Bom dia. Acho que todos já conhecem nosso texto desta manhã. Abram novamente em Romanos 8, naquele último parágrafo, começando no versículo 31. Vamos ler até o versículo 39.
Que diremos, pois, a estas coisas?
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica;
quem os condenará? É Cristo Jesus Quem morreu, ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, Quem está à direita de Deus, Quem também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito:
Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia;
fomos reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por Aquele que nos amou.
Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem as potestades,
nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.— Romanos 8:31-39
Vou ler novamente os versículos 33 e 34.
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica;
quem os condenará? É Cristo Jesus Quem morreu, ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, Quem está à direita de Deus, Quem também intercede por nós.— Romanos 8:33-34
Senhor, somos tão gratos pela Tua Palavra. Amamos a Tua Palavra — como ela nos tem sustentado, vivificado, alcançado, conduzido a Ti e desvendado os profundos mistérios de Deus. Somos tão gratos por ela. Onde estaríamos sem a Tua Palavra? Certamente é verdade: o céu e a terra passarão, mas a Tua Palavra permanece para sempre.
Agora, Senhor, ao nos aproximarmos, somos tão dependentes de Ti. Mais uma vez, dizemos que somente Tu tens as palavras da vida eterna. Para quem iremos? Não há mais ninguém. Se Tu não falares as Tuas palavras, que são espírito e vida, ao final não teremos nada. Mas, quando Tu falas as Tuas palavras, que são espírito e vida, vemos o Senhor Jesus revelado: nossa esperança, nosso auxílio, nosso defensor, nosso tudo.
Por isso, pedimos, Senhor: vivifica novamente a Tua Palavra. Vivifica-nos para que possamos compartilhar coisas das quais talvez tenhamos visto apenas um pouco; e vivifica-nos para que possamos ouvir coisas das quais talvez tenhamos ouvido apenas um pouco. Mas, em tudo, oramos para que isso seja feito para a Tua glória e para o Teu louvor, em nome de Jesus. Amém.
Bem, acho que, a esta altura, todos sabem que temos compartilhado sobre esse último parágrafo de Romanos 8. Se vocês se lembram, fiz uma analogia: eu os estava levando ao tribunal divino. Nesse tribunal, ao chegarmos ao fim dessa seção tão profunda de Romanos 8, encontramos as alegações finais de Deus.
Agora, aqueles que não estão familiarizados com o direito — e eu mesmo tenho apenas alguma familiaridade — talvez não entendam por que fiz essa analogia. Mas as alegações finais são aquela parte do encerramento, depois de a causa ter sido apresentada, em que o advogado, aquele que representa o acusado, procura, com suas últimas palavras, causar a impressão mais profunda e deixar um impacto singular e duradouro sobre quem julga os fatos, seja o júri, seja o juiz. É uma parte essencial do julgamento.
Ao chegar ao fim, todo julgamento tem alegações finais. E, nessas alegações finais, creio que encontramos o que Deus disse a respeito desses primeiros oito capítulos de Romanos.
Todo julgamento começa com uma exposição inicial. Não são as alegações finais; ela simplesmente apresenta do que trata a causa. Quando vocês leem o livro de Romanos, quando leem o primeiro capítulo, começam a entender do que trata toda a causa. Toda a causa trata do evangelho do Senhor Jesus.
Se vocês lerem o capítulo 1, a exposição inicial dessa grande causa divina, descobrirão que ele diz que esse evangelho — o assunto deste livro — diz respeito ao Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Ora, com Deus, essa é sempre a Sua causa. Talvez pensemos que Ele tem muitas causas, mas eu diria que, de fato, a causa central de Deus sempre diz respeito ao Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Assim, para mim, essa é a exposição inicial, e Romanos 8:31-39 são as alegações finais. Acho que disse isso da última vez — não consigo me lembrar, então vou dizer novamente. Estas são as alegações finais mais poderosas e persuasivas já apresentadas por um anjo, por um homem ou por qualquer outro ser; e foram apresentadas por Deus ao apóstolo Paulo, por meio do Espírito Santo.
São as alegações finais mais persuasivas e profundas que, a meu ver, já foram apresentadas. Alguém disse: “É o triunfo da graça”. Acho isso lindo. Se vocês chegarem ao fim de Romanos 8 e, de alguma maneira, não se sentirem triunfantes, devem ter deixado passar alguma coisa. Eu sugeriria: leiam novamente.
Nunca vou me esquecer de uma ocasião em que fui ao irmão Stephen e lhe disse: “Não entendi o livro de Romanos”. Eu era um crente jovem, muitos anos atrás, e ele disse: “Leia cinquenta vezes”. E eu fiz isso — li cinquenta vezes. Pelo menos ele é mais brando do que o irmão Nee era. O irmão Nee costumava dizer: “Leia cem vezes”.
Então, vocês precisam chegar ao fim. Precisam descobrir o triunfo da graça. Griffith Thomas disse — e acho que esta é a maneira mais bela de expressá-lo — que esse pensamento final, que chamo de alegações finais, é o triunfo sobre toda oposição real e concebível. Não é glorioso?
É com isso que essa carta, em Romanos 8, conclui antes de passar a um novo pensamento. Esse é o resumo. Essas são as alegações finais.
As alegações finais começam com: “Que diremos, pois, a estas coisas?”. Dediquei bastante tempo a isso e não quero gastar muito tempo retomando o que já abordamos. Mas direi apenas isto: considero esse versículo inicial tão importante porque muitas pessoas têm dúvidas sobre o que, afinal, o apóstolo Paulo estava falando.
Elas se perguntam se ele estava falando apenas do contexto imediato ou de coisas mais abrangentes. Bem, ele poderia estar falando apenas do contexto imediato. Vejam Romanos 8:30:
E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.
— Romanos 8:30
Isso já seria suficiente. Parece-me que ele poderia estar falando apenas desse versículo, mas não creio que seja esse o caso. Quando vocês leem um pouco mais, vejam Romanos 8:28-29:
E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.— Romanos 8:28-29
Certamente essas coisas têm a ver com aquele grande propósito eterno. O próprio fato — se vocês conseguirem imaginar — de que Deus pretende, ao final, que vocês e eu sejamos conformados à imagem do Seu Filho. Quando Ele olhar para nós, verá aquela semelhança da família divina. Conseguem imaginar? Esse é o fim. Esse é o glorioso fim.
Certamente o apóstolo Paulo está falando dessas coisas. Mas, irmãos e irmãs, acho que é mais do que isso. Acho que remete a toda a causa que Deus apresentou: toda a argumentação em favor do evangelho, começando no capítulo 1 e seguindo até o capítulo 8.
Começa com toda a argumentação que Deus apresentou acerca do homem e do Seu amor pelo homem. Começa falando da condição absolutamente corrompida do homem. Agora, se vocês pensam, por um momento, que há pessoas boas no mundo, como costumamos dizer — eu mesmo digo muitas vezes: “Ele é um homem bom” —, não sei se vocês já caíram nesse erro.
Mas, se vocês disserem isso de uma pessoa não redimida, não é verdade. Sinto muito. Não gosto de magoar as pessoas. Não gosto de acabar com as suas ilusões. Mas, se vocês disserem: “Ele é um homem bom”, aos olhos de Deus isso não é verdade, porque Romanos 3:23 diz:
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.
— Romanos 3:23
Essa é a natureza absolutamente corrompida do homem — de todos: religiosos, irreligiosos, não religiosos, seja qual for a palavra. Paulo conclui em Romanos 7:18, perto do fim dessa grande causa no tribunal divino:
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.
— Romanos 7:18
Então ele apresenta essa grandiosa argumentação. Mencionei isso na semana passada, ao falar do dilema de Deus. Que dilema Ele tinha! Para mim, teria feito sentido que Ele mudasse Seu rumo e Seu propósito, mas Ele permaneceu fiel ao Seu propósito. Quando Ele determina um propósito, nunca muda de ideia — não é como vocês e eu.
Esperem um dia, e nós mudaremos de ideia. No caso de alguns de nós, esperem uma hora, e mudaremos de ideia. No caso de uns poucos, os mais confusos, esperem um instante, e mudaremos de ideia. Sou tão grato por Deus não mudar de ideia.
Por esse ser corrompido, que Ele havia criado para o Seu propósito, Ele deu tudo. Descobrimos esse dilema que Ele enfrentou: essa humanidade corrompida. Afinal, o que Ele faria? Eles deveriam estar no centro do Seu coração e do Seu propósito.
Quando lemos toda a argumentação, do capítulo 1 ao capítulo 8, descobrimos como Deus trata dos pecados do homem. Depois, descobrimos como Deus trata do pecado do homem — da natureza humana. Então, em Romanos 7, descobrimos como Deus trata do eu. Talvez essa seja a parte mais difícil.
Mas essa é a grande argumentação que foi apresentada, creio eu. É isso que significa: “Que diremos, pois, a estas coisas?”. Essa é a pergunta ainda sem resposta. Quando ele chega ao fim, pouco antes desse grande e incomparável encerramento, diz que o resultado, o propósito de tudo isso, é que vocês e eu sejamos conformados à Sua imagem.
Amo aquele versículo de 1 João que diz:
Quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos.
— 1 João 3:2
Foi disso que tratamos da última vez. Depois, abordamos a certeza suprema: “Se Deus é por nós”. Pensem nisso, irmãos e irmãs. Vocês sabem que Deus é por vocês?
Creio que tantos cristãos se esforçam, se esforçam e ficam confusos; e até mesmo — se vocês me permitem usar palavras tão fortes — são enganados, a ponto de acreditar que, de alguma forma, Deus não é por nós. Como Ele poderia não ser por nós?
Creio que essa é a certeza inicial e suprema dessas grandes e grandiosas alegações finais: Deus é por nós. E o texto diz: “Quem será contra nós?”. Esse é o poder supremo. Se Deus é por vocês, quem poderá ser contra vocês?
Agora, sei que alguns de vocês ficaram um tanto incomodados com aquela ideia que compartilhei, de que Deus não tem inimigos à Sua altura nas Escrituras. Ao examinarmos as Escrituras, parece que não há nenhum lugar em que Deus seja atacado diretamente. Agora, vocês podem apresentar uma exceção — para aqueles que detestam a minha teologia, vou dar uma trégua.
Quando o Senhor Jesus, depois de ser batizado, foi para o deserto para ser tentado por Satanás, houve um confronto direto. Mas observem: Ele foi como Filho do Homem. Essa é a diferença.
Falei daqueles predadores de topo. Tenho certeza de que alguns de vocês nunca ouviram essa expressão, mas existem criaturas tão fortes que não há nenhum inimigo concebível que possa atacá-las. Sabiam que o crocodilo-de-água-salgada é um predador de topo? Imagino que vocês não tenham um desses em casa. Mas, se tivessem um crocodilo-de-água-salgada, ele não teria nenhum inimigo à sua altura. Acreditem ou não, a enguia-elétrica é um predador de topo.
Mas Deus é supremo. Se Deus é por nós, que inimigo pode se levantar contra Deus? Satanás poderia ser eliminado pelo sopro da Sua boca.
Essa é a certeza suprema. Depois, falamos do dom inefável. Qual é a prova sem igual? Pensem nisso. Qual é a prova sem igual?
O texto diz: “Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou”. Nossa, é difícil imaginar isso. Essa é a prova sem igual. Mas Ele O entregou por todos nós. Como não nos dará todas as coisas? Esse é o dom inefável.
Amo aquele versículo de 2 Coríntios 9:15:
Graças a Deus, pois, pelo Seu dom inefável.
— 2 Coríntios 9:15
O que Deus precisa provar a vocês e a mim? Ele deu o melhor. Deu tudo o que tinha. Esgotou o tesouro, e nós somos os beneficiários.
Bem, isso foi na semana passada. Nesta semana, quero que pensemos não apenas no fato de que Deus é por nós, mas também em que Deus nos defende. Acho isso muito importante. Se vocês querem compreender a totalidade dessas alegações finais divinas, há outro ponto que precisam enxergar.
Deus não apenas é por vocês em todos os sentidos — isso é indiscutível —, mas também os defende igualmente em todos os sentidos. Ele é a sua fonte e o seu defensor. Por isso, vamos olhar apenas para os versículos 33 e 34. Novamente, dois versículos, três coisas. A esta altura, vocês já conhecem meu costume: a acusação, a resposta e o advogado.
Há a acusação, que parece ser a primeira coisa a vir à tona quando lemos esses dois versículos. Depois da acusação, começamos a enxergar a resposta. Acho que a resposta aparece claramente, e é uma resposta tremenda. Então, quando esses dois versículos terminam, vemos o advogado. Que advogado nós temos!
Um irmão escreveu o seguinte sobre essas palavras: “Bendita e maravilhosa consumação do tema mais admirável que já foi dado ao homem tornar conhecido aos seus semelhantes”. Foi isso que ele fez.
Então, vamos examinar isso. Comecemos pela acusação. Observem o versículo de Romanos 8:33: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”. Quando lemos esse texto, fica claro que ele está falando de acusação.
“Quem apresentará uma acusação?” Essa é a pergunta. Mais uma vez, essa grande estratégia de encerramento se apresenta na forma de perguntas; e há essas perguntas tão importantes, que respondem a todas as nossas perguntas.
Agora, aqui está o problema. Acho que é exatamente aí que tropeçamos — não no começo, porque certamente sabemos alguma coisa sobre a acusação do inimigo, mas quando chegamos ao ponto que diz: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”. Acho que é aí que todos ficamos um pouco inquietos.
Tropeçamos. Dizemos: “Bem, certamente o apóstolo Paulo não poderia estar falando de mim. Talvez esteja falando do irmão Settle. Talvez esteja falando do irmão Maury. Certamente está falando da Carolyn. Mas ele nunca poderia estar falando de mim. Eu jamais seria considerado um dos escolhidos”.
Mas ouçam o que Beecher disse. Acho lindo: “Os escolhidos são todos os que querem, e os não escolhidos são todos os que não querem”. É simples assim.
Talvez vocês não se considerem escolhidos de Deus, mas, se foram chamados pela Sua graça triunfante e responderam à Sua graça triunfante, são, de fato, escolhidos de Deus. Então podemos voltar ao começo e dizer: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”.
Isso vem depois daquela certeza suprema: Deus é por nós. No entanto, descobrimos que há uma acusação intensa, prolongada e até demoníaca — uma oposição — contra todo filho de Deus que crê. Essa certeza suprema não elimina o fato de que enfrentamos uma oposição extrema.
Deus é por nós, e é por isso que podemos prosseguir. Mas esse grandioso texto que encerra essa parte do livro diz que haverá uma oposição tremenda contra esses escolhidos de Deus. “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?”
Agora, no mundo, pelo menos segundo tudo o que sempre entendi, existem apenas dois tipos de sistemas jurídicos. Não três, não quatro — bem, vocês podem argumentar em favor de outras possibilidades —, mas acho que podemos resumi-los a dois tipos de sistemas jurídicos.
Existe o sistema inquisitório. Sei que isso talvez não signifique nada para vocês, mas é aquele em que o tribunal participa ativamente da investigação do caso. Não é o sistema que temos.
Nós temos o sistema adversarial. Agora, entenderam isso? Esperem, vou repetir se não entenderam, e vou repetir mesmo que tenham entendido: temos o sistema adversarial de justiça.
O papel do tribunal é, principalmente, o de um árbitro imparcial entre a acusação e a defesa. Mas deixem-me contar um pequeno segredo tão glorioso dessas alegações finais divinas: graças a Deus, Ele não é um árbitro imparcial.
Isso não é uma boa notícia, irmãos e irmãs? Esse é o encorajamento de Romanos 8. Nesse sistema adversarial em que vocês e eu vivemos dia após dia, Deus não é um juiz imparcial sentado à distância, esperando que consigamos chegar ao fim, torcendo por nós ao longo de todo o caminho e, depois, quando chegamos ao céu, simplesmente dizendo: “Muito bem”.
É um sistema inteiramente adversarial, mas esse Juiz divino de todos, que toma o nosso partido, é o Deus que é por nós. Pensem nisso. Acho isso tremendo. Como isso me encoraja no Senhor!
Sabem, um bom acusador pode afundar vocês — até o fundo. Na verdade, em certos aspectos, nosso sistema adversarial se tornou uma batalha de especialistas.
Não sei se algum de vocês já foi a um tribunal. Espero que não precisem ir. Mas eu já fui, e fui como testemunha especialista. Quando levam uma testemunha especialista, a primeira coisa que querem comprovar é: você é mesmo um especialista?
Então os especialistas da defesa e os especialistas da acusação se tornam especialistas em combate, por assim dizer. É a guerra dos especialistas. Quem tem o melhor especialista, muitas vezes, ganha a causa.
Agora, pensem no especialista que está contra nós: o próprio Satanás. Não sei o que vocês pensam disso, mas esse é um adversário formidável. Não poderia haver uma testemunha especialista mais temível contra vocês.
Imagino que a maioria de nós perderia o fôlego e desmaiaria na hora se a acusação anunciasse: “A testemunha especialista contra você é o próprio Satanás”. Para mim, temos esse especialista supremo como nosso adversário. Parece esmagador.
Vejam Apocalipse 12:10. Acho que vocês conhecem esses versículos. Isso acontece quando a cena no céu se abre:
E ouvi uma grande voz no céu, que dizia:
Agora chegada está a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do Seu Cristo:
porque já o acusador de nossos irmãos é derribado,
o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite.— Apocalipse 12:10
Esse é o nosso adversário. Esse é o nosso acusador. Quando o apóstolo diz: “Quem acusará?”, é esse quem está nos acusando. Parece esmagador. Como podemos resistir a uma acusação tão inacreditável?
Observem: ele os acusa dia e noite. Não tira folga. Mesmo num tribunal, há intervalos. Mas, no tribunal de Deus, o inimigo nunca tira folga — nem de dia, nem de noite.
Vocês podem estar dormindo. Podem estar acordados. Podem estar trabalhando. Podem estar descansando. Mas nosso adversário está sempre contra nós, acusando-nos dia e noite, até mesmo diante da face de Deus.
Vocês podem imaginar como essa causa no tribunal divino está se desenrolando. Ele deve subir até lá, e há muita coisa que pode provar. Basta olhar para nós. Ele deve ir ao próprio Deus e dizer: “Tu não cometeste um erro com esses seres humanos? Olha todas as falhas deles. Olha todos os seus inúmeros problemas. Olha todos os seus pecados. Olha todos os seus entraves. Certamente estás defendendo as pessoas erradas”.
Deve ser algo assim. A propósito, há muitos motivos para nos acusar. Às vezes, o inimigo não tem fundamento algum; isso não o impedirá de acusar. Não pensem que impedirá.
O adversário de vocês, o leão que ruge, anda ao redor, disse Pedro, buscando a quem possa devorar. Esse é o seu objetivo. Talvez não haja fundamento — ele acusará. Sempre há algum fundamento — ele acusará. Talvez haja muito fundamento — e ele acusará. Esse é o nosso adversário, a testemunha mais poderosa que vocês podem imaginar contra nós.
Que situação impossível! Mas deixem-me piorar um pouco as coisas para vocês, caso ainda não estejam deprimidos. Não é apenas Satanás que está contra nós vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, noite e dia, acusando-nos diante da própria face de Deus; é também o mundo, que nos odeia.
Agora, se vocês ainda não descobriram esse pequeno fato e são novos no Senhor, quero prepará-los com calma. Vocês descobrirão: se concordarem com o mundo, o mundo os amará. Mas descobrirão que, no momento em que discordarem do mundo, o mundo os odiará.
O Senhor disse, em Suas alegações finais aos discípulos, em João 15:18-19, que isso acontece porque primeiro odiaram a Ele. Eles odiarão vocês. O mundo é nosso acusador.
E não é só isso: se vocês ainda não estão deprimidos, a carne também é nossa acusadora. Um irmão disse algo muito notável: talvez ela seja a pior dos três.
Mas pensem nisso. Apenas pensem nisso. Esta é a trindade profana de acusadores: temos a carne, temos o mundo e temos o próprio Satanás. Esses são os nossos acusadores. Como poderemos vencer, com uma oposição tão grande concentrada contra nós?
Acho que as chances parecem terríveis. É mais ou menos como o general George Armstrong Custer em Little Bighorn. As chances não eram boas: em inferioridade numérica e militar, tudo acabou muito depressa. Essa é a oposição que enfrentamos.
Vamos olhar para o Antigo Testamento. Acho que Zacarias 3 nos traz uma história que, a meu ver, oferece uma visão dos tribunais divinos. Zacarias, capítulo 3, começando no versículo 1:
E Ele me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor.
Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreenda, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda: não é este um tição tirado do fogo?
Ora, Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do Anjo.
Então Ele respondeu e falou aos que estavam diante Dele, dizendo: Tirai-lhe estas vestes sujas. E a ele lhe disse: Eis que tenho feito passar de ti a tua iniquidade, e te vestirei de vestes finas.
E disse eu: Ponham-lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E puseram uma mitra limpa sobre a sua cabeça, e o vestiram de roupas; e o Anjo do Senhor estava ali.— Zacarias 3:1-5
Observem: é Josué, o sumo sacerdote. Não é o pior; é o melhor. Não é uma pessoa má. Não é um leproso. Não é um marginalizado. É o melhor que o homem poderia apresentar.
Satanás está à sua direita para resistir-lhe — para acusá-lo. Essa é uma visão do que vivemos todos os dias. Ali está Deus, graças a Deus. Ali está Satanás. E ali está Josué. Satanás está à sua direita para acusá-lo.
Essa é a cena celestial. Satanás estava ali, acusando dia e noite — o acusador mais experiente que já existiu. Josué estava ali, o sumo sacerdote. Vou lhes contar um segredo: vocês estavam ali.
Mas, graças a Deus, esta é a boa notícia: havia mais Alguém ali. Não era apenas Satanás; não era apenas Josué. Se fossem apenas Josué e Satanás, Josué estaria perdido. Mas Deus estava ali. Graças a Deus.
Não foi Josué quem disse: “O Senhor te repreenda”. Sei que vim do movimento carismático, e nós repreendíamos tudo o que se movia. Mas aqui foi o Senhor Quem disse: “Eu repreendo”. Isso não é uma boa notícia?
Quem é nosso defensor? Quem pode apresentar uma acusação contra os escolhidos de Deus? Quem pode nos condenar, quando Deus é Quem nos defende? Isso é Romanos 8.
Essa é a acusação, e a resposta é: o próprio Deus é nosso defensor. Quando ouvimos o que Martinho Lutero disse, ao ser julgado num tribunal, encontramos estas palavras: “Aqui estou. Não posso me retratar. Descanso na Palavra de Deus. Que Deus cuide disso”.
Irmãos e irmãs, graças a Deus temos um defensor celestial. Graças a Deus, Ele diz: “Sim, a acusação é verdadeira, e as vestes estão sujas. Mas tirem dele as vestes sujas e deem-lhe uma veste nova — aquela veste de justiça que está em Cristo — e ponham um turbante puro sobre sua cabeça. Cubram-no com a autoridade de Jesus como Cabeça”.
Nosso grande defensor é a resposta. É disso que, creio eu, Romanos 8:33-34 trata. A pergunta sobre “Deus por nós” pressupõe a existência de uma hostilidade combinada e poderosa contra o cristão. Sem dúvida. Nunca pensem de outra maneira.
Mas o segredo é a resposta que Deus dá. A mensagem de Zacarias 3, a mensagem de Romanos 8, a mensagem de toda a Bíblia é que não estamos sozinhos. Graças a Deus. Que defensor nós temos!
Esse é o encorajamento. Essa é a resposta plenamente suficiente. Vejam novamente nosso texto em Romanos 8:
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica.
— Romanos 8:33
Essa é a resposta: é Deus Quem justifica. Não somos nós que justificamos.
Voltem a Romanos 3. Quero apenas ler estes versículos, porque fazem parte da argumentação:
Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus;
ao Qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.— Romanos 3:24-26
Não se enganem quanto à justiça de quem estamos falando — não da nossa justiça, mas da manifestação da Sua justiça. Isso não é uma boa notícia, irmãos e irmãs?
Nosso defensor, nosso justificador, é o próprio Deus. O grande argumento apresentado no encerramento de Romanos 8 é que, quando nosso defensor Se levanta, Ele pronuncia apenas uma palavra: “Justificado”.
Não há acusação, não há advogado da acusação, não há condenação que possa prevalecer contra essa única resposta. Vocês não ficam felizes porque Deus não deu uma resposta condicionada? Não: “Em breve será justificado”. Não: “Talvez seja justificado”. Não: “No céu, certamente será justificado”. Mas justificado agora.
O argumento que Deus apresenta como nosso defensor é uma única palavra. Ele a pronuncia e silencia toda acusação. Faz calar toda condenação quando diz: “Justificado”.
Agora, se vocês quiserem fazer uma tatuagem — “Justificado” —, por mim, tudo bem. Talvez eu não acompanhe vocês, mas, quando forem à praia, digam isso de todo o coração: “Justificado”. Esse é o argumento: Deus, nosso defensor.
Penso em outra história, em João 8. Vocês conhecem a história da mulher apanhada em adultério. Bem, ela era culpada — totalmente culpada — e estava quase morta.
Levaram-na ao Senhor Jesus. Vocês conhecem a história de João 8. Não vamos ler tudo, por causa do tempo. Apanharam essa mulher em flagrante adultério e, é claro, a lei era muito clara: não havia conversa; era apedrejá-la até a morte.
Levaram-na diante do Senhor Jesus. Vocês se lembram da cena? Ele Se abaixou até o chão. Começou a escrever com o dedo na terra. Fico pensando no que Ele escreveu. Pergunto-me se estava começando a escrever as acusações contra os acusadores.
Então Ele Se levantou e disse estas palavras:
Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.
— João 8:7
Pensem nisso. Tenho certeza de que havia pessoas com pedras nas mãos. Estavam prontas para agir. Tinham as duas mãos cheias, preparadas para apedrejar aquela pecadora até a morte.
Na grande argumentação que o Senhor Jesus apresentou, Ele disse: “Você”. Deve ter olhado cada um nos olhos e dito: “Você, e você, que estão sem pecado, atirem a primeira pedra”.
Então Ele Se abaixou novamente e escreveu na terra com o dedo. Eles devem ter olhado e pensado: “Ele está escrevendo sobre mim. Não sou diferente dessa mulher adúltera”.
Quando o Senhor levantou a cabeça, todos tinham ido embora. Então o Senhor disse algo profundamente significativo. Ele disse:
Mulher, onde estão aqueles teus acusadores?
— João 8:10
Todos tinham ido embora.
Então Ele disse algo extremamente consolador:
Nem Eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.
— João 8:11
Graças a Deus, Ele é nosso defensor. Somos apanhados em flagrante. Vocês são aquela mulher. Vocês são aquela mulher. Os acusadores estão certos. Tudo o que dizem a seu respeito é verdade. Mas há uma diferença: o Senhor diz: “Eu sou por vocês. Sou o seu defensor”.
“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? Quem nos condenará?” Isso não é uma boa notícia?
Bem, acho essa história impressionante. Estamos livres de condenação e de qualquer acusação que possa prevalecer. Estamos livres de condenação e de qualquer acusação que possa prevalecer.
O irmão Wuest disse: “Visto que a justificação reside numa Pessoa” — lembrem-se disso: o Senhor Jesus, nossa justiça —, “em Quem permanecemos livres de condenação e de qualquer acusação válida, assim como o próprio Filho”.
Isso está além do entendimento, além da compreensão. Assim como o próprio Filho, o Justo, é impossível que, depois de terem sido justificados, vocês sejam novamente acusados e colocados sob condenação.
Romanos 8:1 dá início a esse grande capítulo de encerramento:
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
— Romanos 8:1
Agora — não depois, não no céu, não no reino, mas agora — nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Onde estão nossos acusadores? Essa é a resposta. Somos justificados em Cristo.
É a decisão do tribunal mais elevado, e não pode ser revogada. Para aqueles que não conhecem muito sobre precedentes judiciais, quando um tribunal superior decide, um tribunal inferior não pode revogar o que o tribunal superior determinou.
É por isso que, em todas essas questões atuais de que vocês ouvem falar, acabamos levando a causa à Suprema Corte. Depois que a Suprema Corte decide, nenhum outro tribunal — o Tribunal de Apelações do Nono Circuito ou algum tribunal local — pode revogar o que a Suprema Corte declarou.
Espero que vocês estejam entendendo a analogia. Há uma Suprema Corte acima da Suprema Corte, e esse tribunal decidiu: somos justificados. Isso encerra a causa.
Não apenas somos justificados gratuitamente em Cristo, mas somos justificados plenamente em Cristo Jesus. Essa é a resposta. Somos irrepreensíveis.
Vejam Colossenses 1:22:
No corpo da Sua carne, pela morte, para perante Ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis.
— Colossenses 1:22
Essas três palavras não são grandiosas? Conseguem imaginar? Vocês são apresentados a Deus santos, sem culpa e irrepreensíveis. Em outras palavras, não podem ser atingidos por uma impugnação. Não há acusação que possa desqualificá-los.
Na verdade, Ironside diz que a palavra certa para esse último termo é “inimpugnável”. Não há denúncia, não há acusação, não há condenação que possa ser apresentada contra vocês e que possa desqualificá-los.
O impeachment é uma coisa terrível. Tivemos presidentes em nossa história que sofreram impeachment. Talvez não tenham sido condenados, mas ficaram na história como pessoas que sofreram impeachment. Que mancha!
Mas vocês, queridos santos de Deus — com todas as coisas que fizeram, com tudo o que há de errado em vocês —, não podem ser desqualificados por acusação alguma. Isso não é uma boa notícia?
Não é só isso: quando vocês olham para Romanos 8, o texto vai ainda mais longe. Isso já seria suficiente. Ele diz: “Quem os condenará? É Cristo Jesus Quem morreu”.
Ele não apenas nos justificou; morreu por nós. Mas não é só isso: Ele também foi ressuscitado. Ressuscitou por nós. E não apenas foi ressuscitado; o texto diz que Ele também está à direita de Deus. Ele ascendeu por nós.
Essa é a única menção à ascensão em todo o livro de Romanos. A única. Mas, se a notícia de que Ele nos justifica ainda não fosse suficientemente boa, a resposta é que Ele morreu por nós.
A resposta não é apenas que Ele morreu por nós — vocês morreram em Cristo. Ele os levou à cruz. Romanos 6:4. Romanos 6:6. Ele os levou à cruz, e vocês morreram em Cristo. Não se pode acusar um morto. O que vão fazer, desenterrá-lo e julgá-lo?
Vocês foram sepultados pelo batismo no Senhor Jesus. Mas isso não é tudo. Ele ressuscitou por nós. Sua ressurreição, irmãos e irmãs — não é glorioso?
Se Ele apenas tivesse morrido por nós, poderíamos pensar: “Bem, talvez isso não seja suficiente”, por mais grandioso que seja. Mas Ele ressuscitou para nossa justificação, como diz Romanos. Ele ressuscitou e, ao lermos Efésios 2:6, descobrimos que nós também fomos ressuscitados em Cristo Jesus.
Então o texto apresenta a terceira grande coisa acerca da Sua obra: Ele ascendeu por nós. Está assentado à direita de Deus. Se vocês lerem esse mesmo versículo, Efésios 2:6, ele diz que estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais, ou nos lugares celestiais.
Oh, irmãos e irmãs, essa é a resposta. É uma resposta completa. Ele não apenas nos justifica, mas morreu por nós, e nós morremos Nele. Ele não apenas morreu por nós, mas ressuscitou por nós, e nós fomos ressuscitados para uma vida nova em Cristo Jesus. Ele não apenas ressuscitou por nós, mas também ascendeu por nós.
Ele morreu. Ressuscitou. Ascendeu. Irmãos e irmãs, essa é a resposta. Que o Senhor nos ajude a enxergar como essa resposta é completa.
Ironside disse: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? Toda voz é silenciada, toda acusação se cala, e nossa justificação é imutável”.
Alguém disse o seguinte, e acho muito poderoso: não há fundamento para condenação, pois Cristo sofreu a penalidade. Não há lei que nos condene, pois não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça. Não há tribunal para julgamento, pois agora o nosso é o trono da graça, não um trono de juízo. Acima de tudo, não há juiz para nos sentenciar, pois o próprio Deus, o único Juiz, é nosso justificador.
Bem, essa é a resposta. Agora, deixem-me compartilhar por alguns instantes sobre o advogado. Ele não apenas nos defende; Ele é nosso advogado.
A última frase do versículo 34 diz: “Quem está à direita de Deus, Quem também intercede por nós”. Pensem nisso. Ele não apenas nos justificou, não apenas morreu por nós, não apenas ressuscitou por nós, não apenas ascendeu acima dos céus, à direita de Deus — Ele intercede por nós.
Agora, quando certas palavras aparecem na Palavra de Deus, é muito importante examiná-las nas Escrituras. A primeira ocorrência dessa palavra, intercessão, está em Isaías 53, no encerramento daquele grande capítulo, no versículo 12:
Pelo que Lhe darei a parte de muitos,
e com os poderosos repartirá Ele o despojo;
porquanto derramou a Sua alma na morte,
e foi contado com os transgressores:
mas Ele levou sobre Si o pecado de muitos,
e pelos transgressores intercedeu.— Isaías 53:12
Isso é glorioso. Aparece ao final daquele imenso capítulo sobre o sofrimento. São as alegações finais daquele capítulo de sofrimento tão grande e inimaginável.
Mas, quando examinamos a Palavra de Deus, a última ocorrência de intercessão está em Hebreus 7:25. Ouçam o que diz:
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
— Hebreus 7:25
Ele pode salvar completamente — não parcialmente, nem mesmo substancialmente, embora essa seja uma palavra de que gosto muito —, mas completamente. Ele pode salvar completamente aqueles que se aproximam de Deus por meio Dele, vivendo sempre para interceder por nós.
Porque nos convinha tal Sumo Sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus.
— Hebreus 7:26
Irmãos e irmãs, isso é uma boa notícia. Ele não apenas dá a resposta, mas é o advogado.
O texto não diz que Ele intercede por vocês de vez em quando. Às vezes, as pessoas me telefonam e dizem: “Você poderia orar por mim, por favor?”. Sempre procuro me lembrar. Digo: “Sim, vou orar por você”. Mas vejam a diferença.
O Rei supremo no trono, ao lado da Majestade nas alturas, vivendo sempre para interceder por nós. Essas são as alegações finais.
Então Romanos 8 diz que não temos apenas um advogado nos céus; temos também um advogado aqui na terra. Temos um advogado ainda mais próximo do que simplesmente aqui na terra. Não precisamos descer a rua, bater à porta e dizer: “Você poderia me ajudar, por favor?”.
Esse advogado é o Espírito Santo. Esse advogado celestial, se vocês conseguem imaginar, entrou em vocês e estabeleceu residência permanente.
Portanto, agora vocês não têm apenas um advogado nos céus, que vive sempre para interceder por vocês. Se olharem em Romanos 8, onde a intercessão aparece mais do que em qualquer outro livro da Bíblia, verão que o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis, segundo Deus.
Esta é a boa notícia: temos um advogado celestial e temos um advogado na terra. Isso não é tremendo, irmãos e irmãs? Sou tão grato. Deus nos defende.
Aqui está a pergunta: vocês creem na Sua Palavra? Acho que, às vezes, podemos ouvir a Sua Palavra e dizer: “Isso não pode ser verdade. Isso não pode ser verdade”. Vocês creem na Sua Palavra?
Lembro-me de uma história sobre alguém que acreditou na palavra do soberano. Talvez vocês já tenham me ouvido contá-la, anos atrás. Napoleão Bonaparte estava em seu cavalo e perdeu o controle, e sua vida ficou em perigo.
O cavalo disparou a uma velocidade vertiginosa, e um simples soldado raso — se vocês são apenas soldados rasos, perdoem-me — saltou das fileiras, jogou o fuzil no chão, agarrou as rédeas daquele cavalo descontrolado e salvou Napoleão de uma morte quase certa.
Napoleão olhou para aquele soldado, deu-lhe um toque na cabeça e disse: “Você é o capitão da guarda”. Que coisa para um soldado raso!
Esse homem acreditou no que o soberano disse. Correu até o capitão da guarda pessoal e disse: “Eu sou o capitão da guarda”. O capitão da guarda pessoal deve ter olhado para a divisa, aquela única divisa, olhado para aquele simples soldado raso e dito: “Quem nomeou você? Quem disse que você era capitão da guarda?”.
Conta a história que aquele pequeno soldado se virou, apontou para o imperador e disse: “Ele disse. Eu acredito”.
Vocês, irmãos e irmãs, creem na Palavra de Deus?
Deus quer nos dizer algo nesta hora. Seu consolo, Seu consolo supremo, Sua certeza suprema é esta: Deus é por nós. Nunca se esqueçam disso.
Seu consolo não é apenas: “Eu sou por vocês”, mas também: “Vou defendê-los contra toda acusação”. E elas serão uma legião. Mas, ainda assim: “Eu morri por vocês. Ressuscitei por vocês. Ascendi por vocês. Estou intercedendo por vocês”.
“E enviei o Espírito Santo de Deus — Deus Espírito — para estabelecer residência permanente em vocês, de modo que, quando nem sequer souberem o que pedir em oração, como diz Romanos 8, Ele intercederá por vocês segundo Deus.”
Bem, essas são as alegações finais. Este é Deus, nosso defensor.
Senhor, simplesmente colocamos diante de Ti estes pensamentos. Senhor, antes de tudo, sinto uma necessidade tão forte de dizer: perdoa-me por não crer na Tua Palavra. Perdoa-me por dizer: “Não pode ser assim”.
Mas, Senhor, Tu o disseste, e isso deveria encerrar a questão. Ajuda-nos a permanecer firmes, não em nossos sentimentos, nem nos deixando enganar pelas circunstâncias, mas somente na Tua Palavra.
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?
É Deus Quem os justifica.
Quem os condenará?— Romanos 8:31, 33-34
Senhor, somos tão gratos. Escreve estas palavras em nosso coração. Lembra-nos delas e leva-nos a uma compreensão real do que significam, para que sejam nossa experiência, e não apenas palavras. É isso que Te pedimos hoje, em nome de Jesus. Amém.