Bem, bom dia.
Há um pouco de eco, não é? Melhorou? Ainda há um pouco de eco. Enquanto ele resolve isso, acho impressionante que ontem tenha feito quase 23 graus e estejam falando de outra nevasca para esta noite. Para mim, já chega de inverno. Mas é realmente impressionante ter o privilégio de mais uma nevasca.
Gostaria que lêssemos alguns versículos ao começarmos. 1 Coríntios 10:16. Acho que vocês conhecem esse versículo, mas, na verdade, foi exatamente isso que acabamos de fazer à Mesa do Senhor.
O cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue do Cristo, ou a participação no sangue do Cristo?
O pão que partimos não é a comunhão, ou a participação, do corpo do Cristo?
Porque nós, sendo muitos, somos um só pão, um só corpo; pois todos participamos daquele único pão.
Agora, outros dois versículos que sei que vocês conhecem, em Efésios 1:22-23. Falando do Senhor Jesus:
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés e O deu como Cabeça sobre todas as coisas à assembleia, ou igreja,
Que é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Agora, apenas mais dois versículos: 1 Coríntios 12:12-13.
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo, assim também é o Cristo.
Pois também, no poder de um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
E, então, a conclusão dessa seção, 1 Coríntios 12:27. Gostaria que vocês prestassem atenção nesta palavra: agora.
Agora, vós sois o corpo de Cristo, e membros individualmente.
Agora, vós sois o corpo de Cristo, e membros individualmente.
Vamos orar.
Senhor, somos tão gratos por termos a Tua Palavra à qual recorrer. Somos tão gratos porque a Tua Palavra nos diz que as Tuas palavras são espírito e vida. Como precisamos dessas palavras! Como queremos, nesta manhã, ouvir palavras que sejam espírito e vida!
Mais uma vez, nós nos achegamos a Ti em dependência e dizemos, como Pedro disse naquele dia em que tantos se escandalizaram, tantos voltaram atrás porque acharam que as palavras eram duras demais:
Para quem iremos? Para quem iremos? Só Tu tens as palavras da vida eterna.
Fala conosco, Senhor. Sê bondoso para conosco. Tu fizeste a maior descida de todos os tempos quando desceste e vieste a esta terra, quando foste Deus conosco. Mas agora, Senhor, pedimos que mais uma vez desças, estejas conosco e nos fales em Tua Palavra, para que ouçamos o que o Espírito diz às igrejas.
Pois pedimos no precioso nome do nosso amado Senhor Jesus, e por amor a Ele. Amém.
Bem, acho que a esta altura vocês sabem que temos compartilhado sobre essa questão da comunhão. Dissemos que é um tema vasto. Na verdade, acho que é tão vasto que levará uma vida inteira para descobrirmos o que essa questão da comunhão realmente significa — quanto está envolvido nela.
Na verdade, creio que levará uma eternidade para descobrirmos a plenitude do que é a comunhão. Portanto, nestas poucas ocasiões — esta é a quarta vez que compartilho —, estamos apenas começando a explorar o assunto. Mas espero que vocês pelo menos levem algumas das coisas que foram compartilhadas e voltem a meditar e considerar, em seus momentos pessoais, quão vasto é esse assunto e o que o Senhor nos deu ao abrir para nós essa comunhão com o Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Não me cansarei de dizer isso e de repetir aquela citação do nosso irmão T. Austin-Sparks. Acho que é uma citação muito boa. Ele disse: “Comunhão — esse é um assunto profundo e inesgotável —, comunhão com Deus”. Então fez uma pausa e disse novamente: “Comunhão com Deus. É um assunto profundo e inesgotável”.
Vocês sabem que temos compartilhado sobre isso. Esta é a quarta vez, e creio que será a última. A primeira foi sobre a comunhão experimentada à Mesa do Senhor. Já fizemos isso hoje.
Nosso tempo à Mesa não deve ser apenas algum tipo de ritual que repetimos semana após semana, mas deve ser uma experiência real e viva da comunhão que temos com Deus Pai e Deus Filho à Mesa. É a própria experiência da comunhão.
Este cálice que tomamos não é a bênção, a comunhão, a participação no sangue do Senhor Jesus? Este pão que comemos não é a bênção, a comunhão? É uma bênção da qual nos aproximamos.
Falamos um pouco sobre a igreja primitiva e sobre como o próprio propósito de suas reuniões era essa questão do partir do pão no Dia do Senhor. Eles se reuniam no primeiro dia da semana com essa intenção, com esse propósito. Conheciam tão bem o que era essa experiência à Mesa do Senhor. Era a razão de se reunirem no início da semana e o propósito de sua reunião.
Falamos sobre a preparação, talvez vocês se lembrem. Acho que não devemos nos esquecer disso, irmãos e irmãs. A preparação é vital quando se trata de experimentar a comunhão à Mesa do Senhor. Se você vier despreparado, sem dedicar tempo para colocar o coração em ordem, refletir e estar na presença do Senhor, isso ficará aquém de uma experiência de comunhão. Portanto, a preparação é muito importante.
E falamos sobre a prática de nossas reuniões — como devemos vir e participar. Mas uma parte principal do que vocês veem nas Escrituras é a participação dos santos: como eles se envolviam, como davam a sua contribuição, e cada um tinha um cântico, um hino e uma palavra.
É isso que devemos fazer. Devemos participar quando nos reunimos, e não devem ser apenas alguns. A participação deve ser plena, e não restrita a uns poucos.
Na segunda vez, falamos sobre a comunhão suprema. Orei bastante sobre qual palavra poderia me ajudar a expressar esse vasto assunto da comunhão, e compartilhei essa expressão: comunhão suprema.
Isso tinha mais a ver com esse privilégio e com o propósito que temos. Que privilégio! Que privilégio supremo! Que propósito supremo: Deus é fiel, e Ele nos chamou para a comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ele teve de pagar o preço supremo para que pudéssemos viver nessa comunhão. Ele mesmo, Que nunca havia conhecido uma comunhão interrompida, experimentou na cruz trevas absolutas e o rompimento da comunhão com o Pai, para que você nunca tenha de experimentar esse rompimento. Esse é o preço supremo.
Falamos sobre a provisão — a provisão suprema. Ele não apenas nos chamou à comunhão e nos deixou entregues aos nossos próprios recursos, mas colocou dentro de nós a Sua própria vida divina. Que provisão suprema temos: podemos viver esta vida cristã não por causa de nossos próprios recursos, nossos próprios talentos ou nosso próprio esforço, mas pela esperança da glória que está em nós, que é Cristo em nós. Esse é o privilégio supremo.
Então falamos sobre o propósito supremo. Gosto muito daquela expressão na versão King James, em Efésios 3:9-10, que fala da comunhão do mistério. Quando o Senhor Jesus veio e a revelação foi dada aos Seus, Deus finalmente revelou algo de Seu coração, algo que, em última análise, estivera no coração de Deus por toda a eternidade.
Tanto é assim que, em uma passagem, aparece esta expressão: o propósito eterno. Isso era segundo o propósito eterno de Deus. Ele abriu para nós a comunhão do mistério.
Na última vez, sei que alguns de vocês talvez se lembrem, falamos sobre a comunhão divina. Naquela mensagem, critiquei um pouco a mim mesmo. Às vezes, pensamos que comunhão é qualquer coisa que fazemos, desde que seja com cristãos. Bem, isso não é verdade.
Comunhão é, na verdade, compartilhar o Senhor Jesus, ter em comum o Senhor Jesus. Agora, quando estamos com os crentes, quando estamos com os cristãos, devemos ter comunhão; mas isso não significa que tudo o que fazemos — socialmente, nos negócios ou em qualquer outra atividade — seja comunhão.
Na verdade, procurei outra palavra, e a palavra que o Senhor colocou em meu coração foi comunhão divina. Ela é divina. É o Senhor Jesus. É a Sua vida. É compartilhar a Sua vida.
Lemos em 1 João que essa comunhão é com o Pai e com o Filho, e é no Espírito. Essa comunhão tem um aspecto duplo. João usa esta expressão em 1 João:
Comunhão com Ele.
Ele também usa esta expressão no versículo seguinte, ligada à anterior, mas distinta dela:
Comunhão uns com os outros.
Portanto, essa comunhão — essa comunhão divina — tem dois aspectos: vertical, com Deus, e horizontal, uns com os outros. A menos que estejamos experimentando ambos os aspectos dessa comunhão, não estamos experimentando a comunhão divina.
Ouço pessoas o tempo todo, e sei que vocês também ouvem, falando sobre sua comunhão com Deus. E você deve ter comunhão com Deus. Você precisa ter comunhão com Deus. Mas, a menos que tenhamos comunhão uns com os outros, essa não é uma comunhão plena.
João usou três palavras muito importantes para descrever essa comunhão: vida, luz e amor. Não é a sua luz; é a luz Dele. O salmista disse:
Na Tua luz vemos a luz.
Não é a sua vida; é a vida Dele.
Na verdade, João usa uma expressão específica. Ele a chama de a vida eterna. É a vida que está no Filho. E prossegue dizendo:
Quem tem o Filho tem a vida.
Se não tendes o Filho, não tendes a vida.
É luz divina, vida divina e amor divino. Trinta e duas vezes, de maneira marcante naqueles cinco breves capítulos, João falou sobre o amor. Não era o nosso amor. É o amor ágape. É o amor Dele. É o amor divino.
Em última análise, esse amor e essa vida devem se manifestar por meio de nós, e serão a evidência que confirma ou condena, mostrando se estamos ou não na comunhão. É por isso que João diz repetidamente:
Sabemos que passamos da morte para a vida se temos amor pelos irmãos.
Não é o nosso esforço para amar os irmãos. É o amor divino manifestado em nós para com os irmãos que evidencia que estamos na comunhão. A Palavra diz que, se amamos o mundo, não amamos a Deus. Essa é uma evidência que nos condena.
Mas, se amamos uns aos outros, sabemos. Porque como podemos amar a Deus, a Quem não vemos, e não amar os irmãos, a quem vemos? Sabemos. Essa expressão aparece no texto.
Foi isso que compartilhamos. Hoje vamos compartilhar sobre a comunhão expressa, porque acho que, no fim das contas, podemos falar dessas coisas, e elas podem se tornar apenas conhecimento intelectual.
Em última análise, se vocês me permitirem usar essa expressão novamente, a comunhão deve ser expressa. No fim, ela deve ser expressa. Não é apenas algo que devemos conhecer. Não é apenas algo sobre o qual devemos falar. Não é apenas algo sobre o qual fazemos estudos bíblicos. Ela deve ser expressa no tempo e no espaço entre aqueles que conhecem o Senhor Jesus.
É isso que a comunhão deve ser. Algo impressionante. Gostaria de abordar o assunto desta maneira.
Quando o Senhor Jesus veio à terra, foi algo impressionante. Acho que vocês reconhecem isso. O Senhor Jesus foi comprimido em uma forma humana, se posso usar essa palavra — comprimido em uma forma humana. Isso é, a meu ver, a limitação máxima. Não consigo imaginar uma limitação maior.
Quando vocês leem as palavras que dizem que Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, de alguma maneira o Senhor Jesus era Deus entre nós. Isso me impressiona. Ele foi comprimido nessa forma.
Acho que foi o irmão Mac quem leu Filipenses 2:7 durante a reunião. Talvez fosse bom abrirmos nessa passagem. Acho que foi você, Mac, não foi?
Isso está falando do Senhor Jesus. Comecemos no versículo 6:
O Qual, subsistindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo de que devesse Se apoderar;
Mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de escravo, assumindo a semelhança dos homens;
E, tendo sido encontrado em figura como homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
Ouçam isto. É um pensamento extraordinário:
Tendo sido encontrado em figura como homem.
Deus Todo-Poderoso, Emanuel — Deus conosco — humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
Agora, não se trata simplesmente de ter sido feito na forma de homem. Como o irmão Darby explica em suas notas, trata-se de tornar-Se, porque Ele Se tornou algo que não era. Esse Deus de glória, esse Deus Todo-Poderoso Que fez todas as coisas, por Quem todas as coisas se mantêm unidas — e em Quem está corporalmente toda a plenitude da Divindade — foi comprimido nessa forma humana.
Acho isso tão difícil de assimilar. No entanto, era o próprio propósito de Deus que, nessa forma comprimida e limitada, Ele expressasse a Sua plenitude. Esse é o segredo.
Não foi que Ele veio nessa limitação extrema e deixou de expressar Quem Ele era. Se você ler a Palavra de Deus com muita atenção, começará a descobrir que, nessa limitação máxima, Ele expressou tudo o que era.
Vejam comigo João 1:14, e tentarei convencê-los:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória.
Vimos a Sua glória. Não foi que essa forma limitada na qual o Senhor Jesus veio, tornando-Se homem, encobriu a Sua glória a ponto de não podermos vê-la. Pelo contrário:
Contemplamos a Sua glória, como a do Unigênito junto ao Pai, cheio de graça e de verdade.
Irmãos e irmãs, nessa forma limitada, nessa limitação infinita, se assim podemos dizer, nesse vaso limitado, vimos a plena expressão do que era a comunhão. Ele andou na terra em constante comunhão com o Pai, e nunca esteve sem comunhão com o Pai.
Na verdade, Ele fez aquela declaração gloriosa:
Estou no seio do Pai.
Agora, como Ele poderia estar no seio do Pai se estava comprimido naquela forma humana e andando sobre a terra? Porque Ele conhecia a verdadeira comunhão: ininterrupta, indivisa, plena.
E ela foi plenamente expressa naquela forma limitada.
Vejam o final do Evangelho de João. Acho que esse é um versículo que lemos muitas vezes, e gosto muito dele. João 21:24-25:
Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.
Há também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se fossem escritas uma por uma, suponho que nem mesmo o próprio mundo conteria os livros escritos.
Essa é a plenitude da comunhão que Ele expressou nessa forma. Espero que vocês compreendam. Vou insistir nesse ponto até que compreendam, e espero que nos lembremos dele. Nessa forma humana limitada, Ele expressou tamanha plenitude que, mesmo que todas as coisas que fez fossem escritas e colocadas em livros, nem o próprio mundo poderia conter esses livros.
Vocês talvez pensem que a Biblioteca do Congresso é um lugar grande, e é mesmo — com todos os livros que ela contém. Mas o apóstolo João fez uma declaração extraordinária ao dizer que nem mesmo o próprio mundo poderia conter os livros.
Em outras palavras, era o propósito de Deus que, nessa forma limitada em que Ele veio, expressasse a plenitude do que era a comunhão. É disso que quero que vocês se lembrem. É um ponto muito importante, e, se perderem esse ponto, ficarão perdidos no restante da mensagem. Portanto, por favor, procurem se lembrar dele; isso ajudará.
Era a mais severa limitação, e, ainda assim, algo tremendo aconteceu. Vejam Colossenses 2:9. Acho que vocês conhecem esse versículo. Talvez tenha sido lido nesta manhã; não me lembro.
Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade.
Ouçam o que é acrescentado: corporalmente. Irmãos e irmãs, o apóstolo poderia ter deixado de fora essa última palavra, e concordaríamos com ele. Diríamos que é verdade:
Nele habita toda a plenitude da Divindade.
Na verdade, muitas vezes, quando cito esse versículo, paro aí. Mas o mistério disso, o mistério dessa comunhão expressa, era:
Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade.
Algo deveria ser expresso naquela forma limitada, e esse era o propósito supremo de Deus.
Essa é a primeira cena: quando o Senhor Jesus vem. A segunda cena está no livro de Atos, e creio que vocês verão como o Senhor está fazendo a mesma coisa em nossos dias.
Vejam Atos 1:1. É Lucas, o médico, quem escreve:
Compus o primeiro relato, ó Teófilo, acerca de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar.
Agora, este é o ponto que quero destacar. O Senhor Jesus, quando esteve na terra — vamos falar por um momento do Evangelho de Lucas antes de falarmos do livro de Atos —, expressou a comunhão na forma mais limitada, e, ainda assim, a plenitude foi expressa por meio de Seu corpo humano. Foi isso que Ele fez.
Mas, na segunda cena, no livro de Atos escrito por Lucas, ele mostra como o Senhor deseja continuar a expressar a Si mesmo e a expressar essa comunhão. Ele escolhe um corpo espiritual, e esse corpo é o corpo de Cristo.
Em outras palavras, no Evangelho de Lucas, quando o Senhor andou sobre a terra, Ele começou a fazer e a ensinar. Mas, quando chegamos ao livro de Atos, no corpo de Cristo — Seu corpo espiritual, não Seu corpo humano —, Ele continua a fazer e a ensinar.
Esse é o mistério da comunhão. Ele escolheu vir naquela forma limitada para mostrar, nessa forma limitada, tudo o que poderia expressar de Si mesmo. Nessa segunda cena, no livro de Atos, Ele escolheu outra forma limitada — um corpo espiritual.
Nesse corpo espiritual, a igreja, o corpo de Cristo, Ele escolhe expressar novamente a plenitude em comunhão. Agora, vocês entenderam? O padrão é o mesmo. Primeiro, em Seu corpo humano. Depois, em Seu corpo espiritual. Esse é o mistério da comunhão.
Entre todas as coisas que Ele poderia ter escolhido para expressar a plenitude da comunhão, haveria inúmeras possibilidades que poderíamos imaginar. Poderiam ser as hostes celestiais. Poderia ser qualquer coisa que pudéssemos imaginar. Mas, em vez disso, Ele escolheu um corpo humano e, depois, escolheu um corpo espiritual. É isso que significa a comunhão expressa.
Agora, pessoalmente, acho que nós somos uma limitação muito maior para o Senhor Jesus do que Seu corpo humano foi. De alguma maneira, naquela limitação comprimida, Ele conseguiu expressar a plenitude de Deus. De alguma maneira, pudemos ver a glória de Deus, cheia de graça e de verdade.
Mas, nessa segunda cena, vemos outra escolha, de outro corpo, e esse corpo é a igreja, o corpo de Cristo. Parece-me que limitamos o Senhor muito mais do que Seu corpo humano realmente O limitou. Para mim, essa é a mais severa das limitações.
No entanto, no propósito de Deus, não deve ser assim. Se vocês olharem Efésios 1, verão um versículo que já lemos. Ouçam o que ele diz sobre o corpo:
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés e O deu como Cabeça sobre todas as coisas à assembleia, à igreja,
Que é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
É isso que a igreja deve ser. É isso que o corpo de Cristo deve ser. Deve ser a plenitude Daquele Que enche tudo em todos. Ele escolheu intencionalmente esse vaso — Seu corpo, Seu corpo espiritual, nessa segunda cena — para expressar a comunhão de uma maneira para a qual não escolheu nenhum outro vaso.
Esse é um pensamento extraordinário.
Isso me faz lembrar de 1 Coríntios 15. Não vou ler esses versículos por causa do tempo. Vocês sabem que, em 1 Coríntios 15, o apóstolo Paulo está falando sobre a ressurreição e apresenta um princípio. Ele está falando sobre o corpo humano e diz:
Primeiro o natural, depois o espiritual.
É um princípio.
Por um tempo muito breve, temos este corpo natural. Mas, se pertencemos ao Senhor, teremos um novo corpo, e esse novo corpo é um corpo espiritual. Teremos esse corpo espiritual na ressurreição.
Bem, ele está estabelecendo um princípio. É como se o Senhor estivesse nos dizendo: “Em Minha primeira manifestação, tive um corpo humano por um tempo muito breve, até a ressurreição. Mas, na ressurreição, algo mudou. Agora tenho um corpo diferente. É um corpo espiritual. É a igreja. É a assembleia. É o corpo de Cristo, e escolhi expressar a Minha plenitude por meio desse corpo novo e espiritual”.
Para mim, isso resume o Evangelho de Lucas e o livro de Atos: a diferença entre Sua primeira vinda e Sua manifestação para expressar a comunhão por meio do corpo de Cristo.
Acho isso tremendo. Vocês talvez pensem que isso é elevado demais. Talvez pensem que seja algo para as eras vindouras. Talvez pensem que seja irreal demais o Senhor Jesus escolher esse vaso para ser o vaso de expressão da comunhão. Mas Ele escolheu.
Se vocês lerem Efésios 3:9-10, que já lemos antes, verão que diz:
E fazer todos verem qual é a comunhão do mistério, que desde o princípio do mundo esteve oculto em Deus, Que criou todas as coisas em Jesus Cristo:
Para que agora, aos principados e potestades nos lugares celestiais, seja dada a conhecer, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus, segundo o propósito das eras.
Agora, ouçam isto com atenção:
Para que agora.
Assimilem esse pensamento. Não é apenas a intenção de Deus manifestar por meio do corpo o que a comunhão realmente é, mas fazê-lo agora. Essa é a diferença.
Essa é uma palavra de enorme importância. Não é para esperar até mais tarde. Ele escolheu esse corpo espiritual limitado para expressar Quem Ele é agora.
Acho que devemos ficar maravilhados diante disso. Acho que devemos ser tomados pela adoração ao pensar que, de alguma maneira, o Senhor da glória nos escolheu para sermos a expressão dessa comunhão. Acho que isso é quase grandioso demais para assimilar.
Mas, se vocês lerem a Palavra e compreenderem Seu propósito, verão que é verdade. Esse corpo de Cristo não deve ser uma organização sem vida — ou, pior ainda, apenas um rótulo, como às vezes fazemos dele. Deve ser um organismo vivo que expressa a plenitude que existe somente no Senhor Jesus.
Agora, deixem-me compartilhar um pouco daquilo que realmente pesa em meu coração. Acho que precisamos enxergar essa expressão da comunhão e entrar nela.
Acho que muitas vezes temos, deixe-me colocar desta maneira, um conceito do corpo de Cristo, mas não temos uma consciência real do corpo de Cristo.
Muitas pessoas, especialmente hoje — desde os anos setenta, ou provavelmente até um pouco antes —, falam incessantemente sobre o corpo de Cristo. Se vocês pensarem a respeito, grande parte disso se limita a uma compreensão intelectual do que é o corpo de Cristo.
Meu grande receio é que tenhamos apenas um conceito do que é o corpo de Cristo, quando creio que aquilo de que precisamos — uma verdadeira expressão da comunhão — é uma consciência viva do que é o corpo de Cristo.
Esse pensamento me ocorreu há algum tempo, e lembro que fiquei muito animado ao ler o livro do irmão Nee, O Corpo de Cristo: Uma Realidade, porque o irmão Nee confirmou aquilo de que eu tinha convicção em meu coração: nosso problema é que temos um conceito, mas não temos uma consciência viva.
Se tivéssemos uma consciência viva, tudo seria diferente. Seria completamente diferente.
O irmão Nee disse: “Todos os que conhecem a vida do corpo de Cristo terão uma consciência do corpo de Cristo. Se você realmente viu o corpo, não pode deixar de ter uma consciência dele, porque a vida em você, sendo uma realidade e uma experiência, não pode deixar de manifestar essa consciência”.
Precisamos de uma consciência viva. Ele disse: “A expressão mais característica da vida é a consciência”. Vocês sabem: se você não tem consciência, está morto.
Lembro-me do que aconteceu com Linda, naquele dia em que vieram falar comigo no hospital e disseram: “Ela não está mais consciente”.
É uma daquelas conversas em que o médico vem, pede que você se sente e olha para você do outro lado da mesa. Ele hesita, você fica se perguntando o que está acontecendo, e então ele diz que não há resposta.
Mas lembro que ela me contou que estava consciente. Eles estavam cutucando os dedos dos pés dela. Estavam pressionando seu corpo. Diziam a ela: “Você está nos ouvindo? Está nos ouvindo?”. E ela me contou que achava que estava falando com eles, mas eles não conseguiam ouvi-la.
Ela tinha consciência. Por fim, continuaram tentando. Traziam o cardiologista, traziam o pneumologista, traziam este e aquele especialista, deixando-me no quarto.
Então chegaram perto dela e disseram com firmeza: “Você está aí? Está aí? Vai responder?”. E ela disse: “Talvez eu responda, talvez não”.
Se vocês conhecem minha esposa, essa é uma expressão perfeita de quem ela é. Ela estava zangada com eles porque tinham cortado uma camiseta que Jessica lhe dera.
Então, nós pensávamos que ela estava morta, mas ela estava consciente. O que precisamos é de uma consciência viva.
Se você perder essa consciência viva de que está no corpo de Cristo, não haverá expressão de comunhão. Você precisa ter consciência. É absolutamente necessário.
O irmão Nee prosseguiu dizendo — ouçam isto com muita atenção. Anotei essas citações e ponderei cuidadosamente o que ele estava dizendo:
Ouvir o ensino e ver a realidade do corpo de Cristo pertencem a dois âmbitos diferentes. Ouvir o ensino sobre o corpo é apenas uma compreensão exterior de um princípio, enquanto ver o corpo de Cristo produz uma consciência interior.
Que o Senhor nos livre de um mero conceito. Que o Senhor nos livre de uma compreensão apenas intelectual do que Deus deseja, e que o Senhor nos dê uma consciência viva daquilo para o qual fomos chamados.
Se tivermos essa consciência viva, a comunhão será expressa. Sem essa consciência viva, não sei como dizer de maneira mais branda, mas você está morto. Entendem? A consciência é a primeira coisa de que precisamos.
Bem, há três coisas nas quais quero que realmente nos concentremos hoje, se pudermos. A primeira é o fato. Acho que os fatos são muito importantes. A segunda é a forma. Acho que precisamos compreender o que é esse corpo de Cristo. E a terceira é o funcionamento.
Acho que, no fim das contas, o problema em relação ao corpo de Cristo é que há tão pouco funcionamento. Há muita compreensão, mas não há muito funcionamento. Por isso escolhi deixar esse ponto para considerarmos por último.
Portanto, três coisas: o fato, a forma e o funcionamento.
Os fatos são coisas muito importantes. Precisamos ter consciência do fato do corpo de Cristo, ou nunca haverá comunhão expressa.
Lembro-me de outra coisa, de anos atrás, quando eu era um jovem cristão, e só a menciono porque fui muito ajudado por esse irmão. Mais uma vez, o irmão Nee disse:
E vós examinais as Escrituras.
Precisamos enxergar o fato do Espírito Santo.
Você precisa saber quais são os fatos. Se souber quais são os fatos na Palavra de Deus, a fé poderá vir em seguida, e a comunhão poderá ser expressa. Mas, se não souber quais são os fatos na Palavra de Deus, a fé nunca poderá vir em seguida. Ela estará fundamentada em alguma ideia que não se baseia na Palavra de Deus, e certamente a comunhão nunca será expressa.
Portanto, essas coisas são importantes. Precisamos conhecer os fatos.
Lembro-me de ter crescido no que se chamou de geração da televisão. Vocês já me ouviram dizer isso. Acho que já ouviram Jim dizer isso também. Havia um programa de televisão. Dizem que foi a série policial mais popular de toda a história da televisão, acreditem ou não. Era o programa Dragnet.
Vocês se lembram de que havia um personagem, o sargento Joe Friday. Alguns de vocês não se lembram disso; eram jovens demais. Ah, talvez tenham visto as reprises.
O sargento Joe Friday era conhecido por um bordão naquele programa. Ele dizia: “Só os fatos, senhora”. Era tudo o que Joe Friday queria. Na verdade, o curioso é que ele nunca disse exatamente isso. Disse algo parecido, mas nunca disse essas palavras.
Mas tudo o que interessava a Friday, ao falar com uma testemunha ou um suspeito, era: “Quais são os fatos? Quais são os fatos?”. Se conhecemos os fatos, então sabemos o que somos. Se conhecemos os fatos, podemos nos firmar neles. Se você não conhece os fatos, não tem em que se firmar.
Portanto, quando estudarem a Palavra de Deus, procurem os fatos. São coisas muito importantes. São essenciais.
Aqui está o primeiro fato. Voltem a 1 Coríntios 12:27. Acho que esse é um fato essencial.
Comecem por esta única palavra. Ela é muito importante. Já lhes disse que era uma palavra importante: agora.
Agora, vós sois o corpo de Cristo, e membros individualmente.
Notem que esse foi o resumo do que o apóstolo Paulo tinha a dizer aos coríntios sobre o corpo de Cristo. Aliás, esse capítulo, 1 Coríntios 12, é o principal capítulo de toda a Bíblia a respeito do corpo de Cristo. É a principal explicação do que é o corpo de Cristo.
Ele resume todo o seu pensamento com este único fato:
Agora, vós sois o corpo de Cristo.
Não mais tarde, não algum dia, não como uma expectativa, mas agora vocês são o corpo de Cristo. Esse é um fato muito importante.
Não é uma esperança futura, mas uma realidade presente. Talvez não estejamos expressando a comunhão muito bem, mas é uma realidade presente. É agora. Não é mais tarde. Deve ser agora.
Agora, pensem nisso. Ele diz:
Agora, vós sois o corpo de Cristo.
Pode haver algo mais precioso para uma pessoa do que seu próprio corpo?
O Senhor Jesus nos escolheu. Ah, deixem-me voltar um pouco. Ele não nos chama de Sua biblioteca. Vocês perceberam isso? Ah, podemos estar cheios de conhecimento de livros. Mas Ele nos chama, dessa maneira extraordinária, de Seu próprio corpo.
Não há nada mais pessoal para você. Não há nada mais íntimo. Não há nada mais próximo. Não há nada mais ligado a você — pelo menos, espero que esteja ligado a você — do que seu corpo.
O Senhor Jesus disse agora, por meio do apóstolo Paulo:
Vós sois o corpo de Cristo.
Não é um privilégio extraordinário?
Efésios 5 diz que Ele o ama, cuida dele e o alimenta. Não poderia haver nada mais próximo de você. Com todas as suas falhas, seu próprio corpo é o que há de mais próximo de você. Ele nos escolheu para sermos o corpo de Cristo, para que fôssemos o que há de mais próximo Dele.
Se vocês pensarem a respeito, meu corpo deve ser a expressão de quem eu sou. Vocês me conhecem pelos meus gestos. Não me conhecem pelos meus pensamentos — vocês nunca ouvem meus pensamentos —, mas me conhecem pela expressão deles. Vocês me conhecem pela maneira como falo, pela maneira como ando, pela maneira como toco e pelo que faço.
Da mesma forma, Cristo deve ser conhecido dessa mesma maneira por meio desse vaso especial que Ele escolheu. Agora vocês são o corpo de Cristo. Que privilégio tremendo!
Romanos 1–8 fala sobre a vida cristã individual. É Cristo expresso. A menos que você tenha uma vida cristã individual e esteja consciente de que o Senhor Jesus vive em você, Cristo não poderá ser expresso em sua vida como indivíduo.
Romanos 9–11 fala sobre o mistério de Israel e sobre como aquela expressão que Deus escolheu manifestar por meio dos filhos de Israel foi interrompida. O apóstolo usa esta expressão:
Sobreveio um endurecimento parcial, até que entre a plenitude das nações.
Então diz:
Todo o Israel será salvo.
Não sei o que isso significa. Há pessoas que defendem — talvez você seja uma delas — argumentos ligados à teologia da substituição. Mas eu creio que, de alguma maneira, no grande mistério da comunhão, Deus usará Israel novamente, os atrairá de volta a Si mesmo, e, no reino, eles serão a nação por meio da qual Ele expressará Sua comunhão.
Nós somos o povo; eles serão a nação.
Mas então chegamos a Romanos 12. Chegamos ao ponto importante de Paulo. Vejam Romanos 12:4-5:
Porque, assim como em um só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,
Assim nós, sendo muitos, somos um só corpo em Cristo.
Observem essa palavra. Se vocês têm a versão King James, ela diz:
Assim nós, sendo muitos, somos um só corpo.
Esse é o fato. Assim, somos um só corpo em Cristo, e somos aquilo que deve estar mais próximo Dele, a expressão de tudo o que Ele é e a revelação desse mistério da comunhão.
Agora, esse é o primeiro fato. É algo que vocês precisam enxergar. O segundo fato é que há um só corpo.
Se vocês olharem 1 Coríntios ou Romanos, descobrirão este único fato explícito: há somente um corpo. Na verdade, às vezes cometemos um erro, porque dizemos: “Eu me reúno com um corpo aqui”, ou: “Eu me reúno com o corpo ali”. Na realidade, há somente um corpo.
Todos nós somos membros. Todo crente é membro desse único corpo. Mas esse único corpo é expresso em uma assembleia local, ou em uma igreja local. É ali que a comunhão encontra expressão.
Vocês não podem simplesmente falar sobre a igreja universal e dizer que ela é o corpo de Cristo. Isso é verdade. É um fato. Há somente um corpo. Não há dois corpos, nem três corpos, nem um corpo chinês, nem um corpo americano, nem um corpo afro-americano. Há somente um corpo em Cristo.
Quando nos reunimos localmente, devemos ser a plena expressão da comunhão desse único corpo. Em outras palavras, esse único corpo deve ser expresso na localidade.
Se vocês olharem as duas explicações do Senhor sobre o que é a igreja, verão em Mateus 16 como Ele fala a Pedro sobre Sua igreja:
Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Esse é o conceito do corpo de Cristo em uma compreensão universal. Mas vocês precisam ir a Mateus 18:20, onde Ele fala novamente sobre a igreja e diz:
Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Esse é o lugar onde essa ideia, essa realidade, esse fato de que somos o corpo de Cristo deve ser expresso em plenitude: na assembleia local.
Algumas pessoas têm pouco envolvimento com a assembleia local. Não dão muita importância às assembleias locais. Gostam de falar sobre como estão no corpo de Cristo, mas, se tudo o que vocês compreendem é esse entendimento universal — que são um entre as gerações de crentes —, nunca entrarão na expressão da comunhão.
Isso acontece somente quando vocês entram em Mateus 18. É somente ali que um irmão pode pecar contra você. É somente ali que o Senhor diz:
Estou no meio de vós.
É somente ali, como vocês leem em 1 Coríntios, que os incrédulos entrarão no meio da assembleia e dirão:
Certamente Deus está no meio de vós.
Essa é a expressão local do corpo de Cristo, e é um fato essencial. O corpo é um só, mas deve ser expresso em um contexto local para que a comunhão possa ser expressa.
Nós nos firmamos nesse fato sagrado da unidade do corpo de Cristo. Nós nos firmamos nele porque declaramos que o Cristo não está dividido. Todo irmão e toda irmã em Cristo, onde quer que estejam, são seu irmão e sua irmã.
Mas nós nos reunimos para manifestar a comunhão de maneira concreta. Entendem? Vocês não podem deixar isso de fora. Se deixarem isso de fora, não conseguirão compreender dois terços do Novo Testamento, porque dois terços do Novo Testamento foram escritos como cartas às assembleias locais, tratando de como deveriam viver e se comportar.
Se vocês deixarem esse aspecto, esse fato, de fora, a comunhão nunca será expressa.
Bem, acho que vocês entenderam. Se viverem apenas em Mateus 16:18, terão apenas um conceito. Mas, se viverem em Mateus 18:20, terão uma consciência.
Às vezes, essa consciência é bastante incômoda. Às vezes, você descobre que um irmão pode pecar contra você. Às vezes, descobre que pode se sentir ofendido. Às vezes, descobre que não é o preferido do rebanho e, de repente, não recebeu o lugar que esperava, e fica se perguntando por quê.
É ali que a comunhão deve ser expressa.
Há um terceiro fato: como nos tornamos membros do corpo de Cristo? O corpo de Cristo é um organismo vivo, não uma organização.
Há somente duas maneiras de se tornar membro do corpo de Cristo. Esse fato é absolutamente importante. Você precisa nascer nele e precisa ser batizado nele.
Agora, entendam: não estou falando do nascimento natural, e certamente não estou falando do batismo nas águas. Se vocês olharem as Escrituras, verão com muita clareza como alguém se torna membro do corpo de Cristo.
Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus conversou com Nicodemos naquele encontro noturno em João 3. Ele interrompeu Nicodemos, que era alguém em busca da verdade, e disse:
Nicodemos, em verdade, em verdade te digo: a menos que nasças de novo, ou nasças novamente, não podes ver o reino de Deus.
Nicodemos ficou perplexo. Esse homem de grande capacidade intelectual, esse representante exemplar dos filhos de Israel, ficou confuso e disse:
Como pode um homem, sendo velho, voltar ao ventre de sua mãe?
O Senhor Jesus disse novamente:
Em verdade, em verdade te digo: a menos que nasças novamente, ou nasças de novo, não podes entrar no reino de Deus.
Portanto, você não pode ver nem entrar no reino de Deus a menos que nasça de novo.
A menos que você nasça de novo, nunca entrará em uma comunhão viva. Deixe-me lhe dizer isso. Quando você nascer de novo, terá consciência de ter nascido de novo. Não ficará se perguntando: “Será que nasci de novo?”.
Lembro-me do dia 4 de fevereiro de 1972. Para alguns de vocês, isso é história antiga, mas, para mim, é como se fosse ontem. Naquela noite, nasci de novo.
Lembro-me de que a nova vida do Senhor Jesus inundou meu interior. Lembro-me de voltar para casa cheio do Espírito, cantando cânticos que tinha acabado de aprender e me alegrando em uma comunhão que nunca havia conhecido. Experimentei uma consciência viva do que significava ser lavado no sangue do Senhor Jesus.
É assim que você se torna membro. A segunda maneira de se tornar membro é ser batizado no corpo de Cristo. Deixem-me explicar, porque isso não está falando do batismo nas águas.
Voltem a 1 Coríntios 12:12-13:
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo, assim também é o Cristo.
Pois também, no poder de um só Espírito, fomos batizados em um só corpo.
Irmãos e irmãs, vocês precisam ser batizados no corpo de Cristo. Portanto, quando você crê no Senhor Jesus, duas coisas acontecem com você.
Primeiro, você nasce do Espírito e se torna uma nova criação em Cristo Jesus. As coisas antigas passaram, e então você tem uma consciência viva de estar em comunhão.
Mas uma segunda coisa acontece. Ela é igualmente importante e, se você a deixar de fora, perderá o sentido dessa comunhão. Você foi batizado por um só Espírito em um só corpo em Cristo Jesus. É assim que você se torna membro do corpo de Cristo.
Quando olhamos Atos 2, gostamos de falar do que foi visto e ouvido. Gostamos de falar do fogo e das línguas. Gostamos de nos prender ao espetacular. Mas 1 Coríntios 12:13 é a explicação do que aconteceu no Pentecostes.
No dia de Pentecostes, algo tremendo aconteceu com aqueles 120 membros que eram verdadeiramente salvos e tinham consciência do que significava crer no Senhor Jesus e nascer de novo. Eles foram batizados por um só Espírito em um só corpo: não mais membros isolados, mas um só corpo em Cristo.
Esse é o fato do que aconteceu no Pentecostes.
É disso que você precisa. Você precisa compreender esse fato. Você nasceu do alto e, ao mesmo tempo — porque tudo isso acontece conosco quando cremos —, foi batizado por um só Espírito em um só corpo.
Agora, outra coisa que precisamos enxergar — e estes pontos são mais breves, mas acho que precisamos enxergá-los — é a forma do corpo de Cristo. É uma forma simples. Não é tão complicada. Gostamos de complicar demais as coisas.
É simplesmente Cabeça e corpo, unidos em uma comunhão viva, para expressar tudo o que está no coração, no pensamento, na mente e na intenção da Cabeça.
Ele é a parte mais importante do corpo de Cristo. Quando você lê a Escritura, começa a descobrir outra coisa muito importante: há uma Cabeça sobre esse corpo. Lemos isso em Efésios. Vocês podem ler em Colossenses. A Cabeça da igreja é Cristo.
Vocês podem ler em Colossenses que devemos nos apegar firmemente à Cabeça. Às vezes, a razão de haver tão pouca expressão de comunhão é que não estamos nos apegando firmemente à Cabeça. Essa é a parte mais importante.
Estamos ligados de maneira vital, e Ele é a Cabeça do corpo. Efésios 1:22 diz:
Cabeça sobre todas as coisas para a igreja.
Efésios 4 diz que Ele é a Cabeça. Efésios 5:23 diz:
Cristo é a Cabeça da igreja.
Irmãos e irmãs, essa é a parte mais importante do corpo. Tudo vem da Cabeça: Seus pensamentos, Suas intenções, Seus desejos, Sua vontade. O corpo deve simplesmente estar ligado a Ele de maneira viva, para expressar tudo o que Ele é. É isso que a comunhão é.
Vocês conseguem imaginar um corpo sem cabeça? Antes de tudo, seria grotesco. Mas acho que talvez isso seja parte do problema da igreja hoje. De muitas maneiras, ela é um corpo sem cabeça.
Estamos correndo de um lado para o outro, fazendo tudo o que achamos importante. Identificamos aquilo que consideramos atividades cristãs importantes e as realizamos à parte da autoridade de Cristo como Cabeça.
Quando, na verdade, o que devemos fazer é estar ligados à Cabeça de maneira viva e, a partir da Cabeça, expressar tudo o que Ele é. É isso que devemos estar fazendo.
Não sei. Eu detestava literatura. Não sei quantos de vocês também detestavam. Acho que essa é uma das razões pelas quais sou engenheiro. Mas eu detestava literatura e ter de ler aquelas histórias. Nunca esquecerei a história de Washington Irving sobre o Cavaleiro Sem Cabeça.
Uma história fantástica. Era a história desse cavaleiro sem cabeça, que, na verdade, era um artilheiro de Hesse cuja cabeça, segundo a lenda, havia sido arrancada por um tiro na Batalha de White Plains, em 1776. Febril e furioso, ele se levantava da sepultura todas as noites, correndo por toda a região à procura da cabeça.
Acho que precisamos procurar a Cabeça — apegar-nos firmemente à Cabeça, dar ao Senhor Jesus o Seu devido lugar, submeter-nos à Cabeça, exaltar a Cabeça —, em vez de sermos um corpo sem cabeça que faz tudo o que acha certo.
A outra parte dessa forma são os membros. Em toda parte das Escrituras que trata do corpo de Cristo, vocês verão esse pensamento expresso repetidamente: há muitos membros. Muitos membros. Todo membro é essencial.
Não são apenas alguns membros; há muitos membros. Leiam 1 Coríntios 12. Leiam Romanos 12. Descobrirão que não são apenas alguns.
Vocês descobrirão outra coisa ao ler sobre essa forma do corpo de Cristo: entre todos esses membros, há uma expressão plena de Quem Cristo é. Descobrirão que há membros que parecem ter mais honra e membros que parecem ter menos honra.
Agora, não sei o que isso significa. Algumas pessoas supõem que o apóstolo Paulo estava falando do rosto. Damos mais glória ao rosto. Vocês sabem: é sempre o rosto, a sede da beleza.
Pensem no coração por um momento. Pensem no fígado. Tentem viver sem o fígado. Pensem no estômago por um momento. Essas partes são revestidas de honra mais abundante.
Muitos membros, e cada um deles é essencial.
Às vezes, ficamos com a ideia de que a igreja é a expressão de um membro proeminente. Tudo gira em torno do ministério. Tudo gira em torno de um homem. Exaltamos o ministério de um homem e fazemos desse homem o centro.
Vocês conseguem imaginar se houvesse apenas uma grande orelha no corpo de Cristo? Conseguem imaginar? Conseguem imaginar se houvesse apenas uma grande mão no corpo de Cristo?
O apóstolo Paulo argumenta em 1 Coríntios 12 que, se essa fosse a condição, vocês não teriam o corpo de Cristo nem a comunhão expressa.
Mas ele prossegue dizendo que todo membro é essencial. Você não pode dizer: “Porque não sou orelha, porque não sou olho, não estou no corpo”. Não pode dizer isso. E também não pode dizer: “Porque você é orelha ou olho, não precisamos de você”. Esses são os dois argumentos que ele apresenta.
Todo membro do corpo de Cristo é essencial. Precisamos compreender isso. Precisamos encorajar uns aos outros, acolher uns aos outros, apoiar uns aos outros, porque, para que haja uma expressão plena da comunhão, todo membro precisa ser reconhecido como essencial.
Vocês não podem considerar que alguns não sejam essenciais. Penso no polegar opositor. É um milagre da criação de Deus. Vejam o que podem fazer com o polegar. Podem segurar coisas. Posso agarrar Jerry. Posso me segurar. Posso levantar o copo de água.
Se vocês ficassem sem o polegar por um momento, pensem na dificuldade que teriam. Podem dizer: “Não preciso de você”, mas experimentem ficar sem ele por uma ou duas semanas.
Acho que todo membro é essencial.
Vocês descobrirão outra coisa: todo membro é colocado no corpo conforme Ele deseja. Segundo o Seu agrado, diz a Palavra de Deus em 1 Coríntios 12:18:
Mas Deus colocou os membros, cada um deles, no corpo, conforme Lhe agradou.
Isso significa literalmente “colocou para Si mesmo”. Acho que às vezes estamos tentando ser como outra pessoa. Estamos sempre dizendo: “Se eu fosse como ele. Se eu fosse como ela”. Mas, irmãos e irmãs, sejam fiéis ao que vocês são. Sirvam ao Senhor sendo quem vocês são.
Você é um membro essencial do corpo, seja um membro oculto, seja alguém que você considera um membro de maior honra. Mas a Bíblia diz que Ele dá maior honra ao membro que dela carecia. Esse é um segredo.
Por fim, o segredo é o funcionamento. Estou lhes dizendo: não consigo pensar em um problema mais grave na igreja.
Se vocês olharem ao redor hoje, no corpo de Cristo, verão alguns membros fazendo muito, enquanto a maioria de nós — e escolho essas palavras com cuidado — está passiva ou paralisada.
Nós conhecemos pessoas nessa condição, e é uma vida difícil de enfrentar. Mas a maioria de nós, como membros do corpo de Cristo, está passiva — sem consciência disso, sem envolvimento — ou paralisada.
Talvez você tenha apenas um conceito, mas não esteja ligado e envolvido de maneira viva e vital.
Ou estamos paralisados. Temos medo dos homens. Temos medo de fazer algo errado. Temos medo de não ter nada significativo para contribuir para o corpo de Cristo.
No entanto, todo membro é essencial no corpo de Cristo, e a contribuição de cada membro é extremamente valiosa.
Acho que o problema hoje é que não estamos funcionando. O funcionamento é a chave da comunhão. O funcionamento é o segredo da expressão da comunhão.
O fato não basta. A forma não é suficiente. O funcionamento é absolutamente essencial.
Se posso fazer um apelo a vocês como irmão hoje, o apelo que gostaria de fazer é este: comecem a ocupar seu lugar no corpo de Cristo e comecem a funcionar.
Muitas vezes, as pessoas vêm falar comigo e dizem: “Irmão, o que devo fazer?”. Não acho que vocês precisem que alguém lhes diga o que fazer. O Espírito Santo está em vocês. Simplesmente comecem a ser fiéis.
Comecem a funcionar ali onde o Senhor lhes deu uma consciência do corpo de Cristo. Comecem a servir. Comecem a orar. Comecem a adorar. Comecem a ajudar os santos. Comecem a fazer as pequenas coisas.
Então, de repente, se todos os membros do corpo de Cristo começarem a ser juntas de suprimento, como lemos em Efésios 4:15-16, ou partes atuantes, vocês começarão a ver a comunhão expressa de uma maneira que nunca viram antes.
Vejam, é bom que uma máquina tenha poucas peças móveis; ela não quebra com tanta frequência. Mas não é bom que o corpo de Cristo tenha poucas partes atuantes.
Se vocês olharem Efésios 4:15-16, verão que são as partes, as juntas de suprimento, as partes atuantes que estão funcionando, que fazem o corpo ser edificado.
Talvez eu leia esse versículo para encerrarmos. Abram em Efésios 4.
Irmãos e irmãs, isso é essencial. Se não nos apropriarmos disso, nunca seremos uma expressão dessa comunhão.
Efésios 4:16:
De Quem todo o corpo, bem ajustado e unido por toda junta de suprimento, segundo a operação na medida de cada uma das partes, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
Estas são palavras muito importantes: “bem ajustado”, “unido”, “toda junta de suprimento”. Você é uma junta de suprimento?
“Segundo a operação na medida” — não além da medida. Muitas pessoas querem fazer o que está além de sua medida. Faça apenas o que está dentro de sua medida, e Deus lhe dará mais para fazer.
Cada um é uma parte atuante. Irmãos e irmãs, é assim que a comunhão é expressa.
Quero perguntar novamente, antes de encerrar: você tem apenas um conceito? São apenas palavras? Ou você realmente tem uma consciência viva?
Se tivermos uma consciência viva e compreendermos os fatos da Palavra, a forma do corpo e a importância de funcionar, então a comunhão poderá ser expressa da maneira que Deus escolheu: por meio de Seu próprio corpo, aquilo que está mais próximo Dele.
Vamos orar?
Senhor, nós simplesmente devolvemos estas palavras a Ti. Pedimos realmente a Tua graça e a Tua ajuda para torná-las reais e vivas.
Senhor, não queremos ser daqueles que passam seus dias, mesmo como crentes, tendo apenas um conceito. Livra-nos de um mero conceito. Dá-nos uma consciência viva.
Faze-nos conhecer o que está em Teu coração e, então, obedecer e seguir a Ti. Faze-nos dedicar àquilo que está em Teu coração e permitir que o Espírito Santo opere por meio de nós como membros do Teu corpo.
Senhor, quero pedir o Teu perdão pelas vezes em que estive passivo ou paralisado. Senhor, liberta-me.
Hoje, entre os santos, quero dizer que nos entregamos inteiramente a Ti, para que tenhas o corpo que desejas e para que a comunhão seja expressa, como diz a Palavra, agora, aos principados e potestades, manifestando a multiforme sabedoria de Cristo.
Em nome de Jesus.