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    The Mystery of Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Mystery of Christ
    The Mystery of Christ
    Kaung, Stephen

    O mistério de Deus na igreja

    Por favor, abram em Romanos 11:36.

    Porque dEle, e por Ele, e para Ele são todas as coisas.
    A Ele seja a glória para sempre. Amém.

    Vamos fazer uma oração.

    Amado Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires nesta manhã. Tu tens sido bom para conosco, e cremos que é Tua intenção continuar falando ao nosso coração, pois conhecemos nossa necessidade. Tu estás nos preparando para a Tua volta iminente. Por isso, somos gratos.

    Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos que o Teu Espírito Santo realizará a obra, porque somente Ele pode fazê-la. Senhor, fala; os Teus servos ouvem. Pedimos em Teu nome. Amém.

    Agradecemos ao Senhor por nos reunir novamente diante de Sua presença. Cremos que Ele tem um plano para cada um de nós, e é somente pelo Seu Espírito Santo que esse plano será cumprido. Portanto, ao nos reunirmos nesta manhã, nós nos entregamos ao Senhor, orando para que nosso tempo juntos seja proveitoso e realmente nos prepare para Sua volta iminente.

    O tema que me foi confiado é o mistério de Deus na igreja.

    O mistério de Deus

    Mencionamos ontem que Deus é o maior mistério do universo. Ninguém O conhece, nem mesmo por meio da investigação. Mas agradecemos a Deus porque Ele é o Deus que Se revela, e tudo o que Ele revelou de Si mesmo é para nós. É para crermos e para respondermos.

    Deus tem um mistério. Ele é Aquele que pode guardar Seu mistério, mesmo desde antes da fundação do mundo. Segundo o beneplácito de Sua vontade, Ele concebeu um mistério. Para nós, hoje, graças a Deus, esse é um mistério revelado.

    Deus ocultou esse mistério por muitos séculos. Ele fez muitas coisas, mas não disse a ninguém por que as fez ou qual era Seu objetivo. Porém, como o apóstolo Paulo nos diz em Efésios 3, Deus agora revelou esse mistério aos apóstolos e profetas do Novo Testamento.

    Portanto, para nós, hoje, é um mistério revelado, e é um mistério que diz respeito a cada um de nós de maneira muito profunda, porque será nossa vida e nosso testemunho.

    Mencionamos ontem que o mistério de Deus, que Ele ocultou por séculos, é que Ele deseja que Seu próprio Filho amado seja a Cabeça de todas as coisas.

    Como procuramos explicar ontem, o significado de Cristo ser a Cabeça de todas as coisas é ilustrado em outra passagem das Escrituras. Em Romanos 13, somos informados de que há muitos mandamentos, mas todos eles podem ser resumidos em um só:

    Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Assim, o amor é a suma de todas as coisas.

    Da mesma forma, vemos que Deus fez muitas coisas, mas todas elas estão centradas em Seu Filho amado. Ele deseja que Seu Filho seja a Cabeça de todas as coisas. Em outras palavras, em tudo — especialmente em nossa vida — Cristo será tudo e em todos.

    E não apenas isso: graças a Deus, Ele confia esse ministério aos Seus próprios filhos. Não devemos apenas nos submeter a Cristo em todas as coisas, para que, em tudo, Cristo seja manifestado em nós; Ele também nos encarregou de levar todas as coisas aos pés de nosso Senhor Jesus. Essa é nossa vida, e essa é nossa obra. É isso que temos procurado compartilhar juntos.

    A oposição do inimigo

    Mas, para que o propósito de Deus seja cumprido, Deus sabe que haverá muitos obstáculos. Em primeiro lugar, vemos como Lúcifer, o arcanjo, por causa de sua beleza e de seus talentos, começou a se orgulhar de si mesmo. Começou a ambicionar ser igual a Deus — em outras palavras, tomar o lugar do único Filho amado de Deus. Isso é algo que Deus jamais permitirá.

    Assim, esse arcanjo, Lúcifer, foi expulso do céu, e o domínio que Deus havia colocado sob sua autoridade caiu em ruína e vazio. Era como se o plano de Deus tivesse sido frustrado.

    Mas Deus nunca falha. Ele sabe o que fazer. Como dissemos ontem, seria bastante fácil — muito fácil, extremamente fácil — para Ele dar fim a Lúcifer. Mas isso não traria glória a Deus.

    Portanto, em Seu plano, Deus confiou essa obra ao homem, feito um pouco menor do que os anjos; e, no entanto, é o homem que realizará a obra de Deus. Foi isso que mencionamos ontem.

    A restauração da terra e a criação do homem

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de nos concentrar em como o Senhor trouxe Sua redenção.

    Vemos que, em Gênesis 1:2, a terra estava arruinada e vazia. Mas, graças a Deus, em Sua misericórdia, Ele começou a restaurar a terra para que fosse habitável. Portanto, a partir de Gênesis 1:2, não temos o início da criação; temos o início da restauração da terra.

    Deus empregou seis dias para restaurar a terra e torná-la habitável, e, no sexto dia, fez o homem. Todos sabemos que o homem foi feito um pouco menor do que os anjos. Os anjos são espíritos, mas o homem tem espírito, alma e corpo.

    Deus criou o homem e o colocou no jardim do Éden. Ele restaurou o jardim para que fosse um belo jardim, com muitas árvores frutíferas para alimentar o homem. Colocou o homem naquele jardim e lhe deu uma ordem.

    A ordem era cultivar o jardim e guardá-lo. Deus não quer que o homem fique ocioso, sem nada para fazer. Ele sabe muito bem: se não temos nada para fazer, tendemos a fazer algo que trará vergonha a Deus.

    Portanto, desde o princípio, Deus queria que o homem trabalhasse, estivesse ocupado e aprimorasse aquilo que Deus já havia feito — que cultivasse a terra e a tornasse mais frutífera.

    Por outro lado, a ordem de Deus era guardar o jardim. Sabemos que o jardim do Éden era um belo jardim, mas não tinha muro. Por quê? Porque Deus queria que o homem fosse esse muro. Então Deus disse: “Você deve guardá-lo”.

    Deus sabia que o inimigo estava fora do jardim e tentava entrar para tentar o homem. Por isso, Deus deu ao homem essa responsabilidade: guardar o jardim; não apenas desfrutar dele, mas também protegê-lo contra a entrada do inimigo.

    Infelizmente, o homem não guardou o jardim como deveria. Por causa dessa falha, o inimigo entrou sorrateiramente. Creio que todos conhecemos a história: como ele tentou Eva a comer da árvore proibida. Depois que Eva comeu da árvore proibida, deu do fruto a seu marido, Adão, e Adão comeu.

    Vocês sabem, Deus criou o homem para derrotar o inimigo de Deus. Esse é o propósito de Deus. Mas, em vez disso, o homem caiu nas mãos do inimigo. Deus criou o homem para ser, por assim dizer, Seu aliado, para ser usado por Ele a fim de derrotar Seu inimigo e trazer glória a Deus. Mas, em vez disso, o homem caiu nas mãos do inimigo, tornou-se inimigo de Deus, em vez de Seu aliado, e foi expulso do jardim do Éden.

    Sabemos que, por causa da queda de nossos antepassados, nós, que descendemos de Adão e Eva, fomos contaminados pelo pecado. Essa era nossa condição.

    A obediência redentora de Cristo

    Agora, irmãos e irmãs, uma vez que Deus estabeleceu Seu plano e Seu propósito, jamais os abandonará. Por isso, agradecemos a Deus porque Ele começou a agir, e essa é a história de nosso Senhor Jesus.

    Como vemos em Filipenses 2, nosso Senhor Jesus, antes de vir a este mundo, era igual a Deus. Ele era o Filho unigênito de Deus. Isso não era algo de que precisasse Se apoderar; era Seu direito, porque Ele era o Filho unigênito de Deus.

    Tudo o que Deus é, toda a plenitude de Deus, habita nEle corporalmente. Ele e Deus são um. Essa era Sua posição. Ele ocupava o lugar de ser adorado.

    E, no entanto, irmãos e irmãs, por amor a Deus e em resposta ao Seu amado Pai, Ele, que era igual a Deus, esvaziou-Se.

    Para nós, esvaziarmo-nos não é nada, é até menos do que nada, porque, se nos esvaziamos, aquilo que deve ser esvaziado não passa de nossos pecados e nossas transgressões. Mas o Filho de Deus, que era igual a Deus, por amor a Seu Pai e por amor a nós, dispôs-Se a esvaziar-Se.

    É claro que Ele não poderia esvaziar-Se de Sua divindade, porque isso é o que Ele é. Mesmo quando estava na terra, continuava sendo Deus. Mas Ele podia esvaziar-Se de toda a glória, a honra, a posição e o direito de ser igual a Deus. Isso é esvaziar-Se.

    Queridos irmãos e irmãs, sempre que pensamos naquilo de que nosso Senhor Jesus Se esvaziou para vir a este mundo, isso deveria realmente despertar em nós adoração e reverência.

    Mas, depois de Se esvaziar, Ele assumiu outra forma. A palavra “forma”, ali, não significa uma forma exterior; significa uma imagem interior. Ele tomou a forma, a imagem, o caráter de um escravo.

    Ele veio para ser escravo de Deus — isto é, um escravo que não tinha direito próprio, um escravo que pertencia ao Seu Senhor, um escravo que servia ao Seu Senhor sem remuneração.

    Essa é a forma que nosso Senhor Jesus tomou ao vir a este mundo. Na verdade, essa é a ideia original de Deus a respeito do homem. Vocês sabem, o homem também deveria ser escravo de Deus.

    Hoje, todos lutam por seus direitos. Pensamos que temos este direito e aquele direito, e não queremos que ninguém interfira. Mas, queridos irmãos e irmãs, o próprio pensamento de Deus a respeito do homem é que sejamos escravos de Deus. Não temos direito algum, a não ser seguir as instruções de nosso Senhor.

    Essa é a imagem interior, a essência interior de nosso Senhor Jesus quando veio a este mundo. Exteriormente, Ele assumiu a aparência de um homem.

    Queridos irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, Ele era como qualquer outro homem no mundo. Mas, em Sua maneira de viver, havia uma diferença. Ele tinha, por assim dizer, o espírito de um escravo.

    É por isso que, quando vocês leem os quatro Evangelhos, quando leem a história de nosso Senhor Jesus, encontram repetidas vezes Sua declaração de que nada podia fazer por Si mesmo. É claro que, quando pensamos nEle, sabemos que poderia fazer tudo, se quisesse. Mas Ele jamais quis fazer coisa alguma sem a permissão de Seu Pai.

    Ele disse:

    Nada posso fazer por Mim mesmo.
    O que vejo o Pai fazer, isso faço.

    Ele também disse que nada podia dizer por Si mesmo. Embora saibamos que nosso Senhor Jesus podia dizer muitas coisas — muito mais do que nós podemos dizer —, ainda assim Ele disse:

    Nada posso dizer.
    O que o Pai disse, isso digo.

    Não apenas isso. Ele disse:

    Meu tempo não Me pertence.

    Vocês sabem, durante a Festa dos Tabernáculos, Seus irmãos foram a Jerusalém e disseram: “Se Tu queres tornar-Te conhecido, não Te escondas na Galileia. Vai a Jerusalém. Mostra-Te, para que as pessoas Te conheçam”.

    Nosso Senhor Jesus disse:

    O vosso tempo sempre está pronto, mas o Meu tempo ainda não chegou.

    Em outras palavras, até mesmo em Seus movimentos, Ele era guiado pela vontade de Seu Pai. Essa era a vida de nosso Senhor Jesus.

    Vocês sabem, irmãos e irmãs, quando lemos os quatro Evangelhos, provavelmente nossa atenção é atraída pelos milagres e pelas obras poderosas de nosso Senhor Jesus: como Ele curou os enfermos, abriu os olhos dos cegos e até ressuscitou os mortos; como fez com que cinco pães e dois peixes, oferecidos por um menino, alimentassem cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

    Irmãos e irmãs, Ele podia fazer tudo, mas disse:

    Nada posso fazer.

    Durante toda a Sua vida, Ele foi tentado pelo inimigo a agir como Deus, como o Filho de Deus.

    Vocês se lembram de que, depois de ser batizado, Ele foi levado pelo Espírito ao deserto. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e teve fome. Então o tentador veio e disse:

    Se Tu és o Filho de Deus, manda que esta pedra se torne pão, para que possas saciar Tua fome.

    Isso mostra que o Senhor podia fazê-lo, mas não quis fazê-lo. Ele disse:

    Nem só de pão viverá o homem,
    mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

    Getsêmani e o Calvário

    Irmãos e irmãs, vocês se lembram da história do Getsêmani. É uma cena tão santa; realmente está além das palavras.

    Nem mesmo Seus discípulos entendiam o que estava para acontecer, mas o Senhor Jesus sabia claramente. Ele iria carregar o pecado. Ele, que não conheceu pecado, seria feito pecado. Isso era algo terrível.

    Vocês sabem, suponham que vocês sejam pessoas muito asseadas e que outra pessoa venha ficar com vocês; uma pessoa indisciplinada, sem higiene, que espalha as coisas e nunca as põe em ordem. Como vocês se sentiriam? Provavelmente a mandariam embora o mais rápido possível.

    Mas nosso Senhor Jesus, que não conheceu pecado — absolutamente nenhum pecado —, seria feito pecado por nós. Pensem nisso. Está além de nossa compreensão, e isso O perturbava profundamente.

    Seus discípulos não entendiam. Ele pediu aos três discípulos amados que permanecessem acordados com Ele, que orassem com Ele, mas eles dormiram. Ali estava Ele, sozinho no jardim do Getsêmani, em luta com esta questão: se aceitaria que o pecado fosse colocado sobre Ele.

    Ele, que era sem pecado, tão puro, iria tornar-Se a pessoa mais impura, mais pecadora do mundo, porque todos os pecados do mundo seriam Seus.

    Irmãos e irmãs, não podemos imaginar o que nosso Senhor Jesus passou no jardim do Getsêmani. Só sabemos como Ele orou. Ele chegou a orar:

    Pai, se for possível, passa de Mim.

    Mas imediatamente disse:

    Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    No jardim do Getsêmani, Ele aceitou a vontade do Pai. Foi ao Calvário para ser crucificado. Exteriormente, foi o governo romano que O crucificou. Exteriormente, foram os fariseus, os escribas, o corpo governante da assembleia judaica. A nação judaica O rejeitou, e a nação gentílica O crucificou.

    E, no entanto, irmãos e irmãs, na realidade, Ele aceitou a vontade do Pai de tornar-Se uma oferta pelo pecado do mundo.

    A salvação como início do propósito de Deus

    Irmãos e irmãs, estamos aqui nesta manhã por causa do que Ele fez, não apenas no jardim do Getsêmani, mas também na cruz do Calvário. Nós nos gloriamos na cruz de Jesus Cristo.

    Graças a Deus, ao crermos nEle, todos os nossos pecados são remidos e perdoados. Somos revestidos dEle como nossa justiça diante de Deus, e esse é o início de nossa salvação.

    Mas, irmãos e irmãs, precisamos lembrar uma coisa: ter nossos pecados perdoados e receber a promessa do paraíso é o início, não o fim, de nossa salvação.

    Quantas vezes, depois de crermos no Senhor Jesus e sermos salvos, pensamos que isso é tudo. Mas precisamos saber que esse é apenas o início da salvação. Deus tem algo muito mais glorioso e importante para nossa vida, ligado ao Seu propósito eterno.

    Embora não sejamos ninguém, Deus confiou uma missão a todos nós. Prestem atenção a estas palavras: Ele deseja que sejamos um exemplo e também Seu instrumento para Seu propósito eterno.

    Portanto, irmãos e irmãs, nós, que somos salvos, não devemos pensar como algumas pessoas que dizem: “Contanto que meus dois pés estejam dentro da porta do céu, estou satisfeito”. Talvez você esteja satisfeito, mas Deus não está satisfeito, porque não foi para isso que Deus criou o homem no princípio.

    Ele nos criou com um propósito glorioso. Ele deseja não apenas nos salvar, mas, ao nos salvar, levar todas as coisas aos pés de Jesus.

    Vocês sabem, irmãos e irmãs, o que significa ser salvo? Quando vocês são salvos, não é apenas que seus pecados são perdoados.

    Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve.

    Creio que todos nós já experimentamos isso.

    Eu me lembro muito claramente. Nasci em 1915. Nasci em uma família cristã. Meu pai amava o Senhor. Tínhamos culto doméstico todas as noites. Fui criado em escolas cristãs. Eu era considerado um bom cristão.

    E, no entanto, quando o Espírito de Deus me tocou, soube que eu era o principal dos pecadores. Vocês podem se perguntar como um menino de quinze anos às vezes se sentava sozinho e chorava por causa de seu pecado. Mas, graças a Deus, em Sua misericórdia, Ele me salvou.

    Irmãos e irmãs, é assim que o Senhor concedeu graça a cada um de nós. Vocês acham que isso é tudo? Não. Esse é o início.

    Se tomarmos isso como tudo para nós, não apenas sofreremos, mas Deus também sofrerá, porque não teremos cumprido Seu propósito eterno. Queridos irmãos e irmãs, vocês estão ligados ao propósito eterno de Deus. Devem ser tanto beneficiários quanto cooperadores do propósito eterno de Deus a respeito de Seu Filho amado.

    É assim que nossa vida cristã e nosso ministério começam. Todos temos uma vida cristã para viver, e essa vida cristã também está relacionada à nossa obra cristã.

    O Espírito Santo que habita em nós e a vida cristã

    Quando somos salvos, o que acontece em nossa vida? Não é apenas que nossos pecados são perdoados; Deus fez algo muito maior. Antes disso, nosso espírito estava morto em pecados e transgressões. Por causa disso, não tínhamos comunicação com Deus, porque Deus é Espírito.

    Sempre me lembro de quando o cosmonauta russo foi pela primeira vez ao espaço. Ele voltou e declarou: “Deus não existe”. Por quê? Porque disse: “Estive no espaço. Olhei ao redor. Não vi Deus em lugar algum. Portanto, Deus não existe”.

    Mas, irmãos e irmãs, isso é uma insensatez, porque Deus é Espírito, e vocês só podem ter contato com Ele pelo espírito. Se o espírito de vocês está morto em pecados e transgressões, como podem ter contato com Deus por meio da alma, do pensamento, da mente, da emoção ou do corpo físico? Não podem ter contato com Ele dessa maneira. Precisam ter contato com Ele por meio do espírito.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando somos salvos, a primeira coisa positiva é que nosso espírito se torna vivo e se torna um espírito novo. É um espírito purificado pelo precioso sangue. É um espírito dentro de nós que pode se comunicar com Deus.

    Assim, vocês podem clamar a Deus: “Aba, Pai”. Essa é a primeira coisa que acontece em nosso espírito. Podemos nos comunicar com Deus, e creio que todos temos essa experiência.

    Mas, além disso, sabemos que Cristo Jesus entrou em nosso espírito e Se tornou a vida de nosso espírito. Mais ainda, Deus enviou o Espírito Santo para entrar em nosso espírito e habitar ali.

    Agora queremos fazer esta pergunta: por que Deus nos dá o Espírito Santo para habitar em nós? Todo irmão e toda irmã têm o Espírito Santo habitando em si. Por que Deus coloca o Espírito Santo dentro de nós?

    Há uma razão: pelo Espírito Santo que habita em nós, devemos levar tudo o que há em nós aos pés de nosso Senhor Jesus. Isso é a vida cristã.

    Vocês sabem, a vida cristã não é algo exterior. Muitos cristãos hoje vivem sua vida cristã apenas de maneira exterior.

    Em Richmond, onde moro, no Dia do Senhor, quando vamos de carro ao local de reunião, passamos pela Huguenot Road. Nessa rua há muitas igrejas chamadas cristãs. Há locais de culto católicos, protestantes e judaicos.

    Ao passarmos por ali, olho para esses diferentes edifícios e vejo quantos carros há em cada lugar. Isso indica quantas pessoas estão dentro do edifício para, como se diz, adorar a Deus.

    Mas, irmãos e irmãs, muitas pessoas servem a Deus apenas exteriormente. Isto é, seguem certas regras e normas estabelecidas pela autoridade da igreja: no domingo, você tem de ir à igreja — esse é seu dever. Tem de ler sua Bíblia. Tem de orar. Tem de compartilhar Cristo com outras pessoas. Se fizer todas essas coisas, será considerado um bom cristão.

    Irmãos e irmãs, a vida cristã é mais do que isso. A vida cristã é um caminho interior. Isto é, trata-se de como vocês crescem interiormente na vida de Cristo que está em vocês.

    É por isso que temos o Espírito Santo habitando em nós. Irmãos e irmãs, vocês têm experimentado a atuação do Espírito Santo que habita em vocês em sua vida cristã?

    Creio que, imediatamente depois de vocês serem salvos, o Espírito Santo começa a trabalhar em vocês. A obra do Espírito Santo que habita em nós é levar tudo o que há em nós aos pés de Jesus, para que Ele seja a Cabeça de todas as coisas em nossa vida.

    O Espírito Santo trabalha com muita delicadeza. Ele conhece nossa situação e, no início, provavelmente trabalhará apenas em algo relacionado ao nosso comportamento exterior.

    A obra do Espírito Santo na conduta exterior

    Suponha que você seja uma pessoa que gosta de se vangloriar, e, sempre que se vangloria, sente-se bem. Assim, você se torna o centro de qualquer reunião. Mas, depois de crer no Senhor Jesus, certamente algo acontece.

    Quando você começa a se vangloriar, a dizer algo que não é verdade para atrair atenção, o que acontece? Em vez de se sentir muito bem, você se sente abatido. Algo dentro de você está dizendo: “Você falou demais. Pare”.

    Nossa experiência geralmente é que, no início, não damos ouvidos àquela voz mansa e suave. Continuamos falando. Mas o resultado é que, em vez de você se sentir bem, glorioso e animado, sente-se abatido. Sente tristeza. Sente que fez algo errado, e seu contato com Deus é interrompido.

    Você precisa confessar seu pecado e pedir o perdão do Senhor; então sua comunicação com Deus é restaurada. Irmãos e irmãs, creio que isso já aconteceu com vocês.

    Às vezes, de maneira positiva, vocês perdem alguma coisa, oram e pedem ao Senhor que lhes abra os olhos para encontrar o que foi perdido. Já tiveram uma experiência assim, de encontrar o objeto perdido depois de orar?

    Ou talvez vocês costumem frequentar certos lugares e, depois de crerem no Senhor Jesus, o Espírito de Deus dentro de vocês lhes diga: “Como cristão, você não deve ir a um lugar assim”. Mas vocês endurecem a cerviz e continuam indo, e o que sentem depois é inteiramente diferente.

    Para ilustrar com minha própria experiência, eu era filho de pastor. Mas, curiosamente, adorava filmes. A primeira coisa que eu olhava no jornal eram as notícias de cinema.

    Aconteceu que eu tinha um amigo cuja família era dona de um cinema, então podia ir com ele assistir a filmes sem pagar. Como filho de pastor, eu não ousava ir ao cinema no domingo, porque considerava o domingo santo. Mas, aos sábados, geralmente estava em um cinema.

    Depois de ser salvo, continuei indo ao cinema. Mas as pessoas começaram a me dizer: “Você é cristão. Não deveria ir ao cinema assistir a filmes”. Eu costumava discutir com elas. Dizia: “Só assisto a bons filmes — filmes religiosos. O que há de errado nisso?”.

    Mas, irmãos e irmãs, o Espírito Santo dentro de mim não me deixava ir. Ele era muito delicado, mas muito persistente. Continuava falando comigo. Exteriormente, eu discutia com as pessoas: “Por que não devo ir ao cinema?”. Mas, interiormente, estava ficando cada vez mais fraco.

    Até que, por fim, decidi. Disse: “Está bem. Não vou mais ao cinema”. Mas não contei a ninguém. Por quê? Porque tinha medo de não conseguir cumprir minha promessa.

    E, de fato, depois de alguns meses, algumas pessoas deram à minha família ingressos para ir ao cinema assistir a um filme religioso. Ainda me lembro vividamente: era A Arca de Noé.

    Argumentei comigo mesmo: “O que há de errado em assistir a um filme religioso?”. Não consegui resistir à tentação. Então fui àquele cinema e assisti ao filme.

    Mas, irmãos e irmãs, durante aquelas duas horas, exteriormente eu assistia a um filme; interiormente, estava lutando o tempo todo. Curiosamente, desejava que o filme terminasse logo, mas não saí do cinema até ele acabar.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus, quando saí daquele cinema, aquilo chegou ao fim.

    Portanto, irmãos e irmãs, o Senhor tratará conosco nas coisas exteriores — em nossa maneira de viver, até mesmo em nossas roupas. O Senhor tratará conosco: “É apropriado que um cristão se vista assim?”. É como se o Senhor cuidasse de cada detalhe de nossa vida.

    Irmãos e irmãs, devemos agradecer a Deus pelo Espírito Santo que habita em nós. Por mais que tenhamos pecado contra Ele, ainda está disposto a nos trazer de volta a Cristo, para que tudo seja de Cristo e nada seja de nós mesmos.

    Geralmente, Ele começa com pequenas coisas, com coisas exteriores. Mas, gradualmente, vocês percebem que o Espírito Santo começa a trabalhar mais profundamente. Ele não trabalha apenas em nosso comportamento exterior; trabalha em nossas emoções, em nossa mente e em nossa vontade.

    A obra do Espírito Santo nas emoções

    Por exemplo, vocês se lembram de Mateus 10. Nosso Senhor Jesus enviou os doze discípulos como apóstolos, para pregar o evangelho. O Senhor lhes disse muitas coisas.

    Sabemos que, nos tempos do Antigo Testamento, recebemos o mandamento de honrar e amar nossos pais. Mas, curiosamente, em Mateus 10, o Senhor disse:

    Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim.

    Se vocês amam seus irmãos e irmãs, sua esposa e até sua própria vida mais do que o Senhor, não podem ser Seus discípulos. Aquele que ama sua vida — isto é, a vida de sua alma — não pode ser Seu discípulo.

    Irmãos e irmãs, o Senhor começa a tratar de nossas emoções. Estamos emocionalmente entregues por completo ao Senhor, permitindo que Ele assuma o controle de nossa vida emocional?

    Creio que, em minha vida, fui desafiado nesse ponto. O Espírito de Deus dentro de mim começou a me fazer essa pergunta.

    Na verdade, para contar a história a vocês, quando eu era bebê, fui batizado com algumas gotas de água aspergidas sobre minha cabeça. Eu não sabia nada a respeito. Talvez tenha chorado depois; não sei. Mas fui batizado.

    Então, depois de ser salvo, as pessoas começaram a me dizer que eu deveria ser batizado por imersão. Eu discutia com elas. Dizia: “Não, já fui batizado. Ainda que tenha sido apenas uma aspersão de algumas gotas de água sobre minha cabeça, fui batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Eu honro o Seu nome. Não posso desonrar o nome do Senhor”.

    Esse era meu argumento. Repetidas vezes, as pessoas falavam comigo sobre o batismo, e eu sempre argumentava contra elas. Mas, irmãos e irmãs, enquanto lia a Bíblia, comecei a ver que a imersão é a única forma de batismo, porque nos fala de morte, sepultamento e ressurreição.

    Lembro-me da última vez em que discuti sobre isso com um amigo. Ele argumentava comigo, e eu respondia com meus argumentos. Por fim, desistiu de mim. Achou que eu não tinha jeito e foi dormir.

    Fiquei sentado ali, sozinho, orando. Disse: “Senhor, Tu sabes que serei batizado por imersão, mas este não é o momento, porque ainda sou menor de idade. Amo meu pai. Meu pai é pastor. Amo meu pai. Não quero preocupá-lo”.

    Disse ao Senhor: “Depois que me tornar independente, então serei batizado por imersão”. Mas, de repente, uma voz veio a mim:

    Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não pode ser Meu discípulo.

    Isso me quebrantou. Eu sempre quis ser discípulo de nosso Senhor Jesus. Então disse ao Senhor: “Se este é o Teu caminho, eu o seguirei”.

    Desci do apartamento de meu amigo e bati à porta ao lado, onde morava o irmão Watchman Nee. Ele desceu e abriu a porta. Conhecia-me e perguntou: “O que você quer?”. Eu disse: “Quero ser batizado”.

    Ele perguntou: “Seu pai sabe disso?”, porque conhecia meu pai. Eu disse: “Não, mas sinto que o Senhor me disse para fazê-lo”.

    Irmãos e irmãs, creio que vocês têm experiências como essa. O Senhor começará a trabalhar em sua vida para levar suas emoções aos pés de Jesus. Suas emoções estão aos pés de Jesus?

    A obra do Espírito Santo na mente e na vontade

    Não apenas nossas emoções, mas também nossa mente. Vocês leram a história em Mateus 16. Depois que Pedro reconheceu Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Senhor disse:

    Tu és Simão; tu és Pedro.
    Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Vocês sabem como Pedro ficou exultante. Mas, depois disso, o Senhor começou a lhes dizer que iria a Jerusalém, que seria morto e que, ao terceiro dia, ressuscitaria.

    Vocês sabem o que Pedro fez. Pedro segurou o Senhor. Vocês podem imaginar a cena. Ele segurou o Senhor e O sacudiu, dizendo: “Senhor, nunca faças isso. Tu não deves agir assim”.

    Vocês se lembram de que o Senhor Se voltou e disse:

    Para trás de Mim, Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    Irmãos e irmãs, nossa mente precisa ser tratada, para que todos os nossos pensamentos sejam levados aos pés de Jesus.

    Não apenas nossa mente, mas até mesmo nossa vontade. Deus nos criou com uma vontade — uma vontade independente —, mas deseja que essa vontade seja rendida a Ele.

    Vocês conhecem a cena em Lucas, quando nosso Senhor Jesus estava no jardim do Getsêmani, e como Ele orou:

    Se for possível; contudo, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Irmãos e irmãs, sua vontade está sendo levada aos pés de Jesus, ou vocês ainda conservam sua própria vontade independente? Quando Deus começa a lhes mostrar qual é a Sua vontade, vocês se recusam porque têm sua própria vontade?

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, a vida cristã é muito real. Em nosso viver diário, o Espírito Santo que habita em nós está nos trazendo de volta ao Senhor Jesus.

    Todo o nosso ser será gradualmente levado aos pés de Jesus. Isso é levar todas as coisas aos pés de Cristo, e essa é nossa obra.

    Portanto, irmãos e irmãs, não pensem apenas na obra exterior. Há uma obra interior mais importante do que a obra exterior: que cada um de nós leve todas as coisas de sua vida aos pés de Jesus, para que o propósito eterno de Deus seja cumprido em nós.

    Alguns queridos irmãos e irmãs talvez pensem que essas são pequenas coisas, mas elas são tão importantes. Que o Senhor nos ajude a realmente viver em harmonia com o propósito eterno de Deus a respeito do homem.

    Vamos orar.

    Amado Senhor, compartilhamos estas coisas simples, mas elas são tão necessárias e importantes aos Teus olhos. Senhor, oramos para que não negligenciemos nossa vida interior. Não permitas que estejamos tão envolvidos em obras exteriores que nos esqueçamos de que há uma obra interior que o Teu Espírito está realizando em cada um de nós.

    Portanto, Senhor, nós nos entregamos a Ti e dizemos: “Senhor, pelo Teu Espírito, guia-nos e conduz-nos, para que possamos levar todas as coisas de nossa vida aos pés de Jesus, a fim de que o Teu propósito eterno seja cumprido”. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.