Ao começarmos, vocês poderiam abrir comigo em 1 Coríntios 15? É o final de 1 Coríntios. Acho que todos vocês conhecem esse capítulo. Ele trata da ressurreição; esse não será o nosso assunto. Mas há um versículo em particular que tem marcado profundamente o meu coração. Vejam o versículo 10. Vamos ler esse versículo mais uma vez: 1 Coríntios 15:10.
Ouçam o que disse o apóstolo Paulo:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou;
e a Sua graça para comigo não foi vã;
antes, trabalhei muito mais do que todos eles;
todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.
E ouçam esta frase final:
Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.
Agora, Senhor, sabemos que, quando nos achegamos à Tua Palavra, somos inteiramente dependentes. Sempre dizemos: “Senhor, precisamos tanto de Ti, porque somente Tu tens as palavras da vida eterna”. Não há mais ninguém a quem possamos recorrer.
E, ao nos achegarmos, depois de termos lido esse versículo da Tua Palavra, pedimos que o Espírito Santo o ilumine. Pedimos que o Espírito Santo amplie a nossa compreensão dele. Pedimos que o Espírito Santo o vivifique, para que possamos ver o Senhor Jesus como essa graça de Deus. Abre os nossos olhos hoje, Senhor. Nós nos entregamos a Ti. Pedimos que fales e oramos para que, diante de Ti, possamos realmente enxergar essa grande realidade da graça. No precioso nome de Jesus, amém.
Bem, acho que vocês já sabem qual é o assunto. É a graça. É sobre isso que vamos falar.
Há cerca de um ano — mais de um ano, no final daquele ano —, alguns irmãos e irmãs indianos me convidaram para ir a Ohio. Não indígenas americanos, mas indianos da Índia, se isso ajudar a esclarecer. Por favor, vocês que são irmãos e irmãs indianos e estão aqui, não pensem que estou sendo racista.
Fui visitá-los, e todo aquele fim de semana girava em torno de dedicar o ano de 2015, que estava por começar, à promessa de Deus. E essa promessa de Deus era a graça.
Compartilhei isso e tenho compartilhado desde que voltei: depois daquele encontro, ao longo do ano, essa palavra, graça, não me deixava. Ela permanecia comigo. Parecia marcar profundamente o meu coração.
Um dia, enquanto lia a Palavra, esse testemunho singular do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 15:10 saltou da página. Deixem-me lê-lo novamente:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou;
e a Sua graça para comigo não foi vã;
antes, trabalhei muito mais do que todos eles;
todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.
Comecei a perceber como esse único versículo é abrangente. Quão profunda era a graça de Deus que o apóstolo Paulo enxergava? Quão ampla era a graça de Deus que o apóstolo Paulo parecia enxergar?
Nesse versículo, a palavra graça aparece três vezes. Isso só acontece em outra passagem das Escrituras: Romanos 11:6. Ali, ela também aparece três vezes.
Mas, nessa pequena joia, perto do final de 1 Coríntios 15 — esse grande capítulo sobre a ressurreição, o ponto culminante desse grande livro de 1 Coríntios —, Paulo compartilha conosco o seu testemunho. E o seu testemunho é: Tudo é pela graça.
O encargo que está em meu coração, e que compartilharei nas próximas vezes em que falar, é a obra completa da graça.
Acho que há algo que nós, como irmãos e irmãs, precisamos enxergar. Estamos tão familiarizados com a palavra graça que temos alguma compreensão dela. Muitas vezes, muitos cristãos — especialmente os evangélicos — entendem a graça como algo para o começo. Entendem a graça para serem salvos, mas será que entendemos a graça que nos forma? Entendemos a graça que nos conforma? Entendemos a graça que nos capacita a completar a carreira?
Parece-me que, quando olhamos para o que o apóstolo Paulo declarou aqui em seu testemunho, vemos todas essas coisas. Vemos o que formou aquele homem. Vemos o que sustentou aquele homem. Vemos o que moldou aquele homem. Vemos o que o levou a ser o homem que ele era.
Seu testemunho certamente seria: Tudo é pela graça.
A profundidade desse versículo me faz lembrar daquela expressão sobre o amor de Deus em Efésios 3:18. Acho que vocês a conhecem: a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Deus. Da mesma forma, acho que, quando lemos esse versículo, vemos a largura, o comprimento, a altura e a profundidade da graça de Deus, à medida que Paulo compartilha essas coisas conosco.
Então, gostaria que, nas próximas vezes em que eu compartilhar, examinássemos as quatro partes desse versículo.
A primeira parte será:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.
Que testemunho!
A segunda parte diz:
E a Sua graça para comigo não foi vã.
Agora, essa parte não será para hoje — hoje veremos apenas a primeira. Pensem nisso. É possível que toda a graça derramada sobre nós, toda a provisão colocada à nossa disposição, seja em vão.
A terceira parte é:
Antes, trabalhei muito mais do que todos eles.
Acho que é aí que ficamos nervosos. Sempre que pensamos em trabalho, a palavra nos soa como um palavrão. Sempre que pensamos em esforço, pensamos: “Ah, meu Deus! O que posso fazer?”
Mas o testemunho do apóstolo Paulo era que ele havia trabalhado muito mais do que todos eles. Acho que, no fundo, para que a graça realize sua obra completa, precisamos cooperar com a graça de Deus.
Se não cooperarmos com a graça de Deus, se não permitirmos que a graça seja graça e que faça a sua obra, se não trabalharmos, não nos empenharmos e até — agora, isso pode deixar vocês malucos — não nos esforçarmos para que a graça de Deus seja o verdadeiro testemunho em nossa vida, talvez ela não o seja. Essa é a terceira parte.
E, finalmente, a última parte. Acho que é uma frase belíssima. Não quero antecipar demais, mas ela é o segredo. Diz:
Todavia, não eu.
Esse é o segredo. Esse é o segredo da vida cristã.
Tantas pessoas já me disseram — vocês já ouviram isso, já ouviram tanto que ficam malucos quando eu repito —, tantas pessoas já me disseram: “Irmão, a vida cristã é difícil”.
E eu tenho dito repetidas vezes, ad infinitum, sem nenhum constrangimento: “A vida cristã não é difícil. A vida cristã é impossível”.
A menos que você compreenda esta frase singular — que é o segredo da vida cristã:
Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.
É nessa direção que vamos. Espero que vocês compreendam o encargo. Vamos examinar a obra completa da graça.
D. L. Moody, falando sobre a abundância da graça, disse o seguinte. Acho que isso se aplica a nós, cristãos, hoje: “Muitos se contentam em entrar no rio da graça apenas até os tornozelos, quando Deus quer que nademos nele”.
Como precisamos conhecer essa graça — essa graça todo-suficiente — para cada circunstância!
Sei que muitos de nós valorizamos essa definição da graça como favor imerecido. Eu amo essa definição. Ela certamente é verdadeira. Não fizemos nada para merecer a graça de Deus, a abundante graça de Deus que foi derramada sobre nós. Nada do que você fez a mereceu.
Portanto, essa definição tão breve é excelente. Mas, só porque — vocês sabem que às vezes eu me alongo um pouco —, realmente acho que a definição da graça de Deus vai além de apenas favor imerecido.
Então, esta é a minha própria definição. Vocês podem gostar dela ou não. Podem querer voltar à original, mas pelo menos me ouçam.
Acho que a graça é o favor imerecido de Deus para nos reconciliar Consigo mesmo. Essa é a primeira parte. Mas ela também é a Sua provisão ilimitada para nos transformar. E, em terceiro lugar, é o Seu poder para nos conformar à imagem de Seu Filho.
Ela é tudo isso. É mais abrangente do que simplesmente recebermos aquilo que não merecíamos. Quando Deus derrama sobre nós Sua graça sem fim, ilimitada e insondável, isso é mais abrangente do que apenas favor imerecido, por melhor que seja essa definição.
Talvez vocês prefiram uma versão mais curta: A graça é o favor imerecido de Deus, expresso em Seu ilimitado poder transformador para conosco.
Creio que esse é o cerne do que 1 Coríntios 15:10 nos diz.
Agora, há três coisas que quero que examinemos hoje — apenas três. Vocês sabem que isso é um hábito meu, não sabem? Já sabiam que isso estava por vir.
A primeira é a graça como nosso testemunho. Vemos qual era o testemunho de Paulo. Ele disse:
Pela graça de Deus, sou o que sou.
Agora, a pergunta é: esse é o nosso testemunho?
Você consegue dizer: “Sou o que sou pela graça de Deus”?
Isso era tão real para o apóstolo Paulo. Campbell Morgan tentou descrever essa realidade: ao chegar a esse capítulo 15 de 1 Coríntios, ele irrompeu nestas palavras de exultação — estou falando do apóstolo Paulo, não de Campbell Morgan — e disse:
Pela graça de Deus, sou o que sou.
Esse é o testemunho de Paulo. Mas, irmãos e irmãs, esse precisa ser o nosso testemunho.
Ele disse em 1 Coríntios 15:1-2:
Ora, irmãos, vos declaro o evangelho que já vos tenho anunciado;
o qual também recebestes e no qual também permaneceis;
pelo qual também sois salvos.
Esse testemunho — de que, pela graça de Deus, sou o que sou — era o testemunho do apóstolo Paulo e dos cristãos de Corinto. Irmãos e irmãs, ele precisa ser o nosso testemunho.
Algumas pessoas olham para aqueles que alcançaram o sucesso, talvez neste mundo, sem muitas vantagens para chegar lá, e declaram: “Esse homem é um homem que se fez por si mesmo”, ou: “Essa mulher é uma mulher que se fez por si mesma”. Sei que vocês já ouviram isso.
Pessoas que passaram da pobreza à riqueza, talvez pessoas que não tiveram todas as vantagens que a sociedade às vezes oferece a alguns, mas que, no fim, chegaram a uma posição que, de início, parecia improvável — essas são chamadas de pessoas que se fizeram por si mesmas.
Não acho que o testemunho de qualquer cristão possa ser: “Sou um homem que se fez por si mesmo”, ou: “Sou uma mulher que se fez por si mesma”. Não consigo imaginar isso. Vocês conseguem imaginar-nos diante do trono da graça, naquele dia, dizendo: “Senhor, sou um homem que se fez por si mesmo”?
Creio que, quando lemos o testemunho do apóstolo Paulo, o que ele diz é: “Sou um homem feito pela graça”. Que diferença!
Esse é o nosso testemunho? Você conhece a graça dessa maneira? A graça o deteve, o conquistou e fez de você uma pessoa formada pela graça?
Creio que isso é muito importante. Se alguém pudesse dizer que era um homem que se fez por si mesmo, esse alguém seria o apóstolo Paulo.
Vocês sabem que, em Filipenses 3, ele apresenta suas credenciais. Ele se empenha em apresentá-las e diz que, se alguém pudesse confiar na carne — se alguém tivesse algum motivo para se orgulhar de ter se feito por si mesmo —, esse alguém seria ele.
Ele disse em Filipenses 3:5:
Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim.
A melhor tribo. E prosseguiu com esta declaração extraordinária:
Hebreu de hebreus.
Pensem nisso.
Ele era o melhor dos melhores. Era o melhor dos filhos de Israel. E prosseguiu dizendo, em Filipenses 3:6:
Segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.
Vocês conseguem imaginar? Alguém nesta sala ousaria se levantar e dar testemunho hoje de que, quanto à lei, é irrepreensível?
Aqui está o melhor dos melhores. E, no entanto, seu testemunho, no fim, era:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.
Não poderia haver um exemplo melhor. Sabem, isso me faz lembrar — aliás, não sei se ainda fazem isso; o Dr. Glenn pode me dizer — daquela revista de Richmond que costumava sair. Eu ficava esperando por ela: os melhores e os piores de Richmond. Vocês se lembram disso? Ainda fazem isso? Nossa! Ah, ainda fazem, irmãs.
Todo mundo quer ser o melhor: o melhor restaurante, a melhor cafeteria, a melhor pequena empresa, o melhor disso, o melhor daquilo. Ninguém quer estar na outra lista. Lemos aquela outra lista, vamos riscando os nomes e dizemos: “Querida, não vamos lá esta noite”.
Mas aqui está o melhor. E aqui está alguém que, no fim, descreveu a si mesmo de uma maneira muito incomum. Em 1 Timóteo 1:15, ele disse que era o principal dos pecadores:
Dos quais eu sou o principal.
Aqui está o melhor. Irmãos e irmãs, ninguém se faz por si mesmo.
Ele disse isso aos efésios. Vejam comigo Efésios 2. Acho que vocês conhecem esse versículo. Depois de todos esses anos de convivência com John Blanchard, passei a acreditar que este é o versículo favorito dele: Efésios 2:4. Mas quero examinar Efésios 2:8-10.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé;
e isto não vem de vós; é dom de Deus;
não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras;
as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
Acho que esse é o evangelho básico. Todo mundo sabe disso. É dádiva de Deus. Nada disso procede de nós mesmos. Ninguém pode se gloriar. Tudo é pela graça. Esse é o nosso testemunho.
Quando o apóstolo Paulo, que perseguia a igreja, tomou aquelas cartas e seguia pelo caminho de Damasco, algo incrível lhe aconteceu naquele dia. Creio que a graça divina o deteve.
Uma luz tão brilhante quanto o sol do meio-dia o atingiu e o derrubou do cavalo, e ele encontrou a graça na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
Esse homem zeloso, esse homem perfeito segundo a lei, esse melhor exemplo de religião que alguém poderia apresentar — naquele dia chegou ao fim de si mesmo, quando encontrou a graça.
Daquele dia em diante, seu testemunho passou a ser: “Tudo é pela graça. Nada vem de mim. Tudo é pela graça”.
Spurgeon disse o seguinte sobre esse acontecimento: “Ele desnuda Seu braço de graça irresistível”.
Irmãos e irmãs, esse é o seu testemunho? Foi isso que aconteceu com você? O braço da graça irresistível foi desnudado diante de você?
Spurgeon disse de si mesmo — esta é uma bela expressão; vocês sabem como gosto dessas frases —: “Então Ele me deu o golpe eficaz da graça”.
Esse era o testemunho de Spurgeon. Não havia como resistir ao irresistível. Ele venceu. Venceu minha vontade depravada e me fez curvar diante do cetro de Sua graça.
Foi isso que aconteceu com o apóstolo Paulo. Esse grande homem, esse hebreu de hebreus, esse homem que se fez por si mesmo, encontrou, no caminho de Damasco, o cetro de Sua graça, e o golpe de Sua graça o levou ao fim de si mesmo.
Irmãos e irmãs, acho que essa é a chave. Entendemos isso porque lemos o testemunho de Paulo em Atos 9:5, de como ele se curvou diante do cetro da graça.
O versículo 5 registra sua primeira pergunta — vocês a conhecem:
Quem és Tu, Senhor?
A primeira pergunta. Isso é curvar-se diante do cetro da graça.
Sua segunda pergunta, em Atos 9:6:
Senhor, que queres que eu faça?
Acho que essas são as duas perguntas mais importantes para qualquer pessoa que tenha sido confrontada com a graça irresistível.
Lembro-me de que, quando fui salvo, algo assim aconteceu comigo. Não quero entediar vocês com a minha própria história, mas, em 4 de fevereiro de 1972, a graça irresistível me deteve. Nunca me esquecerei disso.
Eu não tive uma criação religiosa. Nem sequer sabia o que era, de fato, um versículo da Bíblia. Já contei essa história a vocês. Lembro-me de ir a um estudo bíblico pouco depois de ter sido salvo, poucos dias depois, e eles disseram: “Você poderia abrir em Gênesis 1:1?” Pensei: “Do que é que eles estão falando?”
No entanto, em uma pequena igreja da Assembleia de Deus, em um culto de avivamento em 1972, a graça do Senhor Jesus se manifestou a mim de uma maneira profunda, e fui prostrado em Sua presença. Nunca me esquecerei disso.
Havia uma canção que cantamos repetidas vezes naquela noite. Eu nunca a tinha ouvido. Vocês que cresceram em lares religiosos talvez nem consigam entender, mas eu nunca havia ouvido a canção “Maravilhosa Graça” em toda a minha vida.
Aquela canção, “Maravilhosa Graça”, tornou-se real para mim. Lembro-me de voltar para casa, e o Espírito de Deus gravou aquela canção em minha memória. Lembro-me de cantá-la repetidas vezes enquanto seguia pela estrada no meu pequeno Renault — se vocês sabem o que é isso —, meu pequeno Renault azul-claro.
Lembro-me de cantar:
Maravilhosa graça! Quão doce é o som,
Que salvou um miserável como eu!
Eu estava perdido, mas agora fui encontrado;
Era cego, mas agora vejo.
A graça irresistível de Deus precisa ser o nosso testemunho. Ela é o seu testemunho? Você já encontrou a graça de Deus?
O seu testemunho é o testemunho de outra pessoa? Você diz: “Bem, conheço um irmão que crê — ele é um irmão extraordinário. Conheço uma irmã — nossa, quando você ouve o testemunho dela, fica comovido só de ouvir sobre a graça que lhe foi concedida”.
Mas a pergunta permanece: esse é o seu testemunho? Você experimentou a graça de Deus nessa medida? O irresistível o alcançou e tomou posse de você, de modo que possa dizer, como o apóstolo Paulo em Filipenses 3:12:
Prossigo para alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus.
Ele foi literalmente tomado pela graça de Deus.
Irmãos e irmãs, essa é a primeira coisa que, a meu ver, emerge desses versículos. É algo que me parece muito precioso. Paulo fez esta declaração:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.
Vocês se lembram da história de John Newton, que escreveu a canção “Maravilhosa Graça”? Sei que conhecem a história. Esse homem era um traficante de escravos, e a graça se apoderou dele de tal maneira que ele transformou grande parte da Inglaterra.
Até hoje, seu testemunho da graça irresistível de Deus vem transformando vida após vida, através dos séculos.
Um irmão o visitou quando ele já estava idoso, perto do fim da vida, conversou com ele e leu esta parte do versículo:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.
Foi isto que Newton disse: “Não sou o que deveria ser”. Quantos de nós poderiam dizer isso? “Quão imperfeito e deficiente!” Quantos de nós poderiam dizer isso? “Não sou o que desejo ser. Abomino o mal e me apego ao bem. Não sou o que espero ser.”
“Em breve deixarei para trás a mortalidade, todo pecado e toda imperfeição. Contudo, embora eu não seja o que deveria ser, nem o que desejo ser, nem o que espero ser, posso dizer com verdade que não sou o que era antes.”
Esse é o testemunho. Não somos o que éramos antes.
Lembro-me de acordar no dia seguinte, depois de ter nascido de novo, conhecendo o Senhor Jesus como minha vida. Naquele dia, o mundo inteiro havia mudado diante dos meus olhos.
Sei que meus colegas, no último semestre da faculdade, acharam que eu havia perdido o juízo. Cheguei à faculdade com uma Bíblia em uma das mãos e um broche na lapela que dizia “Jesus Salva”. Eles pensaram: “Pittman, isso deve ser uma brincadeira”. Não era brincadeira. Eu não era o que havia sido antes.
E foi isto que Newton disse: “E mal consigo me unir ao apóstolo e reconhecer: ‘Pela graça de Deus, sou o que sou’”.
Esse é o nosso testemunho. Esse é o seu testemunho? Esse precisa ser o nosso testemunho.
Isso me faz lembrar daquele hino de Robert Robinson. Vocês conhecem o hino “Vem, Fonte de Toda Bênção”. Todos conhecemos esse belo hino. Temos alguns hinos belíssimos e, quando os examinamos, vemos que muitos deles estão permeados de graça — de uma compreensão de uma experiência da graça mais profunda e mais completa do que muitos de nós jamais conhecemos.
Nesse hino, encontramos estas palavras:
Oh, quão grande devedor à graça
Sou levado a ser a cada dia!
Que Tua bondade, como um grilhão,
Prenda a Ti meu coração errante.
Inclinado a vaguear, Senhor, eu sinto;
Inclinado a deixar o Deus que amo;
Eis meu coração: toma-o e sela-o,
Sela-o para os Teus átrios celestiais.
Irmãos e irmãs, esse homem teve uma infância difícil. Perdeu o pai quando tinha apenas oito anos. Sua mãe o enviou a Londres para se tornar barbeiro — acho que hoje vocês chamariam de cabeleireiro; não sei como chamariam.
Ali, ele se envolveu com os piores dos piores. Envolveu-se com um grupo de arruaceiros e levou uma vida de completa e absoluta devassidão.
Tanto que, quando soube que o evangelista George Whitefield estava chegando à cidade, aquele grupo de rapazes desordeiros decidiu ir até o Sr. Whitefield para zombar e rir daqueles metodistas malucos.
Enquanto ele estava ali, ouvindo aquelas palavras, a graça interveio. A graça interveio. Algo aconteceu com o Sr. Robinson.
Aquele arruaceiro de dezessete anos, um dos piores dos piores, foi detido e conquistado pelo Cristo vivo. Tornou-se ministro e escreveu esse hino aos vinte e três anos.
Agora, vocês sabem que Robinson não era perfeito. Ele recaía no pecado e muitas vezes caía na infidelidade. Conhecemos cristãos assim. Mas não acho que a graça jamais o tenha abandonado.
Mais tarde, em sua vida, ele estava viajando de carruagem, e havia ali uma senhora. Ela cantarolava justamente esse hino para ele. Em seu testemunho ousado, perguntou: “O senhor conhece este hino?”
Vocês podem imaginar como aquilo o atingiu. Ele abaixou a cabeça e disse: “Senhora, sou a pobre alma que o escreveu há muitos anos, e daria mil mundos, se os tivesse, para experimentar agora o que experimentei naquela época”.
Inclinado a vaguear, Senhor, eu sinto;
Inclinado a deixar o Deus que amo.
Eis meu coração: toma-o e sela-o,
Sela-o para os Teus átrios celestiais.
Acho que há um pouco de Robert Robinson em todos nós. O nosso testemunho é: “Pela graça de Deus, sou o que sou”?
Ele é capaz de salvar o maior pecador. Ele é capaz de salvar a melhor pessoa, muitas vezes com mais dificuldade. Às vezes, terá de derrubá-la do cavalo com o brilho da graça, como o sol do meio-dia.
Mas, se você se curvar diante do cetro da graça, começará a trilhar o caminho para descobrir a obra completa da graça.
Bem, espero que vocês compreendam. Esse é o nosso testemunho? Há um belo versículo sobre a graça. Quero ler apenas uma parte para vocês. Ele está em Romanos 5:20-21 e diz o seguinte sobre a graça. Que versículo maravilhoso:
Onde o pecado abundou, superabundou a graça.
Ouçam essas palavras. Acho que a versão King James expressa assim:
A graça abundou muito mais.
Não importa quão profundo seja o pecado. Não importa quão distantes estejamos. Não importa quanto tenhamos nos desviado, como Robinson. A graça está sempre nos chamando de volta.
Essa palavra exata está nas Escrituras: onde o pecado abundou — pensem nisso —, ele não estava apenas presente; ele abundou. Não havia uma quantidade limitada dele. E então diz que a graça abundou muito mais. Isso não é uma boa palavra, irmãos e irmãs?
Esse é o nosso testemunho. Penso em John Bunyan. Vocês conhecem John Bunyan. Sabem qual é o título de sua autobiografia? Sua autobiografia deveria ser o testemunho de todos nós: Graça Abundante ao Principal dos Pecadores.
Esse era o testemunho dele. Que o Senhor o torne verdadeiro para nós.
Pensem nisso. Apenas pensem nisso por um momento. Onde vocês estariam hoje sem a graça de Deus? Onde eu estaria hoje? Não consigo imaginar.
Tenho um primo, um primo de primeiro grau, que matou um homem — deu um tiro na nuca dele para roubar sua motocicleta. Alguém do meu próprio sangue. Eu poderia ter sido aquele homem? Poderia ter sido aquele homem, não fosse a graça de Deus.
Há uma antiga expressão, um antigo ditado: “Não fosse a graça de Deus, ali iria eu”. Vocês conhecem o ditado. Acho que todos vocês o conhecem.
Na verdade, quem disse isso foi um ministro, John Bradford. Ele foi um reformador inglês de tempos antigos e viu um pecador condenado sendo levado à execução. Foi isto que ele realmente disse — nós tornamos a expressão mais genérica, para que se aplique a todos nós.
Ele viu aqueles condenados, viu aqueles pecadores e disse: “Não fosse a graça de Deus, ali iria John Bradford”.
Esses somos nós.
Oh, a graça que trouxe o plano da salvação!
Oh, a graça que o trouxe ao homem!
Oh, o imenso abismo que Deus transpôs!
Esse é o nosso testemunho. Estávamos completamente perdidos, sem esperança no mundo, como diz Efésios, sem Cristo. Estávamos mortos em nossas transgressões e pecados.
Agora, sei que nenhum de vocês se sente muito morto nesta manhã. Vocês têm pulso, estão andando, respirando, sorrindo — talvez. Talvez estejam franzindo a testa para mim.
Mas estamos realmente mortos quando não conhecemos a graça de Deus. Estamos mortos, mortos mesmo. Vocês já ouviram a antiga expressão inglesa: “Morto como um prego de porta”. Significa completamente morto. Significa realmente morto.
Ela vem daqueles antigos pregos grandes e robustos, de aço ou ferro, que eram cravados nas portas de madeira para unir suas partes; depois, suas pontas eram dobradas do outro lado para prender a madeira. Uma vez dobrados, eles não serviam mais para outro uso. Estavam mortos.
Nós também somos como mortos andando. Vocês já ouviram isso. Lembram-se de que houve um filme sobre isso anos atrás.
Lembro-me de ter lido, anos atrás, uma ilustração sobre como costumavam proceder no bloco dos condenados à morte. Quando aqueles indivíduos condenados — justamente condenados — caminhavam do bloco dos condenados até o lugar onde a pena máxima seria executada e perderiam a vida para cumprir sua sentença, os outros prisioneiros repetiam, em um tom muito solene: “Um morto andando. Um morto andando”.
Ao passar por outra cela: “É um morto andando”. Esses somos todos nós, não fosse a graça de Deus.
Estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Não havia nada em nós, até o dia em que nosso testemunho passou a ser: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou”. Graças a Deus por esse testemunho. Esse é o seu testemunho?
Creio que esse deve ser o nosso testemunho. Sabem, ele não era apenas o testemunho do apóstolo Paulo; era o testemunho da igreja.
Há um belo versículo sobre a graça de Deus que eu amo. Está em Atos 4:33. Ele diz sobre a igreja primitiva, em seus primeiros dias:
E em todos eles havia abundante graça.
Esse era o testemunho deles. Essa é a razão pela qual a igreja era tão viva. Nós nos perguntamos por que estamos tão mortos em tantos aspectos, e por que a igreja primitiva era tão viva em tantos aspectos. Creio que, nesse pequeno detalhe, descobrimos um segredo: havia abundante graça sobre eles.
É disso que precisamos, irmãos e irmãs. É disso que precisamos. Essa questão da graça é tão importante.
Ela se aplica diretamente ao nosso Senhor Jesus em Seus primeiros anos, Seus anos ocultos. Não sabemos muito; a Bíblia é bastante silenciosa a esse respeito.
Em Lucas 2, conhecemos a história de quando o Senhor Jesus foi com Sua família a Jerusalém, ao templo. Vocês se lembram de que eles partiram, e o Senhor ficou para trás. Lembram-se de que, quando voltaram, tão preocupados com o Filho que amavam, perguntaram por que Ele havia ficado, e Ele disse, em Lucas 2:49:
Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?
Sabemos isso sobre Seus primeiros anos. Mas, em Lucas 2:40, temos o que se diz sobre aquele período. Irmãos e irmãs, isso é suficiente.
E o menino crescia e Se fortalecia, cheio de sabedoria;
e a graça de Deus estava sobre Ele.
Essa foi a última coisa que se disse. Se você pensa: “Certamente o Senhor Jesus não precisa da graça de Deus”, lembre-se de que aquilo que O caracterizava naqueles primeiros anos ocultos era que a graça de Deus estava sobre Ele.
Bem, irmãos e irmãs, espero que esse seja o nosso testemunho. Você pode dizer, como o apóstolo Paulo: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou”? Ele não atribuiu mérito a nenhuma outra coisa. Naquele momento, disse: “Tudo é pela graça. Tudo foi feito pela graça. Tudo devo a essa graça irresistível que me alcançou”.
Que esse seja o nosso testemunho.
Agora, o segundo ponto. Os próximos ficam mais curtos, por sinal. Vou consolá-los com esse pequeno detalhe. A essa altura, vocês já devem conhecer esse hábito. Geralmente, o encargo já foi exposto em sua maior parte, e eu ainda tenho mais algumas coisas a dizer.
Mas a graça não deve ser apenas o nosso testemunho; a graça é o nosso princípio e o nosso fim. Acho que isso é muito importante, irmãos e irmãs. A graça é o nosso princípio e o nosso fim.
Voltem a 1 Coríntios 15:10. Na primeira menção, ele diz:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.
E, no final, diz:
Todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo.
O testemunho do apóstolo Paulo era: “A graça é o meu princípio”, e também: “A graça é o meu fim”. Irmãos e irmãs, daqui a pouco vamos além disso, mas a graça é o nosso princípio e a graça é o nosso fim.
Creio que a vida cristã se parece muito com uma longa viagem de trem, embora eu não tenha feito muitas viagens de trem. Na última que fiz, me atrasei. Não quero me atrasar para estar com o Senhor.
Quando você entra no vagão, no início da sua viagem, vê uma placa sobre a porta que diz “Graça”. Você a vê.
Quando sai do trem, no final de sua longa jornada — vocês entendem que isso é uma analogia, certo? —, no final de sua vida, você desce do trem e percebe tudo pelo que passou: todas as paradas terríveis, todos os solavancos, todas as coisas que aconteceram nessa longa jornada, aparentemente sem fim.
Você olha para trás, para aquela porta, e lê novamente a palavra “Graça”.
É como em Zacarias 4:7. Quando Zacarias viu aquele templo e viu a pedra de remate, a pedra final, sendo colocada no lugar, ele disse que se ouviam aclamações:
Graça, graça a ela.
Esse é o nosso testemunho. A graça é o nosso princípio e o nosso fim.
É isso que o apóstolo Paulo disse: você não pode começar sem graça. Tente, e terá um testemunho miserável. Você não pode terminar sem graça.
Acho que algumas pessoas entendem a vida cristã como se Ele nos salvasse e, depois, tivéssemos de vivê-la por conta própria. Como isso seria lamentavelmente triste, se a graça não fosse a nossa porção no começo e se a graça não fosse a nossa porção no fim.
Há graça para terminar. Há graça para começar.
Vocês se lembram de que o apóstolo Paulo dava muita importância a isso. Vou fazer uma pergunta de concurso. Não tenho prêmio, mas vou fazer a pergunta. Quantos livros há no Novo Testamento?
Vinte e sete, correto. Você ganhou o prêmio, seja lá qual for.
Quantos desses livros, ou cartas, foram escritos pelo apóstolo Paulo? Ouvi treze? Treze. Então, pensem nisso — você ganhou o segundo prêmio. Não sei qual é; vamos arranjar alguma coisa.
Mas pensem nisso. Quase metade do Novo Testamento foi escrita pelo apóstolo Paulo. Se vocês olharem para o início de cada uma de suas cartas, verão que ele começa com a graça. Se olharem para o final de cada uma de suas cartas, verão que ele termina com a graça.
Vocês podem ser tentados a dizer que é apenas um cumprimento, apenas uma saudação. Mas, se compreendem o testemunho desse homem, que conhecia a obra completa da graça, sabem que isso é a sua vida. Ele começa e termina com a graça.
Deixem-me dar apenas alguns exemplos. Não vou ler as treze cartas, porque vocês vão me expulsar daqui.
Vejam Romanos 1:7. Talvez alguns de vocês não tenham prestado tanta atenção a essas passagens, mas examinei todas elas, e é bastante impressionante. Ele é o único escritor do Novo Testamento que faz isso.
A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos:
graça e paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Vejam o final do livro, Romanos 16:24:
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém.
Vejam novamente 1 Coríntios. Estamos lendo 1 Coríntios; é o nosso texto. Mas vejam 1 Coríntios 1:3:
Graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Vejam 1 Coríntios 16:23:
A graça do Senhor Jesus Cristo seja convosco.
Vejam mais uma — a última com que vou cansar vocês. Vejam Gálatas 1:3:
Graça e paz da parte de Deus Pai e de nosso Senhor Jesus Cristo.
Vejam Gálatas 6:18:
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém.
Ele conhecia algo que tão poucos cristãos conhecem, e conhecia profundamente algo que precisamos conhecer. Sabia que a graça era o nosso princípio e que a graça era o nosso fim.
Isso se tornou tão importante para ele que não começava nenhuma carta sem primeiro dizer: “Graça a vós”. Não terminava nenhuma carta sem dizer: “A graça de nosso Senhor Jesus seja com todos vós”, ou algo semelhante.
Todas as cartas. Vocês podem pegar a primeira carta, podem pegar a décima terceira, podem pegar a mais longa e podem pegar a mais curta, mas o apóstolo Paulo sempre começava com a graça e sempre terminava com a graça.
Tudo começa e termina com a graça.
Agora, pensem por um momento na Bíblia inteira. Todos conhecem a história da criação — Adão e Eva. Ali está a ruína causada pelo pecado. É ali que podemos aplicar esta expressão:
Onde o pecado abundou.
Eu lhes digo: se olharmos hoje para os meios de comunicação e para este mundo em que vivemos, acho que teremos de dizer que o pecado abunda. Coisas de que não falaríamos em público há vinte anos, presenciamos todos os dias. Coisas que jamais teriam sido vistas podem ser acessadas em um instante, com um clique do mouse.
O pecado abunda. Mas, graças a Deus, a graça abunda muito mais. Ele sabia que a graça é tudo.
Agora, na Bíblia, temos Gênesis, a ruína. Temos a maldição passando a todos os seres humanos. Você é pecador, quer aceite isso, quer não. Pode ficar ofendido comigo, se quiser. Você é pecador por natureza e por conduta.
Muita gente não gosta da ideia de que sou pecador porque Adão foi pecador. Não aceita essa questão da representação federal. Bem, se não aceita essa questão da representação federal, como fica diante da Bíblia? Nesse caso, Cristo não pode redimi-la.
Porque, assim como o pecado e a desobediência de um passaram desse um a todos os seres humanos, também a obediência dAquele Um e a justiça dAquele Um podem alcançar todo ser humano que conhece a graça de Deus.
Esse é o começo da Bíblia. Como é deprimente! Mas, quando chegamos ao capítulo 6, Deus começa — deixem-me usar estas palavras, se não ficarem ofendidos comigo — uma recuperação parcial. Não é a recuperação plena, porque a recuperação plena só vem quando o Senhor Jesus vem. Mas é uma recuperação parcial.
Então, temos esse homem, Noé. As palavras ditas a respeito de Noé — vocês as conhecem? Essa é a primeira vez que a palavra graça aparece na Bíblia em inglês.
Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.
Esse foi o começo da mudança.
Mas pensem no Novo Testamento. Pensem no começo. A graça é o nosso princípio. O apóstolo João compartilhou algo extraordinário que nenhum dos outros escritores dos Evangelhos compartilhou. Ele teve uma percepção do que realmente aconteceu com a vinda do Senhor Jesus que os outros escritores não pareciam ter — ou, pelo menos, não pareciam compartilhar.
Pensem nisso. Abram em João 1:14. Deixem de lado o trecho entre parênteses sobre “e vimos a Sua glória” e leiam estas palavras:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós,
cheio de graça e de verdade.
Esse é o Senhor Jesus. É assim que Ele vem. É assim que Ele é apresentado. É a apresentação da graça no início de Seu ministério.
Vejam João 1:16. João diz algo extraordinário — nenhum outro escritor registrou isso:
E todos nós recebemos também da Sua plenitude, e graça sobre graça.
Um escritor explicou assim: “É graça empilhada sobre graça”.
Quando o Senhor Jesus vem, Ele abre as comportas da graça. O que podemos experimentar como recém-nascidos em Cristo não é apenas graça para o começo, nem apenas graça para o fim, mas graça para tudo o que há entre um e outro.
Ele é cheio de graça e de verdade. Que coisa extraordinária!
E, como se isso não bastasse para deixar tudo claro, o texto prossegue em João 1:17:
Porque a lei foi dada por Moisés;
a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, esse único versículo explica todo o Antigo Testamento e todo o Novo Testamento. Esse único versículo.
A lei entrou em cena. Foi uma interrupção, por assim dizer. Foi uma interrupção divina, mas uma interrupção destinada a convencer o ser humano de que precisava da graça de Deus.
Paulo disse naquele famoso capítulo com o qual todos nós já nos angustiamos, em Romanos 7:7:
Eu não conheci o pecado senão pela lei.
A lei coloca o pecado sob os holofotes, e você diz: “Nossa, isso é pecado”.
Mas não se trata apenas de colocar o pecado sob os holofotes. É colocar o pecado sob os holofotes para que saibamos que precisamos da graça de Deus. É um aprendizado; é uma etapa intermediária.
Sabem, não sei; imagino o Senhor rindo disso: “Deixem que trabalhem debaixo disso por alguns séculos e veremos quão convencidos estão de que farão tudo o que Eu disser”.
Creio que eles deveriam ter percebido alguma coisa quando o Senhor disse no Antigo Testamento, em Levítico 19:2:
Santos sereis, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.
Vocês conseguem imaginar? Eu esperaria que alguém no meio do povo dissesse: “Senhor, não conseguimos fazer isso”.
Mas eles disseram, como em Êxodo 19:8:
Tudo o que o Senhor tem falado faremos.
E labutaram debaixo da maldição da lei durante séculos, até que a graça apareceu na pessoa de nosso Senhor Jesus.
Esse é o nosso testemunho, irmãos e irmãs. Creio que é isso que precisamos enxergar.
Há mais um ponto que quero apresentar — o último. A graça não é apenas o nosso testemunho. A graça não é apenas o nosso princípio — ah, esqueci uma coisa. Foi um erro fazer isso. Eu jamais deveria ter esquecido isto.
Vocês já leram e memorizaram o último versículo da Bíblia? Já? Quem memorizou o último versículo da Bíblia? Terceiro prêmio — um prêmio ainda sem nome. Há duas pessoas. Temos uma competição. Vocês são bem ensinados.
Ouçam Apocalipse 22:21. Esse é o fim de tudo. Esse é o fim da Bíblia:
A graça do Senhor Jesus seja com os santos. Amém.
Não alguns dos santos — todos os santos. Esse é o fim. Graça: nosso princípio e nosso fim.
E então, o último ponto: a graça é tudo o que há entre o princípio e o fim.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, que há graça para cada circunstância da vida? Sabem? Graças a Deus por aqueles que sabem. Eles são um testemunho vivo da obra completa da graça de Deus.
Não há nada pelo que você possa passar, por mais profundo, por mais escuro, por menor ou maior que seja, para o qual a graça não esteja disponível.
Irmãos e irmãs, essa é uma obra completa da graça. Ele não está apenas dizendo: “Vocês são o que são pela graça de Deus”; não está apenas dizendo: “Tenho graça para vocês começarem e tenho graça para vocês terminarem”. Ele está nos dizendo: “Há graça para tudo o que há entre o começo e o fim”.
Isso não é glorioso? Que encorajamento!
O apóstolo Paulo teve de aprender essa lição de uma maneira bastante difícil, em 2 Coríntios 12:7-10, creio que é essa a passagem. Vocês se lembram da história do espinho na carne? Lembram-se?
Acho que algumas pessoas que defendem com tanta força o evangelho da prosperidade devem ter dificuldade com esse versículo. Não consigo explicar. Mas aqui está a realidade do testemunho de Paulo: o Senhor o colocou em uma situação de aperto, em uma situação difícil.
Quem pensaria que Deus daria um mensageiro de Satanás? Agora, se eu fosse aconselhar Deus — e Ele nunca me pediu isso —, eu diria: “O que estavas pensando? O que estavas pensando?”
Mas tudo tinha uma razão, uma razão suprema: aquele homem que passou por tanta coisa precisava aprender uma única lição. E essa única lição era, como diz 2 Coríntios 12:9:
A Minha graça te basta.
Agora, irmãos e irmãs, se vocês ainda — e eu gosto da versão King James; muitas vezes a cito de memória —, se vocês ainda usam exclusivamente a King James, e sei que há vários de vocês aqui, e gostam da edição com as palavras de Jesus em vermelho, perceberão que, no Novo Testamento, fora dos Evangelhos, essa declaração aparece em vermelho.
Por que está em vermelho? Porque é a palavra do Senhor diretamente ao apóstolo.
Ele disse: “Paulo, quero ensinar a você uma lição que todo cristão que deseja compreender a graça completa de Deus precisa conhecer. Essa lição é que a graça de Deus é todo-suficiente para cada circunstância da vida”.
Essa foi uma lição. Como foi difícil para ele!
Agora, não acho que qualquer um de nós — muitos de nós, talvez nenhum de nós — passará pelo que Paulo passou. Mas muitos de nós, alguns de nós, uns poucos de nós talvez passem por águas profundas.
Quero que vocês saibam que sou um medroso. Não gosto de passar por águas profundas. Mas, todas as vezes em que o Senhor me levou por águas profundas, aprendi algo de Sua graça e algo de Sua alegria que não conhecia antes.
Do outro lado, pude dizer, como o apóstolo Paulo: “Sua graça me basta”.
Creio que essa é a lição que precisamos conhecer: a graça é todo-suficiente para cada circunstância.
Creio que nossas circunstâncias foram planejadas pela graça para nos transformar naquilo que devemos ser. Creio que a graça de Deus é o fio de ouro que atravessa cada uma das circunstâncias da vida.
Se o cristão não desperdiçar essas oportunidades e não disser o contrário do que disse o apóstolo Paulo — “A graça para comigo foi vã” —, mas puder dizer, como ele: “A graça de Deus não foi vã”, então terá aprendido algo da profunda graça de Deus.
Vou terminar com esta história. Todos vocês conhecem o hino “Ele Dá Mais Graça”. Ei, vocês podem colocar aquelas palavras… Bem, não há ninguém aqui. Não há ninguém aqui para projetar a letra. Não vamos fazer isso.
“Ele Dá Mais Graça”, de Annie Johnson Flint. Alguém sabe quem é Annie Johnson Flint? Ah, vamos lá, Jim.
Bem, é nessa direção que estávamos indo, é claro. Mas Annie Johnson Flint foi uma mulher extraordinária, que sofreu tanto e aprendeu tão profundamente sobre a graça de Deus.
Sabem, ela perdeu o pai e a mãe quando tinha apenas seis anos. Pensem em como isso foi traumático.
Ela desenvolveu artrite na adolescência. Na adolescência. Isso destruiu seu sonho, seu grande sonho de ser pianista de concerto.
Sua artrite se agravou tanto que suas mãos ficaram fechadas, rígidas como bolas. Mesmo assim, ela encontrou consolo na graça de Deus e escreveu poema após poema sobre Sua graça todo-suficiente.
Ela batia nas teclas da máquina de escrever com os nós dos dedos para escrever sobre a graça de Deus. Que testemunho extraordinário!
Estas eram suas palavras na primeira estrofe do hino “Ele Dá Mais Graça”:
Ele dá mais graça quando os fardos aumentam,
Ele envia mais força quando os trabalhos crescem;
Às aflições que se acrescentam, Ele acrescenta…