Bem, somos gratos por podermos estar juntos.
Sabem, uma das coisas que já me chamaram bastante a atenção neste fim de semana é como todos esses universitários ficam orgulhosos de contar a vocês, mais novos, como é a vida na faculdade. Mas deixem-me contar um segredo.
Há um irmão mais velho que se reúne conosco, chamado Stephen Kong. Quando ele fala sobre estar na escola de Cristo, não fala em se formar na universidade. Ele diz que, na verdade, na escola de Cristo, começamos na universidade, porque temos muito conhecimento na cabeça, em nós mesmos.
E sabem onde nos formamos? No jardim de infância. Voltamos a um lugar de simplicidade. Saímos de toda a complexidade de tudo o que sabemos. Voltamos àquele lugar de fé como a de uma criança, e esse é o nosso objetivo. Nosso objetivo é o jardim de infância, não a faculdade.
Então vocês já estão mais perto do objetivo do que todos esses outros aí. Sabem, eles estão pegando no pé de vocês. Então vou dar um pouco de munição, caso precisem pegar um pouquinho no pé deles neste fim de semana.
Mas, na verdade, isso faz parte da nossa vida cristã: chegamos e precisamos desaprender tanta coisa para simplesmente aprender Cristo. Essa é, em essência, a vida cristã. É esquecer de nós mesmos, deixar de lado todas essas coisas que sabemos e procurar voltar a uma vida simples, na qual Cristo é o nosso tudo em todos, Cristo é essa simplicidade, Cristo é a nossa suficiência. Esse é o nosso objetivo.
Então, enquanto estamos aqui neste fim de semana, apreciei o que foi compartilhado ontem à noite por alguns daqueles que tinham esse encargo, embora fossem universitários olhando vocês de cima para baixo. Mas eles estavam nos trazendo de volta a Cristo, à simplicidade. Trata-se de Jesus. Trata-se de obedecer a Ele. Trata-se de andar com Ele. Por isso, queremos continuar nesse espírito nesta manhã.
Senhor, somos muito gratos por podermos estar juntos aqui neste fim de semana. Somos gratos pela bênção da Tua vida. Somos gratos pela maneira como cuidas de nós. Tu nos chamas para Ti mesmo, e nós realmente nos achegamos. Olhamos para Ti, Senhor, para que venhas ao nosso encontro agora, nos encorajes e fales ao coração de cada um de nós. Em nome de Jesus, amém.
Sei que vocês já estão sentados há algum tempo, e vou compartilhar por apenas umas duas horas e meia. Então, se ficarem cansados durante esse tempo, fiquem à vontade para se levantar. Não haverá problema algum.
Vamos abrir em 2 Coríntios 11:1-3. Vou ler esses versículos, nos quais Paulo escreve a esses irmãos.
Quisera que me suportásseis um pouco na minha loucura; mas, de fato, vós me suportais.
Porque zelo por vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem pura.
Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, a vossa mente seja desviada da simplicidade e pureza da devoção a Cristo.
Agora, acho que, logo ao começar a ler esses versículos, vocês percebem no coração de Paulo que ele realmente se importa com essas pessoas. Ele não está escrevendo a desconhecidos. Está escrevendo a pessoas que conhece há algum tempo.
Uma das coisas fundamentais que vemos nesses versículos é que Paulo tem um relacionamento com esses irmãos. Ele se importa com eles. Na verdade, Paulo passou cerca de um ano e meio com esses queridos irmãos em Corinto, compartilhando com eles. E, como lemos em 1 Coríntios 2:2, ele simplesmente pregava Cristo:
Prego a Cristo, e Este crucificado.
Ele os estava conduzindo a Cristo, pois eles estavam cheios de tanto conhecimento mundano.
Paulo realmente se importava com eles e os amava. Por amá-los tanto, havia ali um zelo, e ele percebeu uma mudança. Porque, quando você ama alguma coisa, percebe quando ela muda.
Tragam isso para a própria vida de vocês. Se alguém é muito próximo de você, e você realmente ama essa pessoa e se importa com ela, percebe pequenas mudanças. Seu celular — que eu sei que nenhum de vocês ama —, se de repente começa a se comportar de maneira estranha, você percebe a mudança na hora. Se seu tablet ou computador começa a não responder, você percebe imediatamente.
As coisas com as quais você se importa — o videogame que, de repente, começa a ficar lento; o carro que você compra, seu primeiro carro, pelo qual está apaixonado —, você percebe quando aparece um barulhinho no motor. Você percebe o que acontece com as coisas que mais lhe importam. Se não se importa com alguma coisa, não presta muita atenção até que aconteça uma mudança muito grande.
Isso realmente nos mostra o relacionamento de Paulo com os irmãos de Corinto. Porque os amava, ele se importava com eles e começou a perceber alguma coisa. Esse é um dos chamados de Deus para nós. Ele nos colocou aqui juntos para que possamos encorajar uns aos outros e caminhar juntos.
Por termos esses relacionamentos de amor Nele, também podemos perceber coisas uns nos outros e perguntar: “Ei, você está bem?”. Essa é a preciosidade do corpo de Cristo. Quando estamos juntos e começamos a perceber essas pequenas mudanças, identificamos as coisas rapidamente, antes que seja tarde demais.
Por isso, Paulo diz que tem zelo por eles. Agora, essa palavra não parece um pouco estranha: ciúme?
Deixem-me fazer uma pergunta. Nesta pergunta, ninguém pode ficar em cima do muro. Todo mundo precisa levantar a mão. Ciúme é uma palavra boa ou ruim? É uma palavra positiva ou negativa?
Quantos dizem que ciúme é uma palavra ruim? Sem problema. Certo, agora quantos dizem que ciúme é uma palavra boa?
Bem, sabem de uma coisa? Todos vocês estão certos. Pensaram que eu ia fazer uma pegadinha. Eu não sou assim. O Jeffrey talvez faça uma pegadinha. Eu sou o bonzinho aqui neste fim de semana. Temos o policial bonzinho e o policial durão; já está tudo acertado.
Ciúme é uma palavra boa, mas, na verdade, é uma palavra neutra. Hora de um teste de conhecimento bíblico: na Bíblia, quem é a primeira pessoa descrita como ciumenta?
Na verdade, essa palavra só aparece em Êxodo. É Deus — vejam só! Na primeira vez em que a palavra zeloso é usada, Deus está descrevendo a Si mesmo. Ele diz:
Sou Deus zeloso.
Porque Ele tem zelo por nós.
É aí que está a diferença no sentido dessa palavra. Deus tem zelo para que conheçamos Seu Filho. Agora, em nossa natureza humana, temos inveja das coisas. “Tenho inveja do carro deles. Tenho inveja porque eles têm um iPhone novo. Tenho inveja do cabelo dela: nunca fica com frizz nem nada. O cabelo dela está sempre perfeito.”
Temos nossas pequenas coisas das quais sentimos inveja, e esse é o sentido negativo. Mas zelar por é diferente: temos zelo uns pelos outros no Senhor. Paulo tinha zelo pelos irmãos de Corinto, para que prosseguissem no Senhor. Então esse sentimento, em si, é neutro; depende de como é direcionado.
A preposição define o sentido: ter inveja de ou ter zelo por. No final, vamos ter uma prova com todas essas perguntas.
Nesse versículo, Paulo também fala de como os desposou, ou os colocou em um compromisso de noivado. Agora, isso nos parece um pouco estranho. Mas uma das coisas que acontecem quando você nasce de novo é que você entra em um noivado e passa a fazer parte da noiva.
Agora, rapazes, sei que isso parece um pouco engraçado. Mas essa noiva que está se preparando tem membros do sexo masculino e do feminino. Antigamente, quando você ficava noivo, não era como hoje. Se olharmos para alguém que está noivo hoje, parece que está pensando: “Ah, ainda tenho sete meses de liberdade e vou fazer tudo o que quero, porque, depois que me casar, não vou poder fazer”.
Mas antigamente — e esse é o verdadeiro espírito disso —, assim que você ficava noivo, seu compromisso já era tão sério quanto no casamento. A partir daquele momento, você começava a viver para a pessoa com quem estava noivo.
É isso que Paulo está dizendo a cada um de nós: estamos noivos de Cristo. Cada um de nós está usando uma pequena aliança de noivado, sabem, e estamos comprometidos com Ele. Não importa o que você pensa. Não importa se você não se sente noivo. Não importa nem mesmo se discorda disso. Quando você nasce de novo, entra nesse compromisso de noivado. Essa é a verdade na Palavra de Deus.
É maravilhoso o que Ele fez. Já ouvimos falar da preparação da noiva, e a noiva se prepara à medida que mais de Cristo é formado em nós. Esse processo de noivado é a vida de Cristo sendo desenvolvida e manifestada em nós.
Paulo estava lembrando os irmãos de Corinto: “Vocês sabem dessas coisas. Isso não é novidade. Vocês sabem, mas estão começando a se afastar”. É interessante como ele usa esta expressão no final de 2 Coríntios 11:2:
Para vos apresentar como virgem pura.
De certa forma, isso parece bastante estranho, porque vocês conseguem imaginar uma virgem impura? Você pensa: “Uma virgem, essa pessoa é pura”. Mas o Espírito Santo nunca usa palavras de maneira descuidada.
Sabemos que virgem se refere à virgindade física, e é isso que Deus deseja para todos nós antes do casamento. Mas, quando Ele acrescenta a palavra pura, a palavra virgem se refere mais ao aspecto físico, enquanto pura se refere a um caráter interior.
Ele está dizendo: “Não quero apenas que vocês estejam bem exteriormente. Não quero apenas que cumpram os ritos exteriores e façam tudo certo. O que Me interessa é o caráter interior de vocês, a pureza da vida de vocês”. É isso que Deus está sempre buscando.
Sim, Ele ama as manifestações exteriores, e elas virão à medida que andarmos com Ele. Mas elas vêm de uma vida interior pura. É por isso que Ele tem tanto zelo.
Paulo, em seu amor por eles, estava percebendo alguma coisa. Ele percebeu, como lemos em 2 Coríntios 11:3, que estavam sendo afastados da simplicidade e da pureza de sua devoção a Ele.
Dependendo da tradução que vocês têm, às vezes não aparece a expressão “devoção a Cristo”. Traduções diferentes usam expressões diferentes, mas, em todas elas, o espírito disso está presente. Vamos usar a New American Standard, porque eu uso a New American Standard, e essa é a tradução certa. Ah, vocês que usam a tradução de Darby, me desculpem.
Quando pensamos em simplicidade, já recebemos uma definição ontem à noite. A Emma nos deu uma ótima definição de simplicidade. Ela se antecipou a mim; roubou meu material.
Simplicidade é algo muito simples. É algo que é único, sem divisão. Não é complexo. Falamos de ter um coração inteiramente voltado para o Senhor.
O oposto da simplicidade é a complexidade. Complexidade significa simplesmente acrescentar alguma coisa a outra na tentativa de melhorá-la. Você tem algo muito simples, mas não está satisfeito. Quer acrescentar alguma coisa para torná-lo melhor.
Era isso que os irmãos de Corinto estavam fazendo. Vemos isso no mundo, mas também acontece muito no cristianismo. Cristo não é suficiente, então alguém diz: “Ah, precisamos acrescentar isto. Ah, você precisa fazer isto. Precisa fazer aquilo”.
De repente, todos esses acréscimos que fizeram a Cristo tornam essa vida tão pesada e complicada. O espírito deste fim de semana é desfazer tudo isso: remover todos esses acréscimos, remover todas as complexidades e nos trazer de volta à simplicidade que temos em Cristo.
O texto fala não apenas de simplicidade, mas também de pureza. Pureza significa simplesmente estar livre de impurezas. É estar limpo por dentro. Não há misturas.
Se alguma coisa não é pura, algo foi acrescentado a ela. Quando algo é acrescentado, isso a dilui. Pode diluir ou contaminar e torna essa coisa menos eficaz; ela já não cumpre aquilo para o qual foi originalmente feita. Isso a enfraquece.
Quando falamos de nos afastar da simplicidade, coisas são acrescentadas a Cristo. Quando falamos de nos afastar da pureza, coisas entram e diminuem o efeito de tudo o que Cristo fez por nós.
Vou mostrar algumas ilustrações aqui, porque recursos visuais sempre funcionam melhor. Ninguém ficou se perguntando o que havia nessas sacolas, mas vamos ver o que tem na sacola número um.
Na sacola número um, temos pura e simplesmente água. Temos dois copos, e vamos colocar pura e simplesmente água nos dois. Na verdade, esta é água purificada.
O que há nesses copos? Nada além de água — a menos que você seja um engraçadinho e diga: “Mac, tem água na parte de baixo e ar na parte de cima”. Mas não são permitidos engraçadinhos neste fim de semana. Isto é água pura.
Agora temos o favorito de todo mundo: vinagre de maçã. Quantos de vocês tomam vinagre de maçã todos os dias? Quero dizer, vocês não tomam mesmo? Não é uma das coisas que gostam de beber? Bem, quando ficarem mais velhos, vão começar a tomar. Faz bem.
Quanto vinagre de maçã é necessário para tornar a água impura? Uma gota. Uma gota.
Agora, este copo aqui já não está puro. Mas alguém consegue ver a diferença? A aparência mudou? Parece praticamente igual. Até o gosto é o mesmo. Sempre tem um desses no meio da turma; eu avisei.
Agora apliquem isso espiritualmente. Às vezes, podemos ter contato com alguma coisa impura, alguma coisa do mundo, ou dizemos: “Bem, vou fazer isto. Não vai fazer mal nenhum”. Então você faz e não percebe nenhum efeito real na sua vida. As pessoas ao redor não percebem nenhum efeito, e você diz: “Ah, está vendo? Não teve problema”. Mas isso é impuro.
Vivemos hoje em um mundo tão relativista que pensamos que podemos classificar os pecados. Dizemos: “Esse é um pecado pequeno. Isso não vai fazer tanto mal. Esse é um pecado grande. Esse eu não vou cometer; sei que não devo fazer isso. Mas esta coisinha aqui, ninguém vai ver”. Só que ela produz impureza.
É a isso que o Senhor está nos chamando. Ele quer que despertemos e enxerguemos. Está nos chamando a esse lugar de realmente sermos puros Nele.
À medida que continuamos nessa impureza, podemos colocar um pouco mais de vinagre de maçã. Quando colocamos um pouco mais, começamos a perceber um sabor. Alguns de vocês aqui na frente provavelmente já conseguem notar uma diferença. É preciso olhar bem, não é? Vocês que estão lá atrás talvez nem consigam perceber a diferença, por estarem longe.
Esse é o valor dos relacionamentos. Se somos próximos uns dos outros, podemos começar a perceber coisas uns nos outros, porque nos amamos e nos importamos uns com os outros.
Podemos pensar: “Ninguém percebe”. As pessoas que estão longe de nós talvez não percebam. Por exemplo, sei que nenhum de vocês jamais faz isso, mas você vai à reunião no domingo. Entra naquela sala, e a maioria das pessoas não o conhece. Talvez tenha feito alguma coisa durante a semana, mas coloca aquela carinha simpática e entra.
Todo mundo pergunta: “Como você está?”. Você responde: “Estou bem, bem, bem”. Mas então os que são próximos de você perguntam: “Tem certeza de que está bem? O que aconteceu nesta semana?”. É por amor, não para julgá-lo, mas porque o amam e se importam com você.
Os que são mais próximos começam a perceber as coisas. Mas, se você continua, acrescenta mais vinagre de maçã, e então sua vida desmorona, e todos conseguem ver e perceber a diferença. Você fica azedo, difícil de conviver. As pessoas não querem ficar perto de você.
Mas aqueles que o amam são como Paulo e dizem: “Ei, tenho zelo por você. Eu me importo com você. Estou preocupado porque você está sendo afastado da simplicidade e da pureza, pois essa é a vida para a qual o Senhor está nos chamando”.
A preocupação de Paulo era com os irmãos de Corinto. Ele disse: “Receio que, assim como o inimigo desviou Eva, vocês também estejam sendo desviados”. Então vamos voltar ao princípio. Vamos olhar a história de como Eva foi desviada. Nós a conhecemos, por isso não vamos entrar em todos os detalhes. Mas vamos olhar Gênesis 3.
Gênesis 3 — na minha Bíblia aqui, fica na página dois. Fomos chamados a essa vida de simplicidade e pureza. Foi exatamente nessa vida que Adão e Eva foram colocados no jardim do Éden. Era um lugar maravilhoso. Era uma vida pura e simples.
Mas sabemos que, ao chegar a Gênesis 3, lemos sobre como Eva foi desviada. O inimigo chegou e começou a tentar Eva.
Quantas árvores havia no jardim? Um monte, certo. Quais são as duas árvores mais famosas? A árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
A árvore da vida é uma árvore boa. Então, se a árvore da vida é boa, a árvore do conhecimento do bem e do mal é uma árvore ruim? Não. Deus lhes disse que não comessem dela, mas não havia nada de errado com a árvore em si. Tudo o que Deus cria é bom.
Deus colocou essas duas árvores ali e disse: “Quero que vocês Me obedeçam. Não quero que comam daquela árvore”. A questão era a obediência deles. Ele queria que reconhecessem que estavam debaixo da Sua autoridade.
Sabemos que o inimigo chega, e há basicamente duas maneiras pelas quais ele tentou e pôs Eva à prova. Essas coisas continuam hoje, e são duas das maneiras pelas quais somos afastados da simplicidade e da pureza da nossa devoção a Ele.
Uma delas foi o ataque do inimigo à Palavra de Deus. O inimigo chega e diz: “Deus não quis dizer isso de verdade. Vocês não vão morrer”. Vemos como o inimigo chega e distorce a Palavra de Deus.
Eva também tornou a Palavra de Deus complexa. Lembrem-se: a palavra de Deus para Eva era muito simples: “Não coma”. Mas ela a tornou complexa ao acrescentar alguma coisa. Ela não disse apenas: “Não coma”, mas também: “Não toque”. Deus não havia dito isso.
Ela tornou complexa a palavra simples de Deus ao acrescentar alguma coisa. Podemos acrescentar coisas à Palavra, tirar coisas dela ou distorcê-la. Há um grande ataque à Palavra de Deus, e sabemos que isso está acontecendo hoje.
A segunda coisa que acontece nesse capítulo é que a autoridade de Deus é questionada. O inimigo questiona a autoridade de Deus. Eva tem esse desejo de fazer as coisas por conta própria. Ela e Adão vão fazer isso. Não vão depender de Deus.
Não temos tempo para um estudo detalhado, mas isso é interessante. Quando Deus fala sobre criar o homem, colocá-lo no jardim, dar as instruções a Adão e Eva e criar Eva, Ele é chamado de “Senhor Deus”. Senhor significa Mestre: não apenas Deus, mas Senhor. Quando usamos a palavra Senhor, pensamos no Mestre, no Chefe.
Mas é interessante: quando o inimigo chega, ele não usa “Senhor Deus”, porque não está debaixo da Sua autoridade. Diz apenas “Deus”. “Ah, sim, existe um ser supremo por aí.” Quando Eva responde, ela não diz “Senhor Deus”. Diz apenas “Deus”. De uma maneira sutil, a autoridade Dele está sendo questionada.
É isso que vemos acontecendo hoje. Duas coisas permeiam o nosso tempo: a dúvida quanto à Palavra de Deus e quanto a Quem Ele é, e o questionamento da Sua autoridade. “Será que Deus realmente está no controle deste mundo? Será que Deus realmente vai voltar? Por que o seu senhor demora tanto?” Vocês podem ver isso até nos Evangelhos.
O inimigo, logo no princípio, conseguiu tornar as coisas complicadas para Eva ao atacar a Palavra de Deus e questionar Sua autoridade. Em nossa vida pessoal, estamos firmados na certeza de que a Palavra de Deus é exatamente o que ela diz?
A Palavra de Deus diz que Ele ama você. Ouvimos ontem à noite e nesta manhã que Ele diz:
Estou com você.
Nunca o deixarei nem o abandonarei.
Estou com você.
Louvado seja Deus. Mas, quando nos encontramos em determinada situação, será que alguma vez duvidamos do amor de Deus? Esse pensamento pode entrar em nossa mente.
Se a Palavra não estiver firmada em nosso coração, podemos começar a alimentar esses pensamentos. Saímos do descanso. Tudo fica complexo. Deus está dizendo: “Permaneçam neste lugar de simplicidade. Eu disse; creiam”.
Quando nosso Senhor estava na terra, enquanto procurava encorajar Seus discípulos e aqueles a quem ensinava a permanecer nesse lugar de simplicidade e pureza de vida, havia uma coisa que Ele usava com frequência para descrever como as pessoas haviam se afastado da simplicidade e da pureza da devoção a Ele. Era o que chamamos de fermento.
Alguém sabe o que é esse fermento hoje? Levedura. Qual é o efeito da levedura? Ela faz a massa crescer.
Sacola número dois: temos dois tipos de pão. Consegui esta receita de pão com fermento. Peguei a receita de um pão comum, mas, minha gente, não deu certo, então fui ao mercado e comprei. Não sou padeiro. Olhei de novo e vi que havia algumas coisas nas instruções que eu não tinha seguido muito bem.
Olhando para esses dois pães, os ingredientes de ambos são farinha, óleo e um pouquinho de sal. Só isso. A única diferença neste aqui é que foi acrescentado fermento.
Quanto à substância da farinha e do pão, eles são iguais. Mas o fermento o incha e faz parecer que é algo que, na verdade, não é. O que ele fez foi criar muitas bolhas de ar ali dentro. Há muito mais ar neste aqui do que naquele.
É isso que pode acontecer na nossa vida cristã. As coisas podem ficar inchadas. Pensem em Eva, em como ela olhou para a árvore do conhecimento do bem e do mal: era agradável aos olhos. Vocês olham para esses dois pães: qual é um pouco mais agradável aos olhos? Este parece um pouco mais apetitoso do que este pedacinho de pão achatado aqui.
A menos que vocês sejam daqueles muito preocupados com alimentação saudável, vão escolher aquele. E ainda vão passar manteiga. Vão torná-lo mais complexo.
Quando olhamos essas coisas exteriormente, esse fermento simplesmente nos incha. Vemos isso no mundo o tempo todo. Temos ótimos exemplos, em meio a esta eleição, de homens inchados — e mulheres também —, cheios de conversa vazia. Estão tentando se engrandecer, falando de como são importantes.
Não há realmente nada a mais neles, mas continuam se inflando e dizendo: “Eu sou isto, eu sou aquilo”. É conversa vazia, e isso os faz crescer.
Infelizmente, até dentro do cristianismo e da religião, vocês podem ver as mesmas coisas. Podemos dizer: “Ah, participei de todas as conferências de famílias cristãs”. Como cristão, você aprende a dizer as coisas com humildade, mas tem muito orgulho da sua humildade. Entenderam?
Aprendemos que não podemos agir com orgulho, então aprendemos a falar com humildade. Mas, na verdade, por dentro estamos dizendo: “Participei de todas as conferências de jovens. Sou universitário e estou aqui para dizer a vocês, alunos do ensino fundamental, como as coisas realmente são”. Isso não foi uma indireta para ninguém.
Se vocês assistem a programas cristãos na televisão, alguns desses pregadores passam metade do programa dizendo: “Sou grande. Sou grande”. E isso vai ficando cada vez mais inchado.
O Senhor nos dá três exemplos nas Escrituras de como o fermento se manifesta na humanidade. Isso era verdade naquela época e continua sendo verdade hoje. Vejam Lucas 12:1.
Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
O fermento dos fariseus era a hipocrisia. Agora, o que é hipocrisia? Um hipócrita é alguém que está representando um papel. Não é real; você está fazendo uma encenação.
Geralmente, você está encenando para agradar a outras pessoas. Faz uma encenação baseada em alguma experiência passada ou tradição. Os fariseus se apegavam a todas as tradições dos antepassados e conseguiam cumprir todos os ritos exteriores. Mas não havia realidade na vida deles.
Essa é uma das coisas com as quais precisamos tomar cuidado como cristãos. É muito fácil aprender a nos comportar durante uma reunião. A maioria de vocês, por ter sido criada em lares cristãos, já frequenta reuniões. Assim que entra naquele prédio do número 4424, você sabe como pode agir. Sabe o que pode fazer. Sabe o que não pode fazer, independentemente do que seu coração esteja dizendo.
Espero que seu coração esteja no lugar certo. Mas, às vezes, nosso coração não está no lugar certo, e apenas cumprimos os ritos. Sabemos brincar de igreja, brincar de reunião, até mesmo durante os momentos de adoração.
O que o Senhor realmente procura são orações sinceras e cânticos que venham do coração. Ele não está procurando nossa apresentação. Não está procurando pessoas capazes de cantar todas as músicas com perfeição.
Você já se pegou cantando um desses cânticos, mas com a mente em outro lugar? Termina de cantar e pensa: “Nossa, acabamos de cantar isso, e eu nem estava presente”. Mas estava cumprindo os ritos exteriores. Estava representando.
Todos nós fazemos isso. Não vou ficar aqui dizendo que nunca faço. Temos essa tendência, porque dizer não a nós mesmos e sim a Cristo é uma luta que dura a vida inteira.
Para mim, uma das coisas que mais prejudicam a adoração são os retroprojetores. Por quê? Porque não precisamos aprender as letras. “Ah, posso ir. Outra pessoa já tem todas as letras para mim. Não preciso aprender.” Mas, se temos um verdadeiro coração de adoração, essas palavras estão no nosso coração.
Esses recursos ajudam, porque alguns de nós, mais velhos, já não conseguem lembrar todas as letras. Mas, às vezes, eu gostaria que quase desligássemos tudo e cantássemos de coração, permitindo realmente que o Senhor Se expressasse.
Até na oração: talvez você tenha tido um dia péssimo, ou talvez as coisas não estejam indo bem para você aqui. Há um momento de oração no alojamento, mas você já convive com cristãos há tempo suficiente para aprender a fazer orações aceitáveis — aceitáveis para nossos irmãos e irmãs, aceitáveis para as pessoas ao redor —, para parecer que está tudo bem.
Essa é a grande questão com os fariseus, porque muita coisa vem da tradição. Continuamos fazendo porque fazemos desse jeito, porque sempre fizemos assim.
Vocês alguma vez perguntam a alguém, a respeito de alguma coisa em nossas reuniões: “Por que fazemos isto? Por que nos reunimos no domingo? Por que temos a Mesa do Senhor?”. Espero que ninguém jamais responda: “Bem, é assim que fazemos”, ou: “É assim que sempre fizemos”. Isso é tradição.
Devemos vir a cada semana com um novo frescor, desejando, a cada semana, lembrar do Senhor. Amanhã de manhã, teremos a oportunidade de participar da Mesa do Senhor. Por que fazemos isso? Realmente sabemos, no coração, por que estamos fazendo isso, ou estamos apenas cumprindo os ritos?
É fácil aprender a jogar o jogo e parecer bem. A única pessoa que enganamos é a nós mesmos. Se representarmos muito bem, talvez sejamos como uma daquelas primeiras duas quantidades de vinagre de maçã e enganemos algumas pessoas. Mas o Senhor sabe.
O oposto da hipocrisia é a simplicidade e a pureza.
O segundo fermento é o fermento da incredulidade. Isso é tão comum hoje. Na verdade, foi aquilo pelo qual o Senhor mais repreendeu os discípulos: “Ah, a incredulidade de vocês. Ah, a incredulidade de vocês”.
Louvado seja Deus, depois que passaram por tudo aquilo, todos creram e enxergaram. Até em Hebreus se fala do pecado que tão facilmente nos envolve: a incredulidade.
Para mim, a razão central pela qual não cremos no Senhor é que não O conhecemos. Se você conhece alguém — vocês conhecem o Jeffrey —, quando o Jeffrey diz alguma coisa, você acredita. Se um desconhecido entrasse na sala, alguém que vocês não conhecessem de verdade, e dissesse alguma coisa, por que deveriam acreditar nele?
Vou desafiar vocês: se não conhecem o Senhor, por que deveriam crer Nele? Mas, se nos pegamos questionando e duvidando, isso é um sinal maravilhoso do Espírito Santo: “Ei, há um aspecto no qual não conheço o Senhor. Preciso voltar a esse lugar de conhecê-Lo”.
É disso que se trata este fim de semana: da simplicidade de realmente conhecer Cristo, porque Ele é a realidade. Há tantas coisas que podem entrar e nos distrair.
O terceiro fermento, além da hipocrisia e da incredulidade, estou chamando de fermento da conveniência. Esse era o fermento de Herodes. Os herodianos faziam as coisas para satisfazer os próprios desejos egoístas.
Em Marcos 8:15, o Senhor diz:
Acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.
Herodes era o governante naquela época. Algumas pessoas, por suas próprias ambições egoístas, haviam se aliado ao governo. Então o fermento de Herodes é o fermento da conveniência: conseguir o que você quer, satisfazer os próprios desejos egoístas. Em um sentido mais amplo, podemos dizer que é o fermento do mundanismo, usando as técnicas do mundo.
O fermento da conveniência, no tempo do Senhor, aparecia naqueles que chamamos de cambistas do templo. Era muito conveniente para as pessoas. Ajudava quando precisavam apresentar sua oferta. Não precisavam fazer nada por conta própria. Apenas chegavam, trocavam o dinheiro, e tudo era feito para elas.
No nosso caso, temos muitas tentações com os livros devocionais. Você não precisa realmente se concentrar e perguntar: “Senhor, onde queres que eu esteja na Tua Palavra hoje?”. Recebemos um devocional por e-mail todas as manhãs, e pronto. Essas coisas ajudam — não estou dizendo que nunca devemos usá-las —, mas estamos dependendo mais delas do que do Senhor?
A conveniência leva à acomodação. Talvez estejamos indo a uma reunião e digamos: “Bem, não preciso me preocupar antes com uma oração ou um cântico, porque outra pessoa vai ter alguma coisa. Outra pessoa vai fazer uma oração. Outra pessoa vai fazer isto, e eu posso apenas cantar”. Fica muito mais fácil.
Nosso Senhor nem sempre está interessado no caminho mais conveniente. Hoje, queremos encontrar a maneira mais rápida, mais conveniente, mais imediata de fazer alguma coisa. Nosso Senhor não está interessado no caminho conveniente e rápido. Ele está interessado no processo: no processo de encontrarmos Cristo em nossa vida.
Há uma história interessante em Atos que mostra isso muito bem. Abram em Atos 8. Bem, antes de fazermos isso, vou passar para Atos 10. Que tal?
Em Atos 10, havia um homem chamado Cornélio, que morava em Cesareia. Ele era gentio e desejava ouvir o Senhor e aprender com Ele. Isso está em Atos 10:1.
Conhecemos a história de como o Senhor chamou a atenção de Pedro no terraço e o enviou à casa de Cornélio. Agora, isso deu bastante trabalho. Alguns homens precisaram sair da casa de Cornélio e ir até onde Simão Pedro estava hospedado. Isso levou uns dois dias. Precisaram passar a noite e depois fazer o caminho de volta. Não foi algo muito conveniente.
Mas vemos, nesse processo, como o evangelho chegou a Cornélio. Talvez pensássemos que o Senhor agiria de uma maneira mais conveniente. Cornélio morava em Cesareia e estava buscando o Senhor. Quem mais morava em Cesareia? Um evangelista famoso chamado Filipe.
Vejam Atos 8:40. Depois de encontrar o eunuco etíope, Filipe foi levado pelo Senhor, passou por Azoto e continuou pregando até chegar a Cesareia. Ali estava Filipe, o evangelista, em Cesareia.
Pensaríamos, com nossa mente natural: “Ei, Filipe, Cornélio quer ouvir o evangelho. Vá até lá e compartilhe com ele”. Mas Deus tinha algo mais em vista.
Talvez, depois que Cornélio foi salvo, ele e Filipe tenham se conhecido e desfrutado de uma comunhão maravilhosa. Não sabemos. Mas, se olharmos Atos 9:30, Paulo também esteve em Cesareia. Depois de se converter e experimentar essa maravilhosa salvação, como estava tão fervoroso, mandaram-no embora para esfriar um pouco e também para protegê-lo. Paulo desceu a Cesareia, e dali o enviaram para Tarso.
Poderíamos dizer: “Bem, Senhor, Paulo estava ali em Cesareia. Esse grande homem, Paulo, poderia compartilhar o evangelho com Cornélio”. Muito conveniente. Mas não: o Senhor tinha um propósito. O Senhor tinha no coração que Pedro compartilhasse o evangelho com Cornélio.
Há muito mais a respeito das razões disso — o propósito eterno de Deus tanto para judeus como para gentios —, mas não quero seguir por esse caminho hoje. A questão que estamos examinando é a conveniência. Tenhamos cuidado quando as coisas podem ser tão convenientes. O Senhor está interessado no processo.
Na história da nossa comunidade, compramos dois locais de reunião. Aprendemos mais ao passar pelo processo de comprar esses prédios do que com a aquisição dos espaços físicos em si.
Muitos de vocês podem testemunhar disso na preparação para este fim de semana. Houve um processo pelo qual precisaram passar. Dave, se você tivesse simplesmente recorrido aos recursos do mundo, poderia ter contratado pessoas para organizar o fim de semana, encontrado um coordenador de eventos e contratado alguém para cuidar da alimentação. Pronto, pronto, pronto: o fim de semana inteiro estaria organizado.
Mas, ao orar, buscar o Senhor juntos, ter comunhão a respeito de um tema, planejar a alimentação e decidir quem ficaria com cada responsabilidade, houve um processo. Nem sempre foi a coisa mais conveniente, foi?
Alguns de vocês provavelmente estão aí sentados — alguns de nós, muito eficientes —, dizendo: “Por que não fazem simplesmente isto, isto e isto, e acabou?”. Mas não, Deus tem um processo. Ele quer nos conduzir por ele.
Temos estas advertências diante de nós: não sejamos atores. Não sejamos incrédulos. Não façamos simplesmente o que é conveniente para nós mesmos. Permaneçamos naquele lugar de simplicidade e pureza da devoção a Ele.
A pergunta, para concluirmos, é: como fazemos isso? Certo, Mac, é fácil sair por aí dizendo que precisamos de simplicidade e pureza. Como fazemos isso?
Na verdade, o Senhor nos mostra um caminho muito simples, e ele não é surpresa para nenhum de nós. Ele nos mostra Seu caminho simples para permanecermos renovados Nele ao longo da vida. Esse caminho se chama simplesmente vida diária com Ele.
Agora todo mundo se desliga de novo, porque estamos tão cansados de ouvir isso: vida diária. Mas essa é a resposta simples. Jesus é um Homem muito simples. Ele diz:
Vinde a Mim.
Ele diz:
Segue-Me.
Ele não dá instruções complexas.
Até o testemunho de Paulo é uma equação simples:
Não eu, mas Cristo.
Pensei em escrever isso em linguagem matemática, mas não consegui encontrar um símbolo para mas. Ainda assim, é simples: não eu, mas Cristo.
Essa vida cristã é um caminho simples para permanecermos renovados no Senhor: ter uma vida diária com Ele. É assim que o Senhor age e tem agido desde a criação.
A vida diária é o ciclo do Senhor para trabalhar, o ciclo para treinar, o ciclo para nos ensinar e o ciclo para permanecermos renovados. Pensem em Gênesis 1. Ele criou a cada dia. Seguiu um ciclo diário, criando isto, dizendo que era bom, que aquilo era muito bom, e então parou.
Por que vocês acham que Deus fez isso em seis dias? Foi para nos mostrar: “Essa é a maneira simples como trabalho. Tenho um propósito para cada dia. Há uma obra que quero realizar a cada dia, e vou realizá-la a cada dia”.
Alguém tem alguma dúvida de que, se Deus quisesse, poderia ter criado tudo em um só dia? Ele é o grande Criador. Não é limitado. Ele escolheu limitar-Se a criar tudo em seis dias para nos ensinar.
“Esse é o Meu ciclo de instrução. Essa é a Minha vida. Essa é a maneira como trabalho.” Ele poderia simplesmente ter dito: “Criação”, e tudo teria surgido. Ele é poderoso assim. Mas escolheu humilhar-Se para nos ensinar desde o princípio: “Essa é a Minha vida. É assim que quero que vocês vivam”.
À medida que avançamos em Gênesis, chegamos a Gênesis 5, que fala de quanto tempo aqueles homens viveram. Se olharmos com atenção para o hebraico, o texto diz: “os dias de sua vida”. Muitas vezes pensamos em anos: viveram novecentos anos, viveram oitocentos anos. Mas, literalmente, o texto fala dos dias de sua vida.
Jó e Davi, no fim da vida, estavam fartos de dias. Moisés orou:
Senhor, ensina-me a contar os meus dias.
Há uma vida diária para a qual Deus está nos chamando, e essa é a verdade simples, a realidade na qual Ele quer que vivamos.
Pensem na história do maná no deserto. Ele fornecia maná para cada dia, o suficiente para cada dia. Na oração do Pai-Nosso, Ele diz:
Dá-nos o pão nosso de cada dia.
Alguém tem alguma dúvida de que, se Deus quisesse, poderia ter criado um maná que durasse uma semana sem conservantes? Ele poderia ter dito: “Aí está o maná. Aí está a provisão para a semana”, e teria durado. Os vermes não o teriam consumido.
Mais uma vez, Ele Se limitou para nos ensinar o valor dessa vida diária. É assim que Ele trabalha. De alguma forma, pensamos que podemos ir além disso, que não precisamos disso ou que basta fazer alguma coisa duas vezes por semana. Não. Precisamos permanecer renovados Nele.
Vejam Números 28. Ali Ele nos dá uma bela figura de como age diariamente. Eu disse Números 23? Não, Números 28. Desculpem.
Números 28 fala de todas as ofertas. Olhamos para essas ofertas e tornamos tudo muito complexo, mas todas elas simplesmente falam de Cristo. Cristo é o nosso Salvador. Cristo é a nossa paz. Cristo é a nossa provisão para cada dia. Cristo é Aquele que perdoa nossos pecados. Isso nos traz de volta a Ele.
No início, em Números 28:3, o texto fala do tabernáculo no deserto. A tenda ficava bem no meio, no centro, no foco de tudo.
Esta é a oferta queimada que oferecereis ao Senhor: dois cordeiros de um ano, sem defeito, dia após dia, por holocausto contínuo.
De manhã e à tarde, um cordeiro era sacrificado. Esse é o nosso holocausto contínuo. Isso é Cristo. Todas as manhãs, devemos começar com Ele.
Foi por isso que gostei de ver que a programação de vocês para o fim de semana começava com um tempo a sós. Não está falando de um goleiro — para vocês que gostam de hóquei e futebol. Só estou vendo se estão acordados.
Mas é um tempo a sós todas as manhãs. Isso precisa acontecer e é muito importante em nossa vida. Fiquei contente por vocês terem feito isso aqui, porque, às vezes, até quando nos envolvemos em uma atividade cristã, podemos descuidar da nossa vida pessoal. Mas é por aí que tudo precisa começar.
Mesmo quando vamos à reunião no domingo ou a uma conferência, precisamos desse tempo pessoal. Ao longo de Números 28, há ofertas feitas a cada semana, no sábado, a cada mês e em todas as festas. Mas o texto sempre diz que, além dessas ofertas, havia o holocausto contínuo.
O Senhor está nos mostrando cada vez mais, repetidamente, a importância dessa vida diária.
Sabem quem conhece a importância da vida diária muito mais do que nós? O inimigo. Se olharem as histórias de José e Sansão, aquelas mulheres os tentavam dia após dia, dia após dia, até desgastá-los.
O inimigo sabe que vai tentar nos roubar essa vida diária. “Você não precisa fazer isso todos os dias. Só duas vezes por semana; vai ficar tudo bem.” Não, não vai.
É por isso que o Senhor disse em Lucas 9:23:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo diariamente, tome a sua cruz e siga-Me.
No início da igreja, em Atos 2, lemos que, dia após dia, eles estavam continuamente juntos, de casa em casa. Havia essa constância diária.
Quero concluir em Hebreus 3:13-14. Essa é a preciosidade da comunhão que temos uns com os outros.
Encorajai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se chama “Hoje”; para que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.
Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se guardarmos firme, até o fim, o princípio da nossa confiança.
Encorajar uns aos outros dia após dia, ter esses relacionamentos. É interessante: há duas palavras que o inimigo usa o tempo todo para nos tentar. As palavras do inimigo são ontem e amanhã.
Ele diz ontem porque nos acusa de todos os nossos pecados e de como temos sido infiéis. Mas somos gratos pelo sangue do Cordeiro, que nos purifica. Não precisamos viver no ontem, mas ele está sempre falando disso: “Olhe, você fez isto. Fez aquilo”.
Ou ele diz amanhã. O inimigo nunca se incomoda quando você promete servir ao Senhor amanhã, porque sabe que o amanhã nunca chega. O amanhã nunca vem. Amanhã surge outra coisa.
Mas a palavra do Senhor é hoje. Se vocês examinarem as Escrituras, é hoje. Nestes dias difíceis em que vivemos, isso é tão vital para nós: manter esse relacionamento pessoal com Ele, conhecê-Lo. É assim que preservamos a simplicidade e a pureza da nossa devoção.
Enquanto estão juntos, deem uns aos outros permissão para ajudá-los a prestar contas da própria caminhada. Digam: “Jeremiah, se você começar a me ver enfraquecendo, quero que entre na minha vida. Quero que pergunte: ‘Você está bem?’”.
Todos nós precisamos disso em certos momentos. Todos passamos por ciclos. Temos momentos em que estamos um pouco mais fortes, talvez momentos em que estamos um pouco mais fracos. Às vezes, talvez os que estão deste lado da sala estejam em uma posição mais forte, e os que estão daquele lado estejam em uma posição mais fraca. Mas vocês têm uns aos outros. Vocês se aproximam para ajudar.
Sempre pratiquei esportes, e é um esforço de equipe. Temos responsabilidade individual, mas fazemos parte de uma equipe. Estamos em uma equipe, estamos no corpo de Cristo e seguimos diariamente encorajando uns aos outros.
Quero encerrar com uma história. Sabem, sou um grande fã de música. Amo música clássica. Adoro ficar sentado ouvindo aquela música clássica antiga, todos aqueles antigos… Como é mesmo o nome daquele sujeito? Um chamado Mozart e outro chamado Bach. Aprendi alguns nomes. Posso impressionar vocês, não é?
Há um pianista famoso chamado Arthur Rubinstein. Alguém já ouviu falar dele? Tudo bem. Ele é famoso. Acreditem em mim, li a história. É verdade.
Alguém estava conversando com ele porque tinha uma peculiaridade: quando viajava, sempre precisava haver um piano no lugar onde ficava hospedado. Ele não ficava em um hotel ou em uma casa se não houvesse um piano ali.
Perguntaram-lhe: “Qual é a questão? Por que você precisa de um piano?”. Ele respondeu: “Preciso ter um piano ali porque tenho de praticar todos os dias”.
Disseram: “Você é tão bom. É um pianista tão extraordinário. Como assim precisa praticar todos os dias? Você já tem toda essa bagagem. Tem toda essa história”.
Ele disse: “Não. Se eu deixar de praticar um dia, ninguém percebe, mas eu percebo”. Essa é a gota no copo de água. “Eu percebo.”
Ele disse: “Se eu não praticar por dois ou três dias, minha esposa — os que são mais próximos de mim — começa a perceber. Se eu não praticar por uma semana, todo mundo percebe”.
Ele enxergava o valor de praticar diariamente. É simplesmente a isso que o Senhor está nos chamando: ter uma caminhada diária com Ele. Estamos falando de simplicidade. Dificilmente poderia ser mais simples: alimentar-nos Dele diariamente, ter tempo com Ele diariamente.
Lamento que, às vezes, fiquemos mais satisfeitos com a fórmula complexa. Mas o cristianismo é simples. Acho que a Emma disse ontem à noite: “É simples, mas não é fácil”. Não é fácil, porque você precisa dizer não a si mesmo: “Quero fazer aquilo, mas preciso fazer isto”.
Tudo o que estou procurando fazer nesta manhã é nos encorajar a perceber que temos essa tendência natural de tornar as coisas complexas, de nos contaminar e de permitir que as coisas nos afetem. Vemos muitos exemplos disso nas Escrituras, mas o Senhor abriu um caminho para que sempre possamos voltar a Ele.
Talvez tenhamos tido um dia ruim, mas louvado seja Deus por aquele sacrifício da tarde. Confessamos nossos pecados, somos purificados e voltamos imediatamente àquele lugar de simplicidade para com Ele. Não há muita coisa mais simples do que o sangue do Cordeiro.
Amanhã, na Mesa do Senhor, é muito simples. Temos um cálice e um pão. É isso. É isso que o Senhor procura.
De alguma forma, pensamos que somos cristãos melhores se conseguirmos tornar tudo mais complexo. É por isso que estamos descendo da faculdade para o jardim de infância: para permitir que o Senhor nos traga de volta àquela fé de criança, simplesmente seguindo a Ele.
Senhor, somos gratos pela Tua paciência conosco. Senhor, somos gratos porque compreendes nossa tendência natural de complicar as coisas e sabes até mesmo como podemos nos contaminar facilmente.
Somos gratos por este tempo que temos neste fim de semana e nos apresentamos a Ti, para que o Teu Espírito nos sonde e nos tragas de volta a um lugar de simplicidade e pureza da devoção a Ti. Ensina-nos cada vez mais sobre essa necessidade da vida diária.
Senhor, isso acontece à medida que Te vemos. A questão fundamental é: estamos realmente apaixonados por Ti? Dizemos que Te amamos, mas estamos realmente naquele lugar de Te conhecer de tal maneira que fomos conquistados por Ti?
Cantamos aquele cântico:
Quão imenso é o amor do Pai por nós,
Quão imenso, além de toda medida,
Que Ele deu Seu único Filho
Para fazer de um miserável Seu tesouro.
Obrigado, Senhor. Em nome de Jesus, amém.