Alguns de vocês talvez queiram chegar um pouco mais perto. Gostaria de pedir isso. Vocês estão muito espalhados. Vou dar alguns instantes para que se acomodem. E os jovens — vejam, eles não têm medo de mim; sabem que eu não mordo, por isso estão mais perto. Então, fiquem à vontade para chegar um pouco mais perto.
Vamos compartilhar a Palavra. Abram comigo em Romanos 8, naquele último parágrafo. Romanos 8 — creio que todos vocês o conhecem. Começaremos em Romanos 8:31 e leremos até Romanos 8:39.
Que diremos, pois, a estas coisas?
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele Que, de fato, não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos concederá também com Ele todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus Quem justifica.
Quem é que condena? É Cristo Jesus Quem morreu, ou antes, Quem foi ressuscitado dentre os mortos, o Qual está à direita de Deus e também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito:
“Por amor de Ti somos entregues à morte o dia todo;
Fomos considerados como ovelhas para o matadouro.”
Mas, em todas estas coisas, somos mais que vencedores por Aquele Que nos amou.
Porque estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Vamos orar?
Senhor, somos tão gratos pela Tua Palavra. Nós nos lembramos: as Tuas palavras são espírito e vida. Como precisamos que o Espírito Santo nos ajude nesta manhã, em nossa fraqueza. Ajuda-nos, Senhor.
Oramos pela unção do alto: pela capacidade de falar, pela unção do alto para receber a Tua Palavra e por essa mesma unção para responder à Tua Palavra.
Nós Te dizemos, Senhor: somente Tu tens as palavras da vida eterna. Para quem iremos? Nosso único interesse é ouvir o que Tu tens a dizer.
Por isso, dizemos juntos, a uma só voz, esta é a nossa oração:
Fala, Senhor; o Teu servo ouve.
E pedimos isso juntos no nome poderoso, no nome precioso de Jesus. Amém.
Bem, hoje estou fazendo uma espécie de dieta líquida, preparando-me para um procedimento amanhã de manhã. Então, isto aqui é meu almoço, meu café da manhã e meu jantar — eu acho; talvez por mais algum tempo. Mas quero compartilhar com vocês esses versículos do final de Romanos 8.
Se vocês pensarem bem, esses versículos são extraordinários, poderosos. Há alguns meses, eu estava meditando na Palavra de Deus, e esses versículos pareciam ganhar vida para mim. Eu não conseguia deixá-los de lado.
Embora tenhamos tido várias conferências — sei que estive em San Antonio, tivemos a conferência de famílias e compartilhamos sobre diferentes assuntos, e agora os jovens vão a Toronto nesta semana —, mesmo com tudo isso, a profunda impressão que esse parágrafo final de Romanos 8 deixou em mim não desapareceu.
Creio que, de certo modo, essa é a Palavra de Deus para nós na forma de alegações finais divinas. Acima de tudo, penso que é isso que ela é.
Creio que há uma mudança no final de Romanos 8. A maioria de vocês que conhece o livro sabe que, quando chegamos a Romanos 9, 10 e 11, começa um assunto um tanto diferente. Esses capítulos tratam da eleição, de Israel e da soberania de Deus em relação a Israel. Tratam da Sua soberania na eleição, ao trazer os gentios para a igreja por meio da dureza do coração de Israel. Contudo, concluem que Deus salvará todo Israel. Que seção gloriosa, gloriosa!
Depois, quando chegamos a Romanos 12 e seguimos até o fim do livro, creio que todos vocês conhecem essa seção. É a resposta prática do cristão a todo esse livro. E, se perdermos de vista essa resposta prática do cristão, perderemos tudo.
Não basta ouvir a Palavra. Não basta que a Palavra seja anunciada. É preciso responder à Palavra, e é disso que trata a Palavra de Deus.
Todos vocês conhecem aquele famoso versículo de Romanos 12:1. Tenho certeza de que conseguem recitá-lo:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas compaixões de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso culto inteligente.
Outras versões da Bíblia dizem: “vosso culto racional”. Acho que a maioria das pessoas no mundo consideraria irracional entregar-se como sacrifício vivo. Mas a Palavra de Deus é tão viva, tão real, que exige que façamos isso.
Então, se vocês olharem para Romanos — sei que existem divisões mais detalhadas —, poderão ver os primeiros oito capítulos e, depois, uma conclusão profunda. Poderão olhar para os três capítulos seguintes e ver a eleição de Deus. Depois, poderão olhar para os capítulos finais e ver a resposta que Ele procura.
Meu interesse está nesse último parágrafo de Romanos 8. Parece-me que ele é um resumo, uma síntese de tudo o que veio antes. Se vocês o examinarem atentamente, parece-me que é o resumo de Deus para os Seus escolhidos. É o resumo de Deus para os Seus eleitos.
É a causa que Deus vinha apresentando e julgando ao longo de Romanos 1 a 8. São aquelas gloriosas alegações finais do último parágrafo que nos proporcionam um consolo tão extraordinário, por sermos Seus.
Agora, não sei se isso será eficaz, e nem sei se vocês vão gostar, mas oro para que o Senhor unja ao menos algumas partes. Quero levá-los ao tribunal divino e fazer com que vejam o que Deus fez. Depois, ao final, quero que vejam a conclusão a que Ele chega ao fazer essas declarações definitivas.
No mundo jurídico, as alegações finais fazem parte da rotina. Todo julgamento tem alegações finais. Todo julgamento tem uma declaração de abertura. São coisas muito diferentes.
Ao final do julgamento, depois que todas as provas são apresentadas — e isso corresponde a Romanos 1 a 8 —, são apresentadas todas as provas da salvação de Deus, da Sua grande obra e de tudo o que Ele realizou. Tudo é exposto diante do júri celestial.
Então, Ele apresenta essas alegações finais que lemos. Talvez vocês não saibam o que são alegações finais, mas vou ler para vocês um trecho de um texto jurídico. Isso pode ajudar.
O texto diz que as alegações finais são um componente essencial de um processo judicial. São uma síntese, ou um resumo, que constitui a declaração conclusiva do advogado de cada parte, reiterando os argumentos importantes para quem julga os fatos — frequentemente o júri, mas também pode ser um juiz.
As alegações finais vêm depois da apresentação de todas as provas. Em outras palavras, naqueles primeiros sete — quase oito — capítulos completos, todas as provas são expostas. Depois, ao final, vem aquela síntese, aquelas alegações finais que Deus deseja deixar com os Seus eleitos.
A declaração de abertura é diferente. Ela se limita ao que acontecerá no processo. Mas as alegações finais são a síntese do que aconteceu. São a última oportunidade do advogado para convencer o júri ou convencer o juiz.
Se vocês não conseguirem convencer o júri e o juiz naqueles momentos finais, com aquela síntese, eles jamais serão convencidos. Na verdade, esse mesmo texto jurídico dizia que, segundo muitas pesquisas, os jurados afirmaram que as alegações finais têm um impacto muito maior do que muitos dos argumentos e fatos apresentados anteriormente.
É uma oportunidade para o advogado dizer: “É isso”, e, por fim, convencer o juiz ou o júri. A única coisa que todo advogado deseja é persuadir quem julga os fatos. Esse é todo o objetivo das alegações finais: persuadir.
Agora, não podemos deixar passar despercebido o que o apóstolo diz em Romanos 8:38:
Porque estou persuadido.
É isso. As provas foram apresentadas com tanta clareza, o argumento é tão conciso, a obra tão completa, e a declaração final tão clara, que o apóstolo Paulo teve de concluir: “Estou persuadido”.
Irmãos e irmãs, essa é a intenção das alegações finais divinas em Romanos 8:31-39. É persuadir. Que o Senhor nos ajude a enxergar isso de maneira viva. Acho que conhecemos esses versículos, mas vamos enxergá-los de maneira viva.
Vocês podem pensar em exemplos de alegações finais. Dizem que houve inúmeros “casos do século”. Não sei por que, toda vez que surge um novo caso com algum impacto, ele se torna o caso do século.
Alguns de vocês que já têm bastante idade talvez se lembrem de alguma coisa sobre o julgamento de Scopes. Foi chamado de caso do século, e tratava da evolução — ciência versus criação. O curioso é que as pessoas deixam passar isto: o julgamento foi ganho em favor da criação.
Depois, vocês se lembram do bebê de Lindbergh. Ali estava aquele herói americano que atravessou o oceano pela primeira vez em seu pequeno avião e pousou, creio eu, em Paris. Quando pousou, tornou-se um herói como nenhum outro nos Estados Unidos naquele momento, e seu bebê foi sequestrado. Foi o julgamento do século.
Mas provavelmente o que vocês mais lembram é o de O. J. Simpson. Foi chamado, sem dúvida, de julgamento do século. E vocês sabem o que mudou todo aquele julgamento? Foram aquelas breves alegações finais de Johnny Cochran.
Todas as provas eram contra O. J. Simpson. Vocês sabem quem é O. J. Simpson? O. J. Simpson, camisa 32 do Buffalo Bills, time de futebol americano, foi um dos maiores corredores que já existiram. Orenthal alguma coisa Simpson — ele era famoso. Veio da USC, creio eu — a Universidade do Sul da Califórnia, para vocês, jovens.
Não vou pegar no pé de vocês, prometo. O. J. Simpson era aquele atleta famoso. Era o queridinho que se tornou astro de cinema. Depois, todas as provas estavam contra ele naquele crime horrendo. Ele matou a ex-esposa e o amigo dela à porta da casa dela.
Todas as provas estavam contra ele. Deixem-me dizer: não sou eu quem julga os fatos, mas ele era culpado, sem dúvida nenhuma. Era completamente culpado. As provas eram tão esmagadoras! Não havia como ele ser inocente.
Mas, naquele momento, naquele momento brilhante das alegações finais, Johnny Cochran se levantou, pegou o gorro — o gorro do assassino deixado no local do crime — e o colocou na cabeça. Disse aquelas palavras célebres que mudaram o caso: “Se não servir, vocês devem absolver”.
Essas foram as palavras. Depois, ele pegou a luva, e era mais do que só um pouquinho. Estou me desmontando aqui, irmão. Ele me disse que eu tinha orelhas grandes, então isso funcionou para mim — talvez não.
Mas, depois, o restante daquele caso — pensem nisso. Ele pegou aquela luva, e eu consigo me lembrar da cena. Assisti com toda a atenção. Ele esticava, puxava e fazia força. Parecia achar que estava num vídeo de exercícios. Ficava puxando.
Ali estava ele, um homem menor que O. J. Simpson, e O. J. era um grande atleta. Mas as alegações finais eram: “Se não servir, vocês devem absolver”.
Pelo poder das alegações finais, apesar de todas as provas contra ele, o caso foi ganho. Orenthal Simpson — camisa 32, Buffalo Bills, vencedor do Troféu Heisman, grande atleta, assassino — saiu livre.
Esse é o poder das alegações finais. Mas, irmãos e irmãs, o poder dessas alegações finais em Romanos 8:31-39 excede o poder de quaisquer alegações finais já apresentadas em qualquer julgamento, seja terreno ou celestial.
Estas são as alegações finais divinas. Esta é a síntese de Deus para os Seus eleitos. Esta é a bênção e o consolo que Ele estende aos que creem. São as mais grandiosas alegações finais já proferidas.
Agora, considerem Romanos 8:31-39. São as alegações finais mais poderosas e mais persuasivas. Não apenas são as mais poderosas e mais persuasivas, mas também eliminam toda e qualquer dúvida.
Num processo judicial, se vocês forem os réus, todo o objetivo daquelas alegações finais é produzir dúvida razoável. Agora, nessas alegações finais, o objetivo não é produzir dúvida razoável, mas produzir fé viva. Essa é a diferença.
Não há dúvida nessas alegações finais. Leiam: estamos sendo defendidos por Deus. Deus é nosso Defensor. Deus é nosso Advogado. Estamos sendo defendidos com tamanha habilidade que todo vestígio de dúvida deveria desaparecer da mente do crente.
Gostaria de ler, por alguns instantes, o que outros disseram sobre esses versículos. O irmão Newell, que escreveu um livro sobre Romanos, versículo por versículo — um dos favoritos de Steve Sheridan —, reuniu algumas reflexões de diferentes pessoas sobre a importância e o poder desses versículos.
Ele mencionou um irmão chamado Bengel. Bengel disse a respeito desses versículos: “Não podemos ir, pensar ou desejar além disso”. Que declaração poderosa!
Outro disse: “O caráter profundo e colossal do pensamento está contido nesses versículos”. Outro disse: “Toda essa passagem até o versículo 34, e mesmo até o final do capítulo, impressiona todos os intérpretes e leitores atentos como algo que transcende quase toda linguagem”.
Essa é uma afirmação forte. Em outras palavras, não há linguagem como essa. Acho que ela é a conclusão consumada de toda a obra de Deus.
Um irmão a chamou de “o magnífico clímax”. Pensem nisso. Vocês já foram ouvir uma orquestra? Bem, eu não sou tão refinado assim. Só fui ouvir algumas orquestras.
Lembro-me de ter ido quando estava na quinta série. Colocaram todos nós num ônibus, nos levaram até lá, e tivemos de ouvir a orquestra. Fiquei bastante admirado com toda aquela sinfonia funcionando em conjunto — toda a música e todos os instrumentos em harmonia.
Mas, quando chegou ao clímax, quando a música atingiu seu crescendo mais intenso naquela orquestra, todos se levantaram e aplaudiram com entusiasmo. Pensei: “Devo estar num evento esportivo”.
Esse é o clímax de Romanos 8:31-39. A música foi se elevando num crescendo. A obra de Deus é apresentada de maneira tão perfeita! O poder de Deus para salvar, santificar e selar é tão evidente que, ao final, há um crescendo — um clímax como nada do que veio antes.
Bem, o estilo de Romanos 8:31-39 — vocês talvez tenham percebido — está cheio de perguntas. São só perguntas. Olhem para tudo aquilo que parece ser uma afirmação. Na verdade, são perguntas com pontos de interrogação no final.
É uma maneira bastante eficaz de apresentar alegações finais. Lembrem-se: quando se defende um réu, procura-se levantar dúvida suficiente — exatamente como o inimigo fez no jardim do Éden, quando disse:
Foi assim que Deus disse?
Ele era um advogado habilidoso, o inimigo. Sabia que, se conseguisse colocar dúvida razoável na mente daqueles que o ouviam — essa nova criação de Deus, o ser humano —, teria vencido a batalha.
Mas aqui temos uma série de perguntas, e não é para levantar dúvida. Não há dúvida alguma quando lemos esses versículos. Contudo, é um estilo muito, muito eficaz.
Eu digo assim: estas são as maiores perguntas, que respondem a todas as nossas perguntas. Digo assim: são perguntas que dão resposta a tudo.
Se entendermos essas perguntas, se pudermos recebê-las, se pudermos assimilá-las, se elas puderem se tornar parte de nós, sua natureza será tão transformadora que responderão a todas as nossas perguntas.
Então, parece paradoxal. São perguntas, mas respondem a todas as nossas perguntas.
Bem, essa é a longa introdução à série. Não sei quantas mensagens serão. Certamente serão três; talvez quatro. Não sei. Mas hoje vamos examinar esses dois primeiros versículos.
Hoje vamos considerar apenas três coisas:
Primeiro, a pergunta não explicada. Ouçam como ela começa:
Que diremos, pois, a estas coisas?
Que diremos, pois, a estas coisas? Pensem nisso. De que coisas ele está falando? À primeira vista, parece-me uma pergunta não explicada.
A que coisas ele se refere? É ao livro inteiro — Romanos 1 a 8? É à Bíblia inteira — de Gênesis a Apocalipse? É apenas ao contexto imediato, que trata da glorificação dos santos e do propósito de Deus em Romanos 8, logo antes dessa pergunta?
O que significa essa pergunta não explicada? Creio que isso é importante. Creio que Paulo está se referindo aos oito capítulos que a precedem. Ele está olhando para a causa de Deus em favor do homem e concluindo ao final, com toda a atenção:
Que diremos, pois, a estas coisas?
Todas essas coisas — de Romanos 1:1 a Romanos 8:30 —, é disso que ele está falando. Ele está olhando para toda a gloriosa obra-prima de Romanos 1 a Romanos 8.
Nessa gloriosa obra-prima, os matizes do evangelho são apresentados da maneira mais grandiosa em que já foram apresentados. Se vocês quiserem entender as boas-novas de Jesus Cristo, se quiserem entender o evangelho de Deus, precisam considerar o livro de Romanos.
Em nenhum outro lugar o evangelho de Deus é apresentado com tanta clareza quanto em Romanos. Olhem para Romanos 1. Vamos ao começo.
Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,
O qual Ele antes prometeu por meio dos Seus profetas nas santas Escrituras,
Acerca de Seu Filho, Que nasceu da descendência de Davi segundo a carne.
O que está sendo apresentado aqui é o evangelho do Senhor Jesus Cristo. E o evangelho do Senhor Jesus Cristo diz respeito a uma única coisa: Seu Filho. Em Seu Filho, tudo o mais está incluído. Essa é a mensagem e a introdução de Romanos.
Conhecemos esses versículos de Romanos 1:16-17:
Porque não me envergonho do evangelho: pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Porque nele se revela a justiça de Deus de fé em fé: como está escrito, Mas o justo viverá pela fé.
Esse é o assunto do livro de Romanos. É o evangelho do qual Paulo não se envergonha. Diz respeito a Jesus Cristo, e é disso que trata o livro inteiro.
Então, de modo geral, quando vocês olham para o restante do livro, descobrem que Deus tem um dilema. Ora, vocês não pensam em Deus como alguém que tenha um dilema. Ele é aquele Ser não criado Que fez todas as coisas. Ele é Aquele Que é antes de tudo, e por Ele todas as coisas subsistem.
Ele é Aquele Que está acima de tudo. É onisciente, onipresente; é divino. Ele é Deus.
Sabem, quando as pessoas discutem comigo — e frequentemente discutem — sobre Deus, eu digo: “Ele é Deus”. É isso. O que mais vocês precisam saber? Se Ele é Deus, isso resolve a questão. Resolve toda a discussão. Essas são as alegações finais: Ele é Deus.
Bem, Ele tem um dilema porque propôs em Seu coração, como ouvimos de maneira tão eloquente de nosso irmão Stephen Kaung na conferência de famílias, usar o homem — esse humilde ser criado — para trazer tudo aos pés do Senhor Jesus.
Foi isso que Deus, esse Deus soberano, esse Deus todo-poderoso, determinou em Seu coração. E Ele usaria esse ser humilde, feito um pouco menor que os anjos, para, ao final, derrotar esse ser elevado, Satanás, e colocar tudo debaixo dos pés de Jesus.
Esse é o propósito de Deus. Então, surgiu um dilema. Com o homem, não demorou muito. Quando aquele inimigo, aquele gênio jurídico, entrou no jardim e disse: “Foi assim que Deus disse?”, eles foram vencidos. Não sabiam em que acreditar, e a dúvida razoável encheu todo o seu ser.
Então, de repente — vocês conhecem a história —, eles pecaram. Deus tem um dilema relacionado aos pecados. Como Ele usará vocês e a mim para colocar Satanás debaixo de Seus pés, quando tem um dilema tão grande em relação aos pecados?
Parece impossível. Eu teria pensado, se fosse Deus — e não sou, e vocês são muito gratos por isso —, que Ele diria: “É isso. Uma falha, e você está fora”.
Ele teria desistido. Teria passado ao plano B e dito: “Tem de haver outro caminho. O homem nunca conseguirá. Não há esperança de que o homem esteja à altura da tarefa e seja usado por Mim em Meu propósito eterno para vencer Satanás e trazer tudo aos pés de Jesus”.
Mas Ele não desistiu. Irmãos e irmãs, esse é o encorajamento de Romanos. Ele não desistiu.
Ele nos viu quando caímos em pecado. Romanos conclui, com detalhes tão vívidos naqueles primeiros capítulos, que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado.
Vocês conhecem o versículo, Romanos 3:23:
Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus.
Todos. Esse é o dilema de Deus. Acho que vocês conhecem esse versículo. Mas graças a Deus que o texto não termina aí. Se terminasse aí, tudo estaria acabado. Estaria acabado para vocês e para mim, e a palavra escrita sobre nós seria “culpados”.
Mas então ele diz isto, num tom glorioso:
Sendo justificados gratuitamente por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus;
A Quem Deus propôs como propiciação, mediante a fé, em Seu sangue, para demonstrar Sua justiça, por ter deixado impunes os pecados anteriormente cometidos, na tolerância de Deus;
Para demonstrar, digo, Sua justiça no tempo presente: para que Ele mesmo seja justo e o Justificador daquele que tem fé em Jesus.
Essa foi a grande obra de Deus. “Pecados”, aqui, está no plural. Deus tinha um dilema. Se fosse com vocês ou comigo, teríamos desistido. Teríamos procurado algum outro caminho. Mas Deus não procurou outro caminho.
Em Sua misericórdia, Ele enviou Seu Filho para morrer, para tirar os pecados para sempre, de uma vez por todas. É a isso que esse versículo remete quando diz:
Que diremos, pois, a estas coisas?
Essas coisas são impressionantes. O que se pode dizer? Deus, Que deveria ter desistido, Que teria razão para desistir, Que teria motivos razoáveis para desistir, não desistiu. Em Sua misericórdia, Ele fez o indizível: deu Seu único Filho pelos pecados de vocês e pelos meus pecados.
Creio que esse foi o primeiro dilema que Deus enfrentou. Vejam Romanos 5:10:
Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua vida.
Irmãos e irmãs, Ele salvou Seus inimigos.
Muitas vezes penso naquelas palavras finais do Senhor aos Seus discípulos em João 14 a 17. Quando Ele disse:
Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
Creio que essa é uma definição muito boa. É a mais elevada definição de amor.
Mas pensem nisto: Ele não deu Sua vida apenas por Seus amigos — Sua própria definição do maior amor —, mas deu Sua vida até por Seus inimigos. Ele superou Sua própria definição do maior amor.
Foi isso que Ele fez quando tirou os pecados. É isso que significa:
Que diremos, pois, a estas coisas?
Ou considerem outro dilema que Deus tem com o próprio pecado — no singular, não no plural. Vejam, a maioria de vocês provavelmente sabe que pecamos porque somos pecadores.
Existe esse argumento que as pessoas apresentam: “Bem, são boas pessoas”. Todo pecador peca. Não somos pecadores porque pecamos; pecamos porque somos pecadores. Isso brota de dentro de nós. É natural.
Olho para meus netos, e os amo demais, mas algumas das coisas que saem deles me convencem da verdade da Palavra de Deus a respeito do velho Adão.
Parece-me que esse é um dilema de Deus. Há algo corrompido no homem com que Ele precisa lidar. Não é apenas que cometemos esses pecados e que, se Ele resolver o passado, tudo estará resolvido.
Ele tem outro dilema, que parece mais impossível de superar do que perdoar o passado. O que fazer com um pecador? O que fazer com alguém cuja natureza está errada?
Em Romanos 6 há uma solução brilhante. Há uma solução divinamente brilhante. O que Ele faz pelo pecador — o que faz em relação ao pecado, no singular — é levar vocês e a mim à cruz, no Senhor Jesus.
Lemos aquelas palavras gloriosas: sabemos que fomos crucificados com Cristo. Vocês, acreditem ou não — e talvez não gostem disso, e certamente não gostarão de ouvir isso sobre seus filhos —, não passam de uma fábrica de pecados.
Alguns de vocês são mais produtivos que outros. Mas não passam de uma fábrica de pecados. Então, Deus precisa lidar não apenas com os pecados; precisa lidar com o pecado.
Quando Ele lida com o pecado, Sua maneira de lidar com ele é pegar a fábrica e encerrar suas atividades. Entenderam? Acho que esse é um bom plano de negócios. Acho que é um excelente plano de negócios: pegar a máquina de pecados e tirar o plugue da tomada.
Esse é o segredo. Quando vocês leem Romanos 6, descobrem que foi exatamente isso que Deus fez. Ele tornou o pecador inoperante. Levou o pecador à cruz. Pregou o pecador na cruz. Levou o pecador à sepultura e o levou consigo na ressurreição.
Agora, esse pecador é ressuscitado em novidade de vida, e o poder do pecado já não precisa dominá-lo. Essa é a glória do livro de Romanos.
É isso que o apóstolo Paulo quer dizer:
Que diremos, pois, a estas coisas?
Parece quase glorioso demais.
Então, há um terceiro dilema, acreditem ou não. Ele é tratado em Romanos 7. O apóstolo Paulo faz essa descoberta extraordinária que poucos crentes chegam a fazer.
Ele descobriu que não havia apenas pecados no passado com os quais era preciso lidar, nem apenas uma natureza pecaminosa com a qual era preciso lidar; havia ainda outro problema. Esse outro problema é o eu, manifestado na carne.
Vocês conhecem as palavras. Conhecem os versículos. Ele disse:
Descobri que na minha carne não habita bem algum.
Que dilema! Isso vai além dos pecados. Vai além do pecado. Chega à própria constituição do homem.
O que Deus faz em Sua grande obra é levar o pecado à cruz e levar o eu à cruz, para que possamos começar a cooperar com o Espírito Santo e fazer morrer o eu.
É por isso que a mensagem da cruz precisa ser repetida cada vez mais na igreja hoje. As pessoas acham que a mensagem da cruz é tão cruel. Dizem: “Não queremos falar sobre a cruz”.
“Vamos falar sobre a obra substitutiva pelos pecados. Vamos falar sobre a obra inclusiva da cruz em Romanos 6, que trata da natureza pecaminosa. Mas não queremos falar sobre a parte voluntária da cruz, na qual nos é dito: se quisermos ser Seus discípulos, o que precisamos fazer?”
Tomar a sua cruz e segui-Lo.
Qual é o tema da conferência? Negue a si mesmo. Vocês acham que é disso que Ele está falando em Romanos 7? Creio que é exatamente disso que o apóstolo Paulo está falando.
Então, ele clama em profunda angústia: “O que farei com este corpo de morte?” A vida do eu é um corpo de morte.
Se vocês não tomarem sua cruz e O seguirem, se não se apropriarem dessa provisão suprema do Espírito Santo habitando e vivendo em vocês — porque esse é o outro lado da batalha, e o Espírito Santo luta contra a carne, que é a manifestação do eu —, jamais chegarão a essa posição de liberdade, livres do eu.
Basta olhar para Satanás e ver o poder do eu. Creio que essa é uma mensagem da qual se fala pouco. Creio que é uma mensagem que precisamos enxergar.
Então, há mais uma coisa. Como se isso não bastasse, que diremos, pois, a estas coisas? Quando vocês olham para o final de Romanos 8:28-30, conhecem esses versículos. Eles vêm logo antes do nosso texto:
E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Porque os que Ele de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos;
E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.
Irmãos e irmãs, essa é a maravilha dessas coisas. Deus não apenas os salvou dos pecados, não apenas os salvou do pecado, não apenas faz provisão para salvá-los do eu, mas, ao final, faz esta declaração inacreditável: o propósito de Deus é conformá-los à própria imagem do Senhor Jesus.
Ele não nos descartou de Seu propósito. Realizou uma obra completa e nos trouxe à condição de podermos cumprir Seu propósito. É isso que significa:
Que diremos, pois, a estas coisas?
Acho que deveríamos nos prostrar em adoração ao contemplar a obra de Deus e Seu plano. Acho que nossa única resposta pode ser Romanos 12:1. Acho que podemos nos maravilhar por não termos sido desqualificados, por não termos sido declarados culpados e deixados nessa condição.
Como as misericórdias de Deus foram derramadas sobre nós com uma profundidade inimaginável, para que fôssemos chamados os próprios eleitos de Deus! Nossa resposta deveria ser de adoração.
Há mais uma coisa. Creio que em Romanos 8:31 vemos a garantia suprema. Vocês já leram esse versículo muitas vezes, mas será que o conhecemos? Ele diz:
Se Deus é por nós.
Pensem nisso. Essa é a garantia suprema. É aqui que acho que as pessoas tropeçam: está na forma de uma pergunta. Então, se vocês olharem para a página, é como se o “se” estivesse em tamanho 32, e “Deus por nós” em tamanho 7.
Vocês começam a dizer: “Se? Deus é por mim? Talvez Ele não seja por mim”. Muitos crentes dizem: “Não acredito que Deus seja por mim”. Que tragédia!
Estas são as alegações finais divinas de Deus: se Deus é por vocês, quem será contra vocês? Essa é a argumentação definitiva. É a isso que Ele nos conduz, e é disso que nós, como crentes, precisamos nos apropriar de maneira viva.
Deixem-me dizer, queridos irmãos: escrevam isso na primeira folha da Bíblia de vocês. Escrevam ali para que, toda vez que abrirem a Palavra de Deus, leiam: Deus é por nós.
Escrevam isso no espelho, para que, ao se levantarem de manhã — e Linda talvez me mate, mas quem sabe eu faça isso mesmo —, seja a primeira coisa que vejam. Quando forem dormir à noite, verão esta garantia suprema: Deus é por nós.
Mas, mais importante ainda, deixem o Espírito Santo escrever isso nas páginas do coração de vocês. Tantos cristãos vivem num espírito de condenação!
Ainda vivem como se estivessem debaixo de seus pecados, com os quais Ele lidou de maneira tão completa. Vivem como se estivessem debaixo do pecado, com o qual Ele lidou de maneira tão completa. Vivem como se não houvesse um porto seguro contra o eu, embora Ele tenha feito toda a provisão para lidar com isso.
Vivem como se sua vida não tivesse propósito algum, embora tenham sido chamados e salvos para o próprio propósito de Deus. Ouçam estas palavras:
Se Deus é por nós.
Gosto do que Newell diz, e sei que o irmão Steve é um estudioso de Newell. Ele diz que o “se” não deveria ser “se”. Por acaso, concordo com isso. Ele diz que o “se”, na verdade, deveria ser “visto que”.
Visto que Deus é por nós, quem será contra nós? Para mim, essa é uma das garantias mais gloriosas e supremas da Palavra de Deus. Está escrito, preto no branco.
Observem que esse é o primeiro argumento das alegações finais. Se nós, como crentes, não conseguirmos nos apropriar desse fato singular — que, nesta vida, mesmo quando éramos inimigos, mesmo quando éramos pecadores, mesmo quando estávamos debaixo do poder do pecado, mesmo quando estávamos debaixo do domínio do eu, Deus é por nós —, jamais triunfaremos em Cristo.
É por isso que considero essa a garantia mais importante que podemos ter. Nunca se esqueçam disso.
Muitas vezes telefono para as pessoas e converso com elas sobre várias coisas, acontecimentos do noticiário e assim por diante. Mas e se vocês telefonassem para um irmão ou uma irmã e dissessem: “Irmão João, irmã Sue, vocês sabem que Deus é por nós?”
Pensem em como a revelação disso, se penetrasse no íntimo do nosso ser espiritual, transformaria nossa comunhão com Deus, transformaria nossa comunhão uns com os outros e transformaria a expressão da plenitude de Cristo quando nos reunimos.
Se Deus é por nós — visto que Deus é por nós —, para mim, essa é a maior de todas as garantias da Bíblia. Isso é um fato. Não é apenas um desejo.
Nós dizemos: “Ah, eu só queria, de alguma maneira, que Deus fosse por mim”. Acho que é assim que os crentes pensam. Acho que foi assim que pensou aquele servo de um talento que enterrou seu tesouro. Ele disse:
És um homem duro, que ceifas onde não semeaste.
Ele tinha um entendimento errado de Deus. As gloriosas alegações finais e a garantia absoluta, suprema, são estas: Deus é por nós. Fim de história.
Essa é a primeira coisa apresentada. Que possamos nos apropriar dela. Ela eliminará toda dúvida.
Agora, a segunda coisa a respeito de “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Pensem nisso. Deus não tem inimigos naturais.
Talvez vocês queiram me chamar à atenção e dizer: “Irmão, Satanás é o inimigo natural de Deus”. Em certo sentido, eu concordaria, mas, em outro, não tenho certeza. Estou disposto a ser corrigido, se as Escrituras disserem diretamente que Satanás é inimigo de Deus.
Aos discípulos, é dito:
Vosso adversário anda em derredor como leão que ruge, procurando alguém para devorar.
O apóstolo Paulo diz:
Uma porta grande e eficaz se me abriu, e há muitos adversários.
Nós temos adversários.
Mas ouçam: sei que Satanás deseja destruir tudo o que Deus fez. Não me engano quanto a isso. Mas, em certo sentido, podemos dizer que Deus não tem inimigo. Quem pode ser inimigo de Deus? Vocês gostariam de ser inimigos de Deus? Gostariam de enfrentar o Altíssimo?
Deus sabe que poderia dizer uma única palavra a Satanás, e Satanás estaria acabado para sempre. Muitas vezes pensamos: “Por que Ele não fez isso?”
Em vez disso, Ele concebeu este propósito extraordinário: escolher vocês e a mim, e, de alguma maneira, usar esse vaso mais fraco para destruir nosso arqui-inimigo. Não é maravilhoso?
Se Deus é por nós, quem será contra nós? Dizem que há alguns animais que não têm verdadeiros inimigos naturais. São uma espécie de rei entre os seus. Isto não é uma aula de zoologia, mas eles são chamados de predadores de topo.
Eles não têm inimigos naturais. Não andam com medo. Não vivem com medo. Agora, deixa-se claro que até essas criaturas têm inimigos — bactérias e doenças. Elas têm inimigos, sim.
Mas, se vocês pensarem bem, Deus não tem inimigos. A garantia suprema é esta: visto que Deus é por nós, quem será contra nós?
Essa é a questão, certo? Para mim, isso é tão glorioso! Quando penso na minha fraqueza, em como sou facilmente dominado e vencido — basta o inimigo soprar sobre mim, e já estou no chão, derrotado.
Mas, quando penso na garantia suprema de que Deus é por nós e, portanto, se Ele é por nós, quem será contra nós, quanta esperança surge até no meu coração!
Essa é a garantia suprema. Louvado seja o Senhor por essa garantia suprema.
Há mais uma coisa em que devemos pensar ao olhar para esses dois primeiros versículos. Precisamos pensar nesse dom inefável que temos.
Ouçam isto. Voltem ao nosso texto:
Aquele Que, de fato, não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos concederá também com Ele todas as coisas?
Aquele Que, de fato — e estou enfatizando essa expressão por um motivo —, não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós. Irmãos e irmãs, este é o dom inefável: Seu Filho.
Essa é a prova incomparável de que Deus é por nós. Sabem, nós tornamos o amor uma palavra muito barata. Simplesmente dizemos: “Bem, irmão, eu amo você”. Já fiz isso muitas vezes. “Irmã, eu amo você.” “Ah, eu amo isto. Amo pasta de amendoim e chocolate.”
Amamos tudo. É uma palavra barata. Não há custo. Não há preço pago. Pensem nisso. É apenas uma expressão.
Mas, na Bíblia, Deus sempre comprova Seu amor. Essa é a diferença. Quando vocês leem 2 Coríntios 8:24, a respeito da graça de contribuir, Paulo exorta a igreja:
Mostrai, pois, para com eles, perante as igrejas, a prova do vosso amor.
Irmãos e irmãs, a prova incomparável do amor de Deus é dar Seu Filho unigênito. Vocês conseguem pensar numa prova maior? Conseguem imaginar uma prova maior?
Na minha maneira de pensar obscurecida, parece-me que Ele poderia facilmente ter enviado um anjo. Mas não.
Vocês conseguem imaginar? Não sei como foi aquele momento nos conselhos eternos, quando a Divindade estava em comunhão e Deus Pai compartilhava com Deus Filho, juntamente com Deus Espírito Santo.
Então, naquele momento incrível, Eles conceberam este plano eterno: “Enviaremos Jesus, o unigênito de Deus”.
Ele será a prova — a prova suprema para sempre, a prova incomparável para sempre — de que Deus é por nós.
Foi isso que Deus fez. Parece-me que consideraríamos isso tão contrário à razão, tão além de qualquer medida. Como Deus poderia fazer algo assim?
Penso em Gênesis 22, na história de Abraão e Isaque. Vocês conhecem muito bem essa história. Em Gênesis 22:2, é dito a Abraão, que representa Deus Pai:
Toma agora teu filho, teu único filho, a quem amas, Isaque, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que Eu te indicarei.
Vocês conseguem imaginar? Obedientemente, Abraão foi àquele monte. Obedientemente, colocou Isaque sobre o altar. Obedientemente, colocou a lenha sobre Isaque. Estava prestes a sacrificar seu único filho.
Então, obedientemente, Abraão levantou aquela faca, sem hesitar. Estava prestes a cravar a faca no coração de seu único filho, e os céus se abriram. O Anjo do Senhor — Que é o próprio Senhor Jesus — disse:
Abraão, Abraão, não faças mal ao rapaz.
Muitas vezes penso nisso. Ele não concedeu essa mesma consideração ao Filho do Seu amor.
Pensem nisso. Pensem na prova incomparável. Aquela faca erguida no Calvário foi cravada profundamente no coração do nosso Senhor Jesus. Ela foi detida no caso de Isaque; seu uso foi proibido no caso de Isaque. Mas lemos em Isaías aquelas palavras que estão além da compreensão humana:
Todavia, ao Senhor agradou moê-Lo.
Essa é a prova incomparável. Esse é o dom inefável.
Como podemos imaginar isso? Aquele hino ao qual sempre me refiro, “Quão Grande És Tu” — vocês conhecem esse hino. Provavelmente já estão cansados de me ouvir mencioná-lo. É o número seis do nosso hinário.
Ele ficou famoso por meio de George Beverly Shea, que o cantou. Minha esposa sempre me diz que eu confundo as formas verbais de “cantar” em inglês. Deixem-me tentar: George Beverly Shea o cantou. Está certo? Está certo.
Ele o cantou noventa e nove vezes numa campanha de avivamento em Nova York com Billy Graham. Assim, os Estados Unidos conheceram esse cântico. Muitas vezes faço esta oração:
E quando penso que Deus, não poupando Seu Filho,
Enviou-O para morrer, mal consigo compreender;
Que na cruz, levando de bom grado o meu fardo,
Ele sangrou e