheio de conhecimento e discernimento, e conduziu à vida. Graças a Deus, quando José e seus irmãos foram plenamente restaurados, vemos esse amor divino. Vemos esse amor genuíno que restaura plenamente a família. Eles podem continuar no propósito de Deus.
Há um acerto com o passado. Há questões sendo tratadas. Há uma aceitação de responsabilidade. Há uma confissão. O Senhor providenciou um caminho.
A mente natural não entende isso. Mas, no caminho divino de Deus, eles passaram por esse processo para que aquela família fosse reunida. Na verdade, o mundo foi salvo, e o propósito de Deus prosseguiu.
Para mim, José é um belo exemplo de alguém conduzido por esse amor com discernimento, porque seu coração estava voltado para os interesses de Deus.
José não estava interessado apenas em renovar o relacionamento com seus irmãos. Ele queria isso. Mas, acima de tudo, queria que eles voltassem a uma posição em que pudessem ser usados por Deus no Seu reino e no Seu propósito.
Por meio desse processo, vemos uma grande sabedoria se manifestando. Graças a Deus, é um testemunho maravilhoso de como o Senhor pode realizar uma obra extraordinária de restauração.
Agora, se formos a 2 Samuel, encontramos um contraste em 2 Samuel 13–19. Esses não são os melhores capítulos da vida de Davi. Sabemos que Davi era um homem segundo o coração de Deus.
Mas, em 2 Samuel 13, um dos filhos de Davi, Amnom, abusou de sua meia-irmã Tamar. Davi ficou muito irado, mas não fez nada.
Tamar tinha um irmão chamado Absalão. Absalão e Tamar eram filhos de uma das esposas de Davi. Amnom era filho de outra esposa.
Então Absalão tomou a situação nas próprias mãos e assassinou Amnom. Davi soube disso, mas, novamente, não fez nada.
Mesmo quando Absalão fugiu, Davi ficou apenas lamentando. Dizia: “Absalão se foi”, e se sentia muito mal por isso.
Talvez Davi pensasse que estava salvando a família. Dizia: “Ah, só quero deixar essas coisas se acomodarem”. Mas isso é uma fraqueza. É aqui que Davi se torna sentimental.
Se alguém sabia o quanto Deus pode perdoar uma pessoa envolvida em adultério ou imoralidade sexual, Davi sabia. Se alguém sabia como Deus pode perdoar um assassino, Davi sabia.
Mas Davi não agiu com amor e discernimento naquele momento. Havia uma fraqueza em sua vida, e ele permitiu que o sentimentalismo prevalecesse. Mesmo quando Absalão foi trazido de volta, Davi nunca o responsabilizou. Nunca o chamou para tratar da questão. Nunca o responsabilizou por suas ações.
Isso levou à rebelião de Absalão e, depois, tragicamente, à sua morte pelas mãos de Joabe em uma batalha. Davi havia até dito: “Não matem Absalão”. Joabe o matou.
Davi ainda não despertou naquele momento. Depois que o povo de Israel enfrentou essa batalha e Absalão foi morto, Davi ficou de luto. Chorava: “Ah, Absalão, Absalão, meu filho”, dominado por esse sentimentalismo.
Joabe praticamente sacudiu Davi e disse: “Acorde. Se nós tivéssemos morrido e Absalão tivesse vivido, você estaria se alegrando”.
Absalão estava em rebelião, e Davi voltou a si. Naquele momento, Davi havia permitido que o sentimentalismo prevalecesse em sua vida sobre o amor com discernimento. Por causa disso, o reino foi ameaçado.
Deus cuida do Seu reino, mas o reino ficou ameaçado por algum tempo. Vemos como o Senhor prevalece no final.
Agora, quero deixar claro que esta é uma opinião pessoal. Creio que, se Davi tivesse tratado com Amnom quando ele abusou de Tamar, agindo com amor e discernimento e levando-o ao arrependimento, nada disso teria acontecido.
Mesmo que não tivesse tratado com Amnom, mais tarde, quando Absalão matou Amnom, creio que, se Davi tivesse confrontado Absalão naquele momento e o restaurado com amor e discernimento, o restante da rebelião de Absalão não teria acontecido.
Penso que, se Davi, pela graça de Deus, tivesse se apropriado desse amor com discernimento, tanto Amnom quanto Absalão teriam servido ao propósito de Deus no reino de Deus. Não seriam reis, mas seriam filhos do rei e estariam no reino.
Teriam sido conduzidos ao ponto de assumir a responsabilidade e conhecer o perdão de Deus. Agora, isso é apenas uma opinião pessoal. Não está nas Escrituras. Mas vejo a misericórdia de Deus. Vejo o que Ele fez na vida de Davi e creio que desejaria fazer o mesmo na vida de seus filhos.
Ele deseja fazer isso em nossa vida de maneira mais plena e profunda.
Vemos que a batalha em que José estava envolvido era pelo propósito de Deus. A batalha em que Davi estava envolvido era pelo propósito de Deus. A batalha em que nós estamos envolvidos é pelo propósito de Deus.
Uma das chaves para realmente prosseguirmos e avançarmos nestes últimos tempos é entrarmos de fato nessa realidade do amor com discernimento.
Ao longo dos Evangelhos, quando nosso Senhor falava sobre esses tempos, Ele dizia: “Vocês sabem reconhecer os sinais do tempo, mas não conseguem discernir os Meus sinais”.
Somos hoje um povo que discerne os sinais? Estamos sendo treinados por Ele de tal maneira que, quando Ele diz:
Vigiai, permanecei atentos.
Levantai a cabeça; a vossa salvação se aproxima.
Nós realmente O enxergamos e somos aquilo que Ele nos chamou para ser?
Ou estamos distraídos com tantas outras coisas? Aí está a batalha. Estou quase tentando encontrar palavras intensas o suficiente para descrever a batalha em que estamos e o grande chamado de Deus sobre cada um de nós para entrarmos nessa realidade do amor com discernimento.
Há tanto do espírito do humanismo nos permeando, e o sentimentalismo que o acompanha enfraqueceu a igreja. Enfraqueceu a igreja a ponto de ela agora estar aberta a tantas coisas, a tantos ensinamentos e a tantas práticas que simplesmente aceitamos.
Há uma aceitação de certas coisas que acontecem que não é uma aceitação santa. Mas será que realmente conhecemos a diferença?
Quando um irmão compartilha sobre isso, a questão não é se há amor ou não. Como eu estava dizendo àqueles irmãos na Califórnia, a respeito da homossexualidade e de tudo o que acontece hoje, uma das coisas que as pessoas dizem é: “Deus os ama”. Bem, é claro que Deus os ama. Ele ama cada um de nós.
A questão não é o amor de Deus. É uma questão de ações. As pessoas dizem: “Bem, eles nasceram assim”. Bem, todos nós nascemos assim. Todos nascemos pecadores reprovados. Não é como se houvesse um grupo que nasceu pior do que os outros. Todos nós nascemos nessa condição.
Mas Deus veio e interveio divinamente em nossa vida. Há uma batalha contínua que precisa acontecer dentro de nós todos os dias, para discernirmos as coisas que são dEle.
Quando Ele fala de ser um Deus santo e justo, isso é maravilhoso, e sou muito grato pela adoração de hoje, que expressou a vastidão do amor de Deus. Mas podemos até nos deixar levar por isso e transformar o amor de Deus em sentimentalismo, fazendo dele um amor que apenas nos faz sentir bem.
Cristo não Se sentiu muito bem quando estava na cruz, mas aquela é a maior demonstração de amor.
Estamos dispostos a seguir por esse caminho? A permitir que a vida de Cristo cresça em nós, cresça entre nós, para que sejamos o testemunho que Deus nos chama a ser nesta hora? Para que sejamos puros e irrepreensíveis até aquele dia de Cristo, até aquele tribunal, até aquele dia?
O Senhor está nos chamando e nos dando essas oportunidades. Hoje é o dia que temos, e Ele nos chama a responder-Lhe.
Que sejamos pessoas encorajadas por essa oração de Paulo e que também a façamos: “Senhor, torna esta oração muito pessoal em nossa vida. Senhor, quero que o Teu amor seja abundante em mim, mas quero que seja abundante em conhecimento e discernimento”.
“Ah, que eu realmente seja capaz de distinguir o que é de Ti nestes dias e neste tempo. Às vezes me vejo em tanta confusão. Não sei por qual caminho seguir. Mas, Senhor, Tu conheces o caminho, e quero encontrá-lo.”
Deus, em Sua grande misericórdia e em Seu amor, nos mostrará. Quando clamarmos a Ele, Ele nos mostrará esse caminho e nos conduzirá por ele, para um fortalecimento ainda maior e para que Sua volta seja apressada.
Vamos orar.
Senhor, somos tão gratos pelo chamado que Tu tens para cada um de nós. Senhor, somos tão gratos pelo Teu grande amor.
Como dissemos, Senhor, Tu não podes nos amar mais. Tu nos amaste plenamente. Mas todos vemos que ainda não entramos na experiência da plenitude do Teu amor.
Senhor, queremos ter um coração sincero diante de Ti. Onde estivermos substituindo o amor genuíno, divino e cheio de discernimento pelo sentimentalismo, Senhor, mostra-nos. Faz brilhar a Tua luz.
Senhor, queremos ser encontrados puros e irrepreensíveis aos Teus olhos. Somos gratos, Senhor, porque Tu abriste um caminho para isso. Pela fé, podemos entrar nele.
Em nome de Jesus. Amém.