Na verdade, devo essa correção a um amigo anônimo. Não sei quem é esse amigo anônimo, mas eu conhecia o hino certo. Na semana passada, ao falar de John Fawcett, mencionei o hino errado, e esse amigo anônimo procurou minha esposa e disse: “Você ouviu a mensagem?” Então, muito obrigado por esclarecer isso.
Esse é o hino que ele escreveu depois que ele e sua esposa ficaram tão comovidos que não seguiram para aquele ministério muito mais prestigiado e maior na Inglaterra. Aliás — e não temos tempo; estamos atrasados —, se vocês procurarem o hino 749 no hinário, verão, no rodapé da página, uma pequena nota biográfica sobre John Fawcett. Essas notas são muito úteis, por sinal, e sou muito grato aos irmãos e às irmãs que organizaram esse hinário e incluíram algumas das histórias por trás dos hinos.
Então, se tiverem tempo, leiam a nota abaixo do hino 749, “Bendito Seja o Laço que Une”, de John Fawcett. Vocês entenderão a história. Mais uma vez, quero agradecer ao meu amigo anônimo e pedir desculpas.
Senhor, nós nos achegamos a Ti. As Tuas palavras são espírito e vida. Lembro-me do que foi dito depois da Tua ressurreição, quando Te encontraste com os Teus discípulos em uma daquelas aparições: Tu lhes abriste o entendimento para que compreendessem as Escrituras.
Senhor, se Tu não abrires o nosso entendimento, jamais compreenderemos. Nós nos achegamos a Ti e pedimos que nos abras a Tua Palavra neste dia, para que, ao continuarmos compartilhando sobre essa questão da comunhão, recebamos algo do alto — uma revelação que abra os nossos olhos, os nossos olhos interiores; que abra o nosso entendimento; e que nos faça conhecer o que Tu estás dizendo, o que o Espírito está dizendo às igrejas.
Entregamos a Tua Palavra a Ti e pedimos que a ilumines à medida que nos achegamos. Pois fazemos este pedido juntos, no precioso nome de Jesus. Amém.
Se vocês abrirem em 1 João, vamos tratar principalmente de 1 João nesta manhã. Vou pedir desculpas mais uma vez — é o segundo pedido de desculpas, dois seguidos. Sei que isso é um recorde absoluto, mas estou um pouco resfriado e, se minha voz não estiver tão clara, peço desculpas.
Vamos ler 1 João 1:1-7.
O que era desde o princípio,
o que temos ouvido,
o que temos visto com os nossos olhos,
o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam,
concernente ao Verbo da vida
(e a vida foi manifestada,
e nós a temos visto, e dela damos testemunho,
e vos anunciamos a vida, a vida eterna,
que estava com o Pai e nos foi manifestada);
o que temos visto e ouvido, isso também vos anunciamos,
para que também vós tenhais comunhão conosco:
e, de fato, a nossa comunhão é com o Pai
e com Seu Filho Jesus Cristo.
E estas coisas escrevemos, para que a nossa alegria seja completa.E esta é a mensagem que Dele temos ouvido e vos anunciamos:
que Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos nas trevas,
mentimos e não praticamos a verdade:
mas, se andarmos na luz, como Ele está na luz,
temos comunhão uns com os outros,
e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Agora, temos considerado essa questão da comunhão. Na semana passada, compartilhamos sobre a comunhão suprema. Eu disse a vocês que não os deixaria esquecer essa palavra. Fiz essa promessa; acho que a cumpri.
A comunhão suprema é um assunto imenso. Essa questão da comunhão é um assunto imenso. Não é exagero — e espero ter deixado isso claro — dizer que, em certo sentido, toda a Bíblia trata desse tema.
Desde o início da criação, quando vemos que o homem foi feito — e esse homem coletivo, homem e mulher —, o destino deles era a comunhão com Deus. Quando vemos o encerramento da Bíblia, em Apocalipse 21, e vemos a noiva descendo, a Nova Jerusalém descendo como uma noiva adornada e preparada para seu esposo, descobrimos que a história trata da comunhão, porque o tabernáculo de Deus está com os homens. Ele será o Deus deles, e eles serão o Seu povo.
Desde o princípio, tudo gira em torno da comunhão. Gosto do que o irmão Sparks disse. Quero mesmo fazer essa breve recapitulação, se vocês não se importarem. Este é um assunto profundo e inesgotável: a comunhão com Deus.
Mas poderíamos dizer que toda a Bíblia se concentra nessa única questão. Nesse sentido, penso que a comunhão é a questão central de todas as eras. Precisamos ter alguma percepção disso.
A palavra grega koinonia significa “compartilhar em comum”. É quase incompreensível demais para assimilarmos que Deus, o Criador, Aquele que fez todas as coisas, determinou que o destino do homem seria este: o próprio Deus compartilhar em comum tudo o que Ele é com a Sua própria criação.
Por essa razão, dissemos que este é o mais elevado privilégio. É um privilégio como nenhum outro. Não se pode comparar esse privilégio a qualquer outro. É o privilégio supremo.
Dissemos que ele veio ao custo supremo. Compartilhamos a partir de 1 Coríntios 1:9:
Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Tudo — tudo. Guardem isso. Lembrem-se disso. Se vocês são esquecidos como eu, lembrem-se desta única coisa: tudo, do começo ao fim desse chamado, se baseia na fidelidade Dele. Fidelidade completa, completa.
Compartilhamos sobre a provisão suprema, que torna possível essa comunhão. Ele não apenas nos chamou e nos deixou entregues aos nossos próprios recursos, como alguns talvez imaginem — fazendo o melhor que podemos nesse breve período de tempo para chegar ao fim e conseguir. Ele nos deu a Sua própria vida divina.
Em Colossenses 1:27, está escrito:
Este mistério é Cristo em vós, a esperança da glória.
Eu lhes falei daquela palavra sobre a qual Jerry tem compartilhado: “mas”, em Gálatas 2:20:
Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.
É o maior “mas” de toda a Bíblia. Provisão suprema.
Depois, falamos sobre o propósito supremo. Efésios 3:9 fala do propósito eterno de Deus, e, em alguns manuscritos, chama isso de “a comunhão do mistério”. A versão King James traduz assim: “a comunhão do mistério”. Isso é segundo o propósito eterno, em Efésios 3:11, ou, como Darby traduz — e gosto dessa maneira —, o propósito das eras.
Esse é o assunto imenso de que estamos tratando. Então, isso foi na semana passada. Nesta semana, vamos olhar para essa questão da comunhão divina.
Agora, isso é um pouco diferente do que examinamos na semana passada, caso vocês pensem que estou apenas percorrendo novamente o mesmo terreno. Na semana passada, falamos mais sobre o privilégio e o propósito. Nesta semana, trataremos mais do caráter e da natureza. À medida que avançarmos, isso se tornará cada vez mais prático, porque creio que, no fim, essa comunhão — essa comunhão suprema, essa comunhão divina — não deve ser uma teoria. Ela deve ser expressa.
Então, ao longo desse estudo, avançaremos do mais elevado para o prático.
Permitam-me dizer algumas palavras sobre João. Não sei quantos sabem ou percebem que essas epístolas — 1 João, 2 João e 3 João —, juntamente com o Evangelho de João, são os últimos escritos do Novo Testamento.
Embora o livro de João, Apocalipse, apareça por último na ordem da Bíblia, ele foi um de seus escritos anteriores, redigido em Patmos. Esses outros quatro escritos foram redigidos em Éfeso, por volta de 95 a 98 d.C., e são as revelações finais da Palavra do Novo Testamento. Por essa razão, creio que precisamos lhes dar muita importância.
João está em segundo lugar, depois de Paulo, em sua contribuição ao Novo Testamento. Ele tem cinco livros. O apóstolo Paulo, de modo impressionante, tem treze escritos; de longe, supera qualquer outro escritor do Novo Testamento. Mas não se pode diminuir a contribuição de João.
Ele foi um dos primeiros a entrar em cena, chamado quando consertava suas redes, junto com os outros apóstolos. Foi o último a sair de cena e deu a última palavra, em ordem cronológica, no Novo Testamento. Portanto, devemos prestar atenção ao que ele diz.
Durante minha preparação, eu estava lendo o que Graham Scroggie disse sobre João, e gostei. Isso me ajudou. Se vocês não se importarem, vou tomar emprestada a citação dele e repeti-la para vocês. Ele disse que João era “ardente no zelo e severo no temperamento”. Vocês se lembram dos filhos do trovão.
“Incapaz de entusiasmos pela metade.” Gosto disso: incapaz de entusiasmos pela metade. João se entregava por inteiro ao transmitir o que estava no coração do Pai acerca da comunhão.
Ele pensa em termos absolutos. Suas cores são preto e branco — Jessica vai me corrigir nisso —, não há cinza. Agora, vocês que são artistas, perdoem Scroggie. Ele era um grande teólogo, e eu sei que preto e branco não são cores. Perdoem-me por isso.
Mas ele está sempre caminhando em direção ao que é supremo, sempre voltando ao princípio, sempre compartilhando o centro daquilo que está no coração de Deus. Ele está sempre consertando a rede e procurando restaurar as coisas como deveriam ser.
É por isso que, nessa última das grandes revelações, ele nos leva de volta a esse assunto eterno da comunhão divina e faz dele seu único ponto central.
Era isso que eu queria usar como pensamento introdutório. Qual é o assunto dele? Vejam novamente 1 João 1:3. Nós lemos:
O que temos visto e ouvido, isso também vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco:
e, de fato, a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.
Esse é o assunto dele. Nossa comunhão é, de fato, com o Pai e com Seu Filho, Jesus Cristo. Nosso irmão disse que a palavra-chave para compreender toda a primeira epístola de João é esta palavra: comunhão. Se vocês deixarem essa palavra de fora, perderão toda a compreensão do assunto.
Acho que mencionei isso na semana passada. Nosso irmão Stephen, quando compartilhou sobre ver Cristo no Novo Testamento, disse: “1 João é ver Cristo na comunhão cristã”. Ele disse que esses escritos tratam de uma questão essencial, e essa questão é a comunhão.
Esse é o contexto desse livro. Para compreender 1 João, vocês precisam perceber que é disso que o livro trata. Não são apenas instruções práticas sobre a necessidade de amarmos melhor uns aos outros. Não são apenas exortações práticas sobre a necessidade de andarmos na luz como Ele está na luz.
Ele não está tratando apenas de questões práticas. Está tratando das mais elevadas questões celestiais, e traz essas questões para a prática. Essa é a diferença, e é disso que trata a comunhão divina.
Não é uma comunhão comum; é uma comunhão extraordinária. Não é uma comunhão natural; é uma comunhão divina.
Tenho um sócio aposentado — ele nunca ouvirá esta mensagem, então posso dizer isso. Amo esse homem de morrer. Essa é uma expressão terrível, não é? Mas eu amo esse homem. Ele é um querido irmão no Senhor. É um batista devoto, e, toda vez que tínhamos algum evento, ele orava. Essa era a parte boa. Eu achava ótimo: fazer a empresa orar.
Sempre orávamos quando meu querido sócio, Denny Milby, estava à frente. Ele dizia: “Vamos orar. Senhor, nós Te agradecemos por esta comunhão”. Não importava se estávamos jogando vôlei ou comendo. Tudo era comunhão.
Acho que às vezes pensamos que tudo é comunhão, seja a interação social, reunir-se ou conversar. Já contei essa história antes, e não me importo de contar algo contra mim mesmo. Certa vez, anos atrás, eu estava na casa de Fontaine, em um estudo bíblico, quando éramos o Grupo Cinco. Fontaine e eu estávamos conversando sobre os Redskins. Algumas pessoas sabem que gosto dos Redskins.
Stephen olhou para mim — nunca vou esquecer; não esqueci até hoje — e disse: “Comunhão não é falar dos Redskins”.
Eu me lembro disso. Às vezes, o que fazemos é qualquer coisa, menos comunhão — comunhão divina. Vocês precisam entender que a natureza da comunhão divina é compartilhar Cristo. É isso que temos em comum.
Não é a nossa condição socioeconômica. Você pode ter mais do que eu, ou eu posso ter mais do que você. Não são os mesmos interesses. Tenho certeza de que vocês não gostam dos Redskins. Não são as coisas que temos em comum neste mundo natural. É essa comunhão divina que temos ao compartilhar o Senhor Jesus Cristo.
Esse é o assunto, e é disso que ele está tratando.
A primeira coisa sobre a qual quero que pensemos, e talvez conversemos um pouco, é o contexto dessa comunhão. O apóstolo João deixa absolutamente claro qual é o contexto dessa comunhão. Ele diz que, basicamente, é um contexto duplo.
Ele usa duas expressões. Diz que é “com Ele” — com o Pai e com o Filho — e que é “uns com os outros”. Esse é o duplo contexto dessa comunhão, e ambos são comunhão divina.
Em outras palavras, não é que a comunhão que temos com Ele seja divina, enquanto a comunhão que tenho com Glenn esteja em um nível natural. Ela também é o compartilhar de Cristo. É comunhão divina.
Mas esse é o contexto e, antes de compreender esse assunto imenso da comunhão divina, vocês precisam compreender seu contexto; caso contrário, perderão o essencial.
É por aí que ele começa. Vejam o que ele diz em 1 João 1:6:
Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
Essa é a comunhão vertical. Ela é absolutamente essencial. Vou dizer isto e, se isso ofender vocês, sinto muito, porque é verdade: se vocês não têm um relacionamento vertical, uma comunhão vertical — se não têm comunhão divina com o Pai e com o Filho, no Espírito —, vocês não estão em comunhão divina.
Não sei em que vocês estão, mas não estão em comunhão divina. O contexto dela, seu alcance, suas dimensões, seu centro estão Nele.
Essa comunhão é uma comunhão direta com o Pai e com o Filho, não indireta. Não é por meio de um intermediário. É compartilhar em comum com a Divindade tudo o que Ele é. Vocês conseguem imaginar?
Todos os Seus recursos que estão em Cristo são disponibilizados a nós nessa comunhão divina. Imaginem: todos os Seus recursos, não apenas alguns dos Seus recursos.
Leiam o livro de Colossenses, no qual Paulo continua repetindo aquela expressão: “todas as coisas”. Às vezes, é apenas a palavra “tudo”, mas todas as coisas nos são dadas. Como lemos em Colossenses 2:9-10:
Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade,
e vós estais completos Nele.
Esse é o alcance dessa comunhão: acesso irrestrito, ilimitado, ao próprio Deus. Vocês conseguem imaginar?
Arão, o sumo sacerdote, se reviraria no túmulo se pensasse, por um momento, que o Novo Testamento nos introduz em um acesso irrestrito e completo a Deus. No Antigo Testamento, tudo dizia respeito à limitação da comunhão.
Somente o sumo sacerdote, somente uma vez por ano e somente no Dia da Expiação podia entrar no Santo dos Santos. Depois, esse privilégio era novamente revogado por mais um ano inteiro. Vocês conseguem imaginar? Isso é acesso limitado.
Graças a Deus pelo Antigo Testamento. Ele nos prepara para um Deus santo. Não estou depreciando o Antigo Testamento. Ele é o nosso tutor, como Paulo disse em Gálatas, conduzindo-nos a Cristo.
Mas, quando chegamos ao Novo Testamento, temos acesso absoluto, irrestrito e ilimitado ao próprio Deus. Isso é comunhão divina.
Nesta vida e neste mundo, não temos acesso irrestrito às autoridades mais elevadas. Vocês podem achar que têm, mas não têm. Linda até filtra algumas das minhas ligações, acreditem ou não, e eu nem estou tão alto assim na hierarquia.
Façam esta experiência. Voltem para casa hoje, liguem para a Casa Branca e peçam para falar com o presidente Obama. Digam a ele que gostariam de conversar sobre seu plano de saúde. Vejam se vocês têm acesso à autoridade máxima.
Ou liguem para o governador McAuliffe e digam: “Governador McAuliffe, eu gostaria apenas de conversar com o senhor sobre o novo rumo da Virgínia. Tenho algumas preocupações. Poderíamos nos sentar e ter um pouco de comunhão?” Imagino que vocês não conseguiriam essa reunião.
Diminuam um pouco mais o nível. Liguem para o prefeito Dwight Jones e digam: “Prefeito, quanto ao estádio dos Flying Squirrels, não estou muito convencido dessa ideia. Que tal nos sentarmos para almoçar, comer um bagel e conversar sobre isso? Ter um pouco de comunhão”.
Vocês não têm acesso ilimitado à autoridade máxima em lugar algum. Mas vocês têm acesso ilimitado e irrestrito à mais elevada autoridade que existe: o próprio Deus.
Jamais um pedido deixará de ser ouvido. Jamais Ele dirá: “Mais tarde”. Jamais colocará Sua secretária na linha para dizer: “Obrigada por suas preocupações. Vou enviar um memorando a Ele. Muito obrigada. Acesso negado”.
Ele vive sempre para interceder por nós. Ele é o nosso grande Sumo Sacerdote. Irmãos e irmãs, temos acesso ilimitado. É isso que a comunhão divina nos dá. Vocês conseguem imaginar?
O Senhor Jesus fez esta declaração extraordinária aos Seus discípulos em João 14:13-14. Se ela não estivesse ali, se eu não a estivesse lendo para vocês, vocês não acreditariam em mim. Diriam: “Isso é bom demais para ser verdade”. É, mas é verdade.
E tudo quanto pedirdes em Meu nome, isso farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, isso farei.
São palavras quase inacreditáveis. Mas esse é o acesso que recebemos. O acesso jamais será negado. Um pedido jamais deixará de ser ouvido. Uma petição jamais será deixada de lado. Ele está sempre presente, sempre disponível; nunca cochila e nunca dorme.
Isso é comunhão divina.
Para estabelecer e manter essa comunhão vertical, o Senhor fez algo incrível. Ele deu o Seu próprio Espírito Santo como nosso Representante em tempo integral, não apenas para estar conosco, como diz o Evangelho de João, mas para estar em nós. Vocês conseguem imaginar?
O Senhor faz essa coisa incrível para que essa comunhão divina possa ser real, viva e mantida. Ele dá o Representante supremo para estar com você: o Espírito Santo, para permanecer com você para sempre e estar em você.
É por isso que o apóstolo João, nesta carta, usa a palavra unção. Em 1 João 2:20, lemos:
Vós tendes a unção do Santo.
A versão King James fala da unção. Para tornar essa comunhão vertical real e viva, temos Deus, o Espírito Santo, nosso Paráclito em tempo integral, presente para nos representar, apresentar nossa causa diante do mais elevado tribunal e nos conduzir até o fim.
Há um versículo sobre o Espírito Santo e a comunhão em toda a Bíblia. É o versículo final de 2 Coríntios 13:14:
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.
A comunhão do Espírito Santo. O Espírito Santo está bem no centro dessa comunhão, tornando-a real, introduzindo-nos nela, mantendo-a, fazendo com que seja algo vivo, e não uma devoção morta.
J. N. Darby disse isto a respeito de 1 João. Ele falou do Senhor Jesus como nosso Defensor junto ao Pai, em 1 João 2:1:
Temos um Defensor junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo.
É Alguém que conduz a causa de uma pessoa e a ajuda. Isso Cristo fez na terra; isso Ele faz agora no céu. Quando o Senhor Jesus ascendeu ao céu para Se assentar à direita de Deus, é isso que Ele passou a fazer. É por isso que Hebreus 7 O apresenta como nosso grande Sumo Sacerdote, que vive sempre para interceder por nós diante de Deus.
Então Darby disse isto: “E o Espírito Santo, na terra, administra nossa causa e nossos assuntos por nós”. É isso que o Espírito Santo faz. Ele está presente para administrar tudo, introduzir vocês em tudo e tornar isso real para vocês.
Deus, o Pai, ama com amor eterno. Deus, o Filho, morreu em nosso lugar. Deus, o Espírito Santo, vem não para uma breve visita, mas para estabelecer residência permanente em vocês. Como é grandiosa, como está além de qualquer descrição essa comunhão divina!
Creio que essa comunhão vertical é a coisa mais preciosa na Palavra de Deus. Agora, o segundo componente é a comunhão horizontal. Vocês nunca podem deixá-la de fora.
Temos comunhão com Ele e temos comunhão uns com os outros. O apóstolo João foi muito claro ao ligar esses dois versículos. Às vezes, gostamos de falar sobre nossa comunhão com Deus, e essa comunhão vertical é essencial, absoluta e fundamental. Se vocês não têm essa comunhão divina vertical, não têm comunhão.
Mas esse outro componente, esse outro contexto, é igualmente importante para Deus. Essa comunhão deve se estender entre os irmãos e as irmãs.
O Espírito Santo em nós dá um testemunho vivo sempre que encontramos outro crente. Vocês imediatamente sabem que aquela pessoa é seu irmão ou sua irmã.
Nunca vou esquecer como isso aconteceu quando fui salvo. Todos nós fomos criados em famílias naturais e talvez tivéssemos irmãos e irmãs. Amamos nossos irmãos e irmãs. Mas, quando você se torna um crente, está em Cristo Jesus e o Espírito Santo está em você, há em você essa unção, de modo que ninguém precisa lhe ensinar. Ela começa a revelar quem são seus irmãos e irmãs na terra.
Essa é uma comunhão preciosa e real. Vocês não podem viver sem ela.
Lembro-me da história que o irmão Stephen contou sobre o irmão Nee. Nunca vou esquecê-la. O irmão Nee foi, creio eu, à Inglaterra, e havia ali um querido santo idoso que estava morrendo e alternava entre momentos de consciência e inconsciência.
Em certo momento, aquele irmão despertava e dizia: “Não posso viver sem o meu Senhor”. Depois, voltava a perder a consciência, despertava novamente e dizia: “E o Senhor não pode viver sem mim”.
Isso é comunhão vertical. Pelo que entendo, o irmão Nee voltou à China e descobriu o segundo componente. Ele disse: “Não posso viver sem o meu Senhor, e meu Senhor não pode viver sem mim. E não posso viver sem meus irmãos e minhas irmãs, e meus irmãos e minhas irmãs não podem viver sem mim”.
Isso é comunhão divina horizontal. Vocês conseguem viver sem seus irmãos e suas irmãs? Acho que muitas vezes dizemos: “Puxa, como eu gostaria de poder viver sem meus irmãos e minhas irmãs”. Mas há uma compreensão da comunhão divina que diz que não podemos. Ela faz parte do todo, está inseparavelmente ligada a ele e é absolutamente essencial.
Com nossos irmãos e nossas irmãs, temos o mais elevado privilégio: compartilhar em comum a realidade mais elevada, que é o próprio Cristo, edificar uns aos outros e ajudar uns aos outros ao longo desta jornada cristã. Isso é comunhão divina.
Há outra coisa que eu gostaria de dizer sobre essa comunhão. João destaca um ponto em 1 João 1:6-7: a comunhão é algo frágil.
Talvez vocês não compreendam isso, mas acho que a maioria compreende. A comunhão é algo frágil. Pode ser facilmente rompida. Ela deveria vir em uma daquelas caixas grandes com a inscrição: “Conteúdo frágil”.
Em um instante, podemos entrar na comunhão e sair dela. Nós, que estamos na luz, podemos começar a andar nas trevas e, em um instante, estamos fora da comunhão. Ela pode ser rompida. É frágil.
Com um irmão ou uma irmã, vocês sabem como é. Vocês podem ter a mais abençoada comunhão e, então, um dia descobrem que já não têm comunhão com aquela pessoa. Ela foi rompida — facilmente rompida.
Mas o Senhor fez a provisão suprema para que a comunhão, mesmo quando rompida, possa ser restaurada. Ouçam estas palavras de 1 João 1:6-7:
Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade:
mas, se andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros,
e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Irmãos e irmãs, se a comunhão — a coisa mais frágil do universo — pode ser tão facilmente rompida, nunca se esqueçam de que Ele fez provisão para que ela sempre possa ser restaurada. Basta o sangue de Jesus. Ele nos purifica de toda injustiça.
Anos atrás, tínhamos uma lei na Virgínia — talvez ela ainda exista — segundo a qual, na terceira infração, você estava fora. Se você usasse uma arma em um crime e cometesse a infração três vezes, não haveria mais misericórdia. Você estava fora.
Vocês conseguem imaginar se Deus, na comunhão divina, dissesse: “Muito bem, você já está na segunda. Está chegando bem perto”? Mas Ele nunca faz isso. Ele fez provisão para que essa comunhão, que pode ser tão facilmente rompida, possa ser completamente restaurada.
Em 1 João 1:9, lemos:
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Vocês conseguem imaginar? Isso não é belo? Deixem-me ver se entendi direito. Comunhão divina: o amor de Deus cobre todas as coisas; o Filho de Deus morreu por nós; Deus, o Espírito Santo, vem habitar em nós permanentemente; e, se, mesmo com todas essas provisões, ainda fizermos alguma coisa errada, sempre haverá um caminho para que a comunhão seja restaurada.
Sei que todos vocês conhecem a parábola do filho pródigo. Às vezes, penso que não a usamos de maneira inteiramente correta, mas não tenho problema com isso. Todo mundo pensa que ela é uma mensagem evangelística. Louvado seja o Senhor. Continuo a usá-la, e já a usei muitas vezes como uma mensagem evangelística. É uma boa mensagem.
Mas pensem nela um pouco mais profundamente. Em primeiro lugar, esse pródigo era um filho que estava com o pai, conhecia tudo o que o pai tinha e participava disso. Então, em um momento de loucura, decidiu: “Pai, dê-me o que me cabe, e vou viver por minha conta”.
Ele viveu na devassidão. Foi embora e desperdiçou tudo o que o pai lhe havia dado. Mas, felizmente, se vocês lerem essa história, verão que ele cai em si. Ele pensa: “Até os empregados — já não sou digno de ser chamado filho —, mas até os empregados na casa de meu pai têm mais”.
Ele volta para confessar, e essa é, acima de tudo, uma história de comunhão restaurada. Que bela história!
Vocês acham que o pai teria dito: “Você desperdiçou a herança. Andou com as pessoas erradas. Gastou tudo, e agora não sobrou nada. Azar o seu”? Mas o pai não fez isso.
Ele disse: “Tragam o novilho cevado. Tragam o anel e coloquem-no em seu dedo. Tragam as sandálias e coloquem-nas em seus pés. Vamos celebrar, porque aquele que estava morto está vivo, e aquele que estava perdido foi encontrado”.
A comunhão rompida sempre pode ser restaurada. Onde vocês estão hoje? Estão em comunhão divina? Ela foi rompida? Vocês se afastaram dela? Têm ao menos uma pequena percepção do que estou tentando compartilhar?
Este é o mais elevado privilégio, mas é extremamente frágil. Ainda assim, nosso Deus fez toda provisão — toda provisão foi feita — para que pudéssemos ser restaurados.
Agora, deixem-me compartilhar outra coisa com vocês. O apóstolo João apresenta o caráter dessa comunhão de maneira muito simples e profunda. Ele usa três palavras essenciais. Elas são os ingredientes essenciais da comunhão divina.
A primeira é a palavra vida. Acho que ela aparece cinco vezes no livro. A segunda é a palavra luz. Acho que aparece dez vezes no livro. A terceira é a palavra amor, que aparece de maneira predominante no livro — acho que trinta e duas vezes.
O caráter dessa comunhão divina pode ser explicado por essas três palavras essenciais. Ela precisa ser na vida. Precisa ser na luz. E precisa ser no amor. Se faltar qualquer um desses três ingredientes, vocês não têm comunhão divina.
Se vocês examinarem com muito cuidado a explicação em 1 João, verão que ele deixa claro que esses três ingredientes não são coisas, mas são encontrados em uma Pessoa divina. Isso é muito importante.
Às vezes, pensamos: “Se eu tivesse só um pouco mais de vida”. Algumas pessoas estão, na verdade, falando de vivacidade. Outras pensam: “Se eu tivesse só um pouco mais de luz”, e estão falando de doutrina. A maioria das pessoas diz: “Se eu tivesse mais amor, esse seria o segredo”, e muitas vezes está falando de seu próprio amor.
O apóstolo João deixa muito claro que a natureza dessa comunhão divina não é vida humana ou vida natural. Não é luz natural, e não é amor natural.
A maneira como ele faz isso é interessante. Ao usar o artigo definido, quando fala de luz, ele diz: “a luz”. Quando fala de vida eterna, diz: “a vida eterna”. Quando fala de amor, é: “Deus é amor”.
Vocês percebem a diferença? Isso não está falando de atributos que precisamos desenvolver para ter comunhão divina. Está falando de uma fonte divina, na Qual esses atributos ou características já são uma realidade. Se estivermos em comunhão com Ele, eles serão uma realidade em nós.
Vejam 1 João 5:11-12:
E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho.
Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
É a vida eterna. Em 1 João 1:2, vocês veem novamente essa expressão: “a vida eterna, que estava com o Pai”. É isso que veio até nós.
Ela é uma característica absoluta de Quem Ele é. Essa vida não é algo que desenvolvemos, um traço de caráter que construímos. É o que Ele é, transmitido a nós pelo Espírito Santo, expresso a nós por meio do Espírito Santo e expresso através de nós pelo Espírito Santo.
Quando falamos de amor, é dito duas vezes, em 1 João 4:8 e em 1 João 4:16:
Deus é amor.
Isso é o amor. Não é algo que desenvolvemos, um traço de caráter que construímos. É o que Ele é.
Os três termos que começam com “L” em inglês — life, light e love: vida, luz e amor — devem ser expressos de maneira prática em nossas vidas. Há um lado prático.
Há evidências que confirmam ou condenam, que mostram se vocês estão em comunhão ou não. Se vocês andam nas trevas e dizem que estão na luz, estão enganando a si mesmos. Essa é uma evidência que condena.
Mas, se andarmos na luz como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros. Há uma evidência que confirma. Ao longo de todo esse livro, o lado prático é desenvolvido: aquilo que está Nele e aquilo que Ele é devem ser expressos em nós. Isso se manifesta de maneira prática porque é manifestado em nós pelo Espírito Santo.
Ele diz, em 1 João 4:20, em essência: “Como podemos dizer que amamos a Deus e odiar nosso irmão?” Como podemos dizer isso? Essa é uma evidência que condena. Vocês não estão em comunhão divina.
Hudson Taylor disse algo que achei engraçado na primeira vez que li, mas creio que é verdade. Isso vai ao centro da evidência da comunhão expressa em nossas vidas. Ele disse: “Se seu pai e sua mãe, sua irmã e seu irmão — agora, ouçam isto —, até mesmo o gato e o cachorro de sua casa não são mais felizes por você ser cristão, é questionável se você realmente é”.
Vocês entendem? Sempre ouvi esta ilustração: se você fosse levado a um tribunal e acusado de ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?
Irmãos e irmãs, se estamos nessa comunhão divina, deve haver evidências. Esse é o lado prático. Deve haver uma expressão concreta de que amamos uns aos outros. Não é o nosso amor natural; é Quem Ele é, por meio do Espírito Santo. Não é algo que produzimos por esforço próprio.
É Quem Ele é. Mas, se isso não estiver evidente, então é questionável se realmente estamos nessa comunhão.
Há uma última coisa que quero dizer. Está em 1 João 3:1-3. Para mim, esta é uma das coisas mais extraordinárias que podem ser ditas sobre a comunhão divina.
Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus; e nós o somos.
Por esta causa, o mundo não nos conhece, porque não O conheceu.
Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser.
Sabemos que, se Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque O veremos assim como Ele é.
E todo aquele que Nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro.
Essa é a culminação da comunhão divina. Algumas pessoas pensam que a culminação da comunhão divina é a esperança de estar com Ele no céu. Essa é, muitas vezes, a mensagem cristã. Irmãos e irmãs, nossa esperança não é apenas essa. Nossa esperança vai muito além disso.
Ele nos deu muito mais do que isso. A culminação da nossa esperança não é apenas estar com Ele no céu. É que, quando O virmos, seremos semelhantes a Ele. Vocês conseguem imaginar?
Para mim, essa é a culminação daquilo que o apóstolo João nos trouxe sobre essa questão da comunhão divina. Toda essa comunhão, toda essa operação do Espírito Santo, todo esse trabalho de desenvolvimento, toda essa unção, todo esse ungir, todo esse acesso — no fim, tudo isso transforma aquele que recebe essa ação naquilo que Ele próprio é.
Aquele que transforma faz com que o objeto de Sua ação se torne semelhante a Ele. Nosso querido e velho irmão escocês Candlish disse que essa comunhão tem um caráter transformador, conformador e assimilador. Nossa grande esperança acerca da comunhão divina, no fim, é que seremos semelhantes a Ele.
Irmãos e irmãs, não sei se isso fala a vocês como tem falado a mim, mas não consigo pensar em um chamado mais elevado, em uma honra maior. Quanto mais medito nisso, menos consigo imaginar o que mais Deus poderia ter feito.
Isso vai além de qualquer descrição. Ainda assim, em Sua misericórdia, Ele fez todas essas coisas. Ele colocou Seu caráter divino à nossa disposição. Colocou dentro de nós — não um morador de meio período, mas o próprio Deus, o Espírito Santo, em tempo integral — para garantir que essa obra seja realizada.
No fim, Ele nos transformará para sermos semelhantes a Ele, se vocês conseguirem ao menos começar a imaginar isso. Irmãos e irmãs, isso é comunhão divina.
Isso resume tudo. Esse é o contexto: com o Pai e com o Filho, no Espírito; e uns com os outros.
Esse é o caráter: vida divina, luz divina e amor divino em nós. E essa é, no fim, a grande culminação. É muito maior do que qualquer coisa que possamos imaginar, mas, no fim, seremos semelhantes a Ele.
Vamos orar?
Senhor, queremos que Tu realmente nos ajudes, pelo Espírito Santo, a nos apropriar dessas coisas e a entrar nelas de maneira mais plena do que temos entrado.
Confessamos que nossa compreensão do nosso chamado é muito limitada. Mas, pelo menos em alguns aspectos, vemos que ele é muito grande. Poderias nos conduzir à realidade dele?
Senhor, não queremos simplesmente ter um conceito. Queremos, pelo Espírito Santo, nestes poucos dias que temos na terra, ser conduzidos à realidade disso — experimentá-lo em nossas vidas e vê-lo expresso de maneira prática à medida que o Espírito Santo opera em nós.
Então, verdadeiramente, haverá até mesmo céu na terra. Senhor, entregamos estas palavras a Ti. Pedimos que nos ajudes. Aquilo que não ficou compreensível, vivifica-o. Fala conosco pelo Espírito Santo.
Opera em nós nesta semana, para que valorizemos mais essa comunhão divina à qual Tu nos chamaste. Em nome de Jesus. Amém.